julho 07, 2004

FALSAS MAIORIAS
Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.
Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.
Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.
Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.
A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

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FALSAS MAIORIAS

Há seis partidos representados na AR: o Bloco de Esquerda, o PCP, os Verdes, o PS, o PSD e o PP. O PSD e o PP têm a maioria dos deputados, mas os partidos à sua esquerda têm a maioria das delegações e das vozes públicas. Até há um partido que nunca foi directamente a votos - os Verdes - mas está representado.

Cada vez que há alguma coisa, surgem quatro vozes de esquerda a falar e duas de direita.

Cheira-me que há aqui qualquer coisa que está mal.

Cheira-me que há aqui uma representatividade subvertida.

A Belém foram quatro vozes partidárias dizer que sim a eleições e duas dizer que não. Acontece que as duas representam uma maioria de votos expressos mas não de opinião reproduzida. Para os públicos que seguem a informação há quatro vozes num sentido e duas noutro. Confuso, não é?

julho 05, 2004

NO PAIN, NO GAIN
Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

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NO PAIN, NO GAIN

Estes Gregos que nos venceram deviam vir de Esparta, tal era a disciplina e a determinação. Devem ter passado horas a treinar a marcação de cantos, coisa que os nossos não fizeram ao que se viu; treinaram horas como defender a grande área bem à frente para pôr os adversários fora de jogo; treinaram horas para garantir contra-ataques. A Grécia ganhou todas as partidas deste Euro por um golo, um único golo. Mas meteu-o e ficou em vantagem, regra básica do futebol. Quem trabalha alcança qualquer coisa. Nós também trabalhámos - admito - mas focámos mais na esperança que na disciplina.

BUFARIA
Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

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BUFARIA

Se eu contasse todas as conversas telefónicas que tenho e todas as mensagens que recebo a apelar para isto ou aquilo não havia de faltar de protesto se eu viesse a público com o assunto. Mas foi isso mesmo que fez alguém que recebeu um sms meu a apelar à não dissolução do parlamento e a exprimir o apoio a Pedro Santana Lopes para Primeiro Ministro e que foi a correr denunciar o facto ao «Expresso» como se de um crime se tratasse. Por acaso tenho uma muito boa ideia de quem é a bufa - grande, traiçoeira e pouco esperta por sinal.

QUASE DUAS SEMANAS
Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.
Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.
Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.
Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom
E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

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QUASE DUAS SEMANAS

Agora já parou o futebol e o decorrer do tempo vai pesar de forma mais saliente. A crise tem quase quinze dias: foi numa terça feira de há duas semanas, salvo erro, que o «Público» indicava que Durão Barroso podia partir para Bruxelas.

Desde há quinze dias que se sucedem opiniões, declarações, pressões. O processo tem sido educativo até porqiue tem permitido que o irracional venha ao de cima, dos locais mais insuspeitos.

Os muito frios, os muito racionais, os muito certinhos, apavoraram-se de tal forma que se excederam em tudo quando perceberam que Santana Lopes podia ser a possibilidade - e vieram a terreiro tratá-lo como se tivesse peçonha.

Se outra coisa não tivesse acontecido, este processo serviu para separar as águas, o que é sempre bom

E a ver vamos como elas se separam até tudo estar finalizado.

O PACTO DE REGIME
No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.
A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.
Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

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O PACTO DE REGIME

No meio do jogo de pingue-pongue que tem caracterizado as últimas duas semanas, a proposta apresentada por Alexandre Soares Santos na entrevista concedida ao programa «Diga Lá Excelência» é a mais lúcida de todas: o PR deve evitar convocar eleições e deve patrocinar um pacto de regime.

A situação do país é complicada, é fundamental recuperar atrasos, garantir investimentos, assegurar obra feita. Isso não se faz no meio de guerrilhas.

Era bom que no meio de tudo isto alguém pusesse o país à frente sem ser só no futebol.

julho 02, 2004

AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

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AS DUAS HIPÓTESES

Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.

Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.

Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.

As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

junho 30, 2004

OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

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OS BEM PENSANTES

Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.

Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.

Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

junho 29, 2004

LEITURAS
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

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LEITURAS

É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.

«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

junho 28, 2004

O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?

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O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES

Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.

Recordações da época:

1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;

2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;

3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.

Foi assim ou não?
ESPECULAÇÕES
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.

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ESPECULAÇÕES

Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.

Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.

No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.