MALDITA REGULAMENTAÇÃO
(na edição de Quarta Feira 25 de Julho do «Meia Hora»)
Em matéria de prazeres gastronómicos a regulamentação irrita-me um bocado. Vou pôr a frase de outra maneira: irrita-me mesmo muito. Irrita-me que alguns burocratas da Comissão Europeia digam o que podemos ou não comer e, pior, como e onde o podemos fazer. Irrita-me ainda mais que alguns burocratas locais sejam mais papistas que o papa e em vez do cérebro utilizam regulamentos. Cá para mim a imagem que passa da ASAE é a de um grupo barulhento liderado por alguém que se acha descendente directo de Emiliano Zapata – a começar no bigode e a acabar no discurso.
Sempre achei – e não é agora que vou mudar – que a frase «estou apenas a cumprir ordens» é sinal de indigência mental de quem a pronuncia e, regra geral, de prepotência e estupidez de quem a inspira – porque dá ordem sem as explicar , provavelmente porque também as não percebe.
Vem esta lenga-lenga a propósito de sucessivos choques que tenho tido nos últimos tempos. O mais recente foi quando há dias fui a uma queijaria tradicional perto de Palmela, na Quinta do Anjo e deparei com um horizonte de mudança – para pior. A queijaria era local limpo e asseado, premiada em competições internacionais do movimento «slow food», onde me habituei a comprar queijo fresco (mas mesmo fresco, a babar, não sei se estão bem a ver…), requeijão e queijo curado ou de meia cura. Além disso havia um pão caseiro fantástico, tartes de requeijão sensacionais, vinhos da região e doces caseiros variados conforme as estações do ano. Pois na sequência de uma inspecção qualquer acabou tudo menos os queijos – e mesmo esses estão a ficar demasiado assépticos para o meu gosto. A tarte de requeijão que eu queria já não há, porque a casa não tem licença para a fazer nem vender porque é apenas uma queijaria. Este Portugal muito tecnológico está a ficar demasiado regulamentado, demasiado espartilhado, demasiado impositivo.
Espero que não imponham um tamanho aos caracóis. Quem não digam que não se devem comer. Que não persigam as petingas. Que não castiguem, as velhas cozinheiras que fazem doces caseiros. Que não normalizem as tetas das ovelhas e das cabras em nome da assépsia dos queijos. E espero que os burocratas sejam regulamentados, confinados, postos a pastar nos jardins de S.Bento para regalo do pastor que os inspira.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
julho 25, 2007
julho 23, 2007
ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
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ENCOLHIMENTO - O resultado, nos partidos políticos, das eleições intercalares em Lisboa assemelha-se ao efeito que um programa de máquina de lavar roupa com a temperatura demasiado alta tem nas lãs: encolhimento generalizado. Tal como as lãs que sofrem este tratamento, os partidos políticos correm o risco de deixar de servir, garantidamente ficaram estragados. Pior ainda: as reacções ao longo desta semana vão no sentido das lutas internas, em vez da modificação da forma de fazer política. Quem está a destruir o papel dos partidos são as máquinas do clientelismo partidário e os seus dirigentes, não são os independentes. Os cidadãos querem uma política com causas, não querem uma acção política que parece saída de uma consulta médica: uma folha de receitas para as maleitas. Sugiro que leiam na edição desta semana da revista «Time» o artigo «The New Action Heroes», onde se relata como o Mayor de Nova York, Michael Bloomberg, e o Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, passaram por cima do ideário do seu partido – ambos são eleitos pelos republicanos – abraçaram causas que interessam aos cidadãos e puseram em acção medidas que Washington pura e simplesmente nunca implementaria.
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
CURTO - O PS em Lisboa teve uma vitória de Pirro. Perdeu 20.000 votos entre 2005 e 2007, o seu candidato não conseguiu mobilizar o eleitorado e, apesar os insistentes apelos para obter maioria absoluta, enfrentou a maior abstenção de sempre, o que naturalmente o afectou em primeiro lugar e na prática lhe impediu o objectivo. Acresce que o facto de nestas eleições se ter verificado o maior número de votos brancos e nulos alguma vez registado em Lisboa mostra bem a recusa consciente de parte activa do eleitorado das políticas propostas. Costa venceu, mas não convenceu.
DIGITAL - Na conferência «Os Media da nova geração na era digital», a Comissária europeia para a Sociedade de Informação e Meios de Comunicação, Vivianne Reid, serviu um grande chá ao Ministro Santos Silva, recordando, depois de uma despropositada intervenção do governante, que se deve defender a flexibilização das regras publicitárias nos canais abertos de televisão, que nunca deve existir intervenção estatal em questões editoriais, e que o estado português está a ficar perigosamente atrasado na introdução da Televisão Digital Terrestre.
LER – Em Portugal vivia-se o calor do verão de 1974 quando foi pela primeira vez publicado o livro «Zen E A Arte da manutenção das motocicletas», de Robert M. Pirsig – por isso a sua edição original, nessa época, passou meio despercebida. 25 anos depois o livro foi relançado nos Estados Unidos e agora chega cá. O autor explica que o livro não é bem sobre a filosofia budista nem sobre motocicletas, mas é certo que o tema central é aquilo a que o seu autor chamou de a metafísica da qualidade. Na prática o livro relata uma viagem, feita por duas pessoas que representam dois tipos diferentes de personalidades, um mais interessado no lado espiritual das coisas e outro que se concentra nos detalhes e na forma de funcionamento das coisas. Há quem diga que este é o livro de filosofia mais vendido de sempre e George Steiner comparou Pirsig a Proust. Boa tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, editada pela Presença, 420 páginas.
OUVIR – «Lisboa» é uma exemplar compilação de temas e interpretações originais, nascida pela mão do músico Rodrigo Leão e do editor Tiago Faden, que acabaram de criar a editora independente «Lisboa Records». Na terça-feira passada no «Frágil», parte do disco foi apresentado ao vivo e arrisco dizer que se criou um ambiente especial, mostrando como aquele espaço continua a ter uma magia muito própria e merece ser visitado mais vezes. De regresso ao disco destaco os temas «O Estranho Caso do Amante Preguiçoso», de Rui Reininho e Armando Teixeira, «Cidade Tejo» de Rodrigo Leão e Ana Carolina Costa, «Primeira Hora» das Danças Ocultas, «Passagem a Limpo», um poema de Cesariny repescado pelos Naifa e uma imperdível interpretação do clássico «Com Que Voz» por Maria Ana Bobonne e Ricardo Rocha. Curiosidades adicionais: a voz de Cesariny a ler o seu poema «You Are Welcome To Elsinore» sobre um trabalho de sons idealizado por Paulo Abelho, e o «Poema», também de Cesariny, dito por Rogério Samora sobre música de Gabriel Gomes e Rodrigo Leão.
BACK TO BASICS – Debaixo de cada pedra espreita um político, Aristófanes
julho 20, 2007
UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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POLUIÇÃO VISUAL
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
Talvez não fosse má ideia que os partidos políticos começassem a tirar os seus cartazes eleitorais das ruas de Lisboa, a começar pelos do Presidente eleito.
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UMA IDEIA
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
Na ressaca pós-eleições em Lisboa os partidos que afundaram, em vez de pensarem seriamente no assunto, remeteram-se para a habitual luta de capoeira. Fora do sistema, José Miguel Júdice foi o único a surgir com uma boa ideia - pelo menos tem o mérito de fazer pensar e discutir estratégias e ideologia e não apenas pessoas. Vejam o que escreve hoje no «Público» sobre a possibilidade de se criar um novo partido político que una as forças à direita. Estes «Pensamentos Heréticos Sobre a Direita» são até agora o que de melhor surgiu no rescaldo eleitoral.
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TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
TV: A FALTA DE ESCOLHA
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
(publicado no diário «Meia Hora» de 18 de Julho
Quem não for assinante de um serviço de cabo está limitado a noites muito monótonas: concursos ou séries juvenis às sete, telejornais às oito, novelas a seguir até à meia noite. Cinema e boas séries só lá para o tarde. As variantes são poucas e pontuais. Os canais comerciais trabalham todos exactamente sobre a mesma matriz.
No Domingo não foi só o resultado da abstenção em Lisboa que deu nas vistas. Pelos lados da televisão o resultado mostrou bem o descontentamento dos telespectadores: o conjunto de canais do cabo esteve praticamente nos 20% (19,5, para ser exacto), um numero elevado quer mostra como um crescente número de pessoas procura alternativas à oferta dos actuais canais generalistas.
O cabo oferece essa alternativa, é certo, mas é pago e não tem canais verdadeiramente populares, de entretenimento, feitos em Portugal. Os sucessivos governos têm querido a todo o custo impedir o surgimento de novos canais portugueses, nomeadamente em sinal aberto. O Governo limita-se a servir de guardião de interesses estabelecidos, argumentando com a dimensão do mercado publicitário, impedindo que surja concorrência face aos operadores actuais.
Aqui ao lado, em Espanha, o Governo teve o bom senso de permitir dois novos canais abertos, criando uma transição mais suave para a realidade da alteração da oferta, dentro de poucos anos, com a Televisão Digital Terrestre (TDT), onde existirão provavelmente o dobro dos canais generalistas actuais . O Governo espanhol preferiu permitir que novos grupos de comunicação tivessem tempo de entrar no negócio da televisão antes do choque da nova realidade da TDT, preferiu permitir que o mercado se auto-organizasse face ao inevitável alargamento. Aqui, passa-se precisamente o contrário, apenas porque o Governo quer controlar os grupos de comunicação que podem ter televisão – por isso mesmo (e não apenas por questões técnicas) é que as regras para o concurso da TDT estão tão atrasadas, por isso é que nada foi ainda resolvido. Com outros canais a oferta seria diferente, as alternativas existiriam. A quem é que isso não interessa?
julho 17, 2007
FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
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FALTA DE SENSO
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
O restritor Silva, vulgo Ministro dos Assuntos Parlamentares, fez hoje fraca figura, no período de perguntas e respostas que se seguiu à conferência da Comissária europeia para a sociedade de informação e Meios de Comunicação sobre «Os Media da Nova Geração Na Era Digital», que se realizou no CCB. O Ministro português falou mais de dez minutos, com uma longa e maçadora intervenção, em reacção a uma observação a propósito da política de comunicação do Governo feita no meio de uma pergunta de um jornalista à Comissária europeia.
A coisa não lhe correu bem até porque a Comissária, delicadamente mas de forma firme, fez questão de sublinhar alguns pontos das orientações comunitárias que são, digamos, diferentes das do restritor.
Espero que a intervenção do Sr. Silva esteja gravada e que alguma alma carinhosa a coloque em podcast - assim sempre se fica a perceber melhor o ridículo da criatura.
ELEIÇÕES – Bem vistas as coisas a maioria dos candidatos na corrida à Câmara de Lisboa foi acusada de malfeitorias variadas pela outra metade – e nalguns casos foram atiradas suspeitas graves para cima da mesa. A política em Portugal resume-se a isto: intriga, calúnia, jogo baixo. Nada de debate de ideias, de projectos, de apresentação de propostas sérias. Estas eleições parecem o campeonato nacional do disparate, com PS e PSD a disputarem a liderança na asneira. Não é de admirar que se preveja tanta abstenção.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
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ELEIÇÕES – Bem vistas as coisas a maioria dos candidatos na corrida à Câmara de Lisboa foi acusada de malfeitorias variadas pela outra metade – e nalguns casos foram atiradas suspeitas graves para cima da mesa. A política em Portugal resume-se a isto: intriga, calúnia, jogo baixo. Nada de debate de ideias, de projectos, de apresentação de propostas sérias. Estas eleições parecem o campeonato nacional do disparate, com PS e PSD a disputarem a liderança na asneira. Não é de admirar que se preveja tanta abstenção.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
CAMPANHA – A campanha da Comissão Nacional de Eleições a tentar combater a abstenção é patética de todos os pontos de vista – táctico, estético, técnico. Mas pior ainda é a ideia de que os problemas de um sistema partidário desacreditado, que são a grande causa da abstenção, podem ser minorados por uns quartos de página de publicidade. Pior que isto só mesmo a qualidade intrínseca das campanhas que estão na rua, todas a terem como tema principal a falta de ideias, originalidade e vontade de mudar.
ABUSO – A Entidade Reguladora da Comunicação é hoje em dia um dos mais consistentes e permanentes inimigos da liberdade de expressão. Como esta semana se viu, no caso do «Público», mais uma vez, os seus dirigentes são apenas burocratas sem alma, diligentes e eficazes funcionários na dependência de Santos Silva, o Restritor. É em casos como o da imposição da repetição de um direito de resposta, que se descobre o carácter prepotente e o autoritarismo latente naquele órgão, cujos intervenientes – todos eles - primam pela ignorância mais crassa do que é a comunicação contemporânea.
SOLUÇÃO – Quando as drosófilas aparecem, que fazer? Deitar fora as cebolas a mais que nos impingem nos supermercados que vendem frutas e hortaliças embaladas em quantidades absurdas. A estragação de alimentos é enorme e cada vez maior e pouca gente se preocupa com isso. Agora prefiro comprar nas mercearias e lugares de fruta que ainda sobrevivem em Lisboa e ser eu a escolher a qualidade e quantidade que quero levar para casa. Assim escuso de ver crescerem as preocupações sobre a origem das pequenas moscas, geneticamente interessantes, que respondem pelo catita nome de drosófilas.
OUVIR – O piano, já aqui o disse, é dos instrumentos musicais que mais me emociona e transporta. Quis o acaso que nos últimos tempos eu me tenha reaproximado da música como há muito já não acontecia, ainda por cima do piano em particular. Acontece que por estes dias foi editado um disco que se tornou uma companhia constante – baladas para piano interpretadas por André Previn, um alemão naturalizado americano, que compôs música para filmes célebres e foi maestro titular de algumas grandes orquestras. No intervalo dos seus afazeres musicais sempre gostou de se apresentar ao vivo como pianista de jazz – e é nessa condição que aqui surge. Sugiro, por exemplo, que ouçam as suas interpretações de dois temas de Cole Porter («What Is This Thing Called Love?» e «Night And Day» ) e ainda de um grande tema da dupla Rodgers/Hart, «Bewitched, Bothered And Bewildered». (André Pevin Alone, Balladas For Solo Piano, CD Universal Music).
LER – O novo livro de Pedro Rolo Duarte é uma recolha de episódios de vida, sob o pretexto da batalha pelo abandono do cigarro. É o mais interessante livro do Pedro, merece atenção e garante bons momentos com curiosas reflexões. «Fumo- Deixar de fumar é lixado e mais 80 lições que eu vivi», edição Oficina do Livro ( já agora espreitem a nova livraria que a editora abriu no Rossio).
COMER – Peixe muito fresco, nas noites de verão, no Portinho da Arrábida. O destino deve ser o Farol, o último restaurante da fiada que lá existe, o mais recatado, também o mais simpático e o que frequentemente tem melhor peixe, fresquíssimo mesmo. E para começar, perguntem se há amêijoas…não se vão arrepender. Telefone 212 181 177.
VER – Apenas mais dois dias – até Domingo 15 - para ver as curiosas exposições/instalações de Massimo Bartolini e de Maria Nordman na Fundação de Serralves. Pelo meio podem descobrir os deliciosos «livros de autor» do norte-americano Sol Lewitt, uma iniciativa oportuna da Biblioteca de Serralves para homenagear o autor recentemente falecido.
BACK TO BASICS - «Os livros são os melhores médiuns para os artistas de hoje. Em muitos casos, o material visto nas galerias é mais difícil de ler/observar pendurado numa parede do que em casa, onde as pessoas não se sentem intimidadas. É vontade dos artistas que as suas obras sejam compreendidas pelo maior número de observadores possível. Os livros ajudam a realizar esse desejo» - Sol Lewitt.
julho 11, 2007
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DIA 15 VOU ABSTER-ME
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
DIA 15 VOU ABSTER-ME
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
(Publicado no diário «Meia Hora» de 11 de Julho
Nas eleições em Lisboa não faltam candidatos. Mas, em contrapartida, esta abundância é contrabalançada pela falta de ideias, pela falta de projectos, pela ausência de uma estratégia para a cidade. O programa de todos os candidatos resume-se a três palavras: combater o défice - curioso é que nenhum explica como fazê-lo, promovendo em simultâneo a recuperação da cidade para os seus habitantes.
Na área da política cultural as propostas são muito pobres e rotineiras. Para que interessa a política cultural com a cidade neste estado? – perguntarão alguns. Por uma simples razão: porque numa cidade como Lisboa, a política cultural faz parte da construção da imagem e faz parte da sua capacidade de atracção turística – o que quer dizer, faz parte de uma área económica importante, que gera emprego e produz receitas. A política cultural (de um país ou de uma cidade) não é uma bizarria de intelectuais – os políticos domésticos já deviam ter percebido isso – é uma área de actividade importante do ponto de vista estratégico, que tem consequências na criação de emprego e no estímulo da actividade económica numa série de sectores.
Um estudo recente da União Europeia, que há uns meses fez manchete nos jornais, mostrava isso mesmo – a importância das indústrias culturais na economia, quer directa quer indirectamente. Quem se der ao trabalho de ler os programas eleitorais dos candidatos à Câmara de Lisboa verá que ninguém o teve em conta. Questões básicas como a ligação ao Turismo, a articulação com as escolas, a conjugação de esforços com os organismos dependentes do Ministério da Cultura e localizados na cidade, a criação de um conselho de coordenação, a nível cultural, que abranja a área metropolitana de Lisboa ou, finalmente, a negociação de estímulos fiscais e incentivos a iniciativas como uma Film Commission, são tudo temas ausentes.
Neste panorama, com mais de uma dezena de candidatos, nenhum com ideias interessantes, nenhum com claras capacidades de liderança, que me resta fazer? – A resposta, para mim, é evidente: abstenção, a única maneira de mostrar o meu protesto pessoal pela cada vez maior degradação do regime e pela maneira como os partidos políticos actuam.
julho 08, 2007
PORTUGAL – A Europa devia saber o clima que este Governo anda a criar, a forma como desenvolve o papel prepotente do Estado, como estimula a denúncia, como desenvolve o medo por represálias, como se recusa a prestar explicações – o episódio da inviabilização da audição parlamentar de Correa de Campos, para que ele não tivesse que falar sobre o caso da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, mostra bem a noção de democracia que o PS pretende aplicar no Parlamento – onde as propostas dos socialistas sobre a reforma da Assembleia da República são um manual de arrogância e prepotência. E lá surge sempre Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, na linha da frente da limitação da expressão. Sugere-se à oposição a adopção de uma nova palavra de ordem: Santos Silva para a Venezuela, já!
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
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PORTUGAL – A Europa devia saber o clima que este Governo anda a criar, a forma como desenvolve o papel prepotente do Estado, como estimula a denúncia, como desenvolve o medo por represálias, como se recusa a prestar explicações – o episódio da inviabilização da audição parlamentar de Correa de Campos, para que ele não tivesse que falar sobre o caso da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, mostra bem a noção de democracia que o PS pretende aplicar no Parlamento – onde as propostas dos socialistas sobre a reforma da Assembleia da República são um manual de arrogância e prepotência. E lá surge sempre Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, na linha da frente da limitação da expressão. Sugere-se à oposição a adopção de uma nova palavra de ordem: Santos Silva para a Venezuela, já!
PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
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PARQUE MAYER – António Costa lá caíu na tentação de juntar os artistas do costume para fazer o número do Parque Mayer. Aproveitou o embalo folclórico e destapou a careca da tacanhez, atacando o valor e a utilidade de grandes obras de arquitectura, emblemáticas, chamando-lhes desperdícios. Ainda bem que D. Manuel I não era tão pacóvio, ou não teríamos os Jerónimos; ainda bem que D. João I tinha orgulho em afirmar a imagem de Portugal ou não teríamos o Mosteiro da Batalha; ainda bem que D. João V não teve medo em contratar um alemão para fazer o mais importante monumento do barroco português, o Convento de Mafra. Já se percebeu que, com Costa, Lisboa é para ficar uma cidadezinha sem ambiçãozinha, simplezinha e arranjadinha. Ao seu lado o arquitecto Manuel Salgado, impassível, dava-lhe a cobertura estética. Isto vai ser bonito, vai…
CORRER – O Presidente francês Nicolas Sarkozy está a ser alvo de uma campanha de alguns prestigiados intelectuais por causa da sua paixão pelo jogging, que partilha com o Primeiro-Ministro português. O filósofo Alain Finkelkraut insinua que o jogging é de direita, classifica-o como um acto filistino e pouco francês, e recomenda ao Presidente longas caminhadas, que ajudam à reflexão, como é tradição na civilização ocidental. Um analista de comunicação e media, Daniel Schneidermann, diz que as imagens recorrentes de Sarkozy a correr são «uma importante arma de manipulação mediática». Aguarda-se uma tese de Eduardo Prado Coelho sobre a elegância do correr de José Sócrates e uma deliberação da ERC sobre o carácter didático das corridinhas socráticas…
TELEJORNAIS – Na segunda feira, dia da reunião do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, preparei-me para saber o que se tinha passado pelos telejornais das 22h00, na RTP 2 e na SIC Notícias. Eis que a RTP 2 abriu com uma cerimónia propagandística do Governo (uns novos fundos europeus), que no dia seguinte pouco destaque mereceram nos jornais; depois avançou para uma notícia sindical e outros faits-divers – a notícia sobre o BCP chegou finalmente quase meia hora depois do início, já no final do Jornal; na SIC Notícias foi a reunião do BCP a abrir o Jornal, e para além da informação factual estavam em estúdio convidados, especialistas, para comentar o sucedido. Como o alvo de ambos os Jornais é semelhante, qual a justificação para semelhante diferença de critérios editoriais?
EXEMPLO – Aqui os nossos vizinhos espanhóis, que não perdem tempo, nomearam o português Sérgio Mah para comissariar a Photo España, que já é uma das mais importantes mostras de fotografia europeias. A curiosidade é que Sérgio Mah ganhou notoriedade internacional com a bienal Lisboa Photo, que dirigiu até que esse coveiro da cultura lisboeta, que dá pelo nome de Amaral Lopes, a extinguiu para substituir por uns festivalecos de cinema digital que este ano foram um belo insucesso. A vida é assim: ficamos nós a perder, os espanhóis a ganhar, e o Amaral a assobiar para o ar…
COMER – Campo de Ourique está cheio de bons e simples restaurantes. Um deles, com grelhados de eleição, é a Parreirinha do Minho, na Rua Francisco Metrass 47. A morcela com legumes é fantástica, os grelhados de peixe e carne são exemplares. O ambiente é familiar, o vinho da casa é honesto. Teel. 21 396 90 28
OUVIR – O jazz que o Estoril Jazz oferece entre 6 a 15 de Julho no Auditório do Parque Palmela. Destaque para Buster Williams dia 6, Dave Holland dia 7, Joshua Redman dia 13 e uma formação dirigida pelo pianis Cyrus Chestnut, Jazz At The Philarmonic Revisited, no dia 15, a encerrar mais esta edição do festival que Duarte Mendonça continua a proporcionar.
LER – A mais recente edição da revista «Fast Company» - belos artigos sobre a criatividade na China e como a Disney se reinventou graças à parceria que estabeleceu com a Apple no iPod vídeo.
BACK TO BASICS – «É flagrante e constante a insistência governamental em proibir, travar, limitar, burocratizar…» - Francisco Pinto Balsemão.
julho 04, 2007
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ORA DIGAM LÁ SENHORES CANDIDATOS
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
ORA DIGAM LÁ SENHORES CANDIDATOS
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
(publicado no «Meia Hora»)
Gostava que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa se pronunciassem sobre a transformação de parte do CCB no Museu Berardo – seria bastante educativo do ponto de vista do esclarecimento das respectivas propostas em matéria de política cultural. De facto nada tão eficaz como analisar um facto concreto para podermos ver quais as diferenças de posicionamento e de propostas.
Vamos por partes: o Centro de Exposições do CCB deixou de existir (até deixou de figurar no site da instituição) e foi cedido à colecção Berardo. Sem entrar nas polémicas sobre o negócio que o Estado entendeu proporcionar ao Comendador Berardo, este assunto coloca em primeiro plano a necessidade de a utilização dos equipamentos culturais nacionais, existentes em Lisboa, serem geridos em consenso com a Autarquia. Na realidade parece-me evidente que o Estado tem responsabilidades para com a cidade, sendo que a cidade deve também assumir algumas responsabilidades nesses equipamentos.
Os equipamentos culturais de Lisboa são fundamentais para os seus habitantes mas também são um instrumento estruturante da política de atracção de turismo interno e externo, uma área que cada vez assume maior relevância não só para a captação de receitas, como para a projecção internacional da imagem da cidade.
Ao desarticular o Centro de Exposições do CCB, o Governo acabou com o único equipamento na zona sul do país que fazia - de raiz- exposições retrospectivas de grandes artistas portugueses contemporâneos, que dedicava espaço certo à fotografia e à arquitectura e que trazia exposições internacionais temáticas. Para não puxar demais pela memória recordo as exposições de Júlio Pomar e de Jorge Martins, ou ainda as exposições do BES Photo e do World Press Photo, ou ainda as mostras de Mies Van der Rohe e, noutro plano, de Frida Kahlo. É disto que vamos sentir a falta daqui a algum tempo e é sobre estas questões que gostava de ouvir os senhores candidatos: É legítimo acabar com o Centro de Exposições do CCB? Devia ter sido escolhido outro local para instalar a colecção Berardo, como por exemplo o Pavilhão de Portugal?
julho 03, 2007
EQUÍVOCO – Quando as coisas se fazem à pressa eleva-se o risco da asneira – esta frase está a começar a ser uma descrição recorrente do estilo de governação socratiano. O que se passou no CCB veio mostrar a precipitação da decisão de impor um corpo estranho à instituição e de acabar com a programação autónoma da área de exposições, para lá colocar, a qualquer custo, a colecção Berardo. Percebe-se agora que, como muita gente disse na altura, tinha feito muito mais sentido autonomizá-la, instalá-la em edifício próprio, como o Pavilhão de Portugal, que vai acabar por ser palco de mostras menores e eventos variados, desvirtuando a natureza da sua concepção arquitectónica. O custo não seria muito diferente, as vantagens seriam várias e ainda se está a tempo de avançar nesse sentido, desde que se pense em vez de se ceder aos caprichos do Comendador Berardo, que melhor faria em não se comportar como uma imitação riquíssima de Alberto João Jardim, ao passear arrogância e ignorar a primeira das lições da arte que colecciona – o poder da diferença e da diversidade face às imposições.
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
Untitled
EQUÍVOCO – Quando as coisas se fazem à pressa eleva-se o risco da asneira – esta frase está a começar a ser uma descrição recorrente do estilo de governação socratiano. O que se passou no CCB veio mostrar a precipitação da decisão de impor um corpo estranho à instituição e de acabar com a programação autónoma da área de exposições, para lá colocar, a qualquer custo, a colecção Berardo. Percebe-se agora que, como muita gente disse na altura, tinha feito muito mais sentido autonomizá-la, instalá-la em edifício próprio, como o Pavilhão de Portugal, que vai acabar por ser palco de mostras menores e eventos variados, desvirtuando a natureza da sua concepção arquitectónica. O custo não seria muito diferente, as vantagens seriam várias e ainda se está a tempo de avançar nesse sentido, desde que se pense em vez de se ceder aos caprichos do Comendador Berardo, que melhor faria em não se comportar como uma imitação riquíssima de Alberto João Jardim, ao passear arrogância e ignorar a primeira das lições da arte que colecciona – o poder da diferença e da diversidade face às imposições.
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.
OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.
LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.
PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.
NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».
BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos
junho 29, 2007
SOCRATE'S PORTUGAL
The portuguese Prime Minister presides over a Government which persecutes people who criticize the way the country is ruled or who make jokes about the Prime Minister himself. In the last months high ranking civil servants have been punished either because they joked about Mr. Socrates university degree (altough the alleged joke was made in a private conversation) or because they allowed public criticism over the health policy and its Minister, Mr. Correa de Campos.
In these last weeks important industrialists said that some of the sponsors of a technical report about the placement of a new international airport - which contradicts Mr. Socrates decision - wished to remain incognito because they feared retaliation from the government in contracts with their companies.
In general there are worrying signs of political harassment by over zealous officials, but until now none of the ministers or the prime minister himself have condemned what happened.
Instead, the Prime Minister decided to persecute in Court the author of a Blog that led and first hand released an investigation about the academic degree of Mr. Socrates and the way it was obtained. All the national press followed the leads in that blog, and some of the newspapers digged deeper than the blogger. It was clear there were contradictions between Mr. Socrates official CV and the University archives. Following the investigation, the private University where Mr. Socrates obtained his degree was shut down by Government decision, in the middle of an unexpected turmoil.
The portuguese Prime Minister presides over a Government which persecutes people who criticize the way the country is ruled or who make jokes about the Prime Minister himself. In the last months high ranking civil servants have been punished either because they joked about Mr. Socrates university degree (altough the alleged joke was made in a private conversation) or because they allowed public criticism over the health policy and its Minister, Mr. Correa de Campos.
In these last weeks important industrialists said that some of the sponsors of a technical report about the placement of a new international airport - which contradicts Mr. Socrates decision - wished to remain incognito because they feared retaliation from the government in contracts with their companies.
In general there are worrying signs of political harassment by over zealous officials, but until now none of the ministers or the prime minister himself have condemned what happened.
Instead, the Prime Minister decided to persecute in Court the author of a Blog that led and first hand released an investigation about the academic degree of Mr. Socrates and the way it was obtained. All the national press followed the leads in that blog, and some of the newspapers digged deeper than the blogger. It was clear there were contradictions between Mr. Socrates official CV and the University archives. Following the investigation, the private University where Mr. Socrates obtained his degree was shut down by Government decision, in the middle of an unexpected turmoil.
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SOCRATE'S PORTUGAL
The portuguese Prime Minister presides over a Government which persecutes people who criticize the way the country is ruled or who make jokes about the Prime Minister himself. In the last months high ranking civil servants have been punished either because they joked about Mr. Socrates university degree (altough the alleged joke was made in a private conversation) or because they allowed public criticism over the health policy and its Minister, Mr. Correa de Campos.
In these last weeks important industrialists said that some of the sponsors of a technical report about the placement of a new international airport - which contradicts Mr. Socrates decision - wished to remain incognito because they feared retaliation from the government in contracts with their companies.
In general there are worrying signs of political harassment by over zealous officials, but until now none of the ministers or the prime minister himself have condemned what happened.
Instead, the Prime Minister decided to persecute in Court the author of a Blog that led and first hand released an investigation about the academic degree of Mr. Socrates and the way it was obtained. All the national press followed the leads in that blog, and some of the newspapers digged deeper than the blogger. It was clear there were contradictions between Mr. Socrates official CV and the University archives. Following the investigation, the private University where Mr. Socrates obtained his degree was shut down by Government decision, in the middle of an unexpected turmoil.
The portuguese Prime Minister presides over a Government which persecutes people who criticize the way the country is ruled or who make jokes about the Prime Minister himself. In the last months high ranking civil servants have been punished either because they joked about Mr. Socrates university degree (altough the alleged joke was made in a private conversation) or because they allowed public criticism over the health policy and its Minister, Mr. Correa de Campos.
In these last weeks important industrialists said that some of the sponsors of a technical report about the placement of a new international airport - which contradicts Mr. Socrates decision - wished to remain incognito because they feared retaliation from the government in contracts with their companies.
In general there are worrying signs of political harassment by over zealous officials, but until now none of the ministers or the prime minister himself have condemned what happened.
Instead, the Prime Minister decided to persecute in Court the author of a Blog that led and first hand released an investigation about the academic degree of Mr. Socrates and the way it was obtained. All the national press followed the leads in that blog, and some of the newspapers digged deeper than the blogger. It was clear there were contradictions between Mr. Socrates official CV and the University archives. Following the investigation, the private University where Mr. Socrates obtained his degree was shut down by Government decision, in the middle of an unexpected turmoil.
QUE FAZER COM O ARRUINADO
PAVILHÃO DOS DESPORTOS?
No meio destas eleições lisboetas há uma série de tópicos que parecem esquecidos, depois de nos últimos anos terem sido motivo de polémica. Um deles é a (boa) ideia de ter em Lisboa uma construção assinada pelo arquitecto Frank Gehry. Eu acho que as cidades vivem de emblemas, sou dos que pensam que a obra dos arquitectos contemporâneos é uma mais valia para a imagem das cidades e para a sua capacidade de atracção de visitantes.
Por isso sempre me agradou que Gehry deixasse a sua assinatura em Lisboa, de forma bem evidente, da mesma forma que nunca achei grande ideia que ele o fizesse num recanto escondido por detrás de uns prédios da Avenida da Liberdade – que é o que o Parque Mayer é de facto.
Acontece no entanto que existe um edifício, propriedade do Município, num local central, muito visível, bem servido de transportes, que está no sítio certo para fazer um desafio aos arquitectos – e talvez se pudesse renegociar com Gehry, para que nem tudo o que já lhe foi pago em estudos seja investimento perdido.
Falo do Pavilhão dos Desportos, Pavilhão Carlos Lopes, no alto do Parque Eduardo VII. Para quem não sabe, o estado da construção é mau, tem sérias limitações de utilização por razões de segurança, e hoje em dia a sala é perfeitamente desadequada para o que quer que seja – desde desporto a música. Dizem-me (e parece-me evidente) que nada daquilo tem interesse arquitectónico a preservar e, com a excepção de uns painéis de azulejos, não há muito para guardar.
Ora acontece que Lisboa tem falta de uma boa sala de música com capacidade para uns 2500 a 3000 lugares, o que viabilizaria, do ponto de vista comercial, muitos e bons concertos dos mais variados géneros. E já que Gehry tem construído alguns dos mais espantosos (e eficazes) auditórios modernos ao longo da sua carreira, porque não propor-lhe uma reconversão da sua intervenção em Lisboa e colocar, no alto daquela colina, dominando o parque Eduardo VII, uma obra que marque Lisboa de forma bem evidente?
E não venham com o deficit, esta é daquelas obras que pode ser paga com as contrapartidas do Casino de Lisboa. É só uma questão de vontade.
(publicado na edição de dia 27 de Junho do diário gratuito «Meia Hora»
PAVILHÃO DOS DESPORTOS?
No meio destas eleições lisboetas há uma série de tópicos que parecem esquecidos, depois de nos últimos anos terem sido motivo de polémica. Um deles é a (boa) ideia de ter em Lisboa uma construção assinada pelo arquitecto Frank Gehry. Eu acho que as cidades vivem de emblemas, sou dos que pensam que a obra dos arquitectos contemporâneos é uma mais valia para a imagem das cidades e para a sua capacidade de atracção de visitantes.
Por isso sempre me agradou que Gehry deixasse a sua assinatura em Lisboa, de forma bem evidente, da mesma forma que nunca achei grande ideia que ele o fizesse num recanto escondido por detrás de uns prédios da Avenida da Liberdade – que é o que o Parque Mayer é de facto.
Acontece no entanto que existe um edifício, propriedade do Município, num local central, muito visível, bem servido de transportes, que está no sítio certo para fazer um desafio aos arquitectos – e talvez se pudesse renegociar com Gehry, para que nem tudo o que já lhe foi pago em estudos seja investimento perdido.
Falo do Pavilhão dos Desportos, Pavilhão Carlos Lopes, no alto do Parque Eduardo VII. Para quem não sabe, o estado da construção é mau, tem sérias limitações de utilização por razões de segurança, e hoje em dia a sala é perfeitamente desadequada para o que quer que seja – desde desporto a música. Dizem-me (e parece-me evidente) que nada daquilo tem interesse arquitectónico a preservar e, com a excepção de uns painéis de azulejos, não há muito para guardar.
Ora acontece que Lisboa tem falta de uma boa sala de música com capacidade para uns 2500 a 3000 lugares, o que viabilizaria, do ponto de vista comercial, muitos e bons concertos dos mais variados géneros. E já que Gehry tem construído alguns dos mais espantosos (e eficazes) auditórios modernos ao longo da sua carreira, porque não propor-lhe uma reconversão da sua intervenção em Lisboa e colocar, no alto daquela colina, dominando o parque Eduardo VII, uma obra que marque Lisboa de forma bem evidente?
E não venham com o deficit, esta é daquelas obras que pode ser paga com as contrapartidas do Casino de Lisboa. É só uma questão de vontade.
(publicado na edição de dia 27 de Junho do diário gratuito «Meia Hora»
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QUE FAZER COM O ARRUINADO
PAVILHÃO DOS DESPORTOS?
No meio destas eleições lisboetas há uma série de tópicos que parecem esquecidos, depois de nos últimos anos terem sido motivo de polémica. Um deles é a (boa) ideia de ter em Lisboa uma construção assinada pelo arquitecto Frank Gehry. Eu acho que as cidades vivem de emblemas, sou dos que pensam que a obra dos arquitectos contemporâneos é uma mais valia para a imagem das cidades e para a sua capacidade de atracção de visitantes.
Por isso sempre me agradou que Gehry deixasse a sua assinatura em Lisboa, de forma bem evidente, da mesma forma que nunca achei grande ideia que ele o fizesse num recanto escondido por detrás de uns prédios da Avenida da Liberdade – que é o que o Parque Mayer é de facto.
Acontece no entanto que existe um edifício, propriedade do Município, num local central, muito visível, bem servido de transportes, que está no sítio certo para fazer um desafio aos arquitectos – e talvez se pudesse renegociar com Gehry, para que nem tudo o que já lhe foi pago em estudos seja investimento perdido.
Falo do Pavilhão dos Desportos, Pavilhão Carlos Lopes, no alto do Parque Eduardo VII. Para quem não sabe, o estado da construção é mau, tem sérias limitações de utilização por razões de segurança, e hoje em dia a sala é perfeitamente desadequada para o que quer que seja – desde desporto a música. Dizem-me (e parece-me evidente) que nada daquilo tem interesse arquitectónico a preservar e, com a excepção de uns painéis de azulejos, não há muito para guardar.
Ora acontece que Lisboa tem falta de uma boa sala de música com capacidade para uns 2500 a 3000 lugares, o que viabilizaria, do ponto de vista comercial, muitos e bons concertos dos mais variados géneros. E já que Gehry tem construído alguns dos mais espantosos (e eficazes) auditórios modernos ao longo da sua carreira, porque não propor-lhe uma reconversão da sua intervenção em Lisboa e colocar, no alto daquela colina, dominando o parque Eduardo VII, uma obra que marque Lisboa de forma bem evidente?
E não venham com o deficit, esta é daquelas obras que pode ser paga com as contrapartidas do Casino de Lisboa. É só uma questão de vontade.
(publicado na edição de dia 27 de Junho do diário gratuito «Meia Hora»
PAVILHÃO DOS DESPORTOS?
No meio destas eleições lisboetas há uma série de tópicos que parecem esquecidos, depois de nos últimos anos terem sido motivo de polémica. Um deles é a (boa) ideia de ter em Lisboa uma construção assinada pelo arquitecto Frank Gehry. Eu acho que as cidades vivem de emblemas, sou dos que pensam que a obra dos arquitectos contemporâneos é uma mais valia para a imagem das cidades e para a sua capacidade de atracção de visitantes.
Por isso sempre me agradou que Gehry deixasse a sua assinatura em Lisboa, de forma bem evidente, da mesma forma que nunca achei grande ideia que ele o fizesse num recanto escondido por detrás de uns prédios da Avenida da Liberdade – que é o que o Parque Mayer é de facto.
Acontece no entanto que existe um edifício, propriedade do Município, num local central, muito visível, bem servido de transportes, que está no sítio certo para fazer um desafio aos arquitectos – e talvez se pudesse renegociar com Gehry, para que nem tudo o que já lhe foi pago em estudos seja investimento perdido.
Falo do Pavilhão dos Desportos, Pavilhão Carlos Lopes, no alto do Parque Eduardo VII. Para quem não sabe, o estado da construção é mau, tem sérias limitações de utilização por razões de segurança, e hoje em dia a sala é perfeitamente desadequada para o que quer que seja – desde desporto a música. Dizem-me (e parece-me evidente) que nada daquilo tem interesse arquitectónico a preservar e, com a excepção de uns painéis de azulejos, não há muito para guardar.
Ora acontece que Lisboa tem falta de uma boa sala de música com capacidade para uns 2500 a 3000 lugares, o que viabilizaria, do ponto de vista comercial, muitos e bons concertos dos mais variados géneros. E já que Gehry tem construído alguns dos mais espantosos (e eficazes) auditórios modernos ao longo da sua carreira, porque não propor-lhe uma reconversão da sua intervenção em Lisboa e colocar, no alto daquela colina, dominando o parque Eduardo VII, uma obra que marque Lisboa de forma bem evidente?
E não venham com o deficit, esta é daquelas obras que pode ser paga com as contrapartidas do Casino de Lisboa. É só uma questão de vontade.
(publicado na edição de dia 27 de Junho do diário gratuito «Meia Hora»
junho 25, 2007
DESERTO – As candidaturas à Câmara de Lisboa têm desgraçadamente três pontos em comum: a completa ausência de posicionamento estratégico para a cidade; a obsessão pelo défice que cega qualquer rasgo de visão e desenvolvimento; e políticas culturais mais preocupadas em servir clientelas do que em contribuir para o desenvolvimento e reconhecimento da cidade. Cada vez mais me inclino para a abstenção nestas eleições.
OUVIR – O novo disco da norte-americana Jane Monheit vem confirmá-la como uma das grandes vocalistas de jazz da actualidade. «Surrender», o seu terceiro disco, é um exemplo de produção clássica e eficaz, com orquestrações envolventes. O disco inclui um dueto com Ivan Lins num tema do próprio cantor brasileiro, «Rio de Maio», uma bela interpretação de «Só Tinha de Ser Com Você» de Aloysio de Oliveira e Tom Carlos Jobim, e uma inesperada forma de abordar «Moon River», de Henry Mancini. «Caminhos Cruzados», outro original de Jobim, recebe uma ajuda preciosa da harmónica de Toots Thielemans e completa um leque invulgar de selecções. CD Concord, Universal Music.
LER - «Na Praia de Chesil», o novo romance do britânico Ian McEwan, é mais uma incursão num dos domínios que ele mais gosta de explorar, a dissecação das relações entre pessoas. Passado no início dos anos 60, o romance conta a história de duas personagens, da sua maneira de estar e dos seus fantasmas, a partir do relato da noite de núpcias não consumada, passada num hotel à beira mar. Essa noite muda a vida das personagens, cada uma partindo em direcções opostas daquela praia onde finalmente se descobriram. Ewan gosta de dizer que, quando escreve, gosta de pensar nas suas novelas em termos de projecto arquitectónico: tem que se entrar por um portão e aceder a um hall que seja suficientemente aliciante para o leitor querer descobrir o resto do edifício. Foi o que mais uma vez conseguiu, com êxito, neste novo romance, com edição portuguesa da Gradiva (128 páginas).
VER – Por estes dias, para a semana, de 28 a 30 de Junho, a Torre de Belém acolhe a terceira edição do Africa Festival, um dos poucos momentos em que Lisboa é uma plataforma de relacionamento cultural multi-disciplinar com o continente africano. Depois dos dias à beira Tejo, o Cinema S. Jorge acolhe de 2 a 8 de Julho uma série de iniciativas, desde apresentações de livros, a um ciclo de cinema, passando por música e dança. Permito-me destacar a 7 de Julho às 22h00 os filmes «Muxima» de Alfredo Jaar e o belíssimo «Mãe Ju» de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves. Outro destaque vai para o filme «Bamako», de um realizador do Mali, que tem sido elogiado internacionalmente e que aqui surge em estreia nacional. Por uns poucos dias o Africa Festival recorda-nos do continente a que temos mais fortes ligações e mostra o que devia ser um dos eixos da política cultural da cidade e do país.
SUBLINHAR – O Biography Channel está a produzir e exibir uma série de documentários sobre figuras portuguesas, da música à moda, passando pela literatura e artes plásticas, de uma forma exemplar e que devia servir de modelo para o serviço público de televisão, que deixou de se interessar por esta área, nomeadamente na 2:, onde uma série de parcerias conseguiram em dois anos (2004 e 2005) produzir mais uma dezena de documentários, infelizmente sem seguimento desde que Santos Silva resolveu acabar com a autonomia do canal.
DESCOBRIR – O novo site de um dos melhores jornais do mundo, o britânico The Guardin (www.guardian.co.uk) , muitoi fácil de navegar, mais «limpo» e muito mais elegante que a maioria dos sites de jornais. Quem fez o absurdo novo site do «Público» bem podia vir aqui aprender como se pode fazer um trabalho asseado. E vale a pena assinar a newsletter diária «Guardian Unlimited Today», uma forma inteligente de acompanhar o que se passa no mundo.
PROVAR – Nadas melhor que uma Água das Pedras – passe a publicidade. Numa edição recente da revista «Time», a marca portuguesa era elogiada por ser uma das poucas águas minerais a ter uma gaseificação natural que, dizia a revista, a tornam num bom acompanhamento para propostas gastronómicas com sabores subtis.
BACK TO BASICS – O betão, na forma terrestre e aeronáutica, está a tornar-se no símbolo nacional do país.
OUVIR – O novo disco da norte-americana Jane Monheit vem confirmá-la como uma das grandes vocalistas de jazz da actualidade. «Surrender», o seu terceiro disco, é um exemplo de produção clássica e eficaz, com orquestrações envolventes. O disco inclui um dueto com Ivan Lins num tema do próprio cantor brasileiro, «Rio de Maio», uma bela interpretação de «Só Tinha de Ser Com Você» de Aloysio de Oliveira e Tom Carlos Jobim, e uma inesperada forma de abordar «Moon River», de Henry Mancini. «Caminhos Cruzados», outro original de Jobim, recebe uma ajuda preciosa da harmónica de Toots Thielemans e completa um leque invulgar de selecções. CD Concord, Universal Music.
LER - «Na Praia de Chesil», o novo romance do britânico Ian McEwan, é mais uma incursão num dos domínios que ele mais gosta de explorar, a dissecação das relações entre pessoas. Passado no início dos anos 60, o romance conta a história de duas personagens, da sua maneira de estar e dos seus fantasmas, a partir do relato da noite de núpcias não consumada, passada num hotel à beira mar. Essa noite muda a vida das personagens, cada uma partindo em direcções opostas daquela praia onde finalmente se descobriram. Ewan gosta de dizer que, quando escreve, gosta de pensar nas suas novelas em termos de projecto arquitectónico: tem que se entrar por um portão e aceder a um hall que seja suficientemente aliciante para o leitor querer descobrir o resto do edifício. Foi o que mais uma vez conseguiu, com êxito, neste novo romance, com edição portuguesa da Gradiva (128 páginas).
VER – Por estes dias, para a semana, de 28 a 30 de Junho, a Torre de Belém acolhe a terceira edição do Africa Festival, um dos poucos momentos em que Lisboa é uma plataforma de relacionamento cultural multi-disciplinar com o continente africano. Depois dos dias à beira Tejo, o Cinema S. Jorge acolhe de 2 a 8 de Julho uma série de iniciativas, desde apresentações de livros, a um ciclo de cinema, passando por música e dança. Permito-me destacar a 7 de Julho às 22h00 os filmes «Muxima» de Alfredo Jaar e o belíssimo «Mãe Ju» de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves. Outro destaque vai para o filme «Bamako», de um realizador do Mali, que tem sido elogiado internacionalmente e que aqui surge em estreia nacional. Por uns poucos dias o Africa Festival recorda-nos do continente a que temos mais fortes ligações e mostra o que devia ser um dos eixos da política cultural da cidade e do país.
SUBLINHAR – O Biography Channel está a produzir e exibir uma série de documentários sobre figuras portuguesas, da música à moda, passando pela literatura e artes plásticas, de uma forma exemplar e que devia servir de modelo para o serviço público de televisão, que deixou de se interessar por esta área, nomeadamente na 2:, onde uma série de parcerias conseguiram em dois anos (2004 e 2005) produzir mais uma dezena de documentários, infelizmente sem seguimento desde que Santos Silva resolveu acabar com a autonomia do canal.
DESCOBRIR – O novo site de um dos melhores jornais do mundo, o britânico The Guardin (www.guardian.co.uk) , muitoi fácil de navegar, mais «limpo» e muito mais elegante que a maioria dos sites de jornais. Quem fez o absurdo novo site do «Público» bem podia vir aqui aprender como se pode fazer um trabalho asseado. E vale a pena assinar a newsletter diária «Guardian Unlimited Today», uma forma inteligente de acompanhar o que se passa no mundo.
PROVAR – Nadas melhor que uma Água das Pedras – passe a publicidade. Numa edição recente da revista «Time», a marca portuguesa era elogiada por ser uma das poucas águas minerais a ter uma gaseificação natural que, dizia a revista, a tornam num bom acompanhamento para propostas gastronómicas com sabores subtis.
BACK TO BASICS – O betão, na forma terrestre e aeronáutica, está a tornar-se no símbolo nacional do país.
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DESERTO – As candidaturas à Câmara de Lisboa têm desgraçadamente três pontos em comum: a completa ausência de posicionamento estratégico para a cidade; a obsessão pelo défice que cega qualquer rasgo de visão e desenvolvimento; e políticas culturais mais preocupadas em servir clientelas do que em contribuir para o desenvolvimento e reconhecimento da cidade. Cada vez mais me inclino para a abstenção nestas eleições.
OUVIR – O novo disco da norte-americana Jane Monheit vem confirmá-la como uma das grandes vocalistas de jazz da actualidade. «Surrender», o seu terceiro disco, é um exemplo de produção clássica e eficaz, com orquestrações envolventes. O disco inclui um dueto com Ivan Lins num tema do próprio cantor brasileiro, «Rio de Maio», uma bela interpretação de «Só Tinha de Ser Com Você» de Aloysio de Oliveira e Tom Carlos Jobim, e uma inesperada forma de abordar «Moon River», de Henry Mancini. «Caminhos Cruzados», outro original de Jobim, recebe uma ajuda preciosa da harmónica de Toots Thielemans e completa um leque invulgar de selecções. CD Concord, Universal Music.
LER - «Na Praia de Chesil», o novo romance do britânico Ian McEwan, é mais uma incursão num dos domínios que ele mais gosta de explorar, a dissecação das relações entre pessoas. Passado no início dos anos 60, o romance conta a história de duas personagens, da sua maneira de estar e dos seus fantasmas, a partir do relato da noite de núpcias não consumada, passada num hotel à beira mar. Essa noite muda a vida das personagens, cada uma partindo em direcções opostas daquela praia onde finalmente se descobriram. Ewan gosta de dizer que, quando escreve, gosta de pensar nas suas novelas em termos de projecto arquitectónico: tem que se entrar por um portão e aceder a um hall que seja suficientemente aliciante para o leitor querer descobrir o resto do edifício. Foi o que mais uma vez conseguiu, com êxito, neste novo romance, com edição portuguesa da Gradiva (128 páginas).
VER – Por estes dias, para a semana, de 28 a 30 de Junho, a Torre de Belém acolhe a terceira edição do Africa Festival, um dos poucos momentos em que Lisboa é uma plataforma de relacionamento cultural multi-disciplinar com o continente africano. Depois dos dias à beira Tejo, o Cinema S. Jorge acolhe de 2 a 8 de Julho uma série de iniciativas, desde apresentações de livros, a um ciclo de cinema, passando por música e dança. Permito-me destacar a 7 de Julho às 22h00 os filmes «Muxima» de Alfredo Jaar e o belíssimo «Mãe Ju» de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves. Outro destaque vai para o filme «Bamako», de um realizador do Mali, que tem sido elogiado internacionalmente e que aqui surge em estreia nacional. Por uns poucos dias o Africa Festival recorda-nos do continente a que temos mais fortes ligações e mostra o que devia ser um dos eixos da política cultural da cidade e do país.
SUBLINHAR – O Biography Channel está a produzir e exibir uma série de documentários sobre figuras portuguesas, da música à moda, passando pela literatura e artes plásticas, de uma forma exemplar e que devia servir de modelo para o serviço público de televisão, que deixou de se interessar por esta área, nomeadamente na 2:, onde uma série de parcerias conseguiram em dois anos (2004 e 2005) produzir mais uma dezena de documentários, infelizmente sem seguimento desde que Santos Silva resolveu acabar com a autonomia do canal.
DESCOBRIR – O novo site de um dos melhores jornais do mundo, o britânico The Guardin (www.guardian.co.uk) , muitoi fácil de navegar, mais «limpo» e muito mais elegante que a maioria dos sites de jornais. Quem fez o absurdo novo site do «Público» bem podia vir aqui aprender como se pode fazer um trabalho asseado. E vale a pena assinar a newsletter diária «Guardian Unlimited Today», uma forma inteligente de acompanhar o que se passa no mundo.
PROVAR – Nadas melhor que uma Água das Pedras – passe a publicidade. Numa edição recente da revista «Time», a marca portuguesa era elogiada por ser uma das poucas águas minerais a ter uma gaseificação natural que, dizia a revista, a tornam num bom acompanhamento para propostas gastronómicas com sabores subtis.
BACK TO BASICS – O betão, na forma terrestre e aeronáutica, está a tornar-se no símbolo nacional do país.
OUVIR – O novo disco da norte-americana Jane Monheit vem confirmá-la como uma das grandes vocalistas de jazz da actualidade. «Surrender», o seu terceiro disco, é um exemplo de produção clássica e eficaz, com orquestrações envolventes. O disco inclui um dueto com Ivan Lins num tema do próprio cantor brasileiro, «Rio de Maio», uma bela interpretação de «Só Tinha de Ser Com Você» de Aloysio de Oliveira e Tom Carlos Jobim, e uma inesperada forma de abordar «Moon River», de Henry Mancini. «Caminhos Cruzados», outro original de Jobim, recebe uma ajuda preciosa da harmónica de Toots Thielemans e completa um leque invulgar de selecções. CD Concord, Universal Music.
LER - «Na Praia de Chesil», o novo romance do britânico Ian McEwan, é mais uma incursão num dos domínios que ele mais gosta de explorar, a dissecação das relações entre pessoas. Passado no início dos anos 60, o romance conta a história de duas personagens, da sua maneira de estar e dos seus fantasmas, a partir do relato da noite de núpcias não consumada, passada num hotel à beira mar. Essa noite muda a vida das personagens, cada uma partindo em direcções opostas daquela praia onde finalmente se descobriram. Ewan gosta de dizer que, quando escreve, gosta de pensar nas suas novelas em termos de projecto arquitectónico: tem que se entrar por um portão e aceder a um hall que seja suficientemente aliciante para o leitor querer descobrir o resto do edifício. Foi o que mais uma vez conseguiu, com êxito, neste novo romance, com edição portuguesa da Gradiva (128 páginas).
VER – Por estes dias, para a semana, de 28 a 30 de Junho, a Torre de Belém acolhe a terceira edição do Africa Festival, um dos poucos momentos em que Lisboa é uma plataforma de relacionamento cultural multi-disciplinar com o continente africano. Depois dos dias à beira Tejo, o Cinema S. Jorge acolhe de 2 a 8 de Julho uma série de iniciativas, desde apresentações de livros, a um ciclo de cinema, passando por música e dança. Permito-me destacar a 7 de Julho às 22h00 os filmes «Muxima» de Alfredo Jaar e o belíssimo «Mãe Ju» de Kiluanje Liberdade e Inês Gonçalves. Outro destaque vai para o filme «Bamako», de um realizador do Mali, que tem sido elogiado internacionalmente e que aqui surge em estreia nacional. Por uns poucos dias o Africa Festival recorda-nos do continente a que temos mais fortes ligações e mostra o que devia ser um dos eixos da política cultural da cidade e do país.
SUBLINHAR – O Biography Channel está a produzir e exibir uma série de documentários sobre figuras portuguesas, da música à moda, passando pela literatura e artes plásticas, de uma forma exemplar e que devia servir de modelo para o serviço público de televisão, que deixou de se interessar por esta área, nomeadamente na 2:, onde uma série de parcerias conseguiram em dois anos (2004 e 2005) produzir mais uma dezena de documentários, infelizmente sem seguimento desde que Santos Silva resolveu acabar com a autonomia do canal.
DESCOBRIR – O novo site de um dos melhores jornais do mundo, o britânico The Guardin (www.guardian.co.uk) , muitoi fácil de navegar, mais «limpo» e muito mais elegante que a maioria dos sites de jornais. Quem fez o absurdo novo site do «Público» bem podia vir aqui aprender como se pode fazer um trabalho asseado. E vale a pena assinar a newsletter diária «Guardian Unlimited Today», uma forma inteligente de acompanhar o que se passa no mundo.
PROVAR – Nadas melhor que uma Água das Pedras – passe a publicidade. Numa edição recente da revista «Time», a marca portuguesa era elogiada por ser uma das poucas águas minerais a ter uma gaseificação natural que, dizia a revista, a tornam num bom acompanhamento para propostas gastronómicas com sabores subtis.
BACK TO BASICS – O betão, na forma terrestre e aeronáutica, está a tornar-se no símbolo nacional do país.
junho 21, 2007
UMA OPORTUNIDADE PERDIDA
(publicado no diário «Meia Hora»
No início do próximo mês Lisboa vai ser invadida por milhares de jornalistas e opinion-makers de todos os cantos do mundo, que regularmente visitarão a cidade, até final do ano, durante o semestre que durar a Presidência portuguesa da Comunidade Europeia. Como sempre acontece nestas alturas serão numerosos os artigos sobre a cidade e o país que acolhem a Presidência.
Pois aqui é exactamente onde a porca começa a torcer o rabito: mandava a boa lógica que face a uma ocasião de exposição mediática desta natureza tivesse havido cuidado e seriedade na preparação das coisas. Para além do lado patrimonial que merecia ser evocado, esta era uma oportunidade única de dar a conhecer a criatividade portuguesa, os novos artistas, o que existe de novo em Portugal, a nossa vocação multicultural. Há poucos dias o crítico de arte Alexandre Melo, assessor para a Cultura de José Sócrates, dizia numa entrevista que um dos problemas maiores para a visibilidade dos criadores portugueses no exterior era «nunca se terem organizado, de forma sistemática, visitas de críticos e comissários internacionais a Portugal». A afirmação é certeira, claro que qualquer pessoa se interrogará sobre a razão que leva a senhora Ministra da Cultura a não reparar no que diz um assessor do Primeiro Ministro. O artista plástico Pedro Cabrita Reis, que tem uma rara lucidez a olhar para o país, dizia numa entrevista recente que a causa de todo o imobilismo nestas matérias era a total falta «de visão e de vontade estratégica de afirmação no exterior». Nada é mais verdade e o que está prestes a acontecer é a demonstração de uma oportunidade desperdiçada.
Ao longo do semestre da Presidência, Lisboa acolhe 300 eventos que receberão 50.000 participantes. Num tempo de afirmação do multiculturalismo esta podia ser a oportunidade de mostrar a nossa vocação de plataforma de relacionamento com África, projectando cruzamentos entre artistas contemporâneos portugueses e de países africanos. Mas isto, claro, é uma ilusão – na realidade nada se passa. Mais uma vez.
(publicado no diário «Meia Hora»
No início do próximo mês Lisboa vai ser invadida por milhares de jornalistas e opinion-makers de todos os cantos do mundo, que regularmente visitarão a cidade, até final do ano, durante o semestre que durar a Presidência portuguesa da Comunidade Europeia. Como sempre acontece nestas alturas serão numerosos os artigos sobre a cidade e o país que acolhem a Presidência.
Pois aqui é exactamente onde a porca começa a torcer o rabito: mandava a boa lógica que face a uma ocasião de exposição mediática desta natureza tivesse havido cuidado e seriedade na preparação das coisas. Para além do lado patrimonial que merecia ser evocado, esta era uma oportunidade única de dar a conhecer a criatividade portuguesa, os novos artistas, o que existe de novo em Portugal, a nossa vocação multicultural. Há poucos dias o crítico de arte Alexandre Melo, assessor para a Cultura de José Sócrates, dizia numa entrevista que um dos problemas maiores para a visibilidade dos criadores portugueses no exterior era «nunca se terem organizado, de forma sistemática, visitas de críticos e comissários internacionais a Portugal». A afirmação é certeira, claro que qualquer pessoa se interrogará sobre a razão que leva a senhora Ministra da Cultura a não reparar no que diz um assessor do Primeiro Ministro. O artista plástico Pedro Cabrita Reis, que tem uma rara lucidez a olhar para o país, dizia numa entrevista recente que a causa de todo o imobilismo nestas matérias era a total falta «de visão e de vontade estratégica de afirmação no exterior». Nada é mais verdade e o que está prestes a acontecer é a demonstração de uma oportunidade desperdiçada.
Ao longo do semestre da Presidência, Lisboa acolhe 300 eventos que receberão 50.000 participantes. Num tempo de afirmação do multiculturalismo esta podia ser a oportunidade de mostrar a nossa vocação de plataforma de relacionamento com África, projectando cruzamentos entre artistas contemporâneos portugueses e de países africanos. Mas isto, claro, é uma ilusão – na realidade nada se passa. Mais uma vez.
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UMA OPORTUNIDADE PERDIDA
(publicado no diário «Meia Hora»
No início do próximo mês Lisboa vai ser invadida por milhares de jornalistas e opinion-makers de todos os cantos do mundo, que regularmente visitarão a cidade, até final do ano, durante o semestre que durar a Presidência portuguesa da Comunidade Europeia. Como sempre acontece nestas alturas serão numerosos os artigos sobre a cidade e o país que acolhem a Presidência.
Pois aqui é exactamente onde a porca começa a torcer o rabito: mandava a boa lógica que face a uma ocasião de exposição mediática desta natureza tivesse havido cuidado e seriedade na preparação das coisas. Para além do lado patrimonial que merecia ser evocado, esta era uma oportunidade única de dar a conhecer a criatividade portuguesa, os novos artistas, o que existe de novo em Portugal, a nossa vocação multicultural. Há poucos dias o crítico de arte Alexandre Melo, assessor para a Cultura de José Sócrates, dizia numa entrevista que um dos problemas maiores para a visibilidade dos criadores portugueses no exterior era «nunca se terem organizado, de forma sistemática, visitas de críticos e comissários internacionais a Portugal». A afirmação é certeira, claro que qualquer pessoa se interrogará sobre a razão que leva a senhora Ministra da Cultura a não reparar no que diz um assessor do Primeiro Ministro. O artista plástico Pedro Cabrita Reis, que tem uma rara lucidez a olhar para o país, dizia numa entrevista recente que a causa de todo o imobilismo nestas matérias era a total falta «de visão e de vontade estratégica de afirmação no exterior». Nada é mais verdade e o que está prestes a acontecer é a demonstração de uma oportunidade desperdiçada.
Ao longo do semestre da Presidência, Lisboa acolhe 300 eventos que receberão 50.000 participantes. Num tempo de afirmação do multiculturalismo esta podia ser a oportunidade de mostrar a nossa vocação de plataforma de relacionamento com África, projectando cruzamentos entre artistas contemporâneos portugueses e de países africanos. Mas isto, claro, é uma ilusão – na realidade nada se passa. Mais uma vez.
(publicado no diário «Meia Hora»
No início do próximo mês Lisboa vai ser invadida por milhares de jornalistas e opinion-makers de todos os cantos do mundo, que regularmente visitarão a cidade, até final do ano, durante o semestre que durar a Presidência portuguesa da Comunidade Europeia. Como sempre acontece nestas alturas serão numerosos os artigos sobre a cidade e o país que acolhem a Presidência.
Pois aqui é exactamente onde a porca começa a torcer o rabito: mandava a boa lógica que face a uma ocasião de exposição mediática desta natureza tivesse havido cuidado e seriedade na preparação das coisas. Para além do lado patrimonial que merecia ser evocado, esta era uma oportunidade única de dar a conhecer a criatividade portuguesa, os novos artistas, o que existe de novo em Portugal, a nossa vocação multicultural. Há poucos dias o crítico de arte Alexandre Melo, assessor para a Cultura de José Sócrates, dizia numa entrevista que um dos problemas maiores para a visibilidade dos criadores portugueses no exterior era «nunca se terem organizado, de forma sistemática, visitas de críticos e comissários internacionais a Portugal». A afirmação é certeira, claro que qualquer pessoa se interrogará sobre a razão que leva a senhora Ministra da Cultura a não reparar no que diz um assessor do Primeiro Ministro. O artista plástico Pedro Cabrita Reis, que tem uma rara lucidez a olhar para o país, dizia numa entrevista recente que a causa de todo o imobilismo nestas matérias era a total falta «de visão e de vontade estratégica de afirmação no exterior». Nada é mais verdade e o que está prestes a acontecer é a demonstração de uma oportunidade desperdiçada.
Ao longo do semestre da Presidência, Lisboa acolhe 300 eventos que receberão 50.000 participantes. Num tempo de afirmação do multiculturalismo esta podia ser a oportunidade de mostrar a nossa vocação de plataforma de relacionamento com África, projectando cruzamentos entre artistas contemporâneos portugueses e de países africanos. Mas isto, claro, é uma ilusão – na realidade nada se passa. Mais uma vez.
junho 19, 2007
AEROPORTO – O Governo diz agora estar disposto a estudar alternativas à Ota – a abertura de espírito surge em altura oportuna – descomprime as relações com a Presidência da República e pretende aliviar a pressão que esta questão estava a causar na candidatura de António Costa. Mas como de boas intenções está o inferno cheio, cá para mim continua a valer a pena, no âmbito da campanha autárquica de Lisboa, debater de facto qual a melhor localização para o Aeroporto de Lisboa, o aeroporto que serve a capital – e é neste domínio que vale a pena debater: não estamos a falar de um aeroporto nacional, mas sim do aeroporto que serve a capital de um país, as empresas que lá estão, os turistas que vêm à cidade - porque os que quiserem ir descobrir os encantos do Douro aterrarão no Porto e os que querem ir a banhos para o Algarve escolhem Faro. É bom ter isto em conta, e é bom que cada candidato diga claramente que solução prefere e que assuma o compromisso de a defender: se a Ota, se Alcochete, ou se a extensão da Portela, que são as três alternativas em cima da mesa. A maior parte dos candidatos já se pronunciou. António Costa quer agora evitar ter posição sobre a matéria – o que é inaceitável para quem aspira ser Presidente da Câmara de Lisboa. Que quer Costa? Defender o Governo ou os interesses da cidade que aspira dirigir?
VER/LER – Há livros que são objectos visuais, que ultrapassam os textos que publicam e que vivem baseado nas imagens, na forma como elas estão organizadas. Em Portugal não há muitos ensaios fotográficos editados, vale a pena destacar a excelência fotográfica do mais recente trabalho de Inês Gonçalves, aqui com Kiluanje Liberdade. O livro chama-se «Agora Luanda», tem 188 páginas e foi editado pela Almedina. É de uma rara intensidade e é dos melhores livros de fotografia portugueses.
OUVIR – O novo disco de Mário Laginha tem uma história curiosa: parte de um desafio lançado por José Mateus, o Comissário da Trienal de Arquitectura de Lisboa, actualmente em curso. Laginha conta nas notas de capa do disco que Mateus o levou a ver algumas das obras mais significativas da arquitectura portuguesa e que confirmou, nessas visitas, o que já pensava – que existe uma relação entre a arquitectura e a música, assumindo assim de onde veio a inspiração para este disco, a que significativamente deu o nome de «Espaço». Contada a história, passemos ao disco: tem oito composições originais de Laginha, interpretadas por ele próprio ao piano, por Alexandre Frazão na bateria e por Bernardo Moreira no contrabaixo – para mim o trio de piano, bateria e baixo é a formação preferida do jazz, reabilitada nos últimos anos muito por força dos primeiros discos de Brad Mehldau. Este «Espaço» do Trio de Mário Laginha é uma das boas surpresas da edição nacional na área do jazz, mais uma vez da responsabilidade da editora Clean Feed/Trem Azul.
REGISTO – Francisco Amaral é o responsável por um dos melhores programas de rádio, na área musical, alguma vez feitos em Portugal. O programa chama-se «Íntima Fracção» e já passou por algumas frequências. Há uns anos esteve na TSF, depois perdeu-se numa qualquer reestruturação de grelha e nos últimos tempos vivia exclusivamente, mas organizadamente, na Internet no blog que o seu autor criou para o efeito, http://intima.blogspot.com/ . No meio das recentes alterações que o Rádio Clube Português tem vindo a fazer, eis que o «Íntima Fracção» regressou ao formato rádio e volta a estar disponível para todos os que quiserem ouvir uma das mais perfeitas seleccções musicais que é possível descobrir nas ondas hertzianas. O «Intima Fracção» vai para o ar nas noites de Domingo para Segunda, à meia noite. Obrigado, Rádio Clube Português.
PETISCO – Tenho a mania de provar salgadinhos nos cafés, gosto de experimentar como são os croquetes, as empadas, os rissóis, as merendinhas que tão boas memórias me trazem. Um dos salgadinhos que tento sempre provar, em havendo, dá pelo nome bem português de pastel de massa tenra. São célebres os do restaurante Papa-Açorda em Lisboa, há tempos descobri uns num café do largo de Marvila que eram bem bons, mas por estes dias dei com uns outros que merecem referência. A massa é perfeita, nem muito grossa, nem muito fina, o recheio é bem temperado, o tamanho é honesto. Podem ser provados na Pastelaria Sá, esquina da Conde de Valbom com a Miguel Bombarda, às avenidas novas, em Lisboa.
BACK TO BASICS - A simplicidade é o auge da civilização, Jessie Sampter.
VER/LER – Há livros que são objectos visuais, que ultrapassam os textos que publicam e que vivem baseado nas imagens, na forma como elas estão organizadas. Em Portugal não há muitos ensaios fotográficos editados, vale a pena destacar a excelência fotográfica do mais recente trabalho de Inês Gonçalves, aqui com Kiluanje Liberdade. O livro chama-se «Agora Luanda», tem 188 páginas e foi editado pela Almedina. É de uma rara intensidade e é dos melhores livros de fotografia portugueses.
OUVIR – O novo disco de Mário Laginha tem uma história curiosa: parte de um desafio lançado por José Mateus, o Comissário da Trienal de Arquitectura de Lisboa, actualmente em curso. Laginha conta nas notas de capa do disco que Mateus o levou a ver algumas das obras mais significativas da arquitectura portuguesa e que confirmou, nessas visitas, o que já pensava – que existe uma relação entre a arquitectura e a música, assumindo assim de onde veio a inspiração para este disco, a que significativamente deu o nome de «Espaço». Contada a história, passemos ao disco: tem oito composições originais de Laginha, interpretadas por ele próprio ao piano, por Alexandre Frazão na bateria e por Bernardo Moreira no contrabaixo – para mim o trio de piano, bateria e baixo é a formação preferida do jazz, reabilitada nos últimos anos muito por força dos primeiros discos de Brad Mehldau. Este «Espaço» do Trio de Mário Laginha é uma das boas surpresas da edição nacional na área do jazz, mais uma vez da responsabilidade da editora Clean Feed/Trem Azul.
REGISTO – Francisco Amaral é o responsável por um dos melhores programas de rádio, na área musical, alguma vez feitos em Portugal. O programa chama-se «Íntima Fracção» e já passou por algumas frequências. Há uns anos esteve na TSF, depois perdeu-se numa qualquer reestruturação de grelha e nos últimos tempos vivia exclusivamente, mas organizadamente, na Internet no blog que o seu autor criou para o efeito, http://intima.blogspot.com/ . No meio das recentes alterações que o Rádio Clube Português tem vindo a fazer, eis que o «Íntima Fracção» regressou ao formato rádio e volta a estar disponível para todos os que quiserem ouvir uma das mais perfeitas seleccções musicais que é possível descobrir nas ondas hertzianas. O «Intima Fracção» vai para o ar nas noites de Domingo para Segunda, à meia noite. Obrigado, Rádio Clube Português.
PETISCO – Tenho a mania de provar salgadinhos nos cafés, gosto de experimentar como são os croquetes, as empadas, os rissóis, as merendinhas que tão boas memórias me trazem. Um dos salgadinhos que tento sempre provar, em havendo, dá pelo nome bem português de pastel de massa tenra. São célebres os do restaurante Papa-Açorda em Lisboa, há tempos descobri uns num café do largo de Marvila que eram bem bons, mas por estes dias dei com uns outros que merecem referência. A massa é perfeita, nem muito grossa, nem muito fina, o recheio é bem temperado, o tamanho é honesto. Podem ser provados na Pastelaria Sá, esquina da Conde de Valbom com a Miguel Bombarda, às avenidas novas, em Lisboa.
BACK TO BASICS - A simplicidade é o auge da civilização, Jessie Sampter.
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AEROPORTO – O Governo diz agora estar disposto a estudar alternativas à Ota – a abertura de espírito surge em altura oportuna – descomprime as relações com a Presidência da República e pretende aliviar a pressão que esta questão estava a causar na candidatura de António Costa. Mas como de boas intenções está o inferno cheio, cá para mim continua a valer a pena, no âmbito da campanha autárquica de Lisboa, debater de facto qual a melhor localização para o Aeroporto de Lisboa, o aeroporto que serve a capital – e é neste domínio que vale a pena debater: não estamos a falar de um aeroporto nacional, mas sim do aeroporto que serve a capital de um país, as empresas que lá estão, os turistas que vêm à cidade - porque os que quiserem ir descobrir os encantos do Douro aterrarão no Porto e os que querem ir a banhos para o Algarve escolhem Faro. É bom ter isto em conta, e é bom que cada candidato diga claramente que solução prefere e que assuma o compromisso de a defender: se a Ota, se Alcochete, ou se a extensão da Portela, que são as três alternativas em cima da mesa. A maior parte dos candidatos já se pronunciou. António Costa quer agora evitar ter posição sobre a matéria – o que é inaceitável para quem aspira ser Presidente da Câmara de Lisboa. Que quer Costa? Defender o Governo ou os interesses da cidade que aspira dirigir?
VER/LER – Há livros que são objectos visuais, que ultrapassam os textos que publicam e que vivem baseado nas imagens, na forma como elas estão organizadas. Em Portugal não há muitos ensaios fotográficos editados, vale a pena destacar a excelência fotográfica do mais recente trabalho de Inês Gonçalves, aqui com Kiluanje Liberdade. O livro chama-se «Agora Luanda», tem 188 páginas e foi editado pela Almedina. É de uma rara intensidade e é dos melhores livros de fotografia portugueses.
OUVIR – O novo disco de Mário Laginha tem uma história curiosa: parte de um desafio lançado por José Mateus, o Comissário da Trienal de Arquitectura de Lisboa, actualmente em curso. Laginha conta nas notas de capa do disco que Mateus o levou a ver algumas das obras mais significativas da arquitectura portuguesa e que confirmou, nessas visitas, o que já pensava – que existe uma relação entre a arquitectura e a música, assumindo assim de onde veio a inspiração para este disco, a que significativamente deu o nome de «Espaço». Contada a história, passemos ao disco: tem oito composições originais de Laginha, interpretadas por ele próprio ao piano, por Alexandre Frazão na bateria e por Bernardo Moreira no contrabaixo – para mim o trio de piano, bateria e baixo é a formação preferida do jazz, reabilitada nos últimos anos muito por força dos primeiros discos de Brad Mehldau. Este «Espaço» do Trio de Mário Laginha é uma das boas surpresas da edição nacional na área do jazz, mais uma vez da responsabilidade da editora Clean Feed/Trem Azul.
REGISTO – Francisco Amaral é o responsável por um dos melhores programas de rádio, na área musical, alguma vez feitos em Portugal. O programa chama-se «Íntima Fracção» e já passou por algumas frequências. Há uns anos esteve na TSF, depois perdeu-se numa qualquer reestruturação de grelha e nos últimos tempos vivia exclusivamente, mas organizadamente, na Internet no blog que o seu autor criou para o efeito, http://intima.blogspot.com/ . No meio das recentes alterações que o Rádio Clube Português tem vindo a fazer, eis que o «Íntima Fracção» regressou ao formato rádio e volta a estar disponível para todos os que quiserem ouvir uma das mais perfeitas seleccções musicais que é possível descobrir nas ondas hertzianas. O «Intima Fracção» vai para o ar nas noites de Domingo para Segunda, à meia noite. Obrigado, Rádio Clube Português.
PETISCO – Tenho a mania de provar salgadinhos nos cafés, gosto de experimentar como são os croquetes, as empadas, os rissóis, as merendinhas que tão boas memórias me trazem. Um dos salgadinhos que tento sempre provar, em havendo, dá pelo nome bem português de pastel de massa tenra. São célebres os do restaurante Papa-Açorda em Lisboa, há tempos descobri uns num café do largo de Marvila que eram bem bons, mas por estes dias dei com uns outros que merecem referência. A massa é perfeita, nem muito grossa, nem muito fina, o recheio é bem temperado, o tamanho é honesto. Podem ser provados na Pastelaria Sá, esquina da Conde de Valbom com a Miguel Bombarda, às avenidas novas, em Lisboa.
BACK TO BASICS - A simplicidade é o auge da civilização, Jessie Sampter.
VER/LER – Há livros que são objectos visuais, que ultrapassam os textos que publicam e que vivem baseado nas imagens, na forma como elas estão organizadas. Em Portugal não há muitos ensaios fotográficos editados, vale a pena destacar a excelência fotográfica do mais recente trabalho de Inês Gonçalves, aqui com Kiluanje Liberdade. O livro chama-se «Agora Luanda», tem 188 páginas e foi editado pela Almedina. É de uma rara intensidade e é dos melhores livros de fotografia portugueses.
OUVIR – O novo disco de Mário Laginha tem uma história curiosa: parte de um desafio lançado por José Mateus, o Comissário da Trienal de Arquitectura de Lisboa, actualmente em curso. Laginha conta nas notas de capa do disco que Mateus o levou a ver algumas das obras mais significativas da arquitectura portuguesa e que confirmou, nessas visitas, o que já pensava – que existe uma relação entre a arquitectura e a música, assumindo assim de onde veio a inspiração para este disco, a que significativamente deu o nome de «Espaço». Contada a história, passemos ao disco: tem oito composições originais de Laginha, interpretadas por ele próprio ao piano, por Alexandre Frazão na bateria e por Bernardo Moreira no contrabaixo – para mim o trio de piano, bateria e baixo é a formação preferida do jazz, reabilitada nos últimos anos muito por força dos primeiros discos de Brad Mehldau. Este «Espaço» do Trio de Mário Laginha é uma das boas surpresas da edição nacional na área do jazz, mais uma vez da responsabilidade da editora Clean Feed/Trem Azul.
REGISTO – Francisco Amaral é o responsável por um dos melhores programas de rádio, na área musical, alguma vez feitos em Portugal. O programa chama-se «Íntima Fracção» e já passou por algumas frequências. Há uns anos esteve na TSF, depois perdeu-se numa qualquer reestruturação de grelha e nos últimos tempos vivia exclusivamente, mas organizadamente, na Internet no blog que o seu autor criou para o efeito, http://intima.blogspot.com/ . No meio das recentes alterações que o Rádio Clube Português tem vindo a fazer, eis que o «Íntima Fracção» regressou ao formato rádio e volta a estar disponível para todos os que quiserem ouvir uma das mais perfeitas seleccções musicais que é possível descobrir nas ondas hertzianas. O «Intima Fracção» vai para o ar nas noites de Domingo para Segunda, à meia noite. Obrigado, Rádio Clube Português.
PETISCO – Tenho a mania de provar salgadinhos nos cafés, gosto de experimentar como são os croquetes, as empadas, os rissóis, as merendinhas que tão boas memórias me trazem. Um dos salgadinhos que tento sempre provar, em havendo, dá pelo nome bem português de pastel de massa tenra. São célebres os do restaurante Papa-Açorda em Lisboa, há tempos descobri uns num café do largo de Marvila que eram bem bons, mas por estes dias dei com uns outros que merecem referência. A massa é perfeita, nem muito grossa, nem muito fina, o recheio é bem temperado, o tamanho é honesto. Podem ser provados na Pastelaria Sá, esquina da Conde de Valbom com a Miguel Bombarda, às avenidas novas, em Lisboa.
BACK TO BASICS - A simplicidade é o auge da civilização, Jessie Sampter.
junho 11, 2007
ALVO – O Partido Popular anunciou que vai trazer da Madeira o actor que andou na campanha eleitoral regional a serrazinar a cabeça de Alberto João Jardim cada vez que ele aparecia em público. Na minha ingenuidade julguei que iria colar o homem ao candidato António Costa, pensei eu que para o PP o alvo principal seria o PS, que o actor iria andar á procura do caminho para a Ota. Parece que me enganei, Costa vai ser deixado em paz pelo PP, Telmo Correia está mais interessado em combater outros candidatos – por estas e por outras é que o PP, nestas eleições de Lisboa, tem um ar tão pouco credível como o medonho cartaz que andou a espalhar, réplica perfeita da estética dos cartazes dos filmes indianos produzidos em Bollywood.
INÚTIL – O único voto útil nas próximas autárquicas é qualquer voto contra António Costa: votar nele é inútil, é concordar com o silêncio do Governo no caso da perseguição a um cidadão por delito de opinião na Direcção Geral de Educação Norte; votar nele é concordar com Mário Lino na questão da Ota; votar nele é concordar com as diatribes do Ministro das Finanças contra os contribuintes, do Ministro da Saúde contra os doentes e da Ministra da Educação contra o ensino do Português. Qualquer voto em António Costa será politicamente aproveitado como um voto referendário a favor do Governo. Se Costa ganhar, o Governo, que se finge arredado do processo eleitoral, aparecerá a dizer que a população apoia a sua acção. Costa não é um candidato, é um putativo embaixador do Governo de José Sócrates em Lisboa.
NOVIDADE – Continuamente preocupado com a desertificação de grandes zonas do país, o Ministro das Obras Públicas está a estudar a construção de uma maternidade rodoviária, na A 14. Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz já nasceram três bebes no transporte de ambulância entre aquela cidade e Coimbra.
OUVIR – São norte-americanos, do Oregon, parecem europeus, um pouco parisienses até, existem desde 1994 e chamam-se Pink Martini, têm uma diva plástica por vocalista, China Forbes, que estudou pintura em Harvard. Cada um dos seus álbuns parece uma colectânea de propostas de hinos para uma imaginária Sociedade das Nações onde seja a música a mandar. O disco mais recente chama-se «Hey Eugene!» e não foge à regra. Revelaram-se com uma canção que fez êxito em França, «Je Ne Veux Pas Travailler», e a este novo álbum traz sons do cabaret francês, misturado com a época de ouro de Hollywood. O disco percorre sonoridades que vão da Europa de Leste até ritmos latinos e um dos temas, «Mar Desconocido» podia bem figurar num filme de Almodôvar. A faixa que dá o nome ao disco é um velho êxito da banda em concertos, mas nunca havia sido gravada. E é impossível não ficar arrebatado com o dueto entre Forbes e Jimmy Scott, um histórico do jazz, na faixa que encerra o disco, «Tea For Two». («Hey Eugene!» - CD Heinz Records, Naive, disponível na FNAC).
LER – Nestes últimos tempos uma arreliadora tendinite tem-me impedido de jogar golfe, uma masoquista rotina de fim-de-semana já com alguns anos. Nestas semanas as voltas ao campo têm sido substituídas pela leitura de um dos mais fascinantes livros sobre o jogo que já tive ocasião de ler – e confesso que li imensos. Como quem de nós gosta nos quer aliviar o sofrimento, este livro foi-me oferecido para eu reflectir sobre o golfe e sobre algumas coisas que, vindas do jogo, se podem aplicar na vida em geral. «The Inner Game Of Golf» faz parte de uma série de livros de W. Thimothy Gallwey sob a designação genérica «The Inner Game», dos quais o mais célebre é o «The Inner Game Of Tennis». Gallway concentra-se nos princíoios de formação do «coaching», utilizados nos quadros de grandes empresas. A sua aproximação ao desporto parte destes princípios, trabalhando no desenvolvimento do que ele chama «concentração descontraída». A leitura é entusiasmante e só posso agradecer a quem me fez descobrir este livro - espero que quando recomeçar a jogar se vejam os efeitos desta leitura. «The Inner Game Of Golf», de W. Timothy Gallwey, edição Random House, 211 páginas. Disponível na Amazon.
BACK TO BASICS - «As ideias são mais poderosas do que armas, se não deixamos os nossos inimigos terem armas, porque razão os deixaremos falar das suas ideias?» - José Estaline, dedicado à Directora-Geral de Educação do Norte, a Hugo Chávez, a Augusto Santos Silva e a Mário Lino.
INÚTIL – O único voto útil nas próximas autárquicas é qualquer voto contra António Costa: votar nele é inútil, é concordar com o silêncio do Governo no caso da perseguição a um cidadão por delito de opinião na Direcção Geral de Educação Norte; votar nele é concordar com Mário Lino na questão da Ota; votar nele é concordar com as diatribes do Ministro das Finanças contra os contribuintes, do Ministro da Saúde contra os doentes e da Ministra da Educação contra o ensino do Português. Qualquer voto em António Costa será politicamente aproveitado como um voto referendário a favor do Governo. Se Costa ganhar, o Governo, que se finge arredado do processo eleitoral, aparecerá a dizer que a população apoia a sua acção. Costa não é um candidato, é um putativo embaixador do Governo de José Sócrates em Lisboa.
NOVIDADE – Continuamente preocupado com a desertificação de grandes zonas do país, o Ministro das Obras Públicas está a estudar a construção de uma maternidade rodoviária, na A 14. Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz já nasceram três bebes no transporte de ambulância entre aquela cidade e Coimbra.
OUVIR – São norte-americanos, do Oregon, parecem europeus, um pouco parisienses até, existem desde 1994 e chamam-se Pink Martini, têm uma diva plástica por vocalista, China Forbes, que estudou pintura em Harvard. Cada um dos seus álbuns parece uma colectânea de propostas de hinos para uma imaginária Sociedade das Nações onde seja a música a mandar. O disco mais recente chama-se «Hey Eugene!» e não foge à regra. Revelaram-se com uma canção que fez êxito em França, «Je Ne Veux Pas Travailler», e a este novo álbum traz sons do cabaret francês, misturado com a época de ouro de Hollywood. O disco percorre sonoridades que vão da Europa de Leste até ritmos latinos e um dos temas, «Mar Desconocido» podia bem figurar num filme de Almodôvar. A faixa que dá o nome ao disco é um velho êxito da banda em concertos, mas nunca havia sido gravada. E é impossível não ficar arrebatado com o dueto entre Forbes e Jimmy Scott, um histórico do jazz, na faixa que encerra o disco, «Tea For Two». («Hey Eugene!» - CD Heinz Records, Naive, disponível na FNAC).
LER – Nestes últimos tempos uma arreliadora tendinite tem-me impedido de jogar golfe, uma masoquista rotina de fim-de-semana já com alguns anos. Nestas semanas as voltas ao campo têm sido substituídas pela leitura de um dos mais fascinantes livros sobre o jogo que já tive ocasião de ler – e confesso que li imensos. Como quem de nós gosta nos quer aliviar o sofrimento, este livro foi-me oferecido para eu reflectir sobre o golfe e sobre algumas coisas que, vindas do jogo, se podem aplicar na vida em geral. «The Inner Game Of Golf» faz parte de uma série de livros de W. Thimothy Gallwey sob a designação genérica «The Inner Game», dos quais o mais célebre é o «The Inner Game Of Tennis». Gallway concentra-se nos princíoios de formação do «coaching», utilizados nos quadros de grandes empresas. A sua aproximação ao desporto parte destes princípios, trabalhando no desenvolvimento do que ele chama «concentração descontraída». A leitura é entusiasmante e só posso agradecer a quem me fez descobrir este livro - espero que quando recomeçar a jogar se vejam os efeitos desta leitura. «The Inner Game Of Golf», de W. Timothy Gallwey, edição Random House, 211 páginas. Disponível na Amazon.
BACK TO BASICS - «As ideias são mais poderosas do que armas, se não deixamos os nossos inimigos terem armas, porque razão os deixaremos falar das suas ideias?» - José Estaline, dedicado à Directora-Geral de Educação do Norte, a Hugo Chávez, a Augusto Santos Silva e a Mário Lino.
Untitled
ALVO – O Partido Popular anunciou que vai trazer da Madeira o actor que andou na campanha eleitoral regional a serrazinar a cabeça de Alberto João Jardim cada vez que ele aparecia em público. Na minha ingenuidade julguei que iria colar o homem ao candidato António Costa, pensei eu que para o PP o alvo principal seria o PS, que o actor iria andar á procura do caminho para a Ota. Parece que me enganei, Costa vai ser deixado em paz pelo PP, Telmo Correia está mais interessado em combater outros candidatos – por estas e por outras é que o PP, nestas eleições de Lisboa, tem um ar tão pouco credível como o medonho cartaz que andou a espalhar, réplica perfeita da estética dos cartazes dos filmes indianos produzidos em Bollywood.
INÚTIL – O único voto útil nas próximas autárquicas é qualquer voto contra António Costa: votar nele é inútil, é concordar com o silêncio do Governo no caso da perseguição a um cidadão por delito de opinião na Direcção Geral de Educação Norte; votar nele é concordar com Mário Lino na questão da Ota; votar nele é concordar com as diatribes do Ministro das Finanças contra os contribuintes, do Ministro da Saúde contra os doentes e da Ministra da Educação contra o ensino do Português. Qualquer voto em António Costa será politicamente aproveitado como um voto referendário a favor do Governo. Se Costa ganhar, o Governo, que se finge arredado do processo eleitoral, aparecerá a dizer que a população apoia a sua acção. Costa não é um candidato, é um putativo embaixador do Governo de José Sócrates em Lisboa.
NOVIDADE – Continuamente preocupado com a desertificação de grandes zonas do país, o Ministro das Obras Públicas está a estudar a construção de uma maternidade rodoviária, na A 14. Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz já nasceram três bebes no transporte de ambulância entre aquela cidade e Coimbra.
OUVIR – São norte-americanos, do Oregon, parecem europeus, um pouco parisienses até, existem desde 1994 e chamam-se Pink Martini, têm uma diva plástica por vocalista, China Forbes, que estudou pintura em Harvard. Cada um dos seus álbuns parece uma colectânea de propostas de hinos para uma imaginária Sociedade das Nações onde seja a música a mandar. O disco mais recente chama-se «Hey Eugene!» e não foge à regra. Revelaram-se com uma canção que fez êxito em França, «Je Ne Veux Pas Travailler», e a este novo álbum traz sons do cabaret francês, misturado com a época de ouro de Hollywood. O disco percorre sonoridades que vão da Europa de Leste até ritmos latinos e um dos temas, «Mar Desconocido» podia bem figurar num filme de Almodôvar. A faixa que dá o nome ao disco é um velho êxito da banda em concertos, mas nunca havia sido gravada. E é impossível não ficar arrebatado com o dueto entre Forbes e Jimmy Scott, um histórico do jazz, na faixa que encerra o disco, «Tea For Two». («Hey Eugene!» - CD Heinz Records, Naive, disponível na FNAC).
LER – Nestes últimos tempos uma arreliadora tendinite tem-me impedido de jogar golfe, uma masoquista rotina de fim-de-semana já com alguns anos. Nestas semanas as voltas ao campo têm sido substituídas pela leitura de um dos mais fascinantes livros sobre o jogo que já tive ocasião de ler – e confesso que li imensos. Como quem de nós gosta nos quer aliviar o sofrimento, este livro foi-me oferecido para eu reflectir sobre o golfe e sobre algumas coisas que, vindas do jogo, se podem aplicar na vida em geral. «The Inner Game Of Golf» faz parte de uma série de livros de W. Thimothy Gallwey sob a designação genérica «The Inner Game», dos quais o mais célebre é o «The Inner Game Of Tennis». Gallway concentra-se nos princíoios de formação do «coaching», utilizados nos quadros de grandes empresas. A sua aproximação ao desporto parte destes princípios, trabalhando no desenvolvimento do que ele chama «concentração descontraída». A leitura é entusiasmante e só posso agradecer a quem me fez descobrir este livro - espero que quando recomeçar a jogar se vejam os efeitos desta leitura. «The Inner Game Of Golf», de W. Timothy Gallwey, edição Random House, 211 páginas. Disponível na Amazon.
BACK TO BASICS - «As ideias são mais poderosas do que armas, se não deixamos os nossos inimigos terem armas, porque razão os deixaremos falar das suas ideias?» - José Estaline, dedicado à Directora-Geral de Educação do Norte, a Hugo Chávez, a Augusto Santos Silva e a Mário Lino.
INÚTIL – O único voto útil nas próximas autárquicas é qualquer voto contra António Costa: votar nele é inútil, é concordar com o silêncio do Governo no caso da perseguição a um cidadão por delito de opinião na Direcção Geral de Educação Norte; votar nele é concordar com Mário Lino na questão da Ota; votar nele é concordar com as diatribes do Ministro das Finanças contra os contribuintes, do Ministro da Saúde contra os doentes e da Ministra da Educação contra o ensino do Português. Qualquer voto em António Costa será politicamente aproveitado como um voto referendário a favor do Governo. Se Costa ganhar, o Governo, que se finge arredado do processo eleitoral, aparecerá a dizer que a população apoia a sua acção. Costa não é um candidato, é um putativo embaixador do Governo de José Sócrates em Lisboa.
NOVIDADE – Continuamente preocupado com a desertificação de grandes zonas do país, o Ministro das Obras Públicas está a estudar a construção de uma maternidade rodoviária, na A 14. Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz já nasceram três bebes no transporte de ambulância entre aquela cidade e Coimbra.
OUVIR – São norte-americanos, do Oregon, parecem europeus, um pouco parisienses até, existem desde 1994 e chamam-se Pink Martini, têm uma diva plástica por vocalista, China Forbes, que estudou pintura em Harvard. Cada um dos seus álbuns parece uma colectânea de propostas de hinos para uma imaginária Sociedade das Nações onde seja a música a mandar. O disco mais recente chama-se «Hey Eugene!» e não foge à regra. Revelaram-se com uma canção que fez êxito em França, «Je Ne Veux Pas Travailler», e a este novo álbum traz sons do cabaret francês, misturado com a época de ouro de Hollywood. O disco percorre sonoridades que vão da Europa de Leste até ritmos latinos e um dos temas, «Mar Desconocido» podia bem figurar num filme de Almodôvar. A faixa que dá o nome ao disco é um velho êxito da banda em concertos, mas nunca havia sido gravada. E é impossível não ficar arrebatado com o dueto entre Forbes e Jimmy Scott, um histórico do jazz, na faixa que encerra o disco, «Tea For Two». («Hey Eugene!» - CD Heinz Records, Naive, disponível na FNAC).
LER – Nestes últimos tempos uma arreliadora tendinite tem-me impedido de jogar golfe, uma masoquista rotina de fim-de-semana já com alguns anos. Nestas semanas as voltas ao campo têm sido substituídas pela leitura de um dos mais fascinantes livros sobre o jogo que já tive ocasião de ler – e confesso que li imensos. Como quem de nós gosta nos quer aliviar o sofrimento, este livro foi-me oferecido para eu reflectir sobre o golfe e sobre algumas coisas que, vindas do jogo, se podem aplicar na vida em geral. «The Inner Game Of Golf» faz parte de uma série de livros de W. Thimothy Gallwey sob a designação genérica «The Inner Game», dos quais o mais célebre é o «The Inner Game Of Tennis». Gallway concentra-se nos princíoios de formação do «coaching», utilizados nos quadros de grandes empresas. A sua aproximação ao desporto parte destes princípios, trabalhando no desenvolvimento do que ele chama «concentração descontraída». A leitura é entusiasmante e só posso agradecer a quem me fez descobrir este livro - espero que quando recomeçar a jogar se vejam os efeitos desta leitura. «The Inner Game Of Golf», de W. Timothy Gallwey, edição Random House, 211 páginas. Disponível na Amazon.
BACK TO BASICS - «As ideias são mais poderosas do que armas, se não deixamos os nossos inimigos terem armas, porque razão os deixaremos falar das suas ideias?» - José Estaline, dedicado à Directora-Geral de Educação do Norte, a Hugo Chávez, a Augusto Santos Silva e a Mário Lino.
junho 08, 2007
ISTO ANDA TUDO LIGADO
(publicado na edição nº1 do jornal «Meia Hora»
Os principais candidatos à Câmara de Lisboa andam legitimamente inquietos com as contas da autarquia. Falam muito do passado e pensam muito pouco sobre o futuro. Do muito que têm dito, pouco tenho ouvido sobre qual a sua estratégia para o posicionamento da cidade, nenhum se arrisca a dizer como tenciona fazer outras coisas além da limpeza das ruas e da reparação dos buracos do pavimento.
Isto é capaz de ser uma injustiça – o Dr. António Costa provou este fim-de-semana que quer pistas para bicicletas, certamente uma justíssima preocupação para um posicionamento de Lisboa como a cidade do pedal…Será que vai construir uma ciclovia daqui até à Ota?
Adiante: nesta nossa Europa há um número crescente de turistas que prefere as cidades às praias ou a possibilidade de visitar uma exposição a dormir debaixo de um coqueiro. Todos os indicadores mostram que o turismo de «short-break», de fim de semana, é o que mais tem aumentado em Lisboa, criando um fluxo regular ao longo de todo o ano. Há duas coisas que podem destruir esta tendência: colocar o aeroporto a caminho de Coimbra e desinvestir na área da criatividade e do investimento cultural. No último ano Lisboa já perdeu a Experimenta Design e a Lisboa Photo, e a Moda Lisboa foi reduzida em dimensão. Qualquer destes eventos, em conjunto com o África Festival, gerava mais páginas sobre Lisboa na imprensa internacional que todas as outras iniciativas autárquicas juntas. Se Lisboa sair do mapa das cidades onde se passam coisas diferentes, morre para este novo turismo urbano e não há sol nem clima que nos salve.
Em todo o mundo, cada vez mais, o posicionamento internacional e a imagem das grandes cidades passa pela definição de políticas culturais e de uma estratégia de criatividade, assumidas como um motor de desenvolvimento, e não como um mero serviço social de atribuição de subsídios. A política cultural de uma cidade pode ser encarada como uma fonte de receitas, e não apenas como um centro de custos. Que pensam os candidatos sobre este assunto? E que se propõem fazer, para além de cultivar o silêncio?
(publicado na edição nº1 do jornal «Meia Hora»
Os principais candidatos à Câmara de Lisboa andam legitimamente inquietos com as contas da autarquia. Falam muito do passado e pensam muito pouco sobre o futuro. Do muito que têm dito, pouco tenho ouvido sobre qual a sua estratégia para o posicionamento da cidade, nenhum se arrisca a dizer como tenciona fazer outras coisas além da limpeza das ruas e da reparação dos buracos do pavimento.
Isto é capaz de ser uma injustiça – o Dr. António Costa provou este fim-de-semana que quer pistas para bicicletas, certamente uma justíssima preocupação para um posicionamento de Lisboa como a cidade do pedal…Será que vai construir uma ciclovia daqui até à Ota?
Adiante: nesta nossa Europa há um número crescente de turistas que prefere as cidades às praias ou a possibilidade de visitar uma exposição a dormir debaixo de um coqueiro. Todos os indicadores mostram que o turismo de «short-break», de fim de semana, é o que mais tem aumentado em Lisboa, criando um fluxo regular ao longo de todo o ano. Há duas coisas que podem destruir esta tendência: colocar o aeroporto a caminho de Coimbra e desinvestir na área da criatividade e do investimento cultural. No último ano Lisboa já perdeu a Experimenta Design e a Lisboa Photo, e a Moda Lisboa foi reduzida em dimensão. Qualquer destes eventos, em conjunto com o África Festival, gerava mais páginas sobre Lisboa na imprensa internacional que todas as outras iniciativas autárquicas juntas. Se Lisboa sair do mapa das cidades onde se passam coisas diferentes, morre para este novo turismo urbano e não há sol nem clima que nos salve.
Em todo o mundo, cada vez mais, o posicionamento internacional e a imagem das grandes cidades passa pela definição de políticas culturais e de uma estratégia de criatividade, assumidas como um motor de desenvolvimento, e não como um mero serviço social de atribuição de subsídios. A política cultural de uma cidade pode ser encarada como uma fonte de receitas, e não apenas como um centro de custos. Que pensam os candidatos sobre este assunto? E que se propõem fazer, para além de cultivar o silêncio?
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ISTO ANDA TUDO LIGADO
(publicado na edição nº1 do jornal «Meia Hora»
Os principais candidatos à Câmara de Lisboa andam legitimamente inquietos com as contas da autarquia. Falam muito do passado e pensam muito pouco sobre o futuro. Do muito que têm dito, pouco tenho ouvido sobre qual a sua estratégia para o posicionamento da cidade, nenhum se arrisca a dizer como tenciona fazer outras coisas além da limpeza das ruas e da reparação dos buracos do pavimento.
Isto é capaz de ser uma injustiça – o Dr. António Costa provou este fim-de-semana que quer pistas para bicicletas, certamente uma justíssima preocupação para um posicionamento de Lisboa como a cidade do pedal…Será que vai construir uma ciclovia daqui até à Ota?
Adiante: nesta nossa Europa há um número crescente de turistas que prefere as cidades às praias ou a possibilidade de visitar uma exposição a dormir debaixo de um coqueiro. Todos os indicadores mostram que o turismo de «short-break», de fim de semana, é o que mais tem aumentado em Lisboa, criando um fluxo regular ao longo de todo o ano. Há duas coisas que podem destruir esta tendência: colocar o aeroporto a caminho de Coimbra e desinvestir na área da criatividade e do investimento cultural. No último ano Lisboa já perdeu a Experimenta Design e a Lisboa Photo, e a Moda Lisboa foi reduzida em dimensão. Qualquer destes eventos, em conjunto com o África Festival, gerava mais páginas sobre Lisboa na imprensa internacional que todas as outras iniciativas autárquicas juntas. Se Lisboa sair do mapa das cidades onde se passam coisas diferentes, morre para este novo turismo urbano e não há sol nem clima que nos salve.
Em todo o mundo, cada vez mais, o posicionamento internacional e a imagem das grandes cidades passa pela definição de políticas culturais e de uma estratégia de criatividade, assumidas como um motor de desenvolvimento, e não como um mero serviço social de atribuição de subsídios. A política cultural de uma cidade pode ser encarada como uma fonte de receitas, e não apenas como um centro de custos. Que pensam os candidatos sobre este assunto? E que se propõem fazer, para além de cultivar o silêncio?
(publicado na edição nº1 do jornal «Meia Hora»
Os principais candidatos à Câmara de Lisboa andam legitimamente inquietos com as contas da autarquia. Falam muito do passado e pensam muito pouco sobre o futuro. Do muito que têm dito, pouco tenho ouvido sobre qual a sua estratégia para o posicionamento da cidade, nenhum se arrisca a dizer como tenciona fazer outras coisas além da limpeza das ruas e da reparação dos buracos do pavimento.
Isto é capaz de ser uma injustiça – o Dr. António Costa provou este fim-de-semana que quer pistas para bicicletas, certamente uma justíssima preocupação para um posicionamento de Lisboa como a cidade do pedal…Será que vai construir uma ciclovia daqui até à Ota?
Adiante: nesta nossa Europa há um número crescente de turistas que prefere as cidades às praias ou a possibilidade de visitar uma exposição a dormir debaixo de um coqueiro. Todos os indicadores mostram que o turismo de «short-break», de fim de semana, é o que mais tem aumentado em Lisboa, criando um fluxo regular ao longo de todo o ano. Há duas coisas que podem destruir esta tendência: colocar o aeroporto a caminho de Coimbra e desinvestir na área da criatividade e do investimento cultural. No último ano Lisboa já perdeu a Experimenta Design e a Lisboa Photo, e a Moda Lisboa foi reduzida em dimensão. Qualquer destes eventos, em conjunto com o África Festival, gerava mais páginas sobre Lisboa na imprensa internacional que todas as outras iniciativas autárquicas juntas. Se Lisboa sair do mapa das cidades onde se passam coisas diferentes, morre para este novo turismo urbano e não há sol nem clima que nos salve.
Em todo o mundo, cada vez mais, o posicionamento internacional e a imagem das grandes cidades passa pela definição de políticas culturais e de uma estratégia de criatividade, assumidas como um motor de desenvolvimento, e não como um mero serviço social de atribuição de subsídios. A política cultural de uma cidade pode ser encarada como uma fonte de receitas, e não apenas como um centro de custos. Que pensam os candidatos sobre este assunto? E que se propõem fazer, para além de cultivar o silêncio?
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