julho 04, 2014

UMA EUROPA QUE FICA MAL NA FOTOGRAFIA

EUROPA - Com alguma perplexidade descobri que, em quase todos os principais sítios de notícias portugueses, o discurso inaugural da presidência italiana da Comunidade não constava, com qualquer destaque visível, por volta das dez das noite de quarta feira, meia dúzia de horas depois de ter sido proferido. E no entanto o antigo presidente da câmara de Florença foi iconoclasta - chamou a atenção para os podres da Europa, traçou prioridades, sublinhou que o Pacto de Estabilidade também é um Pacto de Crescimento, lembrou a necessidade de políticas especiais para incentivar os mais novos e defendeu o papel de referência humanística da Europa na cena internacional. “O grande desafio do semestre europeu não é fazer uma lista de problemas a resolver, o grande desafio é recuperar a alma europeia” - disse Renzi. É impressão minha ou ouve-se muito pouco disto ultimamente, quer cá dentro, quer em Berlim ou em Paris? Paradoxalmente, no mesmo dia, todos os jornais e sítios da internet tinham mais espaço consagrado às desventuras policiais de  Sarkozy que ao discurso de Renzi.


 


SEMANADA - Continua a crise no PS; continua a crise no BES; a irrevogável crise no Governo dura há um ano; no ano passado o fisco detectou 72 operações montadas em empresas para permitir a fuga a impostos; as dívidas fiscais prescritas e anuladas somaram 650 milhões de euros em 2013; o Governo baixou o IVA dos torresmos e do pão com chouriço de 23 para 6%; as vendas de carros novos cresceram 40% no primeiro semestre, mas estão ainda 20% abaixo da média dos últimos dez anos; na Europa apenas Chipre, Croácia, Espanha e Grécia têm uma taxa de desemprego maior que a portuguesa; a taxa de desemprego recuou para 14,3% e o número total de desempregados é agora de de 736 mil, menos 145 mil que há um ano; no espaço de um ano 535 389 pessoas perderam prestações sociais do Estado, entre as quais 412 mil desempregados; em 2013 foram detectados 222 mil cheques carecas; este ano os estrangeiros já foram responsáveis por 15% de transações imobiliárias em Lisboa; os gastos de turistas chineses em Portugal aumentaram 697,7% no primeiro quadrimestre deste ano; o número de cartões de crédito em Portugal diminuíu 35% em 2013; a dívida pública atingiu 132,9% no final do primeiro trimestre, mais 4% que o valor registado no final do ano passado; 3606 professores pediram a rescisão com o Estado; a Fundação Cidade de Guimarães desperdiçou mais de três milhões de euros, ou seja cerca de 40% do dinheiro disponível para promoção do ano cultural junto dos turistas; Sarkozy foi interrogado por suspeitas de tráfico de influências; 88% da superfície oceânica tem detritos de plástico; o BES Photo mais uma vez optou por não premiar fotografia.


 


ARCO DA VELHA - Em matéria de justiça este ano tem um mês a menos - o Conselho Superior da Magistratura e a Procuradora Geral da República recomendaram aos magistrados do Ministério Público que evitem marcar julgamentos e outras diligências em Setembro por causa da entrada em vigor do novo mapa judiciário.


 


FOLHEAR - Depois da desgraça que foi o debate do Estado da Nação, do vazio de ideias que se anuncia no Conselho de Estado e do triste espectáculo proporcionado pelas várias tendências do PS, aqui está uma muito boa leitura para nos fazer a todos meditar: “Dimensões da Cidadania” é um estudo sobre a mobilização política em Portugal, da autoria de Manuel Villaverde Cabral, agora editado pelas edições Afrontamento. A evolução histórica de Portugal, o seu lugar na Europa, o papel da religião, a aliança com a Inglaterra e a adesão europeia são marcos que ajudam a balizar a evolução do comportamento da sociedade portuguesa. Como diz o autor na apresentação “foi possível demonstrar que o país sofre, além das desigualdades sociais bem conhecidas, de uma tendência generalizada para um envolvimento cívico e político no espaço público comparativamente baixo>” . O livro analisa, com rigor e detalhe, o exercício da cidadania política em Portugal, recorrendo a numerosos estudos, a uma análise comparada de dados que permitem ver em pormenor como tem sido a evolução do comportamento - um afastamento dos partidos, das formas de intervenção políticas habituais, das classificações ideológicas tradicionais. A análise está aqui, bem feita. Pelo caminho que as coisas levam o distanciamento em relação às organizações antigas, que são as que ainda nos governam, vai acentuar-se. Depois deste livro ninguém pode dizer que o assunto não foi estudado e anunciado. O que se passa na política à portuguesa está lá bem explicadinho.


 


VER -  Quatro sugestões para esta semana: “Dissection”, de Alexandre Farto, aliás Vhils, no Museu da Electricidade - a intervenção do artista fica em exposição até 5 de Outubro, e apresenta um conjunto de obras feita expressamente para o interior e o exterior do museu, naquilo a que se poderia chamar graffittis esculpidos em paredes - trata-se da maior exposição de Vhils apresentada até hoje em Portugal; no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian o fotógrafo Edgar Martins mostra o trabalho que desenvolveu entre 2012 e 2013 na ESA - European Space Agency em nove países diferentes espalhados por três continentes. São oito dezenas de fotografias (uma delas aqui reproduzida) que mostram o óbvio como se fosse documental, fazendo do pormenor um ponto de vista; no Hotel Tivoli, Avenida da Liberdade, Pauliana Valente Pimentel mostra imagens de viagem, muito particulares, na exposição “The Passenger”; e em A Pequena Galeria (Av 24 de Julho 4C), a partir de sábado, Pedro Guimarães mostra  com “Valley” as imagens que reteve da natureza no vale de Foz Côa.





OUVIR - Ao mesmo tempo que investiu fortemente num sistema de som que pretende restaurar o prazer da alta fidelidade na era digital, o Pono, Neil Young gravou agora um disco, “A Letter Home”, no mais rudimentar sistema que se pode imaginar - uma máquina de final dos anos 40 que se destinava a gravar discos, em feiras e parques de diversões, podendo logo o utilizador levar consigo para casa um vinyl ali gravado. O Voice-O-Graph, assim se chama a máquina, era usado para gravar declarações de amor, canções de aniversário ou versões de temas populares e na moda, bem antes de existirem as chuvas de estrelas contemporâneas. A qualidade é péssima, alguns dizem que a evocação da gravação antiga proporciona uma patine que tem os seus atractivos, mas a distorção é constante. Apesar disso, ou, talvez, a contar com isso, Neil Young excede-se neste disco, canta inesperados standards folk e faz algumas versões absolutamente brilhantes, como a de “Girl From The North Country”, um tema de Bob Dylan, gravado originalmente em 1963 pelo próprio e, anos mais tarde, em 69, num dueto com Johnny Cash, na abertura do álbum “Nashville Skyline”. Aqui estão também temas de Gordon Lightfoot (como  “If You Could Read My Mind”  e “Early Morning Rain”), de Willie Nelson (“Crazy” e “on The Road Again”), um brilhante “My Hometown” de Bruce Springsteen, os clássicos “Changes” de Phil Ochs e “Reason To Believe” de Tim Hardin, "I Wonder If I Care as Much" dos Everly Brothers e, sobretudo,  “Needle Of Death” de Bert Jansch que tem óbvias ligações a “The Needle And The Damage Done”, um dos temas marcantes do próprio Young. Neste disco,  ao lado de Neil Young aparece, em dois temas, Jack White, ex-White Stripes - um dos músicos que tem mais em comum com Young entre os da geração mais recente. A máquina Voice-O-Graph de facto pertence a White e este disco, “A Letter Home” na realidade foi inicialmente editado apenas em vinil na editora de Jack White, Third Man Records. Entretanto cresceu para a forma actual em CD e numa box especial que inclui um DVD e um livro.


 


PROVAR - Em plenas avenidas novas fica um daqueles restaurantes discretos e familiares, tradicionais mas não decadentes, bem de bairro, que já vão rareando em Lisboa. Dá pelo malandro nome de “O Bacano” e identifica-se como restaurante e snack bar em neons bem à moda dos anos 70 - não é de admirar, a casa foi fundada em 1972. À entrada está uma longa barra que faria as delícias de um bar de cocktails ao fim da tarde, se tal coisa fosse habitual nesta terra. “O Bacano” fica na João Crisóstomo 47 C, bem perto do cruzamento com a Marquês de Tomar. Conserva no interior tudo o que é decoração típica da época, onde não faltam quadros espelhados da Martini e cartazes turísticos de Portugal. O sítio ganhou fama porque na época da lampreia a preparação do ciclóstomo é muito adequada - seja de que forma fôr - até a escabechada. No dia a dia, fora da lampreia, destaca-se o cozido das quintas, o bacalhau  à Narcisa que existe sempre, assim como os choquinhos grelhados e as pescadinhas de rabo na boca. Outros pratos do dia são bem portugueses - mão de vaca com grão, empadão de batata com vitela e grelhada mista com açorda de míscaros. Na casa surge leitão com frequência e às sextas há arroz de pato à antiga. A casa é despretenciosa mas honesta, o serviço é simpático, a clientela é familiar, a fazer par com a cozinha bem caseira. Há um menu económico diário a 6 euros. Telefone 213 533 859


 


DIXIT - "Se fizéssemos uma selfie à Europa, a sua face seria a do cansaço e da resignação, seria o rosto do aborrecimento numa altura em que o mundo corre a uma velocidade extraordinária" - Matteo Renzi, Primeiro Ministro de Itália


 


GOSTO - De um artigo de Miguel Cadilhe no Jornal de Notícias onde demonstra que o esforço fiscal dos contribuintes portugueses é o maior da União Europeia


 


NÃO GOSTO - Da maneira como se fez na Assembleia da República o debate do Estado da Nação - demasiada retórica, muito propaganda e poucas ideias, ou seja, o retrato do regime que os partidos criaram.


 


BACK TO BASICS - “Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora “ - Eça de Queiroz

junho 27, 2014

UM MANUAL DE COMO AFASTAR PESSOAS DA POLÍTICA

TRISTEZA - Sobre a actualidade política digo apena isto: a disputa pela liderança do PS é um bom case study do que afasta as pessoas da política: barões e figurões que incentivam revisões apressadas dos estatutos, velhos do restelo que se juntam para esquecer o presente e fazer do futuro um regresso ao passado, uma actividade de permanente agressão nas redes sociais - tudo isto mostra o pior do sistema partidário que temos. Como escreveu no “Observador” Manuel Villaverde Cabral, “o caldo está a entornar-se”.


 


SEMANADA - Na noite de São João, no Porto, registaram-se  três esfaqueamentos e quatro agressões a polícias; na reunião da Comissão Nacional do PS, em Ermesinde,  registaram-se altercações, insultos e desacatos entre apoiantes de Costa e de Seguro; cada rapaz internado em 2013 em centros educativos - as “prisões” para jovens entre os 12 e 16 anos - cometeu em média nove crimes, enquanto as raparigas nas mesmas circunstâncias praticaram sete; a cobrança de mais impostos foi a responsável por 60% da redução do défice; quase metade do aumento de 477 milhões de euros da receita fiscal foi para pagar juros da dívida;  o número de devedores fiscais aumentou 22%; os processos parados nos centros de arbitragem subiram 21% em três anos; há mais de 265 escolas do 1º ciclo em risco de encerrar por falta de alunos; os chineses foram a comunidade estrangeira que mais cresceu em Portugal em 2013, com um aumento de 6,8%, para um total de 18 637 imigrantes; Portugal tem a segunda taxa mais alta da União Europeia em contratos a prazo involuntários; estudos da Markteste indicam que 85% dos portugueses têm contacto regular com jornais e revistas e que ao longo do mês de Maio 5,5 milhões de portugueses navegaram na internet a partir de computadores pessoais e cada utilizador esteve ligado uma média mensal de 23 horas e 19m minutos; num almoço público, em Lisboa, Rui Rio remeteu para o Destino a hipótese de ser Primeiro Ministro; Tony de Matos cantava, em 1970 a canção “O Destino Marca a Hora”, no filme do mesmo nome.


 


ARCO DA VELHA - Os comboios do Metro de Lisboa estão desde 2010 sem um dos sistemas de extinção de incêndios e os travões de emergência estão desactivados em toda a frota há dois anos  - a Procuradoria Geral da República admitiu estar a investigar falhas de segurança naquele meio de transporte.


 


FOLHEAR - Ivan Carvalho é um luso-descendente nascido nos Estados Unidos, correspondente da “Monocle”, sediado em Milão, e que nos últimos tempos tem sido o autor de uma série de artigos que a revista tem publicado sobre Portugal. A edição especial de Julho/Agosto da “Monocle”, agora distribuída, vem cheia de referências ao nosso país, a começar por um belo portfolio fotográfico de Cascais (com chamada de capa), acompanhado por um texto de Ivan Carvalho que percorre a influência do mar, mas também da gastronomia e das actividades culturais, seja na casa das Histórias Paula Rego ou as galerias e ateliers de artistas na Pousada da Cidadela. Pelo meio ficam os gelados Santini, relatos de estrangeiros que escolheram Cascais para viver e, sempre, a atracção do oceano. Mas a “Monocle” foi também ao Porto (com um guia de compras no Mercado do Bolhão), fala do surf na Ericeira, enaltece em Lisboa a recuperação do rio que a cidade começou a fazer há uns anos atrás, antes de Costa, elogia os desenhos dos passeios tradicionais que o actual executivo camarário pretende extinguir, chama a atenção para as debilidades na reabilitação, mostra o Bar Oslo no Cais do Sodré, sugere os quiosques recuperados onde se bebem refrescos e se petisca. Na habitual lista das melhores 25 cidades para viver que a “Monocle” publica nesta altura do ano, Lisboa volta a entrar na 22ªa posição, após uma ausência de dois anos,  atrás de Barcelona e à frente de Oslo. A melhor cidade, diz a “Monocle” é Copenhaga. Destaco ainda  os dez ensaios que são o prato de substância desta edição, muito focados na boa utilização das cidades. Finalmente artigos a ler sobre bosn exemplos de  imprensa local e sobre a recuperação de velhas salas de cinema como espaço de convívio de cinéfilos.


 


VER -  António Pinto Ribeiro é o criador e programador do  “Próximo Futuro”, uma iniciativa tão inovadora e disruptiva que nem parece saída das teias de aranha, tradicionais ou contemporâneas, que infelizmente se tornaram a imagem de marca da acomodada Gulbenkian. Ao longo dos últimos anos o “Próximo Futuro” tem vindo a construir o cruzamento de ideias e de práticas artísticas entre Portugal e a Europa, África, América Latina e Caraíbas. Por estes dias iniciou-se o ciclo de Verão, que vai até Setembro, particularmente focado na América Latina. Para além das exposições há debates e sobretudo um jornal que sazonalmente dá conta do Programa e recolhe ideias, mostra imagens e incentiva, de facto, à leitura. Na Galeria de Exposições temporárias, de terça a domingo, infelizmente sempre apenas das 10 às 18, está a exposição que reúne obras de 21 artistas de diversos paíeses e continentes. Há no Jardim da Fundação uma peça de arquitectura criada de propósito para a ocasião, apresentada como um tótem desenvolido por Tiago Rebelo de Andrade e Diogo Ramalho, da Subvert, “que permite às pessoas experenciarem o seu interior”. De 20 a 22 de Julho decorreu a festa da literatura e do pensamento da América Latina que pretendeu debater se existe, ou não, uma identidade latino-americana. Ao mesmo tempo houve já música e cinema, que em Setembro se repetem, ao lado de teatro e de dança. Sigam o programa em www.proximofuturo.gulbenkian.pt


 


OUVIR - Tiago Bettencourt começou a sua carreira em 2003 com os Toranja e logo se fez notado. Em 2007, acompanhado pelos Mantha, fez “O Jardim”, que incluía o tema “Canção Simples”. Meia dúzia de anos e de discos depois surge “do princípio”, talvez o seu álbum mais maduro. Como sempre as canções são integralmente da sua autoria, a banda que o acompanha integra agora João Lencastre na bateria, Tiago Maia no baixo (muito bom) e Daniel Lima nos teclados. Há colaborações de Fred Ferreira, Jacques Morelenbaum e Mário Laginha, entre outros, e a produção executiva é de João Pedro Ruela. Gosto muito da maneira como Tiago Bettencourt escreve, embora por vezes o ache entre o previsível e o inconstante na interpretação. Mas neste disco há temas incontornáveis, como “Maria”, “Fúria e Paz”, um quase hino chamado “Ameaça”, o belíssimo “Sol de Março” ou um momento que evoca Jorge Palma e que é perfeitamente contemporâneo, mesmo que Tiago Bettencourt, nas entrevistas, lhe queira tirar a carga política de crítica da actualidade: “Aquilo Que Eu Não Fiz”, o grande tema deste disco, que certamente ficará entre as grandes canções portuguesas deste ano: “Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz (...) Não fui eu que gastei mais do que era para mim/ não fui eu que tirei, não fui eu que comi, não fui eu que comprei, não fui eu que escondi quando não estavam a olhar, não fui eu que fugi”. (CD Universal)


 


PROVAR - Numa boa e cúmplice surpresa descobri, a meia centena de quilómetros de Lisboa, um segredo bem escondido chamado Areias do Seixo, um hotel com uma dúzia de quartos, num local único, em cima do oceano, entre a Lourinhã e Santa Cruz, no meio das dunas, sobre uma falésia que desce para o mar. Para além do bem conseguido projecto de arquitectura, de exterior e interiores, há um cuidado com os pormenores na utilização de materiais naturais e da região e na utilização de materiais reciclados no mobiliário. O sítio combina, em doses invulgarmente certas, o rustico com o conforto e o contemporâneo. O hotel tem uma pequena área de horta e outra de estufa  onde se cultivam produtos que são servidos no restaurante - legumes, fruta, ervas a infusões, e também, noutro plano, ovos frescos. O buffet do pequeno almoço é exemplar no aproveitamento dos recursos naturais e da região, sem coisas desnecessárias e com muita atenção a proporcionar um bom começo de dia. O peixe é fresquíssimo e é porventura o maior trunfo da cozinha, privilegiando os temperos naturais e os processo culinários simples. A carne é bem cozinhada, no ponto, sem margem para dúvidas. No bar, além dos biscoitos e dos chás do lanche, há petiscos, que se repetem na carta de entradas. Pessoalmente abomino menus de degustação impostos, que é o ponto fraco da proposta do jantar onde os items infelizmente não se podem separar. Mas tirando isso, a lista tem alternativas e a coisa corre muito bem embora fosse desnecessário o encanto pela espuma servida numa sobremesa que não era mais que um chantilly disfarçado - síndrome de chef com complexo molecular, digo eu. O serviço é geralmente atento, eficaz e discreto, embora por vezes renitente a críticas na zona da restauração. Há bons vinhos da região, os inevitáveis gins da moda, mas abertura suficiente para servir um gin tónico à antiga, á moda do império britânico. Na mercearia, além das infusões, há peças artesanais, compotas, vinhos e azeites. O balanço geral é francamente positivo, pelo conforto, pela atenção, pelo descanso que é possível ter entre as areias do seixo. Reservas para 261 936 350 ou info@areiasdoseixo.com.


 


DIXIT - “Sócrates não antecipou a gravidade da crise financeira nem travou as PPP” - João Proença, membro do secretariado do PS e ex-dirigente da UGT.


 


GOSTO - Da decisão de criar a curto prazo uma Film Commission que permita captar mais produções audiovisuais internacionais para Portugal.


 


NÃO GOSTO - Do sacudir água do capote dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol a propósito do Mundial


 


BACK TO BASICS - Os políticos são todos semelhantes em qualquer país: prometem fazer pontes onde nem sequer existe um rio - Nikita Khrushchev

junho 20, 2014

O TRIUNFO DOS PORCOS

Foto: O TRIUNFO DOS PORCOS em Lisboa.Imaginem isto aplicado ao país !


 


(foto Luiz Carvalho)


 


POCILGA -  António Costa iniciou a sua campanha eleitoral em Lisboa entregando a cidade aos porcos. Imagina-se o que fará se tiver o país nas mãos. Num dos únicos pronunciamentos programáticos que fez, António Costa manifestou-se a favor de uma “terceira via”, de  aposta no crescimento das receitas, como alternativa à política de cortes na despesa ou aumento dos impostos. Não explicou, no entanto, se esse crescimento de receitas se deveria aos favorecimentos, como o que concedeu ao entregar à Sonae a Avenida da Liberdade e parte do Terreiro do Paço, para pocilga, durante uma semana. Num outro momento particularmente ilustrativo da sua modernidade, Costa foi apoiado entusiasticamente por Mário Soares e por Ferro Rodrigues, que lhe irão dar testemunho de inquebrantável fé na tradição, na retórica e na falta de ideias como forma de resolver os problemas nacionais - trata-se de uma clara e disruptiva aposta na dignificação de uma nova geração de políticos que possa regenerar o país. Enquanto tudo isto se passa, o Tribunal de Contas anuncia, com a pompa e circustância que gosta de imprimir às suas rábulas, que lava as mãos, como Pilatos, das consequências dos seus actos. Por junto não quer saber dos efeitos das acções que toma, nem quer fazer ideia de como se resolvem as situações que cria. Digamos que tem uma grande convergência, neste aspecto, com António Costa: quem atrás de mim vier, que feche a porta, como outros antes fizeram. Sócrates, esse, sorri e vai deixando umas frinchas abertas por onde passa.


 


SEMANADA - Alberto Martins, dirigente socialista, diz que “o PS deve excluir o bloco central e coligar-se à esquerda se não tiver maioria” nas próximas legislativas; António Arnaut, ex-dirigente socialista teme “que o PS entre num estado de letargia”; o Teatro Capitólio, que o vereador Manuel Salgado, eleito pelo PS, garantiu desejar ter pronto em finais de 2009, continua com as obras paradas e muito atrasado; o PS considera que o resultado positivo apresentado nas contas de Rui Rio na Cãmara Municipal do Porto revela má gestão; Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que as legislativas deviam ser realizadas antes do verão de 2015; Jerónimo de Sousa foi ao Palácio de Belém pedir a demissão do Governo; Marcelo Rebelo de Sousa criticou Passos Coelho por este ter faltado ao jogo inaugural da selecção portuguesa; Merkel esteve no estádio a torcer pela Alemanha; o preço das casas em Portugal caíu 3,3% no último ano; os produtores de Sever do Vouga estão a vender os mirtilos a quatro euros o quilo, mas nas grandes superfícies são vendidos a 24 euros o quilo; o salário médio sofreu um corte de 400 euros por ano devido às alterações das leis laborais em 2012; todos os dias 341 portugueses, em média, abandonam o país; o Provedor de Justiça queixa-se de falta de meios para garantir a defesa dos direitos dos presos; dois reclusos suicidaram-se em seis dias na cadeia de Paços de Ferreira;  no ano passado registaram-se 13 suicídios nas prisões portuguesas; a PSP pediu ajuda às juntas de freguesia de Lisboa para comprar carrinhas que sirvam de esquadras móveis, depois de ter decidido fechar uma série de esquadras na cidade.


 


ARCO DA VELHA - Vários reclusos queixaram-se às Finanças do comportamento da cantina do Estabelecimento Prisional de Lisboa, que se recusa a dar-lhes factura da despesa lá efectuada. Os detidos queixosos consideram que assim ficam descriminados e prejudicados em relação ao sorteio dos Audi atribuídos pelo Fisco aos contribuintes que pedem factura identificada.


 


FOLHEAR - Existe uma lenda à volta da revista “Holiday”, nascida nos anos 40 do pós guerra. Contratava os melhores escritores  e fotógrafos e enviava-os para destinos fantásticos com contas de despesa ilimitadas. O resultado foi brilhante durante várias décadas, até meados dos anos 60, graças ao génio de um editor visionário, Ted Patrick, e de um director de arte atrevido, Frank Zachary. Pelas mãos destes dois homens passaram talentosas peças de nomes como Hemingway, Steinbeck, Kerouac ou Cartier-Bresson, Robert Capa e Edward Steichen. A Holiday era a revista do sonho, da viagem, da descoberta. Morreu quando a televisão entrou no seu domínio. A boa notícia é que agora ressurgiu, com duas edições por ano, feitas em Paris - deve ser a melhor coisa a sair da capital francesa nos últimos tempos. Neste número, que tem por tema ícones de 1969, destacam-se as canções de Gainsbourg, o Aston Martin DBS e uma interessante playlist da época assinada por Etienne Daho. E claro, há um belo portfolio sobre a história antiga da própria revista, que só por si merece a compra desta edição.


 


VER - Hoje, vai um roteiro. Começo pelo Arquivo Municipal de Fotografia, na Rua da Palma (a instituição já não se chama assim, mas o nome era apropriadamente este antes de uma reforma que lhe tirou a identidade) - ali está o núcleo central da obra de Artur Pastor (na imagem), que documentou Portugal nos anos 40 e 50. Regente Agrícola por formação, descobriu a fotografia como auxiliar do seu trabalho em 1942. Está a decorrer, até 31 de Agosto, uma exposição com a sua obra, constituída por três núcleos, apresentados em três espaços distintos da cidade: Arquivo Fotográfico da Rua da Palma, o Pavilhão preto do Museu da Cidade no Campo Grande e o espaço da loja Colorfoto na Praça de Alvalade.


Mudando de rumo sugiro que descubram uma colectiva intitulada "O Caminho Estreito Para o Sul Profundo", com trabalhos de Ana Morgadinho, Angela Dias, Pedro Calhau, Ricardo Pires, e Vasco Futscher. Finalmente, em Belém, nao Projecto Travessa da Ermida, apresenta-se um filme , “Vintage Drawings & Current Graphic Works”, de André Romão, Pedro barateiro e André Valentim. A terminar, sugiro   os novos trabalhos de Manuel João Vieira na Casa da Cerca em Almada.


 


OUVIR - Contido nas palavras, ora exuberante ora discreto nos arranjos, o brasileiro Gui  Amabis é sempre intenso. “Trabalhos Carnívoros”, o seu novo disco, lançado agora em Portugal, em simultâneo com um concerto que fará dia 8 de Julho, na Casa Independente, em Lisboa, é exemplo disso mesmo. Compositor e músico, Gui Amabis é também produtor - foi ele que trabalhou no novo disco de Rita Red Shoes, “Life Is A Second Of Love”. Regressando a “Trabalhos Carnívoros”, destaco a forma como Amabis consegue conjugar um lado electrónico, quase experimental, como no tema título “Trabalhos Carnívoros”, com a suave forma de encantar em “Um Bom Filme” e, sobretudo, em “Menino Horrível”.As palavras das suas canções - as letras como se diz - valem a pena. São declarações sintéticas, descrições de estados de espírito, como “Crespúsculo”, ou de diagnóstico irónico, como “Consulta Mental”. Gui Amabis é uma boa surpresa e este seu “Trabalhos Carnívoros” é um bom momento.


 


PROVAR - Antigamente chamava-se Masstige, hoje em dia o conceito mudou, chama-se Lateral, o espaço está semelhante mas é um pouco mais descontraído. Há imagens nas paredes que parecem saídas de um cinema antigo, a clientela tem um mix de  idades e origens bem engraçado, pelo menos ao almoço. A comida é um oásis de simplicidade, bom senso e boas matérias primas no meio de sub-chefes cada vez mais espumosos. Aqui há  petiscos como croquetes de alheira e mel, ou polvo à Galega; há saladas de frango panado com mel, ervas e parmesão; há hamburgueres variados (de 170 a 350 gramas), linguinis e crepes, bruschettas e batatas fritas sublimes, aos palitos, fininhas, estaladiças e temperadas com ervas. Como gosto de hamburgueres de boa carne, mal passados, sou suspeito - porque estes são muito bons. Gosto do hamburguer de cogumelos, simples. A cerveja, apesar de ser espanhola, a Estrella Damm, sai sempre bem tirada. Aqui está um sítio que não me desilude e que me refresca o espírito. 15 valores em 20. Avenida  Barbosa du Bocage  107 A, reservas por sms pelo 914 327 572


 


DIXIT - “Temos de saber gerir os momentos de jogo em função do clima e de outros fatores” - Paulo Bento, antes do jogo com a Alemanha


 


GOSTO - Da homenagem a António da Cunha Telles na Cinemateca Portuguesa


 


NÃO GOSTO - Da falta de resposta da EMEL às reclamações que os seus utilizadores lhe enviam por email.


 


BACK TO BASICS - É preciso acabar com o mito do poeta inspirado - Álvaro de Campos


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 20 de Junho)


 


 


 


 

junho 12, 2014

SOBRE O EFEITO CAMALEÃO NAS ESTRUTURAS PARTIDÁRIAS

APOSTAS - Um amigo meu, do PS. dizia-me logo após as europeias, quando as intenções de Costa despontaram, que o candidato teria dificuldades porque Seguro controlava bem o aparelho e as distritais . Escassas semanas passadas um jornal titulava que "uma a uma as distritais afastam-se de Seguro e aproximam-se de Costa”. Um dos grandes problemas do nosso sistema político é que isto acontece em todos os partidos. Lembro-me ainda dos jantares de Passos Coelho na sua primeira campanha para disputar a liderança do PSD, que perdeu. Tinham mais independentes que militantes e aparelho. Uns anos depois, quando Sócrates já estava em queda e o aparelho laranja cheirava o poder, começou a surgir todo o lastro que andou desaparecido. Esta volatilidade dos aparelhos dos partidos, esta dependência de estruturas desfasadas da sociedade e que vivem em circuito fechado a olhar para o umbigo tem os nefastos efeitos que conhecemos desde o início do actual Governo - feito de compromissos internos. Hoje em dia acontece o mesmo no PS - o aparelho já acha que com Seguro não lhe sai a rifa e aposta que Costa pode premiar melhor. É uma aposta, não é política. Falamos de coisas venais e não de convicções. Esse é o grande problema dos partidos e dos seus dirigentes, que vivem desse expediente de distribuição de benesses e recompensa de favores. Programa político? Reformas? Esqueçam isso - dá trabalho e não dá votos.


 


SEMANADA - Marcelo prometeu, a propósito das perguntas enviadas para o Constitucional,  dar um raspanete a um assistente seu em Direito, hoje em dia assessor do Governo, quando ele voltar à Faculdade “daqui a uns meses”, uma maneira airosa de dizer que não acredita na continuação da coligação; o consumo já subiu e os depósitos das famílias caíram em finais de Abril para mínimos de um ano; numa sondagem recente 56% dos inquiridos consideram o atual Governo pior do que esperavam; a Câmara de Sintra conta cinco mil processos parados no seu Departamento de Urbanismo, vários há mais de uma década, e o atraso agravou-se no período em que Fernando Seara foi presidente da autarquia; esta semana Fernando Seara não conseguiu chegar à fase final das eleições para a Liga de Futebol porque  a candidatura da sua lista foi apresentada incompleta; nos últimos cinco anos perderam-se 372 postos de trabalho por dia; 28% dos salários em Portugal foram congelados entre 2012 e 2013; O Governo, através do Ministério da Administração Interna, deve meio milhão de euros a agentes policiais por serviços gratificados, que não estão a ser pagos desde há oito meses; o fisco já vendeu 23 mil carros penhorados este ano; a economia portuguesa caíu 0,6% no primeiro trimestre de 2014; o Estado paga em média 20 milhōes de euros por ano a cidadāos prejudicados por erros judiciários;  os seguranças de Cavaco Silva impediram impediram a obtenção de imagens em local público e mandaram mesmo apagar as fotografias a alguns repórteres fotográficos que estavam mais perto no local onde o Presidente se sentiu indisposto nas comemorações do 10 de Junho.


 


ARCO DA VELHA - António Costa, que desistiu de se preocupar com o lixo em Lisboa e já quase deixou de ser visto na capital,  anunciou ao país que se orgulha “da estratégia e do impulso reformista dos governos” de Guterres e de Sócrates.  


 


FOLHEAR - Nos últimos anos fui assistindo ao lento declínio da “Newsweek”, uma revista que leio há umas boas três décadas. De repente, há pouco tempo, a “Newsweek” reapareceu com um novo grafismo e um conceito editorial diferente, baseado numa edição fotográfica sólida e naquilo a que se tem chamado “long stories”, com um pé na actualidade e com outro na reflexão sobre os acontecimentos. Tenho na mão a edição com a data de 13 de Junho, na capa está o título “Finding The Next Facebook - Meet The Tech Investors With The Midas Touch”. Neste novo formato fotografias de página inteira são frequentes (a livraria Lello, do Porto, está numa delas num artigo sobre as livrarias que tentam novos modelos de negócio). Aliás as primeiras páginas da revista funcionam sob o título “Big Shots” e são fotos em página dupla de temas da semana. Há um ângulo diferente nas coisas - por exemplo, o mundial de futebol é olhado do ponto de vista da equipa da Bósnia, que chega à competição pela primeira vez. O artigo sobre as start-ups surge como um verdadeiro manual, de tão bem informado que é. E, contrariando o habitual comportamento politicamente correcto a revista dá conta de como o cientista que chamou a atenção para o degelo na Antártica considera que o aquecimento global pode ter vantagens.


 


VER - Quando lhe apetece ir ver arte e não sabe onde ir há-de ter uma vida difícil pela frente se seguir apenas os jornais, quer diários, quer semanais. Se existe uma área da actividade cultural que é mal coberta, essa área é a das galerias e das exposições, quer se realizem em pequenos locais ou em grandes museus. Apenas alguns nomes consagrados e mega eventos conseguem ganhar atenção e espaço mediático. A crítica é cada vez menos crítica e a divulgação pouco existe. E isto acontece apesar de as galerias de arte serem, já o tenho aqui escrito, um importante serviço público - proporcionam-nos, gratuitamente, a possibilidade de nos confrontarmos com a criação contemporânea - é nas galerias que aparecem as obras que significam rupturas, que trazem novidades, que experimentam novos caminhos. E, apesar disto, sabemos pouco delas. Desde há uns anos existe um site português - www.gategalleries.com - que é um guia precioso para saber o que se passa (na sua secção de agenda) e que tem um directório muito completo de todos os locais que se dedicam a artes plásticas por todo o país. Criado e dirigido por Maria Lacerda, o GateGalleries é de visita obrigatória para quem quer saber onde ir. Foi tecnicamente remodelado há pouco tempo, tem visualização fácil nos vários formatos de dispositivos móveis e navegação rápida num grafismo simples. Ali estão todas as possibilidades, cabe-lhe a si decidir.


 


OUVIR - Não é muito frequente encontrar um disco onde mãe e filho se juntam - mas “Childhood Home”, de Ben Harper e da sua mãe Ellen, é isso mesmo. Uma visita ao passado, com canções assinadas pelos dois, integralmente acústicas, com forte matriz folk e cujos temas são as recordações e as mamórias de tempos que já passaram. Ouvindo Ellen a tocar, e escutando algumas das canções que ela compôs, sobretudo “City Of Dreams” e “Altar Of Love”, percebe-se onde Ben foi buscar o seu talento. O disco tem dez canções, seis de Ben Harper e quatro de Ellen e o tema de entrada, “A House Is A Home” é logo uma bem sucedida declaração de intenções. Outro tema a registar é “Born To Love You”. O disco evita piegices e complacências maternais. Não é por acaso que Ben Harper descende de uma família de músicos - os seus avós fundaram em Claremont o California’s Folk Music Center and Museum , onde a sua mãe trabalhou toda a vida e onde o jovem Ben se cruzou com nomes como Ry Cooder ou Taj Mahal, que eram visitas habituais.


 


PROVAR - O brunch é essa mistura de breakfast e lunch que vai ganhando adeptos ao fim de semana e feriados. Depois de uma busca pela net, a escolha recaíu no "Pāo Nosso" , que fica nas avenidas novas, na Rua Marquês Sá da Bandeira 46, com uma pequena esplanada em frente ao jardim da Gulbenkian. O seu brunch ganhou fama no admirável mundo digital. Há três variedades de brunch, uma é dupla e foi a escolhida. Inclui um cesto de pāo bem aviado e uma tábua com três variedades de queijo, além de presunto, salmāo fumado, manteiga, um bom azeite, mel de rosmaninho e doce. Nos quentes deveria haver quiche com salada, mas como às duas e um quarto já estava esgotada, foi sugerida uma tiborna acompanhada por salada e tomate recheado com queijo de cabra - a tiborna estava apenas um pouco acima de mediana, sobretudo por defeito no corte e preparação do pão. Para rematar, além de um iogurte natural com mel, também já esgotado à mesma hora, vale a pena experimentar  a tarte de maçā - a salada de frutos, outra possibilidade, é sensaborona. A ementa deste brunch duplo inclui bebidas frias e quentes para duas pessoas e, sem extras, fica nos 28 euros. Se nāo quiser o brunch, que é servido do meio dia às quatro, pode sempre optar por uma das sanduíches da casa - estas existem todos os dias da semana. O balanço do brunch do Pão Nosso, no dia visitado, foi de 13 em 20. Fraco para os elogios lidos na net. Para informações o telefone é 210 107 222.


 


DIXIT - “Necessitamos de política e de jornalismo mais reflexivo...Ser moderno não é utilizar corretamente e eficazmente o Twitter ou dar bons soundbites. Ser moderno é ter coragem de pensar, discutir e falar acertadamente”. - João Adelino Faria.


 


GOSTO - Do regresso de Pedro Rolo Duarte à televisão, pela mão da RTP2 e do programa “Tanto Para Conversar”, ao fim da noite das terças feiras.


 


NÃO GOSTO - Do abuso de poder, completamente ilegsl, da segurança de Cavaco, ao ordenar a um fotojornalista que apagasse a fotografia do desmaio presidencial.


 


BACK TO BASICS - “A renúncia é a libertação. Não querer é poder” - Fernando Pessoa  

junho 06, 2014

SOBRE O PROGRAMA DE GOVERNO DO...TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

GOLPISTAS - No dia em que o Tribunal Constitucional decidiu propôr o aumento de impostos, como medida alternativa às medidas de redução da despesa que reprovou, entrou no caminho de querer impôr um programa de Governo. Esse caminho, para que não existam dúvidas, é o percurso que leva aos golpes de Estado. O Tribunal Constitucional passou a ser desde a semana passada candidato a putschista. Não é uma boa notícia. Na sala onde o Tribunal Constitucional anuncia as suas decisões, sempre com atraso sobre a hora marcada (o que diz muito sobre o respeito dos juízes pelos cidadãos), há uma tapeçaria criada a partir de uma obra de Eduardo Batarda que é bem simbólica - linhas que se cruzam e enredam num novelo difuso e confuso, impossível de destrinçar. É a imagem ideal para ilustrar o Tribunal Constitucional que temos. Os impostos que o Tribunal deseja, como bem lembrou neste jornal Fernando Sobral, transferem rendimentos de todos para uma entidade que os esbanja, e que é o Estado. Na realidade os impostos espremem o trabalho e estrangulam o investimento. Neste terceiro ano da legislatura percebem-se bem os nefastos efeitos da falta de reforma do Estado - cuja ausência é na realidade  o chapéu de chuva onde se abriga a parte do Tribunal Constitucional que quer governar. Como bem escreveu Miguel Cadilhe esta semana a nossa Constituição obriga o Estado a prosseguir muitos fins mas nunca se refere aos meios necessários para os alcançar. Esse é o nosso problema. Mas pelos vistos o Tribunal Constitucional não tem essa preocupação porque acha que a receita é simples: mais impostos. Quererão os juízes formar uma junta governativa? Serão eles os golpistas contemporâneos? O regime chegou ao pior dos impasses.


 


SEMANADA - Com o golpe anunciado pelo Tribunal Constitucional, António Costa, esperto, diz querer clarificar tudo no PS ainda nesta semana; António José Seguro diz que antes de Setembro não há primárias; vários lideres distritais do PS marcaram reunião à revelia da direcção de Seguro; Augusto Santos Silva critica “incapacidade do PS” de Seguro; Seguro diz que “se anulou” no PS para manter a paz interna; segundo José Sócrates “liderança bicéfala só no Vaticano, que tem dois papas”; depois de ter considerado em Maio de 2011 que a saída de Portugal do euro seria inaceitável por ser a pior das soluções, Francico Louçã regressou à política para sugerir agora que a saída da moeda única poderá ser a única  solução para Portugal; Rui Tavares, líder do “Livre”, anunciou em entrevista que vai estudar latim; soube-se esta semana que um Manual do SIS recomenda aos espiões a violação da lei em matérias como os dados bancários e dados das operadoras telefónicas; esta semana a Presidente da Assembleia da República foi desautorizada duas vezes na conferência de líderes parlamentares; mesmo assim a Assembleia da República encontrou tempo para aumentar em 38% os membros da Comissão Nacional de Eleições responsáveis pela confusão em torno dos debates eleitorais e co-responsáveis, com os partidos, pelo desinteresse face aos actos eleitorais.


 


ARCO DA VELHA - O presidente do Sporting comparou esta semana o futebol a um“ânus”, com duas “nádegas imponentes de onde ou sai vento mal cheiroso ou trampa”.


FOLHEAR - Na “Vanity Fair” de Junho, destaco dois artigos - o perfil de Jon Hamm, o actor que protagoniza Don Draper em Mad Men, e que agora começa uma carreira no cinema com “Million Dollar Arm”, e um magnífico relato da vida do fotojornalista Robert Capa, centrado na sua cobertura do desembarque aliado na Normandia. Outra peça muito interessante é aquela em que Matt Bernan recorda os tempos em que foi o director criativo da revista “George”, criada por John F Kennedy Jr em 1995. Diane Keaton é quem responde este mês ao dicionário de Proust na última página da revista e o retrato de Annie Leibowitz vai para Sting. Dois dos casos noticiosos dos anos 90 - o incidente do vestido azul de Monica Lewinski e a fuga de O.J. Simpson coberta em directo pelas televisões - são pretexto para visitar a década que vulgarizou a tabloidização da informação. Para quem gosta de espionagem industrial o relato da guerra entre a Apple e a Samsung é uma peça imperdível.


 


VER - No momento em que Délio Jasse é um dos finalistas do BES Photo deste ano, com a sua participação exposta no Museu Berardo, a Galeria Baginski, que representa o artista, dá provas da sua atenção á actualidade e apresenta uma exposição inédita, “Terreno Ocupado”, que mostra duas facetas da obra do artista. Délio Jasse usa a fotografia para expressar a sua interpretação do mundo. Não documenta, fica-se por mostrar, juntar peças e propôr uma leitura. Consegue fazê-lo de duas formas diferentes - fantasiando e propondo quase colagens de imagens na série “Os Tinhas” e nas duas peças sem título de película sobre acrílico; e, por outro lado, mostrando uma visão do quotidiano, distorcida de várias formas, na série “Hora do Comércio” e, sobretudo, na série que dá título à exposição, “Terreno Ocupado”, onde por vezes se sente a proximidade com o trabalho de manuseamento da realidade de Ed Ruscha na California do final dos anos 60. O “Terreno Ocupado” (na imagem aqui reproduzida) de Délio Jasse, é a Luanda que ele quer mostrar.


 


OUVIR - Um académico chileno desenvolveu uma teoria chamada “o género portuário” - diz ele que alguma da música que se ouve nas docas de várias cidades costeiras da América do Sul tem origem na guitarra e na voz do fado -  nomeadamente estará na origem do tango, do bolero ou da ranchera. Daniel Gouveia, que em 2001 acolheu esse académico, Miguel Angel Vera Sepulveda, no I Colóquio Internacional do Fado, em Lisboa, e que foi o lado português das investigações do etnomusicólogo chileno, explica como tudo aconteceu nas notas introdutórias de “Amália, de Porto em Porto”, um novo CD que reúne um conjunto de gravações inéditas em disco. São 16 canções, muitas delas gravadas de forma rudimentar e maioritariamente cantadas em castelhano. Aqui estão clássicos como “Fallaste Corazon” (que Amália interpretaria várias vezes ao vivo, apresentando o tema como um fado mexicano), “Por Un Amor”, “No Llamarme Petenera”, “Mala Suerte”, “La Cama de Piedra” ou “Tres Palabras”, além de uma deliciosa versão de “Lisboa Não sejas francesa”. Estas gravações foram feitas no México, em 1950, e são agora editadas em CD, pela primeira vez, pela Valentim de Carvalho. A edição inclui ainda um texto de Miguel Angel Vera Sepulveda onde ele relata como foi descobrindo etas gravações, as suas conversas com Amália e a sua convicção das relações do fado com estas canções portuárias.


 


PROVAR - Este é um restaurante especial - ao almoço há um buffet a preço económico e ao jantar há escolha entre três menus - um filipino, outro italiano e um português. A responsabilidade da variedade geográfica da escolha é do Chef, um cozinheiro filipino que esteve anos no La Trattoria e aí se dedicou à cozinha italiana. O buffet muda todos os dias, custa seis euros, tem várias entradas e pelo menos cinco pratos principais em opção, que vão variando ao longo dos dias da semana. Escolhi o menu filipino e depois de uns bons crepes de vegetais, bem  crocantes, acompanhados de chutney, veio um frango em molho de soja e tamarindo;a  terminar,  torta doce. Do outro lado da mesa a esolha foi italiana . um carpaccio, ligeiramente ácido em demasia, um risotto que estava honesto e um tiramisú. Mas é na cozinha filipina que este restaurante brilha - exemplos são o kare-kare, um osso buco com estufado de couves, com molho de amendoim e farinha de arroz torrada. Na mesa ao lado olhei com inveja para uns camarões na chapa com alho, pimentos e cebola e noutra mesa estava uma salsicha filipina, de carne de porco com especiarias e cana de açucar, acompanhada de um ovo estrelado. O tradicional bife tem um toque filipibo - o adobong baka  é um bife de vaca à portuguesa temperado com a acidez do tamarindo. Dois menus e vinho, ficou tudo por 35 euros. O restaurante encerra á segunda-feira e senta 40 pessoas numa sala confortável com um tranquilo tom de azul. Normalmente tem mais gente ao almoço que ao jantar, a escolha de vinhos é curta mas os preços são razoáveis, a cerveja é bem tirada, e é evidente que acolhe muita clientela de bairro. O Kababayan fica na Rua Marquês da Fronteira 173 A, telefone 218 220 209.


 


DIXIT - Comentando a decisão do Tribunal Constitucional, o constitucionalista Vital Moreira, declarou-se preocupado com “o facto de as regalias da função pública terem de ser pagas pelos contribuintes, incluindo os que, no setor privado, não gozam da mesma proteção no emprego nem das mesmas remunerações do setor público”.


 


GOSTO - Da declaração de voto de Maria Lúcia Amaral no Tribunal Constitucional.


 


NÃO GOSTO - Da apetência de Joaquim Sousa Ribeiro, presidente do Tribunal Constitucional, pelo confronto político.



BACK TO BASICS - Nunca devemos pedir aquilo que temos poder e capacidade de obter sem ajuda - Miguel de Cervantes

maio 30, 2014

ESTE VAI SER UM ANO DE GUERRILHA

GUERRILHA _ Vamos ter um ano bem agitado em matéria de política até às próximas legislativas, em 2015 - guerrilhas internas nos partidos, mudanças nas suas direcções, a começar pelo que já está à vista no PS, e alguma conversa de ocasião sobre a necessidade de mudanças no sistema político, provavelmente uma remodelação estival do Governo. O movimento vai ser contagiante a todo o espectro e a reunião do Conselho Nacional do PSD mostrou que Passos Coelho preferiu ser o primeiro a falar de necessidade de proceder a alterações, pelo menos na forma de agir.  Desta vez os partidos do chamado arco da governação, ou o Bloco Central se preferirem, apanharam um susto: a abstenção foi maior do que temiam e aqui, como noutros países, movimentos à margem dos sistema foram os únicos a poder verdadeiramente reclamar vitória - é o caso de Marinho Pinto. Se juntarmos a abstenção, os votos brancos e os nulos chegamos à conclusão que só 26,5% dos eleitores votaram num dos concorrentes. O que se passa no fundo é simples: muitos eleitores preferiram não votar a votarem contrariados e isso atingiu de forma dura o PS, a coligação e o Bloco de Esquerda que, cada um à sua maneira, se tornaram incómodos para a sua própria base eleitoral. O que se passa é que com o andar dos anos os partidos viraram-se para dentro e vivem centrados nos seus umbigos - preocupam-se mais com as eleições internas, com o apoio das distritais e do aparelho, do que com a relação com os eleitores, com os seus simpatizantes e votantes. No fundo os partidos desprezam o regime e só se lembram dele quando os votos se tornam num bem escasso. Nas legislativas, ao contrário do que se podia pensar há uns meses, está tudo em aberto e a única certeza que pode agora existir é que vão ser renhidas e a campanha vai ser longa - começa já agora.


 


SEMANADA - A transmissão da final da Champions League na TVI teve mais espectadores que a noite eleitoral nos três canais (RTP, SIC e TVI) em conjunto; a análise de algumas sondagens indicia que a entrada de Sócrates na campanha do PS teve por efeito uma queda nas intenções de voto nos socialistas; Marinho Pinto admite ser candidato presidencial; Miguel Relvas voltou a intervir no Conselho Nacional do PSD, disse que nas eleições de domingo “perderam todos” e defendeu a reforma do sistema político; no domingo o PS falava em vitória, e segunda já tinha começado a discutir a convocação de um congresso extraordinário;  Manuel Alegre diz que Seguro “não tem que ter medo do congresso”; Edite Estrela diz que “é necessário que haja um congresso”; Francisco Assis diz que “não se deve colocar a questão da liderança”; Carlos Zorrinho diz que se revê no que disse Francisco Assis; Ana Gomes diz ser “inoportuna e desajustada” a disputa pela liderança do PS; António Galamba diz que não há condições “para andar todos os dias a brincar aos congressos”; Vieira da Silva diz desejar que se clarifiquem as posições; João Galamba sublinhou que nas eleições “o povo disse que este PS não chega, é preciso mais”; Mário Soares considerou o resultado do PS nas europeias uma “vitória de Pirro”; João Soares disse no Facebook que “o PS português teve uma clara e boa vitoria nas eleições europeias de domingo” e considerou a possibilidade de um congresso extraordinário “um disparate total”; Jorge Lacão demitiu-se da direcção do PS, defendendo a realização de um Congresso extraordinário; No Rato António José recebeu António Luís, que llhe solicitou a convocação de um Congresso e, em resposta, Seguro emitiu um comunicado onde diz que “o Secretário Geral do PS registou a posição do Dr. António Costa”.


 


ARCO DA VELHA - Em Lisboa um carro da PJ, identificado e em serviço, cujos agentes iam fazer uma detenção, foi considerado mal estacionado e rebocado pela PSP; uma casa de alterne, na região de Felgueiras, que esta semana foi alvo de uma acção policial, era o patrocinador oficial das camadas jovens de futebol da Lixa, localidade onde estava instalado o Impetus Bar.


 


FOLHEAR - Editado originalmente em 1918, e agora reeditado, o livro  “A Malta das Trincheiras” é um espantoso documento sobre a  I Grande Guerra, escrito por André Brun, um português de origem francesa que foi levado a combater em França. André Brun foi um cronista da sua época, assinou como dramaturgo obras como ”A Maluquinha de Arroios”, foi argumentista de filmes como “A Vizinha do Lado” e foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Autores. André Brun foi ainda um dos combatentes do corpo expedicionário português, onde ganhou a medalha da Cruz de Guerra. O título original do livro é “A Malta das Trincheiras - Migalhas da Grande Guerra: 1917-1918”. É  um livro de relatos de guerra, que vive de um grande poder de observação, feito em pequenos capítulos, cada um deles uma história,  reconstituindo o ambiente das trincheiras. Mais que uma reportagem, relata numa prosa elegante episódios do quotidiano, a convivência com soldados de outras nacionalidades, mas também a vida nas pequenas quintas que serviam de abrigoa, ou as dificuldades do diálogo em línguas diferentes. Não são escondidos os mortos nem os feridos, são relatados os problemas e os casos, é contado o medo e o humor em tempo de guerra, a aventura de manter a vida em cidades e terras transformadas em lugares mortos por onde se sobrevive. Uma edição Guerra & Paz.


 


OUVIR - Depois de três álbuns de inspiração clássica, o 14º registo de estúdio de Tori Amos volta ao formato que lhe deu notoriedade, baseado na sua voz e no piano, que alterna entre momentos de uma grande intensidade, outros de uma enorme melancolia e outros de uma desarmante intimidade. “Unrepentant Geraldines”, agora editado, parte de ambientes inspirados pelas artes visuais, para abordar temas como a religião, ou o envelhecimento e o sexo, com a elegância da fantasia. A canção título, “Unrepentant Geraldines” é uma viagem ao passado musical de Tori Amos e as canções mais simples, baseadas na voz e piano, como “Oysters”, “Invisible Boy” e “Selkie” são bem conseguidas, e “Wild Way” ou “Wedding Day” são marcantes, confessionais quase, enquanto “16 Shades of Blue” ou “Giant’s Rollin Pin” são de um experimentalismo inesperado. Em qualquer dos casos há um ponto comum - a qualidade das interpretações vocais mostra que Tori Amos, a cantora, está em grande forma.


 


VER - De entre os trabalhos de Délio Jasse, José Pedro Cortes e de Letícia Ramos sairá o vencedor deste ano do BES PHOTO, que vai na sua décima edição -  e a respectiva exposição inaugurou esta semana no Museu Berardo. No MUDE, Rua Augusta 24, apresenta-se a moda dos anos 80  Estão representadas criações de  Vivienne Westwood e Malcom McLaren, empresário dos Sex Pistols, mas também de John Galliano, Claude Montana. Thierry Mugler, Alain Mikli, Azedine Alaïa, Romeo Gigli, Sonia Rykiel, Comme des Garçons, Issey Miyake e Jean-Charles de Castelbajac. “Os Iconoclastas dos Anos 80", a exposição que reúne estas peças exibidas em conjunto pela primeira vez em Lisboa, pode ser vista no piso 1 do Museu do Design e da Moda, até ao dia 31 de agosto. Finalmente neste fim de semana inaugura na Galeria das Salgadeiras (Bairro Alto, Rua das Salgadeiras 24, até 31 de Julho) a exposição “Leve Linha” de Teresa Gonçalves Lobo, composta por desenhos a tinta da china (aqui mostrado na imagem) , que são uma imagem de marca da artista.


 


PROVAR - Eu gosto de iscas, de iscas bem temperadas, cortadas finas, às vezes com elas tradicionais, às vezes com elas fritas. Elas, claro, são as batatas - cozidas aos quartos ou fritas aos palitos. As iscas são um prato oriundo das velhas casas de pasto, finas fatias de fígado, inicialmente de bovinos e , depois das vacas loucas, apenas de fígado de porco. Têm que ser finas em toda a extensão , não se aceitam iscas aos zigue-zagues com pedaços mais grossos. O molho há-de levar o toque certo de vinagre, que realça o paladar e terá que ser espesso. As iscas, bem temperadas, são um coisa única, um petisco. Os restaurantes populares com boa cozinha são os que melhor as confeccionam. Vou dar dois exemplos diferentes, mas afamados. Um fica nas Avenidas Novas e outro em Campo de Ourique. Na Avenida Conde de Valbom 87, em boa hora fechada ao trânsito no tempo em que João Soares era Presidente da Câmara, fica o Jaguar, casa afamada, sala estreita de entrada, ampla no final, agora também com esplanada convidativa. O Jaguar é uma referência das avenidas novas, local manda a tradição culinária e onde as iscas existem sempre e são dos pratos mais procurados. O outro, na Rua Coelho da Rocha 91, é o Bar Venezuela, casa mais pequena, interclassista assumida, com cozinha bem portuguesa e familiar, com um inesperado mas interessante toque de piri-piri no tempero das iscas, servidas como prato do dia às segundas-feiras. Os dois restaurantes vivem de receitas populares e tradicionais e primam pela boa confecção. E são módicos no preço e abastados na simpatia.


 


DIXIT - “Lá vamos ter novamente António José Seguro a ficar António José Inseguro” - Morais Sarmento nos comentários da noite eleitoral.


 


GOSTO - Da abstenção tomada como um aviso


 


NÃO GOSTO - Da indiferença dos partidos face aos resultados eleitorais, como se a culpa fosse dos eleitores



BACK TO BASICS - “O linguajar dos políticos é feito de forma a fazer parecer que as mentiras são verdades e o assassínio algo de respeitável, e também para dar um ar de solidez a coisas que mais não são que vento” - George Orwell

maio 23, 2014

SOBRE A AGITAÇÃO DO FIM DE SEMANA

ABSTENÇÕES - Neste fim de semana os portugueses vão dividir-se entre os que seguirão a final da Champions League nas suas várias vertentes, no sábado,  e os que seguirão o acto eleitoral de domingo. Aposto que o futebol vai ganhar às eleições. Não me surpreendo graças a uma campanha sem ideias, feita de chavões e lugares comuns. Se fizermos bem as contas, apenas nove dos 18 partidos que se apresentam nas eleições têm alguma espécie de existência e, destes, pouco mais de metade tem alguma actividade política e cívica regular - nos outros há de tudo, até barrigas de aluguer que é aquilo em que o MPT se transformou. As campanhas eleitorais foram miseráveis - a propaganda política desceu a níveis ainda mais baixos que aquilo que se podia imaginar. A Comissão Nacional de Eleições continuou a cumprir o seu papel de guardiã do absurdo: num cenário em que apenas meia dúzia de concorrentes têm alguma existência palpável, como é que se pode defender debates entre todos os participantes? Como se pode defender a igualdade de tratamento a quem não tem igualdade de presença na sociedade nem igualdade de comportamento? Tudo isto é criminosamente ridículo - ainda para mais com o completo desfasamento entre a realidade dos media actuais e a lei existente. Prova disso é que houve mais debate em meios exclusivamente digitais do que nos media tradicionais.  Quando se fizer a contabilidade das abstenções no próximo Domingo os políticos e os partidos escusam de se lamentar - a culpa do desinteresse das pessoas é deles, é estimulada por eles e dá-lhes jeito para que o círculo fique cada vez mais estreito. Como dizia Vasco Pulido Valente, “para a generalidade dos portugueses uma cara é uma cara e um político é um intruso que nos fala sem razão ou autorização”.


 


SEMANADA - António Capucho apoia o PS; Joana Amaral Dias saíu do Bloco de Esquerda para apoiar o PS; O tal Zé que fazia falta ao Bloco de Esquerda, foi agora plantar papoilas, que é como quem diz, apoia o Livre de Rui Tavares; a candidata do Bloco de Esquerda às eleições europeias defendeu que o surf devia ser incluído nos currículos escolares; um partido anti União Europeia aparece à frente nas sondagens da Grã Bretanha, onde se prevê que a abstenção possa chegar aos 75%; em 2013 a carga fiscal chegou aos 34,9% do PIB, contra 32,4 em 2012; a carga fiscal sobre as famílias aumentou 35% desde 2010; António José Seguro divulgou 80 promessas para o caso de vir a ser Governo que significam um aumento de despesa de 830 milhões de euros por ano; o ajustamento da troika estava previsto vir dois terços do lado da despesa e um terço da receita mas acabou com quatro quintos do lado da receita e um quinto do lado da despesa; em cinco anos fecharam nove mil reatuarantes; 300 mil portugueses emigraram: a taxa de desemprego subiu para 16,3%; o Conselho de Estado não reúne há um ano; metade das famílias ganha menos de 835 euros por mês; em Portugal, 41% do IRS é pago por 13% das famílias; metade do IRS foi pago por quem tem salário até 1500 euros; só uma em cada quatro famílias ganha mais de 19.000 euros por ano; 44% das receitas de cinema são feitas na zona da Grande Lisboa, segundo a Marktest; Mick Jagger tornou-se bisavô a poucos dias de actuar de novo em Lisboa.


 


ARCO DA VELHA - Em nove meses, entre Julho de 2013 e Março deste ano o comboio Celta, que assegura a ligação directa entre Porto e Vigo duas vezes por dia transportou uma média de 26 passageiros em  cada viagem, o que significa uma taxa de ocupação de 12% em relação aos 228 lugares disponíveis. O prejuízo registado nestes nove meses foi de 1,2 milhões de euros.


 


FOLHEAR - Tenho um palpite que os responsáveis da TAP devem andar todos contentes a comprar exemplares da edição de Junho da “Monocle”, tal é o elogio que lá é feito à companhia aérea portuguesa. Na razão do elogio está o número de ligações para o Brasil, que cresceu para 12 rotas com 82 vôos semanais incluindo, sublinha a revista,  destinos pouco usuais noutras linhas aéreas como Manaus e Belém. A TAP é caracterizada pela “Monocle” como a companhia que liga um continente do norte, a Europa, a dois continentes a sul, África e América do Sul. Para além da TAP, Portugal aparece referido mais duas vezes: no bem concebido especial de 12 páginas sobre a Taça do Mundo no Brasil há um destaque sobre a cobertura de TV e Rui Tovar aparece bem apresentado como uns decanos do jornalismo desportivo. Finalmente uma oficina de marcenaria artesanal no Porto, dedicada à produção de exemplares únicos de cadeiras pela mão de Alípio de Sousa, completa o leque de referências lusitanas. Outros pontos de interesse são a Feira de Arte Contemporânea de Silicon Valley, o novo conceito de centro comercial surgido no remodelado Bikini Berlim e, para rematar, uma bela conversa entre o produtor Jeremy Thomas e o realizador Ben Wheatley sobre o estado do Cinema.


 


VER - Até 28 de Setembro pode descobrir os “Olhares Contemporâneos” que o colectivo de fotografia kameraphoto fez sobre o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga. O projecto insere-se numa residência feita sob a égide da Fundação EDP. Os elementos da Kameraphoto tiveram oportunidade de contactar com os conservadores e técnicos do Museu, de descobrir o acervo e as diversas colecções, percorrendo o dia a dia dos bastidores do Museu Nacional de Arte Antiga, fazendo o papel de visitantes. Nelson D’Aires, Augusto Brázio, Valter Vinagre, Pauliana Valente Pimentel, Céu Guarda, Alexandre Almeida, Guillaume Pazat e Jordi Burch.


 


OUVIR - Na criação artística existe um talento inato e existe o talento adquirido. Os melhores artistas são os que surpreendem no princípio da carreira e depois continuam a procurar formas de exprimir a sua criatividade, procurando sempre surpreender. São os que se preocupam com a evolução da sua obra, que amadurecem ideias e continuam inconformistas, evitando acomodarem-se. Isto acontece com escritores, actores, realizadores, pintores… e músicos. Rita Red Shoes mostra os seus progressos neste seu terceiro disco, “Life Is A Second Love”, uma prova da sua evolução que também se evidencia na escolha do produtor, o brasileiro Gui Amabis que assina a única canção que não é da própria Rita Red Shoes, “Curve Dance Dreams”. É certo que eu pessoalmente desejaria que o amadurecer de Rita a levasse a cantar em português para que todos percebam como ela não gosta de ficar sentada à espera que as coisas sucedam. Enquanto issso não acontece vale a pena ouvir este disco musicalmente tão interessante e parar um pouco em torno de canções como “No Matter What”,  “Words Words”, “Floret” ou “In This White Room”.


 


PROVAR - Restaurantes com boa vista são já de si raros; com boa vista e boa comida ainda mais; com boa vista, boa comida e boa garrafeira a coisa torna-se inusitada; se juntarmos a isto uma cozinha capaz de preparar uma refeição em condições para duas dezenas de pessoas em simultâneo tudo fica mais invulgar. Esta semana regressei ao Claro, no Hotel das Palmeiras, em Paço de Arcos, onde há pouco mais de dois anos o chefe Vitor Claro vem ganhando cada vez melhor reputação. Tratava-se de um aniversário e a celebração gastronómica correu bem - desde os aperitivos iniciais (pequenas sanduíches de pataniscas e pimentos que alternavam com outras, de salmão fumado) até ao pudim de água, simples e perfeito, passando por uns ovos mexidos com cogumelos que estavam superiores. Mas confesso que o que mais me espantou foi a forma perfeita como o robalo do mar, cozinhado ao vapor, apareceu no ponto perfeito, fresquíssimo e saborossíssimo, em simultâneo para 20 pessoas. Já em anteriores ocasiões tinha gostado do local, onde na varanda o sol se põe sobre o mar, na marginal, com uma luminosidade única. Mas a verdade é que a cozinha supera a vista e acreditem que neste caso o desafio não é fácil. Restaurante Claro, Avenida Marginal, Curva dos Pinheiros, telefone 214 414 231. Já agora fiquem a saber que o afamado pão do chef Claro, assim como alguns dos vinhos que o excanção Ricardo Morais recomenda, e petiscos diversos, de queijos a compotas, podem ser encontrados na loja Momentos do Paço, no centro histórico de Paço de Arcos, na Rua Costa Pinto 27.


 


DIXIT - “Só para dizer que, se me obrigarem a escolher, prefiro o Jorge Jesus a falar da Paula Rego do que o Sócrates a falar de Rimbaud” - Ana Cristina Leonardo, no Facebook.


 


GOSTO - De recordar que a liberdade de voto inclui a liberdade de abstenção


 


NÃO GOSTO - Da existência de eleições europeias para eleger um largamente inútil parlamento europeu.



BACK TO BASICS - “Aparentemente a democracia é uma situação em que são realizadas numerosas eleições, com custos elevados, sem temas evidentes e com candidatos que passam a vida a saltar de um lugar para outro”  Gore Vidal

maio 16, 2014

A tentação totalitária do futebol: quanto mais conversa, menos informação - ou como a bola rolando sobre o relvado se torna monopolista da informação

DIÁRIO - Estamos em plena campanha eleitoral e quando chego ao fim do dia gostava de saber o que se passa por aí - o que os governantes disseram em campanha, o que o Presidente disse na China (no Facebook é mais fácil segui-lo), o que alguns Ministros fizeram - se governaram ou se campanharam. Vamos imaginar que uma pessoa acaba de trabalhar por volta das sete e meia. Dá uma volta antes de ir para casa, fica a apreciar o pôr do sol e não segue a missa dos noticiários das oito.  Quando chega a casa faz um jantar simples, come devagar a ouvir uma música, conversa, conta o seu dia e ouve como foi o outro dia; um pouco antes das dez, acende a televisão para ver se há notícias nalgum dos vários canais informativos -  Portugal, por acaso, é o país europeu que tem mais canais informativos para o número de espectadores que possui. Percorre um canal após outro e constata que pelas dez da noite não há notícias - a RTP2 deu-as às nove, por cima do final dos outros noticiários, e SIC Notícias, TVI 24 e até RTP Informação estão todas elas empolgadas a falar sobre o jogo do Benfica com o Sevilha que vai acontecer. No dia a seguir estarão a falar do jogo que aconteceu, e por aí fora. É certo que posso ir à internet espreitar os sites - mas é por isso que os meios tradicionais perdem destaque noticioso e o entregam de bandeja a outros ecrãs. Espartilhados entre uma legislação absurda que regulamenta da pior forma a cobertura eleitoral e canais que se copiam uns aos outros, resta pouco de informação. Depois admiram-se da abstenção e de os candidatos enfrentarem ruas e salas vazias. As maiores manifestações deste ano celebraram vitórias desportivas e qualquer clube não precisa de oferecer jantares para ter gente a assistir mesmo aos treinos. Quando perceberem o tamanho da abstenção escusam de pensar muito nas causas. Elas estão à vista. A participação cívica na efeméride das célebres quatro décadas resume-se a ouvir os intelectuais da bola e pouco mais.


 


SEMANADA - 16 listas candidatas às eleições para o Parlamento Europeu disputam 21 lugares, menos um que nas anteriores; desde 1994 que a abstenção nas eleições europeias não baixa de 60% e há indicadores que apontam para que este ano posa aumentar bem além dos 65%; mais de um terço dos eleitores portugueses têm uma conta activa no Facebook; 53% dos italianos dizem não se sentir cidadãos da União Europeia; 47% dos cidadãos da União Europeia consideram que em matéria de dificuldades o pior ainda está para vir; o consumo anual per capita de bebidas alcoólicas em Portugal é de 12,9 litros, acima da média europeia de 10,9 litros; na administração central, regional e local há 563 595 funcionários, o que quer dizer que uma em cada dez pessoas que constituerm a população activa portuguesa tem empregio no Estado; António Guterres admitiu poder vir a concorrer à Presidência da República; Armando Vara, ex-governante no tempo de Guterres, foi condenado a pagar multa por causa de créditos a clientes para investimentos bolsistas que aprovou quando, anos mais tarde, foi graduado a vice-presidente da CGD; um assessor do Primeiro Ministro, num post escrito no Facebook, aconselhou “juízo e recato” a Mira Amaral e a Bagão Felix; o Estado está com dificuldades em encontrar quem o represente no duelo jurídico com a GALP porque a empresa contratou alguns dos maiores escritórios de advogados; soube-se que agora são as próprias Finanças a travarem a classificação de imóveis do Estado como monumentos nacionais para os poderem vender sem problemas.


ARCO DA VELHA - A revista “Risk”, especializada em mercados financeiros, considerou o swap vendido pelo Santander ao Metro do Porto como um exemplo de venda enganosa e candidato a pior contrato swap de todos os tempos.


 


FOLHEAR - Hoje recomendo um livro particularmente adequado aos tempos que correm e que tem passado despercebido, de incómodo que pode ser para quem gosta de ideias feitas. É, na conjuntura nacional, uma lufada de ar fresco - trata-se de um ensaio político, género raro nesta terra onde o pensamento é destratado. Ainda por cima este livro é muito bem escrito, porque o seu autor escreve muito bem, sem muletas nem complicações desnecessárias. Lê-se como se lê um bom livro de História - e na verdade é em parte disso que se trata. Falo de “Conservadorismo”, de João Pereira Coutinho, editado primeiro no Brasil e,  agora a seguir, em Portugal. No Brasil, onde escreve para a Folha de São Paulo, João Pereira Coutinho é talvez mais conhecido e estimado que em Portugal. É pena, e tenho a secreta esperança que esta História de ideias conservadoras que agora publicou ajude a rectificar essa injustiça. Existe infelizmente a absurda ideia de que o conservadorismo é uma coisa antiga e fora destes tempos - e um dos grandes méritos deste livro é precisamente o de nos levar a visitar o pensamento conservador contemporâneo. João Pereira Coutinho mostra como é possível “ser um conservador em política e um radical em tudo o resto” e sublinha que “ a actividade política não pode ser o pretexto ideal para cumprir um projecto particular, qualquer que ele seja e por mais nobre- em teoria - que ele seja” (edição Dom Quixote, Leya).


 


VER - É muito engraçado como uma ideia fora do que é rotina pode criar milagres de afluência de público que raramente visita galerias de arte contemporânea - foi o que aconteceu na inauguração de “Alice do Outro Lado da Passerelle” na  Galeria Luis Serpa Projectos, que apresenta até 19 de Junho uma exposição de uma centena de fotografias de João Bacelar, realizadas nos bastidores da Moda Lisboa. Esta é a terceira exposição do ciclo “Olho por olho, mente por mente”, comissariado por António Cerveira Pinto para os 30 anos da Galeria Luís Serpa (Rua Tenente Raul Cascais nº1, ao lado do Teatro da Cornucópia). Mais para cima, no Chiado, a Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38, frente ao Grémio Literário), apresenta até 27 de Junho uma exposição de desenhos de João Jacinto, “S&M e Outras Histórias”, à qual pertence a imagem aqui mostrada, e que promete também agitar as águas com as suas referências ao universo sado-masoquista.


 


OUVIR - O compositor Max Richter tornou-se conhecido com as suas obras para cinema, sobretudo com o trabalho para “Prometheus”, de Ridley Scott. Nascido na Alemanha, estudou composição no Reino Unido e em Itália. Recentemente a Deutsche Grammophon reeditou as suas primeiras obras a solo - “Infra”, “24 Postcards in Full Colour”, “Songs from Before and The Blue Notebooks”, inicialmente lançadas numa editora independente. Em simultâneo a Deutsche Grammophon editou a recomposição efectuada por Max Richetr sobre as “Quatro Estações”, de Vivaldi, aqui executadas com violino, orquestra de câmara e um sintetizador moog, tocado pelo próprio Richter. A coisa, em palavras, pode parecer estranha, mas o resultado final é surpreendente e mostra a capacidade criativa de Richter que aplica o seu talento encarando as composições clássicas como base de trabalho e território de misturas. Além do CD, esta edição de “Vivaldi Recomposed” inclui um DVD com uma performance de Max Richter e do violinista Daniel Hope, filmada em Berlim. Está ainda disponível uma app para iPhone que permite comprara o original de Vivaldi com a recomposição de Richter e seguir comentários, assim como ter acesso aos ensaios que levaram a esta obra. (Edição de CD e DVD disponível na FNAC e El Corte Ingles).





PROVAR - Nestes dias de primavera, quando o sol começa a aquecer, é bom encontrar uma esplanada no centro de Lisboa onde a sombra é dada por árvores e ramadas de arbustos que se envolvem entre si. Existe um lugar assim na Praça de Espanha, no restaurante Gondola.  Nos últimos tempos a casa evoluiu da quase decandência em que esteve há uns anos, modernizou-se sem perder a tradição e melhorou substancialmente. A lista continua a ser um reflexo das influências italianas que sempre teve, com algumas incursões à tradição gastronómica portuguesa. Na mesa, no couvert, além das boas azeitonas, o tomate seco mergulhado em bom azeite a acompanhar o queijo fresco é uma excelente ideia. Vale sempre a pena perguntar o prato do dia - coube-me  raviolaci frescos de robalo com um molho de tomate leve. Estava perfeito e funcionou muito bem com um branco seco. O serviço é atento, o ambiente é tranquilo e fica a apetecer ficar por ali mais um bocado da tarde. O estacionamento é fácil.


 


DIXIT - Reformar é ter melhores serviços públicos com menos impostos, e não cortá-los enquanto se aumenta impostos - Fernando Sobral


 


GOSTO -  A Católica Lisbon School of Business & Economics volta a integrar a lista das 50 melhores business schools do mundo na formação de executivos no ranking do "Financial Times" .


 


NÃO GOSTO - A grande maioria dos organismos da administração pública, mais de 80%, continua a não prestar contas sobre a sua actividade, violando a legislação.


 


BACK TO BASICS - Fazer política é como ser treinador de futebol: tem que se compreender o jogo e tem que se ser suficientemente idiota para se achar que é importante - Eugene McCarthy.


 


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maio 09, 2014

A NAU CATRINETA E AS SOLUÇÕES DO COSTUME PARA OS PROBLEMAS DO COSTUME

SINAIS - Uma síntese séria dos últimos dias resume-se a isto: os problemas do costume (excesso de despesa) foram resolvidos pelo método do costume (aumento de impostos). O resto, é folclore. À falta de ideias políticas, os protagonistas da vida nacional, num amplo espectro, aproveitaram também estes dias para provar que o ridículo não tem fronteiras ideológicas. Começo pelas “selfies” ao pé da estátua de Pessoa no Chiado tiradas por essa conjugação de interesses que incluíu Francisco Assis, António José Seguro, António Costa e Martin Schulz, um grupo que há-de ter feito o poeta dar saltos na tumba. E, claro, não posso deixar de referir a nau catrineta, essa extraordinária imagem da epopeia das descobertas recriada pelo poder contemporâneo. Eu, ao princípio, achei que aquilo devia ser um trabalho de photoshop. Depois garantiram que não. Eu não queria acreditar que os 40 anos do PSD fossem marcados por uma imagem destas - mas foi isso que aconteceu. Não encontro melhores palavras que as de Ferreira Fernandes, no “Diário de Notícias”, para descrever o momento: “Seis homens e outras tantas gravatas, entre empresário, primeiro-ministro, secretário de Estado da Cultura. guarda-costas e desconhecidos, encafuados numa caravela do tamanho de um táxi não dão boa imagem” . Sinceramente não consigo entender esta vontade e esta persistência de todos estes políticos em criarem caricaturas de si próprios. Termino com outra citação, que resume o que é, provavelmente o sentimento de muitos: “Francamente, não faz sentido condenar o programa de ajustamento com o argumento de que "Portugal está pior do que antes", pois isso era inevitável, em consequência do aperto de cinto orçamental e da recessão económica. Nenhum Governo poderia ter evitado isso. O que se pode questionar, sim, é, por um lado, saber se a gestão do programa de ajustamento não poderia ter sido melhor, menos penosa e mais equitativa”. As palavras são de Vital Moreira, que sobre esta matéria tem sido lúcido e partidariamente desapaixonado.


 


SEMANADA - Mais de 400 farmácias estão alvo de penhoras ou insolventes; mais de 1500 farmácias estão com o fornecimento de medicamentos suspensos por pagamentos em atraso; a mortalidade materna em Portugal caíu 44% desde 1990; há 58 agressores de mulheres internados por ordem judicial; em Estremoz um homem matou à pancada a advogada que estava a tratar do divórcio da sua ex mulher; em Lisboa alugam-se quartos a 2200 euros por uma noite na final da Liga dos Campeões; o fisco vai disfarçar inspectores na caça aos arrendamentos ilegais no turismo; o concurso para director-geral do fisco vai ser repetido por falta de “candidatos com mérito” para a função entre as 11 pessoas que concorreram; em Portugal as remunerações recebidas por cada cidadão até 6 de Junho destinam-se integralmente ao fisco, mais oito dias que em 2011 e mais 3 que no ano passado; o Ministro da Defesa classificiou de “maligno” o aumento de impostos; o Presidente da República utilizou o Facebook do cidadão Cavaco Silva para comentar, em tom satisfeito com a solução obtida, o anúncio de saída limpa de Portugal do programa de ajustamento; Pacheco Pereira perguntou, na “Sábado”, “porque razão toda a gente, inclusive vários membros do Governo, o Presidente, os principais responsáveis económicos nacionais e europeus e as agências de rating, defendia a existência de um plano cautelar, mesmo quando os juros já estavam baixo, e tal acabou por não acontecer?”; segundo a Marktest, no mês de Março 3 milhões e 683 mil portugueses acederam a sites de jornais e revistas, com um tempo médio diário de navegação nesses sites, por utilizador, de uma hora e sete minutos; a transmissão do Juventus-Benfica pela SIC foi vista por quase três milhões de pessoas.


 


ARCO DA VELHA - A junta de freguesia de Arruda dos Vinhos deve 114 mil euros à Caixa Geral de Aposentações, por descontos efectuados a funcionários entre 2000 e 2013 que não foram entregues à CGA,  e arrisca-se a ver o seu edifício sede penhorado e vendido em hasta pública.


 


FOLHEAR - A edição de Maio da revista “Wallpaper” é dedicada ao salão do móvel e do design de Milão mas verdadeiramente a parte mais interessante é uma reportagem sobre o que está a acontecer numa zona de Paris, em torno de uma rua, que está a ser inteiramente recuperada e a atrair uma nova geração de lojiistas. A iniciativa chama-se La Jeune Rue e desde restaurantes, pastelarias, cafés, um cinema, lojas de roupa, uma loja de vinhos e outra de queijos, livrarias, papelarias a geladarias, há de tudo um pouco. A ideia partiu de Cédric Naudon, um financeiro francês que depois de trabalhar nos Estados Unidos decidiu voltar a Paria e abrir um restaurante, “Le Sergent Recruteur”, que rapidamente ganhou uma estrela Michelin. A seguir abriu uma trattoria e depois começou a comprar lojas que estavam livres na rue de Vertbois - chegou às três dezenas. Naudon  decidiu apostar que as remodelações urbanas que deixam marcas partem da junção de pequenos projectos, uma ideia defendida pelo arquitecto italiano Andrea Brazi. Antes desta intervenção, o local onde tudo se vai passar era uma zona de comércio de roupa barata. La Jeune Rue vai bucar o seu nome a um poema de Guillaume Apollinaire e até a Wallpaper vai ter ali a sua primera loja. A reconversão  foi sempre feita por arquitectos escolhidos a dedo e em muitos casos este novo comércio vai vender produtos naturais, a partir de uma rede de 450 fornecedores escolhidos pela equipa de Naudon. La Jeune Rue está a estabelecer um novo conceito de comércio, animando toda uma zona e proporcionando aos seus habitantes uma oferta qualificada que antes não tinham. Aqui está um bom exemplo e uma boa razão para ler esta “Wallpaper” com atenção.


 


VER -  Semana preenchida com novas exposições para ver. Começo por “Passagem Para Um Outro Lado”, inesperadas marionetas construídas pela designer de jóias Teresa Milheiro e que vão estar no Sala do Claustro do Museu da Marioneta (Convento das Bernardas, Rua da Esperança 146) até 31 de Agosto. Inserida nas actividades do 30º aniversário da Galeria Luis Serpa Projectos (Rua Tenente Cascais 1B), João Bacelar apresenta “Alice do outro lado da passerelle” até 19 de Junho. Em “A Pequena Galeria” (Av 24 de Julho 4C), José M. Rodrigues apresenta, sob a forma de uma instalação pensada para o local, uma série de imagens fotográficas. Ainda na 24 de Julho, mas no 54 1º esq, a Vera Cortês Art Agency inaugura este sábado  a exposição “Shadow Piece” de Sophie Whettnall, que fica até 27 de Junho. Finalmente a partir da quinta-feira da próxima semana, nova série de exposições na Transboavista, Rua da Boavista 84, com exposições de João Fonte Santa, João Pina e Ana Rosa Hopkins, além de duas colectivas. Depois disto quem pode dizer que nada se passa nesta terra?


 


OUVIR - Vale a pena ouvir o inesperado “Taming The Dragon”, dos Mehliana. E o que é isso? Pois é a junção do pianista de jazz  Brad Mehldau com o baterista de jazz mas também percussionista de hip-hop e drum’n’bass Mark Guiliana. Com Mehldau a trocar o piano acústico pela electrónica dos teclados e Guiliana a trocar a bateria por máquinas de ritmo, em certos momentos, quando o ambiente do Fender Rhodes é dominante, como em “Luxe”, é impossível não pensar nas sonoridades de fusão dos Weather Report: Este disco mistura evocações de melodias pop com improvisações arrebatadoras e com temas densos como “Hungry Ghost” ou “Just Call Me Nige”. Os dois músicos entendem-se bem nesta inesperada reunião que já leva um ano de concertos ao vivo. Há uma década atrás Mehldau tinha-se aventurado pela electrónica com “Largo”, mas aqui o exercício não é uma aventura, é um manifesto de diferença.


 


PROVAR - Com o verão nasce a vontade de um vinho que possa acompanhar bem peixe e carne, que seja leve e fresco, de graduação moderada. Um vinho assim é o Quinta do Monte d’Oiro Lybra Rosé, saboroso, com leves aromas de frutos e com uma cuidada acidez,  feito a partir de uvas da casta Syrah, bonito de cor e com 11,5%. Não o encontrarão em supermercados, mas em garrafeiras escolhidas, a um preço que rondará os 8 euros. É extraordinário para acompanhar petiscos, saladas e até, já agora, algumas das novas conservas da marca José Gourmet e que incluem moelas de pato, caril de lulas, ventresca de atum ou petingas fumadas em azeite, e que se podem encontrar nas lojas de A Vida Portuguesa (Chiado e Intendente), no Delicatu - Avenida de Berna 42 A ( frente à Fundação Gulbenkian) e no Gourmet do El Corte Ingles, por exemplo.


 


DIXIT - “A posição do Bloco (de Esquerda) é fácil de explicar mas não sei se é percebida” - Marisa Matias, candidata bloquista ao Parlamento Europeu


 


GOSTO - Na semana em que Lisboa foi invadida por grandes navios de cruzeiros realiza-se no Campo Pequeno, de 9 a 11 de Maio, a Feira das Viagens.


 


NÃO GOSTO - As previsões apontam para que em 2014 e 2015 o PIB português cresça menos 0,4% do que a média da zona Euro


 


BACK TO BASICS - “A melhor forma de conseguir prever o futuro é sermos nós próprios a criá-lo” - Peter Drucker


 


 


 

maio 02, 2014

Sobre a importância do equilíbrio na política

POLÉMICA - Uma estranha polémica consome desde há algumas semanas dois sectores do Governo : de um lado aqueles que querem aplicar taxas sobre alimentos considerados poucos saudáveis e, do outro, entre os quais os Ministros da Economia e da Agricultura, aqueles que consideram tais taxas um perfeito disparate. Se outra coisa não houvesse, esta polémica aparentemente esotérica, serviria para mostrar as clivagens que existem no executivo em torno de questões que têm a ver com a forma como o Estado se posiciona face às opções dos cidadãos. Não vou elaborar muito sobre esta questão, até porque acho mais interessante sublinhar que em grande parte das civilizações orientais o equilíbrio perfeito entre o sal e  o açucar é o segredo para explorar sabores e assegurar uma vida harmoniosa, Recordo apenas que para os chineses, numa refeição, um prato deve ser doce (yin) e o outro salgado (yang); um quente (yang) e o outro frio (yin); um macio (yin) e outro crocante (yang). Na realidade os chineses acreditam que o equilíbrio entre esses dois elementos garante não apenas uma boa refeição, mas uma boa saúde. Pode ser que com estas notas se consiga uma maior unidade na acção do Governo. Ou então estamos perante um caso de equilíbrio entre opostos no governo, com um lado a fazer de yang e outro de yin. Resta saber quem, a seguir, vai saborear o repasto.


SEMANADA - Os tribunais penhoraram 181 mil reformas no ano passado; as dividas por cobrar nos tribunais já atingem 7,2 mil milhoes de euros; três juízas foram acusadas de forçarem insolvências de famílias, sob suspeita de que essas decisões são tomadas em benefício dos administradores de insolvência; piratas informáticos entraram no sistema do Ministério Público e publicaram na net os contactos pessoais de todos os procuradores numa operação a que chamaram “Apagão Nacional”; a criação de novas empresas caíu 12% no primeiro trimestre deste ano; a factura da austeridade aplicada nos últimos três anos ascende a 30 mil milhões de euros e apesar disso o défice e a dívida pública estão longe das metas definidas no início do programa da troika; segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2012, cerca de 24% das crianças estavam em risco de pobreza; em Portugal há 4.522.552 empréstimos concedidos a famílias; António Nogueira Leite considerou que era muito importante que Portugal tivesse um programa cautelar, e defendeu que Portugal não deve ser considerado pelo FMI como uma espécie de Vietname da Europa; o Ministro da Economia disse no início da semana que a descida de impostos deve ser uma das metas do Governo para o próximo ano; a Ministra das Finanças anunciou quarta-feira um aumento de impostos para 2015; a Albania decidiu fazer um rebranding; a freguesia de Alvalade, em Lisboa, também.


 


ARCO DA VELHA - O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa foi o responsável directo pela ocultação, ao longo de dois anos e meio, de relatórios internos da autarquia que descreviam práticas irregulares de serviços da câmara no domínio da adjudicação de obras, e isto apesar da existência de várias decisões judiciais estabelecendo que os documentos deviam ser facultados ao jornalista do “Público” que os solicitou.


 


FOLHEAR - A Monocle de Maio é a edição anual da revista que é dedicada ao Design - quem se interessa pela área tem muito que ler, desde o design aplicado a casas ou lojas até àquele que é aplicado em objectos de utilização quotidiana. Mas os encantos desta edição não se esgotam aí - há uma curiosa reportagem sobre o reino do Butão, um bom artigo sobre o que agências de publicidade brasileiras estão a fazer à volta do Mundial de Futebol, uma auscultação das novas tendências gastronómicas dos bistrots parisienses e uma elucidatava visita a uma estação de televisão que molda a imagem actual da Rússia e dos políticos de  Moscovo, o canal noticioso RT (Russia Tday), que já alcança uma centena de países, explicando os porquês de qualque acto de Putin..Num outro campo há uma boa conversa entre os criadores de duas séries emblemáticas da ficação televisiva - “House Of Cards” e a dinamarquesa “Borgen”. Como curiosidade refira-se que a sempre interessante rubrica dedicada aos meios de deslocação de governantes de diversos países é nesta edição dedicada a Xanana Gusmão (que usa um Toyota Land Cruiser nas viagens oficiais em Timor). O portfolio fotográfico que encerra cada edição é dedicado aos clubes de correspondentes estrangeiros de Toquio e Banguecoque.


 


VER - José Manuel dos Santos, director cultural da Fundação EDP, apresentou a exposição da edição deste ano do World Press Photo como “uma espécie de retrato do mundo dos nossos tempos”. É uma boa descrição não só desta exposição, mas também do que é o fotojornalismo. A fotografia vencedora deste ano, e que correu mundo, é “Signal”, de John Stanmeyer e mostra migrantes africanos na costa do Djibouti a tentar apanhar a rede de telemóvel mais barata da vizinha Somália. A exposição tem perto de 130 fotografias de 51 fotógrafos e mostra deste a actualidade - da guerra, de desastres naturais ou do desporto - até ensaios fotográficos, passando por retratos e fotografia de viagem. Ano após ano conseguem detectar-se no World Press Photo as tendências dos editores fotográficos, a evolução dos diversos géneros da fotografia e, no fundo, aquilo que os jornais e revistas procuram e publicam. Este ano a exposição é paga, a dois euros o ingresso, e todas as receitas revertem para  as Unidades Móveis de Apoio ao Domícilio da Fundação do Gil, que apoia crianças vítimas de doença prolongada. A exposição fica no Museu da Electricidade até 25 de Maio e, se tem um iPad ou iPhone pode fazer download da aplicação que está disponível e ver a exposição, ouvindo os autores das imagens a falarem sobre o seu trabalho.


 


OUVIR - Parece que Caetano Veloso deu um concerto fora de série, há alguns dias, no Coliseu. Quem não foi lá pode ter uma ideia do que se passou graças à recente edição de  "Multishow Ao Vivo - Caetano Veloso - Abraçaço" , que reproduz o concerto criado para a digressão de “Abraçaço”, o disco de originais de Caetano editado em 2102 e que no ano seguinte ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de cantor-compositor. “Abraçaço” era um disco excepcional, ouso dizer quase a síntese de uma carreira onde a inovação tem estado sempre presente. Para o registo ao vivo, efectuado no final do ano passado no Vivo Rio, com a sua Banda Cê, Caetano retoma os temas de “Abraçaço”, mas vai buscar também, e reinventar, temas seus clássicos e incontornáveis, como “Triste Bahia”, “Reconvexo”, “Alguem Cantando” ou “Você Não Entende Nada”. A captação de som (e de imagem, porque e xiste um DVD) são muito boas e reproduzem bem o ambiente de um concerto. Aqui está uma maneira de sentir Caetano ao vivo, mesmo que o não tenha visto nos Coliseus. (CD Universal)


 


PROVAR - Nesta altura do ano Sesimbra é um magnífico local para passear à beira mar. Andando na marginal, a seguir ao forte e em direcção à doca dos pescadores, encontra-se o restaurante “Mar e Sol”. O interior tem uma sala ampla e no exterior fica uma esplanada simpática, resguardada, com uma vista óptima sobre o mar. Para a mesa vieram como entradas uma sapateira recheada que estava honesta e uma salada de mexilhão que estava muito boa, mais pão fresco da região e azeitonas bem temperadas. Nos pedidos seguiu-se a recomendação da casa e provou-se um salongo grelhado, que estava no ponto e foi muito apreciado - relativamente pouco conhecido o salongo é um peixe suave, de cor avermelhada, de carne saborosa, abundante na região. Este estava fresquíssimo e bem preparado. O outro pedido foi um arroz de robalo, com o peixe também no ponto certo, com o arroz cozinhado por forma a não tapar o sabor do robalo e a deixá~lo brilhar - coisa que nos arrozes muito refogados e temperados nem sempre se consegue. Este estava suave e deixava o primeiro plano, como compete, para o saboroso peixinho. A refeição foi acompanhada por Catarina, um branco da região de Azeitão, baseado nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto. A conta foi equilibrada e um passeio pela marginal que se lhe seguiu rematou bem a refeição.


 


DIXIT - "A Portugal está a faltar muita poesia. Não enche a barriga, mas pode ajudar a encher o espírito" - Vasco Graça Moura.


 


GOSTO - Da escultura “Liberdade”, de Cristina Ataíde, colocada há dias num jardim de Sesimbra (ver a fotografia que ilustra a “semanada” aqui ao lado).


 


NÃO GOSTO - O Ministério Público confessou-se impotente para combater crimes na net.


 


BACK TO BASICS - “A política é a arte de simular e dissimular” - Cardeal Mazzarino