julho 07, 2004

CENÁRIOS:
1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;
2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;
3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.

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CENÁRIOS:

1 - O PR decide manter a maioria parlamentar e não dissolver a Assembleia, convidando o PSD a formar Governo. A esquerda fica furiosa e aumenta a pressão;

2- O PR dissolve, convoca eleições e forma-se uma maioria clara. Parece improvável no actual estado das coisas, pode formar-se uma maioria relativa de esquerda mas também de direita - ficamos portanto mais ou menos como estamos, para pior devido ao desgaste;acresce que se a maioria formada fôr de direita o PR terá em cima do final do seu segundo mandato o ónus de ter preferido apostar numa solução que terá parado o país sem mudar nada;

3- O PR dissolve, convoca eleições e não há maioria possível, chega-se a um empate técnico, renasce o sindroma do voto do queijo limiano. Aí a situação é mesmo a mais complicada e no final o PR arrisca-se a que digam que desprezou uma maioria existente para chegar a um cenário ainda mais instável.
DIMITROV
O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.
Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.

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DIMITROV

O búlgaro Dimitrov foi, no período antes da II Grande Guerra, o teórico daquilo que ficou conhecido pelo Frentismo: sob a direcção dos partidos comunistas constituíam-se coligações que agrupavam as forças de esquerda inter classistas que se apresentavam às eleições sob a designação de Frente Popular - vitoriosos aliás em França e em Espanha a nível eleitoral, o que precipitou outros acontecimentos - mas adiante. Na teoria de Dimitrov a Frente Popular era um passo para a Revolução Democrática e Popular, um estádio intermédio antes da Revolução Socialista. A Frente Popular era assumidamente uma aliança táctica de várias classes para tomar o poder, após o que se caminharia para o admirável mundo novo da pureza socialista, cujos resultados hoje já todos conhecemos sobejamente. Estaline levou a coisa mais além e nos países de Leste ocupados pelo Exército Vermelho após a guerra. fabricou autenticamente partidos que representavam determinadas classes e organizou a sua aliança para poder concretizar as tais democracias populares, a meio caminho para a ditadura do proletariado.

Pois o que por aqui se está a passar é, sem tirar nem pôr, a construção de uma Frente Popular - Francisco Louçã (que está cada vez mais chato a falar, mas que continua a ser o mais sabedor de todos os políticos de esquerda), já veio ontem dar o mote e apelar a uma unificação das esquerdas. Palpita-me que vamos ter muito para observar nos próximos dias - sobretudo para ver como Belém reage à Frente Popular.

COINCIDÊNCIAS
No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...

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COINCIDÊNCIAS

No mesmo dia em que Bloco de Esquerda, Verdes e PCP são recebidos em Belém, a CGTP fez uma tentativa de manifestação. Tudo junto, a uma só voz, dispostos a fabricar alianças para provocar eleições - como Francisco Louça deixou bem claro. Como não acredito em coincidências em matéria política está bom de ver o trabalhinho que por aí anda a ser feito...
FALSAS MAIORIAS
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

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FALSAS MAIORIAS

Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.

Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.

Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.

Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.

A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

julho 05, 2004

NO PAIN, NO GAIN
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

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NO PAIN, NO GAIN

Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

BUFARIA
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

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BUFARIA

Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

QUASE DUAS SEMANAS
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

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QUASE DUAS SEMANAS

Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.

Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.

Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.

Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom

E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

O PACTO DE REGIME
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

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O PACTO DE REGIME

No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.

A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.

Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

julho 02, 2004

AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

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AS DUAS HIPÓTESES

Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.

Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.

Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.

As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

junho 30, 2004

OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

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OS BEM PENSANTES

Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.

Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.

Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?