Existem várias teorias sobre a utilidade das cortinas. Para algumas pessoas são apenas uma peça decorativa, para outras uma forma de controlar a luz, para outras ainda a melhor forma de evitar olhares indiscretos. Nalguns casos, e dependendo dos materiais, podem ser um isolante acústico ou térmico. Podem ser pesadas e opacas, leves e translúcidas. O grau de liberdade das cortinas é grande. Tão grande que há outras cortinas, como as que aqui estão, que se usam no exterior e que servem para evitar a entrada num espaço de visitantes indesejados, como moscas ou até pássaros. Há uns anos era frequente vermos essas cortinas, feitas por fiadas de metal ou de fitas plásticas, que se afastavam para o lado com facilidade, para as pessoas passarem e a bicharada não entrar. Com o andar dos tempos foram-se perdendo, agora quase já não se vêem nas grandes cidades, só se encontram ainda nas vilas e aldeias do interior. E, claro, há montes delas em sites, do Temu à Amazon, em materiais que vão do alumínio ao bambu e em diversas cores. Eu acho graça a estas cortinas verticais, que funcionam graças à gravidade, que as mantém esticadas. Gosto do movimento de as abrir com a mão, de as sentir a enrolarem-se à volta do corpo, fechando-se de novo logo a seguir. São cortinas sábias, impedem os indesejáveis bicharocos de as atravessar, mas permitem que o ar circule.Talvez por isso foram desaparecendo nestes tempos do ar condicionado, quando as portas ficam fechadas para não deixar sair o fresco. Sinais dos tempos…
(pensamentos ociosos, semanalmente em sapo.pt)
