DIGITAL – De acordo com um estudo da Datamonitor, na Europa e nos Estados Unidos existirão 187 milhões de lares com televisão digital em 2010, prevendo-se que o Velho Continente ultrapasse os Estados Unidos no final desse ano. O estudo prevê que, no final de 2009, 63% dos lares das duas regiões terão acesso à televisão digital. Actualmente já mais de 100 milhões de lares na Europa e Estados Unidos utilizam a televisão digital. Na Europa o mercado britânico é o mais desenvolvido, com uma penetração superior a 50%. O futuro não parece no entanto tão brilhante para a televisão por banda larga – na realidade as estimativas apontam para apenas 9% dos utilizadores a acederem ao digital por esta tecnologia (que inclui o acesso ADSL).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
setembro 04, 2006
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DIGITAL – De acordo com um estudo da Datamonitor, na Europa e nos Estados Unidos existirão 187 milhões de lares com televisão digital em 2010, prevendo-se que o Velho Continente ultrapasse os Estados Unidos no final desse ano. O estudo prevê que, no final de 2009, 63% dos lares das duas regiões terão acesso à televisão digital. Actualmente já mais de 100 milhões de lares na Europa e Estados Unidos utilizam a televisão digital. Na Europa o mercado britânico é o mais desenvolvido, com uma penetração superior a 50%. O futuro não parece no entanto tão brilhante para a televisão por banda larga – na realidade as estimativas apontam para apenas 9% dos utilizadores a acederem ao digital por esta tecnologia (que inclui o acesso ADSL).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
SILÊNCIO – Há silêncios muito ruidosos. No meio de toda a novela sobre a dimensão do controlo governamental da informação do serviço público, sente-se a falta de uma análise do provedor dos telespectadores ao alinhamento dos telejornais, em relação à questão em causa, o incêndio no Gerês.
FUTEBOL – Se dúvidas ainda existissem, a trapalhada no arranque da Liga e o somatório de disparates ditos e praticados por todas as partes na questão que opõe o Gil Vicente ao Belenenses, chegaria para demonstrar que o futebol continua a não ser visto nem como um desporto, nem como um saudável negócio de entretenimento, mas como um terreno de golpadas.
LER – A edição da revista «The Economist» do passado dia 26 de Setembro, com o título de capa «Who Killed The Newspaper?» - trata-se de uma das análises mais lúcidas sobre as origens da crise que atinge os jornais um pouco por todo o mundo. A revista dedica ao tema o editorial e um artigo de três páginas. O editorial abre com uma frase de Arthur Miller: «Um bom jornal, creio, é o país a falar consigo próprio». É daqui que se parte para uma visão desassombrada das relações entre poder político, poder económico e os media. No caso dos jornais mostra-se como o afastamento das realidades locais, do noticiário de proximidade, fez perder leitores; mostram-se exemplos de boa utilização das edições digitais, quer do ponto de vista editorial, quer do ponto de vista comercial. O artigo é muito reveladoramente intitulado «More media, less news». A qualidade e diversidade do conteúdo reflecte-se nas audiências – disso já ninguém tem dúvidas – e isso tem efeitos graves na publicidade. Estudos citados dizem que em 1995 a imprensa captava 36% do investimento publicitário global; esse número desceu para 30% em 2005 e cairá pelo menos para 25% em 2015. O artigo faz notar que as empresas de media são das únicas que praticamente não investem em investigação e desenvolvimento de novos produtos e novos negócios e mostra uma série de bons exemplos surgidos nos últimos tempos, num equilíbrio entre bom jornalismo e sentido comercial. Aqui está algo que devia fazer pensar algumas pessoas neste país.
OUVIR – Um dos discos mais emocionantes que ouvi este ano é a banda sonora do filme-documentário «Leonard Cohen – I’m Your Man», realizado por Lian Lunson. Todas as canções que integram esta banda sonora foram gravadas ao vivo no Brighton Festival de 2004, numa noite especial intitulada «Came So Far For Beauty: An Evening Of Leonard Cohen Songs». Este é daqueles discos que inevitavelmente nos fazem pensar em alguém e nos fazem sentir saudades. De entre os 16 temas destaco a versão de «I’m Your Man» por Nick Cave, a de «Sisters Of Mercy» por Beth Orton, a fantástica forma de Rufus Wainright cantar «Chelsea Hotel no. 2» e «Everybody Knows», ou the Antony interpretar «If It Will Be Your Will». Mas vale a pena também reter a forma como os The Handsome Family cantam «Famous Blue Raincoat», como Perla Batalla interpreta «Bird On The Wire» e uma versão de «Suzanne» por um trio de peso: Nick Cave, Julie Christensen e Perla Batalla. O disco, faltou dizer, termina com os U2 a acompanharem o próprio Leonard Cohen em «Tower Song». Claramente canções tórridas. (CD Universal).
CLÁSSICO – A esplanada do Toni, em Sesimbra, nas noites quentes. Experimentem as amêijoas, as gambas, se houver Imperador atirem-se a ele. Esta é uma daquelas marisqueiras históricas que continuam a ser incontornáveis. No centro de Sesimbra, Largo dos Bombaldes, tel 212 233 199.
BACK TO BASICS – Metade da população nunca leu um jornal e metade nunca votou – esperemos que seja a mesma metade (Gore Vidal).
setembro 01, 2006
UM REGIME PERIGOSO
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
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UM REGIME PERIGOSO
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
(sobre o fim de «O INDEPENDENTE»)
O regime patrocina o apoliticismo, o amorfismo, o acriticismo, enaltece o cinzentismo, cuida religiosamente do dogma da infalibilidade de quem manda e promove os guardiões do templo. Aos poucos, nos últimos anos, foi-se reduzindo o leque de sensibilidades com presença relevante nos media portugueses.
O futuro analisará o peso que teve a concentração de media no universo da PT num panorama de efectiva diminuição de liberdade de escolha dos leitores e de consequente declínio da qualidade dos títulos.
Num universo de degradação da experiência e qualidade das redacções, a agência noticiosa volta a ganhar relevância – que não teve durante uma série de anos. Hoje a taxa de publicação ipsis-verbis dos despachos da agência é maior que nos anos 90 e isso é sinal do desinvestimento nas redacções e da degradação da qualidade do produto final. Não há-de ser por acaso que o Governo e seus apêndices estrategicamente colocados dedicaram particular atenção à nomeação de um director para a agência Lusa, que já se tornou conhecido entre os jornalistas por querer ler de fio a pavio, com especial atenção, todo o noticiário político antes de ele ser enviado para a linha.
Hoje em dia a imprensa portuguesa está qualitativamente pior que há uns anos, é menos informativa, mais opinativa, e inevitavelmente, perdeu capacidade de iniciativa e desprezou a proximidade aos públicos destinatários. A agenda dos jornais é ditada de fora – não pela actualidade, mas pelo trabalho de assessores de governos, de empresas, de instituições. Mais do que sugerir o que se deve ler, o trabalho de todos estes profissionais dedica-se a evitar que algumas coisas sejam ditas, escritas, abordadas. São os assessores do silêncio e na realidade são eles que mandam em muitos media portugueses. Querem encontrar uma razão para a semelhança e vacuidade da generalidade dos media? Comecem por analisar a coisa por este prisma.
O espectro geral do que se pode ler é mais reduzido, é mais fácil manipular a informação e a opinião do que há uns anos atrás. Há menos vozes contra, há menos media críticos, há menos jornalismo de investigação, há menos procura de histórias que acrescentem alguma coisa de novo.
Quando um regime sorri ao ver diminuir o leque de informação de que a sociedade dispõe as coisas não vão nada bem; e quando a sociedade fica impassível assistindo à redução da sua possibilidade de escolha, então o assunto é mesmo sério.
Nota – Quando «O Independente» nasceu em 1988 eu era seu subdirector. Ao longo destes 18 anos de vida estive quase sempre mais ou menos ligado ao jornal. O «Indy» nasceu como um projecto contra a passividade, que é o que hoje abunda na sociedade portuguesa. Tenho muita honra em me terem deixado sempre escrever nestas páginas.
Faz falta um jornal assim – que saiba dizer não. Que saiba dizer: Basta!
O PONTO DE PARTIDA
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
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O PONTO DE PARTIDA
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
Os jornais acabam quando empresarialmente já não fazem sentido, não há volta a dar ao assunto. «O Independente» nasceu contra a passividade, uma coisa que hoje abunda na sociedade portuguesa. Para além das razões que levaram à situação actual, a verdade é que o fecho de «O Independente» significa uma redução do leque de sensibilidades presentes nos media portugueses - é um sinal político destes tempos onde o controlo da informação aperta e onde é arriscado abraçar - mesmo empresarialmente - projectos incómodos. O regime é cinzento e acinzenta tudo à sua volta.
Vale a pena recordar que «O Independente» foi o ponto de partida para um dos poucos grupos económicos exclusivamente dedicados aos media e com sucesso que existe em Portugal. Um grupo de capitalistas com coragem e sentido de risco juntou-se para criar uma empresa de comunicação e não interferiu no produto. Esses fundadores de «O Independente», os que o financiaram desde o início, merecem hoje uma palavra - até porque, a verdade, é que a situação mudou tanto que não sei se hoje seria possível juntar um investimento tão significativo como aquele que, há 18 anos, permitiu fundar um jornal assumidamente de direita num universo mediático que continua predominantemente alinhado à esquerda.
agosto 30, 2006
FOGOS – O Director de Informação da RTP escandalizou-se com a opinião de um jornalista, crítico e estudioso de TV, sobre a cobertura feita pelo canal do Estado aos incêndios, que acusou de ser manipulada para benefício da imagem do Governo. Ameaçou o autor das críticas de processos judiciais e garantiu ir recorrer à Entidade Reguladora, que agora pelos vistos é a depositária de queixinhas do concessionário de Serviço Público. Acho extraordinária a reacção: as pressões existem, conheço muita gente que as reconhece, conheço quem lhes resista e vejo quem lhes cede. Pensar que o Governo não interfere no Serviço Público é uma ficção perigosa, não é apenas uma ingenuidade própria de lolitas em busca da inocência perdida. A situação é antiga e está sempre presente ao longo dos anos – com o correr dos tempos foi-se refinando: hoje são sugestões transmitidas, cumplicidades sopradas, desabafos deixados cair – no sítio certo, na circunstância certa, com um objectivo preciso. Eduardo Cintra Torres, o crítico em questão, fez bem em recolher dados, mostrá-los, tornar evidente quais os serviços noticiosos que subalternizaram o noticiário relativo a incêndios; à RTP fica mal a maneira como reage, recorrendo a ameaças para justificar um alinhamento editorial mais próprio do Burkina Faso do que de Portugal.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
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FOGOS – O Director de Informação da RTP escandalizou-se com a opinião de um jornalista, crítico e estudioso de TV, sobre a cobertura feita pelo canal do Estado aos incêndios, que acusou de ser manipulada para benefício da imagem do Governo. Ameaçou o autor das críticas de processos judiciais e garantiu ir recorrer à Entidade Reguladora, que agora pelos vistos é a depositária de queixinhas do concessionário de Serviço Público. Acho extraordinária a reacção: as pressões existem, conheço muita gente que as reconhece, conheço quem lhes resista e vejo quem lhes cede. Pensar que o Governo não interfere no Serviço Público é uma ficção perigosa, não é apenas uma ingenuidade própria de lolitas em busca da inocência perdida. A situação é antiga e está sempre presente ao longo dos anos – com o correr dos tempos foi-se refinando: hoje são sugestões transmitidas, cumplicidades sopradas, desabafos deixados cair – no sítio certo, na circunstância certa, com um objectivo preciso. Eduardo Cintra Torres, o crítico em questão, fez bem em recolher dados, mostrá-los, tornar evidente quais os serviços noticiosos que subalternizaram o noticiário relativo a incêndios; à RTP fica mal a maneira como reage, recorrendo a ameaças para justificar um alinhamento editorial mais próprio do Burkina Faso do que de Portugal.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
AUDIOVISUAL – Na semana passada o Governo aprovou o Decreto-Lei que regulamenta medidas relativas ao fomento, ao desenvolvimento e à protecção das artes e actividades cinematográficas e audiovisuais. O comunicado do Conselho de Ministros sobre este assunto salienta que o objectivo do diploma é reforçar as «políticas públicas na área do cinema e do audiovisual, tanto através dos apoios ao desenvolvimento da criatividade e inovação artística no âmbito do ICAM, como através das parceiras com o sector privado e dos incentivos no âmbito do fundo de investimento agora criado, visando o desenvolvimento sustentado do tecido empresarial do sector, constituído nomeadamente por pequenas e médias empresas de produção independente». Palavras, lindas palavras. Assim que li isto perguntei logo à Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT) se conheciam o diploma e o que achavam. Resposta: em 3 de Novembro passado enviaram ao Secretário de Estado da Cultura a sua resposta aos projectos de diploma agora aprovados, mas nunca ninguém depois reagiu nem às sugestões, nem às críticas. Ignoravam o que ficou na versão final. Fui à procura do Diploma aprovado e não encontrei nada. Terei que esperar pela sua publicação em «Diário da República». Do documento enviado pela APIT ao Secretário de Estado destacam-se duas ideias-chave: as propostas mantinham uma situação de privilégio nos apoios ao cinema, área que nos últimos cinco anos recebeu 50 milhões de euros para apoios à produção, traduzidos em obras, na generalidade, de pouco valor criativo, artístico e muito menos económico; e o Governo não fazia um esforço sério para fomentar a consolidação do tecido industrial do audiovisual, uma coisa paradoxal num executivo que olha para plataformas digitais e para a convergência de meios como um dos caminhos do futuro. Este Governo volta pois a acarinhar o mito do artesanatozito pretensamente criativo do cinema português, uma fantasia caríssima e que, com raras excepções, não existe. Vou esperar por ler o texto final, mas o que estava nos projectos era mau, era um retrocesso, era a manutenção de um status quo que é responsável pelo nosso atraso na matéria.
VER – A edição de Setembro da revista «Wallpaper», em pleno processo de celebração dos seus dez anos de vida. A «Wallpaper» tornou-se numa das melhores revistas do final dos anos 90, partindo de um posicionamento centrado no design e na arquitectura. Nesta edição destaque precisamente para a consolidação do design no coleccionismo de arte contemporânea, e para os artigos sobre os novos trabalhos do arquitecto Jean Nouvel em Paris e Minneapolis, um museu em Aomori, no Japão e para o novo projecto de Rem Koolhas (Casa da Música, Porto), desta vez um museu em Seul, Coreia. A finalizar, já que esta semana estamos no audiovisual, uma boa lição para muitos dos que pensam cenários em Portugal, imagens das obras cenográficas para televisão da francesa Marina Gadonneix.
OUVIR – Jazz na Europa FM, 90.4 Lisboa.
CURIOSIDADE – O Café Império, renovado, que abre hoje em Lisboa.
BACK TO BASICS – Negar a evidência dá sempre mau resultado.
SÓ PODE SER ANEDOTA
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
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SÓ PODE SER ANEDOTA
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
Antes de mais nada deixem-me esclarecer que sou completamente a favor de um apertado controlo de uso de armas de fogo, quer por civis, quer por forças policiais. Manifesta e factualmente Portugal é neste domínio um país descontrolado – em parte por causa dos caçadores, em parte pela forma como as forças policiais têm tradicionalmente utilizado armas de fogo, quer em serviço, quer os seus agentes enquanto civis.
Mas até dou de barato que convém regulamentar bem e limitar a utilização de armas de fogo por civis – e sempre achei que a forma como em época de caça se passeiam, exibem e utilizam armas é uma coisa absolutamente inaceitável – e que objectivamente cria a existência de um número elevado de espingardas, algumas das quais são depois utilizadas noutras actividades.
Regulamente-se, portanto. Mas para manter alguma seriedade na coisa, convirá que se regulamente com lógica.
A nova lei prevê, e bem, que as licenças de utilização de armas, estejam dependentes da frequência de um curso de formação técnica e cívica. Ora aqui é que começa a parte anedótica da legislação: é que a Lei prevê que estes cursos sejam ministrados pela PSP ou por entidades que ela credencie. O ponto é precisamente este: alguém em seu perfeito juízo acha que a PSP pode ser referência em formação cívica? Uma força policial que abusa da autoridade, da força, e das armas de que dispõe, que ora foge do crime organizado, ora faz uso desproporcionado da força em conflitos controlados, que referências cívicas tem? O legislador deveria reconverter-se para escritor de anedotas: acreditar que a PSP seja uma referência cívica é um erro fatal – tanto mais que o historial de uso indevido de armas de fogo pelos seus agentes, em serviço e fora dele, é manifestamente uma prova precisamente do contrário. A PSP na prática é a força que decide quem pode e não pode usar arma – é isso que está na letra da Lei e isso é uma garantia de insegurança certa, uma porta aberta para o arbítrio, e tendo em conta casos recentes, mais uma possibilidade de corruptelas variadas.
Outro ponto que esta Lei mantém, inexplicavelmente, é a concessão automática de licenças de uso e porte de arma a deputados e governantes – deve ser alguma herança do jacobinismo do início da República, mas nos dias de hoje é inexplicável.
De boas intenções está o inferno cheio – e esta Lei parece ser apenas um somatório de boas intenções para tranquilizar os simples de espírito
agosto 24, 2006
O MISTÉRIO
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
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O MISTÉRIO
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
O Ministro António Costa teve a coragem de tocar no ponto crucial da questão dos incêndios: a prevenção não funcionou. Para isto ter chegado a este ponto há um conjunto de razões e essas é que todos gostávamos de ver resolvidas.
Em primeiro lugar há incêndios porque eles servem aos interesses económicos de muita gente. O terreno dos interesses é vasto, suspeita-se que acidentado, e embora isto possa parecer uma heresia, provavelmente junta quem lucra com a madeira ardida e quem lucra com o combate aos incêndios. Os incêndios, em si, a triste verdade é esta, transformaram-se numa indústria macabra. É o mistério mais mal escondido de Portugal.
Mas António Costa tocou noutro ponto: o dos fundamentalismos ambientais. Provavelmente sabe do que fala e tem carradas de razão. Portugal anda desde há uns anos a ser governado por um lobby que faz do ambiente uma bandeira para facturar – o Primeiro Ministro deve saber bem disso, de quando ocupou a pasta do ambiente. Alguns ambientalistas estão ao nível dos piores patos bravos, apenas que em sentido contrário. Têm escritório montado, operação de realções públicas em funcionamento e fazem lucrativas consultorias ao Estado. António Costa teve coragem em os denunciar, esperamos que tenha força para resolver o problema. Os ambientalistas bloqueiam os interesses públicos e raramente o fazem nos interesses privados, já repararam?
E em terceiro lugar há o eterno e omnipresente Ministério das Finanças. Está dito e redito que uma parte imensa da floresta portuguesa é um imbróglio jurídico de heranças mal resolvidas – mas é também um caso social grave. Muita gente que herdou pequenas parcelas não tem dinheiro para as manter e limpar. Um Mistério das Finanças que fosse próximo dos cidadãos e do país (e não dos diktat de Bruxelas) podia pensar em fazer deduções à colecta dos gastos incorridos na limpeza de matas, na base de um custo determinado por área definida – ou temos ilusões de que no interior das zonas florestais não se conhece o que são facturas nem IVA, por mais que Bruxelas urre e espernei?. Será que ninguém pode explicar aos burocratas que melhor é deduzir x por metro quadrado limpo que deixar arder hectares por falta de factura legalmente aceitável?
O país profundo vive longe da Europa, de Bruxelas e mesmo do simplex. Experimentem estar numa aldeia do interior e pedir a um trabalhador rural para passar um recibo verde respeitante à limpeza de uma mata. Alguém acredita na seriedade de um Estado que não reconhece a realidade do que administra?
GALOPANTE - O montante total de «product placement» pago em programas de televisão, filmes e outros media vai aumentar 38,8% para 3,07 mil milhões de dólares em 2006, revela um estudo desenvolvido pela empresa norte-americana PQ. Segundo o mesmo estudo já em 2005 se tinha verificado um aumento de 42,2%, para um valor total de 2,21 mil milhões de dólares. « O Product Placement evoluiu de ser apenas uma nova táctica de marketing para se tornar numa peça fundamental das estratégias de marketing a nível global e isso tem a ver com a procura de formas de estabelecer ligações emocionais fortes com os consumidores», sublinhou o presidente da empresa. Segundo o mesmo estudo o país onde existem maiores investimentos em product placement é os Estados Unidos, seguidos pelo Brasil, Austrália, França e Japão. Segundo a PQ Media em 2010 o mercado global de Product Placement deve atingir os 7,55 mil milhões de dólares com um ritmo de crescimento médio anual de 27,9%.
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
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GALOPANTE - O montante total de «product placement» pago em programas de televisão, filmes e outros media vai aumentar 38,8% para 3,07 mil milhões de dólares em 2006, revela um estudo desenvolvido pela empresa norte-americana PQ. Segundo o mesmo estudo já em 2005 se tinha verificado um aumento de 42,2%, para um valor total de 2,21 mil milhões de dólares. « O Product Placement evoluiu de ser apenas uma nova táctica de marketing para se tornar numa peça fundamental das estratégias de marketing a nível global e isso tem a ver com a procura de formas de estabelecer ligações emocionais fortes com os consumidores», sublinhou o presidente da empresa. Segundo o mesmo estudo o país onde existem maiores investimentos em product placement é os Estados Unidos, seguidos pelo Brasil, Austrália, França e Japão. Segundo a PQ Media em 2010 o mercado global de Product Placement deve atingir os 7,55 mil milhões de dólares com um ritmo de crescimento médio anual de 27,9%.
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
IRRA - Um novo media está a nascer nos Estados Unidos, dirigido aos jogadores de golfe. A ideia é aproveitar os ecrãs dos sistemas de GPS que já existem nos buggys de alguns clubes de golfe (no Algarve já existem vários assim equipados). Para além da localização da bola, distância ao buraco e conselhos para o shot a efectuar, os ecrãs veiculariam mensagens publicitárias seleccionadas dirigidas a clientes com elevado poder de compra. O sistema está a ser desenvolvido nos Estados Unidos pela ProLink Solutions. Já nem no golfe se poderá estar descansado?
FOFOCA - Um site norte-americano dedicado a jornalistas, que funciona como bolsa de emprego, mas também como fonte de notícias sobre media, fofoca de redacções e seus profissionais, está a tornar-se num êxito de tal maneira grande que já surgiram diversos interessados na sua aquisição, desde companhias de media até empresas de colocação e emprego. Vale a pena visitar www.mediabistro.com para ver como ele é de facto muito bem conseguido.
LER – O mais recente livro de Vasco Pulido Valente lê-se de um fôlego e é arrebatador como um bom thriller. Não se trata de um romance, mas sim da biografia de Henrique Paiva Couceiro, titulada «Um Heróis Português». Paiva Couceiro viveu entre 1861 e 1944 e nesta obra, a pretexto da vida do militar, aventureiro, político, percorre-se também a História de Portugal desse período. Vasco Pulido Valente diz que Paiva Couceiro viveu a vida de um D.Quixote, e é a sensação de aventura que percorre todo o livro. Vasco Pulido Valente é provavelmente quem melhor escreve sobre a História recente de Portugal e uma das cabeças que melhor e mais lucidamente reflecte sobre o país. Este livro reafirma isso exactamente.
OUVIR – Gosto de comprar compilações – gosto de as ouvir, de sentir a conjugação de estilos, o encadeamento de sons. A Deutsche Grammophon tem uma série de compilações a que chamou «Weekend Classics». Antes de vir de férias comprei na FNAC o «Baroque Guitar Weekend» e a verdade é que tem funcionado como banda sonora de grande parte do meu verão – a guitarra transmite-me uma sensação que supera as ausências, que evoca os bons momentos e que me ajuda a ler. Na compilação estão peças de Vivaldi, Bach, Weiss, Handel e as inevitáveis «Suite Española» de Gaspar Sanz e o clássico «Greensleeves», um tradicional do século XVI. Instrumento importante da música barroca, mas muito desprezado depois e apenas retomado pelas músicas populares do século XX, a guitarra tem em si uma particularidade que não pára de seduzir – pode estar sozinha que a riqueza do seu som é sempre surpreendente.
PETISCO – Numa destas tardes, mão amiga fez-me provar uma das delícias da gastronomia portuguesa: a utilização de molho vilão como base para acolher carne de caça desfiada, uma ideia ribatejana. No caso foi uma perdiz, simplesmente cozida e depois desossada e desfiada em bocados pequenos. O molho vilão tem uma receita simples: duas partes de bom azeite para um pouco menos que uma parte de bom vinagre de vinho, sal, pimenta, tudo bem mexido. A esta vinagreta junta-se uma cebola picadinha muito fina, salsa picada e um ou dois dentes de alho também picados. Há quem lhe junte colorau. O molho assim preparado aparece um pouco por toda a parte, desde Trás-os montes (com coelho), aos Açores para realçar chicharros ou à Madeira, para dar mais vida às cavalas. Assim, com a perdiz desfiada bem misturada e ensopada no molho, faz uma pasta que fica uma delícia a barrar fatias de bom pão cortado fininho. Dizem que feito de véspera ainda fica melhor. Preparado por quem sabe e na boa companhia isto é mesmo um petisco.
BACK TO BASICS – Parte do segredo de uma vida de sucesso é comer aquilo de que se gosta e deixar que os alimentos se degladiem depois dentro do nosso corpo (Mark Twain).
agosto 13, 2006
PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
Untitled
PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
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ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
agosto 06, 2006
TRAPALHADAS – Hoje proponho um exercício de imaginação: ora agora
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
AS LISTAS
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
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AS LISTAS
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
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TRAPALHADAS – Hoje proponho um exercício de imaginação: ora agora
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
julho 31, 2006
ANÚNCIOS - Duas pequenas revoluções no mundo da publicidade televisiva nos Estados Unidos durante a última semana: a TIVO (um gravador digital de conteúdos programável e que permite seleccionar exactamente o que se pretende gravar entre as várias emissões de televisão) actualmente utilizado em quatro milhões e meios de lares americanos, anunciou que vai iniciar um serviço de medida de audiências dos spots publicitários pelos seus utilizadores, segundo a segundo, permitindo assim avaliar a capacidade de os anunciantes contactarem com os espectadores que fundamentalmente vêem apenas a gravação de programas; e a cadeia de televisão NBC assinou um contrato com a Toyota que garante ao fabricante automóvel um determinado nível de envolvimento da audiência nos seus spots televisivos – é a primeira vez nos Estados Unidos que um contrato de publicidade é feito com base numa garantia de um número mínimo pré-estabelecido de espectadores para uma campanha.
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
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ANÚNCIOS - Duas pequenas revoluções no mundo da publicidade televisiva nos Estados Unidos durante a última semana: a TIVO (um gravador digital de conteúdos programável e que permite seleccionar exactamente o que se pretende gravar entre as várias emissões de televisão) actualmente utilizado em quatro milhões e meios de lares americanos, anunciou que vai iniciar um serviço de medida de audiências dos spots publicitários pelos seus utilizadores, segundo a segundo, permitindo assim avaliar a capacidade de os anunciantes contactarem com os espectadores que fundamentalmente vêem apenas a gravação de programas; e a cadeia de televisão NBC assinou um contrato com a Toyota que garante ao fabricante automóvel um determinado nível de envolvimento da audiência nos seus spots televisivos – é a primeira vez nos Estados Unidos que um contrato de publicidade é feito com base numa garantia de um número mínimo pré-estabelecido de espectadores para uma campanha.
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
UM COBRADOR DE FRAQUE
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
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UM COBRADOR DE FRAQUE
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
julho 27, 2006
PUBLICIDADE - O Governo decidiu apresentar um projecto de Código do Consumidor que junta num só saco questões relativas à indústria da publicidade e à defesa do consumidor. No já conhecido afã intervencionista, o executivo prevê uma nova Entidade Reguladora e propõe-se ir aos consumidores e anunciantes buscar as receitas necessárias para pagar o seu funcionamento. Pior, prevê um registo de empresas de publicidade, com o evidente objectivo de corporativizar e condicionar uma actividade que tem bem vivido sem o papel tutelar do Estado – enfim , mais uma prova do que é a visão liberal deste executivo. O novo projecto é uma confusão que, ao querer juntar a regulamentação sobre a actividade publicitária no mesmo diploma onde se procuram garantir direitos do consumidor relativamente à forma como a publicidade os alcança, acaba por tornar toda a situação muito mais confusa e sob a interferência do Estado do que existia até aqui. Um enorme retrocesso, um passo atrás, que curiosamente passa ao lado de questões bem mais importantes, como a de fazer que os organismos públicos ou financiados por dinheiro público, consultem e tratem em pé de igualdade empresas nacionais e multinacionais – porque o que existe hoje em dia é um descarado favorecimento das multinacionais.
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
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PUBLICIDADE - O Governo decidiu apresentar um projecto de Código do Consumidor que junta num só saco questões relativas à indústria da publicidade e à defesa do consumidor. No já conhecido afã intervencionista, o executivo prevê uma nova Entidade Reguladora e propõe-se ir aos consumidores e anunciantes buscar as receitas necessárias para pagar o seu funcionamento. Pior, prevê um registo de empresas de publicidade, com o evidente objectivo de corporativizar e condicionar uma actividade que tem bem vivido sem o papel tutelar do Estado – enfim , mais uma prova do que é a visão liberal deste executivo. O novo projecto é uma confusão que, ao querer juntar a regulamentação sobre a actividade publicitária no mesmo diploma onde se procuram garantir direitos do consumidor relativamente à forma como a publicidade os alcança, acaba por tornar toda a situação muito mais confusa e sob a interferência do Estado do que existia até aqui. Um enorme retrocesso, um passo atrás, que curiosamente passa ao lado de questões bem mais importantes, como a de fazer que os organismos públicos ou financiados por dinheiro público, consultem e tratem em pé de igualdade empresas nacionais e multinacionais – porque o que existe hoje em dia é um descarado favorecimento das multinacionais.
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
A FANTASIA
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
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A FANTASIA
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
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