Pela segunda vez em meia dúzia de meses os aparelhos partidários foram confrontados por campanhas eleitorais que fugiram ao seu controlo. Nas autárquicas isso aconteceu com estrondo, nem sempre pelas melhores razões, e agora nas presidenciais o estrondo ainda foi maior. Como bem faz notar Pacheco Pereira o problema não é apenas português mas é forçoso pensar em como resolver a questão da participação na vida democrática – para um número crescente de pessoas os partidos não são o melhor veículo para isso.
Nestas eleições houve vencedores claros, como Cavaco, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa – mas também Sócrates que por muito que diga obteve o resultado que melhor jeito lhe dá para a sua estratégia pessoal: a derrota de Soares, um Presidente eleito com quem tem mais em comum do que aquilo que pode parecer e finalmente uma rude machadada no velho aparelho do PS, o que foi criado por Mário Soares e hoje é muito simbolizado por Jorge Coelho – Soares, Coelho e Francisco Louçã foram aliás os derrotados da noite.
Um outro fenómeno político interessante foi a clivagem entre o PSD e Carmona Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa. O líder social-democrata do grupo do PSD na Assembleia Municipal, Vítor Gonçalves, fez aprovar por unanimidade – unanimidade, note-se - uma moção a criticar o facto de a Associação de Turismo de Lisboa, com a bênção da maioria da vereação e do Presidente e Vice-Presidente, ter entregue a Jorge Coelho a coordenação de um grupo de trabalho para definir as grandes linhas estratégicas para o turismo em Lisboa. A nomeação de Coelho – um dos grande paladinos do aeroporto da Ota – tinha causado surpresa. A iniciativa da Assembleia Municipal veio desfazer o golpe palaciano e obrigou Jorge Coelho a demitir-se.
Nem quero entrar na bizantina discussão sobre se Sócrates sabia (ou devia saber) o que se estava a passar no universo dos protagonistas eleitorais quando decidiu falar na noite de Domingo. Mas no mínimo é terrível que os responsáveis das emissões de todas as televisões tenham passado do directo de um candidato que foi a votos para um líder partidário, que por acaso é Primeiro Ministro. É um triste retrato dos critérios editoriais, que infelizmente se pautam pela bitola do poder. Alegre era o fenómeno das eleições, o estrito ponto de vista noticioso devia levar a ouvi-lo. Cada vez mais a informação televisiva se pauta por motivos que têm pouco a ver com a notícia. Já agora não resisto a uma nota final: em termos informativos uma das derrotadas da noite foi Anabela Mendes a funcionária da SIC que, mais uma vez, fez uma cobertura opinativa e sectária - «biased» é o termo que melhor se aplica ao seu trabalho.
A VER – No CCB a exposição dos candidatos ao prémio Bes Photo 2005. Obras de António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Sendo o universo da fotografia contemporânea um dos mais confusos – e um dos mais dados a mistificações- esta selecção é curiosa porque tem de tudo um pouco: do truque puro e simples à evocação de outras imagens ou à exarcebação do olhar. Para mim fica na memória o que vi de José Maçãs de Carvalho. O resto podia ter sido visto noutro prémio qualquer, noutra circunstância, até noutro suporte. Em exposição até 5 de Março.
A VISITAR – Pedro Luz tem inegável talento na construção e reformulação de espaços e o seu novo Zocco (no local onde era o Indochina, nas docas) é bem a prova disso. O Zocco assenta num conceito de imagem, iluminação e decoração muito bem escolhido para o local e garantidamente é um sítio agradável e confortável. Sendo um restaurante terá que se falar de comida – mas aí não há muito a dizer. O menu é de inspiração italiana – e inspiração é mesmo a palavra que descreve a situação. A confecção é mediana, as escolhas são corriqueiras. Mas na verdade o Zocco vive do ambiente e não exclusiva ou principalmente da comida. O serviço é atencioso, a sala é muito bonita. Mais do que um restaurante o Zocco encaixa dentro daquele categoria de locais abrangidos pelo conceito de entertainment food. E aí resulta em cheio.
A OUVER – Ouvir e ver o «Barbeiro de Sevilha» no DVD filmado no Teatro Real de Madrid, numa co-produção com o nosso S.Carlos, com Pietro Spagnoli como Fígaro, Maria Bayo como Rosina e Juan Diego Florez como Conde de Almaviva. O DVD tem ainda uma intorudção a esta ópera de Rossini muito bem estruturada e está filmado em Alta Definição. Edição Decca.
BACK TO BASICS – A ilusão é o primeiro de todos os prazeres, Oscar Wilde.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
janeiro 28, 2006
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Pela segunda vez em meia dúzia de meses os aparelhos partidários foram confrontados por campanhas eleitorais que fugiram ao seu controlo. Nas autárquicas isso aconteceu com estrondo, nem sempre pelas melhores razões, e agora nas presidenciais o estrondo ainda foi maior. Como bem faz notar Pacheco Pereira o problema não é apenas português mas é forçoso pensar em como resolver a questão da participação na vida democrática – para um número crescente de pessoas os partidos não são o melhor veículo para isso.
Nestas eleições houve vencedores claros, como Cavaco, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa – mas também Sócrates que por muito que diga obteve o resultado que melhor jeito lhe dá para a sua estratégia pessoal: a derrota de Soares, um Presidente eleito com quem tem mais em comum do que aquilo que pode parecer e finalmente uma rude machadada no velho aparelho do PS, o que foi criado por Mário Soares e hoje é muito simbolizado por Jorge Coelho – Soares, Coelho e Francisco Louçã foram aliás os derrotados da noite.
Um outro fenómeno político interessante foi a clivagem entre o PSD e Carmona Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa. O líder social-democrata do grupo do PSD na Assembleia Municipal, Vítor Gonçalves, fez aprovar por unanimidade – unanimidade, note-se - uma moção a criticar o facto de a Associação de Turismo de Lisboa, com a bênção da maioria da vereação e do Presidente e Vice-Presidente, ter entregue a Jorge Coelho a coordenação de um grupo de trabalho para definir as grandes linhas estratégicas para o turismo em Lisboa. A nomeação de Coelho – um dos grande paladinos do aeroporto da Ota – tinha causado surpresa. A iniciativa da Assembleia Municipal veio desfazer o golpe palaciano e obrigou Jorge Coelho a demitir-se.
Nem quero entrar na bizantina discussão sobre se Sócrates sabia (ou devia saber) o que se estava a passar no universo dos protagonistas eleitorais quando decidiu falar na noite de Domingo. Mas no mínimo é terrível que os responsáveis das emissões de todas as televisões tenham passado do directo de um candidato que foi a votos para um líder partidário, que por acaso é Primeiro Ministro. É um triste retrato dos critérios editoriais, que infelizmente se pautam pela bitola do poder. Alegre era o fenómeno das eleições, o estrito ponto de vista noticioso devia levar a ouvi-lo. Cada vez mais a informação televisiva se pauta por motivos que têm pouco a ver com a notícia. Já agora não resisto a uma nota final: em termos informativos uma das derrotadas da noite foi Anabela Mendes a funcionária da SIC que, mais uma vez, fez uma cobertura opinativa e sectária - «biased» é o termo que melhor se aplica ao seu trabalho.
A VER – No CCB a exposição dos candidatos ao prémio Bes Photo 2005. Obras de António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Sendo o universo da fotografia contemporânea um dos mais confusos – e um dos mais dados a mistificações- esta selecção é curiosa porque tem de tudo um pouco: do truque puro e simples à evocação de outras imagens ou à exarcebação do olhar. Para mim fica na memória o que vi de José Maçãs de Carvalho. O resto podia ter sido visto noutro prémio qualquer, noutra circunstância, até noutro suporte. Em exposição até 5 de Março.
A VISITAR – Pedro Luz tem inegável talento na construção e reformulação de espaços e o seu novo Zocco (no local onde era o Indochina, nas docas) é bem a prova disso. O Zocco assenta num conceito de imagem, iluminação e decoração muito bem escolhido para o local e garantidamente é um sítio agradável e confortável. Sendo um restaurante terá que se falar de comida – mas aí não há muito a dizer. O menu é de inspiração italiana – e inspiração é mesmo a palavra que descreve a situação. A confecção é mediana, as escolhas são corriqueiras. Mas na verdade o Zocco vive do ambiente e não exclusiva ou principalmente da comida. O serviço é atencioso, a sala é muito bonita. Mais do que um restaurante o Zocco encaixa dentro daquele categoria de locais abrangidos pelo conceito de entertainment food. E aí resulta em cheio.
A OUVER – Ouvir e ver o «Barbeiro de Sevilha» no DVD filmado no Teatro Real de Madrid, numa co-produção com o nosso S.Carlos, com Pietro Spagnoli como Fígaro, Maria Bayo como Rosina e Juan Diego Florez como Conde de Almaviva. O DVD tem ainda uma intorudção a esta ópera de Rossini muito bem estruturada e está filmado em Alta Definição. Edição Decca.
BACK TO BASICS – A ilusão é o primeiro de todos os prazeres, Oscar Wilde.
Nestas eleições houve vencedores claros, como Cavaco, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa – mas também Sócrates que por muito que diga obteve o resultado que melhor jeito lhe dá para a sua estratégia pessoal: a derrota de Soares, um Presidente eleito com quem tem mais em comum do que aquilo que pode parecer e finalmente uma rude machadada no velho aparelho do PS, o que foi criado por Mário Soares e hoje é muito simbolizado por Jorge Coelho – Soares, Coelho e Francisco Louçã foram aliás os derrotados da noite.
Um outro fenómeno político interessante foi a clivagem entre o PSD e Carmona Rodrigues na Câmara Municipal de Lisboa. O líder social-democrata do grupo do PSD na Assembleia Municipal, Vítor Gonçalves, fez aprovar por unanimidade – unanimidade, note-se - uma moção a criticar o facto de a Associação de Turismo de Lisboa, com a bênção da maioria da vereação e do Presidente e Vice-Presidente, ter entregue a Jorge Coelho a coordenação de um grupo de trabalho para definir as grandes linhas estratégicas para o turismo em Lisboa. A nomeação de Coelho – um dos grande paladinos do aeroporto da Ota – tinha causado surpresa. A iniciativa da Assembleia Municipal veio desfazer o golpe palaciano e obrigou Jorge Coelho a demitir-se.
Nem quero entrar na bizantina discussão sobre se Sócrates sabia (ou devia saber) o que se estava a passar no universo dos protagonistas eleitorais quando decidiu falar na noite de Domingo. Mas no mínimo é terrível que os responsáveis das emissões de todas as televisões tenham passado do directo de um candidato que foi a votos para um líder partidário, que por acaso é Primeiro Ministro. É um triste retrato dos critérios editoriais, que infelizmente se pautam pela bitola do poder. Alegre era o fenómeno das eleições, o estrito ponto de vista noticioso devia levar a ouvi-lo. Cada vez mais a informação televisiva se pauta por motivos que têm pouco a ver com a notícia. Já agora não resisto a uma nota final: em termos informativos uma das derrotadas da noite foi Anabela Mendes a funcionária da SIC que, mais uma vez, fez uma cobertura opinativa e sectária - «biased» é o termo que melhor se aplica ao seu trabalho.
A VER – No CCB a exposição dos candidatos ao prémio Bes Photo 2005. Obras de António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Sendo o universo da fotografia contemporânea um dos mais confusos – e um dos mais dados a mistificações- esta selecção é curiosa porque tem de tudo um pouco: do truque puro e simples à evocação de outras imagens ou à exarcebação do olhar. Para mim fica na memória o que vi de José Maçãs de Carvalho. O resto podia ter sido visto noutro prémio qualquer, noutra circunstância, até noutro suporte. Em exposição até 5 de Março.
A VISITAR – Pedro Luz tem inegável talento na construção e reformulação de espaços e o seu novo Zocco (no local onde era o Indochina, nas docas) é bem a prova disso. O Zocco assenta num conceito de imagem, iluminação e decoração muito bem escolhido para o local e garantidamente é um sítio agradável e confortável. Sendo um restaurante terá que se falar de comida – mas aí não há muito a dizer. O menu é de inspiração italiana – e inspiração é mesmo a palavra que descreve a situação. A confecção é mediana, as escolhas são corriqueiras. Mas na verdade o Zocco vive do ambiente e não exclusiva ou principalmente da comida. O serviço é atencioso, a sala é muito bonita. Mais do que um restaurante o Zocco encaixa dentro daquele categoria de locais abrangidos pelo conceito de entertainment food. E aí resulta em cheio.
A OUVER – Ouvir e ver o «Barbeiro de Sevilha» no DVD filmado no Teatro Real de Madrid, numa co-produção com o nosso S.Carlos, com Pietro Spagnoli como Fígaro, Maria Bayo como Rosina e Juan Diego Florez como Conde de Almaviva. O DVD tem ainda uma intorudção a esta ópera de Rossini muito bem estruturada e está filmado em Alta Definição. Edição Decca.
BACK TO BASICS – A ilusão é o primeiro de todos os prazeres, Oscar Wilde.
janeiro 24, 2006
BLOCO PROCURA CAUSAS
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.
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BLOCO PROCURA CAUSAS
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.
Leio nos jornais que o Bloco de Esquerda procura causas para o seu descalabro eleitoral e que culpa Alegre da descida, acusando-o de roubar votos. Pois é, parlamentarizou-se mesmo o bloquinho, perdeu a graça, diminuíu o folclore, parece um daqueles meninos muito bem comportados a querer parecer crescido. Enquanto Louçã se interroga sobre o sucedido, Miguel Portas deve estar a olhar para tudo isto com ar divertido. E enigmático.
janeiro 23, 2006
A NEWSLETTER DO AMARAL
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.
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A NEWSLETTER DO AMARAL
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.
O «Actual» do «Expresso» transformou-se numa espécie de newsletter sobre as intenções do vereador de Cultura de Lisboa, José Amaral Lopes. No sábado passado foi a vez de anunciar a dinamização do Parque Mayer. Aguarda-se ansiosamente ver quanto custa, o que acontece, como acontece e quando acontece.
DESCULPE...
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário
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DESCULPE...
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário
Aceitam-se palpites: isto é análise política ou uma verdade de La Palisse?:
«Pedro Santana Lopes, ex-líder do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva só ganhou as eleições presidenciais à primeira volta devido à ausência de um outro candidato à direita», in Portugal Diário
RECORDA-ME O SEU NOME, POR FAVOR?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?
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RECORDA-ME O SEU NOME, POR FAVOR?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?
Joana Amaral Dias, mandatária da juventude de Mário Soares não deve ser a mesma que assina uma coluna na última página do Diário de Notícias. Se fosse a mesma, hoje certamente falaria do resultado das eleições e não do reaparaceimento de Bin Laden. Como se chama esta que escreve para o jornal?
MUDANÇAS
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.
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MUDANÇAS
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.
O País mudou. Já não é líquido que a esquerda seja maioritária, o axioma dos últimos 30 anos foi posto em causa.
O país mudou. Soares acabou e não tinha dado por isso. Não gerou nem empatia, nem simpatia. Só o núcleo duro socialista se reviu nele.
O país mudou. Os partidos deixaram de controlar os eleitores.
janeiro 22, 2006
O PODER DA ARTE
Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.
Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.
Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.
O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.
Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.
Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.
Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.
O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.
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O PODER DA ARTE
Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.
Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.
Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.
O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.
Na mesma semana em que a Fundação de Serralves trouxe até aos corredores de S.Bento uma demonstração da vitalidade da arte contemporânea, a Ministra da Cultura foi ao Parlamento fazer um exercício de como exercer o poder sobre os criadores artísticos. Não deixa de ser curioso que, no mesmo tempo e no mesmo local, se confrontem a imaginação e a arbitrariedade. Este Ministério da Cultura está marcado pela ignorância e pelo abuso, pela promiscuidade entre as nomeações políticas e os saneamentos de conveniência. Esta Ministra da Cultura já ganhou um lugar na História e não foi pelas boas razões.
Não deixa de ser paradoxal que um Primeiro Ministro que teve cuidado e sageza a escolher um assessor cultural para o seu Gabinete, tenha escolhido para o Palácio da Ajuda a encarnação viva de um elefante em loja de porcelanas. Alguma coisa não bate certa nesta equação: um dos dois é um erro de casting – ou o assessor ou a Ministra.
Como a política é cada vez mais o reino do silêncio, da hipocrisia e da conveniência, temo que o assunto demore a ser esclarecido, até porque de todo o lado falta a coragem para assumir a consciência dos actos e, sobretudo, das convicções.
O Governo quer um Ministério da Cultura que exerça poder sobre a imaginação, ou pretende uma política que fomente a criatividade e a inovação? Nos tempos que correm as relações entre o Poder e a Cultura são cada vez mais confusas. O Poder sempre gostou de seduzir a Cultura e de a usar; mas nunca tinha praticado o sadismo de forma tão clara e empenhada.
A ESQUINA DO RIO 131
MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.
PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.
O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.
O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.
PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.
PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .
PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.
PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.
GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.
UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?
BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).
MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.
PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.
O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.
O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.
PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.
PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .
PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.
PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.
GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.
UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?
BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).
Untitled
A ESQUINA DO RIO 131
MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.
PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.
O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.
O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.
PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.
PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .
PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.
PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.
GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.
UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?
BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).
MICRO SÉRIE- A cadeia de televisão norte-americana CBS vai lançar no dia 24 de Janeiro uma micro-série de nove episódios, todos com menos de um minuto cada, e que passarão diariamente nos primeiros intervalos de séries célebres como «CSI» ou «Criminal Minds» até ao dia 1 de Fevereiro. A série é integralmente patrocinada pelos automóveis Pontiac, chama-se «The Courier» e estará disponível on line e também em telemóveis. Esta série conta a história de um homem que tenta salvar a mulher, que foi raptada e que para isso passa por aventuras extraordinárias e desafia constantemente a morte. Cada episódio termina com um anúncio do novo Pontiac Torrent.
PUBLICIDADE - Os investimentos publicitários nos Estados Unidos devem aumentar 5,4 por cento em 2006 para um total de 152,3 mil milhões de dólares, com os maiores aumentos a verificarem-se noa canais de televisão latinos, Internet e televisão por cabo. O investimento nas televisões generalistas deve ser de apenas 4,5 por cento, segundo um estudo da TNS Media Intelligence.
O MELHOR DA SEMANA – A programação de sexta-feira passada do Canal 1, em que a RTP mostrou o que é ser serviço público, com uma noite em prime time toda em português e com qualidade: essa grande série que é «Bocage» (que interpretação a de Nicolau Breyner!) e o filme «Milagre Segundo Salomé». E o resultado do dia foi melhor que o de um dos canais privados…Nuno Santos, que dirige o canal, e Maria de São José, que foi responsável pela produção de «Bocage», estão de parabéns.
O PIOR DA SEMANA – Mário Soares a fazer promessas baseado em garantias que invoca terem-lhe sido dadas por um Ministro. No fundo é a confirmação de um darwinismo muito «sui generis» - a evolução de candidato presidencial a porta-voz do executivo.
PRÉMIO INOVAÇÃO – Para o site da candidatura de Cavaco Silva, orientado por Diogo Vasconcelos, afastado da UMIC pelo actual Governo, e que deu um exemplo de acessibilidade na net a pessoas com dificuldades de comunicação acrescidas. E já agora que estou a falar em eleições gostava que as coisas se resolvessem à primeira volta: seria a prova provada de que o país mudou mais depressa que aquilo que os velhos políticos acreditam. Uma vitória de Cavaco no Domingo seria também uma derrota dos velhos do Restelo de várias matizes que por aí abundam.
PARA VER – As exposições da Lisboarte, que arrancam este sábado 21 pelas 16 horas. Dezasseis galerias inauguram exposições em simultâneo com a divulgação de trabalhos artísticos nas áreas da pintura, desenho e fotografia. Informações detalhadas em www.lisboarte.com .
PARA OUVIR – Natasha Bedingfield é uma deslumbrante loura de olhos azuis que canta divinalmente canções pop perfeitas como só alguém oriundo do Reino Unido consegue – veja-se o caso de Robbie Williams. O seu álbum «Unwritten» é um testemunho da vitalidade da música popular e a canção que o tornou notado, «These Words», é um manual de como fazer uma canção, com a ajuda de Byron, Shelley e Keats. Na realidade graças à elegância da sua melodia, nascida dos rythm and blues, Natasha merece mesmo a vossa atenção. Ideal para tirar o ruído que há-de abundar no próximo Domingo eleitoral.
PARA LER – A edição de 9 de Janeiro da «New Yorker», por causa de um artigo e de um portfolio fotográfico, ambos sobre o Furacão Katrina. A reportagem chama-se «Delugeds» e é escrita por Dan Baum e aborda a questão na demora dos alertas e da reacão das autoridades. O portfolio «The Waste Land» é de Robert Polidori e mostra o estado dos locais depois de a água ter desaparecido. São fotografias a cores cuidadas e pensadas, muito elaboradas do ponto de vista da luz, intensas e vividas, furiosamente anti-neutras. Nos antípodas de muita coisa que por aí aparece a querer reivindicar o estatuto de fotografia.
GULODICE – Uma romã, devidamente desmanchada, temperada com mel e canela. É uma sobremesa desta época, um fim de noite fantástico e simples como todas as coisas boas da vida.
UMA PERGUNTINHA – Porque é que o Primeiro Ministro se aborreceu com a revelação sobre os entraves à entrada do MIT em Portugal, feita pelo ex-coordenador do Plano Tecnológico, José Tavares, ao ponto de lhe atirar à cara a sua condição de funcionário público e de frisar que não lhe cabe a ele falar dessas coisas mas sim ao Governo?
BACK TO BASICS – Todos comem e bebem, mas são poucos os que sabem distinguir os sabores (Confúcio).
janeiro 14, 2006
CAMPANHA ELEITORAL – Nunca uma campanha custou tanto a passar, nunca foi tão monótona e aborrecida, desde o cinzentismo fundamentalista de Louçã até às birras de Soares – quem anda na campanha dele bem pode escrever um livro no fim para ajudar a perceber as variações de humor, a mania da perseguição, as declarações intempestivas, as acções irreflectidas. Se mais razões não houvesse bastavam estes últimos dias de campanha de Soares para ver o que não faz falta em Belém.
O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.
A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.
SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.
COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.
COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.
ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.
NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.
LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».
VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).
COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.
DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.
BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.
O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.
A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.
SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.
COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.
COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.
ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.
NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.
LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».
VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).
COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.
DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.
BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.
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CAMPANHA ELEITORAL – Nunca uma campanha custou tanto a passar, nunca foi tão monótona e aborrecida, desde o cinzentismo fundamentalista de Louçã até às birras de Soares – quem anda na campanha dele bem pode escrever um livro no fim para ajudar a perceber as variações de humor, a mania da perseguição, as declarações intempestivas, as acções irreflectidas. Se mais razões não houvesse bastavam estes últimos dias de campanha de Soares para ver o que não faz falta em Belém.
O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.
A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.
SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.
COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.
COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.
ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.
NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.
LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».
VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).
COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.
DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.
BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.
O PAÍS MUDOU – Quando acabar este momento eleitoral algumas pessoas vão perceber que de 1974 para cá o país mudou mesmo, que as realidades antigas são diferentes. Quem hoje tem 30 anos nasceu já depois do fim da ditadura. De forma crescente, nos actos eleitorais dos últimos cinco anos, percebe-se como o voto tem sido flutuante, como já não é certo que exista uma maioria sociológica de esquerda ou de direita. O voto hoje é mais pragmático e menos ideológico – muitos políticos ainda não perceberam isso e não é com chavões antigos que se conseguem vitórias. Basta olhar para as imagens das acções de campanha de Soares: são semelhantes às do PC – uma base de apoio predominantemente envelhecida.
A GUERRA AOS JORNALISTAS – Outro aspecto da mesma questão é guerra aos jornalistas que sectores da esquerda lançaram nesta campanha, pela primeira vez de forma clara. Convém perceber porquê: é que de facto a protecção disfarçada e a simpatia clara que costumam ser mairitárias na comunicação para com a esquerda, também vai mudando. Já se apontam os defeitos à esquerda – coisa dantes impensável, já se mostram maus planos, já se fazem ironias sobre os discursos – tudo matéria que até há poucos anos era reservada apenas à direita. A esse nível melhorou-se o pluralismo: agora já começam a levar todos por igual. É disto que Maria Barroso e Soares se queixam – estavam habituados a serem intocáveis.
SONDAGENS – Mais uma vez, como em anteriores eleições, vale a pena consultar regularmente o blog www.margensdeerro.blogspot.com onde Pedro Magalhães faz regularmente as comparações entre as tendências das várias sondagens, a evolução dos respectivos resultados e salienta as principais linhas de força que se manifestam.
COISA BOA DA SEMANA – A nomeação de Francisco José Viegas para a Casa Fernando Pessoa.
COISA MÁ DA SEMANA – O saneamento de António Lagarto do Teatro Nacional D. Maria II pelos ocupantes do Ministério da Cultura.
ALERTA – A revista «Atlântico» vai mudar e o novo director, Paulo Pinto de Mascarenhas, prepara já algumas surpresas na sua primeira edição, de Fevereiro. A seguir com atenção.
NOVIDADE GOOGLE – Está em testes o novo serviço Google Vídeo (http://video.google.com/) que apresenta filmes, séries, documentários, videoclips, curtas-metragens, filmes experimentais, enfim toda a gente pode enviar e ver imagens.
LER – Todas as semanas na «Briefing» a nova página «brand taboos», da autoria de Carlos Coelho e Paulo Rocha. Em estreia esta semana «o sexo das marcas».
VER – O magnífico documentário de Martin Scorsese, «No Direction Home – Bob Dylan». Todo o percurso de uma das figuras marcantes da música, da escrita e da consciência social do século XX. Baseado numa entrevista recente a Dylan, o filme utiliza muitas imagens de arquivo, assim como depoimentos de contemporâneos do cantor e muiutos minutos de actuações ao vivo de Dylan. Não é só o retrato de uma época e de uma geração, é também o manual de como fazer um bom documentário biográfico. (2xDVD, distribuído pela Paramount, à venda nas lojas FNAC).
COMER – O velho Alfaia no Bairro Alto foi remodelado (bem remodelado, diga-se), mas continua a ser um grande sítio para jantares de amigos. A comida melhorou substancialmente em relação aos idos dos anos 80, o serviço é simpático mesmo em grupos grandes e no meio da confusão. Ao lado há uma garrafeira que explica como a lista dos vinhos é tão bem fornecida – e nesta garrafeira podem beber-se bons vinhos a copo e comer uns petiscos. Travessa da Queimada 18-24, telefone 21 346 12 32.
DECLARAÇÃO DE VOTO – Não será uma surpresa, mas por via das dúvidas, atendendo à conjuntura e ao desenrolar dos factos, mantenho inalterado o meu voto e gosto que ele seja público: que venha Cavaco Silva para a Presidência da República.
BACK TO BASICS – A Política não pode ser a arte de procurar sarilhos mesmo onde eles não existem.
LISBOA OUTRA VEZ
Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.
Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.
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LISBOA OUTRA VEZ
Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.
Finalmente o resultado eleitoral das autárquicas em Lisboa começou a ter correspondência na gestão da autarquia. Foram precisos três meses para se chegar a um acordo natural, e cuja necessidade era evidente.
O futuro fará a história das pequenas políticas que foram metendo pauzinhos na engrenagem e que dificultaram o que era por demais evidente: a existência natural, à direita, de uma maioria segura e estável.
Como lisboeta esta era uma situação que me arreliava particularmente e não conseguia mesmo perceber a manutenção do desacordo. O que é mais importante: fazer cedências e assegurar um projecto?; ou manter rigidez e desenvolver o imobilismo?.
Uma aliança política pressupõe compromissos, mas se for transparente é melhor – bem melhor – que o governo feito apenas por uma facção. Por isso a entrada do PP e de Maria José Nogueira Pinto para o executivo camarário é uma boa notícia.
Talvez agora se possa começar a desenhar uma estratégia para a cidade, invisível até este momento, para além dos truques da pior velha política que surgiram nestes primeiros meses de mandato.
Nalgumas áreas que me são particularmente caras – como a da Cultura – vejo as declarações programáticas reduzirem-se a anúncios de intenções que apenas satisfazem alguns lóbies numa linha política de cedência a pressões que já caracterizou Amaral Lopes quando foi Secretário de Estado da Cultura. Mas, pior, e mais preocupante, é a manifesta ausência de referências à continuidade de linhas de força estratégicas que vinham dos últimos anos – como o bem sucedido África Festival, que parece ter sido já esquecido. Ainda é cedo para balanços, mas a linha geral que até agora domina é a do espontaneísmo – essa infecciosa manifestação de falta de rumo. Que a coisa se componha é o meu desejo. Sincero.
janeiro 08, 2006
OUTRAS TELEVISÕES
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.
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OUTRAS TELEVISÕES
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.
Diferenças ibéricas: aqui ao lado, em Espanha, o ano que passou viu o nascimento de dois novos canais abertos – a Cuatro e a Seis. Em Portugal continua a parecer uma heresia falar-se na possibilidade de, ainda antes do lançamento da Televisão Digital Terrestre, se possibilitar a abertura de novos canais. E o mero licenciamento de canais destinados a plataformas fechadas continua a ser uma dor de cabeça. Só para termos uma ideia de como o mundo anda mais depressa do que a política permite, vejam-se estes dois casos vindos dos Estados Unidos e que irão deixar marcas na forma como a televisão é distribuída e consumida.
Boas notícias no mundo da TV por banda larga: uma empresa norte-americana, o Starz Entertainment Group (SEG), anunciou esta semana o lançamento do Vongo, um serviço de banda larga que permite distribuir filmes e diverso conteúdo vídeo a computadores baseados no sistema Windows, a alguns dispositivos portáteis compatíveis e a aparelhos de televisão. Os assinantes deste novo serviço, que custa 9.9 dolares norte americanos por mês, terão acesso à emissão do canal Starz TV, feita em streaming, e a um catáologo de mais de mil títulos, entre os quais «The Incredibles», «Pulp Fiction», «Annie Hall» e «Dances With The Wolves», entre outros. Existe uma extensa lista de títulos adicionais que podem ser vistos no sistema de pay-per-view (PPV), ao preço de 3.99 dolares cada um. A SEG estabeleceu já um acordo com a Sony para que o Vongo seja um dos parceiros privilegiados do serviço Connect Vídeo que vai ser brevemente lançado. Por outro lado a Microsoft está a trabalhar estreitamente com a SEG para assegurar que a qualidade de imagem obtida com o Vongo seja uma referência.
Do lado da Apple e do admirável mundo novo do iPod, a Walt Disney anunciou que vai alargar o pacote de oferta no iTunes Music Store. Assim passarão a estar disponíveis conteúdos desportivos dos canais ESPN e ABC Sports, assim como conteúdos dos canais ABC News e ABC Family. O ESPN (uma das maiores operações de televisão baseada em todas as formas de desporto) e a ABC Sports são os primeiros fornecedores de conteúdos de desporto a estabelecerem acordo com a iTunes. O material incluirá versões condensadas de grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente os grandes jogos de baseball e futebol americano, assim como resumos de provas de desportos radicais, entrevistas com grandes atletas e uma série muito premiada de biografias, lançada pela ESPN sob o título «This Is Sports Center». A iTunes vai também disponibilizar séries infantis da Disney como «Kim Possible» e «The Proud Family», além de clássicos como «Os Três Porquinhos» (de 1935) e «A Tartaruga e a Lebre».. Além de tudo isto a ABC News irá fornecer um serviço de vídeo podcasts (emissão em vídeo expressamente feita para iPod’s», que será financiada por publicidade específica e que incluirá segmentos de programas como «Good Morning America» e «World News Tonight»., assim como de «Money Minute» e «Medical Minute». Recordo que este serviço já incluía o download de séries como «Desperate Housewifes», «Lost» e «Commander In Chief», entre outras, ao preço de 1.99 dolares por episódio.
Mudar a audiência de uma estação de forma radical é possível: Em poucos anos Nancy Tellem, a presidente da CBS Paramount, conseguiu transformar uma estação de público envelhecido e predominantemente rural para a estação norte-americana mais vista pelo público urbano entre os 18 e 49 anos – o segmento demográfico mais apetecido. Receitas? – Segundo Tellem, o fundamental foi permanecer fiel à estratégia traçada que era a de apresentar programas de grande qualidade, com capacidade de atracção de audiências, e construir uma grelha programa a programa, segmento a segmento e noite a noite. Nesta linha incluíram-se sitcoms como «Everybody Loves RFaymond», reality-shows como «Survivor» ou séries como «CSI», «Without A Trace» ou «Cold Case». A estação tem mais programas na lista dos 20 mais vistos nos Estados Unidos que qualquer das suas rivais. Claro que não lhe fizeram cortes de orçamento a meio do plano, claro que a deixaram ter autonomia, claro que não interferiram com o seu trabalho.
BACK TO BASICS: Cá se fazem, cá se pagam – a propósito da Iberdola, EDP e Pina Moura.
janeiro 01, 2006
REVISÃO DA MATÉRIA DADA
Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.
Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.
Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.
Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».
Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.
Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.
Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.
Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.
Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.
Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.
Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.
Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».
Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.
Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.
Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.
Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.
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REVISÃO DA MATÉRIA DADA
Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.
Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.
Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.
Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».
Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.
Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.
Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.
Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.
Antes de entrar nas escolhas de 2005, quero deixar um voto para 2006: que em todas as áreas, em todos os sectores, quem decide possa definir de forma clara as prioridades; que a conjuntura não se sobreponha ao médio e longo prazo; que a coragem não se deixe vencer pelo populismo; que a arbitrariedade não se torne no standard da maioria absoluta. Vamos então ao ano que está a terminar.
Comecemos pela música, a portuguesa. Ano pujante, a merecer destaques variados. O primeiro vai para a banda sonora do filme «Alice», composta por Bernardo Sassetti, claramente uma das melhores edições de 2005. Saltando para a área do rock o destaque vai para os Wray Gunn com «eclesiastes 1.11», que este ano teve uma bem merecida internacionalização. No hip hop Boss AC tem a primazia com «Ritmo, Amor e Palavras», uma prova de que alguma da melhor poesia se faz no contexto da música de expressão urbana. O prémio revelação vai para Marta Hugon, com o seu «Tender Trap», um disco de standards de jazz com arranjos subtis, cantados de forma convincente e criativa pela voz de Marta Hugon. Na área da música contemporânea o destaque vai para o colectivo virtual Rocky Marsiano, com o seu «The Pyramid Sessions», que revela um vigor e modernidade que dificilmente encontra paralelo por estas paragens. Finalmente na música clássica o destaque vai inevitavelmente para «Quadros De Uma Exposição» do pianista Domingos António.
Nas músicas mais internacionais escolho momentos variados: No pop destaco o disco «I Am A Bird Now» de Antony And The Johnsons e o regresso de Fiona Apple com «Extrordinary Machine»; no rock, sublinho o segundo disco dos Franz Ferdinand, «You Could Have It So Much Better» e «Guero» de Beck; no hip hop uma chamada de atenção para o inesperado «Think Differently Music - Wu Tang Meets The Indie Culture» dos Wu Tang; na música clássica recordo a «Opera Proibita» de Cecília Bartoli; no jazz escolho colectânea «Get Happy- The Harold Arlen Centennial Celebration» e, entre as edições do ano, o «Flow» de Terence Blanchard.
Por mais voltas que se dê ao texto, um nome incontornável em 2006 é o de José Mourinho. Na edição desta semana da London Review of Books vem uma curiosa recensão de um livro que tenta analisar a razão do êxito de Mourinho como treinador do clube londrino. O livro chama-se «Mourinho: Anatomy Of A Winner», e foi escrito por Patrick Barclay, um jornalista desportivo britânico. Como é que a arrogância natural de Mourinho conseguiu sobreviver numa Grã Bretanha atavicamente pouco dada a atitudes dessas é um dos mistérios que a obra tenta explorar.. Uma pessoa que muito admiro, estimo e aprecio, tem sobre estas matérias uma opinião lapidar. «do desporto à gestão, passando pela política, há uma verdade incontornável: quanto mais se treina, mais sorte se tem».
Para mudar de ares, nas exposições, escolho a fotografia como tema e permito-me destacar três momentos: a retrospectiva de Paulo Nozolino em Serralves, a magnífica (mas mal apresentada) exposição de Joshua Benoliel no contexto da Lisboa Photo, na Cordoaria, e, ainda no contexto da Lisboa Photo, a exposição apresentada na Plataforma Revólver, «Imagens Privadas», comissariada por José Maçãs de Carvalho.
Vou passar quase por cima dos livros – porque esta é a área onde não hão-de faltar balanços. Mas para desassossegar as hostes escolho dois romances. O português, de matriz histórica, é «O Cavaleiro da Águia» de Fernando Campos, uma viagem aos séculos XI e XII da nossa História. Na literatura internacional escolho «Never Let Me Go» (edição portuguesa já disponível, «Nunca Me Deixes»), de Kazuo Ishiguro, um olhar inquieto e perturbador sobre o futuro.
Pois passemos agora à comidinha, à difícil escolha daquele que merece ser considerado como o mais regular, simpático e agradável restaurante de Lisboa durante 2005. Para fazer esta escolha há várias coisas que entram em linha de conta: em primeiro lugar a qualidade da comida, dos ingredientes à confecção; em segundo lugar a criatividade da lista; em terceiro lugar a variedade da garrafeira; em quarto lugar a qualidade do serviço, desde a marcação até à sala; em quarto lugar a relação qualidade-preço. Tendo em linha de conta todas estas variantes não tenho muitas dúvidas em indicar o Restaurante Luca como o que mais merece ser distinguido em 2005. Fica na Rua de Santa Marta 35 ( telefone 21 315 02 12) e se não fosse a dedicação posta pelo seu proprietário em todos os detalhes, a atenção e a simpatia para os clientes, tudo seria diferente. Que o Luca não se estrague é o meu sincero desejo.
Back To Basics: «As pessoas que se gabam de não terem vícios têm muito poucas virtudes» - Abraham Lincoln.
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UMA CIDADE DESAPARECIDA
Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.
Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.
UMA CIDADE DESAPARECIDA
Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.
Lisboa vive no ingrato papel de ser simultaneamente a Capital e a cidade dos lisboetas. Na maior parte do tempo, os lisboetas foram derrotados pelo Estado. Existe uma quase fatal oposição entre aquilo que Lisboa deve ser como cidade, e aquilo que o Estado quer de uma Capital. O Estado olha para Lisboa como um território instrumental, parte de uma política, e não como um fim em si próprio. Quem está à frente da autarquia lisboeta deve pensar exactamente o contrário. E deve fazer afirmar a sua posição.
Nos últimos dez anos Lisboa afirmou-se e bateu o pé, ganhando identidade. No entanto, aquilo que se começa a assistir, agora, é que o Estado toma decisões que condicionam – e às vezes prejudicam – Lisboa. O caso da Ota é exemplar do ponto de vista da arbitrariedade centralista de um Ministro das Obras Públicas que tem um código genético autoritário, protegido por um Primeiro Ministro que tem tendência a ler na cartilha do despotismo iluminado.
A Ota surge em nome do «bem-comum», e aos poucos a iniciativa das questões que envolvem Lisboa passa da Praça do Município para S.Bento.
Até no negócio em torno da colecção Berardo o Primeiro Ministro viu vantagens em afastar as outras partes interessadas, chamando a si os louros da decisão, mais uma vez em nome do diáfano «bem comum».
Uma cidade como Lisboa só pode viver com uma estratégia própria, que a compense dos custos de ser Capital, do que isso traz de desconforto – e de prejuízo – aos seus habitantes. Uma cidade como Lisboa não pode ser governada em S. Bento, género alfinete de peito que se leva no fato de cerimónia para as ocasiões especiais.
Em Lisboa as águas andam demasiado paradas. Por este andar estão inquinadas lá mais para o Verão.
dezembro 27, 2005
A 2:
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
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A 2:
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
Estou a dias de sair da Direcção de Programas da 2:. Saio com a sensação de que cumpri objectivos e consegui que o canal fosse de facto complementar e alternativo. Sensibilizaram-me muito as pavras de Emídio Rangel que hoje, na «TV Guia», considera a Dois como a melhor estação do ano. Também por isto valeu a pena.
A Dois fechou 2004 com um share de 4,4%, e tudo indica que fechará 2005 nos 5%. De facto o nosso share de audiência aumentou 13,6% do ano passado para este.
Para o ano abrem-se boas perspectivas – até porque ao que parece a 2: será o único canal hertziano com programaçãoi infantil nas manhãs dos dias úteis.
Exibimos, produzimos, assegurámos documentários sobre nomes como Agustina Bessa Luis, Luiz Pacheco, Glicínia Quartim, Paula Rego, João Vieira, Luis Serpa, João Pedro Croft, Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Fernanda Botelho e Júlio Pomar.
«Gosto de Ti Como És», de Sílvia Firmino, sobre a Marcha da Bica, ganhou o prémio doclisboa Tóbis, para o melhor documentário português exibido em televisão, obviamente na 2:.
Acaba aqui uma etapa, sem falsas modéstias estou satisfeito com os objectivos atingidos. E recomendo a todos que em 2006 vejam na Dois a série «Rome», co-produzida pela HBO e a BBC. a série mais nomeada para os Globos de Ouro norte-americanos de 2005 e que a 2: assegurou em exclusivo para Portugal há três meses.
dezembro 25, 2005
PRENDAS DE NATAL
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
A GRANDE ILUSÃO
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
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PRENDAS DE NATAL
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
Com o Natal à porta, lembrei-me de escolher algumas prendas, dar-lhes destinatário e ver o que pode acontecer. Aqui vai.
Nada melhor que um clássico para uma figura como o Presidente da República, ainda por cima em fim de mandato. A mais recente edição em português de «Crime e Castigo» de Dostoievsky vem mesmo a calhar para alturas destas.
Para o Primeiro-Ministro tenho uma prendinha singela, muito afeiçoada ao choque tecnológico, que ninguém consegue perceber. Como o assunto passou depois de muitas peripécias para a sua tutela directa, e como não consigo compreender se ele próprio percebe o tal choque, seleccionei um didáctico livrinho para crianças, que me parece muito adequado ao senhor engenheiro: «Um Rapaz Invulgar, O Pequeno Einstein», de Don Brown.
Para o candidato Cavaco Silva encontrei a prenda adequada em «A República», de Platão. Cheira-me que, a ser eleito, lhe pode vir a ser bem útil, sobretudo o diálogo entre Sócrates e Glauco no início da «Alegoria da Caverna».
Para o candidato Mário Soares, em homenagem à rábula que tem desempenhado, proponho a colecção completa dos DVD’s dos Gatos Fedorentos. Nonsense com nonsense se paga. E sinceramente Soares deve ter sido o inspirador do célebre «eles falam, falam, mas não fazem nada».
Para Marques Mendes encontrei um livro que lhe pode ser muito útil, o mais recente lançamento de Marcelo Rebelo de Sousa, as «Crónicas da Revolução». Pode ser que assim Marques Mendes possa começar a ficar com uma ideia do que se tem passado no país e como se chegou aqui. Andei à procura de algum livro sobre «Como Fazer Oposição», mas depois pareceu-me que qualquer coisa feita pelo Professor Marcelo tem sempre alguma utilidade nessa matéria.
Para Marcelo Rebelo de Sousa juntei um pacotinho de bilhetes de cinema para ele poder ver dez vezes seguidas «O Fatalista», de Diderot, versão João Botelho. Assim sempre pode comparar um filme português sobre a obra do enciclopedista francês com as suas próprias crónicas e ver as semelhanças (que são maiores que as diferenças…)
Para o Ministro da Economia, Manuel de Pinho, não posso encontrar melhor sugestão do que «Portugal Genial», a compilação das crónicas de Carlos Coelho, publicadas no «Diário Económico», para ver se ele consegue ter alguma imagem positiva e construtiva sobre o país. A bem dizer, se pudesse, enviava o dito livrinho a todos os membros do Governo e a todos os líderes partidários – a ver se percebem que estão em Portugal e se vêem o que por cá existe.
Para o Ministro das Obras Públicas ofereço uma caixa gigante do sistema de montagens Meccano, para ver se ele se entretém a fazer as construções que quer sem chatear ninguém nem levar o país à desgraça. Complemento a coisa com uma construção da linha tecnológica da Lego para ver se ele se começa a adequar às modernices.
Para o Ministro das Finanças ofereço uma calculadora e um livro sobre os resultados do choque fiscal na Irlanda, assim como uma cópia do Orçamento de Estado daquele país para ele comparar as taxas dos impostos lá e cá, e confrontar resultados.
Para o Ministro da Justiça acho que a prenda mais adequada seria a sua participação num «reality-show» que o fizesse passar por todo o processo de uma acusação e de um julgamento. Nalguns casos ele não há nada como a experiência para se poder saber bem como as coisas são na realidade.
Para o Ministro da Administração Interna uma inscrição com lugar assegurado na próxima série da «Primeira Companhia». Ele é sempre bom poder sentir o que é o dia a dia do treino militar e um Ministro deve estar preparado para isso. E depois, sempre ganhava alguma notoriedade, que perdeu desde que está naquele lugar.
Para os Directores Gerais do Ministério da Cultura ofereço, a cada um, uma lupa para ver se descobrem a Ministra, ou sinais dos seus actos ou pensamentos. Ainda pensei em oferecer uma caixa com a primeira série do «CSI», mas depois pareceu-me que era capaz de fazer pensar demais.
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A GRANDE ILUSÃO
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
Tornou-se lugar comum dizer que o Presidente da República não tem poderes. Um dos candidatos, Mário Soares, especializou-se em tocar nessa tecla contra um dos seus adversários, argumentando que o Presidente não governa e não pode prometer nada. Ora a questão não é bem essa: na verdade, não governando, o Presidente pode facilitar ou dificultar a governação. Mário Soares foi especialista na matéria: dissolveu uma vez o Parlamento e, depois, inventou as Presidências Abertas que foram acções de guerrilha contra o executivo na maior parte dos casos. Correram tão bem que Soares conseguiu, há dez anos, deixar Belém com o seu objectivo cumprido: colocar o PS em S. Bento. Não é coisa pouca – e o que está a fazer agora, forçando a sua candidatura sabendo que divide o PS, é a cobrança dos actos passados.
Quando se fizer o balanço do consulado Sampaio verificar-se-à como ele privilegiou determinados sectores contra outros, como não foi imparcial.
Na realidade o Presidente tem mais poder do que aquilo que se faz crer hoje em dia, mesmo que os seus poderes concretos sejam discretos. Os Presidentes têm influenciado, forçado decisões, promovido até nomeações.
Um aspecto curioso da questão é que na esmagadora maioria dos casos, nos consulados Soares e Sampaio, os Presidentes têm usado as suas prerrogativas para, sobretudo, mostrarem o que está mal e não funciona. Estão evidentemente no seu direito. Mas não deixaria de ser curioso que, para variar, pudessem também sugerir formas de progredir, apresentassem propostas para o país, trabalhassem com os Governos para melhorar o estado geral das coisas e não para o piorar. Será isto utópico?
dezembro 17, 2005
O ACIDENTAL
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
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O ACIDENTAL
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
Queridos e queridas leitores e leitoras: tenho a honra e o prazer de anunciar que a partir desta data passei a colaborar na mais maravilhosa obra da blogosfera lusitana, O Acidental, uma criação do Paulo Pinto de Mascarenhas, que com a sua generosidade abriu as portas do seu esopaço a alguns convidados, nos quais, a partir de agora, abusivamente me incluo. Aqui, na Esquina, continuarão a ler os artigos publicados na imprensa e alguns posts mais pessoais. Mas cedo os direitos da obra bloguístuica inédita para O ACIDENTAL.Façam o favor de visitar o local.
SOBRE OS JORNAIS
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
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SOBRE OS JORNAIS
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
BOAS PERGUNTAS – O editorial da edição de Novembro/Dezembro da «Columbia Journalism Review» («CJR») debruça-se sobre as razões do declínio da imprensa e deixa algumas perguntas no ar, que não resisto a citar: «Na primeira página do vosso jornal quantos títulos são novidade para o leitor? A secção de noticiário local é viva, atraente e criativa? O jornal publica opiniões fortes e controversas? Consegue contextualizar o noticiário para que o leitor vá para além do nevoeiro das aparências? É divertido? A fotografia é atraente e inesperada? O site do jornal na web é mais do que a transcrição das notícias e permite que o leitor interpele os jornalistas? Será que você quer mesmo ler um jornal como esse?».
SERVIÇO PÚBLICO – Não certamente por acaso na mesma edição da «Columbia Journalism Review» (http://www.cjr.org ) está um belo artigo sobre um jornal local norte-americano do Estado do Colorado, que conseguiu vencer a crise e está em expansão. Trata-se do «Greeley Tribune», que no último ano promoveu uma série de grandes reportagens cuja publicação se arrastou, em cada caso, por muitas edições. Reportagens longas, profundas, escritas quase como uma novela, sobre temas sociais, defendendo causas, tomando partido, revelando o que estava escondido ou esquecido. O jornal não usa a fórmula do «escândalo das estrelas, notícias curtas, agarrem os jovens» que os consultores de formatação de jornais estandardizaram e em vez disso prefere seguir os seus instintos, sublinha a «CJR». Séries sobre crianças pobres e desprotegidas, as relações com as minorias étnicas, a situação dos deficientes e uma colecção de histórias publicada ao longo de oito meses sobre o aumento do fosso entre ricos e pobres levaram a que o jornal seja este ano a publicação local com maior crescimento, segundo o U.S. Census Bureau. Na realidade o «Tribune» está a mostrar que histórias longas e profundas sobre temas sociais podem fazer vender jornais, e a realidade é que ao longo dos últimos dez anos este é um dos raros jornais do Colorado cuja circulação tem sempre vindo a subir. O editor do «Tribune», Chris Cobler, escreve um blog pessoal onde relata o que se passa à sua volta e criou um painel de aconselhamento de 850 leitores. Sem arriscar não se ganha, diz ele.
PRIORIDADES – A intervenção de Belmiro de Azevedo no almoço do Clube Português de Imprensa desta semana foi exemplar, ao sublinhar que Portugal continua sem uma orientação estratégica clara e ao criticar a prioridade dada aos investimentos na OTA e no TGV. Para Belmiro mais valia pôr a funcionar e rentabilizar ao máximo o que existe, em vez de embarcar em aventuras de rentabilidade duvidosa. E deixou uma boa piada no ar, que dá que pensar: se o TGV se vai construir para satisfazer compromissos estabelecidos com Espanha, a quem interessa um acesso fácil e rápido ao mercado português, porque não se deixa serem os espanhóis a construí-lo?
DESABAFO I - Ele há coincidências terríveis: o slogan «Sempre Presente», utilizado pela candidatura de Mário Soares, já tinha sido a palavra de ordem da campanha de Fátima Felgueiras nas recentes eleições autárquicas, depois do seu apressado regresso do Brasil.
DESABAFO II - Toda a história em volta do processo da Casa Pia é escandalosa e vergonhosa demais. Pelo andar da carruagem os miúdos que foram abusados vão ser os únicos a serem apontados a dedo na praça pública.
OUVIR – A banda sonora do elogiado e aclamado filme de Ang Lee, «Brokeback Mountain», a história do amor proibido entre dois cowboys ao longo de 30 anos, é um épico de «country music» incontornável. Esta banda sonora, em cuja concepção o próprio Ang Lee participou, foi dirigida por Gustavo Santaolalla e tem participações inéditas de nomes como Steve Earle, Willie Nelson, Emmylou Harris, Rufus Wainwright, Teddy Thompson, Jackie Green e Linda Ronstadt. Primam o botão repeat e fiquem a ouvir o disco horas a fio. CD Verve, distribuído por Universal Music.
Back To Basics –«Perdoem sempre aos vossos inimigos, nada os irrita tanto», Óscar Wilde.
SONDADOR PROPAGANDISTA
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
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SONDADOR PROPAGANDISTA
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
Qualquer jornalista que trabalhe na área da política nacional sabe quem é o porta-voz de uma empresa de sondagens que gosta de confidenciar os pré resultados dos seus trabalhos de campo quer a líderes partidários, quer a directores de campanhas, quer aos próprios jornalistas.
Acresce que nestas questões devia - como em tudo na política - existir um primado de ética: quem é parte interessada não devia ser responsável de sondagens. Para chamar as coisas pelo nome, nunca se sabe se Rui Oliveira e Costa fala como dirigente partdário ou «talking head» de uma empresa de sondagens. Nunca me esquecerei que esse senhor foi quem, há uns anos atrás, era eu editor de política nacional de uma agência de notícias, me ameaçou de represálias por não publicar um comunicado, sem interesse noticioso, de uma tendência sindical a que ele estava ligado. Para mim ficou ali definido o carácter da pessoa.
dezembro 16, 2005
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A POLÍTICA À SOARES
O candidato Soares critica aqueles que criticam os políticos. É fácil perceber porquê: ele foi um dos fundadores desta forma de fazer política, foi ele quem formatou os políticos que andam por aí.
O candidato Soares critica aqueles que criticam os políticos. É fácil perceber porquê: ele foi um dos fundadores desta forma de fazer política, foi ele quem formatou os políticos que andam por aí.
VIGILÂNCIA!
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
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VIGILÂNCIA!
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
Pelos vistou houve lucidez na votação camarária sobre o bacoco projecto de um filme sobre o fado feito por Carlos Saura, uma obra de encomenda propagandística que iria tornar a CML em mais um produtor de cinema à custa de dinheiros públicos.
A mesma reunião aprovou a compra de uns duvidosos arquivos de gravações de fado nas mãos de um negociante inglês que fez fortuna a editar discos de blues e de world music, sem pagar nada aos artistas já que as gravações tinham caído em domínio público. O negócio tem contornos estranhos por isso nunca é demais apontar a dedo a situação e exigir total transparência.
dezembro 09, 2005
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O NELSON
Fracisco Louçã ganhou destacado o prémio DEMAGOGIA 2005 quando evocou o jovem Nelson, de 9 anos, no debate com Cavaco Silva na TVI. Grandioso, Populismo do melhor. E de esquerda, para não sermos sectários.
Fracisco Louçã ganhou destacado o prémio DEMAGOGIA 2005 quando evocou o jovem Nelson, de 9 anos, no debate com Cavaco Silva na TVI. Grandioso, Populismo do melhor. E de esquerda, para não sermos sectários.
dezembro 07, 2005
UM FADO ESPANHOL?
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
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UM FADO ESPANHOL?
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
Não tenho nada, mas mesmo nada, contra a intensificação das relações com Espanha e até acho que todos teríamos a ganhar se elas fossem alargadas. Mas entendo que esse alargamento, desejável, deve ser alicerçado na defesa das respectivas identidades culturais e não num pot-pourri ibérico. Em Espanha, aliás, cada uma das regiões soube bem impôr a savaguarda das suas culturas. O caminho para uma união livre passa por estabelecer princípios claros.
Vem isto a propósito de o novo vereador da Cultura de Lisboa ter feito uma inesperada apologia de um velho projecto de encomendar ao realizador espanhol Carlos Saura um filme sobre o Fado. A história é antiga: Carlos do Carmo teria ficado seduzido pela forma como Saura conseguiu filmar o flamenco e achou, enquanto membro da Comissão para a classificação do fado Como Património Artístico da Humanidade, que devia ser ele a fazer o filme promocional da candidatura. Eu sempre achei que isto era uma daquelas ideias pacóvias, falsamente cosmopolitas, e que falhava no básico: Saura filmou bem o flamenco porque o sente; pela mesmíssima razão devia procurar-se um realizador português que sentisse o Fado – sem ser nostálgico, capaz de uma visão universal, capaz de dar alma ao filme. As escolhas possíveis são muitas e tenho na cabeça meia dúzia de nomes que garantidamente fariam muito bom serviço. O facto de a Câmara Municipal de Lisboa se propôr ser co-produtora de um filme (na realidade pouco mais que um curto documentário...) sobre o fado, realizado por Carlos Saura não augura nada de bom. E é um insulto aos realizadores portugueses.
Na mesma entrevista onde se revela apologista de Saura, o mesmo vereador diz muito contente que vai comprar a célebre colecção de discos de fado de um editor britânico especialista em fazer edições de registos que já caíram em domínio público, o senhor Bruce Bastin. Estive ligado em tempos a este processo e fiquei com três certezas: a colecção não é nem de perto tão boa como os seus vendedores apregoam; o preço que pediam era exageradíssimo e fora dos valores do mercado internacional para estas operações (o que se está a comprar é apenas um suporte físico, parte dele degradado, e todo ele arcaico e analógico que nada garante não esteja já duplicado digitalmente algures); e existiam contornos estranhos no negócio, que levavam a que o dinheiro dos contribuintes eventualmente usado na compra do espólio viesse a servir para financiar actividades privadas, pior ainda fora do controlo de entidades oficiais. Aguardemos para ver o que acontece: se tudo é claro, transparente, e na defesa do interesse público.
Finalmente não resisto a comentar uma outra intenção da mesma entrevista, à «Actual», do Expresso. Ficámos a saber que o Vereador da Cultura, José Manuel Amaral Lopes, aposta numa rêde de salas de cinema digitais e até na produção de cinema. Estou mesmo a ver mais um saco de subsídios a nascer, mais um desbaratar improdutivo de dinheiros públicos. Não é com mais subsídios que se resolvem os problemas, é procurando novos investimentos. Se em vez destas medidas avançasse com uma Film Commission para Lisboa, à semelhança do que existe em Madrid ou Paris? Por outro lado, antes de começar a fazer coisas novas – e de prioridade duvidosa – mais valia garantir que as que existem possam funcionar: esse é o maior problema que existe na área de Cultura da autarquia lisboeta.
E agora uma coisa boa: uma grande companhia para as noites deste Dezembro é o DVD «The Ultimate Collection» da grande Billie Holiday. Nesta época em que abundam vozes delico-doces e desinteressantes no chamado soft-vocal jazz, vale a pena ir direito à origem das coisas e ouvir a grande senhora dos Blues, Billie Holiday, desaparecida há 45 anos. Estas gravações, extraídas de programas de televisão e de filmes de finais dos anos 50, incluem grandes interpretações de temas como «Saddest Tale» (no filme homónimo com Duke Ellington), «I Cover The Waterfront», «Fine And Mellow» (com Lester Young) e «My Man». O DVD inclui ainda gravações feitas para programas de rádio, assim como algumas raras entrevistas radiofónicas da grande senhora dos Blues. Um DVD Verve, distribuído pela Universal.
Back To Basics – É melhor copiar o que é bom, do que inventar mal.
PRÉ CAMPANHA
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
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PRÉ CAMPANHA
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
Mais emotiva que racional, o retrato da pré campanha das presidenciais resume-se a um jogo entre duas equipas, uma com quatro jogadores, outra com um apenas. Enquanto se persistir em olhar para o passado e discutir termos tão genéricos como esquerda e direita, sem concretizar propostas e programas, o que acontece é que se deixa de falar no futuro. O regime em que vivemos - este regime de descrédito de políticos e partidos - foi criado e formatado por um dos candidatos, Soares. A pré-campanha é a réplica do formato cabotino em que o país caíu. Não havia necessidade nenhuma de isto continuar a ser assim.
dezembro 02, 2005
A CONFUSÃO NACIONAL
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
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A CONFUSÃO NACIONAL
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
Em grande parte das democracias da União Europeia o espectro partidário é marcado por um grande partido à direita e um grande partido à esquerda. Com o triunfo de algumas ideias liberais alguns dos partidos à esquerda têm-se reposicionado no centro – como é o caso dos Trabalhistas britânicos e, alguns partidos de direita, têm adoptado políticas sociais, fazendo o mesmo caminho em sentido inverso. Este é o quadro-resumo da tendência política na Europa e a recente união na acção entre a CDU e o SPD na Alemanha consubstancia um pouco a tendência que parece dominante – acaba por ser mais um pacto de regime do que uma coligação no sentido tradicional do termo.
A situação em Portugal – que ainda hoje é o retrato emergente do 25 de Novembro de há 30 anos atrás – é a de um partido socialista que de facto é social-democrata, de um Partido Social-Democrata que foi sempre confuso do ponto de vista ideológico e de um CDS/PP que foi quase sempre mais conservador do que liberal. No fundo temos dois partidos que se tocam e confundem (PS e PSD) e outro que oscila.
Mais marcados pelos seus fundadores e dirigentes – no fundo por personalidades – do que por um ideário e posicionamento claros, os partidos portugueses entraram num período de total confusão – e o resto do sistema político claro que os segue dedicadamente. No fundo o que se está a passar na falta de debate das eleições presidenciais é prova disso mesmo. Cada candidato deve ter um programa em que todos possamos perceber aquilo que cada um pretende estimular, e aquilo que quer contrariar. Para isto não é preciso revisão de poderes presidenciais, apenas frontalidade e clareza. De uma forma ou de outra, todos os presidentes estimulam e contrariam. Mais vale que saibamos antes qual o rumo concreto de cada um.
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