maio 20, 2016

ALFACINHAS, REVOLTEM-SE!

ALFACINHAS! - Como qualquer lisboeta já percebeu começaram os preparativos para as eleições autárquicas do próximo ano. Fernando Medina tem-se desdobrado em entrevistas, relativamente sem novidades, mais ao estilo de auto-propaganda. Ao mesmo tempo transformou a cidade num alvoroço permanente. Lisboa parece ter sido vítima de um bombardeamento, com ruas esventradas e pavimentos destruídos. Nós, alfacinhas, estamos entre a balbúrdia da falta de regulamentação da invasão turística que enche os cofres à Câmara e vai criando problemas no tecido social da cidade, e o caos cirurgicamente criado. É curioso notar como alguns dos apoiantes de Medina protestam contra o facto de, no Brasil, o cargo de Presidente ser ocupado por quem não foi eleito para a função, mas não querem nem pensar que Fernando Medina ocupa a Presidência da Câmara Municipal da capital portuguesa sem ter sido eleito para tal posto. Dou comigo a pensar, todas as manhãs, que está para nascer o dia em que a parelha Salgado/Medina tome uma medida que não seja para dificultar a vida aos contribuintes lisboetas que têm o descaramento e o desplante de quererem usar viatura própria na cidade onde vivem e pagam impostos, entre os quais o de circulação. Continuo a pensar que existe uma obrigação de quem colecta impostos para com quem os paga e não me parece que a boa noção dessa obrigação seja infernizar a vida aos residentes. Na realidade não reivindico nenhum benefício - apenas desejaria não ser prejudicado. Nada mais que isso. Tenho para mim que estas enormes obras, do ponto de vista de projecto, planeamento e prazo vão dar certamente pano para muitas mangas - confio que o jornalismo de investigação averigue bem como as coisas têm sido combinadas, ajustadas e contratadas, porque já se viu que não são os partidos na Assembleia Municipal que o irão fazer.


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SEMANADA - Segundo o Tribunal Constitucional os dois partidos com maiores anomalias nas suas contas relativas a 2011, agora analisadas, são o PS e o PCP; o Conselho de Finanças Públicas alertou para o facto de existirem 2,1 mil milhões de euros no Plano de Estabilidade 2016-2020, apresentado pelo Governo, que não se sabe de onde vêm nem o que são; Bruxelas exigiu medidas adicionais no valor de 730 milhões de euros para reduzir o défice; Mariana Mortágua recusou mais medidas de austeridade; António Costa, no regresso de Bruxelas, disse não encarar a necessidade de medidas adicionais; a balança de viagens e turismo disparou nos primeiros três meses do ano, mas não foi suficiente para evitar uma degradação da balança de bens e serviços face a 2015;  de um excedente de quase 300 milhões de euros, Portugal passou a ter um défice superior a 100 milhões; em 2015 cerca de 132 mil famílias portuguesas disseram à Banca que não conseguiam pagar as prestações da casa; o Ministério da Economia decidiu descer em 12 cêntimos o preço do  gasóleo para camiões quando percebeu que essa era a única forma de animar o patriotismo que reivindicou para evitar que os camionistas abastecessem em Espanha; nos últimos dois anos emigraram 869 médicos; numa Comissão da Assembleia da República houve deputados que consideraram adequado exigir a um Director de Informação que revelasse as fontes de uma notícia;  a bancada parlamentar do PCP uniu-se às do PSD e CDS no hemiciclo e chumbou o projeto de lei do Bloco de Esquerda contra o uso do herbicida glifosato; o PCP fechou a porta a “geringonças locais” nas próximas autárquicas, desejadas pelo PS e Bloco de Esquerda.


 


ARCO DA VELHA - O vice presidente do parlamento europeu, o italiano Antonio Tajani, foi alvo de uma tentativa de agressão do deputado venezuelano Dario Vivas na Assembleia da República, em Lisboa, por ter dito que “na Venezuela falta democracia”, no decorrer de uma reunião internacional acolhida pelo parlamento português.


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FOLHEAR - A revista “Egoísta” leva 16 anos de vida e mais de 70 prémios no activo. É uma publicação única, na inovação gráfica, na abordagem dos temas, na conjugação de colaborações. É um trabalho apenas possível graças à persistência de Mário Assis Ferreira e da Estoril Sol, e também da equipa editorial que Patrícia Reis reuniu ao longo de todos estes anos. Este número 57 da “Egoísta”, o mais recente, tem por tema a traição, e por consequência a lealdade. Gosto da pequena história “Uma Questão de Honra” , de Mia Couto, dos “4 contos pueris” de Patrícia Reis e das sempre fascinantes ilustrações de Rodrigo Saiais, das fotografias  de James Molison e das de Laura Stevens, e sobretudo do extraordinário ensaio  de Yvette Centeno sobre traição e atracção na obra de Wagner e dos postais ilustrados de Pedro Proença. Cabe ainda aqui dizer que foi na “Egoísta” que Pedro Cláudio, que nos deixou recentemente, publicou alguns dos seus melhores trabalhos fotográficos - porque a “Egoísta” tem sempre sabido ver o que muitos outros não querem conhecer.


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VER - Muitas exposições para esta semana. Começo pela apresentação dos trabalhos dos finalistas do Prémio Novo Banco Photo  - Pauliana Valente Pimentel, Mónica de Miranda e Felix Mula, talvez a mais equilibrada e interessante selecção dos últimos anos. Está no Museu Berardo até 2 de Outubro. Sugiro também uma visita à Underdogs ( Rua Fernando Palha 26), onde está a exposição “A Pedra e o Charco” de André da Loba. No dia 20 de Maio abre mais uma edição da Mostra, como sempre organizada por Patrícia Pires de Lima e que reúne obras de 98 artistas, de 20 a 29 de Maio, no Edifício Vasco da Gama, em Alcântara - detalhes em http://www.mostra-online.com Mas o destaque da semana vai para a exposição de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira, Arthur Luiz Piza, “contenção, dispersão”, que ficará na Galeria Baginski até 10 de Setembro (na imagem) . Piza, que vive e trabalha em Paris, está representado nas colecções de museus como o MOMA, Guggenhein, Victoria & Albert, Art Institute of Chicago e Museu de Arte Moderna de São Paulo, para só citar alguns. A Baginski fica na Rua Capitão Leitão 51, no Beato. Já agora duas sugestões se alguém passar por Londres no fim de semana - a London Photo, que vai ganhando importância de ano para ano e que este ano destaca o trabalho de e DonMcCullin; e na Saatchi Gallery, mesmo junto a Sloane Square, “Exhibitionism” a primeira exposição sobre a obra dos Rolling Stones, com mais de 500 peças que evocam a carreira da banda, e que ficará até 4 de Setembro.


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OUVIR - Há cinquenta anos dois discos mudavam a história da música popular - “Pet Sounds”, dos Beach Boys, uma obra essencialmente criada pelo genial Brian Wilson e “Blonde On Blonde”, o álbum que revolucionou a carreira de Bob Dylan. Ambos continuam ainda hoje entre os expoentes dos respectivos autores. Musicalmente são muito diferentes, mas ambos significaram, há exactamente meio século, pontos de ruptura que marcaram musicalmente uma geração. Lembrei-me que, ao evocar estes discos, é oportuno falar de um outro nome que anos mais tarde reinventou a produção da música popular - Brian Eno, O seu novo álbum, “The Ship”, é claramente um dos seus melhores trabalhos de sempre a solo. Quer nos momentos mais ambientais, quer nos segmentos cantados (ou entoados, atrevo-me a dizer quase numa reinvenção da pop), estão entre aquilo que de melhor se pode ouvir hoje em dia, longe do mainstream de rhythm’n’blues e seus derivados que vão soando monotonamente assépticos. Ouvir este “The Ship” é um desafio fascinante que Brian Eno propõe, ao misturar tempos e mundos diferentes. Como os três álbuns aqui referidos estão disponíveis na Apple Music, recomendo-vos a sua audição, em momentos diferentes. Garanto-vos que não se arrependerão. Daqui a uns anos se verá o lugar que “The Ship” ocupa na História da música.


 


PROVAR - Andava há uns tempos a ouvir falar de um restaurante dedicado ao mar, que se tinha instalado há uns meses na Duque de Ávila, no local onde em tempos existiu uma coisa italiana sem grande graça. Pois tenho a dizer que o seu substituto, Rabo d’Pêxe (uma homenagem aos Açores de onde vem grande parte da matéria prima) é local digno de uma visita. Além da sala, há uma esplanada num pátio interior, bem simpática nestes dias. A ementa é composta por peixe fresco ou por petiscos variados - desde um prego de atum até um inesperado novilho com lingueirão à Bulhão Pato. Filipe Rodrigues, o ex-chefe do Sea Me, é quem orienta, bem, as operações. A ementa dos petiscos de peixe, carne e marisco é para mim a mais atraente - embora também haja uma carta de sushi de fusão que tem algum êxito. Mas não é o sushi que ali me levará, mas sim ideias simples como cavala fumada sobre carpaccio de courgette temperado com azeite ou uns troços de pota negros (onde o tradicional polme dourado de farinha e ovo é colorido com tinta de choco), acompanhados de milho frito e molho de soja temperado a limão. Ou ainda as vieiras e as gambas em tempura com amêndoa laminada. Os meus petiscos foram acompanhados, por sugestão da casa, por um surpreendente branco de Colares, o Casal de Santa Maria Sauvignon branco. O serviço é absolutamente exemplar. Rabo d’Pêxe, Avenida Duque de Ávila 42 B, entre 5 de Outubro e a Avenida da Republica. Telefone  213 141 605.


 


DIXIT - “Já escusa de jogar às escondidas e pode dizer-nos, aqui em frente aos senhores deputados Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, qual é esta verdade de austeridade à la esquerda” - Assunção Cristas, dirigindo-se a António Costa num debate parlamentar.


 


GOSTO - A Orquestra de Jazz de Matosinhos vai actuar num dos mais prestigiados clubes de jazz mundiais, o Blue Note, em Nova York.


 


NÃO GOSTO - A inspecção do Ministério da Educação não pode fiscalizar colégios militares


 


BACK TO BASICS - “É difícil governar com pessoas que acham que sabem tudo”- Lao Tzu


 


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maio 13, 2016

SOBRE A UTILIDADE DE TER MARIONETAS NO GOVERNO

MARIONETA - Tiago Brandão Rodrigues entrou no Ministério da Educação com a delicadeza de um elefante abanando-se numa loja de porcelana. E levava um programa claro: tirar preocupações pedagógicas da acção do ministério e voltar a posicioná-lo na esfera sindical dos professores.  É isso que tem feito, como se tem visto nos meses que leva do cargo. Na realidade tudo se passa como se o Ministro da Educação se chamasse Mário Nogueira, o líder da Fenprof, que, neste Governo, ganhou de novo protagonismo e prosápia. O Ministério que Mário Nogueira voltou a comandar recuou nos sistemas de avaliação de professores e, com o ano lectivo já iniciado, tomou decisões mal explicadas sobre o fim dos exames do 4º e 6º ano. Em tão pouco tempo fez tanta coisa polémica, e muita incompreensível, que o seu secretário de Estado, João Wengorovius,  se demitiu em “profundo desacordo” com o ministro, não só em relação à política do ministério como “ao modo de estar no exercício de cargos públicos”.  A audição de Tiago Brandão Rodrigues esta semana, no Parlamento, foi um exercício de ilusionismo e de desonestidade intelectual e mostrou como ele não passa de uma marioneta nas mãos dos dirigentes da Fenprof. A recente questão das subvenções ao ensino privado - mal explicadas, mal planeadas, mal anunciadas e de duvidosa eficácia, mais não é que uma birra ideológica e um pretexto para alargar a influência sindical, através do aumento do peso do Estado do sector. A base parlamentar do Governo bem pode enrouquecer a dizer que o problema é o dinheiro, mas é por demais evidente que a decisão de cortar fundos ao ensino privado não tem a ver com finanças públicas mas sim com ideologia pura e dura. Para cúmulo do disfarce mal se compreende que um Governo que anunciou querer subsidiar os taxistas em 17 milhões de euros venha agora dizer que é contra subsídios a privados, ainda por cima em matéria de ensino.


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 SEMANADA - O Governo vai distribuir mil milhões de financiamentos pelas Câmaras Municipais de todo o país antes das autárquicas do próximo ano; as necessidades de financiamento da Grécia a médio prazo são menores que as portuguesas; as exportações de mercadorias recuaram 2% no primeiro trimestre deste ano face a 2015, devido sobretudo à quebra de vendas para Angola e China; mais de um terço dos trabalhadores contratados em 2016 recebem o salário mínimo; no final de Março havia 640.200 pessoas desempregadas e o primeiro trimestre do ano fechou com o desemprego a subir para 12,4%; ao fazer o balanço dos primeiros seis meses do Governo, o Bloco de Esquerda anunciou que deseja mais conquistas no próximo semestre; nos primeiros três meses do ano os pagamentos feitos com cartões aumentaram 8% ; ao todo são pagos com cartões 80 milhões de euros por dia, um aumento de 6% relativamente a 2015; Portugal é o quinto país com o mais elevado indíce de envelhecimento da Europa; em Portugal a pneumonia mata sete vezes mais que os acidentes de viação; um quinto dos remédios não sujeitos a receita médica já é vendido fora de farmácias; Lisboa vai ter um coordenador para gerir a vida nocturna; não está anunciado nenhum coordenador para gerir o caos das obras com ruas transformadas em parque de estacionamento de maquinaria pesada a partir das seis da tarde dos dias úteis e aos fins de semana;  o Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, não se opôs à reintrodução da caça na Serra da Malcata, onde estava interdita há cerca de duas décadas, voltando a desequilibrar o sistema ecológico e a fauna que ali foram recuperados, com custos elevados, nos últimos anos; efeitos das mudanças no mundo e da má imagem dos taxistas: Noddy, o boneco infantil, mudou de profissão  -  agora já não é taxista, é detective.


 


ARCO DA VELHA - Numa época em que quase toda a gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel que leva no bolso causa espanto não ter ainda aparecido uma única foto do tal aperto de mão entre Sócrates e Costa na inauguração do túnel do Marão.


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FOLHEAR - Nem todas as editoras, nem todos os editores se atreveriam a esta empreitada - fazer de seguida edições especiais, graficamente muito cuidadas, de três livros que marcaram a História recente da humanidade: o “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels (1872), “Mein Kampf” de Adolf Hitler (1925) e “O Pequeno Livro Vermelho” de Mao Tse Tung (1964). Produzidos em épocas diferentes, em situações muito diversas, cada um dos três livros desencadeou movimentos que marcaram o curso da História. A Guerra & Paz, porventura a mais criativa e interveniente das editoras portuguesas actuais, colocou estes livros nos escaparates ao longo dos últimos meses. Cada um deles é precedido de um  texto de enquadramento, da autoria de Manuel S. Fonseca, que fundou e dirige a Guerra & Paz. Estes textos ajudam a pôr as obras em perspectiva e a enquadrá-las no tempo. Estão cheios de referências históricas e de citações de outros autores que se debruçaram sobre estas obras e as suas consequências e são acompanhadas por ilustrações que ajudam a visualizar as épocas em que foram feitos. O texto introdutório do “ Manifesto Comunista” chama-se “Visão Heróico-Trágica da Revolução”, o de “Mein Kampf” leva o título de “Ascensão, poder e crime do Nazismo” e o que acompanha ’”O Pequeno Livro Vermelho” chama-se “Violência, Fome e Reeducação na China de Mao”.


 


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OUVIR - Não deixa de ser curioso que os Radiohead, que ao longo dos anos se têm dedicado à utilização de novas possibilidades trazidas pela tecnologias na composição, interpretação e divulgação da música, tenham decidido, dias antes do lançamento do seu novo álbum, proceder a um apagão momentâneo de todo o seu rasto mais visível na internet. É como se tivessem querido passar uma esponja no passado para depois aparecerem com este “A Moon Shaped Pool”, que está a ser considerado como um dos seus melhores trabalhos de sempre. Mais ainda, “A Moon Shaped Pool”, não desprezando a tecnologia na criatividade nem na divulgação (por enquanto e por mais uns dias continua apenas disponível online), é um trabalho que na sua composição, arranjos e interpretação parte de uma sólida base acústica, vocal e instrumental, com orquestrações complexas. O Guardian fazia notar, penso que com razão, que neste tempo em que a maioria da nova música realmente interessante vem dos territórios do Rhythm ‘n’ Blues e do hip hop - e não do rock - os Radiohead são a excepção que se destaca, mostrando que mantêm a capacidade de surpreenderem e que têm coisas para dizer que merecem ser escutadas e analisadas - desde logo na faixa de abertura “Burn The Witch”. De uma forma geral a voz de Thom Yorke e as orquestrações que Jonny Greenwood concebeu combinam de uma forma rara em termos da música popular. Temas como “Decks Dark” e “Present Tense” mostram exemplarmente isto mesmo. E na inesperada "Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief” a voz de Yorke e o lado tecnológico que pratica enquanto DJ, combinam-se com o imaginário das bandas sonoras que tornaram Greenwood famoso. Mas para mim o grande tema do álbum é “Glass Eyes”, uma canção viciante onde a voz de Yorke se mistura com uma secção de cordas envolvente, num exercício de sensibilidade e simplicidade muito raros. (o álbum foi ouvido em Apple Music)


 


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VER - Se querem descobrir o que por cá se passa na arte contemporânea comecem a pensar em frequentar regularmente algumas galerias. Nessa matéria, o destaque da semana vai para a dupla exposição da galeria Belo-Galsterer, inaugurada esta semana (Rua Castilho 71 r/c). Pedro Sousa Vieira apresenta  “Sleeping Beauty”, a sua segunda exposição individual nesta galeria, agora  com obras feitas expressamente a pensar no espaço, a partir de técnicas de colagem digital e conjugação de suportes multimedia. Pedro Sousa Vieira, que vive e trabalha no Porto e tem uma carreira de quase trinta anos, recebeu em 2015 o prémio Amadeo de  Souza-Cardoso. A segunda exposição é “Solo Project”, do fotógrafo moçambicano Mário Macilau, que apresenta uma única obra (na imagem), destacada da série “Out of Town” , um trabalho que documenta a vida do dia-a-dia das comunidades rurais do Burundu (Quénia) e de Moçambique. Mário Macilau, que vive e trabalha a partir de Moçambique, esteve presente na 56ª Bienal de Veneza, no Pavilhão do Vaticano. Estas duas exposições estarão na Galeria Belo-Galsterer até 30 de Julho. Outros destaques para esta semana: a exposição “Intimidade”, de Luísa Ferreira, na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C), um belo ensaio fotográfico publicado no número 3 da Granta Portugal; e, a  terminar, noutro registo, a exposição de cerâmicas de Julio Pomar, sob o título “Decorativo, Apenas”, na Casa Museu Julio Pomar, Rua do Vale nº7 ao Bairro Alto.


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PROVAR -  Um dos pratos que gosto de fazer é combinar uma massa, de preferência farfalle, com salmão fumado . Depois da massa cozida e escorrida, junto-lhe o salmão cortado às farripas largas, após ter sido bem temperado e marinado em endro, sumo de limão e um pouco de vinho branco; vou misturando na massa e adiciono uma lata de filetes de anchova de boa qualidade convenientemente escorridos e cortados e uma colher de sopa de alcaparras; eu gosto de acrescentar queijo philadelphia aos pedaços pequenos, por forma a dissolverem-se na mistura - com a eventual ajuda de um pouco da água de cozedura da massa (que convém sempre reservar) para que tudo fique bem ligado. No fim tempera-se com pimenta e, na minha opinião, acompanha-se com um bom vinho rosé. Este ano estou a gostar muito do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito a partir de uvas 100% da casta Syrah, oriundas de  uma parcela da vinha que só produz uvas para rosé, colhidas à mão e com estágio de cinco meses em cubas inox. É fresco e liga muito bem com estes pratos mais estivais. À venda por cerca de 7 euros.


 


DIXIT - “O que foi Sócrates fazer ao Marão? Mostrar que, se quiser, e se a justiça não o importunar muito, pode alterar o xadrez da política nacional” - Helena de Matos no Observador.


 


GOSTO - Por iniciativa do Centro Nacional de Cultura o Chiado volta a estar em festa entre 14 e 21 de Maio com dezenas de actividades - ver programação em www.cnc.pt


 


NÃO GOSTO - O PAN  quer que se comece a discutir em tribunal  quem é que fica com o cão e o gato em caso de divórcio.


 


BACK TO BASICS - Se é certo que o saber pode causar problemas, ainda é mais certo que não é com a ignorância que os podemos resolver - Isaac Asimov

maio 06, 2016

SOBRE A LIGAÇÃO ENTRE OS TAXIS E A POLÍTICA

CARRINHOS - Políticos, de várias origens partidárias, têm o hábito de fazer sempre promessas aos taxistas e suas associações - alguns políticos têm receio que os taxistas façam campanha contra eles nas conversas com os seus passageiros. Acontece que muitos passageiros não querem conversa e se aborrecem com os taxistas por todas as razões que se conhecem; acontece ainda que desde que existe alternativa as pessoas têm também naturalmente menos paciência para muitas atitudes. Alguns políticos gostam de pensar que os taxistas lhes podem dar uma boa boleia, mas poderiam também pensar que, ao fazerem a vontade aos taxistas, estão a desagradar a cada vez mais gente. Na semana passada Medina & Moreira fizeram tristes figuras nas manifestações promovidas pelos taxistas, as quais aliás tiveram mobilização inferior à esperada. O que é mais engraçado é constatar, como se vem tornando perceptível, que existem empresários que são proprietários de firmas de táxis e que são também proprietários de firmas que operam com a Uber - esta é uma novidade curiosa e muito real. Parece que alguns empresários do ramo do transporte já perceberam que o melhor é estarem, literalmente, nos dois carrinhos e verem como funciona a velha lei da oferta e da procura. Alguns políticos, infelizmente, ainda estão noutro mundo. E prestes a cair do carrinho em que têm andado.


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SEMANADA - A Comissão Europeia não acredita no défice estrutural prometido por dois terços dos países; uma sondagem da Marktest revelou que apenas um em cada sete portugueses sabe quantos países tem a União Europeia;  a Comissão Europeia calcula que o saldo orçamental de Portugal vai ficar 900 milhões de euros abaixo do previsto pelo Governo; Portugal perdeu 15 mil milhões de euros em investimento em seis anos de crise e só vai recuperar um quinto até 2017; a greve dos estivadores está a provocar prejuízos de 300 mil euros por dia:  a CGTP anunciou uma série de greves e manifestações de 16 a 20 de Maio;  o concurso extraordinário para a colocação de professores teve 47 mil candidaturas para 100 vagas; um estudo da  Marktest indica que cerca de 4,4 milhões de portugueses consomem em casa café em cápsulas ou pastilhas; as obras entre o Marquês do Pombal e Entrecampos já começaram, estão previstas durar nove meses se não existirem atrasos - atrasos que já são grandes em outras obras que decorrem em vários pontos da cidade, como em Campolide, onde o prazo já mais que duplicou; Silva Pereira, braço direito de Sócrates no Governo e no PS, é o redactor da moção que António Costa apresentará na sua recandidatura a secretário Geral do PS; Sónia Sanfona, uma segurista, desistiu de liderar as mulheres do PS, queixando-se de ser alvo de pressões internas; em quatro meses já há 273 novos dirigentes no Estado nomeados sem concurso;  o consumo da pílula do dia seguinte aumentou 30% em três anos.


 


ARCO DA VELHA - Uma carteirista do Porto, com 85 anos, foi detida em flagrante a furtar outra idosa; há um ano já tinha sido detida quando roubava uma carteira a uma senhora de 92 anos. Apesar da idade, dizem os relatos, continua com jeito de mãos.


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FOLHEAR - No ano em que foi publicado “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, provocou polémica e criou embaraços ao seu autor - que chegou a ser interrogado em tribunal sobre a obra. Inicialmente foi publicado como uma folhetim na revista Lippincott’s Monthly Magazine, a partir de Julho de 1980. Nessa primeira publicação, sem que Wilde soubesse, foram cortadas várias partes do original. Apesar dos cortes “O Retrato de Dorian Gray” ofendeu a sensibilidade dos guardiões do templo e dos bons costumes. Wilde defendeu-se publicamente e alimentou polémicas na imprensa com os seus detractores. Em 1891 garantiu uma edição integral, que incluía um prefácio que se tornou famoso como texto de crítica social e cultural - e desse prefácio são as frases  “O artista é um criador de coisas belas” e “Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo de toda a arte”, que funciona como subtítulo à edição que a “Guerra & Paz” agora lançou, na sua colecção de clássicos. “O Retrato de Dorian Gray” é o romance que retrata a relação de um pintor, Basil Hallward, com o seu retratado, Dorian Gray, um jovem que o artista considera perturbantemente belo. O pintor apresenta-o a Lord Henry Wotton, um hedonista que transporta o jovem Dorian ao seu mundo - o que lhe permite viver experiências e relacionamentos que nunca tinha pensado conhecer. Dorian Gray, preocupado com a possibilidade de perder a sua beleza com o passar do tempo, faz um pacto radical - será o quadro pintado por Hallward a envelhecer, em vez do seu corpo. O resto - o romance filosófico da sua vida e experiências - é o que poderá ler nesta excelente tradução de Rui Santana Brito. Esta edição da “Guerra & Paz” inclui ainda a transcrição do interrogatório a que Oscar Wilde foi sujeito em tribunal e que é só por si um manifesto.


 


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VER - Recentemente a EGEAC, uma empresa da CML que tem vindo a engordar atribuições, funções e pessoal, concentrou em si mais alguns equipamentos. Alexandre Pomar, crítico de artes plásticas e (bom)  opinador regular na área das políticas culturais, tem-se debruçado, no seu Facebook, sobre os problemas que esta concentração de poderes na EGEAC representa e, sobretudo nas galerias de arte na órbita da EGEAC, as quais estão sob direcção de João Mourão, que tem também interesses numa galeria privada, a Kunsthalle Lissabon, a que continua ligado. Aqui ficam as palavras de Alexandre Pomar, constatando o crescimento de uma rede de galerias de arte da CML/EGEAC que concorrem de forma desigual (desleal) com as galerias comerciais e associativas, conjugando-se com algumas delas e ignorando outras, condicionando desse modo o mercado da arte (nos seus sectores museológico, instituciomal-fundacional e particular - todos eles actuam no mesmo mercado global). As galerias municipais (se devem existir) não devem focar a sua acção na chamada arte contemporânea, mas sim diversificar as suas áreas de actuação, mostrando artistas desconhecidos e consagrados, actuais e antigos, profissionais e amadores, insider e outsider, etc, e em especial cobrindo outras áreas não frequentadas pelo comércio galerístico - devem ter diferentes responsáveis e não um controleiro único (...) O crescimento da rede de galerias institucionais (museus, fundações e CML, com o seu mercado institucional) é um factor de fragilização do mercado galerístico, excepto nos casos pontuais em que se criam vínculos directos entre instituições e algumas galerias, que assim se tornam mais poderosas. Só num pequeno país periférico (e pindérico) onde a corrupção e o medo grassam associados, é possível esta lógica de centralização de poderes, escolhas e influências, num sistema em que a arte parece estimulada pelas entidades públicas mas que de facto se torna um sistema corporativo, centralista e arbitrário - e no final inútil, desacompanhado pelos públicos, descartável.” A sugestão da semana, para terminar, é a participação de Rui Chafes no ciclo “Não te faltará a distância” , comissariado por Paulo Pires do Vale, na Igreja de São Cristovão, com um conjunto de peças denominado “Ascenção”, de onde é retirada a imagem aqui reproduzida. Até 1 de Junho.


 


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OUVIR - Em quase três décadas Andrew Bird fez apenas três álbuns de originais - o mais recente foi publicado há semanas e chama-se “Are You Serious”. Mas neste tempo participou em quase duas dezenas de discos e estabeleceu uma sólida reputação de compositor e intérprete de temas alheios. Bird é um multi-instrumentista que gosta de alternar entre a guitarra e o violino e entre a voz e o assobio - e o seu assobio, acreditem, é coisa digna de se ouvir. Em “Are You Serious” há  participações vocais de Fiona Apple e de Moses Sumney - este último tem em comum com Bird o apreço que Sufjan Stevens nutre por ambos. Em todo o disco há muito mérito também na guitarra de Blake Mills. Bird é um dos melhores exemplos da nova pop norte-americana, neste caso que nasce na intersecção entre a country e o rock. Andrew Bird nasceu em Chicago, tem colaborado em bandas sonoras como em “Orange Is The New Black” - com o tema “Pulaski”, de que existe uma versão neste novo álbum. Bom disco, grandes canções, produção sóbria. (CD Universal).


 


PROVAR -  Considero o pastel de massa tenra uma das melhores iguarias da cozinha tradicional portuguesa e, embora pareça coisa simples, é necessário que a massa seja perfeita, que o recheio seja cuidado e que a fritura seja primorosa: conjugar tudo isto não é nada fácil. Ao longo dos tempos vários pastéis de massa tenra ficaram famosos em Lisboa - em primeiro lugar os incontornáveis do Frutalmeidas; depois, mais tarde, os do Papa Açorda antigo (e dizem-me que sobrevivem bem no novo espaço do restaurante). Pelo meio, no Centro Comercial Roma, avenida do mesmo nome, apareceu um local que os comercializa mas nunca entrou verdadeiramente na primeira liga da massa tenra. E, os últimos são os primeiros, nunca me tinha dado para fazer esta escolha no Salsa & Coentros mas uma recente visita deixou-me conquistado. Trata-se do melhor pastel de massa tenra que provei nos últimos anos - tudo no ponto certo, massa estaladiça, fritura impecável, recheio saboroso e generoso. O acompanhamento aqui é um arroz de grelos, mas pode pedir legumes se pretender, ou mesmo salada. Nesta recente incursão nesse grande clássico da cozinha portuguesa que continua a ser o Salsa & Coentros os pastéis foram acompanhados por um tinto, Confidencial Santos Lima Reserva, que deu muito boa conta do recado. A casa, recordo, é famosa pelas suas empadas, desde as pequenas de galinha que são servidas de entrada, até às de perdiz ou de cozido de porco preto. Salsa & Coentros - Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade. Telef 218 410 990.


 


DIXIT - “A austeridade fez de Portugal um país com pouca gente e infeliz” - Manuela Ferreira Leite


 


GOSTO - Do manifesto “Reconfiguração da Banca em Portugal” que apela a que se tenha em conta a dimensão estratégica e não somente os aspectos financeiros de curto prazo.


 


NÃO GOSTO - Do condicionamento de informação desejado por deputados do PS por causa de uma peça de um Telejornal da RTP onde José Rodrigues dos Santos falou sobre a evolução da dívida pública.


 


BACK TO BASICS - “Os maiores avanços da civilização, seja na arquitectura ou nas artes plásticas, na ciência ou na literatura, na indústria ou na agricultura, nunca vieram de um governo centralizado” - Milton Friedman.

O DOMÍNIO DO CABO

Ao fim de dois meses de medições de audiências diferidas – que indicam quem viu os programas em sistemas de gravação digital das boxes dos operadores – é possível ver que é no conjunto dos canais de cabo que elas têm maior repercussão. Assim, e se tomarmos o exemplo da semana passada, a diferença entre o share de  audiências em tempo real e diferidas no conjunto de canais de cabo é de 3,6, na TVI é de 2,1, na SIC é de 1,6,  na RTP1 é de 1,1 e na RTP2 é de 0,1. É esta diferença significativa no universo do pay TV que faz com que nas últimas semanas o conjunto de canais de cabo esteja acima dos 40% de share – de facto na semana passada registou 41,1% , sendo que os canais que obtiveram melhor resultado foram, por esta ordem, a CMTV (que consolidou a sua posição como quarto canal mais visto), a SIC Notícias, a TVI24 e depois o Hollywood. A RTP3 continua a registar números muito fracos – não aparece no TOP 20 dos mais vistos e apenas na região de Lisboa tem alguma visibilidade – e mesmo assim apenas com 1% de share de audiência. Em termos de melhores programas de cada canal a TVI continua com “A Única Mulher”, a SIC estreou o top o programa “E Se Fosse Consigo”, o programa de Conceição Lino que apela à capacidade de intervenção das pessoas na defesa do outros,  e a RTP teve como programa mais visto a transmissão de um jogo da Liga dos Campeões, entre o Manchester e o Real Madrid.


 (Publicado na revista Sexta TV&Lazer do CM de 6 de Maio)


 

abril 29, 2016

SOBRE A APLICAÇÂO DE UM CONTO POLICIAL À POLÍTICA ACTUAL

MISTÉRIO - Terminei a semana passada a pensar que a frase “O Estranho Caso da Oposição Desaparecida” seria um bom ponto de partida para um policial de matiz política, passado no centro de Lisboa, ao redor de S. Bento. A verdade é que aquele que era suposto ser o partido líder da oposição, o PSD, está, sobre o PS e o Governo,  mais calado que Francisco Assis ou José Sócrates. A realidade é que o PSD só age quando é forçado a reagir - quando lá dentro alguém se sente incomodado pelo seu próprio silêncio, comparado com o ruído da oposição interna do PS ou o tacticismo eficaz do PP - que esta semana fez uma jogada de mestre ao obrigar o Programa de Estabilidade a ir a votos. Recordo que do lado do Governo e seus apoiantes tal votação era indesejada - e o PCP foi particularmente duro a dizer que não via necessidade em ir a votos, na mesma altura em que cinicamente formulava opinião negativa sobre esse mesmo Programa de Estabilidade. O Bloco, mais hábil nestas coisas que o PCP, deu a entender que não concordava mas foi-se esgueirando nos intervalos da chuva - até ser forçado a declarar o seu voto. Aquilo que a bancada do PP na Assembleia da República fez foi dar uma lição sobre os principios básicos da actuação parlamentar da oposição - colocando os aliados do governo a não ter outra alternativa que votar a favor daquilo que não gostam e remetendo para toda a esquerda o ónus de um Programa que é o reconhecimento de que as promessas eleitorais e as reivindicações de política económica da esquerda se revelaram um acto falhado. No fim de tudo isto vê-se que o Bloco, apesar dos esforços da deputada Mortágua, tem mais jeito a fazer propostas sobre a não discriminação de géneros do que a traçar rumos para o desenvolvimento do país.


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SEMANADA - A Presidente do Conselho das Finanças Públicas, Teodora Cardoso, declarou mais uma vez que as previsões do Governo são demasiado optimistas; o défice sobe a um ritmo de 1,2 milhões de euros por dia e atingiu 824 milhões no fim de Março; o Plano de Estabilidade assenta em mais 5,5 milhões cobrados em impostos; mais de dez mil milhões de euros saíram de Portugal para offshores nos últimos cinco anos; a poupança das famílias portuguesas está no nível mais baixo das últimas décadas; Lisboa, Porto, Sintra, Vila Nova de Gaia e Cascais são os cinco concelhos onde se concentra um quinto do poder de compra do Continente, segundo os dados do Sales Index da Marktest; no sector das obras públicas as adjudicações ficam em média em 21% do valor base e os construtores queixam-se de preços fictícios nos concursos; um terço das mais de sete mil queixas feitas em 2015 ao Provedor de Justiça foram contra o Instituto da Segurança Social e o Ministério das Finanças; o Governo falhou o prazo de fim de Abril para fechar o acordo com a TAP; nos últimos anos 400 padres deixaram o sacerdócio para casar; o Exército anunciou previamente as datas em que vai fazer inspecção ao Colégio Militar para averiguar se há discriminação sobre a orientação sexual dos alunos; a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária esteve seis meses sem processar as multas de trânsito; o PAN anunciou pretender que cães e gatos possam entrar em restaurantes e supermercados.


 


ARCO DA VELHA - Metade dos médicos de família reforma-se nos próximos dez anos e entretanto os centros de saúde querem contratar 700 médicos reformados para suprir as suas deficiências.


 


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FOLHEAR - Após alguns meses de edições insípidas a revista mensal “Monocle” voltou à sua melhor forma na edição do mês de Maio. O tema é aliciante, sobretudo vindo da revista que nos últimos anos mais se dedicou a analisar a vida nas cidades e a apresentar propostas para  a melhorar. Agora a “Monocle” olha à volta das grandes cidades e dedica-se a escolher exemplos de pequenas localidades onde viver é mais agradável, onde podem existir oportunidades de negócio e onde se pode trabalhar com menos stress e maior produtividade. “Aquilo que as pequenas vilas não têm em dimensão é compensado pelas oportunidades, as boas ideias e os bons planos para quem as escolhe” - escreve a revista. As melhores dessas vilas, prossegue a “Monocle”, têm um comboio perto que assegura uma viagem rápida e confortável até à cidade, criam emprego quer em start-ups tecnológicas em busca de baixo custo de instalação, quer através de indústrias e actividades tradicionais resultado da iniciativa própria de jovens empreendedores, têm uma vida animada todo  ano sem a pressão sazonal de turistas, dispõem de infraestruturas para a prática desportiva e espaços verdes abundantes e têm uma proximidade efectiva aos eleitos que decidem sobre esses locais. Lá dentro há artigos sobre imprensa local, exemplos escolhidos de vilas bem sucedidas e muitas ideias.


 


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VER - Chegou aquela altura do ano em que os trabalhos fotográficos seleccionados pelo World Press Photo ficam expostos em Lisboa, no Museu da Electricidade. Até 22 de Maio pode ser vista uma seleccção de 150 fotografias, entre elas o primeiro prémio, de Warren Richardson, uma imagem que mostra dois refugiados a fazerem passar um bebé através de uma vedação de arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Destaque também para o trabalho do fotógrafo português Mário Cruz, da agência Lusa, vencedor na categoria “Assuntos Contemporâneos”. O jornalista concorreu com um ensaio fotográfico sobre a escravatura de crianças no Senegal e na Guiné- Bissau, intitulado “Talibes, Modern Day Slaves”, de onde é extraída a foto que acompanha esta nota. Outra exposição de fotografia que merece visita é a do fotógrafo moçambicano Filipe Branquinho, “Paisagens Interiores”, que mostra 24 imagens de Maputo, centradas no interior de edifícios públicos, espaços onde se adivinha, sem se ver, a presença humana. Na Galeria Avenida da Índia até 5 de Junho (Avenida da Índia 170, depois do CCB).


 


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OUVIR - Samuel Úria edita desde 2003 e integrou o catálogo da editora FlorCaveira, que também gravou Tiago Guillul (o fundador da editora) Manuel Furia, B Fachada e Diabo na Cruz, entre outros. Nos últimos anos Samuel Úria começou uma carreira a solo na editora NorteSul, da Valentim de Carvalho. O seu trabalho de 2013, “Grande Medo do Pequeno Mundo”, foi considerado um dos discos do ano e agora surge com “Carga de Ombro”, mais maduro na escrita das canções, mais certeiro na interpretação, mais apurado nos arranjos. E mais forte no conteúdo. Samuel Úria percorre um estreito caminho entre a música popular portuguesa e assumidas influências dos blues e de nomes como Tom Waits, tão marcante na maneira como escreve. Um disco que começa a primeira canção por contar “eu tinha a corda na garganta afinada em dó” e que depois proclama “eu tenho o futuro num post-it que é para ser lembrete” é declaradamente um caso invulgar. Eu, por mim, gosto ainda mais deste ”Carga de Ombro” que do disco anterior - e ele estabelece declaradamente Samuel Úria como um dos grandes autores portugueses contemporâneos de canções, com um domínio invulgar do idioma na composição musical. Acresce que a produção e os arranjos de Miguel Ferreira merecem ser destacados, porque ele faz um duo perfeito com Úria. “Carga de Ombro” inclui 11 novas canções e tem uma edição especial, exclusivo FNAC, que inclui um video gravado ao vivo nos Estúdios Valentim de Carvalho, com sete temas de anteriores trabalhos de Úria. A edição digital tem um tema extra.


 


PROVAR - Tinha saudades de ver o mar entre as Azenhas do Mar e a Praia Grande, de andar por ali, fora da época estival. Gosto sobretudo da estrada que sai da Praia das Maçãs e que atravessa as Azenhas do Mar - que para mim continua a ser um local mágico.  Há qualquer coisa naquele mar que exerce atracção - o sentido de Oceano, a côr, as falésias. Num outro pedaço de estrada, a descer para a Praia Grande, fica o Restaurante Nortada, um clássico da região, garantia de boa cozinha e de respeito pelos produtos do mar. Situado no alto da praia, tem uma vista única. No meio desta volta tive lá um belíssimo almoço que começou por uns percebes das Berlengas, que estavam superiores. A seguir vieram filetes de pescada com arroz de berbigão (perfeitos) e uma empada de robalo com legumes salteados e redução balsâmica que foi surpreendente pela novidade e pelo cuidado do preparo. O serviço é atento e simpático e, ao fim de muitos anos sobre a anterior visita, resta dizer que todas as qualidades que fizeram desta casa um dos mais apreciados restaurantes da região de Colares sem mantêm. Telefone 21 929 1516, Avenida Alfredo Coelho 8, Praia Grande.


 


DIXIT - "Era, talvez, preferível reduzir o IVA na electricidade do que reduzir o IVA nos restaurantes. A redução do IVA na electricidade beneficia todas as famílias portuguesas. A redução do IVA na restauração beneficia, essencialmente, os donos dos restaurantes, em certos segmentos" - Eduardo Catroga


 


GOSTO - Da campanha criada pelo Museu Nacional de Arte Antiga e que em seis meses conseguiu recolher 600 mil euros para comprar “A Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira, garantido assim a permanência da obra em Portugal.


 


NÃO GOSTO - Da arrogância de Vitor Constâncio face à Assembleia da República


 


BACK TO BASICS - “Um pessimista, confrontado com duas escolhas igualmente más, escolhe ambas” - provérbio judeu


 

abril 22, 2016

MAIS CEDO OU MAIS TARDE HÀ FACTURAS QUE VÃO CHEGAR

FACTURAS - Estamos a pouco tempo, meia duzia de meses,  de ver se quem está no Governo mente ou não sobre o estado das finanças públicas e sobre o que pensa fazer a propósito da situação. Olho para novidades anunciadas pelo Governo nos últimos dias e que vejo? O Ministro da Economia, que ameaçou de excomungar da nacionalidade quem fosse abastecer a Espanha, prepara-se para proporcionar combustível mais barato em postos de abastecimento próximo das fronteiras, mas só para alguns - veículos pesados de carga e de passageiros. O comum dos mortais terá que fazer o favor de continuar a ser excomungado se for a Espanha. Outro membro do Governo promete baixar o preço de várias scuts do interior lá mais para o verão. Com tudo isto passa a haver vários portugais. Quem gritar mais fica com um portugalzinho à sua medida. Parece que aumentar a despesa é, neste Governo, uma linha política. A situação real é esta: Bruxelas exige cortes adicionais de 600 milhões nas reformas, quer travar aumento do salário mínimo nacional, a comissão europeia exige um corte adicional de 705 milhões de euros este ano. E o Governo que faz? Vais distribuindo prebendas, e diz que no fim da legislatura se verá. Só que antes disso, daqui a uns meses, quando as previsões do crescimento se revelarem erradas, vai perceber-se que falta dinheiro e então irá mais uma vez puxar pelos impostos e pelas taxas. Adivinhem quem vai pagar a factura....


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SEMANADA - O Ministro da Administração Interna anunciou, com solenidade, que o Governo está aberto a mudar o nome do Cartão de Cidadão; Pinto da Costa ganhou as eleições no F. C Porto com 79% dos votos, o seu resultado mais baixo de sempre;  a Agência Nacional do Medicamento francesa concluiu que a BIAL deu uma informação errada no ensaio clínico em que morreu uma pessoa; uma estação de saneamento recém construída pelas Águas do Norte  numa freguesia de Guimarães, com um custo de quase cem mil euros, foi alvo de um auto da GNR por atentado ambiental porque faz a descarga de esgotos directamente no rio Ave; a partir deste fim de semana, e pelo menos até final do ano, vão decorrer as obras no eixo Marquês de Pombal-Saldanha, o que vai complicar o trânsito em todo o centro de Lisboa; a CGTP perdeu mais de 60 mil sindicalizados nos últimos quatro anos, uma quebra de cerca de 10%; no primeiro trimestre deste ano a DECO recebeu 6434 pedidos de ajuda de sobre-endividados, mais do dobro do total de pedidos durante todo o ano de 2008; há 372 mil desempregados que não recebem qualquer subsídio; os produtos falsificados de marcas de luxo valem 2,5% das importações mundiais; Portugal é o 9º maior produtor mundial de vinho; o número de casamentos subiu ao fim de 15 anos; os portugueses já gastam 90 euros por mês em compras na net; um estudo de uma consultora internacional evidencia que metade dos administradores e directores financeiros de grandes empresas entrevistados considera que as práticas de suborno e corrupção acontecem de forma generalizada no país; as remessas dos emigrantes caíram 18,5% em Fevereiro.


 


ARCO DA VELHA - Mais de 300 mil alunos dos  2º, 5º e 8º anos continuam sem saber se vão fazer provas de aferição marcadas para os dias 6 e 8 de junho por culpa do zigue zague de decisões do Ministério da Educação.


 


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FOLHEAR - Confesso que muitas vezes desligo de um romance às primeiras páginas - mas não foi o caso desta vez. O romance em causa fez-me ficar acordado uma boa parte da noite em que escrevo estas notas. O título chamou-me logo a atenção: “À Espera de Bojangles”,  uma evocação da canção Mr. Bojangles, popularizada por Nina Simone. Trata-se do romance de estreia de Olivier Bourdeaut e devo confessar que a história é um bocado amalucada mas funciona na perfeição para agarrar o leitor do princípio ao fim. É a história de uma família, simples, bela e triste como as histórias simples são muitas vezes. É muito bem contada e muito bem escrita, tem um toque de loucura, um ritmo invulgar e uma utilização libertina das palavras e da evolução da narrativa no tempo. Gostei do livro, gostei da ideia da história, tão pessoal e tão capaz de misturar a realidade que se adivinha com a invenção que se sente. É um livro fantástico - não só pela atracção que exerce como pela fantasia a partir do qual é construído. O primeiro parágrafo do romance é assim: “O meu pai tinha-me dito que, antes de eu nascer, a sua profissão era caçar moscas com um arpão. Tinha-me mostrado o arpão e uma mosca esborrachada”. Quando um livro começa desta maneira é impossível não continuar a lê-lo até ao fim. Edição Guerra & Paz, sai em Maio, já falta pouco.


 


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VER - Esclareço desde já que sou parte interessada no que a seguir vou recomendar. O criador do Newsmuseum, Luis Paixão Martins, convidou-me há uns meses para ser o curador da área de fotojornalismo que lá seria desenvolvida. Aceitei, com entusiasmo, a ideia - foi como fotojornalista que de facto comecei no jornalismo, há umas décadas atrás, e a fotografia, principalmente o fotojornalismo, é uma das minhas paixões pessoais. Dito isto, vamos ao que interessa. O Newsmuseum não é um equipamento estático, parado no tempo. É a visão contemporânea e tecnológica de grandes momentos da história da comunicação em Portugal e no mundo, de que a imagem aqui usada - um Eça de Queiroz na esplanada à porta do museu com um smartphone na mão - é um claro sinal. Claro que há vitrinas com equipamentos que caíram em desuso mas que nos deram as notícias ao longo do século XX - mas há também uma aplicação em iOs ou Android que pode ser descarregada gratuitamente para acompanhar a visita - desde as zonas de guerra à propaganda, passando pela rádio, o desporto e até o futuro da comunicação, um mergulho no que está para vir graças à realidade aumentada proporcionada pelos oculus rift que lá existem. Este é um museu onde os recursos da tecnologia são bem utilizados para que os visitantes se sintam eles próprios parte do processo de comunicação. O Newsmuseum é uma instituição privada sem apoios estatais, fica no centro de Sintra, tem uma loja com material próprio e está aberto todos os dias, a partir da próxima segunda-feira 25 de Abril. Todas as informações - horários, preços e acessos - em www.newsmuseum.pt , ou na página do facebook. Rua Visconde de Monserrate 26, Sintra.


 


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OUVIR - O novo disco de P.J. Harvey é tudo menos consensual. É, como o Observer lhe chamou, uma reportagem sobre o estado do mundo feita numa batida rock, em que as letras das canções são como artigos que relatam conflitos e problemas. O título do disco é logo um episódio : “The Hope Six Demolition Project”. O véu sobre o título levanta-se na primeira canção, “The Community Of Hope”, que fala de estradas de morte e destruição entre edifícios governamentais numa das capitais do mundo. A segunda faixa, um das melhores do disco por sinal, “The Ministry Of Defence”, traça um relato duro das instituições que o Estado diz erguer para defesa dos seus cidadãos e acaba com uma frase dura : “This Is How The World Will End”. Em vários pontos o disco faz lembrar “Let England Shake”, de 2011, só que em vez de falar apenas de Inglaterra, P. J. Harvey debruça-se agora sobre o estado do mundo. O álbum foi gravado ao longo de 2015, algumas partes frente a uma audiência em estúdio. John Parish, o guitarrista que tem acompanhado a carreira de P.J. Harvey revela-se mais uma vez um eixo sólido ao longo de todo o disco, e assegura a produção. Mas vale a pena salientar que a própria P. J. Harvey se revela em grande forma vocal, talvez a melhor dos seus últimos discos - e por acaso não se sai nada mal também no sax alto. Desiludam-se os tímidos - este é um disco de provocações e slogans, duro como o rock e cortante como o punk era. Seria fastidioso enumerar as boas canções que aqui estão, mas não resisto a elogiar “River Anacostia” e, sobretudo, “The Wheel”. Para já, é o melhor disco do ano. CD Island/ Universal Music.


 


PROVAR -  Volta e meia gosto de voltar a um restaurante que conheci na fase inicial de sua vida e que, na altura, se revelou uma boa surpresa. É sempre bom verificar se as qualidades se mantêm ou se de repente há algum defeito inesperado. No Rua Artilharia Um, no local  onde ficava o Mezzaluna abriu no início de 2015 a pizzaria Forno D’Oro, por iniciativa do chef  Tanka Sapkota, o mesmo que fez do Come Prima um dos grandes restaurantes italianos de Lisboa. O nome provém do forno das pizzas, imponente, a dominar a sala, folheado a ouro. Voltei lá esta semana e confirmo que as qualidades estão intactas: uma massa de pizza exemplar, muito leve, bons ingredientes, um bom serviço e um preço simpático. Provámos uma pizza vegetariana e uma caponata e ambas estavam muito boas - destaco a qualidade dos ingredientes da caponata e o ponto certo da sua cozedura. A casa gaba-se das suas cervejas e tem uma extensa lista de cervejas artesanais, algumas italianas. A cerveja de pressão Benedikter que acompanhou a caponata revelou-se perfeita. Antes das pizzas vieram bruschettas e uma focaccia que é provavelmente a melhor de Lisboa - com azeite temperado a balsâmico para embeber. A casa é hoje em dia muito frequentada ao jantar por estrangeiros dos hotéis próximos, a clientela é diversificada. O jantar para duas pessoas ficou em 35 euros - e no fim é oferecida uma grappa ou um limoncello. Eu fiquei bem com a grappa. A casa estava cheia, é mesmo conveniente marcar. Rua Artilharia 1 - nº16, telef 213 879 944. Aberto todos os dias.


 


DIXIT - “Liderar um governo ou um país tem exigências. Uma delas consiste na necessidade de ser ou ter algo mais do que jeito para resolver problemas. A direcção política não se resume à habilidade para tratar de conflitos” - António Barreto


 


GOSTO - Da ideia de centrar Os Dias da Música, que este fim de semana decorrem no CCB, numa espécie de banda sonora para “A Volta Ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne


 


NÃO GOSTO - Da perda de tempo com questões como o género do Cartão de Cidadão-


 


BACK TO BASICS - Nunca deitem abaixo um muro até perceberem bem a razão porque ele foi erguido - G. K. Chesterton

abril 15, 2016

SOBRE A DIFERENÇA ENTRE CONHECER O MUNDO E CONHECER AS PESSOAS

FUTURO - O Facebook foi lançado em Fevereiro de 2004, há 12 anos portanto. O seu crescimento foi exponencial e hoje o número de pessoas que o utilizam regularmente ultrapassa 1,6 mil milhões em todo o mundo. Em Portugal os utilizadores regulares ascendem a 5,7 milhões. Hoje em dia o universo do Facebook inclui o sistema de mensagens Messenger, mas também o WhatsApp e o Instagram. Em poucos anos o Facebook tornou-se no maior concorrente, em termos de números de utilizadores, mas também de volume de negócios, do Google. A nível global, o tempo médio passado no Facebook por cada utilizador e por mês é de 6,3 horas. Diariamente,  mil milhões de pessoas acedem ao Facebook por um período médio de 20 minutos. Os números são impressionantes. Na verdade a grande diferença entre o Google e o Facebook é que o Google tem muita informação sobre o mundo, mas o Facebook tem muita informação sobre cada pessoa que o utiliza. Há uns anos atrás, não muitos, quando estávamos em casa, toda a gente na sala olhava para um único ecrã - o da televisão. Hoje em dia, em muitos casos, cada pessoa tem o seu próprio ecrã. O mundo mudou e o Facebook é parte desta mudança. Esta semana Mark Zuckerberg anunciou os seus planos para os próximos dez anos. O resumo é simples: proporcionar internet em regiões remotas graças a uma série de satélites e aviões emissores (que funcionarão a energia solar) e garantir que a conectividade seja uma realidade universal e gratuita; desenvolver a relação dos sistemas de messaging com o comércio electrónico; utilizar a inteligência artificial para escolher conteúdos adequados aos gostos de cada utilizador; fomentar a emissão de videos em directo no Facebook; explorar o mundo da realidade aumentada; desenvolver as possibilidades da internet nos campos da saúde e educação. E isto é apenas o começo - o Facebook está a entrar no campo do hardware, como o o Gear VR ou o Oculus Rift, ambos dispositivos de realidade virtual que vão alterar a forma de produzir e consumir entretenimento. Zuckerberg diz que a sua missão é ligar as pessoas, garantir que elas possam comunicar umas com as outras em qualquer ponto e em qualquer circunstância - e isso proporciona-lhe imensa informação sobre cada utilizador. A revista The Economist colocou esta semana Mark Zuckerberg na sua capa, e dedicou-lhe o editorial. O título? - Imperial Ambitions. Se quiser conhecer os planos de Zuckerberg veja aqui o roadmap que ele desenhou para os próximos dez anos numa conferência do Facebook para programadores, que decorreu esta semana - https://developers.facebook.com/videos/f8-2016/keynote/






 


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SEMANADA - O Banco de Portugal vai inaugurar o seu Museu do Dinheiro na próxima quarta-feira; esta semana foi anunciado que o Banco de Portugal vai ter dois novos administradores - uma ex eurodeputada e um ex administrador do banco mau do BES; no espaço de uma semana saíram três membros do Governo - o Ministro e o Secretário de Estado da Cultura e também o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, este último em “profundo desacordo” com o Ministro da Educação; em Fevereiro os depósitos a prazo captaram 6,5 mil  milhões de euros em novas aplicações, o valor mensal mais elevado do último ano; registou-se um aumento do crédito à habitação de cerca de 80% nos ultimos 12 meses; segundo o Observatório de Economia e Gestão da Fraude a economia paralela daria para pagar cinco orçamentos anuais da saúde; segundo o FMI Portugal vai ter um dos crescimentos mais fracos do mundo; o número de empresas exportadoras baixou no ano passado pela primeira vez desde 2009; Angola desceu de quarto para sexto cliente de produtos portugueses; a TAP reportou 99 milhões de euros de prejuízo em 2015, o pior resultado desde 2008; o Metropolitano chegou à Reboleira seis anos depois da data prevista inicialmente para a conclusão das obras; as portuguesas internadas com anorexia têm em média 14 anos e ficam internadas 51 dias no hospital; Portugal não forneceu dados que permitam que justiça nacional seja comparada com a do resto da União Europeia; o Ministro da Defesa diz que o Chefe de Estado Maior do Exército lhe desobedeceu; Vasco Lourenço veio pedir a cabeça do Ministro da Defesa.




ARCO DA VELHA - Oito funcionários do Fisco foram detidos com suspeita de corrupção e o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos não achou melhor que vir avisar logo de seguida que os cortes salariais aumentaram o risco de corrupção na Autoridade Tributária.


 




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FOLHEAR - O primeiro livro de viagens que li foi “A Volta Ao Mundo Em Oitenta Dias”, de Júlio Verne. Li-o com uns oito anos  e senti uma emoção igual à que anos mais tarde senti com o primeiro Indiana Jones. Com Júlio Verne descobri depois o fundo do mar  em “Vinte Mil Léguas Submarinas” e percebi como o planeta escondia segredos fascinantes em “Viagem Ao Centro da Terra”. Estes três livros foram escritos entre 1864 e 1872 e eu li-os, numeros redondos, cem anos depois. Com os dois últimos e “Da Terra à Lua” descobri os encantos da ficção científica, mas foi mesmo com “A Volta Ao Mundo Em Oitenta Dias” que descobri o prazer da literatura de viagens e aventuras. O livro, baseado numa aposta de um nobre inglês, Phileas Fogg, percorre países e continentes e muitas vezes relata episódios que se podiam passar mesmo hoje, quase século e meio depois. Em boa hora decidiu a editora “Guerra & Paz” editar textos clássicos e este é um deles. Esta edição inclui as 58 ilustrações originais da primera edição,  da autoria de Alphonse de Neuville e Léon Benett, e ainda  o mapa da viagem de circum-navegação. A tradução, exemplar, é de Helder Guégués - e fiquem sabendo que Júlio Verne é o autor mais traduzido em todo o mundo depois de Agatha Christie e as suas obras são, no seu conjunto, as mais publicadas, logo depois da Bíblia.


 


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VER - Steve McCurry é um dos grandes fotógrafos da prestigiada agência Magnum, e em Lisboa, na melhor espaço de exposição e venda de fotografia que temos, a Barbado Gallery (Rua Ferreira Borges 109) está uma magnífica exposição sua sobre a Índia, país que ele já visitou cerca de 80 vezes nas últimas três décadas. É muito curioso que em cerca de seis meses que leva de vida, a Barbado Gallery já tenha mostrado dois dos grandes nomes da Magnum, a agência que contou entre os seus fundadores Robert Capa e Henri Cartier-Bresson. As fotografias de McCurry são poderososas - como a da menina afegã que em 1985 fez a capa da National Geographic, revista para a qual trabalha frequentemente. A imagem que aqui reproduzimos foi feita em Bombaim - mãe e filha coladas ao vidro de um carro que passava. McCurry tem um olhar especial, quase sem tempo definido, sobre aquilo que o rodeia e é isso que faz o seu encanto. Muitas das fotografias foram feitas na década de 80 e 90, mas não perderam razão de ser. São clássicos. Do género que a Barbado nos proporciona poder ver. Todas as informações em www.barbadogallery.com.


 


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OUVIR - Canções que são como conversas de café parecem uma raridade em Portugal, nos anos mais recentes, sobretudo se escritas e cantadas em português. Felizmente os Capitão Fausto existem e praticam o género. Cada canção é como se fosse uma história, um episódio de vida. Os Capitão Fausto praticam música pop da melhor estirpe, bem imaginada, bem tocada e bem cantada. Desenganem-se aqueles que pensam que isto é coisa fácil - fazer uma boa canção pop é do mais difícil que há. Um álbum pop tem sempre telhados de vidro maiores que um álbum que se pretenda de nicho. Aos nichos marginais tudo é permitido, a começar pela incompreensibilidade e a terminar na inaudibilidade. Portanto a vida é-lhes sempre mais fácil. Difícil mesmo é criar canções originais que façam sentido nas palavras e na música e que fiquem no ouvindo, apetecendo trautear. Este é o terceiro disco dos Capitão Fausto e eu gosto de canções como “Semana Em Semana”, “Corazon”, “Dias Contados” ou a minha preferida, “Alvalade Chama Por Mim”. Resumo - Têm Os Dias Contados é dos melhores discos portugueses dos últimos tempos. CD Sony.


 


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PROVAR -  Gosto muito de conservas e ultimamente tenho andado a explorar as variedades de cavala que estão no mercado. A cavala é um peixe injustamente subvalorizado, mas é um dos que resulta melhor em conserva, talvez até melhor que muita lata de sardinha que por aí anda. Esta semana provei uma variedade que ainda não conhecia e fiquei fã - filetes de cavala com temperos da marca Tricana - cenoura, cebola, louro, especiarias como cravinho e pimenta. Os filetes são muito bem cortados e funcionam às mil maravilhas  com uma massa como farfalle (da Cecco,recomendo), que rapidamente ganha o sabor envolvente. Vai à perfeição com um Marquês de Borba branco da colheita de 2015 - feito a partir das castas Arinto, Atão Vaz e Viognier - um vinho fresco ideal para estas ocasiões. Jantar simples, prazer garantido.





DIXIT - “Liderar o PS foi a melhor escola para gerir conflitos” - António Guterres na sua audição como candidato a Secretário Geral da ONU.




GOSTO - A RTP1 vai exibir o documentário "Amadeo: o último segredo da arte moderna", de Christophe Fonseca. a 20 de Abril, no dia da inauguração da exposição no Grand Palais.




NÃO GOSTO - Com António Costa ficou estabelecido que o critério para a contratação de assessores para processos negocias complexos passou a ser a amizade pessoal com o Primeiro Ministro.




BACK TO BASICS - “A grande questão não é saber se conseguimos que as máquinas pensem; o principal problema é conseguir que os seres humanos pensem” - B.F. Skinner






abril 08, 2016

TROPELIAS DE ANTÓNIO, FERNANDO E MANUEL NA CIDADE ONDE BRINCAM

FÁBULA - Era uma vez um senhor chamado António que queria muito mandar em tudo. O senhor António tinha sido eleito para presidente da junta da sua terra, mas gostava mais de outro lugar onde mandasse mais. Nas eleições da sua terra tinha jurado a pés juntos que mandar nas ruas e ruelas da terrinha era mesmo o que ele queria e prometia dali não sair. Mas manhoso como é, e já a pensar na sua tropelia seguinte, o senhor António tinha posto como seu braço direito o senhor Fernando. O senhor Fernando não percebia nada das coisas da terrinha, mas ninguém se importava com isso, muito menos o senhor António. A seguir ao senhor Fernando vinha o senhor Manuel, que já tinha sido o braço direito do senhor António, mas que não era do mesmo clube. e por isso teve que ficar um bocadinho para trás. O senhor Manuel quando se olhava ao espelho pensava-se o Marquês do Pombal e tinha como desejo reconstruir a sua terrinha. Esperto, percebeu logo que o senhor António se queria ir embora e sabia que o senhor Fernando percebia pouco das coisas que interessavam. De maneira que viu uma oportunidade de, não mandando no papel, ser ele a mandar por interposta pessoa. Quando o senhor António se foi embora da terrinha deixou os problemas nas mãos do senhor Fernando que, aflito, se virou para o senhor Manuel e pediu ajuda. O senhor Manuel sorriu, esfregou as mãos de contente, virou-se para o espelho e disse: “agora é que vai ser”. E, assim começou paulatinamente a destruir a terrinha, para depois a reconstruir à sua maneira, como o velho Marquês tinha feito depois de um terramoto. Como agora não havia terramoto, o senhor Manuel encheu o peito de ar e disse: “terramoto eu serei”. O senhor Manuel odiava carros e quem os usava. Para ele a terrinha devia ser como um bibelot - muito certinha, guardada numa redoma, de preferência sem utilizadores. Imaginou logo um esquema: os habitantes da terrinha íam ter obras com fartura que demorassem muito tempo, para andarem pouco pelas ruas; haviam de não poder andar nos seus carritos de uma ponta à outra, por dentro da terrinha - se quisessem que fossem por uma das estradas do lado de fora da redoma, para não sujar o bibelot - assim as visitas escusavam de ver quem vivia na terra. Os indígenas - como o senhor Manuel lhes chamava - demoravam mais tempo e sentiam incómodo? -  “Paciência” - rangia o senhor Manuel, dizendo entre dentes: “se não gostam, que vão morar para outro sítio”. No meio disto o senhor Fernando julgava que estava tudo como ele queria e foi-se até convencendo que o que se passava era da sua lavra. Nunca percebeu que a única coisa que fazia era dizer que sim ao senhor Manuel. Ufano, o senhor Fernando foi pondo notícias nos jornais a explicar que, mesmo não parecendo, o presidente da junta era ele. O senhor Manuel sentava-se ao lado de uma das valas que esventrava as ruas e agarrava-se à barriga , de tanto rir, enquanto lia páginas e páginas da gazeta da terra a falar com o senhor Fernando.


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SEMANADA - Até Março venderam-se mais de 205 carros por dia, a antecipar a subida de impostos; o FMI pediu um reforço da austeridade; Angola pediu assistência ao FMI exactamente cinco anos depois de Portugal o ter feito; esta semana os prazos constitucionais atingiram o ponto a partir do qual o novo Presidente da República recuperou o poder de dissolução da Assembleia da República; Mário Draghi participou no Conselho de Estado, o primeiro convocado por Marcelo Rebelo de Sousa; na comissão parlamentar de inquérito apurou-se que o Banco de Portugal desaconselhou a resolução do Banif 15 dias antes de a aplicar; em Portugal, no ano de 2015 saíram para offshores 2,25 milhões de euros por dia; o numero de emigrantes portugueses que são licenciados triplicou no último ano; José Sócrates acusou o Ministério Público de fazer terrorismo de Estado; cerca de mil contribuintes por dia pedem ajuda para preencherem o IRS; 16 militantes do PS de Coimbra foram suspensos por terem falsificado fichas de inscrição no partido; do 1º ao 4º ano há mais de 94 mil alunos em turmas que têm, em simultâneo, vários anos de escolaridade diferentes; os orçamentos das universidades e institutos politécnicos vão perder 57 milhões de euros face ao que tinha sido inscrito no Orçamento de Estado para este ano; António Costa quer dar às secretas acesso a dados dos telemóveis.


 


ARCO DA VELHA - Em Vila do Conde foi assaltada uma ourivesaria que fica ao lado de uma esquadra da PSP.


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FOLHEAR - António Caeiro é um jornalista português que viveu na China muitos anos e já escreveu vários livros sobre as relações luso-chinesas : “Pela China Dentro - Uma Viagem de 12 anos”, “Novas Coisas da China- Mudo, logo existo” e, agora, “Peregrinação Vermelha - O Longo Caminho Até Pequim”. Como António Caeiro faz notar, “Portugal foi um dos países europeus onde o comunismo chinês teve mais adeptos e parte da sua actual elite foi maoísta durante a juventude”. Este novo livro é uma história dessa atracção e dos contactos entre Portugal e a China vermelha. Como o autor relata, durante três décadas, até 1979, Portugal e a China não tiveram relações diplomáticas mas os contactos “secretos, clandestinos ou oficiosos” nunca foram interrompidos - o que em parte se explica pela presença em Macau e pelo facto de nenhum dos dois países e regimes considerar o território uma colónia. O livro conta uma sucessão de histórias, algumas quase aventuras e “agarra” os leitores do princípio ao fim - há muita coisa que se descobre e aprende nestas páginas que evocam muitas conversas tidas pelo autor ao longo dos anos. Numa altura em que a China volta a estar no centro do Mundo e em que tanto se fala da presença chinesa em Portugal, aqui está uma boa forma de conhecer melhor a história da relação entre os dois países. (Edição D. Quixote/ Leya).


 


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VER - Vou começar com uma sugestão no Porto, na Galeria Pedro Oliveira - a exposição de Cecília Costa. A exposição agrupa vários desenhos a óleo, outros a fita cola e carvão e duas esculturas de madeira, na realidade duas propostas de mesas transfiguradas - uma delas com livros e outra com uma esfera de aço polido (na imagem). Sob o título “Força Fraca”, Cecília Costa combina figuras geométricas com as suas mesas alteradas - até 21 de Maio. Do Porto passamos para Coimbra onde, no  Centro de Artes Visuais (CAV) está a exposição “O Coração da Ciência”, que sob a curadoria de Albano da Silva Pereira reúne até 12 de Junho fotografias de Álvaro Rosendo, Candida Hofer, Joan Fontcuberta, Joel Peter Witkin, Jorge Molder e Paul Den Hollander, entre outros. Em Lisboa, destaque para “Linhas de Diálogo”, uma exposição que no Espaço Novo Banco, Praça Marquês do pombal, em Lisboa, apresenta uma selecção de obras das colecções de fotografia da Fundação Coca Cola Espanha e da Colecção Novo Banco (ex-BES), que, sabe-se agora, está à venda por força do que aconteceu à instituição bancária - é considerada uma das mais importantes colecções de fotografia contemporânea europeias. E, a terminar, na sala de exposições da Torre do Tombo com “Livros de Muitas Cores” onde podem ser vistas fotografioas de escritores portugueses feitas por Luísa Ferreira em 1997 e 2000 para os pavilhões de Portugal na Feira do Livro de Frankfurt e no Salão do Livro de Paris.


 


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OUVIR - A 13 de Abril de 1965 a histórica sala do Olympia de Paris acolhia, pela primeira vez, um digressão de alguns dos maiores artistas da etiqueta discográfica que pôs a música soul nas bocas do mundo - a Tamla Motown. Nessa noite, em Paris, actuaram Steveie Wonder, The Supremes, The Miracles, Martha (Reeves) & The Vandellas e Earl Van Dike and The Soul Brothers: The Tamla Motown Show. Paris tinha acolhido anos antes o jazz norte-americano e recebia de braços abertos a soul music. A sala do Olympia estava cheia (ao contrário do que tinha acontecido dias antes nos concertos em Londres). A editora decidiu gravar o concerto e o resultado foi um LP que fez história “Motortown Revue in Paris”. 40 anos depois eis que surge uma edição em CD duplo que agrupa três dezenas de temas cantados nessa noite, 12 dos quais surgem agora em disco pela primeira vez. “Motortown Review In Paris” é um duplo CD com edição especial da Tamla, distribuído em Portugal por Universal Music.


 


PROVAR -  Cheio de hesitações entrei na Mexicana um dia destes à hora de almoço. Pedir um bife três pimentas, muito mal passado, com ovo estrelado e batata frita é um teste a qualquer local. Em primeiro lugar ver se a carne é de boa qualidade - em segundo lugar ver se de facto veio mal passado mas saboroso da pimenta e do tempero, ter a certeza que tenha sido frito e não grelhado com  molho depois adicionado por cima; outro ponto importante - que o bife, apesar de mal passado venha quente e que não esteja frio de frigorífico no meio (já me aconteceu numa das casas do cozinheiro Vitor Sobral); em terceiro lugar desejar que o molho não seja parecido com restos de um galão, destruindo todo o sabor; verificar ainda que o ovo venha estrelado e não recozido e, finalmente que as batatas estejam fritas e estaladiças e não espapaçadas e moles. Pois então tenho a dizer que gostei do bife na renovada Mexicana. A rematar o café estava bom, sem vir queimado e o pastel de nata recomenda-se. A sala do fundo, do restaurante, está com mais luz, mais limpa, a mobilia foi bem restaurada, os painéis estão fantásticos. Nem mesmo os balcões frigoríficos da entrada me escandalizaram. Acho que a Mexicana se salvou de aparência e de conteúdo- Há um mix de empregados antigos e novos, o serviço está mais atento e simpático. Dentro de pouco tempo vai abrir uma taberna, vocacionada para os petiscos. Hei-de lá ir experimentá-la. E à Mexicana voltarei quando por lá passar de novo. Avenida Guerra Junqueiro 30C, à Praça de Londres, telefone 218 486 117.


 


DIXIT - “Estamos a criar um império europeu em Bruxelas, guiado pela Alemanha” - João Ferreira do Amaral.


 


GOSTO - Da inauguração do novo equipamento cultural de Coimbra, o Convento de S. Francisco, que pretende ser um pólo de atracção de públicos de toda a região Centro.


 


NÃO GOSTO - Do que significa um Ministro que ameaça fisicamente quem o critica, como João Soares fez a Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente.


 


BACK TO BASICS - Aprendi a usar a palavra “impossível” com o maior dos cuidados - Von Braun.







abril 01, 2016

SOBRE O CANDIDATO A MECÂNICO DA GERINGONÇA & SUGESTÕES AVULSAS

PRIMAVERA - Estamos oficialmente na Primavera, tempo de romance, a estação do ano em que a sedução anda à solta. Veja-se o que tem acontecido nestes dias: o Presidente da República e o Primeiro Ministro partilharam a mesma posição sobre a eventual venda de bancos portugueses a  capital estrangeiro; Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa foram juntos ao futebol, a Leiria, ver o Portugal-Bélgica; Marcelo e Costa estiveram também juntos nas críticas à gravidade da pena de Luaty Beirão;  o Orçamento de Estado passou sem frisson e foi promulgado antes do 1º de Abril para não existirem graçolas entre a razoabilidade das previsões orçamentais e o dia das mentiras. Está tudo portanto no melhor dos mundos. A maior prova do espírito primaveril vem, no entanto, de Rui Rio, que fez uma interrupção do seu ruidoso  silêncio para se juntar a Marcelo e a Costa, mostrando uma grande convergência de pontos de vista, como se costumava dizer nos comunicados oficias entre representações de países satélites da ex-URSS. Parafraseando a feliz expressão de Vasco Pulido Valente, ouso dizer que a geringonça encontrou finalmente um mecânico que poderá reparar alguma avaria que possa ter. É sabido como Rui Rio gosta de restaurar e recuperar veículos, portanto tem as competências necessárias para o caso de a geringonça conduzida pelo seu amigo Costa gripar algum cilindro ou quebrar algum amortecedor. Que o hábil Rio apareça e se ofereça como mecânico da geringonça na semana do Congresso do PSD é evidentemente um fruto do acaso, como tanta coisa no nosso Portugal.


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 SEMANADA - Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um cão pastor alemão oferecido pela Força Aérea; dirigentes das associações representativas dos cães de raça portuguesa lamentam que não tenha sido oferecido um cão de “linhagem” lusa ao Presidente; já depois da oferta do canídeo soube-se que o Presidente vai fazer uma visita oficial à Alemanha; Marcelo Rebelo de Sousa optou por fazer uma comunicação ao país fora dos jornais televisivos das 20h00, preferindo as 17h00, horário do chá; o cenário escolhido para a comunicação, com uma escrivaninha e um pedaço de tapeçaria como fundo de imagem, foi muito comentado por especialistas em televisão, que o acharam desadequado; António Costa, referindo-se à reposição de feriados, disse que: “ há valores acima das conveniências conjunturais”; o numero de clientes de banda larga fixa aumentou 9,5% no ano passado, para um total de 2,99 milhões; num país tão dado a tecnologias foi revelado que o site do fisco não trabalha com alguns dos browsers mais usados do mercado; um em cada quatro professores, do pré-escolar ao ensino superior, está a recibos verdes; existe um déficit de sete mil camas na área dos cuidados continuados em todo o país; em 2014 formaram-se 2633 enfermeiros e emigraram 2850; no Hospital de Chaves foram adiadas cirurgias porque não existia fio para suturar as costuras das operações.


 


ARCO DA VELHA - Luis Amado, ex-Ministros dos Negócios Estrangeirs aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, disse no Parlamento, a propósito do caso Banif, que as instituições europeias funcionam como um “centro de poder burocrático extremamente agressivo” ,  sublinhou que o poder da Europa chega a assemelhar-se a um “rolo compressor” e defendeu que “temos de reavaliar a relação com a UE”.


 


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 FOLHEAR - O mercado está cheio de livros de dietas e de conselhos de alimentação, muitos deles com muita promessa e pouca explicação. Não é o caso de um novo título que se destaca e que faz da guerra ao açúcar a sua causa. Trata-se de “Doce Veneno”, da nutricionista Cláudia Cunha. O livro vai além da evidência dos bolos e dos doces ou do açúcar que se coloca no café e, por exemplo, dá conselhos sobre como ler as etiquetas dos alimentos processados em busca de formas de açucares escondidos. O ponto de partida é que o açúcar cria uma dependência, tal como o álcool, por exemplo, dependência que está ligada a uma série de doenças que à partida não imaginaríamos. “Doce Veneno” explica ainda o que o açúcar faz ao nosso organismo, desmistifica os substitutos artficiais do açúcar e aconselha alimentos a eliminar e outros a introduzir. Este livro de Cláudia Cunha estabelece um plano prático de desintoxicação do açúcar em 21 dias, sugere listas de compras saudáveis para serem utilizadas no plano e, mais tarde, no dia a dia. Além disso inclui um conjunto de receitas de culinária ajustadas ao plano, do pequeno almoço a snacks para comer durante o dia, passando pelas refeições principais. O livro é editado pela Esfera dos Livros e Cláudia Cunha tem um site que pode seguir em www.nutricaocompanhia.com .


 


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VER - Várias sugestões para esta semana. Começo por destacar  uma das raras exposições de Manuel João Vieira, fundador dos Ena Pá 200, Irmãos Catita, artista plástico, compositor, músico e cantor, que criou e encenou diversas personagens em palco e em exposições diversas. Esta, chama-se “Viagens Na Minha Terra” e está na galeria Giefarte, Rua da Arrábida 44, ao Rato, até 26 de Abril (na imagem) . No Museu Colecção Berardo estará patente até 25 de Setembro a exposição “O Enigma - Arte Portuguesa na Colecção Berardo”, que agrupa trabalhos de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira.  Passando para  a Fundação Gulbenkian sugere-se “Inside a Creative Mind”, uma exposição que visita a obra de sete arquitectos portugueses - Aires Mateus, ARX Portugal, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Inês Lobo, Siza Vieira e Souto de Moura. Fica patente até 6 de Junho e inclui pequenos documentários de Catarina Mourão sobre os projectos apresentados. Destaque para uma maltratada exposição de João Mariano, que apenas até dia 16 fica no Arquivo Fotográfico Municipal (Rua da Palma 246), 20 fotografias do litoral de Lagoa sob o título “O Conhecido Desconhecido”. Finalizo com “Mexicano”, a exposição de Bruno Cidra que inaugurou esta semana na Galeria Baginski, onde ficará até 7 de Maio - Rua Capitão Leitão 51 e 53, ao Beato.


 


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OUVIR - Entre meados dos anos 40 e 50 do século passado o produtor Norman Granz juntou um grupo de músicos de excepção, em formações de geometria variável.  O centro das operações começou por ser o Philarmonic Auditorium, de Los Angeles e, da série de concertos aí realizada, nasceu a sigla JATP - Jazz At The Philarmonic, que fez longas digressões pelos Estados Unidos. Nessa altura Ella Fitzgerald tinha começado a gravar para uma editora de jazz acabada de nascer, a Verve - que teve a felicidade de registar o seu talento sobretudo no apogeu da sua carreira. “The Ella Fitzgerald JATP” é um CD que reune 19 temas gravados entre 1949 e 1954, ou entre os 32 e 37 anos da cantora, uma das suas melhores fases. O CD, que agora agrupa pela primeira vez registos antes editados em vários LP’s, começa por um concerto de 1949 no Carnegie Hall em que Ella é acompanhada por Hank Jones, Ray Brown e Buddy Rich com interpretações excepcionais em “A New Shade Of Blues” e “Black Coffee” e uma versão arrebatadora de “Oh Lady Be Good”, de Gershwin. A segunda série de gravações, de 1953, foi feita no Connecticut e inclui clássicos como “Bill” de Jerome Kern e uma reinterpretação de um grande êxito de Peggy Lee, “Why Don’t You Do Right”. E um ano depois, em 1954, Ella, faz maravilhas com “Hernando’s Hideaway”, uma canção menor de uma banda sonora que ela transforma, outro Gershwin - “The Man That Got Away” e, a finalizar, “Later”, que ela já tinha gravado em estúdio nesse ano mas aue aqui aparece numa outra versão. Ao todo 22 temas de um lado menos conhecido da carreira de Ella Fitzgerald, fora dos estúdios, acompanhada por músicos fantásticos em concertos ao vivo cheios de fulgor. CD Verve, distribuído em Portugal por Universal Music


 


PROVAR -  Depois de escrever sobre um livro que prega a contenção, até fica mal abordar este tema, ainda por cima com três exemplos e um extra. O primeiro é uma conserva de achovas do Cantábrico, situada em Laredo, no norte de Espanha. São da marca Codesa, uma empresa familiar. A série Oro, disponível nos supermercados do El Corte Inglês, na zona do frio perto da peixaria, tem anchovas pescadas nos meses de Abril e Maio, que ficam um ano em salmoura, até serem cortadas em finíssimos filetes, embalados em azeite virgem, em caixas de 48 gramas. Perdoem-me os conserveiros portugueses, mas estas anchovas da série Oro da Codesa são os melhores filetes de anchova que conheço. Por mais estranho que pareça com estes filetes vão bem as finíssimas tostas de pão de centeio integral Finn Crisp, absolutamente sem mais nada - assim brilha o sabor das anchovas e das tostas. A terminar, para acompanhar isto, vem um produto bem português - um vinho tinto de superior qualidade, o Ex-Aequo de 2011, produção da Quinta do Monte d’Oiro, de José Bento dos Santos com Michel Chapoutier. Com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional, este vinho mereceu a classificação de 95 pontos de Mark Squires, no Wine Avocate. Como no fim das anchovas ainda deve sobrar vinho sugiro que se prolongue a conversa, com as mesmas tostas, com um queijo da ilha de S. Miguel velho, de cura prolongada. A splendid time is guaranteed for all, como dizia o outro.


 


DIXIT - “Resta saber se o possível será suficiente...Só em 2017 saberemos se o modelo provou” - Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Orçamento de Estado


 


GOSTO -  A Orquestra Jazz de Matosinhos regressa aos Estados Unidos para uma residência de uma semana no mítico clube Blue Note, de Nova Iorque.


 


NÃO GOSTO - China Irão e Rússia são os três países com maiores restrições à liberdade de criação artistica, segundo um relatório divulgado esta semana


 


BACK TO BASICS - “O meu objectivo não é que as minhas respostas agradem a quem faz as perguntas” - William Shakespeare