AUTÁRQUICAS
Esta semana andei um bom bocado por estradas secundárias nos arredores de Lisboa e na zona do Alto Alentejo e Ribatejo. A paisagem é dominada por cartazes de propaganda eleitoral para as autárquicas. Não é só nas cidades que eles aparecem, nas vilas e até em aldeias lá está uma carinha, um slogan, um cartaz. O mais curioso de tudo é que não há dois iguais e só muito dificilmente se conseguem notar semelhanças. Nem no material do mesmo partido se encontram com facilidade identidades gráficas- às vezes até no mesmo distrito. Parece que foi seguido o princípio da descentralização absoluta, o que redunda na maior confusão. Não há imagens comuns, não existe associação de ideias possível, não há linhas de continuidade. E, na esmagadora maioria dos casos, os tipos de letra e os grafismos são pura e simplesmente de mau gosto. Alguns, foleiros mesmo. É a imagem do poder autárquico no seu pior: de mau gosto desde a raiz.
O único ponto comum que encontro – mas isso também se reflecte, por exemplo, em Lisboa – é a péssima qualidade das fotografias dos candidatos. Flash de chapão, caras encenadas demais, brilho por todo o lado, tonalidades alteradas. Enfim, uma galeria de horrores. Longe vão os tempos em que a fotografia era cuidada, em que se faziam retratos em vez de se baterem chapas.
Lisboa apresenta um caso curioso, sobretudo se compararmos com as autárquicas de 2001. Nessa altura João Soares fez uma campanha de frases vagas e abrangentes, muito baseada em si próprio. Em contraponto, Santana Lopes aparecia com cartazes onde a dominante eram a elencagem de problemas, propostas concretas, medidas a tomar. É curioso ver como hoje o candidato de Marques Mendes a Lisboa escolheu o caminho de João Soares, e o candidato do PS escolheu o caminho de Santana Lopes. A ver vamos no que isto dá.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
setembro 10, 2005
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AUTÁRQUICAS
Esta semana andei um bom bocado por estradas secundárias nos arredores de Lisboa e na zona do Alto Alentejo e Ribatejo. A paisagem é dominada por cartazes de propaganda eleitoral para as autárquicas. Não é só nas cidades que eles aparecem, nas vilas e até em aldeias lá está uma carinha, um slogan, um cartaz. O mais curioso de tudo é que não há dois iguais e só muito dificilmente se conseguem notar semelhanças. Nem no material do mesmo partido se encontram com facilidade identidades gráficas- às vezes até no mesmo distrito. Parece que foi seguido o princípio da descentralização absoluta, o que redunda na maior confusão. Não há imagens comuns, não existe associação de ideias possível, não há linhas de continuidade. E, na esmagadora maioria dos casos, os tipos de letra e os grafismos são pura e simplesmente de mau gosto. Alguns, foleiros mesmo. É a imagem do poder autárquico no seu pior: de mau gosto desde a raiz.
O único ponto comum que encontro – mas isso também se reflecte, por exemplo, em Lisboa – é a péssima qualidade das fotografias dos candidatos. Flash de chapão, caras encenadas demais, brilho por todo o lado, tonalidades alteradas. Enfim, uma galeria de horrores. Longe vão os tempos em que a fotografia era cuidada, em que se faziam retratos em vez de se baterem chapas.
Lisboa apresenta um caso curioso, sobretudo se compararmos com as autárquicas de 2001. Nessa altura João Soares fez uma campanha de frases vagas e abrangentes, muito baseada em si próprio. Em contraponto, Santana Lopes aparecia com cartazes onde a dominante eram a elencagem de problemas, propostas concretas, medidas a tomar. É curioso ver como hoje o candidato de Marques Mendes a Lisboa escolheu o caminho de João Soares, e o candidato do PS escolheu o caminho de Santana Lopes. A ver vamos no que isto dá.
Esta semana andei um bom bocado por estradas secundárias nos arredores de Lisboa e na zona do Alto Alentejo e Ribatejo. A paisagem é dominada por cartazes de propaganda eleitoral para as autárquicas. Não é só nas cidades que eles aparecem, nas vilas e até em aldeias lá está uma carinha, um slogan, um cartaz. O mais curioso de tudo é que não há dois iguais e só muito dificilmente se conseguem notar semelhanças. Nem no material do mesmo partido se encontram com facilidade identidades gráficas- às vezes até no mesmo distrito. Parece que foi seguido o princípio da descentralização absoluta, o que redunda na maior confusão. Não há imagens comuns, não existe associação de ideias possível, não há linhas de continuidade. E, na esmagadora maioria dos casos, os tipos de letra e os grafismos são pura e simplesmente de mau gosto. Alguns, foleiros mesmo. É a imagem do poder autárquico no seu pior: de mau gosto desde a raiz.
O único ponto comum que encontro – mas isso também se reflecte, por exemplo, em Lisboa – é a péssima qualidade das fotografias dos candidatos. Flash de chapão, caras encenadas demais, brilho por todo o lado, tonalidades alteradas. Enfim, uma galeria de horrores. Longe vão os tempos em que a fotografia era cuidada, em que se faziam retratos em vez de se baterem chapas.
Lisboa apresenta um caso curioso, sobretudo se compararmos com as autárquicas de 2001. Nessa altura João Soares fez uma campanha de frases vagas e abrangentes, muito baseada em si próprio. Em contraponto, Santana Lopes aparecia com cartazes onde a dominante eram a elencagem de problemas, propostas concretas, medidas a tomar. É curioso ver como hoje o candidato de Marques Mendes a Lisboa escolheu o caminho de João Soares, e o candidato do PS escolheu o caminho de Santana Lopes. A ver vamos no que isto dá.
setembro 09, 2005
DEMÉRITO
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.
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DEMÉRITO
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.
setembro 08, 2005
ESTAMOS IMPLODIDOS!
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...
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ESTAMOS IMPLODIDOS!
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...
O PARQUE MAYER
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.
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O PARQUE MAYER
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.
setembro 07, 2005
OS CANDIDATOS
Ontem na SIC Notícias decorreu aquele que foi até agora o mais interessante debate sobre Lisboa. A coisa não é de estranhar porque na liça estavam os dois melhores candidatos à Câmara da Capital, Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho : de todos os que se apresentam são os que melhor conhecem a cidade e os seus problemas e os que têm demonstrado ao longo da vida maior capacidade de concretização de projectos. Foi bom ouvir falar de assuntos concretos, sobretudo da esfera social, em vez das demagogias populistas habituais e das guerras politiqueiras dos outros candidatos.
Ontem na SIC Notícias decorreu aquele que foi até agora o mais interessante debate sobre Lisboa. A coisa não é de estranhar porque na liça estavam os dois melhores candidatos à Câmara da Capital, Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho : de todos os que se apresentam são os que melhor conhecem a cidade e os seus problemas e os que têm demonstrado ao longo da vida maior capacidade de concretização de projectos. Foi bom ouvir falar de assuntos concretos, sobretudo da esfera social, em vez das demagogias populistas habituais e das guerras politiqueiras dos outros candidatos.
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OS CANDIDATOS
Ontem na SIC Notícias decorreu aquele que foi até agora o mais interessante debate sobre Lisboa. A coisa não é de estranhar porque na liça estavam os dois melhores candidatos à Câmara da Capital, Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho : de todos os que se apresentam são os que melhor conhecem a cidade e os seus problemas e os que têm demonstrado ao longo da vida maior capacidade de concretização de projectos. Foi bom ouvir falar de assuntos concretos, sobretudo da esfera social, em vez das demagogias populistas habituais e das guerras politiqueiras dos outros candidatos.
Ontem na SIC Notícias decorreu aquele que foi até agora o mais interessante debate sobre Lisboa. A coisa não é de estranhar porque na liça estavam os dois melhores candidatos à Câmara da Capital, Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho : de todos os que se apresentam são os que melhor conhecem a cidade e os seus problemas e os que têm demonstrado ao longo da vida maior capacidade de concretização de projectos. Foi bom ouvir falar de assuntos concretos, sobretudo da esfera social, em vez das demagogias populistas habituais e das guerras politiqueiras dos outros candidatos.
O EUROPA
O candidato Carmona Rodrigues apareceu a colar-se a um movimento campo-ouriquense chamado «SOS Cinema Europa», assumindo a defesa do edifício. Isto só pode ter acontecido em mais um dos gestos de oportunismo político eleitoral que caracterizam o candidato escolhido por Marques Mendes para Lisboa. O Cinema Europa deixou há muitos anos de existir, é um edifício sem valor de especial, o seu interior foi transformado em improvisado estúdio de televisão. Não faz sentido fazer ali seja o que fôr relacionado com entretenimento, sobretudo se se pensar no que custará a manutenção e programação de mais uma sala deste género. E já nem falo da recuperação do ex-Cinema Paris (que dista uns 500 metros do Europa) também para criar mais um «espaço cultural» - quando não se sabe do que se fala, cai-se nisto: promessas. Razão tinha Fátima Bonifácio na entrevista à revista «Pública»: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu paralelo contemporâneo nas promessas irrealistas feitas em campanha eleitoral apenas para sonegar votos. Até me arrepio de pensar em quanto este disparate poderá custar. Vai ser o preço mais caro por voto destas eleições.
O candidato Carmona Rodrigues apareceu a colar-se a um movimento campo-ouriquense chamado «SOS Cinema Europa», assumindo a defesa do edifício. Isto só pode ter acontecido em mais um dos gestos de oportunismo político eleitoral que caracterizam o candidato escolhido por Marques Mendes para Lisboa. O Cinema Europa deixou há muitos anos de existir, é um edifício sem valor de especial, o seu interior foi transformado em improvisado estúdio de televisão. Não faz sentido fazer ali seja o que fôr relacionado com entretenimento, sobretudo se se pensar no que custará a manutenção e programação de mais uma sala deste género. E já nem falo da recuperação do ex-Cinema Paris (que dista uns 500 metros do Europa) também para criar mais um «espaço cultural» - quando não se sabe do que se fala, cai-se nisto: promessas. Razão tinha Fátima Bonifácio na entrevista à revista «Pública»: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu paralelo contemporâneo nas promessas irrealistas feitas em campanha eleitoral apenas para sonegar votos. Até me arrepio de pensar em quanto este disparate poderá custar. Vai ser o preço mais caro por voto destas eleições.
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O EUROPA
O candidato Carmona Rodrigues apareceu a colar-se a um movimento campo-ouriquense chamado «SOS Cinema Europa», assumindo a defesa do edifício. Isto só pode ter acontecido em mais um dos gestos de oportunismo político eleitoral que caracterizam o candidato escolhido por Marques Mendes para Lisboa. O Cinema Europa deixou há muitos anos de existir, é um edifício sem valor de especial, o seu interior foi transformado em improvisado estúdio de televisão. Não faz sentido fazer ali seja o que fôr relacionado com entretenimento, sobretudo se se pensar no que custará a manutenção e programação de mais uma sala deste género. E já nem falo da recuperação do ex-Cinema Paris (que dista uns 500 metros do Europa) também para criar mais um «espaço cultural» - quando não se sabe do que se fala, cai-se nisto: promessas. Razão tinha Fátima Bonifácio na entrevista à revista «Pública»: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu paralelo contemporâneo nas promessas irrealistas feitas em campanha eleitoral apenas para sonegar votos. Até me arrepio de pensar em quanto este disparate poderá custar. Vai ser o preço mais caro por voto destas eleições.
O candidato Carmona Rodrigues apareceu a colar-se a um movimento campo-ouriquense chamado «SOS Cinema Europa», assumindo a defesa do edifício. Isto só pode ter acontecido em mais um dos gestos de oportunismo político eleitoral que caracterizam o candidato escolhido por Marques Mendes para Lisboa. O Cinema Europa deixou há muitos anos de existir, é um edifício sem valor de especial, o seu interior foi transformado em improvisado estúdio de televisão. Não faz sentido fazer ali seja o que fôr relacionado com entretenimento, sobretudo se se pensar no que custará a manutenção e programação de mais uma sala deste género. E já nem falo da recuperação do ex-Cinema Paris (que dista uns 500 metros do Europa) também para criar mais um «espaço cultural» - quando não se sabe do que se fala, cai-se nisto: promessas. Razão tinha Fátima Bonifácio na entrevista à revista «Pública»: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu paralelo contemporâneo nas promessas irrealistas feitas em campanha eleitoral apenas para sonegar votos. Até me arrepio de pensar em quanto este disparate poderá custar. Vai ser o preço mais caro por voto destas eleições.
setembro 06, 2005
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CARA
Que quererá dizer dar a cara por Lisboa? Alguém me explica qual o significado disto?
Numa ordem lógica das coisas, na campanha de Carmona Rodrigues houve o «Vamos a Isto», seguido do «Dar a Cara Por Lisboa». Quer dizer portanto que o isto era a cara. Como programa parece-me pouco. Como campanha é lamentável.Como exercício de banalidade é, no entanto, estimável.
Que quererá dizer dar a cara por Lisboa? Alguém me explica qual o significado disto?
Numa ordem lógica das coisas, na campanha de Carmona Rodrigues houve o «Vamos a Isto», seguido do «Dar a Cara Por Lisboa». Quer dizer portanto que o isto era a cara. Como programa parece-me pouco. Como campanha é lamentável.Como exercício de banalidade é, no entanto, estimável.
CARA
Que quererá dizer dar a cara por Lisboa? Alguém me explica qual o significado disto?
Numa ordem lógica das coisas, na campanha de Carmona Rodrigues houve o «Vamos a Isto», seguido do «Dar a Cara Por Lisboa». Quer dizer portanto que o isto era a cara. Como programa parece-me pouco. Como campanha é lamentável.Como exercício de banalidade é, no entanto, estimável.
Que quererá dizer dar a cara por Lisboa? Alguém me explica qual o significado disto?
Numa ordem lógica das coisas, na campanha de Carmona Rodrigues houve o «Vamos a Isto», seguido do «Dar a Cara Por Lisboa». Quer dizer portanto que o isto era a cara. Como programa parece-me pouco. Como campanha é lamentável.Como exercício de banalidade é, no entanto, estimável.
setembro 05, 2005
ENTRE ESPANHA E ISTAMBUL
AUDIOVISUAL – O Governo Zapatero iniciou o processo de reforma do sector audiovisual público. A ideia é fazer contratos-programa de três anos de duração entre a RTVE e o Estado onde são definidos objectivos de missão, gestão e administração e a contra-prestação económica correspondente, baseado num financiamento misto compatível com a legislação comunitária, proveniente de uma subvenção pública e de receitas comerciais (publicidade e vendas), embora no caso da publicidade vão existir limites e restrições. A actividade do audiovisual, público e privado, será fiscalizada por um Conselho Estatal dos Meios Audiovisuais, que assumirá todas as matérias do sector que hoje estão no Ministério da Indústria, Turismo e Comércio. Em Espanha a trasição do sistema analógico para o digital terrestre foi estabelecida para Abril de 2010 como limite, mas entretanto foi autorizado um novo canal nacional em modo analógico que tem uma cobertura possível de 70% da população.
DEFICIT – Por falar no audiovisual espanhol, tudo é mais fácil quando nuestros hermanos se preparam para, em vez de um deficit no Orçamento do Estado, terem um superavit. Quando me lembro de como a Espanha era há 25 anos e como é agora fico com uma enorme dose de raiva. Tínhamos tudo para, pelo menos, irmos a par – e estávamos até mais à frente nalguns domínios. E, no entanto, fomos ultrapassados. Daquele lado da fronteira a festa e o fulgor; daqui a trsiteza e a lassidão. Na edição de Domingo da «Pública», Fátima Bonifácio desenvolve uma interessante teoria: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu equivalente contemporâneo nas promessas eleitorais que não são para cumprir e que ela classifica como crimes de mentira qualificada cometidos pelos políticos. Olhamos à volta e há poucas razões para nos animarmos: na capa da «Newsweek» da semana passada o foco era a Turquia e o título era «Cool Istambul», a cidade onde parece que tudo está a acontecer. Abre-se uma edição de uma revista de arte deste mês e ali está uma enxurrada de iniciativas de cruzamento de culturas entre oriente e ocidente na capital turca. E nós por cá enchemos a boca de lusofonia mas um trabalho sério a tornar Lisboa na plataforma por excelência do cruzamento de culturas com África é que é coisinha de somenos.
OMBUDSBLOG – A CBS contratou uma espécie de provedor do espectador que tem por missão fazer um blog que explicará como as notícias são feitas, descrevendo os bastidores da redacção. A decisão surge na sequência da polémica surgida no ano passado sobre o programa «60 Minutes», que levou à saída de Dan Rather. O blog chama-se «Public Eye» e será acessível a partir de meados de Setembro em www.cbsnews.com, sendo assegurado por Vaughn Verners, até aqui coordenador do programa «Hotline». O objectivo é que seja feita uma observação rigorosa do trabalho jornalístico efectuado pela estação. No blog podem ainda aparecer entrevistas com repórteres, editores, etc, explicando como nascem e se desenvolvem algumas das histórias que depois acabam nos noticiários.
LOCAL – Em pleno Largo de Camões fica o novo Bairro Alto Hotel. Lá dentro opta-se por um restaurante «Flores» com conceitos diferentes ao almoço e jantar. Experimentei o jantar e não me arrependi da excelente confecção e qualidade do filete de cherne assado com tomate recheado de chouriço, coulis de ervilha e hortelã. A garrafeira é pequena mas bem escolhida e o vinho da casa (Quinta de Camarate branco e tinto) é uma boa escolha. Serviço excelente, sala simpática (com belas fotografias de Rui Calçada bastos), a única coisa a destoar foi a sobremesa, creme brulée de erva cidreira e framboesa, que notoriamente ainda vinha a sentir frigorífico. Ao lado fica o café bar Garrett, que se desenvolve em três áreas diferentes, todas surpreendentes do ponto de vista visual. Com sorte, a coisa promete. Tel. 213408252.
MÚSICA – B.B. King faz 80 anos no dia 16 de Setembro e tem um novo disco, «BB King & Friends», que inclui duetos do rei dos Blues com Eric Clapton, Van Morrison, Sheryl Crow, Roger Daltrey, Elton John, Mark Knopfler. Com Eric Clapton ele faz uma recriação excelente de «The Thrill Is Gone» e com Elton John uma versão surpreendente de «Rock This House», a última faixa do disco. Se fosse a Mário Soares pegava nesta faixa e fazia-a hino de campanha – afinal ele e BB King são da mesma idade.
PERGUNTA – Como é que um país que se organizou para construir tantos estádios de futebol novinhos em folha não se consegue organizar para combater incêndios?
BACK TO BASICS – Quem está na política tem que ter paciência para os cidadãos sobretudo fora das campanhas eleitorais.
AUDIOVISUAL – O Governo Zapatero iniciou o processo de reforma do sector audiovisual público. A ideia é fazer contratos-programa de três anos de duração entre a RTVE e o Estado onde são definidos objectivos de missão, gestão e administração e a contra-prestação económica correspondente, baseado num financiamento misto compatível com a legislação comunitária, proveniente de uma subvenção pública e de receitas comerciais (publicidade e vendas), embora no caso da publicidade vão existir limites e restrições. A actividade do audiovisual, público e privado, será fiscalizada por um Conselho Estatal dos Meios Audiovisuais, que assumirá todas as matérias do sector que hoje estão no Ministério da Indústria, Turismo e Comércio. Em Espanha a trasição do sistema analógico para o digital terrestre foi estabelecida para Abril de 2010 como limite, mas entretanto foi autorizado um novo canal nacional em modo analógico que tem uma cobertura possível de 70% da população.
DEFICIT – Por falar no audiovisual espanhol, tudo é mais fácil quando nuestros hermanos se preparam para, em vez de um deficit no Orçamento do Estado, terem um superavit. Quando me lembro de como a Espanha era há 25 anos e como é agora fico com uma enorme dose de raiva. Tínhamos tudo para, pelo menos, irmos a par – e estávamos até mais à frente nalguns domínios. E, no entanto, fomos ultrapassados. Daquele lado da fronteira a festa e o fulgor; daqui a trsiteza e a lassidão. Na edição de Domingo da «Pública», Fátima Bonifácio desenvolve uma interessante teoria: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu equivalente contemporâneo nas promessas eleitorais que não são para cumprir e que ela classifica como crimes de mentira qualificada cometidos pelos políticos. Olhamos à volta e há poucas razões para nos animarmos: na capa da «Newsweek» da semana passada o foco era a Turquia e o título era «Cool Istambul», a cidade onde parece que tudo está a acontecer. Abre-se uma edição de uma revista de arte deste mês e ali está uma enxurrada de iniciativas de cruzamento de culturas entre oriente e ocidente na capital turca. E nós por cá enchemos a boca de lusofonia mas um trabalho sério a tornar Lisboa na plataforma por excelência do cruzamento de culturas com África é que é coisinha de somenos.
OMBUDSBLOG – A CBS contratou uma espécie de provedor do espectador que tem por missão fazer um blog que explicará como as notícias são feitas, descrevendo os bastidores da redacção. A decisão surge na sequência da polémica surgida no ano passado sobre o programa «60 Minutes», que levou à saída de Dan Rather. O blog chama-se «Public Eye» e será acessível a partir de meados de Setembro em www.cbsnews.com, sendo assegurado por Vaughn Verners, até aqui coordenador do programa «Hotline». O objectivo é que seja feita uma observação rigorosa do trabalho jornalístico efectuado pela estação. No blog podem ainda aparecer entrevistas com repórteres, editores, etc, explicando como nascem e se desenvolvem algumas das histórias que depois acabam nos noticiários.
LOCAL – Em pleno Largo de Camões fica o novo Bairro Alto Hotel. Lá dentro opta-se por um restaurante «Flores» com conceitos diferentes ao almoço e jantar. Experimentei o jantar e não me arrependi da excelente confecção e qualidade do filete de cherne assado com tomate recheado de chouriço, coulis de ervilha e hortelã. A garrafeira é pequena mas bem escolhida e o vinho da casa (Quinta de Camarate branco e tinto) é uma boa escolha. Serviço excelente, sala simpática (com belas fotografias de Rui Calçada bastos), a única coisa a destoar foi a sobremesa, creme brulée de erva cidreira e framboesa, que notoriamente ainda vinha a sentir frigorífico. Ao lado fica o café bar Garrett, que se desenvolve em três áreas diferentes, todas surpreendentes do ponto de vista visual. Com sorte, a coisa promete. Tel. 213408252.
MÚSICA – B.B. King faz 80 anos no dia 16 de Setembro e tem um novo disco, «BB King & Friends», que inclui duetos do rei dos Blues com Eric Clapton, Van Morrison, Sheryl Crow, Roger Daltrey, Elton John, Mark Knopfler. Com Eric Clapton ele faz uma recriação excelente de «The Thrill Is Gone» e com Elton John uma versão surpreendente de «Rock This House», a última faixa do disco. Se fosse a Mário Soares pegava nesta faixa e fazia-a hino de campanha – afinal ele e BB King são da mesma idade.
PERGUNTA – Como é que um país que se organizou para construir tantos estádios de futebol novinhos em folha não se consegue organizar para combater incêndios?
BACK TO BASICS – Quem está na política tem que ter paciência para os cidadãos sobretudo fora das campanhas eleitorais.
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ENTRE ESPANHA E ISTAMBUL
AUDIOVISUAL – O Governo Zapatero iniciou o processo de reforma do sector audiovisual público. A ideia é fazer contratos-programa de três anos de duração entre a RTVE e o Estado onde são definidos objectivos de missão, gestão e administração e a contra-prestação económica correspondente, baseado num financiamento misto compatível com a legislação comunitária, proveniente de uma subvenção pública e de receitas comerciais (publicidade e vendas), embora no caso da publicidade vão existir limites e restrições. A actividade do audiovisual, público e privado, será fiscalizada por um Conselho Estatal dos Meios Audiovisuais, que assumirá todas as matérias do sector que hoje estão no Ministério da Indústria, Turismo e Comércio. Em Espanha a trasição do sistema analógico para o digital terrestre foi estabelecida para Abril de 2010 como limite, mas entretanto foi autorizado um novo canal nacional em modo analógico que tem uma cobertura possível de 70% da população.
DEFICIT – Por falar no audiovisual espanhol, tudo é mais fácil quando nuestros hermanos se preparam para, em vez de um deficit no Orçamento do Estado, terem um superavit. Quando me lembro de como a Espanha era há 25 anos e como é agora fico com uma enorme dose de raiva. Tínhamos tudo para, pelo menos, irmos a par – e estávamos até mais à frente nalguns domínios. E, no entanto, fomos ultrapassados. Daquele lado da fronteira a festa e o fulgor; daqui a trsiteza e a lassidão. Na edição de Domingo da «Pública», Fátima Bonifácio desenvolve uma interessante teoria: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu equivalente contemporâneo nas promessas eleitorais que não são para cumprir e que ela classifica como crimes de mentira qualificada cometidos pelos políticos. Olhamos à volta e há poucas razões para nos animarmos: na capa da «Newsweek» da semana passada o foco era a Turquia e o título era «Cool Istambul», a cidade onde parece que tudo está a acontecer. Abre-se uma edição de uma revista de arte deste mês e ali está uma enxurrada de iniciativas de cruzamento de culturas entre oriente e ocidente na capital turca. E nós por cá enchemos a boca de lusofonia mas um trabalho sério a tornar Lisboa na plataforma por excelência do cruzamento de culturas com África é que é coisinha de somenos.
OMBUDSBLOG – A CBS contratou uma espécie de provedor do espectador que tem por missão fazer um blog que explicará como as notícias são feitas, descrevendo os bastidores da redacção. A decisão surge na sequência da polémica surgida no ano passado sobre o programa «60 Minutes», que levou à saída de Dan Rather. O blog chama-se «Public Eye» e será acessível a partir de meados de Setembro em www.cbsnews.com, sendo assegurado por Vaughn Verners, até aqui coordenador do programa «Hotline». O objectivo é que seja feita uma observação rigorosa do trabalho jornalístico efectuado pela estação. No blog podem ainda aparecer entrevistas com repórteres, editores, etc, explicando como nascem e se desenvolvem algumas das histórias que depois acabam nos noticiários.
LOCAL – Em pleno Largo de Camões fica o novo Bairro Alto Hotel. Lá dentro opta-se por um restaurante «Flores» com conceitos diferentes ao almoço e jantar. Experimentei o jantar e não me arrependi da excelente confecção e qualidade do filete de cherne assado com tomate recheado de chouriço, coulis de ervilha e hortelã. A garrafeira é pequena mas bem escolhida e o vinho da casa (Quinta de Camarate branco e tinto) é uma boa escolha. Serviço excelente, sala simpática (com belas fotografias de Rui Calçada bastos), a única coisa a destoar foi a sobremesa, creme brulée de erva cidreira e framboesa, que notoriamente ainda vinha a sentir frigorífico. Ao lado fica o café bar Garrett, que se desenvolve em três áreas diferentes, todas surpreendentes do ponto de vista visual. Com sorte, a coisa promete. Tel. 213408252.
MÚSICA – B.B. King faz 80 anos no dia 16 de Setembro e tem um novo disco, «BB King & Friends», que inclui duetos do rei dos Blues com Eric Clapton, Van Morrison, Sheryl Crow, Roger Daltrey, Elton John, Mark Knopfler. Com Eric Clapton ele faz uma recriação excelente de «The Thrill Is Gone» e com Elton John uma versão surpreendente de «Rock This House», a última faixa do disco. Se fosse a Mário Soares pegava nesta faixa e fazia-a hino de campanha – afinal ele e BB King são da mesma idade.
PERGUNTA – Como é que um país que se organizou para construir tantos estádios de futebol novinhos em folha não se consegue organizar para combater incêndios?
BACK TO BASICS – Quem está na política tem que ter paciência para os cidadãos sobretudo fora das campanhas eleitorais.
AUDIOVISUAL – O Governo Zapatero iniciou o processo de reforma do sector audiovisual público. A ideia é fazer contratos-programa de três anos de duração entre a RTVE e o Estado onde são definidos objectivos de missão, gestão e administração e a contra-prestação económica correspondente, baseado num financiamento misto compatível com a legislação comunitária, proveniente de uma subvenção pública e de receitas comerciais (publicidade e vendas), embora no caso da publicidade vão existir limites e restrições. A actividade do audiovisual, público e privado, será fiscalizada por um Conselho Estatal dos Meios Audiovisuais, que assumirá todas as matérias do sector que hoje estão no Ministério da Indústria, Turismo e Comércio. Em Espanha a trasição do sistema analógico para o digital terrestre foi estabelecida para Abril de 2010 como limite, mas entretanto foi autorizado um novo canal nacional em modo analógico que tem uma cobertura possível de 70% da população.
DEFICIT – Por falar no audiovisual espanhol, tudo é mais fácil quando nuestros hermanos se preparam para, em vez de um deficit no Orçamento do Estado, terem um superavit. Quando me lembro de como a Espanha era há 25 anos e como é agora fico com uma enorme dose de raiva. Tínhamos tudo para, pelo menos, irmos a par – e estávamos até mais à frente nalguns domínios. E, no entanto, fomos ultrapassados. Daquele lado da fronteira a festa e o fulgor; daqui a trsiteza e a lassidão. Na edição de Domingo da «Pública», Fátima Bonifácio desenvolve uma interessante teoria: a chapelada eleitoral do século XIX tem o seu equivalente contemporâneo nas promessas eleitorais que não são para cumprir e que ela classifica como crimes de mentira qualificada cometidos pelos políticos. Olhamos à volta e há poucas razões para nos animarmos: na capa da «Newsweek» da semana passada o foco era a Turquia e o título era «Cool Istambul», a cidade onde parece que tudo está a acontecer. Abre-se uma edição de uma revista de arte deste mês e ali está uma enxurrada de iniciativas de cruzamento de culturas entre oriente e ocidente na capital turca. E nós por cá enchemos a boca de lusofonia mas um trabalho sério a tornar Lisboa na plataforma por excelência do cruzamento de culturas com África é que é coisinha de somenos.
OMBUDSBLOG – A CBS contratou uma espécie de provedor do espectador que tem por missão fazer um blog que explicará como as notícias são feitas, descrevendo os bastidores da redacção. A decisão surge na sequência da polémica surgida no ano passado sobre o programa «60 Minutes», que levou à saída de Dan Rather. O blog chama-se «Public Eye» e será acessível a partir de meados de Setembro em www.cbsnews.com, sendo assegurado por Vaughn Verners, até aqui coordenador do programa «Hotline». O objectivo é que seja feita uma observação rigorosa do trabalho jornalístico efectuado pela estação. No blog podem ainda aparecer entrevistas com repórteres, editores, etc, explicando como nascem e se desenvolvem algumas das histórias que depois acabam nos noticiários.
LOCAL – Em pleno Largo de Camões fica o novo Bairro Alto Hotel. Lá dentro opta-se por um restaurante «Flores» com conceitos diferentes ao almoço e jantar. Experimentei o jantar e não me arrependi da excelente confecção e qualidade do filete de cherne assado com tomate recheado de chouriço, coulis de ervilha e hortelã. A garrafeira é pequena mas bem escolhida e o vinho da casa (Quinta de Camarate branco e tinto) é uma boa escolha. Serviço excelente, sala simpática (com belas fotografias de Rui Calçada bastos), a única coisa a destoar foi a sobremesa, creme brulée de erva cidreira e framboesa, que notoriamente ainda vinha a sentir frigorífico. Ao lado fica o café bar Garrett, que se desenvolve em três áreas diferentes, todas surpreendentes do ponto de vista visual. Com sorte, a coisa promete. Tel. 213408252.
MÚSICA – B.B. King faz 80 anos no dia 16 de Setembro e tem um novo disco, «BB King & Friends», que inclui duetos do rei dos Blues com Eric Clapton, Van Morrison, Sheryl Crow, Roger Daltrey, Elton John, Mark Knopfler. Com Eric Clapton ele faz uma recriação excelente de «The Thrill Is Gone» e com Elton John uma versão surpreendente de «Rock This House», a última faixa do disco. Se fosse a Mário Soares pegava nesta faixa e fazia-a hino de campanha – afinal ele e BB King são da mesma idade.
PERGUNTA – Como é que um país que se organizou para construir tantos estádios de futebol novinhos em folha não se consegue organizar para combater incêndios?
BACK TO BASICS – Quem está na política tem que ter paciência para os cidadãos sobretudo fora das campanhas eleitorais.
setembro 02, 2005
TELE DESEJO
Ao princípio eram umas mensagens de voz que se deixavam, fazendo de forma a que o telemóvel nem tocasse e fosse direito ao gravador. Depois foram as sms num crescendo gigante. Agora são as mensagens multimedia. Milhares de imagens de fragmentos de corpos são enviadas como mensagens de amor e de desejo. A imagem de um ombro, de um pescoço, de um seio, de um sexo. Os sms criaram uma nova forma de linguagem, abreviada - as mensagens multimedia (e muito em breve os filmes e os video blogs) - vão criar uma nova forma de comunicação visual. É curioso que o motor de aceleração de todos este sistema é o desejo - e a sua tradução, a sua exteriorzação vão levar-nos a caminhos nunca dantes navegado. Poderemos estar numa reunião a receber a imagem de um mamilo, assim oferecido, a prescindir das palavras, mas a deixar a mensagem: «anda cá, estou aqui, desejo-te». Uma imagem vale mil palavras, sobretudo quando o assunto é o desejo. Recíproco, espera-se.
Ao princípio eram umas mensagens de voz que se deixavam, fazendo de forma a que o telemóvel nem tocasse e fosse direito ao gravador. Depois foram as sms num crescendo gigante. Agora são as mensagens multimedia. Milhares de imagens de fragmentos de corpos são enviadas como mensagens de amor e de desejo. A imagem de um ombro, de um pescoço, de um seio, de um sexo. Os sms criaram uma nova forma de linguagem, abreviada - as mensagens multimedia (e muito em breve os filmes e os video blogs) - vão criar uma nova forma de comunicação visual. É curioso que o motor de aceleração de todos este sistema é o desejo - e a sua tradução, a sua exteriorzação vão levar-nos a caminhos nunca dantes navegado. Poderemos estar numa reunião a receber a imagem de um mamilo, assim oferecido, a prescindir das palavras, mas a deixar a mensagem: «anda cá, estou aqui, desejo-te». Uma imagem vale mil palavras, sobretudo quando o assunto é o desejo. Recíproco, espera-se.
Untitled
TELE DESEJO
Ao princípio eram umas mensagens de voz que se deixavam, fazendo de forma a que o telemóvel nem tocasse e fosse direito ao gravador. Depois foram as sms num crescendo gigante. Agora são as mensagens multimedia. Milhares de imagens de fragmentos de corpos são enviadas como mensagens de amor e de desejo. A imagem de um ombro, de um pescoço, de um seio, de um sexo. Os sms criaram uma nova forma de linguagem, abreviada - as mensagens multimedia (e muito em breve os filmes e os video blogs) - vão criar uma nova forma de comunicação visual. É curioso que o motor de aceleração de todos este sistema é o desejo - e a sua tradução, a sua exteriorzação vão levar-nos a caminhos nunca dantes navegado. Poderemos estar numa reunião a receber a imagem de um mamilo, assim oferecido, a prescindir das palavras, mas a deixar a mensagem: «anda cá, estou aqui, desejo-te». Uma imagem vale mil palavras, sobretudo quando o assunto é o desejo. Recíproco, espera-se.
Ao princípio eram umas mensagens de voz que se deixavam, fazendo de forma a que o telemóvel nem tocasse e fosse direito ao gravador. Depois foram as sms num crescendo gigante. Agora são as mensagens multimedia. Milhares de imagens de fragmentos de corpos são enviadas como mensagens de amor e de desejo. A imagem de um ombro, de um pescoço, de um seio, de um sexo. Os sms criaram uma nova forma de linguagem, abreviada - as mensagens multimedia (e muito em breve os filmes e os video blogs) - vão criar uma nova forma de comunicação visual. É curioso que o motor de aceleração de todos este sistema é o desejo - e a sua tradução, a sua exteriorzação vão levar-nos a caminhos nunca dantes navegado. Poderemos estar numa reunião a receber a imagem de um mamilo, assim oferecido, a prescindir das palavras, mas a deixar a mensagem: «anda cá, estou aqui, desejo-te». Uma imagem vale mil palavras, sobretudo quando o assunto é o desejo. Recíproco, espera-se.
setembro 01, 2005
MALDIÇÃO AMERICANA
Já vamos quase em dois meses sem um significativo leque de revistas norte-americanas disponíveis em Portugal: da «Wired» à «Harvard Business Review», falta de tudo um pouco, graças - dizem-me nas tabacarias - á falência de mais um distribuidor. Reza a história que devido a um acumular de dívidas junto dos fornecedores nos Estados Unidos, o distribuidor português foi cortado da lista. E nóa, aqui, é que sofremos com o assunto.
Já vamos quase em dois meses sem um significativo leque de revistas norte-americanas disponíveis em Portugal: da «Wired» à «Harvard Business Review», falta de tudo um pouco, graças - dizem-me nas tabacarias - á falência de mais um distribuidor. Reza a história que devido a um acumular de dívidas junto dos fornecedores nos Estados Unidos, o distribuidor português foi cortado da lista. E nóa, aqui, é que sofremos com o assunto.
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MALDIÇÃO AMERICANA
Já vamos quase em dois meses sem um significativo leque de revistas norte-americanas disponíveis em Portugal: da «Wired» à «Harvard Business Review», falta de tudo um pouco, graças - dizem-me nas tabacarias - á falência de mais um distribuidor. Reza a história que devido a um acumular de dívidas junto dos fornecedores nos Estados Unidos, o distribuidor português foi cortado da lista. E nóa, aqui, é que sofremos com o assunto.
Já vamos quase em dois meses sem um significativo leque de revistas norte-americanas disponíveis em Portugal: da «Wired» à «Harvard Business Review», falta de tudo um pouco, graças - dizem-me nas tabacarias - á falência de mais um distribuidor. Reza a história que devido a um acumular de dívidas junto dos fornecedores nos Estados Unidos, o distribuidor português foi cortado da lista. E nóa, aqui, é que sofremos com o assunto.
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