DALTONISMO GALOPANTE - Tenho constatado que o Primeiro-Ministro e o seu círculo mais próximo foram acometidos de um surto galopante de daltonismo. Trocam as cores todas, e das ideias já nem falo. As linhas vermelhas esbateram-se tanto que agora, são meras recordações no horizonte. O Chega tomou conta do asilo com rapidez, aproveitando as portas escancaradas que Montenegro, Hugo Soares e Leitão Amaro lhes abrem. Estes três nomes são os porteiros de serviço, às ordens de Ventura. Montenegro fala, Soares manda e Amaro incentiva. Este trio criou pacientemente uma nova geringonça. Mas há uma diferença fundamental: enquanto Costa criou a geringonça para, pelo caminho, esvaziar os partidos à sua esquerda, Montenegro está a encher quem está à sua direita. É certo que o PS fez tudo para alimentar o Chega, na esperança de apoucar o PSD e Montenegro está a engordar Ventura ainda mais. O fim desta dieta adivinha-se: o Chega continuará a engordar e o PSD a emagrecer. Se repararmos bem o impulso definitivo para o PSD aprovar as medidas mais radicais que preconiza, na RSU ou nas leis da imigração, vem sempre do Chega, que consegue sempre um ir além do que o Governo anunciava que iria dar. Montenegro, que fala, fala e diz pouco, afirma que este Governo é o mais reformista quando na realidade, é cheguista. O que o seu Governo consegue concretizar precisa da benção de Ventura. Basta ver o que se passa com a legislação laboral e a forma como o líder do Chega aproveita para fazer campanha sobre a descida da idade da reforma e o aumento do número de dias de férias anuais. Ou seja: já está em campanha para nas próximas legislativas ser ele a substituir Montenegro. Em vésperas do congresso o PSD alinhou na geringonça do Chega.
SEMANADA - Partidos e movimentos políticos representados na Assembleia da República devem 1,4 milhões em coimas, mas as autoridades não revelam quem foi multado nem o valor de cada um em dívida; nos últimos dez anos disparou a presença de alunos estrangeiros nas escolas públicas, que agora são 15% do total de matriculados, com o Brasil em primeiro lugar com 47% do total; um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa indica que dois terços dos portugueses consideram que a imigração tem efeitos positivos na economia; 4300 condutores portugueses ficaram sem carta de condução nos últimos dez anos devido ao sistema da carta por pontos; na noite de Santo António, a GNR deteve nas vias rápidas de acesso a Lisboa, em 4 horas, 66 condutores embriagados; 91 em cada 100 famílias residentes em Portugal tem TV cabo e o número total de assinantes residenciais é de 4,1 milhões; na Damaia foram detidos dois homens que estavam a desmontar e roubar portas de prédios; 16.6% é a taxa de risco de pobreza em Portugal após transferências de apoios sociais; em 2024 dois milhões de pessoas estavam em risco de pobreza ou exclusão social; o preço da sardinha na lota é o dobro do verificado em 2025; o sistema de videovigilância e de deteção automática de incêndios rurais só cobre metade do território continental.
ARCO DA VELHA - Um agente da PSP de Angra do Heroísmo foi filmado por um traficante que era o seu fornecedor a inalar cocaína.
RELAÇÕES VIOLENTAS - “The Comfort of Strangers” é a segunda novela de Ian McEwan, editada em 1981. Em português recebeu o título “Estranha Sedução” e teve a sua primeira edição em 1991. A Gradiva lançou agora a quinta edição desta obra, que já deu um filme. O livro passa-se numa cidade que nunca é nomeada, mas sugerida, e tudo indica que seja Veneza, que foi aliás o cenário do filme. Tudo gira em torno de dois casais, Mary e Colin, que estão de visita à cidade e Robert e Caroline, que ali vivem numa relação complexa, violenta e cheia de obsessões. A escrita de Ian McEwan é fascinante, explora as relações humanas através da intimidade de um casal que expõe fragilidades, num ambiente de crescente erotismo, um romance intenso, cheio de suspense e violência psicológica numa sucessão de jogos de poder, por vezes cruéis, que criam dependências. Ian McEwan escreveu dois livros de contos e 17 romances, escreveu também o libreto de uma ópera e diversos argumentos originais para cinema. Edição Gradiva.
MESA DE CABECEIRA - Jorge Luis Borges morreu há 40 anos e este “O Livro dos Prólogos” é um legado que nos deixou sobre livros e autores que amava. Ao longo da sua vida, Borges foi um apaixonado promotor dos escritores de que gostava, muitas vezes desconhecidos dos seus compatriotas, e usou os seus prólogos não só como um texto de introdução a um livro, mas também como uma forma brilhante de crítica, contextualizando o autor e a sua obra. Nas 300 páginas desta selecção do que é a literatura segundo Borges, estão autores como William Shakespeare, Cervantes, Kafka, Herman Melville, Francisco de Quevedo, Lewis Carroll, Emerson, Ray Bradbury, Adolfo Bioy Casares, Paul Valéry, Walt Whitman, Henry James, Edward Gibbon, Thomas Carlyle ou Marcel Schwob. Nalguns casos estes prólogos assumiram a forma mais adequada ao tema: a biografia sintética, por exemplo, onde se concentra uma obra inteira e paira uma deliciosa ironia. Edição Quetzal. “Reflexões sobre a Dor”, de Umberto Eco, tem por base um texto da lição que Eco proferiu em 2014 na cerimónia de entrega dos diplomas da Academia das Ciências de Medicina Paliativa da Universidade de Bolonha. A dor é um termo que, no campo da medicina, é geralmente identificado como sofrimento físico, mas o seu verdadeiro significado deve ser alargado ao sofrimento emocional, espiritual, social, afectivo - esta é a base deste texto de Umberto Eco, que analisou a dor num contexto semiológico, histórico e filosófico, contextualizando a discussão em diversas situações, nas quais a palavra dor se pode libertar dos vínculos estereotipados de derivação clínica. Edição Gradiva.
ROTEIRO - “Mongolian Horse in North Wind” é o título da exposição de Wang Zhengping, um dos mais importantes fotógrafos chineses contemporâneos, que inaugura dia 16 na Galeria Ochre Space, em Lisboa, com a presença do artista.
Nascido e criado na Mongólia Interior, Wang Zhengping dedica-se há mais de quinze anos a fotografar o cavalo mongol e as vastas paisagens da estepe que moldaram a sua vida (na imagem). Esta é a primeira vez que o trabalho deste fotógrafo é apresentado em Portugal e a Ochre Space tem programas mais três exposições que a galeria apresentará ao longo do Ano Chinês do Cavalo, celebrando a riqueza e diversidade da fotografia contemporânea chinesa e japonesa, de nomes como A.Hin, Hosoe Eikoh e Li Gang. A exposição decorre até 4 de Julho, na Ochre Space,de quarta a sábado, entre as 15H e as 18H30, na Rua Bica do Marquês, 31-A, à Ajuda.
ALMANAQUE - No Museu Bordalo (Campo Grande 382) decorre neste fim de semana de 20 e 21 mais uma edição da “Paródia no Bordalo”, que apresenta uma série de actividades, desde uma feira do livro, a oficinas artísticas, visitas guiadas à óptima exposição permanente, filmes e conversas a propósito. Entrada livre.
DIXIT - “Como está, este Estado pode ser retocado, mas não reformado. A fragmentação política reforçou o imobilismo, não o contrário. Há muitos Estados dentro deste Estado.” - Luís Marques, no Expresso.
BACK TO BASICS - “A Arte não é apenas beleza. A Arte é uma pergunta. É reflexão. É o contraste. É uma revolução. É uma tensão entre o que sabemos e o que intuímos.(…) Precisamos de continuar a procurar a beleza. Mas também a verdade.”- António Banderas , para o Papa Leão XIV.
A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS




