outubro 07, 2005

A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)

Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.

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A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)

Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
VOTO ÚTIL
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.

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VOTO ÚTIL
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.

outubro 03, 2005

TODO O MUNDO É UM PALCO

DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.

NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.

REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.

VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.

OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.

DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.

BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.

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TODO O MUNDO É UM PALCO

DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.

NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.

REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.

VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.

OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.

DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.

BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.

setembro 28, 2005

IRRA!
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?

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IRRA!
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?

setembro 26, 2005

ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.

VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.

O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.

LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?

DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.

POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.

TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.

COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…

VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.

OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.

PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?

FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».

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ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.

VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.

O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.

LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?

DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.

POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.

TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.

COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…

VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.

OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.

PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?

FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».

setembro 24, 2005

QUEM SERÁ O PRINCÌPE?

Começo hoje por duas citações da célebre obra de Nicolau Maquiavel, «O Princípe», editada em Florença em 1531:
«É necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade (...) Um príncipe sábio não pode, pois, nem deve, manter-se fiel às suas promessas quando, extinta a causa que o levou a fazê-las, o cumprimento delas lhe traz prejuízo.»
Dito isto passo a contar uma fábula:
Era uma vez um país onde o novo príncipe vivia atormentado pelos fantasmas do passado. Com o apoio do seu escudeiro desenhou um plano fantástico: lançar os seus inimigos para o meio de um turbilhão. Ao mais velho de todos, e com maior influência, levou-o a querer disputar difíceis eleições; com este desafio acabou por colocar a única pessoa que lhe disputou a liderança do partido, um dos outros notáveis da velha guarda, num beco sem saída; ao filho do patriarca colocou-o a disputar uma Câmara onde não seria fácil alcançar vitória; a um seu rival da mesma geração lançou-o para uma campanha eleitoral, sendo certo que a disputa seria grande e que de antemão se sabia que por ali havia uma certa falta de jeito para as andanças que uma campanha exige.
Todas as sondagens davam como provável a derrota dos candidatos que deixou avançar mas isso não o preocupou demais. Os que fossem derrotados dificilmente se levantariam de novo, e ele poderia sempre dizer que lhes deu a oportunidade que eles não souberam aproveitar. Não deixaria até de lhes louvar o sacrifício. E assim, de duas penadas, se livraria dos seus tormentos. Restava-lhe o escudeiro – e ao escudeiro restava o princípe. Mas o fim desta história só mais para a frente se saberá.

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QUEM SERÁ O PRINCÌPE?

Começo hoje por duas citações da célebre obra de Nicolau Maquiavel, «O Princípe», editada em Florença em 1531:
«É necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade (...) Um príncipe sábio não pode, pois, nem deve, manter-se fiel às suas promessas quando, extinta a causa que o levou a fazê-las, o cumprimento delas lhe traz prejuízo.»
Dito isto passo a contar uma fábula:
Era uma vez um país onde o novo príncipe vivia atormentado pelos fantasmas do passado. Com o apoio do seu escudeiro desenhou um plano fantástico: lançar os seus inimigos para o meio de um turbilhão. Ao mais velho de todos, e com maior influência, levou-o a querer disputar difíceis eleições; com este desafio acabou por colocar a única pessoa que lhe disputou a liderança do partido, um dos outros notáveis da velha guarda, num beco sem saída; ao filho do patriarca colocou-o a disputar uma Câmara onde não seria fácil alcançar vitória; a um seu rival da mesma geração lançou-o para uma campanha eleitoral, sendo certo que a disputa seria grande e que de antemão se sabia que por ali havia uma certa falta de jeito para as andanças que uma campanha exige.
Todas as sondagens davam como provável a derrota dos candidatos que deixou avançar mas isso não o preocupou demais. Os que fossem derrotados dificilmente se levantariam de novo, e ele poderia sempre dizer que lhes deu a oportunidade que eles não souberam aproveitar. Não deixaria até de lhes louvar o sacrifício. E assim, de duas penadas, se livraria dos seus tormentos. Restava-lhe o escudeiro – e ao escudeiro restava o princípe. Mas o fim desta história só mais para a frente se saberá.

setembro 23, 2005

ESTADOS DE ALMA
1- O país não está melhor;
2- Os partidos estão piores;
3- Crescem as razões para a abstenção.

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ESTADOS DE ALMA
1- O país não está melhor;
2- Os partidos estão piores;
3- Crescem as razões para a abstenção.

setembro 20, 2005

TPC PARA QUINTA FEIRA
Debate " A Direita e a Cultura", pelas 20h30 do próximo dia 22 de Setembro, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Consultar: Arts Council britânico, ver como é feito o financiamento das artes, como decorre o projecto «Own Art».
Ver: Como as coisas funcionam no Canadá.
Ter: uma ideia de como é que a California actua.
Pesquisar como nos Estados Unidos está montado o National Endowment For The Arts e verificar como se processa o financiamento e os recursos existentes.

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TPC PARA QUINTA FEIRA
Debate " A Direita e a Cultura", pelas 20h30 do próximo dia 22 de Setembro, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Consultar: Arts Council britânico, ver como é feito o financiamento das artes, como decorre o projecto «Own Art».
Ver: Como as coisas funcionam no Canadá.
Ter: uma ideia de como é que a California actua.
Pesquisar como nos Estados Unidos está montado o National Endowment For The Arts e verificar como se processa o financiamento e os recursos existentes.

setembro 19, 2005

ESTADO, CIDADES E CULTURA

EXPERIMENTA - Até 30 de Outubro, em diversos pontos da cidade, aí está de novo a Bienal Experimenta Design. Este é o fim-de-semana das conferências, as exposições mantém-se em vários locais. Todas as informações em www.experimentadesign.pt . Permitam-me destacar os projectos «Casa Portuguesa – Modelos Globais Para Casas Locais», que vai estar no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional. O Lounging Space, que se tornou num ponto de encontro da Experimenta, estará este ano no Palácio de Santa Catarina. Na área dos Projectos Tangenciais destaque para a revista «Volfrâmio», da responsabilidade da Silva!designers, que estará na sede do Clube Português de Artes e Ideias, nº 29-2º do Largo do Chiado. Iniciativas como a Experimenta contribuem de forma constante para uma vertente dupla: de um lado a afirmação da criatividade portuguesa e o fomento do seu contacto com criadores internacionais, e do outro a imagem de Lisboa como palco da contemporaneidade. O tema da edição deste ano é «O Meio É A Matéria», uma reflexão sobre o design aplicado à comunicação que tem o seu ponto alto na exposição «Catalyst!», no CCB.

AUTARQUIAS - Em véspera de autárquicas o caso da Experimenta Design é um bom pretexto para falar um pouco da relação das autarquias com as formas contemporâneas de arte e cultura. Dois acontecimentos ajudaram a projectar desde há bastantes anos uma imagem de Lisboa diversa dos choradinhos, da luz e dos carris dos eléctricos: falo da Moda Lisboa e da Experimenta. Neste ano iniciou-se o África Festival, que se propôs fazer assumir a Lisboa o papel de plataforma giratória de contacto entre as culturas de África e da Europa – e uma das suas iniciativas, a exposição «Travel», abre aliás para a semana, dia 23, na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º), uma colectiva de artistas contemporâneos de países africanos de expressão portuguesa. Estes três projectos são estruturantes, estratégicos em áreas que vão para além da moda, do design ou da música e artes plásticas: a sua repercussão na imprensa internacional produz uma imagem positiva da cidade, moderna e activa, empenhada. Lisboa precisa de mais alguns projectos de dimensão que a façam projectar além-fronteiras como uma cidade de diálogo e de acolhimento. É nestes projectos, escolhidos e preparados com critério, que vale a pena investir – e não disseminando os fundos públicos em pequenos subsídios que aumentam a dependência e não premeiam, nas mais das vezes, o trabalho sério e de qualidade. Do que tenho lido temo muito que venha por aí o regresso do espírito pacóvio de Júlio Dantas, que infelizmente é ainda o dominante, em termos gerais, a nível autárquico por esse país fora.
DEBATE – Uma boa ocasião para debater isto acontece na próxima quinta-feira, dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz. É o regresso das «Noites À Direita», desta vez com a presença de António Mega Ferreira, Rui Ramos e Pedro Mexia que debaterão, com os presentes, o tema «A Direita e A Cultura». As «Noites À Direita, um projecto liberal», são promovidas por um grupo que integra António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto de Mascarenhas, Pedro Lomba, Rui Ramos e eu próprio, que irei tentar moderar a conversa que há-de certamente andar muito à volta do papel do Estado na Cultura.
LER – O síte www.marktest.com é sempre uma boa leitura. Esta semana fiquei a saber que milhão e meio de lares portugueses têm cão e que o Governo ocupou 10 por cento do tempo dos noticiários de televisão nos seus primeiros seis meses de actividade. Qualquer pessoa pode ali subscrever a newsletter electrónica, que é uma boa fonte de indicadores sobre a evolução da nossa sociedade. No site há uma zona reservada à evolução das sondagens para as autárquicas que vai ser muito útil nas próximas semanas.

BLOCO NOTAS – Dados oficiais dizem que a área florestal ardida em 2005 foi de 256 mil hectares, o dobro da que ardeu no ano anterior. Façam o favor de ler as declarações dos responsáveis nos meses de Maio, Junho e início de Julho. Para mais tarde recordar…

BACK TO BASICS – Em política as coincidências são raras. Mas claro que é certamente por coincidência que boa parte dos nomeados para a área editorial e de conteúdos da nova Lusomundo é simpatizante do Dr. Jorge Coelho.

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ESTADO, CIDADES E CULTURA

EXPERIMENTA - Até 30 de Outubro, em diversos pontos da cidade, aí está de novo a Bienal Experimenta Design. Este é o fim-de-semana das conferências, as exposições mantém-se em vários locais. Todas as informações em www.experimentadesign.pt . Permitam-me destacar os projectos «Casa Portuguesa – Modelos Globais Para Casas Locais», que vai estar no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional. O Lounging Space, que se tornou num ponto de encontro da Experimenta, estará este ano no Palácio de Santa Catarina. Na área dos Projectos Tangenciais destaque para a revista «Volfrâmio», da responsabilidade da Silva!designers, que estará na sede do Clube Português de Artes e Ideias, nº 29-2º do Largo do Chiado. Iniciativas como a Experimenta contribuem de forma constante para uma vertente dupla: de um lado a afirmação da criatividade portuguesa e o fomento do seu contacto com criadores internacionais, e do outro a imagem de Lisboa como palco da contemporaneidade. O tema da edição deste ano é «O Meio É A Matéria», uma reflexão sobre o design aplicado à comunicação que tem o seu ponto alto na exposição «Catalyst!», no CCB.

AUTARQUIAS - Em véspera de autárquicas o caso da Experimenta Design é um bom pretexto para falar um pouco da relação das autarquias com as formas contemporâneas de arte e cultura. Dois acontecimentos ajudaram a projectar desde há bastantes anos uma imagem de Lisboa diversa dos choradinhos, da luz e dos carris dos eléctricos: falo da Moda Lisboa e da Experimenta. Neste ano iniciou-se o África Festival, que se propôs fazer assumir a Lisboa o papel de plataforma giratória de contacto entre as culturas de África e da Europa – e uma das suas iniciativas, a exposição «Travel», abre aliás para a semana, dia 23, na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º), uma colectiva de artistas contemporâneos de países africanos de expressão portuguesa. Estes três projectos são estruturantes, estratégicos em áreas que vão para além da moda, do design ou da música e artes plásticas: a sua repercussão na imprensa internacional produz uma imagem positiva da cidade, moderna e activa, empenhada. Lisboa precisa de mais alguns projectos de dimensão que a façam projectar além-fronteiras como uma cidade de diálogo e de acolhimento. É nestes projectos, escolhidos e preparados com critério, que vale a pena investir – e não disseminando os fundos públicos em pequenos subsídios que aumentam a dependência e não premeiam, nas mais das vezes, o trabalho sério e de qualidade. Do que tenho lido temo muito que venha por aí o regresso do espírito pacóvio de Júlio Dantas, que infelizmente é ainda o dominante, em termos gerais, a nível autárquico por esse país fora.
DEBATE – Uma boa ocasião para debater isto acontece na próxima quinta-feira, dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz. É o regresso das «Noites À Direita», desta vez com a presença de António Mega Ferreira, Rui Ramos e Pedro Mexia que debaterão, com os presentes, o tema «A Direita e A Cultura». As «Noites À Direita, um projecto liberal», são promovidas por um grupo que integra António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto de Mascarenhas, Pedro Lomba, Rui Ramos e eu próprio, que irei tentar moderar a conversa que há-de certamente andar muito à volta do papel do Estado na Cultura.
LER – O síte www.marktest.com é sempre uma boa leitura. Esta semana fiquei a saber que milhão e meio de lares portugueses têm cão e que o Governo ocupou 10 por cento do tempo dos noticiários de televisão nos seus primeiros seis meses de actividade. Qualquer pessoa pode ali subscrever a newsletter electrónica, que é uma boa fonte de indicadores sobre a evolução da nossa sociedade. No site há uma zona reservada à evolução das sondagens para as autárquicas que vai ser muito útil nas próximas semanas.

BLOCO NOTAS – Dados oficiais dizem que a área florestal ardida em 2005 foi de 256 mil hectares, o dobro da que ardeu no ano anterior. Façam o favor de ler as declarações dos responsáveis nos meses de Maio, Junho e início de Julho. Para mais tarde recordar…

BACK TO BASICS – Em política as coincidências são raras. Mas claro que é certamente por coincidência que boa parte dos nomeados para a área editorial e de conteúdos da nova Lusomundo é simpatizante do Dr. Jorge Coelho.

setembro 17, 2005

EM «O INDEPENDENTE»:

Cultura À Direita

A opinião dominante entre boa parte da Esquerda é a de que a Direita é uma espécie de reserva ecológica de trogloditas em matéria cultural. E, em contrapartida, uma boa parte da Direita acha que a Esquerda só defende o que é incompreensível e apenas vive porque há subsídios. Enquanto o debate continuar neste pé a coisa dificilmente passará do estado pré-histórico. Por isso mesmo há questões a discutir sem preconceitos: o Estado deve cingir-se à manutenção do património , ou deve também fomentar e suportar a criação artística? A cultura tem que ser uma actividade lucrativa? Podemos ou não alargar os incentivos fiscais nesta área? Devemos investir mais na criação de públicos ou na produção de obras? Como pode a criação ser fomentada? Qual o papel das autarquias neste quadro – devem ser complementares da Administração central ou devem ser alternativas? A resposta a algumas destas perguntas é estruturante na definição de políticas culturais, um panorama que raramente tem sido debatido com seriedade.
Peguemos no exemplo britânico do Arts Council e do seu programa «Own Art», um incentivo à compra de arte contemporânea de novos artistas, que garante empréstimos sem juros, de curto prazo, para a aquisição de pintura e escultura. De uma assentada fomenta-se o mercado, cria-se um canal de venda para artistas em começo de carreira, dá-se mais circulação de obras às galerias associadas e cria-se um novo hábito em novos públicos. Será este um caminho?
No regresso das «Noites à Direita» o debate é sobre política cultural e à mesa vão estar António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos. É dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz - e o melhor é não ter ideias feitas.

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EM «O INDEPENDENTE»:

Cultura À Direita

A opinião dominante entre boa parte da Esquerda é a de que a Direita é uma espécie de reserva ecológica de trogloditas em matéria cultural. E, em contrapartida, uma boa parte da Direita acha que a Esquerda só defende o que é incompreensível e apenas vive porque há subsídios. Enquanto o debate continuar neste pé a coisa dificilmente passará do estado pré-histórico. Por isso mesmo há questões a discutir sem preconceitos: o Estado deve cingir-se à manutenção do património , ou deve também fomentar e suportar a criação artística? A cultura tem que ser uma actividade lucrativa? Podemos ou não alargar os incentivos fiscais nesta área? Devemos investir mais na criação de públicos ou na produção de obras? Como pode a criação ser fomentada? Qual o papel das autarquias neste quadro – devem ser complementares da Administração central ou devem ser alternativas? A resposta a algumas destas perguntas é estruturante na definição de políticas culturais, um panorama que raramente tem sido debatido com seriedade.
Peguemos no exemplo britânico do Arts Council e do seu programa «Own Art», um incentivo à compra de arte contemporânea de novos artistas, que garante empréstimos sem juros, de curto prazo, para a aquisição de pintura e escultura. De uma assentada fomenta-se o mercado, cria-se um canal de venda para artistas em começo de carreira, dá-se mais circulação de obras às galerias associadas e cria-se um novo hábito em novos públicos. Será este um caminho?
No regresso das «Noites à Direita» o debate é sobre política cultural e à mesa vão estar António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos. É dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz - e o melhor é não ter ideias feitas.