TER
Tenho saudades do que vi, vontade do que senti
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
dezembro 06, 2003
ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
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ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
dezembro 02, 2003
SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
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SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
novembro 26, 2003
EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
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EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
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ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
GRANDE REPOSTAGEM
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
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HOJE
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
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COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
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