abril 11, 2014

Arquivamento e prescrição de casos: as especialidades da justiça portuguesa

RETRATO -  As últimas semanas têm sido particularmente exemplares para se poder comprovar que, em Portugal,não temos um sistema baseado na Justiça mas sim um sistema baseado em manobras, truques e desleixos diversos para iludir a justiça. Ficou claro que a prescrição é agora um estado normal da justiça portuguesa, quer o crime seja financeiro ou de vida e morte, ou de costumes. A maior especialidade desenvolvida em Portugal pelo sistema judicial é o arquivamento de casos prescritos. A coisa chegou a um ponto em que o Governador do Banco de Portugal recomenda como medida para o assunto que se alargue o prazo de prescrição  - mas não ocorre atacar as causas do problema : as habilidades dos advogados que empatam julgamentos, a displicência de juízes e de procuradores, a falta de meios dos tribunais. Em Portugal quem tiver bom advogado e alguma influência pode ter esperança em passar pelo crime sem castigo - infelizmente é esse o ponto a que a percepção do cidadão comum chegou.


 


SEMANADA - Uma procuradora adjunta de Santa Maria da Feira deixou prescrever 19 processos; a procuradoria de Lisboa afirma que o novo mapa judicial não é viável; o crédito malparado nos empréstimos à habitação já subiu 7,85% face ao ano passado; o Banco de Portugal recebeu 17.911 queixas contra Bancos  em 2013, mais 15% que no ano anterior sobretudo por causa de créditos à habitação e ao consumo; os pedidos de ajuda à DECO no 1º trimestre só subiram entre os trabalhadores do Estado e os reformados; o volume dos depósitos das famílias nos bancos voltou a diminuir em Fevereiro pelo terceiro mês consecutivo;  o acordão do julgamento do processo “Face Oculta”, que se arrasta há dois anos e cinco meses, foi marcado para 5 de Setembro, daqui a cinco meses; o realizador Manoel de Oliveira, 105 anos de idade, iniciou esta semana no Porto a rodagem de um novo filme, “O Velho do Restelo”, graças a financiamentos públicos portugueses e franceses; Helena Roseta, presidente das Assembleia Municipal de Lisboa eleita pelo PS, criticou a actuação do município no processo da Colina de Santana e exigiu publicamente “lealdade e transparência” ao executivo de António Costa; os vistos gold fizeram disparar em 54% os preços dos imóveis de luxo em Lisboa; a Presidência da República, a Assembleia da República, diversas Cãmaras Municipais e numerosas empresas públicas não divulgaram qualquer contrato de aquisição de bens ou serviços, ao contrário do que o Tribunal de Contas exige; o deputado Miguel Frasquilho foi indicado para presidente do AICEP sem parecer prévio do Sr. Bilhim; um protocolo assinado no Ministério da Agricultura criou o o Centro de Competências do Tomate.


 


ARCO DA VELHA - O secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, interrogado por deputados na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, teve esta resposta: “Eu sou como o Pinóquio: quando minto o meu nariz cresce. Não está a ver o meu nariz a crescer - eu não estou a mentir”.


 


FOLHEAR - No panorama livreiro português restam poucas editoras independentes e a “Guerra & Paz”, dirigida por Manuel S. Fonseca, é uma delas - e uma das que trabalho mais interessante tem feito ao longo dos oito anos que leva de vida. «Fama e Segredo na História de Portugal», de Agustina Bessa-Luís, foi um dos primeiros livros que editou e quis o destino que fosse o último livro escrito pela escritora, antes de a sua saúde ter fraquejado. Talvez por isso, neste momento de aniversário da edtora, a “Guerra & Paz” relançou, em novas edições, dois títulos do seu catálogo:  “O Livro de Agustina - uma autobiografia”, que nesta versão editorial inclui o conto preferido da autora, “Um Inverno Frio”; e também esse maravilhoso encontro da escrita de Agustina com a pintura de Paula Rego sobre a série “As Meninas” - “Estão sempre alerta, sabem coisas proibidas, em volta delas as mulheres conspiram, inspeccionando a sua roupa de baixo. As Meninas são profundamente perigosas”. São duas edições verdadeiramente fundamentais - uma para entrar, sorrindo, dentro da vida da escritora e, outra, para ver a sua capacidade de observação e o encanto da sua cumplicidade com a criatividade de Paula Rego. São duas edições de excepção nestes tempos que correm.


 


VER - Raras vezes uma exposição de fotografia provoca uma impressão tão marcante como  “Este é o Lugar”, do sul-africano Pieter Hugo, que ficará na Fundação Gulbenkian até 1 de Junho. As imagens são duras, não são retratos passivos, são testemunhos de um tempo, de pessoas e de lugares. São imagens do quotidiano, mas não são instantâneos. São fotografias cuidadosamente produzidas, feitas em película e em câmara de grande formato. Pressupõem o estabelecimento de uma relação entre o fotógrafo e o fotografado que ultrapassa o momento. Cada uma permite adivinhar conversas, imaginar o que se estabeleceu, o que levou cada sujeito fotografado ou local escolhido até ali - ao momento da imagem fotográfica. Na realidade a exposição compõe-se de 15 ensaios diferentes, feitos entre 2005 e 2012, num trabalho persistente de rigor e coerência, de imaginação e de provocação. Esta é mais uma mostra exemplar da iniciativa “Próximo Futuro”, da Fundação Gulbenkian, programada por António Pinto Ribeiro.


 


OUVIR - Volta e meia há discos que me despertam e surpreendem. Discos em português, com letras que são histórias para além de rimas e tretas, palavras que contam testemunhos e relatos - que nos falam das vidas e de pessoas. Confesso que, distraído, nunca tinha ouvido falar de Capicua. No seu site dá como referência que nasceu em Cedofeita em 1982, descobriu o hip hop aos 15 anos, estudou e doutorou-se em sociologia. Tem uma longa lista de colaborações musicais, o primeiro trabalho foi editado pela Optimus Records e o segundo foi editado já este ano pela Norte-Sul. Chama-se “Sereia Louca” e evoca Kafka em abono do título. A edição tem dois discos, um de originais, outro de versões acústicas de trabalhos anteriores e qualquer deles é bom - mesmo o brinde acústico é muito bom. Rapper por etiqueta, o que me interessa mais em Capicua é o que ela canta, aquilo que escreve e a forma como conjuga as palavras com a música. Escreve boas histórias, retoma aqui e ali cantigas antigas, como “O Soldadinho”, de Reinaldo Ferreira, a que dá uma volta completa com a ajuda de Gisela João. Sente-se que tem gôzo em subverter as coisas, em ensaiar colaborações inesperadas como aquela “Lupa” em que a angolana Aline Frazão canta José Gomes Ferreira. Gostava de não colar uma etiqueta de género a este disco e dizer apenas que aqui está música contemporânea de Portugal. É coisa rara, cada vez mais rara hoje em dia. Não é saudade, mas tem passado; e ao mesmo tempo desenha o futuro com os pés no presente. Há muito que não ouvia um disco assim.


 


PROVAR - Em Setúbal, frente à doca dos barcos de pesca, há um passeio largo, que permite andar a pé ao longo do Sado, desde a saída dos barcos para Tróia, com a baía bem à vista.. Toda a zona tem sido recuperada nos últimos anos e entre velhos armazéns começaram a surgir novos restaurantes. O local onde tudo isto se cruza é a Rua da Saúde. Já se sabe que Setúbal é uma das cidades onde se come melhor peixe e numa recente visita deixei-mer seduzir pelo apelo de D. Manuela, que acolhe os clientes no restaurate “Baía do Sado”: esplanada confortável e bem protegida do sol e do vento, interior amplo. Logo à entrada está um balcão com o peixe e mariscos frescos. Havia uma bela dourada de 700 gramas que chamava por nós e umas navalhas, que por recomendação da casa e curiosidade nossa, foram feitas à moda de Bulhão Pato. Nunca as tinha provado neste preparo e gostei. A dourada estava primorosamente grelhada, mantendo a frescura e o sabor, sem secura nem estorricanços. Os legumes cozidos no ponto foram o acompanhamento. O pão, que se provou com azeitonas e, depois, na infusão criada pelo Dr. Bulhão, estava denso e saboroso. Acompanhou um vinho branco da região, fresco e levemente frutado. O serviço foi escorreito e no final a conta foi uma agradável surpresa. A esplanada foi um prazer para a vista e o peixe e as navalhas excederam o que se esperava. A Baía do Sado fica no nº 46 da Rua da  Saúde e o telefone é o 265 553 247.


 


DIXIT - “Muito bem. Fica registado o seu insulto, ao qual não vou responder” - José Rodrigues dos Santos, em reação à afirmação de José Sócrates: “não basta papaguearmos tudo aquilo que nos dizem para fazer uma entrevista”.


 


GOSTO -Catarina Sobral foi escolhida na Feira do Livro Infantil de Bolonha como a melhor ilustradora para a infância, garças ao seu livro “O Meu AvÔ”.


 


NÃO GOSTO - Continuam a prescrever processos no caso BCP



BACK TO BASICS - Não esperem pelo julgamento final, ele realiza-se todos os dias - Albert Camus

abril 04, 2014

SOBRE O EFEITO DAS ELEIÇÕES NA RAÇA HUMANA

ELEIÇÕES - Um homem que eu me habituei a considerar inteligente, e que de certa forma parecia destoar da pobreza da classe política, é Paulo Rangel. E, no entanto, empolgado pelo clima eleitoral e pela sua condição de cabeça de lista do PSD e PP às europeias, ei-lo que se deixou enebriar pelas próprias palavras e criou um caso onde o prazo de validade da notícia já tinha quase esgotado - o manifesto pela reestruturação da dívida. Confesso que me custa a perceber a relação entre a falta de jeito para a táctica política com a abundância de dotes oratórios. Ele há pessoas que gostam tanto de se ouvir a si próprias, que depois se embrulham no discurso e nas palavras, que degustam, deliciados, sem lhes ocorrer que o sabor que os entusiasma é o da cicuta. Estes oradores kamikaze, que nos últimos tempos têm feito escola no PSD em diversos níveis, são quem alimenta a desconfiança nos políticos. Quem está a dar brasa ao manifesto é quem faz declarações como as de Paulo Rangel sobre a falta de adesão do tal manifesto - gerou instantaneamente pretexto para uma petição que cresceu velozmente e que chegou a recolher assinaturas de três dezenas de oficiais generais e oficiais superiores das forças armadas. Não havia necessidade, mas o tiro no pé está dado e Rangel vai andar coxo até ao fim da campanha. Mas esta campanha das europeias é coisa pequena comparada com a outra que está em curso - no PSD decorrem umas verdadeiras primárias para as presidenciais: este fim de semana Durão Barroso saíu de Bruxelas e deu à costa mais ocidental da Europa para tactear terreno; no dia a seguir Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou o espaço que tem na TVI para comentar Durão e desfazer metodicamente o governo, como quem arranca asas a moscas - de Poiares Maduro a Passos Coelho ninguém escapou; e Santana Lopes, claro, comentou sibilinamente as intenções do regresso de Durão às primeiras páginas dos jornais portugueses. O diário das primárias para as presidenciais arrisca-se a ser mais animado que o diário das europeias.


 


SEMANADA - Foi divulgado um relatório de um organismo oficial  a concluir que a fuga de cérebros pode causar sérios danos à economia nacional;O total de inscritos com mais de 30 anos em licenciaturas no ensino superior público caíu cerca de 30% ; aqui ao lado, em Espanha, registou-se, no mesmo grupo, um aumento de cerca de 18%; os alunos do ensino obrigatório com mau aproveitamento escolar custam 250 milhões de euros por ano ao Estado; quase 8500 crianças e jovens foram retirados às famílias em 2013; há mais de cinco mil pessoas sem abrigo em Portugal; o abastecimento de água corrente foi cortado por falta de pagamento a mais de 42 mil casas; desde a chegada da troika os impostos aumentaram 35% para os particulares e 15% para as empresas; uma em cada dez casas na orla costeira está desocupada; as vendas de carros novos cresceu 48% nos primeiros meses de 2014, com as marcas Mercedes e BMW em destaque;  Bruxelas anunciou que não financiará a construção de  mais estradas em Portugal; 207 milhões de cupões concorrem ao primeiro sorteio dos Audis da sorte; a assembleia distrital de Vila Real foi ameaçada de penhora por salários em atraso;  os sectores dependentes do salário mínimo mais que duplicaram desde Abril de 2011;  o total de familias com rendimentos anuais inferior a 10 mil euros passou de 2,3 milhões em 2010 (48% do total) para 3 milhões (66%) em 2012; em 2013 o número de manifestações caíu 6%  e estas manifestações foram vigiadas por 31 257 polícias, quase o dobro de agentes ocupados na mesma actividade que no ano anterior no qual, no entanto, se registaram mais protestos; o PSD considerou que o secretário de Estado que anunciou cortes permanentes nas pensões, José Leite Martins,  teve “um momento infeliz”; a agência de publicidade Mosca decidiu dar novo nome ao dia 1 de Abril, passando a chamar-lhe Dia do Político.


 


ARCO DA VELHA - Um procurador adjunto de Braga deixou prescrever vários processos, entre os quais um de burla e falsificação, que lesou o Estado em mais de um milhão de euros, e outro que permitiu o arquivamento de uma investigação aos rendimentos do ex presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado.


 


FOLHEAR - A edição de Março do British Journal of Photography é dedicada a David Bailey, apresentado como “o mais conhecido fotógrafo britãnico, cronista visual dos agitados anos 60 londrinos e ainda cheio de energia a trabalhar”. A revista, que é uma das melhores fontes de informação sobre o que se faz de novo em fotografia,, aborda desde edições de livros até novas exposições e publica sempre portfolios que resultam de projectos pessoais. Nesta edição destaco o trabalho de Salvi Danés, um catalão que mostra o seu olhar sopbre Moscovo, e da californiana Elizabeth Moran, sobre espaço habitados. Este número de Março reproduz os principais trabalhos escolhidos na edição deste ano do World Press Photo, mas o prato forte é uma entrevista com Martin Parr, o fotógrafo da Magnum que meteu mãos à obra a mostrar ao mundo a importância dos photobooks - já vai no terceiro grande volume da série. E, claro, há Bailey, David Bailey - 12 páginas com imagens e história desta figura de referência da fotografia e da sua carreira de mais de 50 anos -  aqui se mostram retratos  de Joseph Beuys, Patti Smith, Marianne Faithfull e Man Ray, entre outros.


 


VER - O ponto forte da Galeria Ratton está nos azulejos e na relação que consegue estabelecer com pintores, convencendo-os a experimentar aquele suporte cerãmico. Foi o que aconteceu quando em 1989 convidou Luisa Correia Pereira a experimentar o azulejo. Desde esta semana e até 20 de Junho a Ratton mostra obras dessa época, feitas pela artista nos anos 80 e 90, muitas inéditas, umas em azulejo, outras aguarelas, outras em técnica mista sobre papel e outras em acrílico sobre tela. Olhos amigos dirigiram-me para as pequenas aguarelas, que aproveito para juntar aos azulejos avulsos que são seus familiares próximos. A Ratton, bem perto do sempre polémico Tribunal Constitucional, é uma espécie de oásis onde se mostra o que não se epera ver e onde se descobre o que apetecia conhecer - é isso que se passa com a obra de Luisa Correia Pereira. Rua da Academia das Ciências 2C, das 15h00 às 19, mais informações em galeriaratton.blogspot.com .


 


OUVIR - Em 1998 os Silence 4 ganharam súbita fama e notoriedade com o seu álbum de estreia, “Silence Becomes It”. que ao longo do tempo vendeu 230 mil exemplares, um número muito respeitável no panorama das edições discográficas portuguesas. As vozes de David Fonseca e Sofia Lisboa, as melodias das canções e as histórias contadas nas letras, escritas em inglês mas rapidamente assimiláveis, como o hit “Sorrow” bem mostrou, foram a chave do sucesso da banda. O segundo disco, “Only Pain Is Real” continua o encanto, mas perde o efeito surpresa. É destes dois discos que se faz a lenda e eles são a matéria prima de uma belíssima edição, em caixa- “Silence 4- Songbook 2014”, agora editada. Além dos dois discos de originais inclui-se um disco de gravações avulsas feitas entre 1996 e 2000, e que inclui demos, registos ao vivo e remixes, apropriadamente intitulado “Rarities”. A edição fica completa com um DVD que agrupa  os concertos do Pavilhão Atlântico em 1998 e do Coliseu dos Recreis em 2000, e que inclui ainda os videos de “Borrow”, “My Friends”, “To Give” e “Only Pain Is Real”. Como David Fonseca dizia no início da carreira da banda, é mais fácil cantar sobre sentimensos pessoais em inglês, porque assim há menos gente que percebe… Cá por mim continuo a ter saudades da maneira como Sofia Lisboa cantava nesses tempos.


 


PROVAR - Esta é a época da lampreia e ainda não provara uma até há uma semana atrás. Nos últimos anos tinha continuado a poder degustar a lampreia minhota que se fazia no antigo “Manel” do Parque Mayer, e que o herdeiro da casa  tinha levado para o restaurante do Clube de Ténis de Monsanto - que entretanto deixou. Fiquei contente por saber que Júlio Calçada vai abrir nova casa na Rua do Salitre, mas a verdade é que fiquei sem lampreia. Foi o pretexto para regressar à Adega da Tia Matilde, ao Rego, na Rua da Beneficência, onde já não ía há uns anos.. A qualidade continua a ser superior e não é por acaso que a lampreia servida na Tia Matilde está no top do que, na matéria, se faz em Lisboa. Desta vez preferi à bordalesa: no fundo é uma lampreia estufada, muito bem estufada, num molho cremoso que incorpora o sangue do bicho, servida sobre fatias de pão frito e acompanhada de arroz carolino no forno. A lampreia estava na boa fase, com ovas saborosas, a dose era abundante, o molho e o tempero estavam a preceito e o arroz era exemplar. Convém sempre marcar, apesar de a casa ser grande. Rua da Beneficência 77, telefone 21 797 2172, tem parque de estacionamento nas traseiras com acesso directo por elevador ao restaurante.


 


DIXIT - “Em vez de riqueza só nos sobejam dívidas para redistribuir” - Medina Carreira


 


GOSTO - A iniciativa Art On Chairs, da Câmara Municipal de Paredes, foi distinguida em Bruxelas como o melhor projecto europeu na área do desenvolvimento regional.


 


NÃO GOSTO - Da fuga às reponsabilidades ensaiada por Vitor Constâncio, e apadrinhada por vários notáveis, no caso da falta de supervisão do Banco de Portugal ao BPN.



BACK TO BASICS - Ler é mais importante que escrever - Roberto Bolaño

Informação na charneira da Mídia

Aos poucos, a noção de Mídia que tínhamos há uma década está a alterar-se. Mais do que falarmos em meios, devíamos falar em canais de distribuição de conteúdos: é isso que, hoje em dia, são a Internet, a rádio, a televisão, os jornais e as revistas.



Já nenhum produto vive exclusivamente no meio para o qual foi inicialmente concebido – as séries de televisão são também vistas num computador portátil ou num tablet, as notícias de um jornal são vistas mais depressa no digital que no papel, a rádio ouve-se tanto nas suas transmissões hertzianas como no streaming digital. Nenhum grupo de comunicação pode, hoje em dia, ignorar que a combinação otimizada entre os vários canais de distribuição à sua disposição é a chave do sucesso.

O tempo tem mostrado que as marcas de informação que melhor funcionam – e que mais rendimentos conseguem de assinaturas ou de publicidade, ou de ambas – são aquelas que melhor exploram a convergência entre as diversas plataformas.

Ainda não existe um modelo de negócio sedimentado, mas é possível perceber que, ao fim de alguns anos, o The Guardian, de Londres, cujo site tem acesso totalmente livre, já conseguiu começar a sair do encarnado; e que os resultados do The New York Times, que tem um sistema misto, são também animadores.

Por outro lado, constata-se que os jovens adultos que ingressam na vida ativa mostram uma tendência para deixar de aceder exclusivamente a noticiário online, e começam a consumir informação impressa, através de um sistema em que uma assinatura é válida em todas as plataformas.

A informação continua a ser um dos maiores motores de captação de audiências – o Twitter tornou-se uma fonte de notícias de última hora e cerca de 50% dos utilizadores do Facebook usam a rede social para saberem notícias de atualidade. Uma organização noticiosa hoje não se limita a ter uma edição tradicional – usa também as redes sociais para alargar a sua influência e a notoriedade da sua marca.

É cada vez mais evidente que as marcas mais antigas e prestigiadas de informação, e que na maioria provêm de empresas editoras de jornais e revistas, são aquelas que conseguem maior confiança e reconhecimento dos seus consumidores.

Um recente estudo feito nos Estados Unidos mostra que, em relação a produtos de comunicação essencialmente baseados em notícias, os jornais e revistas captam a maior fatia do investimento publicitário, à frente das estações de televisão noticiosas (cable news channels). Aqui está um caso em que a televisão não bate a imprensa.

Mesmo nesta época digital, as notícias da morte da imprensa são largamente exageradas – e as notícias da perca de influência da informação são completamente erradas. Mudam-se os tempos, mudam-se os canais de distribuição, mas a essência das coisas continua.


março 28, 2014

APELO À ASSEMBLEIA MUNICIPAL SOBRE A PREPOTÊNCIA DA EMEL

EMEL - Esta semana voltei a irritar-me com esse organismo de violentação dos contribuintes lisboetas que se chama EMEL. O facto de os seus regulamentos, ditados pela empresa, serem aprovados pela Assembleia Municipal, serve para justificar face aos cidadãos que as anacrónicas regras de comprovativo de residência a que obrigam (e que são uma violação do direito à privacidade) não podem ser alteradas sob pretexto algum. O direito elementar de um cidadão residente, recenseado e contribuinte em Lisboa, a poder escolher a zona onde pretende estacionar de forma fixa é negado com base em questões burocráticas e de essência policial. Quando há uns tempos escrevi isto recebi uma chamada telefónica do Presidente da EMEL, entretanto reconduzido por António Costa, dizendo-me que não tinha razão. Pedi novo parecer sobre o mesmo tema e veio a mesma reposta - os cidadãos não têm direito a escolher. Outra prova da arrogância da empresa e dos seus dirigentes está o facto de o estacionamento pago ser introduzido em novas zonas, como recentemente em algumas artérias de Campolide, sem a mínima acção de sensibilização dos moradores ou residentes ou sequer uma informação pública e local sobre a data a partir da qual entrariam em funcionamento os parquímetros - embora este entrar em funcionamento seja relativo porque mesmo novos limitam-se nalguns casos a caçar moedas sem fornecer o impresso comprovativo. Se há empresa municipal cujo funcionamento devia ser repensado de cima a baixo, e cujos regulamentos deviam ser redefinidos, é esta  EMEL. Deixo aqui um apelo à Assembleia Municipal para rever e pôr na ordem os procedimentos e abusos de poder da EMEL, já que os vereadores e o Presidente não dão mostras de se interessarem por este assunto.


 


SEMANADA -  Sondagens desta semana apontam para uma abstenção da ordem dos 60% e para um empate técnico entre PS e coligação PSD/PP; Edite Estrela, que recebeu este ano o prémio  MEP Awards, em Bruxelas, por ter sido considerada a melhor deputada europeia nos assuntos sociais e emprego, não faz parte da lista que o PS apresenta às próximas eleições europeias; o slogan do PS para as eleições europeias é “Mudança!”;  o Conselho de Ministros debateu na semana passada os novos cortes, entre 1,5 e 1,7 mil milhões de euros; um dia depois do Conselho de Ministros Marques Mendes anunciou, no seu comentário semanal na SIC, cortes no mesmo valor; o primeiro ministro disse segunda-feira que o pacote das novas medidas de austeridade que inclui cortes entre 1500 e 1700 milhões de euros vai ser conhecido em Abril, quando for apresentado o Documento de Estratégia Orçamental; apesar de tudo isto o líder parlamentar do PSD garantiu terça-feira que não surgiriam mais cortes;  cerca de 55% dos jovens portugueses entre os 18 e 29 anos  não têm meios para garantir a sua independência e continuam a viver em casa dos pais;  1532 familias pediram á EPAL a tarifa social da água; universidades e politécnicos já fecharam 150 cursos este ano lectivo; metade dos alunos do 3º ciclo já pensaram em emigrar; risco de insucesso escolar afecta 23,8% dos alunos do primeiro ciclo; os automóveis do sorteio do fisco vão custar 1,55 milhões de euros aos contribuintes; metade da frota automóvel da PSP e GNR tem mais de 10 anos; cada um dos carros sorteados pelo fisco irá significar em custos de circulação e manutenção cerca de 350 euros por mês a quem fôr premiado e utilizar o veículo em deslocações normais.


 


ARCO DA VELHA - Nos dois primeiros meses deste ano a despesa com juros e outros encargos do Estado disparou 47,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, e desde o início do ano os contribuintes pagaram 13,1 milhões de euros por dia para esses juros e pagaram 39,1 milhões de euros por dia em IRS.


 


FOLHEAR - Os numerosos exemplares da edição de Abril da revista “Monocle” que são  distribuídos em Portugal ostentam na capa um autocolante amarelo que diz “Portugal, the nation that dresses the world”, um chamariz para um artigo no seu interior sobre a excelência dos têxteis portugueses que, ainda na primeira página, têm direito a uma chamada: “Tchau China: How Made In Portugal Is Going Premium”, e isto a respeito de um artigo onde se relata como algumas das melhores marcas de roupa estão a escolher fabricar em Portugal pelo cuidado colocado no fabrico e  pela qualidade da confecção. Esta edição tem precisamente por tema a roupa e os acessórios, desde quem os desenha a quem os fabrica e vende. Numa secção desta edição dedicada a exemplos de boa governação surge em destaque o Presidenet da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira - e  conhecendo eu a revista desde praticamente o princípio quer-me parecer que este é o primeiro português em cargos políticos a aparecer com este destaque. Quem aparece também em destaque é a fábrica têxtil Somelos de Guimarães e referências à qualidade do mobiliário e da cerâmica portuguesa.


Outros temas: uma bela reportagem sobre a renovação da histórica cidade chinesa de Xi’an, antiga capital imperial, a selecção de lojas exemplares dos quatro cantos do mundo, o guia de moda (que inclui os sapatos de camurça Green Boots produzidos em Leiria), um guia de produtos (que inclui o creme Benamor), uma destaque sobre o kit de sobrevivência da editora lisboeta Serrote e um guia de locais e urbanizações que vão dar que falar, de Londres a Porto Rico, passando por Berlim. Finalmente, para quem gosta de comunicação, recomenda-se o artigo sobre o talk show “Skavlan”, que faz êxito nos países escandinavos. Uma edição a não perder.


 


VER - Ana Vidigal tem vindo a desenvolver desde a sua exposição retrospectiva “Menina Limpa, Menina Suja”, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, uma série de pesquisas e ensaios, sempre muito pessoais, onde aqui e ali se sentia a procura de novos rumos. A sua nova exposição, inaugurada esta semana na Galeria Baginski mostra como ela conseguiu encontrar um novo caminho que lhe possibilitou um passo em frente. “Em Primeiro Lugar O Fim”, assim se chama a exposição, reúne 15 novos trabalhos que evidenciam novas formas de ver e de mostrar - não é uma ruptura com o passado, mas é uma mudança de tempo, no sentido em que a obra, agora, se projecta mais no presente e no futuro sem renegar o que ficou para trás. Há elementos de continuidade em algumas peças, mas existe, na maioria, um sentido de descoberta que Ana Vidigal consegue partilhar - e esse é o maior encanto desta nova série de obras. A exposição vai estar até 24 de Maio na Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato. A inauguração foi uma festa, com uma animação que vai sendo rara hoje em dia - uma alegria de mostrar o que se faz, que contrasta saudavelmente com o cerimonioso enfado institucional de tantos outros locais.


 


OUVIR - Há uns anos a prestigiada etiqueta discográfica Deustche Grammophon começou a fazer um reposicionamento em termos de novas edições, procurando alargar o leque do seu catálogo para passar a incluir outros géneros musicais, alguns mais populares, outros de inspiração etnográfica, e outros de fusão. Entre os novos intérpretes cedo se destacou o guitarrista montenegrino Milos Karadaglic, com os seus dois primeiros discos, “Mediterraneo” de 2011 e “Latino” de 2012, exemplos do seu virtuosismo. Neste seu terceiro álbum, “Aranjuez”, gravado com a London Philarmonic Orchestra dirigida por Yannick Nézet-Séguin, o guitarrista executa uma versão do “Concierto de Aranjuez” de Joaquim Rodrigo que é um exemplo de equilíbrio entre a orquestra e o solista. Mas é sobretudo em “Fantasia Para Un Gentilhombre”, também de Joaquin Rodrigo, que se evidencia aquilo que é a maior característica deste CD - a prova da capacidade de interpretação e da subtileza de Milos Karadaglic e da sua guitarra.


 


PROVAR - Há restaurantes que têm uma vida dupla. Outros, como este, têm uma vida tripla: almoços económicos, petiscos e wine bar de fim de tarde, jantares e por vezes fados lá mais para a noite, às terças-feiras. O local existe desde Novembro do ano passado, chama-se “Taberna Saudade” e tem, por fora e por dentro, uma decoração que dá gosto. No exterior chamarizes do tempo antigo, mas actuais; no interior uma guitarra portuguesa e uma viola dominam uma parede, junto a uma fotografia de Alfredo Marceneiro. Uma dúzia de pequenas mesas confortáveis e um bar de passagem completam o local. Ao almoço há pratos do dia - coube-me um caril de lulas e um entrecosto no forno com grelos, ambos sem direito a reparos. Noutros dias pode encontrar iscas com elas, rojões com migas de batata e lombarda salteada, frango de cabidela ou arroz de polvo, por exemplo. A página do Facebook vai colocando a ementa diária. Nos petiscos há preciosidades como esse raro enchido que é a cacholeira e alguns queijos seleccionados. Tudo foi acompanhado por um tinto Monte das Cascas, que se portou muito bem - e a conta foi módica. Para quem queira há cerveja artesanal Sovina e Ginjinha Saudade para rematar. A “Taberna Saudade” fica perto da Pampulha, na Rua Presidente Arriaga 69 e tem o telefone 213 950 730.


 


DIXIT - “Eu não vinha preparado para isto” - José Sócrates em resposta às questões colocadas por José Rodrigues dos Santos


 


GOSTO - Da campanha “recuperar a esperança”, do BES


 


NÃO GOSTO -  O risco de pobreza atinge quase dois milhões de portugueses


 


BACK TO BASICS - Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta - John Galbraith

março 21, 2014

SOBRE A INFLUÊNCIA DA PRIMAVERA NA POLÍTICA

TEMA - Quanto mais o sol brilha, mais me parece que este país precisa de uma primavera política. Olho à volta, vejo os deputados comentadores dos canais de televisão e confirmo que os nossos políticos são invernais, quanto muito outonais, mas sempre cinzentos, tristes e com uma previsibilidade de ideias assustadora. Levam-se demasiado a sério, interpretam muito, analisam imenso, alguns reproduzem o que lhes dizem, há quem apenas diga o que outros querem ouvir. Falam para o umbigo dos partidos. Não admira que os programas  de debate sobre futebol tenham maior audiência nos canais de informação que os debates entre políticos - são mais bem humorados, fazem poucas promessas e são bem mais sinceros. O actual Governo cumpriu os seus primeiros mil dias de existência e, para mim, o seu pecado capital é ter-se esquecido que a parte mais importante da governação é convencer as pessoas, procurar ganhar o seu apoio, explicar o que se faz e o que nos espera à frente. Não há política possível sem ter em conta as pessoas e lembrarem-se apenas delas nos momentos eleitorais tem levado o país ao estado em que está. Em vez de programas fazem-se promessas; em vez de estratégias fazem-se manobras tácticas; em vez de reformas fazem-se manobras. Portugal vive em ciclos, é um país bipolar inconstante, e acaba sempre por penalizar quem não deve, deixando impune quem  merecia castigo.


 


SEMANADA - Em 2012 o tempo médio para resolver uma acção em tribunal foi de 860 dias ou 2,3 anos em 2012; os tribunais portugueses levam em média dois anos para decretar uma insolvência; os tribunais custam 45 euros por ano a cada português; após três horas de reunião soube-se que  o estado da nação é uma divergência insanável; 48% dos portugueses manifestam-se a favor de maior transparência na vida política; um relatório da OCDE diz que 15% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos não tem qualquer ocupação; o mesmo relatório diz que seis em cada dez desempregados não recebem subsídio e 49% dos 850 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano; 36% dos espanhóis confiam no Governo do seu país e em Portugal o número é de 26%, o segundo mais baixo da Europa; a despesa em saúde publica per capita em Portugal é a segunda mais baixa da Europa; mais de 60% das obras públicas derrapam nos prazos; em 2012 o procedimento adoptado em 96,2% de todos os contratos públicos foi o ajuste directo; o Presidente da República marcou as eleições para o Parlamento Eurtopeu para 25 de Maio, apelou à participação dos eleitores e recomendou contenção aos partidos; António Costa recomendou ao Governo que deixe em paz o lixo de Lisboa; existem cerca de três mil ninhos de cegonhas em torres de distribuição eléctrica.


 


ARCO DA VELHA - Retrato instantâneo da crise da imprensa: três quartos dos portugueses têm acesso a canais de cabo e quase 30% dos espectadores preferem-nos -  mas grande parte da imprensa ainda só dá informação regular sobre a programação dos canais generalistas.


 


FOLHEAR - Habituei-me a ver em José Manuel Felix Ribeiro um dos poucos economistas que, além de fazer o diagnóstico da situações, elenca estratégias possíveis e propõe soluções concretas. Isso distingue-o dos econo-políticos que desgraçadamente povoam o arco da governação. O seu novo livro, “Portugal - A Economia de Uma Nação Rebelde” é um belo guia de ideias para estes tempos que atravessamos - “findos os primeiros quarenta anos do regime democrático, está na altura de definir um novo conjunto de escolhas fundadoras para as próximas décadas”, como diz o autor nesta sua obra que, salvaguardadas a distância e o contexto, bem podia ser encarada como uma espécie de “Portugal E O Futuro” contemporâneo. “Portugal - e o espaço lusófono - só sobreviverão com relevância mundial num quadro da  globalização, naturalmente organizado em torno dos oceanos. E por isso é que Portugal e o espaço lusófono têm como aliados naturais o espaço anglo-saxónico (e os Estados que com ele se articulam)” - sublinha Felix Ribeiro, para depois afirmar: “A proposta de uma parceria transatlântica de comércio e investimento proposta pela Administração dos EUA é o futuro que nos interessa explorar. Do mesmo modo que são as relações históricas múltiplas com Estados da Ásia que constituem o elemento mais diferenciador de Portugal no contexto europeu - relações históricas com a Índia, o Japão, a China e a Malásia”. O livro analisa e elenca sectores, traça prioridades e culmina com a proposta de um novo mapa de alianças para crescer na globalização. São ideias e propostas invulgares, algumas polémicas, outras de uma desarmante evidência. Mas merecem ser conhecidas e debatidas, em vez das estéreis discussões de conveniência que por aí abundam. Aqui está boa matéria de discussão nas europeias.


 


VER - Vai-se a um dos bons Hotéis de Lisboa, o Tivoli, e entra-se no seu restaurante do piso de entrada, a Brasserie Flo, cujas janelas dão sobre a Avenida da Liberdade - e onde se podem degustar das melhores ostras de Lisboa e um bife tártaro exemplar. Agora este espaço do Tivoli passou a apresentar regularmente obras de arte contemporânea. A estreia coube a Inez Teixeira com a exposição de pintura e desenho “O Jogo das Nuvens”, que estará exposta no restaurante até 15 de Junho. Depois seguir-se-ão fotografias de Pauliana Valente Pimentel. A exposição compreende 3 impressões digitais sobre tela a partir de desenhos e dois originais, de acrílico cobre tela. A paisagem volta a ser o tema dominante nestes desenhos e pintura que mostram mais uma vez como o olhar meticuloso de Inez Teixeira interpreta o mundo à sua volta.


 


OUVIR - Anne Clark toca 13 diferentes instrumentos mas é na guitarra eléctrica que verdadeiramente ela dá cartas e mostra um talento, discreto, mas constante. A forma como canta também contribui para a sonoridade que é a sua imagem de marca. Este seu quinto disco, “St. Vincent” é porventura aquele onde ela consegue mostrar de forma mais saliente a progressão na composição e interpretação das suas canções, em simultâneo com a consolidação de um estilo próprio. A sua imagem ficou marcada pelas colaborações com David Byrne em 2012, que lhe deram notoriedade mas puseram à sombra da fama alheia. Neste novo disco ela sai da sombra e afirma-se, logo desde a faixa de abertura, “Ratllesnake”, marcada pela electrónica, até ao humor cáustico da letra de “Digital Witness” ou da deliciosa balada com que finaliza o disco, “Severed Crossed Fingers”. É justo destacar ainda a forma como ela toca guitarra em “Birth In Reverse”, o esplendor de “i Prefer Your Love” ou os desafios de “Prince Johnny”. 40 minutos de grandes canções.


 


PROVAR - Até aqui o Largo da Anunciada, em Lisboa era conhecido por duas coisas: ficava perto desse clássico que é o “Solar dos Presuntos” e da Ervanária da Anunciada, casa de pergaminhos em produtos naturais. Agora adiciona-se à lista de pontos de interesse do local a “Champanheria do Largo”, um misto de wine bar com restaurante, onde petiscos se conjugam com ampla selecção de champagnes e espumantes e uma curta mas bem escolhida lista de vinhos. Muita desta existência está disponível a copo. Existe ainda a changria que como o nome indica é uma sangria de champagne e uma champirinha que por estas horas já adivinharam o que é. A lista de petiscos é extensa e variada, a decoração é contemporânea e confortável, existe uma pequena esplanada, o serviço é atento.  A Champanheria é dos mesmos proprietários do Avenue, que fica do outro lado da Avenida da Liberdade, quase em frente. A clientela tem estrangeiros encaminhados dos hotéis que são próximos, mas pode também ter figuras como o Chef Rui Paula, do DOC e do DOP, recentemente a ganhar fama de júri televisivo - a bem dos seus restaurantes espero que a prestação televisiva não o faça descurar aquilo que lhe deu notoriedade.


Uma recente visita permitiu provar, com agrado, uns peixinhos da horta de fritura impecável e de tempero aromático inesperado, vieiras frescas na chapa, mini hamburgueres de pato acompanhados de batata doce frtta às rodelas finíssimas, uns muito bem apanhados croquetes de ostra e, a rematar, uma sopa de frutos vermelhos com papos de anjo. A petisquice foi acompanhada pelo transmontano Vértice, o nosso espumante que não se apaga ao lado de muitos champagnes. Largo da Anunciada 20, telefone 213 470 392, encerra às segundas, aberto entre as 12 e as 24.


 


DIXIT - “A primeira qualidade que por aí acham que um Primeiro Ministro deve ter não é a lucidez. Nunca dizem: "Vou dar o máximo para manter a capacidade de lucidez." Em vez disso, a primeira frase que se ouve sobre os nossos últimos PM's é: "Vejam a coragem das medidas que está a tomar" - José Medeiros Ferreira em entrevista ao Negócios em 2012.


 


GOSTO - “Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável” - frase final do livro “O Segredo do Hidroavião”, de Fernando Sobral


 


NÃO GOSTO - Em 15 hospitais portugueses há falta de anestesistas.


 


BACK TO BASICS - O talento acerta num alvo onde mais ninguém consegue acertar, mas o génio atinge um alvo que ninguém conseguia ver  - Arthur Schopenhauer


 

março 14, 2014

SINAIS DOS TEMPOS NAS PRIMEIRAS PÁGINAS DOS JORNAIS

SINAIS - As primeiras páginas dos jornais desta semana oscilaram entre as imagens de um cabo da GNR, inicialmente fardado a preceito, a fazer strip tease numa ladies night de uma discoteca de Oliveira de Azeméis, uma foto de Maria e Aníbal Cavaco Silva de pacote Cerelac na mão depois de o Presidente da República ter garantido que a austeridade era para ficar, e as variadas notícias e consequências de um manifesto a favor da reestruturação da dívida, que já provocou baixas entre os consultores do Presidente da República que acharam por bem subscrevê-lo.  O dia a dia do país assemelha-se a um reality show - as semanas ficam marcadas por imagens ridículas e actos manhosos. Sucedem-se os escândalos, as prescrições de justiça, ouvem-se os mesmos de sempre a dizerem a mesma coisa, num ensaio geral de palavreado para umas eleições europeias que suscitam desinteresse e bocejos generalizados. De dentro dos partidos que apresentam candidatos surgem vozes clamando contra a má qualidade das respectivas listas e o tema mais quente do momento continua a ser debater quem irá a votos nas próximas eleições presidenciais. Se um marciano aqui passasse diria que Portugal está virado do avesso. Muito provavelmente é isso mesmo que acontece.


 


SEMANADA - Cavaco Silva começou a semana a fazer futurologia sobre os próximos 20 anos e, contra os objectivos que o próprio anunciou, criou uma tempestade em vez de promover consenso; em resposta 70 pessoas, de quadrantes bem diversos, pediram para se equacionar uma reestruturação da dívida, num movimento de diálogo bem maior que qualquer iniciativa presidencial; Morais Sarmento criticou o desempenho  de Cavaco enquanto Presidente da República; Santana Lopes disse que Cavaco Silva manifesta falta de força política; Mário Soares recebeu o prémio “personalidade do ano da imprensa estrangeira” e, na cerimónia, foi notada a presença de José Sócrates e a ausência de António José Seguro; José Sócrates anunciou que irá colaborar na campanha eleitoral do PS para as europeias; em contraponto Paulo Rangel invocou os 101 dálmatas na apresentação do seu manifesto eleitoral para as europeias; os directores de informação das três estações de televisão generalistas anunciaram que consideram “abdicar novamente de fazer a cobertura das campanhas eleitorais ou realizar debates entre os candidatos” porque o novo projecto de Lei no parlamento restringe e condiciona a liberdade editorial; no último ano os bancos cortaram 35% do crédito a empresas; em Portugal o PIB está a níveis de 2000 e o emprego já recuou até aos níveis de 1996; desde que a troika chegou desapareceram 328 mil postos de trabalho; o desemprego estrutural atinge 630 mil pessoas; a DECO recebeu meio milhão de reclamações de consumidores em 2013, mais 15% que no ano anterior.


 


ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal da Guarda tornou-se a campeã nacional da piratagem informática ao utilizar nos seus serviços programas de computador não autorizados, o que levou a Microsoft a reclamar 336 mil euros de compensação por uso ilegal do seu software.


 


FOLHEAR - Nos últimos meses a revista “Wallpaper” parece ter ganho uma nova vida: temas mais interessantes com uma produção mais cuidada e uma direcção editorial mais atenta. Fazendo do design e da arquitectura os seus dois principais focos de interesse, a revista persegue tendências e mostra novos caminhos. Esta é uma revista luxuosa que gosta de falar - e de mostrar - o luxo. Na edição de Março um dos destaques vai para a nova sede da marca de jeans G Star Raw, em Amsterdão, um projecto do atelier OMA de Rem Koolhas. Situado numa das principais auto-estradas de acesso a Amsterdão, o edifício foi desenhado como um espaço multifuncional e o método utilizado pelo arquitecto para definir as traves mestras do projecto é explicado com algum detalhe. Outro artigo muito interessante dedica-se a mostrar exemplos de pequenas editoras de livros que vivem no meio de tiragens limitadas na Austrália, em França, Alemanha ou Estados Unidos, por exemplo. Colónia é a cidade em destaque, com uma reportagem que detalha o trabalho de designers, artesãos , fotógrafos e desenhadores de jóias, curadores de arte, ou estilistas que marcam o seu quotidiano. Finalmente nesta edição sugiro uma boa leitura para muitos responsáveis de edifícios com valor patrimonial e actividade cultural - a história de como Gwin Miles conseguiu inverter o ciclo de decadência da Somerset House de Londres, com muito pouco orçamento e bastantes boas ideias.


 


VER - Desde o passado fim de semana a Pousada da Cidadela de Cascais, do Grupo Pestana, passou a acolher, de forma permanente, galerias de arte, lojas de marca, e ateliers de seis artistas. Dentro da Pousada, agora designada por “Cidadela Historic Hotel & Art District”, seis quartos tiveram intervenções destes artistas e ao longo dos espaços comuns existem também obras de arte de outros autores. Um Art Concierge está disponível para enquadrar os visitantes nas obras apresentadas e no projecto. O trabalho de recuperação do antigo forte da Cidadela em Pousada é notável e esta ideia de incorporar a criação e divulgação artística neste espaço é um bom exemplo do que se pode fazer quando há vontade e criatividade. Nas áreas dedicadas às galerias e marcas estão nomes como a histórica, mas inovadora Viarco, a Magnetica Magazine a livraria Espaço Branco, e galerias como a Raw Art, a Cinco e a Allarts. Os artistas que estão nos open studios, que podem ser sempre visitados, são Duarte Amaral Netto, Paulo Arraiano, Bruno Pereira, Pedro Matos, Susana Anágua e Paulo Brighenti.


 


OUVIR - Um título malandro - “A Bunch Of Meninos”,  uma guitarra que logo nos primeiros acordes do disco dá um ar gingão, um disco que é um manifesto de inquietude, uma guitarra e um baixo que falam um com o outro como se vivessem em permanente romance - é isto o novo trabalho dos Dead Combo, o duo de Pedro Gonçalves e Tó Trips que há uma década cometem repetidamente a heresia de fazerem discos predominantemente instrumentais. Há muito que gosto deste estilo, aqui reforçado com  as colaborações cruzadas com o percussionista António Serginho e o baterista Alexandre Frazão, que aparecem pontualmente nalguns dos 13 temas. Os meus preferidos são “Waiting For Nick At Rick’s Cafe”, “Povo Que Cais Descalço”, “Zoe Llorando”, “B.Leza”, “A Bunch Of Meninos”, “Welcome Simone” e “Mr. Snowden’s Dream”. Os títulos das canções são, já se vê, são um episódio. As fotografias que visualizam o ambiente do disco são de Pauliana Valente Pimentel, um dos nomes promissores da fotografia portuguesa. E evitem por favor a tentação de dizer que Tó Trips evoca o fado com a sua guitarra. Isto é outra coisa.


 


PROVAR - Um dos meus petiscos favoritos é pregado frito acompanhado de açorda. Um dos locais onde a escolha é certeira é o restaurante Mar do Inferno, em Cascais, mesmo ao lado da Boca do Inferno. Numa recente visita provou-se o pregado frito e também uns crepes de lagosta panados, que satisfizeram. Situado em cima do mar, e ao contrário de outros restaurantes desta zona, o local é despretencioso, a matéria prima marítima é de primeira qualidade, o serviço é simpático e a casa é honesta nos preços e na confecção. A lista de vinhos é equilibrada. Apesar da dimensão sente-se a gestão familiar de Lurdes Tirano e dos seus filhos, nesta casa que leva já três décadas de vida. Encerra às quartas-feiras, fica na Avenida Rei D. Humberto e o telefone é 214 832 218.


 


DIXIT - "O primeiro-ministro diz que (o Manifesto dos 70) morreu à nascença, mas como eu sou cristão acredito na ressurreição"  - Bagão Félix


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GOSTO - Das criações de Filipe Faísca na recente Moda Lisboa, a confirmar que ele é dos valores mais sólidos entre os estilistas portugueses.


 


NÃO GOSTO - Da lentidão da justiça que numa só semana permitiu prescrições em dois casos ligados à Banca.


 


BACK TO BASICS - O Universo é feito de mudança e a nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos forem capazes de fazer dela - Marcus Aurelius Antoninus

março 07, 2014

O MUNDO MUDOU E A PUBLICIDADE JÁ NÃO É O QUE ERA

TRUQUE - Um bom exemplo do que são as novas formas de fazer publicidade aconteceu na noite dos Oscares - o momento em que a apresentadora Ellen deGeneres promoveu uma selfie (fotografia tirada a si própria), que correu mundo e foi um fenómeno impressionante de partilha nas redes sociais. A história que apareceu no dia a seguir é curiosa: durante toda a emissão da entrega dos Oscares, Ellen deGeneres brincou com um telemóvel Samsung Galaxy Note branco que tinha na mão - e foi esse aparelho que ela passou ao actor Bradley Cooper para ele fazer a selfie que correu mundo, ao lado de estrelas como Brad Pitt, Meryl Streep, Kevin Spacey e Jennier Lawrence, para além da própria deGeneres, à sua volta . O momento da selfie foi filmado e emitido na transmissão televisiva e lá está bem visível o logo da Samsung. Acontece que a Samsung investiu cerca de 20 milhões de dolares em spots que passaram nos intervalos da transmissão da entrega dos Oscares deste ano e a presença em palco do Galaxy fazia parte do pacote negociado. Mas a marca não se ficou por aí e preparou a sua presença em ecrã, desde pessoas que o usavam na passadeira vermelha a fazer fotografias e a filmar, até ao momento da selfie. Segundo o “Wall Street Journal” a selfie terá sido ideia de Ellen deGeneres, mas a cadeia ABC, detentora dos diretos da transmissão e comercialização da publicidade, sugeriu que ela o fizesse com um Samsung Galaxy Note, e responsáveis da Samsung estiveram nos ensaios e ensinar Ellen deGeneres a familizar-se com o aparelho para que na altura certa o pudesse utilziar de forma bem visível. Na realidade o selfie não foi uma coisa espontânea, foi um product placement bem pensado e trabalhado que deu um enorme retorno à marca coreana. A foto foi retweetada quase três milhões de vezes na segunda feira à tarde e a Samsung chegou a ser mencionada 900 vezes por minuto nas redes sociais durante esse espaço de tempo. É impossível quantificar o valor que isto significa - mas excede em muito aquilo que foi pago pelos spots exibidos nos intervalos da emissão.






SEMANADA - Existem 36 câmaras municipais em risco de falir pela segunda vez, mesmo depois dos mil milhões de euros do programa de apoio à economia local, desenhado pelo Governo para ajudar os municípios a pagar dívidas aos fornecedores; por causa do mau tempo alguns municípios adiaram os corsos de carnaval para depois da quaresma, para domingo que vem; “as coisas estão feitas, só não as ouve quem não quer” - disse Fernando Tordo, sobre a falta de audiência para as suas obras gravadas, na mesma entrevista em que afirmou que receber o emblema de 75 anos de sócio do Benfica é um dos seus projectos de vida; a PSP admitiu que o consumo de álcool por agentes durante a anterior manifestação de polícias foi a principal causa dos problemas ocorridos frente à Assembleia da República;  no início desta semana, o Ministro da Administração Interna terá perguntado ao director nacional da PSP se a polícia tinha agora condições para evitar incidentes semelhantes aos da última manifestação; em Portugal, em 206, seremos apenas sete milhões de pessoas se a evolução demográfica continuar ao ritmo actual; as vendas de automóveis aumentaram 44,3% em Fevereiro; este Governo criou 208 grupos de trabalho em dois anos e meio e, desses,  há 58 grupos que não divulgaram relatórios.


 


ARCO DA VELHA - As empresas cotadas na bolsa com ligações a ex-governantes e dirigentes partdiários têm quase o triplo do volume de negócios das restantes e 47% dos políticos que integram orgãos sociais das empresas cotadas passaram por um Governo.


 


FOLHEAR - A edição de Março da revista “Monocle” é dedicada à Itália e um dos artigos mais engraçados mostra-nos cinco pessoas que  estão a provocar mudanças importantes - desde um banqueiro que criou um funbdo de auxílio a pequenos negócios, até à mulher que saíu do Banco de Itália para dirigir a RAI e provocar uma revolução no operador de serviço público de televisão, passando por novos talentos na área do design e até política e que estão alterar os padrões existentes. Mas este artigo é apenas o cartão de visita e o aperitivo de uma edição que percorre algumas cidades italianas, os artesãos de Nápoles, que indica dez áreas de excelência nas quais a Itália contínua a ser líder, passando por exemplos a seguir na indústria, nos media e na cultura - e na área dos media o destaque vai para esse fenómeno que é a Gazzetta dello Sport, o jornal italiano mais lido - que na opinião de Andrea Monti, o seu Director, é não apenas um jornal mas uma organização noticiosa multi plataforma. Claro que não faltam referências a algumas das grandes marcas italianas, assim como se recomendam percursos de viagens, restaurantes e lojas diversas. Se planeia ir em breve a Itália, vale bem a pena ler esta edição antes, para fugir ao óbvio e procurar o que pode ser mais interessante.


 


VER - No espaço BES Arte & Finança, no Marquês do Pombal, até 15 de Abril, vale a pena visitar a exposição “Amar as Diferenças”, de Michelangelo Pistoletto e Marco Martins. Com curadoria do Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua, a exposiçãoé fruto de uma parceria entre o cineasta Marco Martins e o artista Michelangelo Pistolette. Esta é a primeira apresentação deste projecto multidisciplinar, na realidade uma instalação entre o cinema e as artes plásticas.  São apresentadas obras de Michelangelo Pistoletto exibidas em diversos museus internacionais e, em simultâneo, é projectado ininterruptamente o filme criado por Marco Martins que já esteve em exibição no Museu do Louvre, DOC Lisboa, Festival Internacional de Cinema de Roma e a Arte Fiera, de Bolonha. Poder ver em Lisboa obras de Pistoletto, ainda por cima num contexto de cruzamento com o trabalho de um cineasta português, é um momento raro, que infelizmente tem passado algo despercebido. A exposição, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, estará patente ao público de segunda a sexta, das 9h às 19h, até ao dia 15 de abril.


 


OUVIR - A Deutsche Grammophon resolveu juntar numa só edição, em duplo CD, as gravações feitas, em diversos momentos, por Lang Lang, um dos mais aclamados pianistas contemporâneos, das obras de Sergei Rahmaninov, um expoente do romantismo russo. Este duplo CD reúne edições originais de 2005 da própria Deutsche Grammophon e de 2001, da Telarc,. No primeiro disco, da DG, estão o Concerto para piano nº2, a célebre Rapsódia Paganini (gravada ao vivo em 2004 com a orquestra do Mariinsky Theatre dirigida por Valery Gergiev), e a terminar  o “Trio Élégiaque” em que Lang Lang é acompanhado por Vadim Repin no violino e por Mischa Meisky no violoncelo. O Concerto para piano nº3 e a Sonata para piano nº2, estes últimos que integravam a gravação da Telarc, foram gravados ao vivo respectivamente no Royal Albert Hall e no Seijio Ozawa Hall. Todas estas gravações, aqui reunidas pela primeira vez na mesma edição, são uma prova do virtuosismo e da capacidade de interpretação de Lang Lang.


 


PROVAR - Vão proliferando as cervejas artesanais, sobretudo oriundas do norte de Portugal. Depois da estimada cerveja Sovina, já aqui comentada há uns meses, surgiu mais recentemente, no Minho, a “letra” (www.cervejaletra.pt) . O nome vem do facto de as diversas variedade serem identificadas por uma letra: a A é uma Weiss, de maltes de trigo e cevada, a B é uma Pilsner, de Cevada; a C é a Stout, de maltes de cevada, trigo e chocolate torrado e a D é uma Red Ale, à base de Cevada e Cristal. Provei a A e a B, ambas aromáticas, de sabor cheio e envolvente. Prefiro a Pilsner, mais leve, mas igualmente saborosa e intensa. Os métodos de fabrico são artesanais, os ingredientes são 100% naturais.


 


DIXIT - “Como na salada dos pais do imortal Basílio, o acordo foi mexido por uns cegos e temperado por uns loucos” - Vasco Graça Moura, a propósito do acordo ortográfico.


 


GOSTO - A previsão meteorológica aponta para temperaturas de 20º no fim de semana.


 


NÃO GOSTO - Uma em cada três mulheres da União Europeia é vítima de violência.


 


BACK TO BASICS - Há quem diga que o tempo muda as coisas, mas a verdade é que somos nós que temos que provocar essas mudanças - Andy Warhol

fevereiro 28, 2014

EM BUSCA DAS REFORMAS POR FAZER

 


REFORMISMO - Até mais ver a maior e quase única reforma do Estado tem a ver com a forma como foram atingidas as reformas dos cidadãos. É pena, mas é verdade. Até pode haver boas razões para tudo o que tem sido feito, mas o que motivou as decisões foi sempre a facilidade e o cuidado em não atingir as clientelas políticas que vivem directamente do Estado - no aparelho central e nas autarquias.. As alterações feitas até agora - prefiro não lhes chamar reformas - tocaram sobretudo em pontos que não provocavam clivagens políticas profundas nas máquinas partidárias e nas suas centrais de colocação de militantes dedicados e obedientes.. Por isso se pegou nas freguesias e não nos municípios, como António Barreto bem explicou numa entrevista que concedeu esta semana - na verdade quem tem dinheiro e poder são os municípios, que agora, como se vê por estes dias, contrariam o que está decidido a nível nacional, sobre horários e sobre feriados. Quando se olha para o que tinha que se fazer e para o que foi feito tem-se a sensação de que existem duas estradas paralelas, que dificilmente se encontrarão - as reformas que o memorando da troika exigia vão por um lado  e as mudanças feitas na administração pública vão por outro, numa via paralela, noutra velocidade - as duas estradas dificilmente se encontrarão. A grande questão aqui é que, por ter seguido esta via de proteger o sistema partidário vigente e ter desprezado os eleitores, está-se a matar o funcionamento do sistema político. É um assassínio premeditado. Na semana passada, um estrangeiro, na conferência promovida pelo The Economist, perguntava:”Who buys these reforms?” - pois, o problema é esse.


 


SEMANADA - Na ressaca da apresentação do seu livro Vítor Gaspar considerou insultuoso que alguém o pudesse classificar, a ele, como o quarto elemento da Troika; a propósito do lançamento da edição portuguesa de um dos seus livros, o astrofísico Hubert Reeves afirmou que “se um país como Portugal corta o apoio a escolas, professores e alunos, vai ficar a depender mais da tecnologia do exterior”; Portugal caíu mais um lugar no ranking e passou a nono país mais pobre da União Europeia, tendo sido ultrapassado pela Lituânia; no mês de Janeiro o Governo cobrou quase 100 milhões de euros por dia em impostos, um aumento de mais de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado; em Espanha os rendimentos até 12 mil euros por ano não pagam IRS; mais de 300 mil portugueses acima dos 60 anos já foram vítimas de violência no ano passado e 160 mil foram alvo de furto ou desapropriação de bens em contexto familiar; em Portugal há 625 mil casas para vender, há 110 mil casas vagas e no total há 15 milhões de habitações para 10,6 milhões de habitantes; a idade de reforma dos funcionários públicos aumentou para os 66 anos; das 18 capitais de distrito apenas duas vão ter os serviços dependentes da autarquia em funcionamento na próxima terça-feira já que os respectivos municípios ignoram as orientações do Governo e dão tolerância de ponto no Carnaval.


 


ARCO DA VELHA - Em Loures um homem de 39 anos matou um vizinho de 35 anos a tiro por causa de uma discussão sobre o lugar de estacionamento do carro da vítima.


 


FOLHEAR - Confesso que a minha edição preferida da revista “Vanity Fair” é a do mês de Março, o célebre “Hollywood Issue”, dedicado aos Oscars do cinema. Desde a produção fotográfica da capa e do interior, até à escolha dos temas e dos intervenientes, esta é sempre uma edição espantosa. A capa, desdobrável, com o triplo do tamanho habitual, é feita mais uma vez, por Annie Leibowitz - que por estes dias vê a Taschem editar a edição especial de uma colectânea de retratos que ela fez ao longo de 40 anos numa edição especial de 476 páginas, com 70 cms de altura, cerca de 25 kgs de peso e que é vendido em conjunto com uma mesa de apoio desenhada por Marc Newson; algumas dessas fotografias estão nesta edição da “Vanity Fair”. Mas voltemos à revista - logo de entrada há quatro dezenas de páginas de fantástica publicidade das melhores marcas de moda. O tradicional retrato do mês mostra Ellen de Generis - e o editor Graydon Carter explica porque é que a escolha não recaíu, por exemplo, em Gwineth Paltrow, numa das suas melhores “Editor’s Letter” que me lembro de ler. Mas o prato forte desta revista é o portfolio do fotógrafo Chuck Close que mostra 20 retratos de estrelas do cinema - eu destaco a maneira como ele mostra Brad Pitt, Robert de Niro, Martin Scorsese,  Julia Roberts, Forest Whitaker, Bruce Willis, Sean Penn, Dustin Hoffman, Jessica Lange, Javier Barden, Herrison Ford e Steven Spielberg. Outro fotógrafo em destaque nesta edição é Sid Avery com as suas fotografias do quotidaino - como Brando a levar o lixo, Paul Newman em casa ou Elisabeth Taylor num intervalo de filmagens.


 


VER - Para mim, Rui Chafes aborda sempre a sua produção artística como uma reflexão filosófica - pelo menos é isso que sinto e é isso que me atrai nele desde que comecei a ver as suas obras - e as primeiras que vi foram as do hall de entrada do então recém inaugurado CCB. Trabalhando a escultura em metal, Rui Chafes paradoxalmente desafia a massa específica do material que usa e dedica-se a criar aparências de leveza. Por isso é tão bem achado o título desta exposição, “O Peso do Paraíso”, que mostra trabalhos feitos ao longo dos 25 anos de carreira de Rui Chafes, e que até 18 de Maio vai estar no interior do centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no jardim que rodeia o edifício. São peças notáveis - umas pela dimensão, outras pelo equilíbrio, outras pelo desafio. Não se fica indiferente face a uma obra de Rui Chafes e quem visitar esta exposição perceberá a forma como ele envolve, sem ser exibicionista. O equilíbrio, quando é delicado, fica sempre no pensamento.


 


OUVIR - Beck Hansen vive em Laurel Canyon, estrada de artistas de vários ofícios. O grande bluesman John Mayall fez em tempos, nos final dos anos 60, um álbum com o nome desta estrada. Dali vê-se Los Angeles e vislumbra-se Hollywood. Beck sempre quis ser um trovador moderno mas nunca esteve tão perto de o conseguir como neste seu 12º disco, “Morning Phase”. Há seis anos que não vinham novidades do seu lado, desde “Modern Guilt” de 2008. Mas aqui há de alguma forma um revisitar do seu trabalho de 2002, “Sea Change”. Há neste novo disco rastos mais evidentes e claros dos Byrds, de Neil Young é claro, mas também de Crosby, Stills & Nash ou dos Mamas & The Papas - e arrisco dizer que Buffalo Springfield passou por aqui - este é um revisitar do melhor que a west coast tinha para oferecer na segunda metade dos anos 60 e no início dos anos 70. Destaco “Heart Is A Drum”, “Turn Away” e sobretudo o poderoso “Blue Moon!”, cujo verso inicial resume tudo: “I’m So Tired Of Being Alone”. A primeira canção, “Morning”, conta a origem das coisas: “”Woke up this morning/ from a long night in the storm”. Este é um daqueles discos que vai estar na lista dos melhores deste 2014. (CD Capitol/ Universal)


 


PROVAR - Em Lisboa, nas Avenidas Novas, abriu já este ano uma mercearia e restaurante que é uma tentação a qualquer dieta. Chama-se “Aromas da Beira Baixa” e propõe pratos do dia como maranhos, lombo de porco com arroz de carqueja ou bucho recheado da Sertã - e tudo feito com preceito. Para os apreciadores de petisco há tábuas de queijos e enchidos, tapas variadas e as tradicionais tibornas. Na zona da mercearia, para quem quiser levar os petiscos para casa, estes “Aromas” oferecem uma selecção de queijo e de enchidos, entre os quais o célebre queijo amarelo da Beira Baixa, ainda recentemente louvado pela revista norte-americana “Saveur”. Para acompanhar propõe o afamado pão de Penha Garcia, estando igualmente disponível uma iguaria que é a bica de azeite (noutras regiões conhecido como bolo de azeite). Para rematar há biscoitos, compotas, chás de cultivo biológico da marca Ervas de Zoé, como um de Erva Príncipe. Nas compotas destaque para umas de ginja e de cereja recomendáveis a diabéticos e ainda uma de maçã e castanhas recomendada a todos. Nas prateleiras há ainda vinhos e azeites da região, tudo a preços sensatos. O almoço com o prato do dia, sopa e sobremesa fica por sete euros. A casa é simples e despretenciosa, o serviço é atencioso e simpático, quase familiar. Estes “Aromas da Beira Baixa” estão abertos de segunda a sábado, das 11 às 20, na Av. Marquês de Tomar nº 38.


 


DIXIT -  “Sem ir aos municípios, que são o osso duro de roer, não há reforma do Estado - com as freguesias era só riscar, não se ganha nada porque os municípios continuam a gastar” - António Barreto


 


GOSTO - Da assinatura da nova campanha publicitária da EDP, “a energia que nos une”.


 


NÃO GOSTO - Portugal tem a quarta maior taxa de desemprego da União Europeia



BACK TO BASICS - Não interessa se vamos muito devagar, o que interessa é nunca parar - Confúcio

fevereiro 21, 2014

E SE O CARRO DOS SORTEIOS CALHA A QUEM NÃO TEM CARTA?

COISAS - Esta semana dei comigo a pensar que os sorteios em que o Fisco vai oferecer carros aos contribuintes bem comportados pecam por poderem incorrer num agravar de desigualdades: e se os carrinhos saírem a cidadãos sem carta de condução, que podem eles fazer com os veículos? Estava eu a remoer  nisto dos veículos quando, num destes dias de chuva farta, reparei numa diligente brigada da EMEL bloqueando carros, que estavam bem estacionados, mas já com o tempo da vinheta excedido: de repente fez-se-me luz! O fisco oferece carros para contribuir para o aumento das receitas das multas e, no caso de Lisboa, para ver se consegue melhorar a situação financeira da EMEL.  Ocorreu-me então que se a Câmara Municipal de Lisboa fosse tão diligente a reparar as crateras que infestam as ruas lisboetas, como os esbirros da EMEL são pressurosos a passar multas e a bloquear, seria um prazer confortável andar de automóvel em Lisboa, em vez do presente raid de todo o terreno oferecido pela autarquia: atribulada é a estrada que leva a Belém - metaforicamente falando no caso de António Costa, muito na realidade constantando no caso dos condutores alfacinhas que para lá se queiram dirigir. Estava eu absorto a pensar nestas coisas quando constatei que foi em vésperas do Congresso do PSD que Vitor Gaspar apareceu numa encenação perfeita da recomposição do bloco central: o livro sobre as amarguras de um ex-Ministro das Finanças, designado pelo PSD, foi didaticamente apresentado por António Vitorino, um ex-Ministro socialista que se demitiu por uma questão relacionada com um pagamento de sisa ao Fisco. A plateia estava repleta de ilustres do PSD e sem uma alma próxima do CDS/PP. Olhando para o cenário ocorreu-me que gostava de saber se Rui Rio e António Costa trocarão SMS’s sobre os seus respectivos futuros durante o conclave do PSD que neste fim de semana abrilhanta o cartaz do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. A História segue dentro de momentos.





SEMANADA - Uma sondagem do “Correio da Manhã” revela que três em cada quatro portugueses não tem confiança na CRESAP, o organismo que faz a selecção de recrutamentos para a administração pública, dirigido pelo senhor Bilhim; no final de 2013 o Estado totalizava 563 595 funcionários, menos 123 mil que em 2011; diversos tipos de fraudes lesam o Serviço Nacional de Saúde em mais de 200 mil euros por dia; a banca portuguesa eliminou mais de quatro mil postos de trabalho em três anos; Portugal foi o segundo país europeu com maior queda no consumo de energia, uma diminuição de 15,2% entre 2006 e 2012; a entrada de imigrantes indocumentados nos países da União Europeia aumentou 48% no ano passado; foi descoberta uma rede que proporcionava noivas portuguesas a imigantes ilegais a troco de 11 mil euros; perto de 30 municípios precisam de ajuda financeira urgente;  a Câmara de Cascais assinou um acordo para manter o horário de 35 horas semanais, em vez das 40 preconizado pelo Governo; o novo Presidente da Câmara Municipal de Gaia anunciou não dispôr de um milhão de euros para financiar o Mundial de Futebol de Praia em 2015, que tinha sido negociado por Luis Filipe Menezes com a Federação Portuguesa de Futebol; comentando a legislação que estabele a transferência de competências dos municípios para as freguesias, o Presidente da Cãmara de Aveiro, Ribau Esteves, afirmou que “esta lei foi feita de forma desgarrada com aquilo que é a sustentabilidade financeira para a executar”.


 


ARCO DA VELHA - Uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça considerou, num processo de divórcio baseado nas queixas de uma mulher que foi vítima de violência doméstica, que o facto de a mulher não ter saído de casa após o espancamento significa que a vítima perdoou ao marido.


 


FOLHEAR - Henri Cartier-Bresson, um dos maiores nomes da fotografia, morreu em 2004 e agora, no décimo aniversário da sua morte o Centre Georges Pompidou mostra uma exposição sobre toda a sua carreira, desde as primeiras fotografias que fez em finais dos anos 20, até aos desenhos, a que regressou no fim da vida. A exposição tem cerca de 500 trabalhos e documentos e mostra que não existiu apenas um Cartier-Bresson, evidenciando a evolução e as transformações que o seu trabalho foi tendo ao longo dos anos. A exposição estará patente até 9 de Junho e foi o pretexto para uma edição especial, fora-de-série, da revista semanal francesa “Le Nouvel Observateur”. Sob o título “O fotógrafo do século”, esta edição recolhe textos e depoimentos de contemporânneos de Cartier-Bresson, como Raymond Depardon, Sebastião Salgado e Josef Koudelka, evoca algumas das suas grandes reportagens, como nos Estados Unidos, México, União Soviérica e China, percorre a aventura que foi a fundação da agência fotográfica Magnum e fala de outras aspectos mais pessoais da sua vida. A exposição foi comissariada por Clément Chéroux, que dirigiu o catálogo (que pode ser adquirido na Amazon França), assim como o documentário “Le Siécle de Cartier-Bresson”, realizado porPierre Assouline para a ARTE. A edição especial da revista está já disponível em Portugal por €8.20 e tem 106 páginas. Uma edição para guardar.


 


VER - Estamos em época alta de exposições - por exemplo Rui Chafes na Gulbenkian, Ana Jotta na Culturgest, Michaelangelo Pistoletto no BES ART. Menos mediatizada mas muito interessante é a exposição de  Rui Sanches na Fundação Carmona e Costa, “Dentro do Desenho”, comissariada por João Pinharanda. Mais conhecido pelas suas esculturas, Rui Sanches apresenta aqui 60 desenhos, feitos ao longo dos últimos 30 anos. Quem tem seguido a sua obra sabe que o desenho surge naturalmente a par das suas esculturas e recorre a diversas técnicas e materiais que utiliza sobre o papel que lhe serve de base de trabalho. “Como síntese de uma atitude que abrange toda aobra de Rui Sanches, assistimos a uma organização do ver pensada do interior para o exterior” - escreve João Pinharanda no catálogo da exposição, sublinhando: “Tudo passa para dentro do desenho, tudo se passa dentro do desenho, tudo passa de dentro do desenho para fora dele”. A exposição está no Espaço Arte Contemporãnea da Fundação Carmona e Costa até 22 de Março, sempre de quarta a sábado, entre as 15 e as 20 horas. No mesmo local, mas no Espaço Artes Decorativas, fica até final do ano um projecto de Paulo Brighenti, “Pó”, neste caso um desenho de grande escala e uma caixa com cinco desenhos, ambos surpreendentes.


 


OUVIR - O quarteto do pianista de jazz norueguês Tord Gustavsen tornou-se particularmente notado com o seu disco “The Well”, de 2012. Já no início deste ano editou “Extended Circle” e mais uma vez faz da elegância e descrição da sua música o maior argumento. Há algo de tímido na sua sonoridade, entre o gospel e o insinuante funk do piano, há algo de orgulhoso no timbre do saxofone, há algo de magnético no entendimento do baixo e da bateria.  E sobretudo há uma forma apaixonada - e mais jazzística do que nele é costume - de percorrer o piano, desenhando suaves e intensas baladas. Dos 12 temas, nove são originais de Gustavsen, dois são improvisações do quarteto e há uma versão de um tema tradicional norueguês - e todas se sucedem de forna natural, na continuidade uma da outra, formando uma obra única. (CD ECM, na Amazon).


 


PROVAR - Em Lisboa, já se sabe, existem muitas nações e evocações de lugares distantes.  Em plena Pampulha, na intersecção da Infante Santo com o fim da Rua do Sacramento a Alcântara e o início da Rua Presidente Arriaga, há um pequeno restaurante nepalês, com uma escassa dúzia de mesas. A clientela é variada, desde diplomatas fardados de espiões (certamente saídos do vizinho Ministério dos Negócios Estrangeiros), até passantes de ocasião ou orientalistas dedicados. No local há as cores e fragrâncias da Ásia. Os pratos do dia podem incluir um caril de javali ou de veado, o pão com alho é delicioso e feito em forno de carvão, os preços são módicos. A comida é fundamentalista, o arroz é feito ao vapor, vem solto e aromático,  e é perfeito. Está aberto todos os dias, só encerra no Domingo ao almoço. Chama-se Himchuli e fica na Rua do Sacramento a Alcantara nº13, com o telefone 213 901 722.


 


DIXIT - "Quando alguém, no Canal do Panamá, abre a janela, que vê em frente? - Sines, um porto very beautiful" - António José Seguro na conferência da revista The Economist, em Cascais.


 


GOSTO - Do livro “Escrita Íntima”, que recolhe correspondência de Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes, entre 1932 e 1961.


 


NÃO GOSTO - Há 44 autarcas investigados por corrupção pela Procuradoria Geral da República, e há cerca de 80 processos de investigação que envolvem corrupção no poder local


 


BACK TO BASICS - “O que já fiz não me interessa. Só penso no que ainda não fiz” - Pablo Picasso


 

fevereiro 14, 2014

Sobre exemplos e disciplina na política à portuguesa

DISCIPLINA - Quem se coloca na posição de querer exigir disciplina tem que ser um exemplo - deverá dar-se ao respeito, tomar decisões de forma acertada, procurar persuadir em vez de impôr, explicar em vez de obrigar. Estas coisas de senso comum não são no entanto bem entendidas pelos partidos políticos, que desenvolvem e radicalizam um sistema de obediência cega sob o pretexto de conseguir a unidade na acção, nomeadamente quando se entende por acção tomar o poder, mesmo que seja por votos. O sistema de obediência e de seguidismo acentua-se à medida que os partidos se cristalizam no exercício do poder e se tornam máquinas distanciadas dos comuns dos mortais. Como bem se sabe a vida interna da generalidade dos partidos parlamentares resume-se a processos de tomada de poder a nível local, depois regional e, com sorte, a nível nacional. Discussão há pouca, os Congressos são momentos mediáticos e de exaltação dos dogmas e há muito tempo que não proporcionam surpresas. Em todo este processo o sistema de escolha de candidatos é uma das grandes paródias, destinado a alimentar clientelas de apoiantes e a fazer uma distribuição de influências. Em resumo, anulam-se os opositores e promovem-se os apoiantes. Quem não concorda deve ficar calado e obedecer. Quem se rebela tem por destino a excomunhão, que nestas coisas estatutárias recebe o nome de expulsão. Nas mais recentes eleições autárquicas o PSD escolheu, numa série de locais, candidatos que não eram desejados por muita gente do partido, com maior ou menor influência; em resultado disso surgiram diversas listas independentes que arregimentavam apoios diversos e que, em alguns casos politicamente significativos, derrotaram os candidatos oficiais que foram impostos pela direcção nacional. O mais extraordinário desta história é que os responsáveis pelo desaire eleitoral do PSD nesses locais, os que traçaram a estratégia autárquica, e aqueles que impuseram nomes e listas, não são penalizados por terem provocado cisões; mas aqueles que, em nome da sua consciência, agiram contra as ordens partidárias, são agora expulsos. Eu acho que isto é ver o mundo ao contrário, mas pelos vistos isso é o que está a dar nos tempos que correm.


 


SEMANADA - Entre 2019 e 2013 o endividamento público aumentou mais de 71,5 mil milhões de euros, ou seja um crescimento de cerca de 54%; o número de insolvências caíu 10% em 2013; os empréstimos da banca às empresas aumentaram 18%; mais de 16 mil famílias saíram da situação de incumprimento no ano passado; em 2013 entraram em incumprimento 2046 empresas; os tribunais apenas conseguem cobrar 7,6% das dívidas das empresas; a previdência paga subsídios e pensões a quatro milhões de beneficiários; a segurança social perdeu 350 mil contribuintes desde 2008; inquérito a crimes de corrupção cresceu quase 40% em três anos, mas as taxas de acusação estão abaixo dos 25%; em 2013 registaram-se  557 crimes por dia em Lisboa; Vitor Gaspar afirmou, numa entrevista para um livro, que o facto de ter corrigido ideias de Catroga antes das eleições foi uma das razões para ter sido escolhido para Ministro; dias mais tarde Eduardo Catroga desmentiu a versão de Vitor Gaspar sobre o contributo que este teria dado para o programa eleitoral do PSD; Vitor Gaspar classificou Paulo Portas como uma pessoa com “uma enorme ambição”; Fernando Tordo anunciou que irá viver para o Brasil por estar “cansado de ser governado por incompetentes”; segundo a Marktest, ao longo do segundo semestre de 2013, acederam a sites de jornais, revistas e de informação online cerca de 5 milhões de portugueses; uma colecção de uma centena de obras emblemáticas da chamada “arte povera”, pertencentes a um casal de coleccionadores italiano, foi vendida terça-feira passada em Londres pela Christie’s sem escândalo nem polémica.


 


ARCO DA VELHA - Rui Rio apoiou politicamente a eleição de Rui Moreira no Porto, contra um candidato do PSD, e não lhe aconteceu nada; António Capucho fez o mesmo em Sintra e foi expulso do partido.


 


FOLHEAR - A “Aperture” é uma das melhores revistas sobre fotografia. É publicada quatro vezes por ano, cada edição com o nome da estação respectiva. Cada número tem um tema, que lhe dá título, o deste Inverno é “Photography as you don’t know it”. O editorial, com o mesmo título, começa com uma pergunta: “Será que a história da fotografia está a chegar ao fim, ou estará apenas no seu início?”. Com a transição da película para o digital e, depois, com a vulgarização da captação de imegam nos telemóveis e em aparelhos com permanente ligação à internet, a pergunta ganha uma dimensão especial - e ao longo deste número a “Aperture” tenta mostrar exemplos da vitalidade e diversidade da fotografia. Permito-me destacar o artigo de Joel Smith, precisamente sobre a História da Fotografia e destaco ainda a entrevista com Quentin Bajac que deixou Paris e o Centro Pompidou para ser o novo Conservador principal de Fotografia no MOMA, em Nova York. Muito acertadamente sublinha que a grande questão que se lhe coloca hoje em dia é conseguir seleccionar o que vale a pena num fluxo cada vez maior de imagens fotográficas, que todos os dias aumenta. A secção Pictures desta edição mostra o trabalho de dez fotógrafos pouco conhecidos, cada um com um portfolio, acompanhado por um texto que enquadra o autor. Um deles é o fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009) e o texto que o apresenta foca a sua importância no contexto da fotografia africana, nomeadamente do fotojornalismo na época colonial. Oito fotografias, da década de 60 e 70 exemplificam o seu trabalho, hoje depositado no Centro de Formação Fotográfica de Maputo.


 


VER - Desde há mais de duas décadas José Maçãs de Carvalho vem fazendo fotografia, primeiro na sua zona de conforto, da terra onde nasceu e cresceu, e depois alargando o olhar, sobretudo a Oriente nos anos mais recentes. Ao mesmo tempo faz incursões no universo de video, mas sempre com o espírito de observação que é a sua imagem de marca. O Arquivo Fotográfico de Lisboa mostra até 8 de Março a exposição “Arquivo e Domicílio”, que percorre a sua carreira, juntando imagens de várias épocas que podem ter leituras comuns ou complementares. Desenvolvendo-se nos dois pisos do Arquivo, a exposição permite ver no piso inferior os mosaicos que compõem a memória de imagens do autor, e, no piso superior, memórias mais pessoais ligadas à história das próprias fotografias mostradas - quase apontamentos visuais. Neste sábado, 15 de Fevereiro, pelas 15h00, José Maçãs de Carvalho apresenta no Arquivo Fotográfico (Rua da Palma 246, quase a chegar ao Martim Moniz), o livro “Unpacking - A Desire For The Archive” que percorre o tema da exposição - o processo de significação das imagens fotográficas do arquivo do autor. Trata-se de uma edição limitada a 50 exemplares, cada um manuscrito, o que os torna em objectos únicos.


 


OUVIR - Se eu entrasse numa sala e estivesse a tocar o álbum “Saturday Morning”, dificilmente diria que o pianista que comanda as operações tem 83 anos - mas essa é a verdade. Ahmad Jamal consegue ainda surpreender - como um jornal norte-americano dizia, depois de anos de aquecimento ele está em grande forma. Em 2011, no álbum “Blue Moon”, Jamal interpretava temas de filmes e de espectáculos da Broadway, mas neste novo registo, efectuado em França, no estúdio La Buissonne, a maioria dos temas - sete em onze - são originais seus (e mesmo os que tinham já sido anteriormente gravados, aparecem aqui em novas versões). Os outros temas incluem três baladas - “I’ll Always Be With You” (numa fantástica interpretação), “I’m In The Mood For Love” e “I Got It Bad Ana That Ain’t Good”, e ainda um dos temas preferidos do pianista, “One”, de Sigidi. Ao longo de todo o disco Ahmad Jamal toca com um à vontade notável, claramente satisfeito com os músicos que o acompanham - Reginald Veal no baixo, Herlin Riley na bateria e Manolo Badrena na percussão. Ainda inesperado, ainda inovador, dando espaço à improvisação, Ahmad Jamal tem aqui um dos discos mais representativos do seu estilo e mais elucidativos sobre o seu talento e técnica.


 


PROVAR - Que fazer numa tarde de fim de semana de chuva e algum vento, quando se quer comer peixe fresco ao pé do mar e não muito longe de Lisboa? Uma boa possibilidade é ir ao Bar do Peixe, em Alfarim, no Meco. Para quem gosta de ver o mar no Inverno, poucos restaurantes da costa portuguesa aliam a localização privilegiada do Bar do Peixe à qualidade da matéria prima - peixe fresco, bem confeccionado, com bom serviço numa sala quente e confortável. Na circunstância as honras da casa foram feitas por umas ameijoas à Bulhão Pato que estavam impecáveis no tamanho e no tempero, seguidas de um pregado delicioso, acompanhado por verduras salteadas. Uma torta de laranja rematou o repasto, bem acompanhado por um branco da região de Azeitão. Eu, por mim, gosto mais de ver o mar sem ser no Verão, de preferência confortávelmente sentado, em boa companhia, com uma boa conversa servida por uma refeição sem mácula. Foi uma bela tarde de sábado. Bar do Peixe, telefone 212 684 732.


 


DIXIT - “Falta cumprir uma reforma do Estado inteligente” - Pedro Reis


 


GOSTO - Da nomeação de José Manuel Costa para a Cinemateca Portuguesa.


 


NÃO GOSTO - Em Lisboa os casos de violência na escola aumentaram 21,6% em 2013.



BACK TO BASICS - Os factos são incontornáveis, as estatísticas são mais maleáveis - Mark Twain

fevereiro 07, 2014

HABILIDADES DE COLECCIONADORES DE OPORTUNIDADES POLÍTICAS

HABILIDADES - Esta semana tive momentos em que me assaltou uma curiosidade enorme: quantos dos activistas anti-venda dos Mirós, que alguma vez estiveram em Barcelona, foram nessa ocasião visitar a Fundação Juan Miró no Parque de Montjuic e dedicaram verdadeiro interesse ao artista? Quantos destes activistas eram capazes de responder, sem pestanejar, quem desenhou o símbolo que Espanha usa nos seus cartazes turísticos? - sim, foi Miró, mas quantos o sabiam? A única coisa interessante de toda esta polémica é que nunca se falou tanto de Miró em Portugal como agora. Pelos menos alguns deputados são capazes de ter olhado para algumas reproduções e aumentado a sua cultura pictórica.


 


Mas convém recordar a origem destes quadros - um stock de obras, não verdadeiramente uma colecção. A maior parte será proveniente do acervo de uma galeria de Nova York, vendido em bloco quando a galeria encerrou, no início dos anos 80, a uma leiloeira internacional; o lote das obras de Miró terá ido posteriormente para Paris, e depois para o Japão, onde essas obras estiveram a partir do início da década de 90, até serem compradas pelo BPN na primeira metade da primeira década deste século. Pelo meios vários “marchands” esfregaram a mão de contentes, em França e em Portugal e foram fazendo circular e inflaccionar as obras.


 


Muito haveria para contar sobre o processo de constituição da colecção de arte que o BPN então quis fazer - quem aconselhou a compra, que a intermediou e quem ganhou as respectivas comissões. Nada disto releva de amor à arte ou ao coleccionismo, apenas especulação habilidosa que viveu do escasso conhecimento dos compradores sobre obras de arte. O resto, a que assistimos nestes dias, é oportunismo. A deputada Canavilhas, agora ululante, era à época da nacionalização do BPN Ministra da Cultura e há-de ter sabido da colecção - que conste conviveu com o arrolamento dos quadros para pagamento das falcatruas do Banco, e não há indício de ter tomado qualquer iniciativa para expôr as obras sobre as quais agora tantas lágrimas deramou. Alexandre Pomar, um respeitado crítico de arte, escreveu no seu facebook que o acervo de Miró no BPN era de fraca qualidade e que por isso logo se previu a sua venda após a nacionalização do Banco, admitindo, que, quanto muito, haja dois ou três quadros que talvez tivessem algum interesse. João Miguel Tavares, num artigo no Público, pôs o dedo na ferida: "Se tivesse 36 milhões de euros à sua disposição, preferia gastá-los em quadros do mesmo pintor, ou daria algumas oportunidades a outros artistas? E, se assim fosse, estou capaz de apostar que a paixão por Miró esmoreceria num ápice."


 


SEMANADA - Há 81 mil licenciados sem trabalho há mais de um ano, num total de 146 mil desempregados com curso superior; a RTP, a SIC e a TVI disputam a transmissão dos sorteios de automóveis do Fisco, que estão a ser preparados em colaboração com os Jogos da Santa Casa; a televisão por subscrição, vulgo cabo, aumentou de novo em 2013 e já cobre 79% dos lares portugueses; a penetração do Facebook em Portugal duplicou nos quatro últimos anos; nove em cada dez empresas em Portugal, Itália e Grécia dizem que subornos são prática generalizada entre políticos; dos 838 casos de corrupção que chegaram aos tribunais portugueses entre 2004 e 2008 apenas 8,5% tiveram conclusão até 2010 e apenas 6,9% resultaram numa condenação; o sistema judicial deixou prescrever sete mil crimes em cinco anos; os hospitais do serviço Nacional de Saúde terminaram 2013 com menos 1648 camas do que as que estavam instaladas há quatro anos; a população espanhola cresceu sete vezes mais que a portuguesa na última década; o PIB per capita em Portugal é 15.600 euros e em Espanha é de 22.300 euros; cada trabalhador português trabalha em média 42,6 horas por semana e em Espanha o horário médio de trabalho é de 41,6 horas semanais; em dois anos o PSD perdeu mais de 30% dos  seus militantes em Lisboa; a direcção do PS enviou um email a estruturas do partido a garantir não estar assustada com as eleições europeias.


 


ARCO DA VELHA - João Rendeiro disse que os seus clientes que se queixam do Banco Privado Português se sentem lesados por serem gananciosos.


 


FOLHEAR - Há quase 20 anos Edson Athayde, um publicitário que em 1991 havia vindo do Brasil para Portugal, editou “A Publicidade Segundo O Meu Tio Olavo”. O livro foi um sucesso imediato - a foma despretenciosa como estava escrito e a maneira como contava histórias eram irresistíveis e, à época, pouco usuais. Nalgumas escolas onde se ensinava publicidade e comunicação o livro passou a fazer parte do plano de estudos. Desde há muito que estava fora de mercado e o seu autor decidiu agora fazer uma nova edição revista, actualizada com novos exemplos, expurgada de dados que entretanto se desactualizaram. De igual apenas a mesma forma de escrita, o mesmo prazer de contar histórias e de partilhar experiências e conhecimento. Aqui está um novo guia para os próximos anos, destinado a quem gosta da publicidade, a quem vive a comunicação. Como diria o Tio Olavo, citado por Edson Athayde nas primeiras páginas do livro, “Difícil é aprender a ler. O resto está escrito” (Edição Chiado Editora)


 


VER - A galeria João Esteves de Oliveira, de arte moderna e contemporânea, dedica-se a trabalhos sobre papel. É uma das mais simpáticas a acolhedoras galerias lisboetas, em pleno Chiado. Sobretudo depois das obras de ampliação que teve há alguns anos, e que permitiram aumentar a sua área de exposição, ganhou uma outra dimensão. O seu fundador e proprietário, João Esteves de Oliveira, fez boa carreira na Banca mas em 2002 decidiu que esta seria a sua nova vida e desde então juntou um significativo leque de artistas e um público fiel. A especialização em trabalhos sobre papel permitiu-lhe também um posicionamento especial, que tem conseguido manter. Na semana passada inaugurou uma das mais marcantes exposições que lá vi nos últimos anos - “Terra”, de Miguel Branco. Na maioria são desenhos a carvão sobre papel - muito intensos, misturando referências da cultura popular com a história natural, percorrendo lugares diversos e remetendo para memórias de saberes acumulados. Seria simplista dizer que esta é uma viagem pelas teorias de Darwin e pelas polémicas livrescas, académicas e teológicas que elas desencadearam ao longo dos séculos.  É talvez melhor remeter para o título, e para o que ele evoca de história da Terra e de quem a habita. (até 15 de Março, Rua Ivens 38).


 


OUVIR - Existe uma velha discussão sobre se mandolim se deve traduzir por bandolim em português. A origem da palavra é italiana mas a questão tem também a ver com a forma e a sonoridade do instrumento musical - no fundo é um pequeno instrumento com quatro cordas duplas. O bandolim tem uma caixa mais circular, o mandolim é mais oval. Para o caso estou a falar de um músico israelita, Avi Avital, que toca mandolim e que faz adaptações muito livres de temas clássicos. O ano passado fez um disco com arranjos de composições de Bach e este ano aventurou-se em composições de Bela Bartok, Heitor Villa Lobos, Astor Piazzolla, Manuel de Falla, Antonin Dvorak, Sulkhan Tsintsadze, Ernest Bloch, Vittorio Monti, Ora Bat Chaim e temas tradicionais da Bulgária e do País de Gales. Em alguns temas, como na “Aria Cantilena” de Villa Lobos, , em vez da orquestra existe o mandolim, um duplo baixo e um acordeão, no caso tocado por Richard Galliano, que participa em três temas do disco - os outros dois são de Piazzolla e de Vittorio Monti, ambos igualmente surpreendentes. (Between Worlds, Avi Avital, CD Deutsche Grammophon


 


PROVAR - Embora seja um grande apreciador das conservas portuguesas em geral, e das de anchovas em particular, confesso que nesta especialidade as anchovas do Cantábrico, de Espanha, são um caso à parte. Experimentem-nas em cima de um pedaço de bom pão levemente tostado, acompanhem com um branco do Douro, tenham por perto umas azeitonas retalhadas, e está feito um belo petisco. Se quiserem levar a coisa ainda mais a sério incluam também uns boquerones e fica o caso arrumado. Experimentem isto na próxima vez que tiverem amigos em casa e verão o sucesso - em vez de uma entrada clássica, umas tapas destas para picar. Na loja Gourmet do El Corte Ingles encontram estas anchovas do Cantábrico que estão na fotografia e também belíssimos boquerones.


 


DIXIT - “Entre Pessoa e Almada, os portugueses votaram, aliás, em Salazar” - descrição do Portugal do século XX em dez palavras por José Augusto França, no “Expresso”


 


GOSTO - O governo espanhol anunciou que está a estudar uma descida de 11 pontos percentuais do IVA no sector da cultura, que assim poderá ficar nos 10% para bilhetes de teatro e espectáculos musicais. Em Portugal aplica-se nestes casos o IVA de 23%.


 


NÃO GOSTO - A corrupção na zona Euro custa 120 mil milhões de euros por ano aos respectivos Estados, e o financiamento dos partidos e a integridade da classe política estão no topo das suas causas.


 


BACK TO BASICS - “É das coisas mais simples que nascem as melhores ideias” - Juan Miró