janeiro 22, 2005

BONECADAS - Não sei se já repararam, mas este ano a campanha eleitoral estará em pleno no período do carnaval – a bem dizer não haverá muita diferença porque os últimos tempos têm sido férteis em partes gagas vindas de todas as direcções. Muito elucidativamente o Bloco de Esquerda arrancou a campanha com uma brincadeira na baixa lisboeta, um jogo de bowling onde os bonecos eram pessoas. É a confirmação de que os partidos tratam as pessoas como bonecos. Fixem isto: o «Público» divulgou esta semana uma sondagem com um resultado aterrador: 76% dos portugueses acham que os políticos só estão interessados nos votos das pessoas, 75% acha que bem lá no fundo os partidos são todos iguais e 50% declaram-se pouco ou nada interessados na política.

FACILIDADES - Numa conjuntura como a actual, num cenário de eleições antecipadas, é bem mais fácil estar na oposição que no Governo – e cá para mim isto foi coisa que pesou na decisão da dissolução. A história deste episódio está aliás ainda para ser bem contada: nas redacções dos media desde o início de Novembro que se sabia que assessores do Presidente da República estudavam a possibilidade do cenário da dissolução e que Belém estava apenas à espera de um pretexto para avançar nesse sentido. A coisa não foi decisão súbita nem provocada por um facto concreto: na realidade esteve a fermentar durante largas semanas à espera de uma oportunidade. E esta azáfama começou apenas três meses depois de Sampaio ter optado por não realizar eleições. Volatilidades...

AVISO - A SEDES veio esta semana avisar solenemente que o país está ingovernável. Já tínhamos percebido que era assim – por isso Guterres se foi embora, por isso Durão optou pela Europa, por isso Ferro Rodrigues mudou de vida. Este aviso da SEDES podia ter sido dado há uns meses ao Presidente da República, talvez se evitassem alguns episódios insólitos, como a não convocação de eleições em Julho ou a dissolução em Dezembro. O que a SEDES vem dizer, de facto, é que o problema não é de quem está, é do estado a que isto chegou.

SETENTA - Um grupo de notáveis figuras da política, com uma idade média na casa dos 70 anos, falou da actualidade (com uma rara excepção) como se não tivessem tido responsabilidades no passado. Na maioria quiseram apresentar-se como impolutas virgens sem mácula sem vivências partidárias. Bem sei que é sempre mais fácil falar quando se está de fora, mas não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas que permitam tornar isto tudo mais possível e governável, diferentes daquelas que já estão em cima da mesa.

BACK TO BASICS – Até ao lavar dos cestos é vindima; convém é ver se o fundo dos cestos está inteiro...

RECOMENDAÇÃO - Existe um blog imperdível , o «Margens de Erro». Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente e cujo link de acesso pode ser encontrado nesse mesmo blog, www.margensdeerro.blogspot.com .

COMIDINHA – Para estes dias frios, uma comida quente. Recomendo vivamente a cozinha goesa do Xanti, Calçada do Livramento, 17, Casa de Goa, mesmo por tràs do Palácio das Necessidades. Tem estacionamento fácil com parque próprio. Comida e serviço impecáveis. Vamos por partes: couvert inclui chapattis que podem ser lambuzados com um chutney de manga verde bem picante e uma pasta de côco e coentros deliciosa; as chamuças têm uma massa levíssima e vêm sem óleo a pingar; boa nota para o caril de gambas e para o xacuti de galinha; a rematar uma bebinca bem caseira. E o sítio ainda por cima é bem engraçado.

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BONECADAS - Não sei se já repararam, mas este ano a campanha eleitoral estará em pleno no período do carnaval – a bem dizer não haverá muita diferença porque os últimos tempos têm sido férteis em partes gagas vindas de todas as direcções. Muito elucidativamente o Bloco de Esquerda arrancou a campanha com uma brincadeira na baixa lisboeta, um jogo de bowling onde os bonecos eram pessoas. É a confirmação de que os partidos tratam as pessoas como bonecos. Fixem isto: o «Público» divulgou esta semana uma sondagem com um resultado aterrador: 76% dos portugueses acham que os políticos só estão interessados nos votos das pessoas, 75% acha que bem lá no fundo os partidos são todos iguais e 50% declaram-se pouco ou nada interessados na política.



FACILIDADES - Numa conjuntura como a actual, num cenário de eleições antecipadas, é bem mais fácil estar na oposição que no Governo – e cá para mim isto foi coisa que pesou na decisão da dissolução. A história deste episódio está aliás ainda para ser bem contada: nas redacções dos media desde o início de Novembro que se sabia que assessores do Presidente da República estudavam a possibilidade do cenário da dissolução e que Belém estava apenas à espera de um pretexto para avançar nesse sentido. A coisa não foi decisão súbita nem provocada por um facto concreto: na realidade esteve a fermentar durante largas semanas à espera de uma oportunidade. E esta azáfama começou apenas três meses depois de Sampaio ter optado por não realizar eleições. Volatilidades...



AVISO - A SEDES veio esta semana avisar solenemente que o país está ingovernável. Já tínhamos percebido que era assim – por isso Guterres se foi embora, por isso Durão optou pela Europa, por isso Ferro Rodrigues mudou de vida. Este aviso da SEDES podia ter sido dado há uns meses ao Presidente da República, talvez se evitassem alguns episódios insólitos, como a não convocação de eleições em Julho ou a dissolução em Dezembro. O que a SEDES vem dizer, de facto, é que o problema não é de quem está, é do estado a que isto chegou.



SETENTA - Um grupo de notáveis figuras da política, com uma idade média na casa dos 70 anos, falou da actualidade (com uma rara excepção) como se não tivessem tido responsabilidades no passado. Na maioria quiseram apresentar-se como impolutas virgens sem mácula sem vivências partidárias. Bem sei que é sempre mais fácil falar quando se está de fora, mas não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas que permitam tornar isto tudo mais possível e governável, diferentes daquelas que já estão em cima da mesa.



BACK TO BASICS – Até ao lavar dos cestos é vindima; convém é ver se o fundo dos cestos está inteiro...



RECOMENDAÇÃO - Existe um blog imperdível , o «Margens de Erro». Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente e cujo link de acesso pode ser encontrado nesse mesmo blog, www.margensdeerro.blogspot.com .



COMIDINHA – Para estes dias frios, uma comida quente. Recomendo vivamente a cozinha goesa do Xanti, Calçada do Livramento, 17, Casa de Goa, mesmo por tràs do Palácio das Necessidades. Tem estacionamento fácil com parque próprio. Comida e serviço impecáveis. Vamos por partes: couvert inclui chapattis que podem ser lambuzados com um chutney de manga verde bem picante e uma pasta de côco e coentros deliciosa; as chamuças têm uma massa levíssima e vêm sem óleo a pingar; boa nota para o caril de gambas e para o xacuti de galinha; a rematar uma bebinca bem caseira. E o sítio ainda por cima é bem engraçado.



janeiro 21, 2005

O GRANDE LOUÇÃ
Por muito que viva, não me hei-de esquecer desta:" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança." (Francisco Louçã dirigindo-se a Paulo Portas num debate eleitoral televisivo).
Os actos - e as palavras - ficam com os seus autores.
Que dirão disto a muito politicamente correcta legião de simpatizantes do Bloco nos media?

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O GRANDE LOUÇÃ

Por muito que viva, não me hei-de esquecer desta:" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança." (Francisco Louçã dirigindo-se a Paulo Portas num debate eleitoral televisivo).

Os actos - e as palavras - ficam com os seus autores.

Que dirão disto a muito politicamente correcta legião de simpatizantes do Bloco nos media?



BLOCO CENTRAL
Quando pensava já ter visto tudo, eis que mais uma vez fui surpreendido: O Presidente do Benfica e do Sporting sentaram-se um ao lado do outro e apresentaram aos portugueses o seu pacto de regime. Jorge Sampaio já foi em parte ouvido. O Bloco Central já funciona no futebol.

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BLOCO CENTRAL

Quando pensava já ter visto tudo, eis que mais uma vez fui surpreendido: O Presidente do Benfica e do Sporting sentaram-se um ao lado do outro e apresentaram aos portugueses o seu pacto de regime. Jorge Sampaio já foi em parte ouvido. O Bloco Central já funciona no futebol.

janeiro 20, 2005

BOATOS
Nada pior que usar a boataria como combustível de campanhas. Quando isto começa é um processo que se torna rapidamente num incêndio incontrolável.

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BOATOS

Nada pior que usar a boataria como combustível de campanhas. Quando isto começa é um processo que se torna rapidamente num incêndio incontrolável.
REFORMAR
No âmbito da presente campanha eleitoral houve quem submetesse a «focus groups» de eleitores ideias-chave para temas de campanha. Uma palavra que ninguém quer ouvir é «reformas»; não as reformas do emprego - mas sim as reformas da sociedade, do sistema do que quer que seja. Os eleitores querem é que nada mude. Mudar custa sempre mais que ficar na mesma, não é?

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REFORMAR

No âmbito da presente campanha eleitoral houve quem submetesse a «focus groups» de eleitores ideias-chave para temas de campanha. Uma palavra que ninguém quer ouvir é «reformas»; não as reformas do emprego - mas sim as reformas da sociedade, do sistema do que quer que seja. Os eleitores querem é que nada mude. Mudar custa sempre mais que ficar na mesma, não é?

PORQUÊ?
Mesmo quando tudo parece estar a correr melhor, há sempre um engano, uma trapalhada, uma troca, que dá cabo do efeito positivo e vem criar mais confusão. Porquê?

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PORQUÊ?

Mesmo quando tudo parece estar a correr melhor, há sempre um engano, uma trapalhada, uma troca, que dá cabo do efeito positivo e vem criar mais confusão. Porquê?

janeiro 19, 2005

OPOSIÇÃO
É quase sempre mais fácil estar na oposição do que estar no Governo quando se trata de eleições antecipadas como na conjuntura actual - cá para mim isto foi aliás tema que pesou na decisão da dissolução. Mas, adiante: a única coisa que dificulta a vida à oposição é que não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas diferentes exequíveis.

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OPOSIÇÃO

É quase sempre mais fácil estar na oposição do que estar no Governo quando se trata de eleições antecipadas como na conjuntura actual - cá para mim isto foi aliás tema que pesou na decisão da dissolução. Mas, adiante: a única coisa que dificulta a vida à oposição é que não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas diferentes exequíveis.

janeiro 18, 2005

Sobre os Partidos
No seu documento «Portugal: afrontar os desafios, assegurar o futuro», a Sedes traça um quadro do sistema político-partidário que é bem certeiro, como se pode ver neste excerto:
Existe hoje uma descrença generalizada no sistema e nos seus principais agentes, que não têm conseguido, apesar da alternância democrática, produzir as soluções que assegurem o desenvolvimento equilibrado e sustentado do País. Portugal começa a apresentar sinais evidentes de ingovernabilidade, que é necessário atalhar.

Por um lado, a agenda política é cada vez mais condicionada pela agenda mediática que, na ausência de referenciais deontológicos geralmente reconhecidos e institucionalmente assegurados, se tem deixado subordinar aos critérios da trivialidade e do espectáculo de massas.

A acção política tende assim a sucumbir frequentemente ao populismo e ao imediatismo, com sacrifício dos resultados mais duradouros.

Além disso, a prática mediática tem sido muito marcada por um enviesamento negativista (explorando e ampliando os aspectos negativos da realidade e da acção) e pela tendência de, sob esse enviesamento, referendar continuamente a acção política, fazendo caminhar o regime, de uma democracia representativa, de mandato político, para uma democracia populista, de base emocional.

Por outro lado, os partidos têm deixado deteriorar a qualidade da representação política da sociedade. Demasiado emaranhados em teias de interesses, a que acabam por ficar sujeitos pelas enormes exigências financeiras que a disputa eleitoral hoje impõe, têm subalternizado o debate doutrinário e a acção norteada por princípios, e desenvolvido mecanismos de selecção mediocrizantes.

Tem sido, aliás, manifesta a incapacidade dos partidos para se renovarem e para atraírem ao seu seio, ou mobilizarem para a actividade política, melhores quadros e melhores valores intelectuais.A sua vida tende a ser dominada por nomenclaturas perdurantes, que, pelo poder que exercem na nomeação de deputados, tem capturado a representação política e constituído um factor de rarefacção e de sério empobrecimento dessa mesma representação. Ao mesmo tempo que torna o próprio poder democrático mais facilmente permeável pelos interesses estabelecidos e contribui para o desinteresse da população na sua representação política e para o estreitamento da base eleitoral.

O documento pode ser lido na íntegra aqui, no Diário de Notícias.

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Sobre os Partidos

No seu documento «Portugal: afrontar os desafios, assegurar o futuro», a Sedes traça um quadro do sistema político-partidário que é bem certeiro, como se pode ver neste excerto:

Existe hoje uma descrença generalizada no sistema e nos seus principais agentes, que não têm conseguido, apesar da alternância democrática, produzir as soluções que assegurem o desenvolvimento equilibrado e sustentado do País. Portugal começa a apresentar sinais evidentes de ingovernabilidade, que é necessário atalhar.



Por um lado, a agenda política é cada vez mais condicionada pela agenda mediática que, na ausência de referenciais deontológicos geralmente reconhecidos e institucionalmente assegurados, se tem deixado subordinar aos critérios da trivialidade e do espectáculo de massas.



A acção política tende assim a sucumbir frequentemente ao populismo e ao imediatismo, com sacrifício dos resultados mais duradouros.



Além disso, a prática mediática tem sido muito marcada por um enviesamento negativista (explorando e ampliando os aspectos negativos da realidade e da acção) e pela tendência de, sob esse enviesamento, referendar continuamente a acção política, fazendo caminhar o regime, de uma democracia representativa, de mandato político, para uma democracia populista, de base emocional.



Por outro lado, os partidos têm deixado deteriorar a qualidade da representação política da sociedade. Demasiado emaranhados em teias de interesses, a que acabam por ficar sujeitos pelas enormes exigências financeiras que a disputa eleitoral hoje impõe, têm subalternizado o debate doutrinário e a acção norteada por princípios, e desenvolvido mecanismos de selecção mediocrizantes.



Tem sido, aliás, manifesta a incapacidade dos partidos para se renovarem e para atraírem ao seu seio, ou mobilizarem para a actividade política, melhores quadros e melhores valores intelectuais.A sua vida tende a ser dominada por nomenclaturas perdurantes, que, pelo poder que exercem na nomeação de deputados, tem capturado a representação política e constituído um factor de rarefacção e de sério empobrecimento dessa mesma representação. Ao mesmo tempo que torna o próprio poder democrático mais facilmente permeável pelos interesses estabelecidos e contribui para o desinteresse da população na sua representação política e para o estreitamento da base eleitoral.



O documento pode ser lido na íntegra aqui, no Diário de Notícias.
INGOVERNÁVEL?
Um estudo da SEDES hoje divulgado alerta para os perigos da ingovernabilidade do país. Alguém devia ter dado os relatórios preliminares ao Presidente da República. Sempre se podia ter poupado algum tempo. E, talvez, o Dr. Sampaio percebesse que o problema não estava nesta maioria. Vai ser giro ver como se vai sair desta - até porque do lado do Engenheiro Sócrates as coisas também não parecem muitop famosas.

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INGOVERNÁVEL?

Um estudo da SEDES hoje divulgado alerta para os perigos da ingovernabilidade do país. Alguém devia ter dado os relatórios preliminares ao Presidente da República. Sempre se podia ter poupado algum tempo. E, talvez, o Dr. Sampaio percebesse que o problema não estava nesta maioria. Vai ser giro ver como se vai sair desta - até porque do lado do Engenheiro Sócrates as coisas também não parecem muitop famosas.

janeiro 17, 2005

SONDAGEM
Existe um blog imperdível , o Margens de Erro. Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente link.pdf.