A VOZ
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
novembro 20, 2003
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A VOZ
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
Para os que não têm ideia o Village Voice é uma das referências do jornalismo norte-americano. Nas suas páginas começaram a escrever alguns dos grandes repórteres e escritores contemporâneos.
Para terem uma ideia:
When it was founded by Dan Wolf, Ed Fancher and Norman Mailer in the fall of 1955, The Village Voice introduced free-form, high-spirited and passionate journalism into the public discourse. As the nation's first and largest alternative newsweekly, the Voice maintains the same tradition of no-holds barred reporting and criticism it first embraced when it began publishing more than forty years ago.
The recipient of three Pulitzer prizes, the George Polk Award, Front Page Awards, Deadline Club Awards and many others, the Voice has earned a reputation for its groundbreaking investigations of New York City politics, and as the premier expert on New York's downtown scene. Writing and reporting on local and national politics, with opinionated arts, culture, music, dance, film and theater reviews, Web dispatches and comprehensive entertainment listings, the Voice is the authoritative source on all that New York has to offer. Add classifieds unrivaled by any other New York publication, the Voice is New York's most influential must-read alternative newspaper.
Dozens of diverse, talented and idiosyncratic writers, novelists, playwrights, poets, and political activists—lured by the journalistic freedom that non-mainstream status affords—have filled the Voice's pages over the years, cementing its standing as "a writer's paper." Among those who made the paper their romping ground in the past were Ezra Pound, Henry Miller, Katherine Anne Porter, James Baldwin, e.e. cummings, Ted Hoagland, Tom Stoppard, Lorraine Hansberry, Jerry Tallmer, Allen Ginsberg, Murray Kempton, I.F. Stone, Pete Hamill, and Roger Wilkins. Former Editors in Chief have included Dan Wolf, Clay Felker, Tom Morgan, Marianne Partridge, David Schneiderman, Robert Friedman, Marty Gottlieb, Jonathan Larsen, and Karen Durbin.
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OSCAR WILDE
«Experiência é o nome que damos aos nosso erros».
«Perdoem sempre aos vossos inimigos; nada os deixa tão irritados».
«Experiência é o nome que damos aos nosso erros».
«Perdoem sempre aos vossos inimigos; nada os deixa tão irritados».
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
novembro 19, 2003
MANEL
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
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MANEL
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
Lembras-te quando eu passava os hinos de Meat Loaf no nosso programa de rádio de bandas sonoras de cinema e dizia que elas eram as mais cinematográficas de todas as canções? Recordas-te como me fizeste descobrir as bandas sonoras dos filmes do Almodóvar? Nestes dias tenho pensado naquelas nossas noites, num estúdio de rádio nas Amoreiras, no velho Rádio Clube Português, a curtir a paixão da música e do cinema que nos devorava. Só fazíamos aquilo por gôzo, puro gôzo - de falar, conversar, passar um bom bocado.
Resolveste fazer outro filme, teimoso como sempre foste, convicto, cheio de ideias próprias. Sempre te percebi e tenho que te perceber agora. Tenho já saudades tuas, mas percebo-te. Vamos falando Manel, cada vez que ouvir uma canção num filme vou pensar no teu sorriso, cada vez que topar um diálogo bem esgalhado vou recordar o teu encanto pelas boas «deixas». Sei que quando ouvires as guitarras do Meat Loaf te vais rir às gargalhadas.
Força rapaz. Pelo menos ficaste a saber que o velho Arnold acabou em governador - nós sempre achámos que ele tinha um futuro promissor. Força rapaz.
novembro 18, 2003
BUSH NO REINO UNIDO
Se querem saber porque é que uma fotografia ao lado da Rainha Isabel II pode ser importante para a geoiestratégia mundial, leiam o Spectator.
Se querem saber porque é que uma fotografia ao lado da Rainha Isabel II pode ser importante para a geoiestratégia mundial, leiam o Spectator.
BRASIL VIRA-SE PARA LINUX
Mais dores de cabeça para a Microsoft: o responsável do Governo Federal pe4los sistemas de informação defende a utilização de plataformas de código aberto como o Linux pelos departamentos opficiais. Leia na Wired.
Mais dores de cabeça para a Microsoft: o responsável do Governo Federal pe4los sistemas de informação defende a utilização de plataformas de código aberto como o Linux pelos departamentos opficiais. Leia na Wired.
novembro 15, 2003
BOLA
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
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BOLA
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
Não deliro com futebol. Nem a selecção me entusiasma - e pelo caminho que as coisas levam entusiasmará poucos portugueses. Com todo o devido respeito ao meu querido amigo, acho esta conversa em torno do novo estádio do FCP uma idiotice e não consigo perecber que o facto obrigue a alterar a vida das pessoas. Quem está. está; quem não está, estivesse. Cá por mim o Euro 2004 não era preciso para nada. Nunca vi dinheiro tão mal gasto.
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MÚSICA
Desde há três dias o disco que ouço repetidamente é o novo trabalho de Van Morrison, o seu primeiro registo para a prestigiada Blue Note, o muito apropriado «What’s Wrong With This Picture?».
Desde há três dias o disco que ouço repetidamente é o novo trabalho de Van Morrison, o seu primeiro registo para a prestigiada Blue Note, o muito apropriado «What’s Wrong With This Picture?».
A ESQUINA ESCRITA
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
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A ESQUINA ESCRITA
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
Como ontem foi sexta, a «esquina» teve a sua versão impressa no «Jornal de Negócios». Excertos:
Em declarações no Cinamina, Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, o respectivo Presidente do Júri, o realizador João Botelho, disse coisas um pouco exageradas - mas certeiras - sobre as televisões. Passo a citar: «Eles transformaram os telejornais em ficção e o resto são “reality shows”. Há cada vez menos espaço para coisas sérias, boas e rigorosas». Na mesma intervenção João Botelho exprimiu as suas dúvidas sobre a capacidade do futuro sucessor da RTP 2 em modificar este panorama. Continuo a achar ser possível criar condições que permitam que os factos mostrem que nesta última parte João Botelho se equivocou.
(...)
Criado pelo Ministro da Presidência, apresentado em Dezembro do ano passado como parte integrante das «Novas Opções Para o Audiovisual», o relatório do Grupo de Trabalho, na nota introdutória subscrita pelos seus membros, entre os quais me incluí, afirmava:
«Queremos também sublinhar uma convicção: o Serviço Público de Televisão não se coaduna com projectos de concorrência com os operadores privados, nem com a duplicação de estruturas ou o desperdício de meios, nem com a tentação da conquista fácil das audiências. Acreditamos que o Serviço Público de Televisão não pode ser escravo dos indícies de audiência, embora não possa ignorar audiências; deve ser visto pelo maior número, mas não depende, apenas, do maior número; assume a função de referência, porque a sua existência não depende de razões de mercado; e naturalmente está sujeito a mais obrigações do que os operadores privados, embora também estes devam submeter-se a certas obrigações de natureza pública».
E, mais adiante, nas Conclusões Gerais: « O Grupo de Trabalho entende que a segunda frequência pública disponível não deverá ser um canal generalista, mas antes um serviço alternativo aberto à sociedade civil, que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade definidos neste documento, na sequência das ideias incluídas no capítulo “Programação Própria e Alternativa”». É este capítulo cuja leitura vivamente se aconselha e foi ele que, no essencial, serviu de guia para iniciar a formatação da RTP 2. Todo este trabalho serviu também para formular a proposta das «Novas Opções do Audiovisual» apresentada pelo Ministro da Presidência, da qual cito partes: «o objectivo do segundo canal é...fazer serviço público de televisão fora do operador de serviço público»; «não sendo um canal generalista procurará públicos exigentes e segmentados»; «o modelo definido, com uma gestão económico-financeira autónoma, procurando a auto-sustentação, terá um orçamento global que se estima em 50% do orçamento do Canal 2» (que era de cerca de 52 milhões de euros/ano). O mesmo documento definia claramente a cultura, a educação e a formação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, o ambiente e a defesa do consumidor, o cinema português e o experimentalismo audiovisual como as principais áreas de vocação do novo canal.
Continuo a achar que este modelo faz sentido e é possível. Confio que continue a existir empenho, de toda a gente envolvida nas decisões e operações de criação do novo canal, em que ele se concretize, nos timings e condições em que tudo foi anunciado e previsto. Acredito que o cepticismo do João Botelho desta vez se prove enganado e que os seus filmes possam ter o destaque que merecem nessa nova televisão. Aliás, só assim este projecto fará sentido.
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