OPINIÃO
Há muitas maneiras de fazer opinião. Em alguns casos basta escolher algumas notícias - e apenas essas - e dispô-las de determinada maneira, estabelecendo uma relação que tem a ver com uma interpretação dos factos e não necessariamente com a realidade. Pode chamar-se a isso fazer campanha. Ou contra-campanha.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
janeiro 05, 2005
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OPINIÃO
Há muitas maneiras de fazer opinião. Em alguns casos basta escolher algumas notícias - e apenas essas - e dispô-las de determinada maneira, estabelecendo uma relação que tem a ver com uma interpretação dos factos e não necessariamente com a realidade. Pode chamar-se a isso fazer campanha. Ou contra-campanha.
Há muitas maneiras de fazer opinião. Em alguns casos basta escolher algumas notícias - e apenas essas - e dispô-las de determinada maneira, estabelecendo uma relação que tem a ver com uma interpretação dos factos e não necessariamente com a realidade. Pode chamar-se a isso fazer campanha. Ou contra-campanha.
janeiro 04, 2005
TRISTEZA...
As eleições para a presidência norte-americana no ano passado foram um terreno onde a net - e nomeadamente os blogs - foram uma ferramenta indispensável para as campanhas dos principais candidatos. Se derem uma voltinha pelos sites dos partidos portugueses verão como são previsíveis e cinzentões (mesmo quando têm cores vivas), e como não há utilização das novas formas de participação.
As eleições para a presidência norte-americana no ano passado foram um terreno onde a net - e nomeadamente os blogs - foram uma ferramenta indispensável para as campanhas dos principais candidatos. Se derem uma voltinha pelos sites dos partidos portugueses verão como são previsíveis e cinzentões (mesmo quando têm cores vivas), e como não há utilização das novas formas de participação.
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TRISTEZA...
As eleições para a presidência norte-americana no ano passado foram um terreno onde a net - e nomeadamente os blogs - foram uma ferramenta indispensável para as campanhas dos principais candidatos. Se derem uma voltinha pelos sites dos partidos portugueses verão como são previsíveis e cinzentões (mesmo quando têm cores vivas), e como não há utilização das novas formas de participação.
As eleições para a presidência norte-americana no ano passado foram um terreno onde a net - e nomeadamente os blogs - foram uma ferramenta indispensável para as campanhas dos principais candidatos. Se derem uma voltinha pelos sites dos partidos portugueses verão como são previsíveis e cinzentões (mesmo quando têm cores vivas), e como não há utilização das novas formas de participação.
janeiro 03, 2005
O PROBLEMA DO ABUSO
Sabem o que é abuso de posição dominante?
Em 9 de Março de 2004, por e-mail fiz uma reclamação à EDP porque a corrente eléctrica não me chega a casa com os 220 volts que devia – então à noite nem pensar, anda sempre muito aquém desse valor contratado, com todos os prejuízos que tal situação acarreta. Com o Inverno a coisa complicou-se, nem os caloríferos (acumuladores de calor recomendados pela EDP) aquecem como deve ser. Em Março fiz a reclamação na net, recebi uma resposta automática a dizer que o assunto estava a ser seguido. De então até agora ninguém me contactou, o problema não foi resolvido, mas as facturas continuaram sempre a aparecer sem que o serviço que são supostas cobrar seja fornecido como está contratado. No dia 29 de Dezembro enviei nova reclamação pela net e recebi nova resposta automática. A EDP só pode estar a brincar comigo, cliente com as contas em dia. Serviço a clientes é coisa que não conhecem por aquelas bandas. Algumas empresas que detêm monopólios são muito irritantes, não são?
Sabem o que é abuso de posição dominante?
Em 9 de Março de 2004, por e-mail fiz uma reclamação à EDP porque a corrente eléctrica não me chega a casa com os 220 volts que devia – então à noite nem pensar, anda sempre muito aquém desse valor contratado, com todos os prejuízos que tal situação acarreta. Com o Inverno a coisa complicou-se, nem os caloríferos (acumuladores de calor recomendados pela EDP) aquecem como deve ser. Em Março fiz a reclamação na net, recebi uma resposta automática a dizer que o assunto estava a ser seguido. De então até agora ninguém me contactou, o problema não foi resolvido, mas as facturas continuaram sempre a aparecer sem que o serviço que são supostas cobrar seja fornecido como está contratado. No dia 29 de Dezembro enviei nova reclamação pela net e recebi nova resposta automática. A EDP só pode estar a brincar comigo, cliente com as contas em dia. Serviço a clientes é coisa que não conhecem por aquelas bandas. Algumas empresas que detêm monopólios são muito irritantes, não são?
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O PROBLEMA DO ABUSO
Sabem o que é abuso de posição dominante?
Em 9 de Março de 2004, por e-mail fiz uma reclamação à EDP porque a corrente eléctrica não me chega a casa com os 220 volts que devia – então à noite nem pensar, anda sempre muito aquém desse valor contratado, com todos os prejuízos que tal situação acarreta. Com o Inverno a coisa complicou-se, nem os caloríferos (acumuladores de calor recomendados pela EDP) aquecem como deve ser. Em Março fiz a reclamação na net, recebi uma resposta automática a dizer que o assunto estava a ser seguido. De então até agora ninguém me contactou, o problema não foi resolvido, mas as facturas continuaram sempre a aparecer sem que o serviço que são supostas cobrar seja fornecido como está contratado. No dia 29 de Dezembro enviei nova reclamação pela net e recebi nova resposta automática. A EDP só pode estar a brincar comigo, cliente com as contas em dia. Serviço a clientes é coisa que não conhecem por aquelas bandas. Algumas empresas que detêm monopólios são muito irritantes, não são?
Sabem o que é abuso de posição dominante?
Em 9 de Março de 2004, por e-mail fiz uma reclamação à EDP porque a corrente eléctrica não me chega a casa com os 220 volts que devia – então à noite nem pensar, anda sempre muito aquém desse valor contratado, com todos os prejuízos que tal situação acarreta. Com o Inverno a coisa complicou-se, nem os caloríferos (acumuladores de calor recomendados pela EDP) aquecem como deve ser. Em Março fiz a reclamação na net, recebi uma resposta automática a dizer que o assunto estava a ser seguido. De então até agora ninguém me contactou, o problema não foi resolvido, mas as facturas continuaram sempre a aparecer sem que o serviço que são supostas cobrar seja fornecido como está contratado. No dia 29 de Dezembro enviei nova reclamação pela net e recebi nova resposta automática. A EDP só pode estar a brincar comigo, cliente com as contas em dia. Serviço a clientes é coisa que não conhecem por aquelas bandas. Algumas empresas que detêm monopólios são muito irritantes, não são?
janeiro 02, 2005
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DE VOLTA
Ano novo, vida nova. Este blog volta a ter presença regular. Os tempos não estão para menos. Há que desabafar. Até já.
Ano novo, vida nova. Este blog volta a ter presença regular. Os tempos não estão para menos. Há que desabafar. Até já.
janeiro 01, 2005
SE...
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
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SE...
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
Se 2004 não existisse, tinha que ser inventado. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos percebido uma série de coisas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos uma ideia clara dos comportamentos possíveis deste Presidente da República. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o ponto a que a intolerância e o preconceito podem chegar. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos visto como uma série de pessoas actuam. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao desenrolar de uma conspiração. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos sido testemunhas de como os erros são amplificados. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca perceberíamos o que é a resistência às reformas. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca veríamos tantas máscaras caírem em tão pouco tempo. Se esse ano não tivesse sido assim, nunca teríamos assistido ao campeonato nacional de tiros nos pés que tem novas provas todos os dias. Se esse ano não tivesse sido assim, não teríamos assistido ao primado da especulação sobre a notícia.
Vamos ver como vai ser este novo ano. Vamos ver como as coisas se vão passar. Vamos ver como a campanha eleitoral vai decorrer. Vamos ver a que ponto se vai chegar. Vamos ver como se desenrolam as reacções ao que se vai passar. Vamos ver que papéis desempenham os personagens que este ano fizeram furor. Vamos ver que decisões tomam os que tiverem que interpretar o voto dos eleitores. Vamos ver. Se acham que este ano foi complicado, preparem-se para o que se segue.
dezembro 25, 2004
EXEMPLAR – O Governo espanhol consagrou 30 milhões de euros às comemorações do quarto centenário da publicação de «Don Quixote de la Mancha», de Miguel Cervantes, que se assinalam em Janeiro. Entretanto a obra tornou-se num dos livros mais vendidos deste Natal, ao lado de êxitos como o novo romance de Gabriel Garcia Marquez. É assim que se mantém viva uma língua. E se impõe uma presença cultural no mundo.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
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EXEMPLAR – O Governo espanhol consagrou 30 milhões de euros às comemorações do quarto centenário da publicação de «Don Quixote de la Mancha», de Miguel Cervantes, que se assinalam em Janeiro. Entretanto a obra tornou-se num dos livros mais vendidos deste Natal, ao lado de êxitos como o novo romance de Gabriel Garcia Marquez. É assim que se mantém viva uma língua. E se impõe uma presença cultural no mundo.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
NORMALIDADE - Gosto de pessoas com defeitos. Detesto pessoas com a mania que são perfeitas. Gosto de pessoas que de vez em quando se enganam. Detesto os infalíveis. Gosto de pessoas que não têm medo do que gostam na vida. Detesto as pessoas que escondem aquilo de que gostam.
BOLADAS - O belo mundo do Futebol já começou a dar um arzinho da sua graça eleitoral. Pressurosos, alguns políticos abriram os braços à dedicação ao bem público manifestada por tais figuras – veja-se a reverente atitude do PS face à vontade manifestada de Pinto da Costa em animar as autárquicas no Porto. E veja-se a forma como para seus sucessores no FCP se puseram logo em bicos dos pés Luís Filipe Menezes e Fernando Gomes. A promiscuidade entre futebol e política continua viçosa. O totonegócio é o menor dos males; o pior é o votonegócio.
TIROTEIO - Com o aproximar das eleições abriu o campeonato nacional de tiros nos pés. Achavam que as confusões vinham só de dentro do PSD? Então reparem na colecção fornecida esta semana do lado do PS com a co-incineração e a revisão constitucional, a propósito do referendo Europeu.
SUGESTÕES – Em período natalício vale a pena pensar nalgumas prendinhas. Para o Presidente da República o ideal é uma edição comentada da Constituição, dá sempre jeito; para o líder do PSD um colete à prova de facadas vem a calhar, mas com a proliferação de facas dentro do seu partido o melhor é um de protecção reforçada; para o líder do PS um frasco de sais de frutos para aliviar tantos jantares e a indigestão da co-incineração.
PERGUNTA DA SEMANA – Recordam-se do que se passava neste rincão à beira-mar plantado há três anos?
BACK TO BASICS – Numa disputa nada se pode dar por certo e garantido – vejam o Oliveirense.
PERFUME DA SEMANA – o cheiro do poder.
COMIDINHA – Uma bela e apetitosa nova loja em Campo de Ourique, a Gourmet Glamour, na Rua Ferreira Borges. Concilia coisas triviais com chocolates Godiva, cervejas importadas, bons vinhos, congelados invulgares, vegetais de cultura biológica, sushi pronto a levar para casa e empadas que fazem lembrar a Vóvó Donalda. Aberto todos os dias das nove às nove.
IMPERDÍVEL –A sucessão de grandes exposições em Madrid: Gauguin no Museu Thyssen; «O Retrato Espanhol» no renovado e exemplar Museu do Prado; e Antoni Tápies no Reina Sofia. Eu sei que a inveja é coisa feia, mas não consigo deixar de ter um bocadito de inveja de quem vive numa cidade assim.
dezembro 20, 2004
A Cultura, agora?
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
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A Cultura, agora?
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
Nos últimos meses a discussão sobre políticas reduziu-se quase exclusivamente às questões orçamentais. As discussões em volta das políticas económicas e fiscais monopolizou as atenções. Entre as políticas que deixaram de ser debatidas está a política cultural. Já repararam que deixou de haver debate sobre esta questão? Nos temas enunciados como eixos centrais do Fórum Novas Fronteiras o tema «cultura» não consta. De facto, não admira: para quê fazer oposição a uma política cultural que, de tão discreta, se tornou invisível?
A discussão entre políticas culturais costuma pôr em confronto uma política mais virada para a conservação do património, versus uma outra mais virada para a criação contemporânea. É uma falsa discussão, a própria cultura vive do balanço entre a tradição e a invenção.
Ligada à política cultural está a política da língua e não é demais referir que, hoje em dia, este assunto passa essencialmente pela existência de produção audiovisual e multimedia que garanta a sobrevivência da nossa língua e cultura em ecrans de televisão ou de computador. E passa também pela divulgação internacional da nossa capacidade criativa e da nossa tradição, como base para a afirmação de uma imagem externa do país que seja consonante com os objectivos do desenvolvimento económico.
Tudo isto – verdades básicas universalmente aceites – tem a ver com mantermos o nosso lugar no Mundo. Mas, se ninguém considerar o assunto importante, o tema da política cultural continuará eternamente arrumado como uma mania de uns intelectuais e artistas, confinado a um ghetto, mais ou menos subsidiado, mas sem reflexo na sociedade. É assim, infelizmente, que tem sido. E não devia ser – por isso é que vale a pena, agora, falar de Cultura.
PRÉ-NATAL
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
Untitled
PRÉ-NATAL
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
PERFUME – Uma antiga marca de água de colónia espanhola, muito contrabandeada na raia fronteiriça nos idos anos 60, a Tabu, está a planear um regresso em força ao mercado português assente numa agressiva campanha de publicidade que utiliza a imagem de alguns dos principais políticos portugueses, da esquerda à direita, sob o slogan «Eu tenho um Tabu».
QUEIJO – A grande dúvida do momento é saber, caso seja o PS o partido mais votado, qual a qualidade do queijo que escolherá para garantir votos na Assembleia da República. Decorre um estudo de mercado entre aderentes ao Bloco de Esquerda sobre a qualidade do queijo que mais apreciam, embora tudo indica que o Roquefort seja o preferido – o que já está a causar alguns embaraços entre os socialistas. Do lado do PCP a escolha é conhecida: Serpa genuíno. Entre as cosmopolitas misturas e odores do Roquefort ou a genuidade dos produtos rurais alentejanos, a contenda promete.
COMPROMISSO – Os dirigentes do Compromisso Portugal fizeram uma ronda entre partidos a fazer passar a mensagem: « não me comprometa!». Depois deste périplo começou a circular que está em estudo a alteração da designação deste grupo de pressão de empresários e uma das hipóteses em cima da mesa é «Super Heróis». Outra é «Sempre Escuteiros».
DÚVIDA – Bagão Félix chegou ao Governo carregando a capa do homem eficaz, com ideias e bom-senso. A sua passagem pelas Finanças levanta algumas dúvidas sobre a sua verdadeira natureza – ainda para mais depois do recente estrondo em torno da operação de lease-back dos imóveis do Estado e da confusão com os responsáveis de organismos que os ocupam. A menos que tudo isto não seja mais do que reflexos da desorientação criada entre os benfiquistas depois da derrota frente ao Belenenses: se ser Ministro das Finanças já custa, sê-lo com um Benfica destes no pensamento é ainda mais difícil.
SITES – Se experimentarem dar uma volta pelas páginas da net dos principais partidos verão que apesar do muito palavreado sobre democracia on line, a coisa está preta. Mesmo assim o PS é o que se salva mais, já com a campanha a correr. O do PSD pouco passa de um boletim interno com discursos e comunicados de imprensa. O do PCP é totalmente desinteressante sem nada de novo e do Bloco de Esquerda é o mais careta de todos em termos gráficos e de conteúdo. O do PP limita-se a dizer «volte em breve» desde há uns meses.
CONSTATAÇÃO DA SEMANA – A Esfinge nada disse.
PERGUNTA DA SEMANA – Afinal como deve o Presidente interpretar os resultados das eleições?
BACK TO BASICS – Tentar agradar a toda a gente é meio caminho andado para a derrota.
COMIDINHA – Os almoços no Speakeasy, o bar de jazz da Rocha do Conde de óbidos. Reservas pelo 213 909 166. Boa música de fundo, boa comida portuguesa, do bacalhau com grão ao cozido. Garrafeira curta mas boa.
IMPERDÍVEL –A edição deste mês da revista «Egoísta», capa amarela, com lápis de côr anexos, é inteiramente dedicada às crianças. E é uma excelente prenda para qualquer adulto passar uma noite a ver fotografias e desenhos e a ler magníficos textos.
dezembro 13, 2004
O REGIME MUDOU
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
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O REGIME MUDOU
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
NOVIDADE – No meio da crise o Presidente da República vem defender o reforço de poderes presidenciais, nomeadamente na nomeação das entidades reguladoras. Isto sucede dias depois de anunciar ir dissolver a Assembleia da República, o que quer dizer eliminar a actual maioria parlamentar. Quer-me parecer que estamos perante uma crise constitucional. O regime mudou e o presidencialismo está de volta.
DATAS – O chefe da casa civil do Palácio de Belém fez uma declaração a dizer que o Presidente da República comunicou na terça-feira dia 30 os fundamentos da dissolução ao Primeiro Ministro, em resposta a uma afirmação do Primeiro Ministro de que, segunda-feira dia 29, o Presidente da República não lhe tinha dito que não iria dissolver o Parlamento. Que se passou de um dia para o outro? E porquê uma resposta destas que não esclarece nada?
DESPREZO – Não resisto a citar um dos mais divertidos blogs, o
www.jaquinzinhos.blogspot.com , que quinta-feira teve esta tirada: «O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do Presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de Estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de côro. Vão à benzedura (...) e qualquer conselheiro de Estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido».
BACK TO BASICS – As maiores mentiras são ditas em silêncio (George Bernard Shaw).
A PERGUNTA DA SEMANA – Que segredo tem a Esfinge para revelar?
ESCUTAS – O CD «Ulisses» da fadista Cristina Branco, uma das melhores surpresas dos últimos meses. Destaque para as versões de «A Case Of You» de Joni Mitchell, de «Liberté» de Paul Éluard, e da «Gaivota» de Alexandre O’Neill e Alain Oulman.
SUGESTÃO – Jazz para as noites - experimentem ir beber um copo e ouvir mais boa música ao «Onda Jazz», na Rua do Arco de Jesus 7, a Alfama.
EXEMPLO – Vicent Todoli foi de Serralves para a Tate Modern em Londres e adivinhem qual é a grande exposição que lá está? Se pensarem em fotografia e disserem Robert Frank acertaram. A exposição chama-se «Storylines» e inclui, para além das fotografias os filmes do autor do exemplar ensaio fotográfico «The Americans». Se forem a Londres vale a pena vê-la até 23 de Janeiro.
COMIDINHA- O espaço é fantástico, vale a pena descobrir o restaurante «Alecrim às Flores», Travessa do Alecrim nº4 (21 322 53 68), onde Diogo Siqueira está agora a comandar as operações depois de ter feito a fama da «Doca do Espanhol».
dezembro 05, 2004
IMATURIDADE
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
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IMATURIDADE
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
As últimas semanas evidenciam as fragilidades e imaturidades da nossa democracia – a forma como o país e as instituições não conseguem lidar com o que é usual em tantos países da Europa: a mudança de Primeiro-Ministro a meio de um mandato, sem recurso a eleições, desde que permaneça intocada a maioria parlamentar que o sustenta. Esta necessidade de ir a votos fora dos ciclos previstos pela Constituição é uma fraqueza que cria instabilidade e, em última análise, mina a democracia em vez de a fortalecer.
A decisão agora tomada culmina um longo processo de desgaste, onde se juntaram no mesmo caldeirão notáveis de todos os sectores – o dr. Soares até o papão de um golpe de estado militar agitou. O resultado de todo o sururu está à vista: esta é a dissolução mais exclusivamente política de todas as dissoluções pós-25 de Abril - foi decidida sem alteração da base parlamentar de apoio do Governo, é bom que se sublinhe, já que esse foi o principal argumento utilizado pelo Presidente da República, há quatro meses, para dar posse a Santana Lopes; e, ainda por cima, o Presidente deseja salvaguardar a aprovação do Orçamento de Estado – na realidade o mais atacado ponto da acção política do Governo, o que torna tudo ainda mais confuso.
Neste momento já sabemos que em quatro anos o país terá quatro governos e esta instabilidade é o facto que marcará na História, pelas más razões, o último mandato do dr. Sampaio.
O maior risco que existe nesta decisão é que das próximas eleições não saia uma maioria clara. Tendo agora dissolvido o Parlamento, o Presidente não o poderá voltar a fazer, devido aos prazos previstos na Constituição, o que manteria a instabilidade.
No ponto em que as coisas estavam, a grande vantagem da dissolução é provocar a separação das águas e a clarificação. Vamos pois a votos - pelo menos é certo que depois de eleições o argumento da pretensa falta de legitimidade não pode mais voltar a ser utilizado e será certamente mais fácil governar. À partida numas eleições todos podem vencer – não seria a primeira vez que as sondagens eram desmentidas pelo voto.
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