abril 24, 2014

40 ANOS - A IDADE DA INDIFERENÇA ?

CICLOS - O 25 de Abril foi há 40 anos, menos oito que o total do tempo de poder do antigo regime. O que se passou antes de 1974 já não pode, em boa verdade, ser invocado como desculpa para o estado em que o país agora se encontra. O novo regime tem vivido em zigue-zagues, mas há uma substancial diferença entre os primeiros 20 anos e as duas décadas seguintes, as mais recentes. Em pouco mais que as duas primeiras décadas pós 74 fizeram-se reformas e alterações estruturais na saúde, na educação em infra-estruturas básicas; nas décadas seguintes, marcadas pela adesão à União Europeia em 1986, engordou-se o Estado, os partidos engordaram os seus aparelhos e perderam militância, as obras públicas consumiram demasiados recursos, as empresas de construção cresceram enquanto as indústrias exportadoras encolheram; a pesca diminuíu e a agricultura foi subsidiada nuns anos para arrancar o que noutros anos era plantado com outros subsídios. O Bloco Central, que fez alternar no poder PS e PSD, fomentou auto-estradas para além do necessário, construíu aeroportos que não têm utilização, permitiu bancos que enganaram depositantes e o Estado não melhorou a Justiça. O Estado, aliás, destacou-se por gastar o que tinha e, sabe-se agora, o que não tinha. De tudo o que delapidou, sobretudo dos finais dos anos 90 para cá, sobra pouco. Não admira que as pessoas se afastem da política e não queiram ter participação cívica, como estudos recentes bem revelam. Mas nem eram precisos estudos: quando mais facilmente se juntam milhares de pessoas para celebrar na rua, à noite, uma vitória futebolística, do que aquelas que protestam e agem, dia a dia, contra a corrupção, a prescrição de processos de milhões, a falta de justiça ou a ingerência, está tudo dito sobre os 40 anos que passaram desde 25 de Abril de 1974. As pessoas não se importam e o Estado agradece.


 


SEMANADA - A Associação de Inspectores de Jogos acusa o sorteio do fisco de falta de transparência e afirma que não está a ser cumprida a lei; uma parte do governo quer taxar o consumo do açucar e do sal, outra parte quer taxar o consumo de alcoól e tabaco; ao longo desta legislatura o Governo tem ignorado um terço das perguntas dos deputados; o deputado socialista Miguel Coelho publicou esta semana a sua tese de doutoramento onde defende que o recrutamento partidário no caso do PS e do PSD está nas mãos de um núcleo restrito, que é quem comanda o acesso a cargos políticos remunerados; António Costa defendeu eleições primárias no PS abertas a não militantes e uma reforma dos sistema eleitoral; numa sondagem da Universidade Católica publicada esta semana 86% dos portugueses dizem não ter qualquer actividade política actualmente e apenas 2% afirmam ter actividade política regular - os outros 12% apenas de forma esporádica.; a mesma sondagem indica que 83% dos portugueses estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia; no mesmo estudo de opinião os Tribunais foram considerados a instituição com pior funcionamento e 73% dos inquiridos manifestaram confiança na imprensa; a Autoridade para as Condições do Trabalho inspeccionou 37 mil locais de trabalho em 2013 e apurou 37 milhões de euros de salários em atraso, um aumento de 66% em relação ao ano anterior; nos últimos dez anos a CP comprou 25 locomotivas de mercadorias por 105 milhões de euros e deixou de utilizar 26 locomotivas, também de mercadorias, usadas, mas que tinham tido um forte investimento de reparação e modernização e estavam em bom estado.


 


ARCO DA VELHA - Uma juíza do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa deixou acumular 8 mil processos atrasados em 2010, mais que a soma de todos os que estavam pendentes em todos os juízos daquele Tribunal.


 


FOLHEAR - “A Liberdade Livre” é o título de um livro dedicado a Cruzeiro Seixas, um dos mais importantes artistas surrealistas portugueses, e que é baseado numa conversa com José Jorge Letria. O livro começa com uma citação de Cruzeiro Seixas que não resisto a reproduzir: “Sonho com uma bola perfeita toda feita de ar. Por agora só nos faltam os argumentos suficientemente convincentes para convencer o ar”. E ainda esta: “por toda a parte há sonhos a empurar outros sonhos para o abismo”. O livro tem numerosas fotografias do autor, muitas na companhia de outros membros do grupo dos surrealistas, como Mário Cesariny, Mário Henrique Leiria ou António Maria Lisboa, além de reproduções de algumas obras do artista. A conversa com José Jorge Letria recorda o percurso de Cruzeiro Seixas, mas também um relato dos tempos que viveu, a forma como o grupo dos surrealistas marcou uma época. E Seixas recorda episódios, encontros que teve, conversas que lhe ficaram na memória, como uma com Amália Rodrigues, em que ele, referindo-se à fadista, termina assim “Acho extraordinária a voz dela. É como a voz deste país, se este país tivesse voz”.


 


VER - Algumas sugestões para estes dias. Começo pela exposição que abriu na Gulbenkian no dia 23 de Abril, integrada nas comemorações dos 450 anos do nascimento de William Shakespeare e que, entre outras edições, apresenta um exemplar da tragédia Hamlet, traduzida para francês e apresentada por André Gide, com ilustrações gravadas a buril por Albert Decaris. Este exemplar desta obra foi adquirido por Calouste Gulbenkian, em 1947.  Ainda na Gulbenkian destaque para a exposição “Os Czares e o Oriente”, que reúne um conjunto de peças da coleção do Kremlin de Moscovo composto pelas ofertas aos czares provenientes do Irão safávida e da Turquia otomana dos séculos XVI e XVII. Em exibição estão 66  peças entre joias, tecidos, armas e arreios de cavalo, utilizadas nos atos cerimoniais dos czares russos, na vida da corte, nas campanhas militares, e nos ofícios divinos celebrados nas igrejas do Kremlin. Anteriormente apresentada na Arthur M. Sackler Gallery da Smithsonian Institution em Washington, é a primeira vez que estas coleção é vista na Europa. Finalmente estes são os últimos dias para ver a colecção de máscaras portuguesas, do actor André Gago, que até Domingo estão expostas no Museu da Marioneta, que fica no Convento das Bernardas, Rua da Esperança 46.


 


OUVIR - “Crónicas da Grande Cidade”, de Miguel Araújo, é o contraponto rural aos discos contemporâneos, mais urbanos. Aqui contam-se histórias da terra e o espanto pela vida na cidade. Miguel Araújo é um bom contador de histórias, as canções são construídas como episódios de uma série que conta a viagem de alguém que veio do interior para a grande cidade. Há momentos em que, na música, nas palavras e até na forma de cantar, este disco faz lembrar o primeiro trabalho dos “Rio Grande”. Não se pode dizer que isto seja música folk, nem que esteja particularmente baseado na música tradicional portuguesa - mas há lá sinais de tudo isto, desde os instrumentos à forma de cantar, passando pelos arranjos. É curioso notar o enorme contraste entre este disco e outro grande trabalho de histórias cantadas, já aqui referido, que é o disco de Capicua. Um, o dela, completamente urbano, musicalmente contemporâneo; outro, de forte influência rural, musicalmente conservador. Estas características não fazem com que um seja melhor que o outro - mas mostram a diversidade da música que hoje se está a fazer em Portugal. O facto de os dois cantarem em português, e de ambos serem bem escritos, contradiz aqueles que por preguiça evitam o português e se escondem no inglês. Tenho sempre a sensação de que quem o faz, não é capaz de assumir dizer coisas simples na nossa língua - como “gosto de ti”, preferindo sempre dizer o mesmo em inglês. As minhas canções preferidas são “Cidade Grande (Canção de Acordar)”, “Romaria das Festas de Santa Eufémia”, “Cartório”, “Contamina-me” e “Valsa Redonda”. É bem curioso que este disco saia precisamente nesta altura do calendário comemorativo. Não há-de ter sido por acaso. Tem um lado de saudade.


 


PROVAR - A partir desta semana o Sky Bar voltou a ser uma possibilidade para um aperitivo ao fim da tarde ou para uma refeição ligeira da carta concebida para o local. O Sky Bar é já uma tradição que vai das primeiras semanas da Primavera ao fim do Verão e que fica no último andar do Hotel Tivoli, da Avenida da Liberdade, ao fundo da sala do restaurante “Terraço”. O Sky Bar este ano tem algumas mudanças - na localização do bar por exemplo, e é garantidamente um dos locais com melhor vista sobre Lisboa. Quando o tempo está bom não há melhor local para passar o fim de tarde ou o início da noite. Nas noites de 5ª, 6ª e sábado há DJ’s convidados.


Num registo completamente diferente, e se estiver em Lisboa no sábado à tarde, não perca o “Levar a Vida a Degustar” que a Vida Portuguesa do Largo do Intendente promove - pelas 16h00 há provas de cerveja artesanal “Letra” e as novas conservas da marca José Gourmet - moelas de pato, rojões à minhota, lampreia à bordalesa ou caril de lulas.


 


DIXIT - “Hoje a legislação laboral não constrange a actividade económica” - António Saraiva, Presidente da CIP


 


GOSTO - Da forma como Ricardo Araújo Pereira e Miguel Guilherme fazem “Melhor Do Que Falecer”.


 


NÃO GOSTO - De quem autorizou fogo de artifício depois da meia noite, no centro de Lisboa, em véspera de dia de trabalho.


 


BACK TO BASICS - Aqueles que prescidem das liberdades fundamentais invocando a necessidade de assegurar temporariamente a segurança não merecem ter nem liberdade nem segurança - Benjamin Fraklin


 


 

abril 17, 2014

OS CONSERVADORES ESTÃO ONDE MENOS SE ESPERA

CONSERVADORES - Em 1994 Mira Amaral, então Ministro da Indústria de um Governo de Cavaco Silva, convidou Michael Porter, um Professor de Harvard, a fazer um estudo sobre a economia portuguesa. O relatório Porter, como ficou conhecido, foi feito já há 20 anos e defendia a aposta imediata nos sectores tradicionais, identificando “clusters” estratégicos: calçado, têxteis, cortiça, indústria automóvel, turismo, madeira e vinho, que deviam conviver com melhorias na educação, na capacidade de investigação científica, no desenvolvimento da tecnologia aplicada à realidade económica, na capacidade de gestão, em financiamentos mais acessíveis e numa melhor gestão florestal. Ao fim de 20 anos percebemos que se perdeu muito tempo a evitar seguir as recomendações que hoje se verificam, no essencial, acertadas. Pouco tempo depois do estudo ser divulgado, em 1995, Guterres era eleito Primeiro Ministro e guardou as recomendações na gaveta, deslumbrando-se com modas passageiras - modas que ainda hoje pesam no nosso dia-a-dia. Foram precisos vários anos e crises duras nestes sectores tradicionais para que eles começassem a recuperar - incorporando tecnologia, design, melhor gestão e melhor promoção. Fica aqui este número para mostrar o que há 20 anos alguns não quiseram ver:  em 2013 a indústria portuguesa de calçado exportou mais de 75 milhões de pares de sapatos, no valor de 1700 milhões de euros, para 132 países. No fundo conservadores foram os que fugiram a desenvolver aquilo que sabíamos fazer e que foram imitar o que outros já tinham. Deu mau resultado, como agora se sabe.


 


SEMANADA -  Foi anunciado que o Hospital de Santa Cruz, uma unidade especializada em cardiologia e que por isso mesmo se notabilizou, pode perder a valência de cirurgia cardiotoráxica;  o centro hospitalar de Lisboa norte deixou prescrever 4,6 milhões de euros em taxas moderadoras; 439 escolas com menos de 21 alunos estão em risco de fechar e seis mil crianças poderão ter de mudar de local de ensino no próximo ano lectivo; depois das mudanças introduzidas pelo Ministério da Educação a disciplina de Inglês deixou de chegar a todos os alunos do 1º ciclo; uma estimativa de uma associação do sector considera que em Portugal existem cerca de três mil lares de idosos ilegais; segundo dados do INE existem 1,9 milhões de pessoas em risco de pobreza e 120 mil crianças têm alimentação deficiente; a maioria dos elementos do gangue do multibanco recebia rendimento social de inserção; a justiça arquivou 45% dos casos de corrupção; 39,7% dos processos relativos a corrupção dizem respeito a autarquias; em Portugal foram apresentadas 16 listas concorrentes às eleições europeias, meia dúzia delas de novas organizações ou de organizações sem actividade política regular; cada lista concorrente pode gastar até 2,9 milhões de euros na campanha eleitoral; António Barreto deixou a Fundação Francisco Manuel dos Santos em divergência com o dono do Pingo Doce e da Fundação, Alexandre Soares dos Santos.


 


ARCO DA VELHA - As obras de remodelação da estação de Metro do Areeiro, em Lisboa, estão a decorrer desde 2009 e, ao fim de cinco anos de transtornos constantes para quem vive  no local, foram suspensas devido a um litígio judicial com o empreiteiro.


 


FOLHEAR - “1914 - Portugal no ano da Grande Guerra”  é uma viagem do jornalista Ricardo Marques ao dia a dia de há um século atrás. Ele leva-nos aos usos e costumes do ano em que começou a I Grande Guerra e diz-nos como viviam as pessoas, fala do que se relatava nos jornais, abundantemente citados. Por ali se encontram notícias da  Lisboa do tempo da febre tifóide, e também se  fica a saber que já então a Universidade de Coimbra pensava acabar com as praxes ou que havia um movimento contra as touradas. Ricardo Marques, que nasceu em 1974, percorreu arquivos em busca do passado para nos fazer uma reportagem do tempo que não vive nas nossas memórias. Ao longo de 300 páginas, com ilustrações da época, recorda-nos como era então encarada a ciência e vista a natureza, como se passava a vida pública e a vida privada - das lutas operárias às festas e às modas, passando pelo mundo visto a partir de Portugal e, inevitavelmente, pela Guerra que então começava. (Edição Oficina do Livro)


 


VER - “O Burel da cortina antepara o céu opaco” é o título da exposição de obras de Pedro Calapez que podem ser vistas na galeria Appleton Square até 10 de Maio. Nas obras expostas, quase uma instalação, o desenho a computador  mistura-se com a pintura a pincel japonês sobre papel e  o preto, branco e cinzentos contrastam com explosões de côr. Nos dois momentos da exposição, no piso de entrada e na sala do piso inferior,  evidencia-se a variedade e o contraste do trabalho contemporâneo de Calapez, que continua com uma agenda de exposições com um ritmo invulgar, em Portugal e no estrangeiro. A Appleton Square fica em Alvalade, na Rua Acácio Paiva 27.


 


OUVIR - “Yellow Brick Road”, o álbum de 1973 de Elton John, oitavo disco da sua carreira,  foi o seu primeiro grande sucesso discográfico - e o álbum figura aliás em diversas listas dos melhores discos pop de sempre. Talvez se possa dizer, mesmo à distãncia de quatro décadas, que este foi o ponto mais alto da colaboração com Bernie Taupin, o co-autor de todas estas canções e que muitas vezes é injustamente esquecido. Aqui estão temas como “Candle In The Wind” e a faixa título “Goodbye Yellow Brick Road”, além de outras como “Saturday Night’s Allrright For Fighting”, “Roy Rogers”, “Your Sister Can’t Twist (But She Sure Can Rock ‘n’ Roll”, o provocador ”All The Girls Love Alice” e “Bernie The Jets” - esta tornou-se um êxito nas estações de rádio de soul music dos Estados Unidos. Elton tinha 26 anos quando o disco foi gravado e o êxito de algumas das canções fez esquecer como o álbum, no seu conjunto é uma obra consistente - e como a canção título é, afinal, sobre o facto de a fama e o sucesso serem uma coisa tão difícil de gerir e de viver - como a sua carreira ao longo das últimas décadas sobejamente tem provado. Por ocasião do 40º aniversário do lançamento original do álbum foi agora lançada uma edição especial, com uma nova remasterização digital e um CD extra que inclui diversas versões de canções pouco conhecidas de Elton John por alguns nomes contemporâneos. Há várias boas versões mas eu destaco a de John Grant em “Sweet Painted Lady”, embora as pretações de Imelda May e Emeli Sandé também mereçam destaque. Finalmente este disco extra ainda inclui alguns clássicos da carreira de Elton John, gravados ao vivo no Hammersmith Odeon, em Londres, em Dezembro de 1973.


 


PROVAR - Aqui há uns anos a Rua Barata Salgueiro, era a rua da Sociedade Nacional de Belas Artes e da Cinemateca. Agora é conhecida pelos três restaurantes que nos últimos anos ali abriram - o Guilty, que entretanto perdeu a graça, o D’Oliva, que continua engraçado e o Sushi Café que mantém uma qualidade constante e que do ponto de vista do conforto e decoração é o melhor de todos. As origens do D’Oliva, estão no Porto, em Matosinhos, onde os seus proprietários, sob o mesmo nome, fizeram fama e ganharam experiência antes de virem para Lisboa, há 4 anos. Ao almoço há um menu executivo a 18 euros e à noite o serviço é apenas à carta. Teoricamente este é um restaurante italiano, mas a lista tem muitas e boas aventuras portuguesas. Com o correr dos tempos o D’Oliva tornou-se num daqueles sítios que grupos de amigos escolhem para se encontrarem, o que leva a que por vezes à noite não seja o sítio mais sossegado do mundo. A sala de cima tem um confortável balcão, há vinho a copo de várias boas proveniências e a cerveja é bem tirada. Também há cocktails e as numerosas entradas da lista são bons petiscos. Na lista a alhada com raia é muito decente e o bife de lombo alentejano é decentíssimo, assim como os mini hamburgueres. O serviço é simpático, há zona de fumadores e não fumadores - a de não fumadores acaba inevitavelmente por ser mais sossegada. Feitas as contas, continua a valer a pena lá ir. Rua Barata Salgueiro 37, telefone 21 352 8292.


 


DIXIT - “Toda a gente crê que a democracia garante o bom governo, quando na verdade apenas garante que podemos mudar de Governo” - Felipe Gonzalez, na conferência promovida pelo “Expresso”, na Gulbenkian.


 


GOSTO - Os prémios Pulitzer foram atribuídos aos jornais “The Washington Post” e “The Guardian” pelo conjunto de notícias sobre os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.


 


NÃO GOSTO - Das confusões e constantes alterações daquilo que o Governo diz sobre as pensões e reformas.


 


BACK TO BASICS - Não se pode dar um aperto de mão com o punho fechado - Indira Gandhi

abril 11, 2014

Arquivamento e prescrição de casos: as especialidades da justiça portuguesa

RETRATO -  As últimas semanas têm sido particularmente exemplares para se poder comprovar que, em Portugal,não temos um sistema baseado na Justiça mas sim um sistema baseado em manobras, truques e desleixos diversos para iludir a justiça. Ficou claro que a prescrição é agora um estado normal da justiça portuguesa, quer o crime seja financeiro ou de vida e morte, ou de costumes. A maior especialidade desenvolvida em Portugal pelo sistema judicial é o arquivamento de casos prescritos. A coisa chegou a um ponto em que o Governador do Banco de Portugal recomenda como medida para o assunto que se alargue o prazo de prescrição  - mas não ocorre atacar as causas do problema : as habilidades dos advogados que empatam julgamentos, a displicência de juízes e de procuradores, a falta de meios dos tribunais. Em Portugal quem tiver bom advogado e alguma influência pode ter esperança em passar pelo crime sem castigo - infelizmente é esse o ponto a que a percepção do cidadão comum chegou.


 


SEMANADA - Uma procuradora adjunta de Santa Maria da Feira deixou prescrever 19 processos; a procuradoria de Lisboa afirma que o novo mapa judicial não é viável; o crédito malparado nos empréstimos à habitação já subiu 7,85% face ao ano passado; o Banco de Portugal recebeu 17.911 queixas contra Bancos  em 2013, mais 15% que no ano anterior sobretudo por causa de créditos à habitação e ao consumo; os pedidos de ajuda à DECO no 1º trimestre só subiram entre os trabalhadores do Estado e os reformados; o volume dos depósitos das famílias nos bancos voltou a diminuir em Fevereiro pelo terceiro mês consecutivo;  o acordão do julgamento do processo “Face Oculta”, que se arrasta há dois anos e cinco meses, foi marcado para 5 de Setembro, daqui a cinco meses; o realizador Manoel de Oliveira, 105 anos de idade, iniciou esta semana no Porto a rodagem de um novo filme, “O Velho do Restelo”, graças a financiamentos públicos portugueses e franceses; Helena Roseta, presidente das Assembleia Municipal de Lisboa eleita pelo PS, criticou a actuação do município no processo da Colina de Santana e exigiu publicamente “lealdade e transparência” ao executivo de António Costa; os vistos gold fizeram disparar em 54% os preços dos imóveis de luxo em Lisboa; a Presidência da República, a Assembleia da República, diversas Cãmaras Municipais e numerosas empresas públicas não divulgaram qualquer contrato de aquisição de bens ou serviços, ao contrário do que o Tribunal de Contas exige; o deputado Miguel Frasquilho foi indicado para presidente do AICEP sem parecer prévio do Sr. Bilhim; um protocolo assinado no Ministério da Agricultura criou o o Centro de Competências do Tomate.


 


ARCO DA VELHA - O secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, interrogado por deputados na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, teve esta resposta: “Eu sou como o Pinóquio: quando minto o meu nariz cresce. Não está a ver o meu nariz a crescer - eu não estou a mentir”.


 


FOLHEAR - No panorama livreiro português restam poucas editoras independentes e a “Guerra & Paz”, dirigida por Manuel S. Fonseca, é uma delas - e uma das que trabalho mais interessante tem feito ao longo dos oito anos que leva de vida. «Fama e Segredo na História de Portugal», de Agustina Bessa-Luís, foi um dos primeiros livros que editou e quis o destino que fosse o último livro escrito pela escritora, antes de a sua saúde ter fraquejado. Talvez por isso, neste momento de aniversário da edtora, a “Guerra & Paz” relançou, em novas edições, dois títulos do seu catálogo:  “O Livro de Agustina - uma autobiografia”, que nesta versão editorial inclui o conto preferido da autora, “Um Inverno Frio”; e também esse maravilhoso encontro da escrita de Agustina com a pintura de Paula Rego sobre a série “As Meninas” - “Estão sempre alerta, sabem coisas proibidas, em volta delas as mulheres conspiram, inspeccionando a sua roupa de baixo. As Meninas são profundamente perigosas”. São duas edições verdadeiramente fundamentais - uma para entrar, sorrindo, dentro da vida da escritora e, outra, para ver a sua capacidade de observação e o encanto da sua cumplicidade com a criatividade de Paula Rego. São duas edições de excepção nestes tempos que correm.


 


VER - Raras vezes uma exposição de fotografia provoca uma impressão tão marcante como  “Este é o Lugar”, do sul-africano Pieter Hugo, que ficará na Fundação Gulbenkian até 1 de Junho. As imagens são duras, não são retratos passivos, são testemunhos de um tempo, de pessoas e de lugares. São imagens do quotidiano, mas não são instantâneos. São fotografias cuidadosamente produzidas, feitas em película e em câmara de grande formato. Pressupõem o estabelecimento de uma relação entre o fotógrafo e o fotografado que ultrapassa o momento. Cada uma permite adivinhar conversas, imaginar o que se estabeleceu, o que levou cada sujeito fotografado ou local escolhido até ali - ao momento da imagem fotográfica. Na realidade a exposição compõe-se de 15 ensaios diferentes, feitos entre 2005 e 2012, num trabalho persistente de rigor e coerência, de imaginação e de provocação. Esta é mais uma mostra exemplar da iniciativa “Próximo Futuro”, da Fundação Gulbenkian, programada por António Pinto Ribeiro.


 


OUVIR - Volta e meia há discos que me despertam e surpreendem. Discos em português, com letras que são histórias para além de rimas e tretas, palavras que contam testemunhos e relatos - que nos falam das vidas e de pessoas. Confesso que, distraído, nunca tinha ouvido falar de Capicua. No seu site dá como referência que nasceu em Cedofeita em 1982, descobriu o hip hop aos 15 anos, estudou e doutorou-se em sociologia. Tem uma longa lista de colaborações musicais, o primeiro trabalho foi editado pela Optimus Records e o segundo foi editado já este ano pela Norte-Sul. Chama-se “Sereia Louca” e evoca Kafka em abono do título. A edição tem dois discos, um de originais, outro de versões acústicas de trabalhos anteriores e qualquer deles é bom - mesmo o brinde acústico é muito bom. Rapper por etiqueta, o que me interessa mais em Capicua é o que ela canta, aquilo que escreve e a forma como conjuga as palavras com a música. Escreve boas histórias, retoma aqui e ali cantigas antigas, como “O Soldadinho”, de Reinaldo Ferreira, a que dá uma volta completa com a ajuda de Gisela João. Sente-se que tem gôzo em subverter as coisas, em ensaiar colaborações inesperadas como aquela “Lupa” em que a angolana Aline Frazão canta José Gomes Ferreira. Gostava de não colar uma etiqueta de género a este disco e dizer apenas que aqui está música contemporânea de Portugal. É coisa rara, cada vez mais rara hoje em dia. Não é saudade, mas tem passado; e ao mesmo tempo desenha o futuro com os pés no presente. Há muito que não ouvia um disco assim.


 


PROVAR - Em Setúbal, frente à doca dos barcos de pesca, há um passeio largo, que permite andar a pé ao longo do Sado, desde a saída dos barcos para Tróia, com a baía bem à vista.. Toda a zona tem sido recuperada nos últimos anos e entre velhos armazéns começaram a surgir novos restaurantes. O local onde tudo isto se cruza é a Rua da Saúde. Já se sabe que Setúbal é uma das cidades onde se come melhor peixe e numa recente visita deixei-mer seduzir pelo apelo de D. Manuela, que acolhe os clientes no restaurate “Baía do Sado”: esplanada confortável e bem protegida do sol e do vento, interior amplo. Logo à entrada está um balcão com o peixe e mariscos frescos. Havia uma bela dourada de 700 gramas que chamava por nós e umas navalhas, que por recomendação da casa e curiosidade nossa, foram feitas à moda de Bulhão Pato. Nunca as tinha provado neste preparo e gostei. A dourada estava primorosamente grelhada, mantendo a frescura e o sabor, sem secura nem estorricanços. Os legumes cozidos no ponto foram o acompanhamento. O pão, que se provou com azeitonas e, depois, na infusão criada pelo Dr. Bulhão, estava denso e saboroso. Acompanhou um vinho branco da região, fresco e levemente frutado. O serviço foi escorreito e no final a conta foi uma agradável surpresa. A esplanada foi um prazer para a vista e o peixe e as navalhas excederam o que se esperava. A Baía do Sado fica no nº 46 da Rua da  Saúde e o telefone é o 265 553 247.


 


DIXIT - “Muito bem. Fica registado o seu insulto, ao qual não vou responder” - José Rodrigues dos Santos, em reação à afirmação de José Sócrates: “não basta papaguearmos tudo aquilo que nos dizem para fazer uma entrevista”.


 


GOSTO -Catarina Sobral foi escolhida na Feira do Livro Infantil de Bolonha como a melhor ilustradora para a infância, garças ao seu livro “O Meu AvÔ”.


 


NÃO GOSTO - Continuam a prescrever processos no caso BCP



BACK TO BASICS - Não esperem pelo julgamento final, ele realiza-se todos os dias - Albert Camus

abril 04, 2014

SOBRE O EFEITO DAS ELEIÇÕES NA RAÇA HUMANA

ELEIÇÕES - Um homem que eu me habituei a considerar inteligente, e que de certa forma parecia destoar da pobreza da classe política, é Paulo Rangel. E, no entanto, empolgado pelo clima eleitoral e pela sua condição de cabeça de lista do PSD e PP às europeias, ei-lo que se deixou enebriar pelas próprias palavras e criou um caso onde o prazo de validade da notícia já tinha quase esgotado - o manifesto pela reestruturação da dívida. Confesso que me custa a perceber a relação entre a falta de jeito para a táctica política com a abundância de dotes oratórios. Ele há pessoas que gostam tanto de se ouvir a si próprias, que depois se embrulham no discurso e nas palavras, que degustam, deliciados, sem lhes ocorrer que o sabor que os entusiasma é o da cicuta. Estes oradores kamikaze, que nos últimos tempos têm feito escola no PSD em diversos níveis, são quem alimenta a desconfiança nos políticos. Quem está a dar brasa ao manifesto é quem faz declarações como as de Paulo Rangel sobre a falta de adesão do tal manifesto - gerou instantaneamente pretexto para uma petição que cresceu velozmente e que chegou a recolher assinaturas de três dezenas de oficiais generais e oficiais superiores das forças armadas. Não havia necessidade, mas o tiro no pé está dado e Rangel vai andar coxo até ao fim da campanha. Mas esta campanha das europeias é coisa pequena comparada com a outra que está em curso - no PSD decorrem umas verdadeiras primárias para as presidenciais: este fim de semana Durão Barroso saíu de Bruxelas e deu à costa mais ocidental da Europa para tactear terreno; no dia a seguir Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou o espaço que tem na TVI para comentar Durão e desfazer metodicamente o governo, como quem arranca asas a moscas - de Poiares Maduro a Passos Coelho ninguém escapou; e Santana Lopes, claro, comentou sibilinamente as intenções do regresso de Durão às primeiras páginas dos jornais portugueses. O diário das primárias para as presidenciais arrisca-se a ser mais animado que o diário das europeias.


 


SEMANADA - Foi divulgado um relatório de um organismo oficial  a concluir que a fuga de cérebros pode causar sérios danos à economia nacional;O total de inscritos com mais de 30 anos em licenciaturas no ensino superior público caíu cerca de 30% ; aqui ao lado, em Espanha, registou-se, no mesmo grupo, um aumento de cerca de 18%; os alunos do ensino obrigatório com mau aproveitamento escolar custam 250 milhões de euros por ano ao Estado; quase 8500 crianças e jovens foram retirados às famílias em 2013; há mais de cinco mil pessoas sem abrigo em Portugal; o abastecimento de água corrente foi cortado por falta de pagamento a mais de 42 mil casas; desde a chegada da troika os impostos aumentaram 35% para os particulares e 15% para as empresas; uma em cada dez casas na orla costeira está desocupada; as vendas de carros novos cresceu 48% nos primeiros meses de 2014, com as marcas Mercedes e BMW em destaque;  Bruxelas anunciou que não financiará a construção de  mais estradas em Portugal; 207 milhões de cupões concorrem ao primeiro sorteio dos Audis da sorte; a assembleia distrital de Vila Real foi ameaçada de penhora por salários em atraso;  os sectores dependentes do salário mínimo mais que duplicaram desde Abril de 2011;  o total de familias com rendimentos anuais inferior a 10 mil euros passou de 2,3 milhões em 2010 (48% do total) para 3 milhões (66%) em 2012; em 2013 o número de manifestações caíu 6%  e estas manifestações foram vigiadas por 31 257 polícias, quase o dobro de agentes ocupados na mesma actividade que no ano anterior no qual, no entanto, se registaram mais protestos; o PSD considerou que o secretário de Estado que anunciou cortes permanentes nas pensões, José Leite Martins,  teve “um momento infeliz”; a agência de publicidade Mosca decidiu dar novo nome ao dia 1 de Abril, passando a chamar-lhe Dia do Político.


 


ARCO DA VELHA - Um procurador adjunto de Braga deixou prescrever vários processos, entre os quais um de burla e falsificação, que lesou o Estado em mais de um milhão de euros, e outro que permitiu o arquivamento de uma investigação aos rendimentos do ex presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado.


 


FOLHEAR - A edição de Março do British Journal of Photography é dedicada a David Bailey, apresentado como “o mais conhecido fotógrafo britãnico, cronista visual dos agitados anos 60 londrinos e ainda cheio de energia a trabalhar”. A revista, que é uma das melhores fontes de informação sobre o que se faz de novo em fotografia,, aborda desde edições de livros até novas exposições e publica sempre portfolios que resultam de projectos pessoais. Nesta edição destaco o trabalho de Salvi Danés, um catalão que mostra o seu olhar sopbre Moscovo, e da californiana Elizabeth Moran, sobre espaço habitados. Este número de Março reproduz os principais trabalhos escolhidos na edição deste ano do World Press Photo, mas o prato forte é uma entrevista com Martin Parr, o fotógrafo da Magnum que meteu mãos à obra a mostrar ao mundo a importância dos photobooks - já vai no terceiro grande volume da série. E, claro, há Bailey, David Bailey - 12 páginas com imagens e história desta figura de referência da fotografia e da sua carreira de mais de 50 anos -  aqui se mostram retratos  de Joseph Beuys, Patti Smith, Marianne Faithfull e Man Ray, entre outros.


 


VER - O ponto forte da Galeria Ratton está nos azulejos e na relação que consegue estabelecer com pintores, convencendo-os a experimentar aquele suporte cerãmico. Foi o que aconteceu quando em 1989 convidou Luisa Correia Pereira a experimentar o azulejo. Desde esta semana e até 20 de Junho a Ratton mostra obras dessa época, feitas pela artista nos anos 80 e 90, muitas inéditas, umas em azulejo, outras aguarelas, outras em técnica mista sobre papel e outras em acrílico sobre tela. Olhos amigos dirigiram-me para as pequenas aguarelas, que aproveito para juntar aos azulejos avulsos que são seus familiares próximos. A Ratton, bem perto do sempre polémico Tribunal Constitucional, é uma espécie de oásis onde se mostra o que não se epera ver e onde se descobre o que apetecia conhecer - é isso que se passa com a obra de Luisa Correia Pereira. Rua da Academia das Ciências 2C, das 15h00 às 19, mais informações em galeriaratton.blogspot.com .


 


OUVIR - Em 1998 os Silence 4 ganharam súbita fama e notoriedade com o seu álbum de estreia, “Silence Becomes It”. que ao longo do tempo vendeu 230 mil exemplares, um número muito respeitável no panorama das edições discográficas portuguesas. As vozes de David Fonseca e Sofia Lisboa, as melodias das canções e as histórias contadas nas letras, escritas em inglês mas rapidamente assimiláveis, como o hit “Sorrow” bem mostrou, foram a chave do sucesso da banda. O segundo disco, “Only Pain Is Real” continua o encanto, mas perde o efeito surpresa. É destes dois discos que se faz a lenda e eles são a matéria prima de uma belíssima edição, em caixa- “Silence 4- Songbook 2014”, agora editada. Além dos dois discos de originais inclui-se um disco de gravações avulsas feitas entre 1996 e 2000, e que inclui demos, registos ao vivo e remixes, apropriadamente intitulado “Rarities”. A edição fica completa com um DVD que agrupa  os concertos do Pavilhão Atlântico em 1998 e do Coliseu dos Recreis em 2000, e que inclui ainda os videos de “Borrow”, “My Friends”, “To Give” e “Only Pain Is Real”. Como David Fonseca dizia no início da carreira da banda, é mais fácil cantar sobre sentimensos pessoais em inglês, porque assim há menos gente que percebe… Cá por mim continuo a ter saudades da maneira como Sofia Lisboa cantava nesses tempos.


 


PROVAR - Esta é a época da lampreia e ainda não provara uma até há uma semana atrás. Nos últimos anos tinha continuado a poder degustar a lampreia minhota que se fazia no antigo “Manel” do Parque Mayer, e que o herdeiro da casa  tinha levado para o restaurante do Clube de Ténis de Monsanto - que entretanto deixou. Fiquei contente por saber que Júlio Calçada vai abrir nova casa na Rua do Salitre, mas a verdade é que fiquei sem lampreia. Foi o pretexto para regressar à Adega da Tia Matilde, ao Rego, na Rua da Beneficência, onde já não ía há uns anos.. A qualidade continua a ser superior e não é por acaso que a lampreia servida na Tia Matilde está no top do que, na matéria, se faz em Lisboa. Desta vez preferi à bordalesa: no fundo é uma lampreia estufada, muito bem estufada, num molho cremoso que incorpora o sangue do bicho, servida sobre fatias de pão frito e acompanhada de arroz carolino no forno. A lampreia estava na boa fase, com ovas saborosas, a dose era abundante, o molho e o tempero estavam a preceito e o arroz era exemplar. Convém sempre marcar, apesar de a casa ser grande. Rua da Beneficência 77, telefone 21 797 2172, tem parque de estacionamento nas traseiras com acesso directo por elevador ao restaurante.


 


DIXIT - “Em vez de riqueza só nos sobejam dívidas para redistribuir” - Medina Carreira


 


GOSTO - A iniciativa Art On Chairs, da Câmara Municipal de Paredes, foi distinguida em Bruxelas como o melhor projecto europeu na área do desenvolvimento regional.


 


NÃO GOSTO - Da fuga às reponsabilidades ensaiada por Vitor Constâncio, e apadrinhada por vários notáveis, no caso da falta de supervisão do Banco de Portugal ao BPN.



BACK TO BASICS - Ler é mais importante que escrever - Roberto Bolaño

Informação na charneira da Mídia

Aos poucos, a noção de Mídia que tínhamos há uma década está a alterar-se. Mais do que falarmos em meios, devíamos falar em canais de distribuição de conteúdos: é isso que, hoje em dia, são a Internet, a rádio, a televisão, os jornais e as revistas.



Já nenhum produto vive exclusivamente no meio para o qual foi inicialmente concebido – as séries de televisão são também vistas num computador portátil ou num tablet, as notícias de um jornal são vistas mais depressa no digital que no papel, a rádio ouve-se tanto nas suas transmissões hertzianas como no streaming digital. Nenhum grupo de comunicação pode, hoje em dia, ignorar que a combinação otimizada entre os vários canais de distribuição à sua disposição é a chave do sucesso.

O tempo tem mostrado que as marcas de informação que melhor funcionam – e que mais rendimentos conseguem de assinaturas ou de publicidade, ou de ambas – são aquelas que melhor exploram a convergência entre as diversas plataformas.

Ainda não existe um modelo de negócio sedimentado, mas é possível perceber que, ao fim de alguns anos, o The Guardian, de Londres, cujo site tem acesso totalmente livre, já conseguiu começar a sair do encarnado; e que os resultados do The New York Times, que tem um sistema misto, são também animadores.

Por outro lado, constata-se que os jovens adultos que ingressam na vida ativa mostram uma tendência para deixar de aceder exclusivamente a noticiário online, e começam a consumir informação impressa, através de um sistema em que uma assinatura é válida em todas as plataformas.

A informação continua a ser um dos maiores motores de captação de audiências – o Twitter tornou-se uma fonte de notícias de última hora e cerca de 50% dos utilizadores do Facebook usam a rede social para saberem notícias de atualidade. Uma organização noticiosa hoje não se limita a ter uma edição tradicional – usa também as redes sociais para alargar a sua influência e a notoriedade da sua marca.

É cada vez mais evidente que as marcas mais antigas e prestigiadas de informação, e que na maioria provêm de empresas editoras de jornais e revistas, são aquelas que conseguem maior confiança e reconhecimento dos seus consumidores.

Um recente estudo feito nos Estados Unidos mostra que, em relação a produtos de comunicação essencialmente baseados em notícias, os jornais e revistas captam a maior fatia do investimento publicitário, à frente das estações de televisão noticiosas (cable news channels). Aqui está um caso em que a televisão não bate a imprensa.

Mesmo nesta época digital, as notícias da morte da imprensa são largamente exageradas – e as notícias da perca de influência da informação são completamente erradas. Mudam-se os tempos, mudam-se os canais de distribuição, mas a essência das coisas continua.


março 28, 2014

APELO À ASSEMBLEIA MUNICIPAL SOBRE A PREPOTÊNCIA DA EMEL

EMEL - Esta semana voltei a irritar-me com esse organismo de violentação dos contribuintes lisboetas que se chama EMEL. O facto de os seus regulamentos, ditados pela empresa, serem aprovados pela Assembleia Municipal, serve para justificar face aos cidadãos que as anacrónicas regras de comprovativo de residência a que obrigam (e que são uma violação do direito à privacidade) não podem ser alteradas sob pretexto algum. O direito elementar de um cidadão residente, recenseado e contribuinte em Lisboa, a poder escolher a zona onde pretende estacionar de forma fixa é negado com base em questões burocráticas e de essência policial. Quando há uns tempos escrevi isto recebi uma chamada telefónica do Presidente da EMEL, entretanto reconduzido por António Costa, dizendo-me que não tinha razão. Pedi novo parecer sobre o mesmo tema e veio a mesma reposta - os cidadãos não têm direito a escolher. Outra prova da arrogância da empresa e dos seus dirigentes está o facto de o estacionamento pago ser introduzido em novas zonas, como recentemente em algumas artérias de Campolide, sem a mínima acção de sensibilização dos moradores ou residentes ou sequer uma informação pública e local sobre a data a partir da qual entrariam em funcionamento os parquímetros - embora este entrar em funcionamento seja relativo porque mesmo novos limitam-se nalguns casos a caçar moedas sem fornecer o impresso comprovativo. Se há empresa municipal cujo funcionamento devia ser repensado de cima a baixo, e cujos regulamentos deviam ser redefinidos, é esta  EMEL. Deixo aqui um apelo à Assembleia Municipal para rever e pôr na ordem os procedimentos e abusos de poder da EMEL, já que os vereadores e o Presidente não dão mostras de se interessarem por este assunto.


 


SEMANADA -  Sondagens desta semana apontam para uma abstenção da ordem dos 60% e para um empate técnico entre PS e coligação PSD/PP; Edite Estrela, que recebeu este ano o prémio  MEP Awards, em Bruxelas, por ter sido considerada a melhor deputada europeia nos assuntos sociais e emprego, não faz parte da lista que o PS apresenta às próximas eleições europeias; o slogan do PS para as eleições europeias é “Mudança!”;  o Conselho de Ministros debateu na semana passada os novos cortes, entre 1,5 e 1,7 mil milhões de euros; um dia depois do Conselho de Ministros Marques Mendes anunciou, no seu comentário semanal na SIC, cortes no mesmo valor; o primeiro ministro disse segunda-feira que o pacote das novas medidas de austeridade que inclui cortes entre 1500 e 1700 milhões de euros vai ser conhecido em Abril, quando for apresentado o Documento de Estratégia Orçamental; apesar de tudo isto o líder parlamentar do PSD garantiu terça-feira que não surgiriam mais cortes;  cerca de 55% dos jovens portugueses entre os 18 e 29 anos  não têm meios para garantir a sua independência e continuam a viver em casa dos pais;  1532 familias pediram á EPAL a tarifa social da água; universidades e politécnicos já fecharam 150 cursos este ano lectivo; metade dos alunos do 3º ciclo já pensaram em emigrar; risco de insucesso escolar afecta 23,8% dos alunos do primeiro ciclo; os automóveis do sorteio do fisco vão custar 1,55 milhões de euros aos contribuintes; metade da frota automóvel da PSP e GNR tem mais de 10 anos; cada um dos carros sorteados pelo fisco irá significar em custos de circulação e manutenção cerca de 350 euros por mês a quem fôr premiado e utilizar o veículo em deslocações normais.


 


ARCO DA VELHA - Nos dois primeiros meses deste ano a despesa com juros e outros encargos do Estado disparou 47,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, e desde o início do ano os contribuintes pagaram 13,1 milhões de euros por dia para esses juros e pagaram 39,1 milhões de euros por dia em IRS.


 


FOLHEAR - Os numerosos exemplares da edição de Abril da revista “Monocle” que são  distribuídos em Portugal ostentam na capa um autocolante amarelo que diz “Portugal, the nation that dresses the world”, um chamariz para um artigo no seu interior sobre a excelência dos têxteis portugueses que, ainda na primeira página, têm direito a uma chamada: “Tchau China: How Made In Portugal Is Going Premium”, e isto a respeito de um artigo onde se relata como algumas das melhores marcas de roupa estão a escolher fabricar em Portugal pelo cuidado colocado no fabrico e  pela qualidade da confecção. Esta edição tem precisamente por tema a roupa e os acessórios, desde quem os desenha a quem os fabrica e vende. Numa secção desta edição dedicada a exemplos de boa governação surge em destaque o Presidenet da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira - e  conhecendo eu a revista desde praticamente o princípio quer-me parecer que este é o primeiro português em cargos políticos a aparecer com este destaque. Quem aparece também em destaque é a fábrica têxtil Somelos de Guimarães e referências à qualidade do mobiliário e da cerâmica portuguesa.


Outros temas: uma bela reportagem sobre a renovação da histórica cidade chinesa de Xi’an, antiga capital imperial, a selecção de lojas exemplares dos quatro cantos do mundo, o guia de moda (que inclui os sapatos de camurça Green Boots produzidos em Leiria), um guia de produtos (que inclui o creme Benamor), uma destaque sobre o kit de sobrevivência da editora lisboeta Serrote e um guia de locais e urbanizações que vão dar que falar, de Londres a Porto Rico, passando por Berlim. Finalmente, para quem gosta de comunicação, recomenda-se o artigo sobre o talk show “Skavlan”, que faz êxito nos países escandinavos. Uma edição a não perder.


 


VER - Ana Vidigal tem vindo a desenvolver desde a sua exposição retrospectiva “Menina Limpa, Menina Suja”, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, uma série de pesquisas e ensaios, sempre muito pessoais, onde aqui e ali se sentia a procura de novos rumos. A sua nova exposição, inaugurada esta semana na Galeria Baginski mostra como ela conseguiu encontrar um novo caminho que lhe possibilitou um passo em frente. “Em Primeiro Lugar O Fim”, assim se chama a exposição, reúne 15 novos trabalhos que evidenciam novas formas de ver e de mostrar - não é uma ruptura com o passado, mas é uma mudança de tempo, no sentido em que a obra, agora, se projecta mais no presente e no futuro sem renegar o que ficou para trás. Há elementos de continuidade em algumas peças, mas existe, na maioria, um sentido de descoberta que Ana Vidigal consegue partilhar - e esse é o maior encanto desta nova série de obras. A exposição vai estar até 24 de Maio na Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato. A inauguração foi uma festa, com uma animação que vai sendo rara hoje em dia - uma alegria de mostrar o que se faz, que contrasta saudavelmente com o cerimonioso enfado institucional de tantos outros locais.


 


OUVIR - Há uns anos a prestigiada etiqueta discográfica Deustche Grammophon começou a fazer um reposicionamento em termos de novas edições, procurando alargar o leque do seu catálogo para passar a incluir outros géneros musicais, alguns mais populares, outros de inspiração etnográfica, e outros de fusão. Entre os novos intérpretes cedo se destacou o guitarrista montenegrino Milos Karadaglic, com os seus dois primeiros discos, “Mediterraneo” de 2011 e “Latino” de 2012, exemplos do seu virtuosismo. Neste seu terceiro álbum, “Aranjuez”, gravado com a London Philarmonic Orchestra dirigida por Yannick Nézet-Séguin, o guitarrista executa uma versão do “Concierto de Aranjuez” de Joaquim Rodrigo que é um exemplo de equilíbrio entre a orquestra e o solista. Mas é sobretudo em “Fantasia Para Un Gentilhombre”, também de Joaquin Rodrigo, que se evidencia aquilo que é a maior característica deste CD - a prova da capacidade de interpretação e da subtileza de Milos Karadaglic e da sua guitarra.


 


PROVAR - Há restaurantes que têm uma vida dupla. Outros, como este, têm uma vida tripla: almoços económicos, petiscos e wine bar de fim de tarde, jantares e por vezes fados lá mais para a noite, às terças-feiras. O local existe desde Novembro do ano passado, chama-se “Taberna Saudade” e tem, por fora e por dentro, uma decoração que dá gosto. No exterior chamarizes do tempo antigo, mas actuais; no interior uma guitarra portuguesa e uma viola dominam uma parede, junto a uma fotografia de Alfredo Marceneiro. Uma dúzia de pequenas mesas confortáveis e um bar de passagem completam o local. Ao almoço há pratos do dia - coube-me um caril de lulas e um entrecosto no forno com grelos, ambos sem direito a reparos. Noutros dias pode encontrar iscas com elas, rojões com migas de batata e lombarda salteada, frango de cabidela ou arroz de polvo, por exemplo. A página do Facebook vai colocando a ementa diária. Nos petiscos há preciosidades como esse raro enchido que é a cacholeira e alguns queijos seleccionados. Tudo foi acompanhado por um tinto Monte das Cascas, que se portou muito bem - e a conta foi módica. Para quem queira há cerveja artesanal Sovina e Ginjinha Saudade para rematar. A “Taberna Saudade” fica perto da Pampulha, na Rua Presidente Arriaga 69 e tem o telefone 213 950 730.


 


DIXIT - “Eu não vinha preparado para isto” - José Sócrates em resposta às questões colocadas por José Rodrigues dos Santos


 


GOSTO - Da campanha “recuperar a esperança”, do BES


 


NÃO GOSTO -  O risco de pobreza atinge quase dois milhões de portugueses


 


BACK TO BASICS - Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta - John Galbraith

março 21, 2014

SOBRE A INFLUÊNCIA DA PRIMAVERA NA POLÍTICA

TEMA - Quanto mais o sol brilha, mais me parece que este país precisa de uma primavera política. Olho à volta, vejo os deputados comentadores dos canais de televisão e confirmo que os nossos políticos são invernais, quanto muito outonais, mas sempre cinzentos, tristes e com uma previsibilidade de ideias assustadora. Levam-se demasiado a sério, interpretam muito, analisam imenso, alguns reproduzem o que lhes dizem, há quem apenas diga o que outros querem ouvir. Falam para o umbigo dos partidos. Não admira que os programas  de debate sobre futebol tenham maior audiência nos canais de informação que os debates entre políticos - são mais bem humorados, fazem poucas promessas e são bem mais sinceros. O actual Governo cumpriu os seus primeiros mil dias de existência e, para mim, o seu pecado capital é ter-se esquecido que a parte mais importante da governação é convencer as pessoas, procurar ganhar o seu apoio, explicar o que se faz e o que nos espera à frente. Não há política possível sem ter em conta as pessoas e lembrarem-se apenas delas nos momentos eleitorais tem levado o país ao estado em que está. Em vez de programas fazem-se promessas; em vez de estratégias fazem-se manobras tácticas; em vez de reformas fazem-se manobras. Portugal vive em ciclos, é um país bipolar inconstante, e acaba sempre por penalizar quem não deve, deixando impune quem  merecia castigo.


 


SEMANADA - Em 2012 o tempo médio para resolver uma acção em tribunal foi de 860 dias ou 2,3 anos em 2012; os tribunais portugueses levam em média dois anos para decretar uma insolvência; os tribunais custam 45 euros por ano a cada português; após três horas de reunião soube-se que  o estado da nação é uma divergência insanável; 48% dos portugueses manifestam-se a favor de maior transparência na vida política; um relatório da OCDE diz que 15% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos não tem qualquer ocupação; o mesmo relatório diz que seis em cada dez desempregados não recebem subsídio e 49% dos 850 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano; 36% dos espanhóis confiam no Governo do seu país e em Portugal o número é de 26%, o segundo mais baixo da Europa; a despesa em saúde publica per capita em Portugal é a segunda mais baixa da Europa; mais de 60% das obras públicas derrapam nos prazos; em 2012 o procedimento adoptado em 96,2% de todos os contratos públicos foi o ajuste directo; o Presidente da República marcou as eleições para o Parlamento Eurtopeu para 25 de Maio, apelou à participação dos eleitores e recomendou contenção aos partidos; António Costa recomendou ao Governo que deixe em paz o lixo de Lisboa; existem cerca de três mil ninhos de cegonhas em torres de distribuição eléctrica.


 


ARCO DA VELHA - Retrato instantâneo da crise da imprensa: três quartos dos portugueses têm acesso a canais de cabo e quase 30% dos espectadores preferem-nos -  mas grande parte da imprensa ainda só dá informação regular sobre a programação dos canais generalistas.


 


FOLHEAR - Habituei-me a ver em José Manuel Felix Ribeiro um dos poucos economistas que, além de fazer o diagnóstico da situações, elenca estratégias possíveis e propõe soluções concretas. Isso distingue-o dos econo-políticos que desgraçadamente povoam o arco da governação. O seu novo livro, “Portugal - A Economia de Uma Nação Rebelde” é um belo guia de ideias para estes tempos que atravessamos - “findos os primeiros quarenta anos do regime democrático, está na altura de definir um novo conjunto de escolhas fundadoras para as próximas décadas”, como diz o autor nesta sua obra que, salvaguardadas a distância e o contexto, bem podia ser encarada como uma espécie de “Portugal E O Futuro” contemporâneo. “Portugal - e o espaço lusófono - só sobreviverão com relevância mundial num quadro da  globalização, naturalmente organizado em torno dos oceanos. E por isso é que Portugal e o espaço lusófono têm como aliados naturais o espaço anglo-saxónico (e os Estados que com ele se articulam)” - sublinha Felix Ribeiro, para depois afirmar: “A proposta de uma parceria transatlântica de comércio e investimento proposta pela Administração dos EUA é o futuro que nos interessa explorar. Do mesmo modo que são as relações históricas múltiplas com Estados da Ásia que constituem o elemento mais diferenciador de Portugal no contexto europeu - relações históricas com a Índia, o Japão, a China e a Malásia”. O livro analisa e elenca sectores, traça prioridades e culmina com a proposta de um novo mapa de alianças para crescer na globalização. São ideias e propostas invulgares, algumas polémicas, outras de uma desarmante evidência. Mas merecem ser conhecidas e debatidas, em vez das estéreis discussões de conveniência que por aí abundam. Aqui está boa matéria de discussão nas europeias.


 


VER - Vai-se a um dos bons Hotéis de Lisboa, o Tivoli, e entra-se no seu restaurante do piso de entrada, a Brasserie Flo, cujas janelas dão sobre a Avenida da Liberdade - e onde se podem degustar das melhores ostras de Lisboa e um bife tártaro exemplar. Agora este espaço do Tivoli passou a apresentar regularmente obras de arte contemporânea. A estreia coube a Inez Teixeira com a exposição de pintura e desenho “O Jogo das Nuvens”, que estará exposta no restaurante até 15 de Junho. Depois seguir-se-ão fotografias de Pauliana Valente Pimentel. A exposição compreende 3 impressões digitais sobre tela a partir de desenhos e dois originais, de acrílico cobre tela. A paisagem volta a ser o tema dominante nestes desenhos e pintura que mostram mais uma vez como o olhar meticuloso de Inez Teixeira interpreta o mundo à sua volta.


 


OUVIR - Anne Clark toca 13 diferentes instrumentos mas é na guitarra eléctrica que verdadeiramente ela dá cartas e mostra um talento, discreto, mas constante. A forma como canta também contribui para a sonoridade que é a sua imagem de marca. Este seu quinto disco, “St. Vincent” é porventura aquele onde ela consegue mostrar de forma mais saliente a progressão na composição e interpretação das suas canções, em simultâneo com a consolidação de um estilo próprio. A sua imagem ficou marcada pelas colaborações com David Byrne em 2012, que lhe deram notoriedade mas puseram à sombra da fama alheia. Neste novo disco ela sai da sombra e afirma-se, logo desde a faixa de abertura, “Ratllesnake”, marcada pela electrónica, até ao humor cáustico da letra de “Digital Witness” ou da deliciosa balada com que finaliza o disco, “Severed Crossed Fingers”. É justo destacar ainda a forma como ela toca guitarra em “Birth In Reverse”, o esplendor de “i Prefer Your Love” ou os desafios de “Prince Johnny”. 40 minutos de grandes canções.


 


PROVAR - Até aqui o Largo da Anunciada, em Lisboa era conhecido por duas coisas: ficava perto desse clássico que é o “Solar dos Presuntos” e da Ervanária da Anunciada, casa de pergaminhos em produtos naturais. Agora adiciona-se à lista de pontos de interesse do local a “Champanheria do Largo”, um misto de wine bar com restaurante, onde petiscos se conjugam com ampla selecção de champagnes e espumantes e uma curta mas bem escolhida lista de vinhos. Muita desta existência está disponível a copo. Existe ainda a changria que como o nome indica é uma sangria de champagne e uma champirinha que por estas horas já adivinharam o que é. A lista de petiscos é extensa e variada, a decoração é contemporânea e confortável, existe uma pequena esplanada, o serviço é atento.  A Champanheria é dos mesmos proprietários do Avenue, que fica do outro lado da Avenida da Liberdade, quase em frente. A clientela tem estrangeiros encaminhados dos hotéis que são próximos, mas pode também ter figuras como o Chef Rui Paula, do DOC e do DOP, recentemente a ganhar fama de júri televisivo - a bem dos seus restaurantes espero que a prestação televisiva não o faça descurar aquilo que lhe deu notoriedade.


Uma recente visita permitiu provar, com agrado, uns peixinhos da horta de fritura impecável e de tempero aromático inesperado, vieiras frescas na chapa, mini hamburgueres de pato acompanhados de batata doce frtta às rodelas finíssimas, uns muito bem apanhados croquetes de ostra e, a rematar, uma sopa de frutos vermelhos com papos de anjo. A petisquice foi acompanhada pelo transmontano Vértice, o nosso espumante que não se apaga ao lado de muitos champagnes. Largo da Anunciada 20, telefone 213 470 392, encerra às segundas, aberto entre as 12 e as 24.


 


DIXIT - “A primeira qualidade que por aí acham que um Primeiro Ministro deve ter não é a lucidez. Nunca dizem: "Vou dar o máximo para manter a capacidade de lucidez." Em vez disso, a primeira frase que se ouve sobre os nossos últimos PM's é: "Vejam a coragem das medidas que está a tomar" - José Medeiros Ferreira em entrevista ao Negócios em 2012.


 


GOSTO - “Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável” - frase final do livro “O Segredo do Hidroavião”, de Fernando Sobral


 


NÃO GOSTO - Em 15 hospitais portugueses há falta de anestesistas.


 


BACK TO BASICS - O talento acerta num alvo onde mais ninguém consegue acertar, mas o génio atinge um alvo que ninguém conseguia ver  - Arthur Schopenhauer


 

março 14, 2014

SINAIS DOS TEMPOS NAS PRIMEIRAS PÁGINAS DOS JORNAIS

SINAIS - As primeiras páginas dos jornais desta semana oscilaram entre as imagens de um cabo da GNR, inicialmente fardado a preceito, a fazer strip tease numa ladies night de uma discoteca de Oliveira de Azeméis, uma foto de Maria e Aníbal Cavaco Silva de pacote Cerelac na mão depois de o Presidente da República ter garantido que a austeridade era para ficar, e as variadas notícias e consequências de um manifesto a favor da reestruturação da dívida, que já provocou baixas entre os consultores do Presidente da República que acharam por bem subscrevê-lo.  O dia a dia do país assemelha-se a um reality show - as semanas ficam marcadas por imagens ridículas e actos manhosos. Sucedem-se os escândalos, as prescrições de justiça, ouvem-se os mesmos de sempre a dizerem a mesma coisa, num ensaio geral de palavreado para umas eleições europeias que suscitam desinteresse e bocejos generalizados. De dentro dos partidos que apresentam candidatos surgem vozes clamando contra a má qualidade das respectivas listas e o tema mais quente do momento continua a ser debater quem irá a votos nas próximas eleições presidenciais. Se um marciano aqui passasse diria que Portugal está virado do avesso. Muito provavelmente é isso mesmo que acontece.


 


SEMANADA - Cavaco Silva começou a semana a fazer futurologia sobre os próximos 20 anos e, contra os objectivos que o próprio anunciou, criou uma tempestade em vez de promover consenso; em resposta 70 pessoas, de quadrantes bem diversos, pediram para se equacionar uma reestruturação da dívida, num movimento de diálogo bem maior que qualquer iniciativa presidencial; Morais Sarmento criticou o desempenho  de Cavaco enquanto Presidente da República; Santana Lopes disse que Cavaco Silva manifesta falta de força política; Mário Soares recebeu o prémio “personalidade do ano da imprensa estrangeira” e, na cerimónia, foi notada a presença de José Sócrates e a ausência de António José Seguro; José Sócrates anunciou que irá colaborar na campanha eleitoral do PS para as europeias; em contraponto Paulo Rangel invocou os 101 dálmatas na apresentação do seu manifesto eleitoral para as europeias; os directores de informação das três estações de televisão generalistas anunciaram que consideram “abdicar novamente de fazer a cobertura das campanhas eleitorais ou realizar debates entre os candidatos” porque o novo projecto de Lei no parlamento restringe e condiciona a liberdade editorial; no último ano os bancos cortaram 35% do crédito a empresas; em Portugal o PIB está a níveis de 2000 e o emprego já recuou até aos níveis de 1996; desde que a troika chegou desapareceram 328 mil postos de trabalho; o desemprego estrutural atinge 630 mil pessoas; a DECO recebeu meio milhão de reclamações de consumidores em 2013, mais 15% que no ano anterior.


 


ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal da Guarda tornou-se a campeã nacional da piratagem informática ao utilizar nos seus serviços programas de computador não autorizados, o que levou a Microsoft a reclamar 336 mil euros de compensação por uso ilegal do seu software.


 


FOLHEAR - Nos últimos meses a revista “Wallpaper” parece ter ganho uma nova vida: temas mais interessantes com uma produção mais cuidada e uma direcção editorial mais atenta. Fazendo do design e da arquitectura os seus dois principais focos de interesse, a revista persegue tendências e mostra novos caminhos. Esta é uma revista luxuosa que gosta de falar - e de mostrar - o luxo. Na edição de Março um dos destaques vai para a nova sede da marca de jeans G Star Raw, em Amsterdão, um projecto do atelier OMA de Rem Koolhas. Situado numa das principais auto-estradas de acesso a Amsterdão, o edifício foi desenhado como um espaço multifuncional e o método utilizado pelo arquitecto para definir as traves mestras do projecto é explicado com algum detalhe. Outro artigo muito interessante dedica-se a mostrar exemplos de pequenas editoras de livros que vivem no meio de tiragens limitadas na Austrália, em França, Alemanha ou Estados Unidos, por exemplo. Colónia é a cidade em destaque, com uma reportagem que detalha o trabalho de designers, artesãos , fotógrafos e desenhadores de jóias, curadores de arte, ou estilistas que marcam o seu quotidiano. Finalmente nesta edição sugiro uma boa leitura para muitos responsáveis de edifícios com valor patrimonial e actividade cultural - a história de como Gwin Miles conseguiu inverter o ciclo de decadência da Somerset House de Londres, com muito pouco orçamento e bastantes boas ideias.


 


VER - Desde o passado fim de semana a Pousada da Cidadela de Cascais, do Grupo Pestana, passou a acolher, de forma permanente, galerias de arte, lojas de marca, e ateliers de seis artistas. Dentro da Pousada, agora designada por “Cidadela Historic Hotel & Art District”, seis quartos tiveram intervenções destes artistas e ao longo dos espaços comuns existem também obras de arte de outros autores. Um Art Concierge está disponível para enquadrar os visitantes nas obras apresentadas e no projecto. O trabalho de recuperação do antigo forte da Cidadela em Pousada é notável e esta ideia de incorporar a criação e divulgação artística neste espaço é um bom exemplo do que se pode fazer quando há vontade e criatividade. Nas áreas dedicadas às galerias e marcas estão nomes como a histórica, mas inovadora Viarco, a Magnetica Magazine a livraria Espaço Branco, e galerias como a Raw Art, a Cinco e a Allarts. Os artistas que estão nos open studios, que podem ser sempre visitados, são Duarte Amaral Netto, Paulo Arraiano, Bruno Pereira, Pedro Matos, Susana Anágua e Paulo Brighenti.


 


OUVIR - Um título malandro - “A Bunch Of Meninos”,  uma guitarra que logo nos primeiros acordes do disco dá um ar gingão, um disco que é um manifesto de inquietude, uma guitarra e um baixo que falam um com o outro como se vivessem em permanente romance - é isto o novo trabalho dos Dead Combo, o duo de Pedro Gonçalves e Tó Trips que há uma década cometem repetidamente a heresia de fazerem discos predominantemente instrumentais. Há muito que gosto deste estilo, aqui reforçado com  as colaborações cruzadas com o percussionista António Serginho e o baterista Alexandre Frazão, que aparecem pontualmente nalguns dos 13 temas. Os meus preferidos são “Waiting For Nick At Rick’s Cafe”, “Povo Que Cais Descalço”, “Zoe Llorando”, “B.Leza”, “A Bunch Of Meninos”, “Welcome Simone” e “Mr. Snowden’s Dream”. Os títulos das canções são, já se vê, são um episódio. As fotografias que visualizam o ambiente do disco são de Pauliana Valente Pimentel, um dos nomes promissores da fotografia portuguesa. E evitem por favor a tentação de dizer que Tó Trips evoca o fado com a sua guitarra. Isto é outra coisa.


 


PROVAR - Um dos meus petiscos favoritos é pregado frito acompanhado de açorda. Um dos locais onde a escolha é certeira é o restaurante Mar do Inferno, em Cascais, mesmo ao lado da Boca do Inferno. Numa recente visita provou-se o pregado frito e também uns crepes de lagosta panados, que satisfizeram. Situado em cima do mar, e ao contrário de outros restaurantes desta zona, o local é despretencioso, a matéria prima marítima é de primeira qualidade, o serviço é simpático e a casa é honesta nos preços e na confecção. A lista de vinhos é equilibrada. Apesar da dimensão sente-se a gestão familiar de Lurdes Tirano e dos seus filhos, nesta casa que leva já três décadas de vida. Encerra às quartas-feiras, fica na Avenida Rei D. Humberto e o telefone é 214 832 218.


 


DIXIT - "O primeiro-ministro diz que (o Manifesto dos 70) morreu à nascença, mas como eu sou cristão acredito na ressurreição"  - Bagão Félix


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GOSTO - Das criações de Filipe Faísca na recente Moda Lisboa, a confirmar que ele é dos valores mais sólidos entre os estilistas portugueses.


 


NÃO GOSTO - Da lentidão da justiça que numa só semana permitiu prescrições em dois casos ligados à Banca.


 


BACK TO BASICS - O Universo é feito de mudança e a nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos forem capazes de fazer dela - Marcus Aurelius Antoninus

março 07, 2014

O MUNDO MUDOU E A PUBLICIDADE JÁ NÃO É O QUE ERA

TRUQUE - Um bom exemplo do que são as novas formas de fazer publicidade aconteceu na noite dos Oscares - o momento em que a apresentadora Ellen deGeneres promoveu uma selfie (fotografia tirada a si própria), que correu mundo e foi um fenómeno impressionante de partilha nas redes sociais. A história que apareceu no dia a seguir é curiosa: durante toda a emissão da entrega dos Oscares, Ellen deGeneres brincou com um telemóvel Samsung Galaxy Note branco que tinha na mão - e foi esse aparelho que ela passou ao actor Bradley Cooper para ele fazer a selfie que correu mundo, ao lado de estrelas como Brad Pitt, Meryl Streep, Kevin Spacey e Jennier Lawrence, para além da própria deGeneres, à sua volta . O momento da selfie foi filmado e emitido na transmissão televisiva e lá está bem visível o logo da Samsung. Acontece que a Samsung investiu cerca de 20 milhões de dolares em spots que passaram nos intervalos da transmissão da entrega dos Oscares deste ano e a presença em palco do Galaxy fazia parte do pacote negociado. Mas a marca não se ficou por aí e preparou a sua presença em ecrã, desde pessoas que o usavam na passadeira vermelha a fazer fotografias e a filmar, até ao momento da selfie. Segundo o “Wall Street Journal” a selfie terá sido ideia de Ellen deGeneres, mas a cadeia ABC, detentora dos diretos da transmissão e comercialização da publicidade, sugeriu que ela o fizesse com um Samsung Galaxy Note, e responsáveis da Samsung estiveram nos ensaios e ensinar Ellen deGeneres a familizar-se com o aparelho para que na altura certa o pudesse utilziar de forma bem visível. Na realidade o selfie não foi uma coisa espontânea, foi um product placement bem pensado e trabalhado que deu um enorme retorno à marca coreana. A foto foi retweetada quase três milhões de vezes na segunda feira à tarde e a Samsung chegou a ser mencionada 900 vezes por minuto nas redes sociais durante esse espaço de tempo. É impossível quantificar o valor que isto significa - mas excede em muito aquilo que foi pago pelos spots exibidos nos intervalos da emissão.






SEMANADA - Existem 36 câmaras municipais em risco de falir pela segunda vez, mesmo depois dos mil milhões de euros do programa de apoio à economia local, desenhado pelo Governo para ajudar os municípios a pagar dívidas aos fornecedores; por causa do mau tempo alguns municípios adiaram os corsos de carnaval para depois da quaresma, para domingo que vem; “as coisas estão feitas, só não as ouve quem não quer” - disse Fernando Tordo, sobre a falta de audiência para as suas obras gravadas, na mesma entrevista em que afirmou que receber o emblema de 75 anos de sócio do Benfica é um dos seus projectos de vida; a PSP admitiu que o consumo de álcool por agentes durante a anterior manifestação de polícias foi a principal causa dos problemas ocorridos frente à Assembleia da República;  no início desta semana, o Ministro da Administração Interna terá perguntado ao director nacional da PSP se a polícia tinha agora condições para evitar incidentes semelhantes aos da última manifestação; em Portugal, em 206, seremos apenas sete milhões de pessoas se a evolução demográfica continuar ao ritmo actual; as vendas de automóveis aumentaram 44,3% em Fevereiro; este Governo criou 208 grupos de trabalho em dois anos e meio e, desses,  há 58 grupos que não divulgaram relatórios.


 


ARCO DA VELHA - As empresas cotadas na bolsa com ligações a ex-governantes e dirigentes partdiários têm quase o triplo do volume de negócios das restantes e 47% dos políticos que integram orgãos sociais das empresas cotadas passaram por um Governo.


 


FOLHEAR - A edição de Março da revista “Monocle” é dedicada à Itália e um dos artigos mais engraçados mostra-nos cinco pessoas que  estão a provocar mudanças importantes - desde um banqueiro que criou um funbdo de auxílio a pequenos negócios, até à mulher que saíu do Banco de Itália para dirigir a RAI e provocar uma revolução no operador de serviço público de televisão, passando por novos talentos na área do design e até política e que estão alterar os padrões existentes. Mas este artigo é apenas o cartão de visita e o aperitivo de uma edição que percorre algumas cidades italianas, os artesãos de Nápoles, que indica dez áreas de excelência nas quais a Itália contínua a ser líder, passando por exemplos a seguir na indústria, nos media e na cultura - e na área dos media o destaque vai para esse fenómeno que é a Gazzetta dello Sport, o jornal italiano mais lido - que na opinião de Andrea Monti, o seu Director, é não apenas um jornal mas uma organização noticiosa multi plataforma. Claro que não faltam referências a algumas das grandes marcas italianas, assim como se recomendam percursos de viagens, restaurantes e lojas diversas. Se planeia ir em breve a Itália, vale bem a pena ler esta edição antes, para fugir ao óbvio e procurar o que pode ser mais interessante.


 


VER - No espaço BES Arte & Finança, no Marquês do Pombal, até 15 de Abril, vale a pena visitar a exposição “Amar as Diferenças”, de Michelangelo Pistoletto e Marco Martins. Com curadoria do Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua, a exposiçãoé fruto de uma parceria entre o cineasta Marco Martins e o artista Michelangelo Pistolette. Esta é a primeira apresentação deste projecto multidisciplinar, na realidade uma instalação entre o cinema e as artes plásticas.  São apresentadas obras de Michelangelo Pistoletto exibidas em diversos museus internacionais e, em simultâneo, é projectado ininterruptamente o filme criado por Marco Martins que já esteve em exibição no Museu do Louvre, DOC Lisboa, Festival Internacional de Cinema de Roma e a Arte Fiera, de Bolonha. Poder ver em Lisboa obras de Pistoletto, ainda por cima num contexto de cruzamento com o trabalho de um cineasta português, é um momento raro, que infelizmente tem passado algo despercebido. A exposição, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, estará patente ao público de segunda a sexta, das 9h às 19h, até ao dia 15 de abril.


 


OUVIR - A Deutsche Grammophon resolveu juntar numa só edição, em duplo CD, as gravações feitas, em diversos momentos, por Lang Lang, um dos mais aclamados pianistas contemporâneos, das obras de Sergei Rahmaninov, um expoente do romantismo russo. Este duplo CD reúne edições originais de 2005 da própria Deutsche Grammophon e de 2001, da Telarc,. No primeiro disco, da DG, estão o Concerto para piano nº2, a célebre Rapsódia Paganini (gravada ao vivo em 2004 com a orquestra do Mariinsky Theatre dirigida por Valery Gergiev), e a terminar  o “Trio Élégiaque” em que Lang Lang é acompanhado por Vadim Repin no violino e por Mischa Meisky no violoncelo. O Concerto para piano nº3 e a Sonata para piano nº2, estes últimos que integravam a gravação da Telarc, foram gravados ao vivo respectivamente no Royal Albert Hall e no Seijio Ozawa Hall. Todas estas gravações, aqui reunidas pela primeira vez na mesma edição, são uma prova do virtuosismo e da capacidade de interpretação de Lang Lang.


 


PROVAR - Vão proliferando as cervejas artesanais, sobretudo oriundas do norte de Portugal. Depois da estimada cerveja Sovina, já aqui comentada há uns meses, surgiu mais recentemente, no Minho, a “letra” (www.cervejaletra.pt) . O nome vem do facto de as diversas variedade serem identificadas por uma letra: a A é uma Weiss, de maltes de trigo e cevada, a B é uma Pilsner, de Cevada; a C é a Stout, de maltes de cevada, trigo e chocolate torrado e a D é uma Red Ale, à base de Cevada e Cristal. Provei a A e a B, ambas aromáticas, de sabor cheio e envolvente. Prefiro a Pilsner, mais leve, mas igualmente saborosa e intensa. Os métodos de fabrico são artesanais, os ingredientes são 100% naturais.


 


DIXIT - “Como na salada dos pais do imortal Basílio, o acordo foi mexido por uns cegos e temperado por uns loucos” - Vasco Graça Moura, a propósito do acordo ortográfico.


 


GOSTO - A previsão meteorológica aponta para temperaturas de 20º no fim de semana.


 


NÃO GOSTO - Uma em cada três mulheres da União Europeia é vítima de violência.


 


BACK TO BASICS - Há quem diga que o tempo muda as coisas, mas a verdade é que somos nós que temos que provocar essas mudanças - Andy Warhol

fevereiro 28, 2014

EM BUSCA DAS REFORMAS POR FAZER

 


REFORMISMO - Até mais ver a maior e quase única reforma do Estado tem a ver com a forma como foram atingidas as reformas dos cidadãos. É pena, mas é verdade. Até pode haver boas razões para tudo o que tem sido feito, mas o que motivou as decisões foi sempre a facilidade e o cuidado em não atingir as clientelas políticas que vivem directamente do Estado - no aparelho central e nas autarquias.. As alterações feitas até agora - prefiro não lhes chamar reformas - tocaram sobretudo em pontos que não provocavam clivagens políticas profundas nas máquinas partidárias e nas suas centrais de colocação de militantes dedicados e obedientes.. Por isso se pegou nas freguesias e não nos municípios, como António Barreto bem explicou numa entrevista que concedeu esta semana - na verdade quem tem dinheiro e poder são os municípios, que agora, como se vê por estes dias, contrariam o que está decidido a nível nacional, sobre horários e sobre feriados. Quando se olha para o que tinha que se fazer e para o que foi feito tem-se a sensação de que existem duas estradas paralelas, que dificilmente se encontrarão - as reformas que o memorando da troika exigia vão por um lado  e as mudanças feitas na administração pública vão por outro, numa via paralela, noutra velocidade - as duas estradas dificilmente se encontrarão. A grande questão aqui é que, por ter seguido esta via de proteger o sistema partidário vigente e ter desprezado os eleitores, está-se a matar o funcionamento do sistema político. É um assassínio premeditado. Na semana passada, um estrangeiro, na conferência promovida pelo The Economist, perguntava:”Who buys these reforms?” - pois, o problema é esse.


 


SEMANADA - Na ressaca da apresentação do seu livro Vítor Gaspar considerou insultuoso que alguém o pudesse classificar, a ele, como o quarto elemento da Troika; a propósito do lançamento da edição portuguesa de um dos seus livros, o astrofísico Hubert Reeves afirmou que “se um país como Portugal corta o apoio a escolas, professores e alunos, vai ficar a depender mais da tecnologia do exterior”; Portugal caíu mais um lugar no ranking e passou a nono país mais pobre da União Europeia, tendo sido ultrapassado pela Lituânia; no mês de Janeiro o Governo cobrou quase 100 milhões de euros por dia em impostos, um aumento de mais de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado; em Espanha os rendimentos até 12 mil euros por ano não pagam IRS; mais de 300 mil portugueses acima dos 60 anos já foram vítimas de violência no ano passado e 160 mil foram alvo de furto ou desapropriação de bens em contexto familiar; em Portugal há 625 mil casas para vender, há 110 mil casas vagas e no total há 15 milhões de habitações para 10,6 milhões de habitantes; a idade de reforma dos funcionários públicos aumentou para os 66 anos; das 18 capitais de distrito apenas duas vão ter os serviços dependentes da autarquia em funcionamento na próxima terça-feira já que os respectivos municípios ignoram as orientações do Governo e dão tolerância de ponto no Carnaval.


 


ARCO DA VELHA - Em Loures um homem de 39 anos matou um vizinho de 35 anos a tiro por causa de uma discussão sobre o lugar de estacionamento do carro da vítima.


 


FOLHEAR - Confesso que a minha edição preferida da revista “Vanity Fair” é a do mês de Março, o célebre “Hollywood Issue”, dedicado aos Oscars do cinema. Desde a produção fotográfica da capa e do interior, até à escolha dos temas e dos intervenientes, esta é sempre uma edição espantosa. A capa, desdobrável, com o triplo do tamanho habitual, é feita mais uma vez, por Annie Leibowitz - que por estes dias vê a Taschem editar a edição especial de uma colectânea de retratos que ela fez ao longo de 40 anos numa edição especial de 476 páginas, com 70 cms de altura, cerca de 25 kgs de peso e que é vendido em conjunto com uma mesa de apoio desenhada por Marc Newson; algumas dessas fotografias estão nesta edição da “Vanity Fair”. Mas voltemos à revista - logo de entrada há quatro dezenas de páginas de fantástica publicidade das melhores marcas de moda. O tradicional retrato do mês mostra Ellen de Generis - e o editor Graydon Carter explica porque é que a escolha não recaíu, por exemplo, em Gwineth Paltrow, numa das suas melhores “Editor’s Letter” que me lembro de ler. Mas o prato forte desta revista é o portfolio do fotógrafo Chuck Close que mostra 20 retratos de estrelas do cinema - eu destaco a maneira como ele mostra Brad Pitt, Robert de Niro, Martin Scorsese,  Julia Roberts, Forest Whitaker, Bruce Willis, Sean Penn, Dustin Hoffman, Jessica Lange, Javier Barden, Herrison Ford e Steven Spielberg. Outro fotógrafo em destaque nesta edição é Sid Avery com as suas fotografias do quotidaino - como Brando a levar o lixo, Paul Newman em casa ou Elisabeth Taylor num intervalo de filmagens.


 


VER - Para mim, Rui Chafes aborda sempre a sua produção artística como uma reflexão filosófica - pelo menos é isso que sinto e é isso que me atrai nele desde que comecei a ver as suas obras - e as primeiras que vi foram as do hall de entrada do então recém inaugurado CCB. Trabalhando a escultura em metal, Rui Chafes paradoxalmente desafia a massa específica do material que usa e dedica-se a criar aparências de leveza. Por isso é tão bem achado o título desta exposição, “O Peso do Paraíso”, que mostra trabalhos feitos ao longo dos 25 anos de carreira de Rui Chafes, e que até 18 de Maio vai estar no interior do centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no jardim que rodeia o edifício. São peças notáveis - umas pela dimensão, outras pelo equilíbrio, outras pelo desafio. Não se fica indiferente face a uma obra de Rui Chafes e quem visitar esta exposição perceberá a forma como ele envolve, sem ser exibicionista. O equilíbrio, quando é delicado, fica sempre no pensamento.


 


OUVIR - Beck Hansen vive em Laurel Canyon, estrada de artistas de vários ofícios. O grande bluesman John Mayall fez em tempos, nos final dos anos 60, um álbum com o nome desta estrada. Dali vê-se Los Angeles e vislumbra-se Hollywood. Beck sempre quis ser um trovador moderno mas nunca esteve tão perto de o conseguir como neste seu 12º disco, “Morning Phase”. Há seis anos que não vinham novidades do seu lado, desde “Modern Guilt” de 2008. Mas aqui há de alguma forma um revisitar do seu trabalho de 2002, “Sea Change”. Há neste novo disco rastos mais evidentes e claros dos Byrds, de Neil Young é claro, mas também de Crosby, Stills & Nash ou dos Mamas & The Papas - e arrisco dizer que Buffalo Springfield passou por aqui - este é um revisitar do melhor que a west coast tinha para oferecer na segunda metade dos anos 60 e no início dos anos 70. Destaco “Heart Is A Drum”, “Turn Away” e sobretudo o poderoso “Blue Moon!”, cujo verso inicial resume tudo: “I’m So Tired Of Being Alone”. A primeira canção, “Morning”, conta a origem das coisas: “”Woke up this morning/ from a long night in the storm”. Este é um daqueles discos que vai estar na lista dos melhores deste 2014. (CD Capitol/ Universal)


 


PROVAR - Em Lisboa, nas Avenidas Novas, abriu já este ano uma mercearia e restaurante que é uma tentação a qualquer dieta. Chama-se “Aromas da Beira Baixa” e propõe pratos do dia como maranhos, lombo de porco com arroz de carqueja ou bucho recheado da Sertã - e tudo feito com preceito. Para os apreciadores de petisco há tábuas de queijos e enchidos, tapas variadas e as tradicionais tibornas. Na zona da mercearia, para quem quiser levar os petiscos para casa, estes “Aromas” oferecem uma selecção de queijo e de enchidos, entre os quais o célebre queijo amarelo da Beira Baixa, ainda recentemente louvado pela revista norte-americana “Saveur”. Para acompanhar propõe o afamado pão de Penha Garcia, estando igualmente disponível uma iguaria que é a bica de azeite (noutras regiões conhecido como bolo de azeite). Para rematar há biscoitos, compotas, chás de cultivo biológico da marca Ervas de Zoé, como um de Erva Príncipe. Nas compotas destaque para umas de ginja e de cereja recomendáveis a diabéticos e ainda uma de maçã e castanhas recomendada a todos. Nas prateleiras há ainda vinhos e azeites da região, tudo a preços sensatos. O almoço com o prato do dia, sopa e sobremesa fica por sete euros. A casa é simples e despretenciosa, o serviço é atencioso e simpático, quase familiar. Estes “Aromas da Beira Baixa” estão abertos de segunda a sábado, das 11 às 20, na Av. Marquês de Tomar nº 38.


 


DIXIT -  “Sem ir aos municípios, que são o osso duro de roer, não há reforma do Estado - com as freguesias era só riscar, não se ganha nada porque os municípios continuam a gastar” - António Barreto


 


GOSTO - Da assinatura da nova campanha publicitária da EDP, “a energia que nos une”.


 


NÃO GOSTO - Portugal tem a quarta maior taxa de desemprego da União Europeia



BACK TO BASICS - Não interessa se vamos muito devagar, o que interessa é nunca parar - Confúcio

fevereiro 21, 2014

E SE O CARRO DOS SORTEIOS CALHA A QUEM NÃO TEM CARTA?

COISAS - Esta semana dei comigo a pensar que os sorteios em que o Fisco vai oferecer carros aos contribuintes bem comportados pecam por poderem incorrer num agravar de desigualdades: e se os carrinhos saírem a cidadãos sem carta de condução, que podem eles fazer com os veículos? Estava eu a remoer  nisto dos veículos quando, num destes dias de chuva farta, reparei numa diligente brigada da EMEL bloqueando carros, que estavam bem estacionados, mas já com o tempo da vinheta excedido: de repente fez-se-me luz! O fisco oferece carros para contribuir para o aumento das receitas das multas e, no caso de Lisboa, para ver se consegue melhorar a situação financeira da EMEL.  Ocorreu-me então que se a Câmara Municipal de Lisboa fosse tão diligente a reparar as crateras que infestam as ruas lisboetas, como os esbirros da EMEL são pressurosos a passar multas e a bloquear, seria um prazer confortável andar de automóvel em Lisboa, em vez do presente raid de todo o terreno oferecido pela autarquia: atribulada é a estrada que leva a Belém - metaforicamente falando no caso de António Costa, muito na realidade constantando no caso dos condutores alfacinhas que para lá se queiram dirigir. Estava eu absorto a pensar nestas coisas quando constatei que foi em vésperas do Congresso do PSD que Vitor Gaspar apareceu numa encenação perfeita da recomposição do bloco central: o livro sobre as amarguras de um ex-Ministro das Finanças, designado pelo PSD, foi didaticamente apresentado por António Vitorino, um ex-Ministro socialista que se demitiu por uma questão relacionada com um pagamento de sisa ao Fisco. A plateia estava repleta de ilustres do PSD e sem uma alma próxima do CDS/PP. Olhando para o cenário ocorreu-me que gostava de saber se Rui Rio e António Costa trocarão SMS’s sobre os seus respectivos futuros durante o conclave do PSD que neste fim de semana abrilhanta o cartaz do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A História segue dentro de momentos.





SEMANADA - Uma sondagem do “Correio da Manhã” revela que três em cada quatro portugueses não tem confiança na CRESAP, o organismo que faz a selecção de recrutamentos para a administração pública, dirigido pelo senhor Bilhim; no final de 2013 o Estado totalizava 563 595 funcionários, menos 123 mil que em 2011; diversos tipos de fraudes lesam o Serviço Nacional de Saúde em mais de 200 mil euros por dia; a banca portuguesa eliminou mais de quatro mil postos de trabalho em três anos; Portugal foi o segundo país europeu com maior queda no consumo de energia, uma diminuição de 15,2% entre 2006 e 2012; a entrada de imigrantes indocumentados nos países da União Europeia aumentou 48% no ano passado; foi descoberta uma rede que proporcionava noivas portuguesas a imigantes ilegais a troco de 11 mil euros; perto de 30 municípios precisam de ajuda financeira urgente;  a Câmara de Cascais assinou um acordo para manter o horário de 35 horas semanais, em vez das 40 preconizado pelo Governo; o novo Presidente da Câmara Municipal de Gaia anunciou não dispôr de um milhão de euros para financiar o Mundial de Futebol de Praia em 2015, que tinha sido negociado por Luis Filipe Menezes com a Federação Portuguesa de Futebol; comentando a legislação que estabele a transferência de competências dos municípios para as freguesias, o Presidente da Cãmara de Aveiro, Ribau Esteves, afirmou que “esta lei foi feita de forma desgarrada com aquilo que é a sustentabilidade financeira para a executar”.


 


ARCO DA VELHA - Uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça considerou, num processo de divórcio baseado nas queixas de uma mulher que foi vítima de violência doméstica, que o facto de a mulher não ter saído de casa após o espancamento significa que a vítima perdoou ao marido.


 


FOLHEAR - Henri Cartier-Bresson, um dos maiores nomes da fotografia, morreu em 2004 e agora, no décimo aniversário da sua morte o Centre Georges Pompidou mostra uma exposição sobre toda a sua carreira, desde as primeiras fotografias que fez em finais dos anos 20, até aos desenhos, a que regressou no fim da vida. A exposição tem cerca de 500 trabalhos e documentos e mostra que não existiu apenas um Cartier-Bresson, evidenciando a evolução e as transformações que o seu trabalho foi tendo ao longo dos anos. A exposição estará patente até 9 de Junho e foi o pretexto para uma edição especial, fora-de-série, da revista semanal francesa “Le Nouvel Observateur”. Sob o título “O fotógrafo do século”, esta edição recolhe textos e depoimentos de contemporânneos de Cartier-Bresson, como Raymond Depardon, Sebastião Salgado e Josef Koudelka, evoca algumas das suas grandes reportagens, como nos Estados Unidos, México, União Soviérica e China, percorre a aventura que foi a fundação da agência fotográfica Magnum e fala de outras aspectos mais pessoais da sua vida. A exposição foi comissariada por Clément Chéroux, que dirigiu o catálogo (que pode ser adquirido na Amazon França), assim como o documentário “Le Siécle de Cartier-Bresson”, realizado porPierre Assouline para a ARTE. A edição especial da revista está já disponível em Portugal por €8.20 e tem 106 páginas. Uma edição para guardar.


 


VER - Estamos em época alta de exposições - por exemplo Rui Chafes na Gulbenkian, Ana Jotta na Culturgest, Michaelangelo Pistoletto no BES ART. Menos mediatizada mas muito interessante é a exposição de  Rui Sanches na Fundação Carmona e Costa, “Dentro do Desenho”, comissariada por João Pinharanda. Mais conhecido pelas suas esculturas, Rui Sanches apresenta aqui 60 desenhos, feitos ao longo dos últimos 30 anos. Quem tem seguido a sua obra sabe que o desenho surge naturalmente a par das suas esculturas e recorre a diversas técnicas e materiais que utiliza sobre o papel que lhe serve de base de trabalho. “Como síntese de uma atitude que abrange toda aobra de Rui Sanches, assistimos a uma organização do ver pensada do interior para o exterior” - escreve João Pinharanda no catálogo da exposição, sublinhando: “Tudo passa para dentro do desenho, tudo se passa dentro do desenho, tudo passa de dentro do desenho para fora dele”. A exposição está no Espaço Arte Contemporãnea da Fundação Carmona e Costa até 22 de Março, sempre de quarta a sábado, entre as 15 e as 20 horas. No mesmo local, mas no Espaço Artes Decorativas, fica até final do ano um projecto de Paulo Brighenti, “Pó”, neste caso um desenho de grande escala e uma caixa com cinco desenhos, ambos surpreendentes.


 


OUVIR - O quarteto do pianista de jazz norueguês Tord Gustavsen tornou-se particularmente notado com o seu disco “The Well”, de 2012. Já no início deste ano editou “Extended Circle” e mais uma vez faz da elegância e descrição da sua música o maior argumento. Há algo de tímido na sua sonoridade, entre o gospel e o insinuante funk do piano, há algo de orgulhoso no timbre do saxofone, há algo de magnético no entendimento do baixo e da bateria.  E sobretudo há uma forma apaixonada - e mais jazzística do que nele é costume - de percorrer o piano, desenhando suaves e intensas baladas. Dos 12 temas, nove são originais de Gustavsen, dois são improvisações do quarteto e há uma versão de um tema tradicional norueguês - e todas se sucedem de forna natural, na continuidade uma da outra, formando uma obra única. (CD ECM, na Amazon).


 


PROVAR - Em Lisboa, já se sabe, existem muitas nações e evocações de lugares distantes.  Em plena Pampulha, na intersecção da Infante Santo com o fim da Rua do Sacramento a Alcântara e o início da Rua Presidente Arriaga, há um pequeno restaurante nepalês, com uma escassa dúzia de mesas. A clientela é variada, desde diplomatas fardados de espiões (certamente saídos do vizinho Ministério dos Negócios Estrangeiros), até passantes de ocasião ou orientalistas dedicados. No local há as cores e fragrâncias da Ásia. Os pratos do dia podem incluir um caril de javali ou de veado, o pão com alho é delicioso e feito em forno de carvão, os preços são módicos. A comida é fundamentalista, o arroz é feito ao vapor, vem solto e aromático,  e é perfeito. Está aberto todos os dias, só encerra no Domingo ao almoço. Chama-se Himchuli e fica na Rua do Sacramento a Alcantara nº13, com o telefone 213 901 722.


 


DIXIT - "Quando alguém, no Canal do Panamá, abre a janela, que vê em frente? - Sines, um porto very beautiful" - António José Seguro na conferência da revista The Economist, em Cascais.


 


GOSTO - Do livro “Escrita Íntima”, que recolhe correspondência de Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, entre 1932 e 1961.


 


NÃO GOSTO - Há 44 autarcas investigados por corrupção pela Procuradoria Geral da República, e há cerca de 80 processos de investigação que envolvem corrupção no poder local


 


BACK TO BASICS - “O que já fiz não me interessa. Só penso no que ainda não fiz” - Pablo Picasso