GRATUITOS – A guerra entre os novos vespertinos gratuitos de Londres está ao rubro. De um lado «The London Paper» da News International, que utiliza 700 ardinas de nova geração; do outro o «London Lite», da Associated Newspapers, que utiliza 500 distribuidores. Ambos os jornais imprimem 400.000 exemplares diários e estão na rua a partir das 16h30, nas estações de comboio, metro e grandes pontos de passagem. Se querem ter uma ideia do que é um deles visitem www.thelondonpaper.com .
DESPORTO – E a guerra vai ainda aumentar mais quando na sexta feira 29 de Setembro começar a ser distribuído um jornal semanal de desporto, o «Sport». Inicialmente apenas com distribuição em Londres e uma tiragem de 350.000 exemplares, o «Sport» projecta ter distribuição nas principais cidades britânicas daqui a algumas semanas, prevendo um aumento de número de exemplares impressos. O jornal é distribuído entre as sete e as nove e meia da manhã no metro, comboios, ginásios, clubes desportivos e sedes de empresas, além de algumas das principais linhas aéreas. O investimento inicial é de sete milhões de libras. O «Sport» é um formato francês que existe há cerca de dois anos e foi criado pela Sport, Media et Stratégie. Distribui 525.000 exemplares por semana em 11 cidades francesas e começou a dar lucros a partir do final de 2005. Grandes fotografias, entrevistas de fundo, antecipação dos principais jogos, um guia do desporto na TV, desportos radicais e um mix que dedica 2/e do espaço ao futebol e o resto a outras modalidades é a fórmula de um dos grandes casos de sucesso no domínio dos jornais gratuitos.
DIGITAL – A área de televisão da Warner acaba de criar o Studio 2.0, uma empresa que vai desenvolver projectos expressamente concebidos para distribuição via banda larga e dispositivos sem fios, nomeadamente programas de curta duração, de imagem real e animação. O objectivo é licenciar este programas a sites da Internet e operadores de telecomunicações e a Warner é o primeiro dos grandes estúdios de Hollywood a entrar nesta área.
CURIOSO- Um recente inquérito à segurança rodoviária realizado na Rússia indica que um quarto dos condutores russos praticam diversas formas de actividade sexual ao mesmo tempo que conduzem os seus automóveis. O estudo foi patrocinado pelos pneus Goodyear para tentar perceber a razão porque cada vez há mais acidentes nas estradas russas.
POLÍTICA – Um bom amigo meu resumia assim a situação política desta maneira:« não há que enganar, a direita finalmente é maioritária e abrange um leque cada vez mais alargado, que vai de Jaime Nogueira Pinto a António Costa, com Sócrates mais ou menos a meio do gráfico».
LER – A revista portuguesa «Attitude» está cada vez melhor do ponto de vista de conteúdo. Centrada na arquitectura, arte, design e interiores, a «Attitude» é editada no Porto, vai na sua oitava edição, tem um arranjo gráfico cuidado, uma edição fotográfica criteriosa e o dossier sobre Amsterdão que vem nesta edição é de leitura obrigatória para quem quiser visitar a cidade.
OUVIR – Sem saudosismos nem pieguices o novo disco de Bob Dylan, «Modern Times», é uma belíssima surpresa. Aos 65 anos Dylan continua a mostrar saber fazer grandes canções, que se desenrolam de forma natural. Muito «bluesy», com um ritmo bem marcado, «Modern Times» merece que os mais relutantes não torçam o nariz e ouçam as dez canções novas que aqui estão. É absolutamente surpreendente que Dylan, ao fim de todo este tempo (o seu primeiro disco data de 1962), continue a afirmar o seu talento. Se tivesse que escolher três das dez canções apontava já «Someday Baby» , «Beyond The Horizon» e «Ain’t Talkin». CD Columbia, distribuído por Sony Music.
COPOS – Procura um lugar invulgar para um copo ao fim da tarde no centro de Lisboa? Experimente o bar 39 Degraus, na Cinemateca Portuguesa, Rua Barata Salgueiro 39. O bar – cafetaria serve almoços ligeiros entre o meia dia e meia e as três e jantares até as dez e meia. Fecha ao Domingo e a qualidade é boa. Tel. 213 596 200.
BACK TO BASICS – Uma noite de verão é como um pensamento perfeito, Wallace Stevens
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
setembro 14, 2006
Untitled
GRATUITOS – A guerra entre os novos vespertinos gratuitos de Londres está ao rubro. De um lado «The London Paper» da News International, que utiliza 700 ardinas de nova geração; do outro o «London Lite», da Associated Newspapers, que utiliza 500 distribuidores. Ambos os jornais imprimem 400.000 exemplares diários e estão na rua a partir das 16h30, nas estações de comboio, metro e grandes pontos de passagem. Se querem ter uma ideia do que é um deles visitem www.thelondonpaper.com .
DESPORTO – E a guerra vai ainda aumentar mais quando na sexta feira 29 de Setembro começar a ser distribuído um jornal semanal de desporto, o «Sport». Inicialmente apenas com distribuição em Londres e uma tiragem de 350.000 exemplares, o «Sport» projecta ter distribuição nas principais cidades britânicas daqui a algumas semanas, prevendo um aumento de número de exemplares impressos. O jornal é distribuído entre as sete e as nove e meia da manhã no metro, comboios, ginásios, clubes desportivos e sedes de empresas, além de algumas das principais linhas aéreas. O investimento inicial é de sete milhões de libras. O «Sport» é um formato francês que existe há cerca de dois anos e foi criado pela Sport, Media et Stratégie. Distribui 525.000 exemplares por semana em 11 cidades francesas e começou a dar lucros a partir do final de 2005. Grandes fotografias, entrevistas de fundo, antecipação dos principais jogos, um guia do desporto na TV, desportos radicais e um mix que dedica 2/e do espaço ao futebol e o resto a outras modalidades é a fórmula de um dos grandes casos de sucesso no domínio dos jornais gratuitos.
DIGITAL – A área de televisão da Warner acaba de criar o Studio 2.0, uma empresa que vai desenvolver projectos expressamente concebidos para distribuição via banda larga e dispositivos sem fios, nomeadamente programas de curta duração, de imagem real e animação. O objectivo é licenciar este programas a sites da Internet e operadores de telecomunicações e a Warner é o primeiro dos grandes estúdios de Hollywood a entrar nesta área.
CURIOSO- Um recente inquérito à segurança rodoviária realizado na Rússia indica que um quarto dos condutores russos praticam diversas formas de actividade sexual ao mesmo tempo que conduzem os seus automóveis. O estudo foi patrocinado pelos pneus Goodyear para tentar perceber a razão porque cada vez há mais acidentes nas estradas russas.
POLÍTICA – Um bom amigo meu resumia assim a situação política desta maneira:« não há que enganar, a direita finalmente é maioritária e abrange um leque cada vez mais alargado, que vai de Jaime Nogueira Pinto a António Costa, com Sócrates mais ou menos a meio do gráfico».
LER – A revista portuguesa «Attitude» está cada vez melhor do ponto de vista de conteúdo. Centrada na arquitectura, arte, design e interiores, a «Attitude» é editada no Porto, vai na sua oitava edição, tem um arranjo gráfico cuidado, uma edição fotográfica criteriosa e o dossier sobre Amsterdão que vem nesta edição é de leitura obrigatória para quem quiser visitar a cidade.
OUVIR – Sem saudosismos nem pieguices o novo disco de Bob Dylan, «Modern Times», é uma belíssima surpresa. Aos 65 anos Dylan continua a mostrar saber fazer grandes canções, que se desenrolam de forma natural. Muito «bluesy», com um ritmo bem marcado, «Modern Times» merece que os mais relutantes não torçam o nariz e ouçam as dez canções novas que aqui estão. É absolutamente surpreendente que Dylan, ao fim de todo este tempo (o seu primeiro disco data de 1962), continue a afirmar o seu talento. Se tivesse que escolher três das dez canções apontava já «Someday Baby» , «Beyond The Horizon» e «Ain’t Talkin». CD Columbia, distribuído por Sony Music.
COPOS – Procura um lugar invulgar para um copo ao fim da tarde no centro de Lisboa? Experimente o bar 39 Degraus, na Cinemateca Portuguesa, Rua Barata Salgueiro 39. O bar – cafetaria serve almoços ligeiros entre o meia dia e meia e as três e jantares até as dez e meia. Fecha ao Domingo e a qualidade é boa. Tel. 213 596 200.
BACK TO BASICS – Uma noite de verão é como um pensamento perfeito, Wallace Stevens
DESPORTO – E a guerra vai ainda aumentar mais quando na sexta feira 29 de Setembro começar a ser distribuído um jornal semanal de desporto, o «Sport». Inicialmente apenas com distribuição em Londres e uma tiragem de 350.000 exemplares, o «Sport» projecta ter distribuição nas principais cidades britânicas daqui a algumas semanas, prevendo um aumento de número de exemplares impressos. O jornal é distribuído entre as sete e as nove e meia da manhã no metro, comboios, ginásios, clubes desportivos e sedes de empresas, além de algumas das principais linhas aéreas. O investimento inicial é de sete milhões de libras. O «Sport» é um formato francês que existe há cerca de dois anos e foi criado pela Sport, Media et Stratégie. Distribui 525.000 exemplares por semana em 11 cidades francesas e começou a dar lucros a partir do final de 2005. Grandes fotografias, entrevistas de fundo, antecipação dos principais jogos, um guia do desporto na TV, desportos radicais e um mix que dedica 2/e do espaço ao futebol e o resto a outras modalidades é a fórmula de um dos grandes casos de sucesso no domínio dos jornais gratuitos.
DIGITAL – A área de televisão da Warner acaba de criar o Studio 2.0, uma empresa que vai desenvolver projectos expressamente concebidos para distribuição via banda larga e dispositivos sem fios, nomeadamente programas de curta duração, de imagem real e animação. O objectivo é licenciar este programas a sites da Internet e operadores de telecomunicações e a Warner é o primeiro dos grandes estúdios de Hollywood a entrar nesta área.
CURIOSO- Um recente inquérito à segurança rodoviária realizado na Rússia indica que um quarto dos condutores russos praticam diversas formas de actividade sexual ao mesmo tempo que conduzem os seus automóveis. O estudo foi patrocinado pelos pneus Goodyear para tentar perceber a razão porque cada vez há mais acidentes nas estradas russas.
POLÍTICA – Um bom amigo meu resumia assim a situação política desta maneira:« não há que enganar, a direita finalmente é maioritária e abrange um leque cada vez mais alargado, que vai de Jaime Nogueira Pinto a António Costa, com Sócrates mais ou menos a meio do gráfico».
LER – A revista portuguesa «Attitude» está cada vez melhor do ponto de vista de conteúdo. Centrada na arquitectura, arte, design e interiores, a «Attitude» é editada no Porto, vai na sua oitava edição, tem um arranjo gráfico cuidado, uma edição fotográfica criteriosa e o dossier sobre Amsterdão que vem nesta edição é de leitura obrigatória para quem quiser visitar a cidade.
OUVIR – Sem saudosismos nem pieguices o novo disco de Bob Dylan, «Modern Times», é uma belíssima surpresa. Aos 65 anos Dylan continua a mostrar saber fazer grandes canções, que se desenrolam de forma natural. Muito «bluesy», com um ritmo bem marcado, «Modern Times» merece que os mais relutantes não torçam o nariz e ouçam as dez canções novas que aqui estão. É absolutamente surpreendente que Dylan, ao fim de todo este tempo (o seu primeiro disco data de 1962), continue a afirmar o seu talento. Se tivesse que escolher três das dez canções apontava já «Someday Baby» , «Beyond The Horizon» e «Ain’t Talkin». CD Columbia, distribuído por Sony Music.
COPOS – Procura um lugar invulgar para um copo ao fim da tarde no centro de Lisboa? Experimente o bar 39 Degraus, na Cinemateca Portuguesa, Rua Barata Salgueiro 39. O bar – cafetaria serve almoços ligeiros entre o meia dia e meia e as três e jantares até as dez e meia. Fecha ao Domingo e a qualidade é boa. Tel. 213 596 200.
BACK TO BASICS – Uma noite de verão é como um pensamento perfeito, Wallace Stevens
setembro 04, 2006
DIGITAL – De acordo com um estudo da Datamonitor, na Europa e nos Estados Unidos existirão 187 milhões de lares com televisão digital em 2010, prevendo-se que o Velho Continente ultrapasse os Estados Unidos no final desse ano. O estudo prevê que, no final de 2009, 63% dos lares das duas regiões terão acesso à televisão digital. Actualmente já mais de 100 milhões de lares na Europa e Estados Unidos utilizam a televisão digital. Na Europa o mercado britânico é o mais desenvolvido, com uma penetração superior a 50%. O futuro não parece no entanto tão brilhante para a televisão por banda larga – na realidade as estimativas apontam para apenas 9% dos utilizadores a acederem ao digital por esta tecnologia (que inclui o acesso ADSL).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
Untitled
DIGITAL – De acordo com um estudo da Datamonitor, na Europa e nos Estados Unidos existirão 187 milhões de lares com televisão digital em 2010, prevendo-se que o Velho Continente ultrapasse os Estados Unidos no final desse ano. O estudo prevê que, no final de 2009, 63% dos lares das duas regiões terão acesso à televisão digital. Actualmente já mais de 100 milhões de lares na Europa e Estados Unidos utilizam a televisão digital. Na Europa o mercado britânico é o mais desenvolvido, com uma penetração superior a 50%. O futuro não parece no entanto tão brilhante para a televisão por banda larga – na realidade as estimativas apontam para apenas 9% dos utilizadores a acederem ao digital por esta tecnologia (que inclui o acesso ADSL).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
setembro 01, 2006
UM REGIME PERIGOSO
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
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UM REGIME PERIGOSO
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
O PONTO DE PARTIDA
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
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O PONTO DE PARTIDA
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
agosto 30, 2006
FOGOS – O Director de Informação da RTP escandalizou-se com a opinião de um jornalista, crítico e estudioso de TV, sobre a cobertura feita pelo canal do Estado aos incêndios, que acusou de ser manipulada para benefício da imagem do Governo. Ameaçou o autor das críticas de processos judiciais e garantiu ir recorrer à Entidade Reguladora, que agora pelos vistos é a depositária de queixinhas do concessionário de Serviço Público. Acho extraordinária a reacção: as pressões existem, conheço muita gente que as reconhece, conheço quem lhes resista e vejo quem lhes cede. Pensar que o Governo não interfere no Serviço Público é uma ficção perigosa, não é apenas uma ingenuidade própria de lolitas em busca da inocência perdida. A situação é antiga e está sempre presente ao longo dos anos – com o correr dos tempos foi-se refinando: hoje são sugestões transmitidas, cumplicidades sopradas, desabafos deixados cair – no sítio certo, na circunstância certa, com um objectivo preciso. Eduardo Cintra Torres, o crítico em questão, fez bem em recolher dados, mostrá-los, tornar evidente quais os serviços noticiosos que subalternizaram o noticiário relativo a incêndios; à RTP fica mal a maneira como reage, recorrendo a ameaças para justificar um alinhamento editorial mais próprio do Burkina Faso do que de Portugal.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
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FOGOS – O Director de Informação da RTP escandalizou-se com a opinião de um jornalista, crítico e estudioso de TV, sobre a cobertura feita pelo canal do Estado aos incêndios, que acusou de ser manipulada para benefício da imagem do Governo. Ameaçou o autor das críticas de processos judiciais e garantiu ir recorrer à Entidade Reguladora, que agora pelos vistos é a depositária de queixinhas do concessionário de Serviço Público. Acho extraordinária a reacção: as pressões existem, conheço muita gente que as reconhece, conheço quem lhes resista e vejo quem lhes cede. Pensar que o Governo não interfere no Serviço Público é uma ficção perigosa, não é apenas uma ingenuidade própria de lolitas em busca da inocência perdida. A situação é antiga e está sempre presente ao longo dos anos – com o correr dos tempos foi-se refinando: hoje são sugestões transmitidas, cumplicidades sopradas, desabafos deixados cair – no sítio certo, na circunstância certa, com um objectivo preciso. Eduardo Cintra Torres, o crítico em questão, fez bem em recolher dados, mostrá-los, tornar evidente quais os serviços noticiosos que subalternizaram o noticiário relativo a incêndios; à RTP fica mal a maneira como reage, recorrendo a ameaças para justificar um alinhamento editorial mais próprio do Burkina Faso do que de Portugal.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
SÓ PODE SER ANEDOTA
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
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SÓ PODE SER ANEDOTA
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
agosto 24, 2006
O MISTÉRIO
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
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O MISTÉRIO
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
GALOPANTE - O montante total de «product placement» pago em programas de televisão, filmes e outros media vai aumentar 38,8% para 3,07 mil milhões de dólares em 2006, revela um estudo desenvolvido pela empresa norte-americana PQ. Segundo o mesmo estudo já em 2005 se tinha verificado um aumento de 42,2%, para um valor total de 2,21 mil milhões de dólares. « O Product Placement evoluiu de ser apenas uma nova táctica de marketing para se tornar numa peça fundamental das estratégias de marketing a nível global e isso tem a ver com a procura de formas de estabelecer ligações emocionais fortes com os consumidores», sublinhou o presidente da empresa. Segundo o mesmo estudo o país onde existem maiores investimentos em product placement é os Estados Unidos, seguidos pelo Brasil, Austrália, França e Japão. Segundo a PQ Media em 2010 o mercado global de Product Placement deve atingir os 7,55 mil milhões de dólares com um ritmo de crescimento médio anual de 27,9%.
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
Untitled
GALOPANTE - O montante total de «product placement» pago em programas de televisão, filmes e outros media vai aumentar 38,8% para 3,07 mil milhões de dólares em 2006, revela um estudo desenvolvido pela empresa norte-americana PQ. Segundo o mesmo estudo já em 2005 se tinha verificado um aumento de 42,2%, para um valor total de 2,21 mil milhões de dólares. « O Product Placement evoluiu de ser apenas uma nova táctica de marketing para se tornar numa peça fundamental das estratégias de marketing a nível global e isso tem a ver com a procura de formas de estabelecer ligações emocionais fortes com os consumidores», sublinhou o presidente da empresa. Segundo o mesmo estudo o país onde existem maiores investimentos em product placement é os Estados Unidos, seguidos pelo Brasil, Austrália, França e Japão. Segundo a PQ Media em 2010 o mercado global de Product Placement deve atingir os 7,55 mil milhões de dólares com um ritmo de crescimento médio anual de 27,9%.
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
agosto 13, 2006
PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
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PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
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ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
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