PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
agosto 13, 2006
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PREVER – Um recente estudo da McKinsey prevê que a televisão, enquanto veículo catalisador de vendas através da publicidade, continuará a perder relevância de forma ainda mais acelerada nos próximos anos. O estudo, divulgado esta semana nos Estados Unidos, prevê que em 2010 a televisão terá um terço da eficácia que tinha em 1990. O estudo aponta para uma quebra de 23% na audiência dos blocos publicitários devida a mudança de canal, uma quebra de 9% proveniente do aumento de utilização simultânea de vários media e uma quebra de eficácia de 37% das mensagens publicitárias devido a saturação. Na última década, nos Estados Unidos, o investimento publicitário em prime time aumentou 40%, apesar de as respectivas audiências terem caído 50% - o que efectivamente quer dizer que os anunciantes têm vindo a pagar mais, aumentando bastante o custo por contacto – aliás o mesmo se tem vindo a passar na rádio e na imprensa.. Nos Estados Unidos os teenagers passam frente à TV menos de metade do tempo gasto por um adulto. Entre os 18 e os 26 anos o tempo dedicado a utilizações online já supera o consagrado à televisão. O resultado é evidente – no ano passado os investimentos publicitários na net atingiram 12,5 mil milhões de dólares, no final de 2007 devem atingir entre 18 a 25 mil milhões nos Estados Unidos, enquanto o mercado da televisão vale actualmente 68 mil milhões. O estudo sugere que seja desenvolvida um novo critério de análise, que não se basei exclusivamente no número de espectadores, mas que tenha em conta aspectos qualitativos, como a atenção prestada e a capacidade de retenção das mensagens.
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
INOVAR – Um estudo de mercado recente efectuado nos Estados Unidos mostrou que cerca de 30% das pessoas não tomam nada para aliviar as dores de cabeça, única e exclusivamente porque não dá jeito ir à procura de um copo de água para tomar o comprimido. Qual a solução para isto, interrogou-se o laboratório McNeil, responsável pelo Tylenol, um dos anlgésicos mais vendidos? Pois então o melhor será prescindir da água e introduzir no mercado um Tylenol pastilha elástica, que possa ser chupado e mastigado, em vez de ingerido com o auxílio de líquidos. O novo produto c hama-se Tylenol Go, terá o apoio de uma campanha de publicidade de 30 milhões de dólares no seu lançamento.
OUVIR – O ritmo é envolvente, a voz é arrebatadora, o ambiente criado é sedutor. No conjunto trata-se de uma das melhores surpresas musicais saídas de França nos últimos tempos. Dajla é filha de mãe francesa e de pai tunisino. O disco decorre entre os universos da spoken word, o jazz e os blues, com uma produção e execução a cargo de um hip-hopper, Benjamim Bouton , um multi-instrumentista talentoso que baseia boa parte dos arranjos na sonoridade inconfundível de um órgão Hammond. Dajla começou por tocar piano, andou a tocar baixo nalgumas bandas e terminou a explorar as enormes potencialidades da sua voz, que ora é tímida, ora se revela exuberante e sensual. Mão amiga deu-mo a ouvir, nada melhor para acompanhar uma noite de verão que há-de ficar gravada na memória… Dajla, «Soul Poetry», CD Undercover, disponível na FNAC.
VER – Eu sei que é um bocadinho longe, mas vale a pena pelo menos explorar a informação que está na NET. Trata-se de uma iniciativa única, que decorre em San José, Califórnia, no coração de Silicon Valley, «AboutZeroOne, Global Festival of Art on the Edge». 200 artistas de todo o mundo concentram-se ali durante sete dias neste verão, entre 7 e 13 de Agosto. A ideia é explorar a crescente interacção entre a arte e a cultura digital. Do programa constam exposições, filmes, performances, workshops , concertos e outras actividades. A iniciativa é apoiada em parte pela cidade de San José, mas maioritariamente pela iniciativa privada – e é fascinante ver a forma como tudo está planeado e organizado – na net, pelo menos. Uma das participantes, que descobri por acaso, é uma artista de origem portuguiesa, Beatriz da Costa, que se dedica a trabalhar formas de intervenção artística no cruzamento com a defesa do meio ambiente
COMER – Passar o mês de Agosto em Lisboa tem as suas vantagens - a cidade fica mais fácil. O ideal é encontrar um restaurante simpático, com bom ar condicionado, que tenha na ementa pratos frescos, bons para a época. Uma casa que se enquadra que nem uma luva nesta descrição é o Latino, nas Avenidas Novas. Sala espaçosa, bom serviço, muito boa cozinha – sem imaginações delirantes mas cuidada e baseada em boa matéria prima. Nesta altura do ano tem uns jaquinzinhos deliciosos, muito bem fritos, acompanhados de salada; se não gostar da ideia, deixe-se tentar por uns filetes de linguado acompanhados de salada russa; quer os filetes quer a salada estavam do melhor. A imperial é honesta, a carta de vinhos é boa, o preço é comedido. Latino, RuaLatino Coelho 18, Tel.213 141 897.
BACK TO BASICS – A melhor forma de prever o futuro, é inventá-lo (Alan Kay).
ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
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ISTO ESTÁ A FICAR CHATO…
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
Uma das coisas mais desagradáveis do clima político que se anda a viver é o sentimento da imposição de medidas muito politicamente correctas – todas elas traduzidas num reforço da interferência do Estado na vida dos cidadãos. Na verdade, isto não é uma novidade – quer dizer, não é bem uma surpresa vinda de José Sócrates.
Há uns anos atrás, quando era responsável no Governo Guterres pela pasta do Ambiente, José Sócrates fez um programa baseado num manual do que era politicamente correcto em matéria ambiental, impondo o que quis, baseado exclusivamente na autoridade que lhe vinha do cargo que exercia.
Desde essa altura que reparo que José Sócrates tem uma característica muito peculiar: gosta de ter poder, de o exercer, e o mais das vezes exerce-o impondo medidas em nome do Estado e invocando sempre o bem colectivo. Intrinsecamente – até eventualmente pelas melhores razões – ele está convencido das suas opções, acha que tem razão numa série de coisas que quer fazer, e não quer perder tempo. José Sócrates gosta demais da autoridade quando ela está nas suas mãos e não sei se isso é uma boa característica para um Primeiro-Ministro – este apego ao Poder e à autoridade é sempre o justificativo para interferir nas liberdades individuais, para condicionar a vida dos cidadãos. O bem colectivo é sempre o pretexto invocado pelos apóstolos do politicamente correcto e do peso do Estado, mas quando a definição do bem colectivo está nas mãos de uma pessoa, a coisa tem tendência a complicar-se
Confesso que não gosto do Estado, muito menos de um Estado quem está cada vez mais autoritário, cada vez mais regulamentador. Inevitavelmente este Estado cobra cada vez mais e retribui cada vez menos – começa a caminhar para viver para si próprio.
A concentração de poderes, a concentração das fontes de informação sensíveis (polícias, secretas, fiscais, judiciais) está cada vez mais num círculo muito apertado do poder político, fisicamente próximo do Primeiro Ministro. Esta concentração de poder e as informações recolhidas são demasiado pouco controladas pelos cidadãos. A realidade é esta: o controlo que o Estado quer exercer sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos é o mesmo que o Estado não aceita na verificação das informações que recolhe. Num cenário de concentração de poder num círculo estreito – como hoje acontece – estes factos são muito preocupantes tanto mais que existe sempre a possibilidade de alguém aproveitar informações do Estado para a luta política. É uma tentação - e não sei bem se aqueles que amam demasiado o poder e a autoridade lhe saberão resistir.
agosto 06, 2006
TRAPALHADAS – Hoje proponho um exercício de imaginação: ora agora
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
AS LISTAS
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
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AS LISTAS
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
Nunca gostei muito da ideia de fazer listas com nomes de pessoas. Alguns maus momentos da História da Humanidade estão associados à mania de listar pessoas. A nossa própria História de Portugal tem a sua boa parte de maus momentos nesta matéria.
Afixar publicamente listas de pessoas, englobando-as dentro de determinado grupo ou categoria, ou sob determinada acusação, sem possibilidade de defesa, sem qualquer espécie de julgamento, parece-me o mais perigoso de todos os procedimentos, o mais totalitário e anti-democrático sinal do autoritarismo do Estado e da imposição do seu poder.
Pretende-se com a afixação de listas evidenciar transparência, sugerir vigilância – mas o efeito prático é sobretudo o de procurar descriminar, apontar e humilhar publicamente pretensos faltosos ou incupridores.
Uma das piores coisas desta afixação de listas reside no facto de o Estado se assumir como o vigilante todo poderoso, omnipresente, que não tem dúvidas nem se engana, e que expõe os seus súbditos como bem entende. O Estado é dono de tudo e dono de todos e faz o que quiser, como quiser, a quem quiser – é nisto que esta prática se baseia.
Não é certamente por acaso que esta medida é tomada pelo Ministério das Finanças, que neste Governo tem sido o mais acabado exemplo de perseguição e punição dos cidadãos. Incapaz de fazer uma política fiscal mais justa, que conceda vantagens a quem as merece, que seja dinâmico a criar mecanismos de estímulo de poupança e captação de investimento, incapaz de fazer pagar quem pode e deve, o Ministro Teixeira dos Santos ficará na memória por ser o obreiro dos mais brutais impostos directos e indirectos que atingem em primeiro lugar os trabalhadores por conta de outrem, por reduzir a esperança de poupança das famílias, por penalizar a simples existência de uma pessoa neste país. Com Teixeira dos Santos cada cidadão paga mais ao Estado e o Estado garante-lhe menos. A verdade é esta e não há volta a dar-lhe. Ele é o bastião ideológico do socialismo absolutista e despesista, o arauto da perseguição ao trabalho, o carrasco da punição do justo rendimento.
É muito mau sinal quando um Primeiro Ministro permite – e se calhar até estimula – que o Estado se arme em justiceiro à margem dos tribunais e aponte a dedo na praça pública quem os serviços bem entendem. Abrem-se com esta medida precedentes gravíssimos, cria-se uma brecha nos Direitos individuais. Esta é uma daquelas medidas que não honra quem a tomou, que mancha quem a permitiu.
Untitled
TRAPALHADAS – Hoje proponho um exercício de imaginação: ora agora
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.
JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.
LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.
OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.
ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…
BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.
julho 31, 2006
ANÚNCIOS - Duas pequenas revoluções no mundo da publicidade televisiva nos Estados Unidos durante a última semana: a TIVO (um gravador digital de conteúdos programável e que permite seleccionar exactamente o que se pretende gravar entre as várias emissões de televisão) actualmente utilizado em quatro milhões e meios de lares americanos, anunciou que vai iniciar um serviço de medida de audiências dos spots publicitários pelos seus utilizadores, segundo a segundo, permitindo assim avaliar a capacidade de os anunciantes contactarem com os espectadores que fundamentalmente vêem apenas a gravação de programas; e a cadeia de televisão NBC assinou um contrato com a Toyota que garante ao fabricante automóvel um determinado nível de envolvimento da audiência nos seus spots televisivos – é a primeira vez nos Estados Unidos que um contrato de publicidade é feito com base numa garantia de um número mínimo pré-estabelecido de espectadores para uma campanha.
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
Untitled
ANÚNCIOS - Duas pequenas revoluções no mundo da publicidade televisiva nos Estados Unidos durante a última semana: a TIVO (um gravador digital de conteúdos programável e que permite seleccionar exactamente o que se pretende gravar entre as várias emissões de televisão) actualmente utilizado em quatro milhões e meios de lares americanos, anunciou que vai iniciar um serviço de medida de audiências dos spots publicitários pelos seus utilizadores, segundo a segundo, permitindo assim avaliar a capacidade de os anunciantes contactarem com os espectadores que fundamentalmente vêem apenas a gravação de programas; e a cadeia de televisão NBC assinou um contrato com a Toyota que garante ao fabricante automóvel um determinado nível de envolvimento da audiência nos seus spots televisivos – é a primeira vez nos Estados Unidos que um contrato de publicidade é feito com base numa garantia de um número mínimo pré-estabelecido de espectadores para uma campanha.
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
EFICÁCIA- A cidade de Londres está a fazer uma ofensiva junto das principais firmas de Silicon Valley para que elas estabeleçam as sedes das suas operações europeias na capital britânica. Esta ofensiva está a ser feita por uma agência público-privada que envolve o Mayor de Londres e empresas da cidade, a Think London. A agência garante que tem condições de garantir a instalação de novas empresas estrangeiras na cidade em apenas seis semanas, desde o registo da sociedade até todas as etapas da legalização e, inclusivamente, ajudando a encontrar instalações, assessorias legais e contabilísticas, equipamentos e recursos humanos. Ora digam-me lá: Lisboa, que tem um clima bem melhor que Londres, não podia também fazer um esforçozinho para se dar a conhecer nestes mercados em vez de andar fundamentalmente em romarias em feiras de construtores e promotores imobiliários?
SUDOESTE- O cartaz deste ano do Festival do Sudoeste é completamente arrasador e deixa a milhas de distância a bimbalhice pseudo-solidária do Rock In Rio Lisboa. Na sua décima edição, o Sudoeste, que decorre dias 3,4,5 e 6 de Agosto, tem um elenco internacional que apresenta, entre outros, Brazilian Girls, Prodigy, Goldfrapp, Marcelo D2, Madness e Daft Punk, entre outros. E entre os nacionais lá estarão Boss AC, Xutos & Pontapés, Gaiteiros de Lisboa, David Fonseca e Revistados. Muitos anos antes de o Rock In Rio vir sacar dinheiro aos portugueses já por cá se faziam grandes festivais. Longa vida ao Sudoeste!
VER – A exposição «Stargate», de Alexandre Estrela, a sua primeira grande mostra individual, surpreendente e incontornável, no Museu do Chiado até 17 de Setembro e nas palavras do Director do Museu, Pedro Lapa, «Esta exposição (…) reúne um amplo conjunto de trabalhos especialmente produzidos para o efeito, a par de outros mais antigos do seu vasto trabalho, que se integram no conceito orientador desta mostra: a ciência como ficção ou ficção científica como protensão do gesto artístico.»
DEVORAR – A edição de Agosto da revista «Vanity Fair», com Hilary Swank na capa e com três notáveis artigos: o relato de todas as peripécias à volta do filme sobre a vida da fantástica fotógrafa Diane Arbus, protagonizando Nicole Kidman, e que esteve 20 anos em desenvolvimento e concepção, acabando com um orçamento de 17 milhões de dólares; uma muito educativa investigação sobre a corrupção dos políticos em Washington; e uma bela entrevista com a cantora Sheryl Crow, em luta contra um cancro da mama.
LER - «Poemas e Cartas» de Emily Dickinson, uma antologia organizada já há algum tempo por Nuno Vieira de Almeida, baseada numa tradução de Nuno Júdice, e com edição da Cotovia. É um livro arrebatador, intenso, que faz saudades.
OUVIR – Jack Johnson nasceu e cresceu no Hawai, aprendeu a tocar guitarra ao mesmo tempo que começava a surfar, e talvez por isso as suas canções têm aquele contagiante entusiasmo dos discos bons para ouvir com o mar por perto. Foi isso mesmo o que fiz, com o CD «In Between Dreams», de Março deste ano, uma colecção de 14 canções simples (baixo, bateria, guitarra e voz), directas, sentidas e eficazes. Um conceito de produção minimalista, uma capacidade de escrita invulgar, uma maneira de cantar desprendida mas irresistível.
BACK TO BASICS – Às vezes não é pior parar para pensar (pensamento de férias)
UM COBRADOR DE FRAQUE
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
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UM COBRADOR DE FRAQUE
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
Ao princípio este Governo vestiu umas pelezinhas de liberal, apresentava-se pronto a diminuir o peso do Estado, dizia-se comprometido em estimular a iniciativa e a responsabilidade dos cidadãos. De há uns meses a esta parte, no entanto, nota-se cada vez mais que são criados novos organismos – fiscalizadores na maior parte dos casos – e sabe-se que o número de funcionários do Estado aumentou. A outro nível os impostos sobem para os trabalhadores por conta de outrem e, em termos de segurança social, assiste-se a um reforço da intervenção do Estado, a um agravamento das condições dos contribuintes do sistema e, pior, a um anunciado projecto que visa concentrar ainda mais as pensões de reforma no controlo do Estado, em vez de criar mecanismos e incentivos para que novos sistemas privados possam complementar o que o Estado se tem revelado incapaz de fazer: gerir bem os dinheiros que lhe são confiados.
Na verdade, depois de ter andado a usar uma cosmética que mascarava de centro a tez de esquerda e estatista do PS, o Governo agora abandonou todas as maquilhagens e cada vez mais actua de forma marcadamente ideológica, em detrimento do palavreado reformista. Pelo andar da carruagem quer-me parecer que, no final da legislatura, vai ser bem mais claro do que aquilo que inicialmente se imaginava que José Sócrates cairá na tentação do Estado todo poderoso, gastador e sem respeito pelos contribuintes.
Uma das facetas dessa falta de respeito começa a mostrar-se num persistente e crescente autismo, que rejeita sequer ouvir críticas ou observações, que liminarmente descarta sugestões e que apresenta um Primeiro-Ministro que se mostra como iluminado e detentor da verdade absoluta. A soberba nunca é boa conselheira, a dificuldade em ouvir nunca dá bons resultados.
Com o que já se passou – desde a trapalhada inicial das promessas de não aumentar impostos até à subida galopante do IVA e do IRS, passando pelo saque no sistema da previdência – este Governo assemelha-se mais a um cobrador de fraque do que a um gestor dos bens públicos. A marca da ideologia na acção política deste Governo, que se tem acentuado nas últimas semanas, não promete nada de bom para o futuro.
julho 27, 2006
PUBLICIDADE - O Governo decidiu apresentar um projecto de Código do Consumidor que junta num só saco questões relativas à indústria da publicidade e à defesa do consumidor. No já conhecido afã intervencionista, o executivo prevê uma nova Entidade Reguladora e propõe-se ir aos consumidores e anunciantes buscar as receitas necessárias para pagar o seu funcionamento. Pior, prevê um registo de empresas de publicidade, com o evidente objectivo de corporativizar e condicionar uma actividade que tem bem vivido sem o papel tutelar do Estado – enfim , mais uma prova do que é a visão liberal deste executivo. O novo projecto é uma confusão que, ao querer juntar a regulamentação sobre a actividade publicitária no mesmo diploma onde se procuram garantir direitos do consumidor relativamente à forma como a publicidade os alcança, acaba por tornar toda a situação muito mais confusa e sob a interferência do Estado do que existia até aqui. Um enorme retrocesso, um passo atrás, que curiosamente passa ao lado de questões bem mais importantes, como a de fazer que os organismos públicos ou financiados por dinheiro público, consultem e tratem em pé de igualdade empresas nacionais e multinacionais – porque o que existe hoje em dia é um descarado favorecimento das multinacionais.
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
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PUBLICIDADE - O Governo decidiu apresentar um projecto de Código do Consumidor que junta num só saco questões relativas à indústria da publicidade e à defesa do consumidor. No já conhecido afã intervencionista, o executivo prevê uma nova Entidade Reguladora e propõe-se ir aos consumidores e anunciantes buscar as receitas necessárias para pagar o seu funcionamento. Pior, prevê um registo de empresas de publicidade, com o evidente objectivo de corporativizar e condicionar uma actividade que tem bem vivido sem o papel tutelar do Estado – enfim , mais uma prova do que é a visão liberal deste executivo. O novo projecto é uma confusão que, ao querer juntar a regulamentação sobre a actividade publicitária no mesmo diploma onde se procuram garantir direitos do consumidor relativamente à forma como a publicidade os alcança, acaba por tornar toda a situação muito mais confusa e sob a interferência do Estado do que existia até aqui. Um enorme retrocesso, um passo atrás, que curiosamente passa ao lado de questões bem mais importantes, como a de fazer que os organismos públicos ou financiados por dinheiro público, consultem e tratem em pé de igualdade empresas nacionais e multinacionais – porque o que existe hoje em dia é um descarado favorecimento das multinacionais.
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
IMAGEM - A MTV anunciou esta semana estar interessada em adquirir ou lançar um serviço semelhante ao YouTube (www.youtube.com) , uma plataforma de net que permite a quelquer pessoa pôr online um videoclip ou um pequeno filme – no fundo a mais democrática forma de divulgação de imagem em movimento até agora criada. Nos últimos meses o YouTube tem explodido de forma acelerada e os observadores da indústria acreditam que esta plataforma revolucione a definição social do vídeo, naquela que é a maior novidade na paisagem audiovisual do último ano. A MTV considera fundamental incluir uma plataforma deste género na sua oferta de canais.
ABUSO – Nunca percebi bem para que serve a Polícia Municipal – se para fazer escoltas aos vereadores, se para atrapalhar a vida dos munícipes. Uma coisa é certa: se não existisse muito provavelmente não dávamos pela sua falta. O que sei é que nas Avenidas Novas de Lisboa os seus agentes não estão a evitar os estacionamentos em segunda e terceira fila, o que sei é que nalguns pontos, como nas Amoreiras, os seus agentes fazem mais para empatar e dificultar o trânsito que as obras do túnel. É garantidamente um dos paradoxos do nosso tempo: há cidades em que coexistem três autoridades policiais: PSP, Polícia Municipal e GNR – assim não há maneira de ninguém se entender – todas interessadas em maçar o cidadão e nenhuma em afrontar o crime organizado. Mas o que a realidade mostra é que cada vez há mais crime violento associado a elementos das forças policiais. O rol das últimas semanas vai desde serial killer até corrupção, passando por tiros à queima roupa. Com polícias destas não são nem precisos bandidos – já há insegurança que chega.
VER – A exposição retrospectiva de Jorge Martins, que ocupa quase todo o segundo andar do Centro de Exposições do CCB. «Simulacros de uma Antologia» agrupa uma selecção do trabalho de desenho e pintura do artista ao longo dos últimos 40 anos. No meio de uma obra marcante nas artes plásticas portuguesas, é particularmente interessante a fase relativa ao período em que viveu em Nova Iorque (anos 70). e são muito curiosos os trabalhos de desenho de grandes dimensões mais recentes Até 22 de Outubro, de terça a Domingo, das 10h00 às 19h00.
LER – Todas as semanas a agenda on-line Le Cool (www.lecool.com/lisboa/) , que agrupa uma boa selecção de propostas desde o cinema às exposições, passando pela música, bares e restaurantes. Pode ser assinado como newsletter electrónica.
COMER – Os anos passam mas «O Poleiro» não muda a qualidade do seu serviço e da comida que serve. Fica na Rua de Entrecampos 30 A. É um poiso garantido para uma boa conversa, simpático e acolhedor. Ali podem comer petiscos como barriguinhas de porco com massa de feijão até cabrito frito com açorda de coentros, passando por uma honesta e saborosa massada de garoupa. Telefone 217 976 265.
BACK TO BASICS – Um político tem de ter a capacidade de anunciar o que vai aontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano; e deve ter, depois, a habilidade para explicar porque nada do que anunciou se concretizou. (Sir Winston Churchill).
A FANTASIA
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
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A FANTASIA
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
Nalguns dias acordo a pensar que devo estar a viver na Disneylandia. As cores são fantásticas, os personagens simpáticos e queridos, corre sempre tudo bem, as dificuldades são apenas boas aventuras. O Portugal contemporâneo parece isso mesmo – um reino onde Gastão podia ser Primeiro-Ministro, o Tio Patinhas o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia o Pato Donald, o Pateta o Ministro da Cultura, e a Maga Patolojika a Ministra dos Assuntos Parlamentares. Na oposição vejo o Tico e o Teco no PSD, o Professor Pardal no Bloco de Esquerda e o seu ajudante Lampadinha no PP. O PC, versão actual, acho que encaixa bem com o Zé Carioca…
E quem será Mickey? – pois essa é a grande dúvida do nosso sistema político: uma figura ponderada, avisada, que procura ficar sempre por cima – deve certamente ser o Professor Marcelo.
Brincadeiras à parte o país oscila entre anúncios de maravilhas e constatações de desgraças. Parecemos todos um pouco esquizofrénicos: muito contentinhos num dia, muito cabisbaixos no outro – variamos entre extremos, entre a utopia e a realidade.
Este é o nosso primeiro Governo utópico. Vai ficar na história por isso. Anuncia reformas, anuncia muitas reformas, farta-se de falar de reformas – mas na realidade a sua concretização nunca se percebe bem para quando será.
A política passou a ser um bocado um mundo virtual - é assim uma espécie de exercício de escrita criativa, onde umas pessoas vão falando, sem ninguém ligar muito ao que de facto se passa. O Debate do Estado da Nação deste ano não foi pior nem melhor que os anteriores – só que as pessoas já nem querem saber do assunto. Bem pode o líder da oposição apresentar as melhores propostas do mundo que ninguém lhe liga muito – alguém o devia fazer passar por um curso acelerado de vendedor porta-a-porta. Digam-me lá: alguém compraria um simples aspirador a Marques Mendes? Pois, pouca gente, mas no entanto toda a gente quer comprar sofisticados computadores de ultima geração a José Sócrates.
Vivemos no tempo da política das promessas, da táctica do disfarce ideológico, da estratégia da novidade. Quem ouvir o Governo português deve achar que se está perante um caso de vitória do liberalismo, mas quem vir o que de facto se passa, cedo se desilude. A distância entre as palavras e os actos é cada vez maior. Estamos no reino da Fantasia.
julho 16, 2006
FUTEBOL - Constato que o Futebol continua a ser um dos poucos espectáculos de alta competição em que não são utilizados meios electrónicos para aferir situações dúbias em tempo real. Tudo fica na mão dos árbitros, no seu juízo subjectivo. Essa extraordinária entidade que é a FIFA tem rejeitado sucessivos apelos para que se possa proceder ao visionamento de imagens de jogadas polémicas. Na realidade, no sistema actual, como o recente Mundial bem mostrou, a verdade desportiva foi várias vezes posta em causa por decisões dos árbitros, por critérios pouco consistentes na marcação de faltas e atribuição de castigos. Da maneira como está, com grande parte dos resultados finais obtidos através da marcação de grandes penalidades, está a assistir-se à transformação do campeonato do mundo de futebol em campeonato do mundo de penalties. Já agora, convém recordar aquele belo documentário da BBC sobre a FIFA onde era mostrado como a organização se envolve em esquemas de pelo menos muito duvidosa legalidade. Continua esta dúvida no ar: as entidades que superintendem na modalidade querem que o futebol se desenvolva como negócio e espectáculo desportivo ou que se limite a ser um somatório de negociatas e arranjinhos?
PUBLICIDADE- Segundo a revista norte-americana «Advertising Age», a partir do próximo ano deverá ser introduzido um novo modelo de venda de publicidade em televisão, baseado não na audiência dos programas, mas na audiência atingida pelos próprios blocos publicitários. A decisão está a ser forçada quer pelo modelo de negócio desenvolvida na publicidade online (baseado no número de clicks), quer pelas implicações dos sistemas digitais de gravação e selecção, que permitem pôr de lado a publicidade e ver só os programas propriamente ditos, «limpando» os intervalos. A partir de Novembro a Nielsen Media Research vai começar a disponibilizar nos Estados Unidos ratings comerciais médios por programa, o que permitirá estabelecer qual a média de audiência de todos os intervalos para publicidade de determinado programa. Observadores da indústria prevêm uma descida dos preços da publicidade em televisão logo que o novo sistema for implementado.
ANEDOTA - Fica para o repositório do anedotário nacional a extraordinária intervenção do Ministério da Cultura num projecto científico que visava recolher informação sobre o primeiro Rei de Portugal. O que a Ministra da Cultura e o IPPAR fizeram foi porem-se em bicos dos pés para mostrar quem manda, sem cuidarem do trabalho que já estava desenvolvido, do investimento humano e material que havia sido feito. Se o incidente não revelasse a mentalidade despótica reinante no Palácio da Ajuda ainda teria alguma graça pelo profundo ridículo em que se colocaram. Assim fica apenas como prova de que a curiosidade e a investigação científica não são matéria relevante para quem tem a tutela da Cultura em Portugal.
RECLAMAÇÃO- À semelhança de algumas empresas de transportes, a Carris devia colocar na traseira dos seus autocarros a indicação de um número verde para onde se pudesse reclamar sobre a forma de condução de alguns dos seus motoristas. A coisa está cada vez pior, com desrespeito por peões e automobilistas, impondo, se necessário à força, o tamanho e o peso dos autocarros de transporte público. Talvez o simples facto de o número existir e estar afixado levasse alguns dos motoristas mais irresponsáveis a ter um pouco mais de cuidado.
VER – A exposição sobre o percurso da obra de Luc Tuymans, «Dusk/Penumbra», no Museu de Serralves. Até 15 de Outubro.
OUVIR - «Takk», o mais recente disco dos islandeses Sigur Rós, que domingo tocam no Pavilhão Atlântico.
COMER – Um jantar japonês em casa graças ao take-away do restaurante japonês Assuka , que pode ser encomendado pelo 213 528 027. Os entendidos dizem que o Assuka é o melhor restaurante japonês de Lisboa e o ambiente é muito simpático. Fica na Rua São Sebastião da Pedreira 150 e as reservas (aconselháveis) podem ser feitas pelo 213 149 345. Experimentem o combinado Sushi to Sashimi e remetem com um gelado de chá verde. Melhor que isto só uma princesa….
BACK TO BASICS – O ser humano é a única espécie animal que cora, melhor, que precisa de corar – Mark Twain.
PUBLICIDADE- Segundo a revista norte-americana «Advertising Age», a partir do próximo ano deverá ser introduzido um novo modelo de venda de publicidade em televisão, baseado não na audiência dos programas, mas na audiência atingida pelos próprios blocos publicitários. A decisão está a ser forçada quer pelo modelo de negócio desenvolvida na publicidade online (baseado no número de clicks), quer pelas implicações dos sistemas digitais de gravação e selecção, que permitem pôr de lado a publicidade e ver só os programas propriamente ditos, «limpando» os intervalos. A partir de Novembro a Nielsen Media Research vai começar a disponibilizar nos Estados Unidos ratings comerciais médios por programa, o que permitirá estabelecer qual a média de audiência de todos os intervalos para publicidade de determinado programa. Observadores da indústria prevêm uma descida dos preços da publicidade em televisão logo que o novo sistema for implementado.
ANEDOTA - Fica para o repositório do anedotário nacional a extraordinária intervenção do Ministério da Cultura num projecto científico que visava recolher informação sobre o primeiro Rei de Portugal. O que a Ministra da Cultura e o IPPAR fizeram foi porem-se em bicos dos pés para mostrar quem manda, sem cuidarem do trabalho que já estava desenvolvido, do investimento humano e material que havia sido feito. Se o incidente não revelasse a mentalidade despótica reinante no Palácio da Ajuda ainda teria alguma graça pelo profundo ridículo em que se colocaram. Assim fica apenas como prova de que a curiosidade e a investigação científica não são matéria relevante para quem tem a tutela da Cultura em Portugal.
RECLAMAÇÃO- À semelhança de algumas empresas de transportes, a Carris devia colocar na traseira dos seus autocarros a indicação de um número verde para onde se pudesse reclamar sobre a forma de condução de alguns dos seus motoristas. A coisa está cada vez pior, com desrespeito por peões e automobilistas, impondo, se necessário à força, o tamanho e o peso dos autocarros de transporte público. Talvez o simples facto de o número existir e estar afixado levasse alguns dos motoristas mais irresponsáveis a ter um pouco mais de cuidado.
VER – A exposição sobre o percurso da obra de Luc Tuymans, «Dusk/Penumbra», no Museu de Serralves. Até 15 de Outubro.
OUVIR - «Takk», o mais recente disco dos islandeses Sigur Rós, que domingo tocam no Pavilhão Atlântico.
COMER – Um jantar japonês em casa graças ao take-away do restaurante japonês Assuka , que pode ser encomendado pelo 213 528 027. Os entendidos dizem que o Assuka é o melhor restaurante japonês de Lisboa e o ambiente é muito simpático. Fica na Rua São Sebastião da Pedreira 150 e as reservas (aconselháveis) podem ser feitas pelo 213 149 345. Experimentem o combinado Sushi to Sashimi e remetem com um gelado de chá verde. Melhor que isto só uma princesa….
BACK TO BASICS – O ser humano é a única espécie animal que cora, melhor, que precisa de corar – Mark Twain.
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FUTEBOL - Constato que o Futebol continua a ser um dos poucos espectáculos de alta competição em que não são utilizados meios electrónicos para aferir situações dúbias em tempo real. Tudo fica na mão dos árbitros, no seu juízo subjectivo. Essa extraordinária entidade que é a FIFA tem rejeitado sucessivos apelos para que se possa proceder ao visionamento de imagens de jogadas polémicas. Na realidade, no sistema actual, como o recente Mundial bem mostrou, a verdade desportiva foi várias vezes posta em causa por decisões dos árbitros, por critérios pouco consistentes na marcação de faltas e atribuição de castigos. Da maneira como está, com grande parte dos resultados finais obtidos através da marcação de grandes penalidades, está a assistir-se à transformação do campeonato do mundo de futebol em campeonato do mundo de penalties. Já agora, convém recordar aquele belo documentário da BBC sobre a FIFA onde era mostrado como a organização se envolve em esquemas de pelo menos muito duvidosa legalidade. Continua esta dúvida no ar: as entidades que superintendem na modalidade querem que o futebol se desenvolva como negócio e espectáculo desportivo ou que se limite a ser um somatório de negociatas e arranjinhos?
PUBLICIDADE- Segundo a revista norte-americana «Advertising Age», a partir do próximo ano deverá ser introduzido um novo modelo de venda de publicidade em televisão, baseado não na audiência dos programas, mas na audiência atingida pelos próprios blocos publicitários. A decisão está a ser forçada quer pelo modelo de negócio desenvolvida na publicidade online (baseado no número de clicks), quer pelas implicações dos sistemas digitais de gravação e selecção, que permitem pôr de lado a publicidade e ver só os programas propriamente ditos, «limpando» os intervalos. A partir de Novembro a Nielsen Media Research vai começar a disponibilizar nos Estados Unidos ratings comerciais médios por programa, o que permitirá estabelecer qual a média de audiência de todos os intervalos para publicidade de determinado programa. Observadores da indústria prevêm uma descida dos preços da publicidade em televisão logo que o novo sistema for implementado.
ANEDOTA - Fica para o repositório do anedotário nacional a extraordinária intervenção do Ministério da Cultura num projecto científico que visava recolher informação sobre o primeiro Rei de Portugal. O que a Ministra da Cultura e o IPPAR fizeram foi porem-se em bicos dos pés para mostrar quem manda, sem cuidarem do trabalho que já estava desenvolvido, do investimento humano e material que havia sido feito. Se o incidente não revelasse a mentalidade despótica reinante no Palácio da Ajuda ainda teria alguma graça pelo profundo ridículo em que se colocaram. Assim fica apenas como prova de que a curiosidade e a investigação científica não são matéria relevante para quem tem a tutela da Cultura em Portugal.
RECLAMAÇÃO- À semelhança de algumas empresas de transportes, a Carris devia colocar na traseira dos seus autocarros a indicação de um número verde para onde se pudesse reclamar sobre a forma de condução de alguns dos seus motoristas. A coisa está cada vez pior, com desrespeito por peões e automobilistas, impondo, se necessário à força, o tamanho e o peso dos autocarros de transporte público. Talvez o simples facto de o número existir e estar afixado levasse alguns dos motoristas mais irresponsáveis a ter um pouco mais de cuidado.
VER – A exposição sobre o percurso da obra de Luc Tuymans, «Dusk/Penumbra», no Museu de Serralves. Até 15 de Outubro.
OUVIR - «Takk», o mais recente disco dos islandeses Sigur Rós, que domingo tocam no Pavilhão Atlântico.
COMER – Um jantar japonês em casa graças ao take-away do restaurante japonês Assuka , que pode ser encomendado pelo 213 528 027. Os entendidos dizem que o Assuka é o melhor restaurante japonês de Lisboa e o ambiente é muito simpático. Fica na Rua São Sebastião da Pedreira 150 e as reservas (aconselháveis) podem ser feitas pelo 213 149 345. Experimentem o combinado Sushi to Sashimi e remetem com um gelado de chá verde. Melhor que isto só uma princesa….
BACK TO BASICS – O ser humano é a única espécie animal que cora, melhor, que precisa de corar – Mark Twain.
PUBLICIDADE- Segundo a revista norte-americana «Advertising Age», a partir do próximo ano deverá ser introduzido um novo modelo de venda de publicidade em televisão, baseado não na audiência dos programas, mas na audiência atingida pelos próprios blocos publicitários. A decisão está a ser forçada quer pelo modelo de negócio desenvolvida na publicidade online (baseado no número de clicks), quer pelas implicações dos sistemas digitais de gravação e selecção, que permitem pôr de lado a publicidade e ver só os programas propriamente ditos, «limpando» os intervalos. A partir de Novembro a Nielsen Media Research vai começar a disponibilizar nos Estados Unidos ratings comerciais médios por programa, o que permitirá estabelecer qual a média de audiência de todos os intervalos para publicidade de determinado programa. Observadores da indústria prevêm uma descida dos preços da publicidade em televisão logo que o novo sistema for implementado.
ANEDOTA - Fica para o repositório do anedotário nacional a extraordinária intervenção do Ministério da Cultura num projecto científico que visava recolher informação sobre o primeiro Rei de Portugal. O que a Ministra da Cultura e o IPPAR fizeram foi porem-se em bicos dos pés para mostrar quem manda, sem cuidarem do trabalho que já estava desenvolvido, do investimento humano e material que havia sido feito. Se o incidente não revelasse a mentalidade despótica reinante no Palácio da Ajuda ainda teria alguma graça pelo profundo ridículo em que se colocaram. Assim fica apenas como prova de que a curiosidade e a investigação científica não são matéria relevante para quem tem a tutela da Cultura em Portugal.
RECLAMAÇÃO- À semelhança de algumas empresas de transportes, a Carris devia colocar na traseira dos seus autocarros a indicação de um número verde para onde se pudesse reclamar sobre a forma de condução de alguns dos seus motoristas. A coisa está cada vez pior, com desrespeito por peões e automobilistas, impondo, se necessário à força, o tamanho e o peso dos autocarros de transporte público. Talvez o simples facto de o número existir e estar afixado levasse alguns dos motoristas mais irresponsáveis a ter um pouco mais de cuidado.
VER – A exposição sobre o percurso da obra de Luc Tuymans, «Dusk/Penumbra», no Museu de Serralves. Até 15 de Outubro.
OUVIR - «Takk», o mais recente disco dos islandeses Sigur Rós, que domingo tocam no Pavilhão Atlântico.
COMER – Um jantar japonês em casa graças ao take-away do restaurante japonês Assuka , que pode ser encomendado pelo 213 528 027. Os entendidos dizem que o Assuka é o melhor restaurante japonês de Lisboa e o ambiente é muito simpático. Fica na Rua São Sebastião da Pedreira 150 e as reservas (aconselháveis) podem ser feitas pelo 213 149 345. Experimentem o combinado Sushi to Sashimi e remetem com um gelado de chá verde. Melhor que isto só uma princesa….
BACK TO BASICS – O ser humano é a única espécie animal que cora, melhor, que precisa de corar – Mark Twain.
A POLÍTICA DISTRITAL
Em tempos idos os partidos serviam para debater ideias, apresentar propostas, promover debates, mobilizar a intervenção cívica. O objectivo era poder concretizar, no poder, as propostas debatidas e elaboradas. Porque as pessoas pensam de maneira diferente, os partidos devem ter identidades diferentes e bem vincadas, posicionamentos claros. Nada de novo por aqui, excepto este pequeno assunto: nos últimos meses parece que o PS lançou uma OPA sobre o PSD, que amigavelmente se arrasta. Ao contrário de outras OPA’s, o opado não reage, não contra-ataca, não procura uma estratégia de afirmação alternativa. Por este andar o PSD é absorvido sem dar por isso, dilui-se, esvai-se. Cada dia que passa perde sentido a sua existência no paradigma actual.
Sou adepto de que as grandes mudanças começam por baixo, a partir de pequenos grupos activos e empreendedores, capazes de criar uma nova dinâmica – por isso as actuais eleições para a Distrital de Lisboa do PSD podem ser a oportunidade para criar uma nova forma de funcionar, para fazer uma vida partidária diferente, para intervir na sociedade de outra maneira, mais persistente e consistente.
À hora a que escrevo ainda não se conhece o resultado das eleições, se quem ganha é Carlos Carreiras, se Paula Teixeira da Cruz. Espero que tenha sido Paula Teixeira da Cruz, parece razoável concluir que ela pode significar alguma forma diferente de fazer política – apesar das demasiadas ligações ao aparelho e aos notáveis em boa parte responsáveis pela situação a que se chegou. Mas, talvez também por isso, ela possa fazer rupturas e desencadear acções que a outros seriam mais difíceis.
A política não é um mal, a intervenção cívica faz sentido através dos partidos – desde que eles funcionem nesse sentido, desde que queiram estimular a participação, desde que não vivam fechados num mundo onde ideias próprias, debates e criatividade sejam tidas como coisas bizarras e despropositadas. Infelizmente a história recente do PSD revela conformismo, falta de imaginação e uma enorme insensibilidade às tendências perceptíveis do futuro das sociedades. Se a Distrital de Lisboa for catalisadora da mudança, poderá vir a ser, afinal, a responsável pela sobrevivência de um projecto político. Se se acomodar, entra para a lista das entidades exóticas e desnecessárias
Em tempos idos os partidos serviam para debater ideias, apresentar propostas, promover debates, mobilizar a intervenção cívica. O objectivo era poder concretizar, no poder, as propostas debatidas e elaboradas. Porque as pessoas pensam de maneira diferente, os partidos devem ter identidades diferentes e bem vincadas, posicionamentos claros. Nada de novo por aqui, excepto este pequeno assunto: nos últimos meses parece que o PS lançou uma OPA sobre o PSD, que amigavelmente se arrasta. Ao contrário de outras OPA’s, o opado não reage, não contra-ataca, não procura uma estratégia de afirmação alternativa. Por este andar o PSD é absorvido sem dar por isso, dilui-se, esvai-se. Cada dia que passa perde sentido a sua existência no paradigma actual.
Sou adepto de que as grandes mudanças começam por baixo, a partir de pequenos grupos activos e empreendedores, capazes de criar uma nova dinâmica – por isso as actuais eleições para a Distrital de Lisboa do PSD podem ser a oportunidade para criar uma nova forma de funcionar, para fazer uma vida partidária diferente, para intervir na sociedade de outra maneira, mais persistente e consistente.
À hora a que escrevo ainda não se conhece o resultado das eleições, se quem ganha é Carlos Carreiras, se Paula Teixeira da Cruz. Espero que tenha sido Paula Teixeira da Cruz, parece razoável concluir que ela pode significar alguma forma diferente de fazer política – apesar das demasiadas ligações ao aparelho e aos notáveis em boa parte responsáveis pela situação a que se chegou. Mas, talvez também por isso, ela possa fazer rupturas e desencadear acções que a outros seriam mais difíceis.
A política não é um mal, a intervenção cívica faz sentido através dos partidos – desde que eles funcionem nesse sentido, desde que queiram estimular a participação, desde que não vivam fechados num mundo onde ideias próprias, debates e criatividade sejam tidas como coisas bizarras e despropositadas. Infelizmente a história recente do PSD revela conformismo, falta de imaginação e uma enorme insensibilidade às tendências perceptíveis do futuro das sociedades. Se a Distrital de Lisboa for catalisadora da mudança, poderá vir a ser, afinal, a responsável pela sobrevivência de um projecto político. Se se acomodar, entra para a lista das entidades exóticas e desnecessárias
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A POLÍTICA DISTRITAL
Em tempos idos os partidos serviam para debater ideias, apresentar propostas, promover debates, mobilizar a intervenção cívica. O objectivo era poder concretizar, no poder, as propostas debatidas e elaboradas. Porque as pessoas pensam de maneira diferente, os partidos devem ter identidades diferentes e bem vincadas, posicionamentos claros. Nada de novo por aqui, excepto este pequeno assunto: nos últimos meses parece que o PS lançou uma OPA sobre o PSD, que amigavelmente se arrasta. Ao contrário de outras OPA’s, o opado não reage, não contra-ataca, não procura uma estratégia de afirmação alternativa. Por este andar o PSD é absorvido sem dar por isso, dilui-se, esvai-se. Cada dia que passa perde sentido a sua existência no paradigma actual.
Sou adepto de que as grandes mudanças começam por baixo, a partir de pequenos grupos activos e empreendedores, capazes de criar uma nova dinâmica – por isso as actuais eleições para a Distrital de Lisboa do PSD podem ser a oportunidade para criar uma nova forma de funcionar, para fazer uma vida partidária diferente, para intervir na sociedade de outra maneira, mais persistente e consistente.
À hora a que escrevo ainda não se conhece o resultado das eleições, se quem ganha é Carlos Carreiras, se Paula Teixeira da Cruz. Espero que tenha sido Paula Teixeira da Cruz, parece razoável concluir que ela pode significar alguma forma diferente de fazer política – apesar das demasiadas ligações ao aparelho e aos notáveis em boa parte responsáveis pela situação a que se chegou. Mas, talvez também por isso, ela possa fazer rupturas e desencadear acções que a outros seriam mais difíceis.
A política não é um mal, a intervenção cívica faz sentido através dos partidos – desde que eles funcionem nesse sentido, desde que queiram estimular a participação, desde que não vivam fechados num mundo onde ideias próprias, debates e criatividade sejam tidas como coisas bizarras e despropositadas. Infelizmente a história recente do PSD revela conformismo, falta de imaginação e uma enorme insensibilidade às tendências perceptíveis do futuro das sociedades. Se a Distrital de Lisboa for catalisadora da mudança, poderá vir a ser, afinal, a responsável pela sobrevivência de um projecto político. Se se acomodar, entra para a lista das entidades exóticas e desnecessárias
Em tempos idos os partidos serviam para debater ideias, apresentar propostas, promover debates, mobilizar a intervenção cívica. O objectivo era poder concretizar, no poder, as propostas debatidas e elaboradas. Porque as pessoas pensam de maneira diferente, os partidos devem ter identidades diferentes e bem vincadas, posicionamentos claros. Nada de novo por aqui, excepto este pequeno assunto: nos últimos meses parece que o PS lançou uma OPA sobre o PSD, que amigavelmente se arrasta. Ao contrário de outras OPA’s, o opado não reage, não contra-ataca, não procura uma estratégia de afirmação alternativa. Por este andar o PSD é absorvido sem dar por isso, dilui-se, esvai-se. Cada dia que passa perde sentido a sua existência no paradigma actual.
Sou adepto de que as grandes mudanças começam por baixo, a partir de pequenos grupos activos e empreendedores, capazes de criar uma nova dinâmica – por isso as actuais eleições para a Distrital de Lisboa do PSD podem ser a oportunidade para criar uma nova forma de funcionar, para fazer uma vida partidária diferente, para intervir na sociedade de outra maneira, mais persistente e consistente.
À hora a que escrevo ainda não se conhece o resultado das eleições, se quem ganha é Carlos Carreiras, se Paula Teixeira da Cruz. Espero que tenha sido Paula Teixeira da Cruz, parece razoável concluir que ela pode significar alguma forma diferente de fazer política – apesar das demasiadas ligações ao aparelho e aos notáveis em boa parte responsáveis pela situação a que se chegou. Mas, talvez também por isso, ela possa fazer rupturas e desencadear acções que a outros seriam mais difíceis.
A política não é um mal, a intervenção cívica faz sentido através dos partidos – desde que eles funcionem nesse sentido, desde que queiram estimular a participação, desde que não vivam fechados num mundo onde ideias próprias, debates e criatividade sejam tidas como coisas bizarras e despropositadas. Infelizmente a história recente do PSD revela conformismo, falta de imaginação e uma enorme insensibilidade às tendências perceptíveis do futuro das sociedades. Se a Distrital de Lisboa for catalisadora da mudança, poderá vir a ser, afinal, a responsável pela sobrevivência de um projecto político. Se se acomodar, entra para a lista das entidades exóticas e desnecessárias
julho 12, 2006
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A MARCA DO ZORRO
No nº6 da newsletter «azul», da RTP, o Ministro Santos Silva aparece em quatro fotografias a propósito de tr~es temas diversos: inauguração de um centro emissor, tomada de posse dos provedores do espectador e do ouvinte e de um protocolo com Timor-Leste. Independência, portanto...
No nº6 da newsletter «azul», da RTP, o Ministro Santos Silva aparece em quatro fotografias a propósito de tr~es temas diversos: inauguração de um centro emissor, tomada de posse dos provedores do espectador e do ouvinte e de um protocolo com Timor-Leste. Independência, portanto...
julho 11, 2006
NEGÓCIO – O futebol deixou de ser um desporto há bastante tempo e passou a ser um negócio. Tem as regras dos negócios. É, ainda por cima, um negócio global, o que quer dizer que Portugal não conta para qualquer campeonato – até porque, desgraçadamente, não temos mercado que se compare ao das ex-colónias ou zonas de influência de outros países. A FIFA não é uma entidade desportiva, é uma gestora de interesses e os árbitros não são juízes, são instrumentos de regularização artificial. O futebol é apenas suposto gerar lucro. Eu por mim acho bem, mas não lhe chamem um desporto. É uma operação montada com o conhecimento de todos, a começar por esse estranho mundo das Federações. A única coisa lamentável é que às vezes se depositem as esperanças de um país numa coisa deste género. Quem o trata como um negócio está no seu direito. Quem exacerba o nacionalismo à custa disto não tem ética nem dignidade.
ESTRATÉGIA – À medida que os consumidores começarem a optar, pagando, por assistirem a programas de televisão sem publicidade, os anunciantes terão que procurar novas estratégias. O papel das agências de meios, que procurarão formas de proporcionar o contacto fora dos modelos tradicionais, tenderá a crescer. Ao mesmo tempo as agências de publicidade tradicionais poderão ter dificuldade em encontrar veículos para escoar a sua produção. Do lado da publicidade o futuro vai ser interessante e necessariamente criativo, e não nos mesmos moldes que nos últimos 50 anos. Um estudo recente garante que até 2009 a publicidade em televisão continuará a crescer, desde que o meio deixe de ser passivo e se torne decididamente activo, quer dizer, interactivo. Uma das peças decisivas de tudo isto será a TV portátil (mobile TV), que há-de passar por telemóveis, consolas de jogos, sistemas de navegação em automóveis e computadores domésticos. Da mesma forma que a net está a mudar radicalmente a nossa forma de comunicar, viver e trabalhar, a mobile TV vai ser um catalisador de mudança na forma de atingir alvos comerciais e de ver o que hoje só a televisão tradicional nos proporciona. O mundo vai ser bem diferente, e muito mais depressa que pensamos. No futuro os dogmas actuais em que se baseiam os planos de meios vão deixar de existir com a relevância que têm hoje. E o problema vai ser mais dos meios tradicionais do que de quaisquer outros.
OUVIR – Coexisto entre os discos, o iPod e a rádio. Nesta última, depois de andar uns tempos a ouvir a Radar, mudei de frequência porque os locutores acham mais graça a ouvirem-se a eles próprios do que a colocarem música. Mudei para a Oxigénio nos últimos dias e estou bastante contente (102.6 FM, região de Lisboa ou www.oxigenio.fm em todo o mundo). A Radar, agora, parece a TSF de música – fala, fala, e não diz nada (com a devida vénia aos gatos fedorentos). Ultimamente tenho voltado ao prazer dos discos – escolher o que ouvir. E redescobri, graças à Amazon, uma preciosidade: o disco «Disraeli Gears» dos Cream onde estão canções como «Strange Brew» ou o único e inimitável «Sunshine Of Your Love». A gravação original é de 1967, da Atlantic Records. E tem uma capa que é provavelmente uma das melhores peças gráficas que a indústria discográfica colocou no mercado.
BEBER – Eu sei que não é exactamente a mesma coisa, mas se pegarem no novíssimo Compal Frutos Vermelhos e lhe adicionarem vodka e gelo em doses generosas, e Cointreau e sumo de lima em doses moderadas, verão que se aproximam da mística do «Cosmopolitan» , o cocktail tornado famoso pelas raparigas do «Sex In The City». A milhas das caipirinhas falcatruadas que se fazem por aí e a anos luz das caipiroshkas de trazer por casa. Por junto é a diferença entre ver um filme ou ficar pasmado a seguir uma telenovela.
COMER – «El Corte Inglês» é a salvação nestes dias de calor. É o único supermercado de Lisboa com carpaccio decente, rúcula saborosa, escolha alargada de queijo parmesano reggiano Além disso há framboesas frescas, figos maravilhosos, bom presunto serrano, e saborosíssimas vieiras para gratinar. Adicionem Murganheira bruto reserva e perceberão porque nestas noites de calor um jantar pode correr melhor em casa que num restaurante.
BACK TO BASICS – Não se preocupem em crescer devagar, preocupem-se apenas em ficarem imóveis (provérbio chinês).
ESTRATÉGIA – À medida que os consumidores começarem a optar, pagando, por assistirem a programas de televisão sem publicidade, os anunciantes terão que procurar novas estratégias. O papel das agências de meios, que procurarão formas de proporcionar o contacto fora dos modelos tradicionais, tenderá a crescer. Ao mesmo tempo as agências de publicidade tradicionais poderão ter dificuldade em encontrar veículos para escoar a sua produção. Do lado da publicidade o futuro vai ser interessante e necessariamente criativo, e não nos mesmos moldes que nos últimos 50 anos. Um estudo recente garante que até 2009 a publicidade em televisão continuará a crescer, desde que o meio deixe de ser passivo e se torne decididamente activo, quer dizer, interactivo. Uma das peças decisivas de tudo isto será a TV portátil (mobile TV), que há-de passar por telemóveis, consolas de jogos, sistemas de navegação em automóveis e computadores domésticos. Da mesma forma que a net está a mudar radicalmente a nossa forma de comunicar, viver e trabalhar, a mobile TV vai ser um catalisador de mudança na forma de atingir alvos comerciais e de ver o que hoje só a televisão tradicional nos proporciona. O mundo vai ser bem diferente, e muito mais depressa que pensamos. No futuro os dogmas actuais em que se baseiam os planos de meios vão deixar de existir com a relevância que têm hoje. E o problema vai ser mais dos meios tradicionais do que de quaisquer outros.
OUVIR – Coexisto entre os discos, o iPod e a rádio. Nesta última, depois de andar uns tempos a ouvir a Radar, mudei de frequência porque os locutores acham mais graça a ouvirem-se a eles próprios do que a colocarem música. Mudei para a Oxigénio nos últimos dias e estou bastante contente (102.6 FM, região de Lisboa ou www.oxigenio.fm em todo o mundo). A Radar, agora, parece a TSF de música – fala, fala, e não diz nada (com a devida vénia aos gatos fedorentos). Ultimamente tenho voltado ao prazer dos discos – escolher o que ouvir. E redescobri, graças à Amazon, uma preciosidade: o disco «Disraeli Gears» dos Cream onde estão canções como «Strange Brew» ou o único e inimitável «Sunshine Of Your Love». A gravação original é de 1967, da Atlantic Records. E tem uma capa que é provavelmente uma das melhores peças gráficas que a indústria discográfica colocou no mercado.
BEBER – Eu sei que não é exactamente a mesma coisa, mas se pegarem no novíssimo Compal Frutos Vermelhos e lhe adicionarem vodka e gelo em doses generosas, e Cointreau e sumo de lima em doses moderadas, verão que se aproximam da mística do «Cosmopolitan» , o cocktail tornado famoso pelas raparigas do «Sex In The City». A milhas das caipirinhas falcatruadas que se fazem por aí e a anos luz das caipiroshkas de trazer por casa. Por junto é a diferença entre ver um filme ou ficar pasmado a seguir uma telenovela.
COMER – «El Corte Inglês» é a salvação nestes dias de calor. É o único supermercado de Lisboa com carpaccio decente, rúcula saborosa, escolha alargada de queijo parmesano reggiano Além disso há framboesas frescas, figos maravilhosos, bom presunto serrano, e saborosíssimas vieiras para gratinar. Adicionem Murganheira bruto reserva e perceberão porque nestas noites de calor um jantar pode correr melhor em casa que num restaurante.
BACK TO BASICS – Não se preocupem em crescer devagar, preocupem-se apenas em ficarem imóveis (provérbio chinês).
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NEGÓCIO – O futebol deixou de ser um desporto há bastante tempo e passou a ser um negócio. Tem as regras dos negócios. É, ainda por cima, um negócio global, o que quer dizer que Portugal não conta para qualquer campeonato – até porque, desgraçadamente, não temos mercado que se compare ao das ex-colónias ou zonas de influência de outros países. A FIFA não é uma entidade desportiva, é uma gestora de interesses e os árbitros não são juízes, são instrumentos de regularização artificial. O futebol é apenas suposto gerar lucro. Eu por mim acho bem, mas não lhe chamem um desporto. É uma operação montada com o conhecimento de todos, a começar por esse estranho mundo das Federações. A única coisa lamentável é que às vezes se depositem as esperanças de um país numa coisa deste género. Quem o trata como um negócio está no seu direito. Quem exacerba o nacionalismo à custa disto não tem ética nem dignidade.
ESTRATÉGIA – À medida que os consumidores começarem a optar, pagando, por assistirem a programas de televisão sem publicidade, os anunciantes terão que procurar novas estratégias. O papel das agências de meios, que procurarão formas de proporcionar o contacto fora dos modelos tradicionais, tenderá a crescer. Ao mesmo tempo as agências de publicidade tradicionais poderão ter dificuldade em encontrar veículos para escoar a sua produção. Do lado da publicidade o futuro vai ser interessante e necessariamente criativo, e não nos mesmos moldes que nos últimos 50 anos. Um estudo recente garante que até 2009 a publicidade em televisão continuará a crescer, desde que o meio deixe de ser passivo e se torne decididamente activo, quer dizer, interactivo. Uma das peças decisivas de tudo isto será a TV portátil (mobile TV), que há-de passar por telemóveis, consolas de jogos, sistemas de navegação em automóveis e computadores domésticos. Da mesma forma que a net está a mudar radicalmente a nossa forma de comunicar, viver e trabalhar, a mobile TV vai ser um catalisador de mudança na forma de atingir alvos comerciais e de ver o que hoje só a televisão tradicional nos proporciona. O mundo vai ser bem diferente, e muito mais depressa que pensamos. No futuro os dogmas actuais em que se baseiam os planos de meios vão deixar de existir com a relevância que têm hoje. E o problema vai ser mais dos meios tradicionais do que de quaisquer outros.
OUVIR – Coexisto entre os discos, o iPod e a rádio. Nesta última, depois de andar uns tempos a ouvir a Radar, mudei de frequência porque os locutores acham mais graça a ouvirem-se a eles próprios do que a colocarem música. Mudei para a Oxigénio nos últimos dias e estou bastante contente (102.6 FM, região de Lisboa ou www.oxigenio.fm em todo o mundo). A Radar, agora, parece a TSF de música – fala, fala, e não diz nada (com a devida vénia aos gatos fedorentos). Ultimamente tenho voltado ao prazer dos discos – escolher o que ouvir. E redescobri, graças à Amazon, uma preciosidade: o disco «Disraeli Gears» dos Cream onde estão canções como «Strange Brew» ou o único e inimitável «Sunshine Of Your Love». A gravação original é de 1967, da Atlantic Records. E tem uma capa que é provavelmente uma das melhores peças gráficas que a indústria discográfica colocou no mercado.
BEBER – Eu sei que não é exactamente a mesma coisa, mas se pegarem no novíssimo Compal Frutos Vermelhos e lhe adicionarem vodka e gelo em doses generosas, e Cointreau e sumo de lima em doses moderadas, verão que se aproximam da mística do «Cosmopolitan» , o cocktail tornado famoso pelas raparigas do «Sex In The City». A milhas das caipirinhas falcatruadas que se fazem por aí e a anos luz das caipiroshkas de trazer por casa. Por junto é a diferença entre ver um filme ou ficar pasmado a seguir uma telenovela.
COMER – «El Corte Inglês» é a salvação nestes dias de calor. É o único supermercado de Lisboa com carpaccio decente, rúcula saborosa, escolha alargada de queijo parmesano reggiano Além disso há framboesas frescas, figos maravilhosos, bom presunto serrano, e saborosíssimas vieiras para gratinar. Adicionem Murganheira bruto reserva e perceberão porque nestas noites de calor um jantar pode correr melhor em casa que num restaurante.
BACK TO BASICS – Não se preocupem em crescer devagar, preocupem-se apenas em ficarem imóveis (provérbio chinês).
ESTRATÉGIA – À medida que os consumidores começarem a optar, pagando, por assistirem a programas de televisão sem publicidade, os anunciantes terão que procurar novas estratégias. O papel das agências de meios, que procurarão formas de proporcionar o contacto fora dos modelos tradicionais, tenderá a crescer. Ao mesmo tempo as agências de publicidade tradicionais poderão ter dificuldade em encontrar veículos para escoar a sua produção. Do lado da publicidade o futuro vai ser interessante e necessariamente criativo, e não nos mesmos moldes que nos últimos 50 anos. Um estudo recente garante que até 2009 a publicidade em televisão continuará a crescer, desde que o meio deixe de ser passivo e se torne decididamente activo, quer dizer, interactivo. Uma das peças decisivas de tudo isto será a TV portátil (mobile TV), que há-de passar por telemóveis, consolas de jogos, sistemas de navegação em automóveis e computadores domésticos. Da mesma forma que a net está a mudar radicalmente a nossa forma de comunicar, viver e trabalhar, a mobile TV vai ser um catalisador de mudança na forma de atingir alvos comerciais e de ver o que hoje só a televisão tradicional nos proporciona. O mundo vai ser bem diferente, e muito mais depressa que pensamos. No futuro os dogmas actuais em que se baseiam os planos de meios vão deixar de existir com a relevância que têm hoje. E o problema vai ser mais dos meios tradicionais do que de quaisquer outros.
OUVIR – Coexisto entre os discos, o iPod e a rádio. Nesta última, depois de andar uns tempos a ouvir a Radar, mudei de frequência porque os locutores acham mais graça a ouvirem-se a eles próprios do que a colocarem música. Mudei para a Oxigénio nos últimos dias e estou bastante contente (102.6 FM, região de Lisboa ou www.oxigenio.fm em todo o mundo). A Radar, agora, parece a TSF de música – fala, fala, e não diz nada (com a devida vénia aos gatos fedorentos). Ultimamente tenho voltado ao prazer dos discos – escolher o que ouvir. E redescobri, graças à Amazon, uma preciosidade: o disco «Disraeli Gears» dos Cream onde estão canções como «Strange Brew» ou o único e inimitável «Sunshine Of Your Love». A gravação original é de 1967, da Atlantic Records. E tem uma capa que é provavelmente uma das melhores peças gráficas que a indústria discográfica colocou no mercado.
BEBER – Eu sei que não é exactamente a mesma coisa, mas se pegarem no novíssimo Compal Frutos Vermelhos e lhe adicionarem vodka e gelo em doses generosas, e Cointreau e sumo de lima em doses moderadas, verão que se aproximam da mística do «Cosmopolitan» , o cocktail tornado famoso pelas raparigas do «Sex In The City». A milhas das caipirinhas falcatruadas que se fazem por aí e a anos luz das caipiroshkas de trazer por casa. Por junto é a diferença entre ver um filme ou ficar pasmado a seguir uma telenovela.
COMER – «El Corte Inglês» é a salvação nestes dias de calor. É o único supermercado de Lisboa com carpaccio decente, rúcula saborosa, escolha alargada de queijo parmesano reggiano Além disso há framboesas frescas, figos maravilhosos, bom presunto serrano, e saborosíssimas vieiras para gratinar. Adicionem Murganheira bruto reserva e perceberão porque nestas noites de calor um jantar pode correr melhor em casa que num restaurante.
BACK TO BASICS – Não se preocupem em crescer devagar, preocupem-se apenas em ficarem imóveis (provérbio chinês).
O ESTADO E O MEU BOLSO
Quando comecei a trabalhar, já lá vão praticamente 30 anos, o Estado propôs-me um contrato: todos os meses me retirava um tanto do meu ordenado para impostos e outro tanto para a Segurança Social. Era um contrato um bocado forçado – não tinha forma de lhe fugir. Vivendo exclusivamente do meu trabalho, não tenho por onde fazer fintas, não posso domiciliar-me na Holanda, nem praticar truques diversos que permitem a algumas entidades, legitimamente aliás, serem menos espoliadas pelo Estado.
Acontece que em contrapartida pelo que eu lhe pago, o Estado prometia assegurar algumas questões básicas – serviços de saúde, educação, e as pensões correspondentes ao retorno do meu investimento. No fundo o Estado queria funcionar como um gestor de fundos que cobra coercivamente – e nessa base nós somos todos estimados clientes. Ora o Estado trata muito mal os seus clientes – na verdade não tem respeito por eles. Anos de más governações criaram um monstro que devora recursos, proporciona serviços entre o mau e o sofrível, e ignora os seus compromissos. Mais, muda as regras quando lhe apetece, não informa os seus clientes das alterações, aumenta os preços e diminui os serviços, enfim um mau exemplo de relação fornecedor-cliente.
Eu acho muito bem todos os esforços no sentido de tornar o Estado mais eficaz e menos perdulário – desde que isso se reflicta de forma positiva nos cidadãos. O que se começa a ver é que, uma vez mais, os cidadãos são a derradeira das preocupações do Estado. Há um efectivo e continuado desprezo por quem desconta, para proteger serviços, privilégios, situações instaladas. O monstro público devora recursos e penaliza os clientes cumpridores – que são os primeiros a quem o Estado quer agora racionalizar à força.
Quando se fala em mudar as regras, apetece dizer que o Estado devia começar por interiorizar ele próprio uma mudança necessária: começar a tratar bem os seus estimados clientes, começar a respeitar os contribuintes, começar a considerar que as pessoas não são malfeitoras. Na verdade, se aqui existem malfeitorias, elas vêm por via de regra do Estado e de quem o gere.
Quando comecei a trabalhar, já lá vão praticamente 30 anos, o Estado propôs-me um contrato: todos os meses me retirava um tanto do meu ordenado para impostos e outro tanto para a Segurança Social. Era um contrato um bocado forçado – não tinha forma de lhe fugir. Vivendo exclusivamente do meu trabalho, não tenho por onde fazer fintas, não posso domiciliar-me na Holanda, nem praticar truques diversos que permitem a algumas entidades, legitimamente aliás, serem menos espoliadas pelo Estado.
Acontece que em contrapartida pelo que eu lhe pago, o Estado prometia assegurar algumas questões básicas – serviços de saúde, educação, e as pensões correspondentes ao retorno do meu investimento. No fundo o Estado queria funcionar como um gestor de fundos que cobra coercivamente – e nessa base nós somos todos estimados clientes. Ora o Estado trata muito mal os seus clientes – na verdade não tem respeito por eles. Anos de más governações criaram um monstro que devora recursos, proporciona serviços entre o mau e o sofrível, e ignora os seus compromissos. Mais, muda as regras quando lhe apetece, não informa os seus clientes das alterações, aumenta os preços e diminui os serviços, enfim um mau exemplo de relação fornecedor-cliente.
Eu acho muito bem todos os esforços no sentido de tornar o Estado mais eficaz e menos perdulário – desde que isso se reflicta de forma positiva nos cidadãos. O que se começa a ver é que, uma vez mais, os cidadãos são a derradeira das preocupações do Estado. Há um efectivo e continuado desprezo por quem desconta, para proteger serviços, privilégios, situações instaladas. O monstro público devora recursos e penaliza os clientes cumpridores – que são os primeiros a quem o Estado quer agora racionalizar à força.
Quando se fala em mudar as regras, apetece dizer que o Estado devia começar por interiorizar ele próprio uma mudança necessária: começar a tratar bem os seus estimados clientes, começar a respeitar os contribuintes, começar a considerar que as pessoas não são malfeitoras. Na verdade, se aqui existem malfeitorias, elas vêm por via de regra do Estado e de quem o gere.
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O ESTADO E O MEU BOLSO
Quando comecei a trabalhar, já lá vão praticamente 30 anos, o Estado propôs-me um contrato: todos os meses me retirava um tanto do meu ordenado para impostos e outro tanto para a Segurança Social. Era um contrato um bocado forçado – não tinha forma de lhe fugir. Vivendo exclusivamente do meu trabalho, não tenho por onde fazer fintas, não posso domiciliar-me na Holanda, nem praticar truques diversos que permitem a algumas entidades, legitimamente aliás, serem menos espoliadas pelo Estado.
Acontece que em contrapartida pelo que eu lhe pago, o Estado prometia assegurar algumas questões básicas – serviços de saúde, educação, e as pensões correspondentes ao retorno do meu investimento. No fundo o Estado queria funcionar como um gestor de fundos que cobra coercivamente – e nessa base nós somos todos estimados clientes. Ora o Estado trata muito mal os seus clientes – na verdade não tem respeito por eles. Anos de más governações criaram um monstro que devora recursos, proporciona serviços entre o mau e o sofrível, e ignora os seus compromissos. Mais, muda as regras quando lhe apetece, não informa os seus clientes das alterações, aumenta os preços e diminui os serviços, enfim um mau exemplo de relação fornecedor-cliente.
Eu acho muito bem todos os esforços no sentido de tornar o Estado mais eficaz e menos perdulário – desde que isso se reflicta de forma positiva nos cidadãos. O que se começa a ver é que, uma vez mais, os cidadãos são a derradeira das preocupações do Estado. Há um efectivo e continuado desprezo por quem desconta, para proteger serviços, privilégios, situações instaladas. O monstro público devora recursos e penaliza os clientes cumpridores – que são os primeiros a quem o Estado quer agora racionalizar à força.
Quando se fala em mudar as regras, apetece dizer que o Estado devia começar por interiorizar ele próprio uma mudança necessária: começar a tratar bem os seus estimados clientes, começar a respeitar os contribuintes, começar a considerar que as pessoas não são malfeitoras. Na verdade, se aqui existem malfeitorias, elas vêm por via de regra do Estado e de quem o gere.
Quando comecei a trabalhar, já lá vão praticamente 30 anos, o Estado propôs-me um contrato: todos os meses me retirava um tanto do meu ordenado para impostos e outro tanto para a Segurança Social. Era um contrato um bocado forçado – não tinha forma de lhe fugir. Vivendo exclusivamente do meu trabalho, não tenho por onde fazer fintas, não posso domiciliar-me na Holanda, nem praticar truques diversos que permitem a algumas entidades, legitimamente aliás, serem menos espoliadas pelo Estado.
Acontece que em contrapartida pelo que eu lhe pago, o Estado prometia assegurar algumas questões básicas – serviços de saúde, educação, e as pensões correspondentes ao retorno do meu investimento. No fundo o Estado queria funcionar como um gestor de fundos que cobra coercivamente – e nessa base nós somos todos estimados clientes. Ora o Estado trata muito mal os seus clientes – na verdade não tem respeito por eles. Anos de más governações criaram um monstro que devora recursos, proporciona serviços entre o mau e o sofrível, e ignora os seus compromissos. Mais, muda as regras quando lhe apetece, não informa os seus clientes das alterações, aumenta os preços e diminui os serviços, enfim um mau exemplo de relação fornecedor-cliente.
Eu acho muito bem todos os esforços no sentido de tornar o Estado mais eficaz e menos perdulário – desde que isso se reflicta de forma positiva nos cidadãos. O que se começa a ver é que, uma vez mais, os cidadãos são a derradeira das preocupações do Estado. Há um efectivo e continuado desprezo por quem desconta, para proteger serviços, privilégios, situações instaladas. O monstro público devora recursos e penaliza os clientes cumpridores – que são os primeiros a quem o Estado quer agora racionalizar à força.
Quando se fala em mudar as regras, apetece dizer que o Estado devia começar por interiorizar ele próprio uma mudança necessária: começar a tratar bem os seus estimados clientes, começar a respeitar os contribuintes, começar a considerar que as pessoas não são malfeitoras. Na verdade, se aqui existem malfeitorias, elas vêm por via de regra do Estado e de quem o gere.
julho 03, 2006
CURIOSO – No Canadá, o Governo Federal impõe desde 2003 uma legislação que obriga a que organismos públicos, entidades de capital público e concessionários de serviço público só possam recorrer a fornecedores na área da publicidade desde que o seu capital social seja detido, pelo menos a 80 por cento, por canadianos. Isto aplica-se a todas as áreas, desde a criatividade, passando pelo planeamento, até à compra de media. Desta forma a actividade das multinacionais do sector, que tradicionalmente esmagam as empresas locais e dificultam o seu desenvolvimento, fica fortemente condicionada. É engraçado ver o que se passa em Portugal e comparar – por aqui a mentalidade e a prática é exactamente a contrária, a começar pelos detentores de concessões de serviço público, que objectivamente dão mais vantagens aos grandes grupos multinacionais do sector que às empresas locais. Aqui está um tema para um dia destes aprofundar.
AGENDA – O mais antigo festival de Jazz que se realiza em Portugal, herdeiro directo do Cascais Jazz, regressa já a partir de dia 7 de Julho e prolonga-se até dia 16. O cartaz da edição deste ano do Estoril Jazz é tentador e inclui nomes como Tim Hagans, Dena de Rose, Pat Martino e Kenny Barron entre outros. Como sempre o Festival decorre no Parque Palmela e é dirigido por Duarte Mendonça, há mais de 30 anos a jazzar por aí.
OUVIR – Arturo Benedetti Michelangeli foi um dos grandes maestros e pianistas do século XX. Discreto, vivendo quase em reclusão, com contínuos problemas de saúde, o seu nome nunca foi muito popular, mas a sua técnica e a força das suas interpretações criaram uma lenda, um culto de fiéis. Isso explica talvez porque há relativamente poucas edições suas, desde que morreu em 1995. Mão muito amiga trouxe-me um miminho de recente viagem: um disco feito de gravações de emissões radiofónicas de um concerto para piano de Mozart (gravado em Estugarda em 1967) e da sonata no.3 de Beethoven, gravada na Sala Pleyel, em Paris, em 1975. É uma memória fortíssima de um talento que merece ser descoberto. CD Music & Arts.
VER – Quadros intensos que exploram o cruzamento entre a emoção e o impacto da cor com a obsessão geométrica do detalhe compõem a exposição «Grafos III», do catalão Eduard Arbós. Nas salas da galeria descobrem-se evocações de arquitectura e de desenho industrial, que desordenam a simplicidade original da cor e a transportam a outra dimensão. É das mais perturbantes –e marcantes- exposições que vi este ano. Galeria VPFCREAM Arte, Rua da Boavista 84, 2º, Lisboa. Até 9 de Setembro.
PROVAR – Petiscos variados num restaurante que herda a tradição de um dos bons locais de Campo de Ourique, o velho Tico Tico, que ficava precisamente na Rua de Campo de Ourique. A mesma cozinha é proposta desde há algum tempo no Cataplana & Companhia. Destaque para os mariscos e o peixe e para a qualidade das carnes. Uma solução para os jantares de Domingo, onde quase tudo o que vale a pena está fechado. Este é um porto seguro. Rua Ferreira Borges 193-A, Tel. 213 865 269.
LER – Na edição desta semana da «Newsweek», o artigo dedicado ao que a revista considera as «hottest cities» contemporâneas. A saber: Las Vegas nos Estados Unidos, Fukuoka no Japão, Munique na Alemanha, Londres no Reino Unido, Toulouse em França, Nanchang na China, Moscovo na Rússia, Ghaziabad na Índia, Goyang na Coreia do Sul, Florianopolis no Brasil. Na mesma edição é absolutamente imperdível o artigo de Richard Florida, já aqui citado nesta coluna várias vezes, sobre «As Novas Megalopolis» e com base nesta ideia: «o nosso enfoque nas grandes cidades tradicionais está errado – o crescimento e a inovação vêm de novos corredores urbanos, complexos cruzamentos de cidades e subúrbios, vastas zonas que são as novas Megalopolis». Bom artigo para esta altura do ano: pode ser uma ideia para viagens que fujam aos rituais das praias e ao frenesim da ponte aérea futebolística.
MODERNICE – O operador digital por satélite britânico Sky lançou um novo serviço que permite aos seus clientes programarem por telemóvel as caixas descodificadoras Sky Plus.
BACK TO BASICS – O problema com as anedotas políticas é que frequentemente acabam por ser eleitos. (Henry Cate).
AGENDA – O mais antigo festival de Jazz que se realiza em Portugal, herdeiro directo do Cascais Jazz, regressa já a partir de dia 7 de Julho e prolonga-se até dia 16. O cartaz da edição deste ano do Estoril Jazz é tentador e inclui nomes como Tim Hagans, Dena de Rose, Pat Martino e Kenny Barron entre outros. Como sempre o Festival decorre no Parque Palmela e é dirigido por Duarte Mendonça, há mais de 30 anos a jazzar por aí.
OUVIR – Arturo Benedetti Michelangeli foi um dos grandes maestros e pianistas do século XX. Discreto, vivendo quase em reclusão, com contínuos problemas de saúde, o seu nome nunca foi muito popular, mas a sua técnica e a força das suas interpretações criaram uma lenda, um culto de fiéis. Isso explica talvez porque há relativamente poucas edições suas, desde que morreu em 1995. Mão muito amiga trouxe-me um miminho de recente viagem: um disco feito de gravações de emissões radiofónicas de um concerto para piano de Mozart (gravado em Estugarda em 1967) e da sonata no.3 de Beethoven, gravada na Sala Pleyel, em Paris, em 1975. É uma memória fortíssima de um talento que merece ser descoberto. CD Music & Arts.
VER – Quadros intensos que exploram o cruzamento entre a emoção e o impacto da cor com a obsessão geométrica do detalhe compõem a exposição «Grafos III», do catalão Eduard Arbós. Nas salas da galeria descobrem-se evocações de arquitectura e de desenho industrial, que desordenam a simplicidade original da cor e a transportam a outra dimensão. É das mais perturbantes –e marcantes- exposições que vi este ano. Galeria VPFCREAM Arte, Rua da Boavista 84, 2º, Lisboa. Até 9 de Setembro.
PROVAR – Petiscos variados num restaurante que herda a tradição de um dos bons locais de Campo de Ourique, o velho Tico Tico, que ficava precisamente na Rua de Campo de Ourique. A mesma cozinha é proposta desde há algum tempo no Cataplana & Companhia. Destaque para os mariscos e o peixe e para a qualidade das carnes. Uma solução para os jantares de Domingo, onde quase tudo o que vale a pena está fechado. Este é um porto seguro. Rua Ferreira Borges 193-A, Tel. 213 865 269.
LER – Na edição desta semana da «Newsweek», o artigo dedicado ao que a revista considera as «hottest cities» contemporâneas. A saber: Las Vegas nos Estados Unidos, Fukuoka no Japão, Munique na Alemanha, Londres no Reino Unido, Toulouse em França, Nanchang na China, Moscovo na Rússia, Ghaziabad na Índia, Goyang na Coreia do Sul, Florianopolis no Brasil. Na mesma edição é absolutamente imperdível o artigo de Richard Florida, já aqui citado nesta coluna várias vezes, sobre «As Novas Megalopolis» e com base nesta ideia: «o nosso enfoque nas grandes cidades tradicionais está errado – o crescimento e a inovação vêm de novos corredores urbanos, complexos cruzamentos de cidades e subúrbios, vastas zonas que são as novas Megalopolis». Bom artigo para esta altura do ano: pode ser uma ideia para viagens que fujam aos rituais das praias e ao frenesim da ponte aérea futebolística.
MODERNICE – O operador digital por satélite britânico Sky lançou um novo serviço que permite aos seus clientes programarem por telemóvel as caixas descodificadoras Sky Plus.
BACK TO BASICS – O problema com as anedotas políticas é que frequentemente acabam por ser eleitos. (Henry Cate).
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CURIOSO – No Canadá, o Governo Federal impõe desde 2003 uma legislação que obriga a que organismos públicos, entidades de capital público e concessionários de serviço público só possam recorrer a fornecedores na área da publicidade desde que o seu capital social seja detido, pelo menos a 80 por cento, por canadianos. Isto aplica-se a todas as áreas, desde a criatividade, passando pelo planeamento, até à compra de media. Desta forma a actividade das multinacionais do sector, que tradicionalmente esmagam as empresas locais e dificultam o seu desenvolvimento, fica fortemente condicionada. É engraçado ver o que se passa em Portugal e comparar – por aqui a mentalidade e a prática é exactamente a contrária, a começar pelos detentores de concessões de serviço público, que objectivamente dão mais vantagens aos grandes grupos multinacionais do sector que às empresas locais. Aqui está um tema para um dia destes aprofundar.
AGENDA – O mais antigo festival de Jazz que se realiza em Portugal, herdeiro directo do Cascais Jazz, regressa já a partir de dia 7 de Julho e prolonga-se até dia 16. O cartaz da edição deste ano do Estoril Jazz é tentador e inclui nomes como Tim Hagans, Dena de Rose, Pat Martino e Kenny Barron entre outros. Como sempre o Festival decorre no Parque Palmela e é dirigido por Duarte Mendonça, há mais de 30 anos a jazzar por aí.
OUVIR – Arturo Benedetti Michelangeli foi um dos grandes maestros e pianistas do século XX. Discreto, vivendo quase em reclusão, com contínuos problemas de saúde, o seu nome nunca foi muito popular, mas a sua técnica e a força das suas interpretações criaram uma lenda, um culto de fiéis. Isso explica talvez porque há relativamente poucas edições suas, desde que morreu em 1995. Mão muito amiga trouxe-me um miminho de recente viagem: um disco feito de gravações de emissões radiofónicas de um concerto para piano de Mozart (gravado em Estugarda em 1967) e da sonata no.3 de Beethoven, gravada na Sala Pleyel, em Paris, em 1975. É uma memória fortíssima de um talento que merece ser descoberto. CD Music & Arts.
VER – Quadros intensos que exploram o cruzamento entre a emoção e o impacto da cor com a obsessão geométrica do detalhe compõem a exposição «Grafos III», do catalão Eduard Arbós. Nas salas da galeria descobrem-se evocações de arquitectura e de desenho industrial, que desordenam a simplicidade original da cor e a transportam a outra dimensão. É das mais perturbantes –e marcantes- exposições que vi este ano. Galeria VPFCREAM Arte, Rua da Boavista 84, 2º, Lisboa. Até 9 de Setembro.
PROVAR – Petiscos variados num restaurante que herda a tradição de um dos bons locais de Campo de Ourique, o velho Tico Tico, que ficava precisamente na Rua de Campo de Ourique. A mesma cozinha é proposta desde há algum tempo no Cataplana & Companhia. Destaque para os mariscos e o peixe e para a qualidade das carnes. Uma solução para os jantares de Domingo, onde quase tudo o que vale a pena está fechado. Este é um porto seguro. Rua Ferreira Borges 193-A, Tel. 213 865 269.
LER – Na edição desta semana da «Newsweek», o artigo dedicado ao que a revista considera as «hottest cities» contemporâneas. A saber: Las Vegas nos Estados Unidos, Fukuoka no Japão, Munique na Alemanha, Londres no Reino Unido, Toulouse em França, Nanchang na China, Moscovo na Rússia, Ghaziabad na Índia, Goyang na Coreia do Sul, Florianopolis no Brasil. Na mesma edição é absolutamente imperdível o artigo de Richard Florida, já aqui citado nesta coluna várias vezes, sobre «As Novas Megalopolis» e com base nesta ideia: «o nosso enfoque nas grandes cidades tradicionais está errado – o crescimento e a inovação vêm de novos corredores urbanos, complexos cruzamentos de cidades e subúrbios, vastas zonas que são as novas Megalopolis». Bom artigo para esta altura do ano: pode ser uma ideia para viagens que fujam aos rituais das praias e ao frenesim da ponte aérea futebolística.
MODERNICE – O operador digital por satélite britânico Sky lançou um novo serviço que permite aos seus clientes programarem por telemóvel as caixas descodificadoras Sky Plus.
BACK TO BASICS – O problema com as anedotas políticas é que frequentemente acabam por ser eleitos. (Henry Cate).
AGENDA – O mais antigo festival de Jazz que se realiza em Portugal, herdeiro directo do Cascais Jazz, regressa já a partir de dia 7 de Julho e prolonga-se até dia 16. O cartaz da edição deste ano do Estoril Jazz é tentador e inclui nomes como Tim Hagans, Dena de Rose, Pat Martino e Kenny Barron entre outros. Como sempre o Festival decorre no Parque Palmela e é dirigido por Duarte Mendonça, há mais de 30 anos a jazzar por aí.
OUVIR – Arturo Benedetti Michelangeli foi um dos grandes maestros e pianistas do século XX. Discreto, vivendo quase em reclusão, com contínuos problemas de saúde, o seu nome nunca foi muito popular, mas a sua técnica e a força das suas interpretações criaram uma lenda, um culto de fiéis. Isso explica talvez porque há relativamente poucas edições suas, desde que morreu em 1995. Mão muito amiga trouxe-me um miminho de recente viagem: um disco feito de gravações de emissões radiofónicas de um concerto para piano de Mozart (gravado em Estugarda em 1967) e da sonata no.3 de Beethoven, gravada na Sala Pleyel, em Paris, em 1975. É uma memória fortíssima de um talento que merece ser descoberto. CD Music & Arts.
VER – Quadros intensos que exploram o cruzamento entre a emoção e o impacto da cor com a obsessão geométrica do detalhe compõem a exposição «Grafos III», do catalão Eduard Arbós. Nas salas da galeria descobrem-se evocações de arquitectura e de desenho industrial, que desordenam a simplicidade original da cor e a transportam a outra dimensão. É das mais perturbantes –e marcantes- exposições que vi este ano. Galeria VPFCREAM Arte, Rua da Boavista 84, 2º, Lisboa. Até 9 de Setembro.
PROVAR – Petiscos variados num restaurante que herda a tradição de um dos bons locais de Campo de Ourique, o velho Tico Tico, que ficava precisamente na Rua de Campo de Ourique. A mesma cozinha é proposta desde há algum tempo no Cataplana & Companhia. Destaque para os mariscos e o peixe e para a qualidade das carnes. Uma solução para os jantares de Domingo, onde quase tudo o que vale a pena está fechado. Este é um porto seguro. Rua Ferreira Borges 193-A, Tel. 213 865 269.
LER – Na edição desta semana da «Newsweek», o artigo dedicado ao que a revista considera as «hottest cities» contemporâneas. A saber: Las Vegas nos Estados Unidos, Fukuoka no Japão, Munique na Alemanha, Londres no Reino Unido, Toulouse em França, Nanchang na China, Moscovo na Rússia, Ghaziabad na Índia, Goyang na Coreia do Sul, Florianopolis no Brasil. Na mesma edição é absolutamente imperdível o artigo de Richard Florida, já aqui citado nesta coluna várias vezes, sobre «As Novas Megalopolis» e com base nesta ideia: «o nosso enfoque nas grandes cidades tradicionais está errado – o crescimento e a inovação vêm de novos corredores urbanos, complexos cruzamentos de cidades e subúrbios, vastas zonas que são as novas Megalopolis». Bom artigo para esta altura do ano: pode ser uma ideia para viagens que fujam aos rituais das praias e ao frenesim da ponte aérea futebolística.
MODERNICE – O operador digital por satélite britânico Sky lançou um novo serviço que permite aos seus clientes programarem por telemóvel as caixas descodificadoras Sky Plus.
BACK TO BASICS – O problema com as anedotas políticas é que frequentemente acabam por ser eleitos. (Henry Cate).
CRÓNICA SOCIAL
Na semana passada foi inaugurada a primeira exposição da colecção da Fundação Ellipse, nas suas instalações próprias, no Alcoitão. Esta Fundação, integralmente privada, não recebeu –nem pedinchou – apoios do Estado. Reúne um grupo de investidores, que decidiram criar uma colecção representativa da arte contemporânea, com compras feitas segundo um critério que não teme em procurar momentos de ruptura e clivagem na criação artística actual. Ao mesmo tempo os responsáveis da colecção têm consagrado uma parte importante dos seus recursos a aquisições de artistas portugueses, o que vai sendo uma raridade até nas colecções oficiais ou em outras colecções nacionais mais dadas ao encantamento provinciano por um cosmopolitismo sintético.
O Centro de Artes da Fundação foi colocado numa zona industrial, num armazém transformado, e como sublinham os seus responsáveis, procurou-se encontrar uma solução eficaz e não faraónica nem de ostentação, que mantivesse em níveis de razoabilidade o investimento na sede, para libertar o máximo de recursos para a colecção propriamente dita.
Resumindo: bom senso, iniciativa privada, exemplo de uma dinâmica apreciável da sociedade civil na área da cultura – tudo motivos de alegria e contentamento. Seria pois de esperar que os poderes instituídos, a começar pelo funesto Ministério da Cultura, aplaudissem a iniciativa e dela fizessem exemplo.
Pois bem, na inauguração da exposição, sexta feira passada, carinhas do poder central – nem, vê-las. A intrigante Ministra da Cultura não esteve, nem nenhum dos seus ajudantes. Mas ela por acaso na sua apertada agenda encontrou espaço para poder estar numa espécie de arraial, em Azeitão, patrocinado por Joe Berardo. Há escolhas que mostram muito do carácter de uma pessoa: depois de ter andado a empatar a resolução da colecção Berardo, lá executou as ordens do Primeiro-Ministro, e agora surge obediente e conformada nos actos públicos a ele ligados.
Na realidade não é estranho – o poder não gosta de ser criticado e muito menos aprecia quem se atreve a revelar a sua nudez. Se quiserem ler a entrevista que o impulsionador da Fundação Ellipse, João Rendeiro, deu à revista virtual ArteCapital (www.artecapital.net) , poderão perceber um pouco do que está em jogo.
Na semana passada foi inaugurada a primeira exposição da colecção da Fundação Ellipse, nas suas instalações próprias, no Alcoitão. Esta Fundação, integralmente privada, não recebeu –nem pedinchou – apoios do Estado. Reúne um grupo de investidores, que decidiram criar uma colecção representativa da arte contemporânea, com compras feitas segundo um critério que não teme em procurar momentos de ruptura e clivagem na criação artística actual. Ao mesmo tempo os responsáveis da colecção têm consagrado uma parte importante dos seus recursos a aquisições de artistas portugueses, o que vai sendo uma raridade até nas colecções oficiais ou em outras colecções nacionais mais dadas ao encantamento provinciano por um cosmopolitismo sintético.
O Centro de Artes da Fundação foi colocado numa zona industrial, num armazém transformado, e como sublinham os seus responsáveis, procurou-se encontrar uma solução eficaz e não faraónica nem de ostentação, que mantivesse em níveis de razoabilidade o investimento na sede, para libertar o máximo de recursos para a colecção propriamente dita.
Resumindo: bom senso, iniciativa privada, exemplo de uma dinâmica apreciável da sociedade civil na área da cultura – tudo motivos de alegria e contentamento. Seria pois de esperar que os poderes instituídos, a começar pelo funesto Ministério da Cultura, aplaudissem a iniciativa e dela fizessem exemplo.
Pois bem, na inauguração da exposição, sexta feira passada, carinhas do poder central – nem, vê-las. A intrigante Ministra da Cultura não esteve, nem nenhum dos seus ajudantes. Mas ela por acaso na sua apertada agenda encontrou espaço para poder estar numa espécie de arraial, em Azeitão, patrocinado por Joe Berardo. Há escolhas que mostram muito do carácter de uma pessoa: depois de ter andado a empatar a resolução da colecção Berardo, lá executou as ordens do Primeiro-Ministro, e agora surge obediente e conformada nos actos públicos a ele ligados.
Na realidade não é estranho – o poder não gosta de ser criticado e muito menos aprecia quem se atreve a revelar a sua nudez. Se quiserem ler a entrevista que o impulsionador da Fundação Ellipse, João Rendeiro, deu à revista virtual ArteCapital (www.artecapital.net) , poderão perceber um pouco do que está em jogo.
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CRÓNICA SOCIAL
Na semana passada foi inaugurada a primeira exposição da colecção da Fundação Ellipse, nas suas instalações próprias, no Alcoitão. Esta Fundação, integralmente privada, não recebeu –nem pedinchou – apoios do Estado. Reúne um grupo de investidores, que decidiram criar uma colecção representativa da arte contemporânea, com compras feitas segundo um critério que não teme em procurar momentos de ruptura e clivagem na criação artística actual. Ao mesmo tempo os responsáveis da colecção têm consagrado uma parte importante dos seus recursos a aquisições de artistas portugueses, o que vai sendo uma raridade até nas colecções oficiais ou em outras colecções nacionais mais dadas ao encantamento provinciano por um cosmopolitismo sintético.
O Centro de Artes da Fundação foi colocado numa zona industrial, num armazém transformado, e como sublinham os seus responsáveis, procurou-se encontrar uma solução eficaz e não faraónica nem de ostentação, que mantivesse em níveis de razoabilidade o investimento na sede, para libertar o máximo de recursos para a colecção propriamente dita.
Resumindo: bom senso, iniciativa privada, exemplo de uma dinâmica apreciável da sociedade civil na área da cultura – tudo motivos de alegria e contentamento. Seria pois de esperar que os poderes instituídos, a começar pelo funesto Ministério da Cultura, aplaudissem a iniciativa e dela fizessem exemplo.
Pois bem, na inauguração da exposição, sexta feira passada, carinhas do poder central – nem, vê-las. A intrigante Ministra da Cultura não esteve, nem nenhum dos seus ajudantes. Mas ela por acaso na sua apertada agenda encontrou espaço para poder estar numa espécie de arraial, em Azeitão, patrocinado por Joe Berardo. Há escolhas que mostram muito do carácter de uma pessoa: depois de ter andado a empatar a resolução da colecção Berardo, lá executou as ordens do Primeiro-Ministro, e agora surge obediente e conformada nos actos públicos a ele ligados.
Na realidade não é estranho – o poder não gosta de ser criticado e muito menos aprecia quem se atreve a revelar a sua nudez. Se quiserem ler a entrevista que o impulsionador da Fundação Ellipse, João Rendeiro, deu à revista virtual ArteCapital (www.artecapital.net) , poderão perceber um pouco do que está em jogo.
Na semana passada foi inaugurada a primeira exposição da colecção da Fundação Ellipse, nas suas instalações próprias, no Alcoitão. Esta Fundação, integralmente privada, não recebeu –nem pedinchou – apoios do Estado. Reúne um grupo de investidores, que decidiram criar uma colecção representativa da arte contemporânea, com compras feitas segundo um critério que não teme em procurar momentos de ruptura e clivagem na criação artística actual. Ao mesmo tempo os responsáveis da colecção têm consagrado uma parte importante dos seus recursos a aquisições de artistas portugueses, o que vai sendo uma raridade até nas colecções oficiais ou em outras colecções nacionais mais dadas ao encantamento provinciano por um cosmopolitismo sintético.
O Centro de Artes da Fundação foi colocado numa zona industrial, num armazém transformado, e como sublinham os seus responsáveis, procurou-se encontrar uma solução eficaz e não faraónica nem de ostentação, que mantivesse em níveis de razoabilidade o investimento na sede, para libertar o máximo de recursos para a colecção propriamente dita.
Resumindo: bom senso, iniciativa privada, exemplo de uma dinâmica apreciável da sociedade civil na área da cultura – tudo motivos de alegria e contentamento. Seria pois de esperar que os poderes instituídos, a começar pelo funesto Ministério da Cultura, aplaudissem a iniciativa e dela fizessem exemplo.
Pois bem, na inauguração da exposição, sexta feira passada, carinhas do poder central – nem, vê-las. A intrigante Ministra da Cultura não esteve, nem nenhum dos seus ajudantes. Mas ela por acaso na sua apertada agenda encontrou espaço para poder estar numa espécie de arraial, em Azeitão, patrocinado por Joe Berardo. Há escolhas que mostram muito do carácter de uma pessoa: depois de ter andado a empatar a resolução da colecção Berardo, lá executou as ordens do Primeiro-Ministro, e agora surge obediente e conformada nos actos públicos a ele ligados.
Na realidade não é estranho – o poder não gosta de ser criticado e muito menos aprecia quem se atreve a revelar a sua nudez. Se quiserem ler a entrevista que o impulsionador da Fundação Ellipse, João Rendeiro, deu à revista virtual ArteCapital (www.artecapital.net) , poderão perceber um pouco do que está em jogo.
junho 25, 2006
COMEÇOU O BAILE…
Dois barulhentos avisos vieram esta semana perturbar o estado de graça do Governo: declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos e do deputado socialista João Cravinho, ambas colocando directamente em causa a acção do primeiro-ministro. O primeiro criticou as políticas sociais e algumas reformas do Governo, o segundo pôs em causa que fosse possível inverter o processo de decisão que leva a General Motors a querer encerrar a sua fábrica na Azambuja.
É cedo, muito cedo, para perceber se as políticas anunciadas pelo Governo se transformam em reformas efectivas ou se ficam, uma vez mais, na categoria das declarações de intenções e anúncios pomposos não concretizados. Até agora, a verdade, é que as reformas mais visíveis se dirigem contra os que têm mais dificuldade em reagir. – na saúde e na segurança social por exemplo. O fisco persegue o óbvio (o trabalhador por conta de outrem e o consumidor de IVA), mas não molesta na mesma proporção a grande evasão – da mesma forma que o Governo não legisla no sentido de tornar mais apetecível o investimento em Portugal – para os portugueses nomeadameente - com uma política fiscal mais atraente. Na realidade a política fiscal continua opaca na reforma e costumeira nos hábitos – vai atrás do fácil.
As declarações de Manuel dos Santos mostram o descontentamento pela ausência de sensibilidade social de algumas medidas do Governo – e mesmo que essas declarações tenham uma base de demagogia para consumo da oposição interna, a verdade é que elas têm um fundo de verdade, o suficiente para serem ouvidas e darem que falar.
Já o caso de Cravinho é diferente, e mais sério. O que Cravinho vem dizer – e bem – é que os centros de decisão das grandes indústrias estão fora de Portugal e, a menos que se ofereçam vantagens que aos locais não se proporcionam, é difícil inverter o ciclo de procura de novas paragens. Cravinho coloca o problema de fundo: falta uma estratégia nacional, falta uma política de desenvolvimento sustentada. É certo que a falta não é de agora – mas o caso da General Motors veio dramaticamente colocá-la na ordem do dia.
Dois barulhentos avisos vieram esta semana perturbar o estado de graça do Governo: declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos e do deputado socialista João Cravinho, ambas colocando directamente em causa a acção do primeiro-ministro. O primeiro criticou as políticas sociais e algumas reformas do Governo, o segundo pôs em causa que fosse possível inverter o processo de decisão que leva a General Motors a querer encerrar a sua fábrica na Azambuja.
É cedo, muito cedo, para perceber se as políticas anunciadas pelo Governo se transformam em reformas efectivas ou se ficam, uma vez mais, na categoria das declarações de intenções e anúncios pomposos não concretizados. Até agora, a verdade, é que as reformas mais visíveis se dirigem contra os que têm mais dificuldade em reagir. – na saúde e na segurança social por exemplo. O fisco persegue o óbvio (o trabalhador por conta de outrem e o consumidor de IVA), mas não molesta na mesma proporção a grande evasão – da mesma forma que o Governo não legisla no sentido de tornar mais apetecível o investimento em Portugal – para os portugueses nomeadameente - com uma política fiscal mais atraente. Na realidade a política fiscal continua opaca na reforma e costumeira nos hábitos – vai atrás do fácil.
As declarações de Manuel dos Santos mostram o descontentamento pela ausência de sensibilidade social de algumas medidas do Governo – e mesmo que essas declarações tenham uma base de demagogia para consumo da oposição interna, a verdade é que elas têm um fundo de verdade, o suficiente para serem ouvidas e darem que falar.
Já o caso de Cravinho é diferente, e mais sério. O que Cravinho vem dizer – e bem – é que os centros de decisão das grandes indústrias estão fora de Portugal e, a menos que se ofereçam vantagens que aos locais não se proporcionam, é difícil inverter o ciclo de procura de novas paragens. Cravinho coloca o problema de fundo: falta uma estratégia nacional, falta uma política de desenvolvimento sustentada. É certo que a falta não é de agora – mas o caso da General Motors veio dramaticamente colocá-la na ordem do dia.
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COMEÇOU O BAILE…
Dois barulhentos avisos vieram esta semana perturbar o estado de graça do Governo: declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos e do deputado socialista João Cravinho, ambas colocando directamente em causa a acção do primeiro-ministro. O primeiro criticou as políticas sociais e algumas reformas do Governo, o segundo pôs em causa que fosse possível inverter o processo de decisão que leva a General Motors a querer encerrar a sua fábrica na Azambuja.
É cedo, muito cedo, para perceber se as políticas anunciadas pelo Governo se transformam em reformas efectivas ou se ficam, uma vez mais, na categoria das declarações de intenções e anúncios pomposos não concretizados. Até agora, a verdade, é que as reformas mais visíveis se dirigem contra os que têm mais dificuldade em reagir. – na saúde e na segurança social por exemplo. O fisco persegue o óbvio (o trabalhador por conta de outrem e o consumidor de IVA), mas não molesta na mesma proporção a grande evasão – da mesma forma que o Governo não legisla no sentido de tornar mais apetecível o investimento em Portugal – para os portugueses nomeadameente - com uma política fiscal mais atraente. Na realidade a política fiscal continua opaca na reforma e costumeira nos hábitos – vai atrás do fácil.
As declarações de Manuel dos Santos mostram o descontentamento pela ausência de sensibilidade social de algumas medidas do Governo – e mesmo que essas declarações tenham uma base de demagogia para consumo da oposição interna, a verdade é que elas têm um fundo de verdade, o suficiente para serem ouvidas e darem que falar.
Já o caso de Cravinho é diferente, e mais sério. O que Cravinho vem dizer – e bem – é que os centros de decisão das grandes indústrias estão fora de Portugal e, a menos que se ofereçam vantagens que aos locais não se proporcionam, é difícil inverter o ciclo de procura de novas paragens. Cravinho coloca o problema de fundo: falta uma estratégia nacional, falta uma política de desenvolvimento sustentada. É certo que a falta não é de agora – mas o caso da General Motors veio dramaticamente colocá-la na ordem do dia.
Dois barulhentos avisos vieram esta semana perturbar o estado de graça do Governo: declarações do eurodeputado socialista Manuel dos Santos e do deputado socialista João Cravinho, ambas colocando directamente em causa a acção do primeiro-ministro. O primeiro criticou as políticas sociais e algumas reformas do Governo, o segundo pôs em causa que fosse possível inverter o processo de decisão que leva a General Motors a querer encerrar a sua fábrica na Azambuja.
É cedo, muito cedo, para perceber se as políticas anunciadas pelo Governo se transformam em reformas efectivas ou se ficam, uma vez mais, na categoria das declarações de intenções e anúncios pomposos não concretizados. Até agora, a verdade, é que as reformas mais visíveis se dirigem contra os que têm mais dificuldade em reagir. – na saúde e na segurança social por exemplo. O fisco persegue o óbvio (o trabalhador por conta de outrem e o consumidor de IVA), mas não molesta na mesma proporção a grande evasão – da mesma forma que o Governo não legisla no sentido de tornar mais apetecível o investimento em Portugal – para os portugueses nomeadameente - com uma política fiscal mais atraente. Na realidade a política fiscal continua opaca na reforma e costumeira nos hábitos – vai atrás do fácil.
As declarações de Manuel dos Santos mostram o descontentamento pela ausência de sensibilidade social de algumas medidas do Governo – e mesmo que essas declarações tenham uma base de demagogia para consumo da oposição interna, a verdade é que elas têm um fundo de verdade, o suficiente para serem ouvidas e darem que falar.
Já o caso de Cravinho é diferente, e mais sério. O que Cravinho vem dizer – e bem – é que os centros de decisão das grandes indústrias estão fora de Portugal e, a menos que se ofereçam vantagens que aos locais não se proporcionam, é difícil inverter o ciclo de procura de novas paragens. Cravinho coloca o problema de fundo: falta uma estratégia nacional, falta uma política de desenvolvimento sustentada. É certo que a falta não é de agora – mas o caso da General Motors veio dramaticamente colocá-la na ordem do dia.
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