Manuel Alegre foi o único candidato já anunciado às próximas eleições presidenciais que não esteve nas comemorações oficiais do Centenário da República, na Praça do Município, em Lisboa. A versão oficial diz que ele esteve em Loures e no Barreiro, onde a República terá sido proclamada ainda antes de Lisboa. A evidência no entanto é que Manuel Alegre preferiu ir para locais onde não corresse o risco de ser confrontado com a pergunta: «que acha das medidas de austeridade anunciadas pelo Governo?». Se tivesse ido à Praça do Município, Manuel Alegre teria que falar aos jornais,às estações de rádio, ás estações de televisão. Seria impossível continuar com o silêncio, algo covarde, atrás do qual se tem escondido desde que Sócrates anunciou que ía mesmo ter que fazer cortes sérios. A atitude de Manuel Alegre, a forma como se esconde, diz muito sobre a sua frontalidade, sobre a sua tranaparência e, sobretudo mostra a enorme clivagem, que se há-de acentuar ainda mais, entre as medidas que o PS toma e o que o candidato propagandeia. Manuel Alegre tenta o equilíbrio entre os seus dois apoiantes – PS e Bloco de Esquerda – mas a única coisa que consegue é esconder-se.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
outubro 14, 2010
TOLERÂNCIA REPUBLICANA
No dia das comemorações do centenário da República um grupo de simpatizantes monárquicos, na maioria alinhados com o blogue “31 da Armada”, estava perto da Praça do Município e os participantes colocaram máscaras de Darth Vader, personagem da ”Guerra das Estrtelas” que tem sido a imagem de marca daquele blogue. O curioso é que foram abordados por polícias à paisana, vários deles de cabelos rapados e óculos escuros, que lhes quiseram tirar as máscaras, não se sabe bem por que razão nem por qual autoridade. Noutra rua ali próxima um conhecido humorista da TV, Jel, dos Homens na Luta, fazia uma das suas habituais intervenções, proclamando que na sua opinião estamos numa república das bananas - e por esse facto foi detido e levado para identificação pela polícia. Num regime que se quer expoente da Liberdade, estes comportamentos são curiosos . Mais elucidativo ainda é o relativo e dominante silêncio dos media sobre estas atitudes - e já agora também sobre as cerimónias evocativas da Monarquia que na mesma data ocorreram em Guimarães, sem dignatários do regime nem usufrutuários dos dez milhões de euros das festividades republicanas, mas com largas centenas de pessoas, que lá se deslocaram de propósito a expensas próprias, num ambiente de festa popular em contraste com o cinzentismo da Praça do Município.
RETOCAR A MÚSICA
Nestes dias outonais nada como um bom disco de jazz, feito por um trio com uma formação intocável- piano, baixo e bateria. No piano está Jason Moran, no baixo está Tarus Mateen e na bateria está Nasheet Waits. Este trio completou dez anos de existência, já que o seu disco estreia foi “Facing Left”, de 2000. Matematicamente, este novo registo chama-se ”Ten” e reafirma como o talento de Moran está em conseguir fundiar a sua sensibilidade clássica com a intensidade da inspiração afro-americana dos músicos que o acompanham. Grande parte dos temas são da autoria do próprio Jason Moran, mas vale a pena ouvir com atenção as suas versões de “Crepuscle With nellie” de Thelonius Monk e de “Big Stuff”, de Leonard Bernstein. “Ten”, CD Blue Note, na Amazon. Chama-se a isto retocar a música. Bem retocada.
AGATHA CHRISTIE DESCOBRE A SÍRIA
Agatha Christie está no nosso imaginário como a autora de numerosos policiais de trama aliciante e desfecho inesperado. Mas confesso que conhecia muito pouco da sua vida pessoal. “Na Síria” não é bem um livro de viagens no sentido tradicional do termo - é mais o relato de experiências vividas num país, recordações de uma época, recordações assumidas com prazer. Agatha Christie, e isto eu também não sabia, casou-se com um arqueólogo britânico que conheceu nas suas experições. E antes da Guerra, durante uma década a partir de 1930, acompanhou o seu marido em sucessivas explorações e investigações na Síria. Este livrirelata essas viagens, as descobertas e facetas desconhecidas da escritora. Após as expedições á Síria, ela voltou para Londres onde viveu nos anos da II Grande Guerra. E foi só com o fim do conflito que terminou este livro, agora publicado em Portugal. É um deliciso relato de uma viagem para descobrir a Agatha Christie que desconhecemos. “Na Síria”, Edição Tinta da China, na Pó dos Livros. 285 páginas.
TRABALHO COLECTIVO
A nova proposta da Plataforma Revólver é uma exposição colectiva intitulada “Tough Love, Uma Série de Promessas”, que agrupa trabalhos de 12 artistas em diferentes fases da carreira criativa e provenientes de diversos países. O objectivo é “explorar o uso da arte em fornecer complementos exteriores para a noção de amor – uma jornada pessoal efémera composta por outras emoções mais provocatórias, incluindo o ódio, o desejo, a inveja e o destino”. Destaco os trabalhos de Cecília Costa, Agathe de Bailliencourt, Samira Abbasy, K.P. Reiji, Isabel Ribeiro , Greg LeFevre Marc Bijl e Zak Ové . A exposição estará patente até 20 de Novembro na Rua da Boavista 84-1º, Lisboa.
UMA REVISTA FANTÁSTICA - EXCESSIVAMENTE ENORME
Um bom excesso, na realidade: a coisa começa logo na capa - uma fotografia que chama a atenção e um título que diz tudo - «90 anos de excessos». É a edição especial de aniversário da Vogue francesa, que assinala os 90 anos da revista que é a bíblia da moda. São 626 páginas, a maioria de publicidade deslumbrante, muita dela feita de propósito para esta edição. Só a publicidade, de facto, é por si própria um conteúdo editorial. Para além da publicidade e da moda há artigos sobre o escritor Raimond Carver, uma bela evocação de Yul Brynner, outra da super,modelo Dorian Leigh, que foi seis vezes capa da Vogue em 1946 – veja, essas imagens fascinantes. Mas há mais: um álbum com reproduções de artigos antigos sobre Brigitte Bardot, Françoise Sagan, Romy Schneider, Jeanne Moreau, Annie Girardot, Catherine Deneuve, e Marilyn Monroe, a descrição que Richard Burton fez há anos para a a Vogue da sua vida com Elisabeth Taylor e várias páginas de fotografias de alguns das grandes modelos que posaram para a revista nestes 90 anos. Imperdível – e pode ser comprada em Portugal ou vista em iPad ou em www.vogue.fr.
PARA ALCÁCER, EM FORÇA!
Esta semana inauguro um novo género de recomendações. Assim, aqui vai – eu ainda não fui lá, estou com vontade de ir, mas dois amigos meus, de reconhecido paladar, a Ana e o Carlos já lá foram e insistem que eu não posso deixar de descobrir o local. Chama-se Porto Santana, fica em Alcácer do Sal, do lado direito depois da ponte velha, onde Dantas era a Tasca do Gino, perto do local de onde partem as embarcações de recreio para passeios no Sado. A boa reputação da casa é feita pela sopa de cação, pelo ensopado de enguias, pela canja de amêijoas, migas à alentejana, lombo de porco preto. Pratica boa cozinha a preços moderados e tem uma boa garrafeira. Encerra ao jantar de segunda-feira e toda a terça-feira. Telefone 265 613 454
BACK TO BASICS
A administração é uma questão de habilidades, e não depende da técnica ou experiência. Mas é preciso antes de tudo saber o que se quer - Sócrates (469-399 a.C.)
ARCO DA VELHA
Nunca me tinha passado pela cabeça ouvir Mário Soares elogiar Cavaco Silva, mas foi isso mesmo que ouvi no dia da celebração do centenário da República. Ora aqui está a verdadeira união nacional. Quem deve ter ficado a ferver é Manuel Alegre.
outubro 06, 2010
REGIME
No exacto dia em que começaram as celebrações oficiais do Centenário da República a imprensa diária informa que o défice disparou, que as empresas do Estado têm a dívida descontrolada, que o preço dos medicamentos sobe e que o Estado continua sem cortar na despesa. O balanço do regime no seu centenário é o maior desemprego das últimas décadas, uma justiça que não funciona, e problemas que se agravam na saúde e na educação. O endividamento externo de Portugal está a níveis nunca vistos, todos os dias há novos sinais de falta de confiança internacional no país, há uma crise política latente há meses - em boa parte culpada de toda a situação a que se chegou – um Presidente da República hesitante, um Governo autista, oposições oscilantes. Ao fim de cem anos de República os cidadãos desconfiam de políticos e de partidos, os números da abstenção em actos eleitorais continuam a crescer, o afastamento das pessoas da participação activa na política é cada vez maior. O país político é cada vez mais diferente do país real.
Vivemos há cem anos em República – os 16 primeiros anos foram de confusão e descalabro (com algumas semelhanças aos tempos actuais em matéria das finanças públicas), os 48 anos seguintes foram de ditadura e os 36 mais recentes foram ora de festa, ora de esperança, ora de desilusão – até aqui chegarmos. Se olharmos para o que se passava há cem anos atrás veremos que os principais males de que o país padecia continuam a existir. O regime mudou, mas não resolveu problemas nem melhorou, de facto, a vida política. O regime republicano em si poucas responsabilidades tem nos progressos que se verificaram - são fruto dos tempos, como aliás as monarquias do norte da Europa bem mostram. As comemorações a que agora iremos assistir são uma espécie de propaganda dos poderes instituídos, com gastos mais que discutíveis nos tempos que correm, e com uma alarvidade de expressões públicas que roça o indecoroso. Na realidade tudo se passa como se estes 100 anos fossem um mar de rosas, numa leitura acrítica e idílica do descalabro em que o país está a ser republicanamente governado. O descaramento é tanto que o Governo pretende aproveitar o 5 de Outubro para, nesse dia, inaugurar 100 escolas, depois de, ao longo dos últimos meses, ter imposto o encerramento de quase 4000 escolas. Mais do que uma celebração de um regime, as comemorações actuais são uma manobra de propaganda pura, que o actual Governo manipula em seu proveito, perante a complacência habitual do Chefe do Estado. A República não é uma ideologia, por muito que alguns pretendam. É apenas uma forma de organização do poder e por cá não tem dado grandes resultados.
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BACK TO BASICS – Deixe quem desejaria mudar o mundo mudar-se primeiro a si mesmo , Sócrates (469-399 a.C.)
ARCO DA VELHA
«O relatório da EFTA não pode ser pessimista até porque foi negociado com o Governo» – afirmou Silva Lopes. «Um verdadeiro tratado de má economia» - foi assim que António Nogueira Leite classificou este relatório. E sobre o carteiro mexicano que veio fazer belos cenários para Teixeira dos Santos, nogueira Leite desabafou no Facebook: «O ex ministro do Partido Revolucionário Institucional do México veio dizer a barbaridade de que há pouca margem para cortar despesa. E o senhor até parafraseou Trotsky no comentário imbecil que fez sobre a injustiça dos juros que nos cobram os credores».
COMER NO CORTE
A decoração é insípida, a vista é boa, o serviço é muito bom e a comida é acima do razoável. Feitas as contas o balanço final é positivo. O Restaurante do El Corte Ingles (não confundir com a Cafetaria que é mauzota e tem fraco serviço), fica no último piso do edifício, o sétimo. Aviso à navegação – só serve almoços, mas acontece que é um local central e simpático para uma conversa tranquila – as mesas são amplas e espaçadas umas das outras, a cozinha é atenta, a garrafeira é simpática e há boas propostas de vinho a copo. Vale a pena reservar, frequentemente está com a lotação completa. Para além das propostas diárias e de algumas semanas dedicadas a tradições culinárias específicas, a casa orgulha-se de um arroz caldoso de lavagante que é sempre muito elogiado, de um lombo de porco ibérico com cogumelos e de um tamboril salteado com amêijoas e molho verde. Telefone 213711724.
Uma exposição, Um disco, Um livro
VER – «Desordem Comum» é o bom título da nova exposição de Pedro Calapez, na Galeria Miguel Nabinho, em Campo de Ourique, na Rua Tenente Ferreira Durão 18-B. Até 16 de Novembro podem ser vistos trabalhos recentes e inéditos do autor. Cores luminosas, combinações de formas, por vezes a sugerir meio caminho entre a pintura e a escultura, perspectivas invulgares, sugestões de movimento que nos prendem o olhar. Quadros animados, quase poderia dizer.
OUVIR – Aos 71 anos Mavis Staples conseguiu fazer um dos mais interessantes discos da sua já longa carreira, iniciada nas célebres Staples Sisters que ganharam fama nos anos 50 e 60 com um repertório baseado em gospels. Há três anos Mavis Staples revisitou alguns dos espirituais do tempo das Staple Singers, da época das lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Agora, neste novo disco, «You Are Not Alone», é acompanhada pelo líder dos Wilco, Jeff Tweedy, que produziu, fez arranjos e ainda compôs dois originais que Mavis aqui canta. Neste CD estão também dois originais do seu pai, Pops Staples , responsável por boa parte dos grandes êxitos das Staple Sisters – nomeadamente o arrebatador «Don’t Knock», que abre o disco. Vários tradicionais e temas de outros autores como Randy Newman ou John Fogerty (ouça-se a interpretação emocionante de «Wrote A Song For Everyone») completam este disco que tem na voz e interpretação de Mavis Staples um excelente contraponto para o tratamento que Jeff Tweedy deu aos arranjos – inventivos, e obviamente com um ar de country contemporâneo. Curioso este cruzamento de talentos entre uma lenda dos espirituais, que chegou a trabalhar com nomes grandes do jazz, da soul e com Prince, com um dos expoentes das bandas rock independentes dos últimos anos, os Wilco. Para se perceber como a voz de Mavis Staples continua em excelente forma basta ouvir «Wonderful Savior», um tema tradicional cantado «a capella» de forma superior.
(CD Anti, via Amazon).
LER – Não sou propriamente um devorador dos chamados romances históricos, mas confesso que me entusiasmei com «The Thousand Autums Of Jacob de Zoet», a mais recente novela de David Mitchell, que conta a história de um jovem funcionário holandês, em busca de fortuna num entreposto comercial estabelecido pelo seu país no Japão, perto de Nagasaki, em 1799. A escrita de Mitchell é, tradicionalmente, um manual de como definir personagens, de como cruzar narrativas. Às vezes Mitchell, um britânico que viveu muitos anos no Japão, é de uma minúcia descritiva – de locais, pessoas, ambientes, tradições ou conversas - que pode parecer exasperante. Mas esta é a técnica que utiliza para – literalmente - nos fazer viver dentro das histórias que inventa. Esta é fantástica e cruza a ganância dos homens com as tradições milenares do Oriente, uma paixão não consumada, a moral da época e formas pouco ortodoxas de compensar a vida monástica. Edição Sceptre, via Amazon.
setembro 29, 2010
PAGAR PARA ENTRAR EM CASA
(Publicado no jornal Metro de dia 28 de Setembro)
O discurso oficial de António Costa e de alguns seus estrategas é o de voltar a trazer moradores para Lisboa, promover a reabilitação em vez de construção e conseguir impedir a desertificação das zonas do centro histórico da cidade. A realidade é bem diferente - um regulamento de circulação e estacionamento nessas zonas históricas que penaliza os seus residentes. Um grupo de moradores da Costa do Castelo, indignados com que se está a passar, elaborou um documento, protestando contra as imposições da EMEL em matéria de estacionamento e da Câmara em matéria de circulação. Excertos (e declaro desde já que não resido no local nem lá costumo ir):
«A proposta de regulamento em discussão não mostra qualquer respeito pelas preocupações e interesses dos moradores, que assim se vêem cada vez mais isolados e onerados pelos custos de acesso ao bairro. De facto, esta proposta de regulamento baseia-se no princípio geral, que entendemos absurdo, de que todas as pessoas ou instituições com quem os moradores tenham relacionamento pessoal ou profissional, são obrigadas a comprar cartões de acesso temporário, e, no caso de necessitarem justificadamente de permanecer mais do que 30 minutos na Zona, estão sujeitas ao pagamento de tarifas de estacionamento extorsivas (30 euros por 2 horas de estacionamento, até 90 euros por 4h!) ou para a realização de cargas e descargas, sujeitarem-se a obrigações kafkianas para a prévia obtenção de cartão de acesso, deixando de lado todas as necessidades de apoio quotidiano esporádico que tantas vezes são necessárias. Permite-se (naturalmente) a quem tem garagens particulares que deixe estacionar veículos de visitantes nos seus lugares, quando os mesmos estejam disponíveis, mas obriga-se a que os mesmos sejam pagos e o interessado vá ao início da rua receber os visitantes com um cartão de acesso a garagem... Genericamente não faz sentido que paguemos para ter acesso às nossas casas, muito menos ainda ter que pagar um título de estacionamento para estacionar na nossa propriedade.»
Então Sr. Costa – isto é que é defender os lisboetas e combater a desertificação do centro histórico da cidade?
setembro 27, 2010
O CHÃO DE LISBOA
(Publicado no diário Metro de 21 de Setembro)
No dia 29 de Agosto de 2009, há cerca de um ano portanto, foram inauguradas as novas estações do metropolitano de São Sebastião e do Saldanha, depois de anos de obras e de corte de trânsito em quase toda a extensão da Avenida Duque de Ávila. A inauguração foi convenientemente feita para dar palco ao Dr. António Costa, associando-o à conclusão dos trabalhos, a mês e meio das eleições autárquicas.
Mas será que os trabalhos estão concluídos? A verdade, um ano depois das inaugurações e das eleições, é que a Duque de Ávila continua em boa parte da sua extensão com circulação condicionada, com estaleiros ainda montados, com o pavimento ainda por reparar. Uma das principais artérias comerciais das Avenidas Novas está votada ao abandono pela Câmara, tornando-se num dramático emblema do que tem sido a actividade do executivo camarário desde que foi eleito a 11 de Outubro do ano passado. É uma vergonha – um ano depois da inauguração das estações subterrâneas, continua à superfície o caos que durante anos ali se instalou.
O estado em que a Duque de Ávila está é a demonstração da incapacidade e do imobilismo do executivo de António Costa, é a prova do desrespeito pelos lisboetas, é a prova de como as actividades económicas da cidade não lhe interessam para nada – já para não falar do bem estar ou do conforto dos habitantes da cidade.
O estado de sujidade e de porcaria em que andam as ruas de Lisboa é de bradar aos céus – na semana passada bastou uma leva chuvinha para que os passeios se transformassem em perigosas pistas de patinagem – porque o efeito da chuva sobre a porcaria incrustada no chão é desagradavelmente escorregadio.
Desafio-vos a um passatempo – andem de olhos bem focados no chão que pisam nas ruas de Lisboa e verão se não se assustam com o que vêem, com as porcarias que estão por todo o lado, com a falta de limpeza, com a alteração da cor dos passeios por força da sujidade. Eu acho que Lisboa nunca esteve assim, nunca esteve tão mal, tão votada ao abandono.
(publicado no Jornal de Negócios de 17 de Setembro)
LISBOA – Esta semana a EMEL decidiu lançar uma campanha para captar a simpatia dos lisboetas que, queixa-se a empresa, a olham com antipatia. Custa-me um pouco que uma empresa, que para todos os efeitos é de inspiração municipal, invista em campanhas desta natureza. Talvez fosse mais útil perceber as razões da antipatia – se telefonarem para o call centre da EMEL depois de terem sido bloqueados perceberão um pouco as razões desse sentimento. Com automatismos a mais e respostas a menos, o call centre é desesperante quando se tem um carro bloqueado e não se consegue perceber quando será desbloqueado. Talvez fosse também mais interessante, para combater a antipatia, que a empresa estabelecesse um prazo máximo para o desbloqueamento, depois de solicitado. Talvez também contribuísse para diminuir a antipatia que os fiscais da EMEL tivessem critérios uniformes, e se em vez de multarem quem excedeu a validade do talão de estacionamento por pouco tempo perseguissem as duplas filas. A mim um funcionário da EMEL já me disse que tendo eu sido bloqueado não tinha que refilar pela demora, insinuando que fazia parte da punição. E já nem vou falar da forma como os próprios veículos da EMEL estacionam – por vezes até em passagens de peões.
Se a EMEL tem disponibilidade para fazer investimentos como os da campanha acima referida, mais valia que o fizesse na formação dos seus funcionários, num call centre útil, na melhoria de processos, num serviço capaz aos seus clientes e no estender da acção em defesa dos moradores da cidade.
Por razões que me escapam, a EMEL não actua numa série de zonas residenciais, transformadas em parques de estacionamento de stands de automóveis usados e de visitantes da cidade, que nela não vivem.
Não iludamos a questão: Lisboa tem um problema de despovoamento e os que ainda persistem em viver na cidade são de facto prejudicados pela acção da EMEL. Quem vive em Lisboa paga aqui os seus impostos, quem tem carro registado em Lisboa paga aqui o seu Imposto de Circulação. Uma lógica de serviço aos munícipes devia fazer criar um sistema que trate de forma preferencial quem vive na cidade. E por muito que queiramos, o serviço de transportes públicos em Lisboa funciona de forma deficiente – o Presidente da Câmara, António Costa, critica ele próprio com frequência a Carris e o Metropolitano pelas opções que tomam e que não servem aos lisboetas.
A nível automóvel o grande problema é evitar a entrada de carros de não residentes – o que a EMEL e a autarquia não têm conseguido. Por isso defendo que os residentes em Lisboa devem ter liberdade de estacionamento em toda a área municipal, mediante um sistema de controlo eficaz, e que os não residentes devem ter taxas de estacionamento fortemente dissuasoras. Essa é a única forma de defender os residentes da cidade e de evitar que os bairros residenciais sejam invadidos por viaturas de fora. Por outro lado a autarquia devia regulamentar a questão dos estacionamentos em massa – nomeadamente os relativos a stands de automóveis e estacionamentos de longa duração em bairros residenciais. Um dístico de residente, um único por contribuinte e eleitor registado no município, seria uma solução possível. Era curioso que a EMEL fizesse um estudo sobre as situações de incumprimento – provêem mais de lisboetas ou de pessoas que vivem fora da cidade?
O que se deseja é que menos carros entrem na cidade, é que os cidadãos de Lisboa tenham direitos que são uma extensão da forma como contribuem para a cidade – e que por isso mesmo não podem ser vistos em pé de igualdade com os outros. Viver em Lisboa não pode ser um castigo.
Por isso a EMEL, nos termos em que existe, não tem razão de ser. É feita para punir cegamente, e não para proteger a cidade – o que quer dizer proteger quem a habita de facto. E ou se modifica, ou as suas campanhas para granjear simpatia serão apenas um desperdício de dinheiro, que afinal é de todos os que vivem em Lisboa.
ESTADO – Uma ex-esperança do PS, Francisco Assis, insurgiu-se esta semana contra o que designou por ataques do PSD ao Estado Social. Deixemos de lado o facto de o processo de revisão constitucional lançado pela actual direcção do PSD ter sido um gigantesco tiro no pé que parece um trabalho de contra-espionagem do PS. Passemos à substância da argumentação do PS sobre o Estado Social, mas tenhamos em conta dois períodos: os Governos Guterres entre 1995 e 2002 (sete anos) e os Governos Sócrates entre 2005 e a actualidade (quase seis anos). Nos Governos Guterres foi alargado de forma significativa o conjunto de apoios sociais do Estado, muito para além do que era razoável. O resultado foi um brutal aumento da despesa, que não foi compensado por cortes noutros sectores ou por mais receitas. A má gestão de Guterres, feita de boas intenções, mas cheia de deficientes cálculos, já se sabe que foi culpada em grande parte pela situação actual de desequilíbrio das contas públicas. E nos dois – três primeiros anos de Sócrates a imprudência nesta matéria continuou. Em contrapartida, como se tem visto no último ano e meio, quem está a cortar no Estado Social, e de forma abundante, é o próprio PS e não o PSD. A questão é clara: o PS atabalhoadamente instituíu medidas que desequilibraram o sistema – e agora – Bruxelas dixit - é o primeiro a fazer cortes, às vezes cegos como na educação e saúde, mas sendo incapaz de noutras áreas controlar o aumento da despesa pública. Por isso o palavreado socialista sobre o Estado Social é de uma enorme demagogia. Na realidade, pelo que fez e pelo que não fez, o PS tem sido o seu principal coveiro.
ARCO DA VELHA – O Secretário de Estado Laurentino Dias é acusado de ter instigado o imbróglio Queiroz; O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado, disse que o assunto prejudicava a imagem do país; O Ministro Pedro Silva Pereira, que tutela Laurentino Dias, acha que a polémica não prejudica nada Portugal. Ninguém se entende numa casa destas?
VER – Imagens fotográficas de André Gomes e de Duarte Amaral Netto estão, a partir desta semana ,na Galeria Baginski, mostrando duas formas bem diferentes de encarar a utilização deste meio. Duarte Amaral Netto percorre memórias pessoais e André Gomes explora a forma como os espelhos reflectem imagens à sua volta, questionando a simplicidade do olhar . É um contraste curioso. Rua Capitão Leitão 51 e 53, no Beato.
LER – «Instruções Para o Cozinheiro Zen» é um texto de um monge japonês, Tenzo Kyôkun, escrito na primavera de 1237. Não se iludam sobre o título – na realidade é uma lição de vida, de organização de trabalho, de forma de pensar e agir, e é também uma delicada introdução ao pensamento Zen. A edição, da Assírio e Alvim, colecção Gato Maltês, é completada por um interessantíssimo texto de Yves Shoshin Crettaz, um monge suíço que é responsável pelo Dojo Zen, de Lisboa e que nos ajuda a enquadrar a obra original.
OUVIR – Belíssimo o novo CD do pianista de jazz belga Jef Neve, acompanhado pelo cantor norte-americano José James. Juntos percorrem clássicos como «Autumn in New York», «Embraceable You», «Body And Soul» ou «For All We Know», entre outros. Neve é um pianista sensível e James é um cantor felizmente atrevido, nascido no hip-hop e que evoluiu para os blues e o jazz.
PROVAR – No Guarda Mor há duas coisas imbatíveis: a simpatia de Sofia Carvalho, a comandar o restaurante, e a arte da cozinheira Matilde Campos em clássicos como peixinhos da horta ou pataniscas de bacalhau. Mas tudo o resto é bom – do patê de pato com chutney que está no couvert, aos filetes de peixe galo com arroz de grelos. Ao longo dos anos o Guarda Mor tem sabido manter a qualidade, o que nem sempre acontece nesta Lisboa. Rua do Guarda Mor 8, em Santos O Velho, telefone 213 978 663.
BACK TO BASICS – A maneira de se conseguir boa reputação reside no esforço em se ser aquilo que se deseja parecer – Sócrates (469-399 a.C.)
setembro 14, 2010
UM ANO EM INTERVALO
(Publicado no diário Metro de dia 14 de Setembro)
Há um ano, a 27 de Setembro, José Sócrates venceu pela segunda vez as eleições legislativas. Lembram-se das promessas que então fez? Lembram-se do programa do PS? Lembram-se dos discursos de campanha dos socialistas? Lembram-se do horizonte radioso prometido para o país?
Um ano depois a realidade é sombria – aumentou o desemprego, diminuem os apoios sociais, aumentam os impostos e continua a crescer a despesa pública – apesar da série de cortes no estado social que o PS já foi fazendo.
Tudo indica que os próximos 12 meses vão ser um período de vazio, um intervalo onde se irá fazer muito pouco, num governo ainda recente mas já desgastado e incapaz de promover as reformas necessárias, incapaz de definir uma estratégia, um Governo que irá continuar mero seguidor das imposições orçamentais da União Europeia.
O pretexto para este dramático interlúdio de inacção é a próxima eleição do Presidente da República, que acabou por servir de tampão para a crise. Graças às normas constitucionais entrou-se naquele período em que, por pior que o Governo governe, nada se pode fazer. Na prática durante um ano Sócrates tem um seguro de vida garantido pelos prazos constitucionais. Na apresentação do Orçamento de Estado de 2012, que se fará daqui a um ano, veremos qual o estado do país.
Estes 12 meses que aí vêm não vão ser fáceis. Quase de certeza existirá um agravamento – directo ou indirecto – de impostos, a classe média será mais uma vez penalizada, a despesa pública continuará a aumentar, e o Estado terá cada vez maior dificuldade em se financiar.
Em Setembro de2011 estaremos pior. Viveremos pior. Teremos menos perspectivas. O Governo, a continuar assim, continuará cada vez mais autista, incapaz de perceber a necessidade de fazer um pacto de regime claro e transparente, com objectivos, que garanta uma efectiva estabilidade, em vez desta paz poder que consome os nossos recursos e a nossa paciência. Não ter utilizado os mecanismos possíveis para assegurar um pacto de regime e um governo de maioria alargada, é uma herança que este Presidente deixa e que sairá caríssima.
(Publicado no Jornal de Negócios de dia 10 de Setembro)
PRESIDENCIAIS- Cavaco Silva entreteve a última semana em que podia pôr o Governo na ordem com recados à oposição. Fez uma espécie de conselho político a Passos Coelho, em matéria de orçamento, e um conselho táctico ao relembrar que o desemprego é o tema que deve ser falado e combatido na acção política. Sugeriu, portanto, uma espécie de um manual de instruções ao PSD. Pelo caminho deixou cair a dúvida sobre a não redução dos valores salariais dos gabinetes do Primeiro Ministro e do Presidente da Assembleia da República, que não foram incluídos entre aqueles que iriam sofrer cortes; depressa os visados vieram aceder ao desejo Presidencial.
No entretanto vê-se de forma cada vez mais clara que a direita não tem candidato – e não me interessam nada os motivos de origem religiosa invocados por alguns. Cavaco, como os tempos, mesmo os mais recentes, têm mostrado, é o melhor Presidente da República para Sócrates, apesar das divergências pontuais e da alguma acrimónia pontual entre os dois . E Sócrates é o Primeiro Ministro que Cavaco estima, porque lhe dá oportunidade de tomar umas posições e o poupa a recomendações impopulares.
Cada vez mais se observa como Cavaco é, de facto, o candidato do regime. Por exemplo, se fosse Alegre a estar em Belém o Plano de Estabilidade e Crescimento seria mais difícil e Sócrates começaria rapidamente a arrancar cabelos. Na realidade, não havendo candidato de direita, Cavaco Silva parece ao senso comum da grande massa central do eleitorado como o menos mau – pelo menos tendo em conta o resto do folclore indígena. Manuel Alegre é um conservador com paleio social e um lunático em matéria prática, que na verdade é o candidato do Bloco de Esquerda levemente apoiado pelo PS. Fernando Nobre foi lançado às feras, não tem programa nem bases, apenas umas vagas promessas de notáveis que muito provavelmente não se cumprirão. Na realidade Fernando Nobre é o candidato soarista sem apoio do PS nem de nenhum partido e não se percebe porque não se retira enquanto é tempo. Neste cenário Cavaco Silva está perigosamente perto de ser o candidato que Sócrates quererá suportar , mesmo que tenha o apoio do PSD e PP. Estas presidenciais vão ser um jogo de aparências e uma prova mais da falência do regime em matéria de clareza de opções. E, claro, com Cavaco eleito Sócrates espera que o eleitorado não vote nas próximas legislativas naqueles que o levaram a Belém.
FUTEBOL – O caso Queiroz é um mistério que dava para escrever um policial dos bons. A Selecção Nacional foi abatida na praça pública para servir os interesses e as guerrilhas de órgãos institucionais, apadrinhados pelo Governo, caso da Federação Portuguesa de Futebol. Em vez de tomarem decisões e serem frontais, escolheram o método da conspiração como forma de actuação. Quem manda no Futebol destruíu neste último mês o pouco que restava da Selecção. Tudo isto é um espectáculo triste de mentira, hipocrisia e cobardia – nada daquilo que se espera do desporto.
PUBLICIDADE – Neste momento existe uma elevada probabilidade de que, no final deste ano, os valores globais do investimento publicitário em meios digitais se aproximem muito dos valores do investimento na imprensa diária. As estimativas actuais apontam para que a publicidade em canais de cabo e na rádio já tenha ultrapassado o montante dos jornais diários e a internet está muito mais próxima do que na mesma altura do ano passado. O panorama geral dos estudos e estimativas actuais é este: as estações de televisão RTP, SIC e TVI captam ligeiramente acima de metade do total do investimento e não sofrem grande alteração, os canais de cabo sobem quase 30%, os meios digitais também andam num crescimento de 30% e a imprensa diária cai cerca de 15%, depois de já ter caído no ano passado cerca de 28% em relação a 2008. Vamos ver o que os números do último trimestre do ano trazem, mas tudo indica que a paisagem do investimento publicitário no final de 2010 será bastante diferente, na repartição de volume pelos vários media, que no ano passado.
ARCO DA VELHA – Invocando um grande apoio a boas práticas ecológicas, a EMEL colocou 12 bicicletas para alugar que, no entanto, só podem ser usadas pelos assinantes dos seus parques e mesmo assim mediante pagamento suplementar. Sá Fernandes já pode dizer que há 12 bicicletas de aluguer em Lisboa. O ridículo mata e a EMEL cada vez se assume mais como uma empresa de fretes ao executivo camarário, cuja missão é penalizar os lisboetas.
VER – A retrospectiva da obra do pintor inglês Victor Willing inaugurou esta semana na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, em simultâneo com outra exposição da pintora, «Paula Rego Anos 70 – Contos Populares e outras histórias». Willing foi casado com Paula Rego e tem uma importante e curiosa obra. Morreu em 1988 e a sua pintura tem vindo a ganhar progressivo reconhecimento. Se ainda não conhecem a casa das Histórias não percam esta oportunidade – até porque ficarão surpreendidos pelo trabalho de Victor Willing – que ficará exposto até ao dia 2 de Janeiro.
LER – Fantástico o número de Setembro da edição americana da revista Wired (já disponível em Portugal e no site da revista). O título de capa é uma deliciosa provocação: «The Web Is Dead» - mas lá dentro explica-se em detalhe que isto quer dizer que a Internet está bem viva. Paradoxo? – nem por isso. Levanto uma ponta do véu – a vida da internet baseia-se na tendência para cada vez existirem mais aplicações e serem elas de facto que são utilizadas e geram movimento – a Web aberta está a ser trocada por serviços mais simples e direccionados que cumprem de forma eficaz o seu objectivo e que aliciam milhões de utilizadores. Acessoriamente existe um excelente artigo sobre a evolução provável da televisão nos próximos anos – a questão não é tanto o que se pode ver, mas como os espectadores vão ver o que quiserem. E, aqui, a internet, aposta a Wired, vai ter um papel decisivo. São dois artigos imperdíveis.
OUVIR – Surpreendente e inesperado o novo disco de Lloyd Cole, «Broken Record», é cheio de influências norte-americanas já que é nos Estados Unidos que ele vive hoje em dia. Longe vão os tempos de «Rattlesnakes» o álbum que em 1984 colocou no mapa Lloyd Cole e os seus Commotions. Com forte inspiração da «country» americana, Broken Record assume de forma clara o lado pop que fez a fama e a fortuna de Cole. Boas canções, produção cuidada, uma voz inesperadamente fresca. Aqui está um bom momento discográfico.
PROVAR – No regresso à cidade um restaurante popular com uma qualidade inesperada e uma dimensão apreciável. Fica nas traseiras da Avenida de Roma, no Largo Machado de Assis, ao fundo da Conde de Sabugosa – o Dom Feijão localiza-se no pátio de uma série de prédios novos que ali foram construídos nos últimos anos. O destaque vai para a qualidade do peixe, que permite grelhados recomendáveis e algumas boas frituras. Nas carnes umas honestas iscas e um bom cabrito assado são opções recomendáveis. Ao sábado há cozido. O restaurante tem 100 lugares, o preço é comedido, a garrafeira é extensa. É bom local para juntar vários amigos numa mesa.
Dom Feijão, Largo Machado de Assis 7D, telefone 218464038, fecha aos domingos.
BACK TO BASICS – Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo – Oscar Wilde
setembro 07, 2010
SENHOR COSTA EXTINGA A EMEL!
(Publicado hoje no diário Metro)
O semanário «Expresso» noticiava esta semana que Lisboa é a cidade europeia onde é mais caro estacionar um automóvel nos parquímetros de rua. Ou seja, é mais caro que Londres, Madrid, Milão ou Amesterdão. Os automobilistas lisboetas, que vivem na cidade, pagam os seus impostos na cidade e trabalham na cidade, são penalizados e perseguidos.
A EMEL, uma entidade que a Câmara Municipal de Lisboa devia ter a coragem de extinguir, gaba-se de ir ter lucros record, à custa dessas tarifas altas e de abusos de poder sistemáticos – que passam por ser rápida e muitas vezes abusiva a bloquear e a multar e muito lenta a desbloquear ou a responder a queixas e protestos dos utentes. A EMEL é uma empresa que maltrata os clientes, que despreza os munícipes e que faz campanhas de publicidade absolutamente enganosas sobre os seus métodos e fins. Basta olhar para o recente devaneio de José Sá Fernandes, que queria à viva força introduzir bicicletas de aluguer em Lisboa, talvez na tentativa de ter alguém a circular nas ciclovias que construíu de forma absurda. Quem lhe satisfez o capricho? A EMEL, claro, que lançou com parangonas o existência de doze – reparem bem no astronómico número – DOZE bicicletas para os utentes dos parques de estacionamento. E que utentes são esses? Apenas os clientes dos parques com assinatura mensal. Se isto não fosse risível seria um dramático sinal de incompetência e saloice.
Na zona onde trabalho, nas Avenidas Novas, é frequente ver os esbirros da EMEL a bloquearem carros que não estão mal estacionados, apenas excederam o tempo, enquanto assobiam perante as duplas filas. E com alguma frequência os carros da EMEL estão mal estacionados em cima de passagens de peões. Uma vez enviei uma foto de uma situação destas para a própria EMEL, protestando, e explicaram-me que os infractores estavam apenas a trabalhar e tinha sido por pouco tempo. Senhor António Costa, e não se pode extinguir esta empresa parasita? Vá lá, faça alguma coisa por Lisboa, já que tão pouco tem feito.