setembro 09, 2016

A CAMPANHA ELEITORAL MAIS CARA DE SEMPRE EM LISBOA

LISBOA - O custo do conjunto das obras que invadiram Lisboa ultrapassará os 25 milhões de euros. Trata-se de uma campanha eleitoral caríssima esta que Fernando Medina está a fazer à custa dos impostos dos lisboetas e dirigida contra eles. Cada vez que olho para algumas transformações que vou vendo, no traçado ou na circulação, penso que Fernando Medina deve ser uma daquelas pessoas que gosta de ter tudo arrumadinho, com naperons e gatos de porcelana por cima, num ambiente asséptico que não é para viver nem usar. A cidade que ele está a fazer poderá ser muito bonitinha, mas vai ser muito pouco prática, bastante incómoda e não tem em conta o que é o bem estar dos cidadãos que vivem e trabalham em Lisboa. As faixas de rodagem ficaram mais estreitas, há menos lugares de estacionamento, há mais ruas que passaram a não ter saída e mais sentidos proibidos. Para ajudar à festa os transportes públicos funcionam mal e tudo isto dificulta a mobilidade, ao contrário do que a propaganda afirma. Medina está a fazer uma cidade como quem faz um parque de diversões: pode ser engraçado para visitar e ver, mas é desengraçado para trabalhar e incómodo para habitar. “Viver Melhor Lisboa”, o lema que Medina mandou afixar junto às obras,  é um slogan mentiroso e neste regresso de ferias muitos lisboetas já o começaram a perceber. A insatisfação aumenta de tal forma que agora Medina se viu forçado a usar uma história que ele próprio já conhecia há meses - a das irregularidades nas obras da segunda circular - para as parar e tentar diminuir o caos. Não as parou por decência ou ética. Parou-as para minorar o desgaste que está a sofrer na opinião pública. Aproveitou apenas um pretexto. Um artista. Um artista da hipocrisia política.


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SEMANADA - Jerónimo de Sousa disse na Festa do Avante! que as medidas do Governo estão “aquém do necessário”; o Bloco de Esquerda e o PCP criticaram António Costa por se ter encontrado com Michel Temer, que substituiu Dilma Rousseff na presidência do Brasil; Passos Coelho disse que esta solução governativa “está esgotada”; Assunção Cristas disse que “o ritmo de crescimento da dívida voltou a disparar” e afirmou que o Governo tem prejudicado especialmente a classe média; começam a ser conhecidas as primeiras medidas de aumentos de impostos que farão parte do Orçamento de 2017; o financiamento bancário à actividade das empresas atingiu no primeiro semestre deste ano o valor mais baixo desde 2003; Portugal, Irlanda, Itália e Espanha concentram 57% do crédito mal parado na Europa; o Ministro da Cultura fez uma ameaça  velada ao Director do Museu Nacional de Arte Antiga por este ter revelado que o Museu tem apenas 64 pessoas para 82 salas abertas ao público, o que potencia a possibilidade de problemas nas instalações; o Ministro da Cultura, que tutela os orgãos de comunicação onde o Estado está presente, ainda não se pronunciou sobre as notícias que indicam que um administrador da RTP, Nuno Artur Silva, continuaria a ser proprietário de empresas audiovisuais e que contrata para a RTP guionistas e apresentadores dos seus canais e das suas produtoras; Marcelo Rebelo de Sousa recomendou a António Costa e Pedro Passos Coelho a leitura dos livros de Elena Ferrante porque este tipo de leitura melhora o “enriquecimento cultural”.


 


ARCO DA VELHA - O Presidente do Sporting chamou representantes das claques do clube para a comissão que vai fazer o inquérito à gestão de ex-presidentes leoninos.


 


 


 


 


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FOLHEAR - Hoje mesmo, dia 9, sexta-feira, Daniel Innerarity, professor de Filosofia Política e Social da Universidade do País Basco, participa num debate sobre o tema “A Política Em Tempos de Indignação”, que decorre às 19h00 na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, com Paulo Portas e Marisa Matias, com moderação de Maria Flor Pedroso. Considerado como um dos grandes pensadores mundiais contemporâneos, este basco acaba de ver editado em Portugal o seu livro, de 2015, que dá o título ao debate: “A Política Em Tempos de Indignação”. Ali aborda a transformação da actividade política nos anos mais recentes, nomeadamente o surgimento de movimentos sociais difusos, de novos partidos e as dificuldades das instituições tradicionais do velho sistema. No fundo o autor questiona o que é hoje em dia a política, e interroga-se sobre a necessidade de mudanças que possam levar a que a indignação que se exprime, muitas vezes de forma caótica, possa vir a ter um papel construtivo na sociedade. Teremos chegado a uma época que assinala o fim dos partidos? A classe política é mesmo desprezada? Quais serão os novos actores políticos? A quem pertence o direito de tomar decisões? A democracia, tal como a temos conhecido, é uma desilusão completa? Qual será a acção política que pode nascer depois da indignação? Pode haver democracia sem política tal como a temos conhecido? - estas são algumas das questões sobre as quais o autor especula. Edição D.Quixote/Leya.


 


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OUVIR - Já não ouvia um bom disco pop há muito tempo e este “Foreverland”, dos Divine Comedy, encaixa-se na perfeição nessa categoria. O irlandês Neil Hannon, que é o único membro permamente do grupo, criou os Divine Commedy há 26 anos e desde Maio de 2010, quando foi publicado “Bang Goes the Knighthood”, não era editado nenhum disco de originais. “Foreverland” corria pois o risco de ser uma enorme frustração ou apenas um ressurgimento. Nem uma coisa nem outra: é um trabalho de excepção, um dos melhores de Hannon, com um sentido épico e de narrativa, por vezes quase conceptual, surpreendente nos dias de hoje, muito mais vocacionados para o relato de trivialidades. Há aqui um lado de passeio pela História, que se cruza com uma mordaz observação dos tempos actuais. Para alguns pode parecer previsível atendendo à obra de Hannon, mas para outros, entre os quais me incluo, é mais uma vez um sinal de como mesmo em tempos cinzentos se podem criar discos brilhantes. Completamente desfasado das modas actuais e com uma sonoridade e arranjos que às vezes quase parecem estranhos, de tanto que se afastam da norma vigente, “Foreverland” é um trabalho sobre o amor e a fantasia, do qual destaco “Funny Peculiar” (um dueto coDC Records, no Spotify.m Cathy Davey), “Napoleon Complex” e sobretudo “How Can You Leave Me On My Own”. DC Records, no Spotify


 


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VER -  Muito se tem falado nos últimos tempos do Quetzal Arts Centre, instalado num complexo que inclui uma vinha extensa, uma adega, um restaurante e um centro de artes - procurando uma ligação entre o enoturismo e o turismo cultural. Os proprietários, um casal holandês,  propõe-se ir expondo a sua colecção de arte contemporânea, considerada em 2010 pela Art News entre as 200 maiores colecções mundiais, e também promover no local residências de artistas convidados. Cees e Inge de Bruin, o casal em questão, tem uma antiga paixão por Portugal, que vem de há quatro décadas. Ele dedica-se a gerir investimentos (com a sua  holding Indofin) e ela tem desempenhado funções de direcção, curadoria e consultoria em algumas grandes instituições culturais internacionais. Foram três os artistas da colecção escolhidos para a abertura: Robert Heinecken (1931-2006), Pat O’Neill (n. 1939), e Trisha Baga (n. 1985), todos com trabalhos de manipulação de fotografias, cinema ou vídeo. A responsável pelo Centro de Arte, Joana Mexia de Almeida, fundamentou a escolha da seguinte forma: “Optámos por começar com obras audiovisuais, que talvez sejam mais adequadas para um grande público que não é conhecedor profundo de arte contemporânea”. Atendendo ao que está apresentado mal se compreende o alcance da sua afirmação. À eventual excepção dos trabalhos de Robert Heinecken (na imagem), infelizmente apresentados numa montagem duvidosa, o resto não será facilmente enquadrável no conceito de grande público. O próprio espaço expositivo apresenta problemas para esta opção  - o maior dos quais é a belíssima luz natural que convive com dificuldade com projecções video. A abertura de um espaço tão focado em formas de expressão artística contemporâneas é sempre uma boa ideia, tanto mais que na região , excepção feita à colecção Cachola, o pendor tem sido sempré conservador. Fico com curiosidade de ver como o trabalho dos detentores da colecção, em relação a este espaço, vai evoluir. Em Fevereiro do próximo ano será apresentada a segunda exposição.


 


PROVAR - Em abono da verdade se diga que o conjunto de edifícios da Quinta do Quetzal é um bom exemplo de arquitectura integrada na paisagem. Os 50 hectares de vinha começaram a ser criados em 2002, a adega foi a primeira coisa a ser construída, em 2006, e convive na perfeição com o edifício onde está o restaurante, a loja de produtos da propriedade e da região, e ainda o Centro de Arte. É pena que ao lado da varanda do restaurante esteja um charco lamacento que polui o panorama que se desfruta do terraço, com ampla vista sobre o vinhedo. A sala do restaurante é luminosa e o mobiliário é um bom exemplo de adequação ao espaço e à função. Os petiscos por enquanto são o prato forte do local - que mais tarde há-de servir refeições mais formais, sob orientação do chef é Pedro Mendes. O restaurante funciona de quarta a domingo, e na visita realizada os tais petiscos foram bem apreciados: croquetes de farinheira com maionese de cebolinho, empadinhas de coelho estufado, peixinhos da hora com mostarda de pimentos, umas inusitadas pataniscas de abóbora e uns ovos mexidos com farinheira que estavam excepcionais. A destoar o pão, que podia ser mais autêntico, e uma tábua de queijos algo anémica em relação à tradição local. Nos vinhos - o Guadalupe branco, corrente, foi um aperitivo fresco, o Guadalupe Winemaker’s Selection revelou-se um tinto robusto e competente para a intensidade da comida e, no fim, uma prova de Quetzal tinto reserva de 2012 surpreendeu pela positiva - um vinho feito de Syrah, Alicante Bouschet e Trincadeira -  apesar da concessão  a castas nada alentejanas. Preços dos petiscos e dos vinhos mais correntes perfeitamente honestos. Resta elogiar o serviço, atento e competente. A Quinta do Quetzal, onde tudo isto se passa, fica a poucos quilómetros da Vidigueira, em Vila de Frades e o telefone é 284441618.


 


DIXIT - “A cultura é uma espécie de gambozinos dos governos: acende em noites quentes” - Fernando Sobral.


 


GOSTO - Da iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa e da APEL de fazer uma Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém.


 


NÃO GOSTO - De um Ministério da Cultura que não gosta de ouvir criticas e que nada faz para descer o IVA das entradas dos museus e de alguns bens culturais que está em 23%.


 


BACK TO BASICS - Quando se colocam quinze membros de um mesmo partido numa sala ouvem-se 20 opiniões diferentes - Patrick Leahy, Senador norte-americano.




setembro 02, 2016

A VÃ ILUSÃO DE MANDAR

ILUSÃO - Parece que para o ano vão ser repostos os cortes nas pensões. Parece que vai haver maior investimento público na educação e na saúde. Parece que o Estado vai aumentar a despesa, embora seja aparentemente por boas razões. Mas se aumentar a despesa e não aumentar a receita, o défice sobre. É uma conta simples. Ora aumentar a receita só pode querer dizer mais taxas, mais impostos. Sabe-se já que o Governo pretende implementar medidas que acabam com o sigilo bancário, com o justificativo da vigilância fiscal. Todos os dias surge notícia de mais uma ideia para sacar dinheiro aos contribuintes. Ao mesmo tempo constata-se que o fisco está cada vez mais relutante em devolver dinheiro cobrado a mais. Quarta feira terminou o prazo para o reembolso do IRS aos contribuintes, caso não existissem divergências, que têm efeito suspensivo. Seria interessante saber quantas dessas divergências existem e quantas existiam na mesma ocasião do ano passado. Sei de quem nas últimas semanas recebeu sucessivas notificações a anunciar divergências, que foram explicadas pelos próprios e aceites pera Autoridade Tributária que enviava uma simpática mensagem referindo que a declaracção rectificada “foi considerada certa após validação central”. Era alegria de pouca dura porque logo a seguir surgia nova notificação, de nova divergência, que até os funcionários do fisco, quando interpelados, não conseguiam explicar com clareza a que se referia. Ou seja, tudo indica que a Autoridade Tributária enveredou pelo caminho de comunicar divergências sucessivas que foram prolongando o prazo e retendo devoluções. Quantos contribuintes estarão neste momento nesta situação? Aqui está uma forma de o Estado ter dinheiro nos cofres, dinheiro que não é seu e que serve para ir tapando as novas despesas. É sabido que mais algum imposto há-de estar ao virar da esquina para colmatar as novas despesas. E, se não estiver, o défice aumenta. E, se o défice aumenta, Costa bem pode citar vacas voadoras que a situação ficará complicada. Demasiado complicada para nós todos, excepto para os que persistem na ilusão.


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SEMANADA - O Governo anunciou querer triplicar a produção de pescado em aquacultura; o Governo vai reforçar uma proposta para alargar a plataforma continental para lá das 200 milhas náuticas; o Governo instou os senhorios a diminuírem os seus rendimentos, fazendo rendas sociais; até Setembro todos os ex-ocupantes de cargos políticos vão ver repostas, com retroactivos, as subvenções vitalícias; a Polícia Marítima apreendeu e destruiu 210 bolas de Berlim a um vendedor na Costa da Caparica, numa acção, segundo o comunicado oficial, que envolveu uma viatura todo o terreno da respectiva força policial assim como dois agentes; Catarina Martins anunciou que o Bloco de Esquerda recusa “passos atrás” nem cedências a chantagens no Orçamento de 2017; um estudo divulgado esta semana indica que em 2050 Portugal deverá ter menos 1,2 milhões de habitantes; além dos partidos e das confissões religiosas há mais cerca de duas dezenas de entidades que não pagam IMI; o Bloco de Esquerda quer alterar a regra do IMI sobre os partidos políticos e o PCP é contra; o Estado injectou 417 milhões de euros na CP desde o início do ano; segundo o oráculo Marques Mendes uma eventual candidata do PSD à Câmara de Lisboa pode ser Maria Luis Albuquerque; há mais de 28 mil professores sem colocação nas escolas; os pagamentos em atraso aumentaram na área da saúde: com 324 polícias que estão em licença sem vencimento, o Estado vai contratar 300 novos agentes; todos os dias são presos 56 condutores com álcool em excesso.


 


ARCO DA VELHA - Uma deputada norueguesa foi apanhada a caçar Pokémons no Parlamento do seu país enquanto decorria um debate sobre defesa nacional.


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FOLHEAR - Numa conversa de final de tarde com um grupo de amigos falava-se da atração que é exercida por séries policiais e histórias sobre crimes e justiça. Para o caso falava-se de “The Night Of…”, uma soberba série que terminou esta semana. Havia quem dissesse que o retrato dos efeitos do sistema judicial e prisional nos inocentes davam que pensar. De uma forma geral os presentes diziam que os livros e séries policiais eram bons exercícios de dedução, de estímulo ao raciocínio e até de enquadramento da evolução das sociedades. Estou plenamente de acordo e por isso mesmo é que me fascino com literatura policial. Este verão tive o prazer de ler “Fechada Para o Inverno”, de Jorn Lier Horst, um escritor norueguês. O livro relata uma investigação do detective William Wisting, que é personagem recorrente nos romances do autor. Trata-se de uma investigação que decorre em paralelo sobre um caso de tráfico de droga, de roubos a casas de férias (normalmente fechadas no inverno) e de assassínios. A história - ou melhor, as histórias que se cruzam - estão soberbamente construídas. E estão ligadas a uma descrição do aumento da criminalidade na Noruega após o alargamento da Europa a leste, com a livre circulação de cidadãos das ex repúblicas soviéticas que recorrentemente surgem implicados em redes criminosas. Mais que um policial, o livro é um relato das inseguranças dos tempos que correm e uma reflexão sobre a forma como a Europa aumentou sem ter crescido. A edição portuguesa é da D. Quixote e tem boa tradução de João Reis.


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VER - Gosto muito de ver edições de livros de fotografia. Na maior parte dos casos é como visitar uma exposição, tendo tempo para contemplar cada imagem. Este ano fui brindado com uma oferta que adorei - o álbum “Abandoned - America’s Vanishing Landscape”, de Eric Holubow, um fotógrafo de Chicago que tem documentado o abandono e decadência de edifícios que foram, por uma razão ou por outra, arquitetonica ou industrialmente marcantes. De início ele concentrou-se primordialmente naquilo que é conhecido como a Rust Belt, a antiga e em tempos vibrante zona industrial, predominantemente ligada à metalurgia, em volta dos Grandes Lagos. Aquilo que Holubow fotografa são edifícios semi-destruídos, fábricas abandonadas cheias de maquinaria, escolas à espera de demolição com o chão atapetado de livros, igrejas vazias e em ruínas, teatros esventrados, instalações desportivas arruinadas. O livro documenta os efeitos das crises, a degradação de partes importantes da História da América. as consequências de políticas urbanísticas mal pensadas. Trata-se de uma viagem a um mundo caótico, onde a destruição se sobrepõe ao progresso e onde a erosão da memória se torna quotidiano. Folhear este livro é descobrir o outro lado de um país. Por cá havia muito para fazer nesta matéria - e vale a pena dizer que João Paulo Feliciano tem andado a fazê-lo na zona oriental de Lisboa e tem exposto no Facebook. “Abandoned - America’s Vaninshing Landscape” é um grande livro, editado pela Schiffer, disponível na Amazon. Se quiserem ver umas imagens vão a esta notícia que o Wahington Post publicou quando saíu, em Novembro do ano passado: https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2015/11/09/haunting-photos-show-forgotten-and-forbidden-buildings-in-america/  .


 


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OUVIR - William Bell é uma das vozes mais clássicas da soul music e do histórico catálogo da editora discográfica Stax. Tornou-se conhecido em 1961 com o tema “You Don’t Miss Your Water” e foi, com Booker T Jones, co-autor de “Born Under a Bad Sign”, um êxito primeiro pela voz de Albert King e que os Cream (de Eric Clapton) e Jimi Hendrix, entre outros, também gravaram. A sua música tem claras raízes nos blues, mas os arranjos e a forma de cantar tornaram-se uma referência na soul music dos anos 60. Bell, agora com 77 anos, tem-se mantido activo e acabou de lançar novo disco, “This Is Where I Live”. O produtor (e co-autor de nove das doze canções) é John Leventhal, que soube reconhecer e trabalhar o potencial e o estilo que a voz de Bell ainda mantém. Os arranjos, onde a guitarra eléctrica tem lugar de destaque, são também pontuados por presenças de metais e teclados, mas de forma contida e elegante. Gosto especialmente de “Poison In The Well”, da faixa título “This Is Were I Live”, assumidamente autobiográfica e que revela que Sam Cooke foi uma das suas principais influências e, finalmente, da versão despojada, mais lenta, de “Born Under A Bad Sign”, que deixa ouvir tão bem a ideia central da canção: “If it wasn’t for real bad luck, I would have no luck at all”. As coisas simples são sempre as melhores. “This Is Where I Live”, Stax, disponível no Spotify


 


PROVAR -  Volta e meia surgem boas surpresas. No Porto, na Rua do Passeio Alegre, com a Foz bem perto, frente ao mar, está a Casa de Pasto da Palmeira. Tem uma pequena esplanada e uma sala interior mais ampla. Mas a vista da esplanada é uma tentação. Estava avisado que o local era bom para petiscar, que não esperasse por um restaurante com pratos à séria. O aviso foi bem entendido e fiquei contente por ter seguido a sugestão. O serviço é muito simpático, as empregadas têm t-shirts da casa com slogans sugestivos e a carta está cheia de boas sugestões. Por exemplo, nunca tinha provado pipocas com paprika, acompanhadas de maionese com  lima e gostei;  também nunca tinha provado éclairs de sapateira e gostei; uma falsa bruschetta feita à base de beringela e figos soube particularmente bem ao outro lado da mesa e um pedaço de atum fresco fatiado e braseado (no ponto) com especiarias, com um acompanhamento de couscous, também foi bem recebido; uma meloa com gelado de citronela rematou o repasto. Ficou-me na memória a possibilidade de uma melancia grelhada e registei os queques de alheira que me sorriam da mesa ao lado, A lista de vinhos é adequada, o serviço a copo é correcto, a relação preço-qualidade é honesta. Para a próxima vez que fôr ao Porto voltarei a ver se as coisas estão na mesma. Casa de Pasto da Palmeira, Rua do Passeio Alegre 450, telefone 226 168 244. Está no Facebook.


 


DIXIT - “A serenidade com que tudo foi feito mostra que no dia da reunião com o PS já havia a decisão tomada pela direcção do PCP” - Ruben Carvalho, do Comité Central do PCP, sobre o processo que levou ao acordo de Governo.


 


GOSTO - O livro “Regresso Ao Futuro- a Nova Emigração e a Sociedade Portuguesa”, de um grupo de investigadores universitários, mostra a falsidade de algumas ideias feitas como por exemplo que a nova vaga migratória é composta apenas por pessoas qualificadas ou que desde o início da crise Portugal perdeu meio milhão de pessoas.


 


NÃO GOSTO - Da forma como a CP tem desleixado a linha do Douro, não aproveitando o potencial da região, deixando degradar e depois vendendo como sucata o equipamento que tinha especialmente vocacionado para uma utilização turística.


 


BACK TO BASICS - “Diz-se que o poder corrompe, mas de facto é mais certeiro dizer-se que o poder atrai os que são corruptíveis; aqueles que o não são, geralmente sentem-se atraídos por outras coisas que não o poder” - David Brin.


 


 

OS DONOS DA BOLA

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Na semana passada a RTP 1 teve o programa mais visto com a transmissão do jogo Roma - F C Porto. Apesar disso registou uma média semanal de apenas 10,9 de share, a sua pior deste ano. Por acaso soube-se por estes dias que a RTP tinha concorrido contra a TVI pelos direitos de transmissão da Taça da Liga e viu-se que a estação pública  licitou mais alto que a estação privada. Aqui há dois anos e pouco o então recém criado Conselho Geral Independente fez de uma compra de direitos de transmissão de futebol o seu cavalo de batalha contra a anterior administração e tornou-se claro que o seu objectivo , sugerido  e apoiado pelo então ministro Maduro, era apenas provocar a saída de Alberto da Ponte e da sua equipa. Desde então o tal Conselho Geral Independente existe mas não produziu obra, ou pelo menos ela não é publica, ao contrário do que antes sucedera. Agora, face a nova compra de direitos, em concorrência com um operador privado, não se ouve uma palavra do CGI. O que antes era desvio passou agora a ser serviço público? Tudo leva a crer que sim. É assim se descobre mais uma careca e se percebem melhor os critérios de investimento da RTP nos seus programas e o seu papel na dinamização da produção portuguesa. Para entrar a bola, mais cara do que a estação privada pagaria, alguma coisa deixa de se poder fazer. Serviço Público é isto?


(Publicado no CM de 2 de Setembro)

agosto 26, 2016

DR. COSTA, E DEPOIS DO VAZIO?

VAZIO - Este verão tem sido politicamente muito educativo. Ficámos a saber que a economia persiste em não crescer, que Catarina Martins está desgostosa com as tropelias que o PS faz na geringonça, que Costa continua optimista. Tudo indica que a rentrée política vai ser muito interessante: uma preparação do Orçamento de Estado que promete agudizar as divergências na coligação, um agudizar das tensões com Bruxelas e uma degradação geral do panorama do país. Há membros do Governo desgastados, em boa parte por culpa própria, e começa agora a ver-se que a equipa maravilha que Costa reuniu à sua volta está a meter água em vários lados. Se a geringonça fosse um barco, o melhor seria instalarem rapidamente uma bomba de água potente para evitar que se afundasse. O episódio da CGD, que, sabe-se agora, levará  a um orçamento rectificativo, ainda vai provocar mais fissuras na coligação - PCP e Bloco já disseram o que queriam, e o que querem não é o que o PS acordou em Bruxelas. O cenário está preto: olhamos à volta e não vemos criação de empregos duradouros, não se vislumbram políticas de desenvolvimento regional e nacional coerentes - em vez disso as cidades estão entregues a obras de jardinagem e embelezamento, fruto do esbanjamento em função das eleições autárquicas do próximo ano; a balança comercial está frágil, a reputação das finanças de Portugal nos mercados tem piorado e os juros que pagamos ressentem-se. como se viu na última semana. Costa encontrou um país em recuperação quando chegou a S. Bento. Vamos ver o que deixa, quando sair - no entretanto tudo indica que se prepara para provocar umas eleições antecipadas e tentar ficar a governar sozinho.


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SEMANADA - O Presidente da República veio de férias e forçou explicações do Governo sobre a Caixa; Bruxelas disse como queria a Administração da CGD, reduzindo os seus membros de 19 para 15; Bruxelas mandou que alguns dos nomes propostos pelo Governo para a CGD fossem estudar; Bruxelas aprovou uma recapitalização da CGD até 4,6 mil milhões de euros e fez incluir financiamento privado no pacote; Bruxelas quer redução do número de balcões e de funcionários da Caixa; a intenção governamental de mudar a lei bancária para encaixar as propostas do Governo, vetadas pelo BCE, foi travada por uma convergência de opiniões do Presidente da República, do PCP e do Bloco de Esquerda; Catarina Martins afirmou arrepender-se todos os dias do acordo que permitiu ao seu partido apoiar o Governo do PS, devido às limitações que cria; os filhos de um embaixador de um país árabe envolveram-se numa zaragata, um português de 15 anos foi espancado por eles, e os agressores disseram estar “humilhados e zangados” ; neste assunto o ocupante do Ministério dos Negócios Estrangeiros mostrou mais uma vez ser um mero verbo de encher; na PSP há entre 7 a 10 mil agentes desperdiçados em tarefas burocráticas; o Governo disse que não podia fazer mais no combate aos fogos; a Ministra da Administração Interna deu uma entrevista à revista Flash a explicar como as suas férias foram interrompidas pelos incêndios.


 


ARCO DA VELHA - Os encargos do Estado com as parcerias público-privadas no primeiro trimestre aumentaram 5% face a igual período de 2015 e as receitas das portagens para os cofres públicos caíram 2%.


 


 


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OUVIR - Este ano tenho feito umas férias um pouco diferentes do que é habitual e lancei-me à estrada, em Portugal e Espanha. De vez em quando ouvia as minhas listas no Spotify, mas na maior parte do tempo, em Portugal, sintonizei a Antena 1, 2 ou 3. Devo dizer que por razões profissionais sou um saltitão na escuta das rádios, mas pelo menos uma vez por semana sigo a emissão da manhã da Antena 1. Eu gosto muito de rádio, acho que é um dos media mais fascinantes e daqueles que melhor se tem conseguido adaptar às mudanças - de tal forma que tem ganho ouvintes em vez de os perder. Um estudo recente indicava que a rádio superava a imprensa em termos de confiança quanto à informação transmitida. Ao contrário do que acontece com a televisão, o horário nobre da rádio está no início da manhã, entre as sete e as dez, quando a maior parte das pessoas se deslocam para o trabalho, nomeadamente nos seus veículos particulares. Até há uns dois anos o carro era o sítio por excelência para ouvir rádio, mas, de repente, olhado-se para os números de consumo de internet, constata-se que começou a existir uma dispersão de horários - a audiência de rádios online, em streaming, já é significativa durante o período laboral. Regressando ao início do parágrafo, venho aqui dizer que gosto da Antena 1, gosto às vezes da Antena 2 e acho que a Antena 3 cumpre bem a sua função, embora não lhe ficasse mal um choque de vitaminas. O bom estado do serviço público de rádio deve-se a Rui Pêgo, que há anos o dirige. É impressionante o contraste entre a qualidade e utilidade do serviço público de rádio e a vacuidade da maioria do  serviço público de televisão - quer em termos de programas, quer em termos de informação. Bem sei que os meios necessários são diferentes, mas aqui, o que conta, é a atitude. Rui Pêgo faz serviço público. Outros, na RTP televisão, não. É isto. Deixo também um elogio ao facto de a rádio pública ter desenvolvido programas de autor sobre os mais variados temas. Estes programas de autor são, hoje em dia,  a matéria prima para a mais valiosa propriedade da rádio no mundo digital - os podcasts. E nesta matéria a rádio pública dá cartas.


 


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VER - A Condé Nast Traveller considerou este ano o Guggenheim de Bilbao, desenhado por Frank Gehry, como o mais bonito museu do Mundo. Bilbao saía de um período difícil quando se decidiu avançar para a construção do museu, que decorreu entre 1993 e 1997. O projecto ajudou claramente a mudar a imagem da cidade e voltou a colocar Bilbao no mapa. Lisboa podia ter um polo de atracção assim se o projecto de Gehry para o Parque Mayer tivesse ido em frente - infelizmente esse azar da democracia chamado Jorge Sampaio impediu-o, vetando, quando era Presidente da República, um diploma que permitiria fazer a obra. Ao fim destes anos todos o Parque Mayer continua sem solução, abandonado e sem plano coerente. Mas regressemos ao Guggenheim de Bilbao - além de ter um museu fantástico, tem um site na internet fabuloso e um conjunto de presenças nas redes sociais que permite visitar o projecto de arquitectura, a história da sua construção, o trabalho de Gehry e uma visita ao exterior e ao interior do edifício. É também possível percorrer a colecção própria do museu, fazendo uma visita virtual. Enquanto não se encontra tempo para lá ir, a visita virtual, cada vez mais acessível em numerosos museus de referência, é uma boa forma de nos informarmos, conhecermos e escolhermos aquilo que queremos ver. Era engraçado que o projecto de Gehry para o Parque Mayer estivesse também assim acessível. Pode ser que a história recente de Lisboa não se resumisse no futuro aos desvarios a que vamos assistindo.


 


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FOLHEAR - A edição de Setembro da “Monocle”, já distribuída em Portugal, é dedicada ao empreendedorismo, e sugere muitas ideias e casos para seguir. Berlim, Tel Aviv, Oslo e Auckland são cidades recomendáveis para novos negócios, segundo a revista. Kasrin Wanngard, a Mayor de Estocolmo, olha para os  resultados conseguidos pela sua cidade nos anos mais recentes e destaca a importância da educação, dos transportes públicos, de apoios familiares e de alojamento acessível como aquilo que permitiu atrair e reter talentos. Foi um esforço continuado de inovação, de promoção da diversidade, de educação em todos os níveis escolares e na criação de uma rede de infantários municipais disponíveis para todas as famílias, sejam estudantes ou já trabalhadores. Uma das prioridades da cidade é dar condições para combinar a família com a carreira e Karin sublinha que quando as cidades funcionam em termos de atracção de talentos, funcionam em termos de atracção de negócios, e está garantido que terão sólidas instituições culturais e desportivas. Outros artigos interessantes nesta edição têm a ver com as novas tendências de produção de televisão e diversos ensaios sobre as razões de sucesso de bons negócios. Portugal tem três referências - uma página de publicidade da trienal de arquitectura, um elogio às novas capacidades na industria aeronáutica que a Embraer aqui criou, e finalmente, no Guia do Empreendedorismo, o primeiro destaque vai logo para Nuno Carvalho, que explica como construíu a sua Padaria Portuguesa.


 


PROVAR - Já se sabe que o norte de Portugal é uma região onde se come bem. Mas mesmo assim, às vezes fica-se bem surpreendido. Foi o que me aconteceu na “Muralha de Caminha”. Trata-se de uma casa que é simultaneamente restaurante e alojamento local, situada em sítio privilegiado, frente à foz do rio Minho. Tem uma zona interior e uma belíssima esplanada que nestes dias merece ser vivida. À partida há três coisas a destacar - a frescura dos produtos (mariscos, peixe ou carne), a simpatia do pessoal e o saber da cozinha. No meio das voltas que dei não vi robalo de pesca local tão fresco como o que chegou à mesa da Muralha. Espreitei para  a mesa do lado, onde um cliente notoriamente habitual se deliciava com um lavagante “da nossa costa”, grelhado e flamejado em aguardente velha. Eu fiquei-me com meia dose de posta de novilho, feita com um tempero habilidoso de alho, louro e pimenta e que estava verdadeiramente delicioso. A acompanhar vinham batatinhas novas salteadas e feijão verde, mas o pedido de umas batatas fritas - feito por inveja do que via passar  - foi prontamente satisfeito. Antes de o repasto começar tinham vindo dois pastéis de bacalhau daqueles que já é raro encontrar, com mais bacalhau que batata, e dois rissóis de carne, impecáveis. A lista de vinhos é boa e tem em conta a produção local. A broa de milho era exemplar. Muralha de Caminha, Rua Barão de São Roque 69, telefone 258 728 199.



DIXIT - O facto de querer sempre concorrer com os privados, o facto de não ter uma elite com coragem para fazer diferente, tornam a RTP pouco relevante e muitas vezes irrelevante no que toca ao serviço público” - Eduardo Cintra Torres.


 


GOSTO - Da apresentação da integral das nove sinfonias de Beethoven, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, em várias cidades, como vai acontecer em quatro dias seguidos, no Terreiro do Paço, no fim do mês de Setembro.


 


NÃO GOSTO - Da decisão sobre a permanência dos Mirós em Portugal. Como Jorge Calado escrevia na Revista do Expresso: “Em vez de ficar com dois ou três razoáveis e vender o resto para comprar obras para as colecções existentes, vai-se criar o pior museu Miró do mundo para mostrar o rebotalho de uns restos de colecção. “


 


BACK TO BASICS - “Depois de saber tudo, estará sempre tudo por saber” - Alexandre O’Neill


 

agosto 19, 2016

A ARTE DO DISFARCE APLICADA PELO ESTADO NOS IMPOSTOS

IMPOSTICES - A história dos cidadãos portugueses nos últimos anos resume-se em poucas palavras: pagar sempre mais ao Estado, seja em impostos directos, seja em taxas diversas. A máquina fiscal dispõe de poderes especiais, é muito pouco escrutinada, o sistema de (in)justiça fiscal e tributária favorece os abusos do Estado sobre cidadãos e empresas. Ainda esta semana se soube que a Autoridade Tributária quer reduzir diversos prazos de reclamação dos contribuintes. Soube-se também, felizmente, que a Comissão Nacional de Protecção de Dados não concorda com a quebra de sigilo bancário proposto pelo Governo. Este Ministério das Finanças, e este Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em especial, têm dado provas de grande desrespeito pelos contribuintes, de que as numerosas notícias de atraso de reembolso e os expedientes utilizados para o fazer são apenas a ponta do icebergue. Nesta matéria dos mecanismos delatórios do reembolso este Governo foi aliás bastante criativo. Não vou alongar-me sobre a postura ética de Rocha Andrade no caso do convite para ir à bola no estrangeiro, com tudo pago, que aceitou de uma empresa em contencioso fiscal com o Estado, nem da forma trapalhona como quis abafar a questão, como se um reembolso restabelecesse a honra - o que não acontece. Basta olhar para o que tem sido a sua acção, desde o que pensa sobre o imposto sucessório que ameaçou reintroduzir, até aos critérios de agravamentos do IMI. Todos os Governo recentes preferem aumentar impostos a reduzir as gorduras do Estado e este não é excepção. E todas as oposições, quando se tornam governo, aproveitam os aumentos antes decretados e, se possível, ainda os carregam. Os combustíveis são um bom exemplo, talvez por se tratar de uma geringonça cujo motor há-de consumir algum carburante. António Costa, por via do seu cobrador Rocha Andrade, é apenas mais um dos intérpretes do tirano Xerife de Sherwood, que carregava nos impostos à medida dos seus custos. Mas Passos Coelho, que foi o anterior actor no papel desse vilão, escusa de se armar em Robin Hood, como fez no lamentável discurso da festa do Pontal. Ninguém o leva a sério. Nesse discurso Passos Coelho fez o papel de velho do Restelo, um arauto da desgraca, sem visão nem caminho. Feitos passados não garantem rendimentos futuros - é apenas o que me ocorre dizer nestas circunstâncias.


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SEMANADA - Até ao final da semana passada já tinham ardido 2500 hectares no parque nacional do Gerês; Portugal, sozinho, é responsável por praticamente metade da área ardida em todos os países da União Europeia em 2016; desde o início do ano já arderam em Portugal quase 120 mil hectares de floresta; o número de candidatos ao ensino superior voltou a aumentar pelo segundo ano seguido e está perto dos 50 mil; em Portugal há 96 mil jovens entre os 20 e 24 anos que não estudam nem trabalham; o Governo deve quase 50 milhões de euros às instituições de ensino superior; os plantéis das equipas de futebol da Liga estão avaliados em 900 milhões de euros; o BPN já custou 3,2 mil milhões de euros aos contribuintes; a economia portuguesa voltou a crescer apenas 0,2% no segundo trimestre face ao primeiro trimestre e o Governo já admite que o crescimento anual possa ficar abaixo de 1%, cerca de metade da previsão inicial; o Ministério das Finanças anunciou que, ao contrário de afirmações anteriores, não vai descer o imposto sobre os combustíveis;  o fisco continua a atrasar os reembolsos do IRS; o Tribunal De Contas identificou mais de 100 milhões de euros em dívida de Câmaras e empresas públicas à Empresa Eléctrica da Madeira e alguma das dívidas têm 30 anos; €268.000.000 é o impacto gerado na economia lisboeta pelo AirBNB em 2015 segundo a própria empresa;  um inquérito divulgado na semana passada afirma que quase 30% dos emigrantes querem voltar ao país.



ARCO DA VELHA - A vítima de um acidente de moto andou a passear de ambulância entre Faro e Portimão e, não tendo conseguido o tratamento urgente de que necessitava, acabou por vir em carro particular para Lisboa, onde finalmente foi operado num hospital público.


 


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FOLHEAR - Sigo há uns meses o trabalho de uma pequena editora exclusivamente dedicada à fotografia, chamada Unknown Books (www.theunknownbooks.net). É uma operação verdadeiramente de paixão, que só faz pequenas tiragens, na maior parte dos casos entre a meia centena e a centena de exemplares e que só vende através da internet. O seu criador, Fábio Roque, é um fotógrafo, ele próprio autor de algumas das obras que edita. A Unknown Books existe desde 2014 e publicou duas dezenas de livros, sempre com edições numeradas, feitos em impressão digital - que nas edições mais recentes tem melhorado muito. É o caso de uma das mais recentes edições, o livro “Saudade”, do norte-americano Nick Tauro Jr, e que é o resultado de uma residência artística que fez em Portugal. É muito curioso observar o resultado de mais um olhar estrangeiro sobre o nosso quotidiano, a nossa luz e os nosso hábitos. Aqui não há a procura do típico nem do fácil, existe um olhar atento para além das aparências. O autor descreve Saudade como - e perdoem-me não traduzir - “a vague and constant desire for something that does not and probably cannot exist, for something other than the present, a turning towards the past or towards the future; not an active discontent or poignant sadness but an indolent dreaming wistfulness.”


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VER - Se está em Lisboa este é um bom momento para ir ver a “Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira (na imagem), que ocupa finalmente o lugar devido na Galeria de Pintura e Escultura Portuguesa, piso 3 do Museu Nacional de Arte Antiga, recentemente inaugurada. Graças aos donativos que possibilitaram a compra da obra e ao exemplar restauro dos conservadores do MNAA, “ganhou nova vida e a cena emerge triunfante sob uma luz divina nascida do genial traço de Domingos Sequeira” - como salienta o próprio Museu. Se gosta de visitar o passado e de um bom trabalho baseado em arquivos, no Picoas Plaza fica o Centro de Informação Urbana de Lisboa e lá pode ver uma exposição fotográfica que documenta os 50 anos da Ponte 25 de Abril. Se está no Porto, em Serralves, até ao fim de Agosto, todas quintas, sextas e sábados há visitas nocturnas ao parque, pela mão de Marco Ramos - “Há Luz no Parque” é o nome da iniciativa. Finalmente se passar por Vila Nova da Barquinha não deixe de visitar o Barquinha Parque, Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista 2007 na categoria "Espaços Exteriores de Uso Público", da autoria da dupla de Arquitectos Paisagistas – Hipólito Bettencourt e Joana Sena Rego. Ali pode encontrar esculturas de Alberto Carneiro,  ngela Ferreira, Carlos Nogueira, Cristina Ataíde, Fernanda Fragateiro, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Xana e Zulmiro de Carvalho.


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OUVIR - Parece existir um regresso aos discos essencialmente instrumentais de guitarra portuguesa nos últimos tempos e um conjunto de edições recentes dão nota disso mesmo. Para mim o mais aliciante é o trabalho de Marta Pereira da Costa - por ser o mais aventureiro, a sair do estrito território do fado, que no entanto lhe é muito familiar, para se aventurar a experimentar a guitarra portuguesa na música popular em temas que ela própria compôs,  dos quais destaco Ícaro (com Pedro Jóia), Terra, Encontro (com Richard Bona), Fado Laranjeira (com Camané) e “Moon” (com a iraniana Tara Tiba). O disco regista ainda participações de Rui Veloso e Dulce Pontes, ambas comedidas e a deixarem a primazia à guitarra de Marta Pereira da Costa. Este é um daqueles trabalhos surpreendentes e que fica na memória. Outro trabalho a reter é “Guitarra Portuguesa”, de António, Paulo e Ricardo Parreira, herdeiros de uma grande tradição musical familiar. “Tons de Lisboa”, de José Manuel Neto, conta com colaborações de peso: Carlos Manuel Proença na viola, Daniel Pinto no baixo acústico, mestre Joel Pina e Frederico Gato. Estes dois trabalhos, dos irmãos Parreira e de José Manuel Neto são de uma enorme fidelidade à guitarra portuguesa e ambos são do ponto de vista técnico irrepreensíveis. O que lhes sobra em virtuosismo falta-lhes no entanto na chama criativa e na ousadia que o de Marta Pereira da Costa ostenta. Da actual fornada o menos interessante parece-me ser Maturus, de Custódio Castelo, em guitarra portuguesa de dois braços, também chamada de guitarra siamesa. Como estão todos disponíveis no Spotify, se gosta de guitarra portuguesa, nada como ouvi-los e comparar.



PROVAR -  Um espumante alentejano bom? Estão a gozar comigo ou quê? Pois fiquem sabendo que a coisa acontece e é realidade. João Portugal Ramos criou, a partir de uvas das castas Pinot Noir, Touriga Nacional e Aragonez, o Marquês de Borba DOC Espumante  Rosé.Trata-se de um espumante bruto natural, com 11,5 graus, de cor rosada, com bolha fina, com notas de citrinos que lhe dão frescura e um final seco. É um vinho verdadeiramente surpreendente, que nesta época do ano tanto se revela um aperitivo excelente, como um excelente companheiro de saladas, de peixe ou mariscos. Mas é ao fim da tarde, num destes dias de verão, que verdadeiramente ele fica na memória. Não deixa de ser interessante que João Portugal Ramos lhe tenha dado a sua marca Marquês de Borba, que assim fica renovada e com uma gama alargada para onde menos se esperava.


DIXIT - “As humanidades ou as Artes são bonitas ou feias, e as coisas em ciência estão certas ou erradas. Portanto, o certo é bonito e o errado é feio.” - Professor Jorge Calado

GOSTO - Que o Tribunal de Contas continue a denunciar a má gestão do Estado e dos dinheiros públicos.

NÃO GOSTO - Que o Estado não cumpra ele próprio as regras que obriga os cidadãos a cumprir, como sublinhou o Tribunal de Contas.

BACK TO BASICS - No jornalismo houve sempre uma disputa entre noticiar primeiro e noticiar com rigor - Ellen Goodman

agosto 12, 2016

FOGOS: UMA LONGA HISTÒRIA DE INDIFERENÇA CRIMINOSA

FOGO! - A pior coisa que pode acontecer é transformar a desgraça dos incêndios numa guerrilha politiqueira - mas isto não deve levar ao aliviar das responsabilidades. O que se passou nos últimos dias é um grave problema de prioridades políticas desajustadas e não de divergências partidárias - na realidade todos os partidos que estiveram no poder nos últimos 30 anos tiveram responsabilidades nos erros de políticas de ordenamento de território e florestais que agora se revelaram com uma intensidade terrível. Diria que existem três áreas críticas: a da prevenção, que foi a mais desprezada; a do combate aos incêndios que vai funcionando em alternativa à prevenção e que recebe maior atenção (e financiamento) porque serve de veículo de propaganda; e a da justiça, com um enquadramento penal anedótico face à gravidade dos crimes cometidos - que este ano como se sabe provocaram mortes mais uma vez. Temos 3,5 vezes mais incêndios do que a média dos países mediterrânicos e 2,5 vezes mais área ardida. Só entre 1 e 8 de Agosto registaram-se em Portugal 1775 incêndios. No Público, Fernando Santos Pessoa, da Universidade do Algarve, pôs o dedo na ferida: "devemos ser o único país do mundo com florestas que não tem um corpo específico de Guardas Florestais" - escreveu, sublinhando não ter dúvidas "que essa era a mais eficaz e mais barata forma de prevenção dos fogos florestais". E recorda que os extintos Serviços Florestais, "eram um organismo que vinha desde o séc. XIX, e não há país nenhum no mundo, com uma grande área florestal, que não possua o seu Serviço Florestal". No Observador, Paulo Fernandes, da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, recordou que "em 2013, a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) dava conta que o dispositivo de combate a incêndios tinha um custo previsto de 74 milhões de euros, enquanto a prevenção mereceria apenas um investimento de cerca de 20 milhões. Daí para cá, o desequilíbrio agravou-se. O sistema de combate a incêndios está divorciado do sistema de prevenção“. Também no Observador José Cardoso Pereira, do Instituto Superior de Agronomia, aponta: “Vemos todos os dias os noticiários das oito a serem abertos com helicópteros Kamov no terreno. Mas não vemos noticiários a serem abertos com a limpeza das matas”. A propaganda é inimiga da realidade e isto aplica se a todos os partidos que estiveram no Governo. Henrique Pereira dos Santos, um arquitecto paisagista, tem sido uma presença constante a denunciar o que se passa: O custo do dispositivo de combate aos fogos passou de 30 milhões anuais para 100 milhões anuais, enquanto o Plano Nacional de Defesa das Florestas contra Incêndios e o Fundo Florestal Permanente, concebido por técnicos do sector há uma dezena de anos atrás, numca foi aplicado e antes foi esvaziado em verbas e acções - e Pereira dos Santos defende que se as recomendações tivessem sido seguidas a situação seria bem diferente. E chegamos à questão da Justiça - a pena máxima para os incendiários é de oito anos. Quase nenhum dos condenados cumpre a pena por inteiro, a maioria sai em liberdade a seguir à detenção, muitos com pena suspensa reincidem. O que há décadas se passa com os brandos costumes sobre estes crimes merece reflexão. E a atitude dos Governos em relação à prevenção também tem ela própria uma faceta criminosa.


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SEMANADA - Em dez anos foram passadas 57 multas a quem levou cães para a praia; o FMI considerou o Deutsche Bank, um ícone da Alemanha no pós guerra, o maior risco a nível mundial para a estabilidade financeira; dos 230 deputados em funções no fim da sessão legislativa, só o duo de "Os Verdes" e outros 38 parlamentares têm um registo 'limpo' de faltas nos plenários da Assembleia; segundo os serviços do parlamento o total de faltas neste ano parlamentar ascende a 934 em todas as bancadas, uma média de 11 deputados ausentes por sessão; o Porto é a cidade onde se registam mais atropelamentos e Aveiro é a cidade onde se verifica maior número de mortes por atropelamento; Rui Rio, velho amigo e aliado autárquico de António Costa, afirmou não excluir “a possibilidade de legislativas ainda antes das autárquicas”; os medicamentos genéricos já são metade do total dos medicamentos vendidos; em Portugal há mais casais a terem o terceiro filho e continua a tendência para o aumento da natalidade; as exportações portuguesas tiveram o seu pior semestre desde 2009; as queixas de deficientes por discriminação subiram 42% num ano.


 


ARCO DA VELHA - Mais de metade dos suspeitos de fogo posto que a PJ detém são logo libertados pelo juiz de instrução, muitos recebem penas suspensas e, destes, vários são reincidentes no mesmo crime e continuam depois em liberdade.


 


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FOLHEAR - Não me canso de ficar surpreendido com o dinamismo dos editores de revistas independentes, que continuam a  apostar no papel e apresentam edições fantásticas. Uma das mais deliciosas publicações que vi nestes últimos meses foi a “peeps”, que vai agora no segundo número. De origem canadiana, e feita graças a contribuições de apoiantes num esquema semelhante ao crowdfunding,  o seu objectivo é seguir as mudanças sociológicas que acontecem pelo mundo fora. Um dos artigos mais interessantes desta edição chama-se " Welcome to the cyber village" e aborda casos de adaptação de sociedades rurais ou de vilas longe dos grandes centros urbanos às novas tecnologias. Outro tem o curioso título "Fresh ideas on the death and rebirth of marketing" - é uma entrevista com John McGarr, fundador de uma empresa de consultoria, Fresh Squeezed Ideas, que juntou uma equipa de antropólogos que estudam as alterações de hábitos de consumo e de comportamento e que tem por lema " o que antes resultou pode não funcionar agora, dá mais resultado ser diferente que ser o melhor". A revista tem também short stories reais que contam episódios da vida de profissionais de diversas áreas. A edição fotográfica é muito cuidada ao longo de todos os artigos e o grafismo é simples e eficaz. Ao folhear "peeps" não resisti a pensar como em Portugal existem tantos casos que podiam caber numa linha editorial semelhante e como podia fazer sentido fazer aqui uma publicação destas, que sai duas vezes por ano. Podem saber mais no twitter em peepsforum, no instagram em peepsmagazine ou no facebook em peepsforum - e peepsforum.com é o nome do seu site.


 


 


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VER - Ora aqui vão sugestões avulsas. Até 15 de Outubro, na Galeria Municipal de Matosinhos, Julião Sarmento apresenta “No Fio da Respiração”, 26 obras de pintura, desenho e escultura, produzidos entre 1966 e 2011, com duas peças inéditas - exposição comissariada por Miguel von Hafe Pérez. Em Lisboa sugiro, no Museu de Etnologia, um belíssimo e pouco conhecido edifício na Rua da madeira, no restelo, uma exposição particularmente adequada a estes dias em que a destruição do fogo varreu o país: “Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento. No Museu Nacional de História natural e da Ciência a exposiçãp “Dinossauros Que Viveram Na Nossa Terra”, que reconstitui como seria a paisagem da região Oeste no período jurássico. Em Loulé, no Convento de Santo António dos Capuchos,  Teresa Segurado Pavão apresenta trabalhos de escultura sob o título “Terras Brancas”. Finalmente em Sines, no Centro Cultural Emmerico Nunes, está a belíssima exposição “4 fotógrafos de Moçambique”, que apresenta trabalhos de Moira Forjaz, José Cabral, Luis Basto e Filipe Branquinho (na imagem).


 


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OUVIR - William Tyler foi guitarrista dos Lambchop e, antes deles, dos Silver Jews. A sua carreira a solo vai em quatro álbuns, todos eles instrumentais, onde faz jus à sua técnica e a uma forma muito própria de tocar guitarra. O novo disco chama-se Modern Country e é uma espécie de manifesto musical de uma América das pequenas cidades, das estradas percorridas por camiões e dos bares onde os seus condutores se encontram. Cada um dos temas podia fazer parte da banda sonora de um filme sobre o sul dos Estados Unidos, desde Albion Moonlight a The Great Unwind, passando por Highway Anxiety. Destaque para a participação do baterista dos Wilco, Glenn Kotche,  entende -se às mil maravilhas com o baixista Darian Gray.Quando apresentou o álbum William Tyler disse que o disco era uma carta de amor ao que se estava a perder na América. E ao ouvir o disco não é saudosismo o que se sente, é esperança. William Tyler Modern Country Merge Records, disponível no Spotify


 


PROVAR - Um hamburguer decente com serviço simpático para portugueses ao pé do largo de Camões? Podem deixar de pensar que é realidade virtual ou o fruto de uma pancada na cabeça. A coisa existe , é o Italian Burguer e Lobster House  e tudo correu acima das minhas expectativas. Num destes dias, a caminho do cinema Ideal, e querendo jantar antes do filme, entrei com alguma desconfiança no referido local, na Rua do Loreto. Pois reconheço que estava com um preconceito estúpido. O atendimento foi excelente, o serviço rápido, a confecção e qualidade da comida foram irrepreensíveis e a imperial era bem tirada e fresca apesar do calor lisboeta destes dias. Para a mesa veio um hamburguer Tuscanny, à base de frango com manga e tomate laminado, manjericão e coentros frescos, e um hamburguer Parma, com cogumelos, cebola caramelizada, parmesão e salsa. cada hamburguer pode vir com dois acompanhamentos, entre salada, risotto de cogumelos, batata frita ou arroz thai. Os hamburguers estavam no ponto e os acompanhamentos escolhidos também. Há opções de hamburguer de atum e vegetariano. E depois, claro, há o lavangante -. que pode vir cozido ou grelhado, em tártaro,, em risotto ou com linguine. Há-de ser experimentado numa próxima ocasião. Nas entradas destaque  para a manteiga de corais e a pasta de tomate assado, com grissinis. Além do chiado o Italian Burguer e Lobster House existe no Centro Colombo, Centro Vasco da gama e na Avenida de Roma junto á Praça de Londres. No caso do Chiado, fica na Rua do Loreto 12, telefone 961 092 652.


 


DIXIT - “Espero não ser como os políticos e saber parar de escrever no tempo certo “ - Ian McEwan


 


GOSTO - Da série de textos «A América através dos livros», de Isabel Lucas, um grande exemplo de bom jornalismo.


 


NÃO GOSTO - De comentários bacocos como os que ouvi na transmissão da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.


 


BACK TO BASICS -"Não fazes ideia o trabalho que me deu chegar pobre até ao fim da vida." (Paiva Couceiro)


 


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agosto 05, 2016

O SOL, QUANDO NASCE, É PARA O IMPOSTO

E RESPIRAR, PODEMOS? É oficial: o sol, quando nasce, não é para todos. As casas com mais sol serão penalizadas pelo fisco, por acaso tutelado pelo homem que aceitou viagens à borla a França para ver jogos do Euro, pagas pela Galp, empresa que tem um contencioso fiscal com o Estado superior a cem milhões de euros. Rocha Andrade, o governante em causa, disse à revista Sábado que não via no assunto qualquer incompatibilidade ou conflito ético e encarava “com naturalidade, e dentro da adequação social, a aceitação deste tipo de convite”. O homem foi um dos redactores do código de ética para candidatos a deputados do PS, lançado por António Costa em 2015 e só depois de noticiada a oferenda resolveu dizer que queria reembolsar à Galp a despesa feita. Se o ridículo pagasse imposto este homem sozinho resolvia o problema do país. Vale a pena recordar que esta é a mesma criatura que quer andar atrás dos vendedores de bolas de berlim e de gelados na praia, que quer aumentar a tributação das casas que têm vista e por onde o sol entra sem receios. Este homem, que acha natural, sendo Governo, aceitar presentes de quem está em litígio com o Estado que ele representa, é copista de uma medida medieval inglesa, a window tax, de 1686, como bem explicou neste jornal Fernando Sobral, recordando uma frase de Charles Dickens: “nem o ar nem a luz são grátis”. O tema fiscal mereceu esta semana, no Facebook, várias citações interessantes, que reproduzo. O Professor José Maltez, sobre a matéria, teceu o seguinte comentário: “Ainda ninguém se lembrou do imposto de isqueiro, ou do regresso ao papel selado? Não há alma geringonça capaz de emitir uma simples regra: as avaliações serão feitas conforme os preços do mercado?" Sobre a sanha fiscal, Luis Paixão Martins contou uma história estival: "Como é que tu, paizinho, contribuis para o progresso de Portugal? - Orgulho-me de andar nas praias a ver se os ricalhaços das bolas de berlim passam fatura". Talvez por tudo isto o publicitário Manuel Oliveira saíu-se com esta: “A minha casa tem vista para S. Bento. Posso considerar que tenho vista para uma ETAR e pedir isenção do IMI?”


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SEMANADA - As exportações para o Brasil caíram 21% desde o início do ano; 80% dos alunos do 5º ano falham a matemática: em ano e meio foram apanhados 13 mil condutores sem carta de condução; há 286 condutores sem carta a cumprirem penas de prisão;  há chumbos em quase metade dos exames de código de estrada; entre os políticos portugueses Marcelo Rebelo de Sousa é o que regista mais menções no twitter desde o início do ano; os polícias estão proibidos de aceder a redes sociais enquanto estão em serviço; em Custóias foi assaltada a máquina automática de venda de tabaco que abastecia a prisão; a natalidade em Portugal está a subir pelo segundo ano consecutivo; em Armação de Pêra há quem vá marcar lugar na praia às sete da manhã com chapéu de sol e toalha; são recebidos 70 pedidos de ajuda por dia no centro de informação antivenenos ; os sites de jornais, revistas e de notícias portugueses receberam perto de cinco milhões de visitantes durante o primeiro semestre do ano, segundo os dados do Netpanel meter da Marktest; mais um recorde nacional: a dívida pública atingiu em junho os 240 mil milhões de euros - resta saber quem leva a medalha; Rocha Andrade foi o segundo membro deste Governo a propôr restituir verbas, apenas depois de ter sido confrontado com factos polémicos.


 


ARCO DA VELHA - Um estudo recente indica que, dos sete mil milhões de habitantes do planeta, cerca de seis mil milhões têm acesso a telefones móveis mas apenas 4,5 mil milhões têm acesso a instalações sanitárias domésticas em condições.


 


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FOLHEAR - A “Egoísta” é um prazer colectivo - para quem a idealiza e faz e, sobretudo,  para quem tem a oportunidade de a folhear, guardar e ir relendo ao passar do tempo. A edição do Verão, publicada no início de Julho, é dedicada a Lisboa - uma Lisboa destruída pelo triunvirato Medina-Salgado-Sá Fernandes. Qualquer semelhança entre a beleza e encanto da cidade e o caos e destruição que se sente na capital são pura coincidência. Pedro Bidarra, na sua coluna semanal no “Diário de Notícias”, sublinhou que face a um candidato decente de outra orientação política “o Medina, o principezinho herdeiro, não teria a mínima hipótese. É que Lisboa não vai com qualquer um.” No entretanto o Medina, que não é da cidade, vai dando cabo dela. Mas adiante, que a “Egoísta” é o que agora interessa. O facto de esta edição ser dedicada à cidade tem a ver com o facto de o Casino Lisboa estar a celebrar o seu décimo aniversário. E este á uma bela edição. Desde logo pela capa e as páginas de abertura que mostram Leonor Poeiras como um corvo, idealizada e fotografada por Carlos Ramos e vestida por Filipe Faísca. Mas há mais na revista: boa prosa de Rui Cardoso Martins, Nuno Miguel Guedes, Patrícia Reis, José Navarro de Andrade ou Teolinda Gersão,   ilustrações de Ricardo Cabral (que desenhou o Torel),  Rodrigo Saias e  André Carrilho, fotografias de Augusto Brázio (Monsanto) , Pedro Teixeira Neves (Lisboa) e Pedro Ferreira, para além de uma recolha de trabalhos de Vihls nas paredes da cidade. Uma edição alfacinha.


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VER - Rever “Barry Lyndon” em cópia digital é uma surpresa. Com boa projecção e bom som, o restauro digital que o cinema Ideal (ao Chiado) exibe até 17 de Agosto permite ter uma ideia clara do que era a luz que Stanley Kubrick quis mostrar. A luz molda as cores - nas paisagens, mas também nos interiores iluminados apenas por velas e filmados com as lentes especiais da Zeiss que Kubrick utilizou. Após todos este tempo (o filme é de 1975, foi produzido há 41 anos), é impressionante voltar a ver os enquadramentos rigorosos, a reconstituição das cenas de batalhas, o crescendo de emoção desde os primeiros planos do filme, com Redmond Barry, ainda adolescente, a ser seduzido pela prima. Ryan O’Neal tinha 34 anos e Marisa Berenson tinha 28 quando o filme foi estreado. Na altura houve quem pensasse que era uma obra menor de Kubrick, depois de 2001: A Space Odissey e de Clockwork Orange, antes dos seus derradeiros três filmes - The Shining, Full Metal Jacket e Eyes Wide Shut. Mas hoje fica mais fácil perceber que Kubrick  percorreu em Barry Lyndon a sua visão da natureza humana, utilizando um tempo fora do seu próprio tempo para reflectir sobre a evolução dos costumes. Outras recomendações para ver neste mês de Agosto: uma mostra da história dos jogos Majora ao longo dos seus 77 anos, no Espaço Amoreiras, Rua D. João V 24; “Auto Retrato em Solidó, de Ana Jotta, na Galeria Miguel Nabinho, Rua Tenente Ferreira Durão 18; “Sombras , Máscaras e Títeres da Colecção do Museu da Marioneta”, obras de  António Viana, Francisco Tropa, Jorge Queiroz e Susanne Themlitz, na Galeria Torreão Nascente da Cordoaria Nacional; no Espaço Chiado (Rua da Misericórdia 12), a série “Anatomia do Boxe”, de Jorge Molder, criada em  1997, que está na colecção António Cachola e que é exposta em conjunto em Lisboa pela primeira vez.


 


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OUVIR - Lou Rhodes é uma cantora oriunda de Manchester e tornou-se conhecida por ser, digamos, metade dos Lamb. Com utilização apenas ocasional de  sonoridades contemporâneas e essencialmente baseada em soluções acústicas, a carreira a solo de Lou Rhodes,  vai já no seu quarto disco, este “Theyesandeye”, que conjuga canções de amor com baladas que manifestam recorrentes preocupações ambientais, tudo cantando com uma voz etérea, carregada de sedução e sentimento. A sua voz é envolvente e tem um timbre provocante e sedutor. O Guardian  diz que ela evoca Nick Drake, outras vezes  Carole King e até Alanis Morrissette. Os arranjos das 11 canções são exemplares e a sonoridade de instrumentos acústicos como a harpa ajudam a criar um ambiente musical especial,  que está reduzido ao essencial, deixando amplo espaço para a voz e as palavras. Numa época em que as sonoridades se repetem, este disco de Lou Rhodes aparece como uma pedrada no charco. O facto de ela, a solo, ter evoluído num caminho completamente diferente das sonoridades dos Lamb mostra também como Rhodes se preocupa em fazer algo de novo e original na sua carreira, mesmo que para isso recorra a princípios básicos, musicais  e temáticos , do folk. “Theyesandeye”, CD Nude Records, no Spotify.


 


PROVAR -  Se nestes dias quentes quiserem uma esplanada não vão à Champanheria do Saldanha. Na realidade a utilização do termo champanheria no nome deste restaurante é um equívoco - porque a bebida - e sobretudo o seu equivalente português - o espumante - não têm ali qualquer favorecimento. É por exemplo incompreensível que não haja uma selecção de champagnes e espumantes servidos à flute e é ainda menos compreensível que, quando se pede uma garrafa de espumante (da reduzida selecção existente)  se coloquem na mesa copos de vinho em vez de flûtes. A coisa piora quando, feita a observação, a empregada fica a olhar para nós com ar de caso e responde que vai ver o quer é possível. Passado um bom bocado lá acabou por arranjar umas flûtes publicitárias de uma marca francesa. A chegada ao local fica pois assim descrita. O restaurante tem uma esplanada no pátio interior do prédio, com a maioria das cadeiras desconfortáveis e mesas pequenas,  em contraste aliás com o cuidado da decoração do interior. O sítio podia ser ameno se não existisse um som despropositadamente alto a sair de colunas instaladas demasiado perto das mesas. Em, resumo - a esplanada tinha tudo para ser simpática, o serviço é completamente antipático e a comida é mediana. As lascas de bacalhau em tempura estavam demasiado oleosas, o tártaro de atum sabia mais aos condimentos que ao atum e tinha como acompanhamento apenas tostas industriais, sem qualquer vestígio de salada. Os goujons de dourada salteada com legumes acabaram por ser a escolha mais acertada de uma noite que podia ter sido simpática e ficou aquém das expectativas. E o preço? a relação qualidade/serviço/preço merece nota negativa.Muito negativa. São preços desajustados para a oferta produzida.


 


DIXIT - “Lisboa atingiu o máximo cosmopolitismo Tem um presidente (não eleito) que sabe ser simultaneamente o terramoto e o marquês de Pombal” -  António Homem Cardoso


 


GOSTO - Desta afirmação de João Villalobos: “O sol, quando nasce, é para o imposto”.


 


NÃO GOSTO - Do cancelamento da 12ª edição da exposição World Press Cartoon, que estava agendado para este ano em Cascais.


 


BACK TO BASICS - “Quem tem cera na cabeça não deve andar ao sol” - Benjamin Franklin


 





julho 29, 2016

O PARADOXO EUROPEU & SUGESTÕES AVULSAS

DESFOQUE - Como há-de alguém perceber o paradoxo que assola a Europa? Como há-de alguém perceber que, no mesmo dia em que um padre é degolado pelo ISIS no norte de França, em Bruxelas a preocupação central seja debater e decidir sobre penalizações a aplicar a Portugal e Espanha? O resultado da discussão, após semanas de intrigas, ameaças e burburinho, com todo o mérito dos envolvidos, foi que a multa é zero - vamos a ver se a coisa fica por aqui ou se ainda há mais trapalhadas. Mas a questão fundamental é esta: a Europa ficou refém da morte anunciada pelo ISIS, de atentados que se repetem, de sobressaltos no dia a dia dos cidadãos. O problema principal da Europa é político, tem a ver com decisões que vão além do déficit, tem a ver com a sua relação com os seus cidadãos. A Comissão Europeia continua a achar que a sua missão é vigiar o pacto de estabilidade, apesar de, literalmente, todos os dias lhe rebentar uma bomba nas mãos, que mata inocentes e agrava a insegurança. Qualquer dia o pacto de estabilidade pode estar a ser cumprido a 100%, mas entretanto o terror dominou a Europa. Sobre o que se passa na Turquia, nota-se que significativamente não surge nem uma palavra. A Europa é uma entidade muito mal gerida do ponto de vista político e do ponto de vista económico os maus resultados estão à vista na falta de crescimento, na ruína do  sistema financeiro, no próprio Euro. Com um desgoverno assim não admira que haja quem dele queira sair. Sobre isto, sobre a política na Europa, não há reflexão séria transnacional - apenas se vêem  fundamentalistas de opereta como Dijsselbloem a falarem sobre fantasias, e Junckers de humor variável a ensaiar represálias aos ingleses. O maior problema está na falta de uma atitude política clara da Europa perante as ameaças que a atacam todas as semanas. A casa está a arder e há quem pense no que deve ser a sua decoração, mesmo quando as salas já estão em labaredas.


 


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SEMANADA - Entre a meia noite e as 20h00 de segunda-feira passada registaram-se 215 incêndios, ou seja um em cada cinco minutos; segundo o Instituto de Conservação da Natureza um quarto dos incêndios florestais tem origem criminosa;  no primeiro semestre do ano houve mais de 50 assaltos por dia a residências; depois das audiências com o Presidente da República os partidos do Governo e da oposição disseram não ver sinais de crise política; as ultimas sondagens indicam que PS e Bloco de Esquerda sozinhos já conseguiriam maioria parlamentar se houvesse eleições; a CGTP começou a pressionar o Governo; Ascenso Simões, deputado do PS, afirmou que “António Costa tem de convidar o Bloco de Esquerda e o PCP para o Governo”; Em média, a eleição de cada um dos 230 deputados da Assembleia da República custou ao partido que o apoiou quase 45 mil euros, um aumento de mais de 20% em relação a 2011; os portugueses com idade entre os 50 e os 70 anos já gastam mais tempo semanalmente à frente do ecrã do computador do que à frente do ecrã da televisão; o valor dos contratos de obras públicas celebrados no primeiro semestre é o mais baixo desde 2011; um quarto das obras públicas é contratada pelo Estado com um desconto superior a 30% do preço base, o que estimula a concorrência desleal ao indicar preços base mal calculados; todos os meses são apanhadas 4680 baixas fraudulentas;   há mais de 300 casos de negligência médica à espera de perícia; os portugueses cresceram em média 14 cm num século; Segundo a Marktest, de 24 de Janeiro a 24 de Julho, Marcelo Rebelo de Sousa interveio na primeira pessoa em 1.616 notícias na RTP, SIC, TVI e CMTV, o que corresponde a uma média de quase nove notícias por dia e 22 minutos de exposição diários.


 


ARCO DA VELHA - No início da semana o Pokémon Go já tinha gerado mais tweets que o Brexit ou o Euro 2016.


 


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FOLHEAR - Desde o ano passado, no Verão, a Monocle publica uma edição especial chamada “The Escapist”. Como o nome indica o tema é a fuga aos hábitos rotineiros, o conseguir desligar do dia a dia de trabalho em tempo de férias. É de alguma forma engraçado constatar que enquanto as edições mensais da Monocle estão a perder garra, as duas especiais anuais - este The Escapist e o natalício The Forescast, dedicado a tendências, conservam a criatividade dos primeiros tempos da “Monocle”. A presente edição da Escapist tem 258 páginas onde reportagens, notas de viagem, sugestões e artigos diversos coexistem com portfolios fotográficos. Portugal ficou bem na fotografia, por falar nisso - o portfolio principal é dedicado aos marinheiros portugueses que vivem nos nossos submarinos. Ben Ingham  fotografou e Trish Lorenz escreveu sobre a marinha portuguesa - uma das mais antigas do mundo,que remonta ao século XII, como ela faz notar. Trish Lorenz vive em Lisboa desde 2014 e tem escrito sobre a cidade em diversas publicações. Aqui debruça-se sobre os nossos marinheiros, a nossa Marinha e o papel de Portugal. O outro destaque que nos coube é sobre os Açores - que são vistos pelo editor principal da Monocle, Andrew Tuck. Rapidamente percebeu os ilhéus - o mar, que os de fora vêem como um obstáculo, é encarado pelos açorianos como uma porta de saída. Aqui está uma bela peça sobre o Açores, que sugere roteiros, dá recomendações como o Hotel Terra Nostra e o Arquipéloago - Centro de Arte contemporânea. Esta edição do Escapist enumera também uma lista dos melhores restaurantes do mundo e em Lisboa surge o Gambrinus no lugar 37 de uma lista de 50. Numa nota  que enumera os cinco melhores sítios para petiscar fora de horas é apontado o Isco da Bica (Rua do Almada 29). A finalizar - vale a pena ler o especial sobre Palermo, um grande cidade, aqui muito bem observada. Saudades da Sicília, é o que é.


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VER - Hoje as minhas recomendações vão a norte. Começo por uma exposição de fotografia (na imagem), de Maria Leonardo . Chama-se “Mar, Terra e Outros Lugares” e está numa Guest House, a Miss’Opo, na Rua dos Caldeireiros 100, no Porto. A exposição, patente até 27 de Agosto, combina imagens feitas em Lisboa e Berlim e ainda uma ficção criada pelo ambiente da Isola Di Vulcano, na Sicília. Maria Leonardo mostra o que vê, e vê bem o que se passa à sua volta, com um filtro muito pessoal, sensível nas suas imagens, que lhe permite uma abordagem criativa da côr. Se não puderem ver a exposição no Porto vejam o site da autora, em cargocollective.com/MariaLeonardo. As vendas realizadas na exposição destinam-se a financiar a frequência da prestigiada Akademie der Bildenden Kunste, em Munique, no próximo ano. Já que estamos a norte sugiro que numa destas noites de quinta-feira se dirija ao Museu Nacional Soares dos Reis onde poderá ter uma visita guiada. O programa de verão do Museu, incluído no Porto Art Fest - que vai até 30 de Setembro -  está cheio de iniciativas como oficinas de azulejo ou de bijuteria e para ter informação sobre as numerosas actividades vale a pena consultar o site  www.museusoaresdosreis.pt. Finalmente, em Serralves, e para além dos desenhos do arquivo de Siza Vieira, destaque para a exposição de artistas convidados a pensarem, obras em função do espaço - a americana Trisha Donnelly explorou a arquitectura art déco da casa principal e a sua relação com o jardim, e o britânico Liam Gillick imaginou uma mostra, que se estende ao longo de um ano, em quatro momentos, intitulada Campanha.


 


OUVIR - Rolf Lislevand é um norueguês que se dedica a instrumentos clássicos e é um conceituado  intérprete criativo de guitarra e alaúde. Participou, com Jordi Savall, com quem tem extensa colaboração, na banda sonora do filme “Tous Les Matins du Monde”. O seu foco é a  música antiga e o seu mais recente disco, para a ECM, “La Mascarade”, vai buscar obras de dois compositores do século XVII, Robert de Visée e Francesco Corbetta. Lislevand improvisa na introdução a alguns temas e de uma forma geral toca neste disco como se estivesse num concerto para uma pequena plateia de amantes da música barroca, e da sua forma de tocar guitarra em particular. A produção, exemplar, esteve a cargo de Manfred Eisher, que adoptou a abordagem da “musica callada”, ou, se preferirem, da música que vive no silêncio - esse conceito tão raro e sem o qual não conseguiríamos entender nenhuma música. CD ECM New Series, na Amazon.


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PROVAR -  Com este calor o que apetece é um gelado. Mesmo fora do verão gosto de gelado à sobremesa, e então com estas temperaturas nem se fala. Um dia destes resolvi ir almoçar o meu bitoque preferido, que é o do Restaurante Roma, junto à Piscina da avenida com o mesmo nome. Já aqui o disse, a carne é de bom lombo, vem temperada com gosto e cozinhada no ponto, e as batatas fritas às rodelas finas, feitas na hora, são de chorar por mais. Resolvido o bitoque fui à porta ao lado, à Casa do Gelado e encontrei um inesperado gelado de physalis, um saboroso fruto, até aqui raro, e que começa a aparecer com maior frequência . Combinei-o com um gelado de chocolate puro. O resultado foi uma delícia. Ficou por experimentar o gelado de mirtilos e o de ananás dos Açores com gengibre. E também tem cassata… Casa do Gelado 1981 - Avenida de Roma 28, junto à piscina, ao lado do restaurante Roma, das 11 às 24h00.


 


DIXIT - “Pode e deve haver austeridade. Com sentido de obediência aos interesses nacionais. Não ao de outros interesses nacionais” - José Maltez


 


GOSTO - Desta afirmação de Carolina Patrocínio: “ter sido mandatária do PS é das poucas coisas de que me arrependo na vida”.


 


NÃO GOSTO - Da substituição de arbustos por calçada, como está previsto acontecer na Avenida D. João II, na Expo.


 


BACK TO BASICS - “O grande problema da vida dos políticos é que correm sempre o risco de ter o trabalho interrompido pelo resultado de eleições” - Will Rogers


 

julho 22, 2016

VACAS VOADORAS DERROTADAS POR POKÉMONS

MONSTRINHOS - Tudo indica que o primeiro-ministro passou das vacas voadoras para uma busca incessante atrás dos Pokémons. Onde quer que esteja só vê os pequenos monstros a saltarem por todo o lado à sua frente, e culpa-os de tudo o que lhe está a acontecer. Cada vez que Mário Centeno lhe aparece pela frente é como se estivesse a olhar para um Pokémon gigante. Sonha com monstrinhos na Caixa Geral de Depósitos e no Novo Banco. Cada vez que aterra em Bruxelas lá anda de telemóvel na mão a ver se descobre mais Pokémons nos corredores e, na recente visita de Hollande a Portugal, foi visto a olhar para o Presidente francês como se este tivesse algum Pikachu a sair-lhe do colarinho. Até em Belém, cada vez que lá entra, olha desconfiado para o ecrã do telemóvel a ver se por detrás de Marcelo não aparece nenhum Pokémon. Quando passa perto do Bloco de Esquerda ou do PCP fica desconfiado, a ver de onde lhe vai saltar um dos pequenos monstros. Na Assembleia da República nem se fala - mandou os seus assessores andarem de telemóvel no meio do hemiciclo a ver se descobrem qual a influência que os Pokémon tiveram na rejeição de Correia de Campos para o Conselho Económico e Social. E segundo os relatos surgidos a público através de vários Pokémons, numa recente reunião com parlamentares socialistas, mostrou-se desiludido, preocupado e houve até quem tivesse pensado que estava a preparar o caminho para eleições antecipadas. Quer-me parecer que a geringonça vai deixar de ser rebocada por vacas voadoras, e que em vez delas estarão Pokémons a fazer das suas...


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SEMANADA - A atividade económica em Portugal abrandou dois meses consecutivos, em Abril e Maio, e um índice para Junho (sobre clima económico) aponta para uma estagnação - as conclusões são de um relatório do Instituto Nacional de Estatística; um estudo do INE sobre o panorama do acesso à cultura nos concelhos portugueses mostra que em 41% dos municípios não há salas de espetáculo e Lisboa concentra um quarto da oferta e 60% das receitas; o Orçamento de Estado de 2017  terá cortes nas áreas da saúde e educação; esta semana um porta-voz dos comunistas garantiu que o PCP não tenciona “fazer a cama” ao governo;  PCP manifestou descontentamento por não ter sido ouvido na negociação dos nomes para Tribunal Constitucional, ao contrário do que aconteceu com o Bloco de Esquerda; o nome de Correia de Campos foi chumbado pelos deputados para presidir ao Conselho Económico e Social;  o Governo anunciou que vai congelar os salários dos funcionários públicos no próximo ano; as Universidades aumentaram o número de vagas e os cursos com mais desemprego não cortaram lugares; na Assembleia da República há nove deputados da que nunca falaram nas 88 reuniões já realizadas da actual legislatura; as vítimas de abuso sexual fora do contexto familiar têm que pagar custas judiciais se avançarem com processo contra os agressores; Arnaldo Matos, que voltou a dirigir o MRPP, classificou o atentado de Nice como “um acto legítimo de guerra”.


 


ARCO DA VELHA - Uma pesquisa no site da RTP permite concluir que o Conselho Geral Independente não tem ali actividade divulgada desde o final do 1º semestre de 2015 - nem comunicados, nem actualizações de linhas de orientação estratégica, nem TDT, nem sequer relatórios sobre a sua actividade ou actas das reuniões.


 


 


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 FOLHEAR - Uma das mais fascinantes revistas que tive oportunidade de folhear nos últimos tempos chama-se “amuseum” e é dedicada a mostrar objectos, enquadrando-os em artigos sobre cultura, arte, design, ciência e História. Editada em Londres, começou a sua vida em 2014 e vai no terceiro número. É obra de Dan Stafford, que a concebeu editorialmente e do ponto de vista gráfico - numa rara e bem sucedida combinação que abarca todo o processo editorial. A revista cruza textos com fotografias, ilustrações e banda desenhada. Tem um sentido de humor particular que se nota por exemplo na apresentação de Spielberg : “o mestre do suspense que colocou um tubarão na imaginação dos amantes de praia de todo o mundo” ou na secção objectos acabados, onde uma cassette VHS se cruza com o esqueleto de um dinossauro. Este é um daqueles casos em que depois de uma primeira visita se volta uma e outra vez às mesmas páginas, descobrindo novos pormenores, novos pontos de interesse. O seu ritmo de edição, anual, acaba por ser um incentivo a que ela seja guardada como o objecto de colecção, que de facto é. Mais informações em http://www.amuseummag.com .


 


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VER - Um céu, pintado no tecto de uma Igreja, foi o último projecto de Michael Biberstein, um pintor de naturalidade suíça radicado em Portugal durante cerca de três décadas e que faleceu subitamente em 2013 sem ter conseguido executar a sua ideia na Igreja de Santa Isabel. A viúva do artista, Ana Nobre Gusmão, o pároco da igreja,  José Manuel Pereira de Almeida, e várias entidades que asseguraram o financiamento da obra, deram vida à ideia e “o céu de Mike” foi inaugurado esta semana. A maquete ‘Um Céu para Santa Isabel’ foi apresentada pela primeira vez na galeria Appleton Square, no âmbito da Trienal de Arquitetura de 2010 e o “interesse” que o projeto despertou motivou angariação de fundos para a sua realização. Michael Biberstein faleceu a “escassos meses” de começar a pintura mas o pároco de Santa Isabel revelou que a sua viúva e todas as pessoas envolvidas resolveram continuar o projeto e estabeleceram que o tecto deveria ser pintado como surgia no original da maquete. “Como uma pedra preciosa guardada dentro de uma caixa escura com uma sombria tampa cinzenta” - foi assim que Michael Biberstein descreveu a igreja de Santa Isabel, sublinhando que a luz que entrava pelas janelas era absorvida pelo tecto preto-mate então existente, “o que visualmente torna o espaço muito pesado, impedindo-o de respirar e desenvolver visualmente o volume desejado”. No texto, disponível no blogue Um Céu para Santa Isabel, Biberstein propunha-se substituir “o sufocante manto cinzento por um céu aberto”, tornando-o mais acolhedor, forte e apelativo à meditação. O Céu de Santa Isabel está agora à disposição de todos.


 


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OUVIR - Se Frank Zappa fosse vivo aposto que gostaria de se candidatar contra Donald Trump só para marcar presença e dizer o que iria na alma. Zappa morreu no fim de 1993 e foi um dos mais fascinantes e influentes músicos norte-americanos nas décadas de 60 e 70, cruzando géneros e abrindo novos caminhos. Combinava uma invulgar capacidade musical - como compositor, executante e produtor - com um humor avassalador e um olhar atento e cáustico sobre a sociedade norte-americana. Ele, e os seus Mothers Of Invention, nunca foram muito populares mas marcaram uma época com discos como “200 Motels”, “Freak Out”, “We’re Only In It For The Money”, “Apostrophe”, “Hot Rats” ou “Chunga’s Revenge” entre tantos outros. Os seus herdeiros chegaram recentemente a acordo com a Universal Music e, muito adequadamente, neste ano de eleições norte-americanas, saíram agora em simultâneo (e já estão disponíveis em Portugal), dois álbuns feitos a partir dos arquivos de gravações não editadas de Frank Zappa. “Frank Zappa For President” retoma a ironia que o caracterizava e agrupa versões inéditas de temas conhecidos, gravações ao vivo e algumas remisturas. É Zappa no seu melhor, ele próprio a tocar o seu synclavier. Vale a pena ouvir “ If I Was President” e a  “Overture To Uncle Sam” permite perceber como maestros como Pierre Boulez se apaixonaram pela musica de Zappa e a gravaram. Em simultâneo a Universal lançou também “The Crux Of The Bisquit”, apresentado como um documentário audio, e que foi feito para celebrar o 40º aniversário da edição do álbum “Apostrophe”. Contém versões inéditas, gravações alternativas de alguns temas, até excertos de uma entrevista,  e recupera o primeiro alinhamento para o álbum que viria a ser um dos raros sucessos comerciais de Zappa - com participações de músicos como Jean Luc Ponty, Jack Bruce  ou George Duke, entre outros. Frank Zappa, “For President” e “ The Crux Of The Bisquit”, edições Universal disponíveis em CD.


 


PROVAR -  A casa abre só ao fim da tarde e depois fica a funcionar até à meia noite. Começa com petiscos e depois passa para jantar. Tem carta curta, ideal para quem não gosta de ter muita escolhe ou não gosta de ficar indeciso. Os pratos principais são um naco de atum ou um naco de carne angus. Volta e meia há um prato extra, tipo sugestão do dia, fora da lista, como um naco de espadarte ou um chuletón. O local que assim funciona chama-se Boca Café, e fica na Rua de S. Bento. Nas entradas e petiscos destaque para umas tortitas de miolo de sapateira com jalapeños e uma rica e variada salada vietnamita. Para coisas mais substanciais há o naco do mar - atum grelhado com maionese de lima e mostarda tradicional e o naco da terra, black angus grelhado com redução de balsâmico e mostarda. Em alternativa há pregos de atum e de angus, muito bem temperados, em pão de forno de lenha, acompanhados por umas deliciosas com batatas partidas com salsa brava. Nos acompanhamentos, além destas batatas, há espargos verdes e um curioso puré de boletos selvagens com tomilho. Nas sobremesas há um bem conseguido  gelado de chocolate belga, espuma de cacau e avelãs chamado Choco Duo. Para a próxima experimento o creme brulée com poejo. A lista de vinhos não é extensa mas tem boas propostas, embora precise de ser mais comedida nos preços propostos. Há vinho a copo e a imperial, bem tirada, é da cerveja espanhola Estrela Damm. O serviço é muito simpático e atencioso. A decoração é simples e confortável, um longo corredor que culmina numa sala e no bar Tudo fica ainda mais atraente nestas noites quentes com um pátio entre prédios, espaçoso, onde está uma esplanada sempre muito concorrida Nas paredes há obras de Sebastião Lobo, baseadas no nome do restaurante: Boca. Rua de S Bento 33, telefone 969 706 422, aberto das 19 à meia noite, fecha às segundas.


 


DIXIT - "Não faz sentido estar a gastar dinheiro na recuperação de símbolos do passado” - José Sá Fernandes, vereador em Lisboa.


 


GOSTO - O próximo livro da saga Harry Potter vai ter apresentação mundial na livraria Lello, do Porto.


 


NÃO GOSTO - Da afirmação de Simonetta Luz Afonso sobre a Praça do Império: “Os brasões não fazem falta nenhuma no jardim”.


 


BACK TO BASICS - A Europa não é mais do que uma expressão geográfica - Otto von Bismarck