fevereiro 14, 2005

ARCO – Uma das coisas que torna uma cidade num pólo de atracção tem a ver com a capacidade de criar eventos culturais que por si só sejam motivo de deslocação. As novas peregrinações às grandes cidades da Europa têm cada vez mais a ver com momentos e equipamentos ligados à cultura e às artes. Desde há uns anos Madrid marca as agendas em Fevereiro com a sua feira de Arte Contemporânea. Este ano a ARCO expõe 6000 obras de arte, com preços de 75 euros até dois milhões de euros (uma escultura com elementos em movimento do norte-americano Alexander Calder). Mas também há peças de Botero ou aguarelas de Picasso por 300.000 euros. Uma iniciativa destas exige investimento a longo prazo mas garante retorno e notoriedade. Todas as grandes cidades europeias têm estratégias de divulgação internacional que passam pela arte e cultura porque sabem que são os dois pretextos para as peregrinações contemporâneas, para os viajantes e amantes de cidades. A arte e a cultura são cada vez mais um meio de promover o desenvolvimento – as cidades que já o perceberam viram-se para fora; as outras, fecham-se para dentro. Por isso a notícia de que o projecto de Frank Gehry em Lisboa vai avançar é tão importante para Lisboa.

BANCA – Depois da operação «Own Art», criada no Reino Unido em associação entre o HFC Bank e o Arts Council, aqui ao lado, em Espanha, a La Caixa estabeleceu um convénio de colaboração com o Grémio das Galerias de Arte da Catalunha para facilitar o financiamento da aquisição de obras de arte, nomeadamente de novos criadores. Recorda-se que o projecto Own Art concede empréstimos imediatos entre 100 a 2000 libras, amortizáveis no prazo de um ano, Os empréstimos exigem o mínimo de formalidades, são concedidos nas galerias aderentes, e não têm juros nem despesas administrativas – suportadas pelo Arts Council com uma percentagem de 4% sobre o total dos financiamentos concedidos pelo banco. Nenhum dos nossos estimáveis bancos e respeitáveis instituições se deixa tentar? Façam as contas: se um esquema destes criar um movimento de um milhão de euros por mês (400 peças de valor médio de 2 500 euros), o mercado movimentará 12 milhões de euros por ano e o Estado, se o esquema fôr igual ao britânico, irá investir apenas 480.000 euros na dinamização do trabalho de artistas plásticos contemporâneos, de galeristas, da circulação de obras de arte, no fomento do gosto. E as nossas casas ficarão certamente muito mais bonitas. Visitem www.artscouncil.org.uk .

OPINIÃO – Há jornalistas que fazem a cobertura da campanha eleitoral e que em vez de relatarem o que vêem, opinam o que sentem, qualificam o que transmitem. É em algumas estações de televisão, e em relação a todos os partidos, verdade seja dita, que isso se torna mais sensível. Uma graçola aqui, um acintezito ali, um comentário maldoso acolá, assim os papalvos julgam abrilhantar uma peça, deixando de lado o relato da informação e abraçando a mistura com a opinião. O problema não é cada um ter simpatias políticas, é misturar o trabalho de reportagem com propaganda das suas próprias convicções, ou de contra-informação, quando não lhes agrada o candidato que estão a seguir. E o pior de tudo é quando tentam fazer humor e têm jeito para tudo menos para isso.

CAMPANHA – Quanto mais a campanha eleitoral destaca o acessório e despreza o essencial, mais o sistema se desacredita face aos eleitores. Nos últimos meses passou a analisar-se a qualidade da embalagem e não o que ela contém, há uma preocupação maior com a forma do que com o conteúdo. Muita gente põe as aparências acima de tudo. É apenas uma forma mais de hipocrisia, mesmo que aparente ser politicamente correcta.

BACK TO BASICS – Os estudos pós-eleitorais norte-americanos revelam que o facto de a campanha de Kerry ter sido assumidamente pela negativa e anti-Bush foi uma das causas do seu mau resultado.

PERGUNTA DA SEMANA – Guterres não se tinha ido embora há três anos?

SUGESTÃO – O único sítio do espectro radiofónico onde se consegue ir descobrindo com regulararidade a música nova de qualidade que se vai produzindo é a Radar, uma estação FM da região de Lisboa sintonizável em 97.8. E as noites são imperdíveis com êxitos dos anos 80 e 90.

COMIDINHA – Mais uma ideia para quem gosta de cozinha indiana, o Shalymar Garden, no Mercado de S. Bento, frente à Assembleia da República, Rua Nova da Piedade 99. O sítio tem graça, a comida é muito bem elaborada, os preços condizem com a elaboração. Tel. 213902613.

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ARCO – Uma das coisas que torna uma cidade num pólo de atracção tem a ver com a capacidade de criar eventos culturais que por si só sejam motivo de deslocação. As novas peregrinações às grandes cidades da Europa têm cada vez mais a ver com momentos e equipamentos ligados à cultura e às artes. Desde há uns anos Madrid marca as agendas em Fevereiro com a sua feira de Arte Contemporânea. Este ano a ARCO expõe 6000 obras de arte, com preços de 75 euros até dois milhões de euros (uma escultura com elementos em movimento do norte-americano Alexander Calder). Mas também há peças de Botero ou aguarelas de Picasso por 300.000 euros. Uma iniciativa destas exige investimento a longo prazo mas garante retorno e notoriedade. Todas as grandes cidades europeias têm estratégias de divulgação internacional que passam pela arte e cultura porque sabem que são os dois pretextos para as peregrinações contemporâneas, para os viajantes e amantes de cidades. A arte e a cultura são cada vez mais um meio de promover o desenvolvimento – as cidades que já o perceberam viram-se para fora; as outras, fecham-se para dentro. Por isso a notícia de que o projecto de Frank Gehry em Lisboa vai avançar é tão importante para Lisboa.

BANCA – Depois da operação «Own Art», criada no Reino Unido em associação entre o HFC Bank e o Arts Council, aqui ao lado, em Espanha, a La Caixa estabeleceu um convénio de colaboração com o Grémio das Galerias de Arte da Catalunha para facilitar o financiamento da aquisição de obras de arte, nomeadamente de novos criadores. Recorda-se que o projecto Own Art concede empréstimos imediatos entre 100 a 2000 libras, amortizáveis no prazo de um ano, Os empréstimos exigem o mínimo de formalidades, são concedidos nas galerias aderentes, e não têm juros nem despesas administrativas – suportadas pelo Arts Council com uma percentagem de 4% sobre o total dos financiamentos concedidos pelo banco. Nenhum dos nossos estimáveis bancos e respeitáveis instituições se deixa tentar? Façam as contas: se um esquema destes criar um movimento de um milhão de euros por mês (400 peças de valor médio de 2 500 euros), o mercado movimentará 12 milhões de euros por ano e o Estado, se o esquema fôr igual ao britânico, irá investir apenas 480.000 euros na dinamização do trabalho de artistas plásticos contemporâneos, de galeristas, da circulação de obras de arte, no fomento do gosto. E as nossas casas ficarão certamente muito mais bonitas. Visitem www.artscouncil.org.uk .

OPINIÃO – Há jornalistas que fazem a cobertura da campanha eleitoral e que em vez de relatarem o que vêem, opinam o que sentem, qualificam o que transmitem. É em algumas estações de televisão, e em relação a todos os partidos, verdade seja dita, que isso se torna mais sensível. Uma graçola aqui, um acintezito ali, um comentário maldoso acolá, assim os papalvos julgam abrilhantar uma peça, deixando de lado o relato da informação e abraçando a mistura com a opinião. O problema não é cada um ter simpatias políticas, é misturar o trabalho de reportagem com propaganda das suas próprias convicções, ou de contra-informação, quando não lhes agrada o candidato que estão a seguir. E o pior de tudo é quando tentam fazer humor e têm jeito para tudo menos para isso.

CAMPANHA – Quanto mais a campanha eleitoral destaca o acessório e despreza o essencial, mais o sistema se desacredita face aos eleitores. Nos últimos meses passou a analisar-se a qualidade da embalagem e não o que ela contém, há uma preocupação maior com a forma do que com o conteúdo. Muita gente põe as aparências acima de tudo. É apenas uma forma mais de hipocrisia, mesmo que aparente ser politicamente correcta.

BACK TO BASICS – Os estudos pós-eleitorais norte-americanos revelam que o facto de a campanha de Kerry ter sido assumidamente pela negativa e anti-Bush foi uma das causas do seu mau resultado.

PERGUNTA DA SEMANA – Guterres não se tinha ido embora há três anos?

SUGESTÃO – O único sítio do espectro radiofónico onde se consegue ir descobrindo com regulararidade a música nova de qualidade que se vai produzindo é a Radar, uma estação FM da região de Lisboa sintonizável em 97.8. E as noites são imperdíveis com êxitos dos anos 80 e 90.

COMIDINHA – Mais uma ideia para quem gosta de cozinha indiana, o Shalymar Garden, no Mercado de S. Bento, frente à Assembleia da República, Rua Nova da Piedade 99. O sítio tem graça, a comida é muito bem elaborada, os preços condizem com a elaboração. Tel. 213902613.

fevereiro 07, 2005

PROGRESSO – A Intel apresentou no recente festival de cinema de Sundance um novo sistema de distribuição de filmes. Citando a imprensa que acompanhou o acontecimento, a estreia de «Rize» conseguiu mostrar um filme sem utilizar película ou video, ou qualquer máquina com mecanismos móveis. Na verdade esta foi a primeira vez que um filme foi exibido num grande ecrã com recurso à sua transmissão à distância por um novo sistema de transmissão de dados desenvolvido pela Intel, o Wi Max. A estreia deu-se numa estância de ski no alto de uma montanha de 3000 metros coberta de neve, em Park City, no Utah. O filme, «Rize» um documentário sobre dança contemporânea realizado por David la Chapelle e filmado em video de alta definição, estava a ser emitido a 1200 quilómetros de distância e depois foi descodificado graças a um vulgar PC Media Center da HP e exibido com um projector digital de alta resolução. O novo sistema da Intel é cerca de 20 vezes mia rápido que as actuais ligações de banda larga e a qualidade da imagem e do som foram elogiados por todos os espectadores. Esta nova tecnologia pode significar uma revolução na forma de distribuição de filmes, que actualmente custa cerca de 1500 mil milhões de dólares por ano em cópias de película, seu transporte, armazenamento e destruição.

ANÉIS – Uma das boas supresas do Festival de Sundance foi o documentário «Ringers: Lord Of The Fans», que traça a influência do livro «O Senhor dos Anéis» na cultura popular desde que foi editado em 1954. A obra de Tolkien foi rapidamente adoptada por artistas pop como os Led Zeppelin, mas influenciou também escritores, artistas plásticos a até filmes e séries como «Star Wars» A sua influência na cultura pop foi perfeitamente transversal, desde os hippies dos anos 60 até realizadores de filmes contemporâneos.

RECORD – «Os Sopranos» tornaram-se na série de televisão mais cara de sempre ao ser vendida para uma das maiores redes de cabo dos Estados Unidos por 2,5 milhões de dólares por episódio. A rede A&E, que tem mais que o triplo de assinantes da HBO (o canal que originalmente produziu e exibiu «Os Sopranos») comprou os 65 episódios já produzidos e adquiriu a opção de exibição da próxima série, a sexta, que está actualmente em filmagens (e que terá entre 10 a 13 novos episódios e que será exibida no final do ano na 2:) . O record anterior pertencia a «Sex In The City», com um valor próximo de um milhão de dólares por episódio.

NOSTALGIA -A avaliar pelos cartazes anunciados para os festivais deste Verão entrou-se no triunfo da rádio Nostalgia. De Iggy Pop aos Manfred Mann há de tudo o que seja recordações dos anos 60, 70, 80 e 90. Num tempo em que faltam genuínos novos talentos, o normal é que as pessoas se comecem a voltar para o revivalismo. A política de contratações e de edições das grandes discográficas levou ao vazio. Dentro em pouco só restam as memórias. E, felizmente, o trabalho das pequenas editoras independentes, as únicas que arriscam na procura de novos talentos.

ESTRANHO – A campanha eleitoral oscila entre o dramatismo em torno de assuntos acessórios e o silêncio profundo e universal à volta dos grandes temas. No meio de uma campanha onde o lema comum é o «choque», não há-de ser por acaso que um grupo de notáveis apele a um «sobressalto cívico» . O que se passa à nossa volta, citando Churchill, é um enigma envolto num mistério. Aos eleitores pede-se que votem sem saberem bem em quê e quase tudo se resume ao pedido de um cheque em branco.

BACK TO BASICS – Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

PERGUNTA DA SEMANA – Isto é uma campanha eleitoral?

SUGESTÃO – A exposição «A Fotografia na Colecção Berardo», Museu de Arte Moderna, Sintra, de terça a Domingo entre as 10 e as 18 horas. Preço de entrada – 3 euros

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PROGRESSO – A Intel apresentou no recente festival de cinema de Sundance um novo sistema de distribuição de filmes. Citando a imprensa que acompanhou o acontecimento, a estreia de «Rize» conseguiu mostrar um filme sem utilizar película ou video, ou qualquer máquina com mecanismos móveis. Na verdade esta foi a primeira vez que um filme foi exibido num grande ecrã com recurso à sua transmissão à distância por um novo sistema de transmissão de dados desenvolvido pela Intel, o Wi Max. A estreia deu-se numa estância de ski no alto de uma montanha de 3000 metros coberta de neve, em Park City, no Utah. O filme, «Rize» um documentário sobre dança contemporânea realizado por David la Chapelle e filmado em video de alta definição, estava a ser emitido a 1200 quilómetros de distância e depois foi descodificado graças a um vulgar PC Media Center da HP e exibido com um projector digital de alta resolução. O novo sistema da Intel é cerca de 20 vezes mia rápido que as actuais ligações de banda larga e a qualidade da imagem e do som foram elogiados por todos os espectadores. Esta nova tecnologia pode significar uma revolução na forma de distribuição de filmes, que actualmente custa cerca de 1500 mil milhões de dólares por ano em cópias de película, seu transporte, armazenamento e destruição.



ANÉIS – Uma das boas supresas do Festival de Sundance foi o documentário «Ringers: Lord Of The Fans», que traça a influência do livro «O Senhor dos Anéis» na cultura popular desde que foi editado em 1954. A obra de Tolkien foi rapidamente adoptada por artistas pop como os Led Zeppelin, mas influenciou também escritores, artistas plásticos a até filmes e séries como «Star Wars» A sua influência na cultura pop foi perfeitamente transversal, desde os hippies dos anos 60 até realizadores de filmes contemporâneos.



RECORD – «Os Sopranos» tornaram-se na série de televisão mais cara de sempre ao ser vendida para uma das maiores redes de cabo dos Estados Unidos por 2,5 milhões de dólares por episódio. A rede A&E, que tem mais que o triplo de assinantes da HBO (o canal que originalmente produziu e exibiu «Os Sopranos») comprou os 65 episódios já produzidos e adquiriu a opção de exibição da próxima série, a sexta, que está actualmente em filmagens (e que terá entre 10 a 13 novos episódios e que será exibida no final do ano na 2:) . O record anterior pertencia a «Sex In The City», com um valor próximo de um milhão de dólares por episódio.



NOSTALGIA -A avaliar pelos cartazes anunciados para os festivais deste Verão entrou-se no triunfo da rádio Nostalgia. De Iggy Pop aos Manfred Mann há de tudo o que seja recordações dos anos 60, 70, 80 e 90. Num tempo em que faltam genuínos novos talentos, o normal é que as pessoas se comecem a voltar para o revivalismo. A política de contratações e de edições das grandes discográficas levou ao vazio. Dentro em pouco só restam as memórias. E, felizmente, o trabalho das pequenas editoras independentes, as únicas que arriscam na procura de novos talentos.



ESTRANHO – A campanha eleitoral oscila entre o dramatismo em torno de assuntos acessórios e o silêncio profundo e universal à volta dos grandes temas. No meio de uma campanha onde o lema comum é o «choque», não há-de ser por acaso que um grupo de notáveis apele a um «sobressalto cívico» . O que se passa à nossa volta, citando Churchill, é um enigma envolto num mistério. Aos eleitores pede-se que votem sem saberem bem em quê e quase tudo se resume ao pedido de um cheque em branco.



BACK TO BASICS – Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.



PERGUNTA DA SEMANA – Isto é uma campanha eleitoral?



SUGESTÃO – A exposição «A Fotografia na Colecção Berardo», Museu de Arte Moderna, Sintra, de terça a Domingo entre as 10 e as 18 horas. Preço de entrada – 3 euros

janeiro 31, 2005

REALISMO - Esta pré campanha eleitoral tem o mérito de mostrar que as notícias das dificuldades do país não são exageradas. Para além do discurso eleitoral, um respeitado apoiante do PS, o ex-ministro das Finanças, Silva Lopes, admite a necessidade de aumentar impostos e diminuir o custo da Função Pública como um imperativo para resolver o défice. O realismo desta posição tem um mérito, que é o de deslocalizar a questão económica e financeira da esfera partidária. A situação é tão má que a receita prática da sua resolução não se compadece com demagogias nem com uma guerra esquerda-direita. Não há dinheiro, é preciso diminuir a despesa e aumentar as receitas. Não há volta a dar a este texto – sem resolver esta questão não há desenvolvimento, nem emprego, nem tecnologia. Nem melhorias nas políticas sociais.

VOTOS - Debater as diferenças nas propostas, passar das promessas ao concreto, ver o que parece possível e o que aparenta ser improvável, fazer a conta a quanto custa cada programa eleitoral - este é o exercício que falta fazer. O silêncio é muito mau conselheiro eleitoral. Não resisto a dizer uma evidência: o voto pertence a quem vota, não a quem é votado. Esta coisa, básica, elementar da Democracia, é muitas vezes esquecida – sobretudo nos períodos eleitorais, por mais paradoxal que seja. Os partidos não são clubes de futebol – têm que provar que merecem os votos, não podem pedir fidelidades nem clamar por vigança.

ACTOS – A política não é um mundo à parte, não chega ter boas ideias, é preciso saber se elas são exequíveis e saber como e quando se podem concretizar. É preciso saber transformar as ideias em actos, fazer coincidir as palavras com as acções. Pensem todos um pouco na História recente de Portugal e vejam quem conseguiu lançar e concretizar projectos e quem ficou a falar deles sem os fazer andar. Avaliem os comportamentos face ao controlo orçamental e da despesa pública. É um belo método de análise política.

ARTE - O Arts Council da Grã-Bretanha lançou um projecto bem interessante, o «Own Art», que se destina a fomentar a compra de arte contemporânea. Trata-se de um financiamento sem juros até 2000 libras, que pode ser pago em 10 meses, de processamento simples, gerido directamente pelas galerias. O projecto envolve 250 galerias que trabalham com artistas contemporâneos e um banco, o HSBC, que recebe 4% do valor de cada empréstimo directamente do Arts Council. Resultado: os artistas vendem as suas obras, as galerias dão mais oportunidades aos novos, as pessoas habituam-se a comprar arte. Em vez de subsídios, estimula-se o mercado. Boa ideia, não? Resta dizer que as galerias estão encantadas com o projecto.



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REALISMO - Esta pré campanha eleitoral tem o mérito de mostrar que as notícias das dificuldades do país não são exageradas. Para além do discurso eleitoral, um respeitado apoiante do PS, o ex-ministro das Finanças, Silva Lopes, admite a necessidade de aumentar impostos e diminuir o custo da Função Pública como um imperativo para resolver o défice. O realismo desta posição tem um mérito, que é o de deslocalizar a questão económica e financeira da esfera partidária. A situação é tão má que a receita prática da sua resolução não se compadece com demagogias nem com uma guerra esquerda-direita. Não há dinheiro, é preciso diminuir a despesa e aumentar as receitas. Não há volta a dar a este texto – sem resolver esta questão não há desenvolvimento, nem emprego, nem tecnologia. Nem melhorias nas políticas sociais.



VOTOS - Debater as diferenças nas propostas, passar das promessas ao concreto, ver o que parece possível e o que aparenta ser improvável, fazer a conta a quanto custa cada programa eleitoral - este é o exercício que falta fazer. O silêncio é muito mau conselheiro eleitoral. Não resisto a dizer uma evidência: o voto pertence a quem vota, não a quem é votado. Esta coisa, básica, elementar da Democracia, é muitas vezes esquecida – sobretudo nos períodos eleitorais, por mais paradoxal que seja. Os partidos não são clubes de futebol – têm que provar que merecem os votos, não podem pedir fidelidades nem clamar por vigança.



ACTOS – A política não é um mundo à parte, não chega ter boas ideias, é preciso saber se elas são exequíveis e saber como e quando se podem concretizar. É preciso saber transformar as ideias em actos, fazer coincidir as palavras com as acções. Pensem todos um pouco na História recente de Portugal e vejam quem conseguiu lançar e concretizar projectos e quem ficou a falar deles sem os fazer andar. Avaliem os comportamentos face ao controlo orçamental e da despesa pública. É um belo método de análise política.



ARTE - O Arts Council da Grã-Bretanha lançou um projecto bem interessante, o «Own Art», que se destina a fomentar a compra de arte contemporânea. Trata-se de um financiamento sem juros até 2000 libras, que pode ser pago em 10 meses, de processamento simples, gerido directamente pelas galerias. O projecto envolve 250 galerias que trabalham com artistas contemporâneos e um banco, o HSBC, que recebe 4% do valor de cada empréstimo directamente do Arts Council. Resultado: os artistas vendem as suas obras, as galerias dão mais oportunidades aos novos, as pessoas habituam-se a comprar arte. Em vez de subsídios, estimula-se o mercado. Boa ideia, não? Resta dizer que as galerias estão encantadas com o projecto.







janeiro 26, 2005

BD
Finalmente percebi tudo do discurso de Louçã. O dirigente do BE deve ser um fanático entusiasta de BD e em particular do universo dos heróis da Marvel, essa fábrica de personagens das histórias de quadradinhos. Palpita-me que entre todos os heróis Louçã resolveu vestir a pele de Frank Castle, um vigilante, que fez as delícias dos leitores da série «O Justiceiro». Só assim se percebe a sua cruzada em várias direcções, a susa certeza de julgamento, a posição em que se coloca de ser o fiel da justiça e do bem.

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BD

Finalmente percebi tudo do discurso de Louçã. O dirigente do BE deve ser um fanático entusiasta de BD e em particular do universo dos heróis da Marvel, essa fábrica de personagens das histórias de quadradinhos. Palpita-me que entre todos os heróis Louçã resolveu vestir a pele de Frank Castle, um vigilante, que fez as delícias dos leitores da série «O Justiceiro». Só assim se percebe a sua cruzada em várias direcções, a susa certeza de julgamento, a posição em que se coloca de ser o fiel da justiça e do bem.

janeiro 25, 2005

IDEIAS
O grande problema é que não chega ter boas ideias. É preciso saber se elas são exequíveis e saber como e quando se podem concretizar. É preciso transformar as ideias em actos. É preciso saber concretizar projectos. Pensem todos um pouco na história recente de Portugal e vejam quem conseguiu lançar e concretizar projectos e quem ficou a falar deles sem os fazer andar. É um belo método ded análise política.

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IDEIAS

O grande problema é que não chega ter boas ideias. É preciso saber se elas são exequíveis e saber como e quando se podem concretizar. É preciso transformar as ideias em actos. É preciso saber concretizar projectos. Pensem todos um pouco na história recente de Portugal e vejam quem conseguiu lançar e concretizar projectos e quem ficou a falar deles sem os fazer andar. É um belo método ded análise política.

PROBLEMA
O dilema da política é fazer coincidir as palavras com os actos.

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PROBLEMA

O dilema da política é fazer coincidir as palavras com os actos.

janeiro 22, 2005

BONECADAS - Não sei se já repararam, mas este ano a campanha eleitoral estará em pleno no período do carnaval – a bem dizer não haverá muita diferença porque os últimos tempos têm sido férteis em partes gagas vindas de todas as direcções. Muito elucidativamente o Bloco de Esquerda arrancou a campanha com uma brincadeira na baixa lisboeta, um jogo de bowling onde os bonecos eram pessoas. É a confirmação de que os partidos tratam as pessoas como bonecos. Fixem isto: o «Público» divulgou esta semana uma sondagem com um resultado aterrador: 76% dos portugueses acham que os políticos só estão interessados nos votos das pessoas, 75% acha que bem lá no fundo os partidos são todos iguais e 50% declaram-se pouco ou nada interessados na política.

FACILIDADES - Numa conjuntura como a actual, num cenário de eleições antecipadas, é bem mais fácil estar na oposição que no Governo – e cá para mim isto foi coisa que pesou na decisão da dissolução. A história deste episódio está aliás ainda para ser bem contada: nas redacções dos media desde o início de Novembro que se sabia que assessores do Presidente da República estudavam a possibilidade do cenário da dissolução e que Belém estava apenas à espera de um pretexto para avançar nesse sentido. A coisa não foi decisão súbita nem provocada por um facto concreto: na realidade esteve a fermentar durante largas semanas à espera de uma oportunidade. E esta azáfama começou apenas três meses depois de Sampaio ter optado por não realizar eleições. Volatilidades...

AVISO - A SEDES veio esta semana avisar solenemente que o país está ingovernável. Já tínhamos percebido que era assim – por isso Guterres se foi embora, por isso Durão optou pela Europa, por isso Ferro Rodrigues mudou de vida. Este aviso da SEDES podia ter sido dado há uns meses ao Presidente da República, talvez se evitassem alguns episódios insólitos, como a não convocação de eleições em Julho ou a dissolução em Dezembro. O que a SEDES vem dizer, de facto, é que o problema não é de quem está, é do estado a que isto chegou.

SETENTA - Um grupo de notáveis figuras da política, com uma idade média na casa dos 70 anos, falou da actualidade (com uma rara excepção) como se não tivessem tido responsabilidades no passado. Na maioria quiseram apresentar-se como impolutas virgens sem mácula sem vivências partidárias. Bem sei que é sempre mais fácil falar quando se está de fora, mas não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas que permitam tornar isto tudo mais possível e governável, diferentes daquelas que já estão em cima da mesa.

BACK TO BASICS – Até ao lavar dos cestos é vindima; convém é ver se o fundo dos cestos está inteiro...

RECOMENDAÇÃO - Existe um blog imperdível , o «Margens de Erro». Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente e cujo link de acesso pode ser encontrado nesse mesmo blog, www.margensdeerro.blogspot.com .

COMIDINHA – Para estes dias frios, uma comida quente. Recomendo vivamente a cozinha goesa do Xanti, Calçada do Livramento, 17, Casa de Goa, mesmo por tràs do Palácio das Necessidades. Tem estacionamento fácil com parque próprio. Comida e serviço impecáveis. Vamos por partes: couvert inclui chapattis que podem ser lambuzados com um chutney de manga verde bem picante e uma pasta de côco e coentros deliciosa; as chamuças têm uma massa levíssima e vêm sem óleo a pingar; boa nota para o caril de gambas e para o xacuti de galinha; a rematar uma bebinca bem caseira. E o sítio ainda por cima é bem engraçado.

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BONECADAS - Não sei se já repararam, mas este ano a campanha eleitoral estará em pleno no período do carnaval – a bem dizer não haverá muita diferença porque os últimos tempos têm sido férteis em partes gagas vindas de todas as direcções. Muito elucidativamente o Bloco de Esquerda arrancou a campanha com uma brincadeira na baixa lisboeta, um jogo de bowling onde os bonecos eram pessoas. É a confirmação de que os partidos tratam as pessoas como bonecos. Fixem isto: o «Público» divulgou esta semana uma sondagem com um resultado aterrador: 76% dos portugueses acham que os políticos só estão interessados nos votos das pessoas, 75% acha que bem lá no fundo os partidos são todos iguais e 50% declaram-se pouco ou nada interessados na política.



FACILIDADES - Numa conjuntura como a actual, num cenário de eleições antecipadas, é bem mais fácil estar na oposição que no Governo – e cá para mim isto foi coisa que pesou na decisão da dissolução. A história deste episódio está aliás ainda para ser bem contada: nas redacções dos media desde o início de Novembro que se sabia que assessores do Presidente da República estudavam a possibilidade do cenário da dissolução e que Belém estava apenas à espera de um pretexto para avançar nesse sentido. A coisa não foi decisão súbita nem provocada por um facto concreto: na realidade esteve a fermentar durante largas semanas à espera de uma oportunidade. E esta azáfama começou apenas três meses depois de Sampaio ter optado por não realizar eleições. Volatilidades...



AVISO - A SEDES veio esta semana avisar solenemente que o país está ingovernável. Já tínhamos percebido que era assim – por isso Guterres se foi embora, por isso Durão optou pela Europa, por isso Ferro Rodrigues mudou de vida. Este aviso da SEDES podia ter sido dado há uns meses ao Presidente da República, talvez se evitassem alguns episódios insólitos, como a não convocação de eleições em Julho ou a dissolução em Dezembro. O que a SEDES vem dizer, de facto, é que o problema não é de quem está, é do estado a que isto chegou.



SETENTA - Um grupo de notáveis figuras da política, com uma idade média na casa dos 70 anos, falou da actualidade (com uma rara excepção) como se não tivessem tido responsabilidades no passado. Na maioria quiseram apresentar-se como impolutas virgens sem mácula sem vivências partidárias. Bem sei que é sempre mais fácil falar quando se está de fora, mas não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas que permitam tornar isto tudo mais possível e governável, diferentes daquelas que já estão em cima da mesa.



BACK TO BASICS – Até ao lavar dos cestos é vindima; convém é ver se o fundo dos cestos está inteiro...



RECOMENDAÇÃO - Existe um blog imperdível , o «Margens de Erro». Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente e cujo link de acesso pode ser encontrado nesse mesmo blog, www.margensdeerro.blogspot.com .



COMIDINHA – Para estes dias frios, uma comida quente. Recomendo vivamente a cozinha goesa do Xanti, Calçada do Livramento, 17, Casa de Goa, mesmo por tràs do Palácio das Necessidades. Tem estacionamento fácil com parque próprio. Comida e serviço impecáveis. Vamos por partes: couvert inclui chapattis que podem ser lambuzados com um chutney de manga verde bem picante e uma pasta de côco e coentros deliciosa; as chamuças têm uma massa levíssima e vêm sem óleo a pingar; boa nota para o caril de gambas e para o xacuti de galinha; a rematar uma bebinca bem caseira. E o sítio ainda por cima é bem engraçado.



janeiro 21, 2005

O GRANDE LOUÇÃ
Por muito que viva, não me hei-de esquecer desta:" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança." (Francisco Louçã dirigindo-se a Paulo Portas num debate eleitoral televisivo).
Os actos - e as palavras - ficam com os seus autores.
Que dirão disto a muito politicamente correcta legião de simpatizantes do Bloco nos media?

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O GRANDE LOUÇÃ

Por muito que viva, não me hei-de esquecer desta:" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança." (Francisco Louçã dirigindo-se a Paulo Portas num debate eleitoral televisivo).

Os actos - e as palavras - ficam com os seus autores.

Que dirão disto a muito politicamente correcta legião de simpatizantes do Bloco nos media?



BLOCO CENTRAL
Quando pensava já ter visto tudo, eis que mais uma vez fui surpreendido: O Presidente do Benfica e do Sporting sentaram-se um ao lado do outro e apresentaram aos portugueses o seu pacto de regime. Jorge Sampaio já foi em parte ouvido. O Bloco Central já funciona no futebol.

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BLOCO CENTRAL

Quando pensava já ter visto tudo, eis que mais uma vez fui surpreendido: O Presidente do Benfica e do Sporting sentaram-se um ao lado do outro e apresentaram aos portugueses o seu pacto de regime. Jorge Sampaio já foi em parte ouvido. O Bloco Central já funciona no futebol.

janeiro 20, 2005

BOATOS
Nada pior que usar a boataria como combustível de campanhas. Quando isto começa é um processo que se torna rapidamente num incêndio incontrolável.

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BOATOS

Nada pior que usar a boataria como combustível de campanhas. Quando isto começa é um processo que se torna rapidamente num incêndio incontrolável.