maio 17, 2019

QUEM NAO TIVER MEMÓRIA AUDIOVISUAL NÃO TERÁ FUTURO

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HÁ PATRIMÒNIO PARA ALÉM DA PEDRA E DO PAPEL - Nos dias que correm parte importante, mas menosprezada,  da preservação do património passa pela preservação das imagens e dos conteúdos audiovisuais. Ter a memória das imagens é tão importante como ter a memória do pensamento. Património não é só pedra e papel, ao contrário do que pensam ainda hoje muita gente. Um país sem produção audiovisual relevante não existe em termos internacionais; um país que não preserva os seus arquivos de imagens está a desprezar o conhecimento de gerações futuras. Vem isto a propósito de notícias recentes sobre as dificuldades que atravessa a Cinemateca Nacional e o seu Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), criado há mais de  20 anos e que é uma organização exemplar e de referência a nível internacional. Cinemateca e o ANIM têm feito um trabalho contínuo de salvaguarda do património de filmes portugueses dos mais diversos géneros e formatos, restaurando-os, digitalizando-os, preservando originais e disponibilizando para consulta os seus arquivos, programando e exibindo-os ao público na sala da Cinemateca, na Rua Barata Salgueiro. A Cinemateca é apenas mais um dos casos dos efeitos da austeridade cativante de Centeno e da incapacidade de sucessivos governos em conseguirem criar na área da Cultura modelos de funcionamento que garantam maior autonomia financeira e uma gestão mais de acordo com as exigências específicas de cada instituição. Fiquei a saber pelo Expresso da semana passada que o Ministério da Cultura entende que em ano de eleições não é altura de mudanças - porque o Ministério das Finanças não quer ouvir falar do assunto. Ligado a tudo isto está a falta de adequação e actualização da Lei do Mecenato que continua pouco competitiva quando comparada com outros países - e mais uma vez o assunto esbarra no Ministério das Finanças. Eu por mim acho que ano de eleições é o ideal para discutir estas questões. Mas já se sabe que elas não dão votos, que é a única coisa que interessa a este sistema cada vez mais distante dos problemas reais  do país e da sua resolução.


 


SEMANADA - Portugal está entre os países que mais devem a fornecedores e o Ministério da Saúde é o que apresenta mais dívidas; há 50 mil pedidos de pensões pendentes e o prazo médio de resposta ultrapassa muitas vezes os seis meses; segundo o Instituto Nacional de Estatística em 2018 a carga fiscal aumentou 6,5% em termos nominais e representou 35,4% do PIB, o valor mais alto desde 1995; no ano passado 3758 cidadãos estrangeiros foram impedidos de entrar em portugal pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e 76% eram oriundas do Brasil; o número de nepaleses em Portugal triplicou em quatro anos e já ultrapassa os 11 mil;  jovens portugueses são dos que mais tarde saem da casa dos pais, quase aos 29 anos, acima da média da União Europeia; as famílias monoparentais cresceram 12% em cinco anos; o acesso a cirurgias no Serviço Nacional de Saúde piorou em 80% dos hospitais e os prazos máximos definidos por lei continuam a não ser cumpridos; um quinto dos doentes com cancro com indicação para cirurgia ultrapassaram os tempos de espera previstos; os atrasos e dificuldades na emissão do Cartão de Cidadão provocaram um aumento de 133% de reclamações de utentes no Portal da Queixa; segundo a Marktest Cristiano Ronaldo é a figura pública mais conhecida dos portugueses e Ricardo Araújo Pereira é quem gera mais empatia.


 


SINAIS DOS TEMPOS - Espanha, Marrocos e França são os três maiores fornecedores de sardinha ao mercado nacional e  o número actual de pescadores em Portugal é menos de metade do que existia em 2001.  


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JEO, A HISTÓRIA DE UMA GALERIA - No início deste século, em 2002, abriu, no Chiado, a Galeria João Esteves de Oliveira - Trabalhos em Papel. O seu promotor era um quadro do sector financeiro que mudou de vida, passando da banca para galerista, ele que já era coleccionador. Agora decidiu pôr um ponto final na sua galeria e ali abriu esta semana a derradeira exposição, “Not For Sale”, que é a mostra de uma pequena parte da sua colecção privada. A exposição decorre em todo o espaço da Galeria, na Rua Ivens 38, até ao dia 25 de Maio. Em simultâneo foi editado o catálogo “Moderno e Contemporâneo: A Colecção de João Esteves de Oliveira”, que reúne ao longo de cerca de 400 páginas reproduções das obras, enquadradas nas áreas Moderna e Contemporânea por textos de João Pinharanda. Numa nota introdutória o galerista conta como começou a coleccionar obras de arte aos 25 anos e como desenvolveu a sua paixão com um critério maioritariamente português e sobretudo com trabalhos em papel. Ao longo das quase duas décadas de actividade a Galeria João Esteves de Oliveira ganhou um lugar único, enaltecendo o desenho e as obras de artistas e arquitectos que ali expuseram obras inéditas e estudos de projectos. Numa separata do catálogo, que inclui também textos de vários artistas, Alexandre Pomar escreve que João Esteves de Oliveira era “o comissário seguro das suas exposições, feitas de visitas aos ateliers, relações pessoais, desafios, cumplicidades.” E, mais à frente, recorda como o galerista “assegurava critério e, para os frequentadores da Rua Ivens, garantia qualidade, valor, segurança”.


 


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ARTES DE MAIO - A ARCO Lisboa domina inevitavelmente o panorama das artes plásticas esta semana. Está na Cordoaria até Domingo e ali se pode ver a actividade de artistas portugueses e estrangeiros, muitos dos portugueses com obras inéditas e até mostrando novas direções no seu trabalho. Ao todo são 71 galerias, 50 das quais portuguesas, as restantes de mais 16 países. Destaque para a aposta na presença de galerias africanas, ao todo seis, de Angola, Moçambique, África do Sul e Uganda - e vale a pena ver os trabalhos inéditos de Ângela Ferreira na Arte de Gema, de Maputo ou, também ali, os desenhos de Rodrigo Mabunda. A Fundação EDP continua a ser o mecenas principal desta edição lisboeta da ARCO e, como já aconteceu no ano passado, o MAAT fez coincidir a inauguração de um novo ciclo de exposições com a abertura da feira. As novas exposições apresentam os trabalhos dos finalistas do Prémio Novos Artistas Fundação EDP,  o envolvente trabalho de Pedro Tudela na sala das Caldeiras combinando escultura com um meticuloso trabalho de sonorização, um incontornável conjunto de obras - quase se poderia dizer de intervenção - de Carla Filipe intitulado “Amanhã Não Há Arte” (na imagem) e, finalmente, “Servitudes Circuits”, a instalação de Jesper Just na Galeria Oval do MAAT e que é até à data a mais conseguida intervenção realizada naquele espaço. Ainda em relação à mostra de Carla Filipe vale a pena reter o jornal ali distribuído onde se apresentam uma série de informações sobre as condições em que os artistas visuais desenvolvem a sua prática. Como já aconteceu no ano passado, no Museu da Carris (na Rua 1º Maio em Alcântara) decorre a Just LX, que agrupa uma meia centena de galerias (predominantemente portuguesas mas com uma dezena e meia de vários países) e que se apresenta como uma alternativa aos critérios de seleção da ARCO.


 


The Garden of Earthly Delights - Cover - High-res


BOSCH JAZZ - André Carvalho é um músico de jazz português, contrabaixista e compositor, que desde 2014 trabalha em Nova Iorque. Para o seu terceiro álbum inspirou-se no pintor holandês Hieronymus Bosch e compôs “The Garden of Earthly  Delights” que esta semana foi distribuído em Portugal. Ao lado de André Carvalho tocam neste disco, gravado em Abril de 2018 em Nova Iorque, os saxofonistas Jeremy Powell e Eitan Gofman, o trompetista Oskar Stenmark, o guitarrista André Matos e o baterista Ruben Recabarren. Nos dois discos anteriores como líder de uma formação André Carvalho combinava o jazz contemporâneo com referências da música portuguesa. Neste novo trabalho Carvalho criou uma suite em vários andamentos, pensada em torno do tríptico de Bosch. Há ao longo do disco, com um constante pano de fundo no jazz contemporâneo, um alternar entre música improvisada e música composta e cada uma das faixas consegue viver por si, mantendo uma coerência no conjunto da obra. O disco inclui onze temas e André Carvalho destaca “The Forlorn Mill”, já perto do fim do álbum, como uma das suas composições preferidas, inspirada “num dos momentos mais alucinantes do painel que representa o Inferno de Hieronymus Bosch, momento em que todas as almas pecadoras parecem dirigir-se para um moinho. Julgo que toda esta intensidade transparece neste movimento da Suite, visto que há fortes influências rock, de música contemporânea e improvisada, que lhe dão esse carácter cru e áspero”. Disponível em CD editado pela Outside In Music, à venda na FNAC e disponível no Spotify.


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UM QUEIJO EXCEPCIONAL - Eu gostos de queijos a sério. Dos que se cortam à faca em vez de se comerem (quase) à colher. Gosto deles curados, temperados. Que exalam odor e deixam nas mãos, ao cortar, um rasto da sua gordura natural. Por estes dias tive ocasião de me deliciar com um queijo destes, quase uma raridade nos tempos que correm, dominados pela pasta mole. Um queijo sério, um queijo de ovelha curado, velho, feito como deve ser - apenas com leite cru de ovelha, sal e flor de cardo. É um queijo com uma cura mínima de 120 dias e esta raridade, com a crosta temperada com azeite virgem e colorau, é produzida em Mangualde pela Queijaria Vale da Estrela. Esta queijaria, que só usa leite de ovelha proveniente dos rebanhos que pastam na Serra da Estrela, baseia-se nas técnicas antigas e na vontade de fazer um trabalho conjunto com os pastores que asseguram a mais importante matéria prima - o leite cru das ovelhas. Talvez por se basear no saber tradicional e no respeito pela qualidade do que é utilizado, os produtos do Vale da Estrela são diferentes e, numa petisqueira roda de amigos, quando saltam as lascas do curado, as exclamações de surpresa e elogio são constantes. Além do queijo curado a queijaria Vale da Estrela  produz também um queijo não curado, mas com consistência suficiente para se comer à fatia, como deve ser, e um requeijão - além de ter doces (destaque para o mirtilo) e mel natural. Mais informações em www.valedaestrela.pt .


 


DIXIT - “Alguém sensato acredita que um Parlamento com 750 deputados, vindos de 28 países e falando 24 línguas oficiais seja capaz de defender os direitos dos cidadãos?” - António Barreto


 


BACK TO BASICS - “A vulgaridade nasce quando a imaginação se deixa vencer pela realidade explícita” - Doris Day


 


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maio 10, 2019

É TUDO UM JOGO - COM MUITA BATOTA PELO MEIO

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MATRAQUILHOS NA ASSEMBLEIA - A política portuguesa começa a assemelhar-se a uma partida de matraquilhos jogada ao fim da tarde em que os vários partidos vão sendo eliminados ao longo de um torneio fictício com batotas avulsas pelo meio. O que se passou recentemente na Assembleia da República sobre a recuperação do tempo de serviço dos professores assemelha-se, na sua displicência, a uma disputa entre adolescentes em torno de uma mesa de matraquilhos, cada um a ignorar regras. Se a Assembleia da República já é considerada um local pouco recomendável por muitos eleitores, a degradante cena agora exposta ao olhar público mais incita o eleitorado a descrer não só dos deputados, mas também dos dirigentes dos seus partidos. Segundo a as regras estabelecidas pela Federação Portuguesa de Matraquilhos no jogo de matraquilhos uma bola é considerada morta quando pára completamente o seu movimento e não está ao alcance de qualquer boneco de nenhum jogador. Depois dos movimentos iniciais isto foi o que sucedeu. A bola ficou parada e agora ninguém a quer. Lamentável todo o processo - um case study de oportunismo político e insensatez que mostra como a falta de uma estratégia bem pensada produz desvarios tácticos. Um resultado lamentável, poluído de declarações ainda mais lamentáveis vindas de todos os intervenientes.


 


SEMANADA - Segundo o Instituto Nacional de Estatística 1,78 milhões de portugueses vivem com menos de 467 euros por mês, o que significa 17,3% dos portugueses; segundo o Banco de Portugal o país está mais pobre face à Europa do que antes da adesão à moeda única e a falta de produtividade compromete a melhoria de bem-estar sustentável dos portugueses no futuro;  constrangimentos financeiros fizeram o IPO recusar análises a doentes com cancro e vários acabaram por morrer; um relatório da Deloitte, relativo à primavera de 2019, indica que em relação ao semestre anterior a percentagem dos que arriscam uma evolução positiva para o PIB nacional afunda de 70% para 45%;  segundo o mesmo relatório três em cada quatro responsáveis financeiros de empresas assumem que este não é um bom momento para assumir riscos maiores no balanço; mais de 150 autarquias em todo o país estão a ter atrasos significativos no pagamento a fornecedores; Portugal só usou 25% das verbas europeias para integrar refugiados e imigrantes; as queixas por atrasos nos pedidos de reforma, que nalguns casos podem chegar aos três anos, dispararam 88% nos últimos seis meses;  Rui Rio afirmou que o PSD não recuou na questão dos professores e que foi tudo uma enorme confusão provocada por jornalistas; Mário Nogueira anunciou estar a considerar se continua no PCP depois do que se passou com a questão da contagem do tempo de serviço dos professores.


 


ARCO DA VELHA - A ASAE ficou em abril sem 30 viaturas utilizadas nas acções de fiscalização e perdeu as únicas cinco carrinhas frigoríficas que asseguravam o transporte de alimentos apreendidos.


 


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NO PRINCÍPIO É O DESENHO - Depois de ter estado em Guimarães, a exposição antológica de desenhos de Rui Chafes está até 19 de Maio na Casa da Cerca, em Almada. Com o título “Desenho Sem Fim” a exposição apresenta trabalhos que vão de 1980 a 2017 e mostra uma faceta menos conhecida do trabalho de Rui Chafes, conhecido sobretudo como escultor. A sequência da exposição não respeita a cronologia dos trabalhos, reunindo-os em núcleos onde, como sublinha o texto que acompanha a exposição “existem alguns aspectos que são recorrentes e que extravasam os núcleos independentes para se repetirem, por vezes com grandes hiatos temporais: o uso repetido de materiais que não pertencem ao domínio dos materiais “de arte”, como remédios, tinturas, chá, flores esmagadas e que convocam uma inescapável ligação ao corpo e à sua permanente queda”. A curadoria é de Nuno Faria e Delfim Sardo e em simultâneo decorre no Convento dos Capuchos uma exposição de esculturas de Rui Chafes. Entretanto assinalem nas agendas que no dia 18, sábado da próxima semana, Vera Mantero e Rui Chafes apresentam na Casa da Cerca a sua performance  “Comer o coração nas árvores”, uma colaboração entre os dois artistas na qual a coreógrafa e bailarina se cruza com as esculturas de Rui Chafes. Inicialmente concebida para a Bienal de São Paulo 2004 e com o título inicial de “Comer o coração”, a performance teve nova versão em 2015 e 2016 e a sua evolução passou pela criação de uma nova escultura de Rui Chafes pensada para suspensão em árvores de grande porte. De apresentação muito esporádica, esta possibilidade de descobrir o trabalho conjunto de Vera Mantero e Rui Chafes no próximo dia 18 é uma ocasião a não perder.


 


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RENASCER NO MEIO DE RUÍNAS - Um homem parte da sua terra para um país distante que está a sair de uma guerra devastadora. O ponto de partida é a Islândia, o destino é um dos países dos balcãs onde vizinhos lutaram contra vizinhos. O homem tem como objectivo suicidar-se e para isso escolheu um hotel outrora famoso e agora decadente no meio de destroços da guerra. Envolvido pela população local que descobre as suas habilidades como reparador de pequenas coisas, o homem reconstrói casas e a sua própria vida. Na Islândia não tinha vida social nem sexual, trabalhava numa loja herdada do pai. Decide vendê-la e partir sem avisar ninguém. Tinha decidido suicidar-se quando soube que não era o pai biológico da sua filha, decidiu afinal viver depois de fazer reviver uma aldeia e da atracção consumada por uma ex-estrela de cinema à procura de novo rumo. Esta é a  história de “Hotel Silêncio” (originalmente Ör, que significa «cicatriz») A autora é  Auður Ava Ólafsdóttir, a mais premiada escritora islandesa. Este livro agora editado em Portugal ganhou o Prémio de Melhor Romance Islandês, Prémio dos Livreiros Islandeses e Prémio de Literatura do Nordic Council. A autora já escreveu cinco romances, é dramaturga, contista e professora universitária. E tem um humor fino e incisivo.


 


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INSTANTES DECISIVOS EM CASCAIS - Robert Doisneau, o retratado nesta imagem com uma Rolleiflex nas mãos, dizia, sobre a fotografia, que «as maravilhas da vida quotidiana são tão entusiasmantes que nenhum realizador consegue encontrar o inesperado que se encontra nas ruas.» Doisneau é um dos grandes fotógrafos presentes na exposição “Instantes Decisivos”, que está patente até 14 de Julho no Centro Cultural de Cascais. A exposição inclui algumas das fotografias mais célebres de Man Ray, Robert Doisneau, Alfred Stieglitz, Carlos Saura, Elliot Erwit, Alberto Korda e Henri Cartier-Bresson, entre outros,  tudo obras pertencentes à «Colleción Himalaya», do colecionador espanhol Julián Castilla.


 


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18 NOVOS HINOSDepois de uma pausa de seis anos sem novos discos os Vampire Weekend regressam com “Father Of The Bride”. A produção é de Ariel Rechtshaid  e do líder da banda,  Ezra Koenig, e entre os convidados estão Dave Longstreth (Dirty Projectors), Steve Lacy (The Internet), Danielle Haim, e Jenny Lewis. O novo álbum, o quarto da banda, é um cruzamento entre a angústia e o optimismo, como The Guardian o classificou e evidencia um olhar pop atento sobre os tempos que vivemos. Tem 18 canções, quase todas surpreendentes e exemplares - a começar por “Sunflower”. Irresistível.


 


PROVAR - O Kook In ideia foi de Pedro Batista, que tem restaurantes Kook em Luanda, e que se associou a  Rui Oliveira e Francisco Bessone, os fundadores do Nómada. O Kook In está aliás no local onde o Nómada estava inicialmente, Avenida Visconde de Valmor 40A. Propõe um menu de almoço a 18 euros mas que não inclui couvert, bebida ou café - apenas entrada, prato do dia e sobremesa. Na verdade o menu de almoço com couvert, um copo de vinho e café não ficará abaixo dos 27 euros - o que está fora dos preços usuais para este tipo de oferta. O preço desajustado é aliás o principal problema deste restaurante  onde o serviço tem alguma tendência a impingir mais uma coisinha, sempre com a maior simpatia. A ideia é entrar no campo da comida portuguesa contemporânea, onde o empratamento compensa o que falta no resto, como se estivesse num concurso de instagrams. A cozinha é chefiada por Lázaro Glória, 28 anos, que com esta idade, antes de entrar neste projecto, já estagiou no Ritz, cozinhou no Penha Longa e no Mandarin Oriental de Londres e passou uma  temporada na Austrália. De entre as propostas do Chef provei o bacalhau assado com ovas grelhadas e migas de feijão frade com chouriço e couve cortada para caldo verde (18€) - o bacalhau era bom e estava bem, as ovas eram insípidas e as migas estavam secas demais. No couvert destaco a qualidade das azeitonas e do pão da casa, que evoca uma focaccia, além de um broa honesta. A lista de vinhos é bem escolhida mas com preços altos. Uma refeição completa (couvert, entrada, prato, sobremesa) para duas pessoas, com vinho, dificilmente ficará abaixo dos 70 euros. É demais para o sítio e a qualidade.


 


DIXIT - “O nosso homem continua a confundir a família do Rato com o país” -  Vasco Pulido Valente sobre António Costa.


 


BACK TO BASICS - “Corrijam-me se estiver enganado, mas creio que a delicada linha entre a sanidade e a loucura está a ficar cada vez mais ténue” - George Price.


 


 






maio 03, 2019

OS VENTOS DE ESPANHA

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LIÇÕES ESPANHOLAS - Aprende-se sempre alguma coisa a olhar para a relva do vizinho. Vem isto a propósito das eleições espanholas e do seu resultado. Há quem veja no desfecho uma possibilidade de exportação da geringonça lusitana e quem já imagine António Costa numa cátedra de negociação política numa das grandes  universidades madrilenas, com Pedro Sánchez, embevecido, a beber as suas palavras na primeira fila do auditório. Por muito que esta imagem possa ser simpática para alguns, ela não representa, porém, a verdadeira questão que o resultado das eleições gerais em Espanha evidencia. Para além do tema das soluções governativas possíveis, e antes de se chegar à exportação da geringonça, vale a pena olhar para o que se passou e que provocou uma queda brutal do Partido Popular e uma alteração da paisagem política espanhola, com a entrada em cena, forte, da extrema direita. A minha interpretação pessoal é que a causa do rápido fortalecimento da extrema direita espanhola radica na fraqueza do PP, no resultado da sua governação e na sua inconsequência, e não num mero problema de táctica de campanha eleitoral. Visto daqui, parece-me que foi o PP que abriu a porta à extrema direita ao descurar a Espanha fora das grandes regiões urbanas e industriais - o voto nas regiões mais rurais explica muito do que sucedeu e uma análise da geografia eleitoral merece atenção. Este fenómeno do peso eleitoral do voto não urbano é aliás comum noutras eleições - na Europa e, por exemplo, nos Estados Unidos na eleição de Trump. Quando toca a votos os países não são o que o eleitorado urbano pretende. Em Portugal criou-se um vazio na direita tradicional que deixou, pelo menos por agora, de ser umas alternativa de poder. O descontentamento do seu eleitorado vai procurar uma alternativa de voto - foi o que aconteceu em Espanha e será o que, a continuarem as coisas assim,  mais cedo ou mais tarde, aqui acontecerá. A responsabilidade não será dos eleitores. Será de quem os ignorou e, assim, os perdeu.


 


SEMANADA - Nos últimos 24 anos a Igreja em Portugal perdeu quase mil padres; há quatro dioceses (Porto, Lamego, Funchal e Santarém) contra a criação de comissões para analisar queixas de abusos sexuais feitos por padres;   um homem que cumpriu dez anos de prisão por crimes sexuais reincidiu e violou quatro mulheres em Lisboa no primeiro mês após a sua libertação; a receita fiscal cresceu cerca de 10% no primeiro trimestre face a igual período do ano passado; o crédito à habitação concedido pelas instituições financeiras a particulares até fevereiro cresceu 13,1% face ao mesmo período de 2018 e totaliza já 1,5 mil milhões de euros; o valor do metro quadrado de habitação já aumentou 7% em termos médios nacionais, face ao final de 2018; os reembolsos da ADSE estão a demorar cerca de seis meses; os vistos gold dão ao Estado cerca de 24 milhões de euros por ano; as zonas do interior do país perderam mais de uma centena de farmácias nos últimos seis anos; o ensino superior privado ganhou dez mil alunos em quatro anos; as viagens dos portugueses motivadas por férias e lazer aumentaram 4,2% no ano passado; a percentagem de trabalhadores por conta própria em Portugal é de 15%, superior à média da União Europeia; 88,6% dos pagamentos realizados em estabelecimentos comerciais em 2018 foram feitos com cartão bancário; as autarquias lideram as queixas por recusa de acesso a documentos oficiais.


 


AO QUE ISTO CHEGOU - A Polícia Judiciária de Leiria deteve um homem de 34 anos que falsificava notas de 20 euros para pagar serviços sexuais de prostitutas; o tribunal condenou-o a pena suspensa.


 


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COMO FUNCIONA A MENTE? - O processo criativo é algo que me fascina - e perceber como ele varia de pessoa para pessoa e de caso para caso ainda mais. “Devoção”, de Patti Smith, agora editado em Portugal pela Quetzal, é um livro sobre o processo criativo, sobre os pequenos passos que antecedem uma ideia, sobre o caminho que leva da ideia à sua concretização. “A inspiração é um mistério recorrente e invisível”, avisa logo Patti Smith nas primeiras linhas. E, mais à frente: “O destino dá uma ajuda, mas não a ajuda toda. Eu andava à procura de uma coisa e encontrei outra muito diferente” - conta, para recordar como lhe surge uma ideia. Este é um diário que mistura notas de viagem com referências a locais ou autores que marcam a autora e, também, de forma  fascinante aliás, o relato do quotidiano e das rotinas para além da sua faceta pública. Além deste lado de relato, há uma envolvente short story, que dá o nome ao livro, “Devoção” (e o texto inicial do livro “Como funciona a mente” esclarece a forma como nasceu essa história), alguns poemas, notas e fotografias. “Um sonho não é um sonho” é o texto que resume o sentido do livro: “porque escrevemos?- pergunta em uníssono o grande coro de quem escreve. Porque não nos podemos limitar a viver”. Boa tradução de Helder Moura Pereira, a partir da edição original, de 2017.


 


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ENTÃO E A ESCULTURA? - Gosto do espaço físico da Galeria Valbom - com a ampla sala térrea, e a grande mezzanine. Até 22 de Maio ali pode ser vista uma exposição que mostra um lado relativamente pouco conhecido de Júlio Pomar, o de escultor. “Então e a escultura?” é o título da exposição que mostra um conjunto de esculturas em bronze, produzidas em Paris em 2003 e 2004 - ao todo 22. Além das esculturas estão expostas sete assemblages, seis serigrafias e um conjunto de 73 desenhos apresentados em vários núcleos, com início em 1946 e que vão até 2006. Em muitos destes desenhos reconhece-se a preparação de outras obras - desde logo algumas das esculturas aqui presentes, mas também estudos para alguns dos seus quadros. Estão ainda presentes 75 publicações ilustradas por Júlio Pomar e ainda alguns livros de artista. A obra de Pomar tem vindo a valorizar-se em termos do mercado de arte  em Portugal e praticamente todas as peças ali expostas estão disponíveis para coleccionadores. A Galeria Valbom, que organizou a exposição, editou também um catálogo e comercializa igualmente uma peça produzida pela Vista Alegre com base num desenho de Pomar. A Valbom está aberta entre as 13 e as 19h30, de segunda a sábado, na Avenida Conde de Valbom 89-A.


 


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VOZ ARMÉNIA - Arani Agbabian tornou-se conhecida quando trabalhou com Tigran Hamasyan, um músico de jazz arménio, fortemente influenciado pela tradição musical das suas origens. Arani Agbabian é também de ascendência arménia, embora tenha nascido na Califórnia, em Los Angeles. Começou a estudar piano aos sete anos e foi cantando sobretudo com base no repertório folk do seu país e também com grupos vocais búlgaros. Foi como vocalista que trabalhou com Tigran Hamasyan, para além de ter desenvolvido uma carreira a solo, em áreas como a ópera contemporânea, a dança e performances multimédia. Em 2014 gravou o seu primeiro disco a solo, “Kissy” e este ano surgiu “Bloom”, que assinala a sua estreia na ECM. É um trabalho baseado exclusivamente no piano e voz de Arani e na percussão de Nicolas Stocker. A produção foi do próprio fundador da ECM, Manfred Eicher, e a sonoridade adequa-se ao carácter envolvente das melodias tradicionais arménias, que são a base deste trabalho. Em “Bloom” Areni Agbabian reinterpreta hinos sagrados, temas tradicionais e também composições próprias dela própria e em colaboração com Stocker, onde a proximidade ao jazz improvisado é assinalável. Destaque para os temas “Patience”,  “Mother”, “The River” , “Full Bloom”, para o tradicional “Anganim Arachi Ko” e “The Water Bride”. O disco evidencia os desafios vocais e rítmicos da tradição musical arménia e é fruto de uma conjugação exemplar do delicado trabalho do piano, da voz e da percussão. “Bloom”, edição ECM, no Spotify.


 


UM PRAZER PICANTE - Quando mais leio press releases de restaurantes com conceito e de chefs que só pensam em menus degustação, mais me apetece descobrir restaurantes simples e despretensiosos. Já tinha ouvido falar do “Tentações de Goa”, um restaurante em plena Mouraria, perto do Martim Moniz, na Rua S. Pedro Mártir, uma ruela escondida por onde se entra a partir do fundo da Rua da Madalena. O espaço não é muito grande, a sala é simples mas vibrante de luz, a clientela é completamente diversificada, com boa dose de turistas. O serviço é muito simpático, os preços são honestos, quer na comida, quer nos vinhos. A confecção é naturalmente a puxar para o picante, mas nalguns casos pode indicar-se a intensidade pretendida. Comecemos pelas entradas - foram provados uns bons bojés, acompanhados do correspondente chutney de coentos, e umas surpreendentes chamuças de camarão. Nos pratos testou-se o caril de camarão com quiabos , o caril de caranguejo e o biryani vegetal - tudo acima do que é a média de muitos restaurantes indianos da capital. A sobremesa, partilhada, foi uma babinca tradicional, talvez um pouco mais adocicada do que se esperava. Por mim o destaque foi para as chamuças de camarão (que são bem picantes) e para o caril de caranguejo, que estava superior. O arroz basmati estava no ponto. As Tentações de Goa encerram aos Domingos e feriados, o telefone é o 218 875 824 ou 914 814 043 e aceita reservas.


DIXIT - “O oportunismo eleitoral actualmente dominante faz-me lembrar uma imagem televisiva em que o actual primeiro-ministro português, pouco antes das eleições de 2015, confessava ao jornalista que lhe perguntara se iria aliar-se ao PSD: Ainda se o líder fosse Rui Rio…- Manuel Villaverde Cabral


 


BACK TO BASICS - “Anda tudo desequilibrado, o mundo devia parar mas segue em frente” - V S Naipaul


 






abril 26, 2019

O DISCURSO INTERROMPIDO, OU QUANDO A HISTÓRIA SE REPETE...

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OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR - Há 50 anos um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra interrompeu uma sessão oficial com a presença do então chefe do Estado, Américo Tomaz, ergueu cartazes de protesto e criou um dos momentos mais simbólicos da resistência à ditadura por parte das Associações de Estudantes. Exactamente 50 anos depois um grupo de jovens activistas ambientais interrompeu  uma sessão oficial do PS, quando António Costa falava, para protestar contra a construção do aeroporto do Montijo e mostrar cartazes onde denunciavam o que entendem ser os perigos que esse aeroporto acarreta. Há uma fina ironia nisto - a cerimónia onde António Costa discursava assinalava o 46º aniversário do PS e homenageava Alberto Martins, hoje deputado socialista, e que foi o estudante que em Coimbra em 1969 pretendeu interromper Américo Tomaz. As situações são obviamente diversas mas é impossível não reflectir sobre a forma como os protestos evoluem: Os jovens de há 50 anos lutavam pela liberdade e contra a guerra colonial, os de hoje estão mais preocupados em salvar o planeta e defender o ambiente. Nos dois casos desafiam o poder e as convenções estabelecidas. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e o 25 de Abril aconteceu há 45 anos. Quem tem a idade que os estudantes de Coimbra tinham em 1969 não havia sequer nascido em 1974. Cresceram noutro mundo, felizmente com outros direitos, outros meios e com outras ambições. Viver do passado, em política, é terrível e foi isso que se passou com António Costa e o PS esta semana. Foram confrontados com uma nova realidade, a de quatro jovens activistas ambientalistas que irromperam pelo palco, pretendendo falar ao microfone onde o Secretário Geral do PS discursava e  empunhando um cartaz onde se lia “mais aviões só a brincar”. Nas fotografias publicadas na imprensa é visível o nervosismo na cara de António Costa enquanto a sua segurança empurrava os jovens para fora do palco. Costa não esperava passar pelo que Américo Tomaz passou há 50 anos. The Times They Are A Changin’, não é?


 


SEMANADA - Em Portugal são sinalizadas todos os anos 6500 crianças em risco, a maior parte por negligência e maus tratos psicológicos; no final do ano passado existiam 48 mil processos pendentes nos tribunais fiscais; o Ministério Público identificou quatro dezenas de plágios na tese de doutoramento do Presidente da Câmara de Torres Vedras; o Bispo do Porto anunciou que não quer na sua dicocese a criação de uma Comissão sobre abusos sexuais no seio da Igreja; o orçamento global das campanhas eleitorais dos partidos políticos para as eleições europeias de Maio é de quase cinco milhões de euros, mais meio milhão que nas eleições anteriores; desde o início do ano o país exportou em média cerca de mil automóveis por dia e por comparação com o mesmo período em 2018 a produção de veículos aumentou 30,6% e só a Autoeuropa, alcançou as 71.452 unidades; em Portugal há cerca de seis mil filiais de empresas estrangeiras o que representa 0,73% do universo empresarial, percentagem que era a sexta mais baixa entre todos os 28 países da União Europeia e abaixo da média da UE, que atingia 1,2%; o preço das casas subiu 17% em Portugal no ano passado e o valor médio por metro quadrado chegou aos 1849 euros, uma valorização que se regista há cinco anos consecutivos e o preço mais elevado regista-se na região de Lisboa com 2.637 euros por metro quadrado; o Governo está a preparar alteração de regras para subir o IMI; 60% dos docentes de insituições privadas de ensino superior recebem a recibos verdes; em 2018 realizaram-se mais mil casamentos que em 2017, num total de 34.637.


 


ARCO DA PREPOTÊNCIA -  Há seis meses entrou em vigor uma medida que obriga a Autoridade Tributária a reanalisar, até finais deste ano, todos os processos que correm nos tribunais fiscais e que aguardam por decisão final - mas as Finanças não dão informações sobre a aplicação desta medida.


 


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LEITURA AOS QUADRADINHOS - Apresentado como uma novela gráfica (ou seja uma história aos quadradinhos), “Sabrina”, de Nick Drnaso, editado originalmente em Maio de 2018, conseguiu a proeza de ser finalista do Booker Prize - uma novidade para um livro de banda desenhada. Drnaso, um autor norte-americano, estreou-se em 2016 com “Beverly”. É ele que escreve e desenha as suas histórias e esta, já editada em Portugal, desenrola-se ao longo de 200 páginas, de uma forma quase cinematográfica. Muitas páginas fazem lembrar os storyboards que muitos realizadores usam para prepararem as filmagens. Drnaso nasceu em 1989 e “Sabrina” é um retrato dos tempos presentes. Trata-se da história do assassinato de uma mulher, Sabrina, das teorias de conspiração que começam a surgir em torno do crime e da forma como as falsas narrativas (no fundo fake news), impactam a vida de familiares e amigos da vítima. Na história cruzam-se videos espalhados na internet, informações distorcidas e até rumores de que afinal podia não ter acontecido nada e seria tudo uma invenção. Drnaso levou cerca de três anos desde que iniciou Sabrina até o completar e nalguns momentos é impossível não recordar “The Blair Witch Project”, o filme em forma de pseudo-documentário lançado em 1999 e que explorava medos e rumores em torno de crimes não esclarecidos. Mas “Sabrina” tem vida própria e é de facto um livro de tipo novo, uma história de banda desenhada fora da lógica dos heróis da Marvel e que reflecte sobre as tensões e angústia que convivem, neste tempo, com a tecnologia.


 


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O MUNDO EM MARVILA - Até 18 de Maio a Galeria Underdogs (Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila) apresenta a exposição colectiva “From The World”, Made In Lisboa. Estão patentes obras, em diferentes suportes e formatos, de artistas internacionais que expuseram na galeria Underdogs desde a sua abertura, em 2013. André Saraiva, Anthony Lister, Clemens Behr, Cyrcle, Ernest Zacharevic, Felipe Pantone, Finok, Okuda San Miguel, Olivier Kosta-Théfaine, PichiAvo, Shepard Fairey e WK Interact são os artistas que criaram obras expressamente para esta exposição.


 


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UM DIÁLOGO DE CORDAS - Um dos mais interessantes diálogos entre instrumentos que se pode  ouvir é entre uma guitarra eléctrica e um contrabaixo. É isso exactamente que Bill Frisell e Thomas Morgan nos mostram em  Epistrophy, um disco gravado ao vivo no Village Vanguard de Nova Iorque em 2016 e agora editado pela ECM (já disponível no Spotify) . São nove temas que mostram a cumplicidade entre os dois músicos, que já tinham tentado o mesmo diálogo em “Small Town”, editado em 2017. Na selecção de canções Frisell foi buscar temas da época do seu trabalho com o Trio de Paul Motian, mas também um tema de um filme de James Bond, composto por John Barry, “You Only Live Twice” ou um excerto de “Save The Last Dance For Me”, um original dos Drifters de 1960 que teve dezenas de interpretações. O nome do disco, “Epistrophy” vem de um tema de Thelonius Monk, aqui reinterpretado. A faixa de abertura é também um tema bem conhecido, “All In Fun”, de Jerome Kern, assim como o tema final é o clássico “In The Wee Small Hours of The Morning”, popularizado por Frank Sinatra em meados dos anos 50. O virtuosismo de Frisell e o seu entendimento com Thomas Morgan são um permanente desafio para que possamos descobrir pormenores escondidos mesmo nas canções mais conhecidas, aqui despidas de voz e reduzidas ao diálogo entre as cordas da guitarra e do baixo.


 


COMER COM OS OLHOS - Que se pode comer com os olhos é coisa sabida; que se pode ficar com água na boca a ver televisão é dado adquirido com a profusão de programas sobre comida; que uma série policial de televisão pode conjugar isto tudo é que é brilhante. Verdade seja dita que os livros que inspiraram a série já eram um desafio à imaginação gustativa - estou a  falar da série de romances de Andrea Camilleri protagonizados pelo inspector Montalbano e interpretados por Luca Zingaretti. A RTP2 tem vindo a emitir ao sábado e domingo, ao fim da tarde, a longa série de filmes que a RAI produziu com base nessas investigações e aventuras. Uma das coisas fascinantes é a forma como Montalbano se delicia com os petiscos que a sua empregada, Adelina, lhe deixa preparados. Um dos que mais me faz salivar - e que mais o delicia a ele - é pasta ‘ncasciata, um prato simples, preparado primeiro ao lume e depois no forno e que inclui, azeite, cebola, pancetta aos cubos, tomate pelado, um pouco de puré de tomate, e um copo de vinho tinto, tudo cozinhado gradualmente. Ao fim de uns 10 -15 minutos passa-se tudo para um tabuleiro de ir ao forno. À parte coze-se massa (penne), bem al dente , escorre-se, e junta-se ao cozinhado que já está no tabuleiro. Depois mistura-se uma beringela crua salgada e escorrida cortada aos cubos, queijo caciocavallo também aos cubos, sal e pimenta a gosto e, por fim, queijo parmigianno regianno ralado por cima. Vai ao forno 15 minutos a gratinar e deixa-se arrefecer um pouco antes de servir. Experimentem.


 


DIXIT - “A esquerda adora greves para usar politicamente contra a direita no poder, mas detesta-as quando ela própria está no poder” -  Luciano Amaral


 


BACK TO BASICS - “Só existem dois dias no ano em que não se pode fazer nada pela vida: ontem e amanhã” - Dalai Lama


 





abril 18, 2019

O QUE SE PASSOU NESTES QUATRO ANOS?

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MEMÓRIAS DE UM CIDADÃO - De que me lembro nesta legislatura? Do roubo ainda não esclarecido das armas em Tancos; do regabofe das falsas presenças no plenário da Assembleia da República; da abundância de nomeações familiares cruzadas no círculo do poder; do triste quadro de amnésia que assola quem vai depôr a comissões parlamentares, mesmo de altos responsáveis públicos, como um ex-Governador do Banco de Portugal; de convenientes alianças parlamentares para privilegiar uma classe profissional, a dos advogados; e de mais algumas coisas que estão espalhadas pelo país político - corruptelas locais, atrasos sistemáticos, cativações fantásticas que afectam serviços públicos, falta de reforma na justiça, atraso cada vez maior nos tribunais e um fisco que não olha a meios e quer devassar a seu bel prazer a vida dos cidadãos, um Estado que obriga as pessoas e empresas a cuidados na utilização de dados privados mas que se isenta a ele próprio dessa obrigação. A legislatura é isto; o desgoverno é este. O país está desregulado, o Estado é um complicómetro.


 


SEMANADA - Os monumentos, museus e palácios sob tutela da Direção-Geral do Património Cultural registaram uma queda de 7,8% no número de visitantes, ou seja, perderam quase 400 mil pessoas em 2018; em 2018 foram detidos 113 homens e quatro mulheres por abuso sexual de crianças; há 12 concelhos sem balcões dos correios e da CGD; uma em cada cinco cirurgias no Serviço Nacional de Saúde é feita fora do prazo obrigatório; metade das empresas do PSI 20 tem ex-governantes na administração; em 2018 regularizaram-se cinco vezes mais trabalhadores imigrantes em Portugal, a maioria brasileiros; em cinco anos a Polícia Judiciária Militar abriu 36 inquéritos a furto de armas e munições que resultaram em apenas cinco acusações; em 2018 as viagens dos portugueses aumentaram 10%; a facturação do sector hoteleiro cresceu 4,4% em Fevereiro, em relação ao mesmo período do ano passado; mais de um quinto do desemprego afecta pessoas com curso superior; a taxa de crescimento da economia portuguesa acumulada ao longo desta legislatura deverá ficar cerca de 17% abaixo da previsão de um grupo de economistas que prepararam as promessas eleitorais do PS em 2015, entre os quais Mário Centeno; a despesa com investimento público também foi sempre inferior à meta traçada pelo PS na campanha eleitoral.


 


ARCO DA VELHA - Numa aldeia ribatejana com cerca de mil habitantes cerca de duas centenas receberam em dois dias 200 multas da PSP por excesso de velocidade numa zona onde o limite é de 50 kms/hora.


 


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MARIA MADALENA PENITENTE - Até dia 28 ainda poderá ver no Museu Nacional de Arte Antiga este Ticiano, uma das várias versões que ele pintou de Madalena Penitente. Este que está exposto, é uma tela do Hermitage de São Petersburgo, considerada de todas a melhor – pela expressão trágica da santa e do ambiente que a envolve. Quinta-feira dia 18 é Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e a entrada no MNAA é gratuita. Domingo de Páscoa o Museu está fechado mas ainda terá toda a próxima semana, de terça a Domingo, entre as 10 e as 18,  até esta obra ser devolvida ao Hermitage.


 


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UMA QUESTÃO DE GRAMÁTICA - Não sou isento de pecados mas pontapés na gramática irritam-me bastante. Às vezes olho para legendas de filmes ou informações escritas na parte inferior dos ecrãs de televisão durante os noticiários que me causam arrepios - e não são de prazer. É um pouco paradoxal que numa época onde tantas vezes as conversas são escritas - por mensagens, emails, WhatsApp - se escreva cada vez pior. O desaparecimento, na generalidade dos jornais, de revisores e copy-desks, veio piorar as coisas e creio que o ensino de português também tem culpas no cartório. O problema não vem só do ensino básico e secundário - nos últimos anos em que estive em redacções de jornais onde recebia estagiários de cursos de comunicação constatei que o seu domínio do português era muitas vezes fraco e interroguei-me como se pode ensinar alguém a comunicar sem explicar que o domínio da língua é essencial para essa actividade? Vem tudo isto a propósito de um livro agora editado pela Guerra & Paz na colecção Livros Correio da Manhã: “Gramática para Todos - o português na ponta da língua”. O seu autor é Marco Neves, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. Tem obra publicada nesta área: “ Doze Segredos da Língua Portuguesa”, “ A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa” ou “Dicionário de Erros Falsos e Mitos do Português”, para só falar de algumas. Neste novo livro escreve-se sobre as regras do português, com capítulos de nomes sugestivos como “peças para construir palavras”, “os parafusos da gramática”,  um desafiante “como criar palavras novas” ou “como escrever frases inesquecíveis”. Há conselhos sobre como criar um texto, um repertório de dúvidas e armadilhas, uma viagem pela pontuação e os sinais e acentos. para só citar alguns casos. Este livro devia estar em cima de todas as mesas de trabalho. Poupar-se-iam muitas asneiras.


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FADOS & FADO - Hoje recomendo uma heresia - um disco de Fado onde surge uma guitarra eléctrica. O disco chama-se “Um Fado Ao Contrário” e o seu autor é Pedro Moutinho, trata-se do seu sexto álbum de originais e o título vem da primeira faixa. O tema “Um Fado Ao Contrário” foi composto por Amália Muge para uma letra de Maria do Rosário Pedreira,  que é provavelmente quem melhor escreve para Fado hoje em dia. Amélia Muge também assina a letra  de dois temas – “Não Sei se a Tristeza É Triste” (um fado com música de Filipe Raposo) e “Ruas do Tempo” (com base no tradicional Fado José Marques do Amaral) - e assina a música e letra da balada “Uma Pena que Me Coube” e de um fado que evoca milongas e mornas, “Aquele Bar”. Manuela de Freitas fez parceria com o compositor (e guitarrista) Pedro de Castro, no alegre “Graça da Graça” e foi também a autora da letra de “Chego Tarde, Canto o Fado”, sobre uma rapsódia de fados da lendária dupla de irmãos Ramos – o guitarrista Casimiro e o viola Miguel, conhecidos como “Os Pinoia”. Há clássicos como, “Foi Um Bem Conhecer-te” e “Maldição”. E há uma versão da  “Tragédia da Rua das Gáveas” um original de Vitorino Salomé do álbum “Leitaria Garrett”. “Força do Mar” , o terceiro tema do álbum, é um original de Márcia, uma balada envolvente, arranjada para piano e guitarra eléctrica. A produção foi de Filipe Raposo, que tocou piano e os outros músicos são Quiné Teles (percussão), André Santos (guitarra eléctrica), Pedro Soares (viola), Daniel Pinto (baixo acústico) e Ângelo Freire (guitarra portuguesa).


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RELATO DE UM PRAZER - Aqui há uns anos tive uma má experiência na Mercantina, que então tinha aberto há pouco tempo em Alvalade - quer no atendimento, quer na qualidade das pizzas que eram postas nos píncaros pela respectiva propaganda. Anos mais tarde um querido amigo combinou lá um almoço e outro um jantar - o serviço estava melhor mas a pizza continuou sem me entusiasmar. Nunca mais lá pus os pés. Há pouco tempo dei pela abertura, perto do Saldanha, do Bistro 37, dos mesmos proprietários e sob a insígnia Mercantina. Com uma localização privilegiada, na esquina da Miguel Bombarda com a Avenida da República, o local dá nas vistas. Ao almoço, das duas vezes que lá fui, fiquei com a sensação de que  tinha chegado uma espécie de ladies night em plena luz do dia de senhoras já amadurecidas, que relatavam preocupações conjugais e evitavam excessos para não perderem o efeito dos ginásios de onde tinham saído pouco antes. Constatei que preferiam saladas a pastas ou qualquer vestígio de hidrato de carbono. A excepção era uma rapariga alourada e farta,  vestida executivamente, mas a arregaçar a manga para mostrar uma tatuagem nova à amiga. A meio da conversa tatuada veio a única pizza que vi servida a uma mulher e que dela motivou um comentário esclarecedor: “ai que grande”. Mas adiante, voltemos ao restaurante, confortável aliás, sobretudo na zona mais interior (embora tenha por resolver o problema habitual da reverbação do som - não percebo porque é que os arquitectos não têm mais cuidado com isto). O serviço foi bom e desta vez fugi às pizzas e dediquei-me, com êxito,  a outras experiências. Confesso que tinha ido à procura de arancini - este era de salsicha italiana em vinho tinto, envolvido no risotto panado, com compota de tomate a acompanhar. Excedeu as minhas expectativas. Noutra ocasião comprovei que o carpaccio de carne era honesto, acompanhado de rúcula, lascas de parmesão e - raridade local - alcaparras fritas e pesto. Passei nas saladas (há três e uma de espadarte marinado em citrinos chamou-me a atenção, mas a avaliar pelas mesas à volta a salada caesar era a que tinha mais saída na clientela feminina). E passei também nos risottos, embora um com amêijoas, camarões e calamares me despertasse a atenção. Das pastas só tenho a dar elogios - quer de uns bons ravioli de massa bicolor de camarão e trufa com crumble de avelã - a massa fresca saborosa e cozinhada no ponto, os aromas da trufa bem presentes e o camarão também em boa forma, a avelã curiosa. Noutro dia provei o spaghetti alla carbonara, feito como deve ser, sem natas, com gema de ovo, bacon abundante e crocante. Na mesa havia uma boa focaccia, com manteigas temperadas. O vinho a copo era uma boa escolha - Venâncio da Costa Lima, um pequeno produtor de Azeitão que sabe o que faz. Se tivesse comido um doce optaria pelo crumble de maçã e canela com gelado de baunilha e se tivesse uma certa companhia de certeza que vinha para a mesa o abacaxi marinado com limoncello e especiarias. Fiz as pazes com a Mercantina. Avenida da República 37, telefone 919 134 014.


 


DIXIT - «Marido, mulher ou filha de ministro não têm os mesmos direitos (....) É errada a ideia de que “lá por ser filho ou mulher de ministro não pode ser prejudicado”. Se “prejudicado” quer dizer não nomeado ou não ter subsídio, pode. E deve.» - António Barreto


 


BACK TO BASICS - Tacto é a habilidade de descrever os outros da forma como eles próprios se vêem - Abraham Lincoln.


 








abril 12, 2019

O DILEMA DO VOTO QUANDO SE PENSA EM EUROPEIAS

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E COMO VOTAR? - Quando olho para o mês de Maio e penso nas eleições europeias assalta-me uma dose de enjoo. É uma indisposição forte. Custa-me perceber a utilidade do Parlamento Europeu no contexto de uma União Europeia que é o retrato da desunião política, económica e social. Olho para o que se passou desde a anterior eleição e sinceramente não me lembro de uma grande causa que tenha sido assunto de decisão séria, eficaz e consequente nessa Assembleia. Se houvesse alguém que propusesse uma reforma profunda do processo de decisão e do exercício do poder entre a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu ainda poderia pensar em participar. Assim como está, não me apetece votar. Não vejo na cúpula da UE nada que me tranquilize, olho para o que têm feito e só vejo indefinições e hesitações. Não gosto de nenhum dos cabeças de lista apresentados pelos partidos portugueses, não vejo histórico na acção de nenhum deles com benefícios para Portugal e os portugueses. Acredito pouco na União Europeia, no alcance e eficácia de políticas comuns e, além dos subsídios que distribui à periferia para compensar as benesses institucionais dos grandes países do centro, não vejo nenhuma estratégia que tenha o mínimo de consistência. E, a nível interno,  não me apetece entrar no jogo do referendar ou não referendar o que quer que seja de política doméstica neste sufrágio. Não vou votar a pensar no passe social nem nas cativações. Para isso fico a ler algum livro de História, onde certamente aprenderei mais e darei por melhor empregue o meu tempo.


 


SEMANADA - A Associação Nacional de Contabilistas acusou o Estado de querer tomar posse das bases de dados de contabilidade de empresas e particulares devido a um decreto-lei publicado à margem do Parlamento; o  FMI prevê desaceleração de 1,7% do crescimento da economia portuguesa e indica que 14 economias do euro crescerão acima de Portugal, destacando-se a Eslováquia, Irlanda e Malta, com ritmos entre 3,7% e 5%, respetivamente; segundo o Instituto Nacional de Estatística a actual legislatura da geringonça foi a que teve pior nível de investimento público em  duas décadas; segundo o Sales Index, da Marktest, metade do poder de compra do Continente está em 6% da sua área e em apenas cinco concelhos estão concentrados 21.65% do total do poder de compra do Continente, sendo que Lisboa é responsável por 9.6% do poder de compra total; em Fevereiro as exportações aumentaram 4,6% e as importações 12,8% face a igual período do ano passado; no final de 2017, o governo anunciou a criação de 278 camas nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo até ao final de 2018, mas afinal de contas o saldo foi negativo - perdeu 96 camas; segundo a Inspecção Geral da Saúde há hospitais públicos que falham regras de segurança no internamento de crianças e adultos; os Portugueses deitam 200 mil toneladas de roupa para o lixo todos os anos o que representa cerca de 4% do total de resíduos produzidos em Portugal; em Lisboa há quatro mil pessoas quem vivem em casas sem instalação de banho ou duche;  o ministro das Finanças afirmou ao Financial Times que não houve grandes mudanças face às políticas do anterior Governo em termos de austeridade; 25,6% dos deputados acumulam a função parlamentar com cargos no sector privado.


 


JUSTIÇA VIMARENENSE - O Tribunal da Relação de Guimarães baixou de quatro para três anos de prisão efetiva a pena de um ex-GNR que agrediu a mulher à bofetada e ao pontapé durante 12 anos de vida conjugal e um agente da PSP de Guimarães que mandou despir e apalpou uma menor numa revista ilegal foi condenado a pena suspensa e continua no activo.


 


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UM GUIA PARA TOMAR DECISÕES - Em Portugal correr risco nos negócios é quase considerado um defeito, assim como é pecado falhar. Mas o pior de tudo, graças à atávica inveja nacional, é ter sucesso. A coisa estende-se a praticamente todas as áreas de actividade - desde a indústria aos serviços, passando pela política ou o pensamento, não esquecendo a criatividade e a cultura. Quem tem sucesso é muitas vezes penalizado por isso. Bruno Bobone é um empresário que tem ideias, arrisca e tem sucesso nos negócios. Decidiu colocar em livro a sua experiência, enriquecendo-a com reflexões sobre o que vê à sua volta e assim nasceu “do medo ao sucesso”, agora editado. O primeiro capítulo do livro chama-se “Portugal Está Viciado no Medo” e dá o mote ao que se segue, num cruzamento constante de relatos de experiências e reflexões pessoais com evocações da História de Portugal e do Mundo. O medo, diz Bruno Bobone, é um mecanismo de sobrevivência que pode ter duas respostas: ”a fuga apresenta-se como a melhor solução nalguns casos, enquanto o confronto será  a resposta mais apropriada noutros”. Do medo passa-se ao risco, apresentado como uma virtude: “O risco, o fazer coisas novas, o entrar em terrenos proibidos, cria valor. Uma comunidade que não aprecie o risco assumido por quem empreende uma aventura não irá longe” - escreve, para depois sublinhar: “Portugal sempre me impressionou, da pior forma, pelo nível de flagelação que impõe a quem falha (...) uma sociedade extraordinariamente crítica do empreendedor que, tendo arriscado, não tem sucesso, brinca com o fogo”. Ao longo da obra Bruno Bobone reflecte e dá indicadores sobre capital de risco, produtividade, formas de gestão, cálculo de remunerações e forma de encarar os recursos humanos de uma empresa. E, por fim, fala de uma das suas grandes paixões, a economia dos mares - “o mar é o recurso que maior potencial tem para a criação de riqueza”.


 


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OLHARES MÚLTIPLOS- A partir deste fim de semana, em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida, está patente uma exposição que reúne obras de mais de 180 artistas plásticos de diversas áreas e épocas. Trata-se de Studiolo XXI, com curadoria de Fátima Lambert e que ficará patente até 29 de Setembro. Durante estes cinco meses podem ser vistas obras de nomes como, entre muitos outros, Ana Vidigal, Palolo, João Louro, Carlos Correia, Fernando Calhau, Graça Pereira Coutinho, Helena Almeida, Pedro Calapez, Jorge Martins, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Pedro Proença, Ana Pérez Quiroga, Adriana Molder, Beatriz Horta Correia, Bettina Vaz Guimarães e Cristina Ataíde (que apresenta uma intervenção sobre a paisagem e vários desenhos, entre eles este que aqui se reproduz, “Eclipse 1#22”, uma aguarela sobre papel). Outras sugestões: nos Açores, na Galeria Fonseca Macedo, José Loureiro expõe “Máquina Nova de Alcatroar” e no Museu Nacional de Arte Antiga, até 28 de Abril, a obra convidada é “Maria Madalena Penitente”, um Ticiano que foi cedido temporariamente pelo Hermitage de São Petersburgo. Na Galeria Ratton pode ver uma série de painéis de azulejo desenhados por Lourdes Castro entre 1992 e 1998 (Rua da Academia das Ciências 2C). Destaque ainda para a nova exposição de Isabel Sabino, “Ela”, na Sociedade Nacional de Belas Artes.


 


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MÚSICA SEM DATA - Digo desde já que o disco que hoje recomendo é fortemente penalizado pela faixa de abertura. Ela é tão surpreendente e perfeita que dificilmente pode ser comparada com as outras sete do álbum. Ainda por cima é a que dá o título ao álbum e é a única que não é composta pelo intérprete, o pianista italiano de jazz Giovanni Guidi que juntou o quinteto responsável por este disco. Pior ainda: na referida faixa de abertura em vez do quinteto o que aparece é um trio com Guidi no piano, Thomas Morgan no baixo e João Lobo na bateria (um português que estudou na escola do Hot Clube e que está a fazer uma carreira internacional). Trata-se da interpretação de uma das mais célebres canções de Léo Ferré - “Avec Le Temps”, aqui surpreendentemente executada. O tema seguinte, “15th of August” apresenta já o quinteto completo, com a entrada em cena de Francesco Bearzatti no saxofone tenor e e Roberto Cecchetto na guitarra. Talvez o melhor exemplo do trabalho conjunto do quinteto sejam os temas “No Taxi” e “Postludium and a Kiss”, este último com um exemplar trabalho do saxofonista.”Caino” evidencia a versatilidade do baixo de Morgan e do piano de Guidi, enquanto a guitarra de Cecchetto brilha em “Ti Stimo”. A faixa final, “Tomasz” (onde é bem patente a técnica de João Lobo) é uma homenagem à memória de Tomasz Stanko, um dos nomes de referência da editora ECM, que agora lançou este “Avec Le Temps” do quinteto de Giovanni Guidi.


 


DEIXAR AMADURECER - Queijo que é queijo tem de ser bem curado. Comer um queijo que se baba é comer um creme, não é bem a mesma coisa do que prová-lo bem maduro, com os sabores cheios e equilibrados. Abrir um buraco num queijo da Serra da Estrela e tirar uma colher da pasta é um infanticídio queijeiro. É estragar algo antes de estar pronto a comer - por isso é que há por aí muita falsificação que abusa desta mania da pasta mole para colocar mistelas no mercado que não têm nada a ver com o genuíno queijo da serra. O problema é que como a procura do queijo mal curado de pasta mole é grande torna-se difícil conseguir comprar serra maduro, daquele de cortar à faca sem se babar - que é o melhor deles todos. A epidemia da pasta mole também já invadiu os territórios do queijo de Serpa, mas aí tem havido felizmente resistência e bom senso dos queijeiros. Deixar amadurecer um queijo de ovelha dá trabalho, é preciso tratar dele ao longo de meses, deixá-lo respirar, ir virando, mantendo-o vivo e deixando-o atingir o seu esplendor. E nós temos bons queijos curados - desde logo nos Açores, mas também em Nisa, ou em Castelo Branco ou o queijo amarelo da Beira Baixa. Mas para mim o melhor continua a ser o Serpa, bem curado, tão duro que só se parte às lascas.


 


DIXIT - “Uma coisa é certa - o populismo passou das margens para o centro do sistema político” - Nuno Severiano Teixeira


 


BACK TO BASICS - “A Democracia é um mecanismo que possibilita que não sejamos governados melhor do que merecemos” - George Bernard Shaw


 






abril 05, 2019

NOS ESPELHOS DO PARLAMENTO REFLECTE-SE A IMAGEM DA DECADÊNCIA POLÍTICA

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Deve existir um problema no edifício da Assembleia da República: diversas mentes brilhantes, ou pelo menos tidas como tal, quando lá se deslocam para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, têm ataques súbitos de falta de memória. O que se passou nos últimos dias com o depoimento de responsáveis do Banco de Portugal, nomeadamente de Vitor Constâncio, é um triste exemplo desta aflitiva mas muito conveniente amnésia. Em contraste, um antigo  revisor oficial de contas da CGD recordou-se de muita coisa, disse que oportunamente detectou problemas e alertou para eles e afirmou que governos e o Banco de Portugal nada fizeram na sequência da denúncia desses problemas - o que aliás coincide com as versões do “não me lembro de nada disso”. Também Eduardo Paz Ferreira, ex presidente do Conselho Fiscal e da Comissão de Auditoria da CGD, disse que fez avisos nos sucessivos relatórios que enviou ao Governo e ao Banco de Portugal. Aquilo a que assistimos nas Comissões Parlamentares é uma sucessão de instantâneos de um país desregulado, onde as instituições que são supostas vigiar situações concretas assobiam para o ar ao mínimo sinal de problema, optando por deixar correr em nome das conveniências políticas. Estas audições parlamentares são, também, uma imagem do que tem sido a degradação do sistema político, que premeia a irresponsabilidade e protege a submissão aos poderes. Nada disto espanta quando olhamos à nossa volta e vemos deputados do PS e PSD a negociarem um arranjinho que lhes permite estar com um pé no Parlamento e outro em escritórios de advogados, muitos deles frequentes fornecedores de serviços ao Estado ou seus oponentes nos tribunais. Em S.Bento a imagem que se reflecte nos espelhos é a da decadência política. Um triste espectáculo.


 


SEMANADA - Há 692 mil pedidos de indicação de médico de família por resolver;  quase 2,2 milhões de doentes que foram às urgências nos hospitais públicos no ano passado foram considerados pouco ou nada urgentes, o que significa 40% do total das urgências registadas; o combate às infecções hospitalares podia evitar mais de 800 mortes por ano; mais de um terço do país está em seca severa; Portugal é o segundo país da União Europeia onde a população mais come fruta diariamente, ocupando também o quarto lugar no que toca ao consumo diário de legumes, acima da média comunitária; em Portugal vivem 4268 pessoas com cem anos ou mais; diversos autarcas da região de Castelo Branco, ligados ao PS, inventaram uma ONG que não tem qualquer actividade, e obtiveram subsídios de 350 mil euros; o fisco pediu ao hacker Rui Pinto dados sobre o agente desportivo Jorge Mendes; a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas denunciou existirem turmas sem professores desde o primeiro período; um relatório do Conselho da Europa afirma que em Portugal são aplicadas penas mais longas que noutros países e que nas prisões portuguesas ocorrem mais mortes; a linha SOS Criança recebe mais de mil chamadas por ano; em Lisboa, no ano passado, foram comprados 1592 imóveis por compradores estrangeiros de 80 países; a ASAE tem um inspector para cada 10.324 alojamentos locais.


 


ARCO DA VELHA - Joaquim de Sousa, um professor da Madeira, que transformou uma das piores escolas do país, em Curral das Freiras, numa das melhores, foi alvo de um processo disciplinar, a seguir foi despromovido e ficou sem salário durante seis meses num processo kafkiano com contornos políticos.


 


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A PROPÓSITO DO DESTINO  - A nova edição da revista “Egoísta”, publicada em Março, tem por tema o destino e a forma como ele se cruza com o Fado - se calhar como o Fado se tornou Destino. A evocação de Amália cruza-se com esta relação com o destino por exemplo nos retratos que Augusto Brázio fez a novos intérpretes do fado, no texto que Aldina Duarte escreveu “quem diz fado diz vida” ou para as belíssimas ilustrações de Miguel San Payo que acompanham a publicação de “A Fadista”, uma letra escrita por Ana Moura. Um dos  pontos altos desta edição é um portfolio de Daniel Blaufuks intitulado “de destino em destino” - fotografias acompanhadas por pequenos textos manuscritos pelo autor, frases que são mais que legendas, formando uma narrativa que acompanha as imagens. Se outra razão não houvesse, este conjunto de fotografias bastava para guardar esta edição. Mas há mais: as fotografias de Cláudio Garrudo que evocam uma sua recente exposição na Galeria das Salgadeiras, “Trinus”, uma história ilustrada e ficcionada por Pedro Proença, “Chamavam-lhe Wittgenstein, Gertrude Wittgeinstein”, a propósito da sua recente exposição “O Riso dos Outros” na Fundação Eugénio de Almeida” e mais um portfolio fotográfico, de Helena Gonçalves, “Raiz” são boas razões para descobrir mais esta edição da “Egoísta”.


 


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O ENSAIO FOTOGRÁFICO - Mário Cruz é um fotojornalista da agência Lusa, já duas vezes nomeado para o World Press Photo - em 2016 ganhou na categoria temas contemporâneos com a reportagem “Talibes, Modern Day Slaves” e este ano volta a estar nomeado na categoria Ambiente com um trabalho sobre a poluição extrema do Rio Pasig, nas Filipinas. Para além do dia-a-dia de cobertura de actualidade da agência, Mário Cruz realiza projectos pessoais, ensaios fotográficos de onde saíu o seu trabalho anteriormente premiado e este “Living Among What’s Left Behind”. As fotografias deste projecto deram origem a um livro e a uma exposição que está patente a partir deste sábado no Palácio Anjos, em Algés. Ao todo, estarão expostas 40 imagens “que retratam o perigoso caminho que a humanidade enfrenta, quando descura os direitos fundamentais e abandona a preservação do meio ambiente”. A fotografia distinguida pelo World Press Photo mostra uma criança que recolhe materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado por lixo que flutua no rio Pasig, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990. O livro “Living Among What’s Left Behind”  contém 70 fotografias, umas a preto e branco e outras a cores, que retratam a realidade que Mário Cruz encontrou em Manila. Nesta edição, da iniciativa do próprio autor, a capa foi produzida através do processamento de 160 kg de resíduos industriais e desperdícios de uso doméstico. Cada capa é criada individualmante e à mão, resultando em exemplares com capas únicas, que simbolizam a abundância de lixo que deixamos para trás. A exposição estará patente até 26 de Maio de 2019 (erça a sexta das 10h às 18h, sábados e domingos das 12h às 18h, encerra segundas e feriados, entrada gratuita). Permanecendo na fotografia, o Arquivo Municipal de Fotografia de Lisboa (Rua da Palma 246) apresenta 96 imagens de Jorge Guerra, todas realizadas na cidade, entre o final de 1966 e o início de 1967, num registo de “street photography” que constitui um documento sobre aquela época.


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SONORIDADES HISTÓRICAS  - Quem quiser ficar com uma discoteca básica que lhe permita descobrir alguns dos melhores discos de jazz de sempre tem agora à sua disposição a uma série “3 Essential Albuns”, que reúne gravações históricas dos catálogos da Verve e Impulse. Estão já disponíveis oito caixas com três CD’s cada uma, com álbuns essenciais de alguns dos nomes mais importantes da história do jazz e a preços especiais. Da caixa do pianista Keith Jarrett fazem parte os álbuns “Treasure Island”, “Death and the Flower” e “Fort Yawuth”. A caixa do saxofonista John Coltrane inclui os álbuns “Coltrane Time”, “Blue Train” e “John Coltrane - The Paris Concert”. A caixa de Chet Baker conta com os discos “Stan meets Chet”, “You Can’t Go Home” e “Baby Breeze”. De Duke Ellington são reunidos os discos “Play the Blues Back to Back”, “Live at the Whitney” e “Soul Call”. De Charlie Parker são reunidos os discos “Charlie Parker Jam Session”, “South of the Border” e “With Strings: The Master Takes”. De Michel Petrucciani são reunidos os discos “Michel Petrucciani”, “Notes’N’ Notes” e “Oracle Destiny”. Na caixa de Herbie Hancock estão os discos “Maiden Voyage”, “Speak Like a Child” e “Empyrean Isles”. Wayne Shorter está representado com os discos “JuJu”, “Speak No Evil” e “The All Seeing Eye”. Ao todo 24 álbuns incontornáveis. Como diria o outro, “a splendid time is guaranteed for all”.


 


VENTO DE LESTE - No local onde em tempos existiu um apreciado restaurante de cozinha alentejana, no Beato, abriu agora um restaurante de inspiração oriental. Chama-se Tarara e à sua frente tem João Duarte, que passou pelas cozinhas  do Eleven, do Arola, do Midori e  Bica do Sapato . A sua aposta é baseada na cozinha asiática, com algumas incursões sul-americanas por vezes com toques de cozinha portuguesa. A decoração é simples mas confortável, o serviço é atencioso e a casa tem dupla personalidade : à hora de almoço propõe um menu fixo com entrada, prato, sobremesa e uma bebida a 12 euros numa proposta imbatível de qualidade-preço e ao jantar funciona com um menu normal, excepto às quartas , noite dedicada ao sushi. O menu de almoço inclui um couvert sazonal (no caso pepino cortado em finíssimas fatias e  bem temperado e uma sopa miso) e depois as escolhas como gyosas de frango, um yakitori de corvina com batata doce assada e molho algarvia e um gelado de sésamo a rematar. Há sempre propostas vegetarianas. Às quartas-feiras à noite o menu muda de figura e quem reina é o sushi, feito à frente do cliente, ao balcão – há combinados (a partir dos 17,50€) mas também peças à carta, dos rolos hosomaki, uramakis ao peixe fresco fatiado, gunkans e temakis. Da carta fixa fazem parte entradas como Miso à Bulhão Pato, tacos de atum picante, porco preto ou caranguejo e ceviches de peixe branco ou de polvo e marisco por exemplo. O Tarara fica na Rua do Grilo 98, junto à Igreja de São Bartolomeu do Beato, telefone 218680041.


 


DIXIT - “A maior frustração que tenho na minha vida política é nunca ter sido secretário de Estado dos Transportes” - António Costa na sessão de propaganda dos novos passes sociais.


 


BACK TO BASICS - “Qualquer moção a propôr um adiamento é sempre oportuna” - Robert Heilein


 

março 29, 2019

CASOS FAMILIARES COM PANO DE FUNDO EUROPEU

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COSTA NA ENCRUZILHADA - Além das crises familiares no Governo, duas coisas incomodam António Costa:  o Novo Banco e a União Europeia. A venda do Novo Banco já foi feita pelo seu Governo e o que se está a passar mostra que os termos da venda foram, digamos, mal calculados. E assim, por mais ginástica que Mário Centeno faça, por mais exercícios de contorcionismo que consiga, uma coisa é certa: estamos todos a pagar, seja de que forma fôr, e isto não estava nada no programa - quem decidiu não mediu as consequências, não há volta a dar ao texto. A outra coisa, a Europa, fia mais fino porque mexe nas convicções fundamentais da geração de dirigentes socialistas portugueses e europeus que antecedeu o actual Primeiro-Ministro no processo de construção da União. O seu mal estar foi notório na entrevista em que colocou reservas face ao Euro, aos equilíbrios de Bruxelas e face ao processo de construção da Europa. As ideias que manifestou conseguem, com a habilidade que se tem de lhe reconhecer, um equilíbrio entre o anti-federalismo, as críticas à forma de criação do Euro e o desejo de ter uma voz mais activa no futuro - está tudo ligado aliás. É uma entrevista muito mais significativa que um mero exercício de propaganda no horizonte das eleições para o Parlamento Europeu. É a entrada de António Costa na disputa de cargos internacionais de primeiro plano, querendo demarcar-se dos erros da geração anterior, propondo-se mudar o que nem sequer ainda anuncia e colocando-se na primeira linha do combate a horizontes que assustam, com razão, muita gente. Esta entrevista é o anúncio de que Costa pretende ser uma voz que está a querer falar mais alto que Macron. Apesar dos incidentes internos quer parecer um estadista. Promete e pensa melhor que executa. Voltando à fértil questão da proliferação do governamental convívio familiar mão amiga fez-me chegar um livrinho chamado "Families and how to survive them" de Robin Skynner (psiquiatra) e de John Cleese, e que tem capítulos maravilhosos como “Why did I have to marry you?”, “Who's in charge here?” ou “What are you two doing in there?”. Boas perguntas, não é?


 


SEMANADA - A carga fiscal atingiu novo máximo em 2018 com o peso das receitas de impostos e contribuições sociais a atingir 35,4% do PIB; a Agência para a Segurança da Aviação detectou falhas em helicópteros do INEM e recomendou a sua paragem; avarias em veículos do INEM põem em causa socorro nas zonas do Porto, Gaia e Coimbra; há mais de dois mil doentes à espera da realização de um transplante porque o envelhecimento de dadores faz baixar a recolha de orgãos; em 2018 a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima foi chamada a ajudar três crianças por dia; as zonas norte e centro têm 65,5% das novas construções para habitação; em 2018 foram transaccionados quase 180 mil imóveis num montante global de 24,1 mil milhões de euros, o maior valor de sempre; em apenas um ano o preço médio das habitações aumentou 10%; Catarina Martins disse que deve haver uma reflexão no Governo e no PS sobre a existência de relações familiares e Carlos César denunciou que no Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda são abundantes e directas as relações familiares; o publicitário Manuel Soares de Oliveira descreveu a situação no Facebook: “Finalmente temos um Governo que defende os valores da família e a direita ataca”; uma mulher acusada de violência doméstica mordeu o polícia que a ía deter; ilustrando a justiça que temos, alguns dos crimes de que o sucateiro Manuel Godinho era acusado no processo Face Oculta já prescreveram, entre eles três de corrupção e cinco de tráfico de influências.


 


FENÓMENOS CONTEMPORÂNEOS - A lei que impede abates deixa canis superlotados e várias câmaras municipais admitem que a saúde pública pode estar em risco devido ao aumento de animais vadios nas localidades.


 


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AS POLÉMICAS DO FADO - Cada vez que a música muda de figura aparece sempre alguém a reclamar. Foi assim com os grandes compositores clássicos, com os pioneiros da música contemporânea, com o abanar de ancas do rock’n’roll. Num novo livro Alberto Franco lembra que também por cá se passou o mesmo: «Os ataques ao fado começaram pouco depois do seu aparecimento. Alguns intelectuais oitocentistas associavam‑no ao crime. Achavam-no mórbido, lutuoso, indigno duma nação civilizada».  O autor destas palavras, Alberto Franco, é um homem incómodo - jornalista, escreveu sobre História, regiões, gastronomia e esse pecado hoje mortal que é a arte tauromáquica. Também escreve letras para fados e por isso mesmo se dedicou a fazer a história dos sobressaltos que o canto da Severa atravessou: “Nascido nas franjas marginais de sociedade, baseado em fórmulas poéticas e musicais aparentemente pouco elaboradas, distraído do respeito pelos bons costumes, irreverente para com os poderes constituídos, o canto fadista não poderia deixar de atrair as censuras dos mais diversos quadrantes”. Na realidade, como recordas,  Fernando Lopes Graça considerava o fado uma canção bastarda e Salazar não gostava de Fado. Mas isso não impediu que o Fado fosse confundido com a propaganda do Estado Novo e que muitos opositores vissem o género como um instrumento da ditadura. Muito antes de se ter tornado Património Cultural Imaterial da Humanidade, o fado recolhia ódios e descrenças de todas as áreas da sociedade em Portugal - até mesmo na medicina - o médico Samuel Maia acusou-o, inclusive, de fazer mal ao fígado. Alberto Carvalho recorda o incómodo que Amália causou quando decidiu cantar Camões, a forma como o Fado foi associado ao “escoadouro que temos de tudo, o que temos de pior, a uma verdadeira descida aos infernos da vida portuguesa”, num escrito de António Osório que classificava a Severa a uma meretriz iletrada e que reflectia o que um pensamento de esquerda considerava em Junho de 1974 no seu livro “A Mitologia Fadista”. A resposta a esse panfleto surge agora pela mão de Alberto Franco, neste “As Guerras do Fado”, editado pela Guerra & Paz, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores.


 


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IMAGENS ARQUITECTÓNICAS - Para assinalar os 30 anos do Photoshop o MAAT escolheu obras de meia centena de artistas que constroem e manipulam imagens feitas a partir de objetos e espaços arquitetónicos, numa exposição intitulada “Ficção e Fabricação” ( e que inclui a imagem de James Welling aqui reproduzida). Com o Photoshop proliferaram ferramentas digitais na produção fotográfica e esta exposição mostra o imaginário da arquitetura como tema fulcral de uma prática expandida da fotografia na arte contemporânea. Podem ser vistas obras de nomes como Andreas Gurski, Thomas Ruff, Jeff Wall, Thomas Demand e criações ficcionais de Beate Gütschow, Oliver Boberg ou Isabel Brison. Até 19 de Agosto poderá ver uma viagem a  “um panorama da fotografia de arquitetura que contorna abordagens objetivas e privilegia as efabulações sobre o real entre o olhar cinematográfico, a desconstrução da imagem ou as narrativas mais politizadas.” Outras sugestões: no Porto, no novo Espaço 531, dedicado a obras de pequeno formato na Rua Miguel Bombarda e que passa a integrar a Galeria Fernando Santos, Pedro Calapez expõe até 27 de Abril 44 placas no formato 42 x 30 cm, todas diferentes, todas com movimentos circulares, um bom exemplo da obra do artista. No Atelier-Museu Julio Pomar, em Lisboa, até 17 de Abril está a exposição coletiva “muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero” , um projecto de Marta Rema que reúne trabalhos que abordam o desejo de pensar o silêncio nas suas várias dimensões e que inclui obras de, entre outros, nomes como Ana Pérez-Quiroga, Cecília Costa, Fernando Calhau, Helena Almeida, Jorge Molder, Rui Chafes, Sandro Resende, Sara & André e do próprio Júlio Pomar, de quem são mostrados os desenhos da prisão realizados no Forte de Caxias, onde o artista esteve detido de 27 de abril a 26 de agosto de 1947.


 


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PODE A MÚSICA SER UM POEMA? - Comecemos por imaginar dois pianos a falar um com o outro. Neste caso os dois pianos, ou,  melhor dizendo, os dois pianistas, Vijay Iyer e Craig Taborn, encontraram-se há uns quinze anos quando ambos tocavam com o saxofonista Roscoe Mitchell. Na altura estavam  no início das respectivas carreiras e procuravam abrir horizontes - que é o que têm feito ao longo destes anos. Vijay Iyer é talvez o mais conhecido dos dois e o que mais tem editado, quer com outros músicos, quer a solo. Mas ao longo deste tempo continuaram a tocar em conjunto sempre que possível. “The Transitory Poems” é o disco agora editado pela ECM e que reproduz um concerto que deram em Março de 2018 na Franz Liszt Academy, em Budapeste. Aqui está um exemplo raro do que pode a improvisação, a capacidade inventiva, quando se juntam dois músicos de excepção. As influências de outros pianistas como Cecil Taylor ou Geri Allen são evidentes e deve dizer-se que os estilos de Iyer e Taborn são bem diferentes: o primeiro é  contido e preciso, o segundo é sugestivo e aberto. O resultado é magnífico.


DIXIT - “O que eu gostava mesmo era de desenhar livremente; com lápis, com caneta, com cores, com o que tivesse à mão, colecionando vistas, sobreposições, acidentes, deformações, insólitos bocados de arquiteturas existentes” - Manuel Graça Dias


BACK TO BASICS - “As campanhas criam fantasias que permitem ganhar as eleições mas nenhuma se traduz num progresso real para os eleitores” - Bill Clinton





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março 16, 2019

O AUDIOVISUAL NÂO SE RESUME À BOLA NA RTP

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UM EXEMPLO QUE VEM DOS ANTÍPODAS - Uma das séries da Netflix que mais me interessou nos últimos tempos foi “Secret City”, um thriller político passado na Austrália e onde, ao longo das duas temporadas já disponíveis, o centro da história é a forma como membros do Governo tentam iludir os eleitores, com a ajuda das agências de informação e serviços secretos, que repetidamente abusam do seu poder e violam direitos dos cidadãos. A série é uma crítica dura ao funcionamento do Estado. Acontece que a produção desta série foi financiada por um conjunto de entidades governamentais e departamentos oficiais da Austrália, uma política integrado de financiamentos e benefícios que são o elemento chave da reviravolta que o audiovisual australiano sofreu nas últimas duas décadas e meia. Desde meados dos anos 90 a Austrália implementou, sem recuos, uma política e mecanismos de desenvolvimento da produção local que foi dando os seus frutos e agora está madura. O facto de uma série tão crítica em relação ao funcionamento dos responsáveis do Estado ser fortemente financiada por esse mesmo Estado mostra apenas que o sistema funciona muito bem. Em Portugal infelizmente passou-se o contrário e a cedência a lobbies diversos, acompanhada por uma sistemática falta de empenho no desenvolvimento continuado e coerente de uma indústria audiovisual, tem os resultados que estão à vista. Por cá raramente se leva um plano até ao fim. E, como esta semana se viu no parlamento, o debate sobre o audiovisual preocupa-se mais com futebóis do que com outras coisas...

SEMANADA - As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto realizaram cerca de mil despejos de habitação social ao longo da ultima década a maior parte por rendas em falta; o Governo anunciou redução dos preços dos transportes públicos para 85% dos eleitores; o presidente do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu numa entrevista que não foi possível promover um pacto para a reforma da justiça entre os partidos parlamentares; o Conselho Geral da ADSE acusou a instituição que fiscaliza de não dar suficiente importância à situação dos beneficiários nas zonas mais desfavorecidas; segundo o Presidente da República “não há instituições europeias fortes com líderes fracos e não há líderes europeus fortes com líderes nacionais fracos”; no Hospital de Santa Maria a falta de enfermeiros reduziu o serviço de neonatologia a metade; nos últimos dois anos, o número de pedidos de nacionalidade portuguesa aumentou cerca de 50%, atingindo 176.285 em 2018;  Esta legislatura os pedidos de levantamento da imunidade parlamentar aos deputados quase duplicaram em relação à anterior; Portugal continua bem acima da média europeia na incidência de casos de tuberculose; 1,9 milhões de portugueses têm o hábito de fazer apostas em jogos online.

PENSAMENTOS ACERTADOS - “Fingir que a União Europeia é democrática, com aquele patético Parlamento e estas eleições, ou é inútil, ou é prejudicial”- António Barreto


 


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AS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO FUTURO - Editada pelo Copenhagen Institute for Futures Studies, a “Scenario” é uma revista sobre tendências, ideias e perspectivas de futuro, publicada seis vezes por ano. A primeira edição de 2019 dedica a capa a Martin Rees, que criou e coordena um grupo de investigadores da Universidade de Cambridge no Centre for the Study of Existencial Risk (CSER). Este centro dedica-se a estudar as ameaças globais que podem colocar a humanidade e a civilização em risco. A entrevista com Martin Rees surge a propósito do seu novo livro, “On The Future: Prospects For Humanity”, uma abordagem aos grandes desafios e oportunidades que irão moldar o nosso futuro colectivo. Outros temas de interesse nesta edição são um artigo sobre a quarta revolução industrial, caracterizada pela ascensão da inteligência artificial e da robótica. O impacto da inovação social na organização das empresas, desde os recursos humanos ao local de trabalho, é um dos temas abordados nesta área. A robótica e a inteligência artificial, sublinha a revista,  colocarão cenários inesperados, muito para além do trabalho, entrando na vida de cada um - a nível do comportamento e até da sexualidade. No entretanto, algumas casas de alta costura, como a Balmain e a Fenty começaram a utilizar modelos virtuais digitais em 3D em vez de pessoas nas suas campanhas publicitárias. Cameron James Wilson criou Shudu, o primeiro supermodelo digital e a Scenario entrevistou-o. A revista está à venda na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88b.


 


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O LADO LUNAR DA METADE DO CÉU - Qual é a metade do céu? Segundo Mao Tsé-Tung é aquela que toda e qualquer mulher sustenta. Este foi o ponto de partida assumido por Pedro Cabrita Reis para criar a exposição que assinala os 25 anos de actividade do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, escolhendo obras de 60 mulheres artistas portuguesas, simbolicamente com início numa natureza morta de Josefa D’Óbidos, do século XVII, até à maioria das obras apresentadas, produzidas entre meados do século XX e a actualidade. “A metade do céu” é pois um projecto de Pedro Cabrita Reis que decorre entre 21 de Março e 23 de Junho e que, nas suas próprias palavras, é uma exposição que procura “trazer ao encontro de Vieira da Silva uma perspectiva singular – pessoal, afectiva, decerto apaixonada” de obras de outras artistas. E ainda: “esta exposição perscruta o lado lunar de cada artista, dando a ver, sempre que possível, o que menos se espera dela – uma ou outra obra não tão frequentemente mostrada, talvez até desfasada, de algum modo inusitada”. Uma outra sugestão adicional: por iniciativa do Sindicato dos Pintores Pedro Calapez aceitou a ideia de por em contacto dois artistas de gerações diferentes e escolheu Carlos Correia. Sob o título “Sem Fim/Endless”, apresentam-se cerca de 50 trabalhos sobre papel de Carlos Correia e um video de Pedro Calapez. Na Box da Appleton, Rua Acácio Paiva 27, entre 23 a 30 de Março. E no dia 29, pelas 18h, uma conversa junta Pedro Calapez com Alberto Caetano e Joaquim Sapinho, numa abordagem à obra de Carlos Correia, morto no ano passado.


 


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UM PIANO ENCANTADO - O trio clássico de jazz (piano, bateria e contrabaixo) é uma das minhas formações preferidas e o piano é claramente o instrumento que muitas vezes move a escolha do que quero ouvir. Aaron Goldberg é um pianista de jazz norte-americano que ao longo da sua carreira, iniciada em finais dos anos 90, trabalhou com nomes como Joshua Redman ou Wynton Marsalis. O novo disco do trio do pianista norte-americano Aaron Goldberg, o seu sexto, chama-se  “At The Edge Of The World” e foi editado no final do ano passado. Alem de Goldberg tocam o baterista Leon Parker e o baixista Matt Penman. O disco começa com uma versão de “Poinciana”, um standard composto por Nat Simon no final dos anos 30, que teve numerosas versões, uma das mais conhecidas sendo a de Ahamad Jamal - aqui recriada de forma marcante, com uma intervenção vocal de Parker que ajuda a criar todo o ambiente do disco. O segundo tema, “Luaty” é um original de Goldberg dedicado ao activista angolano “Luaty Beirão”, composto enquanto ele esteve em greve da fome.  Destaque também para o clássico brasileiro “Manhã de Carnaval”, e sobretudo para a versão de um tema de McToyTyner (“Effendi”) e para as duas homenagens ao vibrafonista Bobby Hutcherson, “Isn’t This My Sound Around Me” e “When You Are Near”. “En La Orilla Del Mundo”, do cubano Gonzalo Rubalcaba, popularizado por Charlie Haden, é o único tema onde Goldberg toca sózinho, ao piano. E a finalizar “Tokyo Dream” é uma abordagem do próprio Aaron Goldberd a um blues, proporcionando um dos pontos altos da participação do baterista Leon Parker. Disco Sunnyside, disponível no Spotify

IGUARIAS FLUVIAIS DA ESTAÇÃO - Todos os anos por esta altura combino com um dos meus melhores amigos a estreia da época da lampreia. Às vezes a partir de finais de Fevereiro já se consegue uma lampreia decente -  mas este ano a falta de chuva não ajudou os rios e ainda menos as lampreias, que precisaram de mais algum tempo para estarem em boa forma. A estreia de 2019 ocorreu na semana passada num dos locais da minha confiança quando se trata de cozinha portuguesa - o Apuradinho, na Rua de Campolide. A lampreia que ali se serve é de confiança, não é importada nem congelada, como já me aconteceu nalguns locais. Além disso a casa sabe preparar bem o ciclóstomo para que ele não fique contaminado com nenhum sabor estranho. Aquele arroz de lampreia é temperado no ponto, leva a dose certa de vinagre, retém o sabor do bicho e o preparo é feito de forma a que os nacos surjam no ponto de consistência. Convém  encomendar o petisco e acertar uma data. Para quem goste há vinho verde tinto,mas eu geralmente passo nesse capítulo. Se tudo correr como previsto ainda há -de haver segunda lampreia este ano e pelo meio estou certo que terei ocasião para provar o outro petisco da época - o sável frito em fatias finíssimas, acompanhado por uma açorda genuína - que no Apuradinho também é excelente. Apuradinho, Rua de Campolide 209, telefone 213 880 501.

DIXIT - “A democracia portuguesa está a tornar-se um asilo de loucos” - Vasco Pulido Valente

BACK TO BASICS - “A aritmética consiste em saber contar até 20 sem ter que tirar os sapatos dos pés” - Rato Mickey