julho 02, 2004

AS DUAS HIPÓTESES
Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.
Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.
Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.
As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

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AS DUAS HIPÓTESES

Sem querer jogar com cálculos de probabilidades, aqui vai uma verdade de La Palisse: nesta crise política há duas hipóteses, ou se convocam eleições, ou não.

Se não se convocarem eleições o PSD formnará novo governo, assente na maioria que a coligação lhe garante, e terá que se manter dentro das baias do programa de Governo de Durão Barroso.Isso já foi aliás garantido.

Se forem convocadas eleições o novo Governo terá um novo programa e seja qual fôr o resultado eleitoral inicia-se um novo ciclo.

As eleições podem ajudar a clarificar as coisas; mas também podem contribuir para baralhar: imagine-se que, graças a uma bem disputada campanha, Pedro Santana Lopes consiga inverter a tendência actual do eleitorado? Teríamos tido o país parado meia dúzia de meses para no fim se obter o mesmo resultado.

junho 30, 2004

OS BEM PENSANTES
Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.
Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.
Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

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OS BEM PENSANTES

Os bem pensantes acham que têm toda a razão. Estão habituados a não serem contestados. São uma espécie de «donos do universo» de que Tom Wolfe falava, só que o são no campo da política e não dos negócios. Fenómenos como a capacidade de comunicação, sensibilidade pelas aspirações populares, identificação com os gostos dos diversos públicos afligem-nos. Estão habituados a funcionar em círculo fechado, nas elites. Dão-se bem no esquema «faz-me cócegas que eu faço-te rir». Odeiam o êxito. Odeiam a popularidade. Odeiam a massificação. Odeiam isto tudo, mas no fundo gostavam de ter muitos que os seguissem. Apenas odeiam o êxito dos outros que não são como eles.

Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira parada de vaidades. Todos aparecem a marcar posição, de banqueiros a escritores - coisa para o velho Pessoa se largar a rir às gargalhadas.

Imaginem agora que, em vez de ser Santana Lopes o nome que é o alvo, era o de Marcelo Rebelo de Sousa. Que diriam todos se o Eng. Belmiro repetisse, sobre o Professor, aquilo que uma vez já disse?

junho 29, 2004

LEITURAS
É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.
«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

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LEITURAS

É engraçado seguir os media: os que apenas relatam (e que são os melhores), os que são meros intermediários de pressões e lobbies (vários, cada vez mais) e finalmente os que são orgãos centrais de um qualquer interesse - são os piores de todos porque se apresentam como se fossem independentes.

«A Capital» encaixa neste último rol - nos últimos dias é o orgão central da campanha contra Pedro Santana Lopes. Mais valia que tivesse esta frase escrita debaixo do cabeçalho. Pelo menos era mais honesto.

junho 28, 2004

O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES
Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.
Recordações da época:
1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;
2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;
3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.
Foi assim ou não?

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O VERDADEIRO CONTEXTO DE GUTERRES

Nos últimos dias houve quem recordasse que Guterres saíu do Governo depois de uma derrota eleitoral, que o motivou a pedir a dissolução da Assembleia da República.

Recordações da época:

1- O Governo não dispunha de uma maioria parlamentar clara, estava de facto em situação de empate técnico;

2- Guterres tinha na memória o episódio do voto «do queijo limiano»;

3- As eleições em que foi derrotado foram sobre política interna e nelas o PS perdeu as maiores autarquias que controlava, nomeadamente Lisboa, Porto, Sintra, Cascais e Coimbra.

Foi assim ou não?
ESPECULAÇÕES
Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.
Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.
No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.

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ESPECULAÇÕES

Os últimos dias mostram todos os problemas que surgem quando há especulação a mais e bom jornalismo a menos. Desde nomes que são postos a circular à quase total ausência de fontes identificadas em matérias sensíveis do ponto de vista político, até opinião pura e simples encapotada de citações de origem anónima, temos assistido de tudo um pouco.

Alguns jornais americanos estão a considerar deixar de publicar notícias que citem fontes não identificadas.

No noticiário político, pelo menos, muito se ganhava em transparência, honestidade e rigôr se esse princípio fosse desde já seguido.

junho 27, 2004

MEMÓRIA
Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.

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MEMÓRIA

Alguns jornais dizem hoje que o Presidente da República tenciona ouvir algumas personalidades sobre a actual situação política, entre elas o Professor Cavaco Silva. Calha recordar as palavras elogiosas a Santana Lopes que Cavaco proferiu num depoimento gravado para a Campanha Eleitoral nas últimas autárquicas de Lisboa.
O OUTRO CAMPEONATO
Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.

E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.

Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.

Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.

(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)

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O OUTRO CAMPEONATO

Inesperadamente, sexta-feira começou outro campeonato. Ainda no rescaldo da vitória de Quinta-Feira, o esférico deslocou-se para S.Bento. O jogo passou a desenrolar-se entre Bruxelas e Lisboa, com Belém a arbitrar e a Irlanda a treinar. Se Durão Barroso fôr para Presidente da Comissão Europeia é mais uma vitória de Portugal.



E depois do adeus? Depois do adeus de Durão, pode ser Santana Lopes o Primeiro Ministro. Espero que sim. Já muita gente disse que com ele isto podia ganhar outra energia – uma espécie de Ricardo, umas vezes a defender, outras a marcar golos.



Já agora, como as memórias são curtas, convém aqui recordar uma coisa a propósito do Euro 2004. Quando Santana Lopes entrou para a Câmara Municipal de Lisboa os novos estádios de Lisboa estavam num processo complicado e muita gente dizia que o da Luz não ficaria pronto. Os estádios aí estão e é justo recordar o papel de Santana Lopes no assunto.



Espero que na próxima quarta-feira possamos celebrar várias vitórias para Portugal. Agora há que ter calma, cabeça fria e fazer muito jogo.



(este texto foi publicado na edição de hoje do jornal «Record», no âmbito das colunas sobre o Euro 2004)

junho 26, 2004

O NOVO CICLO
Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.
Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.
O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.
E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.

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O NOVO CICLO

Aconteça o que acontecer, vai começar um novo ciclo. É bom que o sistema encontre formas de se renovar, de alterar políticas e até protagonistas. Aquilo a que estamos a começar a assistir pode ser importante para ver como o sistema político pode evoluir, como o processo de tomada de decisões e de mudança pode sair fora de padrões standards.

Se Durão Barroso fôr para Bruxelas e Pedro Santana Lopes fôr indicado para Primeiro Ministro, Portugal fica a ganhar duplamente: ganha maior prestígio internacional e possibilita-se um refrescamento significativo de toda a política interna.

O que é mais engraçado é como muitos dos que diziam ser necessária uma remodelação temem agora que, em vez de umas poucas mudanças, surja agora uma remodelação profunda.

E é muito engraçado ver como há tanta gente que, enchendo a boca de Constituição no dia-a-dia, tem tendência em alturas de crise de não se lembrar como o regime funciona. O sol quando nasce é para todos.
DELÍRIO
Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.
Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.

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DELÍRIO

Uma espreitadela ao blog de Pacheco Pereira mostra como a raiva pessoal provoca cegueira e facilita estádios de delírio. Embora se perceba que as prolongadas ausências do país dificultam a abordagem de temas nacionais, não se entende como Pacheco Pereira defende a paralisação do país (nomeação de eventual novo primeiro-ministro apenas após congresso do PSD, quer dizer pelo menos daqui a várias semanas), como insinua que uma manifestação que anda a ser convocada por sms por quem tem extensas listas telefónicas de pessoas próximas da esquerda possa vir de outro sítio.

Este truque da insinuação é coisa antiga na política - mas de tanto escrever e investigar a vida de Cunhal e do PC, Pacheco deve ter absorvido alguns dos seus hábitos.

SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS
Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.
Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.
Então vamos a isso:
- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?
- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?
- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?
- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.
- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?
- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?
-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?
- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?
O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?
Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.

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SÓ PARA AVIVAR MEMÓRIAS

Começou o habitual rosário de dislates a propósito de Lisboa.

Convém recordar algumas coisas para quem diz que nada se fez ou para quem só gosta de falar do que ainda não está acabado.

Então vamos a isso:

- Encerramento do Bairro Alto e Alfama ao trânsito. Há quantos anos se falava disso? Quem fez?

- Recuperação dos prédios degradados em zonas históricas da cidade. Quem tratou do que já está à vista, a começar em S. Bento e a acabar em Alfama?

- Devolução de Monsanto à cidade, criação de novos espaços, animação cultural, novos equipamentos. Quem fez?

- Lançamento de projectos estruturantes em relação ao trânsito da cidade, como o túnel cujas obras foram forçadas a parar num processo mais nebuloso.

- Política social de apoio à terceira idade, aos mais novos, criação de espaços desportivos em bairros sociais?

- Sistema de transportes dentro de bairros para os munícipes. Quem fez?

-Lançamento e abertura de novos parques de estacionamento como o da Praça de Londres. Quem fez?

- Criação da Loja do Munícipe e de serviços como o Alerta para resolver os problemas das ruas de Lisboa. Quem fez?

O rol podia ser maior, podia incluir os projectos do novo edifício dos arquivos, a forma como os serviços da câmara funcionam melhor, a maneira como os jardins estão mais limpos, a maior rapidez na obtenção de licenças para obras. Quem fez tudo isto?

Dizer que nada está feito é a coisa mais fácil do mundo. Para os que tanto falam em populismo, vale a pena dizer que falsificar a verdade é a maior forma de populismo e dedegradação do sistema.