fevereiro 27, 2006

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O CASO – Há muitos anos que se ouve dizer que a empresa Bragaparques cresceu de uma forma veloz graças a não ter encontrado dificuldades de maior nos seus projectos em Braga e noutras cidades do país. Tem ficado sempre no ar que os negócios são melhores para a empresa do que para as autarquias envolvidas, e tem ficado sempre na dúvida se não terá havido nalguns casos tratamento privilegiado. Como é de dinheiros e de bens públicos que se trata, o elementar é que a Câmara Municipal de Lisboa esclareça este assunto todo sem margem para dúvidas.


O MELHOR DA SEMANA – O blog de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente (www.o-espectro.blogspot.com) tem sido a alegria de quem gosta de pensar no que se passa neste rectângulo à beira mar plantado. Com actualizações frequentes, uma pontaria certeira e um constante humor, O Espectro tornou-se numa referência absolutamente fundamental da blogosfera e numa imperdível leitura diária.


O PIOR DA SEMANA – A absoluta falta de reacção do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República e do Presidente do novo órgão regulador da comunicação social ( e já agora dos seus pares) em relação ao ataque policial ao jornal «24 Horas», em busca da localização de fontes de uma notícia. Com instituições destas, estamos conversados – ainda havemos de ver pior. Lembram-se daquele poema de Brecht que dizia «primeiro vieram e ninguém se importou»? Estamos a caminho da indiferença – e em matéria de liberdades e direitos nada é pior. Mandava o bom senso que, na tomada de posse, o empossado Presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social pusesse os pontos nos iis – só para sabermos como isto irá ser.


TRINCAR – Os croquetes com arroz de tomate malandrinho do bar Pedro Quinto, na Rua D.Pedro V nº14, uma casa a cargo do Senhor Juvenal e que combina a intriga política e jornalística com comida honesta fora de horas. Telefone 213 427 842.


OUVIR – Se há discos feitos para acompanhar paixões, «Foreign Land» de Christina Rosenvinge é exactamente o bom exemplo. A produção é simples e escorreita e tem por único objectivo destacar a voz, sublinhar as palavras e deixar respirar canções como «off scream», «king size», «german heart» e sobretudo «submission». Resta dizer que Christina Rosenvinge nasceu em Madrid filha de pais dinamarqueses e está a meio caminho entre os Velvet Underground e Françoise Hardy.


AGENDA – Sai dentro de dias, a 27, o disco estreia dos Cindy Kat, a nova banda de Pedro Oliveira ( a voz da Sétima Legião), Paulo Abelho (Golpe de Estado) e Paulo Eleutério (Comboio Fantasma). Com convidados como Sam The Kid, JP Simões (Bellechase Hotel), Gomo e Pedro Abrunhosa, os Cindy Kat trouxeram os hinos de volta à musica portuguesa, acentuando o valor das palavras e de uma subtil combinação entre ritmos e melodias, muito ao som dos anos 80, como o concerto de apresentação no Lux na passada quarta-feira mostrou – destaque absoluto para «Distância», o tema interpretado com Gomo e para «Polaróide», o single estreia.


LER – A nova edição de um clássico de Marshall McLuhan, «Understanding Media», uma edição crítica e anotada por Terrence Gordon e editada pela Gingko Press. Eu acho que cada membro da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social devia receber um livrinho destes e ser estimulado a lê-lo, com teste de perguntas no fim, a ver se perceberam aquilo de que devem tratar.


A NÃO PERDER – O «Obituário Político do Soarismo” por Fátima Bonifácio, na edição de Março da revista «Atlântico».


PERGUNTINHA DA SEMANA – O que vai acontecer ao Galo de Barcelos com a gripe das aves?


BACK TO BASICS – «Posso resistir a tudo, menos à tentação» . Oscar Wilde
ISTO ANDA TUDO LIGADO

O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.

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ISTO ANDA TUDO LIGADO

O que eu gostava mesmo é que as entidades policiais e judiciais investigassem o tentacular mundo da corrupção na política em vez de investigarem quem são as fontes dos jornalistas; o que eu gostava era de ver uma brigada da judiciária a fazer em sede política o que se atreve a fazer em sede jornalística; o que eu gostava era que vivêssemos numa sociedade onde se procurasse justiça e não apenas perseguição e intimidação.
Na semana passada ficámos a saber que um vereador da autarquia lisboeta reuniu provas de uma tentativa de corrupção por uma empresa de construção que tem, digamos, um registo de influências e situações de excepção nos seus negócios com entidades públicas.
Se for verdade devo dizer que a coisa não me espanta. Já aqui o escrevi uma vez, mas esta é boa altura para recordar: nas décadas mais recentes quem manda na política (e muitas vezes em políticos) é o mundo da construção – seja nas grandes obras públicas, seja nos negócios imobiliários das autarquias.
Basta ver de onde se diz que vêm financiamentos não declarados a campanhas e actividades partidárias, basta ver a impunidade com que construtores se passeiam com autarcas, basta olhar para o desgraçado estado de tantas e tantas cidades, desfiguradas pelos promotores imobiliários em nome do progresso.
Este país tem uma justiça péssima, umas polícias prepotentes e pré-históricas, um sistema de saúde deficiente e um sistema de ensino ineficiente; mas farta-se de construir e de semear betão, infelizmente sem pensar muito no assunto.
Todos os negócios são legítimos – desde que as oportunidades sejam iguais e que a concorrência não seja desvirtuada. O problema é que, à vista desarmada, parece que na construção há mais tráfico de influências que concorrência salutar.
BASTA! - Não sou leitor do «24 Horas» – mas há jornais assim em todo o mundo. Mais: ainda bem que em Portugal também há um «24 Horas». O problema de que o «24 Horas» parece ser acusado não é, na realidade, da responsabilidade do jornal: é de alguém, nos meandros do aparelho judicial, seja na duvidosa Procuradoria da República ou na prepotente Judiciária. Alguém de dentro do sistema deixou escapar o que o sistema queria esconder, houve um jornal que publicou o que obteve – e que por acaso mostra abuso de autoridade. Quem está mal? Certamente não é o jornal. A Judiciária anda a assemelhar-se a uma máquina de perseguição – há sectores dentro dessa polícia que consideram ser esse o caminho. E cá para mim, já que o mundo anda em maré de solidariedades, convém dizer aos esbirros da Judiciária: somos todos do «24 Horas».


PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.


COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.


LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .


OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.


VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.


AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.


PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?


BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

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BASTA! - Não sou leitor do «24 Horas» – mas há jornais assim em todo o mundo. Mais: ainda bem que em Portugal também há um «24 Horas». O problema de que o «24 Horas» parece ser acusado não é, na realidade, da responsabilidade do jornal: é de alguém, nos meandros do aparelho judicial, seja na duvidosa Procuradoria da República ou na prepotente Judiciária. Alguém de dentro do sistema deixou escapar o que o sistema queria esconder, houve um jornal que publicou o que obteve – e que por acaso mostra abuso de autoridade. Quem está mal? Certamente não é o jornal. A Judiciária anda a assemelhar-se a uma máquina de perseguição – há sectores dentro dessa polícia que consideram ser esse o caminho. E cá para mim, já que o mundo anda em maré de solidariedades, convém dizer aos esbirros da Judiciária: somos todos do «24 Horas».


PENSAR – Uma das coisas curiosas em toda a envolvente da OPA da Sonae sobre a PT é a simpatia geral, em termos de opinião pública, com a qual esta acção foi recebida. Seja qual for o resultado final este acolhimento simpático ultrapassa o carinho pelo mito de David contra Golias. O que dá que pensar é que a PT, com o seu sistemático desprezo pelos clientes, grangeou ao longo dos anos um clima de antipatia latente que agora explodiu. Por aqui passa um dos grandes problemas da PT.


COMER – Chegou a lampreia, e com ela nascem novas alegrias nesta altura do ano. Desde já sublinho que este é um bom pretexto para revisitar o «Manel» do Parque Mayer, onde o bicho é servido à moda do Minho, com arroz farto e cheio de sabores do animal. O estacionamento é fácil, o serviço é bom, a casa continua a merecer uma visita. Telefone antes, para saber quando há lampreia, 21 346 3167.


LER – Todos os que se interessam por meios de comunicação, e em particular pelos conteúdos jornalísticos, deviam ler o artigo que tem honras de capa na edição de Janeiro/Fevereiro da «Columbia Journalism Review». Sob o título «Há Uma Saída Para Isto?» (Is There A Way Out?), Douglas McCollam aborda a relação entre os accionistas e as empresas detentoras de meios, e o círculo vicioso em que se tem vindo a cair – e que tem produzido maus resultados empresariais e péssimos produtos jornalísticos. Da maneira que as coisas andam cá na terrinha há muita gente que poderia aproveitar bastante de uma leitura atenta deste belíssimo artigo, disponível em www.cjr.org .


OUVIR – No meio das celebrações mozartianas foi reeditada uma das mais brilhantes gravações das suas obras para cravo e piano. Trata-se de uma gravação de 1962, devidamente actualizada em termos tecnológicos, e que mostra a interpretação que Wilhelm Kempff fez , ao piano, de duas Fantasias (397 e 475) e duas Sonatas (331 e 310) de Mozart. Em vez de amontoarem vinte discos coleccionáveis que surgem tipo brinde, comprem este só e ouçam-no repetidamente. Nunca é demais dizer que o espírito humano às vezes se eleva para além do que se poderia imaginar.


VER – «O Livro de Cesário Verde», uma exposição de um livro-objecto do pintor João Vieira, na Galeria Arqué (Avenida Miguel Bombarda 120), até dia 7 de Março.


AGENDA – Dia 23, quinta da próxima semana - depois de ter estado na Tate Modern e na Fundacion Caixa Galicia, inaugura no CCB a exposição sobre a obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Imperdível.


PERGUNTINHA DA SEMANA – O Ministro da Justiça dorme feliz e descansado?


BACK TO BASICS – Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
UM PRESIDENTE PARA A HISTÓRIA


Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.

No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.

Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.

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UM PRESIDENTE PARA A HISTÓRIA


Jorge Sampaio vai certamente ficar para a História, mas não pelas melhores razões. O seu segundo mandato é um «case study» de manobra política, de instabilidade, de favoritismo à sua família partidária. O tempo se encarregará de proporcionar a distância, que é a melhor conselheira na elaboração de juízos.

No meio deste unanimismo bajulatório de final de mandato vale a pena recordar três temas: em primeiro lugar a guerra surda de Sampaio com Ferro Rodrigues (cujas razões verdadeiras talvez nunca se descubram) depois do desaparecimento de Guterres, guerra surda que acabou por facilitar a chegada de Durão Barroso ao poder; em segundo lugar a reacção presidencial ao abandono do cargo de Primeiro-Ministro por Durão Barroso e o longuíssimo período de instabilidade e indecisão que se lhe seguiu; em terceiro lugar o facto de nessa altura não ter convocado eleições antecipadas, sendo certo que se na época, Verão de 2004, o PS tivesse ido a votos dificilmente obteria um resultado vitorioso – e a situação político-partidária seria provavelmente muito diferente hoje em dia. Sampaio preferiu esperar e criar clima para a dissolução da Assembleia da República quando Sócrates já tivesse criado as condições mínimas no PS para se poder submeter às urnas.

Mas se na política a instabilidade foi a marca do segundo mandato de Sampaio, na sociedade portuguesa estes anos ficarão marcados pela degradação e descredibilização da justiça, pelo grau zero da confiança dos cidadãos num sistema judicial que cada vez mais se mostra incapaz de investigar e julgar no respeito pelas liberdades e direitos dos cidadãos. Um Presidente que deixa a situação chegar onde chegou ao longo do seu mandato –acabando ele próprio por ser escutado - certamente tem pouco de que se orgulhar.

fevereiro 13, 2006

ESMAGADOR - A transmissão da Superbowl no Domingo passado deu à cadeia de televisão norte-americana ABC uma audiência média de 90,7 milhões de espectadores, um aumento de cinco por cento emr relação ao ano passado.A vitória dos Pittsburgh Steelers sobre os Seattle Seahawks foi vista em 45.85 milhões de casas. Um spot publicitário de 30 segundos num dos intervalos custava 2,5 milhões de dólares (no ano passado o valor era de 2,4 milhões). A cervejeira Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, colocou dez spots ao longo de todo o jogo, que teve os Rolling Stones como convidados musicais.


DIFERENTE – A entidade reguladora britânica de media, Ofcom, anunciou estar a estudar a possibilidade de autorizar o patrocínio integral e exclusivo de canais de rádio e de televisão por uma única entidade comercial. Existem no entanto limitações: entidades proibidas de fazer publicidade nestes media, como o tabaco, não poderão ser patrocinadores. E canais que tenham serviços de noticiários e de actualidades também não podem receber subsídio integral e exclusivo.


BARATO – O site da estação de televisão norte-americana CBS permite que se faça o download dos novos episódios do reality show «Survivor» ao preço de 1.99 dolares por episódio.


PERIGOSO – A ideia de colocar artistas à frente de espaços culturais é mais sinal de atraso e de provincianismo do que de abertura e inteligência. À frente dos espaços culturais devem estar pessoas não directamente envolvidas no processo criativo que é o sujeito principal do espaço que vão gerir. Têm que ser pessoas interessadas e conhecedoras, com uma visão pluridisciplinar e não parte interessada daquilo que será programado. Por isso é que a escolha de António Mega Ferreira para o CCB é muito boa e a de Pedro Burmester para a Casa da Música ou Diogo Infante para o Teatro Maria Matos levanta as maiores dúvidas e reservas. Estes espaços são casas de acolhimento e não devem ser núcleos de produção.


O MELHOR DA SEMANA – Todo o movimento desencadeado pela Sonae em torno da OPA sobre o universo PT. Nos tempos que correm não se pode dar nada por certo e imutável – essa é a grande lição de Belmiro de Azevedo.


O PIOR DA SEMANA – Freitas do Amaral, pela desgraçada e envergonhativa nota em prol do fundamentalismo islâmico.


UMA PERGUNTINHA – O Ministério dos Negócios Estrangeiros mudou de nome e de missão?


DESABAFO - Se Bill Gates visitasse Portugal todas as semanas tínhamos o Governo a tomar medidas positivas constantemente…


APROVEITAR – Este sábado, pelas 16h00, no CCB, o fotógrafo José Maçãs de Carvalho fala sobre a sua obra e o seu universo criativo. Algumas das suas imagens podem ser vistas no mesmo local, na exposição BESphoto.


LER – A história recente da transformação da Lego e da sua entrada no mundo virtual e de alta tecnologia, na edição deste mês da revista norte-americana «Wired» (também disponível em www.wired.com) .


OUVIR – Um grupo de artistas de New Orleans juntou-se depois do furacão e gravou este disco que reflecte a diversidade e a riqueza dos estilos musicais da cidade. É um testemunho de criatividade no meio das ruínas, é uma autêntica história da música da cidade. Inclui participações de Eddie Bo, Carol Fran, Allen Toussaint, Wild Magnólias e da Louisiana Philarmonic Orchestra, entre outros.
CD Elekta Nonesuch/Warner.


PROVAR – O velho e clássico Senhor Sebastião, do Cantinho da Paz, a S.Bento, tomou conta do restaurante da Casa de Goa, perto do Palácio das Necessidades, Calçada do Livramento 17, telefone 219 301 712. Ali se podem provar os petiscos que fizeram a fama do Cantinho, num sítio simpático e onde se estaciona com facilidade.


BACK TO BASICS - A liberdade de cada um termina onde começa a do próximo.

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ESMAGADOR - A transmissão da Superbowl no Domingo passado deu à cadeia de televisão norte-americana ABC uma audiência média de 90,7 milhões de espectadores, um aumento de cinco por cento emr relação ao ano passado.A vitória dos Pittsburgh Steelers sobre os Seattle Seahawks foi vista em 45.85 milhões de casas. Um spot publicitário de 30 segundos num dos intervalos custava 2,5 milhões de dólares (no ano passado o valor era de 2,4 milhões). A cervejeira Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, colocou dez spots ao longo de todo o jogo, que teve os Rolling Stones como convidados musicais.


DIFERENTE – A entidade reguladora britânica de media, Ofcom, anunciou estar a estudar a possibilidade de autorizar o patrocínio integral e exclusivo de canais de rádio e de televisão por uma única entidade comercial. Existem no entanto limitações: entidades proibidas de fazer publicidade nestes media, como o tabaco, não poderão ser patrocinadores. E canais que tenham serviços de noticiários e de actualidades também não podem receber subsídio integral e exclusivo.


BARATO – O site da estação de televisão norte-americana CBS permite que se faça o download dos novos episódios do reality show «Survivor» ao preço de 1.99 dolares por episódio.


PERIGOSO – A ideia de colocar artistas à frente de espaços culturais é mais sinal de atraso e de provincianismo do que de abertura e inteligência. À frente dos espaços culturais devem estar pessoas não directamente envolvidas no processo criativo que é o sujeito principal do espaço que vão gerir. Têm que ser pessoas interessadas e conhecedoras, com uma visão pluridisciplinar e não parte interessada daquilo que será programado. Por isso é que a escolha de António Mega Ferreira para o CCB é muito boa e a de Pedro Burmester para a Casa da Música ou Diogo Infante para o Teatro Maria Matos levanta as maiores dúvidas e reservas. Estes espaços são casas de acolhimento e não devem ser núcleos de produção.


O MELHOR DA SEMANA – Todo o movimento desencadeado pela Sonae em torno da OPA sobre o universo PT. Nos tempos que correm não se pode dar nada por certo e imutável – essa é a grande lição de Belmiro de Azevedo.


O PIOR DA SEMANA – Freitas do Amaral, pela desgraçada e envergonhativa nota em prol do fundamentalismo islâmico.


UMA PERGUNTINHA – O Ministério dos Negócios Estrangeiros mudou de nome e de missão?


DESABAFO - Se Bill Gates visitasse Portugal todas as semanas tínhamos o Governo a tomar medidas positivas constantemente…


APROVEITAR – Este sábado, pelas 16h00, no CCB, o fotógrafo José Maçãs de Carvalho fala sobre a sua obra e o seu universo criativo. Algumas das suas imagens podem ser vistas no mesmo local, na exposição BESphoto.


LER – A história recente da transformação da Lego e da sua entrada no mundo virtual e de alta tecnologia, na edição deste mês da revista norte-americana «Wired» (também disponível em www.wired.com) .


OUVIR – Um grupo de artistas de New Orleans juntou-se depois do furacão e gravou este disco que reflecte a diversidade e a riqueza dos estilos musicais da cidade. É um testemunho de criatividade no meio das ruínas, é uma autêntica história da música da cidade. Inclui participações de Eddie Bo, Carol Fran, Allen Toussaint, Wild Magnólias e da Louisiana Philarmonic Orchestra, entre outros.
CD Elekta Nonesuch/Warner.


PROVAR – O velho e clássico Senhor Sebastião, do Cantinho da Paz, a S.Bento, tomou conta do restaurante da Casa de Goa, perto do Palácio das Necessidades, Calçada do Livramento 17, telefone 219 301 712. Ali se podem provar os petiscos que fizeram a fama do Cantinho, num sítio simpático e onde se estaciona com facilidade.


BACK TO BASICS - A liberdade de cada um termina onde começa a do próximo.
O ESTIMADO CLIENTE


Um inquérito recente a cidadãos estrangeiros que vivem em Portugal tinha um dado curioso. Interrogados sobre a qualidade dos serviços, a maioria dos inquiridos dizia que esperava que fosse introduzida concorrência no fornecimento de energia eléctrica a particulares para poder deixar de ser cliente da EDP. Percebo bem o problema: para a EDP o estimado cliente serve apenas para pagar as facturas, de preferência pagando adiantado e sem refilar muito. Que a energia falhe, seja instável, que as facturas de estimativa tenham pouca correspondência com a realidade e outros pormenores do género são detalhes de somenos importância.

Nos últimos meses assisto muito interessado à discussão sobre o futuro modelo de governação da EDP e correspondentes alterações na sua administração. Muito curiosamente não vejo ninguém da empresa a preocupar-se com o serviço que é prestado, com a assistência aos clientes.

Dir-me-ão que não é caso único. Pois não, mas curiosamente há uma matriz: os piores casos de desrespeito pelo cliente vêm, na generalidade, de empresas que eram exclusivamente de capitais públicos e que existiam como monopólios estatais na sua área. Quem não tem reclamações da PT e seu universo, da Gás de Portugal e seu rol de subsidiárias, das empresas de fornecimento de águas ou da EDP? Como é que empresas desta dimensão tratam de forma tão má – abusiva mesmo - os seus clientes?

Esta área da atenção dada aos clientes, do equilíbrio dos tarifários, da qualidade do serviço prestado devia ser vigiada e regulada por alguém. José Sócrates bem que podia recuperar para o seu Governo a dinâmica de defesa dos consumidores que teve quando foi Ministro com a tutela dessa área.

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O ESTIMADO CLIENTE


Um inquérito recente a cidadãos estrangeiros que vivem em Portugal tinha um dado curioso. Interrogados sobre a qualidade dos serviços, a maioria dos inquiridos dizia que esperava que fosse introduzida concorrência no fornecimento de energia eléctrica a particulares para poder deixar de ser cliente da EDP. Percebo bem o problema: para a EDP o estimado cliente serve apenas para pagar as facturas, de preferência pagando adiantado e sem refilar muito. Que a energia falhe, seja instável, que as facturas de estimativa tenham pouca correspondência com a realidade e outros pormenores do género são detalhes de somenos importância.

Nos últimos meses assisto muito interessado à discussão sobre o futuro modelo de governação da EDP e correspondentes alterações na sua administração. Muito curiosamente não vejo ninguém da empresa a preocupar-se com o serviço que é prestado, com a assistência aos clientes.

Dir-me-ão que não é caso único. Pois não, mas curiosamente há uma matriz: os piores casos de desrespeito pelo cliente vêm, na generalidade, de empresas que eram exclusivamente de capitais públicos e que existiam como monopólios estatais na sua área. Quem não tem reclamações da PT e seu universo, da Gás de Portugal e seu rol de subsidiárias, das empresas de fornecimento de águas ou da EDP? Como é que empresas desta dimensão tratam de forma tão má – abusiva mesmo - os seus clientes?

Esta área da atenção dada aos clientes, do equilíbrio dos tarifários, da qualidade do serviço prestado devia ser vigiada e regulada por alguém. José Sócrates bem que podia recuperar para o seu Governo a dinâmica de defesa dos consumidores que teve quando foi Ministro com a tutela dessa área.

fevereiro 05, 2006

Guerra de sexos – Cerca de metade dos 98 milhões de espectadores de um dos maiores eventos desportivos em televisão, a Superbowl, são mulheres, revela um estudo recente. Ora acontece que a publicidade dos intervalos tem sido quase exclusivamente dirigida ao público masculino – mas este ano as coisas vão mudar com os sabonetes Dove e com a Anheuser – Busch, que irá fazer um spot dirigido para as mulheres que gostam de cerveja.


Lojas – A News Corporation de Rupert Murdoch está a desenvolver a sua actividade de colocação de espaço publicitário em 35 000 lojas e, através da News America, está já a assinar contratos, que vão até dois anos de exclusivo pela utilização de todo o espaço de publicidade e promoção de produtos utilizável dentro dos estabelecimentos comerciais afiliados. A operação rende cerca de 300 milhões de dólares por ano à News America.


Record – 2005 foi o ano desta década em que maior número de companhias da lista das 1000 mais da Fortune mudou de CEO. Ao todo foram 129 novas nomeações (entre as quais a HP e a Sony), contra 98 em 2004 e 57 em 2000. A vida média de um CEO no cargo anda agora nos 54 meses, nada mau comparado com os 23 meses de vida média de um responsável de marketing das grandes companhias.


Exemplo irlandês –Novo canal de televisão na Irlanda dentro em breve. Trata-se do Channel 6, resultado do interesse de um conjunto de investidores privados que juntaram 14 milhões de euros para assegurar o capital inicial do canal, que emitirá em sinal aberto, por cabo e satélite, com as receitas provenientes da publicidade. A grelha baseia-se em séries norte-americanas, filmes e entretenimento. O alvo é o público entre os 15 e 35 anos.


Concorrência – A Google que se cuide . A Yahoo News é uma página informativa organizada de forma exemplar (news.yahoo.com), fornecendo o melhor da actualidade mas também reportagens exclusivas e uma ronda por algumas colaborações via blog.


O melhor da semana – a série de medidas de desburocratização anunciadas por José Sócrates. Se se cumprirem num prazo razoável será dos maiores avanços para fazer o país avançar.


O pior da semana – as reportagens patéticas e de poesia de pacotilha a propósito dos nevõezitos de há uns dias atrás.


Para ler – A edição de Fevereiro da revista «Atlântico», a primeira dirigida por Paulo Pinto de Mascarenhas, focada no resultado das presidenciais e com um belíssimo artigo de Rui Ramos muito apropriadamente intitulado «A esquerda já não mora lá». Descubram o resto em qualquer banca de jornais perto de si e em www.revista-atlantico.com .


Para navegar – O recém criado blogue www.o-espectro.blogspot.com , da autoria conjunta de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente. É obrigatório ler todos os dias a prosa – aqui ainda mais solta – de VPV. Se mantiverem o ritmo de escrita dos primeiros dias promete ser dos sítios mais animados da blogosfera.


Para ouvir – O álbum de estreia dos norte-americanos Clap Your Hands Say Yeah , uma banda que cresceu na Internet e que fez um disco onde uma voz que evoca em alguns momentos David Byrne se mistura com influências dos Cure, Smiths e de um bom número de sonoridades dos anos 80. Vale a pena descobrir um álbum que tem canções como «Over And Over Again (Lost & Found) » ou «Upon This Tidal Wave Of Young Blood». Sempre é uma boa alternativa à enchente de Mozart que de repente se abateu sobre nós.


Para beber – A Happy Hour do Bar Garrett, no Bairro Alto Hotel, Largo de Camões. Lisboa ganhou um daqueles sítios onde apetece acabar o dia antes de começar a noite, um bar confortável, com uma decoração irrepreensível, boa música de fundo e uma mezzanine com uns sofás irresistíveis e tentadores.


Uma perguntinha – Como se chama a um entrevistador que escolhe sempre a mesma pessoa para entrevistar e usa sempre o mesmo estilo?


Desabafo – oposição, procura-se.


Back To Basics – Estude o passado se quer saber como vai ser o futuro, Confúcio.

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Guerra de sexos – Cerca de metade dos 98 milhões de espectadores de um dos maiores eventos desportivos em televisão, a Superbowl, são mulheres, revela um estudo recente. Ora acontece que a publicidade dos intervalos tem sido quase exclusivamente dirigida ao público masculino – mas este ano as coisas vão mudar com os sabonetes Dove e com a Anheuser – Busch, que irá fazer um spot dirigido para as mulheres que gostam de cerveja.


Lojas – A News Corporation de Rupert Murdoch está a desenvolver a sua actividade de colocação de espaço publicitário em 35 000 lojas e, através da News America, está já a assinar contratos, que vão até dois anos de exclusivo pela utilização de todo o espaço de publicidade e promoção de produtos utilizável dentro dos estabelecimentos comerciais afiliados. A operação rende cerca de 300 milhões de dólares por ano à News America.


Record – 2005 foi o ano desta década em que maior número de companhias da lista das 1000 mais da Fortune mudou de CEO. Ao todo foram 129 novas nomeações (entre as quais a HP e a Sony), contra 98 em 2004 e 57 em 2000. A vida média de um CEO no cargo anda agora nos 54 meses, nada mau comparado com os 23 meses de vida média de um responsável de marketing das grandes companhias.


Exemplo irlandês –Novo canal de televisão na Irlanda dentro em breve. Trata-se do Channel 6, resultado do interesse de um conjunto de investidores privados que juntaram 14 milhões de euros para assegurar o capital inicial do canal, que emitirá em sinal aberto, por cabo e satélite, com as receitas provenientes da publicidade. A grelha baseia-se em séries norte-americanas, filmes e entretenimento. O alvo é o público entre os 15 e 35 anos.


Concorrência – A Google que se cuide . A Yahoo News é uma página informativa organizada de forma exemplar (news.yahoo.com), fornecendo o melhor da actualidade mas também reportagens exclusivas e uma ronda por algumas colaborações via blog.


O melhor da semana – a série de medidas de desburocratização anunciadas por José Sócrates. Se se cumprirem num prazo razoável será dos maiores avanços para fazer o país avançar.


O pior da semana – as reportagens patéticas e de poesia de pacotilha a propósito dos nevõezitos de há uns dias atrás.


Para ler – A edição de Fevereiro da revista «Atlântico», a primeira dirigida por Paulo Pinto de Mascarenhas, focada no resultado das presidenciais e com um belíssimo artigo de Rui Ramos muito apropriadamente intitulado «A esquerda já não mora lá». Descubram o resto em qualquer banca de jornais perto de si e em www.revista-atlantico.com .


Para navegar – O recém criado blogue www.o-espectro.blogspot.com , da autoria conjunta de Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente. É obrigatório ler todos os dias a prosa – aqui ainda mais solta – de VPV. Se mantiverem o ritmo de escrita dos primeiros dias promete ser dos sítios mais animados da blogosfera.


Para ouvir – O álbum de estreia dos norte-americanos Clap Your Hands Say Yeah , uma banda que cresceu na Internet e que fez um disco onde uma voz que evoca em alguns momentos David Byrne se mistura com influências dos Cure, Smiths e de um bom número de sonoridades dos anos 80. Vale a pena descobrir um álbum que tem canções como «Over And Over Again (Lost & Found) » ou «Upon This Tidal Wave Of Young Blood». Sempre é uma boa alternativa à enchente de Mozart que de repente se abateu sobre nós.


Para beber – A Happy Hour do Bar Garrett, no Bairro Alto Hotel, Largo de Camões. Lisboa ganhou um daqueles sítios onde apetece acabar o dia antes de começar a noite, um bar confortável, com uma decoração irrepreensível, boa música de fundo e uma mezzanine com uns sofás irresistíveis e tentadores.


Uma perguntinha – Como se chama a um entrevistador que escolhe sempre a mesma pessoa para entrevistar e usa sempre o mesmo estilo?


Desabafo – oposição, procura-se.


Back To Basics – Estude o passado se quer saber como vai ser o futuro, Confúcio.

janeiro 30, 2006

DIA ATLÂNTICO
Não esquecer: terça feira 31 de Janeiro sai nas bancas o novo número da revista Atlântico, agora dirigida por Paulo Pinto de Mascarenhas. Explorem o site e vejam o blogue. E não se esqueçam de comprar, ler, divulgar.

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DIA ATLÂNTICO
Não esquecer: terça feira 31 de Janeiro sai nas bancas o novo número da revista Atlântico, agora dirigida por Paulo Pinto de Mascarenhas. Explorem o site e vejam o blogue. E não se esqueçam de comprar, ler, divulgar.
NEVÃO
Já estou um bocadinho farto de tanta poesia de pacotilha feita sobre os nevões de Domingo.

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NEVÃO
Já estou um bocadinho farto de tanta poesia de pacotilha feita sobre os nevões de Domingo.

janeiro 28, 2006

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MANUAL DA CONSPIRAÇÃO


Passo a passo José Sócrates vai concluindo a estratégia que metodicamente traçou para limpar o seu próprio partido de quaisquer veleidades de oposição ao rumo que quer prosseguir. Os resultados eleitorais de Domingo são um dos passos com maiores consequências: por um lado garantem-lhe estabilidade governativa desde que cumpra um programa de reformas que em boa medida desagrada ao seu próprio partido (a votação em Alegre é disso prova provada); e, por outro, permitiu-lhe finalmente eliminar o posicionamento de Mário Soares como figura tutelar do PS, além de ter dado xeque mate a um conjunto importante de personalidades que constituíram o núcleo duro da candidatura; finalmente sacrificou Jorge Coelho no altar dos votos pela segunda vez consecutiva (a primeira foi nas autárquicas).

Antes disso, é bom recordar, desfizera-se de boa parte da oposição interna no processo eleitoral para as autarquias, deixando Carrilho, Francisco Assis e João Soares esturricarem em lume brando. No último ano Sócrates foi o único a vencer eleições, todos os outros que o PS apresentou as perderam - e estrondosamente.

O único ponto aparentemente imprevisto foi a teimosia de Alegre em concorrer e o resultado que obteve. Resta saber como Alegre irá gerir o capital político que esses 20% de votos lhe dão, resta saber se ele será capaz de lançar uma oposição interna, de esquerda, contra as reformas de Sócrates – que muitos no PS consideram de direita.

Por via das dúvidas Sócrates preferiu logo na noite eleitoral impor a sua voz à de Alegre – ninguém acredita que na vasta equipa de assessores de que se rodeia ninguém soubesse o que estava a acontecer e ninguém o avisasse, ninguém acredita que não houvesse televisões ligadas na sede o PS. Para além da derrota de Soares, a marca da noite eleitoral foi Sócrates a calar Alegre. É o que se vai passar a partir de agora.
MANUAL DA CONSPIRAÇÃO


Passo a passo José Sócrates vai concluindo a estratégia que metodicamente traçou para limpar o seu próprio partido de quaisquer veleidades de oposição ao rumo que quer prosseguir. Os resultados eleitorais de Domingo são um dos passos com maiores consequências: por um lado garantem-lhe estabilidade governativa desde que cumpra um programa de reformas que em boa medida desagrada ao seu próprio partido (a votação em Alegre é disso prova provada); e, por outro, permitiu-lhe finalmente eliminar o posicionamento de Mário Soares como figura tutelar do PS, além de ter dado xeque mate a um conjunto importante de personalidades que constituíram o núcleo duro da candidatura; finalmente sacrificou Jorge Coelho no altar dos votos pela segunda vez consecutiva (a primeira foi nas autárquicas).

Antes disso, é bom recordar, desfizera-se de boa parte da oposição interna no processo eleitoral para as autarquias, deixando Carrilho, Francisco Assis e João Soares esturricarem em lume brando. No último ano Sócrates foi o único a vencer eleições, todos os outros que o PS apresentou as perderam - e estrondosamente.

O único ponto aparentemente imprevisto foi a teimosia de Alegre em concorrer e o resultado que obteve. Resta saber como Alegre irá gerir o capital político que esses 20% de votos lhe dão, resta saber se ele será capaz de lançar uma oposição interna, de esquerda, contra as reformas de Sócrates – que muitos no PS consideram de direita.

Por via das dúvidas Sócrates preferiu logo na noite eleitoral impor a sua voz à de Alegre – ninguém acredita que na vasta equipa de assessores de que se rodeia ninguém soubesse o que estava a acontecer e ninguém o avisasse, ninguém acredita que não houvesse televisões ligadas na sede o PS. Para além da derrota de Soares, a marca da noite eleitoral foi Sócrates a calar Alegre. É o que se vai passar a partir de agora.
Pela segunda vez em meia dúzia de meses os aparelhos partidários foram confrontados por campanhas eleitorais que fugiram ao seu controlo. Nas autárquicas isso aconteceu com estrondo, nem sempre pelas melhores razões, e agora nas presidenciais o estrondo ainda foi maior. Como bem faz notar Pacheco Pereira o problema não é apenas português mas é forçoso pensar em como resolver a questão da participação na vida democrática – para um número crescente de pessoas os partidos não são o melhor veículo para isso.


Nestas eleições houve vencedores claros, como Cavaco, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa – mas também Sócrates que por muito que diga obteve o resultado que melhor jeito lhe dá para a sua estratégia pessoal: a derrota de Soares, um Presidente eleito com quem tem mais em comum do que aquilo que pode parecer e finalmente uma rude machadada no velho aparelho do PS, o que foi criado por Mário Soares e hoje é muito simbolizado por Jorge Coelho – Soares, Coelho e Francisco Louçã foram aliás os derrotados da noite.


Um outro fenómeno político interessante foi a clivagem entre o PSD e Carmona Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa. O líder social-democrata do grupo do PSD na Assembleia Municipal, Vítor Gonçalves, fez aprovar por unanimidade – unanimidade, note-se - uma moção a criticar o facto de a Associação de Turismo de Lisboa, com a bênção da maioria da vereação e do Presidente e Vice-Presidente, ter entregue a Jorge Coelho a coordenação de um grupo de trabalho para definir as grandes linhas estratégicas para o turismo em Lisboa. A nomeação de Coelho – um dos grande paladinos do aeroporto da Ota – tinha causado surpresa. A iniciativa da Assembleia Municipal veio desfazer o golpe palaciano e obrigou Jorge Coelho a demitir-se.


Nem quero entrar na bizantina discussão sobre se Sócrates sabia (ou devia saber) o que se estava a passar no universo dos protagonistas eleitorais quando decidiu falar na noite de Domingo. Mas no mínimo é terrível que os responsáveis das emissões de todas as televisões tenham passado do directo de um candidato que foi a votos para um líder partidário, que por acaso é Primeiro Ministro. É um triste retrato dos critérios editoriais, que infelizmente se pautam pela bitola do poder. Alegre era o fenómeno das eleições, o estrito ponto de vista noticioso devia levar a ouvi-lo. Cada vez mais a informação televisiva se pauta por motivos que têm pouco a ver com a notícia. Já agora não resisto a uma nota final: em termos informativos uma das derrotadas da noite foi Anabela Mendes a funcionária da SIC que, mais uma vez, fez uma cobertura opinativa e sectária - «biased» é o termo que melhor se aplica ao seu trabalho.


A VER – No CCB a exposição dos candidatos ao prémio Bes Photo 2005. Obras de António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Sendo o universo da fotografia contemporânea um dos mais confusos – e um dos mais dados a mistificações- esta selecção é curiosa porque tem de tudo um pouco: do truque puro e simples à evocação de outras imagens ou à exarcebação do olhar. Para mim fica na memória o que vi de José Maçãs de Carvalho. O resto podia ter sido visto noutro prémio qualquer, noutra circunstância, até noutro suporte. Em exposição até 5 de Março.


A VISITAR – Pedro Luz tem inegável talento na construção e reformulação de espaços e o seu novo Zocco (no local onde era o Indochina, nas docas) é bem a prova disso. O Zocco assenta num conceito de imagem, iluminação e decoração muito bem escolhido para o local e garantidamente é um sítio agradável e confortável. Sendo um restaurante terá que se falar de comida – mas aí não há muito a dizer. O menu é de inspiração italiana – e inspiração é mesmo a palavra que descreve a situação. A confecção é mediana, as escolhas são corriqueiras. Mas na verdade o Zocco vive do ambiente e não exclusiva ou principalmente da comida. O serviço é atencioso, a sala é muito bonita. Mais do que um restaurante o Zocco encaixa dentro daquele categoria de locais abrangidos pelo conceito de entertainment food. E aí resulta em cheio.


A OUVER – Ouvir e ver o «Barbeiro de Sevilha» no DVD filmado no Teatro Real de Madrid, numa co-produção com o nosso S.Carlos, com Pietro Spagnoli como Fígaro, Maria Bayo como Rosina e Juan Diego Florez como Conde de Almaviva. O DVD tem ainda uma intorudção a esta ópera de Rossini muito bem estruturada e está filmado em Alta Definição. Edição Decca.


BACK TO BASICS – A ilusão é o primeiro de todos os prazeres, Oscar Wilde.

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Pela segunda vez em meia dúzia de meses os aparelhos partidários foram confrontados por campanhas eleitorais que fugiram ao seu controlo. Nas autárquicas isso aconteceu com estrondo, nem sempre pelas melhores razões, e agora nas presidenciais o estrondo ainda foi maior. Como bem faz notar Pacheco Pereira o problema não é apenas português mas é forçoso pensar em como resolver a questão da participação na vida democrática – para um número crescente de pessoas os partidos não são o melhor veículo para isso.


Nestas eleições houve vencedores claros, como Cavaco, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa – mas também Sócrates que por muito que diga obteve o resultado que melhor jeito lhe dá para a sua estratégia pessoal: a derrota de Soares, um Presidente eleito com quem tem mais em comum do que aquilo que pode parecer e finalmente uma rude machadada no velho aparelho do PS, o que foi criado por Mário Soares e hoje é muito simbolizado por Jorge Coelho – Soares, Coelho e Francisco Louçã foram aliás os derrotados da noite.


Um outro fenómeno político interessante foi a clivagem entre o PSD e Carmona Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa. O líder social-democrata do grupo do PSD na Assembleia Municipal, Vítor Gonçalves, fez aprovar por unanimidade – unanimidade, note-se - uma moção a criticar o facto de a Associação de Turismo de Lisboa, com a bênção da maioria da vereação e do Presidente e Vice-Presidente, ter entregue a Jorge Coelho a coordenação de um grupo de trabalho para definir as grandes linhas estratégicas para o turismo em Lisboa. A nomeação de Coelho – um dos grande paladinos do aeroporto da Ota – tinha causado surpresa. A iniciativa da Assembleia Municipal veio desfazer o golpe palaciano e obrigou Jorge Coelho a demitir-se.


Nem quero entrar na bizantina discussão sobre se Sócrates sabia (ou devia saber) o que se estava a passar no universo dos protagonistas eleitorais quando decidiu falar na noite de Domingo. Mas no mínimo é terrível que os responsáveis das emissões de todas as televisões tenham passado do directo de um candidato que foi a votos para um líder partidário, que por acaso é Primeiro Ministro. É um triste retrato dos critérios editoriais, que infelizmente se pautam pela bitola do poder. Alegre era o fenómeno das eleições, o estrito ponto de vista noticioso devia levar a ouvi-lo. Cada vez mais a informação televisiva se pauta por motivos que têm pouco a ver com a notícia. Já agora não resisto a uma nota final: em termos informativos uma das derrotadas da noite foi Anabela Mendes a funcionária da SIC que, mais uma vez, fez uma cobertura opinativa e sectária - «biased» é o termo que melhor se aplica ao seu trabalho.


A VER – No CCB a exposição dos candidatos ao prémio Bes Photo 2005. Obras de António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Sendo o universo da fotografia contemporânea um dos mais confusos – e um dos mais dados a mistificações- esta selecção é curiosa porque tem de tudo um pouco: do truque puro e simples à evocação de outras imagens ou à exarcebação do olhar. Para mim fica na memória o que vi de José Maçãs de Carvalho. O resto podia ter sido visto noutro prémio qualquer, noutra circunstância, até noutro suporte. Em exposição até 5 de Março.


A VISITAR – Pedro Luz tem inegável talento na construção e reformulação de espaços e o seu novo Zocco (no local onde era o Indochina, nas docas) é bem a prova disso. O Zocco assenta num conceito de imagem, iluminação e decoração muito bem escolhido para o local e garantidamente é um sítio agradável e confortável. Sendo um restaurante terá que se falar de comida – mas aí não há muito a dizer. O menu é de inspiração italiana – e inspiração é mesmo a palavra que descreve a situação. A confecção é mediana, as escolhas são corriqueiras. Mas na verdade o Zocco vive do ambiente e não exclusiva ou principalmente da comida. O serviço é atencioso, a sala é muito bonita. Mais do que um restaurante o Zocco encaixa dentro daquele categoria de locais abrangidos pelo conceito de entertainment food. E aí resulta em cheio.


A OUVER – Ouvir e ver o «Barbeiro de Sevilha» no DVD filmado no Teatro Real de Madrid, numa co-produção com o nosso S.Carlos, com Pietro Spagnoli como Fígaro, Maria Bayo como Rosina e Juan Diego Florez como Conde de Almaviva. O DVD tem ainda uma intorudção a esta ópera de Rossini muito bem estruturada e está filmado em Alta Definição. Edição Decca.


BACK TO BASICS – A ilusão é o primeiro de todos os prazeres, Oscar Wilde.

janeiro 24, 2006

BLOCO PROCURA CAUSAS
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.

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BLOCO PROCURA CAUSAS
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.

janeiro 23, 2006

A NEWSLETTER DO AMARAL
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.

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A NEWSLETTER DO AMARAL
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.
DESCULPE...
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário

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DESCULPE...
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário
RECORDA-ME O SEU NOME, POR FAVOR?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?

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RECORDA-ME O SEU NOME, POR FAVOR?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?
MUDANÇAS
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.

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MUDANÇAS
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.

janeiro 22, 2006

O PODER DA ARTE


Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.

Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.

Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.

O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.

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O PODER DA ARTE


Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.

Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.

Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.

O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.
A ESQUINA DO RIO 131

MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.

PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.

O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.

O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.

PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.

PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .

PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.

PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.

GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.

UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?

BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).

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A ESQUINA DO RIO 131

MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.

PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.

O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.

O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.

PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.

PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .

PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.

PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.

GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.

UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?

BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).

janeiro 14, 2006

CAMPANHA ELEITORAL – Nunca uma campanha custou tanto a passar, nunca foi tão monótona e aborrecida, desde o cinzentismo fundamentalista de Louçã até às birras de Soares – quem anda na campanha dele bem pode escrever um livro no fim para ajudar a perceber as variações de humor, a mania da perseguição, as declarações intempestivas, as acções irreflectidas. Se mais razões não houvesse bastavam estes últimos dias de campanha de Soares para ver o que não faz falta em Belém.

O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.

A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.

SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.

COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.

COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.

ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.

NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.

LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».

VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).

COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.

DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.

BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.

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CAMPANHA ELEITORAL – Nunca uma campanha custou tanto a passar, nunca foi tão monótona e aborrecida, desde o cinzentismo fundamentalista de Louçã até às birras de Soares – quem anda na campanha dele bem pode escrever um livro no fim para ajudar a perceber as variações de humor, a mania da perseguição, as declarações intempestivas, as acções irreflectidas. Se mais razões não houvesse bastavam estes últimos dias de campanha de Soares para ver o que não faz falta em Belém.

O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.

A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.

SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.

COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.

COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.

ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.

NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.

LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».

VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).

COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.

DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.

BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.
LISBOA OUTRA VEZ

Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.

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LISBOA OUTRA VEZ

Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.

janeiro 08, 2006

OUTRAS TELEVISÕES
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.

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OUTRAS TELEVISÕES
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.

janeiro 01, 2006

REVISÃO DA MATÉRIA DADA

Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.

Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.

Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.

Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».

Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.

Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.

Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.

Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.

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REVISÃO DA MATÉRIA DADA

Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.

Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.

Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.

Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».

Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.

Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.

Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.

Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.

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UMA CIDADE DESAPARECIDA

Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.
UMA CIDADE DESAPARECIDA

Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.