março 11, 2005

O FIM DE UM TEMPO

Tenho alguma tendência para acreditar que os rituais e os símbolos são sinais que nos guiam e ajudam a balizar os comportamentos e as coisas à nossa volta.
Para mim, e para muitos que durante anos acreditaram ser possível que o centro-direita concretizasse um ciclo de reformas e mudanças e transformasse o país para melhor , estes últimos tempos foram um constante pôr em causa de referências e de símbolos. Quando daqui a uns anos se olhar com distanciamento suficiente para tudo o que se passou nestes últimos 10-12 meses, suspeito que a imagem não vai ser bonita de se ver.
De certa forma é a derrota de uma geração – ou pelo menos da parte de uma geração que achou que o caminho era esse, um caminho que passava por determinadas ideias e determinados protagonistas. O que me custa mais é que nestes três anos não se conseguiu mostrar que o centro-direita podia desenvolver e modernizar, nem se conseguiu mostrar que tinha preocupações sociais e culturais. A imagem dominante que fica é cinzenta, austera, com a contenção como quase único objectivo.
Continuo a achar que os fins não justificam os meios, continuo a pensar que o poder pessoal não se pode sobrepôr ao interesse colectivo, e continuo a pensar que muita coisa precisa de mudar para o país funcionar de outra maneira e todos poderem viver melhor.
A forma do exercício do poder é uma delas. Os primeiros rituais e símbolos do novo poder foram uma lufada de ar fresco na forma de fazer política.
A forma, como se sabe, não é tudo. Mas, no estado a que as coisas tinham chegado, ganhou uma súbita importância. Talvez seja este o sinal do fim de um tempo.

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O FIM DE UM TEMPO

Tenho alguma tendência para acreditar que os rituais e os símbolos são sinais que nos guiam e ajudam a balizar os comportamentos e as coisas à nossa volta.
Para mim, e para muitos que durante anos acreditaram ser possível que o centro-direita concretizasse um ciclo de reformas e mudanças e transformasse o país para melhor , estes últimos tempos foram um constante pôr em causa de referências e de símbolos. Quando daqui a uns anos se olhar com distanciamento suficiente para tudo o que se passou nestes últimos 10-12 meses, suspeito que a imagem não vai ser bonita de se ver.
De certa forma é a derrota de uma geração – ou pelo menos da parte de uma geração que achou que o caminho era esse, um caminho que passava por determinadas ideias e determinados protagonistas. O que me custa mais é que nestes três anos não se conseguiu mostrar que o centro-direita podia desenvolver e modernizar, nem se conseguiu mostrar que tinha preocupações sociais e culturais. A imagem dominante que fica é cinzenta, austera, com a contenção como quase único objectivo.
Continuo a achar que os fins não justificam os meios, continuo a pensar que o poder pessoal não se pode sobrepôr ao interesse colectivo, e continuo a pensar que muita coisa precisa de mudar para o país funcionar de outra maneira e todos poderem viver melhor.
A forma do exercício do poder é uma delas. Os primeiros rituais e símbolos do novo poder foram uma lufada de ar fresco na forma de fazer política.
A forma, como se sabe, não é tudo. Mas, no estado a que as coisas tinham chegado, ganhou uma súbita importância. Talvez seja este o sinal do fim de um tempo.

março 06, 2005

RÁDIO – No Reino Unido a venda de aparelhos de rádio digitais (DAB- Digital Áudio Broadcasting) ultrapassou a venda de aparelhos analógicos pela primeira vez em Janeiro deste ano e a proporção é de dois digitais para um analógico. Um bom modelo portátil custa cerca de 70 euros. Os principais retalhistas ingleses esperam que a procura de rádios digital aumente substancialmente já que os conteúdos disponíveis são atraentes, a qualidade de som impecável e as possibilidades técnicas revolucionárias. Segundo as estatísticas britânicas, no final de 2004 existiam 1,3 milhões de rádios DAB e as previsões apontam para que em finais de 2005 se alcancem os 2,4 milhões e em 2008 os 8,3 milhões. A BBC tem cinco estações DAB.
A RDP foi também pioneira na instalação das infraestruturas do sistema.

MOURINHO – Fez a capa do «The Times» e do «The Independent». Provocou polémica. E num artigo de página inteira do «The Times» de quarta-feira passada, o jornalista Martin Samuel não hesita em dizer que Mourinho mudou o futebol no Reino Unido: «injectou ar fresco naquilo que se estava a tornar numa competição desagradavelmente previsível».

O MELHOR – O artigo de Miguel Esteves Cardoso sobre os resultados eleitorais no «Diário de Notícias» do Domingo passado: «Os Números Somos Nós», que é o mais vibrante testemunho de confiança na democracia escrito em Portugal nos últimos anos. Acreditem no resultado das eleições: os eleitores decidiram – deixem-se de interpretações e respeitem os resultados é a mensagem que fica deste texto. As eleições fizeram-se para cada um escolher o que quer. A soma das opções individuais é o resultado.

DATA – O nylon fez 70 anos no dia 28 de Fevereiro. O imaginário do cinema e da lingerie não seriam os mesmos sem esta descoberta que democratizou o baby doll.

OUVIR – Os Super Áudio CDs (SACD) tocam perfeito nos sistemas de surround. A Verve pegou em alguns dos seus clássicos e deu-lhes a mistura SACD. Ouvir o clássico «Lush Life» do saxofonista Joe Henderson neste sistema é um momento de prazer em temas como «Drawing Room Blues», «Johnny Comes Lately» ou «Take The A Train». As gravações originais são de 1991 e têm mistura do mago Rudy Van Gelder e a participação de músicos como Wynton Marsalis (trompete), Stephen Scott (piano), Christian McBride (baixo) e Gregory Hutchinson (bateria). CD Verve, distribuído por Universal Records.

LER – É bem certo que beber um grande vinho é um prazer que tem poucos pontos de comparação – talvez ler um bom livro seja um deles. A boa notícia é que estes dois prazeres podem juntar-se graças à iniciativa de Ana Sofia Fonseca, que decidiu reconstituir a história do Barca Velha, com passagens por histórias do Douro, do Vinho do Porto, da Casa Ferreirinha. O livro traça as origens do mais célebre vinho português desde os tempos em que D. Antónia criou a reputação da casa Ferreirinha, atravessa os anos 60 e 70 e conta a história de pessoas como Fernando Nicolau de Almeida e José Maria Soares Franco. «Barca Velha, Histórias de Um Vinho», Ana Sofia Fonseca, Colecção Cadernos de Reportagem, 193 páginas, 2ªa edição, um livro D. Quixote.

COMER – Esta é a altura do sável, um dos melhores peixes de rio que temos neste rectângulo. Cortado em postas muito finas e frito com sabedoria é um petisco dos deuses. Acompanhado de açorda de ovas é uma tentação irresistível. O local onde esta maravilha existe é no clássico Papa Açorda, que continua a servir os melhores almoços de Lisboa, na Rua da Atalaia 57, telef. 213464811.

EXPERIMENTAR – A selecção de chás da Chá Q.B., na Rua Silva Carvalho 116, Campo de Ourique. Chás e acessórios para o vícios (bules e chávenas) de todo o mundo. Eu por mim ainda estou a acabar de saborear o Ceilão que fez os encantos destes últimos dias. Geleias (de chá) e biscoitos para acompanhar, sempre no mesmo local.

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RÁDIO – No Reino Unido a venda de aparelhos de rádio digitais (DAB- Digital Áudio Broadcasting) ultrapassou a venda de aparelhos analógicos pela primeira vez em Janeiro deste ano e a proporção é de dois digitais para um analógico. Um bom modelo portátil custa cerca de 70 euros. Os principais retalhistas ingleses esperam que a procura de rádios digital aumente substancialmente já que os conteúdos disponíveis são atraentes, a qualidade de som impecável e as possibilidades técnicas revolucionárias. Segundo as estatísticas britânicas, no final de 2004 existiam 1,3 milhões de rádios DAB e as previsões apontam para que em finais de 2005 se alcancem os 2,4 milhões e em 2008 os 8,3 milhões. A BBC tem cinco estações DAB.
A RDP foi também pioneira na instalação das infraestruturas do sistema.

MOURINHO – Fez a capa do «The Times» e do «The Independent». Provocou polémica. E num artigo de página inteira do «The Times» de quarta-feira passada, o jornalista Martin Samuel não hesita em dizer que Mourinho mudou o futebol no Reino Unido: «injectou ar fresco naquilo que se estava a tornar numa competição desagradavelmente previsível».

O MELHOR – O artigo de Miguel Esteves Cardoso sobre os resultados eleitorais no «Diário de Notícias» do Domingo passado: «Os Números Somos Nós», que é o mais vibrante testemunho de confiança na democracia escrito em Portugal nos últimos anos. Acreditem no resultado das eleições: os eleitores decidiram – deixem-se de interpretações e respeitem os resultados é a mensagem que fica deste texto. As eleições fizeram-se para cada um escolher o que quer. A soma das opções individuais é o resultado.

DATA – O nylon fez 70 anos no dia 28 de Fevereiro. O imaginário do cinema e da lingerie não seriam os mesmos sem esta descoberta que democratizou o baby doll.

OUVIR – Os Super Áudio CDs (SACD) tocam perfeito nos sistemas de surround. A Verve pegou em alguns dos seus clássicos e deu-lhes a mistura SACD. Ouvir o clássico «Lush Life» do saxofonista Joe Henderson neste sistema é um momento de prazer em temas como «Drawing Room Blues», «Johnny Comes Lately» ou «Take The A Train». As gravações originais são de 1991 e têm mistura do mago Rudy Van Gelder e a participação de músicos como Wynton Marsalis (trompete), Stephen Scott (piano), Christian McBride (baixo) e Gregory Hutchinson (bateria). CD Verve, distribuído por Universal Records.

LER – É bem certo que beber um grande vinho é um prazer que tem poucos pontos de comparação – talvez ler um bom livro seja um deles. A boa notícia é que estes dois prazeres podem juntar-se graças à iniciativa de Ana Sofia Fonseca, que decidiu reconstituir a história do Barca Velha, com passagens por histórias do Douro, do Vinho do Porto, da Casa Ferreirinha. O livro traça as origens do mais célebre vinho português desde os tempos em que D. Antónia criou a reputação da casa Ferreirinha, atravessa os anos 60 e 70 e conta a história de pessoas como Fernando Nicolau de Almeida e José Maria Soares Franco. «Barca Velha, Histórias de Um Vinho», Ana Sofia Fonseca, Colecção Cadernos de Reportagem, 193 páginas, 2ªa edição, um livro D. Quixote.

COMER – Esta é a altura do sável, um dos melhores peixes de rio que temos neste rectângulo. Cortado em postas muito finas e frito com sabedoria é um petisco dos deuses. Acompanhado de açorda de ovas é uma tentação irresistível. O local onde esta maravilha existe é no clássico Papa Açorda, que continua a servir os melhores almoços de Lisboa, na Rua da Atalaia 57, telef. 213464811.

EXPERIMENTAR – A selecção de chás da Chá Q.B., na Rua Silva Carvalho 116, Campo de Ourique. Chás e acessórios para o vícios (bules e chávenas) de todo o mundo. Eu por mim ainda estou a acabar de saborear o Ceilão que fez os encantos destes últimos dias. Geleias (de chá) e biscoitos para acompanhar, sempre no mesmo local.

março 04, 2005

OS NÚMEROS – Só para termos uma ideia da proporção das coisas, a Sky One, o mais importante dos canais do pacote satélite da Sky no Reino Unido, teve uma queda de audiências no ano passado: dos 2,9% de share em 2003, caíu para 2,4% em 2004 e o seu share de 4,1% no decisivo grupo etário 16-34 caíu para 3,4% no mesmo período.


UPA UPA – O Ministro Russo da Defesa lançou um canal de televisão destinado a melhorar a imagem dos militares e a fomentar o orgulho nacional. O «Zvezda» (Estrela), assim se chama o canal, teve a sua primeira emissão experimental Domingo passado, por enquanto apenas na região de Moscovo e nos próximos meses deverá cobrir o resto do país. O objectivo do canal, segundo os seus promotores, «é aumentar o orgulho nacional entre os cidadãos russos e mostrar que o futuro do país é promissor».

MOL – John de Mol, um dos fundadores da Endemol, vai lançar um canal de televisão em sinal aberto na segunda metade deste ano, em Agosto, no seu país natal, a Holanda. O futebol será um dos pratos fortes e a Talpa, a holding de John de Mol, conseguiu obter os direitos de resumos dos melhores momentos dos jogos da liga holandesa, retirando-os à estação pública NOS, que os detinha há 40 anos. O negócio valeu 36 milhões de euros por três épocas. O novo canal, ainda sem nome vai emitir entre as 18 horas e a uma da manhã, com produção local de entretenimento, reality shows, humor e ficção. Ao fim de semana existirão dois resumos da jornada nas noites de sábado e domingo e ainda um magazine sobre futebol na noite de um dia de semana. O novo canal desenvolverá os seus próprios formatos, mas não os produzirá, contratando externamente toda a produção, tal como o Channel 4 no Reino Unido. Parte da produção de reality shows virá da Strix, o gigante sueco que criou as versões originais dos formatos «Survivor» e «The Farm» (por cá a Quinta das Celebridades).

CONSTATAÇÃO – O número de votos brancos duplicou nestas eleições em relação às legislativas de 2002, e ultrapassa já os cem mil boletins.

LEITURA – É um estranho e cativante thriller, escrito por um jovem jornalista. Tem um estilo seguro, personangens aliciantes, tudo em quatro histórias invulgares e que prendem da primeira à ultima linha. «O Livro dos Homens Sem Luz», de João Tordo, edição Temas e Debates, 201 páginas.

ESCUTA – O cantor negro Johnny Hartman morreu cedo e gravou pouco. Mesmo assim foi o único vocalista com quem o saxofonista John Coltrane acedeu a gravar. O histórico disco, que conta ainda com McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria, foi gravado em 1963. Surge agora uma reedição que coloca em CD pela primeira vez as versões originais mono e as versões stereo subsequentes, ambas masterizadas digitalmente por um mago do som, Rudy Van Gelder. «Autumn Serenade», «You Are Too Beautiful», «My One And Only Love» e «Dedicated to You» são alguns dos temas incluídos neste Super Audio CD da Impulse, distribuído pela Universal.

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OS NÚMEROS – Só para termos uma ideia da proporção das coisas, a Sky One, o mais importante dos canais do pacote satélite da Sky no Reino Unido, teve uma queda de audiências no ano passado: dos 2,9% de share em 2003, caíu para 2,4% em 2004 e o seu share de 4,1% no decisivo grupo etário 16-34 caíu para 3,4% no mesmo período.


UPA UPA – O Ministro Russo da Defesa lançou um canal de televisão destinado a melhorar a imagem dos militares e a fomentar o orgulho nacional. O «Zvezda» (Estrela), assim se chama o canal, teve a sua primeira emissão experimental Domingo passado, por enquanto apenas na região de Moscovo e nos próximos meses deverá cobrir o resto do país. O objectivo do canal, segundo os seus promotores, «é aumentar o orgulho nacional entre os cidadãos russos e mostrar que o futuro do país é promissor».

MOL – John de Mol, um dos fundadores da Endemol, vai lançar um canal de televisão em sinal aberto na segunda metade deste ano, em Agosto, no seu país natal, a Holanda. O futebol será um dos pratos fortes e a Talpa, a holding de John de Mol, conseguiu obter os direitos de resumos dos melhores momentos dos jogos da liga holandesa, retirando-os à estação pública NOS, que os detinha há 40 anos. O negócio valeu 36 milhões de euros por três épocas. O novo canal, ainda sem nome vai emitir entre as 18 horas e a uma da manhã, com produção local de entretenimento, reality shows, humor e ficção. Ao fim de semana existirão dois resumos da jornada nas noites de sábado e domingo e ainda um magazine sobre futebol na noite de um dia de semana. O novo canal desenvolverá os seus próprios formatos, mas não os produzirá, contratando externamente toda a produção, tal como o Channel 4 no Reino Unido. Parte da produção de reality shows virá da Strix, o gigante sueco que criou as versões originais dos formatos «Survivor» e «The Farm» (por cá a Quinta das Celebridades).

CONSTATAÇÃO – O número de votos brancos duplicou nestas eleições em relação às legislativas de 2002, e ultrapassa já os cem mil boletins.

LEITURA – É um estranho e cativante thriller, escrito por um jovem jornalista. Tem um estilo seguro, personangens aliciantes, tudo em quatro histórias invulgares e que prendem da primeira à ultima linha. «O Livro dos Homens Sem Luz», de João Tordo, edição Temas e Debates, 201 páginas.

ESCUTA – O cantor negro Johnny Hartman morreu cedo e gravou pouco. Mesmo assim foi o único vocalista com quem o saxofonista John Coltrane acedeu a gravar. O histórico disco, que conta ainda com McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria, foi gravado em 1963. Surge agora uma reedição que coloca em CD pela primeira vez as versões originais mono e as versões stereo subsequentes, ambas masterizadas digitalmente por um mago do som, Rudy Van Gelder. «Autumn Serenade», «You Are Too Beautiful», «My One And Only Love» e «Dedicated to You» são alguns dos temas incluídos neste Super Audio CD da Impulse, distribuído pela Universal.

fevereiro 26, 2005

Sábado de Manhã
Prezo o silêncio. Gosto do recato. Não gosto de indefinições. Chateia-me a guerrilha. Odeio hipocrisias. Gosto de frontalidade. Odeio promessas. Não gosto de quem trai. É uma pena que sejam os cínicos que tantas vezes têm nas mãos o destino do mundo.

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Sábado de Manhã
Prezo o silêncio. Gosto do recato. Não gosto de indefinições. Chateia-me a guerrilha. Odeio hipocrisias. Gosto de frontalidade. Odeio promessas. Não gosto de quem trai. É uma pena que sejam os cínicos que tantas vezes têm nas mãos o destino do mundo.

fevereiro 23, 2005

FINALMENTE
De súbito, um pouco de racionalidade. O que fica por saber é se vai haver gestão do silêncio ou exploração do ruído,

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FINALMENTE
De súbito, um pouco de racionalidade. O que fica por saber é se vai haver gestão do silêncio ou exploração do ruído,

fevereiro 22, 2005

GONZO
Chama-se Hunter S.Thompson e estourou os miolos farto de tudo. Foi um dos maiores jornalistas do seu tempo, autor de algumas das peças de referência do novo jornalismo, a maior parte delas publicada na revista norte-americana «Rolling Stone». Desprezava as convenções e gostava de escandalizar. Vivia num rancho, ostentava armas de fogo, bebia litros de alcool, usava drogas e apreciava sexo com fartura. Escrevia sobre tudo isto de forma a evitar poder ser alguma vez citado no «New York Times», como gostava de recordar. Não tinha medos nem praticava reverências. Usava palavras cruas para descrever realidades brutais. Ao longo dos anos habituei-me a procurar a «Rolling Stone» cada vez que o seu nome vinha na capa, ansioso por o ler.
Dos seus vários livros apenas um está publicado em Portugal, o «Diário A Rum», na Teorema.
As suas peças sobre a política norte-americana (e em especial sobre as campanhas eleitorais) eram capazes de pôr os cabelos em pé. Chamavam-lhe por carinho o Great Gonzo. Um dos seus últimos trabalhos foi a letra da canção "You're a Whole Different Person When You're Scared" de Warren Zevon.
Se querem saber mais sobre ele dirijam-se à Rolling Stone.

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GONZO
Chama-se Hunter S.Thompson e estourou os miolos farto de tudo. Foi um dos maiores jornalistas do seu tempo, autor de algumas das peças de referência do novo jornalismo, a maior parte delas publicada na revista norte-americana «Rolling Stone». Desprezava as convenções e gostava de escandalizar. Vivia num rancho, ostentava armas de fogo, bebia litros de alcool, usava drogas e apreciava sexo com fartura. Escrevia sobre tudo isto de forma a evitar poder ser alguma vez citado no «New York Times», como gostava de recordar. Não tinha medos nem praticava reverências. Usava palavras cruas para descrever realidades brutais. Ao longo dos anos habituei-me a procurar a «Rolling Stone» cada vez que o seu nome vinha na capa, ansioso por o ler.
Dos seus vários livros apenas um está publicado em Portugal, o «Diário A Rum», na Teorema.
As suas peças sobre a política norte-americana (e em especial sobre as campanhas eleitorais) eram capazes de pôr os cabelos em pé. Chamavam-lhe por carinho o Great Gonzo. Um dos seus últimos trabalhos foi a letra da canção "You're a Whole Different Person When You're Scared" de Warren Zevon.
Se querem saber mais sobre ele dirijam-se à Rolling Stone.

fevereiro 21, 2005

TENHO PENA
Quando se sofre uma derrota a coisa mais lúcida é recuar, pensar, ver o que correu mal, aprender com os erros e ver como se reorganizam as tropas. Assim pode preservar-se o espaço político que se criou ao longo dos anos; de outra maneira, pode perder-se.

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TENHO PENA
Quando se sofre uma derrota a coisa mais lúcida é recuar, pensar, ver o que correu mal, aprender com os erros e ver como se reorganizam as tropas. Assim pode preservar-se o espaço político que se criou ao longo dos anos; de outra maneira, pode perder-se.
THE DAY AFTER
Em tempo de guerra não se limpam espingardas, mas depois de uma batalha convém ver bem o que se passou e repôr a máquina a funcionar.
A grande vantagem de um duche frio é conseguir acordar-se depressa. A vantagem destes momentos pós-eleitorais é poder-se parar para pensar.
O que se deseja é isso mesmo: que se interrompa o voluntarismo, que se pense no porquê do que se passou.
Tenho algumas ideias muito pessoais:
1- Num espaço político condicionado como o da União Europeia, o que distingue os partidos com a vocação de poder é a forma como o exercem e as prioridades que traçam; a social democracia necessita de se refundar em torno dos seus objectivos iniciais, ou seja, políticas sociais; como as fazer dentro da apertada malha de imposições e restrições da economia europeia é o desafio.
2 - A política tem que se aproximar dos cidadãos, a estratégia que fôr definida para o país tem que ser partilhada , o que desde logo implica que se crie uma estratégia nacional, consensual, independentemente dos partidos e dos modismos mais ou menos liberais.
3- Uma campanha centrada na negativa nunca funciona, mais uma vez se percebeu. A ética e as mensagens positivas mobilizam as pessoas. O resto não. Este é dos pontos que mais deve merecer a reflexão de muitos.
4- Quem perdeu deve pensar bem o que aconteceu, como aconteceu. o que esteve mal e o que deve ser mudado. Não se perde com um camião cheio de razão nem a acreditar-se que se fez o melhor programa eleitoral. Perde-se porque nalgum sítio se errou. Perde-se porque se perdeu a capacidade de relacionamento com os eleitores. Como tudo na vida, a política não pode ser um palco de opções e gostos individuais.

Dito isto, já se sabe que vai começar a corrida aos lugares - ela já está aliás anunciada há uns dias. Também aqui vai ser engraçado ver até que ponto palavras pré-eleitorias coincidem com acções de exercício de poder.

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THE DAY AFTER
Em tempo de guerra não se limpam espingardas, mas depois de uma batalha convém ver bem o que se passou e repôr a máquina a funcionar.
A grande vantagem de um duche frio é conseguir acordar-se depressa. A vantagem destes momentos pós-eleitorais é poder-se parar para pensar.
O que se deseja é isso mesmo: que se interrompa o voluntarismo, que se pense no porquê do que se passou.
Tenho algumas ideias muito pessoais:
1- Num espaço político condicionado como o da União Europeia, o que distingue os partidos com a vocação de poder é a forma como o exercem e as prioridades que traçam; a social democracia necessita de se refundar em torno dos seus objectivos iniciais, ou seja, políticas sociais; como as fazer dentro da apertada malha de imposições e restrições da economia europeia é o desafio.
2 - A política tem que se aproximar dos cidadãos, a estratégia que fôr definida para o país tem que ser partilhada , o que desde logo implica que se crie uma estratégia nacional, consensual, independentemente dos partidos e dos modismos mais ou menos liberais.
3- Uma campanha centrada na negativa nunca funciona, mais uma vez se percebeu. A ética e as mensagens positivas mobilizam as pessoas. O resto não. Este é dos pontos que mais deve merecer a reflexão de muitos.
4- Quem perdeu deve pensar bem o que aconteceu, como aconteceu. o que esteve mal e o que deve ser mudado. Não se perde com um camião cheio de razão nem a acreditar-se que se fez o melhor programa eleitoral. Perde-se porque nalgum sítio se errou. Perde-se porque se perdeu a capacidade de relacionamento com os eleitores. Como tudo na vida, a política não pode ser um palco de opções e gostos individuais.

Dito isto, já se sabe que vai começar a corrida aos lugares - ela já está aliás anunciada há uns dias. Também aqui vai ser engraçado ver até que ponto palavras pré-eleitorias coincidem com acções de exercício de poder.

fevereiro 20, 2005

MAIS HISTÓRIAS DE GÁS

De uma leitora recebi mais esta deliciosa história sobre as tropelias da lisboagás. Ora vejam como as coisas correm.
No prédio onde resido (construção 1950, bairro de Alvalade) ocorreu o seguinte:
Foi efectuada a mudança para gás natural, pela Lisboagás, donde todas as fracções ficaram aprovadas para o seu uso (cerca de dois anos atrás).
Há uns meses, uma vizinha teve de mudar o nome que constava no contrato com a Lisboagás e veio um piquete que imediatamente detectou uma ou várias fugas entre a canalização geral do prédio e o contador respectivo. A reparação custou 1200 € e constou numa canalização paralela à original, mas exterior.
Passados uns dias, uma nova equipa veio ligar o gás numa fracção que mudou de dono recentemente e novamente, detectou fugas e mais fugas, mas veja bem, só entre a canalização geral e o contador da respectiva fracção. Como não era a mesma empresa que já cá tinha estado, realizaram uma reparação pelo interior da canalização (não sei quanto custou).
Falei com os funcionários da empresa para tentar averiguar o que é que se passava, já que no espaço de uma semana, duas inspecções tinham detectado fugas. Perguntei-lhes se não achavam que dois casos eram suficientes para se pensar que, provavelmente, haveria fugas pelo prédio todo: não quiseram saber, disseram que talvez chamando uma inspecção geral ao prédio.
Tenho a perfeita noção que neste prédio, neste momento há outras fugas, mas a Lisboagás, que também sabe, só actua (fechando o gás) quando inspecções de rotina como a de mudança de nome do contratante colocam as pessoas perante o facto de terem de fazer a reparação o mais rapidamente possível ou ficarem sem gás, sendo, a reparação é por conta por sua conta.
A estratégia da Lisboagás é deixar andar. Não assumir qualquer responsabilidade no facto de, em dois anos, o gás natural ter dado cabo das canalizações. Deixar que os utilizadores se vejam na perspectiva de verem o gás desligado, para lhes imputar a substituição da canalização. O que mais me irrita nisto é que aqui no prédio já em diversas reuniões de condomínio se falou que a substituição das canalizações, tanto de gás como sanitárias, era uma necessidade: todos os condóminos concordam que as obras de beneficiação geral são para fazer. Ora se a Lisboagás tivesse feito uma política limpa de informação acerca dos riscos das canalizações de chumbo quando foi feita a mudança para o gás natural, muito provavelmente, já teríamos feito a substituição no prédio todo. Mas não, a política dessa empresa é esconder e deixar as coisas irem acontecendo, aqui e ali, negligenciando o risco que corremos todos.

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MAIS HISTÓRIAS DE GÁS

De uma leitora recebi mais esta deliciosa história sobre as tropelias da lisboagás. Ora vejam como as coisas correm.
No prédio onde resido (construção 1950, bairro de Alvalade) ocorreu o seguinte:
Foi efectuada a mudança para gás natural, pela Lisboagás, donde todas as fracções ficaram aprovadas para o seu uso (cerca de dois anos atrás).
Há uns meses, uma vizinha teve de mudar o nome que constava no contrato com a Lisboagás e veio um piquete que imediatamente detectou uma ou várias fugas entre a canalização geral do prédio e o contador respectivo. A reparação custou 1200 € e constou numa canalização paralela à original, mas exterior.
Passados uns dias, uma nova equipa veio ligar o gás numa fracção que mudou de dono recentemente e novamente, detectou fugas e mais fugas, mas veja bem, só entre a canalização geral e o contador da respectiva fracção. Como não era a mesma empresa que já cá tinha estado, realizaram uma reparação pelo interior da canalização (não sei quanto custou).
Falei com os funcionários da empresa para tentar averiguar o que é que se passava, já que no espaço de uma semana, duas inspecções tinham detectado fugas. Perguntei-lhes se não achavam que dois casos eram suficientes para se pensar que, provavelmente, haveria fugas pelo prédio todo: não quiseram saber, disseram que talvez chamando uma inspecção geral ao prédio.
Tenho a perfeita noção que neste prédio, neste momento há outras fugas, mas a Lisboagás, que também sabe, só actua (fechando o gás) quando inspecções de rotina como a de mudança de nome do contratante colocam as pessoas perante o facto de terem de fazer a reparação o mais rapidamente possível ou ficarem sem gás, sendo, a reparação é por conta por sua conta.
A estratégia da Lisboagás é deixar andar. Não assumir qualquer responsabilidade no facto de, em dois anos, o gás natural ter dado cabo das canalizações. Deixar que os utilizadores se vejam na perspectiva de verem o gás desligado, para lhes imputar a substituição da canalização. O que mais me irrita nisto é que aqui no prédio já em diversas reuniões de condomínio se falou que a substituição das canalizações, tanto de gás como sanitárias, era uma necessidade: todos os condóminos concordam que as obras de beneficiação geral são para fazer. Ora se a Lisboagás tivesse feito uma política limpa de informação acerca dos riscos das canalizações de chumbo quando foi feita a mudança para o gás natural, muito provavelmente, já teríamos feito a substituição no prédio todo. Mas não, a política dessa empresa é esconder e deixar as coisas irem acontecendo, aqui e ali, negligenciando o risco que corremos todos.

fevereiro 19, 2005

MAIS CERTEZAS, MENOS DÚVIDAS

MADREDEUS – O novo trabalho dos Madredeus, «Faluas do Tejo», é o melhor disco do grupo desde há vários anos e é claramente um dos melhores da sua carreira. A razão é aliás a que mais ligada está à história dos Madredeus: a simplicidade. Este é um disco de arranjos simples, com guitarras simples e encantadoras, com canções simples mas emocionantes. Só a simplicidade consegue ser assim, só a simplicidade consegue este efeito arrebatador, potenciado pela produção sóbria mas marcada de Pedro Ayres de Magalhães. É certo que eu tenho uma paixão por Madredeus – mas há uns anos que achava que havia pouca novidade. As canções que aqui estão neste «Faluas do Tejo» provam o contrário.

GÁS – Um número crescente de casas de Lisboa começa a ter problemas com o abastecimento de gás. Acontece que há uns anos atrás,quando nos obrigaram ao gás natural, a Lisboagás e a Galpenergia se esqueceram de fazer as necessárias substituições e de sublinhar que as canalizações de chumbo, adequadas para o gás húmido anterior, eram desaconselhadas para o novo gás natural, seco, e que, ao fim de poucos anos, o novo combustível provocaria rupturas nas canalizações existentes – mesmo que fossem novas em prédios novos. É isso que está a contecer agora e a dúvida é saber o tamanho da bomba de fugas de gás em que Lisboa se está a transformar. Claro que há uns anos atrás as empresas sabiam bem que devia ter existido uma intervenção de fundo, deviam ter suportado os custos de introdução do novo combustível. Como sempre, à portuguesa e em abuso de posição dominante, quem se vai tramando são os consumidores, que agora se vêem envolvidos num amontoado de companhias relacionadas com a lisboagás, cada uma a querer facturar o máximo que puder à custa de reparações provocadas exclusivamente pela forma como há uns anos atrás as coisas foram feitas.

ESTRANHO – O Compromisso Portugal utiliza sempre uns grafismos muito engraçados, e umas apresentações muito politicamente correctas - género uma no cravo, outra na ferradura. Para conhecer melhor o esforçado trabalho de comparação entre algumas áreas dos programas dos partidos, fui à procura de informação na net sobre as propostas do Compromisso. Peguei no Google, pesquisei, pesquisei, e nada descobri. O muito moderno Compromisso Portugal não surge com um site referenciado, um modesto blog que seja onde os documentos estejam publicados. Não é uma questão de investimento – é de atitude. Como é também uma reveladora questão de atitude que não tenham comparado as propostas em matéria de estratégia de utilização e desenvolvimento da língua e cultura portuguesa dos programas partidários. Quando as visões tacanhas estão corporativamente enraizadas muito dificilmente se dá a volta ao texto. A criatividade não anda por ali. (recebi entretanto a informação que há um site, registado como www.compromissoportugal.com que acolhe o materuial acima referido - mas de facto o google não o apanha nas prioridades).

VOTO – Pela primeira vez há uma campanha organizada para o voto em branco, com cartazes na rua e site na net (www.umrumoparaportugal.com) - é revelador do estado do país, da falência do sistema político e partidário. Num outro prisma é também revelador que haja ainda tanto indeciso, tanta possível transferência de votos. A minha posição está tomada – não quero uma maioria absoluta, irei votar PSD, acho que o reforço do bloco do centro-direita é a única forma de garantir algumas reformas e evitar o desperdício dos sacrifícios feitos. E, já agora, de evitar o pântano do politicamente correcto, das indecisões e dos estudos eternos. Precisamos de mais certezas e de menos dúvidas. Todos nós.

CAMPANHA – Constituição Europeia, União Europeia, Política Europeia, Situação no Médio Oriente, o papel de Portugal no Mundo, a língua e a cultura portuguesas: de nada disto falou nenhum partido durante a campanha eleitoral. Revelador.

PERGUNTA DA SEMANA – Será que Jorge Sampaio consegue dormir bem?

SUGESTÃO – Visitem a discoteca Trem Azul, Rua do Alecrim 21 A. Bela selecção de jazz.

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MAIS CERTEZAS, MENOS DÚVIDAS

MADREDEUS – O novo trabalho dos Madredeus, «Faluas do Tejo», é o melhor disco do grupo desde há vários anos e é claramente um dos melhores da sua carreira. A razão é aliás a que mais ligada está à história dos Madredeus: a simplicidade. Este é um disco de arranjos simples, com guitarras simples e encantadoras, com canções simples mas emocionantes. Só a simplicidade consegue ser assim, só a simplicidade consegue este efeito arrebatador, potenciado pela produção sóbria mas marcada de Pedro Ayres de Magalhães. É certo que eu tenho uma paixão por Madredeus – mas há uns anos que achava que havia pouca novidade. As canções que aqui estão neste «Faluas do Tejo» provam o contrário.

GÁS – Um número crescente de casas de Lisboa começa a ter problemas com o abastecimento de gás. Acontece que há uns anos atrás,quando nos obrigaram ao gás natural, a Lisboagás e a Galpenergia se esqueceram de fazer as necessárias substituições e de sublinhar que as canalizações de chumbo, adequadas para o gás húmido anterior, eram desaconselhadas para o novo gás natural, seco, e que, ao fim de poucos anos, o novo combustível provocaria rupturas nas canalizações existentes – mesmo que fossem novas em prédios novos. É isso que está a contecer agora e a dúvida é saber o tamanho da bomba de fugas de gás em que Lisboa se está a transformar. Claro que há uns anos atrás as empresas sabiam bem que devia ter existido uma intervenção de fundo, deviam ter suportado os custos de introdução do novo combustível. Como sempre, à portuguesa e em abuso de posição dominante, quem se vai tramando são os consumidores, que agora se vêem envolvidos num amontoado de companhias relacionadas com a lisboagás, cada uma a querer facturar o máximo que puder à custa de reparações provocadas exclusivamente pela forma como há uns anos atrás as coisas foram feitas.

ESTRANHO – O Compromisso Portugal utiliza sempre uns grafismos muito engraçados, e umas apresentações muito politicamente correctas - género uma no cravo, outra na ferradura. Para conhecer melhor o esforçado trabalho de comparação entre algumas áreas dos programas dos partidos, fui à procura de informação na net sobre as propostas do Compromisso. Peguei no Google, pesquisei, pesquisei, e nada descobri. O muito moderno Compromisso Portugal não surge com um site referenciado, um modesto blog que seja onde os documentos estejam publicados. Não é uma questão de investimento – é de atitude. Como é também uma reveladora questão de atitude que não tenham comparado as propostas em matéria de estratégia de utilização e desenvolvimento da língua e cultura portuguesa dos programas partidários. Quando as visões tacanhas estão corporativamente enraizadas muito dificilmente se dá a volta ao texto. A criatividade não anda por ali. (recebi entretanto a informação que há um site, registado como www.compromissoportugal.com que acolhe o materuial acima referido - mas de facto o google não o apanha nas prioridades).

VOTO – Pela primeira vez há uma campanha organizada para o voto em branco, com cartazes na rua e site na net (www.umrumoparaportugal.com) - é revelador do estado do país, da falência do sistema político e partidário. Num outro prisma é também revelador que haja ainda tanto indeciso, tanta possível transferência de votos. A minha posição está tomada – não quero uma maioria absoluta, irei votar PSD, acho que o reforço do bloco do centro-direita é a única forma de garantir algumas reformas e evitar o desperdício dos sacrifícios feitos. E, já agora, de evitar o pântano do politicamente correcto, das indecisões e dos estudos eternos. Precisamos de mais certezas e de menos dúvidas. Todos nós.

CAMPANHA – Constituição Europeia, União Europeia, Política Europeia, Situação no Médio Oriente, o papel de Portugal no Mundo, a língua e a cultura portuguesas: de nada disto falou nenhum partido durante a campanha eleitoral. Revelador.

PERGUNTA DA SEMANA – Será que Jorge Sampaio consegue dormir bem?

SUGESTÃO – Visitem a discoteca Trem Azul, Rua do Alecrim 21 A. Bela selecção de jazz.