NOTAS SOBRE A POLÍTICA CULTURAL EM LISBOA
Em Outubro e Novembro de 2005 escrevi no «Jornal de Negócios» uma série de artigos sobre a política cultural da cidade, os quais estão aliás neste blog.
Resolvi agora agrupá-los e actualizá-los, contributo para um debate sobre o triste estado a que se chegou nessa matéria.
LISBOA E CULTURA
A política cultural de uma cidade como Lisboa deve ser pensada em termos dos públicos a que se destina, tendo em conta a actividade dos diversos agentes e produtores na área das artes e espectáculos que existem na cidade. Não pode ser pensada só para o teatro, nem só para a música. Deve ser uma linha de acção que cative os cépticos e dote Lisboa de novos pólos de atracção. O caso de Serralves, de uma festa constante construída em torno da arte contemporânea, deve fazer reflectir. Quem acha que a arte contemporânea não atrai públicos bem pode pensar nesse exemplo.
Lisboa não pode ser só a capital e sede de instituições culturais, tem que se ganhar a cidade para ser a montra do novo, o palco do espectáculo, a feira das artes, uma permanente festa dos sentidos.
Nesta cidade os criadores modernos devem coexistir naturalmente com a tradição, a recuperação do património pode e deve estar ao lado do apoio a novas formas de expressão e de experimentação. Lisboa é a cidade do S. Carlos, do D. Maria, do S. Luiz, mas também a cidade da Bedeteca ou da Videoteca, de um S. Jorge retomado pelo público, de museus vivos e dinâmicos, de novos equipamentos para novos públicos, em circuitos naturais onde os visitantes possam descobrir uma nova razão para voltar a Lisboa, uma cidade virada para o Tejo e o futuro.
PROPOSTAS ESTRUTURANTES:
Criar um Conselho Metropolitano da Cultura e Turismo que fomente o destino turístico Lisboa na componente cultural e crie mecanismos de consensualização dos grandes Festivais e Festas dos diversos concelhos, articulando datas e fomentando um calendário sempre com atractivos.
A criação de uma Lisbon Film Commission podia estar ligada a esta entidade.
Lisboa concentra o maior número de equipamentos culturais de todo o país e, simultaneamente, o maior número de criadores e produtores artísticos – entre eles a maioria das instituições oficiais na área da museologia, música, teatro, dança e cinema para falar apenas de algumas áreas.
Em Lisboa, mas também e sobretudo nos concelhos limítrofes, nos anos mais recentes, surgiram uma série de novos equipamentos, desde bibliotecas a auditórios, passando por museus e galerias, diversos espaços dedicados a criadores e algumas iniciativas de carácter regular que têm vindo a ganhar crescente peso.
O objectivo não é fazer Lisboa entrar em competição com Oeiras, Cascais, Sintra, Almada, Loures ou Vila Franca, é antes fomentar a cooperação e proporcionar aos públicos de toda esta região uma oferta ainda mais diversificada, uma possibilidade de actuação mais alargada, uma maior utilização de recursos comuns.
Da mesma forma justifica-se criar um órgão permanente de articulação entre organismos do Ministério da Cultura e a autarquia, nomeadamente o IPPAR, IPM, Instituto das Artes e Instituto do Património Arqueológico.
Finalmente é urgente promover uma maior colaboração entre a Câmara e os operadores privados na área do espectáculo, nomeadamente em épocas determinadas como a das Festas da Cidade, fomentando a integração e não a separação de esforços.
PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO LOCAL:
Transformação do Pavilhão de Portugal num pólo museológico que se torne numa das imagens de marca da cidade de Lisboa.
Conversão do Cinema S. Jorge numa sala multifuncional para música, cinema e conferências com 1500 lugares;
Recuperação do Pavilhão dos Desportos para sede e sala da Orquestra Metropolitana de Lisboa e afectação do edifício da Standard Eléctrica a áreas expositivas e ateliers.
Intervenção no Parque da Belavista para implantação de uma estrutura permanente de acolhimento de concertos ao ar livre (rockódoromo).
Intervenção num dos pavilhões ribeirinhos para criar um espaço vocacionado para as músicas alternativas com capacidade para cerca de 1000 lugares em pé, que coexista com um conjunto de salas de ensaio que possam ser alugadas à horas ou ao dia.
Criação de um espaço onde se desenrolem actividades que sublinhem a multiculturalidade da cidade e permita às várias etnias uma ocupação regular.
NOVAS PROPOSTAS DE ACÇÃO:
Lisbon Film Commission – O objectivo é ganhar notoriedade para Lisboa como destino de filmagens de publicidade, séries de televisão e cinema; Assegurar a participação em certames internacionais da indústria em moldes profissionais e abrangentes, assegurando uma efectiva representatividade nacional; Proporcionar um conjunto de instrumentos capazes de fornecer aos profissionais do sector todas as informações necessárias para a sua actividade;
Bienal Jovens Criadores da Lusofonia – Reforçar o papel dinâmico de Lisboa no relacionamento com as comunidades e países lusófonos, estabelecendo um ponto de encontro e reflexão de jovens criadores de áreas como as artes plásticas, a música, as artes cénicas e performativas, a fotografia, o vídeo, a moda e o design.
Poesia - Promover o grande Encontro dos Poetas Vivos como a melhor homenagem a Fernando Pessoa e introduzir a poesia na vida da cidade.
Criar um regime especial de Mecenato, em articulação com as Finanças, que permitam Lisboa fazer face aos custos que em matéria cultural ser uma Capital implica, nomeadamente no tocante a novas actividades.
Recuperar as Colectividades de Cultura e Recreio e torná-las no eixo de ligação da política cultural da autarquia aos bairros da cidade.
Manter a Lisboa Photo, a Moda Lisboa , a Experimenta Design e o Africa Festival. Retomar o Festival Internacional de Teatro ou, em substituição, criar a Mostra Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa.».
Definir a vocação de cada uma das salas e equipamentos culturais que a Câmara possui é urgente. Várias vezes ensaiada, essa definição nunca foi concretizada e por isso subsiste a maior confusão quanto à tipologia de utilização de cada um dos teatros e salas municipais. Há dois modelos em confronto: ou a Câmara garante ela própria toda a programação, ou se associa a privados que queiram utilizar o espaço dentro de situações normais de mercado, que estão absolutamente tipificadas. A Câmara já tem aliás salas demais – e um dos esforços deve ir no sentido de aumentar a colaboração com os privados e não de criar mais estruturas internas.
O CINEMA SÃO JORGE
Antes de mais uma pequena e pouco edificante história: No final do mandato autárquico do Dr. João Soares, em Lisboa, a Câmara Municipal comprou o Cinema São Jorge a promotores imobiliários, obviamente sem saber o que lhe fazer, que utilização lhe dar. Fez uma obras e pôs lá cinema a exibir. As obras foram de cenário: tinta nas paredes, limpeza geral, máquinas de projectar e sistema de som modernizados. O grosso do problema ficou por resolver: o sistema eléctrico, as infiltrações na cobertura que agravam o perigo de um curto-circuito, climatização inexistente de facto. Pelo meio há umas pantominices engraçadas: os políticos que obrigaram técnicos a certificar a segurança de sistemas (nomeadamente na área eléctrica) que notoriamente a não tinham, uma programação de cinema ao sabor das disponibilidades das distribuidoras, etc. É claro que a equipa do Cinema era esforçada e tentava fazer o melhor, vendendo a ilusão de que a sala podia funcionar.
O S. Jorge é o exemplo acabado de como as pressões de lobbys e de uma pretensa opinião pública, em nome de uma mística salvaguarda do património e das memórias, podem levar a becos sem saída. Sem estratégia definida, em más condições físicas, o Cinema S. Jorge acabou por fechar, provavelmente tarde demais, em nome de conceitos elementares de segurança, antes que aquilo tudo ardesse a meio de uma cerimónia qualquer. E para o fechar, mesmo com o risco que existia, foi preciso bater o pé e contrariar velhos do Restelo. No último ano fizeram-se mais uns retoques, melhorou-se para os mínimos a instalação eléctrica e remodelaram-se vagamente as slas existentes para poderem acolher eventos variados.
O que foi feito não resolve a questão. Temos ali a sala. Enorme. A precisar de obras estruturais. Com um edifício ao lado, que faz parte do Cinema, os antigos escritórios da Rank, vazio e a arruinar-se. Qualquer intervenção tem que ter isto em conta. Se persistir a mania de fazer do Parque Mayer um cemitério de elefantes (equipamentos culturais, delineados sem cuidar de saber se são necessários), há que pensar seriamente o que pode ser o S. Jorge no meio de uma selva de salas. Deve reconstruir-se a sala na sua dimensão original, de cerca de 1100 lugares? O destino principal deve ser a música, ou um centro de audiovisuais (por exemplo sediar a Videoteca na zona dos escritórios devoluta) – apesar de a Cinemateca estar mesmo ali ao lado? Justifica-se aquele imobilizado para isto? Ou, como durante algum tempo se tentou, faz mais sentido traçar um cadernos de encargos e abrir concurso para concessão da sala a privados, que a mantenham como sala de espectáculos, garantam a sua recuperação e utilização – como é o Coliseu, por exemplo?
O PARQUE MAYER
Quando se começou a falar na recuperação do Parque Mayer e surgiu o nome do arquitecto norte-americano Frank Gehry, convém recordar que o que estava em causa era construir uma envolvente para um Casino. Eu sempre achei que um Casino, ali, podia fazer sentido. Iria gerar um fluxo de públicos que alimentaria todo o novo Parque Mayer e que voltaria a dinamizar a Avenida da Liberdade, tornando-a simultaneamente mais divertida e segura à noite. Frank Gehry seria, através da imagem que se esperava criar, um argumento de marketing importante do local. Para a actividade que se esperava, era um investimento que fazia sentido.
Depois, quando no meio das confusões que se conhecem o Casino acabou por deixar de poder ser feito ali, a boa lógica e o bom senso mandavam que se voltasse a equacionar o assunto. Sem Casino a possibilidade de circulação de públicos seria infinitamente menor e o programa de ocupação de espaços anterior estava claramente desajustado. Por si só os novos equipamentos, por melhores que fossem, não teriam grande atracção e, muito provavelmente, seria um sugadouro de dinheiros manter tudo a funcionar. Sem Casino o Parque Mayer, perdoem-me a comparação, seria como um Centro Comercial sem salas de cinema e sem supermercado: perdia a âncora. Valia a pena pensar num plano B, que mantivesse o Capitólio e recuperasse o espaço, em sintonia com o Jardim Botânico.
Arquitectos como Gehry servem para criar ícones, são os cenógrafos das cidades, o pretexto para forçar novas paisagens urbanas - acresce que as suas intervenções geram um considerável fluxo turístico, como tem sido sobejamente demonstrado. Com o Parque Mayer sem casino, para quê colocar o ícone num recanto escondido, atrás da avenida? – Esta é a pergunta a que vale a pena dar resposta, pensando nisto: se o objectivo é construir um ícone, que sirva de novo emblema a Lisboa, então porque não se coloca num local bem visível, obsessivamente visível e que altere a silhueta da cidade? Eu acho que é o que faz mais lógica e que existe um sítio ideal para isso, o local onde está o arruinado e já inútil Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII.
O PAVILHÃO DOS DESPORTOS
Quando o Pavilhão dos Desportos de Lisboa foi construído a cidade não tinha infra-estruturas de grande dimensão para a prática desportiva. O Pavilhão, mais tarde baptizado de «Carlos Lopes», foi o local dos grandes jogos de hóquei e de muitas disputas entre colectividades e clubes populares. A utilização do Pavilhão Carlos Lopes para espectáculos começa de uma forma mais sistemática nos anos 70, antes ainda do 25 de Abril . Logo a seguir ele tornou-se no ponto obrigatório de comícios e congressos partidários e no palco do culminar de campanhas eleitorais. Isto até ter ficado impossível de utilizar, que é a situação em que agora se encontra.
Devido à forma como foi concebido e aos materiais de construção utilizados, o Pavilhão sempre teve má acústica (péssima, de facto), e em função da época em que foi feito apresenta graves problemas estruturais. Actualmente o Pavilhão, para além de estar em ruína porque desde há décadas não lhe é feita uma conservação eficaz (na realidade há risco de utilização por causa do estado em que está o tecto), não tem o mínimo de condições de comodidade, nem condições técnicas e de segurança. As bancadas não têm cadeiras, não há ventilação nem aquecimento e muito menos ar condicionado, a instalação eléctrica é insuficiente segundo os padrões actuais, os camarins/cabinas/vestiários são obsoletos, o sistema de incêndios é de anedota, o tecto técnico é inexistente. Além disso foi construído numa época em que não se pensava que uma sala destas poderia ter utilizações diversas e a sua própria estrutura dificulta qualquer recuperação séria segundo padrões contemporâneos – a começar pelo problema das colunas que destroem a visibilidade e dificultam a operação do espaço. Em suma, como está, não serve para nada.
Por outro lado a infraestrutura de equipamentos desportivos da cidade evoluíu. Com os novos estádios construíram-se novos pavilhões bem equipados e o Pavilhão Atlântico é hoje a sala de referência equivalente ao que o Carlos Lopes foi há 30 anos – já para não falar dos vários pavilhões de bairro que foram surgindo aqui e ali. Por isso acho que faz sentido pensar numa utilização não desportiva para o local. Sentimentalismos à parte, a estrutura tem de facto pouco interesse do ponto de vista arquitectónico e mesmo uns azulejos decorativos que posssui podem ser salvaguardados num outro contexto. Pensemos pois que o local pode – e deve - ser utilizado para outra coisa.
Retomemos agora o tema de uma obra arquitectónica emblemática, que seja parte da linha de horizonte de Lisboa, e que possa ser a alternativa de imagem aos planos actuais para o Parque Mayer. Querem melhor local que o alto do Parque Eduardo VII? Bem dotado de acessos e com área e possibilidade de estacionamento, qualquer obra que ali se faça pode contribuir para dar nova dinâmica à cidade, em local de grande visibilidade e comodidade.
A questão das valências, que deve ser bem estudada, pode ter em conta a necessidade de uma estrutura que possa acolher música, conferências, reuniões; ou, em alternativa, que possa por exemplo alojar uma orquestra como a Metropolitana (que assim poderia deixar livre o local onde está, na Junqueira); ou, então, que possa ser o local de eleição para a instalação de um novo Museu, a grande sala de exposições da capital, onde alguma grande colecção possa encontrar o seu destino: já imaginaram ali um espaço como a Tate Modern? Em qualquer caso, a estrutura pode e deve prever equipamentos que permitam ser o ponto central de animação da Feira do Livro, em vez das estruturas provisórias que se vêm construindo há anos e que já consumiram, tudo incluído, cerca de dois milhões de euros, absolutamente a fundo perdido.
No fundo é uma questão de contas: como está, o Pavilhão não serve para nada. Para o remodelar, não faz sentido manter nem a estrutura, nem a finalidade desportiva face à oferta entretanto surgida e à que há-de desenvolver-se a nível de freguesias e clubes. Por isso é importante pensar no assunto agora, sem preconceitos e, sobretudo, de forma integrada: esta é uma peça da construção da cidade; temos que ver como se encaixa e relaciona com outras, para que cada uma fique com uma função diferente, complementar e útil.
ESTADO, CIDADES E CULTURA
Em véspera de autárquicas o caso da Experimenta Design é um bom pretexto para falar um pouco da relação das autarquias com as formas contemporâneas de arte e cultura. O caso ganha ainda mais importância quando a gestão de Carmona e Amaral Lopes decidiram asfixiar a Experimenta.
Vejamos: dois acontecimentos ajudaram a projectar desde há bastantes anos uma imagem de Lisboa diversa dos choradinhos, da luz e dos carris dos eléctricos: falo da Moda Lisboa e da Experimenta. Depois, em 2005, iniciou-se o África Festival, que se propôs fazer assumir a Lisboa o papel de plataforma giratória de contacto entre as culturas de África e da Europa, abrangendo música, artes plásticas, lietratura e audiovisuais.
Estes três projectos são estruturantes, estratégicos em áreas que vão para além da moda, do design ou da música e artes plásticas: a sua repercussão na imprensa internacional produz uma imagem positiva da cidade, moderna e activa, empenhada. Lisboa precisa de mais alguns projectos de dimensão que a façam projectar além-fronteiras como uma cidade de diálogo e de acolhimento.
É nestes projectos, escolhidos e preparados com critério, que vale a pena investir – e não disseminando os fundos públicos em pequenos subsídios que aumentam a dependência e não premeiam, nas mais das vezes, o trabalho sério e de qualidade.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
maio 22, 2007
maio 21, 2007
LISBOA- Os dois principais candidatos a Lisboa têm dois pontos comuns nas respectivas carreiras políticas: em primeiro lugar o facto de terem estado ligados à coordenação da actividade de forças policiais; em segundo lugar o facto de não se lhes conhecer nenhuma ideia sobre uma metrópole como Lisboa, para além da evidência do seu mau estado. PS e PSD optaram por escolher juristas, especializados na área policial e na politiquice – isto quer dizer tudo sobre a forma como os partidos encaram a gestão de uma grande cidade e até sobre a natureza dos quadros desses partidos: controlo, manobra, jogos de poder. A nenhum destes candidatos se lhes conhece obra feita fora da política ou da vida académica, não se lhes conhecem ideias nem projectos complexos executados – excepção feita à paródia da corrida entre um burro e um Ferrari, de Loures a Lisboa, a única bandeira eleitoral de António Costa que ficou na memória na sua anterior disputa autárquica. Mas como não é de mais cómicos que Lisboa precisa, estamos conversados. Curioso, curioso, é o facto de a sua candidatura se estar a tornar num lugar comum do politicamente correcto, de Saldanha Sanches a José Miguel Júdice. Mas isso já é outro campeonato…
VER – Astor Piazzolla tornou-se conhecido pela renovação que fez ao tango argentino. Em meados dos anos 80 apresentava o tango como a música contemporânea da cidade de Buenos Aires e começou a surpreender o mundo com o seu bandonéon. Passou por Lisboa, que me lembre duas vezes. Morto prematuramente em 1992, do seu enorme talento ficam os numerosos discos que gravou e, agora, este DVD em que ele toca, interpreta e fala. O filme é de José Montes- Baquer e mostra Piazzola acompanhado pelo seu quinteto, pelo guitarrista Álvaro Pierri e ainda por uma orquestra de cordas dirigida pelo maestro Pinchas Steinberg. As gravações da actuação são cruzadas com depoimentos de Piazzola sobre a sua vida, a sua carreira e o tango - « a música que se mete debaixo da nossa pele», como ele gostava de dizer. O som foi remasterizado para surround, a gravação original é de 1985 e foi feita em Colónia e inclui duas das mais importantes obras da carreira de Piazzola – o «Concerto para Bandoneon, Orquestra de cordas e percussão», de 1979, e o «Duplo concerto para Bandoneon, Guitarra e Orquestra de cordas», estreado em Liège em 1985. (The Next Tango, Astor Piazzola, DVD Deustche Grammophon, Distribuição Universal Music).
OUVIR – A Stax foi talvez a mais importante editora discográfica no universo da música soul. Criada em 1957, em Memphis, criou um som próprio e foi a casa onde se estrearam em disco nomes como Carla Thomas, Booker T, Eddie Floyd, Otis Redding, Sam and Dave, Isaac Hayes, The Bar-Kays e The Staple Singers, entre muitos outros. As características únicas de sonoridade de um velho teatro reconvertido em estúdio, onde foram gravados muitos dos discos do catálogo, assim como a tensão própria da evolução da música negra no início dos anos 60, foram determinantes para que a Stax ganhasse uma imagem de marca única no panorama da música popular anglo-americana. Em 1968, com a morte de Otis Redding, o assassinato de Martin Luther King e de tudo o que se seguiu, a Stax entrou numa fase de declínio, de onde nunca recuperou verdadeiramente. Este ano a Stax completa 50 anos, e a Universal Music, actual detentora do catálogo, decidiu fazer reviver a marca, editando uma caixa de dois CD’s e um belíssimo livro, que conta detalhadamente a história da empresa e de boa parte de uma música que tem influências muito para além do tempo em que foi gravada. Aqui estão temas como «I’ve Been Loving You Too Long», »Respect», «Knock On Wood», «Soul Man», «Walk On By». Caixa com duplo CD, distribuição Universal Music.
PETISCAR – No restaurante «La Brusketta» o prato do dia são sempre petiscos, feitos em torno do conceito italiano das bruschettas, uma fatia de pão de boa lavra sobre a qual se adicionam vários ingredientes em combinações mais ou menos improváveis. Em Portugal há petisco com origens parecidas nos torricados ribatejanos, infelizmente muito ignorados pela nossa restauração. No caso do «La Brusketta» a qualidade das propostas associa-se a uma sala ampla e muito agradável, infelizmente a nota negativa vai para o serviço, e aí é necessária uma enorme dose de paciência já que o desinteresse dos empregados pelos clientes roça o absurdo – hei-de um dia destes voltar a uma doença profissional que varre os empregados de restaurantes: olhar fixo no horizonte, sem conseguirem detectar um único sinal de um cliente que chame, sem se preocuparem sequer em ver o que de facto se passa na sala.
BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, melhor seria mudar as fechaduras – Doug Larson.
VER – Astor Piazzolla tornou-se conhecido pela renovação que fez ao tango argentino. Em meados dos anos 80 apresentava o tango como a música contemporânea da cidade de Buenos Aires e começou a surpreender o mundo com o seu bandonéon. Passou por Lisboa, que me lembre duas vezes. Morto prematuramente em 1992, do seu enorme talento ficam os numerosos discos que gravou e, agora, este DVD em que ele toca, interpreta e fala. O filme é de José Montes- Baquer e mostra Piazzola acompanhado pelo seu quinteto, pelo guitarrista Álvaro Pierri e ainda por uma orquestra de cordas dirigida pelo maestro Pinchas Steinberg. As gravações da actuação são cruzadas com depoimentos de Piazzola sobre a sua vida, a sua carreira e o tango - « a música que se mete debaixo da nossa pele», como ele gostava de dizer. O som foi remasterizado para surround, a gravação original é de 1985 e foi feita em Colónia e inclui duas das mais importantes obras da carreira de Piazzola – o «Concerto para Bandoneon, Orquestra de cordas e percussão», de 1979, e o «Duplo concerto para Bandoneon, Guitarra e Orquestra de cordas», estreado em Liège em 1985. (The Next Tango, Astor Piazzola, DVD Deustche Grammophon, Distribuição Universal Music).
OUVIR – A Stax foi talvez a mais importante editora discográfica no universo da música soul. Criada em 1957, em Memphis, criou um som próprio e foi a casa onde se estrearam em disco nomes como Carla Thomas, Booker T, Eddie Floyd, Otis Redding, Sam and Dave, Isaac Hayes, The Bar-Kays e The Staple Singers, entre muitos outros. As características únicas de sonoridade de um velho teatro reconvertido em estúdio, onde foram gravados muitos dos discos do catálogo, assim como a tensão própria da evolução da música negra no início dos anos 60, foram determinantes para que a Stax ganhasse uma imagem de marca única no panorama da música popular anglo-americana. Em 1968, com a morte de Otis Redding, o assassinato de Martin Luther King e de tudo o que se seguiu, a Stax entrou numa fase de declínio, de onde nunca recuperou verdadeiramente. Este ano a Stax completa 50 anos, e a Universal Music, actual detentora do catálogo, decidiu fazer reviver a marca, editando uma caixa de dois CD’s e um belíssimo livro, que conta detalhadamente a história da empresa e de boa parte de uma música que tem influências muito para além do tempo em que foi gravada. Aqui estão temas como «I’ve Been Loving You Too Long», »Respect», «Knock On Wood», «Soul Man», «Walk On By». Caixa com duplo CD, distribuição Universal Music.
PETISCAR – No restaurante «La Brusketta» o prato do dia são sempre petiscos, feitos em torno do conceito italiano das bruschettas, uma fatia de pão de boa lavra sobre a qual se adicionam vários ingredientes em combinações mais ou menos improváveis. Em Portugal há petisco com origens parecidas nos torricados ribatejanos, infelizmente muito ignorados pela nossa restauração. No caso do «La Brusketta» a qualidade das propostas associa-se a uma sala ampla e muito agradável, infelizmente a nota negativa vai para o serviço, e aí é necessária uma enorme dose de paciência já que o desinteresse dos empregados pelos clientes roça o absurdo – hei-de um dia destes voltar a uma doença profissional que varre os empregados de restaurantes: olhar fixo no horizonte, sem conseguirem detectar um único sinal de um cliente que chame, sem se preocuparem sequer em ver o que de facto se passa na sala.
BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, melhor seria mudar as fechaduras – Doug Larson.
Untitled
LISBOA- Os dois principais candidatos a Lisboa têm dois pontos comuns nas respectivas carreiras políticas: em primeiro lugar o facto de terem estado ligados à coordenação da actividade de forças policiais; em segundo lugar o facto de não se lhes conhecer nenhuma ideia sobre uma metrópole como Lisboa, para além da evidência do seu mau estado. PS e PSD optaram por escolher juristas, especializados na área policial e na politiquice – isto quer dizer tudo sobre a forma como os partidos encaram a gestão de uma grande cidade e até sobre a natureza dos quadros desses partidos: controlo, manobra, jogos de poder. A nenhum destes candidatos se lhes conhece obra feita fora da política ou da vida académica, não se lhes conhecem ideias nem projectos complexos executados – excepção feita à paródia da corrida entre um burro e um Ferrari, de Loures a Lisboa, a única bandeira eleitoral de António Costa que ficou na memória na sua anterior disputa autárquica. Mas como não é de mais cómicos que Lisboa precisa, estamos conversados. Curioso, curioso, é o facto de a sua candidatura se estar a tornar num lugar comum do politicamente correcto, de Saldanha Sanches a José Miguel Júdice. Mas isso já é outro campeonato…
VER – Astor Piazzolla tornou-se conhecido pela renovação que fez ao tango argentino. Em meados dos anos 80 apresentava o tango como a música contemporânea da cidade de Buenos Aires e começou a surpreender o mundo com o seu bandonéon. Passou por Lisboa, que me lembre duas vezes. Morto prematuramente em 1992, do seu enorme talento ficam os numerosos discos que gravou e, agora, este DVD em que ele toca, interpreta e fala. O filme é de José Montes- Baquer e mostra Piazzola acompanhado pelo seu quinteto, pelo guitarrista Álvaro Pierri e ainda por uma orquestra de cordas dirigida pelo maestro Pinchas Steinberg. As gravações da actuação são cruzadas com depoimentos de Piazzola sobre a sua vida, a sua carreira e o tango - « a música que se mete debaixo da nossa pele», como ele gostava de dizer. O som foi remasterizado para surround, a gravação original é de 1985 e foi feita em Colónia e inclui duas das mais importantes obras da carreira de Piazzola – o «Concerto para Bandoneon, Orquestra de cordas e percussão», de 1979, e o «Duplo concerto para Bandoneon, Guitarra e Orquestra de cordas», estreado em Liège em 1985. (The Next Tango, Astor Piazzola, DVD Deustche Grammophon, Distribuição Universal Music).
OUVIR – A Stax foi talvez a mais importante editora discográfica no universo da música soul. Criada em 1957, em Memphis, criou um som próprio e foi a casa onde se estrearam em disco nomes como Carla Thomas, Booker T, Eddie Floyd, Otis Redding, Sam and Dave, Isaac Hayes, The Bar-Kays e The Staple Singers, entre muitos outros. As características únicas de sonoridade de um velho teatro reconvertido em estúdio, onde foram gravados muitos dos discos do catálogo, assim como a tensão própria da evolução da música negra no início dos anos 60, foram determinantes para que a Stax ganhasse uma imagem de marca única no panorama da música popular anglo-americana. Em 1968, com a morte de Otis Redding, o assassinato de Martin Luther King e de tudo o que se seguiu, a Stax entrou numa fase de declínio, de onde nunca recuperou verdadeiramente. Este ano a Stax completa 50 anos, e a Universal Music, actual detentora do catálogo, decidiu fazer reviver a marca, editando uma caixa de dois CD’s e um belíssimo livro, que conta detalhadamente a história da empresa e de boa parte de uma música que tem influências muito para além do tempo em que foi gravada. Aqui estão temas como «I’ve Been Loving You Too Long», »Respect», «Knock On Wood», «Soul Man», «Walk On By». Caixa com duplo CD, distribuição Universal Music.
PETISCAR – No restaurante «La Brusketta» o prato do dia são sempre petiscos, feitos em torno do conceito italiano das bruschettas, uma fatia de pão de boa lavra sobre a qual se adicionam vários ingredientes em combinações mais ou menos improváveis. Em Portugal há petisco com origens parecidas nos torricados ribatejanos, infelizmente muito ignorados pela nossa restauração. No caso do «La Brusketta» a qualidade das propostas associa-se a uma sala ampla e muito agradável, infelizmente a nota negativa vai para o serviço, e aí é necessária uma enorme dose de paciência já que o desinteresse dos empregados pelos clientes roça o absurdo – hei-de um dia destes voltar a uma doença profissional que varre os empregados de restaurantes: olhar fixo no horizonte, sem conseguirem detectar um único sinal de um cliente que chame, sem se preocuparem sequer em ver o que de facto se passa na sala.
BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, melhor seria mudar as fechaduras – Doug Larson.
VER – Astor Piazzolla tornou-se conhecido pela renovação que fez ao tango argentino. Em meados dos anos 80 apresentava o tango como a música contemporânea da cidade de Buenos Aires e começou a surpreender o mundo com o seu bandonéon. Passou por Lisboa, que me lembre duas vezes. Morto prematuramente em 1992, do seu enorme talento ficam os numerosos discos que gravou e, agora, este DVD em que ele toca, interpreta e fala. O filme é de José Montes- Baquer e mostra Piazzola acompanhado pelo seu quinteto, pelo guitarrista Álvaro Pierri e ainda por uma orquestra de cordas dirigida pelo maestro Pinchas Steinberg. As gravações da actuação são cruzadas com depoimentos de Piazzola sobre a sua vida, a sua carreira e o tango - « a música que se mete debaixo da nossa pele», como ele gostava de dizer. O som foi remasterizado para surround, a gravação original é de 1985 e foi feita em Colónia e inclui duas das mais importantes obras da carreira de Piazzola – o «Concerto para Bandoneon, Orquestra de cordas e percussão», de 1979, e o «Duplo concerto para Bandoneon, Guitarra e Orquestra de cordas», estreado em Liège em 1985. (The Next Tango, Astor Piazzola, DVD Deustche Grammophon, Distribuição Universal Music).
OUVIR – A Stax foi talvez a mais importante editora discográfica no universo da música soul. Criada em 1957, em Memphis, criou um som próprio e foi a casa onde se estrearam em disco nomes como Carla Thomas, Booker T, Eddie Floyd, Otis Redding, Sam and Dave, Isaac Hayes, The Bar-Kays e The Staple Singers, entre muitos outros. As características únicas de sonoridade de um velho teatro reconvertido em estúdio, onde foram gravados muitos dos discos do catálogo, assim como a tensão própria da evolução da música negra no início dos anos 60, foram determinantes para que a Stax ganhasse uma imagem de marca única no panorama da música popular anglo-americana. Em 1968, com a morte de Otis Redding, o assassinato de Martin Luther King e de tudo o que se seguiu, a Stax entrou numa fase de declínio, de onde nunca recuperou verdadeiramente. Este ano a Stax completa 50 anos, e a Universal Music, actual detentora do catálogo, decidiu fazer reviver a marca, editando uma caixa de dois CD’s e um belíssimo livro, que conta detalhadamente a história da empresa e de boa parte de uma música que tem influências muito para além do tempo em que foi gravada. Aqui estão temas como «I’ve Been Loving You Too Long», »Respect», «Knock On Wood», «Soul Man», «Walk On By». Caixa com duplo CD, distribuição Universal Music.
PETISCAR – No restaurante «La Brusketta» o prato do dia são sempre petiscos, feitos em torno do conceito italiano das bruschettas, uma fatia de pão de boa lavra sobre a qual se adicionam vários ingredientes em combinações mais ou menos improváveis. Em Portugal há petisco com origens parecidas nos torricados ribatejanos, infelizmente muito ignorados pela nossa restauração. No caso do «La Brusketta» a qualidade das propostas associa-se a uma sala ampla e muito agradável, infelizmente a nota negativa vai para o serviço, e aí é necessária uma enorme dose de paciência já que o desinteresse dos empregados pelos clientes roça o absurdo – hei-de um dia destes voltar a uma doença profissional que varre os empregados de restaurantes: olhar fixo no horizonte, sem conseguirem detectar um único sinal de um cliente que chame, sem se preocuparem sequer em ver o que de facto se passa na sala.
BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, melhor seria mudar as fechaduras – Doug Larson.
maio 14, 2007
O TIRO NO PÉ
O campeonato nacional de tiro nos pés abriu no mês passado com a apresentação pública, pelo PSD, de uma proposta de privatização do serviço público de televisão. Sob um manto aparentemente muito liberal, e em nome da diminuição do peso do Estado, os responsáveis actuais do PSD fazem no fundo uma proposta conservadora e paralisante.
Vamos por partes: o que interessa, na realidade, é dar condições ao serviço público para poder ter uma programação mais variada e complementar em relação aos canais privados. Isto faz-se encarando de frente a questão do financiamento, retirando o operador do serviço público da esfera comercial e limitando a sua acção ao que é necessário.
E então, o que será necessário? - Do meu ponto de vista o serviço público deve proporcionar um acesso universal e gratuito - portanto a questão de serviço público com recurso a canais de cabo é, à partida, um contrasenso. Eu sou dos que pensam que o serviço público deve continuar a ter dois canais abertos, complementares, até porque dificilmente, a determinadas horas do dia – e nomeadamente em prime time – seria virtualmente impossível cumprir todas as suas obrigações apenas com um canal. Mas não vejo necessidade alguma na RTPN e, se vejo toda a razão de ser numa emissão internacional, continuo sem descortinar o porquê da RTP África.
Continuo a achar que o serviço público deve ter um papel estratégico no desenvolvimento do audiovisual português e da produção independente. Isto quer dizer que o serviço público devia deixar-se da megalomania produtiva que continua a ter (e os novos estúdios são um infeliz passo no reforço da capacidade interna de produção), devia encomendar mais, apostar mais na inovação, limitar a sua produção interna à informação e dinamizar o mercado das produtoras independentes em todos os outros géneros, documentários incluídos. A grande reforma que ninguém teve a coragem de fazer, e na qual, na minha opinião, radicam muitos dos problemas da RTP, é precisamente o tamanho da máquina e aquilo que ela tem de produzir para justificar a sua própria existência.
Mais do que falar na privatização da RTP, faz é sentido ver como ela deve reduzir a sua dimensão ao mínimo, investir mais na dinamização do sector privado do audiovisual, por forma a que o investimento do Estado e as contribuições (na factura eléctrica) dos ccidadãos seja mais reprodutiva. Isso é bem mais importante e estruturante que uma ilusória privatização.
E, a seguir, com a RTP mais focada na essência do serviço público, deixando de ser concorrente no mercado publicitário, existem novas condições para se desenvolver o mercado, para surgir um novo canal comercial e para ver como tudo isto se articula com o processo da televisão digital terrestre, essa sim uma matéria que merece toda a atenção, para que a decisão e o futuro não fiquem hipotecados no espírito controleirista do Ministro Santos Silva – cuja acção em muito pouco abona para que se encare com tranquilidade o desfecho desse processo, que é o mais importante de todos no contexto das indústrias da comunicação e do entretenimento em Portugal.
(Publicado na edição de Maio da Revista «Atlântico».)
O campeonato nacional de tiro nos pés abriu no mês passado com a apresentação pública, pelo PSD, de uma proposta de privatização do serviço público de televisão. Sob um manto aparentemente muito liberal, e em nome da diminuição do peso do Estado, os responsáveis actuais do PSD fazem no fundo uma proposta conservadora e paralisante.
Vamos por partes: o que interessa, na realidade, é dar condições ao serviço público para poder ter uma programação mais variada e complementar em relação aos canais privados. Isto faz-se encarando de frente a questão do financiamento, retirando o operador do serviço público da esfera comercial e limitando a sua acção ao que é necessário.
E então, o que será necessário? - Do meu ponto de vista o serviço público deve proporcionar um acesso universal e gratuito - portanto a questão de serviço público com recurso a canais de cabo é, à partida, um contrasenso. Eu sou dos que pensam que o serviço público deve continuar a ter dois canais abertos, complementares, até porque dificilmente, a determinadas horas do dia – e nomeadamente em prime time – seria virtualmente impossível cumprir todas as suas obrigações apenas com um canal. Mas não vejo necessidade alguma na RTPN e, se vejo toda a razão de ser numa emissão internacional, continuo sem descortinar o porquê da RTP África.
Continuo a achar que o serviço público deve ter um papel estratégico no desenvolvimento do audiovisual português e da produção independente. Isto quer dizer que o serviço público devia deixar-se da megalomania produtiva que continua a ter (e os novos estúdios são um infeliz passo no reforço da capacidade interna de produção), devia encomendar mais, apostar mais na inovação, limitar a sua produção interna à informação e dinamizar o mercado das produtoras independentes em todos os outros géneros, documentários incluídos. A grande reforma que ninguém teve a coragem de fazer, e na qual, na minha opinião, radicam muitos dos problemas da RTP, é precisamente o tamanho da máquina e aquilo que ela tem de produzir para justificar a sua própria existência.
Mais do que falar na privatização da RTP, faz é sentido ver como ela deve reduzir a sua dimensão ao mínimo, investir mais na dinamização do sector privado do audiovisual, por forma a que o investimento do Estado e as contribuições (na factura eléctrica) dos ccidadãos seja mais reprodutiva. Isso é bem mais importante e estruturante que uma ilusória privatização.
E, a seguir, com a RTP mais focada na essência do serviço público, deixando de ser concorrente no mercado publicitário, existem novas condições para se desenvolver o mercado, para surgir um novo canal comercial e para ver como tudo isto se articula com o processo da televisão digital terrestre, essa sim uma matéria que merece toda a atenção, para que a decisão e o futuro não fiquem hipotecados no espírito controleirista do Ministro Santos Silva – cuja acção em muito pouco abona para que se encare com tranquilidade o desfecho desse processo, que é o mais importante de todos no contexto das indústrias da comunicação e do entretenimento em Portugal.
(Publicado na edição de Maio da Revista «Atlântico».)
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O TIRO NO PÉ
O campeonato nacional de tiro nos pés abriu no mês passado com a apresentação pública, pelo PSD, de uma proposta de privatização do serviço público de televisão. Sob um manto aparentemente muito liberal, e em nome da diminuição do peso do Estado, os responsáveis actuais do PSD fazem no fundo uma proposta conservadora e paralisante.
Vamos por partes: o que interessa, na realidade, é dar condições ao serviço público para poder ter uma programação mais variada e complementar em relação aos canais privados. Isto faz-se encarando de frente a questão do financiamento, retirando o operador do serviço público da esfera comercial e limitando a sua acção ao que é necessário.
E então, o que será necessário? - Do meu ponto de vista o serviço público deve proporcionar um acesso universal e gratuito - portanto a questão de serviço público com recurso a canais de cabo é, à partida, um contrasenso. Eu sou dos que pensam que o serviço público deve continuar a ter dois canais abertos, complementares, até porque dificilmente, a determinadas horas do dia – e nomeadamente em prime time – seria virtualmente impossível cumprir todas as suas obrigações apenas com um canal. Mas não vejo necessidade alguma na RTPN e, se vejo toda a razão de ser numa emissão internacional, continuo sem descortinar o porquê da RTP África.
Continuo a achar que o serviço público deve ter um papel estratégico no desenvolvimento do audiovisual português e da produção independente. Isto quer dizer que o serviço público devia deixar-se da megalomania produtiva que continua a ter (e os novos estúdios são um infeliz passo no reforço da capacidade interna de produção), devia encomendar mais, apostar mais na inovação, limitar a sua produção interna à informação e dinamizar o mercado das produtoras independentes em todos os outros géneros, documentários incluídos. A grande reforma que ninguém teve a coragem de fazer, e na qual, na minha opinião, radicam muitos dos problemas da RTP, é precisamente o tamanho da máquina e aquilo que ela tem de produzir para justificar a sua própria existência.
Mais do que falar na privatização da RTP, faz é sentido ver como ela deve reduzir a sua dimensão ao mínimo, investir mais na dinamização do sector privado do audiovisual, por forma a que o investimento do Estado e as contribuições (na factura eléctrica) dos ccidadãos seja mais reprodutiva. Isso é bem mais importante e estruturante que uma ilusória privatização.
E, a seguir, com a RTP mais focada na essência do serviço público, deixando de ser concorrente no mercado publicitário, existem novas condições para se desenvolver o mercado, para surgir um novo canal comercial e para ver como tudo isto se articula com o processo da televisão digital terrestre, essa sim uma matéria que merece toda a atenção, para que a decisão e o futuro não fiquem hipotecados no espírito controleirista do Ministro Santos Silva – cuja acção em muito pouco abona para que se encare com tranquilidade o desfecho desse processo, que é o mais importante de todos no contexto das indústrias da comunicação e do entretenimento em Portugal.
(Publicado na edição de Maio da Revista «Atlântico».)
O campeonato nacional de tiro nos pés abriu no mês passado com a apresentação pública, pelo PSD, de uma proposta de privatização do serviço público de televisão. Sob um manto aparentemente muito liberal, e em nome da diminuição do peso do Estado, os responsáveis actuais do PSD fazem no fundo uma proposta conservadora e paralisante.
Vamos por partes: o que interessa, na realidade, é dar condições ao serviço público para poder ter uma programação mais variada e complementar em relação aos canais privados. Isto faz-se encarando de frente a questão do financiamento, retirando o operador do serviço público da esfera comercial e limitando a sua acção ao que é necessário.
E então, o que será necessário? - Do meu ponto de vista o serviço público deve proporcionar um acesso universal e gratuito - portanto a questão de serviço público com recurso a canais de cabo é, à partida, um contrasenso. Eu sou dos que pensam que o serviço público deve continuar a ter dois canais abertos, complementares, até porque dificilmente, a determinadas horas do dia – e nomeadamente em prime time – seria virtualmente impossível cumprir todas as suas obrigações apenas com um canal. Mas não vejo necessidade alguma na RTPN e, se vejo toda a razão de ser numa emissão internacional, continuo sem descortinar o porquê da RTP África.
Continuo a achar que o serviço público deve ter um papel estratégico no desenvolvimento do audiovisual português e da produção independente. Isto quer dizer que o serviço público devia deixar-se da megalomania produtiva que continua a ter (e os novos estúdios são um infeliz passo no reforço da capacidade interna de produção), devia encomendar mais, apostar mais na inovação, limitar a sua produção interna à informação e dinamizar o mercado das produtoras independentes em todos os outros géneros, documentários incluídos. A grande reforma que ninguém teve a coragem de fazer, e na qual, na minha opinião, radicam muitos dos problemas da RTP, é precisamente o tamanho da máquina e aquilo que ela tem de produzir para justificar a sua própria existência.
Mais do que falar na privatização da RTP, faz é sentido ver como ela deve reduzir a sua dimensão ao mínimo, investir mais na dinamização do sector privado do audiovisual, por forma a que o investimento do Estado e as contribuições (na factura eléctrica) dos ccidadãos seja mais reprodutiva. Isso é bem mais importante e estruturante que uma ilusória privatização.
E, a seguir, com a RTP mais focada na essência do serviço público, deixando de ser concorrente no mercado publicitário, existem novas condições para se desenvolver o mercado, para surgir um novo canal comercial e para ver como tudo isto se articula com o processo da televisão digital terrestre, essa sim uma matéria que merece toda a atenção, para que a decisão e o futuro não fiquem hipotecados no espírito controleirista do Ministro Santos Silva – cuja acção em muito pouco abona para que se encare com tranquilidade o desfecho desse processo, que é o mais importante de todos no contexto das indústrias da comunicação e do entretenimento em Portugal.
(Publicado na edição de Maio da Revista «Atlântico».)
maio 13, 2007
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NOTA - ESTA SEMANA «A ESQUINA DO RIO», por boa decisão do editor do suplemento «week-end», às sextas no «Jornal de Negócios», foi escrita como se estivéssemos em 2011, daqui a quatro anos. Por isso o tom dos parágrafos seguintes.
A SEMANA em Maio de 2011- A Ordem dos Engenheiros atribuíu esta semana uma cédula profissional ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates… Novas eleições autárquicas intercalares são esperadas para a Câmara Municipal de Lisboa no espaço de dois a três meses, após anos de sucessivos actos eleitorais que apenas aprofundaram a crise existente… Marques Mendes foi nomeado coordenador do Grupo Parlamentar de Investigação sobre a história recente da oposição em Portugal… O novo partido Liberal, saído de quadros do PP e do PSD descontentes com as suas direcções, realiza no próximo fim de semana a sua primeira convenção nacional … João Cravinho regressou esta semana de Londres, após ter terminado o seu mandato no organismo internacional onde esteve colocado, mas o actual secretário-geral do PS, António Vitorino, afirmou já que não tenciona subscrever o pacote anti-corrupção que o histórico dirigente socialista persiste em apresentar no Parlamento.
LER – O mercado está inundado de livros de memórias de ex-políticos que relatam todas as peripécias da sua passagem pelo Poder. Os mais recentes, de Paulo Portas e José Sócrates, estão na lista dos títulos mais vendidos, o mesmo não acontecendo com os «Relatos Pessoais» de Francisco Louçã a quem os críticos acusam de ter feito uma narrativa sem pormenores aliciantes. Os direitos de passagem a televisão do livro de Sócrates está a ser negociado com o envolvimento directo de Pina Moura: «A TVI sempre teve a melhor produção de ficção nacional», referiu.
VER – Portugal continua atrasadíssimo na atribuição das licenças para a Televisão Digital Terrestre e o último concurso, realizado em 2010, foi mais uma vez contestado judicialmente por um dos concorrentes ; o grupo Cofina e a Controlinveste continuam a reivindicar o direito a terem licenças no novo espectro de emissão digital, mas os grupos mais antigos do sector têm dificultado essas pretensões; numa declaração recente o responsável do maior grupo de comunicação estrangeiro em Portugal, um ex Ministro do PS e ex-dirigente do PC, sublinhou estar convicto que as suas boas relações políticas e a sua influência nas esferas do poder têm sido suficientes para dificultar a vida à concorrência.
OUVIR- Confesso que cada vez ouço menos discos, embora ouça mais música. A introdução da rádio digital há um ano atrás abriu um enorme campo de possibilidades, com rádios temáticas bem segmentadas. A Europa LX (antiga FM 90.4 Lisboa) naturalmente vocacionada para ser a rádio de referência do jazz, acompanha-me grande parte dos dias. O resto anda no iPhone ou no computador. Outro dia pus um CD a tocar e a minha neta perguntou-me que raio de coisa era aquela.
RARIDADE – A derradeira Rua de Lisboa cujo piso resiste sem buracos foi ontem fechada ao trânsito automóvel e considerada zona protegida. Está a decorrer um programa de visitas de estudo, por jovens alunos das escolas da Capital, para terem uma ideia de como era a pavimentação das artérias da cidade na altura em que havia ainda manutenção e reparações.
PETISCAR – O aquecimento global alterou de tal forma a sazonalidade dos produtos que, estamos agora em Maio e já desaparecem as sardinhas desta temporada. De facto desde há cerca de dois anos que as sardinhas têm começado a surgir cada vez mais cedo e este ano foi em finais de Fevereiro que apareceram as primeiras boas sardinhas. Como a Feira Popular continua sem abrir, resta procurar algum tasco simpático por esta cidade de Lisboa onde se possa comer o petisco.
BACK TO BASICS – «O Senhor Ministro é um homem de qualidades invísiveis» - diálogo do premonitório filme de Edgar Pêra, «Rio Turvo», estreado há quatro anos, antes de Mário Lino não ter conseguido impor a construção do aeroporto da OTA. O filme contava a história da construção de um aeroporto no Ribatejo, sob a inspiração mitológica de um bode chamado Sócrates. As limitações ao direito de expressão existentes na época levaram o realizador a rebaptizar o bicho como Platão.
A SEMANA em Maio de 2011- A Ordem dos Engenheiros atribuíu esta semana uma cédula profissional ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates… Novas eleições autárquicas intercalares são esperadas para a Câmara Municipal de Lisboa no espaço de dois a três meses, após anos de sucessivos actos eleitorais que apenas aprofundaram a crise existente… Marques Mendes foi nomeado coordenador do Grupo Parlamentar de Investigação sobre a história recente da oposição em Portugal… O novo partido Liberal, saído de quadros do PP e do PSD descontentes com as suas direcções, realiza no próximo fim de semana a sua primeira convenção nacional … João Cravinho regressou esta semana de Londres, após ter terminado o seu mandato no organismo internacional onde esteve colocado, mas o actual secretário-geral do PS, António Vitorino, afirmou já que não tenciona subscrever o pacote anti-corrupção que o histórico dirigente socialista persiste em apresentar no Parlamento.
LER – O mercado está inundado de livros de memórias de ex-políticos que relatam todas as peripécias da sua passagem pelo Poder. Os mais recentes, de Paulo Portas e José Sócrates, estão na lista dos títulos mais vendidos, o mesmo não acontecendo com os «Relatos Pessoais» de Francisco Louçã a quem os críticos acusam de ter feito uma narrativa sem pormenores aliciantes. Os direitos de passagem a televisão do livro de Sócrates está a ser negociado com o envolvimento directo de Pina Moura: «A TVI sempre teve a melhor produção de ficção nacional», referiu.
VER – Portugal continua atrasadíssimo na atribuição das licenças para a Televisão Digital Terrestre e o último concurso, realizado em 2010, foi mais uma vez contestado judicialmente por um dos concorrentes ; o grupo Cofina e a Controlinveste continuam a reivindicar o direito a terem licenças no novo espectro de emissão digital, mas os grupos mais antigos do sector têm dificultado essas pretensões; numa declaração recente o responsável do maior grupo de comunicação estrangeiro em Portugal, um ex Ministro do PS e ex-dirigente do PC, sublinhou estar convicto que as suas boas relações políticas e a sua influência nas esferas do poder têm sido suficientes para dificultar a vida à concorrência.
OUVIR- Confesso que cada vez ouço menos discos, embora ouça mais música. A introdução da rádio digital há um ano atrás abriu um enorme campo de possibilidades, com rádios temáticas bem segmentadas. A Europa LX (antiga FM 90.4 Lisboa) naturalmente vocacionada para ser a rádio de referência do jazz, acompanha-me grande parte dos dias. O resto anda no iPhone ou no computador. Outro dia pus um CD a tocar e a minha neta perguntou-me que raio de coisa era aquela.
RARIDADE – A derradeira Rua de Lisboa cujo piso resiste sem buracos foi ontem fechada ao trânsito automóvel e considerada zona protegida. Está a decorrer um programa de visitas de estudo, por jovens alunos das escolas da Capital, para terem uma ideia de como era a pavimentação das artérias da cidade na altura em que havia ainda manutenção e reparações.
PETISCAR – O aquecimento global alterou de tal forma a sazonalidade dos produtos que, estamos agora em Maio e já desaparecem as sardinhas desta temporada. De facto desde há cerca de dois anos que as sardinhas têm começado a surgir cada vez mais cedo e este ano foi em finais de Fevereiro que apareceram as primeiras boas sardinhas. Como a Feira Popular continua sem abrir, resta procurar algum tasco simpático por esta cidade de Lisboa onde se possa comer o petisco.
BACK TO BASICS – «O Senhor Ministro é um homem de qualidades invísiveis» - diálogo do premonitório filme de Edgar Pêra, «Rio Turvo», estreado há quatro anos, antes de Mário Lino não ter conseguido impor a construção do aeroporto da OTA. O filme contava a história da construção de um aeroporto no Ribatejo, sob a inspiração mitológica de um bode chamado Sócrates. As limitações ao direito de expressão existentes na época levaram o realizador a rebaptizar o bicho como Platão.
NOTA - ESTA SEMANA «A ESQUINA DO RIO», por boa decisão do editor do suplemento «week-end», às sextas no «Jornal de Negócios», foi escrita como se estivéssemos em 2011, daqui a quatro anos. Por isso o tom dos parágrafos seguintes.
A SEMANA em Maio de 2011- A Ordem dos Engenheiros atribuíu esta semana uma cédula profissional ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates… Novas eleições autárquicas intercalares são esperadas para a Câmara Municipal de Lisboa no espaço de dois a três meses, após anos de sucessivos actos eleitorais que apenas aprofundaram a crise existente… Marques Mendes foi nomeado coordenador do Grupo Parlamentar de Investigação sobre a história recente da oposição em Portugal… O novo partido Liberal, saído de quadros do PP e do PSD descontentes com as suas direcções, realiza no próximo fim de semana a sua primeira convenção nacional … João Cravinho regressou esta semana de Londres, após ter terminado o seu mandato no organismo internacional onde esteve colocado, mas o actual secretário-geral do PS, António Vitorino, afirmou já que não tenciona subscrever o pacote anti-corrupção que o histórico dirigente socialista persiste em apresentar no Parlamento.
LER – O mercado está inundado de livros de memórias de ex-políticos que relatam todas as peripécias da sua passagem pelo Poder. Os mais recentes, de Paulo Portas e José Sócrates, estão na lista dos títulos mais vendidos, o mesmo não acontecendo com os «Relatos Pessoais» de Francisco Louçã a quem os críticos acusam de ter feito uma narrativa sem pormenores aliciantes. Os direitos de passagem a televisão do livro de Sócrates está a ser negociado com o envolvimento directo de Pina Moura: «A TVI sempre teve a melhor produção de ficção nacional», referiu.
VER – Portugal continua atrasadíssimo na atribuição das licenças para a Televisão Digital Terrestre e o último concurso, realizado em 2010, foi mais uma vez contestado judicialmente por um dos concorrentes ; o grupo Cofina e a Controlinveste continuam a reivindicar o direito a terem licenças no novo espectro de emissão digital, mas os grupos mais antigos do sector têm dificultado essas pretensões; numa declaração recente o responsável do maior grupo de comunicação estrangeiro em Portugal, um ex Ministro do PS e ex-dirigente do PC, sublinhou estar convicto que as suas boas relações políticas e a sua influência nas esferas do poder têm sido suficientes para dificultar a vida à concorrência.
OUVIR- Confesso que cada vez ouço menos discos, embora ouça mais música. A introdução da rádio digital há um ano atrás abriu um enorme campo de possibilidades, com rádios temáticas bem segmentadas. A Europa LX (antiga FM 90.4 Lisboa) naturalmente vocacionada para ser a rádio de referência do jazz, acompanha-me grande parte dos dias. O resto anda no iPhone ou no computador. Outro dia pus um CD a tocar e a minha neta perguntou-me que raio de coisa era aquela.
RARIDADE – A derradeira Rua de Lisboa cujo piso resiste sem buracos foi ontem fechada ao trânsito automóvel e considerada zona protegida. Está a decorrer um programa de visitas de estudo, por jovens alunos das escolas da Capital, para terem uma ideia de como era a pavimentação das artérias da cidade na altura em que havia ainda manutenção e reparações.
PETISCAR – O aquecimento global alterou de tal forma a sazonalidade dos produtos que, estamos agora em Maio e já desaparecem as sardinhas desta temporada. De facto desde há cerca de dois anos que as sardinhas têm começado a surgir cada vez mais cedo e este ano foi em finais de Fevereiro que apareceram as primeiras boas sardinhas. Como a Feira Popular continua sem abrir, resta procurar algum tasco simpático por esta cidade de Lisboa onde se possa comer o petisco.
BACK TO BASICS – «O Senhor Ministro é um homem de qualidades invísiveis» - diálogo do premonitório filme de Edgar Pêra, «Rio Turvo», estreado há quatro anos, antes de Mário Lino não ter conseguido impor a construção do aeroporto da OTA. O filme contava a história da construção de um aeroporto no Ribatejo, sob a inspiração mitológica de um bode chamado Sócrates. As limitações ao direito de expressão existentes na época levaram o realizador a rebaptizar o bicho como Platão.
A SEMANA em Maio de 2011- A Ordem dos Engenheiros atribuíu esta semana uma cédula profissional ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates… Novas eleições autárquicas intercalares são esperadas para a Câmara Municipal de Lisboa no espaço de dois a três meses, após anos de sucessivos actos eleitorais que apenas aprofundaram a crise existente… Marques Mendes foi nomeado coordenador do Grupo Parlamentar de Investigação sobre a história recente da oposição em Portugal… O novo partido Liberal, saído de quadros do PP e do PSD descontentes com as suas direcções, realiza no próximo fim de semana a sua primeira convenção nacional … João Cravinho regressou esta semana de Londres, após ter terminado o seu mandato no organismo internacional onde esteve colocado, mas o actual secretário-geral do PS, António Vitorino, afirmou já que não tenciona subscrever o pacote anti-corrupção que o histórico dirigente socialista persiste em apresentar no Parlamento.
LER – O mercado está inundado de livros de memórias de ex-políticos que relatam todas as peripécias da sua passagem pelo Poder. Os mais recentes, de Paulo Portas e José Sócrates, estão na lista dos títulos mais vendidos, o mesmo não acontecendo com os «Relatos Pessoais» de Francisco Louçã a quem os críticos acusam de ter feito uma narrativa sem pormenores aliciantes. Os direitos de passagem a televisão do livro de Sócrates está a ser negociado com o envolvimento directo de Pina Moura: «A TVI sempre teve a melhor produção de ficção nacional», referiu.
VER – Portugal continua atrasadíssimo na atribuição das licenças para a Televisão Digital Terrestre e o último concurso, realizado em 2010, foi mais uma vez contestado judicialmente por um dos concorrentes ; o grupo Cofina e a Controlinveste continuam a reivindicar o direito a terem licenças no novo espectro de emissão digital, mas os grupos mais antigos do sector têm dificultado essas pretensões; numa declaração recente o responsável do maior grupo de comunicação estrangeiro em Portugal, um ex Ministro do PS e ex-dirigente do PC, sublinhou estar convicto que as suas boas relações políticas e a sua influência nas esferas do poder têm sido suficientes para dificultar a vida à concorrência.
OUVIR- Confesso que cada vez ouço menos discos, embora ouça mais música. A introdução da rádio digital há um ano atrás abriu um enorme campo de possibilidades, com rádios temáticas bem segmentadas. A Europa LX (antiga FM 90.4 Lisboa) naturalmente vocacionada para ser a rádio de referência do jazz, acompanha-me grande parte dos dias. O resto anda no iPhone ou no computador. Outro dia pus um CD a tocar e a minha neta perguntou-me que raio de coisa era aquela.
RARIDADE – A derradeira Rua de Lisboa cujo piso resiste sem buracos foi ontem fechada ao trânsito automóvel e considerada zona protegida. Está a decorrer um programa de visitas de estudo, por jovens alunos das escolas da Capital, para terem uma ideia de como era a pavimentação das artérias da cidade na altura em que havia ainda manutenção e reparações.
PETISCAR – O aquecimento global alterou de tal forma a sazonalidade dos produtos que, estamos agora em Maio e já desaparecem as sardinhas desta temporada. De facto desde há cerca de dois anos que as sardinhas têm começado a surgir cada vez mais cedo e este ano foi em finais de Fevereiro que apareceram as primeiras boas sardinhas. Como a Feira Popular continua sem abrir, resta procurar algum tasco simpático por esta cidade de Lisboa onde se possa comer o petisco.
BACK TO BASICS – «O Senhor Ministro é um homem de qualidades invísiveis» - diálogo do premonitório filme de Edgar Pêra, «Rio Turvo», estreado há quatro anos, antes de Mário Lino não ter conseguido impor a construção do aeroporto da OTA. O filme contava a história da construção de um aeroporto no Ribatejo, sob a inspiração mitológica de um bode chamado Sócrates. As limitações ao direito de expressão existentes na época levaram o realizador a rebaptizar o bicho como Platão.
maio 06, 2007
NÓS - Desde há muito tempo que penso que o futuro da língua e da cultura portuguesas se decide, não fundamentalmente na escrita e nos livros, mas na oralidade moderna que surge na produção audiovisual, sejam filmes, curtas metragens e documentários, vídeos, discos ou toda a gama de produtos feitos para serem vistos e ouvidos. Se Portugal não marcar um lugar na paisagem audiovisual, a língua morrerá por falta de uso e a cultura ficará estagnada debaixo de uma pilha de pó. Acontece que, para Portugal conseguir uma presença nesta galáxia de som e imagem, nos mini-ecrãs ou nos ecrãs tradicionais, precisa de criar uma indústria audiovisual e não de fomentar um artesanato. Os sucessivos governos têm preferido os jogos florais e o artesanato.
DIFERENÇAS - Vem isto a propósito de dois filmes, de recente produção portuguesa, que vi no espaço de uma semana. Dois regimes de produção diferentes e de certa forma ao contrário do que costuma ser: de um lado um filme, em película, feito «dentro do regime», com apoios oficiais, participação do Ministério da Cultura e da RTP, mas que apostou em conseguir comunicar; do outro lado uma excursão nas possibilidades do vídeo de alta definição, feito à margem do regime, sem subsídios nem benesses, mas com um discurso radical e marginal. O primeiro caso é baseado em «O Mistério da Serra de Sintra», de Ramnalho Ortigão e Eça de Queiroz; o segundo, num conto de Branquinho da Fonseca, «Rio Turvo».
INTERESSANTE - «O Mistério da Serra de Sintra» conta com uma boa produção, uma excelente fotografia, uma direcção de actores que mostra o talento do José Pedro Vasconcelos dos reality shows, e sobretudo um grande argumento, boas falas, bom ritmo, boa realização, assinada por Jorge Paixão da Costa, um dos poucos realizadores portugueses a apostar na capacidade de comunicação e não no hermetismo militante nascido de boa dose de preguiça e auto-complacência.
DIFERENTE - «Rio Turvo» é feito com poucos meios, mas com um enorme trabalho na concepção da imagem, na realização, na edição e na pós –produção. Este filme, uma curta metragem de 70 minutos, parece um produto de luxo ao pé de muitos filmes portugueses onde para sempre será um mistério o destino dado ao orçamento. As estrelas do filme são bem conhecidas: Teresa Salgueiro, Nuno Melo, Manuel João Vieira, para citar apenas alguns. A história é ela própria um sinal dos tempos que correm: o conto de Branquinho da Fonseca relata as peripécias da construção de uma pista de aviação no Ribatejo e o mistério em torno de uma figura inspiradora do director da obra, um bode chamado Sócrates que o realizador Edgar Pêra achou por bem renomear como Platão, por causa dos tempos que correm.
VER – Teresa Sobral é a actriz de «A Gaivota», de Tchecov, que o Teatro da Cornucópia apresenta por estes dias no Teatro Municipal de Almada. Ela é também o sujeito das fotografias da exposição que André Gomes apresenta na galeria do mesmo Teatro, até dia 27 deste mês. «Masha» é o nome do personagem de Teresa Sobral e é também o nome da exposição, que apresenta fotografias feitas em Polaroid e posteriormente digitalizadas, como vem sendo timbre de André Gomes.
LER – Pessoalmente gosto de ler livros de memórias. Raymond Aron é o estereotipo francês do intelectual de direita, amigo de Sartre mas seu jurado adversário. Académico, jornalista, Aron vive o século XX entre 1905 e 1983 – e esta autobiografia vai exactamente até 1982, um ano antes da sua morte. É a História do Século vista por interposta pessoa, com passagem pelo pós guerrea, o gaullismo e o Maio de 68. Uma leitura apaixonante, agora editada em Portugal pela Guerra e Paz. Memórias de Ray,mond Aron, 671c páginas.
PETISCO - Gosto de salgadinhos. Uma feliz circunstância levou a que uma merendinha alterasse por completo a minha vida. A velha e tradicional Confeitaria Valbom (Av. Conde Valbom 31) também tem merendinhas, mas são sobretudo as suas empadas de galinha que me fazem lá ir; a meio da manhã., um salgado e um café é uma combinação improvável, mas funciona. A empada é módica, na boa massa que a forra está um dos segredos, a 1.05 euros por peça - há ainda prazeres baratos. Voz avisada recomenda o leite creme da casa, superior; é uma troca pela merendinha do «Nosso Café», de Campo de Ourique, que se atravessou no destino.
BACK TO BASICS - No fim é a disciplina na verificação dos factos que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda, da ficção ou da arte - Bill Kovach, Tom Rosentiel, The Elements Of Journalism.
DIFERENÇAS - Vem isto a propósito de dois filmes, de recente produção portuguesa, que vi no espaço de uma semana. Dois regimes de produção diferentes e de certa forma ao contrário do que costuma ser: de um lado um filme, em película, feito «dentro do regime», com apoios oficiais, participação do Ministério da Cultura e da RTP, mas que apostou em conseguir comunicar; do outro lado uma excursão nas possibilidades do vídeo de alta definição, feito à margem do regime, sem subsídios nem benesses, mas com um discurso radical e marginal. O primeiro caso é baseado em «O Mistério da Serra de Sintra», de Ramnalho Ortigão e Eça de Queiroz; o segundo, num conto de Branquinho da Fonseca, «Rio Turvo».
INTERESSANTE - «O Mistério da Serra de Sintra» conta com uma boa produção, uma excelente fotografia, uma direcção de actores que mostra o talento do José Pedro Vasconcelos dos reality shows, e sobretudo um grande argumento, boas falas, bom ritmo, boa realização, assinada por Jorge Paixão da Costa, um dos poucos realizadores portugueses a apostar na capacidade de comunicação e não no hermetismo militante nascido de boa dose de preguiça e auto-complacência.
DIFERENTE - «Rio Turvo» é feito com poucos meios, mas com um enorme trabalho na concepção da imagem, na realização, na edição e na pós –produção. Este filme, uma curta metragem de 70 minutos, parece um produto de luxo ao pé de muitos filmes portugueses onde para sempre será um mistério o destino dado ao orçamento. As estrelas do filme são bem conhecidas: Teresa Salgueiro, Nuno Melo, Manuel João Vieira, para citar apenas alguns. A história é ela própria um sinal dos tempos que correm: o conto de Branquinho da Fonseca relata as peripécias da construção de uma pista de aviação no Ribatejo e o mistério em torno de uma figura inspiradora do director da obra, um bode chamado Sócrates que o realizador Edgar Pêra achou por bem renomear como Platão, por causa dos tempos que correm.
VER – Teresa Sobral é a actriz de «A Gaivota», de Tchecov, que o Teatro da Cornucópia apresenta por estes dias no Teatro Municipal de Almada. Ela é também o sujeito das fotografias da exposição que André Gomes apresenta na galeria do mesmo Teatro, até dia 27 deste mês. «Masha» é o nome do personagem de Teresa Sobral e é também o nome da exposição, que apresenta fotografias feitas em Polaroid e posteriormente digitalizadas, como vem sendo timbre de André Gomes.
LER – Pessoalmente gosto de ler livros de memórias. Raymond Aron é o estereotipo francês do intelectual de direita, amigo de Sartre mas seu jurado adversário. Académico, jornalista, Aron vive o século XX entre 1905 e 1983 – e esta autobiografia vai exactamente até 1982, um ano antes da sua morte. É a História do Século vista por interposta pessoa, com passagem pelo pós guerrea, o gaullismo e o Maio de 68. Uma leitura apaixonante, agora editada em Portugal pela Guerra e Paz. Memórias de Ray,mond Aron, 671c páginas.
PETISCO - Gosto de salgadinhos. Uma feliz circunstância levou a que uma merendinha alterasse por completo a minha vida. A velha e tradicional Confeitaria Valbom (Av. Conde Valbom 31) também tem merendinhas, mas são sobretudo as suas empadas de galinha que me fazem lá ir; a meio da manhã., um salgado e um café é uma combinação improvável, mas funciona. A empada é módica, na boa massa que a forra está um dos segredos, a 1.05 euros por peça - há ainda prazeres baratos. Voz avisada recomenda o leite creme da casa, superior; é uma troca pela merendinha do «Nosso Café», de Campo de Ourique, que se atravessou no destino.
BACK TO BASICS - No fim é a disciplina na verificação dos factos que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda, da ficção ou da arte - Bill Kovach, Tom Rosentiel, The Elements Of Journalism.
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NÓS - Desde há muito tempo que penso que o futuro da língua e da cultura portuguesas se decide, não fundamentalmente na escrita e nos livros, mas na oralidade moderna que surge na produção audiovisual, sejam filmes, curtas metragens e documentários, vídeos, discos ou toda a gama de produtos feitos para serem vistos e ouvidos. Se Portugal não marcar um lugar na paisagem audiovisual, a língua morrerá por falta de uso e a cultura ficará estagnada debaixo de uma pilha de pó. Acontece que, para Portugal conseguir uma presença nesta galáxia de som e imagem, nos mini-ecrãs ou nos ecrãs tradicionais, precisa de criar uma indústria audiovisual e não de fomentar um artesanato. Os sucessivos governos têm preferido os jogos florais e o artesanato.
DIFERENÇAS - Vem isto a propósito de dois filmes, de recente produção portuguesa, que vi no espaço de uma semana. Dois regimes de produção diferentes e de certa forma ao contrário do que costuma ser: de um lado um filme, em película, feito «dentro do regime», com apoios oficiais, participação do Ministério da Cultura e da RTP, mas que apostou em conseguir comunicar; do outro lado uma excursão nas possibilidades do vídeo de alta definição, feito à margem do regime, sem subsídios nem benesses, mas com um discurso radical e marginal. O primeiro caso é baseado em «O Mistério da Serra de Sintra», de Ramnalho Ortigão e Eça de Queiroz; o segundo, num conto de Branquinho da Fonseca, «Rio Turvo».
INTERESSANTE - «O Mistério da Serra de Sintra» conta com uma boa produção, uma excelente fotografia, uma direcção de actores que mostra o talento do José Pedro Vasconcelos dos reality shows, e sobretudo um grande argumento, boas falas, bom ritmo, boa realização, assinada por Jorge Paixão da Costa, um dos poucos realizadores portugueses a apostar na capacidade de comunicação e não no hermetismo militante nascido de boa dose de preguiça e auto-complacência.
DIFERENTE - «Rio Turvo» é feito com poucos meios, mas com um enorme trabalho na concepção da imagem, na realização, na edição e na pós –produção. Este filme, uma curta metragem de 70 minutos, parece um produto de luxo ao pé de muitos filmes portugueses onde para sempre será um mistério o destino dado ao orçamento. As estrelas do filme são bem conhecidas: Teresa Salgueiro, Nuno Melo, Manuel João Vieira, para citar apenas alguns. A história é ela própria um sinal dos tempos que correm: o conto de Branquinho da Fonseca relata as peripécias da construção de uma pista de aviação no Ribatejo e o mistério em torno de uma figura inspiradora do director da obra, um bode chamado Sócrates que o realizador Edgar Pêra achou por bem renomear como Platão, por causa dos tempos que correm.
VER – Teresa Sobral é a actriz de «A Gaivota», de Tchecov, que o Teatro da Cornucópia apresenta por estes dias no Teatro Municipal de Almada. Ela é também o sujeito das fotografias da exposição que André Gomes apresenta na galeria do mesmo Teatro, até dia 27 deste mês. «Masha» é o nome do personagem de Teresa Sobral e é também o nome da exposição, que apresenta fotografias feitas em Polaroid e posteriormente digitalizadas, como vem sendo timbre de André Gomes.
LER – Pessoalmente gosto de ler livros de memórias. Raymond Aron é o estereotipo francês do intelectual de direita, amigo de Sartre mas seu jurado adversário. Académico, jornalista, Aron vive o século XX entre 1905 e 1983 – e esta autobiografia vai exactamente até 1982, um ano antes da sua morte. É a História do Século vista por interposta pessoa, com passagem pelo pós guerrea, o gaullismo e o Maio de 68. Uma leitura apaixonante, agora editada em Portugal pela Guerra e Paz. Memórias de Ray,mond Aron, 671c páginas.
PETISCO - Gosto de salgadinhos. Uma feliz circunstância levou a que uma merendinha alterasse por completo a minha vida. A velha e tradicional Confeitaria Valbom (Av. Conde Valbom 31) também tem merendinhas, mas são sobretudo as suas empadas de galinha que me fazem lá ir; a meio da manhã., um salgado e um café é uma combinação improvável, mas funciona. A empada é módica, na boa massa que a forra está um dos segredos, a 1.05 euros por peça - há ainda prazeres baratos. Voz avisada recomenda o leite creme da casa, superior; é uma troca pela merendinha do «Nosso Café», de Campo de Ourique, que se atravessou no destino.
BACK TO BASICS - No fim é a disciplina na verificação dos factos que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda, da ficção ou da arte - Bill Kovach, Tom Rosentiel, The Elements Of Journalism.
DIFERENÇAS - Vem isto a propósito de dois filmes, de recente produção portuguesa, que vi no espaço de uma semana. Dois regimes de produção diferentes e de certa forma ao contrário do que costuma ser: de um lado um filme, em película, feito «dentro do regime», com apoios oficiais, participação do Ministério da Cultura e da RTP, mas que apostou em conseguir comunicar; do outro lado uma excursão nas possibilidades do vídeo de alta definição, feito à margem do regime, sem subsídios nem benesses, mas com um discurso radical e marginal. O primeiro caso é baseado em «O Mistério da Serra de Sintra», de Ramnalho Ortigão e Eça de Queiroz; o segundo, num conto de Branquinho da Fonseca, «Rio Turvo».
INTERESSANTE - «O Mistério da Serra de Sintra» conta com uma boa produção, uma excelente fotografia, uma direcção de actores que mostra o talento do José Pedro Vasconcelos dos reality shows, e sobretudo um grande argumento, boas falas, bom ritmo, boa realização, assinada por Jorge Paixão da Costa, um dos poucos realizadores portugueses a apostar na capacidade de comunicação e não no hermetismo militante nascido de boa dose de preguiça e auto-complacência.
DIFERENTE - «Rio Turvo» é feito com poucos meios, mas com um enorme trabalho na concepção da imagem, na realização, na edição e na pós –produção. Este filme, uma curta metragem de 70 minutos, parece um produto de luxo ao pé de muitos filmes portugueses onde para sempre será um mistério o destino dado ao orçamento. As estrelas do filme são bem conhecidas: Teresa Salgueiro, Nuno Melo, Manuel João Vieira, para citar apenas alguns. A história é ela própria um sinal dos tempos que correm: o conto de Branquinho da Fonseca relata as peripécias da construção de uma pista de aviação no Ribatejo e o mistério em torno de uma figura inspiradora do director da obra, um bode chamado Sócrates que o realizador Edgar Pêra achou por bem renomear como Platão, por causa dos tempos que correm.
VER – Teresa Sobral é a actriz de «A Gaivota», de Tchecov, que o Teatro da Cornucópia apresenta por estes dias no Teatro Municipal de Almada. Ela é também o sujeito das fotografias da exposição que André Gomes apresenta na galeria do mesmo Teatro, até dia 27 deste mês. «Masha» é o nome do personagem de Teresa Sobral e é também o nome da exposição, que apresenta fotografias feitas em Polaroid e posteriormente digitalizadas, como vem sendo timbre de André Gomes.
LER – Pessoalmente gosto de ler livros de memórias. Raymond Aron é o estereotipo francês do intelectual de direita, amigo de Sartre mas seu jurado adversário. Académico, jornalista, Aron vive o século XX entre 1905 e 1983 – e esta autobiografia vai exactamente até 1982, um ano antes da sua morte. É a História do Século vista por interposta pessoa, com passagem pelo pós guerrea, o gaullismo e o Maio de 68. Uma leitura apaixonante, agora editada em Portugal pela Guerra e Paz. Memórias de Ray,mond Aron, 671c páginas.
PETISCO - Gosto de salgadinhos. Uma feliz circunstância levou a que uma merendinha alterasse por completo a minha vida. A velha e tradicional Confeitaria Valbom (Av. Conde Valbom 31) também tem merendinhas, mas são sobretudo as suas empadas de galinha que me fazem lá ir; a meio da manhã., um salgado e um café é uma combinação improvável, mas funciona. A empada é módica, na boa massa que a forra está um dos segredos, a 1.05 euros por peça - há ainda prazeres baratos. Voz avisada recomenda o leite creme da casa, superior; é uma troca pela merendinha do «Nosso Café», de Campo de Ourique, que se atravessou no destino.
BACK TO BASICS - No fim é a disciplina na verificação dos factos que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda, da ficção ou da arte - Bill Kovach, Tom Rosentiel, The Elements Of Journalism.
abril 30, 2007
CORRUPÇÃO – Um dos truques que a política tem para liquidar um assunto é apresentar alguma coisa que se pareça com uma iniciativa; assim, o assunto é falado, o respectivo responsável faz um discurso, e espera-se que as pessoas achem que o tema ficou arrumado. Quando João Cravinho apresentou um pacote anti-corrupção e quando o Presidente da República abordou o tema, aquilo que os (bem) preocupava não era a corruptela na multa de trânsito ou numa repartição pública para acelerar o andamento de um processo. As corruptelas são obviamente péssimas e os cidadãos têm boas razões para desesperar de polícias que perseguem a multa, em vez de fazerem prevenção ou de um Estado que é desesperadamente lento. Alberto Costa, um Ministro da Justiça que ficará recordado pelas más razões, lançou um programa anti-corruptela, com o objectivo de evitar o pacote anti-corrupção – esta é a verdade. A corrupção que interessa combater, por exemplo, é a que faz com que decisões de grandes obras públicas sejam tomadas por razões pouco claras, é a que faz com que surjam enriquecimentos rápidos por essas decisões beneficiarem algumas pessoas; a corrupção que interessa combater é a que faz com que a fortuna de alguns se faça à custa de todos, com o beneplácito do Estado e dos políticos, que persistem em manter para si próprios um regime especial e obscuro, aparentemente modesto e frugal, na realidade cheio de financiamentos escondidos e favores largamente compensados no seu retorno à vida civil. Portugal está cheio de exemplos desses e os últimos meses e semanas só o comprovam.
DISCURSO – Inesperado, inesperado é ver Cavaco Silva a apelar ao inconformismo dos jovens e a desafiá-los a assumir um envolvimento mais activo na vida política. Mais uma vez os discursos do Presidente da República são de uma precisão cirúrgica. São certeiras as suas palavras sobre a ritualização das celebrações do 25 de Abril, quando na prática a nossa sociedade vive num ambiente de condicionamento de liberdade de expressão e de concentração de poderes em matéria de informações e forças de segurança. Dá que pensar, não é?
TÚNEL – Prefiro nem comentar o encerramento do Túnel do Marquês dois dias depois de ser inaugurado. São actos destes que tornam o poder ridículo.
VER – «Eu Explico» é o título de uma exposição de Pedro Portugal, que até 26 de Maio estará na Galeria Fernando Santos, em Lisboa, Rua de São Paulo 98. A exposição está aberta de terça a sábado entre as 13h e as 19h30 e o convite mostrava uma obra de Pedro Portugal onde o artista provocatoriamente escreveu «eu sou uma pintura e faço pinturas. Vejam:”.
OUVIR – Após mais de 30 anos de actividade o Kronos Quartet, uma formação de cordas nova iorquina que desde 1973 trabalha com compositores de referência do século XX (como Bártok), contemporâneos (como Arvo Part), ou de jazz (como Ornette Coleman), tendo mais de 40 discos gravados. A mais recente gravação do grupo é baseada num recente trabalho do compositor polaco Henryk Górecki, mais precisamente no seu Quarteto de Cordas nº3, «…songs are sung». É uma novidade este encontro entre um dos mais aclamados compositores contemporâneos e o Kronos Quartet, e o resultado é um disco perfeito. O site do grupo refere que dia 23 de Maio o Kronos actuará em Portalegre, na digressão europeia que acompanha o lançamento deste CD. Até apetece lá ir.(CD Nonesuch).
COMER – Os dias feriados em Lisboa podem ser terríveis quando se procura um restaurante perto do rio onde simultaneamente não haja demasiada gente e a comidinha seja razoável. Uma boa ideia alternativa aos peixes grelhados do costume é ir ao Clube Naval de Lisboa, junto à doca de Belém, e testar o restaurante que lá funciona, o Barra do Quanza, que se dedica à comida de inspiração angolana e brasileira. A opção foi Casca de Siri seguida de Moqueca de Camarão, acompanhado por imperiais de um lado e caipiroshkas do outro. Foi um belo princípio de tarde de 25 de Abril. Serviço simpático, preço razoável, boas fotos de Angola na parede. Barra do Quanza, Clube Naval de Lisboa, tel. 213 620 697.
BACK TO BASICS – Nada perdura tanto como a mudança, Heraclitus.
DISCURSO – Inesperado, inesperado é ver Cavaco Silva a apelar ao inconformismo dos jovens e a desafiá-los a assumir um envolvimento mais activo na vida política. Mais uma vez os discursos do Presidente da República são de uma precisão cirúrgica. São certeiras as suas palavras sobre a ritualização das celebrações do 25 de Abril, quando na prática a nossa sociedade vive num ambiente de condicionamento de liberdade de expressão e de concentração de poderes em matéria de informações e forças de segurança. Dá que pensar, não é?
TÚNEL – Prefiro nem comentar o encerramento do Túnel do Marquês dois dias depois de ser inaugurado. São actos destes que tornam o poder ridículo.
VER – «Eu Explico» é o título de uma exposição de Pedro Portugal, que até 26 de Maio estará na Galeria Fernando Santos, em Lisboa, Rua de São Paulo 98. A exposição está aberta de terça a sábado entre as 13h e as 19h30 e o convite mostrava uma obra de Pedro Portugal onde o artista provocatoriamente escreveu «eu sou uma pintura e faço pinturas. Vejam:”.
OUVIR – Após mais de 30 anos de actividade o Kronos Quartet, uma formação de cordas nova iorquina que desde 1973 trabalha com compositores de referência do século XX (como Bártok), contemporâneos (como Arvo Part), ou de jazz (como Ornette Coleman), tendo mais de 40 discos gravados. A mais recente gravação do grupo é baseada num recente trabalho do compositor polaco Henryk Górecki, mais precisamente no seu Quarteto de Cordas nº3, «…songs are sung». É uma novidade este encontro entre um dos mais aclamados compositores contemporâneos e o Kronos Quartet, e o resultado é um disco perfeito. O site do grupo refere que dia 23 de Maio o Kronos actuará em Portalegre, na digressão europeia que acompanha o lançamento deste CD. Até apetece lá ir.(CD Nonesuch).
COMER – Os dias feriados em Lisboa podem ser terríveis quando se procura um restaurante perto do rio onde simultaneamente não haja demasiada gente e a comidinha seja razoável. Uma boa ideia alternativa aos peixes grelhados do costume é ir ao Clube Naval de Lisboa, junto à doca de Belém, e testar o restaurante que lá funciona, o Barra do Quanza, que se dedica à comida de inspiração angolana e brasileira. A opção foi Casca de Siri seguida de Moqueca de Camarão, acompanhado por imperiais de um lado e caipiroshkas do outro. Foi um belo princípio de tarde de 25 de Abril. Serviço simpático, preço razoável, boas fotos de Angola na parede. Barra do Quanza, Clube Naval de Lisboa, tel. 213 620 697.
BACK TO BASICS – Nada perdura tanto como a mudança, Heraclitus.
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CORRUPÇÃO – Um dos truques que a política tem para liquidar um assunto é apresentar alguma coisa que se pareça com uma iniciativa; assim, o assunto é falado, o respectivo responsável faz um discurso, e espera-se que as pessoas achem que o tema ficou arrumado. Quando João Cravinho apresentou um pacote anti-corrupção e quando o Presidente da República abordou o tema, aquilo que os (bem) preocupava não era a corruptela na multa de trânsito ou numa repartição pública para acelerar o andamento de um processo. As corruptelas são obviamente péssimas e os cidadãos têm boas razões para desesperar de polícias que perseguem a multa, em vez de fazerem prevenção ou de um Estado que é desesperadamente lento. Alberto Costa, um Ministro da Justiça que ficará recordado pelas más razões, lançou um programa anti-corruptela, com o objectivo de evitar o pacote anti-corrupção – esta é a verdade. A corrupção que interessa combater, por exemplo, é a que faz com que decisões de grandes obras públicas sejam tomadas por razões pouco claras, é a que faz com que surjam enriquecimentos rápidos por essas decisões beneficiarem algumas pessoas; a corrupção que interessa combater é a que faz com que a fortuna de alguns se faça à custa de todos, com o beneplácito do Estado e dos políticos, que persistem em manter para si próprios um regime especial e obscuro, aparentemente modesto e frugal, na realidade cheio de financiamentos escondidos e favores largamente compensados no seu retorno à vida civil. Portugal está cheio de exemplos desses e os últimos meses e semanas só o comprovam.
DISCURSO – Inesperado, inesperado é ver Cavaco Silva a apelar ao inconformismo dos jovens e a desafiá-los a assumir um envolvimento mais activo na vida política. Mais uma vez os discursos do Presidente da República são de uma precisão cirúrgica. São certeiras as suas palavras sobre a ritualização das celebrações do 25 de Abril, quando na prática a nossa sociedade vive num ambiente de condicionamento de liberdade de expressão e de concentração de poderes em matéria de informações e forças de segurança. Dá que pensar, não é?
TÚNEL – Prefiro nem comentar o encerramento do Túnel do Marquês dois dias depois de ser inaugurado. São actos destes que tornam o poder ridículo.
VER – «Eu Explico» é o título de uma exposição de Pedro Portugal, que até 26 de Maio estará na Galeria Fernando Santos, em Lisboa, Rua de São Paulo 98. A exposição está aberta de terça a sábado entre as 13h e as 19h30 e o convite mostrava uma obra de Pedro Portugal onde o artista provocatoriamente escreveu «eu sou uma pintura e faço pinturas. Vejam:”.
OUVIR – Após mais de 30 anos de actividade o Kronos Quartet, uma formação de cordas nova iorquina que desde 1973 trabalha com compositores de referência do século XX (como Bártok), contemporâneos (como Arvo Part), ou de jazz (como Ornette Coleman), tendo mais de 40 discos gravados. A mais recente gravação do grupo é baseada num recente trabalho do compositor polaco Henryk Górecki, mais precisamente no seu Quarteto de Cordas nº3, «…songs are sung». É uma novidade este encontro entre um dos mais aclamados compositores contemporâneos e o Kronos Quartet, e o resultado é um disco perfeito. O site do grupo refere que dia 23 de Maio o Kronos actuará em Portalegre, na digressão europeia que acompanha o lançamento deste CD. Até apetece lá ir.(CD Nonesuch).
COMER – Os dias feriados em Lisboa podem ser terríveis quando se procura um restaurante perto do rio onde simultaneamente não haja demasiada gente e a comidinha seja razoável. Uma boa ideia alternativa aos peixes grelhados do costume é ir ao Clube Naval de Lisboa, junto à doca de Belém, e testar o restaurante que lá funciona, o Barra do Quanza, que se dedica à comida de inspiração angolana e brasileira. A opção foi Casca de Siri seguida de Moqueca de Camarão, acompanhado por imperiais de um lado e caipiroshkas do outro. Foi um belo princípio de tarde de 25 de Abril. Serviço simpático, preço razoável, boas fotos de Angola na parede. Barra do Quanza, Clube Naval de Lisboa, tel. 213 620 697.
BACK TO BASICS – Nada perdura tanto como a mudança, Heraclitus.
DISCURSO – Inesperado, inesperado é ver Cavaco Silva a apelar ao inconformismo dos jovens e a desafiá-los a assumir um envolvimento mais activo na vida política. Mais uma vez os discursos do Presidente da República são de uma precisão cirúrgica. São certeiras as suas palavras sobre a ritualização das celebrações do 25 de Abril, quando na prática a nossa sociedade vive num ambiente de condicionamento de liberdade de expressão e de concentração de poderes em matéria de informações e forças de segurança. Dá que pensar, não é?
TÚNEL – Prefiro nem comentar o encerramento do Túnel do Marquês dois dias depois de ser inaugurado. São actos destes que tornam o poder ridículo.
VER – «Eu Explico» é o título de uma exposição de Pedro Portugal, que até 26 de Maio estará na Galeria Fernando Santos, em Lisboa, Rua de São Paulo 98. A exposição está aberta de terça a sábado entre as 13h e as 19h30 e o convite mostrava uma obra de Pedro Portugal onde o artista provocatoriamente escreveu «eu sou uma pintura e faço pinturas. Vejam:”.
OUVIR – Após mais de 30 anos de actividade o Kronos Quartet, uma formação de cordas nova iorquina que desde 1973 trabalha com compositores de referência do século XX (como Bártok), contemporâneos (como Arvo Part), ou de jazz (como Ornette Coleman), tendo mais de 40 discos gravados. A mais recente gravação do grupo é baseada num recente trabalho do compositor polaco Henryk Górecki, mais precisamente no seu Quarteto de Cordas nº3, «…songs are sung». É uma novidade este encontro entre um dos mais aclamados compositores contemporâneos e o Kronos Quartet, e o resultado é um disco perfeito. O site do grupo refere que dia 23 de Maio o Kronos actuará em Portalegre, na digressão europeia que acompanha o lançamento deste CD. Até apetece lá ir.(CD Nonesuch).
COMER – Os dias feriados em Lisboa podem ser terríveis quando se procura um restaurante perto do rio onde simultaneamente não haja demasiada gente e a comidinha seja razoável. Uma boa ideia alternativa aos peixes grelhados do costume é ir ao Clube Naval de Lisboa, junto à doca de Belém, e testar o restaurante que lá funciona, o Barra do Quanza, que se dedica à comida de inspiração angolana e brasileira. A opção foi Casca de Siri seguida de Moqueca de Camarão, acompanhado por imperiais de um lado e caipiroshkas do outro. Foi um belo princípio de tarde de 25 de Abril. Serviço simpático, preço razoável, boas fotos de Angola na parede. Barra do Quanza, Clube Naval de Lisboa, tel. 213 620 697.
BACK TO BASICS – Nada perdura tanto como a mudança, Heraclitus.
abril 20, 2007
CIDADE - Desde há cerca de dois meses estou a trabalhar nas Avenidas Novas. Para mim esta era sempre uma zona de passagem, e na realidade é dos locais de Lisboa mais bem pensados no passado e mais maltratados no presente. Superfície plana que convida a andar, muitas árvores (há mesmo uma rua inteira com arvoredo, a Conde Valbom), muito comércio local, muitos restaurantes, desde comida vegetariana até especialidades bem portuguesas, a oferta é variada e imensa. Alguma alma peregrina teve aqui há uns anos a ideia de transformar parte das Avenidas Novas em pistas de sentido único, nomeadamente na Marquês de Tomar e na Miguel Bombarda – as quatro faixas pretendidas estão frequentemente reduzidas a uma ou duas por causa dos estacionamentos, descargas e obras. Mas o pior de tudo, o que constitui mesmo um atentado, é a forma como o Metropolitano de Lisboa foi autorizado a fazer obras e a colocar estaleiros na extensão da linha encarnada, que desventrou a Duque de Ávila, a transformou no cenário de um bombardeamento e encravou irremediavelmente a zona da Marquês da Fronteira, no cruzamento com a António Augusto de Aguiar. As obras estão já atrasadas, prazos iniciais excedidos, um inexplicável estaleiro autorizado em pleno cruzamento – as responsabilidades conjuntas do Metropolitano (que é dono da obra) e da CML (que autorizou os estaleiros) são totais neste atentado aos lisboetas. Um atentado continuado, arrogante, sobre o qual, pelos vistos, ninguém é responsabilizado – se a Câmara funcionasse já tinha obrigado o Metropolitano a diminuir as consequências do problema. Simplesmente lamentável.
SEMANA – Continuam as divergências entre o Gabinete do Primeiro Ministro e factos e documentos relacionados com o processo da sua licenciatura…percebe-se agora que aqui há uns anos a Universidade Independente criou um autêntico nicho de mercado, facilitando canudos a políticos activos e figuras públicas em busca de um grau académico…se isto tudo acontecesse há dois anos, não havia de faltar quem dissesse que o Primeiro Ministro se havia enrolado em mais uma trapalhice…nesta história toda o que mais espanta é a falta de ética – de quem se dispôs a obter canudos facilitados, de quem se dispôs a fornecê-los até com exames privados em casa, e de quem quis esconder todo o processo, todos os arranjinhos, toda a fábrica de ilusões montada e encenada.
OUVIR – Nada como o piano para descansar de todo o ruído criado pelo caso da Universidade Independente. Para estes dias de brasa sugiro uma edição recente, gravações ao vivo, em recital, inéditas, de Alfred Brendel, seleccionadas pelo próprio pianista a partir de uma vasta série de gravações da BBC. Brendel considera que aqui estão, do ponto de vista da interpretação, execuções de referência das Variações Diabelli, de Beethoven, da «Grande Polonaise» de Chopin e das «Variations Sérieuses de Mendhelssohn. «Alfred Brendel, Unpublished Live And Rádio Performances 1968-2001», CD duplo Philips, distribuição Universal Music.
VER – Um site delicioso, basicamente sobre ideias invulgares de design, chamado Digital Drops e que, graças a indicação de um bom amigo, localizei em http://www.digitaldrops.com.br/drops/design/ . Desde estantes com sofás incorporados até novidades em gadgets ou equipamento electrónico variado, tudo se pode aqui encontrar.
COMER – O Pateo Bagatela aloja alguns bons restaurantes, é um sítio simpático para um almoço, a escolha é múltipla, o estacionamento no parque é fácil. Uma proposta relativamente recente é a de um novo restaurante italiano, o «Migari», com aquele conceito italiano muito importado do Brasil. Boa base de matéria prima, confecção cuidada, sabores bem equilibrados, uma tradição italiana mais fiel do que aquela que durante alguns anos dominou em Portugal. Serviço atencioso, mesas amplas, espaço interior simpático, garrafeira razoável, preços a condizer. Ristorante Magari, Pateo Bagatela loja K, tel. 21 383 22 46.
BACK TO BASICS – Assegurem-se que têm os factos na mão e depois distorçam-nos como vos der mais jeito – Mark Twain.
SEMANA – Continuam as divergências entre o Gabinete do Primeiro Ministro e factos e documentos relacionados com o processo da sua licenciatura…percebe-se agora que aqui há uns anos a Universidade Independente criou um autêntico nicho de mercado, facilitando canudos a políticos activos e figuras públicas em busca de um grau académico…se isto tudo acontecesse há dois anos, não havia de faltar quem dissesse que o Primeiro Ministro se havia enrolado em mais uma trapalhice…nesta história toda o que mais espanta é a falta de ética – de quem se dispôs a obter canudos facilitados, de quem se dispôs a fornecê-los até com exames privados em casa, e de quem quis esconder todo o processo, todos os arranjinhos, toda a fábrica de ilusões montada e encenada.
OUVIR – Nada como o piano para descansar de todo o ruído criado pelo caso da Universidade Independente. Para estes dias de brasa sugiro uma edição recente, gravações ao vivo, em recital, inéditas, de Alfred Brendel, seleccionadas pelo próprio pianista a partir de uma vasta série de gravações da BBC. Brendel considera que aqui estão, do ponto de vista da interpretação, execuções de referência das Variações Diabelli, de Beethoven, da «Grande Polonaise» de Chopin e das «Variations Sérieuses de Mendhelssohn. «Alfred Brendel, Unpublished Live And Rádio Performances 1968-2001», CD duplo Philips, distribuição Universal Music.
VER – Um site delicioso, basicamente sobre ideias invulgares de design, chamado Digital Drops e que, graças a indicação de um bom amigo, localizei em http://www.digitaldrops.com.br/drops/design/ . Desde estantes com sofás incorporados até novidades em gadgets ou equipamento electrónico variado, tudo se pode aqui encontrar.
COMER – O Pateo Bagatela aloja alguns bons restaurantes, é um sítio simpático para um almoço, a escolha é múltipla, o estacionamento no parque é fácil. Uma proposta relativamente recente é a de um novo restaurante italiano, o «Migari», com aquele conceito italiano muito importado do Brasil. Boa base de matéria prima, confecção cuidada, sabores bem equilibrados, uma tradição italiana mais fiel do que aquela que durante alguns anos dominou em Portugal. Serviço atencioso, mesas amplas, espaço interior simpático, garrafeira razoável, preços a condizer. Ristorante Magari, Pateo Bagatela loja K, tel. 21 383 22 46.
BACK TO BASICS – Assegurem-se que têm os factos na mão e depois distorçam-nos como vos der mais jeito – Mark Twain.
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CIDADE - Desde há cerca de dois meses estou a trabalhar nas Avenidas Novas. Para mim esta era sempre uma zona de passagem, e na realidade é dos locais de Lisboa mais bem pensados no passado e mais maltratados no presente. Superfície plana que convida a andar, muitas árvores (há mesmo uma rua inteira com arvoredo, a Conde Valbom), muito comércio local, muitos restaurantes, desde comida vegetariana até especialidades bem portuguesas, a oferta é variada e imensa. Alguma alma peregrina teve aqui há uns anos a ideia de transformar parte das Avenidas Novas em pistas de sentido único, nomeadamente na Marquês de Tomar e na Miguel Bombarda – as quatro faixas pretendidas estão frequentemente reduzidas a uma ou duas por causa dos estacionamentos, descargas e obras. Mas o pior de tudo, o que constitui mesmo um atentado, é a forma como o Metropolitano de Lisboa foi autorizado a fazer obras e a colocar estaleiros na extensão da linha encarnada, que desventrou a Duque de Ávila, a transformou no cenário de um bombardeamento e encravou irremediavelmente a zona da Marquês da Fronteira, no cruzamento com a António Augusto de Aguiar. As obras estão já atrasadas, prazos iniciais excedidos, um inexplicável estaleiro autorizado em pleno cruzamento – as responsabilidades conjuntas do Metropolitano (que é dono da obra) e da CML (que autorizou os estaleiros) são totais neste atentado aos lisboetas. Um atentado continuado, arrogante, sobre o qual, pelos vistos, ninguém é responsabilizado – se a Câmara funcionasse já tinha obrigado o Metropolitano a diminuir as consequências do problema. Simplesmente lamentável.
SEMANA – Continuam as divergências entre o Gabinete do Primeiro Ministro e factos e documentos relacionados com o processo da sua licenciatura…percebe-se agora que aqui há uns anos a Universidade Independente criou um autêntico nicho de mercado, facilitando canudos a políticos activos e figuras públicas em busca de um grau académico…se isto tudo acontecesse há dois anos, não havia de faltar quem dissesse que o Primeiro Ministro se havia enrolado em mais uma trapalhice…nesta história toda o que mais espanta é a falta de ética – de quem se dispôs a obter canudos facilitados, de quem se dispôs a fornecê-los até com exames privados em casa, e de quem quis esconder todo o processo, todos os arranjinhos, toda a fábrica de ilusões montada e encenada.
OUVIR – Nada como o piano para descansar de todo o ruído criado pelo caso da Universidade Independente. Para estes dias de brasa sugiro uma edição recente, gravações ao vivo, em recital, inéditas, de Alfred Brendel, seleccionadas pelo próprio pianista a partir de uma vasta série de gravações da BBC. Brendel considera que aqui estão, do ponto de vista da interpretação, execuções de referência das Variações Diabelli, de Beethoven, da «Grande Polonaise» de Chopin e das «Variations Sérieuses de Mendhelssohn. «Alfred Brendel, Unpublished Live And Rádio Performances 1968-2001», CD duplo Philips, distribuição Universal Music.
VER – Um site delicioso, basicamente sobre ideias invulgares de design, chamado Digital Drops e que, graças a indicação de um bom amigo, localizei em http://www.digitaldrops.com.br/drops/design/ . Desde estantes com sofás incorporados até novidades em gadgets ou equipamento electrónico variado, tudo se pode aqui encontrar.
COMER – O Pateo Bagatela aloja alguns bons restaurantes, é um sítio simpático para um almoço, a escolha é múltipla, o estacionamento no parque é fácil. Uma proposta relativamente recente é a de um novo restaurante italiano, o «Migari», com aquele conceito italiano muito importado do Brasil. Boa base de matéria prima, confecção cuidada, sabores bem equilibrados, uma tradição italiana mais fiel do que aquela que durante alguns anos dominou em Portugal. Serviço atencioso, mesas amplas, espaço interior simpático, garrafeira razoável, preços a condizer. Ristorante Magari, Pateo Bagatela loja K, tel. 21 383 22 46.
BACK TO BASICS – Assegurem-se que têm os factos na mão e depois distorçam-nos como vos der mais jeito – Mark Twain.
SEMANA – Continuam as divergências entre o Gabinete do Primeiro Ministro e factos e documentos relacionados com o processo da sua licenciatura…percebe-se agora que aqui há uns anos a Universidade Independente criou um autêntico nicho de mercado, facilitando canudos a políticos activos e figuras públicas em busca de um grau académico…se isto tudo acontecesse há dois anos, não havia de faltar quem dissesse que o Primeiro Ministro se havia enrolado em mais uma trapalhice…nesta história toda o que mais espanta é a falta de ética – de quem se dispôs a obter canudos facilitados, de quem se dispôs a fornecê-los até com exames privados em casa, e de quem quis esconder todo o processo, todos os arranjinhos, toda a fábrica de ilusões montada e encenada.
OUVIR – Nada como o piano para descansar de todo o ruído criado pelo caso da Universidade Independente. Para estes dias de brasa sugiro uma edição recente, gravações ao vivo, em recital, inéditas, de Alfred Brendel, seleccionadas pelo próprio pianista a partir de uma vasta série de gravações da BBC. Brendel considera que aqui estão, do ponto de vista da interpretação, execuções de referência das Variações Diabelli, de Beethoven, da «Grande Polonaise» de Chopin e das «Variations Sérieuses de Mendhelssohn. «Alfred Brendel, Unpublished Live And Rádio Performances 1968-2001», CD duplo Philips, distribuição Universal Music.
VER – Um site delicioso, basicamente sobre ideias invulgares de design, chamado Digital Drops e que, graças a indicação de um bom amigo, localizei em http://www.digitaldrops.com.br/drops/de
COMER – O Pateo Bagatela aloja alguns bons restaurantes, é um sítio simpático para um almoço, a escolha é múltipla, o estacionamento no parque é fácil. Uma proposta relativamente recente é a de um novo restaurante italiano, o «Migari», com aquele conceito italiano muito importado do Brasil. Boa base de matéria prima, confecção cuidada, sabores bem equilibrados, uma tradição italiana mais fiel do que aquela que durante alguns anos dominou em Portugal. Serviço atencioso, mesas amplas, espaço interior simpático, garrafeira razoável, preços a condizer. Ristorante Magari, Pateo Bagatela loja K, tel. 21 383 22 46.
BACK TO BASICS – Assegurem-se que têm os factos na mão e depois distorçam-nos como vos der mais jeito – Mark Twain.
abril 16, 2007
SEMANA – José Sócrates fez duas declarações diferentes à Assembleia da República sobre as suas habilitações em 13 de Fevereiro de 1992 … Regista-se que, para esclarecer a trapalhada criada, o Primeiro Ministro escolheu um registo de «Conversa Em Família» na RTP a uma sessão parlamentar com transmissão em directo…O Supremo Tribunal de Justiça considerou que publicar uma notícia verdadeira é acto que merece castigo… Se a moda pega os jornais que investigaram as trapalhadas à volta do percurso académico de Sócrates vão ser todos punidos… Se calhar é isso que os juízes do Supremo pretendem…
EXPERIÊNCIAS – O novo site da revista «Wired» (www.wired.com ) , um exemplo para o que pode ser a evolução gráfica na relação entre o papel e o digital…Constatando que os museus do Reino Unido tinham falhado completamente na aquisição de obras de arte contemporânea no século XX, a estrutura independente Art Fund lançou um ambicioso projecto que aplicará cinco milhões de libras em novas aquisições, garantindo que gerações futuras possam ter nos museus britânicos uma selecção do que de mais inovador se produz no mundo inteiro e não apenas localmente – o site do Art Fund tem muitos motivos de interesse e está em www.artfund.org... Para quem gosta de fotografia o site da agência portuguesa Kamera Photo tem uma boa escolha, quer em termos de trabalhos recentes, quer de trabalhos em arquivo – www.kameraphoto.com
AGENDA – Aqui há uns anos a Câmara Municipal de Lisboa começou a editar a «Agenda Lx», uma publicação mensal que elaborava um roteiro do que a cidade tinha para oferecer, desde a cultura a restaurantes, bares, ou sugestões sobre actividades diversas. O grafismo e boa parte dos conteúdos da publicação foram feitos pelo atelier de Jorge Silva, que criou um objecto com a sua marca bem própria, elogiado em diversas ocasiões. Sabe-se agora que a CML deve à Silva!Designers dez meses de produção da revista, o que torna inviável que ela continue a ser feita nos mesmos moldes. Confrontado com a situação o Director Municipal de Cultura Rui Pereira, afirmou aos jornais que a saída de Jorge Silva do projecto pode proporcionar «uma mudança para melhor». Em qualquer lugar os burocratas serão sempre o mesmo: liquidatários de tudo o que se distinga pela diferença e qualidade.
REGISTO – Em cinco anos e meio a Apple vendeu cem milhões dos diversos modelos de iPod, cuja comercialização começou em Novembro de 2001. Hoje em dia a iTunes Store aloja mais de cinco milhões de canções, 350 programas de televisão e mais de 400 filmes, tendo vendido 2,5 mil milhões de downloads de canções, 50 milhões de programas de televisão e 1,3 milhões de filmes. Não foi só a maneira de ouvir e ver que o iPod e Steve Jobs mudaram – o principal reflexo foi na forma de distribuição da indústria do entretenimento, que conseguiu encontrar uma forma de rentabilizar os seus activos no mundo digital.
OUVIR – Uma gravação histórica de jazz, efectuada em três sessões diferentes, entre1961 e 1962 nos estúdios Van Gelder, com John Coltrane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Na mesma época em que Coltrane se fazia notar pela sua ousadia e intensidade na exploração de novos caminhos para o jazz, este disco dá-nos um registo mais suave, em torno de baladas muito bluesy, irremediavelmente cativantes. «Ballads», CD Impulse Classics, distribuição Universal Music.
LER – A edição de Março da revista «Egoísta» é dedicada à escrita, com a curiosidade de ter nas imagens, nas fotografias, os seus pontos altos. Destaque para os pessoalíssimos retratos que Daniel Mordzinski fez de ums série de grandes escritores, como Manuel Vázquez Montalban, Zoe Valdês, Enrique Vila-Matas, Agustina Bessa-Luís ou Luís Sepúlveda. Outro grande portfolio sobre escritores vem assinado por Alfredo Cunha e aí destaco dois intensos retratos, de Eugénio de Andrade e de David Mourão Ferreira. E finalmente destaque ainda para um provocador ensaio fotográfico sobre as palavras escritas na noite das cidades, assinado por João Vilhena e outro, belíssimo, sobre locais do livro e da palavra, por Candida Hofer. O menos interessante é uma banal entrevista com José Saramago feita pela previsível Ana Sousa Dias. Os melhores textos são de Hugo Gonçalves e Pedro Mexia.
BACK TO BASICS – Amem a verdade e perdoem o erro, Voltaire.
EXPERIÊNCIAS – O novo site da revista «Wired» (www.wired.com ) , um exemplo para o que pode ser a evolução gráfica na relação entre o papel e o digital…Constatando que os museus do Reino Unido tinham falhado completamente na aquisição de obras de arte contemporânea no século XX, a estrutura independente Art Fund lançou um ambicioso projecto que aplicará cinco milhões de libras em novas aquisições, garantindo que gerações futuras possam ter nos museus britânicos uma selecção do que de mais inovador se produz no mundo inteiro e não apenas localmente – o site do Art Fund tem muitos motivos de interesse e está em www.artfund.org... Para quem gosta de fotografia o site da agência portuguesa Kamera Photo tem uma boa escolha, quer em termos de trabalhos recentes, quer de trabalhos em arquivo – www.kameraphoto.com
AGENDA – Aqui há uns anos a Câmara Municipal de Lisboa começou a editar a «Agenda Lx», uma publicação mensal que elaborava um roteiro do que a cidade tinha para oferecer, desde a cultura a restaurantes, bares, ou sugestões sobre actividades diversas. O grafismo e boa parte dos conteúdos da publicação foram feitos pelo atelier de Jorge Silva, que criou um objecto com a sua marca bem própria, elogiado em diversas ocasiões. Sabe-se agora que a CML deve à Silva!Designers dez meses de produção da revista, o que torna inviável que ela continue a ser feita nos mesmos moldes. Confrontado com a situação o Director Municipal de Cultura Rui Pereira, afirmou aos jornais que a saída de Jorge Silva do projecto pode proporcionar «uma mudança para melhor». Em qualquer lugar os burocratas serão sempre o mesmo: liquidatários de tudo o que se distinga pela diferença e qualidade.
REGISTO – Em cinco anos e meio a Apple vendeu cem milhões dos diversos modelos de iPod, cuja comercialização começou em Novembro de 2001. Hoje em dia a iTunes Store aloja mais de cinco milhões de canções, 350 programas de televisão e mais de 400 filmes, tendo vendido 2,5 mil milhões de downloads de canções, 50 milhões de programas de televisão e 1,3 milhões de filmes. Não foi só a maneira de ouvir e ver que o iPod e Steve Jobs mudaram – o principal reflexo foi na forma de distribuição da indústria do entretenimento, que conseguiu encontrar uma forma de rentabilizar os seus activos no mundo digital.
OUVIR – Uma gravação histórica de jazz, efectuada em três sessões diferentes, entre1961 e 1962 nos estúdios Van Gelder, com John Coltrane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Na mesma época em que Coltrane se fazia notar pela sua ousadia e intensidade na exploração de novos caminhos para o jazz, este disco dá-nos um registo mais suave, em torno de baladas muito bluesy, irremediavelmente cativantes. «Ballads», CD Impulse Classics, distribuição Universal Music.
LER – A edição de Março da revista «Egoísta» é dedicada à escrita, com a curiosidade de ter nas imagens, nas fotografias, os seus pontos altos. Destaque para os pessoalíssimos retratos que Daniel Mordzinski fez de ums série de grandes escritores, como Manuel Vázquez Montalban, Zoe Valdês, Enrique Vila-Matas, Agustina Bessa-Luís ou Luís Sepúlveda. Outro grande portfolio sobre escritores vem assinado por Alfredo Cunha e aí destaco dois intensos retratos, de Eugénio de Andrade e de David Mourão Ferreira. E finalmente destaque ainda para um provocador ensaio fotográfico sobre as palavras escritas na noite das cidades, assinado por João Vilhena e outro, belíssimo, sobre locais do livro e da palavra, por Candida Hofer. O menos interessante é uma banal entrevista com José Saramago feita pela previsível Ana Sousa Dias. Os melhores textos são de Hugo Gonçalves e Pedro Mexia.
BACK TO BASICS – Amem a verdade e perdoem o erro, Voltaire.
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SEMANA – José Sócrates fez duas declarações diferentes à Assembleia da República sobre as suas habilitações em 13 de Fevereiro de 1992 … Regista-se que, para esclarecer a trapalhada criada, o Primeiro Ministro escolheu um registo de «Conversa Em Família» na RTP a uma sessão parlamentar com transmissão em directo…O Supremo Tribunal de Justiça considerou que publicar uma notícia verdadeira é acto que merece castigo… Se a moda pega os jornais que investigaram as trapalhadas à volta do percurso académico de Sócrates vão ser todos punidos… Se calhar é isso que os juízes do Supremo pretendem…
EXPERIÊNCIAS – O novo site da revista «Wired» (www.wired.com ) , um exemplo para o que pode ser a evolução gráfica na relação entre o papel e o digital…Constatando que os museus do Reino Unido tinham falhado completamente na aquisição de obras de arte contemporânea no século XX, a estrutura independente Art Fund lançou um ambicioso projecto que aplicará cinco milhões de libras em novas aquisições, garantindo que gerações futuras possam ter nos museus britânicos uma selecção do que de mais inovador se produz no mundo inteiro e não apenas localmente – o site do Art Fund tem muitos motivos de interesse e está em www.artfund.org... Para quem gosta de fotografia o site da agência portuguesa Kamera Photo tem uma boa escolha, quer em termos de trabalhos recentes, quer de trabalhos em arquivo – www.kameraphoto.com
AGENDA – Aqui há uns anos a Câmara Municipal de Lisboa começou a editar a «Agenda Lx», uma publicação mensal que elaborava um roteiro do que a cidade tinha para oferecer, desde a cultura a restaurantes, bares, ou sugestões sobre actividades diversas. O grafismo e boa parte dos conteúdos da publicação foram feitos pelo atelier de Jorge Silva, que criou um objecto com a sua marca bem própria, elogiado em diversas ocasiões. Sabe-se agora que a CML deve à Silva!Designers dez meses de produção da revista, o que torna inviável que ela continue a ser feita nos mesmos moldes. Confrontado com a situação o Director Municipal de Cultura Rui Pereira, afirmou aos jornais que a saída de Jorge Silva do projecto pode proporcionar «uma mudança para melhor». Em qualquer lugar os burocratas serão sempre o mesmo: liquidatários de tudo o que se distinga pela diferença e qualidade.
REGISTO – Em cinco anos e meio a Apple vendeu cem milhões dos diversos modelos de iPod, cuja comercialização começou em Novembro de 2001. Hoje em dia a iTunes Store aloja mais de cinco milhões de canções, 350 programas de televisão e mais de 400 filmes, tendo vendido 2,5 mil milhões de downloads de canções, 50 milhões de programas de televisão e 1,3 milhões de filmes. Não foi só a maneira de ouvir e ver que o iPod e Steve Jobs mudaram – o principal reflexo foi na forma de distribuição da indústria do entretenimento, que conseguiu encontrar uma forma de rentabilizar os seus activos no mundo digital.
OUVIR – Uma gravação histórica de jazz, efectuada em três sessões diferentes, entre1961 e 1962 nos estúdios Van Gelder, com John Coltrane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Na mesma época em que Coltrane se fazia notar pela sua ousadia e intensidade na exploração de novos caminhos para o jazz, este disco dá-nos um registo mais suave, em torno de baladas muito bluesy, irremediavelmente cativantes. «Ballads», CD Impulse Classics, distribuição Universal Music.
LER – A edição de Março da revista «Egoísta» é dedicada à escrita, com a curiosidade de ter nas imagens, nas fotografias, os seus pontos altos. Destaque para os pessoalíssimos retratos que Daniel Mordzinski fez de ums série de grandes escritores, como Manuel Vázquez Montalban, Zoe Valdês, Enrique Vila-Matas, Agustina Bessa-Luís ou Luís Sepúlveda. Outro grande portfolio sobre escritores vem assinado por Alfredo Cunha e aí destaco dois intensos retratos, de Eugénio de Andrade e de David Mourão Ferreira. E finalmente destaque ainda para um provocador ensaio fotográfico sobre as palavras escritas na noite das cidades, assinado por João Vilhena e outro, belíssimo, sobre locais do livro e da palavra, por Candida Hofer. O menos interessante é uma banal entrevista com José Saramago feita pela previsível Ana Sousa Dias. Os melhores textos são de Hugo Gonçalves e Pedro Mexia.
BACK TO BASICS – Amem a verdade e perdoem o erro, Voltaire.
EXPERIÊNCIAS – O novo site da revista «Wired» (www.wired.com ) , um exemplo para o que pode ser a evolução gráfica na relação entre o papel e o digital…Constatando que os museus do Reino Unido tinham falhado completamente na aquisição de obras de arte contemporânea no século XX, a estrutura independente Art Fund lançou um ambicioso projecto que aplicará cinco milhões de libras em novas aquisições, garantindo que gerações futuras possam ter nos museus britânicos uma selecção do que de mais inovador se produz no mundo inteiro e não apenas localmente – o site do Art Fund tem muitos motivos de interesse e está em www.artfund.org... Para quem gosta de fotografia o site da agência portuguesa Kamera Photo tem uma boa escolha, quer em termos de trabalhos recentes, quer de trabalhos em arquivo – www.kameraphoto.com
AGENDA – Aqui há uns anos a Câmara Municipal de Lisboa começou a editar a «Agenda Lx», uma publicação mensal que elaborava um roteiro do que a cidade tinha para oferecer, desde a cultura a restaurantes, bares, ou sugestões sobre actividades diversas. O grafismo e boa parte dos conteúdos da publicação foram feitos pelo atelier de Jorge Silva, que criou um objecto com a sua marca bem própria, elogiado em diversas ocasiões. Sabe-se agora que a CML deve à Silva!Designers dez meses de produção da revista, o que torna inviável que ela continue a ser feita nos mesmos moldes. Confrontado com a situação o Director Municipal de Cultura Rui Pereira, afirmou aos jornais que a saída de Jorge Silva do projecto pode proporcionar «uma mudança para melhor». Em qualquer lugar os burocratas serão sempre o mesmo: liquidatários de tudo o que se distinga pela diferença e qualidade.
REGISTO – Em cinco anos e meio a Apple vendeu cem milhões dos diversos modelos de iPod, cuja comercialização começou em Novembro de 2001. Hoje em dia a iTunes Store aloja mais de cinco milhões de canções, 350 programas de televisão e mais de 400 filmes, tendo vendido 2,5 mil milhões de downloads de canções, 50 milhões de programas de televisão e 1,3 milhões de filmes. Não foi só a maneira de ouvir e ver que o iPod e Steve Jobs mudaram – o principal reflexo foi na forma de distribuição da indústria do entretenimento, que conseguiu encontrar uma forma de rentabilizar os seus activos no mundo digital.
OUVIR – Uma gravação histórica de jazz, efectuada em três sessões diferentes, entre1961 e 1962 nos estúdios Van Gelder, com John Coltrane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria. Na mesma época em que Coltrane se fazia notar pela sua ousadia e intensidade na exploração de novos caminhos para o jazz, este disco dá-nos um registo mais suave, em torno de baladas muito bluesy, irremediavelmente cativantes. «Ballads», CD Impulse Classics, distribuição Universal Music.
LER – A edição de Março da revista «Egoísta» é dedicada à escrita, com a curiosidade de ter nas imagens, nas fotografias, os seus pontos altos. Destaque para os pessoalíssimos retratos que Daniel Mordzinski fez de ums série de grandes escritores, como Manuel Vázquez Montalban, Zoe Valdês, Enrique Vila-Matas, Agustina Bessa-Luís ou Luís Sepúlveda. Outro grande portfolio sobre escritores vem assinado por Alfredo Cunha e aí destaco dois intensos retratos, de Eugénio de Andrade e de David Mourão Ferreira. E finalmente destaque ainda para um provocador ensaio fotográfico sobre as palavras escritas na noite das cidades, assinado por João Vilhena e outro, belíssimo, sobre locais do livro e da palavra, por Candida Hofer. O menos interessante é uma banal entrevista com José Saramago feita pela previsível Ana Sousa Dias. Os melhores textos são de Hugo Gonçalves e Pedro Mexia.
BACK TO BASICS – Amem a verdade e perdoem o erro, Voltaire.
abril 09, 2007
A PUBLICIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO
Com as audiências dos três principais canais cada vez mais coladas, há uma questão que vale a pena voltar a colocar: até que ponto é lícito que a RTP tenha publicidade e faça concorrência aos canais privados?
A existência de publicidade na RTP é uma das mais fortes razões para que algumas das razões da existência de um serviço público de televisão, financiado pelo Estado e os cidadãos, se percam pelo meio. A questão é esta: a publicidade só é valiosa, em termos de negócio, se existirem audiências. Sem audiências ela perde o seu valor comercial. Para poder ter publicidade e ela ser rentável, qualquer estação do mundo tem que fazer concessões para captar públicos. Por isso é que o serviço público devia ser uma espécie de regulador indirecto do mercado, assegurando conteúdos complementares (e não concorrenciais…) em relação aos outros canais, fomentando o desenvolvimento da produção independente portuguesa em áreas como a ficção, o documentário, e assegurando serviços noticiosos de referência. Todos sabemos que não é isto exactamente o que acontece.
Em Portugal passa-se um fenómeno estranho: a RTP capta uma fatia do investimento publicitário em televisão, que é complementada, de forma cada vez maior, com o que recebe do Estado em termos de indemnização compensatória e dos cidadãos por via da taxa que recai sobre o consumo de electricidade. Na realidade a RTP captou 13,6% do investimento publicitário em televisão em 2006, contra 44,3% da TVI, 32,9% da SIC e 9,2% de todos os outros canais disponíveis no Cabo. É esta situação que suscita dúvidas: é aceitável que um canal de serviço público acumule as receitas comerciais ao apoio financeiro do Estado e ao dinheiro das taxas cobradas aos cidadãos?
As estações privadas que se queixam de que a RTP faz concorrência desleal têm razão – se a RTP usa os seus meios financeiros para fomentar uma programação que se destina a fazer concorrência de audiência aos privados, então o mercado fica distorcido. Se a RTP ainda por cima concorre no mercado publicitário, está a roubar espaço aos privados – e nomeadamente está a dificultar o aparecimento de um novo operador privado. A introdução próxima da Televisão Digital terrestre vai voltar a colocar esta discussão na ordem do dia.
Agora, uma coisa é certa: quando a RTP cresce de audiências, qualquer Governo sorri e fica tranquilo; o mesmo não se pode dizer quando quem está a subir são os operadores privados.
(Publicado na Revista Atlântico de Abril)
Com as audiências dos três principais canais cada vez mais coladas, há uma questão que vale a pena voltar a colocar: até que ponto é lícito que a RTP tenha publicidade e faça concorrência aos canais privados?
A existência de publicidade na RTP é uma das mais fortes razões para que algumas das razões da existência de um serviço público de televisão, financiado pelo Estado e os cidadãos, se percam pelo meio. A questão é esta: a publicidade só é valiosa, em termos de negócio, se existirem audiências. Sem audiências ela perde o seu valor comercial. Para poder ter publicidade e ela ser rentável, qualquer estação do mundo tem que fazer concessões para captar públicos. Por isso é que o serviço público devia ser uma espécie de regulador indirecto do mercado, assegurando conteúdos complementares (e não concorrenciais…) em relação aos outros canais, fomentando o desenvolvimento da produção independente portuguesa em áreas como a ficção, o documentário, e assegurando serviços noticiosos de referência. Todos sabemos que não é isto exactamente o que acontece.
Em Portugal passa-se um fenómeno estranho: a RTP capta uma fatia do investimento publicitário em televisão, que é complementada, de forma cada vez maior, com o que recebe do Estado em termos de indemnização compensatória e dos cidadãos por via da taxa que recai sobre o consumo de electricidade. Na realidade a RTP captou 13,6% do investimento publicitário em televisão em 2006, contra 44,3% da TVI, 32,9% da SIC e 9,2% de todos os outros canais disponíveis no Cabo. É esta situação que suscita dúvidas: é aceitável que um canal de serviço público acumule as receitas comerciais ao apoio financeiro do Estado e ao dinheiro das taxas cobradas aos cidadãos?
As estações privadas que se queixam de que a RTP faz concorrência desleal têm razão – se a RTP usa os seus meios financeiros para fomentar uma programação que se destina a fazer concorrência de audiência aos privados, então o mercado fica distorcido. Se a RTP ainda por cima concorre no mercado publicitário, está a roubar espaço aos privados – e nomeadamente está a dificultar o aparecimento de um novo operador privado. A introdução próxima da Televisão Digital terrestre vai voltar a colocar esta discussão na ordem do dia.
Agora, uma coisa é certa: quando a RTP cresce de audiências, qualquer Governo sorri e fica tranquilo; o mesmo não se pode dizer quando quem está a subir são os operadores privados.
(Publicado na Revista Atlântico de Abril)
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A PUBLICIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO
Com as audiências dos três principais canais cada vez mais coladas, há uma questão que vale a pena voltar a colocar: até que ponto é lícito que a RTP tenha publicidade e faça concorrência aos canais privados?
A existência de publicidade na RTP é uma das mais fortes razões para que algumas das razões da existência de um serviço público de televisão, financiado pelo Estado e os cidadãos, se percam pelo meio. A questão é esta: a publicidade só é valiosa, em termos de negócio, se existirem audiências. Sem audiências ela perde o seu valor comercial. Para poder ter publicidade e ela ser rentável, qualquer estação do mundo tem que fazer concessões para captar públicos. Por isso é que o serviço público devia ser uma espécie de regulador indirecto do mercado, assegurando conteúdos complementares (e não concorrenciais…) em relação aos outros canais, fomentando o desenvolvimento da produção independente portuguesa em áreas como a ficção, o documentário, e assegurando serviços noticiosos de referência. Todos sabemos que não é isto exactamente o que acontece.
Em Portugal passa-se um fenómeno estranho: a RTP capta uma fatia do investimento publicitário em televisão, que é complementada, de forma cada vez maior, com o que recebe do Estado em termos de indemnização compensatória e dos cidadãos por via da taxa que recai sobre o consumo de electricidade. Na realidade a RTP captou 13,6% do investimento publicitário em televisão em 2006, contra 44,3% da TVI, 32,9% da SIC e 9,2% de todos os outros canais disponíveis no Cabo. É esta situação que suscita dúvidas: é aceitável que um canal de serviço público acumule as receitas comerciais ao apoio financeiro do Estado e ao dinheiro das taxas cobradas aos cidadãos?
As estações privadas que se queixam de que a RTP faz concorrência desleal têm razão – se a RTP usa os seus meios financeiros para fomentar uma programação que se destina a fazer concorrência de audiência aos privados, então o mercado fica distorcido. Se a RTP ainda por cima concorre no mercado publicitário, está a roubar espaço aos privados – e nomeadamente está a dificultar o aparecimento de um novo operador privado. A introdução próxima da Televisão Digital terrestre vai voltar a colocar esta discussão na ordem do dia.
Agora, uma coisa é certa: quando a RTP cresce de audiências, qualquer Governo sorri e fica tranquilo; o mesmo não se pode dizer quando quem está a subir são os operadores privados.
(Publicado na Revista Atlântico de Abril)
Com as audiências dos três principais canais cada vez mais coladas, há uma questão que vale a pena voltar a colocar: até que ponto é lícito que a RTP tenha publicidade e faça concorrência aos canais privados?
A existência de publicidade na RTP é uma das mais fortes razões para que algumas das razões da existência de um serviço público de televisão, financiado pelo Estado e os cidadãos, se percam pelo meio. A questão é esta: a publicidade só é valiosa, em termos de negócio, se existirem audiências. Sem audiências ela perde o seu valor comercial. Para poder ter publicidade e ela ser rentável, qualquer estação do mundo tem que fazer concessões para captar públicos. Por isso é que o serviço público devia ser uma espécie de regulador indirecto do mercado, assegurando conteúdos complementares (e não concorrenciais…) em relação aos outros canais, fomentando o desenvolvimento da produção independente portuguesa em áreas como a ficção, o documentário, e assegurando serviços noticiosos de referência. Todos sabemos que não é isto exactamente o que acontece.
Em Portugal passa-se um fenómeno estranho: a RTP capta uma fatia do investimento publicitário em televisão, que é complementada, de forma cada vez maior, com o que recebe do Estado em termos de indemnização compensatória e dos cidadãos por via da taxa que recai sobre o consumo de electricidade. Na realidade a RTP captou 13,6% do investimento publicitário em televisão em 2006, contra 44,3% da TVI, 32,9% da SIC e 9,2% de todos os outros canais disponíveis no Cabo. É esta situação que suscita dúvidas: é aceitável que um canal de serviço público acumule as receitas comerciais ao apoio financeiro do Estado e ao dinheiro das taxas cobradas aos cidadãos?
As estações privadas que se queixam de que a RTP faz concorrência desleal têm razão – se a RTP usa os seus meios financeiros para fomentar uma programação que se destina a fazer concorrência de audiência aos privados, então o mercado fica distorcido. Se a RTP ainda por cima concorre no mercado publicitário, está a roubar espaço aos privados – e nomeadamente está a dificultar o aparecimento de um novo operador privado. A introdução próxima da Televisão Digital terrestre vai voltar a colocar esta discussão na ordem do dia.
Agora, uma coisa é certa: quando a RTP cresce de audiências, qualquer Governo sorri e fica tranquilo; o mesmo não se pode dizer quando quem está a subir são os operadores privados.
(Publicado na Revista Atlântico de Abril)
PENSAMENTOS OCIOSOS
O regime, na sua ânsia reformadora, vai juntar numa só entidade a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos. A nova companhia estatal de produção artística, estou a crer que de inspiração soviética, vai chamar-se OPART e tem o parto previsto para Junho. Vozes avisadas já chamaram a atenção para os perigos desta manobra aventureira, que se arrisca a deitar por terra o trabalho de duas entidades que estavam a funcionar bem autonomamente.
Penso que a ideia não será criar uma nova forma de expressão artística, o bailado cantado – não estou a ver bailarinos e bailarinas a fazerem de tenores e sopranos, e não me parece que, inversamente, os cantores e as cantoras pulem levemente de nenúfar em nenúfar. Se assim não é, a coisa não se percebe – tal a distância entre os dois tipos de produção: o da Ópera, que é um dos mais complexos (talvez o mais complexo) no mundo do palco; e o do bailado, que exige tempos e ensaios como nenhuma das outras artes cénicas. Por este andar ainda se arrisca a nascer, neste rincão á beira mar plantado, o tal bailado cantado – variante erudita do Vira do Minho, fonte inspiradora da política do Mistério da Cultura.
(Publicado na Revista Atlântico, edição de Abril)
O regime, na sua ânsia reformadora, vai juntar numa só entidade a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos. A nova companhia estatal de produção artística, estou a crer que de inspiração soviética, vai chamar-se OPART e tem o parto previsto para Junho. Vozes avisadas já chamaram a atenção para os perigos desta manobra aventureira, que se arrisca a deitar por terra o trabalho de duas entidades que estavam a funcionar bem autonomamente.
Penso que a ideia não será criar uma nova forma de expressão artística, o bailado cantado – não estou a ver bailarinos e bailarinas a fazerem de tenores e sopranos, e não me parece que, inversamente, os cantores e as cantoras pulem levemente de nenúfar em nenúfar. Se assim não é, a coisa não se percebe – tal a distância entre os dois tipos de produção: o da Ópera, que é um dos mais complexos (talvez o mais complexo) no mundo do palco; e o do bailado, que exige tempos e ensaios como nenhuma das outras artes cénicas. Por este andar ainda se arrisca a nascer, neste rincão á beira mar plantado, o tal bailado cantado – variante erudita do Vira do Minho, fonte inspiradora da política do Mistério da Cultura.
(Publicado na Revista Atlântico, edição de Abril)
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PENSAMENTOS OCIOSOS
O regime, na sua ânsia reformadora, vai juntar numa só entidade a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos. A nova companhia estatal de produção artística, estou a crer que de inspiração soviética, vai chamar-se OPART e tem o parto previsto para Junho. Vozes avisadas já chamaram a atenção para os perigos desta manobra aventureira, que se arrisca a deitar por terra o trabalho de duas entidades que estavam a funcionar bem autonomamente.
Penso que a ideia não será criar uma nova forma de expressão artística, o bailado cantado – não estou a ver bailarinos e bailarinas a fazerem de tenores e sopranos, e não me parece que, inversamente, os cantores e as cantoras pulem levemente de nenúfar em nenúfar. Se assim não é, a coisa não se percebe – tal a distância entre os dois tipos de produção: o da Ópera, que é um dos mais complexos (talvez o mais complexo) no mundo do palco; e o do bailado, que exige tempos e ensaios como nenhuma das outras artes cénicas. Por este andar ainda se arrisca a nascer, neste rincão á beira mar plantado, o tal bailado cantado – variante erudita do Vira do Minho, fonte inspiradora da política do Mistério da Cultura.
(Publicado na Revista Atlântico, edição de Abril)
O regime, na sua ânsia reformadora, vai juntar numa só entidade a Companhia Nacional de Bailado e o Teatro Nacional de S. Carlos. A nova companhia estatal de produção artística, estou a crer que de inspiração soviética, vai chamar-se OPART e tem o parto previsto para Junho. Vozes avisadas já chamaram a atenção para os perigos desta manobra aventureira, que se arrisca a deitar por terra o trabalho de duas entidades que estavam a funcionar bem autonomamente.
Penso que a ideia não será criar uma nova forma de expressão artística, o bailado cantado – não estou a ver bailarinos e bailarinas a fazerem de tenores e sopranos, e não me parece que, inversamente, os cantores e as cantoras pulem levemente de nenúfar em nenúfar. Se assim não é, a coisa não se percebe – tal a distância entre os dois tipos de produção: o da Ópera, que é um dos mais complexos (talvez o mais complexo) no mundo do palco; e o do bailado, que exige tempos e ensaios como nenhuma das outras artes cénicas. Por este andar ainda se arrisca a nascer, neste rincão á beira mar plantado, o tal bailado cantado – variante erudita do Vira do Minho, fonte inspiradora da política do Mistério da Cultura.
(Publicado na Revista Atlântico, edição de Abril)
SEMANA – Depois das maternidades e dos centros de saúde, a febre da extinção vai chegar aos tribunais – agora espera-se que o Estado se auto-extinga por falta de objecto social… Sobre o novo aeroporto, o Ministro da tutela diz estar disposto a ouvir tudo o que lhe disserem, mas esclarece que já decidiu não mudar de opinião… O país está mesmo diferente: no final do primeiro trimestre a TVI é a estação de televisão mais vista, a RTP passou para segundo lugar e a SIC, que durante anos liderou, caiu para a última posição… Alguma coisa vai mal quando o tema político mais falado é o grau académico do Primeiro Ministro…Notícia da semana: em Lisboa dono de pitbull mordeu o polícia que perseguia o cão.
OUVIR –Tito Paris é um dos grandes músicos de Cabo Verde a prova está no seu novo disco, «Acústico», a gravação de um concerto de 2004 na Aula Magna de Lisboa. Para este concerto Tito Paris rodeou-se de uma secção de cordas, para além de um grupo de nove músicos escolhidos a dedo, sob a direcção musical de Tomás Pimentel – que com Tito Paris fez os magníficos arranjos. O resultado é uma sonoridade cheia, envolvente, ainda mais acentuada pelos ritmos e pela forma de cantar de Tito Paris, que aqui interpreta grandes temas como «Morna», «Nha Sina», «Sodade» e «Que Vida». O resultado são versões baseadas na tradição, mas com um pé na descoberta. CD World Connection.
TER – Agora todos podem ter «Um Minuto de Silêncio» - basta comprar o livro com o mesmo nome baseado numa ideia da jornalista Marisa Moura e do fotógrafo António Coelho – ambos juntaram textos, imagens e desenhos de 60 pessoas mais ou menos públicas, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Surdos, que visa financiar a actualização de um dicionário de língua gestual. Destaques para os textos de Francisco Pinto Balsemão, Alexandra Lencastre, Paulo Teixeira Pinto, Olga Roriz, Maria do Céu Guerrae Pedro Bidarra. Por gentileza da organizadora eu também lá tenho um texto, e deu-me muito prazer pensá-lo, escrevê-lo, dedicá-lo. Edição Guerra e Paz
LER – Aqui está ela, a nova revista de Tyler Brulé, o homem que inventou a «Wallpaper». A sua nova criação chama-se «Monocle» e parece inesperadamente fora de moda, mas a ditar o estilo. É um misto de atlas do mundo com as Selecções do Reader’s Digest, tem muito para ler, alguma coisa para ver, subalterniza a imagem e fornece imensa informação. O editor avisa que a revista se dedica à política internacional, aos negócios, à cultura e ao design. O tema de capa na edição número 2 é uma reportagem detalhada sobre a Noruega, a sua riqueza, a sua maneira de ver, o seu posicionamento no mundo. Mas também pode ler um belo artigo sobre telenovelas japoneses para telemóvel, um curioso inventário de necessidades dedicado aos consumistas ferozes e uma história de «manga», a banda desenhada japonesa. Ao todo são 200 páginas com muito que ler, por cerca de 11 euros. A «Monocle» é impressa em papel reciclado e tem um formato cómodo para a leitura. É uma revista para ler e não apenas para ver, uma revista que gosta de observar, e que está feita para se ir descobrindo.
COMER– De entre os restaurantes vegetarianos que apareceram nos últimos tempos em Lisboa, o Paladar Zen merece uma boa nota. Bom buffet de saladas, boas alternativas quentes, muito bem temperadas e saborosas, sumos naturais, mas também cerveja e refrigerantes. Boa escolha de música ambiente, aberto aos almoços e jantares, preço do buffet abaixo dos 10 euros. Av. Barbosa du Bocage 107C, tel. 217950009
VER – Em finais de Fevereiro João Tabarra inaugurou na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto (Rua da Barroca 59) a primeira parte de uma exposição a que chamou «G». Na semana passada , na Galeria Graça Brandão, também no Bairro Alto (Rua dos Caetanos 26), abriu a segunda parte da mesma ideia. Enquanto na Zé dos Bois se assume um lado mais conceptual, de cruzamento assumido de imagens com sons, na Graça Brandão assume-se a provocação e apela-se ao voyeurismo. A Zé dos Bois fecha às 23 horas, a Graça Brandão às 20. Com esta invulgar dupla exposição – quase um caso de dupla personalidade - João Tabarra atinge a maturidade criativa e afirma-se claramente como um dos melhores artistas da sua geração, que tem feito um percurso iniciado na fotografia e se tem vindo a conceptualizar em torno da exploração da utilização das imagens, fixas ou em movimento, de uma forma cada vez mais elaborada.
BACK TO BASICS – Um visionário mente a si próprio, um mentiroso aos que o rodeiam, Friedrich Nietzsche
OUVIR –Tito Paris é um dos grandes músicos de Cabo Verde a prova está no seu novo disco, «Acústico», a gravação de um concerto de 2004 na Aula Magna de Lisboa. Para este concerto Tito Paris rodeou-se de uma secção de cordas, para além de um grupo de nove músicos escolhidos a dedo, sob a direcção musical de Tomás Pimentel – que com Tito Paris fez os magníficos arranjos. O resultado é uma sonoridade cheia, envolvente, ainda mais acentuada pelos ritmos e pela forma de cantar de Tito Paris, que aqui interpreta grandes temas como «Morna», «Nha Sina», «Sodade» e «Que Vida». O resultado são versões baseadas na tradição, mas com um pé na descoberta. CD World Connection.
TER – Agora todos podem ter «Um Minuto de Silêncio» - basta comprar o livro com o mesmo nome baseado numa ideia da jornalista Marisa Moura e do fotógrafo António Coelho – ambos juntaram textos, imagens e desenhos de 60 pessoas mais ou menos públicas, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Surdos, que visa financiar a actualização de um dicionário de língua gestual. Destaques para os textos de Francisco Pinto Balsemão, Alexandra Lencastre, Paulo Teixeira Pinto, Olga Roriz, Maria do Céu Guerrae Pedro Bidarra. Por gentileza da organizadora eu também lá tenho um texto, e deu-me muito prazer pensá-lo, escrevê-lo, dedicá-lo. Edição Guerra e Paz
LER – Aqui está ela, a nova revista de Tyler Brulé, o homem que inventou a «Wallpaper». A sua nova criação chama-se «Monocle» e parece inesperadamente fora de moda, mas a ditar o estilo. É um misto de atlas do mundo com as Selecções do Reader’s Digest, tem muito para ler, alguma coisa para ver, subalterniza a imagem e fornece imensa informação. O editor avisa que a revista se dedica à política internacional, aos negócios, à cultura e ao design. O tema de capa na edição número 2 é uma reportagem detalhada sobre a Noruega, a sua riqueza, a sua maneira de ver, o seu posicionamento no mundo. Mas também pode ler um belo artigo sobre telenovelas japoneses para telemóvel, um curioso inventário de necessidades dedicado aos consumistas ferozes e uma história de «manga», a banda desenhada japonesa. Ao todo são 200 páginas com muito que ler, por cerca de 11 euros. A «Monocle» é impressa em papel reciclado e tem um formato cómodo para a leitura. É uma revista para ler e não apenas para ver, uma revista que gosta de observar, e que está feita para se ir descobrindo.
COMER– De entre os restaurantes vegetarianos que apareceram nos últimos tempos em Lisboa, o Paladar Zen merece uma boa nota. Bom buffet de saladas, boas alternativas quentes, muito bem temperadas e saborosas, sumos naturais, mas também cerveja e refrigerantes. Boa escolha de música ambiente, aberto aos almoços e jantares, preço do buffet abaixo dos 10 euros. Av. Barbosa du Bocage 107C, tel. 217950009
VER – Em finais de Fevereiro João Tabarra inaugurou na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto (Rua da Barroca 59) a primeira parte de uma exposição a que chamou «G». Na semana passada , na Galeria Graça Brandão, também no Bairro Alto (Rua dos Caetanos 26), abriu a segunda parte da mesma ideia. Enquanto na Zé dos Bois se assume um lado mais conceptual, de cruzamento assumido de imagens com sons, na Graça Brandão assume-se a provocação e apela-se ao voyeurismo. A Zé dos Bois fecha às 23 horas, a Graça Brandão às 20. Com esta invulgar dupla exposição – quase um caso de dupla personalidade - João Tabarra atinge a maturidade criativa e afirma-se claramente como um dos melhores artistas da sua geração, que tem feito um percurso iniciado na fotografia e se tem vindo a conceptualizar em torno da exploração da utilização das imagens, fixas ou em movimento, de uma forma cada vez mais elaborada.
BACK TO BASICS – Um visionário mente a si próprio, um mentiroso aos que o rodeiam, Friedrich Nietzsche
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SEMANA – Depois das maternidades e dos centros de saúde, a febre da extinção vai chegar aos tribunais – agora espera-se que o Estado se auto-extinga por falta de objecto social… Sobre o novo aeroporto, o Ministro da tutela diz estar disposto a ouvir tudo o que lhe disserem, mas esclarece que já decidiu não mudar de opinião… O país está mesmo diferente: no final do primeiro trimestre a TVI é a estação de televisão mais vista, a RTP passou para segundo lugar e a SIC, que durante anos liderou, caiu para a última posição… Alguma coisa vai mal quando o tema político mais falado é o grau académico do Primeiro Ministro…Notícia da semana: em Lisboa dono de pitbull mordeu o polícia que perseguia o cão.
OUVIR –Tito Paris é um dos grandes músicos de Cabo Verde a prova está no seu novo disco, «Acústico», a gravação de um concerto de 2004 na Aula Magna de Lisboa. Para este concerto Tito Paris rodeou-se de uma secção de cordas, para além de um grupo de nove músicos escolhidos a dedo, sob a direcção musical de Tomás Pimentel – que com Tito Paris fez os magníficos arranjos. O resultado é uma sonoridade cheia, envolvente, ainda mais acentuada pelos ritmos e pela forma de cantar de Tito Paris, que aqui interpreta grandes temas como «Morna», «Nha Sina», «Sodade» e «Que Vida». O resultado são versões baseadas na tradição, mas com um pé na descoberta. CD World Connection.
TER – Agora todos podem ter «Um Minuto de Silêncio» - basta comprar o livro com o mesmo nome baseado numa ideia da jornalista Marisa Moura e do fotógrafo António Coelho – ambos juntaram textos, imagens e desenhos de 60 pessoas mais ou menos públicas, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Surdos, que visa financiar a actualização de um dicionário de língua gestual. Destaques para os textos de Francisco Pinto Balsemão, Alexandra Lencastre, Paulo Teixeira Pinto, Olga Roriz, Maria do Céu Guerrae Pedro Bidarra. Por gentileza da organizadora eu também lá tenho um texto, e deu-me muito prazer pensá-lo, escrevê-lo, dedicá-lo. Edição Guerra e Paz
LER – Aqui está ela, a nova revista de Tyler Brulé, o homem que inventou a «Wallpaper». A sua nova criação chama-se «Monocle» e parece inesperadamente fora de moda, mas a ditar o estilo. É um misto de atlas do mundo com as Selecções do Reader’s Digest, tem muito para ler, alguma coisa para ver, subalterniza a imagem e fornece imensa informação. O editor avisa que a revista se dedica à política internacional, aos negócios, à cultura e ao design. O tema de capa na edição número 2 é uma reportagem detalhada sobre a Noruega, a sua riqueza, a sua maneira de ver, o seu posicionamento no mundo. Mas também pode ler um belo artigo sobre telenovelas japoneses para telemóvel, um curioso inventário de necessidades dedicado aos consumistas ferozes e uma história de «manga», a banda desenhada japonesa. Ao todo são 200 páginas com muito que ler, por cerca de 11 euros. A «Monocle» é impressa em papel reciclado e tem um formato cómodo para a leitura. É uma revista para ler e não apenas para ver, uma revista que gosta de observar, e que está feita para se ir descobrindo.
COMER– De entre os restaurantes vegetarianos que apareceram nos últimos tempos em Lisboa, o Paladar Zen merece uma boa nota. Bom buffet de saladas, boas alternativas quentes, muito bem temperadas e saborosas, sumos naturais, mas também cerveja e refrigerantes. Boa escolha de música ambiente, aberto aos almoços e jantares, preço do buffet abaixo dos 10 euros. Av. Barbosa du Bocage 107C, tel. 217950009
VER – Em finais de Fevereiro João Tabarra inaugurou na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto (Rua da Barroca 59) a primeira parte de uma exposição a que chamou «G». Na semana passada , na Galeria Graça Brandão, também no Bairro Alto (Rua dos Caetanos 26), abriu a segunda parte da mesma ideia. Enquanto na Zé dos Bois se assume um lado mais conceptual, de cruzamento assumido de imagens com sons, na Graça Brandão assume-se a provocação e apela-se ao voyeurismo. A Zé dos Bois fecha às 23 horas, a Graça Brandão às 20. Com esta invulgar dupla exposição – quase um caso de dupla personalidade - João Tabarra atinge a maturidade criativa e afirma-se claramente como um dos melhores artistas da sua geração, que tem feito um percurso iniciado na fotografia e se tem vindo a conceptualizar em torno da exploração da utilização das imagens, fixas ou em movimento, de uma forma cada vez mais elaborada.
BACK TO BASICS – Um visionário mente a si próprio, um mentiroso aos que o rodeiam, Friedrich Nietzsche
OUVIR –Tito Paris é um dos grandes músicos de Cabo Verde a prova está no seu novo disco, «Acústico», a gravação de um concerto de 2004 na Aula Magna de Lisboa. Para este concerto Tito Paris rodeou-se de uma secção de cordas, para além de um grupo de nove músicos escolhidos a dedo, sob a direcção musical de Tomás Pimentel – que com Tito Paris fez os magníficos arranjos. O resultado é uma sonoridade cheia, envolvente, ainda mais acentuada pelos ritmos e pela forma de cantar de Tito Paris, que aqui interpreta grandes temas como «Morna», «Nha Sina», «Sodade» e «Que Vida». O resultado são versões baseadas na tradição, mas com um pé na descoberta. CD World Connection.
TER – Agora todos podem ter «Um Minuto de Silêncio» - basta comprar o livro com o mesmo nome baseado numa ideia da jornalista Marisa Moura e do fotógrafo António Coelho – ambos juntaram textos, imagens e desenhos de 60 pessoas mais ou menos públicas, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Surdos, que visa financiar a actualização de um dicionário de língua gestual. Destaques para os textos de Francisco Pinto Balsemão, Alexandra Lencastre, Paulo Teixeira Pinto, Olga Roriz, Maria do Céu Guerrae Pedro Bidarra. Por gentileza da organizadora eu também lá tenho um texto, e deu-me muito prazer pensá-lo, escrevê-lo, dedicá-lo. Edição Guerra e Paz
LER – Aqui está ela, a nova revista de Tyler Brulé, o homem que inventou a «Wallpaper». A sua nova criação chama-se «Monocle» e parece inesperadamente fora de moda, mas a ditar o estilo. É um misto de atlas do mundo com as Selecções do Reader’s Digest, tem muito para ler, alguma coisa para ver, subalterniza a imagem e fornece imensa informação. O editor avisa que a revista se dedica à política internacional, aos negócios, à cultura e ao design. O tema de capa na edição número 2 é uma reportagem detalhada sobre a Noruega, a sua riqueza, a sua maneira de ver, o seu posicionamento no mundo. Mas também pode ler um belo artigo sobre telenovelas japoneses para telemóvel, um curioso inventário de necessidades dedicado aos consumistas ferozes e uma história de «manga», a banda desenhada japonesa. Ao todo são 200 páginas com muito que ler, por cerca de 11 euros. A «Monocle» é impressa em papel reciclado e tem um formato cómodo para a leitura. É uma revista para ler e não apenas para ver, uma revista que gosta de observar, e que está feita para se ir descobrindo.
COMER– De entre os restaurantes vegetarianos que apareceram nos últimos tempos em Lisboa, o Paladar Zen merece uma boa nota. Bom buffet de saladas, boas alternativas quentes, muito bem temperadas e saborosas, sumos naturais, mas também cerveja e refrigerantes. Boa escolha de música ambiente, aberto aos almoços e jantares, preço do buffet abaixo dos 10 euros. Av. Barbosa du Bocage 107C, tel. 217950009
VER – Em finais de Fevereiro João Tabarra inaugurou na Galeria Zé dos Bois, no Bairro Alto (Rua da Barroca 59) a primeira parte de uma exposição a que chamou «G». Na semana passada , na Galeria Graça Brandão, também no Bairro Alto (Rua dos Caetanos 26), abriu a segunda parte da mesma ideia. Enquanto na Zé dos Bois se assume um lado mais conceptual, de cruzamento assumido de imagens com sons, na Graça Brandão assume-se a provocação e apela-se ao voyeurismo. A Zé dos Bois fecha às 23 horas, a Graça Brandão às 20. Com esta invulgar dupla exposição – quase um caso de dupla personalidade - João Tabarra atinge a maturidade criativa e afirma-se claramente como um dos melhores artistas da sua geração, que tem feito um percurso iniciado na fotografia e se tem vindo a conceptualizar em torno da exploração da utilização das imagens, fixas ou em movimento, de uma forma cada vez mais elaborada.
BACK TO BASICS – Um visionário mente a si próprio, um mentiroso aos que o rodeiam, Friedrich Nietzsche
abril 01, 2007
CULTURA – Há uns meses o Ministério da Cultura suspendeu a exumação do que se presume serem os restos mortais de D. Afonso Henriques, iniciativa que estava a ser levada a cabo por uma equipa de cientistas, liderados por Eugénia Cunha. A importância da investigação é evidente, a desculpa para a proibição pareceu esfarrapada e mostrou mais dor de cotovelo e inveja provinciana pelo protagonismo e relevância de um estudo científico que, do Ministério da Cultura, apenas precisava de uma autorização. Apesar de, na altura, o Governo ter criado um enquadramento especial para a situação, o pedido continua sem resposta, o Ministério da Cultura continua sem decidir o que deixar fazer, e ouvi esta semana a cientista Eugénia Cunha dizer aos microfones de uma rádio que continuava sem saber quando poderia prosseguir a sua investigação. Alguém me pode informar que anda a Ministra a fazer, além de perseguir as pessoas que tentam fazer alguma coisa desde os museus à ópera, passando pela investigação?
TEATRO – O edifício do novo Teatro Municipal de Almada, inaugurado no ano passado e desenvolvido pelo arquitecto Manuel Graça Dias é um raro exemplo de um projecto bem conseguido, que teve em linha de conta as necessidades do espaço para a função, muito bem pensado em termos das zonas de trabalho e de apoio, bem pensado em termos do acolhimento e conforto dos espectadores e no prolongamento dos espectáculos (com um café teatro confortável onde se pode ouvir música ao vivo). Acima de tudo o edifício – que não é óbvio nem monótono - surge simples e funcional, embora do ponto de vista técnico e de condições de trabalho seja sofisticado e bem equipado em termos de infra-estruturas – o que mostra como houve colaboração entre Joaquim Benite, que dirige este equipamento, e o arquitecto que concebeu o edifício. Além da sala principal existe uma sala experimental, uma bela sala de ensaios onde grupos de crianças são levadas a descobrir os segredos da produção teatral, uma galeria e uma sala de multimédia. Vê-se que o edifício é vivido e além do Teatro, exposições e colóquios por ali passam concertos, ópera e dança. Neste Domingo, às 16h00 poderá ir lá ouvir o Requiem de Vivaldi e no sábado da próxima semana o Stabat Mater. Pode ver a programação em www.ctalmada.pt .
SEMANA – Graças ao encerramento das maternidades, Portugal está em vias de se tornar recordista europeu de partos em ambulâncias no primeiro semestre deste ano. Em contrapartida a corrupção escasseia: em Portugal só existem oito pessoas detidas por delito de corrupção. Agora até Cravinho vem colocar reservas à Ota como localização do novo Aeroporto – a vida não é fácil para Mário Lino, o Ministro que teve a insensatez de classificar a opção Ota como uma questão pessoal que levaria até ao fim.
COMER – Saladas ricas, sanduíches bem pensadas e pratos tradicionais com um toque de originalidade é a proposta de almoços no City Café, na Av Miguel Bombarda 133 B. Aberto desde manhã até às 20h30, o City Café é um bom sítio para um almoço leve e tranquilo nas Avenidas Novas, ou para uma pausa a meio da tarde. Bom serviço, preços razoáveis, boa decoração, jornais e revistas para ler. Tel. 213 155 282 .
OUVIR – O pianista Brad Mehldau e o guitarrista Pat Metheny juntaram-se de novo, pela segunda vez, num disco invulgar e cativante, e adoptaram a forma de um quarteto, acompanhados por Larry Grenadier no baixo e Jeff Ballard na bateria. O resultado é um daqueles raros discos onde se vão descobrindo novos detalhes em cada nova audição, apesar da simplicidade da produção. A química que se estabeleceu neste novo encontro entre Mehldau e Metheny resulta num disco cativante, exemplo da capacidade de adaptação de grandes músicos quando em prazenteiro confronto. «Metheny, Mehldau, Quartet», CD Nonesuch.
CTT – As minhas duas últimas encomendas à Amazon inglesa foram devolvidas pelos correios portugueses à origem, com a indicação de que a entrega tinha sido impossível de concretizar. Facto: Não foi deixado nenhum aviso, não foi colocado nada na caixa de correio. Usar a Amazon fica mais difícil graças à indigência do serviço dos correios portugueses.
BACK TO BASICS – Para que é que interessa estar a falar de pequenos problemas quando a Antártida está a derreter? – André Gomes.
TEATRO – O edifício do novo Teatro Municipal de Almada, inaugurado no ano passado e desenvolvido pelo arquitecto Manuel Graça Dias é um raro exemplo de um projecto bem conseguido, que teve em linha de conta as necessidades do espaço para a função, muito bem pensado em termos das zonas de trabalho e de apoio, bem pensado em termos do acolhimento e conforto dos espectadores e no prolongamento dos espectáculos (com um café teatro confortável onde se pode ouvir música ao vivo). Acima de tudo o edifício – que não é óbvio nem monótono - surge simples e funcional, embora do ponto de vista técnico e de condições de trabalho seja sofisticado e bem equipado em termos de infra-estruturas – o que mostra como houve colaboração entre Joaquim Benite, que dirige este equipamento, e o arquitecto que concebeu o edifício. Além da sala principal existe uma sala experimental, uma bela sala de ensaios onde grupos de crianças são levadas a descobrir os segredos da produção teatral, uma galeria e uma sala de multimédia. Vê-se que o edifício é vivido e além do Teatro, exposições e colóquios por ali passam concertos, ópera e dança. Neste Domingo, às 16h00 poderá ir lá ouvir o Requiem de Vivaldi e no sábado da próxima semana o Stabat Mater. Pode ver a programação em www.ctalmada.pt .
SEMANA – Graças ao encerramento das maternidades, Portugal está em vias de se tornar recordista europeu de partos em ambulâncias no primeiro semestre deste ano. Em contrapartida a corrupção escasseia: em Portugal só existem oito pessoas detidas por delito de corrupção. Agora até Cravinho vem colocar reservas à Ota como localização do novo Aeroporto – a vida não é fácil para Mário Lino, o Ministro que teve a insensatez de classificar a opção Ota como uma questão pessoal que levaria até ao fim.
COMER – Saladas ricas, sanduíches bem pensadas e pratos tradicionais com um toque de originalidade é a proposta de almoços no City Café, na Av Miguel Bombarda 133 B. Aberto desde manhã até às 20h30, o City Café é um bom sítio para um almoço leve e tranquilo nas Avenidas Novas, ou para uma pausa a meio da tarde. Bom serviço, preços razoáveis, boa decoração, jornais e revistas para ler. Tel. 213 155 282 .
OUVIR – O pianista Brad Mehldau e o guitarrista Pat Metheny juntaram-se de novo, pela segunda vez, num disco invulgar e cativante, e adoptaram a forma de um quarteto, acompanhados por Larry Grenadier no baixo e Jeff Ballard na bateria. O resultado é um daqueles raros discos onde se vão descobrindo novos detalhes em cada nova audição, apesar da simplicidade da produção. A química que se estabeleceu neste novo encontro entre Mehldau e Metheny resulta num disco cativante, exemplo da capacidade de adaptação de grandes músicos quando em prazenteiro confronto. «Metheny, Mehldau, Quartet», CD Nonesuch.
CTT – As minhas duas últimas encomendas à Amazon inglesa foram devolvidas pelos correios portugueses à origem, com a indicação de que a entrega tinha sido impossível de concretizar. Facto: Não foi deixado nenhum aviso, não foi colocado nada na caixa de correio. Usar a Amazon fica mais difícil graças à indigência do serviço dos correios portugueses.
BACK TO BASICS – Para que é que interessa estar a falar de pequenos problemas quando a Antártida está a derreter? – André Gomes.
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CULTURA – Há uns meses o Ministério da Cultura suspendeu a exumação do que se presume serem os restos mortais de D. Afonso Henriques, iniciativa que estava a ser levada a cabo por uma equipa de cientistas, liderados por Eugénia Cunha. A importância da investigação é evidente, a desculpa para a proibição pareceu esfarrapada e mostrou mais dor de cotovelo e inveja provinciana pelo protagonismo e relevância de um estudo científico que, do Ministério da Cultura, apenas precisava de uma autorização. Apesar de, na altura, o Governo ter criado um enquadramento especial para a situação, o pedido continua sem resposta, o Ministério da Cultura continua sem decidir o que deixar fazer, e ouvi esta semana a cientista Eugénia Cunha dizer aos microfones de uma rádio que continuava sem saber quando poderia prosseguir a sua investigação. Alguém me pode informar que anda a Ministra a fazer, além de perseguir as pessoas que tentam fazer alguma coisa desde os museus à ópera, passando pela investigação?
TEATRO – O edifício do novo Teatro Municipal de Almada, inaugurado no ano passado e desenvolvido pelo arquitecto Manuel Graça Dias é um raro exemplo de um projecto bem conseguido, que teve em linha de conta as necessidades do espaço para a função, muito bem pensado em termos das zonas de trabalho e de apoio, bem pensado em termos do acolhimento e conforto dos espectadores e no prolongamento dos espectáculos (com um café teatro confortável onde se pode ouvir música ao vivo). Acima de tudo o edifício – que não é óbvio nem monótono - surge simples e funcional, embora do ponto de vista técnico e de condições de trabalho seja sofisticado e bem equipado em termos de infra-estruturas – o que mostra como houve colaboração entre Joaquim Benite, que dirige este equipamento, e o arquitecto que concebeu o edifício. Além da sala principal existe uma sala experimental, uma bela sala de ensaios onde grupos de crianças são levadas a descobrir os segredos da produção teatral, uma galeria e uma sala de multimédia. Vê-se que o edifício é vivido e além do Teatro, exposições e colóquios por ali passam concertos, ópera e dança. Neste Domingo, às 16h00 poderá ir lá ouvir o Requiem de Vivaldi e no sábado da próxima semana o Stabat Mater. Pode ver a programação em www.ctalmada.pt .
SEMANA – Graças ao encerramento das maternidades, Portugal está em vias de se tornar recordista europeu de partos em ambulâncias no primeiro semestre deste ano. Em contrapartida a corrupção escasseia: em Portugal só existem oito pessoas detidas por delito de corrupção. Agora até Cravinho vem colocar reservas à Ota como localização do novo Aeroporto – a vida não é fácil para Mário Lino, o Ministro que teve a insensatez de classificar a opção Ota como uma questão pessoal que levaria até ao fim.
COMER – Saladas ricas, sanduíches bem pensadas e pratos tradicionais com um toque de originalidade é a proposta de almoços no City Café, na Av Miguel Bombarda 133 B. Aberto desde manhã até às 20h30, o City Café é um bom sítio para um almoço leve e tranquilo nas Avenidas Novas, ou para uma pausa a meio da tarde. Bom serviço, preços razoáveis, boa decoração, jornais e revistas para ler. Tel. 213 155 282 .
OUVIR – O pianista Brad Mehldau e o guitarrista Pat Metheny juntaram-se de novo, pela segunda vez, num disco invulgar e cativante, e adoptaram a forma de um quarteto, acompanhados por Larry Grenadier no baixo e Jeff Ballard na bateria. O resultado é um daqueles raros discos onde se vão descobrindo novos detalhes em cada nova audição, apesar da simplicidade da produção. A química que se estabeleceu neste novo encontro entre Mehldau e Metheny resulta num disco cativante, exemplo da capacidade de adaptação de grandes músicos quando em prazenteiro confronto. «Metheny, Mehldau, Quartet», CD Nonesuch.
CTT – As minhas duas últimas encomendas à Amazon inglesa foram devolvidas pelos correios portugueses à origem, com a indicação de que a entrega tinha sido impossível de concretizar. Facto: Não foi deixado nenhum aviso, não foi colocado nada na caixa de correio. Usar a Amazon fica mais difícil graças à indigência do serviço dos correios portugueses.
BACK TO BASICS – Para que é que interessa estar a falar de pequenos problemas quando a Antártida está a derreter? – André Gomes.
TEATRO – O edifício do novo Teatro Municipal de Almada, inaugurado no ano passado e desenvolvido pelo arquitecto Manuel Graça Dias é um raro exemplo de um projecto bem conseguido, que teve em linha de conta as necessidades do espaço para a função, muito bem pensado em termos das zonas de trabalho e de apoio, bem pensado em termos do acolhimento e conforto dos espectadores e no prolongamento dos espectáculos (com um café teatro confortável onde se pode ouvir música ao vivo). Acima de tudo o edifício – que não é óbvio nem monótono - surge simples e funcional, embora do ponto de vista técnico e de condições de trabalho seja sofisticado e bem equipado em termos de infra-estruturas – o que mostra como houve colaboração entre Joaquim Benite, que dirige este equipamento, e o arquitecto que concebeu o edifício. Além da sala principal existe uma sala experimental, uma bela sala de ensaios onde grupos de crianças são levadas a descobrir os segredos da produção teatral, uma galeria e uma sala de multimédia. Vê-se que o edifício é vivido e além do Teatro, exposições e colóquios por ali passam concertos, ópera e dança. Neste Domingo, às 16h00 poderá ir lá ouvir o Requiem de Vivaldi e no sábado da próxima semana o Stabat Mater. Pode ver a programação em www.ctalmada.pt .
SEMANA – Graças ao encerramento das maternidades, Portugal está em vias de se tornar recordista europeu de partos em ambulâncias no primeiro semestre deste ano. Em contrapartida a corrupção escasseia: em Portugal só existem oito pessoas detidas por delito de corrupção. Agora até Cravinho vem colocar reservas à Ota como localização do novo Aeroporto – a vida não é fácil para Mário Lino, o Ministro que teve a insensatez de classificar a opção Ota como uma questão pessoal que levaria até ao fim.
COMER – Saladas ricas, sanduíches bem pensadas e pratos tradicionais com um toque de originalidade é a proposta de almoços no City Café, na Av Miguel Bombarda 133 B. Aberto desde manhã até às 20h30, o City Café é um bom sítio para um almoço leve e tranquilo nas Avenidas Novas, ou para uma pausa a meio da tarde. Bom serviço, preços razoáveis, boa decoração, jornais e revistas para ler. Tel. 213 155 282 .
OUVIR – O pianista Brad Mehldau e o guitarrista Pat Metheny juntaram-se de novo, pela segunda vez, num disco invulgar e cativante, e adoptaram a forma de um quarteto, acompanhados por Larry Grenadier no baixo e Jeff Ballard na bateria. O resultado é um daqueles raros discos onde se vão descobrindo novos detalhes em cada nova audição, apesar da simplicidade da produção. A química que se estabeleceu neste novo encontro entre Mehldau e Metheny resulta num disco cativante, exemplo da capacidade de adaptação de grandes músicos quando em prazenteiro confronto. «Metheny, Mehldau, Quartet», CD Nonesuch.
CTT – As minhas duas últimas encomendas à Amazon inglesa foram devolvidas pelos correios portugueses à origem, com a indicação de que a entrega tinha sido impossível de concretizar. Facto: Não foi deixado nenhum aviso, não foi colocado nada na caixa de correio. Usar a Amazon fica mais difícil graças à indigência do serviço dos correios portugueses.
BACK TO BASICS – Para que é que interessa estar a falar de pequenos problemas quando a Antártida está a derreter? – André Gomes.
março 26, 2007
AEROPORTO – No meio de toda a polémica sobre a OTA, um amigo meu, atento observador, interrogava-se: com a polémica e a suspeição instaladas e com o processo já irremediavelmente atrasado, porque não pensar numa solução Portela 2, com uma ampliação do aeroporto existente, e uma preparação mais cuidada da solução de futuro? Tal ampliação, em havendo boa vontade e cooperação intergovernamental, seria por exemplo possível com o recurso à área do aeroporto militar de Figo Maduro, que pega com a Portela, e que tem condições de espaço e pistas construídas suficientes para melhorar radicalmente a Portela e aumentar-lhe a vida útil. A sugestão é boa e parece fazer sentido – e se o Governo conseguir vencer os interesses de grupo e admitir que é melhor estudar mais a fundo o tema da OTA, sairá ganhador de uma contenda que de outra maneira se arrisca a passar por inexplicável teimosia.
SEMANA – É oficial, o Direito é um talento familiar: no Tribunal Constitucional duas juízas que acabaram o mandato vão ser substituídas pelos respectivos maridos; o regresso de Paulo Portas ao PP deixa o cenário de uma batalha campal – seria esta a imagem que ele queria fazer passar? o momento mais alto da semana do líder do PSD foi a sua ida à Costa da Caparica ver os efeitos das marés vivas – já no Parlamento esteve piorzito (não se pode ser bom em tudo…); Salazar lidera votações no programa televisivo sobre os grandes portugueses está 22 mil votos à frente de D. Afonso Henriques, com Álvaro Cunhal em terceiro lugar.
LER – A edição deste mês da revista «Wired» é dedicada às novas formas de entretenimento, que aparecem com o tamanho e a rapidez de uma dentada num biscoito. A nova snack culture cria êxitos de um minuto, e o snack attack, como a revista lhe chama, inclui filmes, programas de televisão, canções e jogos. Na televisão um dos exemplos que está a ganhar mais fama é a micro-série desenvolvida pelo autor de «Hill Sreeet Blues», Steven Bocho, para o site www.metacafe.com. A série, com episódios de um minuto, escritos e produzidos, mas que assumem a forma de depoimentos espontâneos de pessoas anónimas, chama-se «Café Confidential» e dizer que é interessante é subestimar a importância do que ali está. A cultura pop, diz a «Wired», vem agora empacotada como embalagens de doces ou salgados em bocados do tamanho de uma dentada, suficientemente pequenos para permitirem downloads de alta velocidade – o resultado é entretenimento instantâneo e muito saboroso.
OUVIR – No meu top pessoal desta semana esteve mais um disco da coleccção de reedições do catálogo Impulse!, distribuído pela Universal Music, Desta vez o escolhido foi «The Blues And The Abstract Truth», uma histórica gravação de 1961, liderada pelo saxofonista Oliver Nelson (que fez os arranjos) e juntou ao seu lado nomes como Bill Evans, Roy Haynes, Eric Dolphy, Paul Chambers e Freddie Hubbard. Destaque para a faixa de abertura, «Stolen Moments», enérgica, muito bluesy e duas chamadas de atenção suplementares para o irresistível ritmo de «Hoe Down» e para os envolventes «Yearnin’» e «Teenie’s Blues».
VER – O jardim das Amoreiras é dos mais bonitos de Lisboa e convida mesmo, nestes dias, para uma visita à hora de almoço. É lá que fica o Museu da Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva. Para além da colecção permanente, podem ver até dia 17 de Junho próximo uma belíssima exposição sobre a obra de Arpad, esse pintor injustamente pouco reconhecido, que voluntariamente se apagou face a Vieira da Silva. Esta exposição faz-lhe justiça, mostra com detalhe o seu processo criativo, a sua forma intensa de preparar, criar e transformar as imagens até chegar à sua opção final na tela. É uma pena que em Portugal os museus estejam tão desertos como este – e se há exposição que merecia ser mostrada pelas escolas aos seus alunos é esta, precisamente por causa do que se pode ver sobre a forma como um grande pintor prepara o seu trabalho – a criatividade não é fruto do acaso, essa é a grande lição desta exposição.
COMER – Um dos bons sítios para comer pizzas na melhor tradição italiana, com bons igredientes, saborosas no tempero e cuidadas na confecção da massa – fininha e estaladiça – experimente o Lucca, perto da Avenida de Roma, na Travessa Henrique Cardoso 19 B. Encerra às quartas, ambiente simpático, serviço bom, telefone 217972687 ou 217971051.
BACK TO BASICS – A Economia é extremamente útil como uma garantia de emprego para os economistas – John kenneth Galbraith.
SEMANA – É oficial, o Direito é um talento familiar: no Tribunal Constitucional duas juízas que acabaram o mandato vão ser substituídas pelos respectivos maridos; o regresso de Paulo Portas ao PP deixa o cenário de uma batalha campal – seria esta a imagem que ele queria fazer passar? o momento mais alto da semana do líder do PSD foi a sua ida à Costa da Caparica ver os efeitos das marés vivas – já no Parlamento esteve piorzito (não se pode ser bom em tudo…); Salazar lidera votações no programa televisivo sobre os grandes portugueses está 22 mil votos à frente de D. Afonso Henriques, com Álvaro Cunhal em terceiro lugar.
LER – A edição deste mês da revista «Wired» é dedicada às novas formas de entretenimento, que aparecem com o tamanho e a rapidez de uma dentada num biscoito. A nova snack culture cria êxitos de um minuto, e o snack attack, como a revista lhe chama, inclui filmes, programas de televisão, canções e jogos. Na televisão um dos exemplos que está a ganhar mais fama é a micro-série desenvolvida pelo autor de «Hill Sreeet Blues», Steven Bocho, para o site www.metacafe.com. A série, com episódios de um minuto, escritos e produzidos, mas que assumem a forma de depoimentos espontâneos de pessoas anónimas, chama-se «Café Confidential» e dizer que é interessante é subestimar a importância do que ali está. A cultura pop, diz a «Wired», vem agora empacotada como embalagens de doces ou salgados em bocados do tamanho de uma dentada, suficientemente pequenos para permitirem downloads de alta velocidade – o resultado é entretenimento instantâneo e muito saboroso.
OUVIR – No meu top pessoal desta semana esteve mais um disco da coleccção de reedições do catálogo Impulse!, distribuído pela Universal Music, Desta vez o escolhido foi «The Blues And The Abstract Truth», uma histórica gravação de 1961, liderada pelo saxofonista Oliver Nelson (que fez os arranjos) e juntou ao seu lado nomes como Bill Evans, Roy Haynes, Eric Dolphy, Paul Chambers e Freddie Hubbard. Destaque para a faixa de abertura, «Stolen Moments», enérgica, muito bluesy e duas chamadas de atenção suplementares para o irresistível ritmo de «Hoe Down» e para os envolventes «Yearnin’» e «Teenie’s Blues».
VER – O jardim das Amoreiras é dos mais bonitos de Lisboa e convida mesmo, nestes dias, para uma visita à hora de almoço. É lá que fica o Museu da Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva. Para além da colecção permanente, podem ver até dia 17 de Junho próximo uma belíssima exposição sobre a obra de Arpad, esse pintor injustamente pouco reconhecido, que voluntariamente se apagou face a Vieira da Silva. Esta exposição faz-lhe justiça, mostra com detalhe o seu processo criativo, a sua forma intensa de preparar, criar e transformar as imagens até chegar à sua opção final na tela. É uma pena que em Portugal os museus estejam tão desertos como este – e se há exposição que merecia ser mostrada pelas escolas aos seus alunos é esta, precisamente por causa do que se pode ver sobre a forma como um grande pintor prepara o seu trabalho – a criatividade não é fruto do acaso, essa é a grande lição desta exposição.
COMER – Um dos bons sítios para comer pizzas na melhor tradição italiana, com bons igredientes, saborosas no tempero e cuidadas na confecção da massa – fininha e estaladiça – experimente o Lucca, perto da Avenida de Roma, na Travessa Henrique Cardoso 19 B. Encerra às quartas, ambiente simpático, serviço bom, telefone 217972687 ou 217971051.
BACK TO BASICS – A Economia é extremamente útil como uma garantia de emprego para os economistas – John kenneth Galbraith.
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AEROPORTO – No meio de toda a polémica sobre a OTA, um amigo meu, atento observador, interrogava-se: com a polémica e a suspeição instaladas e com o processo já irremediavelmente atrasado, porque não pensar numa solução Portela 2, com uma ampliação do aeroporto existente, e uma preparação mais cuidada da solução de futuro? Tal ampliação, em havendo boa vontade e cooperação intergovernamental, seria por exemplo possível com o recurso à área do aeroporto militar de Figo Maduro, que pega com a Portela, e que tem condições de espaço e pistas construídas suficientes para melhorar radicalmente a Portela e aumentar-lhe a vida útil. A sugestão é boa e parece fazer sentido – e se o Governo conseguir vencer os interesses de grupo e admitir que é melhor estudar mais a fundo o tema da OTA, sairá ganhador de uma contenda que de outra maneira se arrisca a passar por inexplicável teimosia.
SEMANA – É oficial, o Direito é um talento familiar: no Tribunal Constitucional duas juízas que acabaram o mandato vão ser substituídas pelos respectivos maridos; o regresso de Paulo Portas ao PP deixa o cenário de uma batalha campal – seria esta a imagem que ele queria fazer passar? o momento mais alto da semana do líder do PSD foi a sua ida à Costa da Caparica ver os efeitos das marés vivas – já no Parlamento esteve piorzito (não se pode ser bom em tudo…); Salazar lidera votações no programa televisivo sobre os grandes portugueses está 22 mil votos à frente de D. Afonso Henriques, com Álvaro Cunhal em terceiro lugar.
LER – A edição deste mês da revista «Wired» é dedicada às novas formas de entretenimento, que aparecem com o tamanho e a rapidez de uma dentada num biscoito. A nova snack culture cria êxitos de um minuto, e o snack attack, como a revista lhe chama, inclui filmes, programas de televisão, canções e jogos. Na televisão um dos exemplos que está a ganhar mais fama é a micro-série desenvolvida pelo autor de «Hill Sreeet Blues», Steven Bocho, para o site www.metacafe.com. A série, com episódios de um minuto, escritos e produzidos, mas que assumem a forma de depoimentos espontâneos de pessoas anónimas, chama-se «Café Confidential» e dizer que é interessante é subestimar a importância do que ali está. A cultura pop, diz a «Wired», vem agora empacotada como embalagens de doces ou salgados em bocados do tamanho de uma dentada, suficientemente pequenos para permitirem downloads de alta velocidade – o resultado é entretenimento instantâneo e muito saboroso.
OUVIR – No meu top pessoal desta semana esteve mais um disco da coleccção de reedições do catálogo Impulse!, distribuído pela Universal Music, Desta vez o escolhido foi «The Blues And The Abstract Truth», uma histórica gravação de 1961, liderada pelo saxofonista Oliver Nelson (que fez os arranjos) e juntou ao seu lado nomes como Bill Evans, Roy Haynes, Eric Dolphy, Paul Chambers e Freddie Hubbard. Destaque para a faixa de abertura, «Stolen Moments», enérgica, muito bluesy e duas chamadas de atenção suplementares para o irresistível ritmo de «Hoe Down» e para os envolventes «Yearnin’» e «Teenie’s Blues».
VER – O jardim das Amoreiras é dos mais bonitos de Lisboa e convida mesmo, nestes dias, para uma visita à hora de almoço. É lá que fica o Museu da Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva. Para além da colecção permanente, podem ver até dia 17 de Junho próximo uma belíssima exposição sobre a obra de Arpad, esse pintor injustamente pouco reconhecido, que voluntariamente se apagou face a Vieira da Silva. Esta exposição faz-lhe justiça, mostra com detalhe o seu processo criativo, a sua forma intensa de preparar, criar e transformar as imagens até chegar à sua opção final na tela. É uma pena que em Portugal os museus estejam tão desertos como este – e se há exposição que merecia ser mostrada pelas escolas aos seus alunos é esta, precisamente por causa do que se pode ver sobre a forma como um grande pintor prepara o seu trabalho – a criatividade não é fruto do acaso, essa é a grande lição desta exposição.
COMER – Um dos bons sítios para comer pizzas na melhor tradição italiana, com bons igredientes, saborosas no tempero e cuidadas na confecção da massa – fininha e estaladiça – experimente o Lucca, perto da Avenida de Roma, na Travessa Henrique Cardoso 19 B. Encerra às quartas, ambiente simpático, serviço bom, telefone 217972687 ou 217971051.
BACK TO BASICS – A Economia é extremamente útil como uma garantia de emprego para os economistas – John kenneth Galbraith.
SEMANA – É oficial, o Direito é um talento familiar: no Tribunal Constitucional duas juízas que acabaram o mandato vão ser substituídas pelos respectivos maridos; o regresso de Paulo Portas ao PP deixa o cenário de uma batalha campal – seria esta a imagem que ele queria fazer passar? o momento mais alto da semana do líder do PSD foi a sua ida à Costa da Caparica ver os efeitos das marés vivas – já no Parlamento esteve piorzito (não se pode ser bom em tudo…); Salazar lidera votações no programa televisivo sobre os grandes portugueses está 22 mil votos à frente de D. Afonso Henriques, com Álvaro Cunhal em terceiro lugar.
LER – A edição deste mês da revista «Wired» é dedicada às novas formas de entretenimento, que aparecem com o tamanho e a rapidez de uma dentada num biscoito. A nova snack culture cria êxitos de um minuto, e o snack attack, como a revista lhe chama, inclui filmes, programas de televisão, canções e jogos. Na televisão um dos exemplos que está a ganhar mais fama é a micro-série desenvolvida pelo autor de «Hill Sreeet Blues», Steven Bocho, para o site www.metacafe.com. A série, com episódios de um minuto, escritos e produzidos, mas que assumem a forma de depoimentos espontâneos de pessoas anónimas, chama-se «Café Confidential» e dizer que é interessante é subestimar a importância do que ali está. A cultura pop, diz a «Wired», vem agora empacotada como embalagens de doces ou salgados em bocados do tamanho de uma dentada, suficientemente pequenos para permitirem downloads de alta velocidade – o resultado é entretenimento instantâneo e muito saboroso.
OUVIR – No meu top pessoal desta semana esteve mais um disco da coleccção de reedições do catálogo Impulse!, distribuído pela Universal Music, Desta vez o escolhido foi «The Blues And The Abstract Truth», uma histórica gravação de 1961, liderada pelo saxofonista Oliver Nelson (que fez os arranjos) e juntou ao seu lado nomes como Bill Evans, Roy Haynes, Eric Dolphy, Paul Chambers e Freddie Hubbard. Destaque para a faixa de abertura, «Stolen Moments», enérgica, muito bluesy e duas chamadas de atenção suplementares para o irresistível ritmo de «Hoe Down» e para os envolventes «Yearnin’» e «Teenie’s Blues».
VER – O jardim das Amoreiras é dos mais bonitos de Lisboa e convida mesmo, nestes dias, para uma visita à hora de almoço. É lá que fica o Museu da Fundação Arpad Szenes- Vieira da Silva. Para além da colecção permanente, podem ver até dia 17 de Junho próximo uma belíssima exposição sobre a obra de Arpad, esse pintor injustamente pouco reconhecido, que voluntariamente se apagou face a Vieira da Silva. Esta exposição faz-lhe justiça, mostra com detalhe o seu processo criativo, a sua forma intensa de preparar, criar e transformar as imagens até chegar à sua opção final na tela. É uma pena que em Portugal os museus estejam tão desertos como este – e se há exposição que merecia ser mostrada pelas escolas aos seus alunos é esta, precisamente por causa do que se pode ver sobre a forma como um grande pintor prepara o seu trabalho – a criatividade não é fruto do acaso, essa é a grande lição desta exposição.
COMER – Um dos bons sítios para comer pizzas na melhor tradição italiana, com bons igredientes, saborosas no tempero e cuidadas na confecção da massa – fininha e estaladiça – experimente o Lucca, perto da Avenida de Roma, na Travessa Henrique Cardoso 19 B. Encerra às quartas, ambiente simpático, serviço bom, telefone 217972687 ou 217971051.
BACK TO BASICS – A Economia é extremamente útil como uma garantia de emprego para os economistas – John kenneth Galbraith.
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