JÁ?
Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
julho 13, 2004
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JÁ?
Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.
Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.
julho 12, 2004
AS ENTREVISTAS
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
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AS ENTREVISTAS
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
DICOTOMIA
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.
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DICOTOMIA
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.
julho 09, 2004
O PROBLEMA DOS DIRECTOS
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.
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O PROBLEMA DOS DIRECTOS
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.
A ESQUINA IMPRESSA
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».
A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.
O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.
NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».
A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.
O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.
NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.
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A ESQUINA IMPRESSA
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».
A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.
O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.
NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.
Aqui vão uns excertos de «A Esquina do Rio», hoje dada à estampa no «Jornal de Negócios».
A SEMANA FOI MARCADA pelo nascimento da Frente Popular. Francisco Louçã disse alto o que alguns pensaram baixinho: o Bloco de Esquerda e o PC estão dispostos a viabilizar um Governo PS, já se sabe que com algumas garantias e exigências, mas isso é fogo de vista retórico. Vamos ao essencial: no mesmo dia em que a CGTP promoveu manifestações pela dissolução do Parlamento, a Frente Popular nasceu em declarações à saída do palácio de Belém. De repente parece que não houve queda do Muro de Berlim, nem perestroike, nem alargamento europeu a Leste. Numa só semana, em Portugal, andámos politicamente 20 anos para trás: instabilidade, governos precários, oscilação, falta de clarificação. O baile está armado.
O QUEIJO LIMIANO de que o PS precisa para poder pensar em governar vai ser desta vez fornecido em bandejas pelo PCP e o Bloco de Esquerda – caso exista, apesar de tudo uma maioria nesse sentido. O problema é que, se num cenário pós-eleições não fôr clara nenhuma maioria, ainda mais se acentua a crise. Ou seja, é evidente, no ponto a que se chegou, que o cenário de dissolução comporta riscos sérios de aumentar a rotatividade de governos, a instabilidade política e económica e de contribuir não para a clarificação mas para a confusão. Digamos, de um ponto de vista prudente, que de facto não se sabe se convocar eleições antecipadas não será correr um risco incontrolável.
NA «ECONOMIST» desta semana há um belo artigo sobre o preço da euforia, que começa assim: « Na Europa Medieval os dirigentes que queriam deixar uma marca no seu tempo construíam uma Catedral. Na Europa moderna constróiem-se estádios desportivos», tal como aconteceu em Portugal e na Grécia, por sinal dois pequenos países em busca de afirmação e de um lugar na nova Europa, sublinha a revista.
julho 08, 2004
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FRASE DO DIA
«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.
«Pode V.Exa. tirar o equídeo da pluviosidade» - Deputado Telmo Correia (PP), respondendo ao Deputado Medeiros Ferreira (PS), a propósito do à vontade com que o PS se considera vencedor de eventuais eleições antecipadas.
julho 07, 2004
IMPERDÍVEL
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
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IMPERDÍVEL
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
Um dos blogs de que mais gosto é A Formiga de Langton. Não resisto a citar um excerto de um recente post: Daniel Dennett, provávelmente o mais conceituado dos filósofos da Inteligência Artificial, estará dia 8 na Faculdade de Ciências às 15h00 (sala 3.2.14 no edifício C3).Tema? Rational Avoidance in a Deterministic World. Segundo ele, parece-me, o elo determinismo-inevitabilidade parece possivel de ser quebrado. Eu espero bem que sim. Até porque neste mesmo dia, o Presidente da Républica vai falar a todos os Portugueses. E a bolsa de Lisboa, uma vez mais, vais estar praticamente imune a isso. E todas as instituições do Estado estarão? Tem estado nestes últimos dias? Que rebuliço deve por lá andar. Logo agora, que Francis Fukuyama, o arauto-mor, parece viver uma nova vida. Para quem rezava que era o fim da história, a história tem dado muitas voltas. Que será dos Neo-Cons daqui por 5-10 anos ??! Que será do PP se se realizar eleições ??! É bom viajar à boleia, qualquer viajante do mundo que se preze o sabe, mas todas as boleias transportam em si mesmas o seu fim. Entre a necessidade do espaço individual e do colectivo a boleia nasce, deambula e morre. É a natureza da própria viagem que a faz assim. O país não é psicadélico, o som está é demasiado alto.
CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
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CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
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DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.
COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
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COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
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