LISBOA E AS FESTAS
A ideia das Festas de Lisboa, com centenas de acontecimentos concentrados em Junho, muitas vezes a sobreporem-se, tinha sido abandonada nos últimos quatro anos. Em vez disso optou-se por um conceito, «Lisboa em Festa», que decorria entre meados de Maio (com a abertura da Feira do Livro) e meados de Setembro, assegurando que ao longo dos quatro meses com maior afluxo de turistas existisse um conjunto diversificado de eventos, exclusivamente de iniciativa autárquica ou feitos em parceria com privados, que promovessem o diálogo com públicos de municípios próximos (como acontecia nos concertos de Monsanto do auditório Keil do Amaral), que revelassem tendências novas (como o «Cosmopólis») ou que aprofundassem o conceito de placa giratória multi-cultural de Lisboa, como o Africa Festival. Para Junho ficavam as marchas populares, os arraiais, o Fado e meia dúzia de iniciativas de dimensão maior. Este conceito teve aliás por base uma constatação simples: Em Maio e Junho concentram-se já naturalmente iniciativas privadas de grande envergadura, sobretudo na área da música popular – não faz sentido fazer-lhes concorrência mas sim complementá-las.
Do ponto de vista dos custos o que acontecia era diluir o orçamento de actividades ao longo dos quatro meses, seleccionar e co-participar em parcerias co-produzindo eventos, garantir uma grande exposição de artistas portugueses de várias gerações, assegurar alguns nomes internacionais mais arredados do circuito comercial, procurar não fazer concorrência desleal aos promotores privados de concertos e sobretudo garantir a existência de animação na cidade nos meses (meados de Julho a meados de Setembro) onde a actividade dos produtores privados sofre uma quebra sazonal até porque em parte se desloca para os festivais de Verão e para outras iniciativas no litoral e interior do país. Lisboa tinha pouco a oferecer nesses meses e o objectivo traçado para a animação cultural era que ela fizesse parte integrante da atracção turística de Lisboa – daí por exemplo mega-exposições ao ar livre no Terreiro do Paço, apesar das limitações actuais do local devido às eternas obras do Metro; e daí também garantir que Monsanto se tornasse num pólo natural de actividades, o que aconteceu. Facto: em 2005 nesses quatro meses, tudo incluído, foram gastos 3,5 milhões de euros. Este ano voltou-se ao modelo antigo, muito igual ao de João Soares, e, essencialmente em Junho (na realidade de 1 de Junho a 9 de Julho) serão gastos 3 milhões de euros. São formas diferentes de planear, de fazer as contas e de procurar resultados.
O que é facto é que se conseguiu, sobretudo em 2003, 2004 e 2005, que este panorama funcionasse e fosse entendido não só por quem vive na cidade, mas também por quem a visita – desde o turismo exterior até ao turismo interno. As Festas de Lisboa deixaram de ser uma amálgama de acontecimentos em Junho e passaram a ter uma programação estruturada multi-disciplinar que se prolongava ao longo de 120 dias e que envolvia desde colectividades populares até à Orquestra Gulbenkian. O que se procurou foi criar a imagem de uma cidade onde a criatividade fazia parte do quotidiano e não apenas de algumas semanas com agitaçãozinha fabricada. Além disso desenvolveram-se acções específicas para as comunidades estrangeiras de emigrantes – desde africanos aos provenientes do Leste, que nos últimos anos alteraram o panorama de Lisboa, tornando-a de facto numa metrópole multi-étcnica e multi-cultural. Na realidade, sobretudo em 2004 e 2005, a actividade autárquica estendeu-se, numa série de outras acções complementares, ao longo de meses onde tradicionalmente não existia, entre Setembro e Abril – sempre em parcerias com privados, mas estimulando a existência e viabilizando ciclos de música, exposições e festivais de diversa natureza e origem: basta ver o que surgiu e se consolidou nesse período, como a Lisboa Photo e o Indy Lisboa. Às vezes convém forçar a memória para que algumas coisas não fiquem no esquecimento.
Existe um curioso documento sobre a importância das políticas culturais nas cidades, «The Memphis Manifesto», que não resisto a citar: «A criatividade é parte fundamental da natureza humana e é um bem essencial para a vida individual, das comunidades e da economia. As comunidades onde a criatividade se sente são locais vibrantes e humanizados, que estimulam o crescimento dos indivíduos, proporcionam avanços culturais e tecnológicos, criam empregos e riqueza e aceitam uma grande diversidade de estilos de vida e de cultura. Acreditamos que o futuro é construído pela força das ideias e as ideias são o motor do crescimento de amanhã – portanto acarinhar comunidades onde as ideias se possam desenvolver é um factor chave para o sucesso. As ideias nascem onde a criatividade é estimulada de forma permanente e a criatividade implanta-se e desenvolve-se onde as comunidades acarinham e estimulam as ideias».
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
junho 11, 2006
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LISBOA E AS FESTAS
A ideia das Festas de Lisboa, com centenas de acontecimentos concentrados em Junho, muitas vezes a sobreporem-se, tinha sido abandonada nos últimos quatro anos. Em vez disso optou-se por um conceito, «Lisboa em Festa», que decorria entre meados de Maio (com a abertura da Feira do Livro) e meados de Setembro, assegurando que ao longo dos quatro meses com maior afluxo de turistas existisse um conjunto diversificado de eventos, exclusivamente de iniciativa autárquica ou feitos em parceria com privados, que promovessem o diálogo com públicos de municípios próximos (como acontecia nos concertos de Monsanto do auditório Keil do Amaral), que revelassem tendências novas (como o «Cosmopólis») ou que aprofundassem o conceito de placa giratória multi-cultural de Lisboa, como o Africa Festival. Para Junho ficavam as marchas populares, os arraiais, o Fado e meia dúzia de iniciativas de dimensão maior. Este conceito teve aliás por base uma constatação simples: Em Maio e Junho concentram-se já naturalmente iniciativas privadas de grande envergadura, sobretudo na área da música popular – não faz sentido fazer-lhes concorrência mas sim complementá-las.
Do ponto de vista dos custos o que acontecia era diluir o orçamento de actividades ao longo dos quatro meses, seleccionar e co-participar em parcerias co-produzindo eventos, garantir uma grande exposição de artistas portugueses de várias gerações, assegurar alguns nomes internacionais mais arredados do circuito comercial, procurar não fazer concorrência desleal aos promotores privados de concertos e sobretudo garantir a existência de animação na cidade nos meses (meados de Julho a meados de Setembro) onde a actividade dos produtores privados sofre uma quebra sazonal até porque em parte se desloca para os festivais de Verão e para outras iniciativas no litoral e interior do país. Lisboa tinha pouco a oferecer nesses meses e o objectivo traçado para a animação cultural era que ela fizesse parte integrante da atracção turística de Lisboa – daí por exemplo mega-exposições ao ar livre no Terreiro do Paço, apesar das limitações actuais do local devido às eternas obras do Metro; e daí também garantir que Monsanto se tornasse num pólo natural de actividades, o que aconteceu. Facto: em 2005 nesses quatro meses, tudo incluído, foram gastos 3,5 milhões de euros. Este ano voltou-se ao modelo antigo, muito igual ao de João Soares, e, essencialmente em Junho (na realidade de 1 de Junho a 9 de Julho) serão gastos 3 milhões de euros. São formas diferentes de planear, de fazer as contas e de procurar resultados.
O que é facto é que se conseguiu, sobretudo em 2003, 2004 e 2005, que este panorama funcionasse e fosse entendido não só por quem vive na cidade, mas também por quem a visita – desde o turismo exterior até ao turismo interno. As Festas de Lisboa deixaram de ser uma amálgama de acontecimentos em Junho e passaram a ter uma programação estruturada multi-disciplinar que se prolongava ao longo de 120 dias e que envolvia desde colectividades populares até à Orquestra Gulbenkian. O que se procurou foi criar a imagem de uma cidade onde a criatividade fazia parte do quotidiano e não apenas de algumas semanas com agitaçãozinha fabricada. Além disso desenvolveram-se acções específicas para as comunidades estrangeiras de emigrantes – desde africanos aos provenientes do Leste, que nos últimos anos alteraram o panorama de Lisboa, tornando-a de facto numa metrópole multi-étcnica e multi-cultural. Na realidade, sobretudo em 2004 e 2005, a actividade autárquica estendeu-se, numa série de outras acções complementares, ao longo de meses onde tradicionalmente não existia, entre Setembro e Abril – sempre em parcerias com privados, mas estimulando a existência e viabilizando ciclos de música, exposições e festivais de diversa natureza e origem: basta ver o que surgiu e se consolidou nesse período, como a Lisboa Photo e o Indy Lisboa. Às vezes convém forçar a memória para que algumas coisas não fiquem no esquecimento.
Existe um curioso documento sobre a importância das políticas culturais nas cidades, «The Memphis Manifesto», que não resisto a citar: «A criatividade é parte fundamental da natureza humana e é um bem essencial para a vida individual, das comunidades e da economia. As comunidades onde a criatividade se sente são locais vibrantes e humanizados, que estimulam o crescimento dos indivíduos, proporcionam avanços culturais e tecnológicos, criam empregos e riqueza e aceitam uma grande diversidade de estilos de vida e de cultura. Acreditamos que o futuro é construído pela força das ideias e as ideias são o motor do crescimento de amanhã – portanto acarinhar comunidades onde as ideias se possam desenvolver é um factor chave para o sucesso. As ideias nascem onde a criatividade é estimulada de forma permanente e a criatividade implanta-se e desenvolve-se onde as comunidades acarinham e estimulam as ideias».
A ideia das Festas de Lisboa, com centenas de acontecimentos concentrados em Junho, muitas vezes a sobreporem-se, tinha sido abandonada nos últimos quatro anos. Em vez disso optou-se por um conceito, «Lisboa em Festa», que decorria entre meados de Maio (com a abertura da Feira do Livro) e meados de Setembro, assegurando que ao longo dos quatro meses com maior afluxo de turistas existisse um conjunto diversificado de eventos, exclusivamente de iniciativa autárquica ou feitos em parceria com privados, que promovessem o diálogo com públicos de municípios próximos (como acontecia nos concertos de Monsanto do auditório Keil do Amaral), que revelassem tendências novas (como o «Cosmopólis») ou que aprofundassem o conceito de placa giratória multi-cultural de Lisboa, como o Africa Festival. Para Junho ficavam as marchas populares, os arraiais, o Fado e meia dúzia de iniciativas de dimensão maior. Este conceito teve aliás por base uma constatação simples: Em Maio e Junho concentram-se já naturalmente iniciativas privadas de grande envergadura, sobretudo na área da música popular – não faz sentido fazer-lhes concorrência mas sim complementá-las.
Do ponto de vista dos custos o que acontecia era diluir o orçamento de actividades ao longo dos quatro meses, seleccionar e co-participar em parcerias co-produzindo eventos, garantir uma grande exposição de artistas portugueses de várias gerações, assegurar alguns nomes internacionais mais arredados do circuito comercial, procurar não fazer concorrência desleal aos promotores privados de concertos e sobretudo garantir a existência de animação na cidade nos meses (meados de Julho a meados de Setembro) onde a actividade dos produtores privados sofre uma quebra sazonal até porque em parte se desloca para os festivais de Verão e para outras iniciativas no litoral e interior do país. Lisboa tinha pouco a oferecer nesses meses e o objectivo traçado para a animação cultural era que ela fizesse parte integrante da atracção turística de Lisboa – daí por exemplo mega-exposições ao ar livre no Terreiro do Paço, apesar das limitações actuais do local devido às eternas obras do Metro; e daí também garantir que Monsanto se tornasse num pólo natural de actividades, o que aconteceu. Facto: em 2005 nesses quatro meses, tudo incluído, foram gastos 3,5 milhões de euros. Este ano voltou-se ao modelo antigo, muito igual ao de João Soares, e, essencialmente em Junho (na realidade de 1 de Junho a 9 de Julho) serão gastos 3 milhões de euros. São formas diferentes de planear, de fazer as contas e de procurar resultados.
O que é facto é que se conseguiu, sobretudo em 2003, 2004 e 2005, que este panorama funcionasse e fosse entendido não só por quem vive na cidade, mas também por quem a visita – desde o turismo exterior até ao turismo interno. As Festas de Lisboa deixaram de ser uma amálgama de acontecimentos em Junho e passaram a ter uma programação estruturada multi-disciplinar que se prolongava ao longo de 120 dias e que envolvia desde colectividades populares até à Orquestra Gulbenkian. O que se procurou foi criar a imagem de uma cidade onde a criatividade fazia parte do quotidiano e não apenas de algumas semanas com agitaçãozinha fabricada. Além disso desenvolveram-se acções específicas para as comunidades estrangeiras de emigrantes – desde africanos aos provenientes do Leste, que nos últimos anos alteraram o panorama de Lisboa, tornando-a de facto numa metrópole multi-étcnica e multi-cultural. Na realidade, sobretudo em 2004 e 2005, a actividade autárquica estendeu-se, numa série de outras acções complementares, ao longo de meses onde tradicionalmente não existia, entre Setembro e Abril – sempre em parcerias com privados, mas estimulando a existência e viabilizando ciclos de música, exposições e festivais de diversa natureza e origem: basta ver o que surgiu e se consolidou nesse período, como a Lisboa Photo e o Indy Lisboa. Às vezes convém forçar a memória para que algumas coisas não fiquem no esquecimento.
Existe um curioso documento sobre a importância das políticas culturais nas cidades, «The Memphis Manifesto», que não resisto a citar: «A criatividade é parte fundamental da natureza humana e é um bem essencial para a vida individual, das comunidades e da economia. As comunidades onde a criatividade se sente são locais vibrantes e humanizados, que estimulam o crescimento dos indivíduos, proporcionam avanços culturais e tecnológicos, criam empregos e riqueza e aceitam uma grande diversidade de estilos de vida e de cultura. Acreditamos que o futuro é construído pela força das ideias e as ideias são o motor do crescimento de amanhã – portanto acarinhar comunidades onde as ideias se possam desenvolver é um factor chave para o sucesso. As ideias nascem onde a criatividade é estimulada de forma permanente e a criatividade implanta-se e desenvolve-se onde as comunidades acarinham e estimulam as ideias».
junho 07, 2006
AS CONTAS DO AMARAL
Há uns dias atrás o Vereador da Cultura de Lisboa anunciou que as festas de Lisboa custariam este ano menos que as do ano passado, o que lhe daria o cognome de «poupadinho».
Para que as coisas sejam como devem ser, convém recordar que em 2005, entre as iniciativas todas de Junho em Lisboa, arraiais, marchas populares, Feira do Livro, África Festival, Festa do Fado e dezenas de concertos gratuitos entre Junho e final de Setembro em Monsanto e demais iniciativas que decorreram sob o chapéu de Lisboa em Festa durante todos estes meses, o custo total foi de 3,5 milhões de euros. O actual Presidente da autarquia deve lembrar-se do assunto, já que na altura presidia à Egeac.
Actualmente e só para as festividades de Junho vão ser gastos três milhões - e Lisboa voltou a ser uma bagunça de iniciativas simultâneas e sobrepostas em Junho, como era no tempo de João Soares, desertificando nos outros meses, fundamentais para o turismo da cidade.
No final veremos em que ano se gastou mais, quantos espectáculos se produziram, como se fez a ligação a produtores privados, como se diversificaram públicos, como se fidelizaram iniciativas.
Há uns dias atrás o Vereador da Cultura de Lisboa anunciou que as festas de Lisboa custariam este ano menos que as do ano passado, o que lhe daria o cognome de «poupadinho».
Para que as coisas sejam como devem ser, convém recordar que em 2005, entre as iniciativas todas de Junho em Lisboa, arraiais, marchas populares, Feira do Livro, África Festival, Festa do Fado e dezenas de concertos gratuitos entre Junho e final de Setembro em Monsanto e demais iniciativas que decorreram sob o chapéu de Lisboa em Festa durante todos estes meses, o custo total foi de 3,5 milhões de euros. O actual Presidente da autarquia deve lembrar-se do assunto, já que na altura presidia à Egeac.
Actualmente e só para as festividades de Junho vão ser gastos três milhões - e Lisboa voltou a ser uma bagunça de iniciativas simultâneas e sobrepostas em Junho, como era no tempo de João Soares, desertificando nos outros meses, fundamentais para o turismo da cidade.
No final veremos em que ano se gastou mais, quantos espectáculos se produziram, como se fez a ligação a produtores privados, como se diversificaram públicos, como se fidelizaram iniciativas.
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AS CONTAS DO AMARAL
Há uns dias atrás o Vereador da Cultura de Lisboa anunciou que as festas de Lisboa custariam este ano menos que as do ano passado, o que lhe daria o cognome de «poupadinho».
Para que as coisas sejam como devem ser, convém recordar que em 2005, entre as iniciativas todas de Junho em Lisboa, arraiais, marchas populares, Feira do Livro, África Festival, Festa do Fado e dezenas de concertos gratuitos entre Junho e final de Setembro em Monsanto e demais iniciativas que decorreram sob o chapéu de Lisboa em Festa durante todos estes meses, o custo total foi de 3,5 milhões de euros. O actual Presidente da autarquia deve lembrar-se do assunto, já que na altura presidia à Egeac.
Actualmente e só para as festividades de Junho vão ser gastos três milhões - e Lisboa voltou a ser uma bagunça de iniciativas simultâneas e sobrepostas em Junho, como era no tempo de João Soares, desertificando nos outros meses, fundamentais para o turismo da cidade.
No final veremos em que ano se gastou mais, quantos espectáculos se produziram, como se fez a ligação a produtores privados, como se diversificaram públicos, como se fidelizaram iniciativas.
Há uns dias atrás o Vereador da Cultura de Lisboa anunciou que as festas de Lisboa custariam este ano menos que as do ano passado, o que lhe daria o cognome de «poupadinho».
Para que as coisas sejam como devem ser, convém recordar que em 2005, entre as iniciativas todas de Junho em Lisboa, arraiais, marchas populares, Feira do Livro, África Festival, Festa do Fado e dezenas de concertos gratuitos entre Junho e final de Setembro em Monsanto e demais iniciativas que decorreram sob o chapéu de Lisboa em Festa durante todos estes meses, o custo total foi de 3,5 milhões de euros. O actual Presidente da autarquia deve lembrar-se do assunto, já que na altura presidia à Egeac.
Actualmente e só para as festividades de Junho vão ser gastos três milhões - e Lisboa voltou a ser uma bagunça de iniciativas simultâneas e sobrepostas em Junho, como era no tempo de João Soares, desertificando nos outros meses, fundamentais para o turismo da cidade.
No final veremos em que ano se gastou mais, quantos espectáculos se produziram, como se fez a ligação a produtores privados, como se diversificaram públicos, como se fidelizaram iniciativas.
junho 05, 2006
A ARQUIVISTA
A Ministra da Cultura afinal não desapareceu. Tornou-se arquivista. Na sua nova paixão quer transformar o Centro Nacional de Fotografia num mero arquivo.Acho que alguém lhe devia explicar bem o que é um Centro e o que é um Arquivo. E o melhor é explicarem-lhe muito devagarinho a ver se ela consegue perceber...
A Ministra da Cultura afinal não desapareceu. Tornou-se arquivista. Na sua nova paixão quer transformar o Centro Nacional de Fotografia num mero arquivo.Acho que alguém lhe devia explicar bem o que é um Centro e o que é um Arquivo. E o melhor é explicarem-lhe muito devagarinho a ver se ela consegue perceber...
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A ARQUIVISTA
A Ministra da Cultura afinal não desapareceu. Tornou-se arquivista. Na sua nova paixão quer transformar o Centro Nacional de Fotografia num mero arquivo.Acho que alguém lhe devia explicar bem o que é um Centro e o que é um Arquivo. E o melhor é explicarem-lhe muito devagarinho a ver se ela consegue perceber...
A Ministra da Cultura afinal não desapareceu. Tornou-se arquivista. Na sua nova paixão quer transformar o Centro Nacional de Fotografia num mero arquivo.Acho que alguém lhe devia explicar bem o que é um Centro e o que é um Arquivo. E o melhor é explicarem-lhe muito devagarinho a ver se ela consegue perceber...
DEPUTADOS - Certamente por engano um jornal noticiava esta semana que os patrióticos deputados portugueses estão a adaptar a agenda do Parlamento aos horários dos jogos do Mundial. É obviamente um equívoco: a verdade é que os deputados adoptaram a agenda do Mundial em detrimento da agenda parlamentar. Confirma-se que até os senhores deputados colocam no futebol, na selecção e em Scolari os destinos do país. Quem achar isto estranho arrisca-se a ser chamado vende-pátrias.
LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» tem um imperdível artigo de Maria Filomena Mónica sobre a Casa da Música do Porto no qual arrasa com observação metódica e humor cáustico os detalhes do «poliedro esdrúxulo». Mas a grande peça da revista é um notável artigo do historiador Rui Ramos sobre o 28 de Maio, provocatoriamente intitulado «O 25 de Abril de Salazar»: «Tal como o 25 de Abril de 1974 poderia ter acabado numa ditadura marxista, mas deu lugar à democracia em 1976, também o 28 de Maio de 1926 Poderia ter acabado numa república reformada, mas deu lugar ao Estado Novo. Por estranho que possa parecer, as semelhanças e as analogias não se ficam por aqui».
OUVIR – Sonny Rollins tem 75 anos e continua a ser um dos saxofonistas tenor mais marcantes do jazz. A sua capacidade de interpretação, o sentimento que consegue transmitir com o seu sopro, a intensidade com que toca, tudo contribui para que cada disco seja uma redescoberta. No dia 15 de Setembro de 2001, poucos dias depois dos atentados de Nova York, Rollins deu um concerto no auditório da Universidadce de Berklee, em Boston – esta é a mais prestigiada escola de música de jazz do mundo. Fortemente marcado pela conjuntura de choque em que decorreu, o concerto teve uma carga emotiva invulgar que felizmente se preservou na respectiva gravação, agora editada. Sonny Rollins foi acompanhado neste concerto por um quinteto que integrava Clifton Anderson no trombone, Stephen Scott no piano, Bob Crenshaw no baixo eléctrico, Perry Wilson na bateria e Kimati Dinizilu na percussão. É preciso dizer que em Nova York , Rollins vive a seis quarteirões do local onde ficava o World Trade Center e assistiu, na rua, a tudo o que se passou. Um dia depois foi evacuado do local e há imagens, da CNN, que o mostram a ser transportado, com o seu inseparável saxofone debaixo do braço. Sóbrio e intenso, o concerto tem momentos altos no tema que lha dá o nome, «Without a Song» (do clássico álbum «The Bridge»), no swing irresistível de «Global Warming» e no extraordinário «Why Was I Born». «Without A Song – The 9/11 Concert», CD Milestone Records, distribuído por Universal Music.
COMER – Durante muito tempo o Restaurante A Paz foi um prazer quase diário – fica na Ajuda, era-me próximo, um grupo de amigos juntava-se lá com frequência ao almoço. A qualidade era extraordinária e o serviço irrepreensível. Esta semana, após quase quatro anos de ausência, voltei lá e só me arrependi de o regresso ter demorado tanto tempo. A simpatia do Senhor António continua um cartão de visita, assim como tudo o resto. À hora de almoço a casa tem mais movimento, ao jantar é mais sossegada – e como serve até às dez e meia, é um bom local para um jantar tranquilo. De entrada puseram-nos na mesa uma saladinha de feijão e uns carapauzinhos de escabeche que estavam uma delícia. A seguir veio o que nos tinha lá levado nesse dia: uns filetes de garoupa, acompanhados de arroz de feijão, batata frita às rodelas finíssimas e uma salada mista. A coisa correu pelo melhor: os filetes, bem panados, secos de gordura, de peixe fresquíssimo, continuam entre os melhores que se podem provar em Lisboa. A rematar umas cerejas do Fundão, bem primaveris. Ficou a apetecer-me voltar lá com mais frequência. A Paz, Largo da Paz 22B (à Ajuda), telef. 213 631 915.
AGENDA – Hoje e amanhã às 21h00 e Domingo às 16h00, últimas oportunidades de ver o bailado Giselle, pela Companhia Nacional de Bailado, com coreografia de Georges Garcia, segundo Marius Petipa, Jean Coralli e Jules Perrot, música de Adolphe Adam, cenário e figurinos de António Lagarto e desenho de luz de Cristina Piedade. No Teatro Camões, em Lisboa.
BACK TO BASICS – «Vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias se transformaram nas nossas maiores necessidades» - Óscar Wilde.
LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» tem um imperdível artigo de Maria Filomena Mónica sobre a Casa da Música do Porto no qual arrasa com observação metódica e humor cáustico os detalhes do «poliedro esdrúxulo». Mas a grande peça da revista é um notável artigo do historiador Rui Ramos sobre o 28 de Maio, provocatoriamente intitulado «O 25 de Abril de Salazar»: «Tal como o 25 de Abril de 1974 poderia ter acabado numa ditadura marxista, mas deu lugar à democracia em 1976, também o 28 de Maio de 1926 Poderia ter acabado numa república reformada, mas deu lugar ao Estado Novo. Por estranho que possa parecer, as semelhanças e as analogias não se ficam por aqui».
OUVIR – Sonny Rollins tem 75 anos e continua a ser um dos saxofonistas tenor mais marcantes do jazz. A sua capacidade de interpretação, o sentimento que consegue transmitir com o seu sopro, a intensidade com que toca, tudo contribui para que cada disco seja uma redescoberta. No dia 15 de Setembro de 2001, poucos dias depois dos atentados de Nova York, Rollins deu um concerto no auditório da Universidadce de Berklee, em Boston – esta é a mais prestigiada escola de música de jazz do mundo. Fortemente marcado pela conjuntura de choque em que decorreu, o concerto teve uma carga emotiva invulgar que felizmente se preservou na respectiva gravação, agora editada. Sonny Rollins foi acompanhado neste concerto por um quinteto que integrava Clifton Anderson no trombone, Stephen Scott no piano, Bob Crenshaw no baixo eléctrico, Perry Wilson na bateria e Kimati Dinizilu na percussão. É preciso dizer que em Nova York , Rollins vive a seis quarteirões do local onde ficava o World Trade Center e assistiu, na rua, a tudo o que se passou. Um dia depois foi evacuado do local e há imagens, da CNN, que o mostram a ser transportado, com o seu inseparável saxofone debaixo do braço. Sóbrio e intenso, o concerto tem momentos altos no tema que lha dá o nome, «Without a Song» (do clássico álbum «The Bridge»), no swing irresistível de «Global Warming» e no extraordinário «Why Was I Born». «Without A Song – The 9/11 Concert», CD Milestone Records, distribuído por Universal Music.
COMER – Durante muito tempo o Restaurante A Paz foi um prazer quase diário – fica na Ajuda, era-me próximo, um grupo de amigos juntava-se lá com frequência ao almoço. A qualidade era extraordinária e o serviço irrepreensível. Esta semana, após quase quatro anos de ausência, voltei lá e só me arrependi de o regresso ter demorado tanto tempo. A simpatia do Senhor António continua um cartão de visita, assim como tudo o resto. À hora de almoço a casa tem mais movimento, ao jantar é mais sossegada – e como serve até às dez e meia, é um bom local para um jantar tranquilo. De entrada puseram-nos na mesa uma saladinha de feijão e uns carapauzinhos de escabeche que estavam uma delícia. A seguir veio o que nos tinha lá levado nesse dia: uns filetes de garoupa, acompanhados de arroz de feijão, batata frita às rodelas finíssimas e uma salada mista. A coisa correu pelo melhor: os filetes, bem panados, secos de gordura, de peixe fresquíssimo, continuam entre os melhores que se podem provar em Lisboa. A rematar umas cerejas do Fundão, bem primaveris. Ficou a apetecer-me voltar lá com mais frequência. A Paz, Largo da Paz 22B (à Ajuda), telef. 213 631 915.
AGENDA – Hoje e amanhã às 21h00 e Domingo às 16h00, últimas oportunidades de ver o bailado Giselle, pela Companhia Nacional de Bailado, com coreografia de Georges Garcia, segundo Marius Petipa, Jean Coralli e Jules Perrot, música de Adolphe Adam, cenário e figurinos de António Lagarto e desenho de luz de Cristina Piedade. No Teatro Camões, em Lisboa.
BACK TO BASICS – «Vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias se transformaram nas nossas maiores necessidades» - Óscar Wilde.
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DEPUTADOS - Certamente por engano um jornal noticiava esta semana que os patrióticos deputados portugueses estão a adaptar a agenda do Parlamento aos horários dos jogos do Mundial. É obviamente um equívoco: a verdade é que os deputados adoptaram a agenda do Mundial em detrimento da agenda parlamentar. Confirma-se que até os senhores deputados colocam no futebol, na selecção e em Scolari os destinos do país. Quem achar isto estranho arrisca-se a ser chamado vende-pátrias.
LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» tem um imperdível artigo de Maria Filomena Mónica sobre a Casa da Música do Porto no qual arrasa com observação metódica e humor cáustico os detalhes do «poliedro esdrúxulo». Mas a grande peça da revista é um notável artigo do historiador Rui Ramos sobre o 28 de Maio, provocatoriamente intitulado «O 25 de Abril de Salazar»: «Tal como o 25 de Abril de 1974 poderia ter acabado numa ditadura marxista, mas deu lugar à democracia em 1976, também o 28 de Maio de 1926 Poderia ter acabado numa república reformada, mas deu lugar ao Estado Novo. Por estranho que possa parecer, as semelhanças e as analogias não se ficam por aqui».
OUVIR – Sonny Rollins tem 75 anos e continua a ser um dos saxofonistas tenor mais marcantes do jazz. A sua capacidade de interpretação, o sentimento que consegue transmitir com o seu sopro, a intensidade com que toca, tudo contribui para que cada disco seja uma redescoberta. No dia 15 de Setembro de 2001, poucos dias depois dos atentados de Nova York, Rollins deu um concerto no auditório da Universidadce de Berklee, em Boston – esta é a mais prestigiada escola de música de jazz do mundo. Fortemente marcado pela conjuntura de choque em que decorreu, o concerto teve uma carga emotiva invulgar que felizmente se preservou na respectiva gravação, agora editada. Sonny Rollins foi acompanhado neste concerto por um quinteto que integrava Clifton Anderson no trombone, Stephen Scott no piano, Bob Crenshaw no baixo eléctrico, Perry Wilson na bateria e Kimati Dinizilu na percussão. É preciso dizer que em Nova York , Rollins vive a seis quarteirões do local onde ficava o World Trade Center e assistiu, na rua, a tudo o que se passou. Um dia depois foi evacuado do local e há imagens, da CNN, que o mostram a ser transportado, com o seu inseparável saxofone debaixo do braço. Sóbrio e intenso, o concerto tem momentos altos no tema que lha dá o nome, «Without a Song» (do clássico álbum «The Bridge»), no swing irresistível de «Global Warming» e no extraordinário «Why Was I Born». «Without A Song – The 9/11 Concert», CD Milestone Records, distribuído por Universal Music.
COMER – Durante muito tempo o Restaurante A Paz foi um prazer quase diário – fica na Ajuda, era-me próximo, um grupo de amigos juntava-se lá com frequência ao almoço. A qualidade era extraordinária e o serviço irrepreensível. Esta semana, após quase quatro anos de ausência, voltei lá e só me arrependi de o regresso ter demorado tanto tempo. A simpatia do Senhor António continua um cartão de visita, assim como tudo o resto. À hora de almoço a casa tem mais movimento, ao jantar é mais sossegada – e como serve até às dez e meia, é um bom local para um jantar tranquilo. De entrada puseram-nos na mesa uma saladinha de feijão e uns carapauzinhos de escabeche que estavam uma delícia. A seguir veio o que nos tinha lá levado nesse dia: uns filetes de garoupa, acompanhados de arroz de feijão, batata frita às rodelas finíssimas e uma salada mista. A coisa correu pelo melhor: os filetes, bem panados, secos de gordura, de peixe fresquíssimo, continuam entre os melhores que se podem provar em Lisboa. A rematar umas cerejas do Fundão, bem primaveris. Ficou a apetecer-me voltar lá com mais frequência. A Paz, Largo da Paz 22B (à Ajuda), telef. 213 631 915.
AGENDA – Hoje e amanhã às 21h00 e Domingo às 16h00, últimas oportunidades de ver o bailado Giselle, pela Companhia Nacional de Bailado, com coreografia de Georges Garcia, segundo Marius Petipa, Jean Coralli e Jules Perrot, música de Adolphe Adam, cenário e figurinos de António Lagarto e desenho de luz de Cristina Piedade. No Teatro Camões, em Lisboa.
BACK TO BASICS – «Vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias se transformaram nas nossas maiores necessidades» - Óscar Wilde.
LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» tem um imperdível artigo de Maria Filomena Mónica sobre a Casa da Música do Porto no qual arrasa com observação metódica e humor cáustico os detalhes do «poliedro esdrúxulo». Mas a grande peça da revista é um notável artigo do historiador Rui Ramos sobre o 28 de Maio, provocatoriamente intitulado «O 25 de Abril de Salazar»: «Tal como o 25 de Abril de 1974 poderia ter acabado numa ditadura marxista, mas deu lugar à democracia em 1976, também o 28 de Maio de 1926 Poderia ter acabado numa república reformada, mas deu lugar ao Estado Novo. Por estranho que possa parecer, as semelhanças e as analogias não se ficam por aqui».
OUVIR – Sonny Rollins tem 75 anos e continua a ser um dos saxofonistas tenor mais marcantes do jazz. A sua capacidade de interpretação, o sentimento que consegue transmitir com o seu sopro, a intensidade com que toca, tudo contribui para que cada disco seja uma redescoberta. No dia 15 de Setembro de 2001, poucos dias depois dos atentados de Nova York, Rollins deu um concerto no auditório da Universidadce de Berklee, em Boston – esta é a mais prestigiada escola de música de jazz do mundo. Fortemente marcado pela conjuntura de choque em que decorreu, o concerto teve uma carga emotiva invulgar que felizmente se preservou na respectiva gravação, agora editada. Sonny Rollins foi acompanhado neste concerto por um quinteto que integrava Clifton Anderson no trombone, Stephen Scott no piano, Bob Crenshaw no baixo eléctrico, Perry Wilson na bateria e Kimati Dinizilu na percussão. É preciso dizer que em Nova York , Rollins vive a seis quarteirões do local onde ficava o World Trade Center e assistiu, na rua, a tudo o que se passou. Um dia depois foi evacuado do local e há imagens, da CNN, que o mostram a ser transportado, com o seu inseparável saxofone debaixo do braço. Sóbrio e intenso, o concerto tem momentos altos no tema que lha dá o nome, «Without a Song» (do clássico álbum «The Bridge»), no swing irresistível de «Global Warming» e no extraordinário «Why Was I Born». «Without A Song – The 9/11 Concert», CD Milestone Records, distribuído por Universal Music.
COMER – Durante muito tempo o Restaurante A Paz foi um prazer quase diário – fica na Ajuda, era-me próximo, um grupo de amigos juntava-se lá com frequência ao almoço. A qualidade era extraordinária e o serviço irrepreensível. Esta semana, após quase quatro anos de ausência, voltei lá e só me arrependi de o regresso ter demorado tanto tempo. A simpatia do Senhor António continua um cartão de visita, assim como tudo o resto. À hora de almoço a casa tem mais movimento, ao jantar é mais sossegada – e como serve até às dez e meia, é um bom local para um jantar tranquilo. De entrada puseram-nos na mesa uma saladinha de feijão e uns carapauzinhos de escabeche que estavam uma delícia. A seguir veio o que nos tinha lá levado nesse dia: uns filetes de garoupa, acompanhados de arroz de feijão, batata frita às rodelas finíssimas e uma salada mista. A coisa correu pelo melhor: os filetes, bem panados, secos de gordura, de peixe fresquíssimo, continuam entre os melhores que se podem provar em Lisboa. A rematar umas cerejas do Fundão, bem primaveris. Ficou a apetecer-me voltar lá com mais frequência. A Paz, Largo da Paz 22B (à Ajuda), telef. 213 631 915.
AGENDA – Hoje e amanhã às 21h00 e Domingo às 16h00, últimas oportunidades de ver o bailado Giselle, pela Companhia Nacional de Bailado, com coreografia de Georges Garcia, segundo Marius Petipa, Jean Coralli e Jules Perrot, música de Adolphe Adam, cenário e figurinos de António Lagarto e desenho de luz de Cristina Piedade. No Teatro Camões, em Lisboa.
BACK TO BASICS – «Vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias se transformaram nas nossas maiores necessidades» - Óscar Wilde.
A MINISTRA DESAPARECIDA
Olho à volta à procura da Ministra da Cultura e não a vejo. Se calhar, penso para os meus botões, neste Governo PS de centro-direita, vingou a tese de que o Ministério da Cultura é uma bizarria, uma extravagância, e está a ser descontinuado de forma discreta, longe dos olhares da ribalta.
Digitando «Ministra da Cultura» no Google e escolhendo a opção páginas de Portugal, que conclusão se tira? – Que a Ministra passou a ser apenas corta-fitas. O primeiro ecrã que aparece vem recheado de referências à Feira do Livro, ao Museu do Pão e a outros momentos semelhantes. Verifico, com curiosidade, que é muito referida na imprensa regional e percebo que tem andando no interior a fazer algumas promessas.
O segundo ecrã recorda-me os saneamentos que promoveu, para colocar nos postos chave do Ministério gente da sua confiança, desde a Biblioteca Nacional até ao Teatro Nacional D. Maria; recorda-me as polémicas em que se envolveu com Rui Rio, o episódio da colecção Berardo ou a interminável história da Casa da Música (a propósito: já leram o artigo de Maria Filomena Mónica sobre o tema na revista «Atlântico» deste mês?).
Junto dois mais dois e penso que, depois das complicações que arranjou ao Primeiro-Ministro, alguma voz sábia a mandou passear pelo interior, visitando monumentos e desenvolvendo como área chave do seu Ministério a etnografia.
Anteontem fui ao site do Ministério da Cultura à procura de confirmação para esta tese, e constato que na página de entrada, o Dia Internacional dos Museus, do passado dia 18 de Maio, era ainda o tema em destaque; o último comunicado de imprensa que lá encontro tinha um mês e era sobre a feira do Livro de Turim, do passado dia 2 de Maio – na realidade existem seis comunicados de imprensa desde o dia 1 de Janeiro, uma actividade verdadeiramente imparável.
Dir-me-ão: a Ministra é uma discreta formiguinha trabalhadeira, lá na sombra está tudo em efervescência. Eu, por acaso, gostava de saber o que se passa, quais os planos para aumentar a nossa relação cultural com outros países de língua portuguesa, se uma prometida Film Commission sempre avança, se a Lei do Mecenato está a ser tornada mais atractiva, qual a estratégia de promoção da cultura portuguesa no exterior que está a ser preparada. Em vez disso, vejo notícias do interior. É como se o Ministério da Cultura tivesse entrado em fase de comissão liquidatária.
Olho à volta à procura da Ministra da Cultura e não a vejo. Se calhar, penso para os meus botões, neste Governo PS de centro-direita, vingou a tese de que o Ministério da Cultura é uma bizarria, uma extravagância, e está a ser descontinuado de forma discreta, longe dos olhares da ribalta.
Digitando «Ministra da Cultura» no Google e escolhendo a opção páginas de Portugal, que conclusão se tira? – Que a Ministra passou a ser apenas corta-fitas. O primeiro ecrã que aparece vem recheado de referências à Feira do Livro, ao Museu do Pão e a outros momentos semelhantes. Verifico, com curiosidade, que é muito referida na imprensa regional e percebo que tem andando no interior a fazer algumas promessas.
O segundo ecrã recorda-me os saneamentos que promoveu, para colocar nos postos chave do Ministério gente da sua confiança, desde a Biblioteca Nacional até ao Teatro Nacional D. Maria; recorda-me as polémicas em que se envolveu com Rui Rio, o episódio da colecção Berardo ou a interminável história da Casa da Música (a propósito: já leram o artigo de Maria Filomena Mónica sobre o tema na revista «Atlântico» deste mês?).
Junto dois mais dois e penso que, depois das complicações que arranjou ao Primeiro-Ministro, alguma voz sábia a mandou passear pelo interior, visitando monumentos e desenvolvendo como área chave do seu Ministério a etnografia.
Anteontem fui ao site do Ministério da Cultura à procura de confirmação para esta tese, e constato que na página de entrada, o Dia Internacional dos Museus, do passado dia 18 de Maio, era ainda o tema em destaque; o último comunicado de imprensa que lá encontro tinha um mês e era sobre a feira do Livro de Turim, do passado dia 2 de Maio – na realidade existem seis comunicados de imprensa desde o dia 1 de Janeiro, uma actividade verdadeiramente imparável.
Dir-me-ão: a Ministra é uma discreta formiguinha trabalhadeira, lá na sombra está tudo em efervescência. Eu, por acaso, gostava de saber o que se passa, quais os planos para aumentar a nossa relação cultural com outros países de língua portuguesa, se uma prometida Film Commission sempre avança, se a Lei do Mecenato está a ser tornada mais atractiva, qual a estratégia de promoção da cultura portuguesa no exterior que está a ser preparada. Em vez disso, vejo notícias do interior. É como se o Ministério da Cultura tivesse entrado em fase de comissão liquidatária.
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A MINISTRA DESAPARECIDA
Olho à volta à procura da Ministra da Cultura e não a vejo. Se calhar, penso para os meus botões, neste Governo PS de centro-direita, vingou a tese de que o Ministério da Cultura é uma bizarria, uma extravagância, e está a ser descontinuado de forma discreta, longe dos olhares da ribalta.
Digitando «Ministra da Cultura» no Google e escolhendo a opção páginas de Portugal, que conclusão se tira? – Que a Ministra passou a ser apenas corta-fitas. O primeiro ecrã que aparece vem recheado de referências à Feira do Livro, ao Museu do Pão e a outros momentos semelhantes. Verifico, com curiosidade, que é muito referida na imprensa regional e percebo que tem andando no interior a fazer algumas promessas.
O segundo ecrã recorda-me os saneamentos que promoveu, para colocar nos postos chave do Ministério gente da sua confiança, desde a Biblioteca Nacional até ao Teatro Nacional D. Maria; recorda-me as polémicas em que se envolveu com Rui Rio, o episódio da colecção Berardo ou a interminável história da Casa da Música (a propósito: já leram o artigo de Maria Filomena Mónica sobre o tema na revista «Atlântico» deste mês?).
Junto dois mais dois e penso que, depois das complicações que arranjou ao Primeiro-Ministro, alguma voz sábia a mandou passear pelo interior, visitando monumentos e desenvolvendo como área chave do seu Ministério a etnografia.
Anteontem fui ao site do Ministério da Cultura à procura de confirmação para esta tese, e constato que na página de entrada, o Dia Internacional dos Museus, do passado dia 18 de Maio, era ainda o tema em destaque; o último comunicado de imprensa que lá encontro tinha um mês e era sobre a feira do Livro de Turim, do passado dia 2 de Maio – na realidade existem seis comunicados de imprensa desde o dia 1 de Janeiro, uma actividade verdadeiramente imparável.
Dir-me-ão: a Ministra é uma discreta formiguinha trabalhadeira, lá na sombra está tudo em efervescência. Eu, por acaso, gostava de saber o que se passa, quais os planos para aumentar a nossa relação cultural com outros países de língua portuguesa, se uma prometida Film Commission sempre avança, se a Lei do Mecenato está a ser tornada mais atractiva, qual a estratégia de promoção da cultura portuguesa no exterior que está a ser preparada. Em vez disso, vejo notícias do interior. É como se o Ministério da Cultura tivesse entrado em fase de comissão liquidatária.
Olho à volta à procura da Ministra da Cultura e não a vejo. Se calhar, penso para os meus botões, neste Governo PS de centro-direita, vingou a tese de que o Ministério da Cultura é uma bizarria, uma extravagância, e está a ser descontinuado de forma discreta, longe dos olhares da ribalta.
Digitando «Ministra da Cultura» no Google e escolhendo a opção páginas de Portugal, que conclusão se tira? – Que a Ministra passou a ser apenas corta-fitas. O primeiro ecrã que aparece vem recheado de referências à Feira do Livro, ao Museu do Pão e a outros momentos semelhantes. Verifico, com curiosidade, que é muito referida na imprensa regional e percebo que tem andando no interior a fazer algumas promessas.
O segundo ecrã recorda-me os saneamentos que promoveu, para colocar nos postos chave do Ministério gente da sua confiança, desde a Biblioteca Nacional até ao Teatro Nacional D. Maria; recorda-me as polémicas em que se envolveu com Rui Rio, o episódio da colecção Berardo ou a interminável história da Casa da Música (a propósito: já leram o artigo de Maria Filomena Mónica sobre o tema na revista «Atlântico» deste mês?).
Junto dois mais dois e penso que, depois das complicações que arranjou ao Primeiro-Ministro, alguma voz sábia a mandou passear pelo interior, visitando monumentos e desenvolvendo como área chave do seu Ministério a etnografia.
Anteontem fui ao site do Ministério da Cultura à procura de confirmação para esta tese, e constato que na página de entrada, o Dia Internacional dos Museus, do passado dia 18 de Maio, era ainda o tema em destaque; o último comunicado de imprensa que lá encontro tinha um mês e era sobre a feira do Livro de Turim, do passado dia 2 de Maio – na realidade existem seis comunicados de imprensa desde o dia 1 de Janeiro, uma actividade verdadeiramente imparável.
Dir-me-ão: a Ministra é uma discreta formiguinha trabalhadeira, lá na sombra está tudo em efervescência. Eu, por acaso, gostava de saber o que se passa, quais os planos para aumentar a nossa relação cultural com outros países de língua portuguesa, se uma prometida Film Commission sempre avança, se a Lei do Mecenato está a ser tornada mais atractiva, qual a estratégia de promoção da cultura portuguesa no exterior que está a ser preparada. Em vez disso, vejo notícias do interior. É como se o Ministério da Cultura tivesse entrado em fase de comissão liquidatária.
junho 01, 2006
PESADELO
Vai começar o tempo em que os que não ligam ao futebol vão ser descriminados: não vão ter tema de conversa, vão sentir-se excluídos, levam bombardeamentos por tudo quanto é lado. Pior ainda, se não mostratem um resto de emoção que seja pela equipa portuguesa serão apelidados de traidores, excomungados da sociedade e acusados de contribuírem para o descrédito, o desprestígio e a desmoralização do país.
Vai começar o tempo em que os que não ligam ao futebol vão ser descriminados: não vão ter tema de conversa, vão sentir-se excluídos, levam bombardeamentos por tudo quanto é lado. Pior ainda, se não mostratem um resto de emoção que seja pela equipa portuguesa serão apelidados de traidores, excomungados da sociedade e acusados de contribuírem para o descrédito, o desprestígio e a desmoralização do país.
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PESADELO
Vai começar o tempo em que os que não ligam ao futebol vão ser descriminados: não vão ter tema de conversa, vão sentir-se excluídos, levam bombardeamentos por tudo quanto é lado. Pior ainda, se não mostratem um resto de emoção que seja pela equipa portuguesa serão apelidados de traidores, excomungados da sociedade e acusados de contribuírem para o descrédito, o desprestígio e a desmoralização do país.
Vai começar o tempo em que os que não ligam ao futebol vão ser descriminados: não vão ter tema de conversa, vão sentir-se excluídos, levam bombardeamentos por tudo quanto é lado. Pior ainda, se não mostratem um resto de emoção que seja pela equipa portuguesa serão apelidados de traidores, excomungados da sociedade e acusados de contribuírem para o descrédito, o desprestígio e a desmoralização do país.
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O PIOR SPOT DE SEMPRE
O pior spot de rádio de que tenho memória é uma coisa que anda a passar por estes dias, propagandeando o relógio da selecção e protagonizando Scolari, com o patrocínio da Federação Portuguesa de Futebol.
O pior spot de rádio de que tenho memória é uma coisa que anda a passar por estes dias, propagandeando o relógio da selecção e protagonizando Scolari, com o patrocínio da Federação Portuguesa de Futebol.
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MODA TUGA
A moda tuga da época é passear na rua com um auscultador bluetooth encaixado no pavilhão auricular, mesmo que não esteja ligado a coisa alguma. É assim uma espécie de brinco pós-moderno.
A moda tuga da época é passear na rua com um auscultador bluetooth encaixado no pavilhão auricular, mesmo que não esteja ligado a coisa alguma. É assim uma espécie de brinco pós-moderno.
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RADAR
A Radar é a rádio que ouço mais hoje em dia. Mas infelizmente começa a ter um poucode conversa desnecessária a mais e música a menos. A pior coisa que pode acontecer a uma rádio é ter animadores de antena que se gostam mais de ouvir a esles próprios que às músicas que escolhem.
A Radar é a rádio que ouço mais hoje em dia. Mas infelizmente começa a ter um poucode conversa desnecessária a mais e música a menos. A pior coisa que pode acontecer a uma rádio é ter animadores de antena que se gostam mais de ouvir a esles próprios que às músicas que escolhem.
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