ANTÓNIO COSTA – O novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa fazia bem em ler a edição de Julho/Agosto da revista «Monocle», que elaborou uma lista das 20 melhores cidades do mundo para se viver, explicando o porquê da escolha. Lisboa, infelizmente, não está na lista – mas Madrid está, assim como Barcelona. Esta edição inclui ainda artigos sobre estratégias urbanas e uma análise dos pontos críticos que determinam a qualidade de vida numa cidade. Existem cinco recomendações que saliento: trazer pequenas indústrias não poluentes e tecnológicas, ateliers e oficinas para o centro das cidades; garantir que as metrópoles tenham vida ao longo de todas as 24 horas do dia; nomear um director criativo com uma forte visão, que possa criar uma marca própria para cada cidade – e a «Monocle» sublinha que o director criativo responsável por desenvolver a marca da cidade NÃO pode ser o respectivo Presidente de Câmara; garantir espaço exterior – todos os novos edifícios devem oferecer espaço exterior aos seus habitantes, sob a forma de varandas, pátios e terraços no tecto; um esforço forte em criar pequenas aldeias dentro das metrópoles, por forma a dinamizar o sentido de comunidade, fazer desenvolver o pequeno comércio e incentivar as deslocações pedestres.
RECOMENDAÇÕES – A mesma edição da «Monocle» estabelece, em cada uma das 20 cidades recomendadas, uma análise dos principais parâmetros das respectivas avaliações com base em indicadores concretos – dos espaços verdes à segurança, passando pela vida nocturna e oferta cultural. Vale a pena notar que este ano, desde Maio, pela primeira vez na História da humanidade, a população que vive nas cidades passou a ser mais numerosa do que a que vive nos campos. Esta transformação, esta «urbanização» do mundo, coloca problemas e questões e a «Monocle» estuda o tema com seriedade. Um artigo a ler vem assinado por Charles Landry, o director da firma de consultores «Comedia», que se dedica à estratégia de desenvolvimento urbano e foi um dos precursores da ideia das cidades criativas. O seu livro mais recente chama-se «The Art Of City Making» e o tema do seu artigo é «Como construir uma metrópole». Se eu estivesse no governo de uma cidade googlava o seu nome e instruía-me um pouco. Por fim destaco ainda nesta edição o inventário das coisas que devem existir num bairro e os 25 items que podem fazer toda a diferença numa cidade, desde a ligação ao aeroporto até às estações de caminho de ferro, passando pelos wi-fi hot spots.
OUVIR – No início dos anos 80 um dos meus grupos preferidos era um trio que dava pelo nome de Young Marble Giants. Originários de Cardiff, os Young Marble Giants giravam em torno dos irmãos Philip e Stuart Moxham, que asseguravam baixo, guitarra ritmo e orgão electrónico. Alison Statton cantava de uma forma suave e sensível, perfeitamente adequada às composições lineares e envolventes de Stuart. Desde cedo o trio passou a ser acompanhado em teclados, caixas de ritmos e electrónica diversa por Peter Joyce. A carreira da banda começou em 1978 mas o seu disco histórico, «Colossal Youth» é de 1980 (primeira edição ainda em vinyl) e é um marco na música dessa década. Os Young Marble Giants, recordo, eram uma das bandas referência da Rough Trade, uma das históricas editoras independentes que moldaram o som desses tempos. Por iniciativa de uma outra editora independente, contemporânea, a Domino, este ano foi editada uma caixa de três CD’s que inclui o álbum «Colossal Youth», um CD que agrupa o EP «Testcard», o single «Final Day» e registos da gravação do álbum «Salad Days». O terceiro CD da caixa reproduz a actuação da banda no programa de rádio do histórico DJ da BBC John Peel, gravado em Agosto de 1980. A melhor maneira de adquirir a caixa é através da Amazon do Reino Unido.
COMER – Quando lhe apetecer comida italiana, ambiente calmo e uma boa esplanada experimente o Specchio, em Alcântara. A lista é extensa e variada, desde as pizzas aos risottos e massas frescas. O serviço é atento, eficaz, simpático e rápido, uma verdadeira raridade nos tempos que correm. Nas entradas destaco umas gambas salteadas em vinho branco de Puglia e o carpaccio do chefe, muito bem temperado. Na zona mais substancial a mesa decidiu-se por várias pizzas, massa fina e estaladiça, cobertura sem exageros de queijo, todas confeccionadas com cuidado. O Specchio fica no interior do complexo Alcântara Rio, Rua Fradesso da Silveira nº4, Loja 7, tel 213 621 677.
BACK TO BASICS – Todas as actividades podem ser criativas quando quem as faz se esforça por as fazer cada vez melhor – John Updike.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
agosto 22, 2007
agosto 13, 2007
(Publicado na Revista «Atlântico» de Agosto - ~já diponível nas bancas e boas papelarias)
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
Untitled
(Publicado na Revista «Atlântico» de Agosto - ~já diponível nas bancas e boas papelarias)
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
CONTAGEM DECRESCENTE
O Verão é a silly season da televisão. As boas séries estão em época de defeso, os gestores dos canais estão a poupar no investimento – para depois, a partir de Setembro, poderem ter orçamento para atacar em força o fim do ano, a época mais importante para a captação de publicidade e para garantir boas receitas – é que, regra geral, nos canais abertos, o preço objectivo da publicidade depende das audiências conseguidas - portanto toca a guardar os programas que consigam captar público para quando há tradicionalmente mais espaço publicitário vendido em ecrã, e que são os últimos quatro meses do ano.
Se lerem as revistas de televisão notarão que nesta altura do ano elas estão cheias de artigos sobre novas produções em preparação – exactamente para estreia a partir de Setembro. Enquanto para os espectadores o Verão é época de maçadas em matéria de programação (filmes repetidos, infindáveis transmissões directas por dá cá aquela palha, etc, etc), para o universo da indústria audiovisual está é uma época alta em que toda a gente trabalha.
O objectivo, já se sabe, resume-se a garantir produção que consiga reter os espectadores no prime-time, o horário entre as 20h00 e as 24h00 que é o mais disputado em termos de audiências. É obviamente aí que o valor da publicidade é mais alto, é nessas horas que se concentra o maior número de espectadores e é aí que se perdem ou ganham as batalhas das audiências e a rentabilidade das estações provadas. Se pensarmos que dessas quatro horas, uma (pelo menos) é dedicada à informação, cada programador terá que encontrar três horas diárias de programa que tenham argumentos fortes para captar e fidelizar espectadores. Acreditem que não é tarefa fácil e exige muita planificação e criatividade.
Na realidade a batalha começa a desencadear-se por volta das sete da tarde – no chamado «acesso a prime time», cujo único objectivo é conseguir captar um número bom de espectadores antes do sinal das oito – quando começam os telejornais. A estratégia de qualquer programador é entregar a antena com o share o mais elevado possível ao Director de Informação e, depois, esperar que ele cumpra a sua função – que é sobretudo a de trazer ainda mais espectadores à antena. Por isso é que os telejornais têm uma hora, estão cheios de «faits-divers» e se tabloidizaram nos últimos anos: o bloco noticioso das oito é uma peça importante da guerra das audiências, quer dizer, das receitas publicitárias. Se num canal privado isto é lógico e natural, na televisão pública não devia ser. Mas, como todos sabemos, as coisas não são diferentes na RTP. Só isto dava muito que pensar sobre a definição de serviço público…
ADORMECIDOS NO SOFÁ
O prime-time das televisões portuguesas anda tão monótono e repetitivo que a coisa mais difícil é conseguir passar uma noite acordado a olhar televisão qualquer dia, por este andar, o melhor é mudar o título desta página para «adormecidos no sofá»…
Ora não há-de ser por acaso que o consumo de canais de cabo continua a aumentar em prime time – o que entre outras coisas mostra como a ideia estabelecida de que não se justifica fazer um quarto canal aberto tem muito que se lhe diga. Há espectadores que querem o que os actuais três canais não dão – resumidos que estão a apresentarem programações miméticas e com uma assumida falta de vontade de serem alternativa uns aos outros.
Cada vez que me sento à noite para ver televisão, passo mais tempo a zappar do que a ver um programa – sobretudo nesta altura em que até dos canais de cabo desapareceram as boas séries e estamos reduzidos a repetições. A única coisa que resta são mesmo alguns canais de documentários ou então ir a correr buscar um filme e poder ficar a vê-lo sem intermináveis intervalos publicitários.
500 CANAIS
Um dos operadores norte-americanos de cabo, a Cablevision, anunciou que até final do corrente ano terá capacidade para distribuir em simultâneo mais de 500 canais de alta definição (HD), através da sua moderna e avançada rede de fibra óptica. Em simultâneo a Cablevision é o único operador a proporcionar aos seus clientes vídeo-on-demand em alta definição.
De entre os canais HD já disponíveis fazem parte canais de informação, desporto, documentários, cinema, animação, concertos ao vivo, moda e jogos de computador.
A transmissão de televisão de alta definição é uma das tendências actuais em que os analistas da indústria depositam mais esperanças, mas exige uma rede de distribuição tecnologicamente avançada – coisa para pôr muita cabecinha a pensar em relação ao que se passa na PT Multimédia, onde a rede da TV Cabo é maioritariamente arcaica e com os problemas que os utilizadores bem lhe conhecem.
TELEVISÃO – Esta semana fiz uma análise curiosa: no primeiro trimestre a RTP 1 teve 25,2% de share médio de audiência, a SIC ficou pouco à frente com 25,8% e a TVI continuou a liderar, embora por uma margem escassa, com 28,7%. Mas de Abril para cá a coisa mudou: neste novo período (contas feitas até 6 de Agosto) a RTP 1 caíu para 24,1%, a SIC apesar do investimento em programação caíu também para 25,4% e a TVI foi a única a subir, para 29,1%. Deve haver gente por aí com uma pequena crise de nervos: José Eduardo Moniz, no período mais importante em termos de receitas publicitárias da primeira metade do ano, conseguiu roubar espectadores aos outros dois canais comerciais.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
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TELEVISÃO – Esta semana fiz uma análise curiosa: no primeiro trimestre a RTP 1 teve 25,2% de share médio de audiência, a SIC ficou pouco à frente com 25,8% e a TVI continuou a liderar, embora por uma margem escassa, com 28,7%. Mas de Abril para cá a coisa mudou: neste novo período (contas feitas até 6 de Agosto) a RTP 1 caíu para 24,1%, a SIC apesar do investimento em programação caíu também para 25,4% e a TVI foi a única a subir, para 29,1%. Deve haver gente por aí com uma pequena crise de nervos: José Eduardo Moniz, no período mais importante em termos de receitas publicitárias da primeira metade do ano, conseguiu roubar espectadores aos outros dois canais comerciais.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
JUDICIÁRIA – Há qualquer coisa que não bate certo na actuação da Polícia Judiciária – não é de agora, é de há muitos anos. A Judiciária preocupa-se mais com a sua imagem do que em descobrir a verdade, preocupa-se mais em aparentar apresentar «resultados» do que em fazer um trabalho sério de investigação. Esta semana, com alguma pompa , surgiram notícias sobre corrupção naquela força – só os ingénuos acharão que ela não existia. Para quem observa o que se passa no país, a Polícia Judiciária surge como um território de manobras, um local de disputas de poder e de influência, um local receptivo a pressões e manobras, até mesmo venais. Mas, verdadeiramente, não parece ser uma polícia de investigação séria.
FOTOGRAFIA – A exposição «Entrar na Obra, Estar no Mundo: a fotografia na Colecção da Fundação de Serralves», que vai estar patente até 14 de Outubro, mostra pela primeira vez um lado pouco divulgado da colecção de Serralves, em que a fotografia é utilizada como suporte do processo criativo. A mostra inclui artistas portugueses como Paulo Nozolino, Fernando Calhau, Augusto Alves da Silva, Jorge Molder e Helena Almeida e internacionais como John Baldessari, Sigmar Rilke, Jan Dibbets e Roni Horne, entre outros.
VER – A «Slate» foi a primeira revista exclusivamente on-line. Tem evoluído ao longo dos anos e há pouco tempo «abriu» um videomagazine chamado Slate V, que pode ser visto em www.slatev.com . Lá poderão encontrar uns anúncios a sabonetes (sim, anúncios a sabonetes), realizados por Ingmar Bergman - imperdível. Igualmente imperdíveis são os três trailers de apresentação do filme dos Simpsons que se podem visionar no YouTube, bastando procurar «Simpson Trailer». Já agora fiquem a saber uma coisa: o filme é mesmo divertidíssimo.
OUVIR - Os Taraf de Haidouks são um grupo de músicos ciganos, originários da Roménia, que tocam de uma forma arrebatada. Aqui há uns anos encantei-me pelo seu estilo quando tive oportunidade de os ouvir ao vivo em Portugal e de estar ligado a um documentário sobre a sua carreira, feito por Luciana Fina. O novo disco dos Taraf é um surpreendente exercício que conjuga o rigor e o virtuosismo da interpretação instrumental com a espontaneidade da música cigana. «Maskarada», o novo CD dos Taraf, inclui interpretações de temas como «Danza Ritual del Fuego» de Manuel de Falla, «Waltz From Masquerade» de Khachaturian, «Danças Romenas» de Bela Bartok, além de vários originais do grupo. Edição Crammed, disponível no Corte Inglês e na FNAC.
JAPA – Pessoa que muito estimo costuma dizer, a propósito de alguns restaurantes, que «quem não tem competência não se devia estabelecer». Pois este singelo e verdadeiro pensamento aplica-se que nem uma luva a quem dirige o restaurante Japa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. É certo, dirão, que quem vai a uma praça de touros para comer sujeita-se às ocorrências. É verdade, mas enganado por alguns elogiadores profissionais senti-me tentado a experimentar este japonês. A comida é sem história, é do género japonês industrial, mas não é esse o grande problema do local. O grande problema é o péssimo serviço, a desorganização completa, a absoluta falta de formação e arrogância dos empregados, a falta de direcção na sala, o descuido pelos pedidos dos clientes. O mais espantoso é que a sala não é muito grande e tem uns seis ou sete empregados mais uma criatura mascarada de chefe de sala. Cada um corre para seu lado, parece um bando de zombies, a desorganização é absoluta. Alguém devia explicar às criaturas que resolvem abrir um restaurante – ainda por cima com pretensão de ser um local agradável e que quer estar na moda – que a comida é importante mas não é tudo. Num restaurante, o serviço é tão importante como a comida. Na verdade este Japa não é um restaurante, é um teste à paciência de quem lá vai. A evitar absolutamente.
BACK TO BASICS – Uma secretária é um sítio particularmente perigoso para daí se observar o mundo – John Le Carré.
agosto 07, 2007
AUDIOVISUAL - Após mais de uma década de expectativa, foi finalmente criado o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, numa parceria entre o Estado (Instituto do Cinema e Audiovisual), PT Multimédia e os operadores de televisão em sinal aberto. O objectivo é produzir filmes, séries e documentários, que tenham um objectivo claro de exibição e de mercado. Não vai ser um caminho fácil num país onde, no audiovisual, o artesanato é elogiado e a indústria é maltratada. Mas é um passo importante, tanto mais que a gestão efectiva do Fundo foi entregue a uma entidade financeira – ESAF – que talvez consiga impor alguma lógica de exploração de conteúdos no processo de produção. O que interessa reter é que o segredo de qualquer operação destas reside em escolher bem o que se vai produzir, com quem se vai trabalhar (do guionista aos actores passando pelo realizador), como se produz e, acima de tudo, acompanhar efectivamente a produção – ou seja, dinamizar a figura anglo-saxónica do produtor que gere de facto o projecto, tanto do ponto de vista do talento artístico, como da montagem e controlo orçamental, como ainda do lançamento e comercialização. Se os bons exemplos forem seguidos, aqui pode estar uma oportunidade para a produção independente no sector audiovisual. A ver vamos se o talento local aceita ser produzido ou se vai continuar a querer ter a última palavra.
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
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AUDIOVISUAL - Após mais de uma década de expectativa, foi finalmente criado o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, numa parceria entre o Estado (Instituto do Cinema e Audiovisual), PT Multimédia e os operadores de televisão em sinal aberto. O objectivo é produzir filmes, séries e documentários, que tenham um objectivo claro de exibição e de mercado. Não vai ser um caminho fácil num país onde, no audiovisual, o artesanato é elogiado e a indústria é maltratada. Mas é um passo importante, tanto mais que a gestão efectiva do Fundo foi entregue a uma entidade financeira – ESAF – que talvez consiga impor alguma lógica de exploração de conteúdos no processo de produção. O que interessa reter é que o segredo de qualquer operação destas reside em escolher bem o que se vai produzir, com quem se vai trabalhar (do guionista aos actores passando pelo realizador), como se produz e, acima de tudo, acompanhar efectivamente a produção – ou seja, dinamizar a figura anglo-saxónica do produtor que gere de facto o projecto, tanto do ponto de vista do talento artístico, como da montagem e controlo orçamental, como ainda do lançamento e comercialização. Se os bons exemplos forem seguidos, aqui pode estar uma oportunidade para a produção independente no sector audiovisual. A ver vamos se o talento local aceita ser produzido ou se vai continuar a querer ter a última palavra.
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
INCONFORMISMO - A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi afastada do cargo depois de, durante os últimos anos, ter apresentado uma invulgar série de exposições interessantes e diferentes do que era hábito, de ter cativado novos públicos, de ter promovido iniciativas especiais que, por exemplo, mostraram como naquele espaço também pode existir um confronto com a arte contemporânea. Acresce que fez intensa divulgação do museu, angariou receitas e patrocínios, fez marketing e relações públicas – tudo coisas muito invulgares e obviamente pecaminosas em museus do Estado. É sabido que Dalila Rodrigues tinha divergências com a tutela e que, num momento muito particular – o de debate público de uma Lei – exprimiu a sua opinião sobre o enquadramento que o Museu Nacional de Arte Antiga devia ter. Foi aliás comedida: limitou-se a defender que o MNAA devia ter um enquadramento semelhante ao do Museu do Prado, depois da sua reestruturação há poucos anos. E o que é isso? – Autonomia financeira (o que quer dizer que as receitas captadas revertem para o Museu e não para o Instituto dos Museus) e dependência directa da tutela, não intermediada por um Instituto que gere burocraticamente dezenas de instalações todas da mesma forma. Ou seja, reivindicava para o MNAA um estatuto que tivesse em conta o seu papel único no panorama dos equipamentos culturais portugueses, estatuto que permitiria ao museu desenvolver-se. Em vez de pensarem no assunto (já sei, pensar é um exercício difícil para a Ministra da Cultura….), a tutela e o Director do Instituto dos Museus, Manuel Bairrão Oleiro, uma figura acinzentada por sinal, resolveram afastar esta voz incómoda que cumpriu o programa que lhe traçaram, valorizou o museu, mas não deixou de dizer o que pensava – sem que isso, note-se, interferisse com o trabalho efectivo que desenvolvia no museu. Na realidade limitou-se a não baixar os braços e foi inconformista. Como se sabe, no Portugal socrático, o inconformismo é o pior dos crimes sobretudo para quem trabalha no Estado.
OUVIR – Antes de morrer, em Janeiro deste ano, o saxofonista Michael Brecker juntou, em Agosto de 2006, num estúdio de Nova York um grupo de músicos invulgar: Pat Metheny na guitarra, Herbie Hancock e Brad Mehldau no piano, John Patitucci no baixo e Jack DeJohnette na bateria. Os temas são todos originais de Brecker, que já estava gravemente doente aquando da gravação. O disco saiu em Maio e a «Downbeat» atribuiu-lhe quatro estrelas num máximo de cinco e sublinha que «na ultima fase antes de morrer o musico aplicou a sua técnica monumental a fazer música cada vez mais bela e profunda». A faixa que dá o título ao álbum, «Pilgrimage», foi precisamente a derradeira gravação de Brecker. CD distribuído em Portugal pela Universal Music.
LER – Na mesma semana em que António Costa tomou posse, é interessante ler a análise que o politólogo Pedro Magalhães faz das eleições intercalares em Lisboa, num artigo publicado na edição de Agosto da revista «Atlântico». No mesmo número destaque para a análise do Compromisso Portugal á governação dos últimos anos, uma bela reportagem sobre Jerusalém de Paulo Pinto de Mascarenhas e um delicioso artigo sobre viagens de João Pereira Coutinho.
BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és (a propósito da aliança de António Costa com José Sá Fernandes).
julho 31, 2007
EXPORTADOR – Portugal está a tornar-se num país exportador de comissários artísticos. Depois de Sérgio Mah ter sido nomeado comissário geral da PhotoEspaña para os próximos três anos, é a vez de Guta Moura Guedes ser escolhida para comissariar uma das três áreas da mostra Turim Capital Mundial do Design. Como curiosidade regista-se que ambos estavam envolvidos em projectos na cidade de Lisboa que o anterior vereador da Cultura, José Amaral Lopes, deitou para o lixo: as bienais Lisboa Photo e Experimenta Design. Resta esperar que o novo Presidente da Câmara possa rectificar alguns disparates que nesta área foram feitos em anos recentes.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
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EXPORTADOR – Portugal está a tornar-se num país exportador de comissários artísticos. Depois de Sérgio Mah ter sido nomeado comissário geral da PhotoEspaña para os próximos três anos, é a vez de Guta Moura Guedes ser escolhida para comissariar uma das três áreas da mostra Turim Capital Mundial do Design. Como curiosidade regista-se que ambos estavam envolvidos em projectos na cidade de Lisboa que o anterior vereador da Cultura, José Amaral Lopes, deitou para o lixo: as bienais Lisboa Photo e Experimenta Design. Resta esperar que o novo Presidente da Câmara possa rectificar alguns disparates que nesta área foram feitos em anos recentes.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
LIMPEZA – Os abstencionistas lisboetas, entre os quais me incluo com gosto, gostariam que os candidatos, todos os candidatos, retirassem das ruas a sua propaganda, os seus cartazes, que desde o dia 15 são apenas poluição visual. É certo que a esta distância parecem momentos de humor: confrontar as frases de campanha de Roseta, Telmo Correia, Fernando Negrão e José Sá Fernandes com a realidade dos votos é das melhores anedotas dos últimos tempos.
LISBOA – Enquanto escrevo reparo como, à noite, gosto de ficar a olhar para o Aqueduto das Águas Livres, que é das mais belas imagens de Lisboa. Esta cidade podia ser muito visual e no entanto parece acantonada nas filas de trânsito, espartilhada por permanentes obras do Metropolitano, que incomodam quem vive na cidade, que prejudicam os habitantes. Há casos – como o das obras do Metropolitano perto do Corte Inglês - em que vale a pena questionar se o que se passa é em nome do bem comum. Eu duvido e acho que António Costa precisa de pôr mão na maneira como o Metropolitano esventra e trata Lisboa e os seus habitantes.
OUVIR – Armando Anthony Corea nasceu em 1941 e começou a estudar piano com quatro anos de idade. Em 1962 estava a entrar no mundo do jazz e começou a ser conhecido como Chick Corea. Bela Fleck nasceu em Nova York em 1958 e é considerado um dos maiores intérpretes de banjo – o seu grupo chama-se The Flecktones. Pois Corea e Fleck juntaram-se para gravar um disco, um dueto entre um piano e um banjo. O resultado é surpreendente, a sonoridade é arrebatadora, o resultado é uma das mais curiosas gravações de jazz dos últimos tempos, com Corea a surpreender nas respostas rápidas e pontuadas ao banjo de Fleck. O disco inclui onze temas, seis de Fleck, quatro de Corea e uma versão muito curiosa de «Brazil», de Ary Barroso. CD Concorde, distribuído por Universal Music.
DESCOBRIR – Recomendo vivamente que descubram a «Blah», a revista-programa da discoteca Lux em Lisboa, inesperada, maravilhosa, com artigos que não se encontram em mais nenhum lado sobre a música das noites, os dj’s e temas conexos. É, digamos, a mais invulgar e melhor publicação gratuita que se distribui em Portugal.
LER – A edição de Julho da revista norte-americana «Wired» dedica a capa e um dos seus artigos de fundo ao filme «Transformers», baseado numa série de culto japonesa, um desenho animado para televisão com 25 anos, que agora passou a filme. Mais à frente vale a pena ler e reter um artigo cheio de informação sobre a forma como os mapas do Google e o Google Earth estão a transformar o modo como vemos o nosso mundo. A «Wired» continua a mapear o nosso futuro e a ser um guia para o que está a acontecer.
PROVAR – Uma das coisas que me irrita nos restaurantes modernos é o ar desprendido dos seus funcionários, para quem o cliente parece ser apenas um objecto decorativo. Os empregados ficam ali, de olhar perdido no horizonte, bem pode uma pessoa esbracejar e chamar que eles quedam-se imperturbáveis e majestáticos. Quando se deslocam, fazem-no devagar e, de preferência, trazem apenas uma coisa de cada vez. Assim multiplicam as viagens no interior do espaço entre mesas que lhes está destinado e dão uma ideia de apreciável, embora inútil, azáfama. Ainda por cima estes locais, de design a pretender ser moderno, têm sofisticados sistemas de registo de pedidos, que fazem com que uma imperial demore uns dez minutos a ser servida e que fazem os pratos ficar a esfriar quando estão prontos – porque nenhum dos empregados mostra interesse por ir vendo o que pode estar pronto para os aborrecidos clientes que vêm ali perturbar a sua bem programada função. Se isto lhe parece um exagero, experimente ir ao «Magnetic», Avenida Conde de Valbom 18 e vai ver como ainda fui comedido na descrição.
BACK TO BASICS – Nada mais sei do que constatar a minha ignorância – Sócrates, o filósofo grego que viveu cerca de 400 anos antes de Cristo.
julho 25, 2007
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MALDITA REGULAMENTAÇÃO
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
MALDITA REGULAMENTAÇÃO
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
julho 23, 2007
ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
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ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
julho 20, 2007
UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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POLUIÇÃO VISUAL
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
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UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
julho 17, 2007
FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
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FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
ELEIÇÕES – Bem vistas as coisas a maioria dos candidatos na corrida à Câmara de Lisboa foi acusada de malfeitorias variadas pela outra metade – e nalguns casos foram atiradas suspeitas graves para cima da mesa. A política em Portugal resume-se a isto: intriga, calúnia, jogo baixo. Nada de debate de ideias, de projectos, de apresentação de propostas sérias. Estas eleições parecem o campeonato nacional do disparate, com PS e PSD a disputarem a liderança na asneira. Não é de admirar que se preveja tanta abstenção.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
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ELEIÇÕES – Bem vistas as coisas a maioria dos candidatos na corrida à Câmara de Lisboa foi acusada de malfeitorias variadas pela outra metade – e nalguns casos foram atiradas suspeitas graves para cima da mesa. A política em Portugal resume-se a isto: intriga, calúnia, jogo baixo. Nada de debate de ideias, de projectos, de apresentação de propostas sérias. Estas eleições parecem o campeonato nacional do disparate, com PS e PSD a disputarem a liderança na asneira. Não é de admirar que se preveja tanta abstenção.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
julho 11, 2007
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DIA 15 VOU ABSTER-ME
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
DIA 15 VOU ABSTER-ME
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
julho 08, 2007
PORTUGAL – A Europa devia saber o clima que este Governo anda a criar, a forma como desenvolve o papel prepotente do Estado, como estimula a denúncia, como desenvolve o medo por represálias, como se recusa a prestar explicações – o episódio da inviabilização da audição parlamentar de Correa de Campos, para que ele não tivesse que falar sobre o caso da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, mostra bem a noção de democracia que o PS pretende aplicar no Parlamento – onde as propostas dos socialistas sobre a reforma da Assembleia da República são um manual de arrogância e prepotência. E lá surge sempre Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, na linha da frente da limitação da expressão. Sugere-se à oposição a adopção de uma nova palavra de ordem: Santos Silva para a Venezuela, já!
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
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PORTUGAL – A Europa devia saber o clima que este Governo anda a criar, a forma como desenvolve o papel prepotente do Estado, como estimula a denúncia, como desenvolve o medo por represálias, como se recusa a prestar explicações – o episódio da inviabilização da audição parlamentar de Correa de Campos, para que ele não tivesse que falar sobre o caso da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, mostra bem a noção de democracia que o PS pretende aplicar no Parlamento – onde as propostas dos socialistas sobre a reforma da Assembleia da República são um manual de arrogância e prepotência. E lá surge sempre Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, na linha da frente da limitação da expressão. Sugere-se à oposição a adopção de uma nova palavra de ordem: Santos Silva para a Venezuela, já!
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
julho 04, 2007
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ORA DIGAM LÁ SENHORES CANDIDATOS
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
ORA DIGAM LÁ SENHORES CANDIDATOS
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
julho 03, 2007
EQUÍVOCO – Quando as coisas se fazem à pressa eleva-se o risco da asneira – esta frase está a começar a ser uma descrição recorrente do estilo de governação socratiano. O que se passou no CCB veio mostrar a precipitação da decisão de impor um corpo estranho à instituição e de acabar com a programação autónoma da área de exposições, para lá colocar, a qualquer custo, a colecção Berardo. Percebe-se agora que, como muita gente disse na altura, tinha feito muito mais sentido autonomizá-la, instalá-la em edifício próprio, como o Pavilhão de Portugal, que vai acabar por ser palco de mostras menores e eventos variados, desvirtuando a natureza da sua concepção arquitectónica. O custo não seria muito diferente, as vantagens seriam várias e ainda se está a tempo de avançar nesse sentido, desde que se pense em vez de se ceder aos caprichos do Comendador Berardo, que melhor faria em não se comportar como uma imitação riquíssima de Alberto João Jardim, ao passear arrogância e ignorar a primeira das lições da arte que colecciona – o poder da diferença e da diversidade face às imposições.
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
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EQUÍVOCO – Quando as coisas se fazem à pressa eleva-se o risco da asneira – esta frase está a começar a ser uma descrição recorrente do estilo de governação socratiano. O que se passou no CCB veio mostrar a precipitação da decisão de impor um corpo estranho à instituição e de acabar com a programação autónoma da área de exposições, para lá colocar, a qualquer custo, a colecção Berardo. Percebe-se agora que, como muita gente disse na altura, tinha feito muito mais sentido autonomizá-la, instalá-la em edifício próprio, como o Pavilhão de Portugal, que vai acabar por ser palco de mostras menores e eventos variados, desvirtuando a natureza da sua concepção arquitectónica. O custo não seria muito diferente, as vantagens seriam várias e ainda se está a tempo de avançar nesse sentido, desde que se pense em vez de se ceder aos caprichos do Comendador Berardo, que melhor faria em não se comportar como uma imitação riquíssima de Alberto João Jardim, ao passear arrogância e ignorar a primeira das lições da arte que colecciona – o poder da diferença e da diversidade face às imposições.
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
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