abril 21, 2023

A LIBERDADE PASSA POR AQUI

IMG_0092.jpg


O INDESEJADO - Segundo essa sinistra figura chamada Sergei Lavrov, o Brasil e a Rússia têm visões similares sobre o conflito na Ucrânia. A declaração foi feita em Brasília, numa visita oficial do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, a convite de Lula da Silva, o mesmo Lula da Silva que se apresenta como mediador para alcançar a paz. O problema é que nada de bom se espera de um mediador que toma partido pelo lado do invasor, como Lula fez na sua recente viagem à China e Lavrov veio elogiar. É este Lula da Silva que vem a Portugal, a convite do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, um pouco diplomata membro do Governo que abusivamente convidou um defensor de ditaduras e de opressores a estar presente no parlamento português no dia da celebração da Liberdade, o próximo 25 de Abril. É  uma indignidade o que Cravinho fez e a presença de Lula é infelizmente tolerada pelo PS e o PSD em nome de uma suposta responsabilidade que sacrifica princípios. É uma ofensa que Lula da Silva discurse no parlamento nesse dia, seja em que contexto fôr. A circunstância de se dizer que Portugal e o Brasil são países irmãos não atenua nada - há irmãos que se portam mal e são afastados da família. Lula é um caso assim, as suas afirmações sobre a posição da União Europeia, e de Portugal, mostram que ele prefere estar do lado agressor, contra a Europa. Eu, como português, sinto-me ofendido por ele ir ao parlamento no dia 25 de Abril. Espero que haja deputados, de todos os partidos que condenaram a invasão russa da Ucrânia, que ostentem as cores azul e amarela nesse dia. Que digam alto e bom som que a Ucrânia vencerá, que a liberdade triunfará, que os invasores serão castigados. Querer a paz, como Lula afirma, é em primeiro lugar condenar o invasor. O que Lula está a fazer não é procurar a paz, é justificar a guerra. 


 


SEMANADA -  Segundo o FMI a economia portuguesa deverá registar este ano a segunda maior travagem económica da zona Euro e Portugal tem a 13ª economia mais lenta do mundo;  ainda segundo o FMI a economia portuguesa está entre as que correm riscos elevados de uma crise financeira causada pelo mercado imobiliário; a carga fiscal em Portugal aumentou 15% em termos nominais no ano passado e o rácio entre o valor dos impostos e das contribuições sociais, e o valor do produto interno bruto, está no número mais alto desde 1995; a receita com o IVA aumentou 18% em 2022 e a do IMT cresceu 26%;  nos últimos quatro anos 11 mil casas foram compradas por estrangeiros; no sector empresarial do Estado estão mais de 20 mil milhões de euros de dívida, cerca de 10% do PIB português; segundo o FMI o PIB per capita português, em percentagem da média europeia, está abaixo do valor de 1995, quando se concretizou a adesão à União Europeia; desde 1995 Portugal já recebeu mais de 157 mil milhões de euros de fundos europeus; a construção de centrais solares já motivou autorização para o abate de 3775 sobreiros e azinheiras; em 2022 registaram-se 19 insolvências pessoais por dia; os profissionais do SNS realizaram em 2022 cerca de 19 milhões de horas extraordinárias, o segundo valor mais alto registado desde 2014; o governo gastou um milhão de euros para criar uma academia de ciberdefesa com equipamento topo de gama e quer construir uma nova estrutura idêntica sem que a primeira esteja sequer a ser utilizada; este ano a GNR já deteve 34 pessoas por suspeita de crime de incêndio florestal;  apenas 13% dos inquéritos por assédio sexual dão origem a acusação.


 


O ARCO DA VELHA - O deputado do PS Carlos Pereira integrou dois inquéritos parlamentares à Caixa Geral de Depósitos enquanto negociava uma dívida sua a esse banco.


 


IMG_0935.jpg


MANEIRAS DE VER - Jorge Molder regressa à observação da sua própria imagem na nova série de fotografias, “Grandes Planos”, em exposição na Galeria Miguel Nabinho até 13 de Maio (na imagem). Esta série, que combina a fantasia do voyeur com o estado de espírito do observado, é toda datada já deste ano e tem 20 fotografias, das quais a galeria expõe 13. São ampliações de grande formato (151x101 cms), a preto e branco, cuidadosamente impressas pelo próprio Jorge Molder em papel Arches cotton de 640 gramas.  O auto-retrato tem surgido com alguma frequência no seu trabalho, muitas vezes em narrativas ficcionais onde Molder assume a representação de personagens que idealiza e foi também a ideia central da série “Nox”, com que representou Portugal na Bienal de Veneza de 1999. Nesta nova série, “Grandes Planos”, não há adereços, apenas o rosto, em interpretações da própria fisionomia de Molder, um olhar que ele assume sobre si próprio, contido na premeditada conciliação entre luz e sombra. Uma outra exposição de fotografia, bem diferente , é “A Dimensão Imersiva”, uma viagem pelo percurso de Jorge Marçal da Silva, um cirurgião que no início do século XX se dedicou também à fotografia, nomeadamente explorando o potencial das imagens estereoscópicas, tridimensionais. A exposição, que além das fotografias, tradicionais e estereoscópicas, inclui câmeras e material de laboratório de Marçal da Silva, está patente no Arquivo Municipal de Fotografia (Rua da Palma 246), até 31 de Agosto. Destaque final para a exposição “Janeiro-Dezembro”, de Luís Paulo Costa, com curadoria de Sara Antónia Matos, na qual o artista mostra 12 pinturas que representam os céus ao longo dos doze meses do ano e uma série de outros trabalhos realizados nos últimos anos - na Sociedade Nacional de Belas Artes até 27 de Maio.


 


image-6.png


O CONTADOR - Franz Kafka preferia ser considerado mais como um bom contador de histórias do que como um romancista. “Todos os Contos” reúne pela primeira vez toda esta obra de Franz Kafka, com vários textos nunca publicados em Portugal. Esta edição tem um texto introdutório de Álvaro Gonçalves, que fez também a tradução,  feita diretamente do alemão e respeitando toda a especificidade da escrita kafkiana, com base na edição crítica da obra de Franz Kafka, que segue os manuscritos originais e, nos casos em que isso não foi possível, as edições que correspondem à última vontade do autor. ”Todos os Contos” compila na íntegra e por ordem cronológica, todas as suas narrativas que possam ser classificadas como contos reunindo tanto os textos publicados em vida como os que foram revelados postumamente.  Nesta recolha estão a breve novela “A sentença” e os textos, mais longos, de “A Metamorfose”, “Na colónia penal" ou “Josefine, a cantora, ou o povo dos ratos”. Franz Kafka nasceu em 1883 em Praga e ao longo dos seus 40 anos de vida publicou apenas sete pequenos livros, sendo três deles antologias de contos e fragmentos que haviam saído em conhecidas revistas e jornais de Praga. Álvaro Gonçalves sublinha na introdução que é “neste género de narrativa curta que Kafka demonstra a sua arte de concepção literária, tanto a nível formal (...)  como em termos de conteúdo, fazendo de cada narrativa concebida por si uma autêntica obra-prima do género repetitivo (conto curto, fragmento, parábola, alegoria, fábula, novela e aforismo)”. Edição Livros do Brasil, colecção Dois Mundos.


 


image-5.png


CANÇÕES SÓ APARENTEMENTE SIMPLES -  Gosto de Feist, da sua voz, da sua maneira de compôr e de cantar, essa forma envolvente de fundir música e palavras, fazendo com que as canções de um álbum se entrelacem umas nas outras, mostrando diferenças mesmo quando aparentemente se assemelham. “Multitudes” é o novo disco de Feist, depois de uma pausa de seis anos, durante os quais adoptou uma criança, acompanhou de perto a doença e a morte do seu pai e mudou-se para Los Angeles. A morte, o nascimento, a mudança e a persistência são os temas que marcam este seu sexto disco. Feist começou a ser notada com o seu disco solo de estreia em 1999 e afirmou-se como autora de canções quase sempre intimistas, frequentemente com uma forte base acústica, por vezes com laivos experimentais, mas mantendo uma simplicidade  que se tornou a sua imagem de marca. “Multitudes” inclui 12 canções, melódicas na composição, fortes nas palavras, que descrevem a forma como a sua vida mudou, os momentos em que tudo se desfazia para depois se reconstruir.  Temas como “In Lightning”, “Forever Before” ou  “Love Who  We Are Meant To”, mostram a força dos arranjos, a cumplicidade entre a voz e os instrumentos, a simplicidade do dedilhar das cordas de uma guitarra. Há temas onde revela o que lhe vai no pensamento como quando em “Hiding Out In The Open” ela canta “Everybody’s got their shit/ But who’s got the guts to sit with it?”. Mas o meu tema preferido talvez seja “Borrow Trouble”, já quase no fim do álbum, onde a guitarra eléctrica, a bateria e um solo de saxofone se juntam à sua voz que canta sentir-se “so good at picturing the life I was gonna be left out of / Rather than the one I’d made”. Disponível em streaming.


 


A CAVALA - Com o tempo a aquecer vem a vontade de almoços simples com recurso a uma matéria prima muitas vezes desprezada: a conserva portuguesa. Hoje dedico estas linhas às boas conservas de filetes de cavala sem pele e espinhas, felizmente abundantes e de boa qualidade, como as da Minerva, que são as minhas preferidas. Da próxima vez que pensarem numa salada de feijão frade experimentem usar cavalas em vez do habitual atum, adicionem tomate cherry cortado em metades, salsa fresca picada, umas rodelas finas de cebola roxa e rodelas de ovo cozido. Vão ver que ficam a pensar que é uma boa variante para o atum. Outra possibilidade, enquanto as laranjas estão boas como agora, é cortar a laranja às rodelas, dispor num prato largo, temperar com azeite e um pouco de pimenta moída na altura e por cima das rodelas colocar lombos de cavala. Por fim, como entrada, sugiro fatias de pão alentejano cortadas finas, tostadas, salpicadas com um bom azeite e salsa picada com pedaços dos lombos de cavala por cima. Em Espanha, aqui ao lado, as conservas são matéria prima de petisco, aqui muitas vezes são injustamente subalternizadas e merecem mais atenção (e uso) do que aquele que lhes dispensamos normalmente.


 


BOM - O desmascaramento de Boaventura Sousa Santos.


MAU - A defesa de Boaventura Sousa Santos em nome da suposta superioridade moral da esquerda.


DIXIT - “É uma coincidência que estes casos só apareçam contra pessoas de esquerda?”, questionou Raquel Varela, a propósito das acusações de assédio dirigidas a Boaventura Sousa Santos.


BACK TO BASICS - “As opiniões baseadas em preconceitos são as que recorrem à maior violência para se afirmarem" -Francis Jeffrey





FUTEBOL DOMINA AUDIÊNCIAS DE TV

Na semana passada o futebol voltou a dominar as audiências. A transmissão do Benfica-Inter de Milão na TVI teve 2,1 milhões de espectadores e o Juventus-Sporting, na TVI teve 1,9 milhões. “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” foi o programa de entretenimento mais visto com cerca de um milhão de espectadores, a novela “Festa É Festa” da TVI bateu a sua rival da SIC, “Sangue Oculto”, “Preço Certo” continua a ser o programa não informativo mais visto da RTP1 e O Triªângulo” da TVI ficou no 12º lugar dos mais vistos e bateu “Os Traidores”, da SIC, com Daniela Ruah, que não conseguiu melhor que a 19ª posição e que na semana passada tinha tido melhor resultado. De acordo com a Marktest, em 2022, os portugueses viram, em média, 5 horas e 21 minutos de televisão por dia,valor que representa uma quebra de 17 minutos face à média registada no consumo televisivo em Portugal no ano anterior. As mulheres, os mais idosos e os residentes no Norte são os segmentos populacionais com maior ligação à televisão. Os programas de Divertimento foram os que mais tempo ocuparam na grelha da RTP1, SIC e TVI e na RTP2 predominaram programas juvenis. Estes quatro canais generalistas emitiram durante o último ano 85 mil notícias, com uma duração total de 3164 horas, o segundo valor mais alto em horas de emissão de notícias nos últimos 15 anos. No passado mês de março, o futebol ocupou mais de metade das posições do top 10 de programas, com os jogos da selecção portuguesa para o Euro 2023 a dominarem as primeiras posições.


(Publicado no CM 21 Abril 23)

abril 15, 2023

AS MUDANÇAS NO MERCADO PUBLICITÁRIO

Entre 2021 e 2022 como evoluiu o investimento publicitário em Portugal? A resposta tem algumas surpresas, considerando que o período em causa foi o da retoma após a pandemia e os confinamentos. Seria de esperar que o investimento nos canais generalistas de televisão tivesse um aumento substancial, mas o incremento de investimento anual na SIC, TVI e RTP1 foi de apenas 1%.O líder da captação de novo investimento foi o outdoor, que subiu 28,1%, seguido da televisão por Cabo que aumentou 17%, do digital com 12,5% e da rádio com 9,2%. O meio que teve mais uma vez o pior comportamento foi a imprensa, que teve uma quebra de 14%. Recordo que estes números se referem à comparação entre os totais de 2021 e 2022. Peguemos agora noutro indicador: qual é a variação que existe entre os números de Fevereiro do ano passado e os de Fevereiro deste ano? Que mudou nestes doze meses?  Os canais generalistas tiveram neste período uma queda de investimento publicitário de 7,2% enquanto os canais de cabo aumentaram 13,1%. O maior aumento, 32%, continua a ser do Outdoor, seguido do digital com 16%, enquanto a imprensa caíu 15,4%  e a rádio teve uma quebra de 9,2%. Alguns observadores do mercado atribuem a queda do investimento nos canais generalistas ao aumento de preços verificado no início do ano - será curioso ver como este indicador evolui ao longo de 2023. Uma outra análise importante é ver a variação da percentagem total de investimento captada em cada meio, comparando o número dos dois primeiros meses de  2022 com os de 2023. Assim, os canais generalistas, que tinham 39,3% do investimento em 2022, registam agora 34,3% enquanto o cabo aumentou de 12,3% para 13,1%. A Imprensa caíu de 1,8% do total para 1,5%, a rádio teve também uma queda de 5,9% para 5%, enquanto o outdoor subiu de 11,8% para 14,7% e o digital também aumentou de 28,2% para 30,8% Olhando para estes números há algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar, e pondo de lado o efeito, talvez conjuntural, do aumento dos preços implementado pelos canais generalistas, assiste-se de forma consistente a uma quebra da sua audiência. Actualmente eles são vistos por pouco mais de 40% do total de espectadores já que o conjunto de canais de cabo e das plataformas de streaming continua a aumentar - mais lentamente, mas aumenta. Esta quebra apenas é alterada quando há transmissões directas de grandes eventos desportivos, nomeadamente de futebol. Por outro lado a grande fragmentação das audiências por um conjunto alargado de canais de cabo e pelas plataformas de streaming leva os anunciantes a procurar soluções que possam ser eficazes a alcançar mais gente - daí o grande aumento de captação de investimento pelo outdoor em todos os seus formatos, sobretudo desde que existem métricas mais fiáveis sobre o seu alcance e resultados obtidos. Outro sinal desta apetência pelos outdoors está no facto de actualmente as posições importantes estarem marcadas com grande antecedência. A rádio está numa posição oscilante e o digital continua a subir, notando-se, segundo estudos sobre o mercado mundial,  um aumento do investimento nos suportes com vídeo e no search e uma estabilidade nos banners. Muito provavelmente o interesse dos anunciantes pelos canais generalistas vai continuar a diminuir enquanto deslocam o investimento para outros meios que lhes proporcionem uma cobertura mais ampla, ou então uma segmentação mais eficaz. Mas é bom não esquecer que, com quase 35% do total da publicidade, a televisão generalista continua a ser o meio que capta mais investimento, seguido pelo digital, outdoor, rádio e, no final, a imprensa.

abril 14, 2023

UMA POLÍTICA CADA VEZ MAIS PERIGOSA

IMG_0527.jpg


O VAZIO - Bateu no fundo. Conhecem esta expressão? Pois estas três singelas palavras descrevem a situação a que o Governo chegou, a forma como usa o Estado em proveito do PS e mostra o grau de desnorte de dirigentes partidários e membros do executivo. É certo que todos os partidos têm más pessoas, intriguistas, mentirosos, falsos, hipócritas e charlatães. Como se tem observado, o actual Governo está cheio deles. Num escasso ano de funções, olhando-se para o que se tem passado,  sente-se um enorme vazio: um PRR, anunciado como milagroso e que está completamente encravado, uma justiça paralisada, um sistema de saúde a colapsar, o ensino público derrotado. Por junto, nos mais de cinco anos que Costa leva de Primeiro Ministro nenhumas reformas foram feitas, e assistimos ao paradoxo de agora ver recuar em reversões de medidas do anterior executivo, como a TAP, num folhetim aéreo que envolve nomes como Pedro Nuno Santos, João Galamba, Hugo Mendes, Fernando  Medina e, por tabela, António Costa. Nos últimos dias assiste-se a uma parada de disparates, como o lançamento de um jogo para avaliar a localização do próximo aeroporto, até afirmações melosas do tonitruante ex-rotweiller do PS, Augusto Santos Silva, putativo candidato a Belém, que agora parece um caprichoso chihuahua. Alguns iluminados do PS pensam que  o problema do Governo e de António Costa está na comunicação, quando, na realidade, está na sucessão de disparates e trapalhadas e, sobretudo, na falta de políticas exequíveis e eficazes para resolver os principais problemas do país. Por bem menos do que hoje se passa já houve governos demitidos. “Há algum perigo maior do que o Chega? Sim, o actual PS” - o autor destas palavras, João Miguel Tavares, tem toda a razão. 


 


SEMANADA - Segundo uma dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos actualmente as regras da Autoridade Tributária variam de distrito para distrito, de concelho para concelho, conforme a vontade das chefias locais; estimativas recentes indicam que a economia paralela representa 50 mil milhões de euros que escapam aos impostos; dois terços dos portugueses não confiam que a Igreja seja capaz de evitar abusos;  na zona do Porto os salários, para a mesma função, chegam a ser 40% abaixo dos praticados em Lisboa; as Câmaras Municipais de Lisboa e Porto querem ter autonomia em matéria de política de habitação; quem ganha abaixo do salário médio tem vindo a ser afastada do crédito à habitação com as regras do Banco de Portugal; há quase 67 mil famílias a viver em condições indignas; na urgência metropolitana de psiquiatria do Porto os doentes chegam a ficar 60 horas na sala de espera sem dormir; um estudo pós pandemia indica que Portugal é dos países europeus com menos anos de vida saudável; a obra de ficção mais vendida em 2022 foi “A Mulher do Dragão Vermelho”, de José Rodrigues dos Santos que alcançou 60 mil exemplares;  a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima ajudou em 2022 cerca de 15000 pessoas, com 94% das queixas a referirem violência doméstica e crimes sexuais, número que representa um aumento de cerca de 25% em relação ao ano anterior; para responder à procura são precisas mais 50 mil vagas nos lares das instituições particulares de solidariedade social; as mensalidades dos lares custam mais do dobro da pensão média dos idosos portugueses, que ronda os 508 euros; a carga fiscal sobre o trabalho dos portugueses está entre as dez mais pesadas da OCDE; em 2022 registou-se um aumento de 8825 mil milhões de euros de receita fiscal sobretudo por via do IRC, IRS e IVA;  Alexandra Reis queixou-se no Parlamento que já quis devolver a indemnização que recebeu da TAP mas que continua sem resposta sobre como o fazer.


 


O ARCO DA VELHA - No ano passado, durante seis meses, não foram enviadas multas de trânsito porque as Finanças não deram autorização à entidade responsável pela sua expedição para a contratação de um serviço postal.


 


Álvaro Lapa, Porto, 1994..jpg


UM TEMPO - O destaque desta semana vai para a exposição “Escuro”, de Luís Palma, no Centro de Artes Visuais de Coimbra até início de Junho, está integrada no ciclo “A vida apesar dela”, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, “alguém que mantém uma atitude liberta das actuais agendas identitárias promovidas por um grande número de instituições culturais, as quais se esquecem ser a arte um território avesso a normas” - como Óscar Faria acertadamente escreveu no seu Instagram. Luís Palma é um nome importante da fotografia portuguesa, começou a ganhar notoriedade nos anos 80 e as 42 imagens expostas, todas a preto e branco, foram feitas entre 1981 e 1994. O título da exposição, “Escuro”, evoca  Álvaro Lapa e o seu retrato, feito por Luís Palma em 1994 e que integra a exposição, é a imagem que acompanha este texto. Miguel von Hafe Pérez, que foi o curador da exposição, sublinha que Luís Palma “é uma referência na afirmação da fotografia no panorama alargado das artes plásticas em Portugal.” e é um dos fotógrafos portugueses “ que mais intensamente tem trabalhado questões relativas ao território, às suas desigualdades e paradoxos, a partir de uma visão muito particular onde as noções de periferia e desenraizamento urbanístico ganham particular densidade.”  Não resisto a citar mais uma vez Óscar Faria: “a exposição de Luís Palma (...) é uma pérola para se entender a vivência da nossa geração, no Porto pós-revolucionário, no qual o acontecimento mais relevante foi o surgimento de uma contracultura com os olhos postos lá fora”. E conclui:  “Esta era a nossa revolução: a música, a poesia e a arte. Hoje, somos uma geração obliterada pelas instituições culturais.” Outro destaque: na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, Adriana Molder expõe até 23 de Junho “Serpentina”, uma série de nove desenhos de grande escala, com formas irregulares e orgânicas, feitos a tinta-da-China sobre papel esquisso, material que a artista habitualmente usa no seu trabalho.


image-3.png


MANUAL DA POLÍTICA - Nicolau Maquiavel nasceu em Florença em 1469 e é considerado o fundador do pensamento político moderno. As suas ideias sobre o Estado, o poder e a natureza humana continuam a ser uma referência e “O Príncipe”, publicado postumamente em 1532, é um retrato político, moral e cultural da primeira metade do século XVI. Segundo Voltaire «qualquer um que queira governar bem deve lê-lo, e os outros também, porque nele se encontram as verdades mais claras e fundamentais da política». A visão de Maquiavel para a sua Itália viria a ser condenada pela Igreja e por várias censuras nacionais, e, mais tarde, usurpada e descontextualizada por déspotas mais ou menos esclarecidos, e mais ou menos criminosos – responsáveis, directos ou indirectos, pela criação do mito do «maquiavelismo». Em 1974, quase cinco séculos depois, Jorge de Sena viria a desmontar esse mito no ensaio "Maquiavel" com um texto onde junta informação e análise e no qual a personalidade de Maquiavel  surge  como o retrato político, moral e cultural da época e com a sua enorme dimensão humana. Recusando resumir a acção e o pensamento de Maquiavel a uma obsessão de conquista e poder, Sena afirma que «compreendida e situada no tempo dele, a sua obra é a de um dos mais argutos, lúcidos e corajosos pensadores políticos de todas as épocas.» Pela primeira vez são publicados numa mesma edição o original de “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel e o ensaio “Maquiavel”, de Jorge de Sena. Edição Guerra & Paz. 


 


image-4.png


BEATLES AO PIANO -  Confesso-me fã de Brad Mehldau, quer na sua versão de pianista a solo, quer nos seus trios de jazz. Uma das coisas que me leva a admirá-lo é a sua vontade de fazer apostas arriscadas. Neste caso, pegou em 10 canções bem conhecidas dos Beatles e reinventou-as ao piano. O resultado é o álbum “Your Mother Should Know”, recentemente editado. O disco resulta da gravação de um recital a solo de Mehldau, em Setembro de 2020, na Philarmonie de Paris, inclui nove canções da dupla Lennon/McCartney, uma de George Harrison e uma de David Bowie, “Life On Mars”, o último tema do disco e que, segundo Mehldau faz uma ligação entre a pop dos Beatles e a de outros músicos que lhes sucederam. O álbum começa com uma versão inventiva de “I Am The Walrus” e logo a seguir vem a canção que lhe dá o título, “Your Mother Should Know” numa versão, digamos, de cabaret, a que se sucede um “ I Saw Her Standing There”  com umas vocações de boogie e um “Baby’s In Black" inspirado pelo gospel. Os blues chegam já quase no final em “Golden Slumbers”, antecedido por um curioso “Maxwell’s Silver Hammer”. Vale a pena descobrir como Mehldau toca estes clássicos dos Beatles - o disco está nas plataformas de streaming.


 


PETISCO ALTERNATIVO - Este ano em vez de cabrito ou leitão o petisco de Páscoa foi um produto sazonal desta época. Falo de maranhos, esse enchido originário da Beira Baixa , recheado de carne de cabra, presunto e arroz, bem condimentados com hortelã, colorau e outras ervas aromáticas, tudo temperado com vinho branco. O enchido deve ser cozido uns 20 minutos, e depois levado ao forno bem quente durante mais uns dez minutos (não mais, para não ficar seco). O resultado é um verdadeiro petisco que deve ser acompanhado por grelos salteados e acompanhado por um bom vinho - e já que estamos na Beira, que seja um Dão. Lá em casa a opção foi por maranhos de Vila de Rei, um dos locais com tradição nesta matéria, a par da Sertã. Fomos alertados para a disponibilidade do petisco por Francisco Ferrão Completo, um fornecedor de produtos regionais, um homem que já teve vários restaurantes em Lisboa e que agora tem perto de Sesimbra, em Alfarim, uma casa dedicada a especialidades de diversos pontos do país e até algumas importações de outros países, nomeadamente queijos e vinhos. O seu estabelecimento, de nome “Muito Espalhafato”, tem uma oferta ampla e uma pequena esplanada onde também se pode petiscar. Fica na Avenida José Carlos Ezequiel 44 em  Alfarim, tem página no Facebook e o telefone  962 902 234.


 


BOM - A Iniciativa Liberal propõe que as certidões de óbito e de nascimento deixem de ter prazo de validade.


 


MAU - O inquérito ao “apagão fiscal” dos offshores esteve parado durante três anos.


 


DIXIT - “Muitos políticos são surdos, não usam óculos, nem sequer têm espelho em casa. Perderam o sentido crítico. Perderam os remorsos e os escrúpulos. Não têm vergonha. Não respeitam a lei. Nem os eleitores.” - António Barreto.


 


BACK TO BASICS - “A tradição deve ser encarada como um guia e não como uma prisão” - Somerset Maugham


 


 









TV- QUEM VÊ O QUÊ?

Hoje olhamos para os números que indicam a composição do auditório de cada um dos principais canais. Na RTP1 a maior fatia de espectadores do canal, em termos de idade, tem mais de 75 anos - e, o total de espectadores da RTP1 acima dos 65 anos ultrapassa os 56% do total. O norte é a região líder, as classes sociais D e E têm 60% do total e 57% dos espectadores são mulheres. Na SIC as coisas não são muito diferentes: mais espectadores a norte, mais mulheres (57%9) , classes D e E com 67%, mas o grupo etário mais numeroso é o das pessoas entre 55 e 64 anos. Na TVI continuamos a ter o norte a liderar o consumo, assim como as  classes D e E que no conjunto totalizam 76% dos espectadores, as mulheres quase 64%, enquanto o grupo mais numeroso está acima dos 75 anos, seguido dos 65-74. A RTP2 tem 60% dos espectadores a norte, 66% são das classes D e E, 59,5% são homens e o grupo etário maioritário é o dos 65-74 anos. Passemos aos canais de informação. O CMTV tem a maioria da audiência a norte, mas é quase apanhado pela região de Lisboa, tem 66,4% dos espectadores nas classes D e E, tem 49% de mulheres e 51% de homens e o grupo 55-64 anos é o mais numeroso. Já a CNN vence a norte, tem 52% de homens, a maioria está acima dos 75 anos e as classes D e E representam 61%. A SIC Notícias é mais vista em Lisboa, tem 43% de espectadores nas classes D e E, 56% são homens e o grupo etário mais numeroso é o de 55-64 anos. A terminar a RTP3 é também mais vista em Lisboa, com as classes D e E a somarem 43,5%, 56% de homens e o grupo etário maior é o dos 45-54 anos.


Publicado CM 14 de Abril)


 

abril 06, 2023

A GERINGONÇA DE LISBOA E A HABITAÇÃO

 


386BFCB1-95FC-491B-B5E1-55A335190A29.jpg


A LINHA VERMELHA - Na semana passada Carlos Moedas apresentou, pela segunda vez, a proposta de dar isenção de IMT a jovens de menos de 35 anos que comprem casas em Lisboa até 250 mil euros. Pela segunda vez, toda a oposição - PS, PCP, BE e Livre - chumbou esta proposta. Simultaneamente estes mesmos partidos apoiavam e promoviam uma manifestação que se apresentava como sendo pelo direito à habitação. Este é apenas o mais recente episódio da forma como a geringonça continua viva e actuante em Lisboa, a impedir reformas, desligada da realidade. Recordo que o problema da habitação, da gentrificação e do impulso aos alojamentos locais se aprofundou durante a governação do PS, de Costa e Medina. Em Lisboa há uma oposição que não respeita o princípio de não deixar governar quem ganhou as eleições. Reparem nisto: muita gente fala da importância de não passar linhas vermelhas na política. Mas foi o PS, na geringonça, o primeiro a pisar uma linha vermelha ao praticar uma política de alianças, que como se viu ainda mantém na Câmara Municipal de Lisboa, apoiada por forças políticas que têm uma concepção muito sui generis da democracia. Uma delas, o PCP, é pró-Putin, concorda com a invasão da Ucrânia, fica silencioso sobre a perseguição da oposição na Rússia e sobre a perseguição a minorias étnicas no seu território. Nisso, não é diferente de um Chega, que discrimina minorias, é pró-Bolsonaro e pró Trump. Em termos gerais estão bem um para o outro e nenhum deles é local que as pessoas sérias desejem frequentar. Já agora vem a propósito recordar uma sondagem conhecida na semana passada e que se traduz numa grande queda de intenções de voto no PS e num substancial aumento das mesmas intenções no Chega. Vários analistas disseram o que é evidente: o descontentamento com o PS é o que está a alimentar o Chega.


 


SEMANADA - No final do Governo de Passos Coelho cerca de um milhão de portugueses não tinha médico de família e agora, ao fim de vários anos de Governo de António Costa o número subiu para 1,6 milhões; mais de metade dos idosos não é seguida nos centros de saúde; os internamentos por anorexia triplicaram nos últimos cinco anos;  de acordo com os dados avançados pela Ordem dos Médicos, havia no fim do ano passado um total de 4.503 médicos estrangeiros inscritos, a maioria dos quais são espanhóis, seguidos por brasileiros; Portugal foi o país da zona euro que teve a inflação mais alta devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares; o aumento homólogo em fevereiro do preço dos produtos alimentares não transformados foi de 20,1%, o mais elevado desde 1990; as investigações sobre lavagem de dinheiro quase triplicaram em três anos; o abuso de crianças  é o crime sexual mais praticado e a maioria das vítimas tem entre 8 e 13 anos; os crimes em contexto escolar alcançaram em 2022 o valor mais alto dos últimos seis anos; a greve dos funcionários judiciais iniciada a 15 de Fevereiro já provocou o adiamento de mais de 20 mil diligências e o respectivo sindicato anunciou que irá continuar com a greve pelo menos até meados de Abril; quase dois terços dos portugueses deram nota negativa ao Governo numa sondagem recente; segundo o eurodeputado do PS Pedro Marques “Costa é o grande autor moral da mudança” na Europa; a dívida pública portuguesa voltou a subir em Fevereiro e atinge agora os 279 mil milhões de euros.


 


O ARCO DA VELHA - Coisas da maioria absoluta: o executivo conseguiu no primeiro ano da actual legislatura ter mais projectos aprovados na Assembleia da República do que todos os outros partidos somados.


 


01_Marina di Ravenna, 1986 © Eredi di Luigi Ghi


AS PAISAGENS  - Esta semana o destaque vai para “Obra Aberta” , a primeira exposição do fotógrafo italiano Luigi Ghirri em Lisboa, reunindo setenta e nove fotografias produzidas na década de oitenta do século passado, e que fica na Garagem Sul, do CCB, até 4 de Junho (na imagem, Marina di Ravenna, de 1986 © Eredi di Luigi Ghirri). É uma seleção inédita de fotografias, com curadoria de Pedro Alfacinha, provenientes de trabalhos independentes, de diferentes momentos ao longo de uma década. Quase todas estas imagens aparecem sob o desígnio de Paesaggio Italiano,  a ideia que guiou  a totalidade da obra de Ghirri: uma obra aberta, uma nova forma de fazer fotografia e de olhar o mundo e que ainda hoje influencia outros artistas. Destaque também para a exposição “Algum Desenho a partir de Gaetan, obras da colecção Alberto Caetano”, que está patente na Galeria Principal da Casa da Cerca, em Almada. Na Brotéria (Rua de S. Pedro de Alcântara 3, em Lisboa) Paulo Brighenti e David Gonçalves apresentam “Braço Cruzado”. No Porto, em Serralves, pode ser vista uma retrospectiva de Carla Filipe, “In My Own Language I Am Independente”. A sua obra, onde o desenho tem um peso importante, explora a relação entre objetos de arte, cultura popular e ativismo. O destaque final vai para a exposição do norte-americano Jonathan Monk que está na Galeria Cristina Guerra (Rua de Santo António à Estrela 33, Lisboa). “Sunset On Sunset” é uma visão de uma cidade, 19 obras onde a fotografia serve de suporte à utilização da pintura, todas tendo por base Los Angeles e o Sunset Strip, algures entre o trabalho que Ed Ruscha ali desenvolveu e as explorações de Bruce Nauman.


 


image (3).png


UMA MULHER DESLUMBRANTE - Natália Correia foi uma mulher intensa, excessiva, criativa, iconoclasta, rebelde. E foi, além de uma grande poeta, uma mulher activa na sua sociedade, amante de tertúlias, palavras certeiras sempre na ponta da língua em qualquer polémica, como aconteceu quando foi deputada nos anos 80. Filipa Martins, escritora e jornalista, que já havia sido co-autora do argumento da série da RTP1 “3 Mulheres”, onde as vidas de Natália Correia, Snu Abecassis e Vera Lagoa se cruzam, escreveu ao longo dos últimos anos a biografia de Natália Correia. O título que lhe deu “O Dever de Deslumbrar” evoca um dos poemas de Natália. Ao longo de cerca de 600 páginas esta biografia percorre a vida da poeta, desde que nasceu, nos Açores, em 1923, até à sua morte súbita, em 1993. A organização da biografia está dividida em oito décadas, percorre as suas amizades, as suas lutas, os seus amores e desamores, os livros que editou, as peças de teatro que escreveu, as guerras travadas com a censura. Foi jornalista e aí deu os primeiros passos em 1945 com uma série de entrevistas a personalidades açorianas. Em 1976 aceitou o convite para dirigir a “Vida Mundial”, uma publicação de referência do grupo “Século”. O Botequim, o bar que fundou em 1971 tornou-se no seu quartel-general. Local de tertúlias e conspirações, entre a literatura e a política, após o 25 de Abril passou a ser o palco de todas as movimentações da época. Mas se a política marcou a vida de Natália, desde que aderiu ao MUD (Movimento de Unidade Democrática), logo na sua fundação, foi a poesia que lhe deu a dimensão com que hoje é recordada e, nesta biografia, cada um dos oito capítulos  começa por uma citação dos seus poemas. O livro termina com esta frase de Natália: “A poesia é o défice das nossas inibições. Viver poeticamente é viver as coisas em potência”. “O Dever de Deslumbrar”, de Filipa Martins, edição Contraponto.


 


image (2).png


UMA VOZ ÚNICA - A norte-americana Cécile McLorin Salvant é uma das grandes vozes do jazz contemporâneo. Realizou há poucas semanas um concerto no CCB e já este ano lançou o álbum “Mélusine”, cantado em creoulo e em francês, e que é um dos grandes discos dos últimos meses. O álbum tem 14 faixas, dos quais cinco originais compostas pela própria Salvant, e nove versões de temas que vão desde o século XII até ao século XX. Salvant gosta de versões: já no álbum anterior, “Ghost Song”, ela tinha surpreendido com o tratamento que deu  a “Wuthering Heights”, de Kate Bush. Mas neste “Mélusine” vai ainda mais longe. Veja-se por exemplo a forma como interpreta “La Route Enchantée” de Charles Trenet ou “Il m’a Vue Nue”, de Mistinguette. Mas a versão mais surpreendente surge logo na faixa de abertura,”Est-ce Ainsi Que Les Hommes Vivent?”, de Louis Aragon e Léo Ferré, uma belíssima balada que vive apenas com piano e voz de Salvant. Dos cinco temas originais de Salvant destacam-se “Doudou”, cheia de ritmos latinos e a faixa que dá o nome do disco, “Mélusine”, baseada numa lenda do século XIV que conta a história de uma mulher que se transforma todos os sábados numa serpente, da cintura para baixo. Descubram este disco, está nas plataformas de streaming. E aproveitem para ouvir os trabalhos anteriores de Cécile McLorin Salvant.


 


A ARTE DO PEIXE - Ao longo dos anos fui-me habituando a frequentar um dos sítios onde se encontra melhor peixe na região de Setúbal. A coisa começou na Quinta do Conde, no Arpão, depois passou para O Pescador em Brejos de Azeitão, a seguir para o Dom Pescador em Palmela e agora, de novo, na Quinta do Conde, sob o nome Sabor & Arte. O elemento comum destas quatro localizações é o dono e inspirador destas casas, o Sr. Manuel. O segredo está em ter peixe fresco da melhor qualidade, bom marisco para quem quiser e, na cozinha, ter especial cuidado em confeccionar tudo com cuidado e arte, realçando os sabores. A nova casa está no sítio do Arpão original, mas foi bem redecorada, é simples e confortável, com uma esplanada para os dias que aí vêm. Nas entradas destaco as ameijoas à Bolhão Pato e aviso que a casa tem um emblema que deve ser provado: a canja de  garoupa com ameijoas, espinafres, e, claro, arroz. É muito saborosa, com peixe e bivalve abundantes. Uma boa aposta também são os filetes de peixe galo com uma excelente açorda de ovas. Outras possibilidades a ter em conta são linguadinhos ou pregado fritos com arroz de coentros. Fiquei curioso com um caril de vieiras, que ficará para próxima ocasião. O vinho da casa branco é o Catarina, a preço honesto, à base das castas Arinto, Chardonnay e Fernão Pires. Nas sobremesas destaque para a maçã assada e as farófias, familiares. Na sala o Sr, Manuel garante que o serviço é atento. Um bom regresso às lides, neste  Sabor & Arte, Avenida Aliados, Lote 1989, Quinta do Conde, telefone 964402657


 


BOM - A proposta da Iniciativa Liberal de acabar com a renovação da Certidão Permanente das empresas e dos custos da sua regular renovação.


 


MAU - O encerramento da linha telefónica para denunciar abusos sexuais na Igreja.


 


DIXIT - É melhor um Governo acossado que um Governo sem freio”- Luís Marques 


 


BACK TO BASICS - “Nunca me envergonho de citar um mau autor se o que ele diz for relevante” - Séneca


 





março 31, 2023

SOBRE OS BENEFÍCIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA O GOVERNO

 


IMG_0795.jpg


NUNCA DIGAS NUNCA- Esta semana ouvi uma das melhores sugestões dos últimos tempos. Numa conversa sobre o pacote de medidas para a habitação, voz sábia alvitrou assim: mais valia terem entregue ao ChatGPT a incumbência de fazer uma proposta, de certeza que seria melhor que a confusão que o Governo apresentou. A certeira observação fez-me pensar na forma como algumas coisas são apresentadas pelo executivo - revelam muitas vezes desconhecimento, precipitação, enviesamento político na abordagem, muitas vezes incompreensíveis atrasos e frequentemente uma redacção confusa e até com pontos contraditórios. Mesmo sem recurso à Inteligência Artificial, se os senhores governantes fossem mais diligentes talvez grande parte dos problemas pudesse ser ultrapassado. No reino da utopia o Governo devia estar à frente dos problemas, a delinear o desenvolvimento futuro; na realidade lusitana o Governo corre sempre atrás do prejuízo, a tentar encontrar formas de remendar os problemas. Veja-se o que se passou esta semana: depois de juras de Costa e Medina, várias vezes repetidas, de que nunca existiria IVA zero para produtos alimentares, eis que ele foi anunciado com pompa e circunstância. Se olharmos bem para as coisas vemos que os resultados que o Governo apresenta de redução do défice são possíveis porque a cobrança de impostos aumentou. E a cobrança cresceu, e muito, porque os aumentos de preços provocaram um aumento da receita fiscal. O Estado não está a gerir melhor os recursos, não está mais eficiente - está a beneficiar de cobrar mais aos cidadãos. Na realidade, quando o Estado finalmente admite o IVA zero nalguns produtos a única coisa que acontece é o que José Manuel Fernandes esta semana escreveu: “trata-se de devolver só uma parte do que tem cobrado a mais”.


 


SEMANADA -  Segundo o Eurostat Portugal está agora agora no 21º lugar no ranking do PIB per capita na UE, fomos ultrapassados pela Hungria, estamos empatados com a Roménia e atrás de nós apenas estão cinco países: Letónia, Croácia, Grécia, Eslováquia e Bulgária; segundo o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social mais de 50% dos trabalhadores receberam salários inferiores a mil euros em 2022, uma percentagem que sobe para os 65% quando falamos de jovens com menos de 30 anos; o número de trabalhadores com mais de 65 anos aumentou 88% nos últimos dez anos; 28,9% é a proporção de trabalhadores em regime de teletrabalho em Lisboa, a única região acima da média nacional que é de 14,4%; as greves dos oficiais de justiça já provocaram 20.874 adiamentos de julgamentos em todo o país; um estudo do SNS indica que nos primeiros 11 meses do ano passado 44,5% dos 5,7 milhões de atendimentos nas urgências hospitalares eram casos considerados pouco ou não urgentes; há 26 mil pedidos de habitações municipais em Lisboa e Porto mas há apenas 700 casas disponíveis;a idade média dos navios da frota da Marinha portuguesa é de 29 anos; nos três primeiros meses do ano já se suicidaram cinco agentes da PSP.


 


O ARCO DA VELHA - A faculdade de Belas Artes de Lisboa tem tectos a ruir, de onde já caíram esqueletos  e dejectos de pombos para cima de alunos.


 


IMG_0859.jpg


OUTRAS ARTES - No MAAT está patente até 11 de Setembro uma nova série de exposições e o destaque vai para “Da Calma Se Fez o Vento”, (na imagem) da açoreana Sandra Rocha, com curadoria de João Pinharanda, que está na Galeria 2. O trabalho de Sandra Rocha, que utiliza imagens fixas e em movimento, é baseado na fotografia e na exploração de encontros entre dois territórios: o do corpo e o da paisagem, em diferentes dimensões, que proporcionam várias leituras. São algumas dezenas de fotografias, agrupadas em núcleos que desenvolvem narrativas complementares. Também com curadoria de João Pinharanda esta série de três novas exposições do MAAT tem outro ponto alto em  “Leaky Abstraction", de Ana Cardoso, que está na sala Cinzeiro 8 do edifício da Central Tejo. Ana Cardoso foi finalista do Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2017, e esta exposição parte da investigação que a artista desenvolve em torno da pintura, explorando suportes e técnicas diversas, numa interessante evolução da sua carreira. A trilogia das novas exposições completa-se, na sala oval, com  “Archipelago Hervé di Rosa” que apresenta obras do MIAM - Musée International des Arts Modeste, criado por  Di Rosa em 2000 em Sète, França. Com curadoria de Noelig Le Roux esta enorme seleção de obras da coleção do MIAM mostra desde objectos de todo o género a banda desenhada. Uma outra exposição patente no MAAT é “Plástico- Reconstruir o Nosso Mundo”, criada pelo Vitra Design Museum e o Victoria & Albert. A exposição combina uma viagem pela utilização do plástico ao longo dos tempos com uma importante parte dedicada à reciclagem e à economia circular. 


 


image-2.png


A NOVA CENSURA - Jorge Soley, economista espanhol é o autor de “Manual do Bom Cidadão, o Livro dos Cancelados”, um livro para compreender e resistir à cultura do cancelamento que está a pretender dominar as redes sociais e a nossa sociedade em nome de premissas apresentadas como politicamente correctas e que pretende cancelar ou alterar o que está escrito em livros, na História, ou obras de arte. O livro gira em torno desta questão: O que fazer perante o crescimento da política “woke”? São de Jorge Soley estas palavras:“É muito provável que não tenhamos vontade de nos vermos imersos num processo público de cancelamento, mas também é crescente a probabilidade de que, sem o desejarmos, tenhamos de enfrentar uma situação em que devemos escolher entre dizer a verdade e assumir as consequências, ou mentir, moldarmo‑nos ao politicamente correto e passarmos despercebidos (...) Mas a neutralidade já não é uma opção”. Todos os dias surgem novos exemplos da cultura do cancelamento, essa perigosíssima forma de censura - desde punir quem mostra a estátua de David, feita por Miguel Ângelo, até quem pretende reescrever livros ou impedir a divulgação de filmes de Walt Disney. Segundo Foley a controvérsia suscitada por esta cultura do cancelamento deriva e entronca no aumento da desinformação, usada inclusive por governos e movimentos políticos e ideológicos e que leva a que se considere normal a censura de certas mensagens. E Jorge Soley sublinha: “A desinformação sempre existiu, sempre houve propaganda. Mas sempre pensámos que as pessoas são suficientemente maduras para distinguir a informação viável da falsa”. Edição Leya/D.Quixote


 


image.png


FRASES SOLTAS - Nas canções do novo disco de Lana Del Rey Lana surgem desabafos, frases soltas como se fossem pedaços de uma carta nunca concluída, notas soltas que espelham estados de alma transformados em canções. “ Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd” é o nono álbum de originais da cantora, pontuado por frases duras, mais duras ainda do que é habitual nas suas canções. São 78 minutos divididos por 16 canções, onde o piano é musicalmente dominante, pontuado por uma secção de cordas e vozes variadas que complementam a de Del Rey, como na faixa de abertura “The Grants” - e Grant é o verdadeiro nome de família de Lana Del Rey. Numa dessas canções há esta frase: “I wrote you a note, but I didn’t send it”, a descrição do ambiente da música que ela nos oferece neste disco. Numa das faixas mais marcantes do disco, “A&W” ela canta “This is the experience of being an American whore”, depois de, logo na segunda faixa, a que dá o título ao álbum, ter proclamado  “Fuck me to death, love me till I love myself”. Musicalmente o ambiente criado entre piano e secção de cordas contrasta com as palavras cruas cantadas de forma marcante por Lana Del Rey, que atravessa temas como o amor e a morte, a existência de um Deus, a eternidade para além da vida, o destino ou a vida familiar. Em “Fingertips” as suas preocupações ficam bem desenhadas com esta frase: “God, if you’re near me, send me three white butterflies.”  Estas 16 canções são outras tantas crónicas sobre a forma como Lana Del Rey encara o mundo e a sua própria vida. Não deixa de ser curioso que neste disco, com as canções cuidadosamente alinhadas em sequência, a derradeira seja uma revisitação do seu velho tema “Venice Beach” com o recurso a percussões e a um ambiente que a transformam no “Taco Truck X VB” onde deixa o recado: “Blood on my feet, on the street I'm dancin' crazy”.  “ Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd” está disponível nas plataformas de streaming.



ARROZADA -  O consumo per capita de arroz em Portugal é de 16 kgs por ano, quatro vezes a média da União Europeia. Há boas razões para isto:desde o arroz com ovo e atum ao arroz de lampreia, passando pelo arroz de garoupa, arroz de marisco, arroz de pato, arroz de ervilhas, arroz de pimentos, e tantos por aí fora que são petiscos sempre bem acolhidos. Para a confecção, eu prefiro o arroz carolino nacional, é o que ganha mais sabor quando cozinhado com outros produtos. Na tradição portuguesa o arroz pode ser prato principal, acompanhamento ou essa incontornável sobremesa que é o arroz doce. No prato principal a minha preferência vai para o arroz de pato à antiga, bem pingado da gordura do marreco. No acompanhamento não há melhor que um arroz refogado em couve, linguiça e pimentos, que acompanha muito bem , por exemplo, uns pastéis de massa tenra. No terreno das memórias de infância poucas coisas sabem melhor que um frugal arroz com galinha desfiada, pincelado de gema de ovo por cima e que vai ao forno, no fim, a tostar. E já nem falo de um arroz de tomate, não muito caldoso, a acompanhar uns pastéis de bacalhau ou uns croquetes, autêntico menu todo o terreno, que suporta bem o transporte e conforta a existência. A gastronomia portuguesa tem muito por onde explorar em matéria de arroz, desde a incontornável cabidela até ao arroz de lascas de bacalhau e coentros ou o arroz de polvo. É verdade que os italianos têm muita variedade de risotos, mas não é menos verdade que aqui na península, desde a paella a um dos vários arrozes acima referidos, há um grande terreno para degustar.


 


BOM - Os desenhos da série “Ontem Vi O Futuro”, de António Jorge Gonçalves, nos painéis que rodeiam o que será o novo jardim da Gulbenkian, em Lisboa.  


 


MAU - A criminalidade violenta e grave teve um aumento de 14,4% em 2022 e a polícia registou 924 crimes por dia.


 


DIXIT - “Medina, um homem que se caracteriza por fazer rolar todas as cabeças exceto a sua, coroada pelo chefe máximo do pessoal mínimo, António Costa” - Clara Ferreira Alves


 


BACK TO BASICS - “Os sabichões falam, mas os sábios ouvem” - Jimi Hendrix


 




março 24, 2023

UM GOVERNO DE FANTASIA

IMG_0764.jpg


OS TENTÁCULOS - Todas as semanas surgem mais uns indícios de que o PS não gosta nada de ser contrariado. Irritam-se quando alguém discorda ou chama a atenção para a possibilidade de o Governo  estar a governar mal. O pacote sobre a habitação é o mais recente motivo de incómodos. Quem quer que tenha aparecido a dizer que o pacote era um saco vazio de conteúdo prático foi logo amaldiçoado. O exercício dos anúncios do Governo sobre a habitação é um exemplo perfeito de um plano preparado sem cuidado, sem atender à realidade, sem sequer consultar os principais interessados, que são os municípios. Nem vou falar do pendor ideológico da coisa, mas tenho a convicção de que algumas das medidas propostas têm origem no estado de espírito do Governo de António Costa e que é o “quero, posso e mando”, escudado na maioria absoluta.  Nos últimos meses o Governo tem conseguido um número apreciável de baralhadas, um aumento da contestação e tem a seu crédito ter levado sindicatos a criarem novas formas de greve que dificultam ainda mais a vida das pessoas, nos tribunais, escolas ou hospitais. O Governo oscila entre ser um polvo esfomeado cujos tentáculos agarram o que podem por onde passam, ou um lugar vazio onde ninguém toma decisões com os pés assentes na terra. Esta semana Rui Ramos descreveu a situação de forma exemplar: “Temos um Estado que nunca empregou tanta gente, cobrou tantos impostos, recebeu tantos subsídios estrangeiros, e gastou tanto dinheiro, mas onde nada parece suficiente para vigiar os mares e ensinar os jovens”


 


SEMANADA - O número de casamentos em Portugal no mês de Janeiro aumentou 44,5% face ao mesmo mês do ano anterior; em Janeiro nasceram em todo o país 7146 crianças, mais 11,8% que no mesmo mês do ano passado; a despesa do SNS com medicamentos subiu quase 10% em 2022, a maior subida dos últimos nove anos e o total ultrapassou os 1567 milhões de euros; 28,9% é a proporção de trabalhadores em regime de teletrabalho em Lisboa, a única região acima da média nacional, que é de 14,4%; o aumento médio das mensalidades dos lares em Portugal desde 2020 foi de 17%;  as autoridades detectaram uma cave na zona da Penha de França, em Lisboa, que serviu de morada fictícia para mais de 2000 imigrantes; um estudo divulgado esta semana indica que 50% das famílias portuguesas admitiram não ter dinheiro suficiente para pagar todas as contas; o salário real dos trabalhadores com ensino superior caiu 134 euros entre 2006 e 2020; na nova edição do Relatório Mundial da Felicidade Portugal caíu do 34º lugar para o 56º; em 2022 foram comunicadas 1087 greves, o maior número desde 2013; a sindicalização em Portugal caíu de 63% para 15,3% em quatro décadas; em Portugal existem 60 freguesias com mais de mil imóveis vagos; em 2022 houve 50 gestores públicos que pagaram multa para evitar ir a julgamento; os certificados de aforro captaram cinco mil milhões de euros em dois meses; o custo da nova dívida pública já duplicou este ano com o aumento das taxas de juros; apenas dois por cento das empresas em Portugal são estrangeiras, mas elas empregam 900 mil pessoas e são responsáveis por 46% das exportações; um padrão português dos descobrimentos, do século XV, está desde 2019 encaixotado num porto da Namíbia. 


 


O ARCO DA VELHA - Apenas 14 dos 98 padres suspeitos de pedofilia foram investigados pela Igreja.


 


IMG_0786.jpg


VER - A exposição que mais me marcou recentemente foi “Hora de Ferro”, de Rudi Brito, que está na Galeria Balcony até 13 de Maio (na imagem). Nesta série de dez pinturas Rudi recorre a linhas de enquadramento que ao mesmo tempo limitam e expandem o que quer mostrar. O uso de cores vivas é acentuado pelo facto de o artista trabalhar sobre papel preparado com uma demão de esmalte. Esta técnica retira as qualidades associadas ao papel - absorção, fragilidade e textura. E o resultado é que as superfícies onde pinta sugerem uma sensação de dureza meio-brilhante, que acentua os traços da pintura e reforça a sua textura. Rudi Brito explica como trabalha: “O mecanismo ao qual recorro para começar uma pintura sem ter uma ideia clara da sua composição final, é preencher o espaço vazio com elementos que irão interromper a percepção geral da imagem. Num caso, em “Séance” foram as hortenses azuis e as folhas escuras. Só depois imagino o que poderá existir atrás deste cenário.” A Balcony tem desenvolvido um trabalho persistente na divulgação de uma nova geração de artistas, trabalho que merece ser acompanhado. Fica na Rua Coronel Bento Roma 12A, Lisboa. Para uma exposição completamente diferente sugiro uma visita ao Centro de Arte Manuel de Brito (campo Grande 113), onde é apresentada uma mostra que assinala o centenário do nascimento de Mário-Henrique Leiria, com um enfoque especial na sua ligação ao Grupo Surrealista Português. A exposição mostra o espólio deste escritor e pintor, e inclui trabalhos dele e de outros seus contemporâneos.


image-3.png


SOBRE O AMOR - Este livro foi posto, oportunamente à venda, no dia de início da Primavera. Falo de “Amor”, de Jorge de Sena, uma das figuras maiores das letras portuguesas no século XX e que tem sido injustamente esquecido. O livro recupera o ensaio “Amor”, escrito por Jorge de Sena em 1971, para o “Grande Dicionário da Literatura Portuguesa e de Teoria Literária”, e esta é a primeira vez que é editado de forma autónoma. A ideia de pedir a Jorge de Sena para escrever sobre o Amor, foi do coordenador do dicionário, João José Cochofel, que acreditava, e com razão, que a erudição de Jorge de Sena lhe permitiria abordar o tema de forma transgressora, como aconteceu. O texto é uma sistemática análise da explosão do amor na literatura portuguesa, seja ele «puro» ou «impuro», «normal» ou «anormal», «santificado» ou «pecaminoso», ou proibido por tabus sociais. A editora “Guerra & Paz”, que agora iniciou a publicação da obra de Jorge de Sena, sublinha que este é “um livro delicioso, impuro e pecaminoso, cujo curtíssimo título esconde uma assombrosa viagem pela explosão do erótico e do obsceno” . Cinco décadas depois, “Amor”, um dos 37 verbetes escritos por Jorge de Sena para o referido Dicionário, inicia a série de novas edições do autor. Estas novas edições com a chancela da “Guerra & Paz” incluem outros títulos de referência como “O Físico Prodigioso”, que Jorge de Sena assumia como podendo ter aspectos autobiográficos, uma novela que ele classificava como símbolo da liberdade e do amor. E, por último, na mesma série, foi também editado “Andanças do Demónio”, a estreia de Jorge de Sena na ficção.


 


image-2.png


IMPROVISAÇÕES - Ralph Alessi é um trompetista de jazz norte-americano, um virtuoso improvisador que tem tocado ao lado de nomes como Jason Moran, Steve Coleman, Fred Hersch ou Don Byron. O seu novo disco, “It’s Always Now”, é o quarto registo para a ECM e apresenta um novo quarteto que, além do próprio Alessi, integra o pianista Florian Weber, o baixista Banz Oester e o baterista Gerry Hemingway. O novo disco, agora editado mas gravado em Junho de 2021, mostra a grande cumplicidade desenvolvida entre o trompete de Alessi e o piano de Florian Weber - os dois músicos têm tocado juntos ao longo dos últimos anos em diversas formações. O disco tem um cuidadoso equilíbrio entre os temas improvisados e as composições tradicionais e nos improvisados nota-se particularmente o diálogo entre o piano e o trompete, como nos dois primeiros temas,”Hypnagogic” e “old Baby”. No terceiro tema o quarteto aparece pela primera vez, em “Migratory Party”. Oester e Hemingway formam uma secção rítmica que toca em conjunto há muito tempo, mas o primeiro encontro do baixista com Alessi deu-se no início das gravações deste disco e no tema “Diagonal Lady” percebe-se bem como os dois rapidamente se entenderam. Um dos temas mais fascinantes dos 13 que integram o disco é “His Hopes, His Fears, His Tears”, onde o diálogo entre trompete e bateria é depois acompanhado pelo piano e baixo numa rara conjugação musical. Ralph Alessi, “ It’s Always Now”, edição ECM, disponível nas plataformas de streaming.


 


A VER O SADO - Uma das zonas mais bonitas perto de Lisboa é a Arrábida e, em especial, a vista da baía do Sado. Um ponto privilegiado de observação é o restaurante Vela Branca, situado no Parque Urbano de Albarquel, mesmo à saída de Setúbal em direcção à Arrábida. Ali se pode almoçar ou jantar ou beber um copo ao fim da tarde na extensa esplanada. O restaurante tem uma grande vantagem - não é daqueles sítios a armar e cheio de conceito. A arquitetura é simples e boa, a sala é cómoda , o serviço é atencioso e a cozinha não desilude. Comecemos pelo básico quando nos sentamos : bom pão e azeitonas. Nas entradas há um choco frito aos pedaços pequenos com maionese de alho e, em homenagem às conservas setubalenses Belmar, uns filetes de cavala em escabeche de maracujá sobre esmagada de batata e uns filetes de sardinha em escabeche de cebola roxa e hortelã sobre pão frito com alho. E, claro, há ostras de Setúbal. Para coisas mais sérias podem espreitar a vitrina do peixe onde desde cabeça de garoupa a pregado se encontra bom material, que é tratado com carinho na cozinha, como no caso da dourada escalada ou do robalo ao sal. Outras sugestões são a massada de garoupa para duas pessoas ou o bacalhau grelhado às lascas. Nas carnes recomenda-se o bife tártaro e a picanha black angus. A carta de vinhos é variada e tem boas propostas a preços moderados, incluindo no vinho a copo. Aqui está um sítio onde se volta com prazer. Como o local tem vindo a ganhar fama, com razão, a reserva é obrigatória, sobretudo para os dias de fim de semana - é prudente reservar com antecedência, telefonando directamente para a Vela Branca - 265 523 046. Encerra às segundas e terças.


 


BOM -  Os 75 anos do Hot Club e o trabalho desenvolvido em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa para encontrar uma nova sede para a instituição. 


 


MAU - A total paralisação dos tribunais devido à forma de greve que foi implementada pelos sindicatos dos Funcionários Judiciais  e dos Oficiais de Justiça, que decorre há um mês e não tem prazo para terminar.


 


DIXIT -  “Os bispos sabem que nós sabemos que eles sabem muita coisa” - Daniel Sampaio, membro da Comissão Independente que investigou os abusos sexuais contra menores praticados por membros da Igreja.


 


BACK TO BASICS - “Sempre que se fixa preços administrativamente as coisas não funcionam” - António Costa e Silva


 





março 17, 2023

A POLÍTICA DA MAIORIA ABSOLUTA

122D4362-D0A4-4C06-A222-7EE2D24977AE.JPG


VAZIO - Carlos Guimarães Pinto, fundador da Iniciativa Liberal e actualmente seu deputado, publicou no twitter dados muito curiosos. Assim, o rendimento médio bruto em Portugal é de cerca de 20 mil euros por ano, o que significa um salário mensal de 1428 euros pagos 14 vezes por ano. Com a carga fiscal existente, ou seja o total de impostos e taxas para um rendimento deste nível, que em Portugal é de 27,1%, a pessoa recebe apenas 1040 euros por mês. Em Espanha, com uma carga fiscal de 18%, receberia 1170 euros; em França, com uma carga fiscal de 14,6% receberia 1219 euros e em Itália, com uma carga fiscal de 6,9% receberia 1330 euros. (1428/14 meses). A diferença é enorme e a penalização dos salários é muito mais sentida em Portugal. Este tema é crucial quando falamos da convergência com outros países da Comunidade Europeia, nomeadamente estes do sul da Europa, que nos são próximos. Há qualquer coisa de errado no modelo português que degrada os salários e é assente num modelo económico em que no serviço público prestado pelo Estado corresponde cada vez menos aos impostos cobrados. Numa entrevista publicada esta semana, Salvador de Mello dizia que ”Falta um desígnio estratégico para sair do estado onde estamos”. Na mesma entrevista resume a situação deste modo: “o nosso modelo económico está errado. São precisas reformas profundas que permitam ao país produzir mais, atrair investimento, atrair indústria para Portugal. Claro que é muito bom o setor do turismo ter um desempenho tão positivo, mas necessitamos da capacidade de criar outra especialização, não viver apenas do turismo e dos serviços. A indústria é absolutamente crítica para o futuro de Portugal.” É disto que o Governo não fala, enredado em PRR’s com prioridades pouco claras e execuções duvidosas, escudado na impunidade que a maioria absoluta lhe proporciona.


SEMANADA - A transferência do Governo para a sede do CGD, até 2026, vai custar cerca de 40 milhões de euros; as dioceses de Lisboa e Porto optaram por manter no activo os alegados padres abusadores; o Presidente da República classificou como “uma desiluão” a posição da Conferência Episcopal sobre os abusos praticados por membros da Igreja”; no último trimestre de 2022 fecharam em Portugal 14 restaurantes por dia; segundo o Hospital da Estefânia as tentativas de suicídio de adolescentes duplicaram nos últimos quatro anos; a direcção executiva do Serviço Nacional de Saúde anunciou que  quatro urgências pediátricas de Lisboa e Vale do Tejo vão ficar fechadas à noite a partir de Abril; os nove sindicatos que representam os professores anunciaram uma greve às avaliações no final do ano lectivo;  os pré-avisos de greve triplicaram no arranque de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado; os resultados líquidos da Impresa caíram 91% em 2022; o Plano de Poupança Reforma do Estado sofreu em 2022 a sua maior quebra de rentabilidade, de 15,28% face a 2021; segundo a DECO Proteste o aumento verificado no espaço de um ano num conjunto de 63 alimentos básicos foi de 25,66%; Portugal é um dos países da União Europeia onde o preço dos ovos mais subiu; as prestações do crédito à habitação sobem até 88,5% no espaço de dois anos; segundo a DECO três quartos das famílias portuguesas enfrentam mensalmente dificuldades financeiras.


O ARCO DA VELHA - O responsável pelo Gabinete do Cibercrime afirmou que o acordão que estabeleceu a invalidade dos metadados já destruíu e levou ao arquivamento dezenas de casos de roubo, pornografia infantil e até homicídio.


 


Crewdson_CFC 00207-12_obra.jpg


FANTASIA  - Gregory Crewdson é um fotógrafo norte-americano cujo trabalho se caracteriza pela completa encenação das imagens que produz. Trabalha com uma equipa numerosa de entre 20 a 40 pessoas, que inclui cenógrafos, figurinistas, directores de iluminação e até um director de fotografia, Rick Sands. Crewdson, que lecciona fotografia na Universidade de Yale, cuja School of Art frequentou, actua face à fotografia como um realizador faz em relação a um filme. Ele cria a história, escolhe os actores, prepara minuciosamente cada imagem. O seu trabalho esbate a fronteira entre a ficção e a realidade e prefere cenários que evoquem a vida suburbana. Em Outubro de 2009 a série “Dream House”, foi adquirida para a colecção de fotografia do então BES e está agora integrada na colecção de fotografia do Novo Banco. A série, realizada em 2002, tem 12 imagens, todas produzidas no interior e exterior de uma casa desabitada numa cidade do estado de Vermont. Nas imagens aparecem, no papel de figurantes de uma família imaginária, nomes do cinema, como Gwyneth Paltrow, Tilda Swinton,  Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Dylan Baker, William H. Macy e Becky Ann Baker. Gregory Crewdson cita como suas influências Diane Arbus, Edward Hopper e Steven Spielberg e confessa que tem particular interesse pelo universo visual da Interpretação dos Sonhos, de Freud. Não por acaso o seu pai era psicanalista. Esta série “Dream House” tem curadoria de Alexandra Conde e pode ser vista nas instalações da Colecção de Fotografia do Novo Banco, Praça Marquês do Pombal 3A. A imagem que apresentamos é uma das fotografias de Gregory Crewdson, cortesia da colecção de Fotografia do Novo Banco.


 


IMG_0733.jpg


A NOITE - Na semana passada visitei duas exposições de fotografia de autores portugueses que olham para a noite e a luz e vêem coisas diferentes. Augusto Brázio expõe na galeria das Salgadeiras a série “Visível Corpo” e detalha observações que regista iluminando fragmentos da realidade, por vezes de forma crua, como a imagem que aqui se publica. A outra exposição é de Duarte Amaral Netto e está na Galeria Belo-Galsterer, sob o título “Cratera”. O autor conta que estas fotografias foram feitas numa fase recente da sua vida em que só conseguia fotografar à noite, o que o levou a explorar formas de iluminação diferentes das que habitualmente usa e o obrigou a reflectir sobre o significado que a escuridão impõe às imagens. Também na Belo-Galsterer pode ser vista a exposição “Ringue”, de Ana Velez. Em Coimbra, no Centro de Artes Visuais e integradas no ciclo “a vida apesar dela”, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, estão duas novas exposições - “Now, Here, Nowhere”, de Victor Torpedo e “Escuro”, de Luís Palma. Em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Contemporânea está patente a exposição sobre os 50 anos do Ar.Co, com seis dezenas de obras de artistas de alguma forma ligados à história do Centro de Artes Visuais ou cujas obras integram a sua colecção. E finalmente, em Abrantes, no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte inaugurou uma nova exposição baseada na Colecção Figueiredo Ribeiro, intitulada “do arquivo do acervo”, com curadoria de João Silvério, e que ali ficará até meados de Novembro.


 


 


capa_ A Destruição do Espírito Americano_300dpi


SOBRE O ENSINO SUPERIOR - Allan Bloom foi um filósofo e professor norte-americano que ensinou nas universidades de Yale, Cornell, Toronto, Telavive e Paris. Profundo conhecedor dos grandes clássicos foi tradutor e editor da República de Platão, do Emílio de Rousseau e autor de obras como  Shakespeare’s Politics e de A Destruição do Espírito Americano ,  que na altura da sua edição original esteve mais de dez semanas na lista dos livros mais vendidos compilada pelo New York Times.  A Destruição do Espírito Americano tem como subtítulo “como o ensino superior defraudou a democracia e empobreceu os espíritos dos alunos de hoje”. O livro foi agora editado em Portugal e é aquilo que se pode classificar, nos tempos que correm, como uma obra muito politicamente incorrecta. No prólogo Saul Bellow sublinha que Bloom “ao escrever sobre o ensino superior nos Estados Unidos não respeita as formas, os costumes e as cerimónias da (auto-intitulada) comunidade académica”. Este livro nasce de um ensaio publicado por Bloom na National Review e que era uma crítica ao sistema de ensino nos Estados Unidos. Publicado originalmente em 1987 o livro, visionário na época em que foi escrito, continua a ser um diagnóstico certeiro das transformações culturais das últimas décadas Hoje, com o wokismo a ganhar terreno nas universidade americanas compreendemos ainda melhor aquilo que Allan Bloom viu e antecipou. Num texto publicado esta semana, José Manuel Fernandes, ao falar desta obra, salienta que “Bloom atribui muita da responsabilidade pelo fechamento dos espíritos dos estudantes americanos à pouca atenção que é dada aos clássicos da literatura e do pensamento ocidentais” e recorda que “já não se aprende a escrever ou a pensar lendo o que de melhor  a nossa tradição produziu, antes tendo aulas de escrita sobre o último êxito de Hollywood ou sobre teoria queer.” Edição Guerra & Paz, tradução de Maria José Batista.


 


image.png


GUITARRADAS - Em “Popular Jugular” Tó Trips dá nova vida à sua guitarra e faz um disco mais introspectivo, ensaiando aqui e ali novas sonoridades, o que tem muito a ver com os músicos convidados: António Quintino (Dead Combo / Cassete Pirata) no contrabaixo, Sandra Baptista (Sitiados) no acordeão, Gonçalo Prazeres (Club Makumba) no saxofone, e Helena Espvall no violoncelo. São eles que tocam com António Manuel Antunes, aliás Tó Trips, criador dos Dead Combo com o já desaparecido Pedro Gonçalves, e instigador dos Clube Makumba. Este “Popular Jugular" é o começo de uma nova vida agora sem a companhia fundamental de Gonçalves. Podia ser um exercício falhado, ainda bem que não aconteceu assim. Nos 13 temas, 45 minutos de música onde a guitarra está sempre em primeiro plano, destaco Napoli Blue Dreams, O Deus do Vento, Ginga, Ínfimas Coisas, Transpraia, LA Chet ou Península dos Índios. Por aqui passam ritmos ousados e melodias intimistas, a história da vida de um homem que marca uma geração da música portuguesa desde os anos 80 com passagens por bandas como os Santa Maria Gasolina em Teu Ventre ou Lulu Blind. “Popular Jugular” tem edição em vinil e está disponível nas plataformas de streaming.


BOM - Os sindicatos da TAP sugerem que o montante devolvido da indemnização de Alexandra Reis seja aplicado no infantário da empresa.


MAU - Graças ao aumento dos preços o Governo está a ter uma receita fiscal acrescida, mas não baixa o IVA na alimentação.


DIXIT - “O primeiro-ministro e eu temos leituras um bocadinho diferentes da realidade. O primeiro-ministro olha para o lado cheio do copo, eu olho para o lado vazio do copo” - Marcelo Rebelo de Sousa


BACK TO BASICS - “Tenho a certeza que existem demasiadas certezas no Mundo” - Michael Crichton




março 10, 2023

ISTO ESTÁ NEGRO

669A7EB8-74CA-4076-93E0-663D5287CE49.JPG


A BRIGADA - Esta semana soubemos que estamos salvos: António Costa tem uma equipa de choque de propaganda, constituída por 15 pessoas que estão no seu gabinete para convencerem o povo de que tudo está bem. Pouco interessa que o horizonte esteja negro, que a TAP se tenha confirmado como uma filme de terror pago pelos contribuintes a peso de ouro. Há meses que vemos o caos a crescer. Esta semana li este resumo do que se passa e não podia concordar mais: “O PS veio requalificar a ferrovia e agora não há comboios. Veio salvar o SNS e os directores das urgências demitem-se em bloco. Veio apaixonar-se pela educação e há alunos sem aulas. Veio apostar na habitação e há cada vez mais pessoas sem casa! Se o PS se lembra de querer salvar o País isto afunda de vez!”. E já nem se fala da justiça, do custo de vida, do dia-a-dia. Todos os dias há novas greves e além disso novas formas de greve, como na educação e na justiça ou nos transportes, que tornam a vida de todos num inferno. Portugal tornou-se numa entidade que não sai da cepa torta. Há semanas estive em Espanha e a diferença entre os dois países é cada vez mais gritante. Do lado de lá da fronteira sente-se movimento, animação, preocupação pela economia das pessoas e das empresas. Aqui não é isso que se passa e o Governo já nem se preocupa com o estado social. Esta semana Carlos Moedas escreveu um artigo sobre os falhanços do Estado e recorda que na Lisboa que conquistou está a desenvolver um plano de acção anti-inflação, a reforçar o Fundo de Emergência Social em quase 50%, a implementar um plano de saúde para as pessoas com mais de 65 anos, a possibilitar transportes gratuitos para os mais velhos e mais novos, a disponibilizar os equipamentos culturais da cidade de forma gratuita aos lisboetas. Comparem o que se passa em Lisboa com o que se passa no resto do país. Em vez de brigadas de propaganda o que era necessário era medidas concretas que melhorem a vida das pessoas.


 


SEMANADA - As obras de modernização da linha ferroviária do Oeste estão paradas há dez meses e correm o risco de perder financiamento comunitário; apenas 1% dos empréstimos à habitação estão a ser renegociados pelos principais bancos; o sector do turismo perdeu 45 mil trabalhadores durante a pandemia e debate-se com dificuldades em contratar pesoal; vão abrir 65 hotéis em Portugal em 2023; 15 anos depois de promulgada a Lei que determina a inventariação do seu património imobiliário, o Estado continua sem saber quantos terrenos ou edificios possui e também não sabe quantos dos edificios estão devolutos e poderiam ser colocados no mercado de arrendamento; a greve na Justiça já causou 8 mil adiamentos; oito urgências pediátricas vão fechar na zona de Lisboa; em Portugal os alimentos básicos já são mais caros que em Espanha e quase ao mesmo preço de França; um inquérito recente indica que, no conjunto dos países da União Europeia, a média de trabalhadores satisfeitos com a sua actividade profissional é de 43,8%, mas em Portugal o mesmo inquérito indica que apenas 21,6% dos trabalhadores se dizem muito satisfeitos com o seu emprego; nos últimos sete anos morreram mais soldados nos  quartéis em Portugal do que em 20 anos de missões no estrangeiro; o Bispo de Beja sugeriu perdão para os padres abusadores.


 


O ARCO DA VELHA - Uma investigação no âmbito de um mestrado apurou que existem inquéritos para investigar casos de corrupção que se arrastam durante nove anos sem terem um desfecho.


 


IMG_0707.jpg


DESENHOS AMPLIFICADOS - Chama-se “Baixo Eléctrico” a nova exposição de João Jacinto na Galeria 111, que ali ficará até 29 de Abril. Trata-se de um conjunto de novos trabalhos sobre papel feitos em 2022 e já este ano, com um traço marcante onde o desenho é peça fundamental (na imagem). João Jacinto começou a expor em 1986 e a sua obra está representada em diversas colecções nacionais e internacionais.Ao contrário de outras obras anteriores onde a forma de utilização das tintas produz volumes que se incorporam na imagem e criam uma perspectiva por vezes quase tridimensional, nesta exposição é o traço e o desenho que surgem em primeiro plano. A Galeria 111 fica na  R. Dr. João Soares 5B, e pode ser visitada de terça a sábado entre as 10 e as 19 horas. Outros destaques: em Coimbra vale a pena visitar a nova exposição do Centro de Arte Contemporânea, “Pose”, que reúne até 28 de Maio trabalhos de nomes como Amadeo de Souza-Cardoso, Andy Denzler, Andy Warhol, Paula Rego, Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis e Vhils, entre outros. Destaque ainda para a exposição  #Slow #Stop... #Think #Move Território #2, com curadoria de Ana Anacleto, agrupando um conjunto heterogéneo de obras, e que está até 5 de Maio na Fidelidade Arte, Largo do Chiado 8. Finalmente na Galeria Francisco Fino está a primeira exposição individual de Nuno Ramos, “Opening”, onde o artista  apresenta um novo conjunto de instalações, com recurso a som, escultura e fotografia. Rua Capitão Leitão 26, até 11 de Março.


 


confiança corte.JPG


HISTÓRIAS DE CRISES - “Há cerca de uma década que venho assistindo a um deplorável declínio não só dos negócios no nosso país mas também no espírito das suas pessoas. Onde outrora morava a perseverança e a iniciativa, arrasta-se agora a apatia e o desespero”. Esta frase podia fazer parte do pensamento de muitos portugueses. Mas não é o caso. Trata-se de uma afirmação de Andrew Bevel, o protagonista da segunda história de “Confiança”, o livro de Hernán Diaz que foi vencedor do prémio Kirkus de 2022 é seleccionado no mesmo ano para o prémio Booker. É fascinante este livro, uma sucessão de histórias que se completam e se cruzam, umas encaixadas nas outras, todas girando em torno do mundo financeiro de Nova Iorque desde 1920, O relatório do prémio Kirkus frisa que “Confiança” é “Uma história complexa sobre poder, amor e a natureza da verdade”. A tradução, de Francisco Agarez, é excelente e esta história está a ser adaptada para uma série da HBO, produzida e interpretada por Kate Winslet.  Hernán Diaz nasceu na Argentina, cresceu na Suécia e vive hoje nos Estados Unidos da América. Publicou em 2017 o seu primeiro romance, “Ao Longe”, com o qual venceu o Prémio William Saroyan e foi finalista do Pulitzer e do PEN/Faulkner. O livro atravessa várias épocas, inclui diversas personagens, quase como se a história que é contada se fosse recriando ao longo dos tempos. Estes são os quatro momentos do livro: “Obrigações” é protagonizada por Harold Vanner, “A Minha Vida” tem como personagem central Andrew Bevel, em  “Memórias Relembradas” surge Ida Partenza e, a terminar, em “Futuros” é Mildred Bevel que recorda que “um sino, numa redoma, não toca”.


 


CARMINHO_PORTUGUESA_CAPA (1) (2).jpg


A LISBOETA -  “Portuguesa” é o nome que Carminho escolheu para o novo disco, o seu sexto álbum, num ano em que tem em agenda uma série considerável de concertos em várias grandes salas europeias, com passagens por Espanha, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Alemanha, Noruega ou Finlândia. Esta clara identificação com o seu país, é realçada pelo grafismo da capa e pela fotografia.  Numa muito interessante entrevista a Nuno Crespo, Carminho sublinha que “o fado nasce com os nossos grandes poetas para dizer os grandes feitos dos portugueses”, sublinhando que “procuramos muito as ideias de identidade e pertença, mas depois acabamos a fazer coisas que não dizem nada sobre nós”. Sendo portuguesa, este disco de Carminho é também um retrato de uma lisboeta, que pega na música de Alfredo Marceneiro ou Frederico de Brito ou ainda na Marcha de Alcântara, o seu bairro. É  um disco de poetas, de Manuel Alegre a Sophia de Mello Breyner, passando por David Mourão-Ferreira. Mas não é um disco saudosista, é um trabalho que cruza a tradição com colaborações com Luísa Sobral (num magnífico “Sentas-te A Meu Lado”), no “Ficar”, de Joana Espadinha, no “Simplesmente Ser” de Rita Vian,  ou no “Levo o meu barco no mar”, de Marcelo Camelo. E há também originais de Carminho, como “As Flores" ou “Praias Desertas”. São ao todo 14 temas de um disco marcante, produzido pela própria Carminho e com arranjos desafiadores baseados no trabalho de músicos como André Dias na guitarra portuguesa, Flávio César Cardoso na viola de fado ou o baixo acústico de Tiago Maia, mas também nas sonoridades da guitarra eléctrica e a lap steel de Pedro Geraldes, o mellotron e o sintetizador de João Pimenta Gomes, a braguinha e o ukulele eléctrico de André Santos  ou um teclado Rhodes, tocado pela própria Carminho. “Portuguesa”, edição Warner em CD e disponível nas plataformas de streaming.


 


PEIXES VEGETARIANOS - Num belo almoço de cozido, que juntou um grupo alargado de amigos, uma das convivas perguntou que alternativas poderiam existir já que era vegetariana e não poderia deliciar-se com os sabores dos enchidos e das carnes que perfumavam o arroz e os legumes que se tinham, todos, juntado na panela. A alternativa proposta pelo restaurante pareceu-me um genial ovo de colombo - peixinhos da horta acompanhados por arroz de coentros. Acontece que o restaurante onde isto se passou era o Papa Açorda, conhecido aliás pela categoria dos seus peixinhos da horta, essa invenção portuguesa de transformar feijão verde num petisco. Normalmente servido como aperitivo, o feijão verde envolto em polme e frito  a alta temperatura, para ficar seco e estaladiço, leva-nos para uma das nossas mais antigas exportações gastronómicas, no caso para o Japão, onde se desenvolveram tempuras (frituras) de variadíssimas coisas. Mas regressamos aos peixinhos da horta - a sua combinação com o arroz de coentros resulta bem e constitui um petisco inesperado. A solução vegetariana proposta em dia de cozido revela imaginação e um bom improviso. Recentemente tive ocasião de experimentar uns outros peixinhos da horta muito bons, no Chiringuito, em Lisboa, um belo local de Campo de Ourique onde regressarei numa destas semanas.


 


BOM - O episódio de estreia de “Motel Valquíria”,  na RTP1 - bom som, boa fotografia, bons actores, boa realização, boa edição - uma conjugação que nem sempre aparece nas produções portuguesas.


 


MAU - As respostas e a posição do cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sobre os casos de abuso sexual praticados por membros da Igreja em Portugal.


 


DIXIT - “A crítica principal (à resposta da Igreja) é a de que as vítimas não estiveram no centro do discurso. Foi o que decepcionou mais “ - Daniel Sampaio


 


BACK TO BASICS - “Há dois pecados capitais de onde derivam todos os outros: impaciência e preguiça” - Franz Kafka







março 03, 2023

O INTOCÁVEL ESTADO

IMG_0474.jpg


DESIGUALDADES - Se um vulgar cidadão se atrasa a cumprir as suas obrigações para com o Estado tem tolerância zero, salta-lhe a máquina burocrática em cima, sem apelo nem agravo, sem recursos, sem decisões judiciais. Mas há uma excepção: o Estado é muitíssimo tolerante consigo próprio. Desculpa-se pelos atrasos, esquece-se do que devia fazer, deixa as coisas correr quando lhe dá jeito. Vou dar um exemplo, que está relacionado com um dos maiores escândalos da justiça portuguesa na última década. O caso é o que envolve José Sócrates, o exemplo é a Lei que regulamenta o sorteio de juízes para, diziam, tentar melhorar a transparência na distribuição dos processos em tribunal. A lei entrou em vigor em Outubro de 2021, o Governo estava obrigado a regulamentá-la no prazo de 30 dias para que ela pudesse começar a ser aplicada. Até hoje não foi regulamentada, apesar de ter passado ano e meio, continua pois sem poder ser aplicada. E assim os juízes continuam a ser designados pelo método antigo, o do sorteio. O que é que isto tem a ver com Sócrates? -  os seus advogados aproveitam a vantajosa ausência de regulamentação para, de cada vez que é sorteado um juiz para apreciar um recurso do processo do ex-Primeiro Ministro e líder do PS, apresentarem novo recurso a pedir o afastamento do juiz designado por a distribuição ter sido feita através de um sorteio que já não está previsto na lei em vigor. Recapitulemos: José Sócrates foi detido há mais de oito anos, em Novembro de 2014, foi acusado em Outubro de 2017 e pronunciado em Abril de 2021. De então para cá há  uma teia de recursos a bloquear o processo e as primeiras prescrições - o objectivo de todos estes expedientes - acontecem já em 2024. Data de julgamento é coisa que não existe. Ninguém me convencerá que estes atrasos de regulamentação são ingénuos ou casuais. 


 


SEMANADA - A idade média da população portuguesa é agora de  46,8 anos, um aumento de 4,7 anos em relação a 2012, o que constitui a maior subida registada em igual período na União Europeia; o preço dos alimentos está a aumentar mais em Portugal na zona euro e produtos como ovos, leite fresco e comida de bebé são aqueles onde se regista maior desvio; nos produtos alimentares não transformados o aumento verificado em Fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado é de 20,11%;  a Lei que prevê a divulgação dos contratos dos gestores públicos foi aprovada há mais de uma ano, mas ainda não foi publicado nenhum contrato; uma sondagem recente mostra que os três principais problemas indicados pelos portugueses são a inflação, o estado da governação e a corrupção; o endividamento da economia portuguesa aumentou 19,1 mil milhões de euros em 22, para um total de 793,8 mil milhões; em 2022 foram criadas mais de 48 mil empresas em Portugal, mais 14% que em 2021; uma consulta de psiquiatria infantil chega a ter um prazo de 200 dias de lista de espera em alguns hospitais públicos; em Janeiro o total dos depósitos de particulares em bancos diminuíu 2,5 mil milhões de euros face a Dezembro de 2022 e as subscrições líquidas de certificados de aforro aumentaram 2,9 mil milhões de euros no mesmo período; um em cada quatro médicos tem mais de 65 anos e cinco mil vão aposentar-se até 2030.


 


O ARCO DA VELHA - O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, anunciou a presença de Lula da Silva na cerimónia do 25 de Abril no Parlamento, a fazer um discurso, sem que isso tenha sido discutido e decidido na própria Assembleia da República.


 


491_Sol Lewitt-6-L.jpg


UMA COLECÇÃO IMPERDÍVEL  - Desde quarta-feira e até 8 de Abril poderão ver na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa,  uma parte da colecção de arte moderna e contemporânea de Norlinda e José Lima, apresentada sob o título “Uma terna (e política) contemplação do que vive”. Empresário e industrial da área do calçado,  José Lima, e a sua mulher, Norlinda, professora de profissão,  adquiriram ao longo dos anos uma vasta e importante colecção com mais de 1300 obras de arte, contabilizando cerca de 250 artistas portugueses e 230 internacionais, colocada em depósito no Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira, sua terra natal e onde o casal vive. Numa entrevista de 2021 José Lima considerou-se “ um colecionador invulgar porque não estudou e tudo o que aprendeu foi por si, lendo os livros, visitando museus, exposições e ateliês, falando com curadores, galeristas e artistas”. Na Sociedade Nacional de Belas Artes (Rua Barata Salgueiro 26) estes coleccionadores apresentam 120 das suas obras, de autores como, entre muitos outros, Julião Sarmento, Lourdes Castro, Paula Rego, Rui Chafes, Ana Jotta, Pedro Chorão, Jorge Queiroz, Anish Kapoor, Andy Warhol, Christo, Joseph Beuys, Damien Hirst, Pistoletto ou Sol Lewitt (na imagem). “A abordagem deste projeto é focada no ponto de vista dos colecionadores, procurando expor o maior número de artistas possível, num ângulo que nos permita viajar com os públicos pela História da Arte Contemporânea”, afirma Helena Mendes Pereira, diretora da zet gallery, de Braga, que assegurou a curadoria desta exposição. 


 


image-4.png


O TESTEMUNHO DE UMA VIDA - Manuel S. Fonseca é um homem de sete instrumentos - uns foi tocando ao longo da sua vida profissional, outros toca agora com belas orquestrações. O Manuel é um homem com a vida marcada pelo cinema, a escrita, a música, suas paixões confessas apenas suplantadas pela forma como fala da Luanda e de Angola, onde foi menino e cresceu. Este livro, é uma colectânea de escritos, ditos, crónicas de jornal, posts de blogues, reunidos ao longo de uma dúzia de anos. São recordações de paixões e declarações de fidelidade a muitas coisas que viveu, que fez, que sentiu. Há momentos em que é um livro de aventuras, umas tão ternas como aquela pescaria de caranguejos, feita com o seu pai, pelo areal fora, em que os crustáceos se iam escapando do saco que o Manuel menino deixou entreaberto, para que todos fugissem de novo para o mar  -  tudo culminou com pai e filho a comprarem caranguejos a pescadores locais para não chegarem a casa de mãos a abanar. Mas é também a recordação dos momentos em que Angola começou a traçar o seu próprio caminho, os dias de Fevereiro de 1961, o clima vivido, os medos sentidos. Livro de observações, divide-se entre as recordações de infância, as aventuras de adolescência, os dias da independência e a declaração de amor ao Liceu Salvador Correia, que o fez homem e é o manifesto que encerra este livro que fala de filmes de nomes como Godard, de canções de Aretha Franklin e de Bob Dylan, das marcas dos tempos que viveu. Aqui se cruzam memórias de Angola e episódios de vida - “Este é o meu livro de África”, diz o Manuel aos seus amigos, sorrindo com os olhos, como costuma fazer. A edição, não podia deixar de ser, é da sua “Guerra & Paz”, que fundou e é agora a sua vida.


 


image-3.png


DISCOS ARTIFICIAIS - Foi há 22 anos que os Gorillaz lançaram o seu primeiro disco e agora têm o seu oitavo álbum de originais,  “Cracker Island”. The Guardian já escreveu que era um dos seus melhores trabalhos de sempre e parece-me que tem razão. Os Gorillaz, convém recordar, são uma banda virtual, anónima, que vive deliberadamente sem caras em palco, apenas imagens de avatars de inspiração BD, que protagonizam os músicos. Na origem da coisa esteve Damon Albarn, dos Blur, e o seu amigo Jamie Hewlett, que desenhou os bonecos. Nos Gorillaz Damon Albarn fez aquilo que não conseguia nos Blur - explorou outras sonoridades, andou por territórios fora do pop formatadinha. Banda virtual, os Gorillaz têm nomes imaginados: 2D canta e está nas teclas, Murdoc Niccals está no baixo, Noodle na guitarra e Russel Hobbs na bateria. Em palco estão projecções dos bonecos, não há musicos à vista, e mesmo assim os concertos são um acontecimento. Ao longo destas mais de duas décadas passaram pelos Gorillaz muitos músicos convidados e Albarn é o único membro permanente. Os cruzamentos musicais que Albarn consegue entre músicos de diversos géneros são talvez a razão de ser da notoriedade que a banda conseguiu. “Cracker Island “ é um disco pop que parece programado a IA para satisfazer os consumidores de música em streaming - mas isso é uma vantagem. Aqui estão colaborações tão diversas de nomes como Stevie Nicks, Thundercat, Tame Impala e Bootie Brown, Bad Bunny, Beck ou e La Soul entre outros. O resultado é que não há duas canções iguais e que a maioria delas são mesmo bem apanhadas. Nada como ouvir para confirmar. “Cracker Island" foi feito para as plataformas  de streaming e é lá que o podem encontrar.


 


ARROZ DE FUNGOS - Este é o tempo dos cogumelos, portanto é aproveitar. No mercado existem muitas variedades de cogumelos, uns deliciosos fungos que são uma óptima matéria prima para um arroz que fará uma bela refeição - será o dia ideal para convidar aquele amigo vegetariano que fica sempre subalternizado numa mesa. O primeiro conselho é que escolham umas duas ou três variedades de cogumelos (shitake, portobello, shimaji), lavando-os bem em água corrente. Uma vez feita a lavagem e depois de escorridos, cortem-nos em pedaços não demasiado pequenos e reservem. Num tacho largo coloquem azeite e meia dúzia de fatias finas de cebola roxa e deixem refogar em lume brando até ficar translúcida. Depois adicionem os cogumelos, temperem com sal e um pouco de vinho branco seco, tapem o tacho e deixem em lume baixo durante dez minutos. Ao fim desse tempo adicionem arroz carolino e envolvam bem, adicionando a água na quantidade normal devida para a quantidade de arroz que usaram. Mexam tudo muito bem de novo, voltem a tapar e deixem em lume brando até o arroz estar cozido. Rectifiquem o tempero com um pouco de pimenta preta moída na altura, e uma generosa colher de sopa de manteiga, mexam tudo de novo muito bem, voltem a tapar e deixem a repousar uns cinco minutos. Podem servir, bom apetite. 


 


BOM - O Urso de Prata do Festival de Cinema de Berlim, o prémio do Júri, foi para João Canijo e o seu filme “Mal Viver”, uma consagração mais que merecida.


 


MAU - Como diz António Barreto, “as políticos e as práticas seguidas actualmente por Portugal (em relação à imigração) são incentivos à clandestinidade, ao tráfico de mão de obra, ao abuso dos trabalhadores e a novas formas de racismo”.


 


DIXIT - “Não podemos delegar responsabilidades e ficar à espera que a Igreja resolva sozinha os desmandos. Seria tornarmo-nos cúmplices desta vergonha” - Pedro Norton


 


BACK TO BASICS - “Não chega ter uma boa cabeça, o fundamental é usá-la bem” - Descartes