BOM – A desassombrada posição do Presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos Barbosa, que responsabiliza directamente António Costa, enquanto Ministro da Administração Interna, pelo aumento este ano verificado na sinistralidade rodoviária devido à desarticulação a que procedeu das campanhas da Prevenção Rodoviária Portuguesa.
MAU – Ficou esta semana a saber-se que está a aumentar o abandono escolar em Portugal. A notícia teve menos destaque nos telejornais do que o folclore montado à volta da entrega de computadores por membros do Governo durante o fim de semana por esse país fora.
PÉSSIMO – Diz um porta voz da PSP que a força policial não se revê na prática de espancamentos a civis por agentes policiais, na base de, literalmente, tomar em mãos a execução de punições. Convirá que alguém que mande nas polícias perceba porque é que os casos se repetem, porque é que os polícias portugueses são por via de regra violentos e prepotentes. Na realidade a regra é o abuso de poder e não o contrário.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Quem publicar transcrições de escutas telefónicas realizadas por forças policiais ou instâncias judiciais tem direito garantido a prisão. E o que acontece aos polícias, magistrados e outros agentes de justiça que as entregam a jornalistas para assim irem moldando a opinião pública e induzindo julgamentos sumários na praça pública?
INDEFESOS – O veto do Presidente da República à Lei da responsabilidade civil extracontratual do Estado foi um péssimo momento do Presidente da República. A única explicação possível para o facto de o mais alto magistrado da nação querer penalizar os cidadãos na sua relação com o Estado, é porque ele bem sabe quão mal o Estado funciona, quão injusto é e como a Lei, se aprovada, mostraria abusos, atropelos e injustiças quotidiana cometidos. E este veto, precisamente, encaixa-se nos abusos e atropelos aos direitos dos cidadãos.
PESADELO – Vivo no pesadelo de um dia pedir favas guisadas e me aparecer um prato com umas favas insípidas acompanhadas por chouriço, entrecosto e farinheira, tudo embrulhado individualmente em celofane com um selo da ASAE em cada um. Agora, quando estou num restaurante e vejo um tipo de bigode a olhar com cara de mau para o que está a comer, começo logo a temer que entre por ali dentro uma brigada da ASAE mascarada de tropa de choque com metralhadoras na mão.
PETISCAR – O pesadelo veio-me à ideia à hora de almoço num pacato restaurante de bairro, bem perto da sede da ASAE, enquanto comia precisamente umas favas deliciosas. Dei comigo a pensar que qualquer dia já não se consegue saborear um prato assim, que tanta uniformização e estandardização vão acabar com estes sítios. O restaurante em causa é um exemplo de bom serviço, simpatia, bom preço e honesta comidinha portuguesa. Chama-se «Manaus» e fica no nº23 da Avenida Conde de Valbom.
LER – Durante uns anos a revista «The Economist» publicava anualmente uma edição especial a que chamava «Intelligent Life», dedicada a algumas das melhores coisas da vida. A partir de agora a «Intelligent Life» passa a ter quatro edições por ano, uma por cada estação. A dedicada ao Outono de 2007 acaba de ser distribuída e está à venda na maior parte dos postos de venda onde se pode encontrar «The Economist». Há mudanças no grafismo, novas secções, novos temas e áreas por explorar. Muita informação sobre novidades na área da cultura e entretenimento, um portfolio fotográfico sobre caça, bons artigos sobre finanças pessoais e o preço da arte, incursões no mundo dos grandes cozinheiros e dos críticos de vinhos e ainda a previsão de que num futuro próximo utilizaremos leds para iluminar, melhor e mais barato, as nossas casas. Não deixa de ser engraçado que numa época em que tantos profetizam o fim da imprensa escrita, continuem a aparecer belos e ambiciosos projectos editoriais, lançados por empresas jornalísticas que não são propriamente nem inexperientes nem aventureiras.
OUVIR – A colecção de gravações organizada para celebrar os 150 anos da Steinway, a fabricante de pianos de excelência usados por alguns dos melhores pianistas de todo o mundo. São 10 CDs que recolhem gravações de diversas épocas, muito bem apresentadas e organizadas. A colecção recolhe registos inéditos, gravações nunca editadas em CD e outras actualmente fora de edição. A tocar estão nomes como Vladimir Horowitz, Claudio Arrau, Maurizio Pollini, Vladimir Ashkenazy, Mitsuko Uchida, Arturo Benedetti Michelangeli, Wilhelm Kempff, Emil Gilels, Martha Argerich e Alfred Brendel. Colecção Steinway Legends, distribuição Universal Music.
PERGUNTANDO… Alguém sabe o que aconteceu ao filme «Fados», do espanhol Carlos Saura, com estreia anunciada e falhada para vários festivais, e onde a Câmara Municipal de Lisboa investiu centenas de milhares de euros?
BACK TO BASICS – O mais importante de tudo é nunca deixar de colocar questões, Albert Einstein
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
setembro 10, 2007
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BOM – A desassombrada posição do Presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos Barbosa, que responsabiliza directamente António Costa, enquanto Ministro da Administração Interna, pelo aumento este ano verificado na sinistralidade rodoviária devido à desarticulação a que procedeu das campanhas da Prevenção Rodoviária Portuguesa.
MAU – Ficou esta semana a saber-se que está a aumentar o abandono escolar em Portugal. A notícia teve menos destaque nos telejornais do que o folclore montado à volta da entrega de computadores por membros do Governo durante o fim de semana por esse país fora.
PÉSSIMO – Diz um porta voz da PSP que a força policial não se revê na prática de espancamentos a civis por agentes policiais, na base de, literalmente, tomar em mãos a execução de punições. Convirá que alguém que mande nas polícias perceba porque é que os casos se repetem, porque é que os polícias portugueses são por via de regra violentos e prepotentes. Na realidade a regra é o abuso de poder e não o contrário.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Quem publicar transcrições de escutas telefónicas realizadas por forças policiais ou instâncias judiciais tem direito garantido a prisão. E o que acontece aos polícias, magistrados e outros agentes de justiça que as entregam a jornalistas para assim irem moldando a opinião pública e induzindo julgamentos sumários na praça pública?
INDEFESOS – O veto do Presidente da República à Lei da responsabilidade civil extracontratual do Estado foi um péssimo momento do Presidente da República. A única explicação possível para o facto de o mais alto magistrado da nação querer penalizar os cidadãos na sua relação com o Estado, é porque ele bem sabe quão mal o Estado funciona, quão injusto é e como a Lei, se aprovada, mostraria abusos, atropelos e injustiças quotidiana cometidos. E este veto, precisamente, encaixa-se nos abusos e atropelos aos direitos dos cidadãos.
PESADELO – Vivo no pesadelo de um dia pedir favas guisadas e me aparecer um prato com umas favas insípidas acompanhadas por chouriço, entrecosto e farinheira, tudo embrulhado individualmente em celofane com um selo da ASAE em cada um. Agora, quando estou num restaurante e vejo um tipo de bigode a olhar com cara de mau para o que está a comer, começo logo a temer que entre por ali dentro uma brigada da ASAE mascarada de tropa de choque com metralhadoras na mão.
PETISCAR – O pesadelo veio-me à ideia à hora de almoço num pacato restaurante de bairro, bem perto da sede da ASAE, enquanto comia precisamente umas favas deliciosas. Dei comigo a pensar que qualquer dia já não se consegue saborear um prato assim, que tanta uniformização e estandardização vão acabar com estes sítios. O restaurante em causa é um exemplo de bom serviço, simpatia, bom preço e honesta comidinha portuguesa. Chama-se «Manaus» e fica no nº23 da Avenida Conde de Valbom.
LER – Durante uns anos a revista «The Economist» publicava anualmente uma edição especial a que chamava «Intelligent Life», dedicada a algumas das melhores coisas da vida. A partir de agora a «Intelligent Life» passa a ter quatro edições por ano, uma por cada estação. A dedicada ao Outono de 2007 acaba de ser distribuída e está à venda na maior parte dos postos de venda onde se pode encontrar «The Economist». Há mudanças no grafismo, novas secções, novos temas e áreas por explorar. Muita informação sobre novidades na área da cultura e entretenimento, um portfolio fotográfico sobre caça, bons artigos sobre finanças pessoais e o preço da arte, incursões no mundo dos grandes cozinheiros e dos críticos de vinhos e ainda a previsão de que num futuro próximo utilizaremos leds para iluminar, melhor e mais barato, as nossas casas. Não deixa de ser engraçado que numa época em que tantos profetizam o fim da imprensa escrita, continuem a aparecer belos e ambiciosos projectos editoriais, lançados por empresas jornalísticas que não são propriamente nem inexperientes nem aventureiras.
OUVIR – A colecção de gravações organizada para celebrar os 150 anos da Steinway, a fabricante de pianos de excelência usados por alguns dos melhores pianistas de todo o mundo. São 10 CDs que recolhem gravações de diversas épocas, muito bem apresentadas e organizadas. A colecção recolhe registos inéditos, gravações nunca editadas em CD e outras actualmente fora de edição. A tocar estão nomes como Vladimir Horowitz, Claudio Arrau, Maurizio Pollini, Vladimir Ashkenazy, Mitsuko Uchida, Arturo Benedetti Michelangeli, Wilhelm Kempff, Emil Gilels, Martha Argerich e Alfred Brendel. Colecção Steinway Legends, distribuição Universal Music.
PERGUNTANDO… Alguém sabe o que aconteceu ao filme «Fados», do espanhol Carlos Saura, com estreia anunciada e falhada para vários festivais, e onde a Câmara Municipal de Lisboa investiu centenas de milhares de euros?
BACK TO BASICS – O mais importante de tudo é nunca deixar de colocar questões, Albert Einstein
MAU – Ficou esta semana a saber-se que está a aumentar o abandono escolar em Portugal. A notícia teve menos destaque nos telejornais do que o folclore montado à volta da entrega de computadores por membros do Governo durante o fim de semana por esse país fora.
PÉSSIMO – Diz um porta voz da PSP que a força policial não se revê na prática de espancamentos a civis por agentes policiais, na base de, literalmente, tomar em mãos a execução de punições. Convirá que alguém que mande nas polícias perceba porque é que os casos se repetem, porque é que os polícias portugueses são por via de regra violentos e prepotentes. Na realidade a regra é o abuso de poder e não o contrário.
O MUNDO AO CONTRÁRIO – Quem publicar transcrições de escutas telefónicas realizadas por forças policiais ou instâncias judiciais tem direito garantido a prisão. E o que acontece aos polícias, magistrados e outros agentes de justiça que as entregam a jornalistas para assim irem moldando a opinião pública e induzindo julgamentos sumários na praça pública?
INDEFESOS – O veto do Presidente da República à Lei da responsabilidade civil extracontratual do Estado foi um péssimo momento do Presidente da República. A única explicação possível para o facto de o mais alto magistrado da nação querer penalizar os cidadãos na sua relação com o Estado, é porque ele bem sabe quão mal o Estado funciona, quão injusto é e como a Lei, se aprovada, mostraria abusos, atropelos e injustiças quotidiana cometidos. E este veto, precisamente, encaixa-se nos abusos e atropelos aos direitos dos cidadãos.
PESADELO – Vivo no pesadelo de um dia pedir favas guisadas e me aparecer um prato com umas favas insípidas acompanhadas por chouriço, entrecosto e farinheira, tudo embrulhado individualmente em celofane com um selo da ASAE em cada um. Agora, quando estou num restaurante e vejo um tipo de bigode a olhar com cara de mau para o que está a comer, começo logo a temer que entre por ali dentro uma brigada da ASAE mascarada de tropa de choque com metralhadoras na mão.
PETISCAR – O pesadelo veio-me à ideia à hora de almoço num pacato restaurante de bairro, bem perto da sede da ASAE, enquanto comia precisamente umas favas deliciosas. Dei comigo a pensar que qualquer dia já não se consegue saborear um prato assim, que tanta uniformização e estandardização vão acabar com estes sítios. O restaurante em causa é um exemplo de bom serviço, simpatia, bom preço e honesta comidinha portuguesa. Chama-se «Manaus» e fica no nº23 da Avenida Conde de Valbom.
LER – Durante uns anos a revista «The Economist» publicava anualmente uma edição especial a que chamava «Intelligent Life», dedicada a algumas das melhores coisas da vida. A partir de agora a «Intelligent Life» passa a ter quatro edições por ano, uma por cada estação. A dedicada ao Outono de 2007 acaba de ser distribuída e está à venda na maior parte dos postos de venda onde se pode encontrar «The Economist». Há mudanças no grafismo, novas secções, novos temas e áreas por explorar. Muita informação sobre novidades na área da cultura e entretenimento, um portfolio fotográfico sobre caça, bons artigos sobre finanças pessoais e o preço da arte, incursões no mundo dos grandes cozinheiros e dos críticos de vinhos e ainda a previsão de que num futuro próximo utilizaremos leds para iluminar, melhor e mais barato, as nossas casas. Não deixa de ser engraçado que numa época em que tantos profetizam o fim da imprensa escrita, continuem a aparecer belos e ambiciosos projectos editoriais, lançados por empresas jornalísticas que não são propriamente nem inexperientes nem aventureiras.
OUVIR – A colecção de gravações organizada para celebrar os 150 anos da Steinway, a fabricante de pianos de excelência usados por alguns dos melhores pianistas de todo o mundo. São 10 CDs que recolhem gravações de diversas épocas, muito bem apresentadas e organizadas. A colecção recolhe registos inéditos, gravações nunca editadas em CD e outras actualmente fora de edição. A tocar estão nomes como Vladimir Horowitz, Claudio Arrau, Maurizio Pollini, Vladimir Ashkenazy, Mitsuko Uchida, Arturo Benedetti Michelangeli, Wilhelm Kempff, Emil Gilels, Martha Argerich e Alfred Brendel. Colecção Steinway Legends, distribuição Universal Music.
PERGUNTANDO… Alguém sabe o que aconteceu ao filme «Fados», do espanhol Carlos Saura, com estreia anunciada e falhada para vários festivais, e onde a Câmara Municipal de Lisboa investiu centenas de milhares de euros?
BACK TO BASICS – O mais importante de tudo é nunca deixar de colocar questões, Albert Einstein
setembro 06, 2007
O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Hugo Chávez dificilmente seria uma estrela do You Tube: os seus longos discursos não encaixam nos formatos reduzidos que agradam aos espectadores do canal de vídeo para computadores. Mas a verdade é que Chávez também não precisa – quando quer vai à TV do Estado na Venezuela e fica dezenas de minutos a falar sem ser interrompido; por cá, Sócrates e seus ministros têm cada vez mais lugar garantido nos telejornais, preparam cuidadosamente os momentos em que aparecem e aquilo que vão dizer, cada vez mais sem oportunidade a perguntas ou lugar a contraditório. Na realidade o espaço mediático da oposição – nomeadamente o seu espaço no mais poderoso dos media, que é a televisão – está cada vez mais reduzido às polémicas internas de cada partido e não a questões de fundo.
A televisão, na sua forma actual, favorece objectivamente a propaganda em detrimento da informação: relatar às pessoas o que aconteceu ou o que um político pensa arrisca-se a ser monótono e desinteressante, ganha sempre uma qualquer acção bem encenada mesmo que vazia de conteúdo ou até, paradoxalmente, de novidade.
A decisão de Paulo Portas, de assinalar a rentrée política no You Tube, tem duas leituras: por um lado é claramente a tentativa de ganhar uma imagem de modernidade e de contemporaneidade tecnológica; mas, por outro, é também a constatação de que, de outra forma, não conseguiria expor o que pensa, de forma articulada, sobre cada um dos temas que abordou: os vetos presidenciais, a destruição de propriedade privada por neo-ecologistas em Silves e, finalmente, a questão do aumento das taxas de juro.
A nossa sociedade alimenta-se de paradoxos e um deles, delicioso por sinal, é que Paulo Portas se tenha estreado no You Tube na mesma semana em que o Governo andou por esse país a distribuir computadores e placas de acesso à internet por banda larga para ter mais um pretexto para aparecer na televisão. Resta a esperança de que alguns dos destinatários dos computadores o tenham usado para ver Portas no You Tube, à mesma hora em o cerimonial das ofertas era religiosamente passado no Telejornal.
Hugo Chávez dificilmente seria uma estrela do You Tube: os seus longos discursos não encaixam nos formatos reduzidos que agradam aos espectadores do canal de vídeo para computadores. Mas a verdade é que Chávez também não precisa – quando quer vai à TV do Estado na Venezuela e fica dezenas de minutos a falar sem ser interrompido; por cá, Sócrates e seus ministros têm cada vez mais lugar garantido nos telejornais, preparam cuidadosamente os momentos em que aparecem e aquilo que vão dizer, cada vez mais sem oportunidade a perguntas ou lugar a contraditório. Na realidade o espaço mediático da oposição – nomeadamente o seu espaço no mais poderoso dos media, que é a televisão – está cada vez mais reduzido às polémicas internas de cada partido e não a questões de fundo.
A televisão, na sua forma actual, favorece objectivamente a propaganda em detrimento da informação: relatar às pessoas o que aconteceu ou o que um político pensa arrisca-se a ser monótono e desinteressante, ganha sempre uma qualquer acção bem encenada mesmo que vazia de conteúdo ou até, paradoxalmente, de novidade.
A decisão de Paulo Portas, de assinalar a rentrée política no You Tube, tem duas leituras: por um lado é claramente a tentativa de ganhar uma imagem de modernidade e de contemporaneidade tecnológica; mas, por outro, é também a constatação de que, de outra forma, não conseguiria expor o que pensa, de forma articulada, sobre cada um dos temas que abordou: os vetos presidenciais, a destruição de propriedade privada por neo-ecologistas em Silves e, finalmente, a questão do aumento das taxas de juro.
A nossa sociedade alimenta-se de paradoxos e um deles, delicioso por sinal, é que Paulo Portas se tenha estreado no You Tube na mesma semana em que o Governo andou por esse país a distribuir computadores e placas de acesso à internet por banda larga para ter mais um pretexto para aparecer na televisão. Resta a esperança de que alguns dos destinatários dos computadores o tenham usado para ver Portas no You Tube, à mesma hora em o cerimonial das ofertas era religiosamente passado no Telejornal.
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O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Hugo Chávez dificilmente seria uma estrela do You Tube: os seus longos discursos não encaixam nos formatos reduzidos que agradam aos espectadores do canal de vídeo para computadores. Mas a verdade é que Chávez também não precisa – quando quer vai à TV do Estado na Venezuela e fica dezenas de minutos a falar sem ser interrompido; por cá, Sócrates e seus ministros têm cada vez mais lugar garantido nos telejornais, preparam cuidadosamente os momentos em que aparecem e aquilo que vão dizer, cada vez mais sem oportunidade a perguntas ou lugar a contraditório. Na realidade o espaço mediático da oposição – nomeadamente o seu espaço no mais poderoso dos media, que é a televisão – está cada vez mais reduzido às polémicas internas de cada partido e não a questões de fundo.
A televisão, na sua forma actual, favorece objectivamente a propaganda em detrimento da informação: relatar às pessoas o que aconteceu ou o que um político pensa arrisca-se a ser monótono e desinteressante, ganha sempre uma qualquer acção bem encenada mesmo que vazia de conteúdo ou até, paradoxalmente, de novidade.
A decisão de Paulo Portas, de assinalar a rentrée política no You Tube, tem duas leituras: por um lado é claramente a tentativa de ganhar uma imagem de modernidade e de contemporaneidade tecnológica; mas, por outro, é também a constatação de que, de outra forma, não conseguiria expor o que pensa, de forma articulada, sobre cada um dos temas que abordou: os vetos presidenciais, a destruição de propriedade privada por neo-ecologistas em Silves e, finalmente, a questão do aumento das taxas de juro.
A nossa sociedade alimenta-se de paradoxos e um deles, delicioso por sinal, é que Paulo Portas se tenha estreado no You Tube na mesma semana em que o Governo andou por esse país a distribuir computadores e placas de acesso à internet por banda larga para ter mais um pretexto para aparecer na televisão. Resta a esperança de que alguns dos destinatários dos computadores o tenham usado para ver Portas no You Tube, à mesma hora em o cerimonial das ofertas era religiosamente passado no Telejornal.
Hugo Chávez dificilmente seria uma estrela do You Tube: os seus longos discursos não encaixam nos formatos reduzidos que agradam aos espectadores do canal de vídeo para computadores. Mas a verdade é que Chávez também não precisa – quando quer vai à TV do Estado na Venezuela e fica dezenas de minutos a falar sem ser interrompido; por cá, Sócrates e seus ministros têm cada vez mais lugar garantido nos telejornais, preparam cuidadosamente os momentos em que aparecem e aquilo que vão dizer, cada vez mais sem oportunidade a perguntas ou lugar a contraditório. Na realidade o espaço mediático da oposição – nomeadamente o seu espaço no mais poderoso dos media, que é a televisão – está cada vez mais reduzido às polémicas internas de cada partido e não a questões de fundo.
A televisão, na sua forma actual, favorece objectivamente a propaganda em detrimento da informação: relatar às pessoas o que aconteceu ou o que um político pensa arrisca-se a ser monótono e desinteressante, ganha sempre uma qualquer acção bem encenada mesmo que vazia de conteúdo ou até, paradoxalmente, de novidade.
A decisão de Paulo Portas, de assinalar a rentrée política no You Tube, tem duas leituras: por um lado é claramente a tentativa de ganhar uma imagem de modernidade e de contemporaneidade tecnológica; mas, por outro, é também a constatação de que, de outra forma, não conseguiria expor o que pensa, de forma articulada, sobre cada um dos temas que abordou: os vetos presidenciais, a destruição de propriedade privada por neo-ecologistas em Silves e, finalmente, a questão do aumento das taxas de juro.
A nossa sociedade alimenta-se de paradoxos e um deles, delicioso por sinal, é que Paulo Portas se tenha estreado no You Tube na mesma semana em que o Governo andou por esse país a distribuir computadores e placas de acesso à internet por banda larga para ter mais um pretexto para aparecer na televisão. Resta a esperança de que alguns dos destinatários dos computadores o tenham usado para ver Portas no You Tube, à mesma hora em o cerimonial das ofertas era religiosamente passado no Telejornal.
setembro 02, 2007
OFERTAS – Aqui há uns anos, numas eleições autárquicas, havia candidatos que se promoviam à custa de electrodomésticos; agora é o Governo que se promove à custa de entregas de computadores. O conteúdo é diferente, mas o princípio é o mesmo.
CURIOSO – A TVE decidiu deixar de fazer transmissões directas de touradas. Mantém magazines sobre tauromaquia, mas o serviço público de televisão no país mais aficionado por toiros do mundo resolveu que deixaria as touradas para as praças de touros. Vindo de um serviço público é um exemplo curioso, não é?
ASAE – Coisas que a ASAE deve estar quase a classificar como espécies em vias de extinção: a venda de bolacha americana na praia; as simpatias de alguns restaurantes algarvios que oferecem no fim da refeição uma medronheira caseira aos clientes; peixe não congelado nem embalado, assado na brasa ao ar livre, num grelhador feito a partir de um bidon; restaurantes com bancos corridos não ergonómicos nem certificados por um qualquer burocrata europeu; tarte de alfarroba não pasteurizada nem embalada.
ROTUNDAS – Há uns anos que não andava em vai-vem pelo país e julgava que o movimento de construção de rotundas tinha abrandado. Puro engano, a rotundomania continua em grande forma, a maior parte tem ajardinados horrendos, fontes em esguincho e, alguns, peças escultóricas medonhas - os autarcas são na realidade a vanguarda responsável por pôr o país inteiro a andar aos círculos sem sair do mesmo sítio.
A MESMA LUTA – António Costa e Rui Rio mostram ter grandes semelhanças em matéria de entretenimento. Rio resolveu monopolizar os céus do Porto para uma mais que discutível corrida de aviões - na prática por cima da cidade - e ninguém acha a coisa absurda; e António Costa promove um festival de magia e ilusionismo pelas ruas da Baixa, ao mesmo tempo que se deixou cair na tentação de transformar o Terreiro do Paço numa feira de fim-de-semana. Ambos gostam mais de fogachos do que em pensar uma política de entretenimento, diversão e cultura estruturantes, mas pelo meio lá vão gastando os magros orçamentos que têm. La Feria, que se tinha albergado nos braços de Rui Rio, deve estar prestes a regressar a Lisboa, ao regaço de António Costa. Ou então divide-se por ambos: dois apoios sempre são melhores que um só – é a globalização norte-sul…
INVESTIGAR – Um dos meus géneros favoritos é o livro policial. Há uns tempos vi umas referências elogiosas a uma escritora norte-americana que não conhecia, Sara Paretsky, Foi ela a criadora da detective privada V. I. Warshawski, em cujas aventuras baseia a sua escrita, que já vai em mais de uma dúzia de títulos publicados. Pesquisando na net vi elogiosas referências a um dos títulos recentes, de 2003, «Blacklist» e resolvi encomendá-lo pela Amazon. Saiu-me uma edição de bolso da Penguin, de letra minúscula, mas que apesar desse desconforto, se lê sem parar. A escrita de Paretsky é envolvente, intimista, relatada sempre na primeira pessoa, em nome da detective Warshawski, mulher de vida complicada, algo confusa e obcecada por uma boa investigação. O que é certo é que fiquei fã de Paretsky e resta-me agora continuar a ler o resto da sua obra. O próximo é capaz de ser «Ghost Country», um não policial, descrito como « uma viagem mágica e emocionante por algumas das mais cruéis ruas de Chicago», precisamente a cidade onde a escritora vive.
DESCOBRIR – As gravações das actuações de John Coltrane no Festival de Newport em 1963 e 1965, agora pela primeira vez reunidas num CD, «My Favourite Things: Coltrane at Newport». A gravação de 1963 apresenta os três temas com que Coltrane encerrou o Festival desse ano,«I Want To Talk About You», um clássico de Billy Eckstine, o standard «My Favourite Things» da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein e finalmente um tema do próprio Coltrane, «Impressions». Nessa noite Coltrane era acompanhado por McCoy Tyner no piano, por Jimmy Garrison no contrabaixo e por Roy Haynes na bateria. Dois anos mais tarde a banda era quase a mesma (Elvin Jones estava de regresso à bateria no quarteto de Coltrane), mas a música estava mais solta e arrojada, era o tempo em que se experimentava a «New Thing». Curioso comparar a versão deste segundo ano de «My Favorite Things» com a de dois anos antes, e muito interessante ver como Coltrane , em termos de composição e improviso, avançava no seu tema «One Down, One Up». Coltrane havia ainda de regressar a Newport um ano depois, no que foi a sua última apresentação no Festival – o músico morreu em 1967, aos 40 anos. As gravações destes dois primeiros anos de Coltrane no Newport Jazz Festival são considerados momentos altos de uma carreira meteórica. CD Impulse, Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – É muito perigoso querer ter razão quando um Governo persiste nos erros, Voltaire.
CURIOSO – A TVE decidiu deixar de fazer transmissões directas de touradas. Mantém magazines sobre tauromaquia, mas o serviço público de televisão no país mais aficionado por toiros do mundo resolveu que deixaria as touradas para as praças de touros. Vindo de um serviço público é um exemplo curioso, não é?
ASAE – Coisas que a ASAE deve estar quase a classificar como espécies em vias de extinção: a venda de bolacha americana na praia; as simpatias de alguns restaurantes algarvios que oferecem no fim da refeição uma medronheira caseira aos clientes; peixe não congelado nem embalado, assado na brasa ao ar livre, num grelhador feito a partir de um bidon; restaurantes com bancos corridos não ergonómicos nem certificados por um qualquer burocrata europeu; tarte de alfarroba não pasteurizada nem embalada.
ROTUNDAS – Há uns anos que não andava em vai-vem pelo país e julgava que o movimento de construção de rotundas tinha abrandado. Puro engano, a rotundomania continua em grande forma, a maior parte tem ajardinados horrendos, fontes em esguincho e, alguns, peças escultóricas medonhas - os autarcas são na realidade a vanguarda responsável por pôr o país inteiro a andar aos círculos sem sair do mesmo sítio.
A MESMA LUTA – António Costa e Rui Rio mostram ter grandes semelhanças em matéria de entretenimento. Rio resolveu monopolizar os céus do Porto para uma mais que discutível corrida de aviões - na prática por cima da cidade - e ninguém acha a coisa absurda; e António Costa promove um festival de magia e ilusionismo pelas ruas da Baixa, ao mesmo tempo que se deixou cair na tentação de transformar o Terreiro do Paço numa feira de fim-de-semana. Ambos gostam mais de fogachos do que em pensar uma política de entretenimento, diversão e cultura estruturantes, mas pelo meio lá vão gastando os magros orçamentos que têm. La Feria, que se tinha albergado nos braços de Rui Rio, deve estar prestes a regressar a Lisboa, ao regaço de António Costa. Ou então divide-se por ambos: dois apoios sempre são melhores que um só – é a globalização norte-sul…
INVESTIGAR – Um dos meus géneros favoritos é o livro policial. Há uns tempos vi umas referências elogiosas a uma escritora norte-americana que não conhecia, Sara Paretsky, Foi ela a criadora da detective privada V. I. Warshawski, em cujas aventuras baseia a sua escrita, que já vai em mais de uma dúzia de títulos publicados. Pesquisando na net vi elogiosas referências a um dos títulos recentes, de 2003, «Blacklist» e resolvi encomendá-lo pela Amazon. Saiu-me uma edição de bolso da Penguin, de letra minúscula, mas que apesar desse desconforto, se lê sem parar. A escrita de Paretsky é envolvente, intimista, relatada sempre na primeira pessoa, em nome da detective Warshawski, mulher de vida complicada, algo confusa e obcecada por uma boa investigação. O que é certo é que fiquei fã de Paretsky e resta-me agora continuar a ler o resto da sua obra. O próximo é capaz de ser «Ghost Country», um não policial, descrito como « uma viagem mágica e emocionante por algumas das mais cruéis ruas de Chicago», precisamente a cidade onde a escritora vive.
DESCOBRIR – As gravações das actuações de John Coltrane no Festival de Newport em 1963 e 1965, agora pela primeira vez reunidas num CD, «My Favourite Things: Coltrane at Newport». A gravação de 1963 apresenta os três temas com que Coltrane encerrou o Festival desse ano,«I Want To Talk About You», um clássico de Billy Eckstine, o standard «My Favourite Things» da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein e finalmente um tema do próprio Coltrane, «Impressions». Nessa noite Coltrane era acompanhado por McCoy Tyner no piano, por Jimmy Garrison no contrabaixo e por Roy Haynes na bateria. Dois anos mais tarde a banda era quase a mesma (Elvin Jones estava de regresso à bateria no quarteto de Coltrane), mas a música estava mais solta e arrojada, era o tempo em que se experimentava a «New Thing». Curioso comparar a versão deste segundo ano de «My Favorite Things» com a de dois anos antes, e muito interessante ver como Coltrane , em termos de composição e improviso, avançava no seu tema «One Down, One Up». Coltrane havia ainda de regressar a Newport um ano depois, no que foi a sua última apresentação no Festival – o músico morreu em 1967, aos 40 anos. As gravações destes dois primeiros anos de Coltrane no Newport Jazz Festival são considerados momentos altos de uma carreira meteórica. CD Impulse, Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – É muito perigoso querer ter razão quando um Governo persiste nos erros, Voltaire.
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OFERTAS – Aqui há uns anos, numas eleições autárquicas, havia candidatos que se promoviam à custa de electrodomésticos; agora é o Governo que se promove à custa de entregas de computadores. O conteúdo é diferente, mas o princípio é o mesmo.
CURIOSO – A TVE decidiu deixar de fazer transmissões directas de touradas. Mantém magazines sobre tauromaquia, mas o serviço público de televisão no país mais aficionado por toiros do mundo resolveu que deixaria as touradas para as praças de touros. Vindo de um serviço público é um exemplo curioso, não é?
ASAE – Coisas que a ASAE deve estar quase a classificar como espécies em vias de extinção: a venda de bolacha americana na praia; as simpatias de alguns restaurantes algarvios que oferecem no fim da refeição uma medronheira caseira aos clientes; peixe não congelado nem embalado, assado na brasa ao ar livre, num grelhador feito a partir de um bidon; restaurantes com bancos corridos não ergonómicos nem certificados por um qualquer burocrata europeu; tarte de alfarroba não pasteurizada nem embalada.
ROTUNDAS – Há uns anos que não andava em vai-vem pelo país e julgava que o movimento de construção de rotundas tinha abrandado. Puro engano, a rotundomania continua em grande forma, a maior parte tem ajardinados horrendos, fontes em esguincho e, alguns, peças escultóricas medonhas - os autarcas são na realidade a vanguarda responsável por pôr o país inteiro a andar aos círculos sem sair do mesmo sítio.
A MESMA LUTA – António Costa e Rui Rio mostram ter grandes semelhanças em matéria de entretenimento. Rio resolveu monopolizar os céus do Porto para uma mais que discutível corrida de aviões - na prática por cima da cidade - e ninguém acha a coisa absurda; e António Costa promove um festival de magia e ilusionismo pelas ruas da Baixa, ao mesmo tempo que se deixou cair na tentação de transformar o Terreiro do Paço numa feira de fim-de-semana. Ambos gostam mais de fogachos do que em pensar uma política de entretenimento, diversão e cultura estruturantes, mas pelo meio lá vão gastando os magros orçamentos que têm. La Feria, que se tinha albergado nos braços de Rui Rio, deve estar prestes a regressar a Lisboa, ao regaço de António Costa. Ou então divide-se por ambos: dois apoios sempre são melhores que um só – é a globalização norte-sul…
INVESTIGAR – Um dos meus géneros favoritos é o livro policial. Há uns tempos vi umas referências elogiosas a uma escritora norte-americana que não conhecia, Sara Paretsky, Foi ela a criadora da detective privada V. I. Warshawski, em cujas aventuras baseia a sua escrita, que já vai em mais de uma dúzia de títulos publicados. Pesquisando na net vi elogiosas referências a um dos títulos recentes, de 2003, «Blacklist» e resolvi encomendá-lo pela Amazon. Saiu-me uma edição de bolso da Penguin, de letra minúscula, mas que apesar desse desconforto, se lê sem parar. A escrita de Paretsky é envolvente, intimista, relatada sempre na primeira pessoa, em nome da detective Warshawski, mulher de vida complicada, algo confusa e obcecada por uma boa investigação. O que é certo é que fiquei fã de Paretsky e resta-me agora continuar a ler o resto da sua obra. O próximo é capaz de ser «Ghost Country», um não policial, descrito como « uma viagem mágica e emocionante por algumas das mais cruéis ruas de Chicago», precisamente a cidade onde a escritora vive.
DESCOBRIR – As gravações das actuações de John Coltrane no Festival de Newport em 1963 e 1965, agora pela primeira vez reunidas num CD, «My Favourite Things: Coltrane at Newport». A gravação de 1963 apresenta os três temas com que Coltrane encerrou o Festival desse ano,«I Want To Talk About You», um clássico de Billy Eckstine, o standard «My Favourite Things» da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein e finalmente um tema do próprio Coltrane, «Impressions». Nessa noite Coltrane era acompanhado por McCoy Tyner no piano, por Jimmy Garrison no contrabaixo e por Roy Haynes na bateria. Dois anos mais tarde a banda era quase a mesma (Elvin Jones estava de regresso à bateria no quarteto de Coltrane), mas a música estava mais solta e arrojada, era o tempo em que se experimentava a «New Thing». Curioso comparar a versão deste segundo ano de «My Favorite Things» com a de dois anos antes, e muito interessante ver como Coltrane , em termos de composição e improviso, avançava no seu tema «One Down, One Up». Coltrane havia ainda de regressar a Newport um ano depois, no que foi a sua última apresentação no Festival – o músico morreu em 1967, aos 40 anos. As gravações destes dois primeiros anos de Coltrane no Newport Jazz Festival são considerados momentos altos de uma carreira meteórica. CD Impulse, Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – É muito perigoso querer ter razão quando um Governo persiste nos erros, Voltaire.
CURIOSO – A TVE decidiu deixar de fazer transmissões directas de touradas. Mantém magazines sobre tauromaquia, mas o serviço público de televisão no país mais aficionado por toiros do mundo resolveu que deixaria as touradas para as praças de touros. Vindo de um serviço público é um exemplo curioso, não é?
ASAE – Coisas que a ASAE deve estar quase a classificar como espécies em vias de extinção: a venda de bolacha americana na praia; as simpatias de alguns restaurantes algarvios que oferecem no fim da refeição uma medronheira caseira aos clientes; peixe não congelado nem embalado, assado na brasa ao ar livre, num grelhador feito a partir de um bidon; restaurantes com bancos corridos não ergonómicos nem certificados por um qualquer burocrata europeu; tarte de alfarroba não pasteurizada nem embalada.
ROTUNDAS – Há uns anos que não andava em vai-vem pelo país e julgava que o movimento de construção de rotundas tinha abrandado. Puro engano, a rotundomania continua em grande forma, a maior parte tem ajardinados horrendos, fontes em esguincho e, alguns, peças escultóricas medonhas - os autarcas são na realidade a vanguarda responsável por pôr o país inteiro a andar aos círculos sem sair do mesmo sítio.
A MESMA LUTA – António Costa e Rui Rio mostram ter grandes semelhanças em matéria de entretenimento. Rio resolveu monopolizar os céus do Porto para uma mais que discutível corrida de aviões - na prática por cima da cidade - e ninguém acha a coisa absurda; e António Costa promove um festival de magia e ilusionismo pelas ruas da Baixa, ao mesmo tempo que se deixou cair na tentação de transformar o Terreiro do Paço numa feira de fim-de-semana. Ambos gostam mais de fogachos do que em pensar uma política de entretenimento, diversão e cultura estruturantes, mas pelo meio lá vão gastando os magros orçamentos que têm. La Feria, que se tinha albergado nos braços de Rui Rio, deve estar prestes a regressar a Lisboa, ao regaço de António Costa. Ou então divide-se por ambos: dois apoios sempre são melhores que um só – é a globalização norte-sul…
INVESTIGAR – Um dos meus géneros favoritos é o livro policial. Há uns tempos vi umas referências elogiosas a uma escritora norte-americana que não conhecia, Sara Paretsky, Foi ela a criadora da detective privada V. I. Warshawski, em cujas aventuras baseia a sua escrita, que já vai em mais de uma dúzia de títulos publicados. Pesquisando na net vi elogiosas referências a um dos títulos recentes, de 2003, «Blacklist» e resolvi encomendá-lo pela Amazon. Saiu-me uma edição de bolso da Penguin, de letra minúscula, mas que apesar desse desconforto, se lê sem parar. A escrita de Paretsky é envolvente, intimista, relatada sempre na primeira pessoa, em nome da detective Warshawski, mulher de vida complicada, algo confusa e obcecada por uma boa investigação. O que é certo é que fiquei fã de Paretsky e resta-me agora continuar a ler o resto da sua obra. O próximo é capaz de ser «Ghost Country», um não policial, descrito como « uma viagem mágica e emocionante por algumas das mais cruéis ruas de Chicago», precisamente a cidade onde a escritora vive.
DESCOBRIR – As gravações das actuações de John Coltrane no Festival de Newport em 1963 e 1965, agora pela primeira vez reunidas num CD, «My Favourite Things: Coltrane at Newport». A gravação de 1963 apresenta os três temas com que Coltrane encerrou o Festival desse ano,«I Want To Talk About You», um clássico de Billy Eckstine, o standard «My Favourite Things» da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein e finalmente um tema do próprio Coltrane, «Impressions». Nessa noite Coltrane era acompanhado por McCoy Tyner no piano, por Jimmy Garrison no contrabaixo e por Roy Haynes na bateria. Dois anos mais tarde a banda era quase a mesma (Elvin Jones estava de regresso à bateria no quarteto de Coltrane), mas a música estava mais solta e arrojada, era o tempo em que se experimentava a «New Thing». Curioso comparar a versão deste segundo ano de «My Favorite Things» com a de dois anos antes, e muito interessante ver como Coltrane , em termos de composição e improviso, avançava no seu tema «One Down, One Up». Coltrane havia ainda de regressar a Newport um ano depois, no que foi a sua última apresentação no Festival – o músico morreu em 1967, aos 40 anos. As gravações destes dois primeiros anos de Coltrane no Newport Jazz Festival são considerados momentos altos de uma carreira meteórica. CD Impulse, Distribuição Universal Music.
BACK TO BASICS – É muito perigoso querer ter razão quando um Governo persiste nos erros, Voltaire.
agosto 29, 2007
TELEVISÃO – Se fosse ao Dr. Balsemão ficaria preocupado com os resultados de audiências mais recentes da SIC e furioso com a RTP, que continua em guerra aberta pelo segundo lugar na preferência dos telespectadores. É uma guerra de significado político claro, actualmente o telejornal da SIC já fica praticamente sempre em terceiro lugar e a perca de influência informativa em relação à estação financiada pelo Estado é cada vez mais evidente.
ERC – Os relatórios da ERC parecem-se cada vez mais com tentativas de branquear a acção do Governo nas relações com a Comunicação Social. A recente sugestão da criação de um conjunto de normas para regulamentar a relação dos assessores governamentais com os jornalistas é absolutamente sintomática do delírio reinante: o trabalho dos assessores de imprensa dos políticos é tentar evitar que surjam notícias desfavoráveis, procurar publicitar factos agradáveis e acima de tudo evitar as verdades incómodas. Querer regulamentar esta linha de acção é por junto institucionalizar a manipulação como parte do processo informativo. Simplesmente lamentável.
PSD – Quando um partido político tem de escolher entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, é muito mau sinal; é uma escolha entre uma pessoa estimável mas sem chama e um autêntico lança chamas cujo combustível é o populismo. A situação da direita e do centro direita assemelha-se a uma piscina a que abriram o ralo – anda num remoinho, mas fica cada vez mais vazia.
PROCURA – Suscitou muita procura e pedido de informação à referência ao mais recente número da «Monocle», aqui feita na semana passada. Vários quadrantes da autarquia perguntaram onde a poderiam obter. Folgo em saber que se interessam pelo tema das políticas para as cidades. A «Monocle» é uma revista fundada por Tyler Brûlé (o homem que também criou a «Wallpaper» e agora escreve aos sábados no International Herald Tribune) e esta sua nova publicação está cada vez melhor.
LISBOA – Eu acho que uma das áreas onde os escritos da «Monocle» sobre as cidades têm mais relevância é na vida cultural e na oferta de entretenimento que existe nas urbes. Aguarda-se que o novo executivo camarário dê algum sinal sobre o que nessa área tenciona fazer – tanto mais que o programa eleitoral de António Costa nesta matéria era de uma pobreza franciscana, limitando-se a meia dúzia de lugares comuns e com muito pouca correspondência com o que já é a realidade de Lisboa e a relação que deve manter com as instituições nacionais existentes na cidade. A este propósito foi sintomático o silêncio, quer do Presidente da Câmara, quer da sua vereadora da Cultura, em relação ao caso do afastamento da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Submissão à política governamental ou falta de interesse ou/e conhecimento sobre o assunto?
LER – Gosto de livros de espionagem e um dos mais deliciosos que me lembro de ler foi devorado nestes últimos dias. Chama-se «O Correspondente» e relata as peripécias de um grupo de refugiados italianos que tentam combater Mussolini a partir de Paris, em vésperas do início da II Grande Guerra. É a história das tensões entre as diplomacias e as suas extensões nos serviços secretos do Reino Unido, França, Itália e Alemanha. O seu autor, Alan Furst, escreveu oito novelas de espionagem antes desta – porventura a que se tornou mais conhecida – e vê-se que domina o género. A forma da sua escrita combina a acção com a emoção, um estilo que por vezes corre mal mas que neste «O Correspondente» resulta da melhor forma.
BEBIDA – Embora este verão não esteja a ser muito quente, daqui saúdo a mais recente guerra das cervejas, em torno do formato «mini». A mini é uma garrafa de 20 cl, ou seja mais ou menos o mesmo que uma imperial. Este ano a Sagres convidou uma série de designers a refazerem as suas garrafas numa edição limitada com muita graça e lançou a Bohemia mini e a Super-Bock voltou a atacar no formato reduzido. Parece que as minis são sobretudo populares abaixo do Tejo e que a Sagres tem sido líder no segmento. O esforço da Super Bock para entrar no reino das minis é bem vindo. Eu gosto das minis, é um formato que apela a ser bebido directamente da garrafa, sem aquecer no transbordo para um copo. Direitinhas do frigorífico as minis são uma das boas coisas deste nosso Portugal.
OUVIR – Nestas férias uma presença constante tem sido uma recente edição dos quartetos para cordas de Brahms (e do quinteto para cordas e piano), gravadas por ocasião do 30º aniversário do Emerson String Quartet , aqui, no quinteto, com a participação do pianista Leon Fleisher. CD duplo Deutsche Grammophon.
BACK TO BASICS – Os politicos contam mentiras aos jornalistas e depois acreditam no que lêem (Alan Furst, adaptado, retirado de «O Correspondente»).
ERC – Os relatórios da ERC parecem-se cada vez mais com tentativas de branquear a acção do Governo nas relações com a Comunicação Social. A recente sugestão da criação de um conjunto de normas para regulamentar a relação dos assessores governamentais com os jornalistas é absolutamente sintomática do delírio reinante: o trabalho dos assessores de imprensa dos políticos é tentar evitar que surjam notícias desfavoráveis, procurar publicitar factos agradáveis e acima de tudo evitar as verdades incómodas. Querer regulamentar esta linha de acção é por junto institucionalizar a manipulação como parte do processo informativo. Simplesmente lamentável.
PSD – Quando um partido político tem de escolher entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, é muito mau sinal; é uma escolha entre uma pessoa estimável mas sem chama e um autêntico lança chamas cujo combustível é o populismo. A situação da direita e do centro direita assemelha-se a uma piscina a que abriram o ralo – anda num remoinho, mas fica cada vez mais vazia.
PROCURA – Suscitou muita procura e pedido de informação à referência ao mais recente número da «Monocle», aqui feita na semana passada. Vários quadrantes da autarquia perguntaram onde a poderiam obter. Folgo em saber que se interessam pelo tema das políticas para as cidades. A «Monocle» é uma revista fundada por Tyler Brûlé (o homem que também criou a «Wallpaper» e agora escreve aos sábados no International Herald Tribune) e esta sua nova publicação está cada vez melhor.
LISBOA – Eu acho que uma das áreas onde os escritos da «Monocle» sobre as cidades têm mais relevância é na vida cultural e na oferta de entretenimento que existe nas urbes. Aguarda-se que o novo executivo camarário dê algum sinal sobre o que nessa área tenciona fazer – tanto mais que o programa eleitoral de António Costa nesta matéria era de uma pobreza franciscana, limitando-se a meia dúzia de lugares comuns e com muito pouca correspondência com o que já é a realidade de Lisboa e a relação que deve manter com as instituições nacionais existentes na cidade. A este propósito foi sintomático o silêncio, quer do Presidente da Câmara, quer da sua vereadora da Cultura, em relação ao caso do afastamento da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Submissão à política governamental ou falta de interesse ou/e conhecimento sobre o assunto?
LER – Gosto de livros de espionagem e um dos mais deliciosos que me lembro de ler foi devorado nestes últimos dias. Chama-se «O Correspondente» e relata as peripécias de um grupo de refugiados italianos que tentam combater Mussolini a partir de Paris, em vésperas do início da II Grande Guerra. É a história das tensões entre as diplomacias e as suas extensões nos serviços secretos do Reino Unido, França, Itália e Alemanha. O seu autor, Alan Furst, escreveu oito novelas de espionagem antes desta – porventura a que se tornou mais conhecida – e vê-se que domina o género. A forma da sua escrita combina a acção com a emoção, um estilo que por vezes corre mal mas que neste «O Correspondente» resulta da melhor forma.
BEBIDA – Embora este verão não esteja a ser muito quente, daqui saúdo a mais recente guerra das cervejas, em torno do formato «mini». A mini é uma garrafa de 20 cl, ou seja mais ou menos o mesmo que uma imperial. Este ano a Sagres convidou uma série de designers a refazerem as suas garrafas numa edição limitada com muita graça e lançou a Bohemia mini e a Super-Bock voltou a atacar no formato reduzido. Parece que as minis são sobretudo populares abaixo do Tejo e que a Sagres tem sido líder no segmento. O esforço da Super Bock para entrar no reino das minis é bem vindo. Eu gosto das minis, é um formato que apela a ser bebido directamente da garrafa, sem aquecer no transbordo para um copo. Direitinhas do frigorífico as minis são uma das boas coisas deste nosso Portugal.
OUVIR – Nestas férias uma presença constante tem sido uma recente edição dos quartetos para cordas de Brahms (e do quinteto para cordas e piano), gravadas por ocasião do 30º aniversário do Emerson String Quartet , aqui, no quinteto, com a participação do pianista Leon Fleisher. CD duplo Deutsche Grammophon.
BACK TO BASICS – Os politicos contam mentiras aos jornalistas e depois acreditam no que lêem (Alan Furst, adaptado, retirado de «O Correspondente»).
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TELEVISÃO – Se fosse ao Dr. Balsemão ficaria preocupado com os resultados de audiências mais recentes da SIC e furioso com a RTP, que continua em guerra aberta pelo segundo lugar na preferência dos telespectadores. É uma guerra de significado político claro, actualmente o telejornal da SIC já fica praticamente sempre em terceiro lugar e a perca de influência informativa em relação à estação financiada pelo Estado é cada vez mais evidente.
ERC – Os relatórios da ERC parecem-se cada vez mais com tentativas de branquear a acção do Governo nas relações com a Comunicação Social. A recente sugestão da criação de um conjunto de normas para regulamentar a relação dos assessores governamentais com os jornalistas é absolutamente sintomática do delírio reinante: o trabalho dos assessores de imprensa dos políticos é tentar evitar que surjam notícias desfavoráveis, procurar publicitar factos agradáveis e acima de tudo evitar as verdades incómodas. Querer regulamentar esta linha de acção é por junto institucionalizar a manipulação como parte do processo informativo. Simplesmente lamentável.
PSD – Quando um partido político tem de escolher entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, é muito mau sinal; é uma escolha entre uma pessoa estimável mas sem chama e um autêntico lança chamas cujo combustível é o populismo. A situação da direita e do centro direita assemelha-se a uma piscina a que abriram o ralo – anda num remoinho, mas fica cada vez mais vazia.
PROCURA – Suscitou muita procura e pedido de informação à referência ao mais recente número da «Monocle», aqui feita na semana passada. Vários quadrantes da autarquia perguntaram onde a poderiam obter. Folgo em saber que se interessam pelo tema das políticas para as cidades. A «Monocle» é uma revista fundada por Tyler Brûlé (o homem que também criou a «Wallpaper» e agora escreve aos sábados no International Herald Tribune) e esta sua nova publicação está cada vez melhor.
LISBOA – Eu acho que uma das áreas onde os escritos da «Monocle» sobre as cidades têm mais relevância é na vida cultural e na oferta de entretenimento que existe nas urbes. Aguarda-se que o novo executivo camarário dê algum sinal sobre o que nessa área tenciona fazer – tanto mais que o programa eleitoral de António Costa nesta matéria era de uma pobreza franciscana, limitando-se a meia dúzia de lugares comuns e com muito pouca correspondência com o que já é a realidade de Lisboa e a relação que deve manter com as instituições nacionais existentes na cidade. A este propósito foi sintomático o silêncio, quer do Presidente da Câmara, quer da sua vereadora da Cultura, em relação ao caso do afastamento da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Submissão à política governamental ou falta de interesse ou/e conhecimento sobre o assunto?
LER – Gosto de livros de espionagem e um dos mais deliciosos que me lembro de ler foi devorado nestes últimos dias. Chama-se «O Correspondente» e relata as peripécias de um grupo de refugiados italianos que tentam combater Mussolini a partir de Paris, em vésperas do início da II Grande Guerra. É a história das tensões entre as diplomacias e as suas extensões nos serviços secretos do Reino Unido, França, Itália e Alemanha. O seu autor, Alan Furst, escreveu oito novelas de espionagem antes desta – porventura a que se tornou mais conhecida – e vê-se que domina o género. A forma da sua escrita combina a acção com a emoção, um estilo que por vezes corre mal mas que neste «O Correspondente» resulta da melhor forma.
BEBIDA – Embora este verão não esteja a ser muito quente, daqui saúdo a mais recente guerra das cervejas, em torno do formato «mini». A mini é uma garrafa de 20 cl, ou seja mais ou menos o mesmo que uma imperial. Este ano a Sagres convidou uma série de designers a refazerem as suas garrafas numa edição limitada com muita graça e lançou a Bohemia mini e a Super-Bock voltou a atacar no formato reduzido. Parece que as minis são sobretudo populares abaixo do Tejo e que a Sagres tem sido líder no segmento. O esforço da Super Bock para entrar no reino das minis é bem vindo. Eu gosto das minis, é um formato que apela a ser bebido directamente da garrafa, sem aquecer no transbordo para um copo. Direitinhas do frigorífico as minis são uma das boas coisas deste nosso Portugal.
OUVIR – Nestas férias uma presença constante tem sido uma recente edição dos quartetos para cordas de Brahms (e do quinteto para cordas e piano), gravadas por ocasião do 30º aniversário do Emerson String Quartet , aqui, no quinteto, com a participação do pianista Leon Fleisher. CD duplo Deutsche Grammophon.
BACK TO BASICS – Os politicos contam mentiras aos jornalistas e depois acreditam no que lêem (Alan Furst, adaptado, retirado de «O Correspondente»).
ERC – Os relatórios da ERC parecem-se cada vez mais com tentativas de branquear a acção do Governo nas relações com a Comunicação Social. A recente sugestão da criação de um conjunto de normas para regulamentar a relação dos assessores governamentais com os jornalistas é absolutamente sintomática do delírio reinante: o trabalho dos assessores de imprensa dos políticos é tentar evitar que surjam notícias desfavoráveis, procurar publicitar factos agradáveis e acima de tudo evitar as verdades incómodas. Querer regulamentar esta linha de acção é por junto institucionalizar a manipulação como parte do processo informativo. Simplesmente lamentável.
PSD – Quando um partido político tem de escolher entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, é muito mau sinal; é uma escolha entre uma pessoa estimável mas sem chama e um autêntico lança chamas cujo combustível é o populismo. A situação da direita e do centro direita assemelha-se a uma piscina a que abriram o ralo – anda num remoinho, mas fica cada vez mais vazia.
PROCURA – Suscitou muita procura e pedido de informação à referência ao mais recente número da «Monocle», aqui feita na semana passada. Vários quadrantes da autarquia perguntaram onde a poderiam obter. Folgo em saber que se interessam pelo tema das políticas para as cidades. A «Monocle» é uma revista fundada por Tyler Brûlé (o homem que também criou a «Wallpaper» e agora escreve aos sábados no International Herald Tribune) e esta sua nova publicação está cada vez melhor.
LISBOA – Eu acho que uma das áreas onde os escritos da «Monocle» sobre as cidades têm mais relevância é na vida cultural e na oferta de entretenimento que existe nas urbes. Aguarda-se que o novo executivo camarário dê algum sinal sobre o que nessa área tenciona fazer – tanto mais que o programa eleitoral de António Costa nesta matéria era de uma pobreza franciscana, limitando-se a meia dúzia de lugares comuns e com muito pouca correspondência com o que já é a realidade de Lisboa e a relação que deve manter com as instituições nacionais existentes na cidade. A este propósito foi sintomático o silêncio, quer do Presidente da Câmara, quer da sua vereadora da Cultura, em relação ao caso do afastamento da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Submissão à política governamental ou falta de interesse ou/e conhecimento sobre o assunto?
LER – Gosto de livros de espionagem e um dos mais deliciosos que me lembro de ler foi devorado nestes últimos dias. Chama-se «O Correspondente» e relata as peripécias de um grupo de refugiados italianos que tentam combater Mussolini a partir de Paris, em vésperas do início da II Grande Guerra. É a história das tensões entre as diplomacias e as suas extensões nos serviços secretos do Reino Unido, França, Itália e Alemanha. O seu autor, Alan Furst, escreveu oito novelas de espionagem antes desta – porventura a que se tornou mais conhecida – e vê-se que domina o género. A forma da sua escrita combina a acção com a emoção, um estilo que por vezes corre mal mas que neste «O Correspondente» resulta da melhor forma.
BEBIDA – Embora este verão não esteja a ser muito quente, daqui saúdo a mais recente guerra das cervejas, em torno do formato «mini». A mini é uma garrafa de 20 cl, ou seja mais ou menos o mesmo que uma imperial. Este ano a Sagres convidou uma série de designers a refazerem as suas garrafas numa edição limitada com muita graça e lançou a Bohemia mini e a Super-Bock voltou a atacar no formato reduzido. Parece que as minis são sobretudo populares abaixo do Tejo e que a Sagres tem sido líder no segmento. O esforço da Super Bock para entrar no reino das minis é bem vindo. Eu gosto das minis, é um formato que apela a ser bebido directamente da garrafa, sem aquecer no transbordo para um copo. Direitinhas do frigorífico as minis são uma das boas coisas deste nosso Portugal.
OUVIR – Nestas férias uma presença constante tem sido uma recente edição dos quartetos para cordas de Brahms (e do quinteto para cordas e piano), gravadas por ocasião do 30º aniversário do Emerson String Quartet , aqui, no quinteto, com a participação do pianista Leon Fleisher. CD duplo Deutsche Grammophon.
BACK TO BASICS – Os politicos contam mentiras aos jornalistas e depois acreditam no que lêem (Alan Furst, adaptado, retirado de «O Correspondente»).
agosto 22, 2007
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ANTÓNIO COSTA – O novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa fazia bem em ler a edição de Julho/Agosto da revista «Monocle», que elaborou uma lista das 20 melhores cidades do mundo para se viver, explicando o porquê da escolha. Lisboa, infelizmente, não está na lista – mas Madrid está, assim como Barcelona. Esta edição inclui ainda artigos sobre estratégias urbanas e uma análise dos pontos críticos que determinam a qualidade de vida numa cidade. Existem cinco recomendações que saliento: trazer pequenas indústrias não poluentes e tecnológicas, ateliers e oficinas para o centro das cidades; garantir que as metrópoles tenham vida ao longo de todas as 24 horas do dia; nomear um director criativo com uma forte visão, que possa criar uma marca própria para cada cidade – e a «Monocle» sublinha que o director criativo responsável por desenvolver a marca da cidade NÃO pode ser o respectivo Presidente de Câmara; garantir espaço exterior – todos os novos edifícios devem oferecer espaço exterior aos seus habitantes, sob a forma de varandas, pátios e terraços no tecto; um esforço forte em criar pequenas aldeias dentro das metrópoles, por forma a dinamizar o sentido de comunidade, fazer desenvolver o pequeno comércio e incentivar as deslocações pedestres.
RECOMENDAÇÕES – A mesma edição da «Monocle» estabelece, em cada uma das 20 cidades recomendadas, uma análise dos principais parâmetros das respectivas avaliações com base em indicadores concretos – dos espaços verdes à segurança, passando pela vida nocturna e oferta cultural. Vale a pena notar que este ano, desde Maio, pela primeira vez na História da humanidade, a população que vive nas cidades passou a ser mais numerosa do que a que vive nos campos. Esta transformação, esta «urbanização» do mundo, coloca problemas e questões e a «Monocle» estuda o tema com seriedade. Um artigo a ler vem assinado por Charles Landry, o director da firma de consultores «Comedia», que se dedica à estratégia de desenvolvimento urbano e foi um dos precursores da ideia das cidades criativas. O seu livro mais recente chama-se «The Art Of City Making» e o tema do seu artigo é «Como construir uma metrópole». Se eu estivesse no governo de uma cidade googlava o seu nome e instruía-me um pouco. Por fim destaco ainda nesta edição o inventário das coisas que devem existir num bairro e os 25 items que podem fazer toda a diferença numa cidade, desde a ligação ao aeroporto até às estações de caminho de ferro, passando pelos wi-fi hot spots.
OUVIR – No início dos anos 80 um dos meus grupos preferidos era um trio que dava pelo nome de Young Marble Giants. Originários de Cardiff, os Young Marble Giants giravam em torno dos irmãos Philip e Stuart Moxham, que asseguravam baixo, guitarra ritmo e orgão electrónico. Alison Statton cantava de uma forma suave e sensível, perfeitamente adequada às composições lineares e envolventes de Stuart. Desde cedo o trio passou a ser acompanhado em teclados, caixas de ritmos e electrónica diversa por Peter Joyce. A carreira da banda começou em 1978 mas o seu disco histórico, «Colossal Youth» é de 1980 (primeira edição ainda em vinyl) e é um marco na música dessa década. Os Young Marble Giants, recordo, eram uma das bandas referência da Rough Trade, uma das históricas editoras independentes que moldaram o som desses tempos. Por iniciativa de uma outra editora independente, contemporânea, a Domino, este ano foi editada uma caixa de três CD’s que inclui o álbum «Colossal Youth», um CD que agrupa o EP «Testcard», o single «Final Day» e registos da gravação do álbum «Salad Days». O terceiro CD da caixa reproduz a actuação da banda no programa de rádio do histórico DJ da BBC John Peel, gravado em Agosto de 1980. A melhor maneira de adquirir a caixa é através da Amazon do Reino Unido.
COMER – Quando lhe apetecer comida italiana, ambiente calmo e uma boa esplanada experimente o Specchio, em Alcântara. A lista é extensa e variada, desde as pizzas aos risottos e massas frescas. O serviço é atento, eficaz, simpático e rápido, uma verdadeira raridade nos tempos que correm. Nas entradas destaco umas gambas salteadas em vinho branco de Puglia e o carpaccio do chefe, muito bem temperado. Na zona mais substancial a mesa decidiu-se por várias pizzas, massa fina e estaladiça, cobertura sem exageros de queijo, todas confeccionadas com cuidado. O Specchio fica no interior do complexo Alcântara Rio, Rua Fradesso da Silveira nº4, Loja 7, tel 213 621 677.
BACK TO BASICS – Todas as actividades podem ser criativas quando quem as faz se esforça por as fazer cada vez melhor – John Updike.
RECOMENDAÇÕES – A mesma edição da «Monocle» estabelece, em cada uma das 20 cidades recomendadas, uma análise dos principais parâmetros das respectivas avaliações com base em indicadores concretos – dos espaços verdes à segurança, passando pela vida nocturna e oferta cultural. Vale a pena notar que este ano, desde Maio, pela primeira vez na História da humanidade, a população que vive nas cidades passou a ser mais numerosa do que a que vive nos campos. Esta transformação, esta «urbanização» do mundo, coloca problemas e questões e a «Monocle» estuda o tema com seriedade. Um artigo a ler vem assinado por Charles Landry, o director da firma de consultores «Comedia», que se dedica à estratégia de desenvolvimento urbano e foi um dos precursores da ideia das cidades criativas. O seu livro mais recente chama-se «The Art Of City Making» e o tema do seu artigo é «Como construir uma metrópole». Se eu estivesse no governo de uma cidade googlava o seu nome e instruía-me um pouco. Por fim destaco ainda nesta edição o inventário das coisas que devem existir num bairro e os 25 items que podem fazer toda a diferença numa cidade, desde a ligação ao aeroporto até às estações de caminho de ferro, passando pelos wi-fi hot spots.
OUVIR – No início dos anos 80 um dos meus grupos preferidos era um trio que dava pelo nome de Young Marble Giants. Originários de Cardiff, os Young Marble Giants giravam em torno dos irmãos Philip e Stuart Moxham, que asseguravam baixo, guitarra ritmo e orgão electrónico. Alison Statton cantava de uma forma suave e sensível, perfeitamente adequada às composições lineares e envolventes de Stuart. Desde cedo o trio passou a ser acompanhado em teclados, caixas de ritmos e electrónica diversa por Peter Joyce. A carreira da banda começou em 1978 mas o seu disco histórico, «Colossal Youth» é de 1980 (primeira edição ainda em vinyl) e é um marco na música dessa década. Os Young Marble Giants, recordo, eram uma das bandas referência da Rough Trade, uma das históricas editoras independentes que moldaram o som desses tempos. Por iniciativa de uma outra editora independente, contemporânea, a Domino, este ano foi editada uma caixa de três CD’s que inclui o álbum «Colossal Youth», um CD que agrupa o EP «Testcard», o single «Final Day» e registos da gravação do álbum «Salad Days». O terceiro CD da caixa reproduz a actuação da banda no programa de rádio do histórico DJ da BBC John Peel, gravado em Agosto de 1980. A melhor maneira de adquirir a caixa é através da Amazon do Reino Unido.
COMER – Quando lhe apetecer comida italiana, ambiente calmo e uma boa esplanada experimente o Specchio, em Alcântara. A lista é extensa e variada, desde as pizzas aos risottos e massas frescas. O serviço é atento, eficaz, simpático e rápido, uma verdadeira raridade nos tempos que correm. Nas entradas destaco umas gambas salteadas em vinho branco de Puglia e o carpaccio do chefe, muito bem temperado. Na zona mais substancial a mesa decidiu-se por várias pizzas, massa fina e estaladiça, cobertura sem exageros de queijo, todas confeccionadas com cuidado. O Specchio fica no interior do complexo Alcântara Rio, Rua Fradesso da Silveira nº4, Loja 7, tel 213 621 677.
BACK TO BASICS – Todas as actividades podem ser criativas quando quem as faz se esforça por as fazer cada vez melhor – John Updike.
ANTÓNIO COSTA – O novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa fazia bem em ler a edição de Julho/Agosto da revista «Monocle», que elaborou uma lista das 20 melhores cidades do mundo para se viver, explicando o porquê da escolha. Lisboa, infelizmente, não está na lista – mas Madrid está, assim como Barcelona. Esta edição inclui ainda artigos sobre estratégias urbanas e uma análise dos pontos críticos que determinam a qualidade de vida numa cidade. Existem cinco recomendações que saliento: trazer pequenas indústrias não poluentes e tecnológicas, ateliers e oficinas para o centro das cidades; garantir que as metrópoles tenham vida ao longo de todas as 24 horas do dia; nomear um director criativo com uma forte visão, que possa criar uma marca própria para cada cidade – e a «Monocle» sublinha que o director criativo responsável por desenvolver a marca da cidade NÃO pode ser o respectivo Presidente de Câmara; garantir espaço exterior – todos os novos edifícios devem oferecer espaço exterior aos seus habitantes, sob a forma de varandas, pátios e terraços no tecto; um esforço forte em criar pequenas aldeias dentro das metrópoles, por forma a dinamizar o sentido de comunidade, fazer desenvolver o pequeno comércio e incentivar as deslocações pedestres.
RECOMENDAÇÕES – A mesma edição da «Monocle» estabelece, em cada uma das 20 cidades recomendadas, uma análise dos principais parâmetros das respectivas avaliações com base em indicadores concretos – dos espaços verdes à segurança, passando pela vida nocturna e oferta cultural. Vale a pena notar que este ano, desde Maio, pela primeira vez na História da humanidade, a população que vive nas cidades passou a ser mais numerosa do que a que vive nos campos. Esta transformação, esta «urbanização» do mundo, coloca problemas e questões e a «Monocle» estuda o tema com seriedade. Um artigo a ler vem assinado por Charles Landry, o director da firma de consultores «Comedia», que se dedica à estratégia de desenvolvimento urbano e foi um dos precursores da ideia das cidades criativas. O seu livro mais recente chama-se «The Art Of City Making» e o tema do seu artigo é «Como construir uma metrópole». Se eu estivesse no governo de uma cidade googlava o seu nome e instruía-me um pouco. Por fim destaco ainda nesta edição o inventário das coisas que devem existir num bairro e os 25 items que podem fazer toda a diferença numa cidade, desde a ligação ao aeroporto até às estações de caminho de ferro, passando pelos wi-fi hot spots.
OUVIR – No início dos anos 80 um dos meus grupos preferidos era um trio que dava pelo nome de Young Marble Giants. Originários de Cardiff, os Young Marble Giants giravam em torno dos irmãos Philip e Stuart Moxham, que asseguravam baixo, guitarra ritmo e orgão electrónico. Alison Statton cantava de uma forma suave e sensível, perfeitamente adequada às composições lineares e envolventes de Stuart. Desde cedo o trio passou a ser acompanhado em teclados, caixas de ritmos e electrónica diversa por Peter Joyce. A carreira da banda começou em 1978 mas o seu disco histórico, «Colossal Youth» é de 1980 (primeira edição ainda em vinyl) e é um marco na música dessa década. Os Young Marble Giants, recordo, eram uma das bandas referência da Rough Trade, uma das históricas editoras independentes que moldaram o som desses tempos. Por iniciativa de uma outra editora independente, contemporânea, a Domino, este ano foi editada uma caixa de três CD’s que inclui o álbum «Colossal Youth», um CD que agrupa o EP «Testcard», o single «Final Day» e registos da gravação do álbum «Salad Days». O terceiro CD da caixa reproduz a actuação da banda no programa de rádio do histórico DJ da BBC John Peel, gravado em Agosto de 1980. A melhor maneira de adquirir a caixa é através da Amazon do Reino Unido.
COMER – Quando lhe apetecer comida italiana, ambiente calmo e uma boa esplanada experimente o Specchio, em Alcântara. A lista é extensa e variada, desde as pizzas aos risottos e massas frescas. O serviço é atento, eficaz, simpático e rápido, uma verdadeira raridade nos tempos que correm. Nas entradas destaco umas gambas salteadas em vinho branco de Puglia e o carpaccio do chefe, muito bem temperado. Na zona mais substancial a mesa decidiu-se por várias pizzas, massa fina e estaladiça, cobertura sem exageros de queijo, todas confeccionadas com cuidado. O Specchio fica no interior do complexo Alcântara Rio, Rua Fradesso da Silveira nº4, Loja 7, tel 213 621 677.
BACK TO BASICS – Todas as actividades podem ser criativas quando quem as faz se esforça por as fazer cada vez melhor – John Updike.
RECOMENDAÇÕES – A mesma edição da «Monocle» estabelece, em cada uma das 20 cidades recomendadas, uma análise dos principais parâmetros das respectivas avaliações com base em indicadores concretos – dos espaços verdes à segurança, passando pela vida nocturna e oferta cultural. Vale a pena notar que este ano, desde Maio, pela primeira vez na História da humanidade, a população que vive nas cidades passou a ser mais numerosa do que a que vive nos campos. Esta transformação, esta «urbanização» do mundo, coloca problemas e questões e a «Monocle» estuda o tema com seriedade. Um artigo a ler vem assinado por Charles Landry, o director da firma de consultores «Comedia», que se dedica à estratégia de desenvolvimento urbano e foi um dos precursores da ideia das cidades criativas. O seu livro mais recente chama-se «The Art Of City Making» e o tema do seu artigo é «Como construir uma metrópole». Se eu estivesse no governo de uma cidade googlava o seu nome e instruía-me um pouco. Por fim destaco ainda nesta edição o inventário das coisas que devem existir num bairro e os 25 items que podem fazer toda a diferença numa cidade, desde a ligação ao aeroporto até às estações de caminho de ferro, passando pelos wi-fi hot spots.
OUVIR – No início dos anos 80 um dos meus grupos preferidos era um trio que dava pelo nome de Young Marble Giants. Originários de Cardiff, os Young Marble Giants giravam em torno dos irmãos Philip e Stuart Moxham, que asseguravam baixo, guitarra ritmo e orgão electrónico. Alison Statton cantava de uma forma suave e sensível, perfeitamente adequada às composições lineares e envolventes de Stuart. Desde cedo o trio passou a ser acompanhado em teclados, caixas de ritmos e electrónica diversa por Peter Joyce. A carreira da banda começou em 1978 mas o seu disco histórico, «Colossal Youth» é de 1980 (primeira edição ainda em vinyl) e é um marco na música dessa década. Os Young Marble Giants, recordo, eram uma das bandas referência da Rough Trade, uma das históricas editoras independentes que moldaram o som desses tempos. Por iniciativa de uma outra editora independente, contemporânea, a Domino, este ano foi editada uma caixa de três CD’s que inclui o álbum «Colossal Youth», um CD que agrupa o EP «Testcard», o single «Final Day» e registos da gravação do álbum «Salad Days». O terceiro CD da caixa reproduz a actuação da banda no programa de rádio do histórico DJ da BBC John Peel, gravado em Agosto de 1980. A melhor maneira de adquirir a caixa é através da Amazon do Reino Unido.
COMER – Quando lhe apetecer comida italiana, ambiente calmo e uma boa esplanada experimente o Specchio, em Alcântara. A lista é extensa e variada, desde as pizzas aos risottos e massas frescas. O serviço é atento, eficaz, simpático e rápido, uma verdadeira raridade nos tempos que correm. Nas entradas destaco umas gambas salteadas em vinho branco de Puglia e o carpaccio do chefe, muito bem temperado. Na zona mais substancial a mesa decidiu-se por várias pizzas, massa fina e estaladiça, cobertura sem exageros de queijo, todas confeccionadas com cuidado. O Specchio fica no interior do complexo Alcântara Rio, Rua Fradesso da Silveira nº4, Loja 7, tel 213 621 677.
BACK TO BASICS – Todas as actividades podem ser criativas quando quem as faz se esforça por as fazer cada vez melhor – John Updike.
agosto 13, 2007
(Publicado na Revista «Atlântico» de Agosto - ~já diponível nas bancas e boas papelarias)
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
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(Publicado na Revista «Atlântico» de Agosto - ~já diponível nas bancas e boas papelarias)
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
TELEVISÃO – Esta semana fiz uma análise curiosa: no primeiro trimestre a RTP 1 teve 25,2% de share médio de audiência, a SIC ficou pouco à frente com 25,8% e a TVI continuou a liderar, embora por uma margem escassa, com 28,7%. Mas de Abril para cá a coisa mudou: neste novo período (contas feitas até 6 de Agosto) a RTP 1 caíu para 24,1%, a SIC apesar do investimento em programação caíu também para 25,4% e a TVI foi a única a subir, para 29,1%. Deve haver gente por aí com uma pequena crise de nervos: José Eduardo Moniz, no período mais importante em termos de receitas publicitárias da primeira metade do ano, conseguiu roubar espectadores aos outros dois canais comerciais.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
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TELEVISÃO – Esta semana fiz uma análise curiosa: no primeiro trimestre a RTP 1 teve 25,2% de share médio de audiência, a SIC ficou pouco à frente com 25,8% e a TVI continuou a liderar, embora por uma margem escassa, com 28,7%. Mas de Abril para cá a coisa mudou: neste novo período (contas feitas até 6 de Agosto) a RTP 1 caíu para 24,1%, a SIC apesar do investimento em programação caíu também para 25,4% e a TVI foi a única a subir, para 29,1%. Deve haver gente por aí com uma pequena crise de nervos: José Eduardo Moniz, no período mais importante em termos de receitas publicitárias da primeira metade do ano, conseguiu roubar espectadores aos outros dois canais comerciais.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
agosto 07, 2007
AUDIOVISUAL - Após mais de uma década de expectativa, foi finalmente criado o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, numa parceria entre o Estado (Instituto do Cinema e Audiovisual), PT Multimédia e os operadores de televisão em sinal aberto. O objectivo é produzir filmes, séries e documentários, que tenham um objectivo claro de exibição e de mercado. Não vai ser um caminho fácil num país onde, no audiovisual, o artesanato é elogiado e a indústria é maltratada. Mas é um passo importante, tanto mais que a gestão efectiva do Fundo foi entregue a uma entidade financeira – ESAF – que talvez consiga impor alguma lógica de exploração de conteúdos no processo de produção. O que interessa reter é que o segredo de qualquer operação destas reside em escolher bem o que se vai produzir, com quem se vai trabalhar (do guionista aos actores passando pelo realizador), como se produz e, acima de tudo, acompanhar efectivamente a produção – ou seja, dinamizar a figura anglo-saxónica do produtor que gere de facto o projecto, tanto do ponto de vista do talento artístico, como da montagem e controlo orçamental, como ainda do lançamento e comercialização. Se os bons exemplos forem seguidos, aqui pode estar uma oportunidade para a produção independente no sector audiovisual. A ver vamos se o talento local aceita ser produzido ou se vai continuar a querer ter a última palavra.
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
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AUDIOVISUAL - Após mais de uma década de expectativa, foi finalmente criado o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, numa parceria entre o Estado (Instituto do Cinema e Audiovisual), PT Multimédia e os operadores de televisão em sinal aberto. O objectivo é produzir filmes, séries e documentários, que tenham um objectivo claro de exibição e de mercado. Não vai ser um caminho fácil num país onde, no audiovisual, o artesanato é elogiado e a indústria é maltratada. Mas é um passo importante, tanto mais que a gestão efectiva do Fundo foi entregue a uma entidade financeira – ESAF – que talvez consiga impor alguma lógica de exploração de conteúdos no processo de produção. O que interessa reter é que o segredo de qualquer operação destas reside em escolher bem o que se vai produzir, com quem se vai trabalhar (do guionista aos actores passando pelo realizador), como se produz e, acima de tudo, acompanhar efectivamente a produção – ou seja, dinamizar a figura anglo-saxónica do produtor que gere de facto o projecto, tanto do ponto de vista do talento artístico, como da montagem e controlo orçamental, como ainda do lançamento e comercialização. Se os bons exemplos forem seguidos, aqui pode estar uma oportunidade para a produção independente no sector audiovisual. A ver vamos se o talento local aceita ser produzido ou se vai continuar a querer ter a última palavra.
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
julho 31, 2007
EXPORTADOR – Portugal está a tornar-se num país exportador de comissários artísticos. Depois de Sérgio Mah ter sido nomeado comissário geral da PhotoEspaña para os próximos três anos, é a vez de Guta Moura Guedes ser escolhida para comissariar uma das três áreas da mostra Turim Capital Mundial do Design. Como curiosidade regista-se que ambos estavam envolvidos em projectos na cidade de Lisboa que o anterior vereador da Cultura, José Amaral Lopes, deitou para o lixo: as bienais Lisboa Photo e Experimenta Design. Resta esperar que o novo Presidente da Câmara possa rectificar alguns disparates que nesta área foram feitos em anos recentes.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
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EXPORTADOR – Portugal está a tornar-se num país exportador de comissários artísticos. Depois de Sérgio Mah ter sido nomeado comissário geral da PhotoEspaña para os próximos três anos, é a vez de Guta Moura Guedes ser escolhida para comissariar uma das três áreas da mostra Turim Capital Mundial do Design. Como curiosidade regista-se que ambos estavam envolvidos em projectos na cidade de Lisboa que o anterior vereador da Cultura, José Amaral Lopes, deitou para o lixo: as bienais Lisboa Photo e Experimenta Design. Resta esperar que o novo Presidente da Câmara possa rectificar alguns disparates que nesta área foram feitos em anos recentes.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
julho 25, 2007
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MALDITA REGULAMENTAÇÃO
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
MALDITA REGULAMENTAÇÃO
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
julho 23, 2007
ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
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ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
julho 20, 2007
UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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POLUIÇÃO VISUAL
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
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UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
julho 17, 2007
FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
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FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
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