setembro 20, 2003

CASTING MATINAL
Encontrar actor que represente o tipo de pessoa que só se guia por dois considerandos: manutenção do estatuto pessoal e impedir tudo o que levemente pareça mudança. O actor deve ter facilidade em mostrar ser avesso a analisar os problemas, a encarar dados objectivos, a adaptar-se às situações e a ter em conta as opiniões dos outros. Preferencialmente deverá ser arrogante, evidenciar facilidade e naturalidade em invocar a autoridade sobre a razão, e comportar-se da forma mais hipócrita possível. Se conhecerem alguém que se adapte ao retrato, digam qualquer coisinha - ando a escrever mentalmente uma sitcom baseada nas minhas experiências mais recentes e tenho lá um personagem mesmo assim. O nome provisório do projecto é «O VELHO HOTEL».

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CASTING MATINAL

Encontrar actor que represente o tipo de pessoa que só se guia por dois considerandos: manutenção do estatuto pessoal e impedir tudo o que levemente pareça mudança. O actor deve ter facilidade em mostrar ser avesso a analisar os problemas, a encarar dados objectivos, a adaptar-se às situações e a ter em conta as opiniões dos outros. Preferencialmente deverá ser arrogante, evidenciar facilidade e naturalidade em invocar a autoridade sobre a razão, e comportar-se da forma mais hipócrita possível. Se conhecerem alguém que se adapte ao retrato, digam qualquer coisinha - ando a escrever mentalmente uma sitcom baseada nas minhas experiências mais recentes e tenho lá um personagem mesmo assim. O nome provisório do projecto é «O VELHO HOTEL».

RÁDIO
Belo artigo o da Columbia Journalism Review sobre o ressurgir das rádios locais e a importância que elas assumem para as comunidades. O artigo mostra ainda como elas estão a ser as responsáveis por evitar que os planos de concentração de media avancem tão rápido como alguns desejariam. Excertos:They bought their equipment on e-Bay. Their antenna is attached to a water pipe on the roof. They have only two staff members, but more than fifty people volunteer in the studio on their time off from jobs as factory workers, busboys, and grocery clerks. Few at the station speak English. Some are illiterate. No one has any previous experience in radio. It's WSBL-LP in South Bend, Indiana, and it's low-power FM.

In the increasingly corporate world of radio, low-power FM isn't about how far your signal reaches but how near. These are neighborhood stations with 100-watt signals that travel single-digit miles. They are run by civil rights organizations, by environmental activists, by church groups and school districts. They are voices that have either been pushed out of the radio spectrum or never invited into it, and the appetite for them speaks to a growing need in this country for community. And with a recent technical study providing leverage in low-power's struggle with big radio, there just might be more of them on air.

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RÁDIO

Belo artigo o da Columbia Journalism Review sobre o ressurgir das rádios locais e a importância que elas assumem para as comunidades. O artigo mostra ainda como elas estão a ser as responsáveis por evitar que os planos de concentração de media avancem tão rápido como alguns desejariam. Excertos:They bought their equipment on e-Bay. Their antenna is attached to a water pipe on the roof. They have only two staff members, but more than fifty people volunteer in the studio on their time off from jobs as factory workers, busboys, and grocery clerks. Few at the station speak English. Some are illiterate. No one has any previous experience in radio. It's WSBL-LP in South Bend, Indiana, and it's low-power FM.



In the increasingly corporate world of radio, low-power FM isn't about how far your signal reaches but how near. These are neighborhood stations with 100-watt signals that travel single-digit miles. They are run by civil rights organizations, by environmental activists, by church groups and school districts. They are voices that have either been pushed out of the radio spectrum or never invited into it, and the appetite for them speaks to a growing need in this country for community. And with a recent technical study providing leverage in low-power's struggle with big radio, there just might be more of them on air.



IMAGINE
No Daily Telegraph de hoje, Yoko Ono explica numa entrevista como nasceu uma das melhores canções de John Lennon, «Imagine».

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IMAGINE

No Daily Telegraph de hoje, Yoko Ono explica numa entrevista como nasceu uma das melhores canções de John Lennon, «Imagine».

setembro 19, 2003

TELEJORNAIS
A coluna de hoje de Eduardo Prado Coelho sobre os telejornais que nos impingem é de leitura obrigatória. Chama-se Os protestantes.
Excertos:
O que é curioso é que a agenda dos telejornais das televisões públicas e privadas é aproximadamente a mesma. Faça a experiência de estar a ver a RTP e ficar farto dos problemas da escola de Vila Meã, e então decida-se a passar para a SIC: é quase certo que encontrará os problemas da escola de Fontanelas. E se experimentar a TVI? Aguardam-no os problemas da escola da Mexilhoeira Grande. E se, exasperado, regressar à RTP, verifica que estes passaram da Vila Meã para Fontanelas e que vai ter que ver as mesmas crianças, a mesma professora, os mesmos pais e a mesma porta que não fecha, de que já tomou conhecimento nas informações da SIC.
...
As consequências desta orientação (que espero que desapareça nos noticiários sintéticos da Dois) são várias. Por um lado, deixam a convicção de que os verdadeiros problemas da educação são apenas estes. Em segundo lugar, criam uma imagem de miserabilismo que não tem o contraponto na existência de escolas modernas e bem apetrechadas (que também existem). Em terceiro lugar, acentuam a ideia populista de que o povo tem sempre razão e todos os problemas são provocados por nefandos burocratas sem alma. Em quarto lugar, engrenam no círculo vicioso de manifestações feitas para a televisão ver e que a televisão vai ver para que elas se continuem a fazer: as crianças, os pais e mesmo os presidentes das juntas de freguesia têm o seu quarto de hora de glória mediática - que, como se sabe, pode ser a redenção de uma vida.

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TELEJORNAIS

A coluna de hoje de Eduardo Prado Coelho sobre os telejornais que nos impingem é de leitura obrigatória. Chama-se Os protestantes.

Excertos:

O que é curioso é que a agenda dos telejornais das televisões públicas e privadas é aproximadamente a mesma. Faça a experiência de estar a ver a RTP e ficar farto dos problemas da escola de Vila Meã, e então decida-se a passar para a SIC: é quase certo que encontrará os problemas da escola de Fontanelas. E se experimentar a TVI? Aguardam-no os problemas da escola da Mexilhoeira Grande. E se, exasperado, regressar à RTP, verifica que estes passaram da Vila Meã para Fontanelas e que vai ter que ver as mesmas crianças, a mesma professora, os mesmos pais e a mesma porta que não fecha, de que já tomou conhecimento nas informações da SIC.

...

As consequências desta orientação (que espero que desapareça nos noticiários sintéticos da Dois) são várias. Por um lado, deixam a convicção de que os verdadeiros problemas da educação são apenas estes. Em segundo lugar, criam uma imagem de miserabilismo que não tem o contraponto na existência de escolas modernas e bem apetrechadas (que também existem). Em terceiro lugar, acentuam a ideia populista de que o povo tem sempre razão e todos os problemas são provocados por nefandos burocratas sem alma. Em quarto lugar, engrenam no círculo vicioso de manifestações feitas para a televisão ver e que a televisão vai ver para que elas se continuem a fazer: as crianças, os pais e mesmo os presidentes das juntas de freguesia têm o seu quarto de hora de glória mediática - que, como se sabe, pode ser a redenção de uma vida.



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HOJE A ESQUINA ESTÁ EM PAPEL

Porque hoje há sexta, a Esquina aparece em papel no Jornal de Negócios. Excertos desta semana:

COMUNICAÇÃO

O livro que me ocupou o fim de semana, e que é uma das obras mais interessantes que tenho lido ultimamente, chama-se «A Queda da Publicidade e a ascensão das Relações Públicas», de Al Ries e Laura Ries, editado agora em Portugal pela Notícias Editorial, com prefácio e tradução de Luis Paixão Martins, um profissional da área e admirador confesso das teorias dos Ries. Publicado originalmente em 2002, o livro defende como chave para a implantação de uma marca um trabalho de médio e longo prazo e cita numerosos exemplos e casos, desde a Playstation ao Viagra, passando pela Amazon. Al Ries e a sua filha Laura Ries são os autores de um outro best-seller desta área, « The 22 Immutable Laws Of Branding» e dirigem em conjunto a Roswell GA, uma agência que trabalha com algumas das grandes empresas mundiais. Não resisto a um excerto, respigado do capítulo «O Poder de Terceiros» . «Tudo o que sei –disse Will Rogers - é o que leio nos jornais. É verdade. A maior parte das pessoas apenas «sabe» o que lê, vê ou escuta nos media ou que aprende em pessoas em quem confia....A maior parte das pessoas determina o que é melhor procurando o que os outros pensam que é melhor. E as duas maiores fontes para essa determinação são os media e o passa-palavra...Comparada com o poder da imprensa, a publicidade tem uma credibilidade próxima do zero».



CENTENÁRIO

Na Assembleia da República está uma exposição bem engraçada sobre «100 Anos de Parlamento» que tem um belíssimo catálogo homólogo, tudo feito a propósito do centenário da Sala das Sessões. Num instante passa-se pelo período final da Monarquia, pela Primeira República, o Estado Novo e a Democracia. O álbum, abundantemente ilustrado, é das melhores obras sobre a iconografia da nossa memória política colectiva.

Aqui está, com esta exposição e o álbum que a acompanha, um exemplo de uma actividade dos parlamentares que bem merecia ser mais conhecida.



Hoje a banda sonora da escrita da Esquina foi o CD «Small Change» de Tom Waits, e sobretudo o repetido refrão «Waltzing Mathilda» da faixa de abertura, «Tom Traubert’s Blues», um original de 1976.
- mas esta parte da música já os leitores deste blog sabiam.

HOJE A ESQUINA ESTÁ EM PAPEL
Porque hoje há sexta, a Esquina aparece em papel no Jornal de Negócios. Excertos desta semana:
COMUNICAÇÃO
O livro que me ocupou o fim de semana, e que é uma das obras mais interessantes que tenho lido ultimamente, chama-se «A Queda da Publicidade e a ascensão das Relações Públicas», de Al Ries e Laura Ries, editado agora em Portugal pela Notícias Editorial, com prefácio e tradução de Luis Paixão Martins, um profissional da área e admirador confesso das teorias dos Ries. Publicado originalmente em 2002, o livro defende como chave para a implantação de uma marca um trabalho de médio e longo prazo e cita numerosos exemplos e casos, desde a Playstation ao Viagra, passando pela Amazon. Al Ries e a sua filha Laura Ries são os autores de um outro best-seller desta área, « The 22 Immutable Laws Of Branding» e dirigem em conjunto a Roswell GA, uma agência que trabalha com algumas das grandes empresas mundiais. Não resisto a um excerto, respigado do capítulo «O Poder de Terceiros» . «Tudo o que sei –disse Will Rogers - é o que leio nos jornais. É verdade. A maior parte das pessoas apenas «sabe» o que lê, vê ou escuta nos media ou que aprende em pessoas em quem confia....A maior parte das pessoas determina o que é melhor procurando o que os outros pensam que é melhor. E as duas maiores fontes para essa determinação são os media e o passa-palavra...Comparada com o poder da imprensa, a publicidade tem uma credibilidade próxima do zero».

CENTENÁRIO
Na Assembleia da República está uma exposição bem engraçada sobre «100 Anos de Parlamento» que tem um belíssimo catálogo homólogo, tudo feito a propósito do centenário da Sala das Sessões. Num instante passa-se pelo período final da Monarquia, pela Primeira República, o Estado Novo e a Democracia. O álbum, abundantemente ilustrado, é das melhores obras sobre a iconografia da nossa memória política colectiva.
Aqui está, com esta exposição e o álbum que a acompanha, um exemplo de uma actividade dos parlamentares que bem merecia ser mais conhecida.

Hoje a banda sonora da escrita da Esquina foi o CD «Small Change» de Tom Waits, e sobretudo o repetido refrão «Waltzing Mathilda» da faixa de abertura, «Tom Traubert’s Blues», um original de 1976.
- mas esta parte da música já os leitores deste blog sabiam.
POR CÁ TAMBÉM HÁ COISAS BOAS
Esta é a semana inaugural da Experimentadesign2003, a bienal que nos próximos 45 dias vais ocupar Lisboa, com destaque para a mostra Voyager no Terreiro do Paço, para a forma como o S.Jorge se transformou para ser o Louging Space de todo o evento e para a exposição 1000 Plateaux com o título «O FUTURO DO USO - OS USOS DO FUTURO». Todo o programa da Experimentadesign pode ser consultado
aqui.

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POR CÁ TAMBÉM HÁ COISAS BOAS

Esta é a semana inaugural da Experimentadesign2003, a bienal que nos próximos 45 dias vais ocupar Lisboa, com destaque para a mostra Voyager no Terreiro do Paço, para a forma como o S.Jorge se transformou para ser o Louging Space de todo o evento e para a exposição 1000 Plateaux com o título «O FUTURO DO USO - OS USOS DO FUTURO». Todo o programa da Experimentadesign pode ser consultado

aqui.
LONDON CALLING
Se pudesse ía todos os meses a Londres e todos os meses passava na Tate Modern, só para ver o que se passava por lá. Agora ainda lá está uma exposição de insufláveis gigantes de Paul McCarthy e o programa dos próximos meses é aliciante - pode aliás ser consultado num dos melhores sites que conheço na área de museus e centros culturais. Na Tate antiga (Tate Britain), decorre até ao fim de semana a «British Art Week», uma explosão de informação sobre a criatividade dos artistas britânicos. Bem que me apetecia por lá ter estado nestes dias.

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LONDON CALLING

Se pudesse ía todos os meses a Londres e todos os meses passava na Tate Modern, só para ver o que se passava por lá. Agora ainda lá está uma exposição de insufláveis gigantes de Paul McCarthy e o programa dos próximos meses é aliciante - pode aliás ser consultado num dos melhores sites que conheço na área de museus e centros culturais. Na Tate antiga (Tate Britain), decorre até ao fim de semana a «British Art Week», uma explosão de informação sobre a criatividade dos artistas britânicos. Bem que me apetecia por lá ter estado nestes dias.
THE DARK SIDE OF THE MOON
Não se trata desta vez de nova edição do clássico álbum dos Pinkfloyd, mas sim dos resultados de uma investigação científica divulgado pela revista Scientific American graças aos dados recolhidos pela sonda Shandra nos últimos meses: "We have moon samples from the six widely-spaced Apollo landing sites, but remote sensing with Chandra can cover a much wider area," he remarks. "It's the next best thing to being there and it's very fast and cost effective." He presented data from Chandra collected in July and September 2001 that indicate the presence of oxygen, magnesium, aluminum and silicon over a large area of the lunar surface. When solar radiation hits the moon, it excites some of the elements' electrons. This energy is quickly reemitted by the elements at a characteristic wavelength in a process known as fluorescence, which Chandra detects.

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THE DARK SIDE OF THE MOON

Não se trata desta vez de nova edição do clássico álbum dos Pinkfloyd, mas sim dos resultados de uma investigação científica divulgado pela revista Scientific American graças aos dados recolhidos pela sonda Shandra nos últimos meses: "We have moon samples from the six widely-spaced Apollo landing sites, but remote sensing with Chandra can cover a much wider area," he remarks. "It's the next best thing to being there and it's very fast and cost effective." He presented data from Chandra collected in July and September 2001 that indicate the presence of oxygen, magnesium, aluminum and silicon over a large area of the lunar surface. When solar radiation hits the moon, it excites some of the elements' electrons. This energy is quickly reemitted by the elements at a characteristic wavelength in a process known as fluorescence, which Chandra detects.

BBC MÓVEL
Graças a um acordo estabelecido com a Vodafone, segmentos famosos de algumas das comédias da BBC vão estar disponíveis para download através da rede de telemóveis multimedia daquela empresa de comunicações. É o primeiro acordo do género, depois de se terem vulgarizado os downloads de música. Mais informações aqui.

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BBC MÓVEL

Graças a um acordo estabelecido com a Vodafone, segmentos famosos de algumas das comédias da BBC vão estar disponíveis para download através da rede de telemóveis multimedia daquela empresa de comunicações. É o primeiro acordo do género, depois de se terem vulgarizado os downloads de música. Mais informações aqui.
E A TV DIGTAL?
«Fabulações Sobre A TV Digital» é o título do artigo do jornalista e investigador Moniz André, publicado no Observatório da Imprensa brasileiro. Excerto:O fato é que qualquer programa público com o propósito de "inclusão" tecnológica em matéria educacional não pode passar ao largo da redefinição de um certo número de condições imprescindíveis a uma verdadeira transformação cultural. Uma delas é a reestruturação dos currículos escolares, para torná-los compatíveis com as novas exigências de conhecimento trazidas pelas tecnologias emergentes. Outra, a adequação do professor a tais currículos e à ambiência tecnológica, o que implica investimentos sérios em formação e reciclagem. A verdadeira questão da inclusão social no âmbito das novas tecnologias passa pela escolarização responsável, isto é, pela revalorização do professor.

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E A TV DIGTAL?

«Fabulações Sobre A TV Digital» é o título do artigo do jornalista e investigador Moniz André, publicado no Observatório da Imprensa brasileiro. Excerto:O fato é que qualquer programa público com o propósito de "inclusão" tecnológica em matéria educacional não pode passar ao largo da redefinição de um certo número de condições imprescindíveis a uma verdadeira transformação cultural. Uma delas é a reestruturação dos currículos escolares, para torná-los compatíveis com as novas exigências de conhecimento trazidas pelas tecnologias emergentes. Outra, a adequação do professor a tais currículos e à ambiência tecnológica, o que implica investimentos sérios em formação e reciclagem. A verdadeira questão da inclusão social no âmbito das novas tecnologias passa pela escolarização responsável, isto é, pela revalorização do professor.