março 12, 2021

FAKE NEWS NO TERRENO AUTÁRQUICO LISBOETA

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MEDINA E FAKE NEWS - Muito pouco tempo depois de ter sido anunciada a candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa foi abundantemente colocado nas principais redes sociais um vídeo que pretendia atribuir a Moedas a ideia da privatização da Carris há uns anos. O vídeo é o perfeito exemplo de fake news na luta política. É evidente  que foram os adversários deste candidato, que se afirmam apoiantes da gestão municipal actual, que fizeram o vídeo e o puseram a circular. Pouco depois de o vídeo ter surgido, foi publicado um trabalho de fact-checking sobre as afirmações divulgadas e acontece, como se comprova, que Carlos Moedas já não fazia parte do Governo anterior quando a ideia da privatização foi lançada. Mais, em fevereiro de 2015, quando o então governo  aprovou a concessão do Metro e da Carris, Moedas já tinha iniciado funções como comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação há cerca de três meses. O vídeo dos adversários de Moedas, pelo que se compreende do texto, é da autoria de apoiantes da corrente gestão autárquica de Medina e os seus autores pretendem, como referem, denunciar “a outra face de Moedas”. Na realidade o que o vídeo mostra é a outra face dos apoiantes de Medina - adeptos de fake news que não olham a meios para alcançarem os seus fins. Fernando Medina teria ficado bem em demarcar-se destas fake news e destas campanhas mentirosas. Ao não o fazer mostra que, no fundo, usa os métodos de Donald Trump - aparenta que não faz, mas deixa fazer, se é que não estimula. Começou o vale tudo. A disputa é sobre Lisboa: se queremos no futuro uma cidade melhor para quem cá vive ou se queremos um cenário fabricado para visitantes. 


 


SEMANADA - Valdemar Alves, o autarca de Pedrogão cuja conduta depois dos graves incêndios de 2017 motivou críticas e deixou suspeitas em relação à aplicação dos fundos para a reconstrução,  volta a ser apoiado pelo PS nas próximas autárquicas; no sábado passado a Iniciativa Liberal anunciou um candidato próprio à Câmara de Lisboa e o indicado, Miguel Quintas, anunciou retirar se da corrida três dias depois, alegando razões pessoais após terem sido apontadas contradições entre declarações suas e do partido pelo qual se candidatava; o Ministro Pedro Nuno Santos defendeu que o PS necessita de um novo programa assente no reforço do papel do Estado; segundo um dirigente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros Portugal está na cauda da Europa no que toca a hábitos de leitura e a média de compra de livros por habitante e por ano é de um livro e meio em Portugal, na Grécia é entre os três e quatro, em Espanha está entre os quatro cinco, e em França entre os sete a dez livros por ano; de acordo com um estudo da  Marktest, mais de um milhão de pessoas, 12% da população, compraram snacks para cães e/ou gatos nos últimos 12 meses;  um estudo de três universidade portuguesas indica que o jornalismo e a abordagem dos órgãos de comunicação social face à pandemia têm impacto direto nos resultados, isto é, na adesão da população às medidas de segurança; o desemprego efectivo já ronda os 14%; o Metropolitano de Lisboa perdeu cerca de 50% dos passageiros em 2021 e o Metropolitano do Porto teve uma quebra de 45%, a CP teve uma quebra de 40% e os barcos da Transtejo reduziram 45%; 





ARCO DA VELHA - Cavaco Silva fez gala em mostrar que não quis participar nos cumprimentos ao Presidente da República eleito e depois não teve a frontalidade para assumir essa ruptura política e pessoal e deu uma desculpa mal amanhada sobre a sua ausência.


 


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VER - Aos poucos começa a haver movimento em galerias de arte. Algumas estão a montar exposições, outras aguardam poderem abrir portas e outras ainda multiplicam as actividades on line. É o caso da Galeria Belo Galsterer que dia 12 de Março faz o lançamento online de uma exposição que esteva prevista para 2020. A pandemia obrigou a adiá-la, agora ela pode ser mostrada de forma virtual, e espera-se que em breve presencial, até dia 24 de Abril. Trata-se de “A Midsummer Night 's Dream Rewind”, que conta com obras de Cristina Ataíde, Paulo Brighenti, Claudia Fischer, Rita Gaspar Vieira, Renzo Marasca, Chrischa Oswald e Wolfgang Wirth. O título é inspirado na comédia de Shakespeare que mostra o mundo meio fantasioso que o autor criou no século XVII. A acção da peça decorre em torno do casamento da rainha das Amazonas com o rei Theseus, explorando o que é o sonho e o amor. Esta foi a base de inspiração para os artistas, que continuaram a trabalhar durante todo este tempo que levamos de confinamento. Na nova exposição online, “A Midsummer Night 's Dream Rewind”, os artistas falam dos seus trabalhos na primeira pessoa e toda a informação está disponível em formatos audio, video e também escrita. Basta entrar no  site da galeria (https://www.belogalsterer.com/)  a partir do qual se poderá aceder à exposição online, bem como à sua presença nas redes sociais Instagram, Facebook e YouTube.


 


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DEU-ME UMA DE BLUES  - Num dia desta semana acordei a apetecer-me ouvir blues. No meio de uma busca pelo Spotify descobri um disco recente, de finais de 2020, de duas lendas dos blues, Elvin Bishop e Charles Musselwhite - “100 Years Of Blues”. Como li numa recensão do disco num site americano este disco é um “antídoto para a música de plástico”.Bishop e Musselwhite são quase da mesma idade, amigos há muitos anos, companheiros de pescarias mas nunca tinham gravado um disco juntos.  Elvin Bishop, 1942, cresceu em Oklahoma, canta e toca guitarra, enquanto Charlie Musselwhite, nasceu em 1944, cresceu no Tennessee e tornou-se conhecido com a sua harmónica. Nos anos 60 andaram ambos por Chicago, na época a capital dos blues. Na época eram dois músicos brancos a tocar com músicos negros e aí conheceram e trabalharam com grandes músicos como Muddy Waters, John lee Hooker ou Howlin’ Wolf. Neste “100 Years Of Blues” estão 12 canções, nove originais e três versões de clássicos. Além de Bishop e Musselwhite o disco conta com a participação de Bob Welsh no piano e segunda guitarra e de Kid Andersen no baixo. Numa das faixas, “Good Times”, Musselwhite deixa a sua harmónica de lado e toca slide guitar de forma surpreendente. É quase uma hora de grande música que termina com um dueto cantado por Bishop e Musselwhite, no tema que dá o título ao álbum e onde os dois se explicam: “We have been playing this music a long time, between the two of us you are looking at a 100 years of blues, we got our education in Chicago back in the 60’s, playing in bars and breaking all the rules -  If your like what you hear, keep doing just what we do.”


 


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LISTA DE LEITURAS - Uma das formas de fugir às limitações a que o confinamento obriga tem sido ler. E por falar nisso nada como descobrir o que é que um homem com o saber de Eugénio Lisboa, tem a recomendar em matéria de leituras. Acabado de editar, “Vamos Ler - Um Cânone Para o Leitor Relutante” propõe 50 livros de 35 autores da literatura portuguesa. Ensaísta, escritor, crítico literário, poeta, Eugénio Lisboa, aos 90 anos, continua transgressor, provocador, apaixonado pela literatura e pelos livros. Este ensaio com cerca de 100 páginas editado na colecção “livros vermelhos” da Guerra & Paz,  não poupa críticas ao que o autor chama de «snobismo provinciano» que, acredita,  afasta as pessoas da leitura. Antes de chegar à lista propriamente dita Eugénio Lisboa fala de livros e literatura, elogiando a escrita simples. “Gosto de falar português limpo e asseado e não literatês”, afirma, a propósito de Gabriela Llansol: “Proponho que me expliquem, com muito cuidado e jeitinho e com um grande cuidado pelo significado das palavras, o que quer dizer toda aquela algarviada, vestida de pompas e significando nada.” A lista é ela própria um achado, um desafio estimulante a descobrir leituras: começa com “Equador” de Miguel Sousa Tavares e termina com os “Sonetos” de Luis de Camões, passando por clássicos e outros menos clássicos. Não vou revelar a lista, descubram-na nas páginas deste “Vamos Ler”, onde Eugénio Lisboa fala de cada autor, da razão da recomendação e da razão de ser de aconselhar uma obra. Da deliciosa introdução à lista, cheia de pequenas histórias de uma pessoa apaixonada pelos livros, destaco esta citação: “Witggenstein observava que, quando um pensamento se não consegue exprimir com clareza e simplicidade, é porque talvez ainda não esteja suficientemente maduro para ser expresso”. Enquanto as livrarias não abrirem podem comprar o livro no site da editora.


 


FAVAS EM TAKE AWAY - Estou a cumprir as regras do confinamento desde meados de Janeiro e reconheço que está a ser mais difícil que no ano passado. Com quase dois meses disto, parece que o tempo não passa, apesar de me manter bastante ocupado. Gosto de cozinhar e vou descobrindo receitas, mas tenho saudades das minhas mesas preferidas. Nas conversas telefónicas que tenho tido com os responsáveis dos restaurantes que frequento mais regularmente constato que neste confinamento a procura de take away está a ser menor do que aconteceu há um ano. Embora alguns restaurantes tenham criado kits de cozinha que podem ser finalizados em casa, a experiência de estar na mesa de um restaurante de que se gosta é outra coisa. O convívio faz-nos falta. Faz parte da natureza humana. A situação em que estamos levou-nos a privilegiar o isolamento. Mas isso não pode durar sempre e é bom que quando pudermos voltar a sair possamos regressar onde mais gostamos de estar. Quem habitualmente me lê sabe que gosto do Salsa & Coentros, em Alvalade. Têm sempre estado a funcionar com sugestões de pratos diferentes para o fim de semana, além de alguns clássicos do menu. Para este fim de semana as propostas principais são favas guisadas com entrecosto e filetes de polvo com açorda. Além disso há clássicos como a lebre com feijão, a perdiz de escabeche ou o arroz de pato. Se está em Lisboa pode fazer as encomendas eem www.restaurantesalsaecoentros.pt ou pelo telefone 218410990. Bom apetite e saúde!





DIXIT - “De nada vale a liberdade se for esvaziada pela pobreza” - Marcelo Rebelo de Sousa, na tomada de posse do seu segundo mandato como Presidente da República





BACK TO BASICS - “A comédia é apenas uma forma divertida de dizer coisas sérias” - Peter Ustinov





 


 

março 05, 2021

OS CONTEÚDOS, O GOOGLE E O CASO AUSTRALIANO

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AS NOTÍCIAS  - Quase todos os dias me acontece isto: acordo, espreito os canais de notícias, meto-me no carro e vou fazer compras, incluindo jornais do dia, em papel, que é para haver palavras cruzadas. No caminho ouço noticiários de duas estações de rádio. Quando me sento com os jornais na mão, cujas edições foram feitas na noite anterior, constato, salvo raras excepções, que a maior parte das informações que já vi ou ouvi aparecem nesses jornais. Na realidade a maior parte da agenda noticiosa do dia - que inclui também entrevistas, reportagens e  investigações jornalísticas - continua a ser estabelecida pelas empresas de mídia que criaram e desenvolveram os velhos jornais em papel - e que têm evoluído para o digital com investimentos consideráveis e, por enquanto, ainda com curtas receitas. Ter uma agenda própria, descobrir, informar, é uma actividade forçosamente dispendiosa e a que muitas vezes não é dado o devido valor. As empresas de mídia queixam-se há muitos anos que não recebem uma compensação justa por artigos e outros conteúdos que geram receitas de publicidade para plataformas tecnológicas como o Google e o Facebook, queixas que estas tecnológicas têm ignorado. Olhemos para a recente agitação que o Governo Australiano provocou ao impôr que empresas como a Google pagassem pela utilização de conteúdos dos jornais do país. A lição do caso australiano, em que a Google primeiro estrebuchou e depois se apressou a fazer acordos e a pagá-los, é curiosa: mostra como um esforço de regulação - ou até apenas a sua ameaça - pode levar um gigante tecnológico a alterar o seu comportamento. O desafio agora é ver como outros países, em particular na Europa, podem tomar iniciativas que levem as tecnológicas a pagar pelas notícias e conteúdos que utilizam. Esta é uma questão cada vez mais decisiva para a saúde financeira e a sobrevivência das empresas jornalísticas. Não se trata de ir buscar dinheiro ao Estado. Trata-se de o Estado fazer o que lhe compete para equilibrar o mercado.


 


SEMANADAO romance do aeroporto tem novo capítulo e os aviões estão como na canção: hesitantes entre dois amores, Montijo e Alcochete; FC Porto, Benfica e Sporting têm em conjunto um passivo superior a 1,2 mil milhões de euros; depois da Dinamarca também a Áustria anunciou que vai deixar de contar exclusivamente com a União Europeia e começou conversações com Israel para garantir vacinas contra o Covid para os seus cidadãos; os correios do Canadá, numa criativa acção de relações públicas,  vão entregar nos próximos dias em todas as casas do país, cerca de 13,5 milhões, postais em branco e com envio pago, para que as pessoas possam mandar uma mensagem manuscrita a amigos que não vêem há muito devido ao confinamento - na parte da frente dos postais estão vários desenhos, sempre com a frase “Sending smiles. Je t’embrasse”; em Lisboa e no Porto são feitas duas queixas por dia, desde o início do ano, devido ao ruído de obras e na maior parte dos casos os queixosos estão em teletrabalho; o número de casos de crianças e jovens com ansiedade disparou nos hospitais; os preços das casas desceram 14,4% no centro histórico de Lisboa em relação ao segundo semestre do ano passado; em 2020 o número de desempregados que receberam subsídio de desemprego aumentou 49%; no ano passado a pandemia provocou uma diminuição de 75% dos espectadores nas  salas de cinema portuguesas, uma perda de quase 12 milhões de bilhetes vendidos; cerca de 28 mil profissionais de saúde foram infectados desde que a pandemia começou, há um ano.


 


ARCO DA VELHA  - A Assembleia da República revelou estar “com dificuldades em contactar” Carlos Costa,  ex-governador do Banco de Portugal, para depôr numa Comissão Parlamentar. O ex-governador, questionado por um jornal, disse residir na mesma casa há 21 anos, e continuar com o mesmo número de telemóvel e o mesmo endereço de email pessoal de sempre.


 


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BAIRRO DOS MUSEUS VIRTUAL -  Esta semana deixo aqui duas sugestões de visitas virtuais ligadas ao sexto aniversário do Bairro dos Museus, uma iniciativa desenvolvida desde 2015 pela Câmara Municipal de Cascais e pela Fundação D. Luís e que tem fomentado actividade em equipamentos como,  o Centro Cultural de Cascais, o Museu Condes de Castro Guimarães, o Museu do Mar Rei D. Carlos e a Casa das Histórias Paula Rego, entre outros.  Para assinalar o sexto aniversário do Bairro dos Museus, e já que por força da pandemia os equipamentos estão encerrados,  foi lançada uma visita virtual à exposição “Paula Rego e Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino”, patente na Casa das Histórias Paula Rego, e que pode ser vista através nas páginas de Facebook Cultura Cascais, da Casa das Histórias Paula Rego e da Fundação D. Luís I, ficando ainda disponível no site da Fundação D. Luís I. E entretanto também já está disponível nas redes sociais da Fundação D. Luís I (Facebook e canal de Youtube), e da Cultura Cascais, o primeiro de sete episódios sobre a visita virtual à exposição “Vivian Maier: Street Photographer” , com comentários da curadora Anne Morin  que logo que a pandemia permita poderá ser visitada no Centro Cultural de Cascais.


 


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O SOM DOS 80s - Um pouco por acaso, num destes dias,  dei comigo a ver na RTP2 um documentário sobre os Pop Dell’Arte, uma banda portuguesa nascida em inícios dos anos 80 pela mão de João Peste, que aliás hoje continua a manter o projecto em funcionamento, mesmo que com muitos interregnos pelo meio. Os Pop Dell’Arte nasceram em Lisboa, em 1985, tendo João Peste como vocalista, Zé Pedro Moura como guitarrista, Ondina Pires como baterista, Paulo Salgado como baixista e Luís Saraiva como percussionista. Ao ver o documentário recordei-me como os Pop Dell’Arte foram um dos grupos mais influentes dos anos 80 e 90, quer pela pela forma de expressão e presença de João Peste, quer pela forma disruptiva que assumiram musicalmente. Por lá passaram, além dos fundadores, nomes como Luis San Payo, Rafael Toral, Nuno Rebelo, Sei Miguel, João Paulo Feliciano, Pedro Alvim, JP Simões, General D, entre muitos outros. No fundo Pop Dell’ Arte envolveu gerações de músicos que deixaram marca na cultura urbana, marca também acentuada pela editora Ama Romanta, uma ideia de João Peste que em Maio de 1986 lançou ano o álbum “Divergências” onde aparecem, além dos Pop Dell’Arte, nomes como Mler Ife Dada,  Croix Sainte, Anamar, Essa Entente, Linha Geral, A Jovem Guarda ou Bye Bye Lolita Girl, entre outros. Estreado em 2018, o documentário “Ainda Tenho Um Sonho ou Dois – A História dos Pop Dell’Arte” é da autoria do Nuno Duarte e Nuno Galopim e está disponível no RTP Play.


 


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VISITA AO PASSADO - “O Milagre de São Francisco” foi o primeiro sucesso de John Steinbeck, tinha ele 33 anos. Publicado em 1935, quatro anos antes de “As Vinhas da Ira”, a meio da Grande Depressão que varreu a economia norte-americana durante a década de 30, o livro enquadra bem o clima da época, ainda para mais numa zona então fortemente empobrecida. “Tortilla Flat”, o seu nome original, passa-se em Monterey, uma pequena cidade a sul de S. Francisco, junto ao mar, numa baía, não muito longe de Silicon Valley. Hoje é uma zona muito procurada por californianos que não querem viver nas grandes cidades. Na época era uma zona industrial muito ligada à pesca e indústria conserveira, longe de estar na moda. O livro conta-nos a história de um grupo de vagabundos que vivem numa das colinas à volta de Monterey. Um deles, Danny,  herda subitamente duas casas e converte-se, nos padrões de então e no meio em que vivia, num rico proprietário, à mesma sem dinheiro, mas com a ilusão de uma riqueza idealizada. Ele que dormia na rua, passou a ter um tecto e albergava quem lhe aparecesse. A sua vida no entanto não mudou no essencial, continuou sem nada fazer, na expectativa de que algum dos seus amigos trouxesse vinho para casa, como se fosse a compensação por ele os deixar partilhar o espaço. O livro é um manual sobre as relações humanas no meio de expedientes, de pequenas intrigas e conspirações, num círculo fechado de amigos que procuram sobreviver sem muitas maçadas. Da mesma forma como a herança veio, esfumou-se - assim como a vida do próprio Danny, a quem o sentimento de posse e propriedade afligia. Reedição , na colecção Dois Mundos dos Livros do Brasil.


 


CULINÁRIA TIKTOKNeste confinamento tudo é possível - até uma receita simples tornar-se viral através da rede social TikTok. A história merece ser contada: em 2018 uma blogger finlandesa colocou um post com uma sua receita, a que chamou unnifetapasta. A coisa foi ganhando tracção e já este ano alguém no TikTok lançou a receita e num ápice ela tornou-se viral. Foi de tal modo que nos Estados Unidos houve supermercados que esgotaram o queijo feta e tiveram que reforçar as encomendas significativamente, colocando algumas fábricas do produto à beira de um ataque de nervos. A receita passou a ser conhecida como TikTok Feta Pasta  e uma busca na Google produz mais de um milhão de resultados diferentes. A base da receita é sempre a mesma: um recipiente de ir ao forno, um pouco de azeite no fundo,  com um bloco de queijo feta no meio, rodeado de tomate cherry inteiro. Rega-se tudo bem com azeite, tempera-se com alho cortado fino, oregãos, sal e peperoncino em flocos. Vai ao forno a 200 graus durante trinta minutos. Entretanto coloca-se a massa a cozer em água salgada - pode ser conchas, lacinhos e até cotovelos. Guarda-se um pouco da água da cozedura e escorre-se quando estiver al dente. Ao fim da meia hora o tabuleiro sai do forno, o queijo estará quase derretido e mexe-se tudo - tomate e queijo - muito bem, criando um molho grosso. Deita-se a massa escorrida por cima, envolve-se tudo com o molho e se necessário adiciona-se um pouco da água da cozedura que foi reservada. Por cima  deitam-se folhas de basílico cortadas e serve-se. É um sucesso e um rosé acompanha bem.


 


DIXIT - “A esquerda é actualmente a mais importante força de estabilidade e de conservação política. Se pudesse, tudo ficava como está. Aos outros, na oposição, nas margens e nas extremas, compete o mais difícil: reconquistar, reorganizar, renovar e consolidar.” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “O grande problema que existe no mundo é que os fanáticos e os loucos estão sempre cheios de certezas, enquanto as pessoas sensatas têm dúvidas” - Bertrand Russell





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fevereiro 26, 2021

AFINAL QUEM ANDA A TRAMAR A CULTURA?

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SOBRE O FINANCIAMENTO DA CULTURA - Na semana passada foi divulgada uma “Carta Aberta da Cultura a António Costa”. O documento critica a inexplicável omissão da Cultura no Plano de Recuperação e Resiliência e sublinha, com razão, que “numa época em que a coesão democrática é um tema de preocupação transversal, parece um erro grave que o nosso Governo opte por não investir no futuro de um sector tão fundamental para essa coesão”. Mais, os subscritores afirmam, também com razão, que a não existência de qualquer proposta relativa ao investimento na Cultura no PRR, terá a médio prazo consequências económicas, sociais e políticas. Partilhando eu deste diagnóstico, gostaria no entanto de propôr uma outra abordagem: esta poderia ser a altura ideal para que o Ministério das Finanças possibilitasse uma Lei do Mecenato atractiva para os privados e que criasse, à semelhança do que existe em tantos outros países, verdadeiros incentivos que permitam que o Estado tenha menos encargos na subsidiação e que os privados tenham maior papel no financiamento das artes e cultura. Não é uma visão utópica - ela é posta em prática em muitos países europeus e na América do Norte, onde a sociedade civil assume com gosto um papel, por vezes mais relevante que o do Estado, nesta matéria - e com bons resultados. O Ministério dos Impostos, conhecido vulgarmente por Ministério das Finanças, nunca quer prescindir da colecta. É medieval no pensamento mas moderno na tecnologia de extorsão - um paradoxo muito produtivo para o Estado e para todos os Governos, sem excepção, que protegem a máquina que abana os bolsos de cidadãos e empresas. Eu não defendo a diminuição dos subsídios, defendo que o financiamento à Cultura seja mais diversificado. Nunca vai ser um processo rápido, mas o Estado também não é rápido, muito menos neste sector cultural. Por isso, quanto mais cedo começar a ser possível diversificar financiamentos, melhor. Enquanto os subscritores do documento  se virarem só para o Governo, em vez de exigirem mais fontes de financiamento, nunca vamos sair da cepa torta nesta matéria. Como a eurodeputada Maria da Graça Carvalho afirmou num recente artigo, a União Europeia “integrou os sectores cultural e criativo numa lista de ecossistemas industriais prioritários para a recuperação económica.” Recorda ainda que, por isso, o Primeiro Ministro “não deve agora vir invocar supostos condicionalismos decorrentes da ligação obrigatória dos planos de recuperação aos pilares das transições verde e digital”. E culmina com uma evidência, que se aplica também à reacção de António Costa ao abaixo assinado já referido:  “Para passar por bom aluno, é preciso revelar melhor conhecimento da matéria dada.” 


 


SEMANADA - Mais de 80 por centos dos portugueses deseja que Marcelo seja mais exigente com o Governo, revela uma sondagem do Correio da Manhã - e mais de dois terços considera que o PR foi demasiado benevolente com o executivo nos meses que antecederam as eleições presidenciais;  um novo estudo indica que mais de três quartos dos portugueses estão pessimistas quanto à evolução económica, pelo que grandes decisões como mudar de emprego, casar, ter filhos, comprar casa ou carro estão fora dos seus planos para 2021; uma sondagem da Aximage indica que no actual confinamento o trabalho presencial está a superar o teletrabalho, nomeadamente fora da área metropolitana de Lisboa; uma equipa da Universidade de Coimbra fez um estudo onde 14% dos adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos apresentam "sintomatologia depressiva elevada" devido à pandemia com as raparigas a apresentarem valores mais elevados que os rapazes; existem actualmente mais 104 mil pessoas no desemprego do que há um ano; a DECO recebeu s 30.100 pedidos de ajuda em 2020 por parte de famílias sobre-endividadas; há mais de 1,3 milhões de portugueses ligados a plataformas de ensino à distância; os agentes e militares que fazem a triagem das chamadas de emergência do 112 não auferem gratificação desde setembro, sendo que o INEM transferiu dinheiro para a PSP e para a GNR em dezembro mas os agentes ainda não o receberam; no plano de recuperação e resiliência cerca de 70% dos dinheiros da bazuka vai para o Estado e 30% para o sector privado.


 


ARCO DA VELHA  - Um grupo de quatro dezenas de personalidades, entre elas professores universitários da área da comunicação, subscreveram uma carta aberta onde, em nome da democracia, apelam à ingerência nos critérios editoriais dos noticiários de televisão.


 


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O PROCESSO CRIATIVOAna Vidigal (na imagem), Alice Geirinhas, António Olaio, Cristina Ataíde, Rita Barros, Inês Almeida, António Faria,  e Manuel Botelho são alguns dos 25 artistas que já enviaram vídeos feitos pelos próprios, e que vão entrando em exibição nas redes sociais do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Emília Ferreira, directora do Museu, solicitou a cerca de 130  artistas visuais que criassem pequenos vídeos sobre o seu processo de trabalho, para que fossem mostrados ao público, através do Facebook e Instagram do MNAC, durante estes tempos de confinamento. O desafio era o envio de vídeos feitos com o telemóvel, com o máximo de três minutos, Dos contactados uma centena respondeu afirmativamente, mais de duas dezenas já enviaram os seus vídeos que vão sendo publicados no Facebook e no Youtube, em visualização acessível ao público desde o início de Fevereiro. Dada a adesão, admite Emília Ferreira, é provável que a publicação continue para além do confinamento. O Facebook do MNAC é particularmente bem conseguido e além destes vídeos há uma bela série intitulada “Histórias do Bairro” onde são recordadas lojas históricas da zona onde o Museu está instalado, entre elas algumas das primeiras galerias de arte que nasceram em Lisboa na primeira metade do século passado. https://www.facebook.com/museunacionaldeartecontemporanea


 


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ARREBATADOR - Um dos discos que neste confinamento mais me sobressaltou é “For The First Time”, dos britânicos “Black Country New Road”. Trata-se de um septeto, cheio de talentos instrumentais e de uma voz que cria palavras e as interpreta como é raro alguém conseguir - Isaac Wood. Não é fácil catalogar esta música, que tem tantas influências culturais e vai beber   inspiração a tantas fontes. Mas uma coisa é certa, entre o saxofone, as guitarras, as teclas, a percussão e tudo o resto passa uma autenticidade e uma energia que hoje em dia são raras. O que aqui se desenha é um novo mapa do território da música popular, é uma alternativa às versões e às manobras de produção. Há aqui um lado libertino que envolve a criação musical do grupo. A forma como Wood escreve, fala e canta contribui para este sentimento de que alguma coisa de novo está a acontecer. E o álbum, “For The First Time”, nos seus 40 minutos divididos em seis longas faixas, às vezes obsessivamente envolventes, é um permanente abanão. Disponível nas plataformas de streaming, editado pela Ninja Tune.


 


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REVISITAR O PASSADO - Temos um problema em olhar para o passado, um trauma que se mantém quase meio século depois de 1974. Olhamos raramente para a nossa História do século XX e, as mais das vezes, mal. Felizmente não é isso que acontece com “Projectos Editoriais e Propaganda - Imagens e Contra-Imagens no Estado Novo”, uma edição do Instituto de Ciências Sociais, coordenada por Filomena Serra, Paula André e Sofia Leal Rodrigues. O livro aborda «projectos editoriais» do período entre 1934 e 1974, entendidos quer enquanto materiais impressos, com abundante documentação fotográfica sobre livros, catálogos, guias de viagem, álbuns ou fotolivros. Além disso mostra revistas como a Panorama, ou a produção documental de divulgação das várias exposições que o anterior regime promoveu. Logo no texto inicial dá-se conta da enormidade do que está em causa: Entre 1934 e 1947, segundo o Catálogo Geral das Edições do Secretariado Nacional de Informação, dirigido por António Ferro, foram publicados 1355 títulos de diversas áreas. Os autores sublinham que “os projectos editoriais são pensados enquanto objectos de mediação entre o poder político e o campo cultural e enquanto propaganda política e arte, pois os seus autores – fotógrafos, pintores, poetas, realizadores, produtores e designers – criam discursos imagéticos próprios a fim de responderem a objectivos comunicacionais de massas, estabelecerem relações e estratégias conceptuais e gráficas, produzirem diferentes suportes e novas formas de editar, publicar e circular pelo público. E, finalmente, esta obra aborda não só os projectos editoriais da propaganda visual do regime como em oposição a ele, depois da Segunda Guerra Mundial, aquilo a que os autores chamam «contra-imagens». Disponível em boas  livrarias que estejam abertas e na Wook.


 


SOPINHA DE INSPIRAÇÃO ORIENTAL  - Conhecida como couve chinesa, hoje em dia começa a ser fácil encontrar nalguns supermercados couve pak choi, na maior parte dos casos cultivada em Espanha. No meio deste confinamento a alternativa para variar o menu é procurar receitas que possam surpreender quem nos acompanha na clausura. Consegui isso um dia destes com uma sopa simples de fazer. A base é um caldo de galinha de boa marca, diluído em dois terços de um litro de água. Uma vez o caldo a ferver colocam-se duas peças de pak choi, desfeitas e cortadas grosseiramente e deixam-se uns cinco minutos a cozer. Adiciona-se pimenta moída na altura e molho de soja de boa qualidade, assim como pedaços de gengibre fresco cortado em lâminas finas e um pouco de óleo de sésamo. Quando a couve começa a ficar tenra, adicionam-se dois novelos de noodles de arroz e logo que a massa se esteja a separar deitam-se dois ovos a escalfar no caldo, separados um do outro para ser mais fácil de servir. Quando a clara dos ovos começar a ficar branca, opaca e consistente pode servir duas doses para dois pratos fundos. Polvilhe com cebolinho fresco cortado fino. Está feito o jantar. Bom apetite.


 


DIXIT - “A melhor forma de capitalizar é não retirar imposto das empresas que têm resultados e reinvestem” - Carlos Moreira da Silva num debate sobre o Plano de Recuperação e Resiliência.


 


BACK TO BASICS - “Os factos são o inimigo da verdade” - Miguel de Cervantes


 

fevereiro 20, 2021

OS LÍDERES DAS GRAVAÇÕES DAS BOXES DE TELEVISÃO

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O uso das boxes dos operadores de telecomunicações permitem desde há algum tempo fazer gravações automáticas dos programas emitidos no espaço de uma semana. E hoje em dia já são medidas as audiências dessas gravações. O programa que mais frequentemente lidera a tabela dos mais vistos no espaço de 24 horas a seguir à emissão original é “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”, que na semana passada foi visto por cerca de 150 mil pessoas nesse espaço de tempo. Também nas 24 horas seguintes ficou em segundo lugar a novela “Amor Amor”. E, entre os que mais espectadores obtiveram nos sete dias a seguir à emissão destacam.-se os programas da SIC “Totalmenmte Demais” e “A Máscara”. Desde o início deste ano a SIC esteve à frente das audiências todas as semanas e neste momento a sua média de share de audiência é 2% superior em relação à TVI. Na semana passada o programa mais visto foi emitido pela TVI, a transmissão do jogo entre o Sporting de Braga e o Futebol Clube do Porto, que ultrapassou o milhão e meio de espectadores. Em segundo lugar, com menos cerca de 200 mil espectadores, ficou a novela “Amor Amor”, da SIC. Na RTP1 os dois programas mais vistos foram “O Preço Certo” e o “Telejornal” e na RTP2 os dois programas mais vistos foram as séries “O Jovem Montalbano, que liderou, e “O Desertor”. Na SIC, para além de "Amor Amor” o segundo programa mais visto foi “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”. E, na TVI, o segundo programa mais visto depois do jogo da Taça de Portugal foi a novela “Bem Me Quer”.mNum universo televisivo em que os primeiros lugares de audiências são disputados por transmissões de futebol, telenovelas, Ricardo Araújo Pereira e alguns reality shows, os canais generalistas continuam estáveis mas, no conjunto, são vistos apenas por cerca de metade dos espectadores, enquanto a maioria da outra metade vai para os canais de cabo e o restante para as plataformas de streaming e jogos online.


(Publicado na revista  do Correio da Manhã SEXTA Guia do Lazer de dia 19 de Fevereiro)

fevereiro 19, 2021

O ECRÃ DO SERVIÇO PÚBLICO

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O ECRÃ E O PÚBLICO - Neste confinamento estamos a assistir a um fenómeno interessante, sobretudo em comparação com o que aconteceu há um ano. Nessa altura, quando toda a gente foi para casa pela primeira vez, o consumo de televisão subiu brutalmente e em Março verificou-se mesmo a maior audiência do ano. Agora não está a acontecer isso e, na semana passada, o consumo até desceu em relação à semana anterior. Num universo televisivo em que os primeiros lugares de audiências são disputados por transmissões de futebol, telenovelas, Ricardo Araújo Pereira e alguns reality shows, os canais generalistas continuam estáveis mas, no conjunto, são vistos apenas por cerca de metade dos espectadores, enquanto a maioria da outra metade vai para os canais de cabo e o restante para as plataformas de streaming e jogos online. No meio de tudo isto cabe aqui destacar o que a RTP tem feito - quer em séries como a “Crónica dos Bons Maladros”, quer em documentários como “Deus Cérebro” ou “Artur Entre Paredes”, na RTP1. Mas também a RTP2 tem exibido documentários como “A Descolonização" e sobretudo tem programado séries  absolutamente exemplares como a alemã “O Desertor”, a australiana ”Operação Búfalo” ou o thriller belga “O Dia”. Melhor ainda, uma larga parte das emissões dos canais RTP mantêm-se disponíveis após exibição na plataforma de streaming gratuita RTP Play, onde os programas aqui referidos permanecem para serem vistos. Serviço público é isto também - apostar na produção nacional, fazer encomendas regulares, mostrar a produção audiovisual de outros países, Se não houvesse serviço público audiovisual em Portugal não teríamos esta gama de opções - nem aí, nem nos canais de rádio, todos eles (incluindo os regionais) também disponíveis no RTP Play, onde aliás alguns existem em exclusivo, como a rádio Jazz por exemplo. O consumo que fazemos de mídia está a mudar. E este último ano é bem prova disso.


 


SEMANADA - Em 2020 Portugal perdeu uma média de 45 mil turistas por dia, uma quebra global de 61% de visitantes estrangeiros face ao ano anterior; o número de passageiros nos aeroportos nacionais afundou 69% em 2020 face ao período homólogo e o movimento de carga e correio nos aeroportos em Portugal registou uma queda de 30%; o calçado perdeu 462 milhões em exportações nos últimos três anos; o novo presidente do Tribunal Constitucional, João Caupers, escreveu há 11 anos um texto com críticas ao “lobby gay” a propósito da alteração ao código civil, então aprovada, que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo; as livrarias que só vendem livros continuam de porta fechada;  o sector livreiro estima perdas superiores a quatro milhões de euros sofridas no decorrer deste confinamento; no conjunto das administrações públicas, que inclui as autarquias, em 2020 entraram mais de 19.792 funcionários no Estado; o SNS perdeu cerca de 800 médicos desde o início da pandemia; em 2020 as vendas de computadores atingiram mais de 470 milhões de euros; o Sistema de Segurança Interna (SIS) elaborou um plano de combate ao extremismo em 2017 que nunca foi apresentado ao Parlamento; cerca de 90% dos documentos de inquérito da venda do  Novo Banco à Lonestar estão classificados como confidenciais; um inquérito agora divulgado indica que na Universidade de Coimbra 74% dos estudantes em confinamento pensaram em deixar de estudar e 66% revelam sentimentos de ansiedade; mais de 13 mil contraordenações foram levantadas pelas polícias em janeiro e fevereiro no âmbito do estado de emergência, um número superior ao total de 2020.


 


ARCO DA VELHA - O Governo já apresentou um plano de recuperação e resiliência baseado na distribuição de milhares de milhões de euros da basuka dos apoios europeus, mas um portal da transparência para acompanhar a execução desses fundos, aprovado no Parlamento  com os votos contra do PS, continua no esquecimento.


 


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FILME & FOTOGRAFIA -  Serralves tem a seu cargo a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, um espaço integrado no parque da Fundação. E, na Casa do Cinema está desde finais do ano passado a exposição “Manoel de Oliveira Fotógrafo”, que junta cem fotografias, na sua maioria inéditas, tiradas entre os anos de 1930 e 1950.  A exposição baseia-se em tiragens originais da época, algumas com impressões feitas pelo próprio Manoel de Oliveira e outras que resultam de ampliações de negativos que existiam no acervo. Com base na exposição, que tem curadoria de António Preto, foi publicado um catálogo onde em edição bilingue se incluem cinco ensaios originais sobre o trabalho fotográfico do realizador, a par da reprodução de todas as imagens presentes na exposição e de uma série de outras fotografias que se dão, deste modo, a ver pela primeira vez.  Além de António Preto escreveram Bernardo Pinto de Almeida,  Emília Tavares,  Maria do Carmo Serén e David Campany. A este trabalho de reflexão e investigação acresceu-se, um texto escrito por Manoel de Oliveira no final dos anos 1990, intitulado “Angélica, um filme que não me deixaram fazer”, onde o realizador dá a conhecer o episódio verídico que inspirou o projeto do filme (escrito em 1952, mas só realizado em 2010, como “O Estranho Caso de Angélica”), que, de certo modo, marca o fim da sua relação com a fotografia como forma de expressão artística. No canal YouTube da Fundação de Serralves estão disponíveis conferências de Bernardo Pinto de Almeida sobre esta exposição, assim como uma visita guiada. E,  enquanto não se pode ver a exposição, podem encomendar o catálogo na loja online de Serralves.


 


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GUITARRADA SUAVE - Jakob Bro é um guitarrista dinamarquês que tem gravado para a etiqueta ECM e “Uma Helmo”, é o seu quinto álbum, desta vez com um novo trio que integra também o trompetista norueguês Arve Henriksen  e o baterista espanhol  Jorge Rossy, que trabalhou muitos anos ao lado de Brad Mehldau. Como curiosidade diga-se que a primeira vez que os três músicos tocaram juntos foi precisamente nas sessões de gravação deste álbum, que decorreram num estúdio da Rádio Suíça em Lugano. O álbum tem nove temas (oito originais, um deles com duas versões), cerca de uma hora de duração, momentos quase hipnóticos que passm por homenagens a outros músicos como o trompetista polaco Tomasz Stanko e ao saxofonista Lee Konitz, ambos músicos com quem Bro tocou. O tema de homenagem a Konitz, “Music For Black Pigeons” é aliás um dos mais interessantes de todo o álbum. Vale a pena sublinhar que a guitarra de Bro, como a revista “Downbeat” faz notar, é ao mesmo tempo luminosa e dramática. Na maior parte dos temas a iniciativa vem do trompete de Henriksen, que depois a guitarra de Bro segue de forma suave, bem pontuada pela bateria de Rossy. O álbum tem uma sonoridade homogénea, subtil e algo etérea, que se mantém ao longo de todos os temas. CD ECM, disponível em streaming.


 


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OBSERVAÇÃO HUMANA - Quando pego num livro novo vou logo ver a primeira página de texto. Se me desperta curiosidade, sigo. Se é um enfado, arrumo. “Morrem Mais de Mágoa”, de Saul Bellow começa pelo relato de uma conversa que, no fundo, é uma análise de uma banda desenhada, um “cartoon” de imprensa. O livro relata os dilemas de um especialista em literatura russa, Kenneth Trachtenberg, o narrador desta história. Ele  é um especialista em literatura russa, que deixa Paris rumo à América ao encontro do tio, Benn Crader, um botânico famoso com quem debate os temas mais diversos e reflete sobre a vida moderna. A relação entre o tio e o sobrinho, as longas discussões que mantêm sobre os desígnios do amor e do desejo, dão corpo a uma narrativa cheia de humor, inteligência e sabedoria, analisando a natureza humana com uma ironia fina, através da densidade de personagens que constrói. Editado originalmente há onze anos pela Quetzal, que agora o volta a publicar em edição revista e com nova capa, “Morrem Mais de Mágoa”, escrito em 1987, é considerado um dos  grandes romances de um dos  mestres da narrativa do século passado, Samuel Bellow, que foi Prémio Nobel da Literatura em 1976. Disponível onde ainda se puderem comprar livros.


 


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A IGUARIA DOS RIOS - O meu post de Facebook que obteve maior número de likes e de comentários dos últimos tempos foi um que fiz manifestando a minha tristeza pela dificuldade que é, na conjuntura do confinamento, provar um bom arroz de lampreia. Sou um devoto da polémica iguaria, que tanto tem de adeptos como de inimigos. Mas os adeptos são ferozes defensores do ciclóstomo e um deles, velho amigo, até me desafiou a organizar um partido da ciclostomologia na clandestinidade. Recordo-me com saudade das lampreias no Manel do Parque Mayer e do Apuradinho, da Rua de Campolide. E tive igualmente boas experiências no Solar dos Presuntos, na Adega Tia Matilde e na Tasca do João, ao Lumiar. Muitos dos meus dedicados amigos, sentindo as minhas saudades, disseram-me que estas três últimas casas fazem lampreia em take away e que a coisa funciona bem. E acrescentaram à lista a Imperial de Campo de Ourique, o Pinóquio, o Marquês de Palma e o Escadinhas da Cruz da Pedra, perto do Hospital da Cruz Vermelha. Dos vários géneros prefiro o arroz, vou pela bordalesa só na segunda prova da época, mas aqui há uns anos experimentei, no Solar dos Presuntos,  uma lampreia assada, confeccionada inteira, que é de se lhe tirar o chapéu. Fiquemo-nos então a explorar a possibilidade do take away de lampreia enquanto não chegam melhores dias. Outro grande e velho amigo recordou-me que é em Entre-Os-Rios que se come a melhor de todas. E já apalavrámos que, se o bicho permitir, para o ano lá nos encontraremos.


 


DIXIT - “A questão da vacinação é uma falha em toda a linha, não é nacional, é europeia. A política e a realidade industrial estão abissalmente separadas (…) A covid reflete as disfuncionalidades da União Europeia” - Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica.


 


BACK TO BASICS - “Há muitas mentiras à solta a serem espalhadas pelo mundo fora, mas o pior de tudo é que afinal algumas têm fundo de verdade” - Winston Churchill




fevereiro 14, 2021

AS VARIAÇÕES GEOGRÁFICAS DA AUDIÊNCIA DE TELEVISÃO

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Na semana de 1 a 7 de Fevereiro o consumo de televisão manteve-se estável, sem aumentos, o que é um sinal de que o efeito do confinamento é menor que há cerca de um ano. Por outro lado a audiência dos canais generalistas subiu ligeiramente, e a dos canais de cabo e streaming desceu, também ligeiramente. Se olharmos com mais atenção para os canais de cabo vemos que o CMTV é lider em todo o país mas depois regionalmente há diferenças nos lugares seguintes. Por exemplo, no Norte a Globo aparece em segundo lugar do cabo e o canal Hollywood em terceiro, enquanto na região Centro a Fox lidera, seguida da Fox Life, em Lisboa a TVI Reality é o segundo canal do cabo, atrás do CMTV mas à frente da SIC Notícias e no Sul volta a Fox ao segundo lugar, seguida da SIC Notícias.


Nos canais generalistas o melhor resultado da SIC é conseguido no Norte, o melhor resultado da TVI é conseguido na Grande Lisboa e a RTP1 tem o melhor resultado na região Sul, onde fica em segundo lugar, à frente da TVI. O melhor resultado da RTP2 é conseguido na região Centro. A SIC liderou todos os dias da semana a nível nacional e colocou 14 programas nos vinte mais vistos, a TVI colocou três e a RTP1 mais três. O programa mais visto da semana foi o Jornal da Noite da SIC de Domingo passado, o da TVI foi a novela “Bem Me quer” , na RTP1 continua a liderar “O Preço Certo” e na RTP2 o mais visto foi “O Jovem Montalbano”. No cabo a CMTV teve os dez programas mais vistos.


(Publicado na revista CM Guia do Lazer) 

fevereiro 12, 2021

DOIS DÉFICES DO GOVERNO: BOM SENSO E CAPACIDADE DE OUVIR

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OS SABE-TUDO - Portugal é um país de treinadores de bancada. A quantidade de programas com palpitadores sobre jogos de futebol e profundos analistas do chuto na bola criou uma legião de descendentes para todas as ocasiões. Não houve sítio por onde eu passasse profissionalmente em que não tivesse que ouvir palpites, que sempre escutei com atenção, sem me irritar nem rir. Mas a pensar para mim que estava a ouvir apenas palpites de quem não sabia do que estava a falar - sobre como deviam ser os jornais, sobre as  capas das revistas, sobre programação de canais de televisão, sobre audiências ou criatividade publicitária.  O mais recente treinador de bancada português é o fã da epidemiologia, o especialista da pandemia. De repente só vejo epidemiologistas por todo o lado, infectologistas em potência, intensivistas de sofá. Em abono da verdade se diga que os mais altos cargos da nação, Presidente da República e Primeiro Ministro, já tiveram o seu momento de brincadeira aos médicos. Deliberadamente pus de fora outro alto responsável da nação, o presidente da Assembleia da República, porque verdadeiramente acho melhor não recordar o ridículo de várias afirmações que fez no último ano.  Não abona a nosso favor ter tantos treinadores de bancada em tantas modalidades e sobretudo na pandemia. Ainda abona menos que quem de direito feche os ouvidos ao que os verdadeiros especialistas dizem e que os responsáveis políticos acabem por fazer uma gestão política oportunista da terrível situação pela qual estamos a passar. Não é certamente fácil ser Governo nesta altura. Mas um pouco menos de palavreado e um pouco mais de audição e bom senso não fariam mal a ninguém. 


 


SEMANADA - Um grupo de cientistas europeus, entre ele o português Manuel Carmo Gomes, defende um aumento radical dos testes e a adopção de  uma testagem “em anel”, em que todas as pessoas em redor de um caso diagnosticado sejam testadas rapidamente para que as infeções assintomáticas sejam encontradas; defendem ainda que  o número de testes deve subir tanto mais quanto mais acima se estiver de uma taxa de positividade superior a 5% — métrica usada pela OMS para avaliar se uma epidemia está ou não sob controlo; o mesmo grupo de especialistas considera que o objectivo para todos os países europeus, deve ser o de estar abaixo dos 10 novos casos por milhão de habitantes na primavera de 2021; no caso de Portugal, isso significa não ter mais do que 102 novos casos diários — o que não acontece desde 16 de março do ano passado; o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que esta semana deixou as reuniões de peritos do Infarmed, criticou a forma como Governo tem gerido a situação, considerando que as medidas têm sido oscilantes e tomadas com atraso; António Barreto afirmou numa entrevista que “a geringonça só conseguiu paz social, na economia foi um fracasso"; apesar da crise e do trambolhão da economia a receita fiscal do Estado em 2020 aumentou, nomeadamente no IRC e IRS que cresceram acima do previsto; com as aulas à distância a recomeçar, responsáveis das escolas afirmam que são necessários pelo menos 300 mil computadores para que todos os alunos possam acompanhar as aulas em condições.


 


ARCO DA VELHA - O Ministério da Saúde recusou aceitar o trabalho voluntário dos médicos reformados que se disponibilizaram a auxiliar no combate à pandemia, revela um abaixo assinado cujo primeiro subscritor é Gentil Martins.


 


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MUSEU VIRTUALPor estes dias não podemos lá ir, mas no grande hall de entrada do Museu Berardo está uma enorme peça de madeira, longa e curva, a face superior pintada de vermelho. É como se fosse a forma bruta, não trabalhada, do casco do barco, longilínio, negro, com o interior a vermelho, que é a peça central da exposição “Dar Corpo Ao Vazio”, de Cristina Ataíde, inaugurada em Novembro naquele Museu. A terra, a água e uma evocação da presença humana são elementos da exposição, entre esculturas, desenhos de grandes dimensões, uma instalação, fotografias e um vídeo - as áreas onde Cristina Ataíde tem trabalhado. A côr vermelha é uma constante na sua obra, do papel à escultura. Esta semana o Museu Berardo colocou no seu canal do YouTube o vídeo de uma visita de Cristina Ataíde a esta exposição, onde a artista e o curador Sérgio Fazenda Rodrigues falam sobre o que ali está exposto. À falta de podermos visitar, podemos ter uma ideia do que está nas cinco salas por onde a exposição se desenvolve. Quando o museu reabrir não deixem de a ir ver. Se quiserem podem ver o PDF do catálogo da exposição no site do Museu, na página sobre esta exposição. Para finalizar vale a pena seguir os sites das instituições e os Instagram de galerias - todos vão colocando online as abordagens possíveis que no confinamento nos permitem ter o prazer de ver a arte que não podemos ver ao vivo.


 


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O DISCO DE JANEIRO - Um dos grandes discos já editados este ano é o álbum de estreia de Arlo Parks, “Collapsed In Sunbeams”, lançado no final de Janeiro. Arlo Parks tem 20 anos, é inglesa, cresceu a ouvir a mãe a falar francês e o som da música soul a tocar. Cita Otis Redding e Jacques Brel como influências. Aos 14 anos começou a tocar guitarra e aos 18 foi editada a sua primeira canção, “Cola”, que teve mais de três milhões de streams no Spotify. Depois no ano a seguir editou “Super Sad Generation”, ainda antes da sua primeira grande actuação ao vivo - nesse ano esteve em vários festivais e depois, em 2020 foi apanhada pelo confinamento. Daí saíram as 12 canções do álbum de estreia, depois dos single e EP’s de 2018 e 2019. É ela que escreve as suas canções, música pop  simples, despretensiosa, descontraída mas com ideias claras. O disco é de uma simplicidade arrasadora, as palavras em primeiro plano, uma percussão minimalista, um teclado em fundo. A produção é discreta e o palco é tomado por Arlo Parks, pelas suas palavras, pela maneira como canta. Disponível em streaming.


 


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UMA NOVA REVISTA - Tyler Brulé, que já tinha inventado a Wallpaper e a Monocle, voltou a lançar uma novidade para as bancas este ano - a revista Konfekt, mais focada em moda, viagens, comida, design e cultura, maioritariamente em inglês, mas com uma parte final em alemão. No site da Konfekt podem subscrever uma newsletter e um podcast mensais. Sophie Grove, a editora. conta que nos meses de preparação com a equipa de Tyler Brulé, pensaram em muitas coisas mas não fizeram focus groups, preferiram explorar as suas próprias convicções. Já Steve Jobs fazia o mesmo na Apple, preferia a sua intuição e não se deu mal com o assunto. Adiante a Konfekt teve o primeiro número no final de 2020 e sairá quatro vezes por ano e esta edição inaugural tem cerca de 200 páginas. Sophie Grove trabalha com a Monocle há muitos anos e conhece o espírito da casa. Nesta primeira edição a revista visita um ceramista finlandês, uma pequena estalagem na Hungria, promove uma conversa em Roma sobre cozinha e moda, escolheu o Hotel Kindli, em Zurique, como cenário para uma entrevista com vários convidados, no Egipto visitou uma tradição familiar em Alexandria, em Estocolmo o tema é o design nórdico e no Porto há uma visita com diversas sugestões. A revista faz recomendações em várias áreas, da moda a bicicletas, passando por batons, tem uma secção com boas receitas culinárias e propõe uma detalhada viagem de fim de semana ao Funchal. Na parte das comidas e bebidas há uma interessante conjugação de recomendações de vinhos com sugestões de canções adequadas a cada um e uma série de receitas do chef suíço Richard Kâgi. A Konfekt pode ser encomendada on line no site da Monocle ou no seu próprio site onde também pode subscrever a respectiva newsletter. A propósito de Monocle, Tyler Brulê nesta mais recente edição da revista cedeu, ao fim de 14 anos, o seu espaço de abertura para o editor Andrew Tuck que assim passa a protagonizar a publicação. 


 


ENFRASQUEMO-NOS - Eu gosto de conservas, desde as nossas históricas conservas de peixe enlatadas, até às conservas em frasco de produtos confeccionados. Neste confinamento encomendei uma série de conservas em frasco elaboradas por José Júlio Vintém, do restaurante Tomba Lobos, em Portalegre. Apropriadamente ele chama-lhes “Enfrascados”. Há perdiz em escabeche, coelho em molho vilão, salada de pato assado com laranja, orelha de porco grelhada, e fraca (galinha de angola) de escabeche. Por vezes há petiscos especiais como chispe moreno, pézinhos de coentrada e galinha sacaninha - na verdade frango do campo assado no forno com limão e piripiri. José Júlio Vintém esclarece que os enfrascados estão todos prontos a ser consumidos e podem ser servidos com qualquer acompanhamento ou então de base para empadas, empadões, arrozes ou massas. Recomenda que se experimente a fraca, a perdiz, o pato o coelho e o frango ligeiramente tépidos e que  os pezinhos querem ser aquecidos em frigideira com um pouco de água, para de seguida serem servidos com pão frito em azeite e uma salada. Quanto à orelha e ao chispe podem ser aquecidos em banho maria. Cada frasco tem 200 gramas e com um acompanhamento condigno proporciona uma refeição para duas pessoas. Os enfrascados são ideais para aqueles dias de confinamento em que apetece um petisco mais elaborado mas em que não há já paciência para cozinhar nada de raiz. Por aqui entraram, com êxito, a salada de pato, a galinha de escabeche e o frango sacaninha. As encomendas podem ser  feitas para enfrascadostombalobos@gmail.com e será o próprio José Júlio Vintém a responder. A entrega é rápida. Podem ver informação actualizada no facebook do Tomba Lobos. Neste tempo de confinamento lá foi a pressurosa ASAE fazer uma prova e não encontrou nada por onde implicar. Os enfrascados são confeccionados sem qualquer aditivo ou conservante artificial e  podem ser consumidos com segurança num prazo de seis meses.


 


DIXIT - O governo, além de ser um monstro devorador do dinheiro dos contribuintes, perdeu qualquer credibilidade executiva; do lado das oposições, as «esquerdas» só gritam e as «direitas» só gemem - Manuel Villaverde Cabral


 


BACK TO BASICS - “A única forma de resolver uma situação é deixar a conversa e começar a fazer o que deve ser feito” - Walt Disney.





 





fevereiro 07, 2021

Um barco suspenso entre as montanhas e o Ganges

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Por estes dias não podemos lá ir, mas no grande hall de entrada do Museu Berardo está uma enorme peça de madeira, longa e curva, a face superior pintada de vermelho. É como se fosse a forma bruta, não trabalhada, do casco do barco, longilínio, negro, com o interior a vermelho, que é a peça central da exposição “Dar Corpo Ao Vazio”, de Cristina Ataíde, inaugurada em Novembro naquele Museu. A terra, a água e uma evocação da presença humana passam pelas cinco salas onde se desenvolve a exposição, entre esculturas, desenhos de grandes dimensões, uma instalação, fotografias e um vídeo - as áreas onde Cristina Ataíde tem trabalhado. A côr vermelha é uma constante na sua obra, nas suas várias facetas e nos suportes utilizados, do papel à escultura. Sérgio Fazenda Rodrigues, o curador da exposição, sublinha no texto que elaborou, que a produção de Cristina Ataíde “revela uma sede de experimentação e um fascínio pela descoberta que, entre outros, se ancora no impulso da viagem, na procura por outros sistemas de pensamento e numa busca pela expressão da matéria”. Nas cinco salas onde se desenvolve a exposição viaja-se pelos pilares da obra de Cristina Ataíde, com referências cruzadas mas sempre com a afirmação da sua identidade criativa. Quando o museu reabrir não deixem de a ir ver. Se quiserem podem ver o PDF do catálogo da exposição aqui . E entretanto também podem ver uma visita guiada pela artista no video abaixo.



 

fevereiro 06, 2021

NÃO PERCAM - UM GRANDE DOCUMENTÁRIO EM QUATRO EPISÓDIOS NA RTP PLAY

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O MISTÉRIO DO CÉREBRO -  A RTP é a única estação de televisão que produz, promove e exibe regularmente documentários - não estou a falar de reportagens. Essa é uma parte muito importante do Serviço Público audiovisual. Se não for a RTP a fazer isso ninguém se preocupará com esse assunto e a produção de conteúdos audiovisuais de referência em língua portuguesa ficará ainda mais pobre. "Deus Cérebro” é uma série documental em quatro episódios, já todos transmitidos em horário nobre no primeiro canal, que conta como nos últimos 20 anos se deram passos de gigante na exploração do cérebro humano - mesmo se  a dimensão do que está para lá do nosso conhecimento permanece um enigma. À medida que se avança no conhecimento do cérebro, maior é a perceção de que há um vasto universo por descobrir. A série pretende descodificar os mistérios do cérebro humano. Produzida pela Panavideo, realizada por António José Almeida, com guião de Anabela Almeida e música de Carlos Maria Trindade, a série entrevista cientistas portugueses e estrangeiros e é um exemplo do que deve ser um documentário que de uma forma simples e eficaz aborda uma matéria tão complexa como o cérebro humano. Todos os episódios estão disponíveis na RTP Play, a aplicação de conteúdos do canal que é disponibilizada gratuitamente. 


 

fevereiro 05, 2021

AUDIÊNCIAS TV - SIC LIDERA NO PRIMEIRO MÊS DO ANO

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No final do mês de Janeiro as audiências de televisão indicavam que a SIC continua a liderar, com quase dois pontos percentuais de vantagem sobre a TVI em termos de share médio. No fecho do mês a  SIC ficou com 18,3%, a TVI com 16,4% e a RTP com 11,2%. No cabo a liderança continua a pertencer ao CMTV com 4,3%, seguido da SIC Notícias com 2,4, a Globo e a TVI24 com 1,6% e a Fox com 1,5%. Reflectindo os números sobre a circulação durante este confinamento não há variações sensíveis no consumo de televisão, nem em número de espectadores, nem em termos do tempo gasto frente ao televisor. O programa mais visto continua a ser “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”, da SIC - canal que aliás tem 11 programas nos 15 mais vistos - a TVI tem três e a RTP tem um. As novelas mais vistas continuam a ser “A Máscara” e “Amor, Amor”, da SIC, que ficaram respectivamente na 4ª e 5ª posições globais. “Bem Me Quer”, a novela da TVI não conseguiu melhor que a 14ª posição global e o programa mais visto da RTP foi mais uma vez “O Preço Certo”. Se olharmos para o mês de janeiro os três programas mais vistos foram jogos da Allianz Cup, com o desafio entre Benfica e Sporting de Braga a liderar, seguido pela final entre o Sporting e o Sporting de Braga e depois pelo jogo entre o Sporting e o Futebol Clube do Porto. Futebóis à parte o 4ª programa mais visto de Janeiro foi o debate entre André Ventura e Marcelo Rebelo de Sousa e na 5ª posição ficou uma emissão especial da novela “A Máscara”.


(publicado nna revista SEXTA-GUIA DO LAZER do Correio da Manhã de 5 de Fevereiro)

MAIS E MELHOR VACINAÇÃO E MENOS PROPAGANDA

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A MIRAGEM DAS VACINASO que se passa com o Plano de Vacinação contra a Covid-19 é um espelho do que tem acontecido no combate à doença: falta de planificação, improviso, atropelos constantes, desresponsabilização das autoridades. Algumas declarações de Francisco Ramos, ex- Coordenador do Plano de Vacinação, são patéticas e claramente extravasam as suas funções e dizem bastante sobre a sua competência para dirigir uma área com uma responsabilidade tão grande na defesa da saúde pública. O homem fazia análise política enquanto o plano de vacinação tinha falhas trágicas. Acabou por se demitir no início da semana, depois de nem ter conseguido controlar abusos na vacinação no Hospital que ele próprio dirige, a Cruz Vermelha. Estávamos à espera de um plano nacional de vacinação mas saíu-nos um plano nacional da confusão. Numa série de países, civilistas e democráticos, as forças armadas têm sido chamadas a auxiliar - e dirigir - com a sua experiência, competência, meios e logística, esta tão delicada e urgente acção de vacinação. As Forças Armadas têm um papel relevante em tempo de paz, a complementar a sociedade civil, usando a sua experiência em situações de crise e de urgência extrema. Em Portugal têm sempre respondido positivamente quando chamadas a ajudar. Recentemente soube-se que uma coronel médica da Força Aérea, Maria Salazar, coordena de forma exemplar uma força de 300 militares que prestam auxílio à formação de pessoal de lares de idosos no combate à pandemia. E é um bom sinal que seja agora um militar a tomar conta da operação de vacinação. A demissão de Francisco Ramos é uma oportunidade para endireitar as coisas.  Como disse o Presidente do Sindicato Independente dos Médicos, é preciso “mais trabalho e menos propaganda”. Espera-se que o novo responsável, vice-almirante Gouveia e Melo, fale menos que o antecessor e que mostre que a prioridade é mesmo vacinar as pessoas.


 


SEMANADA - Segundo a Direção Geral da Saúde registaram-se em Portugal um total de 19 490 óbitos em janeiro, o que corresponde a um aumento de 67% face à média verificada entre 2009 e 2020; a pandemia provocou uma queda histórica da esperança média de vida depois dos 65 anos; a meio da semana já tinham sido referenciados mais de 340 casos de vacinações indevidas feitas por favor ou graças a “cunhas”; o responsável dos serviços farmacêuticos do INEM que denunciou abusos na administração da vacina, foi afastado das suas funções; a dívida portuguesa ultrapassou os 270 mil milhões de euros em 2020, o que significa o valor recorde de 134,8% do PIB; o valor final da variação anual do PIB em 2020 foi de 7,6%, o mais negativo desde 1928; em 2020 o número de dormidas em estabelecimentos hoteleiros caíu 63% face a 2019, registou o pior número desde 1993 e a área metropolitana de Lisboa foi a zona mais afectada com uma quebra de 71,5%; Portugal desceu de categoria no Índice de Democracia elaborado anualmente pela revista The Economist, que teve em consideração, a par da reversão das liberdades democráticas por causa da pandemia, questões como a redução dos debates parlamentares ou ainda “a falta de transparência no processo de nomeação do presidente do Tribunal de Contas”;  Manuel Villaverde Cabral, Marçal Grilo e Pedro Santana Lopes pronunciaram-se a favor da nomeação pelo Presidente da República de um Governo de salvação nacional para gerir o combate à pandemia e a recuperação da economia; o parlamento europeu recomendou que pelo menos 2% dos planos de recuperação dos estados membros sejam dirigidos para o sector cultural e criativo mas o plano do Governo português não os identifica como uma prioridade.


 


ARCO DA VELHA  - Cristina Gatões, a ex directora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que durante meses não se pronunciou sobre a morte de um cidadão estrangeiro no aeroporto, em instalações do SEF, passou de directora demitida daquela entidade a assessora da nova direcção onde vai trabalhar na reformulação dos vistos gold. O mundo é mesmo cor de rosa.


 


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O MISTÉRIO DO CÉREBRO -  A RTP é a única estação de televisão que produz, promove e exibe documentários - não estou a falar de reportagens. Essa é uma parte muito importante do Serviço Público audiovisual. Se não for a RTP a fazer isso ninguém se preocupará com esse assunto e a produção de conteúdos audiovisuais em língua portuguesa ficará ainda mais pobre. "Deus Cérebro” é uma série documental em quatro episódios, já todos transmitidos em horário nobre no primeiro canal, que conta como nos últimos 20 anos se deram passos de gigante na exploração do cérebro humano - mesmo se  a dimensão do que está para lá do nosso conhecimento permanece um enigma. À medida que se avança no conhecimento do cérebro, maior é a perceção de que há um vasto universo por descobrir. A série pretende descodificar os mistérios do cérebro humano. Produzida pela Panavideo, realizada por António José Almeida, com guião de Anabela Almeida e música de Carlos Maria Trindade, a série entrevista cientistas portugueses e estrangeiros, como António Damásio (na imagem) e é um exemplo do que deve ser um documentário que de uma forma simples e eficaz aborda uma matéria tão complexa como o cérebro humano. Todos os episódios estão disponíveis na RTP Play, a aplicação de conteúdos do canal.


 


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BLUES E SAUDADE - Melody Gardot a cantar em português num dueto com António Zambujo? Sim - exactamente o segundo tema do seu novo álbum “Sunset In The Blue” editado em Janeiro. “C’Est Magnifique” é o encontro de estúdio entre Gardot e Zambujo - nada de admirar já que a cantora passa temporadas largas em Lisboa, onde não se cansa de dizer que gosta de estar. Nos últimos anos Gardot trabalha cada vez mais nesse território em expansão que é o cruzamento do jazz vocal com a música pop, percorrendo baladas e recorrendo a arranjos envolventes. Aqui a atracção latina é patente em vários temas, num disco onde os originais se entrelaçam com versões de canções de outros autores. E nesses temas latinos ela canta num português com toque de Brasil enquanto que ao longo dos 12 temas deste disco usa a sua voz em registos que, como a revista Down Beat escreveu, fazem lembrar Shirley Horn, Dinah Washington ou Edith Piaf, mostrando a extensão da sua capacidade vocal. O tema que dá título ao álbum foi escrito por Jesse Harris, um dos nomes que tem estado ao lado da carreira de Norah Jones. O que eu acho especial em Gardot é ela, em disco, conseguir transmitir a atmosfera de um clube de jazz, mesmo quando os arranjos são complexos. Este disco é um repositório de saudades de outros mundos, de viagens que estes tempos obrigam a que fiquem só no pensamento, tão evidente na sua versão de “From Paris With Love” quando canta “Maybe one day I will see you soon”. O single e vídeo desta canção serviu para recolher receitas para organizações de profissionais de saúde que estão a combater a Covid-19 e Gardot fez questão de gravar com uma orquestra como um sinal de apoio aos músicos que nestes tempos estão com o seu trabalho em risco. “Sunset In The Blue” está disponível nas plataformas de streaming e “From Paris With Love” pode ser visto no YouTube.


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A HISTÓRIA DO PETISCO - Alguns dos meus leitores já terão reparado como eu gosto de petiscar e de ler sobre comidas. Algumas das receitas  que aqui relato nasceram de newsletters que recebo e vou experimentando. Nestes dias de confinamento abri um livro, editado há pouco tempo, que é uma excursão pela História e pela gastronomia. Chama-se “História dos Paladares” e foi escrito por Deana Barroqueiro, uma portuguesa nascida em 1945 nos Estados Unidos, que aos dois anos veio para Portugal onde cresceu e estudou, na Faculdade de Letras de Lisboa. Tem ensinado  Língua e Literatura Portuguesa e Francesa. Autora de diversos livros e de guiões  para cinema e televisão tem vários romances históricos publicados. Este novo livro relata a história da evolução do gosto, a educação do paladar, o amadurecimento da gastronomia como uma arte. O percurso histórico desta evolução é narrado com acontecimentos passados em todo o mundo, ao longo de séculos, cruzando episódios com mitos, evocando personalidades que contribuíram para tornar a comida algo de especial para além das questões da sobrevivência. E, como neste livro a história do mundo se cruza com a história de Portugal, há numerosas indicações de como as influências dos territórios descobertos por portugueses se repercutiram na gastronomia lusitana. Este primeiro volume de “História dos Paladares”, com o título “Sedução”, será seguido pela “Perdição”, onde a gastronomia se liga ao cinema, ou ao prazer, à tentação, ao fausto e até à religião. E neste “Sedução” há mais de 250 receitas de diversas épocas e países. Um guia para estes dias.


 


NA PÚCARA - Esta receita é tirada do livro de Deana Barroqueiro”, “História dos Paladares”, referido nestas páginas. Trata-se de uma ideia para estes dias de confinamento invernais : frango na púcara, que a autora indica ter tido origem no século XIX, o equivalente português ao coq-au-vin. Aqui vai então: arranja-se o frango e corta-se aos pedaços, e salteia-se numa frigideira com 100 gramas de manteiga até ficar dourado. Ainda na frigideira rega-se com um cálice de aguardente e flameja-se. Os pedaços de frango devem então ser transferidos para um tacho com tampa (um bom tacho de barro ou um Le creuset nos dias que correm…). Adiciona-se 150 gramas de chouriço e presunto cortados às tiras pequenas, quatro tomates sem, pele nem sementes, uma meia dezena de cebolinhas, duas colheres de sopa de mostarda, dois dentes de alho esmagados, um cálice de vinho do Porto, um cálice de boa aguardente e um copo de vinho branco seco. A tudo isto adiciona-se salsa, tomilho, cravo, gengibre, noz moscada e pimenta e eventualmente cenoura cortada aos pedaços pequenos. Tudo isto se coloca no tacho intercalando com camadas dos pedaços de frango. O vinho do Porto, a aguardente e o vinho branco só entram no fim, para regar os ingredientes. Tapa-se o tacho e leva-se ao forno bem quente. Quando o frango estiver cozido destapa-se o tacho para o cozinhado corar à superfície. É servido no tacho, acompanhado de puré de batata ou arroz solto. 


 


DIXIT - “Neste momento a prioridade parece-me ser manter as empresas vivas e não o controlo do défice” - João Borges Assunção, professor da Católica, criticando o facto de a despesa pública ter ficado abaixo das verbas orçamentadas.


 


BACK TO BASICS - “A actividade política prática consiste em ignorar os factos” - Henry Adams





 

janeiro 29, 2021

O GOVERNO QUE LEVOU PORTUGAL A LIDERAR NOS MAUS INDICADORES

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SEM SAÙDE NÃO HÁ ECONOMIA - A reconstrução da confiança dos portugueses no poder político e seus protagonistas, a recuperação da economia e a reconstrução do país dependem de uma única coisa: da forma como se enfrentar daqui para a frente a pandemia, sem hesitações e medidas contraditórias. Sem resolvermos a saúde não se resolve o resto, isso é cada vez mais certo. Instala-se a dúvida: será o Ministério da Saúde o responsável, ou será a irresponsabilidade do Primeiro Ministro a abrir e fechar a torneira e a tomar medidas contraditórias, como no Natal, que ajuda à situação em que estamos? Percebe-se que o caos vem dos zigue-zagues em matéria de medidas de confinamento, mas, na realidade, apesar de múltiplos avisos, o sistema não funcionou pese embora o esforço e dedicação dos profissionais de saúde. A culpa não é deles, é de quem andou a brincar ao gato e ao rato com um vírus. O país está numa situação terrível. Todos os que tomaram decisões - nomeadamente Costa e Marcelo - têm culpas neste cartório. Será que Marcelo, que tem nas mãos a pior situação de pandemia, vai acabar o seu segundo mandato como Presidente do país mais pobre da União Europeia? Todos gostaríamos que fosse de outra maneira. Marcelo ganhou o respeito e admiração dos eleitores, gerindo de forma hábil a proximidade dos afectos com a distância institucional. Mas mesmo sem poderes legislativos tem que fazer melhor - à partida com a sua  influência na saúde, na vacinação, exercendo vigilância. Mas também na  justiça que se degrada e no estado da educação onde os justos pagam pelos pecadores porque o Ministro do sector também ficou sentado sem fazer o que prometera. É esta situação de Portugal ser  líder nos rankings da pobreza e do Covid na Europa que torna o terreno fértil para os populismos. Num país mais igual, com menos diferenças regionais e menos assimetrias, as coisas seriam diferentes. O regime andou a semear que alguém dissesse chega. Não sei se os protagonistas do crime são indicados e têm capacidade para alterar o estado das coisas. Há meio milhão de pessoas que estão zangadas com o sistema. Não procurem o êxito de Ventura nos eleitores do PC, procurem no que sucessivos Governos, este incluído, fizerem ao longo dos anos nomeadamente no abandono do interior e na ausência de reformas estruturais.  


 


SEMANADA - Continuam por vacinar 90% dos médicos de hospitais privados; um estudo divulgado esta semana indica que na União Europeia a pandemia castigou mais as indústrias culturais e criativas do que o turismo ou o sector automóvel; Portugal é um dos quatro únicos países da União Europeia onde ainda não existe rede 5G; em Portugal nos últimos 11 anos os preços nas telecomunicações cresceram 6,5% mas caíram 10,8% na UE;  as mortes Covid em Janeiro são quase tantas como as ocorridas no total entre Março e Novembro; o número de desempregados voltou a ultrapassar a fasquia dos 400 mil; no sul do país, o desemprego aumentou mais de 63% face a fevereiro de 2020 e a seguir na lista surge a região de Lisboa e Vale do Tejo, onde o desemprego se agravou em mais de 35%; mais de 22 mil empresas pediram acesso ao lay-off em Janeiro; André Ventura ficou em segundo lugar em 203 dos 308 concelhos do país e em 12 dos 20 distritos; ficou em segundo lugar onde há elevado défice demográfico, em territórios abandonados, com populações envelhecidas; ficou em segundo lugar onde há mais 20% de população estrangeira; ficou em segundo lugar nos concelhos que tiveram no início de janeiro mais do dobro dos casos de novas infecções de covid-19 do que a média do país; são os concelhos  onde o desemprego mais cresce e onde existe maior frustração pela gestão da pandemia. 


 


ARCO DA VELHA  - Estima-se que cerca de cinco mil eleitores votaram no candidato fantasma Eduardo Baptista, que foi  incluído no boletim de voto em primeiro lugar, mesmo sem ter angariado as assinaturas necessárias para a apresentação da candidatura.


 


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MAAT VIRTUAL - Ao fim de sete meses Beeline, a intervenção arquitetónica encomendada pelo MAAT ao estúdio SO – IL, sediado em Nova Iorque, está agora obviamente encerrada mas durante estes dias de confinamento existem alguns conteúdos virtuais para desfrutar: ouvir as palavras dos arquitetos sobre o papel da prática do design efémero e a missão da arquitetura, explorar a instalação e as exposições que a acompanham em textos e imagens por escritores e fotógrafos de renome, e recordar eventos que acolheu como parte do maat Mode 2020, um programa público, participativo e experimental, que apresentou 86 projetos envolvendo mais de 220 participantes internacionais e instituições parceiras. Pode ter uma ideia de tudo isto no canal do MAAT no YouTube e se visitar o site do MAAT pode também ver as fotos que Iwan Baan fez de Beeline,  assim como textos sobre o trabalho de intervenção do estúdio SO-IL-


 


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UM PEIXE EM CANÇÕES - Volta e meia há uns discos que nos causam um sobressalto. Um bom sobressalto. É o que me aconteceu com “Peixe Azul”, o novo trabalho de  Miguel Araújo. O melhor é ouvi-lo: “As gravações deste disco começaram no final de 2018, que foi quando eu consegui ter o meu estúdio pronto. Fui gravando uma espécie de "maquetes melhoradas" de algumas músicas que tinha na altura, sem saber que muitas dessas gravações acabariam por ser as que estão agora no disco: algo não muito produzido, com arranjos feitos e tocados exclusivamente por mim de forma natural e despretensiosa. Fui fazendo este disco entre Novembro de 2018 e Julho de 2020. Só no início de 2020 é que me surgiu a ideia de converter esse processo num disco. “ E sobre as canções? - “A escrita da canções é algo que eu vou fazendo ao longo do tempo, de uma forma desorganizada e caótica. Uma das canções, “Gabriela de Jesus”, tem letra escrita muito recentemente (verão de 2019) por cima duma melodia que eu inventei aos 17 anos e da qual nunca me esqueci. Portanto essa demorou 25 anos. Algumas escrevi mesmo perto do fim do processo, como por exemplo “Balzac”, que escrevi  durante os ultimos dias das misturas, quando achava que o disco estaria terminado. "As Velhas que Cosem as Meias dos Netos" é um poema que escrevi em Junho de 2007 quando a minha avó morreu, e cuja música fiz durante as gravações. O confinamento propiciou este disco na medida em que as minhas visitas ao estúdio (que fica na cave de minha casa) passaram a ser diárias, das nove às cinco, literalmente. À boa maneira dos discos confinados, foi todo feito por mim: capa, arranjos, produção, todos os instrumentos, agora até a venda e distribuição. Em quase todos os casos, eu rematei, finalizei as canções durante as gravações, a partir de esboços que vou acumulando quase diariamente há 20 anos. Esse é sempre o meu processo.” Miguel Araújo é quem melhores canções escreve e interpreta hoje em dia em Portugal. Este”Peixe Azul” tem dez canções, tornou-se num disco que ouço a toda a hora e sorrio cada vez que o volto a ouvir. Está por enquanto só á venda on line em www.miguelaraujo.pt 


 


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SOBRE A IGUALDADE - Quando pego num livro tenho sempre a tentação de ver a primeira frase e, às vezes, a última. Neste caso, a última é que vale: as criaturas lá fora olhavam de porco para homem, de  homem para porco e novamente de porco para homem; mas já era impossível dizer qual era qual”. O livro em questão é “1984”, de George Orwell, que acabou de voltar a ser publicado, pela Bertrand, numa boa tradução de Maria Antunes. Em Portugal, a primeira edição desta obra, foi intitulada “O Porco Triunfante” e data de 1946, devendo-se  à Livraria Popular de Francisco Franco.“1984” foi escrito por Orwell entre 1943 e 1944, no final da Guerra e conta a história de uma quinta tomada pelos seus explorados e maltratados animais, que decidem criar um novo sistema de progresso, justiça e igualdade. É, na essência, uma fábula que na verdade, é um retrato político e social da implantação de um regime totalitário e que ganha uma actualidade inesperada por estes dias. Não deixa de ser curioso voltar a esta obra de Orwell, que foi também o autor de “1984”, um premonitório livro sobre o mundo em que vivemos e que também foi agora reeditado, neste caso pelos Livros do Brasil.


 


SOPA COM ABSINTO - A “Konfekt”, uma nova revista do grupo que edita a “Monocle” tem uma newsletter,  "Kompakt", que entre outras coisas recomenda um vinho e propõe uma receita. O vinho não é fácil de encontrar no confinamento, mas a receita é possível e aqui fica ela, pela mão do chef Richard Kagi, de Zurique que conta que a ouviu num concurso radiofónico de receitas. Trata-se de uma sopa de abóbora com absinto - adivinha-se uma coisa decadente… Esta escolha foi-me sugerida pela minha fiel conselheira e passou o teste que fizémos esta semana. Então para os ingredientes: um kg de abóbora, uma colher de sobremesa de caril de boa qualidade, 200 ml de vinho branco seco, 800 ml de caldo de galinha ou de legumes, 200 gramas de mascarpone (e um pouco mais para o enfeite final no empratamento) e ainda um dedal de absinto (o português Neto Costa é perfeito…). A abóbora deve ser descascada e cortada em cubos, que depois vão ao forno a 180 graus durante cerca de uma hora. Uma vez assada mistura-se no caldo de galinha, já com o caril, e passa-se tudo com o 1-2-3. Depois adiciona-se o mascarpone, mexe-se bem e deixa-se apurar em lume brando, com um toque de absinto. Como o absinto tem um gosto forte vão experimentando a partir de uma pequena dose para que não se torne demasiado presente. Adicione sal e pimenta a gosto. Serve-se em pratos fundos e coloca-se um pedaço de mascarpone por cima no empratamento final. Bom apetite. O sabor é verdadeiramente inesperado e magnífico. E neste tempo sabe sempre bem uma sopa quentinha. 


 


DIXIT - “A esquerda foi a grande derrotada e a direita não conseguiu ganhar” - António Barreto.


 


BACK TO BASICS -  “Há quem diga que o tempo muda as coisas, mas na realidade somos nós que temos que as fazer mudar" - Andy Warhol.









janeiro 22, 2021

O PERIGO DA POLÍTICA DO ZIGUE ZAGUE

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AS CONTRADIÇÕES NA PANDEMIA - Se quisermos resumir as coisas, a estratégia do governo para o combate à pandemia tem sido um passeio na montanha russa. Depois do confinamento de Março escancararam-se os portões no verão, fecharam-se no outono, mas com muitas frestas, e depois escancararam-se de novo as portas nas últimas semanas de Dezembro. O resultado desta montanha russa de decisões está infelizmente à vista e é dramático. Falta de atenção às evidências científicas, falta de planeamento em matéria de organização e meios no sistema de saúde e  uma comunicação péssima são os erros que nos trouxeram aqui. Citando sábias palavras amigas, as mensagens contraditórias de abre e fecha levaram-nos onde estamos. Na realidade, um dos princípios básicos da comunicação tem em conta a clareza da mensagem. Ambiguidades e contradições são para utilizar em contextos em que o resultado final pouco importe ou possa vir a ser anulado. Quando se estabelece um sentido de urgência para a adopção de determinados comportamentos, como numa situação de pandemia em que a saúde pública e as vidas das pessoas são postas em causa, a necessidade desse básico é ainda mais evidente. O contrário de uma mensagem clara e inequívoca pode ser uma mensagem paradoxal ou uma contraditória. As mensagens paradoxais deixam os receptores enredados numa teia de onde dificilmente saem, já que uma coisa e o seu contrário são ambos percebidos como válidos. Já as mensagens contraditórias deixam o caminho aberto à escolha do comportamento a adoptar. Ora, parece que o estilo adoptado pelo Governo para anunciar o confinamento terá ido pelo caminho da contradição. Senão vejamos: uma semana antes começou a preparar os cidadãos para um novo confinamento que seria mais rigoroso do que o primeiro, para no dia da comunicação ao país enunciar umas boas dezenas de excepções que permitem aos cidadãos – e se conhecemos a nossa habilidade para enganar regras – escolher a maneira de se comportarem. Muitos respiraram de alívio, outros ficaram preocupados e hoje temos uma grande parte da população em pânico. O que se espera de uma liderança é que ela – sobretudo em momentos difíceis - nos transmita mensagens claras ainda que duras, que nos guie, que vá à frente e não que vá atrás com o dedo apontado à nossa irresponsabilidade. Porque somos todos nós que estamos cansados. Uma mensagem clara é percebida por todos os receptores da mesma maneira, não deixa espaço para a dúvida e normalmente reduz o cansaço pela simples razão de que não é necessário repeti-la.   Esperemos que a montanha russa não recomece no carnaval e na Páscoa. Não chegámos aqui por acaso ou por infortúnio, foi por uma sucessão de erros que potenciaram o perigo da pandemia. A situação não era fácil, mas ficou pior quando a vontade de agradar se misturou com a falta de preparação e a falta de coragem de tomar medidas a tempo e horas. 





SEMANADA - Os cinemas portugueses sofreram uma quebra de 75,55 por cento em audiência e receitas no ano passado face a 2019, correspondendo a menos 11,7 milhões de espectadores em sala; O Instituto do Cinema Audiovisual (ICA) indica que em 2020 as salas de cinema tiveram 3,77 milhões de espectadores, quando em 2019 tinham sido emitidos 15,5 milhões; o domínio português na internet, .pt, viu o número de registos crescer 22,9 por cento, fechando o ano de 2020 com mais 96 mil; os eventos cancelados desde que o Governo anunciou a intenção de implementar um novo confinamento geral provocaram perdas superiores a um milhão de euros na facturação das empresas do sector, segundo a Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE); os casinos físicos portugueses perderam 50% das suas receitas brutas em 2020, tendo fechado o ano com uma faturação de 157,9 milhões de euros, o valor mais baixo dos últimos 23 anos; em 2020 registaram-se em Portugal menos 345 mil voos que no ano anterior, uma quebra de 58%; na primeira semana do confinamento o consumo de televisão não registou subida, ao contrário do que aconteceu em Março; os doentes internados em Lisboa e Vale do Tejo já são mais do dobro do máximo previsto há três meses; o cenário a que assistimos é equivalente a todos os dias cair um avião cheio de portugueses; esta semana Portugal tornou-se o país do mundo com mais casos por milhão de habitantes e o 2º em mortes; “não podemos tomar decisões conforme as pressões” - afirmou António Costa em Bruxelas sobre o reforço das medidas de confinamento.


 


CURIOSIDADES CONTEMPORÂNEAS  - A China foi a única potência mundial a crescer em 2020.


 


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PASSEAR NUM MUSEU -  Galerias fechadas, museus encerrados. O que podemos fazer? - Voltar a explorar as possibilidades de navegar pela internet! A Gulbenkian tem desenvolvido bons recursos no seu site que nos permitem, nestes dias mais difíceis, ter a ilusão de podermos ver e ouvir sem sair de casa. Se forem ao site gulbenkian.pt e seleccionarem a área de Museu e depois museu online poderão descobrir as várias colecções em visitas virtuais que funcionam bem, quer na Colecção do Fundador, quer na Colecção Moderna. Se escolherem as exposições actuais, por exemplo, poderão ver uma visita virtual da exposição de Lalique (na imagem) e também uma visita guiada a esta mostra feita pela curadora que a organizou, Luisa Sampaio. E, já agora vão até ao YouTube e pesquisem por Gulbenkian. Irão dar com o canal da Fundação onde têm numerosos vídeos sobre o museu e as exposições, mas também os registos das gravações das emissões de streaming de diversos espectáculos, como os recentes Concerto do Ano Novo ou Uma Noite na Ópera. Por ali têm muito com que se entreterem. Enquanto não podemos voltar às nossas galerias preferidas, pelo menos podemos explorar o que a internet hoje nos possibilita. E a oferta online da Gulbenkian é boa.


 


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MÚSICA PARA DIAS FRIOS - Há alguns anos que vou seguindo o que a editora musical ECM vai fazendo. Fundada em 1969 em Munique por Manfred Eicher, a ECM abriu a porta primeiro ao jazz europeu, depois a músicos de outras nacionalidades e a outros géneros musicais. De Keith Jarrett a Pat Metheny, passando por Dave Holland, muitos dos melhores músicos gravaram para a editora. Desde 2017 a ECM passou a ter todo o seu catálogo disponível nas plataformas de streaming. É um catálogo cheio de diversidades, de experiências, mas também de discos que hoje são clássicos da música contemporânea. Agora, no início deste ano, a ECM actualizou nas plataformas de streaming, sob a forma de uma playlist, uma colectânea apropriadamente intitulada “Deep Winter”. São três dezenas de temas, mais de duas horas de música criteriosamente escolhida de nomes como John Cage, Jan Garbarek, Meredith Monk, Terje Rypdall, Keith Jarrett, mas também Bach, Bela Bartok. Esta é uma boa oportunidade para descobrir o som da ECM. Se visitarem o site da editora poderão também descobrir a sua actividade mais recente. Eu tenho este “Deep Winter” em modo “repeat” há vários dias. 





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ESPÍRITO ORIENTAL - “A glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga”, lê-se no último parágrafo de “O Marinheiro Que Perdeu As Graças do Mar”. O livro, um dos mais breves e poderosos romances da obra de Yukio Mishima, foi publicado originalmente em 1963, revelando um olhar radical e cru sobre a honra perdida de uma sociedade japonesa transformada pela guerra. Relata os sentimentos de jovens testemunhas de um amor que ultrapassa ventos e marés e que, ao olhar de um adolescente e seus amigos, é sintoma de uma fragilidade humana perigosa e inaceitável. Noburo e seus amigos estão no centro do livro. Quando a mãe de Noburo conhece o marinheiro Ryuji e se envolve com ele, o rapaz fascina-se com as histórias de aventuras no alto-mar, com a coragem e a calma daquele homem, com a solidez do seu corpo. Assim que o marinheiro desilude os ideais fundamentalistas, o grupo de amigos de Noburo monta e põe em marcha um plano de vingança. Yukio Mishima, pseudónimo de Kimitake Hiraoka, nasceu em Tóquio em 1925 e suicidou-se praticando o ritual seppuku, a 25 de novembro de 1970, manifestando assim a sua discordância perante o abandono das tradições japonesas. A sua obra e a sua vida estão enraizadas no tradicionalismo militar e espiritual dos samurais. Bem sei que as livrarias estão fechadas e os livros são considerados por este desgoverno produtos não essenciais. Mas pode sempre utilizar uma das plataformas online para encomendar este magnífico Mishima.


 


SALADA DE INVERNO  - Confinados, resta voltar à cozinha. Já no primeiro confinamento criei uma rotina de imaginar menus, pesquisar na internet, ver o que podia  fazer com ingredientes fáceis de encontrar em supermercado. Cozinhar aliviou-me da tensão do teletrabalho e agora, de novo, é uma pausa que ajuda a descontrair desta ansiedade inevitável causada pela pandemia e pelo agravamento da situação. A proposta que vos deixo esta semana, apesar das temperaturas baixas, é de uma salada caprese, mas esta é especial e quentinha. Comecem por preparar a quantidade de que necessitarem de quinoa branca da forma habitual, e entretanto aqueçam o forno a duzentos graus. Quando a quinoa estiver quase cozinhada misturem um tomate picado, espinafres baby frescos, parmesão ralado e sal e pimenta a gosto. Espalhem a quinoa com estes aditivos numa travessa de ir ao forno e por cima coloquem tomate às rodelas, com duas bolas de queijo mozarella cortado às fatias e reguem com um fio de azeite. Levem tudo ao forno durante cerca de meia hora até o queijo começar a derreter e a ficar levemente tostado. Antes de levar para  a mesa coloquem por cima folhas de manjericão fresco. Bom apetite para esta caprese de inverno.


 


DIXIT - “Ouvindo falar o Primeiro Ministro parece que não foi este Governo que esteve a gerir este processo da pandemia e nos trouxe a um ponto entre a espada e a parede” - Tiago Mayan Gonçalves


 


BACK TO BASICS - “Tem sido dito que o homem é um animal racional e eu tenho passado a minha vida, sem sucesso, à procura de provas que confirmem isto” - Bertrand Russell