janeiro 03, 2020

DUAS DÉCADAS PERDIDAS

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O ESTADO DA NAÇÃO -  As duas primeiras décadas deste século são um somatório de oportunidades perdidas para Portugal. Não se fizeram reformas estruturais e as poucas mudanças que se fizeram acabaram por ser em boa parte revertidas. A presença de portugueses em cargos internacionais de relevo ao longo destas duas décadas é inversa em relação às melhorias e aos progressos verificados no país. Foram duas décadas de degradação do sistema político, do surgimento de numerosos casos de corrupção de várias dimensões, de descrédito do parlamento e dos partidos do sistema. Foram anos de aperto, de destruição de valor, de colapso de instituições financeiras, de degradação dos serviços públicos. A responsabilidade de tudo isto é repartida pelos partidos que estiveram no Governo, sem excepção. Continuámos a ver as promessas eleitorais serem desmentidas na prática logo a seguir à contagem dos votos. O sistema deixou de usar a confiança como moeda de troca. A justiça é uma miragem. Os cidadãos pagam mais ao Estado e recebem menos. Os eleitores afastam-se cada vez em maior número dos processos eleitorais. Os governantes são eleitos por uma minoria. As grandes cidades estão a deixar de ter habitantes, trocados por visitantes. A especulação imobiliária instalou-se. Em Lisboa o programa político da autarquia é afastar os lisboetas, tornar-lhes a vida difícil e deixar a sujidade e a porcaria invadir toda a cidade. Na primeira vintena de anos deste século o progresso foi pouco e o retrocesso foi enorme. É este o estado da nação no início de uma nova década.


 


SEMANADA - O peso dos impostos e das contribuições sociais efetivas aumenta para 35% do Produto Interno Bruto segundo a proposta do Orçamento de Estado para 2020; em 2019 a cobrança fiscal bateu novo recorde, com o fisco a arrecadar 5,2 milhões de euros por hora; o défice do Serviço Nacional de Saúde aumentou 72 milhões de euros;  em 2019 a GNR deteve mais de 30 pessoas, só no Algarve, sob acusação de violência doméstica; ainda em 2019 registram-se 35 mortes em contexto de violência doméstica - 27 mulheres, uma criança e sete homens; duplicaram as queixas de trabalhadoras por discriminação e a maioria dos processos são de mulheres empregadas em híperes e supermercados;  o crédito concedido este ano atingiu o maior valor desde final de 2014; a avaliação bancária das habitações para a atribuição de crédito voltou a bater níveis máximos em novembro; o número de reclamações em relação aos transportes públicos atingiu este ano um valor recorde, com a maior parte das queixas a incidirem nos comboios e no metro de Lisboa;  uma em cada cinco queixas é sobre mau atendimento; são registados quatro bebés por dia com pai incógnito; o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto SS, classificou a gestão das empresas portuguesas como de “fraquíssima qualidade” num discurso para portugueses que prosseguiram as suas carreiras académicas no estrangeiro. 


 


ARCO DA VELHA -  A Entidade da Transparência, criada há seis meses para fiscalizar as declarações de rendimentos de políticos e altos dirigentes da administração pública, não tem dotação orçamental no novo Orçamento de Estado.


 


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RENASCIMENTO  - Uma boa ideia para começar o ano é visitar o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, para ver a exposição  sobre a obra de Alvaro Pirez de Évora, o mais antigo pintor nascido em Portugal, e que trabalhou na região da Toscana, em Itália, entre 1410 e 1434. No retábulo da Igreja de Santa Croce de Fossabanda, próximo de Pisa, está uma das suas obras e na assinatura o autor diz-se oriundo de Évora.  São conhecidas cerca de 50 pinturas da sua autoria e é reconhecida a qualidade plástica e a importância histórica da sua obra. Da exposição fazem parte pinturas conservadas em Portugal, e ainda obras dos grandes pintores toscanos do seu tempo. Ao todo são mostradas cerca de 85 peças que permitem enquadrar o contexto cultural e artístico em que se desenvolveu a arte de Alvaro Pirez d’Évora. Esta mostra, a mais completa realizada até hoje sobre este pintor,  conta com empréstimos de grandes museus europeus e coleções privadas de referência, de Itália, França, Alemanha, Hungria e Polónia. A exposição é fruto de uma colaboração entre o Museu Nacional de Arte Antiga e o Polo Museale della Toscana e testemunha as intensas relações da área mediterrânica nos alvores do Renascimento. Esta mostra da obra de Alvaro Pirez de Évora fica até 15 de Março, na galeria das exposições temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga, no piso zero.


 


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HOT RATS - Frank Zappa fez 62 álbuns em 52 anos de vida e desde a sua morte, ocorrida em 1993, os seus herdeiros já lançaram quase mais seis dezenas. O mais recente é a revisitação de The Hot Rats Session, em seis discos. Hot Rats foi o primeiro grande disco dos Mothers Of Invention, em 1969, e o álbum original tinha 43 minutos que oscilavam entre influências de jazz improvisado e o rock. Nas notas da fantástica capa, o próprio Frank Zappa chamava-lhe “um filme para os vossos ouvidos”. Nesta nova edição estão sete horas e 19 minutos que mostram o trabalho de Zappa e dos outros músicos ao longo das sessões de estúdio que levaram aos disco original. O seu talento de compositor ressalta e nas gravações pode sentir-se o génio a trabalhar, repetindo solos, improvisando, procurando o som pretendido e a melhor solução instrumental. Hot Rats,  o título, vem segundo o que Zappa contava, do que ele achava que soava um solo de Archie Shepp. Nesta recolha de conversas de estúdio (como no disco seis) e horas de ensaios, há a prova do experimentalismo, do sentido de aventura e de descoberta que sempre caracterizou a obra de Frank Zappa, com muito humor e provocação pelo meio. Esta nova edição não tem as sessões integrais, mas sim pedaços escolhidos que permitem compreender melhor como o disco original se tornou num clássico e a quantidade de trabalho que foi colocada no seu processo criativo. Frank Zappa, The Hot Rats Sessions, está disponível no Spotify.


 


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HERANÇAS - A “Cereal” é uma revista de lifestyle, que se publica duas vezes por ano, e em cada edição visita um conjunto de destinos, publica entrevistas e artigos sobre design, moda e arte. A edição de Outono/Inverno de 19 é dedicada o tema da herança, no sentido do legado, da tradição que passa de geração em geração. É uma edição quase intemporal - até a moda não tem data marcada. Rosa Park, a directora da publicação, escreve no texto de introdução que evocar o que nos é deixado “é procurar alcançar a imortalidade, vivendo as memórias daqueles que amámos”. Nesta edição explora-se a arquitectura de Gio Ponti num hotel intemporal em Sorrento e de Carlo Scarpa num túmulo desenhado em 1906. Pode ainda ver-se o trabalho desenvolvido para a Ruinart por Jonathan Anderson e um olhar sobre o estúdio onde Joan Miró trabalhava. Um dos melhores momentos é o portfolio fotográfico de Fan Ho, que com uma Rolleiflex retratou a Hong Kong dos anos 50 do século passado. Esta “Cereal” dá destaque a João Rodrigues, o português que com Manuel Aires Mateus desenvolveu o projecto das Casas na Areia da Comporta, que esteve na Bienal de Veneza em 2008. Depois, também com Manuel Aires Mateus, vieram a Casa no Tempo, no Alentejo, e as Cabanas no Rio, também na Comporta, além do Hotel Santa Clara 1728, em Lisboa. Estes quatro projectos são enquadrados pela marca comum “Silent Living”, que procura combinar a tranquilidade de cada local com um acolhimento familiar. Não é a única presença portuguesa nesta edição da “Cereal” que conta também com uma página de publicidade da marca “Flanela Portuguesa”.


 


COMIDAS - “O Homem Que Comia Tudo” é o blog de Ricardo Dias Felner, um dos melhores sítios para se obterem conselhos em matéria de novos restaurantes e de sugestões gastronómicas. O blogue todos os anos atribui os Prémios Cometa, acabados de revelar e que podem ser consultados em   ohomemquecomiatudo.com. Do texto introdutório à lista dos premiados destaco este excerto: “ainda falta um chef que meta todo o empenho e investimento na tarefa de fazer um restaurante moderno e ambicioso de cozinha regional portuguesa; ainda falta um Solar dos Presuntos actualizado, menos posh e menos vinha d’alhos, mas igualmente impecável no produto e no serviço”. Há prémios para todos os gostos, desde o melhor fine-dining até ao melhor ramen ou comida italiana, passando pelo melhor amouse-bouche, melhores mexicano, chinês, coreano ou japonês do ano. E claro, o chef do ano, o balcão do ano, o snack-bar do ano, a entrada do ano, a sobremesa do ano e mais uma série de inesperadas categorias que vale a pena conhecer. Vão ao blogue que vale a pena - podem a partir daí constituir um roteiro para interessantes descobertas em matéria gastronómica.


 


DIXIT - “Como é que um socialista consegue um excedente orçamental? - Aumenta os impostos.  Quem paga o excedente? - Os contribuintes. E que faz um socialista com um excedente? - Alimenta a grande família socialista. “ - Vicente Ferreira da Silva.


 


BACK TO BASICS - “Experiência não é o que acontece a cada um de nós, é aquilo que fazemos com o que nos acontece” - Aldous Huxley.





 




dezembro 27, 2019

REGULADOR, CENSOR OU APENAS BUROCRATA?

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ERC AGRIDE RTP - Na semana passada foi dada mais uma machadada no Serviço Público Audiovisual por um órgão essencialmente emanado do Parlamento - a Entidade Reguladora da Comunicação, um organismo que tem tido uma vida aberrante, criado há relativamente pouco tempo sob a batuta desse génio que é Azeredo Lopes (sim, o de Tancos…), mas que é essencialmente um monstro burocrático incapaz de acompanhar o evoluir dos tempos e daquilo que se propõe regular. Tenho guardados na memória episódios da falta de conhecimento da realidade de que a ERC regularmente dá mostras, nomeadamente na área online. Para mal dos nossos pecados cabe à ERC representar o Estado na tutela da RTP, é perante a ERC que os cargos dirigentes na área da programação e da informação da estação de serviço público têm que responder e é por ela que têm de ser aprovados antes de iniciarem funções. Como se viu num caso recente, a luz verde da ERC não impediu a interferência da anterior Direcção de Informação na tentativa de condicionar um programa e de gerir a sua emissão de acordo com um calendário da sua conveniência política. Um dos proeminentes dirigentes da ERC, Alberto Arons de Carvalho, veio mesmo afirmar publicamente não discordar das opções feitas pela anterior Direcção de Informação sobre o caso “Sexta Às Nove”. Este senhor foi em tempos Secretário de Estado, com a tutela da RTP, num dos períodos mais graves de má gestão e manipulação sistemática daquela estação, e não se regista uma decisão sua que impedisse o caos que lá se instalou. Voltemos ao tema: José Fragoso, jornalista e experiente homem de televisão, tem sido o Director de Programas da RTP e tem conseguido, no meio do furacão que em 2019 alterou o panorama das televisões em Portugal, manter a estação pública estável, continuando linhas de programação relevantes, dinamizando documentários, criando novas apostas e proporcionando até um crescimento da relevância do serviço público. A proposta da Administração da RTP em lhe dar a possibilidade de acumular a Direcção de Programas com a Direcção de Informação é uma aposta estratégica, na linha do que acontece nas melhores estações mundiais de serviço público onde há um Director Geral que coordena ambas as áreas. Qualquer pessoa que siga e se interesse pela missão contemporânea do Serviço Público Audiovisual conhece as boas práticas do sector, aquelas que têm dado provas, que têm alcançado resultados, que têm desenvolvido a estratégia de produção de conteúdos. A RTP não tem, na sua estrutura e estatutos, consignada a figura de Director-Geral, embora ela tenha existido implicitamente, de forma mais ou menos disfarçada, em muitos casos anteriores. Desta vez, respeitando os estatutos, a nomeação foi clara e fazia sentido. Sempre defendi que na RTP devia existir um Director-Geral com capacidade para harmonizar as áreas da Informação e Programação, que muitas vezes evidencia uma esquizofrenia que se manifesta graças à solução actual - além das numerosas guerras internas improdutivas que fomenta.  A estrutura que a ERC defende é uma herança da forma de organização dos jornais do início do século passado, adoptada como modelo para todos os media e que depois foi progressivamente sendo abandonada, em que se defendia uma certa predominância da Informação sobre a Programação, em vez de existir complementaridade. Ora era exactamente esta complementaridade, hoje em dia evidente em muitas estações públicas europeias de referência, que a RTP poderia ter, e que esta Administração procurava agora formalizar de forma transparente. Ao recusar a solução por temer a concentração e “os riscos que tal situação comporta”, a ERC veio revelar como é retrógrada, como não compreende o que deve ser hoje em dia um Serviço Público Audiovisual e como é avessa a qualquer tentativa de mudança e inovação. Não é pelo caminho que a ERC preconiza que se pode desenvolver um Serviço Público Audiovisual forte. Os senhores deputados e os senhores governantes que sustentam a ERC são coniventes com isto. Ou seja, prestam um péssimo serviço ao Serviço Público Audiovisual. 


 


SEMANADA - A ADSE tem por validar 650 mil facturas apresentadas por beneficiários para reembolso e o número deverá crescer no primeiro trimestre de 2020; nas duas primeiras décadas deste século Portugal perdeu 8767 escolas; ao contrário do que foi prometido pelo Governo a Autoridade Tributária não está a aceitar as correcções das declarações de IRS de quem recebeu pensões em atraso; cada árbitro ganha 1480 euros por jogo da Primeira Liga; no Orçamento de Estado apresentado por Centeno faltam dados sobre quanto o Governo tem para gastos imprevistos; a Ordem dos Engenheiros afirmou, sobre o impacto do mau tempo na zona de Coimbra, que houve incúria do Estado e desinvestimento na manutenção; segundo o seu Presidente do Conselho de Administração, a agência de notícias Lusa, por ter visto o seu financiamento limitado pelo Governo, vai sacrificar drasticamente o investimento em tecnologia em 2020 “num exercício orçamental de altíssimo risco” sobre o qual a ERC mantém religioso silêncio; no terceiro trimestre do ano o preço das casas em Portugal subiu 10,3%; o Bispo do Porto afirmou que “o Estado não é pessoa fiável”; nos últimos cinco anos a Inspecção do Ambiente só conseguiu cobrar 24% das multas; um terço dos projectos apresentados por empresas, e aprovados, no âmbito do Programa Portugal 2020 estão por executar; cada português produz em média 508 kgs de lixo por ano; o Exército perdeu metade dos efectivos em quase duas décadas; o quartel da GNR em Tavira está há um ano sem água quente.


 


ARCO DA VELHA - NO PSD, que é teoricamente o maior partido da oposição, menos de metade dos seus militantes tem direito a voto nas eleições directas para escolha de quem irá dirigir o partido e só cerca de 30 mil poderão votar. Esta democracia está cada vez menos representativa.


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FOTOGRAFIA  - Este ano, no Porto, surgiu uma galeria integralmente dedicada à fotografia. O Espaço SP620 (na imagem) foi criado por Pablo Berástegui que tem bastante experiência na área, nomeadamente como um dos responsáveis da Photo España. Além de galeria promove edições especiais e promove um projecto pedagógico que organiza visitas guiadas às exposições da Galeria para grupos de jovens. Durante os próximos quatro anos vai dedicar-se exclusivamente à fotografia documental, tendo por base um ciclo designado Salut Au Monde!, evocando o título de um poema célebre de Walt Whitman. Até 11 de Janeiro pode ser vista a exposição “Out Of The Way”, de Elena Anosova, com imagens realizadas nos territórios do extremo norte da Rússia, onde ainda vive a família paterna de Anosova rodeada por uma natureza intacta e uns modos de vida não muito diferentes daqueles dos antepassados que colonizaram a região da Sibéria há três séculos. A Galeria quer basear a sua actividade num grupo de apoiantes que mediante uma contribuição anual têm direito a tiragens das imagens das exposições realizadas. É um desafio para todos os que gostam de fotografia.  Espaço SP620, Rua Santos Pousada, 620. Mais informações em https://www.salutaumonde.info/ . Outras sugestões: ainda no Porto, no edifício da Alfândega pode ver  "Henri Cartier-Bresson: Retratos", uma exposição que reúne 121 trabalhos do fotógrafo francês realizados ao longo de 70 anos.  Em Évora, numa mostra preparada e encenada para ser vista ao ar livre, no Largo Conde Vila Flor, estão expostas 38 fotografias de Sebastião Salgado, a preto e branco, que integram o seu mais recente livro, “Genesis”. 


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SONS DA EMOÇÃO - Os budistas tibetanos acreditam que quando alguém morre a sua consciência vagueia num estado intermédio a que chamam bardo durante sete semanas antes de transitarem para uma nova vida. Tradicionalmente os monges budistas, para auxiliarem os familiares de quem passa por esta prova, lêem em voz alta o The Bardo Thodol, ou seja, o Livro Tibetano dos Mortos, durante os 49 dias do processo. Tenzin Choegyal é um dos mais importantes músicos tibetanos e há cerca de 15 anos trabalha  em diversos projectos inspirados pelo The Bardo Thodol, o último dos quais é “Songs From The Bardo”, feito em colaboração com Laurie Anderson e Jess Paris Smith, a filha de Anderson e de Fred ”Sonic Youth” Smith. Anderson assume o papel de guia nesta gravação, lendo passagens do Livro Tibetano dos Mortos traduzidas para inglês por Choegyal, acompanhadas por música imaginada por Jess Paris. No disco as canções e recitações sucedem-se sem separações evidentes, num ambiente fortemente emotivo e inspirador, musicalmente poderoso, em que o trabalho do violoncelista Rubin Kodheli merece especial referência. Disponível no Spotify.


 


PROVAR - Cada vez mais gosto de restaurantes despretensiosos onde o único conceito é prestar bom serviço e apresentar comida bem confeccionada. Por estes dias descobri o Clotilde, no Estoril, próximo do Casino, junto ao Centro de Congressos.  A sala é confortável, com a cozinha à vista, e existe também uma esplanada coberta. O serviço é atencioso e eficaz, a lista de vinhos é curta mas bem escolhida e a preços honestos e, no final, a conta é decente. Nas entradas provaram-se com agrado os peixinhos da horta e uma perdiz de escabeche muito boa. Umas trouxas de enchidos ficaram aquém das expectativas, mas havia uma opção elogiada numa mesa perto que podia ter sido um boa escolha - ostras à unidade ou à dose de seis. Nos pratos de substância tudo continuou a correr bem, com particular destaque para umas lulas guisadas com ameijoas, no ponto e muito saborosas. Na mesa mereceram elogios uns filetes de peixe galo que podem vir com arroz de tomate ou salada;  e dois amigos estrangeiros residentes aventuraram-se com êxito, ele nuns filetes de polvo com arroz de feijão enquanto uma californiana de gema elogiou a bochecha de porco preto com migas de espargos - destacou o tempero da tenra carne e o sabor das migas de espargos, que quis saber como se faziam. O Clotilde fica na Avenida Clotilde, Edifício Centro de Congressos do Estoril, telefone 214 663 084.


 


DIXIT -  “Os políticos adoram o caos. Não pensam noutra coisa. Dá-lhes autoridade e dá-lhes poder. Dá-lhes proeminência. Ficam com a ideia de que podem resolver as coisas por nós”- John Le Carré


 


BACK TO BASICS -  “Fazer reportagem é uma escola de vida: o que aprendemos baseia-se em erros que cometemos” - Cristina Garcia Rodero, fotojornalista.


 


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dezembro 20, 2019

REGABOFE PARLAMENTAR

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VERGONHA - Não tenho a menor simpatia por André Ventura. Mas também tenho muito pouca simpatia pelo comportamento de vários deputados no Parlamento, pela forma como alguns deles todos os dias atacam a democracia que dizem defender, perante a complacência - por vezes cumplicidade - dos dirigentes dos respectivos partidos. Não falo só dos casos de acumulação da função de deputado com actividades que deviam ser incompatíveis, nem tão pouco dos casos de tráfico de influências ou de conflito de interesses.  Também já nem falo dos arranjinhos de viagens, das assinaturas falsas de presença, das moradas fictícias para receberem subsídio de deslocação. O que na semana passada verdadeiramente me causou perplexidade foi a prescrição de multas a partidos políticos, que aconteceu graças a uma revisão da lei feita no Parlamento com a participação de deputados que eram visados no caso. A história tem requintes de malvadez e o facto é que prescreveram multas de centenas de milhares de euros aplicadas a partidos parlamentares por faltas cometidas nas suas contas relativas a 2009 e 2010. Pior ainda, sabe-se agora que o mesmo pode acontecer em relação às contas das finanças partidárias até 2014, que correm o risco de também ficarem no lixo e não serem cobradas. E porquê - a nova lei de financiamento, feita em Janeiro de 2018, é a causa que  levou à prescrição de processos de contra-ordenação de partidos e seus responsáveis financeiros. Curiosidade mórbida - alguns desses responsáveis financeiros das máquinas partidárias eram deputados que lideraram a muito conveniente revisão da lei que, em Janeiro de 2018, abriu caminho para atirar com as multas para o lixo. Na realidade estes deputados encontraram forma de contornar um sistema de controlo e verificação de irrregularidades e ilegalidades na actuação dos partidos, para que eles depois não sejam sancionadas. Se isto não é vergonhoso, o que será vergonha no parlamento português?.


 


SEMANADA - O orçamento para 2020 prevê um aumento da receita fiscal de 1275,4 milhões de euros, as receitas com IRS crescem mais de 400 milhões de euros e o Governo prevê um aumento da receita do IVA graças ao aumento do consumo; no mês de Outubro o crédito ao consumo atingiu o valor recorde de 726,8 milhões de euros; as queixas dos consumidores portugueses relativamente à Black Friday subiram 51% face ao ano passado; o descontentamento pelo atraso na entrega de encomendas aumentou 61%;  em 2018 os museus tiveram um aumento de 13,5% no aumento de visitantes, que atingiram os 19,5 milhões, quase metade dos quais foram estrangeiros; em 2018 registaram-se menos 5,3 % de espectadores nas salas de cinema nacionais; já os espectáculos de música registaram um aumento de 9,5% de espectadores; as exportações de bens culturais em 2018 representaram 167,6 milhões de euros (menos 6,9% do que no ano anterior) e as importações registaram 399,1 milhões, o que resultou num saldo negativo de 231,5 milhões; em 2018 a despesa das câmaras municipais em actividades culturais e criativas atingiu os 469,8 milhões de euros, um aumento de 4,4 % face a 2017; a linha de crédito para os municípios fazerem trabalho de limpeza de terrenos florestais desce de 50 milhões para cinco no próximo ano; no próximo ano está previsto um aumento de custos de nove milhões de euros nos gabinetes ministeriais deste Governo; em 2018 cerca de 80 mil portugueses deixaram o país.


 


ARCO DA VELHA - O Governo não executou este ano mais de 755 milhões de euros de investimento público que estavam programados em 2019 e no Orçamento de 2020 está assumido que 590 milhões nunca serão descativados.


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MEMÓRIAS & JOGATINAS - Depois de terem percorrido três décadas da vida lisboeta (LX 60, LX 70 e LX 80), Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes dedicam-se agora a mostrar outro lado de Lisboa em “LxJoga” que tem a particularidade de contar histórias meio esquecidas da cidade, juntando-as com jogos de papel, colocados no livro ao lado de episódios que com ele se relacionam. Aqui poderão ver como nasceram as avenidas novas ou o que significava o Salão Ideal, como era a festa permanente do Bristol Club ou as tentações hollywoodescas do cinema português de meados do século passado. Há capítulos imperdíveis como o dos 16 cromos lisboetas, do Repórter X a Guida Gorda, passando pelo Senhor do Adeus ou Madame Calado. Registam-se figuras que ajudaram a mudar a cidade, como Duarte Pacheco.  Momentos marcantes como o início da Moda Lisboa, a Expo 98 ou a inauguração da Fundação Calouste Gulbenkian aparecem bem relatados e ilustrados. O “LxJoga” combina a história com o ar lúdico dos jogos que se vão espalhando ao longo das páginas, com as respectivas soluções no final da obra, como manda a tradição.


 


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FUTUROLOGIA - Embora nem toda a gente tenha consciência do assunto, na realidade a maioria das pessoas ganharia em ter um almanaque perto de si ao longo de todo o ano. Nem estou a falar do velho Borda d’Água, estou mais a pensar em pequenos livros que se editam nesta altura do ano e que são guias para o futuro próximo. Um bom exemplo de uma destas bem úteis publicações é o “grande Almanaque Português, editado pela Guerra & Paz. Tem um belíssimo grafismo e inclui extensa informação sobre feriados nacionais e municipais, festas e feiras por todo o país, os dias dos santos, romarias e procissões, rezas e benzeduras, astronomia, marés e metereologia além de um rol imenso de curiosidades, como por exemplo várias boas receitas culinárias. Está ordenado por meses e por assuntos. No início do livro os editores sublinham que “um almanaque é um acto de celebração do passado e de confiança no futuro”. Reza a tradição que o primeiro almanaque português nasceu no final do século XV, em 1496, uma obra de Abrão Zacuto intitulada Almanach Perpetuum. Nos tempos presentes este da Guerra & Paz oferece-nos muito boa informação útil para irmos balizando o 2020 que está à espreita.


 


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A MÚSICA DE UMBERTO ECO - “La Misteriosa Musica Della Regina Loana” é uma novela de Umberto Eco que deu o título e serviu de inspiração ao novo trabalho da dupla Gianluigi Trovesi no clarinete e Gianni Coscia no acordeão, um disco agora editado pela ECM e já disponível no Spotify. Umberto Eco era um admirador confesso da dupla e neste trabalho Trovesi e Coscia recuperam uma série de temas que o escritor referiu no seu livro. Aqui estão 19 temas, entre os quais referências cinematográficas como “As Time Goes By” (de Casablanca) ou “Bel Ami” (do filme com o mesmo nome), clássicos como “Moonlight Serenade” de Glenn Miller, “Basin Street Blues” de Louis Armstrong ou temas dos próprios Trovesi e Coscia como “Gragnola”, a sua homenagem à Toscana. O disco abre com “Interludio”, uma composição em que o próprio Umberto Eco e Gianni Coscia colaboraram há anos. Prova de criatividade e capacidade de invenção este disco é uma das belíssimas surpresas da editora ECM neste final de ano.



APERITIVO ITALIANO - Sou um guloso por arancini, essa delícia italiana que tem origem na Sicília, Trata-se de uma bola de arroz que pode ter vários recheios e que no final é passada por farinha e frita. Antes de o ter provado deliciava-me com as descrições da iguaria feitas por Andrea Camilleri nos livros que relatavam as investigações do inspector Montalbano, claramente os policiais que conheço que mais abrem o apetite. Quando os provei percebi o porquê dos elogios de Montalbano ao petisco. Se em Itália, e sobretudo na Sicília, é frequente encontrá-los como aperitivos de fim da tarde em bares, em Portugal não é muito fácil dar com eles. Um bom amigo indicou-me - e posteriormente levou-me - ao L’Ape - Boteco Italiano, onde me deliciei com arancini de vários tamanhos e recheios, todos eles de superior qualidade. O L’Ape é um bar italiano feito para petiscar, conversar, beberricar. Há spritz de Aperol e de Campari, vinhos italianos e, em dias de sorte, os tais arancini. A casa é pequena, tem uma sala junto ao bar e um reservado interior com apenas uma mesa. Combina a função de aperitivo com a de galeria de arte, mostrando obras de artistas jovens. O menu do dia inclui uma bebida e uma tábua de queijos, enchidos e outros petiscos (incluindo por vezes arancini) e custa nove euros por pessoa. Além da tábua há outras possibilidades, bruschettas, saladas, piadine e panini diversos por exemplo, A selecção de vinhos italianos e alguns portugueses é boa embora não seja muito extensa e tem bons preços. Se um dia destes lhe apetecer experimentar um sabor de Itália ao fim da tarde este é o sítio certo para ir. Marco e Sergio lideram as operações, o ambiente é alegre, o serviço muito simpático. Para saberem quando há arancini sigam a página do restaurante no Facebook ou no instagram. Fica na Rua da Senhora da Glória 116A, à Graça.



DIXIT - “Uma política para a cultura deveria ser uma política de públicos e uma política de instituições (bibliotecas, museus, arquivos, patrimónios...) não uma política de clientelas, de autores e de criações, em suma, de subsídios” - Alexandre Pomar


 


BACK TO BASICS - “A maior parte das conversas não passa de monólogos proclamados na presença de testemunhas” - Margaret Millar


 






dezembro 13, 2019

COSTA VESTIU-SE DE PAI NATAL E PÔS CENTENO NO FORNO

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A GRANDE ILUSÃO - António Costa começou esta semana a usar a fantasia de Pai Natal. Colocou as barbas brancas e a fatiota vermelha a meio da discussão do Orçamento de Estado. Prometeu mais dinheiro em alguns sectores, nomeadamente na saúde, e colocou Centeno em lume brando, a fazer o papel de perú natalício no forno. Desde o IVA da electricidade ao financiamento da saúde, passando por aumentos da função pública ou a contratação de mil jovens licenciados para serviços do Estado, apareceu um pouco de tudo nesta semana. Com um Orçamento de Estado que promete um excedente orçamental e com estes aumentos de despesa é certo que o dinheiro há-de vir de algum lado - e nas últimas semanas foram também abundantes as referências a novas taxas. A única certeza que tenho é a de que no fim do dia a carga fiscal, directa ou indirecta, vai aumentar. O Estado, como a situação na saúde demonstra, não sabe poupar, sabe cortar e destruir. E depois, quando já está tudo a arder, despeja dinheiro que vai buscar aos bolsos dos contribuintes. Certamente que se recordam que a poucos dias das eleições António Costa garantia não haver problema algum na saúde. Esta semana revelou os números de parte do problema, um problema criado pela austeridade encapotada que marcou a sua primeira legislatura. Agora vem com estas promessas, que profissionais do sector dizem serem ainda insuficientes. Diminuir o peso do Estado é estabelecer prioridades - em sectores como a saúde, a educação, a justiça e a segurança e fazer reformas que permitam que estas áreas funcionem. Vir nesta altura falar de criar mais Estado numa regionalização encapotada é a prova de que tudo isto é um engano. A António Costa não interessa fazer reformas estruturais, o que ele sabe fazer é criar ilusões.  


 


SEMANADA - As emissões poluentes provenientes de navios nos portos portugueses superam as dos carros nas oito maiores cidades portuguesas; o custo das iluminações de natal em todo o país ultrapassa os sete milhões de euros, mais dois milhões que no ano passado - só em Lisboa são 800 mil euros;  o uso de dados móveis em 'roaming' na União Europeia (UE) decuplicou no primeiro semestre de 2019 face a 2017, ano em que as taxas de utilização dentro do bloco europeu foram abolidas; os preços das comunicações em Portugal são 20% mais elevados do que a média da União Europeia, e os da internet são 31% mais caros; há dois anos, a ADSE demorava, em média, um mês e uma semana a pagar aos beneficiários mas desde então, o prazo aumentou quase dois meses; em Outubro os bancos emprestaram mais de 30 milhões de euros por dia em crédito à habitação; em Albufeira há 7361 alojamentos locais; até Setembro o Estado gastou quase 300 milhões de euros em horas extra nos hospitais do SNS; segundo a Marktest, as redes sociais tiveram um crescimento rápido em Portugal, passando de 17.1% de utilizadores em 2008 para 63.6% em 2019, com a maior parte dos acessos feitos por telemóvel; entre os utilizadores portugueses, o Facebook ainda domina mas perde influência, com o Instagram a posicionar-se como rede em ascensão e muito relevante sobretudo entre os mais jovens; entre Janeiro e Setembro os crimes com facas aumentaram 10,4%; nos últimos dois anos abriram quase 300 supermercados em Portugal.


 


ARCO DA VELHA - Dois meses depois das eleições o partido Livre decidiu fazer um manual de conduta para a sua deputada, com nove regras, para ela se saber comportar politicamente. 


 


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ARTES URBANAS -  Pedro Casqueiro (na imagem) faz parte de uma geração de artistas plásticos portugueses que começou a expôr nos anos 80 do século passado e que desde então vem trabalhando a pintura de forma cada vez mais depurada. Desde a semana passada e até final de janeiro mostra uma dezena de trabalhos inéditos na exposição “Pinturas Rupestres” na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18-B). Outros destaques: até Sábado 14 pode visitar “Nas barbas do Pai Natal” , uma exposição de cerâmica, escultura, pintura e joalharia que mostra linguagens diferentes com pontos comuns, obras de Beatriz Horta Correia, Graça Pereira Coutinho, Laura Ayerza de Castilho e Susana Piteira, na loja Manuel Castilho Antiguidades, Rua D. Pedro V 85. Em mais uma exposição que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas o Atelier-Museu (rua do Vale, 7) exibe a mostra “Antes do Início e Depois do Fim: Júlio Pomar e Hugo Canoilas”, com trabalhos de Hugo Canoilas e curadoria de Sara Antónia Matos.  Na Biblioteca Nacional pode ver “Volta Ao Mundo”, uma exposição sobre a obra gráfica de José de Guimarães uma seleção representativa da sua gravura produzida desde os anos 60 até final de 2018. Finalmente até 11 de Janeiro, “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, da fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, põe jovens de várias classes sociais da ilha de São Miguel nas paredes do Arquivo Municipal de Lisboa.


 


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O PRINCÍPE - Em 1992 Prince lançou “1999” um álbum que muitos consideram o momento de viragem na sua carreira, o trabalho que lhe trouxe êxito e reconhecimento, assim como acesso a novos públicos. Foi o quinto álbum da sua carreira e o primeiro com a sua banda The Revolution. Faixas como a que dá o título, “1999”, ou “Delirious” ou “Little Red Corvette” foram marcantes. O disco, feito numa época particularmente agitada da sua carreira, coexistiu com o trabalho que fez com as Vanity 6 e Time, conseguindo manter um elevado padrão de qualidade. Agora a Warner lançou uma caixa com cinco discos que além dos temas originais, inclui lados B de singles, demos de estúdio,  inéditos e a gravação de um concerto dessa época. As canções originais foram remasterizadas e o conjunto de cinco discos tem ao todo 65 temas. O primeiro CD tem os 11 temas originais, o segundo inclui 18 demos, versões alternativas e edits para maxi singles. Nos dois discos seguintes há lados B de singles e inéditos - com destaque para uma balada tocado ao piano, “How Come You Don’t Call Me Anymore”, o vibrante “Horny Toad” que apareceu ao longo dos anos sob várias formas ou ainda “Moonbeam Levels”, que tinha sido revelado no álbum póstumo “4ever”. O quinto disco reproduz a gravação de um concerto realizado em Detroit em 30 de Novembro de 1992, com a energia que era habitual Prince colocar em palco. A caixa inclui ainda um DVD filmado um mês mais tarde em Houston. Trata-se claramente de uma edição para fãs e coleccionadores, que merece ser ouvida com atenção para, por exemplo, se descobrirem raridades como “Money Don’t Grow On Trees” ou “Rearrange” . Os cinco CD’s audio estão disponíveis no Spotify.


 


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PREVISÕES - Desde há uns anos a revista Monocle edita nesta altura uma publicação extra a que dá o nome de “Forecast” e que se dedica a fazer previsões e sugestões para o ano que se segue. É, normalmente uma edição particularmente rica em ideias e conteúdos e a que agora saíu não foge a essa regra. Um dos temas mais interessantes é um ranking das melhores pequenas cidades para se viver. Lusanne na Suiça ocupa o primeiro lugar, seguida por Boulder nos Estados Unidos e Bergen na Noruega. O Porto aparece em nono lugar. Em cada caso é feita uma análise da razão de recomendação de cada uma das urbes. Outro ponto de interesse é um trabalho sobre a nova capital que a Indonésia quer fazer, praticamente do zero, para substituir Jakarta como sede do Governo. Outro artigo interessante relata o aumento do consumo do cartão devido às embalagens utilizadas para a expedição das compras online e as iniciativas que a indústria do sector está a desenvolver para minorar os efeitos ambientais. Se já pensou como é a vida de um agente de escritores ou artistas esta edição do “Forecast” dá-lhe uma ideia do que fazem alguns dos mais conhecidos. No campo das artes  fiquei a saber que a Hungria está a captar cada vez mais filmagens de produções de cinema e televisão graças a uma film commission que funciona bem, suportada por incentivos fiscais que em 2019 atraíram para o país 360 milhões de euros para o sector audiovisual. Ora se cá o Ministério das Finanças entendesse o que os húngaros entendem a vida podia ser bem diferente para esta área em Portugal - não nos falta a luz, nem cenários naturais, nem técnicos. Só nos falta mesmo vontade política para fazer uma oferta financeira atraente.


 


EM DEFESA DO PANADO - O escalope panado, quando é bem feito, é um petisco. Falo de um escalope de vitela, cortado fino, a carne temperada com limão, sal e pimenta, depois envolvida em ovo batido, um pouco de farinha e pão ralado para uma rápida fritura. O ideal é que fique dourado e não com a cor escura que o óleo muito usado dá. Um bom panado tanto pode ser comido acabado de fazer, como servido frio com uma salada ou, então, no meio de um bom pão de mistura barrado com mostarda de qualidade, aconchegado por  uma folha de alface para refrescar. É mais frequente encontrar filetes de porco que de vitela, mas se o corte da bifana fôr muito fino e o tempero tiver sido bem feito são igualmente bons. Esta é uma boa base para uma refeição ligeira e o frito dos panados liga bem com legumes ou uma salada só de tomate cortado em pequenos pedaços, que é o acompanhamento que prefiro. Não é preciso nenhum caldeirão para a fritura, basta uma frigideira com óleo novo de boa qualidade e em pequena quantidade - não necessita de cobrir o filete. Dois minutos de cada lado devem chegar e depois é deixar secar para tirar o excesso de óleo. No fim basta temperar já no prato com uma generosa quantidade de limão espremido.


 


DIXIT - “Há comandantes que não têm quem comandar” - Helena Carreiras, Directora do Instituto de Defesa Nacional


 


BACK TO BASICS - “Quando falamos só repetimos o que já sabemos, mas se ouvirmos pode ser que aprendamos algo de novo - Dalai Lama


 






dezembro 06, 2019

MANIFESTO CONTRA A REGIONALIZAÇÃO

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BATOTICE REGIONALIZADA - Num país com a nossa dimensão geográfica e populacional não consigo compreender a defesa que alguns políticos, na maioria profissionais dos respectivos aparelhos partidários, fazem da regionalização. Posso compreender, e desejar até, que se criem mais mecanismos de descentralização e se aperfeiçoem os existentes, posso aceitar que se aumente o papel e competências dos municípios, desde que recebam os meios necessários para isso e que eles próprios tornem o seu funcionamento mais transparente. Mas num Estado Central com tantas ineficiências como o nosso, criar aparelhos regionais apenas vai multiplicar essas ineficiências e as burocracias que as acompanham. Mais: num Estado onde a corrupção atinge níveis tão elevados, muitas vezes a n´vel local das autarquias, fazer a regionalização é aumentar os territórios da corrupção, é fomentar o controlo dos aparelhos administrativos pelos aparelhos partidários a uma escala ainda maior. Eu não quero ter mais Estado, quero sim ter um Estado menor e melhor. Mas quando penso na regionalização vejo apenas mais potenciais caciquezinhos, mais poderzinhos, mais serviços duplicados, menos eficácia, maiores prejuízos para os cidadãos, muito provavelmente mais taxas e impostos. A regionalização não é uma questão ideológica que divida os partidos - há dirigentes pró-regionalização nos principais partidos, até porque os seus defensores vêem oportunidades acrescidas para espalhar uns lugares e aumentar o tráfico de influências. Aos principais e mais envelhecidos partidos, aqueles onde o aparelhismo e a corrupção andam de braço dado, a regionalização interessa para proveito próprio, mesmo que seja má para o país. Por saberem isso os seus defensores querem criá-la de forma encapotada, meio escondida, ir criando factos consumados - foi o que António Costa andou a fabricar com alguns autarcas que lhe são próximos nestes últimos tempos, foi aquilo que o Presidente da República travou, alertando para a marosca.


 


PENSAMENTOS OCIOSOS- Todos os dias me surpreendo com a falta de memória e a ingenuidade das afirmações de arguidos e testemunhas interrogados nos principais processos em curso nos tribunais portugueses.


 


SEMANADA - O Tribunal de Contas arrasou os planos das câmaras municipais contra incêndios nas zonas rurais acusando-os de falta de eficácia; um terço dos alunos portugueses com 15 anos ou mais só lê quando é obrigado e para 22% dos estudantes a leitura é considerada uma perda de tempo; há disciplinas, como o Português, em risco de ficar sem professores no espaço de uma década; só seis das 20 dioceses portuguesas criaram comissões de protecção de menores; o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou Portugal por condições degradantes em duas cadeias; uma sondagem do Correio da Manhã indica que depois das eleições de Outubro o CDS já caíu dos 4,4% alcançados para 2,9% das intenções de voto, o mesmo valor que a Iniciativa Liberal e menos que o Chega; segundo a Marktest mais de cinco milhões de portugueses utilizam serviços de mensagens instantâneas em vez de SMS; a falta de verba impede traduções do roteiro dos museus do Algarve; há mais de três mil edifícios públicos contaminados com amianto e a substância causou 126 mortes nos últimos quatro anos; o desemprego de longa duração entre as pessoas com deficiência aumentou 15% na última década; todos os meses são legalizados em Portugal, em média, cinco novos cultos religiosos; Portugal tem o terceiro pior investimento público per capita da união europeia.


 


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INQUIETAÇÕES - Pedro Cabrita Reis (na imagem) regressa a Serralves vinte anos depois da sua primeira exposição naquele espaço. A Roving Gaze (Um Olhar Inquieto) é o nome do projecto que agora apresenta e que foi especificamente concebido para os espaços de Serralves. A exposição assume-se como uma única obra de grande escala que evoca o percurso e a vida do artista sem preocupação cronológica. Inclui estruturas concebidas para o local, fotografias de obras de Cabrita desde 1999 até agora, ao mesmo tempo que apresenta objectos, desenhos, documentos e outros trabalhos que fazem a ponte entre a vida da pessoa e a obra do artista. A exposição fica em Serralves até final de Março do próximo ano. Em Lisboa, até 20 de Dezembro,  pode ainda ver estudos de Manuel Caldeira, desenhos de Pedro Sousa Vieira e pequenos bronzes de Rui Chafes na exposição “SI SOL FLAT”, no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), no Antigo Mercado de Xabregas, Rua Gualdino Pais. Ainda em Lisboa uma chamada de atenção para a exposição de pinturas Manuel Gantes, que vai estar na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria) até 21 de Dezembro. Por fim André Guedes mostra  “Formas Antigas, Novas Circunstâncias” na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º) até 18 de janeiro.


 


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CANÇÕES POPULARES - Harry Connick Jr.  é um dos grandes responsáveis pelo ressurgir do jazz cantado. Ele surgiu numa espécie de regresso às origens já que no início o jazz cantava-se e dançava-se em vez de se ouvir sentado numa sala de concerto. Connick, há uns anos, trouxe este lado de diversão de volta ao jazz. Cabe aqui dizer que Connick, além de cantor, pianista e até actor é um músico experiente e talentoso, capaz de fazer arranjos complexos e dirigir uma orquestra como aliás fez neste disco de homenagem a Cole Porter. Comecemos pela voz: neste disco Connick está cada vez mais parecido com Sinatra e o seu trabalho nas 13 canções que escolheu para “True Love: A Celebration Of Cole Porter” mostra-o a dirigir em estúdio uma orquestra de 16 músicos para a qual compôs todos os arranjos. As maiores surpresas no repertório escolhido são as duas canções da injustamente esquecida banda sonora de Cole Porter para o filme “High Society” - “You’re Sensational” e “Mind If I Make Love To You?”. O disco começa com uma boa versão de “Anything Goes”, um arranjo inesperado em “All Of You” e interpretações arrebatadoras de “I Love Paris”, “In The Still Of The Night” e, sobretudo, de “Begin The Beguine”, uma das minhas canções favoritas de Porter. O CD está disponível no Spotify.


 


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O REGRESSO DO PAPEL - A revista britânica The Face foi minha assídua companhia ao longo do tempo em que existiu, entre 1980 e 2004. Gostava da forma como abordava os temas, gostava da sua paginação, gostava da sua edição fotográfica. Após um interregno de 15 anos eis que ela volta às bancas, continuando com algumas das suas características. A revista no entanto ganhou um novo território, no digital. Agora há uma edição trimestral em papel e uma edição permanente online. A equipa editorial do papel tem a mesma dimensão da equipa do digital e vendo ambas percebe-se que houve o cuidado de pensar num projecto misto, que combina a magia do papel impresso com as possibilidades que o online oferece. Stuart Brumfitt é o seu novo editor e no editorial do primeiro número da nova fase de vida da revista publica uma fotografia sua, de 1997, então um adolescente sentado ao lado da mãe mas a folhear um exemplar da Face original. É uma simbólica nota no arranque desta nova série. Os temas são os de sempre, um mix de música, locais da noite, cultura urbana, moda, artigos que vão de uma reportagem no El Club de Barcelona a uma produção fotográfica com Rosalia. Mas há temas novos, como ambiente e animais, ao lado de um questionário a Liam Gallagher, dos Oasis. A publicação tem 312 páginas de bom papel bem impresso. Dado curioso: entre os anunciantes da versão em papel, logo no início da revista, estão empresas online como a Netflix, Amazon Prime ou a Farfetch e publicidade a conteúdos como uma exposição da Tate Modern ou o filme Joker. O mundo está a mudar e  mesmo para as empresa da economia digital é preciso procurar audiência noutros suportes. Na imagem estão as duas capas alternativas do primeiro número da nova série da Face, que pode ser comprada na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88.


 


UM LOCAL ESSENCIAL - A minha grelha de avaliação de um restaurante baseia-se em coisas simples: qualidade da matéria prima, qualidade e inovação da sua confecção, serviço, ambiente, e, no final, a relação qualidade-preço considerando os items anteriores. Muitos novos restaurantes não passam nesta grelha de avaliação logo nalgumas coisas fundamentais. Felizmente há excepções e há umas semanas conheci uma delas - o Essencial, o novo restaurante do chef André Lança, que abriu em meados deste ano depois de uma passagem pelo Palácio do Governador. André Lança estudou em França e tem uma clara devoção pela cozinha francesa, que felizmente aproveita de forma criativa para uma adaptação mais portuguesa. O Essencial é um exemplo de boa arquitectura de restaurante num espaço relativamente pequeno, muito bem aproveitado, onde o conforto dos clientes foi de certeza parte importante do caderno de encargos. O menu vai variando, este é um daqueles restaurantes onde se evita a rotina e volta e meia aparecem umas surpresas. Nesta altura do ano a sazonalidade é marcada pelas trufas enquanto a tradição é assumida pelo foie gras. Logo no couvert há a boa surpresa de o pão ser da Terrapão, acompanhado por manteiga da ilha do Pico (uma das nossas melhores) e banha de porco mangalica do Fundão (muito bem temperada e trabalhada). Nessa noite pela mesa passaram, nomeadamente, foie gras, pâté en croutes com pickles, gnocchi com cantarelos e cebola fumada, sela de borrego e codorniz com puré de batata. Os comensais ficaram satisfeitos e devo dizer que estes foram os melhores gnocchi que comi em muitos anos. Nas sobremesas a pastelaria é também influenciada pela tradição francesa e ganha destaque um mil folhas de caramelo salgado e uma tartelette de tangerina. A garrafeira é bem escolhida, entre vinhos portugueses e estrangeiros, e o serviço de mesa, quer na comida quer nos vinhos, é exemplar. Se quiser pode trazer o vinho que o restaurante aceita servi-lo mediante uma taxa de rolha. O Essencial fica na Rua da Rosa 176 e o telefone é o 211 573 713.


 


DIXIT - “É preciso encontrar formas, públicas e privadas, de agir face à grave crise da comunicação social” - Marcelo Rebelo de Sousa.


 


BACK TO BASICS - “Existem apenas duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana” - Einstein.





novembro 29, 2019

PS: AUSTERIDADE COMO LINHA POLÍTICA

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QUEM ANDA À CHUVA, MOLHA-SE - O cartoon de Luis Afonso neste jornal, na passada quarta-feira, era dedicado ao anúncio de que Portugal tem um excedente orçamental de 998 milhões de euros. “Nada mau” - replicava-se a este número. Para a seguir dizer: “Agora é continuar a poupar no Serviço Nacional de Saúde, que se ultrapassa tranquilamente a fasquia dos 1.000 milhões”. Este diálogo imaginado das personagens do cartoon de Luís Afonso sintetiza o estado da nação, melhor que mil discursos. A triste realidade a que todos assistimos é que o Estado falha cada vez mais onde deve mostrar eficácia - saúde, segurança, educação, justiça. Como é patente as contas do país estão melhores porque a austeridade continuou e até se agravou nalgumas áreas. Em vez de o dinheiro existente ser utilizado para políticas sociais foi usado para satisfazer grupos de interesse e comprar apoio eleitoral. O Governo de Passos Coelho criou medidas austeridade, nalguns casos menos agressiva, mas comunicou-a muito mal. Costa e Centeno agravaram a austeridade, prolongaram-na, mas  fazem como se ela não existisse - quando é absolutamente necessário abrem os cordões à bolsa numa área muito específica para calar algumas bocas e obter simpatia. Continuando no universo da banda desenhada há que reconhecer que António Costa é como Mandrake: tornou-se num grande ilusionista, um mágico das aparências, como se provou no debate quinzenal desta semana. Só que quem anda à chuva molha-se e todos os dias cai mais uma chuvada nas ilusões que são a linha política do Governo. Isto vai-nos custar imenso a todos - como já se percebeu a carga fiscal é para continuar a aumentar - não necessariamente para aplicar onde é mais precisa, mas para onde é mais útil aos interesses do PS.


 


SEMANADA -  Foi aprovado o projeto que permite aumentar o tráfego no aeroporto de Lisboa, dos atuais 44 para até 72 movimentos por hora; o orçamento do município de Lisboa para 2020 prevê que as despesas com pessoal subam 12% em 2020; no próximo ano cada lisboeta pagará 545 euros em taxas e impostos municipais; os gastos dos partidos nas eleições europeias derraparam 18%,  o BE, o PS e o CDS foram os que mais gastaram face ao que tinham previsto para a campanha eleitoral e o PSD, a CDU e o PAN gastaram menos face ao orçamentado; o Ministério das Finanças travou um curso para formar 200 GNR prometidos em maio pelo Ministro da Administração Interna; entre 2013 e 2018 o valor das casas em Portugal subiu mais 32% que os salários e Portugal foi o segundo país com a maior diferença na evolução do custo da habitação e o rendimento das famílias; mais de metade das crianças passam 10 a  12 horas por dia em creches; 52,9% dos professores no ensino público têm hoje 50 e mais anos de idade e apenas 1,1% se situam abaixo dos 35 anos; o número de diplomados em educação caíu para metade e os cursos de formação de professores atingiram em 2018 o valor mais baixo da última década; até 2030 mais de metade dos professores do quadro podem aposentar-se devido à idade; em Portugal apenas 33,5% da população entre os 30 e 40 anos tem o ensino superior, abaixo da meta europeia de 40% para 2020; há turnos nos serviços do INEM sem médico coordenador e existem falhas nesses turnos que têm gerado um atraso no encaminhamento correcto de doentes urgentes, colocando em risco a vida das pessoas.


 


ARCO DA VELHA - Joacir Katar Moreira queixou-se do assédio de jornalistas dizendo que tanta pergunta não a deixa trabalhar e pediu para ser escoltada pela GNR dentro do edifício da Assembleia para não ser incomodada por perguntas de repórteres no trajecto para o seu gabinete. 


 


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A MAGIA DAS MÁSCARAS -  Até domingo Bragança torna-se o paraíso das máscaras, com a realização da Mascararte, a IX Bienal da Máscara. Este ano o centro das atenções é a exposição sobre as máscaras da cultura Makonde, de Moçambique. Nesta cultura a paixão pela vida é talhada nas suas afamadas máscaras, elemento central de rituais, como o “Mapiko”, uma dança enérgica, cheia de força e expressividade acompanhada ao som de cânticos e tambores, executada nas principais festas e cerimónias e, sobretudo, nos ritos de iniciação dos jovens homens e mulheres. Outras exposições estão patentes no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, no Centro de Fotografia Georges Dussaud e no Museu Abade de Baçal. Um ponto alto da IX Bienal da Máscara – Mascararte é o desfile pelas ruas do Centro Histórico de Bragança, em direção ao Castelo, onde acontecerá a Queima do Mascareto, sob o tema “Reencarnação do Diabo, da Morte e da Censura no deus Brahma”, e actuações de um grupo de canto e dança de Moçambique.  Esta edição da Mascararte termina com a inauguração da exposição “Gaitas de Fole do Noroeste da Península Ibérica”, de Pablo Carpintero. Outras sugestões: em Coimbra pode também ver até  31 de Dezembro, na Casa  Municipal da Cultura, e organizada pelo Centro de Artes Visuais,  a exposição Linha de Fronteira baseada na Colecção Encontros de Fotografia e na série de exposições que realizou no decurso dos anos 90 sobre os territórios fronteiriços de Portugal e que incluíram encomendas a vários fotógrafos. 


 


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PIANO FADO - Atenção que este disco pode arrepiar logo no início, quando o piano de Mário Laginha se cruza com a voz de Camané em “Não Venhas Tarde”, o clássico de Aníbal Nazaré e João Nobre que Carlos Ramos cantou. E logo a seguir, no disco, está “Com Que Voz”, o fado composto por Alain Oulman para Amália, baseado num poema de Camões. Oulman compunha ao piano e Amália cantava a seu lado quando preparavam os discos e é impossível não pensar nesses momentos quando se ouve este “Aqui Está-se Sossegado”, penas com voz e piano. Mais à frente aparece outro tema onde Oulman, também para Amália, retomou a lírica de Camões, “Amor É Fogo Que Arde Sem Se Ver”. E há mais uma composição de Alain Oulman, desta vez sobre poema de David Mourão Ferreira, o “Abandono”, que Amália também cantou. Laginha e Camané trabalharam muito tempo neste disco, experimentaram os fados e as canções em concertos por todo o país. O resultado é um disco de emoções e cumplicidades feito de repertório clássico e de alguns originais. Do repertório habitual de Camané aqui estão “Guerra das Rosas” e “Ela Tinha Uma Amiga” (ambos de Manuela de Freitas e José Mário Branco), “Dança de Volta” (de Luiz de Macedo), sobre Fado Bailarico, de Marceneiro e Fado Lopes, de José Lopes), e “Quadras” (de Fernando Pessoa, no Fado Alfacinha, de Jaime Santos). Nos inéditos destaque para “Aqui está-se sossegado”, que dá o título ao CD (um poema de Fernando Pessoa sobre o Fado Espanhol, de Júlio Paiva), “Rua das Sardinheiras”, (de Maria do Rosário Pedreira com música de Mário Laginha) e “Se Amanhã Fosse Domingo”  (de João Monge e Laginha). Finalmente há um instrumental de Laginha, “Rua da Fé”. Ao todo 14 temas neste “Aqui está-se Sossegado” que vai ser interpretado ao vivo dia 20 de Dezembro no Coliseu de Lisboa.


 


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TRÊS IRMÃS PODEROSAS - Jung Chang é uma escritora chinesa, actualmente a viver em Londres, que se tornou conhecida com o livro “Cisnes Selvagens”, que conta a história da sua família ao longo de três gerações (sendo uma a dela própria), vendeu mais de dez milhões de exemplares em todo o mundo e foi proibido na República Popular da China. Outras obras suas que ganharam destaque foram a biografia  “Mao - a História Desconhecida” e a biografia da Imperatriz Viúva Cixi. Desta vez Jung Chang revisita a história de três mulheres que estiveram no no centro do poder da China no século XX, “As Irmãs Soong – A Mais Velha, a Mais Nova e a Vermelha”. O livro percorre a vida de três irmãs de Xangai cuja vida girou em torno de poder, amor, conquista e traição: a Irmã Vermelha, Ching-ling, que se casou com Sun Yat-sen, (o fundador da República Chinesa) e veio a ocupar cargos importantes na estrutura do regime de Mao Tsé-tung; a Irmã Mais Nova, May-ling, que foi a senhora Chiang Kai-shek, primeira-dama da China nacionalista pré- comunista e uma figura política por direito próprio; e a Irmã Mais Velha, Ei-ling, que foi conselheira principal não oficial de Chiang Kai-shek, fez do seu marido primeiro-ministro e foi uma das mulheres mais ricas da China. Esta é a história até aqui pouco conhecida das três irmãs Soong, uma narrativa que envolve exílio, amor, momentos de glória, perigos, intriga, guerra, glamour, desespero, traição e perda – mostrando-nos o século decisivo que a China atravessou e como elas conspiraram, influenciaram e deixaram a sua marca. Arrebatador.


 


OS VINHOS DO DOURO SUPERIOR - Pode um vinho branco ser adequado a estes dias de chuva a meio do outono? A resposta é sim se ele tiver corpo e alma. É o caso do Duorum Colheita Branco de 2018. É um vinho proveniente da Quinta do Castelo Melhor, situada a 500 metros de altitude na zona do Douro Superior, perto de Vila Nova de Foz Côa, em terrenos de xisto. O vinho é elaborado a partir de uvas das castas Castas Rabigato, Gouveio, Arinto e Códega do Larinho.  30% da produção foi fermentada em barricas de carvalho francês e o resto em tubas de inox a temperatura controlada. O resultado é um vinho amarelo dourado, com 13º, com volume e corpo e um final prolongado, com aroma frutado e boa acidez. É um daqueles vinhos que persiste na boca, bom para beber devagar, pessoalmente correu muito bem num fim de tarde entre dois dedos de conversa e umas tapas de queijo de pasta mole. Também se portou bem a acompanhar o peixe da refeição que se lhe seguiu.


 


DIXIT - “Fui eu que ganhei as eleições sózinha e a direcção (do Livre) quer ensinar-me a ser política” - Joacine Katar Moreira


 


BACK TO BASICS - “Como nação temos o dever de preservar os recursos naturais que recebemos para os entregar à geração seguinte” - Theodore Roosevelt.


 




novembro 22, 2019

PARLAMENTO, PRIMEIRO MÊS: UM SUSTO

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A NEBLINA DO REGIME - Percebe-se que há uma neblina perigosa quando uma maioria de esquerda no parlamento pretende silenciar os pequenos partidos; percebe-se que há uma neblina que desfoca o regime quando o PSD acha boa ideia passar os debates quinzenais com o primeiro-ministro a debate mensal para diminuir os incómodos e os ruídos perigosos e não expôr tanto a sua própria fraca oposição; percebe-se que a neblina passa a muro opaco quando o Presidente da Comissão de Transparência do novo parlamento, Jorge Lacão, admite que as reuniões daquele orgão decorram à porta fechada. Tudo isto se passou no Parlamento no seu primeiro mês de actividade - pode dizer-se que pelo caminho que as coisas levam a Assembleia da República está seriamente empenhada em dar uma má imagem  e em continuar a aumentar o desprestígio da função de deputado - situação que pelos vistos não desagrada aos próprios. Se juntarmos a isto a ideia deixada no ar por António Costa de que os impostos indirectos poderiam subir, que há planos de um englobamento que é apenas um eufemismo para aumento do IRS e se juntarmos as notícias sobre a continuação de dificuldade financeiras na saúde e transportes, temos uma ideia do que prometem ser estes quatro anos da legislatura agora iniciada : areia lançada à ventoinha para iludir os incautos, uma sucessão de promessas feitas em ano eleitoral que de repente entram na zona de amnésia do poder e que na realidade nunca foram anunciadas com a ideia de serem cumpridas. Chegámos ao ponto em que o engano é a arma da política e a ocultação a máscara dos políticos. O mais engraçado de tudo é que o efeito desejado - e que até aqui tem sido bem conseguido - é que aumente o desinteresse pela política para que sejam cada vez menos aqueles que votam de forma a que os eleitos sejam cada vez menos representativos e cada vez menos alvo de escrutínio.



SEMANADA - Em Portugal a sindicalização caíu de 61% para 15% em quatro décadas; há mais de 50 mil doentes à espera de serem operados para lá do prazo legal; o número de hospitais que ultrapassam os tempos máximos nas operações prioritárias ao cancro aumentou de 18 para 22; ortopedia e oftalmologia têm os piores tempos de espera para primeira consulta hospitalar; uma consulta prioritária de ortopedia chega a demorar 3,8 anos; na Guarda uma primeira consulta de cardiologia pode chegar aos cinco anos; há 21 pedreiras em situação de risco sem vedações; a mais antiga bienal de arte portuguesa, de Vila Nova de Cerveira, deixou de ser apoiada pelo Ministério da Cultura; apesar das promessas e anúncios anteriores, o Governo suspendeu 18 obras na ferrovia do Norte e Centro; os alunos da Faculdade de Letras de Lisboa queixam-se de que nas instalações universitárias há ratos e baratas; há quase 42 mil idosos a viver sózinhos ou isolados; o número de pré-avisos de greve até Outubro foi o mais alto dos últimos quatro anos, totalizando 781; desde 2008 a crise e os avanços tecnológicos eliminaram 16 mil postos de trabalho na Banca e fecharam quase dois mil balcões e foram eliminadas três mil caixas multibanco;  Bruxelas continua a incluir Portugal nas oito economias com orçamentos para 2020 que ainda apresentam risco de infringir as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento.


 


ARCO DA VELHA - Nos últimos dias foram feitos dois anúncios oficiais: a certeza que o pavilhão do gelo em Lisboa acontecerá nesta legislatura contrasta com o reconhecimento de que a ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto vai ter de esperar.


 


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A FICÇÃO DA REALIDADE - Edgar Martins é um fotógrafo português que tem vivido fora do país, nomeadamente em Macau e Inglaterra e venceu o BES Photo em 2009. A sua carreira profissional passou pelo foto-jornalismo e em trabalhos publicados em vários grandes jornais, como o New York Times. Um deles provocou polémica porque o jornal entendeu que as fotografias tinham sido manipuladas - o que era verdade e o autor não negou. Edgar Martins argumentou que a manipulação não era para ocultar a realidade mas para a ultrapassar e interpretar. Hoje em dia a pós-produção das imagens fotográficas que regista e utiliza tornou-se quase regra no seu trabalho. A exposição que está na Galeria Filomena Soares é um bom exemplo deste conflito entre a realidade, a ficção e a interpretação do mundo à sua volta,  conflito que cada vez povoa mais a obra de Edgar Martins. “What Photography has in Common with an Empty Vase” é o nome da exposição que mostra um trabalho desenvolvido em colaboração com uma prisão de Birmingham, com os seus presos e respectivas famílias. No centro está a forma como Edgar Martins encara e faz coexistirem a visibilidade, a ética, a estética e a documentação. Perturbante, o trabalho reflecte o sentimento de ausência provocado por uma separação forçada e recorre à ficção para construir uma narrativa que enquadra a tese defendida pela escolha das imagens e da forma de as mostrar


 


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40 ANOS A REMAR - Os  Xutos & Pontapés começaram há 40 anos - até me arrepio a pensar nisto e a recordar-me de como os conheci numa sala de ensaios numa garagem salvo erro perto entre Belém e Algés, antes de a zona estar na moda. Nesse dia percebi que estava ali alguma coisa diferente, uma energia feita de convicção. Uns tempos mais tarde ouvi “Sémen” e tive a certeza que os referenciais da música portuguesa estavam a mudar. Muitas vezes os ouvi no Rock Rendez Vous, assisti a concertos deles  ainda antes de encherem pavilhões. Nunca saí aborrecido de um dos seus concertos, não tenho memória de me ter desiludido. Para assinalar as quatro décadas da banda foi agora organizada uma compilação, sob a forma de duplo CD, que inclui 40 faixas marcantes da carreira dos Xutos, desde o primeiro single “Sémen” até “Mar de Outono” do álbum “Duro”, editado já este ano. Pelo meio estão temas como “Remar, Remar”, “Longa Se Torna A Espera”, “O Homem do Leme”, “Não Sou O Único”, “Vida Malvada”, “Gritos Mudos”, “Para Sempre” ou o “Mundo Ao Contrário”, entre tantos outros. Ouvir o disco é imaginar os últimos 40 anos da história de Portugal - porque cada uma destas canções teve o seu lugar no tempo e não poucas vezes se relacionou com o que se passava no país. As canções estão alinhadas por ordem cronológica e incluem ainda temas como “A Minha Casinha”, “À Minha Maneira”, “Para Ti Maria” ou “Se Me Amas”, por exemplo. E continuo a ouvir tudo isto com o agrado de cruzar memórias. 


 


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CEM ANOS DE HISTÓRIAS - Quem gosta de música e seguia The Band deve ter visto “The Last Waltz”, o filme do concerto final do grupo, em 1976, realizado por Martin Scorsese. A páginas tantas no filme aparece um homem a declamar um poema, “Loud Prayer”. O homem é Lawrence Ferlinghetti, um escritor, poeta e artista plástico norte-americano que completou em Março passado 100 anos. Ele é um dos expoentes da chamada Beat Generation. Criou a editora e livraria City Lights, que publicou o célebre e polémico poema “Howl” de Allen Ginsberg e se viu envolvida numa batalha legal pela liberdade de expressão. As suas ligações a uma geração de músicos cruzam nomes como Bob Dylan, Roger McGuinn, mas também Cindy Lauper e The Residents. O poema “A Coney Island Of The Mind” é porventura a sua obra mais célebre. Este ano, coincidente com o centésimo aniversário do autor, foi publicado em Março nos Estados Unidos a novela “Little Boy”, agora editado pela Quetzal com o título “Rapazinho” na tradução portuguesa. É uma curta novela, autobiográfica, na qual Ferlinghetti revisita a sua vida, sublinhando que o único fio condutor da obra é o relato do seu envelhecimento. Mais do que um  testamento literário, o livro percorre reminiscências biográficas e profecias sobre o que podemos esperar da vida no futuro. Ferlinghetti é uma figura incontornável da cultura contemporânea nos Estados Unidos, uma referência de uma geração e neste “rapazinho” surgem referências a nomes como Jack Kerouac, William Burroughs e T.S. Elliott, entre outros. O livro percorre episódios da infância, da adolescência, da vida durante a segunda guerra, da descoberta de Paris e da forma como se estabeleceu em S. Francisco e influenciou a vida cultural da West Coast. É um pequeno livro maravilhoso, a falar do que se passou sem ser passadista e a deixar muito campo aberto à imaginação. Ferlinghetti, aos cem anos, felizmente continua provocador. 


 


PEIXINHO EM PALMELA - Farto de restaurantes com conceito e sem respeito pelo cliente resolvi visitar a nova morada de um clássico da zona de Azeitão, “O Pescador”. Anteriormente estava na zona de Brejos, agora está perto de Palmela, numa sala maior e com um nome equivalente, “Dom Pescador”. Mas à frente das operações continua o Sr. Manuel, olhar vigilante sobre as mesas, a recordar-se de clientes, mesmo antigos e pouco assíduos. Os trunfos do restaurante são o peixe muito fresco, o bom marisco e uma cozinha cuidada. O serviço é atento e mesmo com a sala cheia as coisas andam com suavidade. Um dos trunfos da casa é a qualidade de percebes e amêijoas. Os primeiros foram de aperitivo, fresquíssimos, gordos, com o mar lá dentro, no ponto certo de cozedura. As amêijoas apareceram voluptuosas, no meio de uma canja de garoupa abundante e absolutamente exemplar. Provou-se também um linguado grelhado, impecável de preparo e de frescura, com um belo feijão verde a acompanhar. Outros petiscos possíveis, dependendo do que aparece no mercado, são salmonetes fritos com arroz de berbigão e pregado frito com arroz de conquilhas. O grande aquário à entrada da sala de refeições é um jardim das delícias com lavagantes e lagostas. Mas mesmo os peixes mais simples são aqui tratados com a atenção que o mar merece. E sem manias.  Rua Dr. Bernardo Teixeira Botelho Nº7, Palmela, telefone 21 210 4641.


 


DIXIT - “ Entre aumentos do IRS "para os ricos" (vulgo classe média) e mais impostos politicamente correctos, o futuro do nosso socialismo é o de todos os socialismos: durar até acabar com o dinheiro dos outros”- José Manuel Fernandes.


 


BACK TO BASICS - “Não são os escritores de canções que mudam sociedades, a sociedade é que muda os escritores de canções” - José Mário Branco


 






novembro 15, 2019

OS FEIRANTES DA POLÍTICA

 


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ANTIGUIDADES MODERNAS - O que é o PS? O partido que primeiro nega a palavra aos deputados eleitos pelos partidos estreantes no Parlamento? O partido que depois lhes quer dar apenas um minuto como tempo para interpelarem António Costa nos debates quinzenais? Ou o partido que defende que uma autarquia que governa (Lisboa) tenha acesso aos dados privados das viaturas particulares que nela circulam? Ana Catarina Mendes, a líder parlamentar do PS, foi a voz que defendeu o silenciamento dos novos partidos no Parlamento e depois lhes quis dar um minuto de esmola, e Vasco Móra, assessor do Vereador da Mobilidade, Segurança, Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, foi quem defendeu que a autarquia possa ter acesso a dados sobre circulação na cidade dos sistemas digitais de automóveis particulares. O PS é cada vez mais um paradoxo entre uma organização que se afirma progressista e um feudo conservador,  fechado sobre si mesmo, disposto a tudo para segurar o poder e controlar o que se diz e se faz. Quer queira, quer não queira, com pessoas como Mendes ou Móra, António Costa faz o papel de guardião do Big Brother, ou, mais prosaicamente, o papel de feirante moderno que negoceia em gadgets já desactualizados nas novas feiras de velharias. António Costa é um mestre de ilusionismo - no sentido de pretender fazer passar a ilusão pela realidade. Como se tem visto desde que é Primeiro-Ministro, o país que ele tem na cabeça faz o que ele quer, como ele quer, quando ele quer. As atitudes destes seus dois serventuários são um reflexo da cultura política vigente sob a batuta de Costa.


 


SEMANADA - As queixas dos utilizadores do novo passe Navegantes resumem-se assim: os transportes públicos não estavam preparados para receber mais utilizadores, estão cheios, os atrasos são constantes e os equipamentos são velhos; as autoridades detectam uma média de 20 pessoas por dia a conduzir sem carta; três em cada quatro portugueses usam o telemóvel enquanto conduzem; 10% dos portugueses não têm qualquer dente e mais de 30% dos portugueses não vão ao dentista ou só vão em caso de urgência, alegando não ter capacidade financeira; a pneumonia é a segunda causa de morte em Portugal; entre janeiro e junho deste ano foram trocadas mais 246 mil seringas para drogas do que em igual período do ano passado; até final de outubro foram concedidas cerca de 11 mil autorizações de residência a estrangeiros, mais 18% que em igual período do ano passado; entre 2005 e 2013 a Câmara Municipal de Santa Comba Dão pagou cerca de 700 mil euros por obras que não foram feitas; as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto concentravam, em 2017, mais de metade (52%) do poder de compra do país e representam 44% da população portuguesa; o PAN quer estender a taxa de carbono à produção de carne; quase 600 médicos  ficaram sem acesso à especialidade este ano; cerca de 53 mil toneladas de matérias perigosas, entre as quais amianto, foram importadas para Portugal entre 2016 e 2017.


 


ARCO DA VELHA  - Nas Forças Armadas há mais índios que setas: segundo o Ministério da Defesa em 2018 havia 11 369 praças para 8738 sargentos e 6905 oficiais (num total de 15 643). 


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ARTE AO FIM DE SEMANA - De 15 a 17 decorre a primeira edição do Lisbon Art Weekend em duas dezenas de galerias privadas e espaços públicos de exposição que estarão abertos todo o fim de semana e centrados na arte contemporânea. Nalguns casos há programas especiais (como uma visita guiada por Filomena Molder na exposição de Rui Sanches, na Cordoaria,  sábado pelas 17h00). O programa pode ser consultado no facebook e em lisbonartweekend.com . Os espaços aderentes são  Balcony Gallery, Carlos Carvalho Contemporary Art, Carpintarias de São Lázaro, 3+1 Arte Contemporânea, AZAN, Bruno Múrias, Casa dell’Arte Lisbon, Galeria 111, Galeria Belo-Galsterer, Galeria Cristina Guerra, Galeria Foco, Galeria Francisco Fino, Galeria Graça Brandão, Galeria Vera Cortês, Galerias Municipais/Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria, Madragoa, MONITOR Lisbon, Pedro Cera e Underdogs Gallery. Outros destaques: na Fundação Gulbenkian duas novas exposições merecem visita. “Art On Display, Formas de Expôr 1949-1969” assinala os 50 anos do Museu Gulbenkian e tem como ponto de partida as soluções expositivas pensadas para a sua abertura em 1969 e permite percorrer diversas formas de olhar e de apresentar obras de arte.  A outra exposição da Gulbenkian é “Call To Action - Abril em Portugal” que reúne peças desenhadas por Robin Fior entre as décadas de 60 e 80 para projectos social e politicamente comprometidos. Fior chegou a Portugal em 1973 e por cá se manteve desenvolvendo uma obra de designer gráfico que agora é mostrada pela primeira vez. 


 


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ROUBADOS E BEM CANTADOS - No ano em que celebra 25 anos de carreira Aldina Duarte foi buscar repertório alheio - vários fados mas nenhum dos fados tradicionais, nenhum escrito por si ou para si ao contrário do que tem sido hábito. Aqui estão 12 temas, do “Vendaval” de Tony de Matos a “Rosa Enjeitada” (em dueto com António Zambujo), passando por “Senhora da Nazaré” (de João Nobre), “Porta Maldita” (de Maria da Fé), “Ouça Lá Ó Senhor Vinho” (de Alberto Janes), “Veio A Saudade” (de Beatriz da Conceição) ou “Arraial” (de João Ferreira Rosa).  Por isso mesmo deu a este novo álbum o título de “Roubados” e, para a capa, foi buscar ao baú uma fotografia sua com 21 anos, idade em que se encantou pelo Fado. Aldina Duarte assegurou arranjos e produção musical. As doze músicas que escolheu estão entre as que considera das mais belas de sempre na história da música portuguesa e do fado e a opção foi fazer versões bem diferentes dos originais - muitas vezes levando a sua voz até ao limite, como acontece logo em “Vendaval”, o primeiro tema do disco que tem uma interpretação arrebatadora. Aldina é acompanhada por Paulo Parreira na guitarra portuguesa e Rogério Ferreira na viola.  O CD inclui um portfolio fotográfico de Alfredo Cunha que mostra o trabalho efectuado em estúdio na gravação destas versões. E, como pano de fundo, sempre a voz de Aldina, a sua forma de cantar, a sentir cada palavra que diz.


 


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A HISTÓRIA DA MARQUESA FUTURISTA - A mais recente edição da revista ”Electra” reflecte sobre o crescimento dos movimentos em defesa dos animais com várias colaborações onde se destaca o ensaio sobre a divisão entre o Humano e o Animal pelo professor de neurologia Massimo Filippi. Outro dos temas deste sétimo número da revista editada pela Fundação EDP, e que a partir de agora passa também a ser distribuída no Brasil,  tem a ver com o culto do património e o seu uso político, tendo por base a destruição parcial da catedral de Notre Dame, através das visões de Salvatore Settis, arqueólogo e historiador, Carlo Pùlisci, historiador de arte, e Pedro Levi Bismarck, arquitecto e investigador cujos três ensaios convivem com imagens da Catedral, do fotógrafo André Cepeda. A figura em destaque nesta edição é Luisa Casati, a “marquesa futurista” - como lhe chamou o poeta italiano Marinetti – que adivinhou as atitudes artísticas e culturais do século XX e XXI e cuja fascinante história José Manuel dos Santos conta num belíssimo texto. O portfolio é da autoria da artista holandesa Magali Reus conhecida sobretudo pelo seu trabalho na área da escultura e que aqui apresenta a sua primeira incursão pela fotografia com mais de uma dezena de fotografias sobre o percurso das flores. A entrevista que abre este número é com Hisham Mayet, cineasta, músico, investigador e fundador da editora Sublime Frequencies, em conversa com André Príncipe e José Pedro Cortes que acompanham com um ensaio visual a narrativa, fruto de uma semana em Tânger. Finalmente destaque ainda para um bom texto da historiadora de arte Helena de Freitas sobre duas mulheres artistas, Dora Maar e Berthe Morrison.


 


O PÉSSIMO FAZ FRIO  - Passear hoje em dia no Princípe Real é andar por uma feira de diversões onde a maioria dos restaurantes são feitos para os visitantes estrangeiros, sem preocupações de cativar clientes portugueses que queiram voltar. Alguns destes restaurantes não aceitam reservas e estão no seu direito - não querem correr o risco de atrasos ou faltas e querem manter as mesas disponíveis para quem fôr chegando. Gostam aliás de ter filas à porta, preferem clientes acidentais a clientes regulares. Mas o que nunca me tinha acontecido foi chegar a um restaurante que não aceita reservas, pedir uma mesa para seis pessoas, que me foi dada como disponível e indicada, e sermos impedidos de nela nos sentarmos (estávamos duas pessoas a aguardar a chegada das outras quatro e tínhamos ido mais cedo para “segurar” mesa). O empregado disse que era norma do restaurante só sentar as pessoas se estivessem pelo menos quatro. Quando protestei e questionei o sentido de tal indicação respondeu-me que essa é a política do restaurante. Quando de novo tentei argumentar apareceu um ser, que soube depois ser o dono do local, que se meteu na conversa de forma rude e malcriada, na prática a querer que nos fôssemos embora - como bom burocrata disse que ali era assim e não havia mais conversa - eu tinha a minha opinião, ele tinha a dele (e ficou a rir-se orgulhoso do seu feito). Obviamente saí do restaurante em causa, o antigo Faz Frio, na D.Pedro V junto ao Príncipe Real, outrora uma casa acolhedora, hoje um lugar a evitar. Do antigo mantiveram se as paredes mas perdeu-se a simplicidade e o bom acolhimento. Agora, no Faz Frio, o cliente é gado na fila do matadouro às ordens das regras do proprietário, Jorge Marques, uma pessoa arrogante sem a menor consideração pelas observações dos clientes. Uma breve nota que postei no Facebook sobre este assunto gerou dezenas de observações e vários comentários a denunciar a falta de qualidade da comida e o mau serviço. Evitem dar dinheiro a está gente, o repúdio e a melhor solução. Quem não tem competência não se devia estabelecer - é o caso de quem manda no Faz Frio.


 


 DIXIT - “A própria existência humana tem impacte ambiental” - afirmação do secretário de estado  João Galamba a propósito dos receios de problemas ambientais causados pela exploração de minas de lítio em Boticas.


 


BACK TO BASICS - “Nunca andes pelo caminho traçado. Ele conduz apenas até onde os outros já foram” – Alexander Graham Bell.


 

novembro 08, 2019

A POLÍTICA DA IMPOSIÇÃO DA OPINIÃO

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OS NOVOS DITADORES - Desde há alguns anos começou a proliferar um conjunto de ideias, aparentemente bondosas, supostamente novas, apresentadas de forma impositiva e que, com o correr do tempo, se enquadraram em mecanismos de acção totalitários. Muitas vezes enfeitam-se sob bandeiras de uma ideologia que se apresenta como sendo de esquerda, como se isso fosse um argumento de pureza e virtude. Esquecem-se os seus propagandistas que algumas das mais cruéis ditaduras do século XX assumiam-se sob o mesmo manto diáfano dessa esquerda, usando na propaganda a igualdade, a liberdade, a defesa de ideais anti-colonialistas, o combate ao desenvolvimento desenfreado e às desigualdades. Como hoje já é patente dois dos mais aguerridos blocos desse passado transformaram-se em regimes onde a corrupção é galopante, a exploração acentuada, o desrespeito pela protecção da natureza é inexistente, o domínio de outras geografias uma obsessão e onde as diferenças sociais são gritantes. Em Portugal o casulo destas ideias começou com o Bloco de Esquerda e organizações satélite, alargou-se para diversas áreas e acabou por ganhar presença parlamentar. Em comum os seus agentes têm o facto de não aceitarem ideias e princípios que não os seus e o de serem crescentemente intolerantes para quem não alinha no seu programa. São organizações que pretendem condicionar o funcionamento da sociedade e impôr as suas opiniões. No fundo são tão totalitários como os fascistas de meados do século XX. Em nome dos seus ideais querem que todos lhes obedeçam. Não admitem a diferença e combatem quem os critica e denuncia. Mascaram-se de politicamente correctos quando são velhos de pensamento e intolerantes de acção. Parecem modernos mas são antigos - antigos, confusos e perigosos. Hoje já os vemos a sair do casulo, dentro em breve começarão a denunciar os que consideram infiéis. Tenho muito claro que a minha liberdade acaba onde começa a do outro. Não quero impôr o que sou e não quero que me imponham o que outros acham que devo ser. 


 


SEMANADA - Segundo a Marktest 2,8 milhões de portugueses possuem ou beneficiam de seguro de saúde, o valor mais elevado dos últimos 16 anos e que equivale a cerca de 30% da população; segundo o INE há 4,5 milhões de pessoas a viver nas 159 cidades portuguesas, o que equivale a 43,4% da população em centros urbanos; um mês depois de finalizada a campanha eleitoral das legislativas continuam na rua a maior parte dos cartazes dos partidos concorrentes; dos 228 deputados eleitos há um mês, 28 já não estão no parlamento por assumirem outras funções; a proposta orçamental da Comissão Europeia prevê que a contribuição de Portugal para a União aumente enquanto os fundos para o país sofrem um corte de 7%; um em cada cinco trabalhadores ganha o salário mínimo; o Tribunal de Contas chumbou a empresa escolhida pela Autoridade Nacional da Aviação Civil para fazer o registo e controlo de drones por suspeitar que a escolhida para este contrato de 1,7 milhões de euros não tem comprovada experiência na área que devia executar; um grupo de especialistas alertou para o facto de Portugal não estar a conseguir avaliar a quantidade e a qualidade dos caudais dos rios que vêm de Espanha; a ameaça de falências volta a crescer no metal, têxtil e calçado e desde janeiro existem 238 empresas da indústria têxtil e da moda que estão em tribunal com processos de insolvência mais 42% face ao período homólogo do ano passado.


 


ARCO DA VELHA -  Durante o seu recente interrogatório pelo juiz Ivo Rosa José Sócrates disse que nunca tinha lido a acusação formulada contra ele.


 


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VENTO DE LESTE - No Museu Berardo inaugurou esta semana a exposição “(Des)construção da Memória”  de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, que assinam como colectivo YiiMa, e que integra fotografias, vídeos, instalação e performances. Nesta mostra, que  inclui meia centena de obras de grande formato os artistas viajam através da Memória de Macau, dando-lhe um significado inteiramente novo (na imagem). A exposição, com curadoria de João Miguel Barros, é organizada por ocasião dos 20 anos de transferência de soberania de Macau para a RP China e dos 40 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a RP China.  O outro destaque da semana vai para “Estratégia da Aranha - teias e tramas”, de Teresa Segurado Pavão, que está na Casa/Atelier de Vieira da Silva, integrada na  fundação Arpad Szenes Vieira da Silva. A exposição mostra, através de uma multiplicidade de materiais, a ligação entre o trabalho de Teresa Segurado Pavão e a própria origem industrial do local, que fazia parte da Fábrica de Seda antes de ser o espaço de trabalho de Vieira da Silva. A exposição fica patente até 5 de Janeiro de 2020 e pode ser visitada no horário do Museu, sempre que solicitado na recepção. Às quartas-feiras das 15h00 às 17h30 poderá contar com a presença da artista na Casa-atelier. Finalmente, em Coimbra decorre até 29 de Dezembro a bienal de Coimbra, numa dezena de espaços da cidade com trabalhos de quatro dezenas de artistas de diversas nacionalidades e que este ano tem curadoria do brasileiro Agnaldo Farias. 


 


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RÁDIO BYRNE - David Byrne, o fundador dos Talking Heads, continua em grande forma como o seu álbum do ano passado “American Utopia”, e a correspondente  digressão mostraram. Uma das suas facetas que ganhou notoriedade nos anos mais recentes é o trabalho de recolha e divulgação de artistas, canções e músicas de diversos géneros, desde a world music ao pop experimental e ao apoio a artistas como St.Vincent. Nesta área um dos seus trabalhos mais interessantes é a David Byrne Radio, que pode ser ouvida na sua página pessoal (davidbyrne.com) ou na aplicação Mixcloud que tem uma área própria para a rádio de Byrne. Os novos programas aparecem pontualmente no início de cada mês, no dia 1. Em Setembro e Outubro foi a vez de grandes compositores de bandas sonoras de filmes, respectivamente Nino Rota e Bernard Herrmann. Nino Rota trabalhou com Fellini, para outros realizadores italianos e compôs o tema original de “O Padrinho”. Já Herrmann  trabalhou com Hitchcock -são dele os violinos de “Psycho” e a música de “North By Northwest” - e foi também o responsável pela banda sonora de “Twilight Zone” e de “Taxi Driver”. A selecção de Novembro é dedicada ao Indie Pop e inclui 18 temas de artistas como Stolen Jars, Hobo Johnson, Speedway, os próprios Talking Heads, mas também Bon Iver ou Billie Eilish, além de Vagabon, Michael Kiwanuka ou Jamila Woods entre outros. Assim é fácil descobrir a música de que David Byrne mais gosta.


 


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DEFENDER A LÍNGUA - Esta é uma história formidável: “Assim Nasceu Uma Língua - Sobre as Origens do Português” - trata-se de um livro escrito pelo linguista Fernando Venâncio. O autor começa nos primórdios da nossa língua, que remonta há séculos, tão distantes que Portugal ainda nem existia, passando pelos primeiros escritos, até à fala contemporânea que ainda hoje conserva registos, dessa movimentação primordial. É uma aventura que começa nas terras do norte, onde ao lado do galego nasceu a língua portuguesa e que a certa altura saltou os mares e ganhou novas formas em África e no Brasil. Formado em Linguística Geral e docente de língua e cultura portuguesas nas universidades holandesas de Nimega, Utreque e Amsterdão,  Fernando Venâncio, nasceu em Mértola, em 1944. Neste “Assim Nasceu uma Língua”, há espaço para críticas mordazes a todos os que querem «um idioma passadinho a ferro, lindo para encaixilhar», negacionistas da língua como um sistema vivo e, por isso, mutável. Para Fernando Venâncio, o português é um «idioma em circuito aberto», e falar da sua história é falar das origens, influências, elasticidade e ainda das derivações que resultaram, por exemplo, no português do Brasil. Do famigerado Acordo Ortográfico de 1990, o professor Fernando Venâncio garante que foi, no mundo real, um devaneio inútil e dispendioso. Uma edição da Guerra & Paz, um livro que o seu editor, Manuel S. Fonseca, define asim: “Belíssimo e de um humor que beija a inteligência”.


 


COZINHA ORIGINAL - Mesmo em frente à casa Fernando Pessoa está o restaurante Bicho Mau, uma ideia de Rita Gama e Tomás Rocha após vários anos a trabalharem em outros restaurantes dentro e fora de Portugal. Ambos comandam a cozinha e desenham os menus que mudam com frequência, de acordo com as estações e apoiam-se em pequenos produtores e produtos sazonais. As doses são feitas a pensar em experimentar sabores e partilhar diversos pratos. No couvert vem bom pão, manteiga de ovelha e rillettes de pato. O menu é contido na diversidade mas oferece boas possibilidades de escolha quer de peixe, quer de carne. Numa recente visita experimentaram-se umas lulas de anzol com pinhão e eucalipto e um peixe branco fumado. Ficou-me a apetecer experimentar um pastrami de porco sobre brioche e disseram-me que brevemente surgiriam novas propostas na carta como cabeça de xara e pézinhos de coentrada, iguarias que provocam sempre polémica sobre o gosto pessoal dos convivas. Na mesa do lado dava nas vistas uma massa fresca com marisco e manteiga fumada e, para quem quiser, há um curioso petisco de lavagante com camarão e ovo. Para terminar, nos doces,  destacou-se as farófias com fruta e manjericão. Nas bebidas há cocktails, moscatel roxo e propostas de vinhos brancos e tintos nacionais e estrangeiros - uma selecção curta mas cuidada. A sala é pequena, com uma decoração criativa e muito simpática, o serviço é atencioso e eficaz. Um local a repetir, coisa que cada vez é mais difícil de dizer em relação a novos restaurantes. O Bichomau fica em Campo de Ourique, na Rua Coelho da Rocha 21A, com o telefone 211 608 694.


 


DIXIT - “O caso da deputada do Livre (...) é ilustrativo da tendência anedótica que parece querer dominar a cena parlamentar saída das últimas legislativas” - Vicente Jorge Silva.


 


BACK TO BASICS - “Quem pensa pouco, erra muito” - Leonardo da Vinci