maio 02, 2006

ANOTAR - Al Gore reinventou-se e na semana passada foi o orador convidado de uma plateia que juntou as estrelas de Silicon Valley, como os líderes da Apple, Yahoo e Google, entre outros. Num discurso apaixonado de hora e meia, Gore espantou a audiência com a forma como expôs a sua cruzada contra o aquecimento global do planeta. O seu objectivo era conseguir convencer os cérebros de Silicon Valley de que é fundamental descobrir soluções técnicas sólidas para combater o aquecimento global, numa espécia de aliança entre a ecologia, a tecnologia e o capitalismo. Além de estar num autêntico road-show mundial com este discurso, baseado num powerpoint que se está a tornar num mito, Gore e esta sua cruzada são o tema central de um documentário que foi uma das estrelas do Festval de Sundance e que vai ser distribuído agora pela Paramount, «An Inconvenient Truth». Gore – que cedo se deixou de carpir a derrota na campanha presidencial – conseguiu dar completamente a volta à sua actividade e é hoje em dia conselheiro de empresas como a Apple e a Google, impulsionador de um canal de televisão baseado na cidadania, a Current TV e está a concluir um novo livro que será editado ainda este ano.


DESCOBRIR - A revista norte-americana «Wired» detecta esta semana o surgimento de um novo grupo social, os «eco-estetas» e define-os assim: o telhado das suas casas está forrado a painéis solares, na garagem têm um carro com motor híbrido, nos armários têm apenas roupa feita a partir de algodão cultivado segundo os princípios orgânicos da agricultura biológica. O que é facto é que nos Estados Unidos são já um grupo de consumidores significativo, que estão a chamar a atenção, constituindo um mercado que ganha dimensão e que procura cada vez mais produtos que estejam associados à protecção do meio ambiente.


LER - A melhor ideia dos últimos tempos nasceu esta semana no jornal espanhol «El Pais». Trata-se de um novo jornal, autónomo, de distribuição gratuita, o «24 Horas», que tem a particularidade de não ser impresso. É de facto um jornal virtual, que existe apenas na Internet, que tem actualizações constantes, e que pode ser descarregado e impresso para se ler com calma à hora do almoço ou num copo de fim de tarde - «o primeiro jornal gratuito actualizado permanentemente», como anuncia o «El Pais». Este autêntico ovo de Colombo pode ainda por cima ser personalizado: cada leitor define o seu próprio perfil e pode pedir mais artigos relacionados com desporto, ou tecnologias, ou política internacional, ou cultura, ou sociedade. O jornal é feito a partir de artigos do «El Pais», pela redacção do diário madrileno. A distribuição fica facilitada à partida por ser baseada num dos sites mais visitados de Espanha (e da Europa), e a impressão deixa de ser um custo central para ser disseminada pelos leitores que fazem download do ficheiro PDF que se obtém fazendo o download do «24 Horas». O «24 Horas» é patrocinado em exclusivo pela transportadora aérea Iberia. O registo é gratuito, fundamental para se fazer a personalização da edição, mas toda a gente, mesmo os não registados, podem fazer o download. Todas as informações em www.elpais.es .


OUVIR - Sou um fã de canções inspiradas por blues e pelo jazz e, confesso, sou um fã da obra de Harold Arlen, um dos grandes compositores da música popular norte americana, que morreu em 1986. São suas canções como «Over The Rainbow», «One More For The Road», «Come Rain Or Come Shine», «It’s Only A Paper Moon» ou «Stormy Weather». Pois bem, Toots Thielemans, um grande músico de jazz belga que se tornou conhecido pela forma única como toca a harmónica, teve a ideia de juntar algumas das mais marcantes vozes do jazz contemporâneo, fazer novos arranjos das canções de Arlen e juntar tudo num só disco – que apropriadamente se chama «One More For The Road». Ali estão vozes como Jamie Cullum, Till Bronner, Madeleine Peyroux, Silje Nergaard e a grande Oleta Adams que se atira a «Stormy Weather». Um grande disco, CD Verve, distribuído por Universal Music.


EXPERIMENTAR – Os novos vinhos da enóloga Filipa Pato, filha de Luís Pato, «Ensaios». Tanto o branco como o tinto merecem atenção e têm uma belíssima relação qualidade/preço.


BACK TO BASICS – «Ao longo dos anos fui percebendo que um homem inútil é uma vergonha, dois são um escritório de advogados e três ou mais são um parlamento» - John Adams.

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ANOTAR - Al Gore reinventou-se e na semana passada foi o orador convidado de uma plateia que juntou as estrelas de Silicon Valley, como os líderes da Apple, Yahoo e Google, entre outros. Num discurso apaixonado de hora e meia, Gore espantou a audiência com a forma como expôs a sua cruzada contra o aquecimento global do planeta. O seu objectivo era conseguir convencer os cérebros de Silicon Valley de que é fundamental descobrir soluções técnicas sólidas para combater o aquecimento global, numa espécia de aliança entre a ecologia, a tecnologia e o capitalismo. Além de estar num autêntico road-show mundial com este discurso, baseado num powerpoint que se está a tornar num mito, Gore e esta sua cruzada são o tema central de um documentário que foi uma das estrelas do Festval de Sundance e que vai ser distribuído agora pela Paramount, «An Inconvenient Truth». Gore – que cedo se deixou de carpir a derrota na campanha presidencial – conseguiu dar completamente a volta à sua actividade e é hoje em dia conselheiro de empresas como a Apple e a Google, impulsionador de um canal de televisão baseado na cidadania, a Current TV e está a concluir um novo livro que será editado ainda este ano.


DESCOBRIR - A revista norte-americana «Wired» detecta esta semana o surgimento de um novo grupo social, os «eco-estetas» e define-os assim: o telhado das suas casas está forrado a painéis solares, na garagem têm um carro com motor híbrido, nos armários têm apenas roupa feita a partir de algodão cultivado segundo os princípios orgânicos da agricultura biológica. O que é facto é que nos Estados Unidos são já um grupo de consumidores significativo, que estão a chamar a atenção, constituindo um mercado que ganha dimensão e que procura cada vez mais produtos que estejam associados à protecção do meio ambiente.


LER - A melhor ideia dos últimos tempos nasceu esta semana no jornal espanhol «El Pais». Trata-se de um novo jornal, autónomo, de distribuição gratuita, o «24 Horas», que tem a particularidade de não ser impresso. É de facto um jornal virtual, que existe apenas na Internet, que tem actualizações constantes, e que pode ser descarregado e impresso para se ler com calma à hora do almoço ou num copo de fim de tarde - «o primeiro jornal gratuito actualizado permanentemente», como anuncia o «El Pais». Este autêntico ovo de Colombo pode ainda por cima ser personalizado: cada leitor define o seu próprio perfil e pode pedir mais artigos relacionados com desporto, ou tecnologias, ou política internacional, ou cultura, ou sociedade. O jornal é feito a partir de artigos do «El Pais», pela redacção do diário madrileno. A distribuição fica facilitada à partida por ser baseada num dos sites mais visitados de Espanha (e da Europa), e a impressão deixa de ser um custo central para ser disseminada pelos leitores que fazem download do ficheiro PDF que se obtém fazendo o download do «24 Horas». O «24 Horas» é patrocinado em exclusivo pela transportadora aérea Iberia. O registo é gratuito, fundamental para se fazer a personalização da edição, mas toda a gente, mesmo os não registados, podem fazer o download. Todas as informações em www.elpais.es .


OUVIR - Sou um fã de canções inspiradas por blues e pelo jazz e, confesso, sou um fã da obra de Harold Arlen, um dos grandes compositores da música popular norte americana, que morreu em 1986. São suas canções como «Over The Rainbow», «One More For The Road», «Come Rain Or Come Shine», «It’s Only A Paper Moon» ou «Stormy Weather». Pois bem, Toots Thielemans, um grande músico de jazz belga que se tornou conhecido pela forma única como toca a harmónica, teve a ideia de juntar algumas das mais marcantes vozes do jazz contemporâneo, fazer novos arranjos das canções de Arlen e juntar tudo num só disco – que apropriadamente se chama «One More For The Road». Ali estão vozes como Jamie Cullum, Till Bronner, Madeleine Peyroux, Silje Nergaard e a grande Oleta Adams que se atira a «Stormy Weather». Um grande disco, CD Verve, distribuído por Universal Music.


EXPERIMENTAR – Os novos vinhos da enóloga Filipa Pato, filha de Luís Pato, «Ensaios». Tanto o branco como o tinto merecem atenção e têm uma belíssima relação qualidade/preço.


BACK TO BASICS – «Ao longo dos anos fui percebendo que um homem inútil é uma vergonha, dois são um escritório de advogados e três ou mais são um parlamento» - John Adams.

abril 23, 2006

OS POLÍTICOS


Laxismo, demagogia e tráfico de influências são as principais características dos políticos portugueses e o Parlamento é o espelho de todos os seus vícios. Na semana passada o laxismo ficou à vista, com o escandaloso número de ausências em ante-véspera de um feriado. Mas mais sério ainda é a demagogia que varre todas as bancadas e que se traduz, hoje em dia, numa acção governativa feita de muitas palavras e de poucas acções e numa oposição que notoriamente não sabe sequer porque defende hoje uma coisa e amanhã outra.

Porventura o mais grave de tudo é o permanente tráfico de influências, que une adversários políticos e que se passeia impunemente pelos corredores da Assembleia da República e dos ministérios. Já se tornou lugar comum ver líderes e figuras proeminentes de escritórios de advogados especializados em direito comercial, misturando os interesses dos seus clientes com o cargo para que foram eleitos. Numa teia de incompatibilidades aparentemente muito rígida, os juristas – tradicionalmente o grupo profissional de onde provém a maioria dos deputados – conseguiu excepcionar e arranjar artimanhas para que impunemente pudessem continuar em dois ofícios que não são bem complementares: defender o interesse público dos cidadãos eleitores e defender os interesses comerciais de clientes. Os exemplos são numerosos, basta folhear jornais e ver quem representa quem, quem está na assembleia e lidera sociedades de advogados. Tem-se a sensação de que, para muitos, a passagem pela Assembleia e pela política é apenas um meio para atingir fins estritamente pessoais. A concubinagem entre parlamentares e interesses particulares tem aumentado e é uma maldição que, verdade seja dita, assola particularmente o centralão que nos governa. O Parlamento deixou há muito de ser uma referência. Passou a ser um expediente.

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OS POLÍTICOS


Laxismo, demagogia e tráfico de influências são as principais características dos políticos portugueses e o Parlamento é o espelho de todos os seus vícios. Na semana passada o laxismo ficou à vista, com o escandaloso número de ausências em ante-véspera de um feriado. Mas mais sério ainda é a demagogia que varre todas as bancadas e que se traduz, hoje em dia, numa acção governativa feita de muitas palavras e de poucas acções e numa oposição que notoriamente não sabe sequer porque defende hoje uma coisa e amanhã outra.

Porventura o mais grave de tudo é o permanente tráfico de influências, que une adversários políticos e que se passeia impunemente pelos corredores da Assembleia da República e dos ministérios. Já se tornou lugar comum ver líderes e figuras proeminentes de escritórios de advogados especializados em direito comercial, misturando os interesses dos seus clientes com o cargo para que foram eleitos. Numa teia de incompatibilidades aparentemente muito rígida, os juristas – tradicionalmente o grupo profissional de onde provém a maioria dos deputados – conseguiu excepcionar e arranjar artimanhas para que impunemente pudessem continuar em dois ofícios que não são bem complementares: defender o interesse público dos cidadãos eleitores e defender os interesses comerciais de clientes. Os exemplos são numerosos, basta folhear jornais e ver quem representa quem, quem está na assembleia e lidera sociedades de advogados. Tem-se a sensação de que, para muitos, a passagem pela Assembleia e pela política é apenas um meio para atingir fins estritamente pessoais. A concubinagem entre parlamentares e interesses particulares tem aumentado e é uma maldição que, verdade seja dita, assola particularmente o centralão que nos governa. O Parlamento deixou há muito de ser uma referência. Passou a ser um expediente.
NOVIDADE – A Time Warner e Michael Eisner, o ex-Presidente da Disney, estão entre os novos accionistas da Veoh Networks, uma companhia que, nas palavras de Eisner, vai revolucionar a televisão ao desenvolver uma tecnologia que aproveita a Internet para permitir que cada entidade, seja um cidadão sozinho ou uma companhia de media, possa criar o seu próprio canal de televisão. No passado, diz Eisner, distribuir programas de televisão exigia uma enorme infraestrutura de distribuição e a Veoh vai possibilitar que qualquer pessoa com uma ligação à Internet possa receber e distribuir programas com a melhor qualidade de imagem e som. A Veoh permite a distribuição de televisão de alta definição e agiliza a interactividade entre o emissor e o receptor. Ou muito me engano ou aqui está uma coisa a seguir com atenção.


VER – «Em Foco - Fotógrafos Portugueses do Pós-guerra», a exposição de fotografias, comissariada por Miguel Amado e que reúne obras de 12 fotógrafos portugueses que começaram a sua actividade nos anos 40. Integram a belíssima colecção do escritório de advogados PLMJ (ver, a propósito, o livro baseado nesta colecção editado pela Assírio & Alvim). Destaque para Fernando Lemos, António Sena da Silva, Augusto Cabrita, Eduardo Gageiro, Vítor Palla e Gérard Castello Lopes. A não perder no Museu da Cidade, Campo Grande, Lisboa, até 28 de Maio.


OUVIR – O piano é dos instrumentos que mais me fascinam e Mário Laginha é dos pianistas que mais gosto de ouvir – no caso dele vale a pena também usar a palavra «ver» - porque é muito bonito vê-lo a tocar, perceber como ele sente fisicamente a música. Hoje em dia é relativamente raro existir a oportunidade de se poder ouvir Mário Laginha a solo e este disco vem resolver esse problema. Ele sozinho com o seu piano e a sua música, 12 temas próprios, íntimos mas intensos. Este é daqueles discos que apetece ouvir vezes sem fim, companhia perfeita para qualquer noite em que o pensamento está com vontade de fugir. A gravação foi feita em Dezembro de 2005 no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. «Canções & Fugas», Mário Laginha, editado e distribuído por Universal Music Portugal.


LER – Santi Santamaria é um dos cozinheiros que nos últimos anos mais se tem destacado pela forma como trabalha com base nas tradições gastronómicas da Catalunha. Em 1981 inaugurou perto de Barcelona, em Sant Celoni, no Parque Natural de Montseny, o restaurante que lhe deu nome e que ainda hoje é uma referência, o Can Fabes, e em 1990 lançou o restaurante Santceloni (Hotel Hesperia, Paseo de la Castellana 57, Madrid), em ambos os casos sendo de imediato distinguido pelos Guias Michelin, que na edição de 2005 consideraram o Can Fabes como o melhor restaurante de Espanha. Desde 2001tem escrito com regularidade para o jornal «La Vanguardia», de Barcelona. Algumas das suas melhores crónicas foram agora reunidas em livro e mostram uma forma diferente de escrever sobre cozinha e a arte da mesa. Em textos curtos (duas páginas cada) abordam-se, de uma forma singular e divertida, temas que vão desde a forma de escolher vinhos até à comida dos aviões, passando por almoços de negócios. De certa forma as crónicas de costumes cruzam-se com sugestões gastronómicas e com dicas para receitas e formas de trabalhar determinados ingredientes. Perfeitamente delicioso, no verdadeiro sentido da palavra. «Palabra de Cocinero», de Santi Santamaria, ediciones Península, 288 páginas.


COMER – Existe por vezes ainda algum preconceito contra os restaurantes dos hotéis, mas esse é, cada vez mais, um juízo injustificado. No Hotel D. Pedro Lisboa existe um dos restaurantes italianos que vale a pena conhecer, o Il Gattopardo – nome retirado do filme emblemático de Visconti. Cozinha italiana muito elaborada, riquíssima em sabores, feita com delicadeza e saber. As massas frescas são belíssimas, as propostas do chefe são boas recomendações. Aberto todos os dias ao almoço e jantar, nos dias bons disfrute da esplanada no terraço. Av. Eng. Duarte Pacheco 24, reservas pelo telefone 21 389 66 00.


AGENDA – Dia 28, no Grande Auditório da Culturgest, a cantora peruana Susana Baca, vencedora de um Grammy, apresenta o seu disco mais recente, «Traversias».


O MELHOR DA SEMANA – A Festa da Música, hoje, amanhã e depois, no CCB, o destaque vai para a Europa barroca.


O PIOR DA SEMANA – O Parlamento, os políticos, as mentiras do deficit, este mundo de faz de conta.


BACK TO BASICS – 90 por cento dos políticos são responsáveis pela má reputação que atinge os outros 10 por cento, Henry Kissinger

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NOVIDADE – A Time Warner e Michael Eisner, o ex-Presidente da Disney, estão entre os novos accionistas da Veoh Networks, uma companhia que, nas palavras de Eisner, vai revolucionar a televisão ao desenvolver uma tecnologia que aproveita a Internet para permitir que cada entidade, seja um cidadão sozinho ou uma companhia de media, possa criar o seu próprio canal de televisão. No passado, diz Eisner, distribuir programas de televisão exigia uma enorme infraestrutura de distribuição e a Veoh vai possibilitar que qualquer pessoa com uma ligação à Internet possa receber e distribuir programas com a melhor qualidade de imagem e som. A Veoh permite a distribuição de televisão de alta definição e agiliza a interactividade entre o emissor e o receptor. Ou muito me engano ou aqui está uma coisa a seguir com atenção.


VER – «Em Foco - Fotógrafos Portugueses do Pós-guerra», a exposição de fotografias, comissariada por Miguel Amado e que reúne obras de 12 fotógrafos portugueses que começaram a sua actividade nos anos 40. Integram a belíssima colecção do escritório de advogados PLMJ (ver, a propósito, o livro baseado nesta colecção editado pela Assírio & Alvim). Destaque para Fernando Lemos, António Sena da Silva, Augusto Cabrita, Eduardo Gageiro, Vítor Palla e Gérard Castello Lopes. A não perder no Museu da Cidade, Campo Grande, Lisboa, até 28 de Maio.


OUVIR – O piano é dos instrumentos que mais me fascinam e Mário Laginha é dos pianistas que mais gosto de ouvir – no caso dele vale a pena também usar a palavra «ver» - porque é muito bonito vê-lo a tocar, perceber como ele sente fisicamente a música. Hoje em dia é relativamente raro existir a oportunidade de se poder ouvir Mário Laginha a solo e este disco vem resolver esse problema. Ele sozinho com o seu piano e a sua música, 12 temas próprios, íntimos mas intensos. Este é daqueles discos que apetece ouvir vezes sem fim, companhia perfeita para qualquer noite em que o pensamento está com vontade de fugir. A gravação foi feita em Dezembro de 2005 no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada. «Canções & Fugas», Mário Laginha, editado e distribuído por Universal Music Portugal.


LER – Santi Santamaria é um dos cozinheiros que nos últimos anos mais se tem destacado pela forma como trabalha com base nas tradições gastronómicas da Catalunha. Em 1981 inaugurou perto de Barcelona, em Sant Celoni, no Parque Natural de Montseny, o restaurante que lhe deu nome e que ainda hoje é uma referência, o Can Fabes, e em 1990 lançou o restaurante Santceloni (Hotel Hesperia, Paseo de la Castellana 57, Madrid), em ambos os casos sendo de imediato distinguido pelos Guias Michelin, que na edição de 2005 consideraram o Can Fabes como o melhor restaurante de Espanha. Desde 2001tem escrito com regularidade para o jornal «La Vanguardia», de Barcelona. Algumas das suas melhores crónicas foram agora reunidas em livro e mostram uma forma diferente de escrever sobre cozinha e a arte da mesa. Em textos curtos (duas páginas cada) abordam-se, de uma forma singular e divertida, temas que vão desde a forma de escolher vinhos até à comida dos aviões, passando por almoços de negócios. De certa forma as crónicas de costumes cruzam-se com sugestões gastronómicas e com dicas para receitas e formas de trabalhar determinados ingredientes. Perfeitamente delicioso, no verdadeiro sentido da palavra. «Palabra de Cocinero», de Santi Santamaria, ediciones Península, 288 páginas.


COMER – Existe por vezes ainda algum preconceito contra os restaurantes dos hotéis, mas esse é, cada vez mais, um juízo injustificado. No Hotel D. Pedro Lisboa existe um dos restaurantes italianos que vale a pena conhecer, o Il Gattopardo – nome retirado do filme emblemático de Visconti. Cozinha italiana muito elaborada, riquíssima em sabores, feita com delicadeza e saber. As massas frescas são belíssimas, as propostas do chefe são boas recomendações. Aberto todos os dias ao almoço e jantar, nos dias bons disfrute da esplanada no terraço. Av. Eng. Duarte Pacheco 24, reservas pelo telefone 21 389 66 00.


AGENDA – Dia 28, no Grande Auditório da Culturgest, a cantora peruana Susana Baca, vencedora de um Grammy, apresenta o seu disco mais recente, «Traversias».


O MELHOR DA SEMANA – A Festa da Música, hoje, amanhã e depois, no CCB, o destaque vai para a Europa barroca.


O PIOR DA SEMANA – O Parlamento, os políticos, as mentiras do deficit, este mundo de faz de conta.


BACK TO BASICS – 90 por cento dos políticos são responsáveis pela má reputação que atinge os outros 10 por cento, Henry Kissinger

abril 19, 2006

SINAL DOS TEMPOS – A Academia das Artes e Ciências de Televisão, dos Estados Unidos, decidiu criar este ano uma nova categoria dos prémios Emmy, dedicada a programas produzidos expressamente para plataformas móveis, telemóveis de banda larga, iPods, PDA’s e outros suportes de imagem não tradicionais. A MTV tornou-se entretanto o maior fornecedor mundial de conteúdos para telemóveis, tendo já atingido o número de 1 milhão de downloads mensais. Tenham uma ideia do negócio: em termos mundiais estima-se que os jovens gastem 16 mil milhões de dólares em música gravada por ano, quase nada comparado com os 106 mil milhões que o mesmo segmento gasta em comunicações móveis sob todas as formas.

PROGRAMA – Ir nas noites de terça feira à Casa da Morna e deixar-se conquistar por quem estiver de serviço nesse dia a cantar. Semanalmente, às terças, pelas 23h30, depois do jantar ou no meio de um copo, pode assistir a vozes africanas pouco conhecidas – algumas vezes acompanhadas em palco por Tito Paris, o homem da casa. É o jantar-concerto, uma ocasião para boas descobertas. A muqueca de camarão é muito boa, o ambiente é simpático, em cima há um bar, em baixo o restaurante, o palco fica no meio. Nas paredes há sempre uma exposição de obras de artistas africanos. Todos os dias também há música ao vivo e pode-se sempre jantar de segunda a sábado. Casa da Morna, Rua Rodrigues Faria nº21, www.casadamorna.com , tel. 213 646 399.

OUVIR - Muito divertido o novo CD de Elvis Costello, mais uma vez a mostrar a sua atracção pelo jazz . «My Flame Burns Blue» é uma gravação efectuada na edição de Julho de 2004 do North Sea Jazz Festival e Costello surge acompanhado de um grupo de excelentes músicos, cheios de swing, a que deu o nome de Metrópole Orkest. A maior parte dos temas são do próprio Elvis Costello, mas existem versões suas para originais de Charles Mingus, Billy Strayhorn, Burt Bacharach e Dave Bartholomew. Como bónus há um CD extra, com a suite «Il Sogno», a pessoalíssima visão de Costello para um bailado sobre uma obra de Shakespeare, «Midsummer Night’s Dream», aqui com a participação da London Symphony Orchestra. CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

LER – Edward Bernays foi um dos percursores das relações públicas e da comunicação de massas. A sua carreira começou como agente de imprensa na Broadway e desenvolveu-se na grande fábrica da propaganda a favor da participação norte-americana na I Grande Guerra, o Comité Para a Informação Pública. Com os ensinamentos adquiridos funda no pós-guerra a sua própria agência e mantém-se independente até ao fim da vida, evitando sempre propostas de fusões e aquisições que lhe foram feitas. Entre os seus clientes estiveram a General Electric, a Procter & Gamble, a Dodge Motors, a General Motors e a United Fruit, por exemplo. «Propaganda», o seu segundo livro, editado originalmente em 1928, mantém-se estranhamente actual e a sua recente edição em Portugal (da Mareantes Editora) é uma boa ocasião para descobrir a sua obra – tanto mais que o prefácio escrito por Luís Paixão Martins é em si próprio um belíssimo resumo de algumas das facetas mais importantes da actuação de um consultor de comunicação e relações públicas.

PRENDA DE PÁSCOA - Karl Richter foi dos nomes que mais contribuíu para a divulgação da música antiga e as suas interpretações de Bach são históricas. Richter, que morreu com 55 anos em 1981, era um maestro de rara sensibilidade e um organista e cravista virtuoso. «The Legacy Of Karl Richter» é um documentário de 76 minutos que traça a história do grande músico e mostra momentos de algumas das suas actuações mais expressivas (incluindo a derradeira, em 12 de Fevereiro de 1981, três dias antes da sua morte). Este trabalho, inédito, é lançado no ano em que Richter comemoraria 80 anos e inclui entrevistas e testemunhos com contemporâneos seus que ajudam a enquadrar a sua vida e obra. DVD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

O PIOR DA SEMANA – Supremo Tribunal de Justiça considerou como lícitos os correctivos corporais dados a crianças deficientes num lar em Setúbal.

O MELHOR DA SEMANA – O site www.omeuecoponto.pt da Sociedade Ponto Verde, que explica onde se podem encontrar e como se devem utilizar os ecopontos e fazer a separação do lixo doméstico.

BACK TO BASICS – Um bom esboço vale mais que um longo discurso, Napoleão.

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SINAL DOS TEMPOS – A Academia das Artes e Ciências de Televisão, dos Estados Unidos, decidiu criar este ano uma nova categoria dos prémios Emmy, dedicada a programas produzidos expressamente para plataformas móveis, telemóveis de banda larga, iPods, PDA’s e outros suportes de imagem não tradicionais. A MTV tornou-se entretanto o maior fornecedor mundial de conteúdos para telemóveis, tendo já atingido o número de 1 milhão de downloads mensais. Tenham uma ideia do negócio: em termos mundiais estima-se que os jovens gastem 16 mil milhões de dólares em música gravada por ano, quase nada comparado com os 106 mil milhões que o mesmo segmento gasta em comunicações móveis sob todas as formas.

PROGRAMA – Ir nas noites de terça feira à Casa da Morna e deixar-se conquistar por quem estiver de serviço nesse dia a cantar. Semanalmente, às terças, pelas 23h30, depois do jantar ou no meio de um copo, pode assistir a vozes africanas pouco conhecidas – algumas vezes acompanhadas em palco por Tito Paris, o homem da casa. É o jantar-concerto, uma ocasião para boas descobertas. A muqueca de camarão é muito boa, o ambiente é simpático, em cima há um bar, em baixo o restaurante, o palco fica no meio. Nas paredes há sempre uma exposição de obras de artistas africanos. Todos os dias também há música ao vivo e pode-se sempre jantar de segunda a sábado. Casa da Morna, Rua Rodrigues Faria nº21, www.casadamorna.com , tel. 213 646 399.

OUVIR - Muito divertido o novo CD de Elvis Costello, mais uma vez a mostrar a sua atracção pelo jazz . «My Flame Burns Blue» é uma gravação efectuada na edição de Julho de 2004 do North Sea Jazz Festival e Costello surge acompanhado de um grupo de excelentes músicos, cheios de swing, a que deu o nome de Metrópole Orkest. A maior parte dos temas são do próprio Elvis Costello, mas existem versões suas para originais de Charles Mingus, Billy Strayhorn, Burt Bacharach e Dave Bartholomew. Como bónus há um CD extra, com a suite «Il Sogno», a pessoalíssima visão de Costello para um bailado sobre uma obra de Shakespeare, «Midsummer Night’s Dream», aqui com a participação da London Symphony Orchestra. CD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

LER – Edward Bernays foi um dos percursores das relações públicas e da comunicação de massas. A sua carreira começou como agente de imprensa na Broadway e desenvolveu-se na grande fábrica da propaganda a favor da participação norte-americana na I Grande Guerra, o Comité Para a Informação Pública. Com os ensinamentos adquiridos funda no pós-guerra a sua própria agência e mantém-se independente até ao fim da vida, evitando sempre propostas de fusões e aquisições que lhe foram feitas. Entre os seus clientes estiveram a General Electric, a Procter & Gamble, a Dodge Motors, a General Motors e a United Fruit, por exemplo. «Propaganda», o seu segundo livro, editado originalmente em 1928, mantém-se estranhamente actual e a sua recente edição em Portugal (da Mareantes Editora) é uma boa ocasião para descobrir a sua obra – tanto mais que o prefácio escrito por Luís Paixão Martins é em si próprio um belíssimo resumo de algumas das facetas mais importantes da actuação de um consultor de comunicação e relações públicas.

PRENDA DE PÁSCOA - Karl Richter foi dos nomes que mais contribuíu para a divulgação da música antiga e as suas interpretações de Bach são históricas. Richter, que morreu com 55 anos em 1981, era um maestro de rara sensibilidade e um organista e cravista virtuoso. «The Legacy Of Karl Richter» é um documentário de 76 minutos que traça a história do grande músico e mostra momentos de algumas das suas actuações mais expressivas (incluindo a derradeira, em 12 de Fevereiro de 1981, três dias antes da sua morte). Este trabalho, inédito, é lançado no ano em que Richter comemoraria 80 anos e inclui entrevistas e testemunhos com contemporâneos seus que ajudam a enquadrar a sua vida e obra. DVD Deustche Grammophon, distribuído por Universal Music.

O PIOR DA SEMANA – Supremo Tribunal de Justiça considerou como lícitos os correctivos corporais dados a crianças deficientes num lar em Setúbal.

O MELHOR DA SEMANA – O site www.omeuecoponto.pt da Sociedade Ponto Verde, que explica onde se podem encontrar e como se devem utilizar os ecopontos e fazer a separação do lixo doméstico.

BACK TO BASICS – Um bom esboço vale mais que um longo discurso, Napoleão.
FALTA DE COMPARÊNCIA


Parece que no PSD vai haver um candidato único à liderança do partido, apesar de todos os dias se avolumarem as críticas à forma como as coisas correm. No PP as coisas andam lá perto, pelo menos em termos de alternativas credíveis a Ribeiro e Castro. Um correspondente estrangeiro poderia resumir assim a situação política portuguesa para os seus leitores, algures num país distante: Em Portugal os dois principais partidos da oposição abdicaram de se opôr com veemência ao Governo do Engenheiro Sócrates: do lado do PSD Marques Mendes é acusado de ser um líder fraco mas não aparece ninguém a querer o seu lugar, e no PP a oposição tem-se resumido a graçolas e trocadilhos sobre as reformas anunciadas pelo executivo.

Fora de brincadeiras, a situação prenuncia que – caso o Governo consiga concretizar e implementar a maioria das medidas que anunciou e não se fique só pelas palavras e a propaganda – a coisa vá ser difícil para os partidos à direita do PS.

Na realidade a dificuldade começa aí mesmo, no posicionamento. Com Sócrates a deslocar o PS cada vez mais para o centro, a direita sente-se encurralada – até porque, em Portugal, ela tem sido sempre preguiçosa a definir uma ideologia, uma estratégia e uma táctica. Há 30 anos a sua linha de fronteira era combater a revolução e há 15 fazer as privatizações. Fora isso não se lhe conhecem grandes rasgos teóricos, embora se lhe conheçam muitos tiques populistas. Se os partidos à direita do PS não fizerem o trabalho de casa, não reinventarem a cidadania e não conseguirem ter um programa próprio estruturado, quer-me parecer que o eng. Sócrates, ou os seus sucessores, irão ganhar os próximos actos eleitorais por falta de comparência do adversário.


(de O Independente)

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FALTA DE COMPARÊNCIA


Parece que no PSD vai haver um candidato único à liderança do partido, apesar de todos os dias se avolumarem as críticas à forma como as coisas correm. No PP as coisas andam lá perto, pelo menos em termos de alternativas credíveis a Ribeiro e Castro. Um correspondente estrangeiro poderia resumir assim a situação política portuguesa para os seus leitores, algures num país distante: Em Portugal os dois principais partidos da oposição abdicaram de se opôr com veemência ao Governo do Engenheiro Sócrates: do lado do PSD Marques Mendes é acusado de ser um líder fraco mas não aparece ninguém a querer o seu lugar, e no PP a oposição tem-se resumido a graçolas e trocadilhos sobre as reformas anunciadas pelo executivo.

Fora de brincadeiras, a situação prenuncia que – caso o Governo consiga concretizar e implementar a maioria das medidas que anunciou e não se fique só pelas palavras e a propaganda – a coisa vá ser difícil para os partidos à direita do PS.

Na realidade a dificuldade começa aí mesmo, no posicionamento. Com Sócrates a deslocar o PS cada vez mais para o centro, a direita sente-se encurralada – até porque, em Portugal, ela tem sido sempre preguiçosa a definir uma ideologia, uma estratégia e uma táctica. Há 30 anos a sua linha de fronteira era combater a revolução e há 15 fazer as privatizações. Fora isso não se lhe conhecem grandes rasgos teóricos, embora se lhe conheçam muitos tiques populistas. Se os partidos à direita do PS não fizerem o trabalho de casa, não reinventarem a cidadania e não conseguirem ter um programa próprio estruturado, quer-me parecer que o eng. Sócrates, ou os seus sucessores, irão ganhar os próximos actos eleitorais por falta de comparência do adversário.


(de O Independente)

abril 09, 2006

VENTO – Suporto a chuva, o frio (pelo menos o nosso) não me incomoda muito. Mas o vento dá cabo de mim. Não gosto do som do vento e muito menos de o sentir na pele. Faz-me dor de cabeça. Estes dias têm sido terríveis. A única vantagem visível deste vento é que os cheiros dos jasmins da Primavera parecem circular mais este ano.


FIM – O «Blitz» morreu, viva o «Blitz». Quando há 22 anos fundei e dirigi o jornal «Blitz» tive uma das mais gratificantes experiências da minha vida, podendo trabalhar em formatos gráficos com poucas regras e muita descoberta, subvertendo as regras tradicionais da escrita e apostando em imagens que eram aproximações diferentes à fotografia. Jornais assim têm ciclos de vida curtos e o «Blitz» teve um ciclo longo, felizmente partilhado por muita gente que ao longo dos anos lá colaborou. Às vezes apetece-me repetir o desafio e encontrar outra forma de o fazer, voltando a conjugar o grafismo, a fotografia e o texto, as minhas recorrentes paixões. Há três pessoas que não têm sido referidas nesta história e manda a justiça que se diga que foram elas que viabilizaram o projecto, dando-lhe meios para se fazer e permitindo todas as experiências – a Administração da CEIG na época: João Tito de Morais, Francisco Calheiros e José Lobato


PAPEL – Isto anda tudo ligado: nos Estados Unidos a editora Hachette Filipacchi suspendeu a publicação da revista «Elle Girl» em papel, mas decidiu continuá-la na Web e com conteúdos desenhados para plataformas móveis. Isto acontece num ano em que a revista teve um aumento de 46,1% nas páginas de publicidades vendidas e em que a circulação paga subiu 17,9% para um total de 601.000 exemplares por edição. Jack Kliger, o Presidente do grupo editorial sublinha que decidiu a mudança, apesar da boa performance da revista segundo os indicadores de referência, porque acredita que este tipo de projecto deve ser reorientado estrategicamente para formatos wireless e dispôs-se mesmo a reforçar os meios investidos na produção da revista.


FICÇÃO – Mão amiga fez-me chegar a edição da belíssima revista de Domingo do «El Pais» da semana passada. No artigo da última página o escritor Javier Marias propõe aos editores de jornais, revistas e outros media em geral que criem o cargo de «Detector de Ficções» , para acabar de vez com relatos falsos, notícias inventadas, fretes avulsos, «para pôr fim à venda de gato por lebre», tão frequente nos media de hoje em dia. Se o cargo fosse criado havia por aí muito jornal em que o respectivo titular não teria mãos a medir.


VER – Três propostas diferentes: a exposição XX, que assinala os 26 anos dos Encontros de Fotografia, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; desenhos (não de arquitectura) do arquitecto Álvaro Siza na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; e os trabalhos em grafite, tinta da china e acrílico de Diogo Pimentão na Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa.


AGENDA – Serralves inaugura hoje as exposições de Pedro Morais e uma (quase) retropectiva de António Dacosta. Ficam até ao início de Julho.


LER – A edição de Março da revista «Egoísta», com as cidades como tema de fundo. Textos (entre outros) de Filipa Melo, António Mega Ferreira e Hugo Gonçalves, fotos (entre outros) de Amy Yoes, João Vilhena e Helmut Newton. Patrícia Reis edita a revista que Mário Assis Ferreira felizmente continua a viabilizar.


OUVIR – O concerto para piano nº1 de Brahms, com o pianista Krystian Zimerman e a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle. Uma gravação fora de série fruto de um dinâmico encontro criativo. Edição Deustche Grammophon, distribuição Universal Music.


SÍTIO – Cerveja de fim de tarde no bar irlandês Hennessy’s, ao Cais do Sodré. Ampla escolha de cervejas, bom gin tónico.


O MELHOR DA SEMANA – Finalmente, arroz de bacalhau com coentros. Simples.


O PIOR DA SEMANA – O desastrado folhetim da Judiciária, em que o Ministro Alberto Costa resolveu desempenhar o papel de elefante em loja de porcelana. Quem tem falta de jeito não se devia meter na política, digo eu.

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VENTO – Suporto a chuva, o frio (pelo menos o nosso) não me incomoda muito. Mas o vento dá cabo de mim. Não gosto do som do vento e muito menos de o sentir na pele. Faz-me dor de cabeça. Estes dias têm sido terríveis. A única vantagem visível deste vento é que os cheiros dos jasmins da Primavera parecem circular mais este ano.


FIM – O «Blitz» morreu, viva o «Blitz». Quando há 22 anos fundei e dirigi o jornal «Blitz» tive uma das mais gratificantes experiências da minha vida, podendo trabalhar em formatos gráficos com poucas regras e muita descoberta, subvertendo as regras tradicionais da escrita e apostando em imagens que eram aproximações diferentes à fotografia. Jornais assim têm ciclos de vida curtos e o «Blitz» teve um ciclo longo, felizmente partilhado por muita gente que ao longo dos anos lá colaborou. Às vezes apetece-me repetir o desafio e encontrar outra forma de o fazer, voltando a conjugar o grafismo, a fotografia e o texto, as minhas recorrentes paixões. Há três pessoas que não têm sido referidas nesta história e manda a justiça que se diga que foram elas que viabilizaram o projecto, dando-lhe meios para se fazer e permitindo todas as experiências – a Administração da CEIG na época: João Tito de Morais, Francisco Calheiros e José Lobato


PAPEL – Isto anda tudo ligado: nos Estados Unidos a editora Hachette Filipacchi suspendeu a publicação da revista «Elle Girl» em papel, mas decidiu continuá-la na Web e com conteúdos desenhados para plataformas móveis. Isto acontece num ano em que a revista teve um aumento de 46,1% nas páginas de publicidades vendidas e em que a circulação paga subiu 17,9% para um total de 601.000 exemplares por edição. Jack Kliger, o Presidente do grupo editorial sublinha que decidiu a mudança, apesar da boa performance da revista segundo os indicadores de referência, porque acredita que este tipo de projecto deve ser reorientado estrategicamente para formatos wireless e dispôs-se mesmo a reforçar os meios investidos na produção da revista.


FICÇÃO – Mão amiga fez-me chegar a edição da belíssima revista de Domingo do «El Pais» da semana passada. No artigo da última página o escritor Javier Marias propõe aos editores de jornais, revistas e outros media em geral que criem o cargo de «Detector de Ficções» , para acabar de vez com relatos falsos, notícias inventadas, fretes avulsos, «para pôr fim à venda de gato por lebre», tão frequente nos media de hoje em dia. Se o cargo fosse criado havia por aí muito jornal em que o respectivo titular não teria mãos a medir.


VER – Três propostas diferentes: a exposição XX, que assinala os 26 anos dos Encontros de Fotografia, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; desenhos (não de arquitectura) do arquitecto Álvaro Siza na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; e os trabalhos em grafite, tinta da china e acrílico de Diogo Pimentão na Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa.


AGENDA – Serralves inaugura hoje as exposições de Pedro Morais e uma (quase) retropectiva de António Dacosta. Ficam até ao início de Julho.


LER – A edição de Março da revista «Egoísta», com as cidades como tema de fundo. Textos (entre outros) de Filipa Melo, António Mega Ferreira e Hugo Gonçalves, fotos (entre outros) de Amy Yoes, João Vilhena e Helmut Newton. Patrícia Reis edita a revista que Mário Assis Ferreira felizmente continua a viabilizar.


OUVIR – O concerto para piano nº1 de Brahms, com o pianista Krystian Zimerman e a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle. Uma gravação fora de série fruto de um dinâmico encontro criativo. Edição Deustche Grammophon, distribuição Universal Music.


SÍTIO – Cerveja de fim de tarde no bar irlandês Hennessy’s, ao Cais do Sodré. Ampla escolha de cervejas, bom gin tónico.


O MELHOR DA SEMANA – Finalmente, arroz de bacalhau com coentros. Simples.


O PIOR DA SEMANA – O desastrado folhetim da Judiciária, em que o Ministro Alberto Costa resolveu desempenhar o papel de elefante em loja de porcelana. Quem tem falta de jeito não se devia meter na política, digo eu.
UM MINISTRO CONTRA LISBOA


Em qualquer boa história há sempre os bons e os maus. Na semana passada confirmou-se como os papéis se distribuem dentro do Governo. Há Ministros que servem para lançar sarilhos, são os maus da fita; e há o Primeiro-Ministro, sempre apaziguador, que sem contrariar ninguém vai lançando água na fervura, mesmo quando se fica com a impressão de que poderá ter sido ele a levantar a intensidade da chama.

Um caso particularmente interessante de terrorismo institucional é dado pelo Ministro Mário Lino, que utiliza as Obras Públicas como património de acção política. Na semana passada veio marcar a agenda de Lisboa, com a questão das obras do Metropolitano na envolvente do Túnel do Marquês. Na prática o que Mário Lino fez foi condicionar e achincalhar o Presidente da Câmara de Lisboa, dizendo-lhe que não é ele quem manda na cidade, e impondo que é o Ministro quem decide o calendário de obras e inaugurações.

O estranho disto tudo é que o Presidente da Câmara tenha ficado no silêncio absoluto, submisso, sem reacção e, sobretudo, sem vir dizer claro e em bom português o que acha das interferências do Senhor Ministro.

O peso político ganha-se e constrói-se, a autoridade conquista-se, a luta política não é uma dança de salão nem um grupo excursionista. Quando a capital de um país é descriminada e abusada por ser de cor política diferente do Governo convém que haja alguém que fale grosso para um Ministro que continua a ser o responsável por ter o Terreiro do Paço esventrado há anos – e suspeita-se que o plano para o Marquês do Pombal seja o mesmo. No fundo o plano de acção do Ministério das Obras Públicas é o a-b-c do terrorismo: lançar o caos na cidade.

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UM MINISTRO CONTRA LISBOA


Em qualquer boa história há sempre os bons e os maus. Na semana passada confirmou-se como os papéis se distribuem dentro do Governo. Há Ministros que servem para lançar sarilhos, são os maus da fita; e há o Primeiro-Ministro, sempre apaziguador, que sem contrariar ninguém vai lançando água na fervura, mesmo quando se fica com a impressão de que poderá ter sido ele a levantar a intensidade da chama.

Um caso particularmente interessante de terrorismo institucional é dado pelo Ministro Mário Lino, que utiliza as Obras Públicas como património de acção política. Na semana passada veio marcar a agenda de Lisboa, com a questão das obras do Metropolitano na envolvente do Túnel do Marquês. Na prática o que Mário Lino fez foi condicionar e achincalhar o Presidente da Câmara de Lisboa, dizendo-lhe que não é ele quem manda na cidade, e impondo que é o Ministro quem decide o calendário de obras e inaugurações.

O estranho disto tudo é que o Presidente da Câmara tenha ficado no silêncio absoluto, submisso, sem reacção e, sobretudo, sem vir dizer claro e em bom português o que acha das interferências do Senhor Ministro.

O peso político ganha-se e constrói-se, a autoridade conquista-se, a luta política não é uma dança de salão nem um grupo excursionista. Quando a capital de um país é descriminada e abusada por ser de cor política diferente do Governo convém que haja alguém que fale grosso para um Ministro que continua a ser o responsável por ter o Terreiro do Paço esventrado há anos – e suspeita-se que o plano para o Marquês do Pombal seja o mesmo. No fundo o plano de acção do Ministério das Obras Públicas é o a-b-c do terrorismo: lançar o caos na cidade.

abril 04, 2006

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KITSCH
Quase tão kitsch como Alberto Costa está a ser o Maxim na Praça da Alegria - a sua aproximação a José Cid imita o que fez Vitorino há uns anos com Tony de Matos. Será Manuel João Vieira o novo Vitorino Salomé?
KITSCH
Quase tão kitsch como Alberto Costa está a ser o Maxim na Praça da Alegria - a sua aproximação a José Cid imita o que fez Vitorino há uns anos com Tony de Matos. Será Manuel João Vieira o novo Vitorino Salomé?
O DEMAGOGO
Decidiamente Alberto Costa é o mais demagógico e um dos mais ineficazes Ministros do actual Governo. O recente incidente da Judiciária e as suas declarações revanchistas definem o seu carácter. E o boneco não é bonito de se ver. Uma pouca-vergonha, é o que é - basta olhar para o que disse sobre a necessidade de modernizar a gestão orçamental da Judiciária e que se resume a isto: fazer omoletas em ovos. Um autêntico pilha-galinhas...

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O DEMAGOGO
Decidiamente Alberto Costa é o mais demagógico e um dos mais ineficazes Ministros do actual Governo. O recente incidente da Judiciária e as suas declarações revanchistas definem o seu carácter. E o boneco não é bonito de se ver. Uma pouca-vergonha, é o que é - basta olhar para o que disse sobre a necessidade de modernizar a gestão orçamental da Judiciária e que se resume a isto: fazer omoletas em ovos. Um autêntico pilha-galinhas...

abril 01, 2006

SAMPAIO VENCE SOARES
O ex-Presidente Jorge Sampaio começou a dar bocas sobre o ´pais ainda mais depressa do que o ex-Presidente Mário Soares, depois de ambos terem saído de Belém. A coisa promete.
QUEDA – Pois é verdade, a circulação de jornais está em queda. Os números relativos a 2005 provam isso mesmo e um muito citado especialista da Universidade do Minho considera tal se deve à falta de poder de compra da população em geral. Não ocorre ao especialista que se possa dever ao facto de os leitores não encontrarem aquilo que procuram e que isso seja, sempre, a causa da perca de audiências. Aqui há uns meses citei um belo artigo publicado na «Columbia Journalism Review» e que estudava casos de jornais nos Estados Unidos que conseguiram ganhar leitores. Receita? – Melhor jornalismo, melhor investigação, melhor reportagem, ir além do óbvio, mais rigor, mais imaginação.


CURIOSIDADE – No ano passado o mercado de conteúdos vídeos para dispositivos móveis nos Estados Unidos valeu 62 milhões de dólares. Um estudo recente prevê que em 2010 esse mesmo mercado valerá 501 milhões.


ESPLANADAS – Se não fosse o vento tínhamos o tempo ideal para esplanadas. Assim, ficamos com a aproximação. Agora que finalmente chegaram os dias longos apetece acabar as tardes ao ar livre, a ver o sol a desaparecer no rio. Fazem falta bons bares e esplanadas onde existam tapas decentes a preços honestos e onde se possa matar a fome sem ter que jantar à séria. Espero, ansioso, pela abertura dos Perdigueiros do Rio, ali junto ao Cais do Sodré.


LER – Jamie Oliver é um dos mais interessantes e inspirados cozinheiros britânicos contemporâneos, e também um caso raro de capacidade de comunicação, como uma recente série exibida na 2: mostrou. Mas ele é também um escritor divertido, que consegue colocar nas páginas de um livro a informalidade e o sentido lúdico das estórias que surgem a propósito das receitas que sugere. Apaixonado confesso pela gastronomia italiana, Oliver fez um autêntico roteiro da Itália, onde mistura observações pessoais com receitas, recomendações de ingredientes, temperos ou preparação. Sobre a pizza, por exemplo, faz uma dissertação quase filosófica, desde a massa aos ingredientes que se colocam por cima dela. Inicialmente o projecto era uma série para o Channel Four, depois transposta para livro, «Jamie’s Italy», onde Oliver conta com a ajuda de boas fotografias de David Loftus e Chris Terry. É dos mais divertidos e úteis livros de cozinha que tenho lido. Edição Penguin, comprada na Amazon.


OUVIR – A banda sonora do filme «Good Night And Good Luck», em que Dianne Reeves interpreta de forma sóbria, mas sentida, grandes clássicos do jazz vocal como «I’ve Got My Eyes on You», «How High The Moon», «There’ll Be Another Spring» ou «One For My Baby», alguns dos 15 temas desta banda Sonora seleccionada e produzida pelo próprio George Clooney. CD Concord.



VER – Até 29 de Abril pode visitar 15 exposições em tantas outras galerias na iniciativa «Lisboarte». O roteiro pode ser consultado em www.lisboarte.com e é um belo pretexto para a ocupação de um fim de semana. Se me permitem destaco pinturas e desenhos de Fernando Calhau na Galeria Luís Serpa Projectos e, seguindo recomendação certeira, fotografias de Graça Sarsfield na Módulo – Centro Difusor de Arte.


AGENDA – Hoje mesmo inaugura no Museu Nacional de Arte Antiga a exposição de fotografias «Lúmen», de André Gomes e por lá fica até 28 de Maio.


O MELHOR DA SEMANA – O regresso do CCB a uma lógica de programação e actuação dinâmicas, depois de dez anos de declínio. As entrevistas de António Mega Ferreira sobre os seus planos para o CCB foram uma lufada de ar fresco.


O PIOR DA SEMANA – As reacções tipo «dor de cotovelo» e género «porque é que não fui eu a lembrar-me disto?» ao programa Simplex (embora este seja o raio de um nome…mesmo a pedir chacota).


TRINCAR – Boas surpresas italianas na Trattoria Vitalli, carnes bem trabalhadas e temperadas, ambiente simpático, preço honesto, Rua dos Duques de Bragança 5M, tel. 213 427 669, encerra aos Domingos.


BACK TO BASICS – «Quando o acto de comprar e de vender são regulamentados por legislação, os primeiros a serem comprados são os legisladores» - P.J. O’Rourke

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QUEDA – Pois é verdade, a circulação de jornais está em queda. Os números relativos a 2005 provam isso mesmo e um muito citado especialista da Universidade do Minho considera tal se deve à falta de poder de compra da população em geral. Não ocorre ao especialista que se possa dever ao facto de os leitores não encontrarem aquilo que procuram e que isso seja, sempre, a causa da perca de audiências. Aqui há uns meses citei um belo artigo publicado na «Columbia Journalism Review» e que estudava casos de jornais nos Estados Unidos que conseguiram ganhar leitores. Receita? – Melhor jornalismo, melhor investigação, melhor reportagem, ir além do óbvio, mais rigor, mais imaginação.


CURIOSIDADE – No ano passado o mercado de conteúdos vídeos para dispositivos móveis nos Estados Unidos valeu 62 milhões de dólares. Um estudo recente prevê que em 2010 esse mesmo mercado valerá 501 milhões.


ESPLANADAS – Se não fosse o vento tínhamos o tempo ideal para esplanadas. Assim, ficamos com a aproximação. Agora que finalmente chegaram os dias longos apetece acabar as tardes ao ar livre, a ver o sol a desaparecer no rio. Fazem falta bons bares e esplanadas onde existam tapas decentes a preços honestos e onde se possa matar a fome sem ter que jantar à séria. Espero, ansioso, pela abertura dos Perdigueiros do Rio, ali junto ao Cais do Sodré.


LER – Jamie Oliver é um dos mais interessantes e inspirados cozinheiros britânicos contemporâneos, e também um caso raro de capacidade de comunicação, como uma recente série exibida na 2: mostrou. Mas ele é também um escritor divertido, que consegue colocar nas páginas de um livro a informalidade e o sentido lúdico das estórias que surgem a propósito das receitas que sugere. Apaixonado confesso pela gastronomia italiana, Oliver fez um autêntico roteiro da Itália, onde mistura observações pessoais com receitas, recomendações de ingredientes, temperos ou preparação. Sobre a pizza, por exemplo, faz uma dissertação quase filosófica, desde a massa aos ingredientes que se colocam por cima dela. Inicialmente o projecto era uma série para o Channel Four, depois transposta para livro, «Jamie’s Italy», onde Oliver conta com a ajuda de boas fotografias de David Loftus e Chris Terry. É dos mais divertidos e úteis livros de cozinha que tenho lido. Edição Penguin, comprada na Amazon.


OUVIR – A banda sonora do filme «Good Night And Good Luck», em que Dianne Reeves interpreta de forma sóbria, mas sentida, grandes clássicos do jazz vocal como «I’ve Got My Eyes on You», «How High The Moon», «There’ll Be Another Spring» ou «One For My Baby», alguns dos 15 temas desta banda Sonora seleccionada e produzida pelo próprio George Clooney. CD Concord.



VER – Até 29 de Abril pode visitar 15 exposições em tantas outras galerias na iniciativa «Lisboarte». O roteiro pode ser consultado em www.lisboarte.com e é um belo pretexto para a ocupação de um fim de semana. Se me permitem destaco pinturas e desenhos de Fernando Calhau na Galeria Luís Serpa Projectos e, seguindo recomendação certeira, fotografias de Graça Sarsfield na Módulo – Centro Difusor de Arte.


AGENDA – Hoje mesmo inaugura no Museu Nacional de Arte Antiga a exposição de fotografias «Lúmen», de André Gomes e por lá fica até 28 de Maio.


O MELHOR DA SEMANA – O regresso do CCB a uma lógica de programação e actuação dinâmicas, depois de dez anos de declínio. As entrevistas de António Mega Ferreira sobre os seus planos para o CCB foram uma lufada de ar fresco.


O PIOR DA SEMANA – As reacções tipo «dor de cotovelo» e género «porque é que não fui eu a lembrar-me disto?» ao programa Simplex (embora este seja o raio de um nome…mesmo a pedir chacota).


TRINCAR – Boas surpresas italianas na Trattoria Vitalli, carnes bem trabalhadas e temperadas, ambiente simpático, preço honesto, Rua dos Duques de Bragança 5M, tel. 213 427 669, encerra aos Domingos.


BACK TO BASICS – «Quando o acto de comprar e de vender são regulamentados por legislação, os primeiros a serem comprados são os legisladores» - P.J. O’Rourke

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SAMPAIO VENCE SOARES
O ex-Presidente Jorge Sampaio começou a dar bocas sobre o ´pais ainda mais depressa do que o ex-Presidente Mário Soares, depois de ambos terem saído de Belém. A coisa promete.

março 26, 2006

A CALMA – Cozinhar é um ritual que me descansa. Gosto de cozinhar assim a partir do nada, em improviso, agarrando o que aparece no frigorífico ou na dispensa. É impressionante o que se consegue com pouca coisa, algumas especiarias e temperos e um bocado de paciência. Enquanto cozinho gosto de ir petiscando uns salgados, com a ajuda de um vinho branco ou de uma cerveja. Gostava de saber fazer um bom arroz de bacalhau, mas ainda não cheguei lá, pode ser que um dia alguém me ensine.


A VELOCIDADE - Vivemos numa época de decisões instantâneas, ou de «exercício cognitivo rápido», como alguns teóricos gostam de lhe chamar. A própria política parece hoje em dia que segue as regras do «speed-dating»: a cada candidato são dados cinco minutos para mostrar o que vale – assim sendo, os 100 dias tradicionais de benefício da dúvida para os políticos recém eleitos são hoje em dia uma eternidade. As eleições autárquicas foram a 9 de Outubro. Já lá vão mais de 150 dias…


O PAÍS - Estava eu encostado uma destas manhãs ao vidro de um
sétimo andar no centro de Lisboa quando dei por um descontraído cidadão
que, aí por volta das onze em meia, resolveu urinar encostado a uma
parede num pequeno largo, no meio da rua em frente. A coisa foi feita com grande
à-vontade e naturalidade e, de repente, dei por mim a pensar que há uma expressão para definir o que se passa: tornámo-nos num país de mija na rua.


O MELHOR DA SEMANA - A exemplar produção do especial aniversário de Herman José na SIC, a semana passada. Um modelo de entretenimento.


O PIOR DA SEMANA – As desculpas eurocratas do mais acabado exemplo de burocrata comunitário, o Ministro da Agricultura português.


LER – Na «Time» desta semana o artigo sobre a vivacidade e rentabilidade da obra de Shakespeare neste ano em que se assinala o seu quarto centenário. Além de genial dramaturgo, Shakespeare é dos mais lucrativos autores e à volta da sua obra floresce uma próspera indústria.


OUVIR – Ano Mozart, já se sabe, lá volta o tema à baila, agora mais tranquilo que já se fala menos do assunto. A Philips recolocou no mercado uma selecção dos concertos para piano do compositor, com interpretação de Mitsuko Uchida e da English Chamber Orchestra, dirigida por Jeffrey Tate. As gravações foram efectuadas em diversos locais, entre Outubro de 1985 e Fevereiro de 1990 e estão agrupadas numa caixa com oito CD’s. Aqui estão os concertos número 5, 6, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26 e 27 , em interpretações fidelíssimas, sóbrias e empolgantes - parece impossível, mas não é. Caixa Philips, distribuída por Universal Music – Mozart, The Piano Concerts by Mitsuko Ushida.

VER – Com base em desenhos minuciosos a tinta da china, Jorge Feijão constrói quadros intrigantes e sedutores. A exposição pode ser vista na VPF Creamarte até 29 de Abril. Vejam-nos com calma e detalhe, sobretudo aquele que aparece escondido num recanto. No andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva intitulada « Boa noite!, eu sou a Manuela Moura Guedes», com um vídeo muito curioso de Filipe Rocha da Silva feito em Nova York, uma instalação de Gustavo Sumpta, fotografias encenadas de Jane Gilmor e trabalhos de João Pedro Rui. Rua da Boavista 84, 2º e 3º andar, Lisboa.


TRINCAR – Já não cheira a fritos na «Primavera», do Bairro Alto. O Senhor Rafael lá fez obras e mudou o exaustor e agora as maravilhas que a Dona Helena prepara na cozinha já podem ser saboreados sem medo de a roupa ficar contagiada pelos odores das frituras dos deliciosos panadinhos e dos filetes. Até mesmo com a porta fechada o ar continua fresco e inodoro. Vale a pena ir redescobrir a «Primavera». Travessa da Espera 34, tel. 213 420 477.


AGENDA – Damian Marley, filho de Bob Marley, parte do reggae genético e vai pelos caminhos dos Rhythm’n’Blues e do Hip-Hop. Aterra com o seu «Welcome To Jamrock» terça-feira que vem, dia 28, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.


BACK TO BASICS – A liberdade implica responsabilidade, por isso é que a maior parte das pessoas a receiam (George Bernard Shaw).

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A CALMA – Cozinhar é um ritual que me descansa. Gosto de cozinhar assim a partir do nada, em improviso, agarrando o que aparece no frigorífico ou na dispensa. É impressionante o que se consegue com pouca coisa, algumas especiarias e temperos e um bocado de paciência. Enquanto cozinho gosto de ir petiscando uns salgados, com a ajuda de um vinho branco ou de uma cerveja. Gostava de saber fazer um bom arroz de bacalhau, mas ainda não cheguei lá, pode ser que um dia alguém me ensine.


A VELOCIDADE - Vivemos numa época de decisões instantâneas, ou de «exercício cognitivo rápido», como alguns teóricos gostam de lhe chamar. A própria política parece hoje em dia que segue as regras do «speed-dating»: a cada candidato são dados cinco minutos para mostrar o que vale – assim sendo, os 100 dias tradicionais de benefício da dúvida para os políticos recém eleitos são hoje em dia uma eternidade. As eleições autárquicas foram a 9 de Outubro. Já lá vão mais de 150 dias…


O PAÍS - Estava eu encostado uma destas manhãs ao vidro de um
sétimo andar no centro de Lisboa quando dei por um descontraído cidadão
que, aí por volta das onze em meia, resolveu urinar encostado a uma
parede num pequeno largo, no meio da rua em frente. A coisa foi feita com grande
à-vontade e naturalidade e, de repente, dei por mim a pensar que há uma expressão para definir o que se passa: tornámo-nos num país de mija na rua.


O MELHOR DA SEMANA - A exemplar produção do especial aniversário de Herman José na SIC, a semana passada. Um modelo de entretenimento.


O PIOR DA SEMANA – As desculpas eurocratas do mais acabado exemplo de burocrata comunitário, o Ministro da Agricultura português.


LER – Na «Time» desta semana o artigo sobre a vivacidade e rentabilidade da obra de Shakespeare neste ano em que se assinala o seu quarto centenário. Além de genial dramaturgo, Shakespeare é dos mais lucrativos autores e à volta da sua obra floresce uma próspera indústria.


OUVIR – Ano Mozart, já se sabe, lá volta o tema à baila, agora mais tranquilo que já se fala menos do assunto. A Philips recolocou no mercado uma selecção dos concertos para piano do compositor, com interpretação de Mitsuko Uchida e da English Chamber Orchestra, dirigida por Jeffrey Tate. As gravações foram efectuadas em diversos locais, entre Outubro de 1985 e Fevereiro de 1990 e estão agrupadas numa caixa com oito CD’s. Aqui estão os concertos número 5, 6, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26 e 27 , em interpretações fidelíssimas, sóbrias e empolgantes - parece impossível, mas não é. Caixa Philips, distribuída por Universal Music – Mozart, The Piano Concerts by Mitsuko Ushida.

VER – Com base em desenhos minuciosos a tinta da china, Jorge Feijão constrói quadros intrigantes e sedutores. A exposição pode ser vista na VPF Creamarte até 29 de Abril. Vejam-nos com calma e detalhe, sobretudo aquele que aparece escondido num recanto. No andar de cima, na Plataforma Revolver, uma colectiva intitulada « Boa noite!, eu sou a Manuela Moura Guedes», com um vídeo muito curioso de Filipe Rocha da Silva feito em Nova York, uma instalação de Gustavo Sumpta, fotografias encenadas de Jane Gilmor e trabalhos de João Pedro Rui. Rua da Boavista 84, 2º e 3º andar, Lisboa.


TRINCAR – Já não cheira a fritos na «Primavera», do Bairro Alto. O Senhor Rafael lá fez obras e mudou o exaustor e agora as maravilhas que a Dona Helena prepara na cozinha já podem ser saboreados sem medo de a roupa ficar contagiada pelos odores das frituras dos deliciosos panadinhos e dos filetes. Até mesmo com a porta fechada o ar continua fresco e inodoro. Vale a pena ir redescobrir a «Primavera». Travessa da Espera 34, tel. 213 420 477.


AGENDA – Damian Marley, filho de Bob Marley, parte do reggae genético e vai pelos caminhos dos Rhythm’n’Blues e do Hip-Hop. Aterra com o seu «Welcome To Jamrock» terça-feira que vem, dia 28, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.


BACK TO BASICS – A liberdade implica responsabilidade, por isso é que a maior parte das pessoas a receiam (George Bernard Shaw).
NADA A DIZER


O PSD parece que realizou um Congresso. Estive a almoçar com alguns militantes, destacados, que não puseram lá os pés. Estive a falar com mais uns tantos que nem puseram a hipótese de participar no conclave. Escrevo estas linhas na terça-feira à tarde e a verdade é que tudo corre como se nada se tivesse passado. De duas outras reuniões de fim-de-semana – a Assembleia do Sporting e a da Direcção do PP ouve-se falar bastante. Há ecos. Assuntos por resolver. Parece existir algum movimento.

Por mérito de Sócrates e demérito de Marques Mendes o PS ocupou todo o espaço de centro-direita e esvaziou completamente o PSD. O pragmatismo eficaz de José Sócrates chama um doce à inexistência de estratégia e de táctica do PSD. Nas últimas semanas a única oposição ao Governo veio dos agricultores, revoltados com um Ministro que está apostado em transformar o país num deserto.

Do PSD nada se ouve. Nada dá que falar. A presente direcção social-democrata conseguiu instalar a desmobilização total. Apática na sua acção política, tornou-se paralizante na actividade interna. A prova ficou dada no fim-de-semana passado.

O PSD perdeu vozes na sociedade, não pensa, não analisa, não procura formas de apresentar melhores propostas políticas, não investe numa definição ideológica que lhe dê rumo e alento. Assim, como está, o PSD é semelhante ao PS, mas mais anémico – e não é só a diferença entre o laranja e o vermelho.
Marques Mendes investiu na sua sobrevivência, criou condições para se manter mais tempo no fraco poder de líder de uma oposição que não se sente. Mas torna-se cada vez mais evidente que a sobrevivência de Marques Mendes é directamente proporcional à decadência do PSD.
Pelo menos uma vez por semana tento almoçar sozinho. Quer dizer, não é bem sozinho, é acompanhado por uma revista – e nesta altura do ano isso é especialmente agradável numa esplanada. Nesses dias gosto de ir almoçar fora de horas, lá para as duas e tal, para ficar sossegado a folhear o objecto. Esta semana veio ter-me às mãos mais uma edição, o número 8, da revista «Attitude», publicada no Porto e uma das poucas publicações portuguesas com um carácter verdadeiramente cosmopolita. Este número é dedicado a Amsterdão e merece ser guardado por todos aqueles que pensem em lá dar um salto nos próximos meses. Tem de tudo desde o «Foam», o museu de fotografia da cidade até reportagens em ateliers, conversas com designers, trabalhos de fotógrafos, e uma visita ao Superclub, onde as noites se espalham por quatro salas de ambientes diversos – um conceito muito interessante. Pelo meio ficam ainda visitas a pastelarias, lojas de espelhos, um belo artigo sobre o origami (a arte japonesa de dobrar papel) e um destaque sobre a casa Roscoe ,na California. Tudo por cinco euros, do Porto para o mundo.


Muito regularmente prometo a mim mesmo que vou ter mais cuidado com a alimentação, que vou cortar os deliciosos almoços de comida caseira e portuguesa de dois pequenos restaurantes da zona de Chelas e do Beato onde costumo ir. Garanto que me vou dedicar ao peixe grelhado e que abandono os deliciosos filetes de polvo do «Apuradinho», em Campolide. E todas as semanas garanto que vou comer jantares ligeiros, género salada caprese, essa deliciosa mistura de tomate maduro com queijo mozarella, temperado com basílico fresco, sal e o melhor azeite virgem que tiver à mão (provavelmente será o «Romeu», de Trás-Os Montes). E penso em beber água em vez do vinho branco que esta salada requisita. O pior de tudo é que compro o mozarella e depois acabo por o deixar passar de prazo e deitar fora, sem sequer ver a cor da saladinha.


O pior de tudo são as fomes súbitas nocturnas, ainda por cima quando se mora ao pé da remoçada «Paródia», um histórico bar lisboeta que há 30 anos homenageia com o seu nome e decoração o génio de Rafael Bordalo Pinheiro. Pois esta «Paródia» tem umas belíssimas tostas mistas e um tentador bolo de chocolate, acompanhadas nas noites de quinta feira por poesia avulsa e piano inspirado. Eu prefiro a cerveja para a tosta, mas há cocktails arrojados para os aventureiros. Rua do Patrocínio 26 B, 213 964 724.


Esta semana descarreguei dois discos para o meu iPod: a banda sonora de «Brokeback Moutain», de que já aqui falei há umas semanas e um novinho em folha, o maravilhoso «The Little Willies», um grupo surgido da reunião de cinco amigos que gostam de tocar temas tradicionais da música popular norte-americana. Os cinco amigos são de peso: Lee Alexander no contrabaixo, Jim Campilongo na guitarra eléctrica, Norah Jones na voz e piano, Richard Julian na voz e guitarra e Dan Riser na bateria. Interpretam temas de Willie Nelson (o nome do grupo vem do nome do músico…), de Kris Kristofferson, Fred Rose ou Hank Williams. O bar onde tocam habitualmente chama-se The Living Room e o disco captura bem o ambiente descontraído e informal de um grupo de amigos a tocar canções conhecidas de que todos gostam. CD Milking Bull Records, distribuído por EMI.


Duas recomendações para quem gosta de ver pintura: obras da colecção de Joe Berardo na recém recuperada galeria do «Diário de Notícias» (Avenida da Liberdade 266) e a nova exposição «Veduta», de Jorge Humberto, um dos mais fascinantes pintores portugueses contemporâneos, na Galeria Jorge Shirley (Largo Hintze Ribeiro 2 E/F, à Rua de S. Bento).

O melhor da semana – A Primavera começa dia 21, terça-feira que vem, que por acaso é também Dia da Poesia (comemorações a rigor na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa).

O pior da semana – Os preparativos da reunião privada dos amigos de Marques Mendes, a que alguma alma caridosa se lembrou de chamar Congresso do PSD.

Back To Basics - «Adoro patidos politicos, são o único local que resta onde as pessoas não falam de política» - Oscar Wilde.

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NADA A DIZER


O PSD parece que realizou um Congresso. Estive a almoçar com alguns militantes, destacados, que não puseram lá os pés. Estive a falar com mais uns tantos que nem puseram a hipótese de participar no conclave. Escrevo estas linhas na terça-feira à tarde e a verdade é que tudo corre como se nada se tivesse passado. De duas outras reuniões de fim-de-semana – a Assembleia do Sporting e a da Direcção do PP ouve-se falar bastante. Há ecos. Assuntos por resolver. Parece existir algum movimento.

Por mérito de Sócrates e demérito de Marques Mendes o PS ocupou todo o espaço de centro-direita e esvaziou completamente o PSD. O pragmatismo eficaz de José Sócrates chama um doce à inexistência de estratégia e de táctica do PSD. Nas últimas semanas a única oposição ao Governo veio dos agricultores, revoltados com um Ministro que está apostado em transformar o país num deserto.

Do PSD nada se ouve. Nada dá que falar. A presente direcção social-democrata conseguiu instalar a desmobilização total. Apática na sua acção política, tornou-se paralizante na actividade interna. A prova ficou dada no fim-de-semana passado.

O PSD perdeu vozes na sociedade, não pensa, não analisa, não procura formas de apresentar melhores propostas políticas, não investe numa definição ideológica que lhe dê rumo e alento. Assim, como está, o PSD é semelhante ao PS, mas mais anémico – e não é só a diferença entre o laranja e o vermelho.
Marques Mendes investiu na sua sobrevivência, criou condições para se manter mais tempo no fraco poder de líder de uma oposição que não se sente. Mas torna-se cada vez mais evidente que a sobrevivência de Marques Mendes é directamente proporcional à decadência do PSD.

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Pelo menos uma vez por semana tento almoçar sozinho. Quer dizer, não é bem sozinho, é acompanhado por uma revista – e nesta altura do ano isso é especialmente agradável numa esplanada. Nesses dias gosto de ir almoçar fora de horas, lá para as duas e tal, para ficar sossegado a folhear o objecto. Esta semana veio ter-me às mãos mais uma edição, o número 8, da revista «Attitude», publicada no Porto e uma das poucas publicações portuguesas com um carácter verdadeiramente cosmopolita. Este número é dedicado a Amsterdão e merece ser guardado por todos aqueles que pensem em lá dar um salto nos próximos meses. Tem de tudo desde o «Foam», o museu de fotografia da cidade até reportagens em ateliers, conversas com designers, trabalhos de fotógrafos, e uma visita ao Superclub, onde as noites se espalham por quatro salas de ambientes diversos – um conceito muito interessante. Pelo meio ficam ainda visitas a pastelarias, lojas de espelhos, um belo artigo sobre o origami (a arte japonesa de dobrar papel) e um destaque sobre a casa Roscoe ,na California. Tudo por cinco euros, do Porto para o mundo.


Muito regularmente prometo a mim mesmo que vou ter mais cuidado com a alimentação, que vou cortar os deliciosos almoços de comida caseira e portuguesa de dois pequenos restaurantes da zona de Chelas e do Beato onde costumo ir. Garanto que me vou dedicar ao peixe grelhado e que abandono os deliciosos filetes de polvo do «Apuradinho», em Campolide. E todas as semanas garanto que vou comer jantares ligeiros, género salada caprese, essa deliciosa mistura de tomate maduro com queijo mozarella, temperado com basílico fresco, sal e o melhor azeite virgem que tiver à mão (provavelmente será o «Romeu», de Trás-Os Montes). E penso em beber água em vez do vinho branco que esta salada requisita. O pior de tudo é que compro o mozarella e depois acabo por o deixar passar de prazo e deitar fora, sem sequer ver a cor da saladinha.


O pior de tudo são as fomes súbitas nocturnas, ainda por cima quando se mora ao pé da remoçada «Paródia», um histórico bar lisboeta que há 30 anos homenageia com o seu nome e decoração o génio de Rafael Bordalo Pinheiro. Pois esta «Paródia» tem umas belíssimas tostas mistas e um tentador bolo de chocolate, acompanhadas nas noites de quinta feira por poesia avulsa e piano inspirado. Eu prefiro a cerveja para a tosta, mas há cocktails arrojados para os aventureiros. Rua do Patrocínio 26 B, 213 964 724.


Esta semana descarreguei dois discos para o meu iPod: a banda sonora de «Brokeback Moutain», de que já aqui falei há umas semanas e um novinho em folha, o maravilhoso «The Little Willies», um grupo surgido da reunião de cinco amigos que gostam de tocar temas tradicionais da música popular norte-americana. Os cinco amigos são de peso: Lee Alexander no contrabaixo, Jim Campilongo na guitarra eléctrica, Norah Jones na voz e piano, Richard Julian na voz e guitarra e Dan Riser na bateria. Interpretam temas de Willie Nelson (o nome do grupo vem do nome do músico…), de Kris Kristofferson, Fred Rose ou Hank Williams. O bar onde tocam habitualmente chama-se The Living Room e o disco captura bem o ambiente descontraído e informal de um grupo de amigos a tocar canções conhecidas de que todos gostam. CD Milking Bull Records, distribuído por EMI.


Duas recomendações para quem gosta de ver pintura: obras da colecção de Joe Berardo na recém recuperada galeria do «Diário de Notícias» (Avenida da Liberdade 266) e a nova exposição «Veduta», de Jorge Humberto, um dos mais fascinantes pintores portugueses contemporâneos, na Galeria Jorge Shirley (Largo Hintze Ribeiro 2 E/F, à Rua de S. Bento).

O melhor da semana – A Primavera começa dia 21, terça-feira que vem, que por acaso é também Dia da Poesia (comemorações a rigor na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa).

O pior da semana – Os preparativos da reunião privada dos amigos de Marques Mendes, a que alguma alma caridosa se lembrou de chamar Congresso do PSD.

Back To Basics - «Adoro patidos politicos, são o único local que resta onde as pessoas não falam de política» - Oscar Wilde.
O MINISTRO POLITIQUEIRO


Nos últimos dias o Ministro socialista dos Assuntos Parlamentares e da Informação esteve numa estação de rádio, numa de televisão e em dois jornais diários de referência, através de entrevistas e de um artigo de opinião. Tudo isto se passou no mesmo fim de semana em que José Sócrates ainda teve a paciência de reunir um conclave socialista, a terceira Convenção Novas Fronteiras, para celebrar o primeiro ano de governo social-democratizante.

Augusto Santos Silva é um daqueles políticos todo-o-terreno que não se preocupa muito com a definição de funções dos Ministérios por onde vai passando. A sua missão é fazer a politiquice nacional e não desenvolver políticas. Há uns anos atrás, na Cultura, não deixou rasto nem marca; nesta pasta, mais política, deixa um marco de estatismo, intervencionista, de controlo e de negociata. Este Ministro, que é suposto fazer a articulação do Governo com o Parlamento, acha que negociata é sinónimo de ligação e não entende a curiosidade dos jornalistas que lhe perguntam como é possível haver alguém escolhido pelos seus pares quando esses pares eram ainda inexistentes.

Augusto Santos Silva cultiva um jeito de arrogância, desajeitado, mostrando que lhe estala o verniz ao primeiro toque. A entidade reguladora contra a comunicação social – que ficará como o seu legado político - não é obviamente ilegal. Mas a situação que a criou, a promiscuidade parlamentar em que foi fabricada (e aqui o Dr. Marques Mendes tem tantas culpas como o Dr. Santos Silva), a designação de um presidente feita de arranjinhos – isso é que é a vergonha. Se Santos Silva não consegue perceber uma coisa tão simples como o papel da decência e da ética na política, que está fazer no Governo?

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O MINISTRO POLITIQUEIRO


Nos últimos dias o Ministro socialista dos Assuntos Parlamentares e da Informação esteve numa estação de rádio, numa de televisão e em dois jornais diários de referência, através de entrevistas e de um artigo de opinião. Tudo isto se passou no mesmo fim de semana em que José Sócrates ainda teve a paciência de reunir um conclave socialista, a terceira Convenção Novas Fronteiras, para celebrar o primeiro ano de governo social-democratizante.

Augusto Santos Silva é um daqueles políticos todo-o-terreno que não se preocupa muito com a definição de funções dos Ministérios por onde vai passando. A sua missão é fazer a politiquice nacional e não desenvolver políticas. Há uns anos atrás, na Cultura, não deixou rasto nem marca; nesta pasta, mais política, deixa um marco de estatismo, intervencionista, de controlo e de negociata. Este Ministro, que é suposto fazer a articulação do Governo com o Parlamento, acha que negociata é sinónimo de ligação e não entende a curiosidade dos jornalistas que lhe perguntam como é possível haver alguém escolhido pelos seus pares quando esses pares eram ainda inexistentes.

Augusto Santos Silva cultiva um jeito de arrogância, desajeitado, mostrando que lhe estala o verniz ao primeiro toque. A entidade reguladora contra a comunicação social – que ficará como o seu legado político - não é obviamente ilegal. Mas a situação que a criou, a promiscuidade parlamentar em que foi fabricada (e aqui o Dr. Marques Mendes tem tantas culpas como o Dr. Santos Silva), a designação de um presidente feita de arranjinhos – isso é que é a vergonha. Se Santos Silva não consegue perceber uma coisa tão simples como o papel da decência e da ética na política, que está fazer no Governo?

março 13, 2006

RECORDISTA
O Ministro da Entidade Reguladora para A Comunicação Social, Augusto Santos Silva, deu este fim de semana uma entrevista à Rádio Renascença, à Dois e ao Público e escreveu um artigo de opinião para o «Diário de Notícias». Teor: justificações e mais justificações e a queixa de que, apesar do número recorde de publicações conseguidas, não tem forma de se explicar nem consegue fazer passar a essência do seu pensamento...
Foi a forma que teve para assinalar o seu primeiro aniversário no Governo. Pouco hábil, não é?

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RECORDISTA
O Ministro da Entidade Reguladora para A Comunicação Social, Augusto Santos Silva, deu este fim de semana uma entrevista à Rádio Renascença, à Dois e ao Público e escreveu um artigo de opinião para o «Diário de Notícias». Teor: justificações e mais justificações e a queixa de que, apesar do número recorde de publicações conseguidas, não tem forma de se explicar nem consegue fazer passar a essência do seu pensamento...
Foi a forma que teve para assinalar o seu primeiro aniversário no Governo. Pouco hábil, não é?

março 12, 2006

O MONSTRO – Sem que tivesse sido anunciado o Governo criou um Ministro do Controlo da Informação. Chama-se Augusto Santos Silva e é o autor de um monstro chamado Entidade Reguladora da Comunicação Social, uma coisa que nem o seu Presidente sabe bem para que serve, como se viu esta semana no «Prós e Contras». Só o nome «entidade» diz quase tudo –o «ente» está para ali, a viver à custa do sector que vai controlar, por um acordo estranho entre os partidos da maioria – o que ganhou as eleições e o que lhe não faz oposição.


ESTUDO – 72% dos utilizadores de iPod vídeo que já fizeram downloads de séries de televisão nos Estados Unidos estão dispostos a ver um spot de 30 segundos no meio do programa, se o anunciante suportar os custos desses downloads. Nos Estados Unidos um episódio de uma série como «Desperate Housewives» custa 1.99 dolares para poder ser descarregado para o iPod.


EXEMPLO – A CBS é o canal de televisão norte-americano que tem maior número de espectadores, que domina o segmento 25 -54 anos e que está em segundo no segmento 18-49 anos. Não é bem por acaso que isto acontece – este é o canal que assegura a exibição de séries como «Criminal Minds», «Cold Case», todos os «CSI», «Without a Trace» e «Survivor», algumas das 14 séries que o canal encomenda a produtores independentes.


OUVIR – A nova rádio «Europa», na região de Lisboa, sucessora da Rádio Paris Lisboa, agora mais abrangente, com uma programação musical muito baseada no jazz e em músicas de origem europeia. Destaque para os fins de tarde e para uma escolha musical ao longo do dia feita a pensar em quem está a trabalhar. Na região da Grande Lisboa pode ser ouvida em 90.4 FM.


LER/VER – A edição de Março da revista «Vanity Fair» - trata-se do habitual número dedicado a Hollywood. Desta vez a responsabilidade editorial cabe a Tom Ford, o génio que foi director criativo da Gucci e da Yves Saint Laurent e que foi o responsável pelo ressurgimento e reinvenção destas marcas nos últimos anos. Ford assegurou pessoalmente a escolha e edição do portfolio de 47 páginas sobre os actores de Hollywood. Destaques para as fotos de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, os dois actores de «Brokeback Moutain», ambas da autoria de Annie Leibowitz, que também assina inesquecíveis retratos de Joaquin Phoenix, George Clooney, Angelina Jolie e Sienna Miller. Outros destaques de imagens: Jennifer Aston por Mário Testino e Reese Witherspoon por Michael Thompson. Na mesma edição está um imperdível guia de Los Angeles e uma deliciosa dupla página sobre David Hockney.


PERGUNTINHA – O cartaz de uma festarola publicitária abrasileirada que se vai passar em Maio, em terrenos da autarquia lisboeta e com apoios do erário público, parece um regresso ao passado: Sting, Guns & Roses e Santana. Estamos em 1996 ou em 2006? Para quê apoiar com meios e dinheiros públicos uma coisa destas, misto de marketing bancário e de canal de escoamento de produtores de cerveja?


TRINCAR ( Regresso aos clássicos) – Os filetes de peixe galo no Polícia, Rua Marquês Sá da Bandeira, 112A, Telefone: 21 796 35 05.


AGENDA – Vem longe, mas vale a pena – Dia Mundial da Poesia (21 de Março), nas Casa Fernando Pessoa, Lisboa. 12 poetas lêem poemas seus e de outros poetas. A música ao evocará Bach, cujo aniversário se celebra no mesmo dia. Em exposição estarão manuscritos de poetas, que serão editados em formato de postal ilustrado.


O MELHOR DA SEMANA – O fim do mandato de Jorge Sampaio.


O PIOR DA SEMANA – O comunicado da Procuradoria Geral da República sobre o caso do «envelope 9», que continua a preferir investigar como é que as notícias chegam aos jornais, em vez de explicar como é que registos telefónicos das mais altas figuras do Estado português foram parar a um processo de pedofilia.


BACK TO BASICS – Um optimista é a personificação humana da primavera (Susan J. Bissonette).

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O MONSTRO – Sem que tivesse sido anunciado o Governo criou um Ministro do Controlo da Informação. Chama-se Augusto Santos Silva e é o autor de um monstro chamado Entidade Reguladora da Comunicação Social, uma coisa que nem o seu Presidente sabe bem para que serve, como se viu esta semana no «Prós e Contras». Só o nome «entidade» diz quase tudo –o «ente» está para ali, a viver à custa do sector que vai controlar, por um acordo estranho entre os partidos da maioria – o que ganhou as eleições e o que lhe não faz oposição.


ESTUDO – 72% dos utilizadores de iPod vídeo que já fizeram downloads de séries de televisão nos Estados Unidos estão dispostos a ver um spot de 30 segundos no meio do programa, se o anunciante suportar os custos desses downloads. Nos Estados Unidos um episódio de uma série como «Desperate Housewives» custa 1.99 dolares para poder ser descarregado para o iPod.


EXEMPLO – A CBS é o canal de televisão norte-americano que tem maior número de espectadores, que domina o segmento 25 -54 anos e que está em segundo no segmento 18-49 anos. Não é bem por acaso que isto acontece – este é o canal que assegura a exibição de séries como «Criminal Minds», «Cold Case», todos os «CSI», «Without a Trace» e «Survivor», algumas das 14 séries que o canal encomenda a produtores independentes.


OUVIR – A nova rádio «Europa», na região de Lisboa, sucessora da Rádio Paris Lisboa, agora mais abrangente, com uma programação musical muito baseada no jazz e em músicas de origem europeia. Destaque para os fins de tarde e para uma escolha musical ao longo do dia feita a pensar em quem está a trabalhar. Na região da Grande Lisboa pode ser ouvida em 90.4 FM.


LER/VER – A edição de Março da revista «Vanity Fair» - trata-se do habitual número dedicado a Hollywood. Desta vez a responsabilidade editorial cabe a Tom Ford, o génio que foi director criativo da Gucci e da Yves Saint Laurent e que foi o responsável pelo ressurgimento e reinvenção destas marcas nos últimos anos. Ford assegurou pessoalmente a escolha e edição do portfolio de 47 páginas sobre os actores de Hollywood. Destaques para as fotos de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, os dois actores de «Brokeback Moutain», ambas da autoria de Annie Leibowitz, que também assina inesquecíveis retratos de Joaquin Phoenix, George Clooney, Angelina Jolie e Sienna Miller. Outros destaques de imagens: Jennifer Aston por Mário Testino e Reese Witherspoon por Michael Thompson. Na mesma edição está um imperdível guia de Los Angeles e uma deliciosa dupla página sobre David Hockney.


PERGUNTINHA – O cartaz de uma festarola publicitária abrasileirada que se vai passar em Maio, em terrenos da autarquia lisboeta e com apoios do erário público, parece um regresso ao passado: Sting, Guns & Roses e Santana. Estamos em 1996 ou em 2006? Para quê apoiar com meios e dinheiros públicos uma coisa destas, misto de marketing bancário e de canal de escoamento de produtores de cerveja?


TRINCAR ( Regresso aos clássicos) – Os filetes de peixe galo no Polícia, Rua Marquês Sá da Bandeira, 112A, Telefone: 21 796 35 05.


AGENDA – Vem longe, mas vale a pena – Dia Mundial da Poesia (21 de Março), nas Casa Fernando Pessoa, Lisboa. 12 poetas lêem poemas seus e de outros poetas. A música ao evocará Bach, cujo aniversário se celebra no mesmo dia. Em exposição estarão manuscritos de poetas, que serão editados em formato de postal ilustrado.


O MELHOR DA SEMANA – O fim do mandato de Jorge Sampaio.


O PIOR DA SEMANA – O comunicado da Procuradoria Geral da República sobre o caso do «envelope 9», que continua a preferir investigar como é que as notícias chegam aos jornais, em vez de explicar como é que registos telefónicos das mais altas figuras do Estado português foram parar a um processo de pedofilia.


BACK TO BASICS – Um optimista é a personificação humana da primavera (Susan J. Bissonette).

março 10, 2006

PAZ PÔDRE


Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.

Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.

Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.

Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.

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PAZ PÔDRE


Os principais protagonistas da actividade política decretaram nas últimas semanas a instituição oficial do regime de paz pôdre: só há eleições daqui a três anos, agora é deixar andar. Simultaneamente isto permitirá ao Eng. Sócrates um estatuto de intocável e, por outro, desculpa a anemia galopante na oposição.

Uma coisa é garantir a estabilidade governativa e o cumprimento dos ciclos políticos, outra, é existir uma oposição que faça jus ao nome. Ora acontece que em Portugal a oposição anda em parte incerta. Surge pontualmente, quase só no Parlamento, que lá vai cumprindo o seu papel de justificativo democrático, de forma cada vez mais trôpega e incoerente. A nossa oposição precisa de Viagra mas tem vergonha de o ir comprar à farmácia.

Esta Assembleia da República passou a ser uma loja de porcelanas onde os elefantes só podem entrar uma vez por mês – no dia do debate com o Governo. No resto do tempo é como se nada se passasse, parece uma estufa de orquídeas. Este Parlamento é uma vergonha e a forma como deu cobertura – basicamente pelo silêncio- ao processo em curso de ataque à liberdade de informação mostra uma evidência: há um entendimento partidário para criar medidas repressivas contra jornais e jornalistas que toquem casos incómodos ou façam revelações que deviam permanecer nos segredos dos bastidores. A Entidade Reguladora da Comunicação Social consagra esse entendimento e é o espelho deste regime de arranjinhos em que o Parlamento se converteu.

Os próximos anos serão a consagração do pior que pode haver num bloco central de consensos hipócritas e entendimentos de circunstância. Provavelmente quando este ciclo acabar alguns partidos deixarão de ter razão de ser. Os políticos em exercício caminham para deixar como herança um regime de quase partido único – o grande centrão. Esta não é certamente uma boa notícia.

março 09, 2006

O FUTURO
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.

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O FUTURO
Considerando:
- Que Cavaco Silva só muito dificilmente deixará de fazer dois mandatos;
- Que o seu discurso de tomada de posse tem muitos elementos de convergência com o programa de Sócrates;
- Que, na prática, deixou de existir oposição ao Governo e que fazer oposição até passou a ser considerado politicamente incorrecto;
- Que nestas condições muito provavelmente Sócrates fará duas legislaturas;
Proponho:
Que se aproveitem estes sete ou oito anos que temos pela frente para reorganizar a participação dos cidadãos na política, mudar o mapa partidário e deixar de fazer politiquice.

março 06, 2006

CÓMICO – O Professor Marcelo parece o senhor Sabe-Sabe. Lá vai dando umas aulas ao domingo, em comentários cada vez menos interessantes, cada vez mais combinados com a senhora que faz parte do cenário. A forma como abordou a gripe das aves na semana passada seria cómica se o assunto não fosse trágico. De Professor, está a passar a fala barato. Pode cativar os simples de espírito, mas não é bom para ninguém.


O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.


O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.


DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.


TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.


OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.


AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.


LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.


A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.


PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?


BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).

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CÓMICO – O Professor Marcelo parece o senhor Sabe-Sabe. Lá vai dando umas aulas ao domingo, em comentários cada vez menos interessantes, cada vez mais combinados com a senhora que faz parte do cenário. A forma como abordou a gripe das aves na semana passada seria cómica se o assunto não fosse trágico. De Professor, está a passar a fala barato. Pode cativar os simples de espírito, mas não é bom para ninguém.


O MELHOR DA SEMANA –A maneira de resolver a situação do IPO, uma das mais modelares instituições do sistema de saúde em Portugal. Espera-se que o desenvolvimento do processo seja tão bom como o lançamento da ideia de substituir o velho edifício por um novo, com tudo o que se pode esperar de benefícios para os utentes.


O PIOR DA SEMANA – O silêncio continuado e ensurdecedor da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a perseguição judicial à protecção do sigilo das fontes dos jornalistas. Esta entidade, quer-me parecer, não é para defender nem as políticas do Governo, nem os abusos judiciais. Antes que tudo é para defender o pluralismo e a liberdade de expressão e de informação. Convém que quem está na Entidade não se esqueça que os seus membros devem trabalhar para os cidadãos e não para o sistema.


DIGITAL – O Governo sueco concedeu na semana passada sete licenças para televisão digital terrestre, que vão começar a operar já este ano. Por cá continua a aguardar-se que seja fixada a data da transição de analógico para terrestre, mas antes disso ainda terá que se fazer novo concurso de atribuição das licenças já que o anterior, feito há anos, resultou em nada. Já agora, pode ser que o exemplo sueco seja inspirador para que pelo menos o que corre bem seja copiado.


TRINCAR – (Revisitar os clássicos) – O verdadeiro bife à cortador no clássico «Oh Lacerda», que desde 1943 dá cartas na arte de bem servir. Avenida de Berna 36-A, tel. 21 797 40 57.


OUVIR – A nova voz do Tango argentino, Cristóbal Repetto. Aqui está a gravação estreia deste cantor, que é apontado como a mais expressiva voz a gravar Tangos desde há muitos anos. Baseado em versões de Tangos tradicionais, esta edição inclui também um DVD com excertos de um concerto gravado em Paris em 2005. Repetto tem uma voz de timbre invulgar, emotiva e excitante, como a canção popular da cidade de Buenos Aires exige – ouçam a sua versão de «De tardecita» e perceberão aquilo de que estoua falar. CD Edge, distribuído por Universal Music.


AGENDA – Amanhã, sábado, no Porto, na Galeria Fernando Santos (R. Miguel Bombarda 526), Jorge Silva Melo vai ler excertos do livro «Barulheira», de Álvaro Lapa, no meio da exposição «Reunião», a derradeira mostra de obras do artista, que morreu no passado dia 10 de Fevereiro.


LER – Um dos melhores sites de jornais que conheço é feito aqui ao lado, em Espanha. É o do diário «El Mundo» e pode ser acedido em www.elmundo.es . O que o distingue? Muito bom noticiário internacional, cientíico e de entretenimento – além de uma belíssima cobertura de Espanha e dos países da América Latina.


A NÃO PERDER – Se gostam de country music não percam o filme «Walk The Line», a história da vida de Johnny Cash. Se não puderem ver o filme, corram a encontrar uma edição com uns anos, «American Recordings», um original de 2002 e porventura um dos discos mais importantes de sempre.


PERGUNTINHA DA SEMANA – O Governo diminuíu ou há Ministros que deixaram de aparecer?


BACK TO BASICS – Os políticos prometem construir pontes mesmo quando não há rios à vista (Nikita Krushchev).

março 03, 2006

A BASÓFIA
Freitas do Amaral gabou-se ontem de grandes passados em matéria da luta pela Liberdade. Cuidado, não puxe muito pelo assunto, pode ficar destapado, senhor Ministro dos assuntos árabes...

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A BASÓFIA
Freitas do Amaral gabou-se ontem de grandes passados em matéria da luta pela Liberdade. Cuidado, não puxe muito pelo assunto, pode ficar destapado, senhor Ministro dos assuntos árabes...

março 02, 2006

ATLÂNTICO
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui

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ATLÂNTICO
Já compraram, leram, devoraram e guardaram o vosso exemplar precioso da revista atlântico deste mês. Fátima Bonifácio escreve sobre o fim do soarismo, Vasco Rato despede-se desse «presidente banal» que foi Sampaio, Rui Ramos escreve sobre o novo livro de Agustina, Ricardo Gross escreve sobre a voz divinal de Ana Maria Bobone, a incomparável Carla Hilário Quevedo faz uma «Introdução à Blogosfera» e Maria Filomena Mónica escreve um artigo chamado «Deus». Não estão com uma súbita vontade de ver esta revista, única no nosso pequeno rectângulo?espreitem aqui