O MONSTRO – Sem que tivesse sido anunciado o Governo criou um Ministro do Controlo da Informação. Chama-se Augusto Santos Silva e é o autor de um monstro chamado Entidade Reguladora da Comunicação Social, uma coisa que nem o seu Presidente sabe bem para que serve, como se viu esta semana no «Prós e Contras». Só o nome «entidade» diz quase tudo –o «ente» está para ali, a viver à custa do sector que vai controlar, por um acordo estranho entre os partidos da maioria – o que ganhou as eleições e o que lhe não faz oposição.
ESTUDO – 72% dos utilizadores de iPod vídeo que já fizeram downloads de séries de televisão nos Estados Unidos estão dispostos a ver um spot de 30 segundos no meio do programa, se o anunciante suportar os custos desses downloads. Nos Estados Unidos um episódio de uma série como «Desperate Housewives» custa 1.99 dolares para poder ser descarregado para o iPod.
EXEMPLO – A CBS é o canal de televisão norte-americano que tem maior número de espectadores, que domina o segmento 25 -54 anos e que está em segundo no segmento 18-49 anos. Não é bem por acaso que isto acontece – este é o canal que assegura a exibição de séries como «Criminal Minds», «Cold Case», todos os «CSI», «Without a Trace» e «Survivor», algumas das 14 séries que o canal encomenda a produtores independentes.
OUVIR – A nova rádio «Europa», na região de Lisboa, sucessora da Rádio Paris Lisboa, agora mais abrangente, com uma programação musical muito baseada no jazz e em músicas de origem europeia. Destaque para os fins de tarde e para uma escolha musical ao longo do dia feita a pensar em quem está a trabalhar. Na região da Grande Lisboa pode ser ouvida em 90.4 FM.
LER/VER – A edição de Março da revista «Vanity Fair» - trata-se do habitual número dedicado a Hollywood. Desta vez a responsabilidade editorial cabe a Tom Ford, o génio que foi director criativo da Gucci e da Yves Saint Laurent e que foi o responsável pelo ressurgimento e reinvenção destas marcas nos últimos anos. Ford assegurou pessoalmente a escolha e edição do portfolio de 47 páginas sobre os actores de Hollywood. Destaques para as fotos de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, os dois actores de «Brokeback Moutain», ambas da autoria de Annie Leibowitz, que também assina inesquecíveis retratos de Joaquin Phoenix, George Clooney, Angelina Jolie e Sienna Miller. Outros destaques de imagens: Jennifer Aston por Mário Testino e Reese Witherspoon por Michael Thompson. Na mesma edição está um imperdível guia de Los Angeles e uma deliciosa dupla página sobre David Hockney.
PERGUNTINHA – O cartaz de uma festarola publicitária abrasileirada que se vai passar em Maio, em terrenos da autarquia lisboeta e com apoios do erário público, parece um regresso ao passado: Sting, Guns & Roses e Santana. Estamos em 1996 ou em 2006? Para quê apoiar com meios e dinheiros públicos uma coisa destas, misto de marketing bancário e de canal de escoamento de produtores de cerveja?
TRINCAR ( Regresso aos clássicos) – Os filetes de peixe galo no Polícia, Rua Marquês Sá da Bandeira, 112A, Telefone: 21 796 35 05.
AGENDA – Vem longe, mas vale a pena – Dia Mundial da Poesia (21 de Março), nas Casa Fernando Pessoa, Lisboa. 12 poetas lêem poemas seus e de outros poetas. A música ao evocará Bach, cujo aniversário se celebra no mesmo dia. Em exposição estarão manuscritos de poetas, que serão editados em formato de postal ilustrado.
O MELHOR DA SEMANA – O fim do mandato de Jorge Sampaio.
O PIOR DA SEMANA – O comunicado da Procuradoria Geral da República sobre o caso do «envelope 9», que continua a preferir investigar como é que as notícias chegam aos jornais, em vez de explicar como é que registos telefónicos das mais altas figuras do Estado português foram parar a um processo de pedofilia.
BACK TO BASICS – Um optimista é a personificação humana da primavera (Susan J. Bissonette).
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
março 12, 2006
Untitled
O MONSTRO – Sem que tivesse sido anunciado o Governo criou um Ministro do Controlo da Informação. Chama-se Augusto Santos Silva e é o autor de um monstro chamado Entidade Reguladora da Comunicação Social, uma coisa que nem o seu Presidente sabe bem para que serve, como se viu esta semana no «Prós e Contras». Só o nome «entidade» diz quase tudo –o «ente» está para ali, a viver à custa do sector que vai controlar, por um acordo estranho entre os partidos da maioria – o que ganhou as eleições e o que lhe não faz oposição.
ESTUDO – 72% dos utilizadores de iPod vídeo que já fizeram downloads de séries de televisão nos Estados Unidos estão dispostos a ver um spot de 30 segundos no meio do programa, se o anunciante suportar os custos desses downloads. Nos Estados Unidos um episódio de uma série como «Desperate Housewives» custa 1.99 dolares para poder ser descarregado para o iPod.
EXEMPLO – A CBS é o canal de televisão norte-americano que tem maior número de espectadores, que domina o segmento 25 -54 anos e que está em segundo no segmento 18-49 anos. Não é bem por acaso que isto acontece – este é o canal que assegura a exibição de séries como «Criminal Minds», «Cold Case», todos os «CSI», «Without a Trace» e «Survivor», algumas das 14 séries que o canal encomenda a produtores independentes.
OUVIR – A nova rádio «Europa», na região de Lisboa, sucessora da Rádio Paris Lisboa, agora mais abrangente, com uma programação musical muito baseada no jazz e em músicas de origem europeia. Destaque para os fins de tarde e para uma escolha musical ao longo do dia feita a pensar em quem está a trabalhar. Na região da Grande Lisboa pode ser ouvida em 90.4 FM.
LER/VER – A edição de Março da revista «Vanity Fair» - trata-se do habitual número dedicado a Hollywood. Desta vez a responsabilidade editorial cabe a Tom Ford, o génio que foi director criativo da Gucci e da Yves Saint Laurent e que foi o responsável pelo ressurgimento e reinvenção destas marcas nos últimos anos. Ford assegurou pessoalmente a escolha e edição do portfolio de 47 páginas sobre os actores de Hollywood. Destaques para as fotos de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, os dois actores de «Brokeback Moutain», ambas da autoria de Annie Leibowitz, que também assina inesquecíveis retratos de Joaquin Phoenix, George Clooney, Angelina Jolie e Sienna Miller. Outros destaques de imagens: Jennifer Aston por Mário Testino e Reese Witherspoon por Michael Thompson. Na mesma edição está um imperdível guia de Los Angeles e uma deliciosa dupla página sobre David Hockney.
PERGUNTINHA – O cartaz de uma festarola publicitária abrasileirada que se vai passar em Maio, em terrenos da autarquia lisboeta e com apoios do erário público, parece um regresso ao passado: Sting, Guns & Roses e Santana. Estamos em 1996 ou em 2006? Para quê apoiar com meios e dinheiros públicos uma coisa destas, misto de marketing bancário e de canal de escoamento de produtores de cerveja?
TRINCAR ( Regresso aos clássicos) – Os filetes de peixe galo no Polícia, Rua Marquês Sá da Bandeira, 112A, Telefone: 21 796 35 05.
AGENDA – Vem longe, mas vale a pena – Dia Mundial da Poesia (21 de Março), nas Casa Fernando Pessoa, Lisboa. 12 poetas lêem poemas seus e de outros poetas. A música ao evocará Bach, cujo aniversário se celebra no mesmo dia. Em exposição estarão manuscritos de poetas, que serão editados em formato de postal ilustrado.
O MELHOR DA SEMANA – O fim do mandato de Jorge Sampaio.
O PIOR DA SEMANA – O comunicado da Procuradoria Geral da República sobre o caso do «envelope 9», que continua a preferir investigar como é que as notícias chegam aos jornais, em vez de explicar como é que registos telefónicos das mais altas figuras do Estado português foram parar a um processo de pedofilia.
BACK TO BASICS – Um optimista é a personificação humana da primavera (Susan J. Bissonette).
ESTUDO – 72% dos utilizadores de iPod vídeo que já fizeram downloads de séries de televisão nos Estados Unidos estão dispostos a ver um spot de 30 segundos no meio do programa, se o anunciante suportar os custos desses downloads. Nos Estados Unidos um episódio de uma série como «Desperate Housewives» custa 1.99 dolares para poder ser descarregado para o iPod.
EXEMPLO – A CBS é o canal de televisão norte-americano que tem maior número de espectadores, que domina o segmento 25 -54 anos e que está em segundo no segmento 18-49 anos. Não é bem por acaso que isto acontece – este é o canal que assegura a exibição de séries como «Criminal Minds», «Cold Case», todos os «CSI», «Without a Trace» e «Survivor», algumas das 14 séries que o canal encomenda a produtores independentes.
OUVIR – A nova rádio «Europa», na região de Lisboa, sucessora da Rádio Paris Lisboa, agora mais abrangente, com uma programação musical muito baseada no jazz e em músicas de origem europeia. Destaque para os fins de tarde e para uma escolha musical ao longo do dia feita a pensar em quem está a trabalhar. Na região da Grande Lisboa pode ser ouvida em 90.4 FM.
LER/VER – A edição de Março da revista «Vanity Fair» - trata-se do habitual número dedicado a Hollywood. Desta vez a responsabilidade editorial cabe a Tom Ford, o génio que foi director criativo da Gucci e da Yves Saint Laurent e que foi o responsável pelo ressurgimento e reinvenção destas marcas nos últimos anos. Ford assegurou pessoalmente a escolha e edição do portfolio de 47 páginas sobre os actores de Hollywood. Destaques para as fotos de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, os dois actores de «Brokeback Moutain», ambas da autoria de Annie Leibowitz, que também assina inesquecíveis retratos de Joaquin Phoenix, George Clooney, Angelina Jolie e Sienna Miller. Outros destaques de imagens: Jennifer Aston por Mário Testino e Reese Witherspoon por Michael Thompson. Na mesma edição está um imperdível guia de Los Angeles e uma deliciosa dupla página sobre David Hockney.
PERGUNTINHA – O cartaz de uma festarola publicitária abrasileirada que se vai passar em Maio, em terrenos da autarquia lisboeta e com apoios do erário público, parece um regresso ao passado: Sting, Guns & Roses e Santana. Estamos em 1996 ou em 2006? Para quê apoiar com meios e dinheiros públicos uma coisa destas, misto de marketing bancário e de canal de escoamento de produtores de cerveja?
TRINCAR ( Regresso aos clássicos) – Os filetes de peixe galo no Polícia, Rua Marquês Sá da Bandeira, 112A, Telefone: 21 796 35 05.
AGENDA – Vem longe, mas vale a pena – Dia Mundial da Poesia (21 de Março), nas Casa Fernando Pessoa, Lisboa. 12 poetas lêem poemas seus e de outros poetas. A música ao evocará Bach, cujo aniversário se celebra no mesmo dia. Em exposição estarão manuscritos de poetas, que serão editados em formato de postal ilustrado.
O MELHOR DA SEMANA – O fim do mandato de Jorge Sampaio.
O PIOR DA SEMANA – O comunicado da Procuradoria Geral da República sobre o caso do «envelope 9», que continua a preferir investigar como é que as notícias chegam aos jornais, em vez de explicar como é que registos telefónicos das mais altas figuras do Estado português foram parar a um processo de pedofilia.
BACK TO BASICS – Um optimista é a personificação humana da primavera (Susan J. Bissonette).
março 10, 2006
PAZ PÔDRE
Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.
Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.
Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.
Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.
Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.
Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.
Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.
Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.
Untitled
PAZ PÔDRE
Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.
Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.
Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.
Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.
Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.
Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.
Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.
Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.
março 09, 2006
O FUTURO
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.
Untitled
O FUTURO
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.
março 06, 2006
CÓMICO – O Professor Marcelo parece o senhor Sabe-Sabe. Lá vai dando umas aulas ao domingo, em comentários cada vez menos interessantes, cada vez mais combinados com a senhora que faz parte do cenário. A forma como abordou a gripe das aves na semana passada seria cómica se o assunto não fosse trágico. De Professor, está a passar a fala barato. Pode cativar os simples de espírito, mas não é bom para ninguém.
O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.
O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.
DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.
TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.
OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.
AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.
LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.
A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?
BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).
O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.
O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.
DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.
TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.
OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.
AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.
LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.
A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?
BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).
Untitled
CÓMICO – O Professor Marcelo parece o senhor Sabe-Sabe. Lá vai dando umas aulas ao domingo, em comentários cada vez menos interessantes, cada vez mais combinados com a senhora que faz parte do cenário. A forma como abordou a gripe das aves na semana passada seria cómica se o assunto não fosse trágico. De Professor, está a passar a fala barato. Pode cativar os simples de espírito, mas não é bom para ninguém.
O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.
O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.
DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.
TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.
OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.
AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.
LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.
A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?
BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).
O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.
O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.
DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.
TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.
OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.
AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.
LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.
A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?
BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).
março 03, 2006
Untitled
A BASÓFIA
Freitas do Amaral gabou-se ontem de grandes passados em matéria da luta pela Liberdade. Cuidado, não puxe muito pelo assunto, pode ficar destapado, senhor Ministro dos assuntos árabes...
Freitas do Amaral gabou-se ontem de grandes passados em matéria da luta pela Liberdade. Cuidado, não puxe muito pelo assunto, pode ficar destapado, senhor Ministro dos assuntos árabes...
março 02, 2006
ATLÂNTICO
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui
Untitled
ATLÂNTICO
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui
fevereiro 27, 2006
O CASO – Há muitos anos que se ouve dizer que a empresa Bragaparques cresceu de uma forma veloz graças a não ter encontrado dificuldades de maior nos seus projectos em Braga e noutras cidades do país. Tem ficado sempre no ar que os negócios são melhores para a empresa do que para as autarquias envolvidas, e tem ficado sempre na dúvida se não terá havido nalguns casos tratamento privilegiado. Como é de dinheiros e de bens públicos que se trata, o elementar é que a Câmara Municipal de Lisboa esclareça este assunto todo sem margem para dúvidas.
O MELHOR DA SEMANA – O blog de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente (www.o-espectro.blogspot.com) tem sido a alegria de quem gosta de pensar no que se passa neste rectângulo à beira mar plantado. Com actualizações frequentes, uma pontaria certeira e um constante humor, O Espectro tornou-se numa referência absolutamente fundamental da blogosfera e numa imperdível leitura diária.
O PIOR DA SEMANA – A absoluta falta de reacção do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Presidente do novo órgão regulador da comunicação social ( e já agora dos seus pares) em relação ao ataque policial ao jornal «24 Horas», em busca da localização de fontes de uma notícia. Com instituições destas, estamos conversados – ainda havemos de ver pior. Lembram-se daquele poema de Brecht que dizia «primeiro vieram e ninguém se importou»? Estamos a caminho da indiferença – e em matéria de liberdades e direitos nada é pior. Mandava o bom senso que, na tomada de posse, o empossado Presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social pusesse os pontos nos iis – só para sabermos como isto irá ser.
TRINCAR – Os croquetes com arroz de tomate malandrinho do bar Pedro Quinto, na Rua D.Pedro V nº14, uma casa a cargo do Senhor Juvenal e que combina a intriga política e jornalística com comida honesta fora de horas. Telefone 213 427 842.
OUVIR – Se há discos feitos para acompanhar paixões, «Foreign Land» de Christina Rosenvinge é exactamente o bom exemplo. A produção é simples e escorreita e tem por único objectivo destacar a voz, sublinhar as palavras e deixar respirar canções como «off scream», «king size», «german heart» e sobretudo «submission». Resta dizer que Christina Rosenvinge nasceu em Madrid filha de pais dinamarqueses e está a meio caminho entre os Velvet Underground e Françoise Hardy.
AGENDA – Sai dentro de dias, a 27, o disco estreia dos Cindy Kat, a nova banda de Pedro Oliveira ( a voz da Sétima Legião), Paulo Abelho (Golpe de Estado) e Paulo Eleutério (Comboio Fantasma). Com convidados como Sam The Kid, JP Simões (Bellechase Hotel), Gomo e Pedro Abrunhosa, os Cindy Kat trouxeram os hinos de volta à musica portuguesa, acentuando o valor das palavras e de uma subtil combinação entre ritmos e melodias, muito ao som dos anos 80, como o concerto de apresentação no Lux na passada quarta-feira mostrou – destaque absoluto para «Distância», o tema interpretado com Gomo e para «Polaróide», o single estreia.
LER – A nova edição de um clássico de Marshall McLuhan, «Understanding Media», uma edição crítica e anotada por Terrence Gordon e editada pela Gingko Press. Eu acho que cada membro da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social devia receber um livrinho destes e ser estimulado a lê-lo, com teste de perguntas no fim, a ver se perceberam aquilo de que devem tratar.
A NÃO PERDER – O «Obituário Político do Soarismo” por Fátima Bonifácio, na edição de Março da revista «Atlântico».
PERGUNTINHA DA SEMANA – O que vai acontecer ao Galo de Barcelos com a gripe das aves?
BACK TO BASICS – «Posso resistir a tudo, menos à tentação» . Oscar Wilde
O MELHOR DA SEMANA – O blog de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente (www.o-espectro.blogspot.com) tem sido a alegria de quem gosta de pensar no que se passa neste rectângulo à beira mar plantado. Com actualizações frequentes, uma pontaria certeira e um constante humor, O Espectro tornou-se numa referência absolutamente fundamental da blogosfera e numa imperdível leitura diária.
O PIOR DA SEMANA – A absoluta falta de reacção do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Presidente do novo órgão regulador da comunicação social ( e já agora dos seus pares) em relação ao ataque policial ao jornal «24 Horas», em busca da localização de fontes de uma notícia. Com instituições destas, estamos conversados – ainda havemos de ver pior. Lembram-se daquele poema de Brecht que dizia «primeiro vieram e ninguém se importou»? Estamos a caminho da indiferença – e em matéria de liberdades e direitos nada é pior. Mandava o bom senso que, na tomada de posse, o empossado Presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social pusesse os pontos nos iis – só para sabermos como isto irá ser.
TRINCAR – Os croquetes com arroz de tomate malandrinho do bar Pedro Quinto, na Rua D.Pedro V nº14, uma casa a cargo do Senhor Juvenal e que combina a intriga política e jornalística com comida honesta fora de horas. Telefone 213 427 842.
OUVIR – Se há discos feitos para acompanhar paixões, «Foreign Land» de Christina Rosenvinge é exactamente o bom exemplo. A produção é simples e escorreita e tem por único objectivo destacar a voz, sublinhar as palavras e deixar respirar canções como «off scream», «king size», «german heart» e sobretudo «submission». Resta dizer que Christina Rosenvinge nasceu em Madrid filha de pais dinamarqueses e está a meio caminho entre os Velvet Underground e Françoise Hardy.
AGENDA – Sai dentro de dias, a 27, o disco estreia dos Cindy Kat, a nova banda de Pedro Oliveira ( a voz da Sétima Legião), Paulo Abelho (Golpe de Estado) e Paulo Eleutério (Comboio Fantasma). Com convidados como Sam The Kid, JP Simões (Bellechase Hotel), Gomo e Pedro Abrunhosa, os Cindy Kat trouxeram os hinos de volta à musica portuguesa, acentuando o valor das palavras e de uma subtil combinação entre ritmos e melodias, muito ao som dos anos 80, como o concerto de apresentação no Lux na passada quarta-feira mostrou – destaque absoluto para «Distância», o tema interpretado com Gomo e para «Polaróide», o single estreia.
LER – A nova edição de um clássico de Marshall McLuhan, «Understanding Media», uma edição crítica e anotada por Terrence Gordon e editada pela Gingko Press. Eu acho que cada membro da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social devia receber um livrinho destes e ser estimulado a lê-lo, com teste de perguntas no fim, a ver se perceberam aquilo de que devem tratar.
A NÃO PERDER – O «Obituário Político do Soarismo” por Fátima Bonifácio, na edição de Março da revista «Atlântico».
PERGUNTINHA DA SEMANA – O que vai acontecer ao Galo de Barcelos com a gripe das aves?
BACK TO BASICS – «Posso resistir a tudo, menos à tentação» . Oscar Wilde
Untitled
O CASO – Há muitos anos que se ouve dizer que a empresa Bragaparques cresceu de uma forma veloz graças a não ter encontrado dificuldades de maior nos seus projectos em Braga e noutras cidades do país. Tem ficado sempre no ar que os negócios são melhores para a empresa do que para as autarquias envolvidas, e tem ficado sempre na dúvida se não terá havido nalguns casos tratamento privilegiado. Como é de dinheiros e de bens públicos que se trata, o elementar é que a Câmara Municipal de Lisboa esclareça este assunto todo sem margem para dúvidas.
O MELHOR DA SEMANA – O blog de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente (www.o-espectro.blogspot.com) tem sido a alegria de quem gosta de pensar no que se passa neste rectângulo à beira mar plantado. Com actualizações frequentes, uma pontaria certeira e um constante humor, O Espectro tornou-se numa referência absolutamente fundamental da blogosfera e numa imperdível leitura diária.
O PIOR DA SEMANA – A absoluta falta de reacção do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Presidente do novo órgão regulador da comunicação social ( e já agora dos seus pares) em relação ao ataque policial ao jornal «24 Horas», em busca da localização de fontes de uma notícia. Com instituições destas, estamos conversados – ainda havemos de ver pior. Lembram-se daquele poema de Brecht que dizia «primeiro vieram e ninguém se importou»? Estamos a caminho da indiferença – e em matéria de liberdades e direitos nada é pior. Mandava o bom senso que, na tomada de posse, o empossado Presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social pusesse os pontos nos iis – só para sabermos como isto irá ser.
TRINCAR – Os croquetes com arroz de tomate malandrinho do bar Pedro Quinto, na Rua D.Pedro V nº14, uma casa a cargo do Senhor Juvenal e que combina a intriga política e jornalística com comida honesta fora de horas. Telefone 213 427 842.
OUVIR – Se há discos feitos para acompanhar paixões, «Foreign Land» de Christina Rosenvinge é exactamente o bom exemplo. A produção é simples e escorreita e tem por único objectivo destacar a voz, sublinhar as palavras e deixar respirar canções como «off scream», «king size», «german heart» e sobretudo «submission». Resta dizer que Christina Rosenvinge nasceu em Madrid filha de pais dinamarqueses e está a meio caminho entre os Velvet Underground e Françoise Hardy.
AGENDA – Sai dentro de dias, a 27, o disco estreia dos Cindy Kat, a nova banda de Pedro Oliveira ( a voz da Sétima Legião), Paulo Abelho (Golpe de Estado) e Paulo Eleutério (Comboio Fantasma). Com convidados como Sam The Kid, JP Simões (Bellechase Hotel), Gomo e Pedro Abrunhosa, os Cindy Kat trouxeram os hinos de volta à musica portuguesa, acentuando o valor das palavras e de uma subtil combinação entre ritmos e melodias, muito ao som dos anos 80, como o concerto de apresentação no Lux na passada quarta-feira mostrou – destaque absoluto para «Distância», o tema interpretado com Gomo e para «Polaróide», o single estreia.
LER – A nova edição de um clássico de Marshall McLuhan, «Understanding Media», uma edição crítica e anotada por Terrence Gordon e editada pela Gingko Press. Eu acho que cada membro da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social devia receber um livrinho destes e ser estimulado a lê-lo, com teste de perguntas no fim, a ver se perceberam aquilo de que devem tratar.
A NÃO PERDER – O «Obituário Político do Soarismo” por Fátima Bonifácio, na edição de Março da revista «Atlântico».
PERGUNTINHA DA SEMANA – O que vai acontecer ao Galo de Barcelos com a gripe das aves?
BACK TO BASICS – «Posso resistir a tudo, menos à tentação» . Oscar Wilde
O MELHOR DA SEMANA – O blog de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente (www.o-espectro.blogspot.com) tem sido a alegria de quem gosta de pensar no que se passa neste rectângulo à beira mar plantado. Com actualizações frequentes, uma pontaria certeira e um constante humor, O Espectro tornou-se numa referência absolutamente fundamental da blogosfera e numa imperdível leitura diária.
O PIOR DA SEMANA – A absoluta falta de reacção do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Presidente do novo órgão regulador da comunicação social ( e já agora dos seus pares) em relação ao ataque policial ao jornal «24 Horas», em busca da localização de fontes de uma notícia. Com instituições destas, estamos conversados – ainda havemos de ver pior. Lembram-se daquele poema de Brecht que dizia «primeiro vieram e ninguém se importou»? Estamos a caminho da indiferença – e em matéria de liberdades e direitos nada é pior. Mandava o bom senso que, na tomada de posse, o empossado Presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social pusesse os pontos nos iis – só para sabermos como isto irá ser.
TRINCAR – Os croquetes com arroz de tomate malandrinho do bar Pedro Quinto, na Rua D.Pedro V nº14, uma casa a cargo do Senhor Juvenal e que combina a intriga política e jornalística com comida honesta fora de horas. Telefone 213 427 842.
OUVIR – Se há discos feitos para acompanhar paixões, «Foreign Land» de Christina Rosenvinge é exactamente o bom exemplo. A produção é simples e escorreita e tem por único objectivo destacar a voz, sublinhar as palavras e deixar respirar canções como «off scream», «king size», «german heart» e sobretudo «submission». Resta dizer que Christina Rosenvinge nasceu em Madrid filha de pais dinamarqueses e está a meio caminho entre os Velvet Underground e Françoise Hardy.
AGENDA – Sai dentro de dias, a 27, o disco estreia dos Cindy Kat, a nova banda de Pedro Oliveira ( a voz da Sétima Legião), Paulo Abelho (Golpe de Estado) e Paulo Eleutério (Comboio Fantasma). Com convidados como Sam The Kid, JP Simões (Bellechase Hotel), Gomo e Pedro Abrunhosa, os Cindy Kat trouxeram os hinos de volta à musica portuguesa, acentuando o valor das palavras e de uma subtil combinação entre ritmos e melodias, muito ao som dos anos 80, como o concerto de apresentação no Lux na passada quarta-feira mostrou – destaque absoluto para «Distância», o tema interpretado com Gomo e para «Polaróide», o single estreia.
LER – A nova edição de um clássico de Marshall McLuhan, «Understanding Media», uma edição crítica e anotada por Terrence Gordon e editada pela Gingko Press. Eu acho que cada membro da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social devia receber um livrinho destes e ser estimulado a lê-lo, com teste de perguntas no fim, a ver se perceberam aquilo de que devem tratar.
A NÃO PERDER – O «Obituário Político do Soarismo” por Fátima Bonifácio, na edição de Março da revista «Atlântico».
PERGUNTINHA DA SEMANA – O que vai acontecer ao Galo de Barcelos com a gripe das aves?
BACK TO BASICS – «Posso resistir a tudo, menos à tentação» . Oscar Wilde
ISTO ANDA TUDO LIGADO
O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.
O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.
Untitled
ISTO ANDA TUDO LIGADO
O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.
O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.
BASTA! - Não sou leitor do «24 Horas» – mas há jornais assim em todo o mundo. Mais: ainda bem que em Portugal também há um «24 Horas». O problema de que o «24 Horas» parece ser acusado não é, na realidade, da responsabilidade do jornal: é de alguém, nos meandros do aparelho judicial, seja na duvidosa Procuradoria da República ou na prepotente Judiciária. Alguém de dentro do sistema deixou escapar o que o sistema queria esconder, houve um jornal que publicou o que obteve – e que por acaso mostra abuso de autoridade. Quem está mal? Certamente não é o jornal. A Judiciária anda a assemelhar-se a uma máquina de perseguição – há sectores dentro dessa polícia que consideram ser esse o caminho. E cá para mim, já que o mundo anda em maré de solidariedades, convém dizer aos esbirros da Judiciária: somos todos do «24 Horas».
PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.
COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.
LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .
OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.
VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.
AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.
COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.
LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .
OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.
VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.
AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Untitled
BASTA! - Não sou leitor do «24 Horas» – mas há jornais assim em todo o mundo. Mais: ainda bem que em Portugal também há um «24 Horas». O problema de que o «24 Horas» parece ser acusado não é, na realidade, da responsabilidade do jornal: é de alguém, nos meandros do aparelho judicial, seja na duvidosa Procuradoria da República ou na prepotente Judiciária. Alguém de dentro do sistema deixou escapar o que o sistema queria esconder, houve um jornal que publicou o que obteve – e que por acaso mostra abuso de autoridade. Quem está mal? Certamente não é o jornal. A Judiciária anda a assemelhar-se a uma máquina de perseguição – há sectores dentro dessa polícia que consideram ser esse o caminho. E cá para mim, já que o mundo anda em maré de solidariedades, convém dizer aos esbirros da Judiciária: somos todos do «24 Horas».
PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.
COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.
LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .
OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.
VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.
AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.
COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.
LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .
OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.
VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.
AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.
PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
UM PRESIDENTE PARA A HISTÓRIA
Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.
No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.
Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.
Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.
No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.
Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.
Untitled
UM PRESIDENTE PARA A HISTÓRIA
Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.
No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.
Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.
Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.
No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.
Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)