O CCB
A mais elementar justiça deve levar a recordar que o actual estado das coisas no CCB – que de repente se tornou preocupação nacional – vem do extraordinário Dr. Manuel Maria Carrilho, enquanto Ministro da Cultura. Foi ele quem nomeou o actual Presidente e quem fez alterações no modelo de funcionamento anteriormente existente.
Ao longo destes anos acentuou-se o afunilamento dos critérios de programação, ao mesmo tempo que se esvaziaram as parcerias criativas que garantiram muita da imagem de diversidade, hoje elogiada, que era a marca fundadora do CCB. No início da década de 90 assegurei o lançamento do Centro de Espectáculos, de que fui Director. Sei do que falo, dos planos que existiam, recordo-me bem dos autores dos planos e do que foi feito. E, do que não foi.
A partir da segunda metade da década de 90, a Administração do Centro começou a esvaziar as Direcções de conteúdos, chamou a si a decisão executiva, baseada em programadores as mais das vezes sectários e desligados da realidade da gestão de espaços daquela natureza e que curto-circuitavam as Direcções. Demorou uns anos, mas o resultado da inversão do caminho que estava a ser percorrido está agora à vista de todos. E, não é bonito de se ver. É nestas alturas que convém exercitar a memória e procurar a razão das coisas. A propósito, vale a pena ler o belo artigo de Alexandre Pomar na «Actual» do «Expresso» de sábado passado.
O CCB é um equipamento único. A crise em que vive neste momento devia levar a que o seu posicionamento, missão, estratégia e organização fossem repensados. Sem uma mudança profunda o CCB vai viver a chorar-se da crise orçamental e definhará aos poucos. Talvez possa ainda ser evitado.
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
novembro 20, 2005
novembro 18, 2005
TODO O MUNDO É COMPOSTO DE MUDANÇA
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
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TODO O MUNDO É COMPOSTO DE MUDANÇA
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Há pouco menos de três anos, desafiado pelo Luís Marques, Administrador da RTP, comecei a trabalhar no projecto de lançamento de um canal de televisão em sinal aberto, feito em parceria com a sociedade civil, que sucedesse à RTP 2. Foi um projecto empolgante, assumido pela Administração da RTP, que estava incluído nas conclusões do relatório do grupo de trabalho sobre o serviço público de televisão, grupo esse que eu integrei em Junho de 2002. Mas, acima de tudo, foi a concretização de uma ideia provocatória e quase utópica lançada pela Presidente desse grupo, a Helena Vaz da Silva, a quem aqui desejo deixar uma palavra de recordação e saudade.
O projecto arrancou há dois anos, a 4 de Janeiro de 2004, depois de quase um ano de preparação. Foram – sem exagero - tempos fantásticos em que aprendi muitíssimo. Este não foi um projecto pessoal, foi um trabalho de equipa e aí reside a minha convicção de que tem condições para continuar, independentemente de quem o lidera mais directamente.
Quando aceitei este desafio tive claro que, em termos da minha vida profissional, ele devia ter um prazo, suficiente para que o projecto pudesse implantar-se, mas limitado no tempo. Acho o que sempre achei: na vida há muito poucas coisas definitivas. Não sou dos quadros da RTP, vim para aqui numa comissão de serviço que encarei como uma missão, nas exactas condições que tinha anteriormente. Essa missão, para mim, terminou. Fiz o melhor que sabia e devo aqui reconhecer publicamente o apoio que sempre tive do Conselho de Administração desta casa, mesmo nos momentos mais difíceis.
Não há projectos perfeitos e este não é excepção certamente. A equipa que tem trabalhado na 2: procurou, dentro dos meios de que dispunha, garantir o máximo de participação das 75 entidades da sociedade civil que estabeleceram protocolos de parceria connosco, procurou obedecer às directrizes do Contrato de Concessão Especial, nomeadamente na participação efectiva da sociedade civil, centrando a emissão na divulgação do conhecimento, numa programação singular para públicos infantis, cuidada e diversificada, na divulgação das expressões culturais e artísticas nacionais, com particular atenção aos cidadãos com dificuldades acrescidas de comunicação, apostando em ser complementar à RTP 1, o principal canal do serviço público de televisão. Produzimos nestes dois anos cerca de 20 documentários e gravámos uma dezena de óperas, concertos, recitais e bailados produzidos em Portugal. Trabalhámos quase exclusivamente com a produção independente.
Seleccionámos e programámos algumas das melhores séries de ficção e documentários da produção internacional que foram exibidas em Portugal neste período. Não fizemos mais que cumprir a nossa obrigação, dentro das condições orçamentais de que dispunhamos e que aceitámos.
Isto foi possível, nomeadamente, porque a Concessão Especial de Serviço Público permitia uma razoável dose de autonomia e abria um horizonte de evolução a médio prazo. É inteiramente legítimo que o accionista, que é o Estado, pretenda alterar o regime de Concessão existente, integrando a 2: na concessão geral de serviço público e limitando a possibilidade dessa evolução. Acontece, no entanto, que não foi nesse contexto que eu vim trabalhar para este projecto. Não faço juízos de valor, não quero fazer disto um drama, mas também não iludo a questão. Acho que chegou a altura de fazer o balanço e sair, abrindo a possibilidade a que outros desenvolvam o caminho, dentro do novo enquadramento e das novas regras que dentro de meses serão estabelecidas, de acordo com o programa do Governo e com as declarações dos seus responsáveis.
Quando a 2: arrancou obteve pouco mais de 3% de share no primeiro mês. Chegámos ao fim de 2004 com 4,4% de share, uma décima abaixo do objectivo que considerava razoável. Tudo indica que concluiremos este ano por volta dos 5% de share – e isto num horizonte de crescimento da penetração do Cabo. Estamos portanto acima dos objectivos traçados, em linha com o orçamento acordado, e sem alterações na tipologia de programação. Temos uma grelha estável, clara, segmentada por públicos, diversificada, mas arrumada e a cumprir horários. Um estudo divulgado esta semana mostra que a 2: foi o canal de sinal aberto que mais aumentou o tempo médio de visionamento e também o que conseguiu bons índices de fidelização de espectadores.
O meu tempo aqui está a chegar ao fim e isso, sinceramente, faz sentido. Projectos destes – de ruptura – precisam de ideias novas e de pessoas que contribuam permanentemente para alargar o que está feito. O meu sincero desejo é que isso aconteça.
Eu regressarei ao que sempre fiz ao longo dos anos, trabalhar em equipas que desenvolvem projectos – mas não é este nem o tempo nem o lugar para falar desse assunto. Para que não existam inquietações, no entanto, desejo deixar claro que a minha intenção de saída foi comunicada à Administração no dia 30 de Setembro, depois de ter aceite um projecto, que não é de televisão nem de produção audiovisual, e ao qual me dedicarei a partir de Janeiro de 2006.
Na 2: o orçamento para 2006 e respectivo plano de actividades ficaram prontos dentro das orientações decorrentes do plano de reestruturação económica e financeira da RTP, a grelha para 2006 ficou desenhada na totalidade e ficou alinhada para o primeiro trimestre do ano. Estão escolhidas e propostas as aquisições internacionais nas áreas infantis, de documentário e ficção, assim como se encontram em fase de elaboração de contrato as produções nacionais existentes e que continuam, assim como alguns novos documentários.
Uma palavra para o Jorge Wemans, que vai continuar o projecto, nestes dois anos trabalhámos nos projectos de parceria da Fundação Gulbenkian com a 2:. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Três notas finais:
Um agradecimento especial às entidades com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar ao longo destes três anos e que demonstraram que afinal alguma sociedade civil havia em Portugal. Permitam-me que personalize este agradecimento nos dois Presidentes do Conselho de Acompanhamento – o anterior, Dr. António Gomes de Pinho, e o actual, Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
Uma palavra muito sentida de agradecimento às áreas da RTP, auxiliares da programação, das auto-promoções à sonoplastia, do grafismo às compras internacionais, dos estudos de audiências às relações institucionais. Se me esqueci de alguém as minhas desculpas. Uma palavra especial para a Antena 2 da RDP, com quem cedo começámos a fazer coisas em conjunto – ainda ontem isso aconteceu na gravação de um recital do pianista Domingos António.
E a minha última palavra – os últimos são sempre os primeiros - vai para a equipa da 2:, a grelha e preparação de emissão, o marketing, os parceiros e os conteúdos partilhados, os infantis, os musicais, as curtas metragens, a produção e o secretariado. Todos aceitaram vir para este projecto contra ventos e marés, sem benesses nem recompensas – antes pelo contrário por vezes – e todos trabalharam de forma entusiástica nesta ideia. Sem eles e elas, nada disto teria sido feito. Muito obrigado a todos. Conheci aqui bons amigos e levo boas recordações. É tempo de mudar, até porque, citando Camões, todo o mundo é composto de mudança.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
novembro 13, 2005
A SEMANA DA PRISA
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
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A SEMANA DA PRISA
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
MUDANÇA – A paisagem audiovisual ibérica mudou com a entrada em cena de um novo canal aberto, a «Cuatro». Vale a pena espreitar o site www.cuatro.com e explorar as informações, ver o grafismo, dar uma olhadela aos conteúdos on line (que incluem alguns programas). O site é muito bom, a Cuatro quer alcançar um share de 5% até ao fim do ano. Tudo isto, por acaso acontece na mesma semana em que a Prisa, detentora da Cuatro, concluíu em Portugal a compra de uma participação significativa na Media Capital. A Prisa passou assim a ser, a partir desta semana, a empresa com maior peso no audiovisual dos dois países ibéricos, de facto controlando duas estações de televisão em sinal aberto, uma em cada um deles, e algumas das mais importantes estações de rádio.
PORTUGAL – No recente Mercado Internacional de Programas de Televisão, que decorreu em Cannes, quase todos os países da União Europeia, incluindo grande parte dos que integraram o mais recente alargamento, estavam representados com stands institucionais. Alguns, como a Espanha, a Irlanda, a Itália, a França, organizaram espaços-umbrella que acolhiam produtores independentes e estações de televisão, e, claro, film commissions. No caso espanhol era o instituto do comércio externo um dos impulsionadores da excelente representação. Portugal continua sem aparecer – nem como produtor, nem como destino de acolhimento de produções – não admira, continuamos sem ter uma Film Commission. Bem pode Pedro Bidarra dizer, com razão, que Portugal devia ser promovido como a California da Europa. O problema é que depois ninguém quer fazer nada por isso. Quase qualquer país dos presentes tinha Film Commissions bem organizadas, com informação sobre vantagens fiscais e outras que permitam atrair investimento. Aqui o ICEP vai fazendo uma Marca Portugal que quase ninguém entende e parece gastar mais energias no mercado interno que no externo. Um bocadinho paradoxal, não é?
É A ECONOMIA – Na próxima quarta feira António Borges e Daniel Bessa são os convidados de mais uma «Noite à Direita – Projecto Liberal», desta vez dedicada à situação económica e inevitavelmente ao Orçamento de Estado. O moderador será Martim Avillez Figueiredo e a bela sala da Sociedade de Geografia, junto ao Coliseu de Lisboa, será o ponto de encontro a partir das 20h30, já jantadinhos se fazem favor. Com participantes destes a discussão promete e a audiência não costuma ser branda nas perguntas e intervenções – como aliás se pretende.
VER –Puxando a brasa à minha sardinha não resisto a recomendar a estreia, hoje, sexta-feira dia 11, pelas 21h00, na 2: de uma série de documentários sobre o quotidiano da vida e da criação artística nos países africanos de expressão portuguesa, Imagináfrica. Hoje o tema é a História da Música Popular de Angola, desde os anos 60 com nomes como Liceu Vieira Dias e os N’Gola Ritmos até aos rappers contemporâneos. A realização é do angolano Jorge António e acreditem que é mesmo um belo documentário.
OUVIR – Acontece-me muito associar discos a momentos e a pessoas. «Let It Die» da canadiana Feist tornou-se num disco muito especial. É certo que a voz quase hipnótica de Feist, a servir poemas invulgarmente ricos, ajuda muito. Delicada e envolvente é irresistível quando canta «it’s the scene you set for new lovers/you play your part painting it a new start». CD Polydor, distribuído pela Universal.
JANTAR – Já aqui falei do Luca, um simpático restaurante italiano no centro de Lisboa. É difícil encontrar uma relação de qualidade-preço tão agradável e com um serviço tão eficaz, como neste local. A comida tem propostas variadas (não exclusivamente italianas), a garrafeira tem boas sugestões a preços razoáveis e o ambiente é descontraído e nada pretencioso. Há poucos dias jantei lá uma excelente sela de borrego com lentilhas e os restantes comensais também gostaram das respectivas escolhas. Para entreter a boca há um bom pão, para molhar em azeite transmontano da melhor qualidade. Nessa noite bebeu-se Chaminé, tinto, e ninguém se arrependeu. Rua de Santa Marta 35, telefone 213 150 212.
BACK TO BASICS – Quem nem o seu próprio partido consegue unir não devia fazer um cartaz a vangloriar-se de ser o melhor para unir os portugueses. Soares, mais uma vez, é só promessas.
novembro 07, 2005
OS NEGÓCIOS DA OTA
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
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OS NEGÓCIOS DA OTA
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
O Governo anunciou que a construção do novo aeroporto na OTA vai avançar. Anunciou-o em jeito de guerra a quem se lhe opõe. Na prática, disse que a OTA avança contra tudo e contra todos. Em parte é assim, mas como existem bastas suspeitas de que também avança porque pode favorecer alguns, é no mínimo de elementar justiça que tudo fique bem transparente.
Para ir direito ao assunto, deve ser esclarecida a questão da propriedade dos terrenos na zona onde eventualmente nascerá o novo aeroporto. Desde que a localização foi anunciada circulam histórias que envolvem muita gente, uma mais pública, outra menos. Para que o regime não se desacredite ainda mais é de elementar bom senso fazer uma investigação séria sobre as trocas de propriedade de terrenos na região nos últimos anos. As suspeitas de que tenha havido utilização de informação privilegiada em negócios imobiliários existem. Para que o boato não se torne incontrolável, nada como apurar a verdade.
Agora, o estilo: o Governo anunciou uma certeza, que nomeadamente tem repercussões em Lisboa, sem ter trabalhado seriamente o assunto com a autarquia. Carmona Rodrigues teve razão no seu discurso de posse – que ao contrário do que alguns disseram não foi essencialmente político – foi técnico e ele apontou bem os parâmetros. Só que o Governo persiste em ignorar o que pessoas sensatas dizem – aquele local não serve bem Lisboa e vai provocar graves prejuízos. Leiam, por exemplo, o que sobre a matéria disse Belmiro de Azevedo, ao colocar fortes reservas à prioridade e rentabilidade de um investimento como a OTA.
Resta-me uma suspeita: se a OTA for para a frente, mais que um negócio vão ser geradas muitas negociatas. Negociatas que hão-de, também, servir para alimentar muitas campanhas eleitorais nos próximos anos. Ninguém me tira da cabeça que isso é das fortes razões para que os políticos queiram que avance o que os técnicos dizem que não faz sentido ser feito.
O CINEMA SÃO JORGE
Antes de mais uma pequena e pouco edificante história: No final do mandato autárquico do Dr. João Soares, em Lisboa, a Câmara Municipal comprou o Cinema São Jorge a promotores imobiliários, obviamente sem saber o que lhe fazer, que utilização lhe dar. Fez uma obras e pôs lá cinema a exibir. As obras foram de cenário: tinta nas paredes, limpeza geral, máquinas de projectar e sistema de som modernizados. O grosso do problema ficou por resolver: o sistema eléctrico, que é ainda o primitivo e se encontra em situação de risco, as infiltrações na cobertura que agravam o perigo de um curto-circuito, climatização inexistente de facto. Pelo meio há umas pantominices engraçadas: os políticos que obrigaram técnicos a certificar a segurança de sistemas (nomeadamente na área eléctrica) que notoriamente a não tinham, uma programação de cinema ao sabor das disponibilidades das distribuidoras, etc. É claro que a equipa do Cinema era esforçada e tentava fazer o melhor, vendendo a ilusão de que a sala podia funcionar.
O S. Jorge é o exemplo acabado de como as pressões de lobbys e de uma pretensa opinião pública, em nome de uma mística salvaguarda do património e das memórias, podem levar a becos sem saída. Sem estratégia definida, em más condições físicas, o Cinema S. Jorge acabou por fechar, provavelmente tarde demais, em nome de conceitos elementares de segurança, antes que aquilo tudo ardesse a meio de uma cerimónia qualquer. E para o fechar, mesmo com o risco que existia, foi preciso bater o pé e contrariar velhos do restelo.
Temos agora ali a sala. Enorme. A precisar de obras estruturais. Se persistir a mania de fazer do Parque Mayer um cemitério de elefantes (equipamentos culturais, delineados sem cuidar de saber se são necessários), há que pensar seriamente que pode ser o S. Jorge no meio de uma selva de salas. Deve reconstruir-se a sala na sua dimensão original, de cerca de 1100 lugares? O destino principal deve ser a música, ou um centro de audiovisuais – apesar de a Cinemateca estar mesmo ali ao lado? Justifica-se aquele imobilizado para isto? Ou, como durante algum tempo se tentou, faz mais sentido traçar um cadernos de encargos e abrir concurso para concessão da sala a privados, que a mantenham como sala de espectáculos, garantam a sua recuperação e utilização – como é o Coliseu, por exemplo?
O que este assunto traz à baila é a imperiosa necessidade de a Câmara Municipal estudar e decidir que perfil quer dar às salas de espectáculo e equipamentos culturais que possui (em número já excessivo), que não faça mais salas sem saber o que lá vai pôr dentro, como e a que preço e que, sobretudo, não arranje novos compromissos sem resolver os problemas que agora já existem.
COMIDA – Mesmo por trás do Ministério das Finanças, entre o Terreiro
do Paço e a Casa dos Bicos, encontra-se o restaurante Alfândega, na
rua do mesmo nome É um espaço antigo bem recuperado e bem decorado, a criar logo um bom ambiente. À hora de almoço passam por ali os
funcionários das redondezas, o jantar é mais movimentado e
descontraído. As ementas são diferentes nas duas refeições, mais
tradicional na primeira, mais arriscada e diversificada na segunda. Ao
almoço comi um «cozido de Outono», à base de grão, com enchidos de boa
qualidade. O serviço é muito simpático, existem várias opções de
vinho a copo, numa mistura entre valores seguros e boas novidades. As
reservas podem ser feitas pelo 218861683 e a casa fica no nº98 da Rua
da Alfândega. Aberto de segunda a sexta das 10H00 às 02H00 e ao sábado
apenas à noite, a partir das 20H00.
LEITURA – A edição britânica, de Outubro, da revista «Vanity Fair»,
uma das referências do jornalismo de investigação, traz na capa Paris
Hilton, explica como através das suas marcas – de perfumes a uma
cadeia de discotecas - ganhou sete milhões de dólares no ano passado e
porque é que Camille Paglia acha que ela tem apreciável significado
cultural. E a mesma edição volta a analisar o caso Watergate com um
dos seus protagonistas, Carl Bernstein.
BANDA SONORA – «Tender», o disco de estreia de Marta Hugon, feito de standards de jazz, numa interpretação vocal contida e criativa, servida por grandes interpretações de músicos como Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. A produção foi do grande Elvis Veiguinha: certeira e eficaz.
BACK TO BASICS – Quem vai a eleições tem que aceitar as regras do jogo democrático. Não pode fazer como Rui Rio e armar-se em tiranete e detentor da verdade por ter tido maioria absoluta.
Antes de mais uma pequena e pouco edificante história: No final do mandato autárquico do Dr. João Soares, em Lisboa, a Câmara Municipal comprou o Cinema São Jorge a promotores imobiliários, obviamente sem saber o que lhe fazer, que utilização lhe dar. Fez uma obras e pôs lá cinema a exibir. As obras foram de cenário: tinta nas paredes, limpeza geral, máquinas de projectar e sistema de som modernizados. O grosso do problema ficou por resolver: o sistema eléctrico, que é ainda o primitivo e se encontra em situação de risco, as infiltrações na cobertura que agravam o perigo de um curto-circuito, climatização inexistente de facto. Pelo meio há umas pantominices engraçadas: os políticos que obrigaram técnicos a certificar a segurança de sistemas (nomeadamente na área eléctrica) que notoriamente a não tinham, uma programação de cinema ao sabor das disponibilidades das distribuidoras, etc. É claro que a equipa do Cinema era esforçada e tentava fazer o melhor, vendendo a ilusão de que a sala podia funcionar.
O S. Jorge é o exemplo acabado de como as pressões de lobbys e de uma pretensa opinião pública, em nome de uma mística salvaguarda do património e das memórias, podem levar a becos sem saída. Sem estratégia definida, em más condições físicas, o Cinema S. Jorge acabou por fechar, provavelmente tarde demais, em nome de conceitos elementares de segurança, antes que aquilo tudo ardesse a meio de uma cerimónia qualquer. E para o fechar, mesmo com o risco que existia, foi preciso bater o pé e contrariar velhos do restelo.
Temos agora ali a sala. Enorme. A precisar de obras estruturais. Se persistir a mania de fazer do Parque Mayer um cemitério de elefantes (equipamentos culturais, delineados sem cuidar de saber se são necessários), há que pensar seriamente que pode ser o S. Jorge no meio de uma selva de salas. Deve reconstruir-se a sala na sua dimensão original, de cerca de 1100 lugares? O destino principal deve ser a música, ou um centro de audiovisuais – apesar de a Cinemateca estar mesmo ali ao lado? Justifica-se aquele imobilizado para isto? Ou, como durante algum tempo se tentou, faz mais sentido traçar um cadernos de encargos e abrir concurso para concessão da sala a privados, que a mantenham como sala de espectáculos, garantam a sua recuperação e utilização – como é o Coliseu, por exemplo?
O que este assunto traz à baila é a imperiosa necessidade de a Câmara Municipal estudar e decidir que perfil quer dar às salas de espectáculo e equipamentos culturais que possui (em número já excessivo), que não faça mais salas sem saber o que lá vai pôr dentro, como e a que preço e que, sobretudo, não arranje novos compromissos sem resolver os problemas que agora já existem.
COMIDA – Mesmo por trás do Ministério das Finanças, entre o Terreiro
do Paço e a Casa dos Bicos, encontra-se o restaurante Alfândega, na
rua do mesmo nome É um espaço antigo bem recuperado e bem decorado, a criar logo um bom ambiente. À hora de almoço passam por ali os
funcionários das redondezas, o jantar é mais movimentado e
descontraído. As ementas são diferentes nas duas refeições, mais
tradicional na primeira, mais arriscada e diversificada na segunda. Ao
almoço comi um «cozido de Outono», à base de grão, com enchidos de boa
qualidade. O serviço é muito simpático, existem várias opções de
vinho a copo, numa mistura entre valores seguros e boas novidades. As
reservas podem ser feitas pelo 218861683 e a casa fica no nº98 da Rua
da Alfândega. Aberto de segunda a sexta das 10H00 às 02H00 e ao sábado
apenas à noite, a partir das 20H00.
LEITURA – A edição britânica, de Outubro, da revista «Vanity Fair»,
uma das referências do jornalismo de investigação, traz na capa Paris
Hilton, explica como através das suas marcas – de perfumes a uma
cadeia de discotecas - ganhou sete milhões de dólares no ano passado e
porque é que Camille Paglia acha que ela tem apreciável significado
cultural. E a mesma edição volta a analisar o caso Watergate com um
dos seus protagonistas, Carl Bernstein.
BANDA SONORA – «Tender», o disco de estreia de Marta Hugon, feito de standards de jazz, numa interpretação vocal contida e criativa, servida por grandes interpretações de músicos como Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. A produção foi do grande Elvis Veiguinha: certeira e eficaz.
BACK TO BASICS – Quem vai a eleições tem que aceitar as regras do jogo democrático. Não pode fazer como Rui Rio e armar-se em tiranete e detentor da verdade por ter tido maioria absoluta.
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O CINEMA SÃO JORGE
Antes de mais uma pequena e pouco edificante história: No final do mandato autárquico do Dr. João Soares, em Lisboa, a Câmara Municipal comprou o Cinema São Jorge a promotores imobiliários, obviamente sem saber o que lhe fazer, que utilização lhe dar. Fez uma obras e pôs lá cinema a exibir. As obras foram de cenário: tinta nas paredes, limpeza geral, máquinas de projectar e sistema de som modernizados. O grosso do problema ficou por resolver: o sistema eléctrico, que é ainda o primitivo e se encontra em situação de risco, as infiltrações na cobertura que agravam o perigo de um curto-circuito, climatização inexistente de facto. Pelo meio há umas pantominices engraçadas: os políticos que obrigaram técnicos a certificar a segurança de sistemas (nomeadamente na área eléctrica) que notoriamente a não tinham, uma programação de cinema ao sabor das disponibilidades das distribuidoras, etc. É claro que a equipa do Cinema era esforçada e tentava fazer o melhor, vendendo a ilusão de que a sala podia funcionar.
O S. Jorge é o exemplo acabado de como as pressões de lobbys e de uma pretensa opinião pública, em nome de uma mística salvaguarda do património e das memórias, podem levar a becos sem saída. Sem estratégia definida, em más condições físicas, o Cinema S. Jorge acabou por fechar, provavelmente tarde demais, em nome de conceitos elementares de segurança, antes que aquilo tudo ardesse a meio de uma cerimónia qualquer. E para o fechar, mesmo com o risco que existia, foi preciso bater o pé e contrariar velhos do restelo.
Temos agora ali a sala. Enorme. A precisar de obras estruturais. Se persistir a mania de fazer do Parque Mayer um cemitério de elefantes (equipamentos culturais, delineados sem cuidar de saber se são necessários), há que pensar seriamente que pode ser o S. Jorge no meio de uma selva de salas. Deve reconstruir-se a sala na sua dimensão original, de cerca de 1100 lugares? O destino principal deve ser a música, ou um centro de audiovisuais – apesar de a Cinemateca estar mesmo ali ao lado? Justifica-se aquele imobilizado para isto? Ou, como durante algum tempo se tentou, faz mais sentido traçar um cadernos de encargos e abrir concurso para concessão da sala a privados, que a mantenham como sala de espectáculos, garantam a sua recuperação e utilização – como é o Coliseu, por exemplo?
O que este assunto traz à baila é a imperiosa necessidade de a Câmara Municipal estudar e decidir que perfil quer dar às salas de espectáculo e equipamentos culturais que possui (em número já excessivo), que não faça mais salas sem saber o que lá vai pôr dentro, como e a que preço e que, sobretudo, não arranje novos compromissos sem resolver os problemas que agora já existem.
COMIDA – Mesmo por trás do Ministério das Finanças, entre o Terreiro
do Paço e a Casa dos Bicos, encontra-se o restaurante Alfândega, na
rua do mesmo nome É um espaço antigo bem recuperado e bem decorado, a criar logo um bom ambiente. À hora de almoço passam por ali os
funcionários das redondezas, o jantar é mais movimentado e
descontraído. As ementas são diferentes nas duas refeições, mais
tradicional na primeira, mais arriscada e diversificada na segunda. Ao
almoço comi um «cozido de Outono», à base de grão, com enchidos de boa
qualidade. O serviço é muito simpático, existem várias opções de
vinho a copo, numa mistura entre valores seguros e boas novidades. As
reservas podem ser feitas pelo 218861683 e a casa fica no nº98 da Rua
da Alfândega. Aberto de segunda a sexta das 10H00 às 02H00 e ao sábado
apenas à noite, a partir das 20H00.
LEITURA – A edição britânica, de Outubro, da revista «Vanity Fair»,
uma das referências do jornalismo de investigação, traz na capa Paris
Hilton, explica como através das suas marcas – de perfumes a uma
cadeia de discotecas - ganhou sete milhões de dólares no ano passado e
porque é que Camille Paglia acha que ela tem apreciável significado
cultural. E a mesma edição volta a analisar o caso Watergate com um
dos seus protagonistas, Carl Bernstein.
BANDA SONORA – «Tender», o disco de estreia de Marta Hugon, feito de standards de jazz, numa interpretação vocal contida e criativa, servida por grandes interpretações de músicos como Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. A produção foi do grande Elvis Veiguinha: certeira e eficaz.
BACK TO BASICS – Quem vai a eleições tem que aceitar as regras do jogo democrático. Não pode fazer como Rui Rio e armar-se em tiranete e detentor da verdade por ter tido maioria absoluta.
Antes de mais uma pequena e pouco edificante história: No final do mandato autárquico do Dr. João Soares, em Lisboa, a Câmara Municipal comprou o Cinema São Jorge a promotores imobiliários, obviamente sem saber o que lhe fazer, que utilização lhe dar. Fez uma obras e pôs lá cinema a exibir. As obras foram de cenário: tinta nas paredes, limpeza geral, máquinas de projectar e sistema de som modernizados. O grosso do problema ficou por resolver: o sistema eléctrico, que é ainda o primitivo e se encontra em situação de risco, as infiltrações na cobertura que agravam o perigo de um curto-circuito, climatização inexistente de facto. Pelo meio há umas pantominices engraçadas: os políticos que obrigaram técnicos a certificar a segurança de sistemas (nomeadamente na área eléctrica) que notoriamente a não tinham, uma programação de cinema ao sabor das disponibilidades das distribuidoras, etc. É claro que a equipa do Cinema era esforçada e tentava fazer o melhor, vendendo a ilusão de que a sala podia funcionar.
O S. Jorge é o exemplo acabado de como as pressões de lobbys e de uma pretensa opinião pública, em nome de uma mística salvaguarda do património e das memórias, podem levar a becos sem saída. Sem estratégia definida, em más condições físicas, o Cinema S. Jorge acabou por fechar, provavelmente tarde demais, em nome de conceitos elementares de segurança, antes que aquilo tudo ardesse a meio de uma cerimónia qualquer. E para o fechar, mesmo com o risco que existia, foi preciso bater o pé e contrariar velhos do restelo.
Temos agora ali a sala. Enorme. A precisar de obras estruturais. Se persistir a mania de fazer do Parque Mayer um cemitério de elefantes (equipamentos culturais, delineados sem cuidar de saber se são necessários), há que pensar seriamente que pode ser o S. Jorge no meio de uma selva de salas. Deve reconstruir-se a sala na sua dimensão original, de cerca de 1100 lugares? O destino principal deve ser a música, ou um centro de audiovisuais – apesar de a Cinemateca estar mesmo ali ao lado? Justifica-se aquele imobilizado para isto? Ou, como durante algum tempo se tentou, faz mais sentido traçar um cadernos de encargos e abrir concurso para concessão da sala a privados, que a mantenham como sala de espectáculos, garantam a sua recuperação e utilização – como é o Coliseu, por exemplo?
O que este assunto traz à baila é a imperiosa necessidade de a Câmara Municipal estudar e decidir que perfil quer dar às salas de espectáculo e equipamentos culturais que possui (em número já excessivo), que não faça mais salas sem saber o que lá vai pôr dentro, como e a que preço e que, sobretudo, não arranje novos compromissos sem resolver os problemas que agora já existem.
COMIDA – Mesmo por trás do Ministério das Finanças, entre o Terreiro
do Paço e a Casa dos Bicos, encontra-se o restaurante Alfândega, na
rua do mesmo nome É um espaço antigo bem recuperado e bem decorado, a criar logo um bom ambiente. À hora de almoço passam por ali os
funcionários das redondezas, o jantar é mais movimentado e
descontraído. As ementas são diferentes nas duas refeições, mais
tradicional na primeira, mais arriscada e diversificada na segunda. Ao
almoço comi um «cozido de Outono», à base de grão, com enchidos de boa
qualidade. O serviço é muito simpático, existem várias opções de
vinho a copo, numa mistura entre valores seguros e boas novidades. As
reservas podem ser feitas pelo 218861683 e a casa fica no nº98 da Rua
da Alfândega. Aberto de segunda a sexta das 10H00 às 02H00 e ao sábado
apenas à noite, a partir das 20H00.
LEITURA – A edição britânica, de Outubro, da revista «Vanity Fair»,
uma das referências do jornalismo de investigação, traz na capa Paris
Hilton, explica como através das suas marcas – de perfumes a uma
cadeia de discotecas - ganhou sete milhões de dólares no ano passado e
porque é que Camille Paglia acha que ela tem apreciável significado
cultural. E a mesma edição volta a analisar o caso Watergate com um
dos seus protagonistas, Carl Bernstein.
BANDA SONORA – «Tender», o disco de estreia de Marta Hugon, feito de standards de jazz, numa interpretação vocal contida e criativa, servida por grandes interpretações de músicos como Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria. A produção foi do grande Elvis Veiguinha: certeira e eficaz.
BACK TO BASICS – Quem vai a eleições tem que aceitar as regras do jogo democrático. Não pode fazer como Rui Rio e armar-se em tiranete e detentor da verdade por ter tido maioria absoluta.
outubro 29, 2005
O PAVILHÃO DOS DESPORTOS
Quando o Pavilhão dos Desportos de Lisboa foi construído a cidade não tinha infra-estruturas de grande dimensão para a prática desportiva. O Pavilhão, mais tarde baptizado de «Carlos Lopes», foi o local dos grandes jogos de hóquei e de muitas disputas entre colectividades e clubes populares. A utilização do Pavilhão Carlos Lopes para espectáculos começa de uma forma mais sistemática nos anos 70, antes ainda do 25 de Abril . Logo a seguir ele tornou-se no ponto obrigatório de comícios e congressos partidários e no palco do culminar de campanhas eleitorais. Isto até ter ficado impossível de utilizar, que é a situação em que agora se encontra.
Devido à forma como foi concebido e aos materiais de contrução utilizados, o Pavilhão sempre teve má acústica (péssima, de facto), e em função da época em que foi feito apresenta graves problemas estruturais. Actualmente o Pavilhão, para além de estar em ruína porque desde há décadas não lhe é feita uma conservação eficaz (na realidade há risco de utilização por causa do estado em que está o tecto), não tem o mínimo de condições de comodidade, nem condições técnicas e de segurança. As bancadas não têm cadeiras, não há ventilação nem aquecimento e muito menos ar condicionado, a instalação eléctrica é insuficiente segundo os padrões actuais, os camarins/cabinas/vestiários são obsoletos, o sistema de incêndios é de anedota, o tecto técnico é inexistente. Além disso foi construído numa época em que não se pensava que uma sala destas poderia ter utilizações diversas e a sua própria estrutura dificulta qualquer recuperação séria segundo padrões contemporâneos – a começar pelo problema das colunas que destroem a visibilidade e dificultam a operação do espaço. Em suma, como está, não serve para nada.
Por outro lado a infraestrutura de equipamentos desportivos da cidade evoluíu. Com os novos estádios construíram-se novos pavilhões bem equipados e o Pavilhão Atlântico é hoje a sala de referência equivalente ao que o Carlos Lopes foi há 30 anos. Por isso acho que faz sentido pensar numa utilização não desportiva para o local. Sentimentalismos à parte, a estrutura tem de facto pouco interesse do ponto de vista arquitectónico e mesmo uns azulejos decorativos que posssui podem ser salvaguardados num outro contexto. Pensemos pois que o local pode – e deve - ser utilizado para outra coisa.
Retomemos agora o tema de uma obra arquitectónica emblemática, que seja parte da linha de horizonte de Lisboa, e que possa ser a alternativa de imagem aos planos actuais para o Parque Mayer. Querem melhor local que o alto do Parque Eduardo VII? Bem dotado de acessos e com área e possibilidade de estacionamento, qualquer obra que ali se faça pode contribuir para dar nova dinâmica à cidade, em local de grande visibilidade e comodidade.
A questão das valências, que deve ser bem estudada, pode ter em conta a necessidade de uma estrutura que possa acolher música, conferências, reuniões; ou, em alternativa, que possa por exemplo alojar uma orquestra como a Metropolitana (que assim poderia deixar livre o local onde está, na Junqueira); ou, então, que possa ser o local de eleição para a instalação de um novo Museu, a grande sala de exposições da capital, onde alguma grande colecção possa encontrar o seu destino: já imaginaram ali um espaço como a Tate Modern? Em qualquer caso, a estrutura pode e deve prever equipamentos que permitam ser o ponto central de animação da Feira do Livro, em vez das estruturas provisórias que se vêm construindo há anos e que já consumiram, tudo incluído, cerca de dois milhões de euros, absolutamente a fundo perdido.
No fundo é uma questão de contas: como está, o Pavilhão não serve para nada. Para o remodelar, não faz sentido manter nem a estrutura, nem a finalidade desportiva face à oferta entretanto surgida e à que há-de desenvolver-se a nível de freguesias e clubes. Por isso é importante pensar no assunto agora, sem preconceitos e, sobretudo, de forma integrada: esta é uma peça da construção da cidade; temos que ver como se encaixa e relaciona com outras, para que cada uma fique com uma função diferente, complementar e útil.
BANDA SONORA - Ouvir um disco que não se conhecia a pensar em alguém é um bom exercício. O disco ideal para esta circunstância é «The Pyramid Sessions», por Rocky Marsiano, com o jazz e o hip-hop por base de trabalho deste português, que também usa o nome D-Mars. Deliciosamente provocador. CD Loop Records.
BACK TO BASICS – Não ter ideias feitas, aceitar mudar, ouvir os outros, pensar: provavelmente é o que faz mais falta a cada um de nós, em especial a todos os novos autarcas empossados ao longo desta semana.
PARA A SEMANA: O Cinema S. Jorge
Quando o Pavilhão dos Desportos de Lisboa foi construído a cidade não tinha infra-estruturas de grande dimensão para a prática desportiva. O Pavilhão, mais tarde baptizado de «Carlos Lopes», foi o local dos grandes jogos de hóquei e de muitas disputas entre colectividades e clubes populares. A utilização do Pavilhão Carlos Lopes para espectáculos começa de uma forma mais sistemática nos anos 70, antes ainda do 25 de Abril . Logo a seguir ele tornou-se no ponto obrigatório de comícios e congressos partidários e no palco do culminar de campanhas eleitorais. Isto até ter ficado impossível de utilizar, que é a situação em que agora se encontra.
Devido à forma como foi concebido e aos materiais de contrução utilizados, o Pavilhão sempre teve má acústica (péssima, de facto), e em função da época em que foi feito apresenta graves problemas estruturais. Actualmente o Pavilhão, para além de estar em ruína porque desde há décadas não lhe é feita uma conservação eficaz (na realidade há risco de utilização por causa do estado em que está o tecto), não tem o mínimo de condições de comodidade, nem condições técnicas e de segurança. As bancadas não têm cadeiras, não há ventilação nem aquecimento e muito menos ar condicionado, a instalação eléctrica é insuficiente segundo os padrões actuais, os camarins/cabinas/vestiários são obsoletos, o sistema de incêndios é de anedota, o tecto técnico é inexistente. Além disso foi construído numa época em que não se pensava que uma sala destas poderia ter utilizações diversas e a sua própria estrutura dificulta qualquer recuperação séria segundo padrões contemporâneos – a começar pelo problema das colunas que destroem a visibilidade e dificultam a operação do espaço. Em suma, como está, não serve para nada.
Por outro lado a infraestrutura de equipamentos desportivos da cidade evoluíu. Com os novos estádios construíram-se novos pavilhões bem equipados e o Pavilhão Atlântico é hoje a sala de referência equivalente ao que o Carlos Lopes foi há 30 anos. Por isso acho que faz sentido pensar numa utilização não desportiva para o local. Sentimentalismos à parte, a estrutura tem de facto pouco interesse do ponto de vista arquitectónico e mesmo uns azulejos decorativos que posssui podem ser salvaguardados num outro contexto. Pensemos pois que o local pode – e deve - ser utilizado para outra coisa.
Retomemos agora o tema de uma obra arquitectónica emblemática, que seja parte da linha de horizonte de Lisboa, e que possa ser a alternativa de imagem aos planos actuais para o Parque Mayer. Querem melhor local que o alto do Parque Eduardo VII? Bem dotado de acessos e com área e possibilidade de estacionamento, qualquer obra que ali se faça pode contribuir para dar nova dinâmica à cidade, em local de grande visibilidade e comodidade.
A questão das valências, que deve ser bem estudada, pode ter em conta a necessidade de uma estrutura que possa acolher música, conferências, reuniões; ou, em alternativa, que possa por exemplo alojar uma orquestra como a Metropolitana (que assim poderia deixar livre o local onde está, na Junqueira); ou, então, que possa ser o local de eleição para a instalação de um novo Museu, a grande sala de exposições da capital, onde alguma grande colecção possa encontrar o seu destino: já imaginaram ali um espaço como a Tate Modern? Em qualquer caso, a estrutura pode e deve prever equipamentos que permitam ser o ponto central de animação da Feira do Livro, em vez das estruturas provisórias que se vêm construindo há anos e que já consumiram, tudo incluído, cerca de dois milhões de euros, absolutamente a fundo perdido.
No fundo é uma questão de contas: como está, o Pavilhão não serve para nada. Para o remodelar, não faz sentido manter nem a estrutura, nem a finalidade desportiva face à oferta entretanto surgida e à que há-de desenvolver-se a nível de freguesias e clubes. Por isso é importante pensar no assunto agora, sem preconceitos e, sobretudo, de forma integrada: esta é uma peça da construção da cidade; temos que ver como se encaixa e relaciona com outras, para que cada uma fique com uma função diferente, complementar e útil.
BANDA SONORA - Ouvir um disco que não se conhecia a pensar em alguém é um bom exercício. O disco ideal para esta circunstância é «The Pyramid Sessions», por Rocky Marsiano, com o jazz e o hip-hop por base de trabalho deste português, que também usa o nome D-Mars. Deliciosamente provocador. CD Loop Records.
BACK TO BASICS – Não ter ideias feitas, aceitar mudar, ouvir os outros, pensar: provavelmente é o que faz mais falta a cada um de nós, em especial a todos os novos autarcas empossados ao longo desta semana.
PARA A SEMANA: O Cinema S. Jorge
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O PAVILHÃO DOS DESPORTOS
Quando o Pavilhão dos Desportos de Lisboa foi construído a cidade não tinha infra-estruturas de grande dimensão para a prática desportiva. O Pavilhão, mais tarde baptizado de «Carlos Lopes», foi o local dos grandes jogos de hóquei e de muitas disputas entre colectividades e clubes populares. A utilização do Pavilhão Carlos Lopes para espectáculos começa de uma forma mais sistemática nos anos 70, antes ainda do 25 de Abril . Logo a seguir ele tornou-se no ponto obrigatório de comícios e congressos partidários e no palco do culminar de campanhas eleitorais. Isto até ter ficado impossível de utilizar, que é a situação em que agora se encontra.
Devido à forma como foi concebido e aos materiais de contrução utilizados, o Pavilhão sempre teve má acústica (péssima, de facto), e em função da época em que foi feito apresenta graves problemas estruturais. Actualmente o Pavilhão, para além de estar em ruína porque desde há décadas não lhe é feita uma conservação eficaz (na realidade há risco de utilização por causa do estado em que está o tecto), não tem o mínimo de condições de comodidade, nem condições técnicas e de segurança. As bancadas não têm cadeiras, não há ventilação nem aquecimento e muito menos ar condicionado, a instalação eléctrica é insuficiente segundo os padrões actuais, os camarins/cabinas/vestiários são obsoletos, o sistema de incêndios é de anedota, o tecto técnico é inexistente. Além disso foi construído numa época em que não se pensava que uma sala destas poderia ter utilizações diversas e a sua própria estrutura dificulta qualquer recuperação séria segundo padrões contemporâneos – a começar pelo problema das colunas que destroem a visibilidade e dificultam a operação do espaço. Em suma, como está, não serve para nada.
Por outro lado a infraestrutura de equipamentos desportivos da cidade evoluíu. Com os novos estádios construíram-se novos pavilhões bem equipados e o Pavilhão Atlântico é hoje a sala de referência equivalente ao que o Carlos Lopes foi há 30 anos. Por isso acho que faz sentido pensar numa utilização não desportiva para o local. Sentimentalismos à parte, a estrutura tem de facto pouco interesse do ponto de vista arquitectónico e mesmo uns azulejos decorativos que posssui podem ser salvaguardados num outro contexto. Pensemos pois que o local pode – e deve - ser utilizado para outra coisa.
Retomemos agora o tema de uma obra arquitectónica emblemática, que seja parte da linha de horizonte de Lisboa, e que possa ser a alternativa de imagem aos planos actuais para o Parque Mayer. Querem melhor local que o alto do Parque Eduardo VII? Bem dotado de acessos e com área e possibilidade de estacionamento, qualquer obra que ali se faça pode contribuir para dar nova dinâmica à cidade, em local de grande visibilidade e comodidade.
A questão das valências, que deve ser bem estudada, pode ter em conta a necessidade de uma estrutura que possa acolher música, conferências, reuniões; ou, em alternativa, que possa por exemplo alojar uma orquestra como a Metropolitana (que assim poderia deixar livre o local onde está, na Junqueira); ou, então, que possa ser o local de eleição para a instalação de um novo Museu, a grande sala de exposições da capital, onde alguma grande colecção possa encontrar o seu destino: já imaginaram ali um espaço como a Tate Modern? Em qualquer caso, a estrutura pode e deve prever equipamentos que permitam ser o ponto central de animação da Feira do Livro, em vez das estruturas provisórias que se vêm construindo há anos e que já consumiram, tudo incluído, cerca de dois milhões de euros, absolutamente a fundo perdido.
No fundo é uma questão de contas: como está, o Pavilhão não serve para nada. Para o remodelar, não faz sentido manter nem a estrutura, nem a finalidade desportiva face à oferta entretanto surgida e à que há-de desenvolver-se a nível de freguesias e clubes. Por isso é importante pensar no assunto agora, sem preconceitos e, sobretudo, de forma integrada: esta é uma peça da construção da cidade; temos que ver como se encaixa e relaciona com outras, para que cada uma fique com uma função diferente, complementar e útil.
BANDA SONORA - Ouvir um disco que não se conhecia a pensar em alguém é um bom exercício. O disco ideal para esta circunstância é «The Pyramid Sessions», por Rocky Marsiano, com o jazz e o hip-hop por base de trabalho deste português, que também usa o nome D-Mars. Deliciosamente provocador. CD Loop Records.
BACK TO BASICS – Não ter ideias feitas, aceitar mudar, ouvir os outros, pensar: provavelmente é o que faz mais falta a cada um de nós, em especial a todos os novos autarcas empossados ao longo desta semana.
PARA A SEMANA: O Cinema S. Jorge
Quando o Pavilhão dos Desportos de Lisboa foi construído a cidade não tinha infra-estruturas de grande dimensão para a prática desportiva. O Pavilhão, mais tarde baptizado de «Carlos Lopes», foi o local dos grandes jogos de hóquei e de muitas disputas entre colectividades e clubes populares. A utilização do Pavilhão Carlos Lopes para espectáculos começa de uma forma mais sistemática nos anos 70, antes ainda do 25 de Abril . Logo a seguir ele tornou-se no ponto obrigatório de comícios e congressos partidários e no palco do culminar de campanhas eleitorais. Isto até ter ficado impossível de utilizar, que é a situação em que agora se encontra.
Devido à forma como foi concebido e aos materiais de contrução utilizados, o Pavilhão sempre teve má acústica (péssima, de facto), e em função da época em que foi feito apresenta graves problemas estruturais. Actualmente o Pavilhão, para além de estar em ruína porque desde há décadas não lhe é feita uma conservação eficaz (na realidade há risco de utilização por causa do estado em que está o tecto), não tem o mínimo de condições de comodidade, nem condições técnicas e de segurança. As bancadas não têm cadeiras, não há ventilação nem aquecimento e muito menos ar condicionado, a instalação eléctrica é insuficiente segundo os padrões actuais, os camarins/cabinas/vestiários são obsoletos, o sistema de incêndios é de anedota, o tecto técnico é inexistente. Além disso foi construído numa época em que não se pensava que uma sala destas poderia ter utilizações diversas e a sua própria estrutura dificulta qualquer recuperação séria segundo padrões contemporâneos – a começar pelo problema das colunas que destroem a visibilidade e dificultam a operação do espaço. Em suma, como está, não serve para nada.
Por outro lado a infraestrutura de equipamentos desportivos da cidade evoluíu. Com os novos estádios construíram-se novos pavilhões bem equipados e o Pavilhão Atlântico é hoje a sala de referência equivalente ao que o Carlos Lopes foi há 30 anos. Por isso acho que faz sentido pensar numa utilização não desportiva para o local. Sentimentalismos à parte, a estrutura tem de facto pouco interesse do ponto de vista arquitectónico e mesmo uns azulejos decorativos que posssui podem ser salvaguardados num outro contexto. Pensemos pois que o local pode – e deve - ser utilizado para outra coisa.
Retomemos agora o tema de uma obra arquitectónica emblemática, que seja parte da linha de horizonte de Lisboa, e que possa ser a alternativa de imagem aos planos actuais para o Parque Mayer. Querem melhor local que o alto do Parque Eduardo VII? Bem dotado de acessos e com área e possibilidade de estacionamento, qualquer obra que ali se faça pode contribuir para dar nova dinâmica à cidade, em local de grande visibilidade e comodidade.
A questão das valências, que deve ser bem estudada, pode ter em conta a necessidade de uma estrutura que possa acolher música, conferências, reuniões; ou, em alternativa, que possa por exemplo alojar uma orquestra como a Metropolitana (que assim poderia deixar livre o local onde está, na Junqueira); ou, então, que possa ser o local de eleição para a instalação de um novo Museu, a grande sala de exposições da capital, onde alguma grande colecção possa encontrar o seu destino: já imaginaram ali um espaço como a Tate Modern? Em qualquer caso, a estrutura pode e deve prever equipamentos que permitam ser o ponto central de animação da Feira do Livro, em vez das estruturas provisórias que se vêm construindo há anos e que já consumiram, tudo incluído, cerca de dois milhões de euros, absolutamente a fundo perdido.
No fundo é uma questão de contas: como está, o Pavilhão não serve para nada. Para o remodelar, não faz sentido manter nem a estrutura, nem a finalidade desportiva face à oferta entretanto surgida e à que há-de desenvolver-se a nível de freguesias e clubes. Por isso é importante pensar no assunto agora, sem preconceitos e, sobretudo, de forma integrada: esta é uma peça da construção da cidade; temos que ver como se encaixa e relaciona com outras, para que cada uma fique com uma função diferente, complementar e útil.
BANDA SONORA - Ouvir um disco que não se conhecia a pensar em alguém é um bom exercício. O disco ideal para esta circunstância é «The Pyramid Sessions», por Rocky Marsiano, com o jazz e o hip-hop por base de trabalho deste português, que também usa o nome D-Mars. Deliciosamente provocador. CD Loop Records.
BACK TO BASICS – Não ter ideias feitas, aceitar mudar, ouvir os outros, pensar: provavelmente é o que faz mais falta a cada um de nós, em especial a todos os novos autarcas empossados ao longo desta semana.
PARA A SEMANA: O Cinema S. Jorge
outubro 23, 2005
O PARQUE MAYER
NO INÍCIO – Quando se começou a falar na recuperação do Parque Mayer e se falou do nome do arquitecto norte-americano Frank Gehry, convém recordar que o que estava em causa era construir uma envolvente para um Casino. Eu sempre achei que um Casino, ali, podia fazer sentido. Iria gerar um fluxo de públicos que alimentaria todo o novo Parque Mayer e que voltaria a dinamizar a Avenida da Liberdade, tornando-a simultaneamente mais divertida e segura à noite. Frank Gehry seria, através da imagem que se esperava criar, um argumento de marketing importante do local. Para a actividade que se esperava, era um investimento que fazia sentido.
A MUDANÇA – Quando no meio das confusões que se conhecem o Casino acabou por deixar de poder ser feito ali, a boa lógica e o bom senso mandavam que se voltasse a equacionar o assunto. Sem Casino a possibilidade de circulação de públicos seria infinitamente menor e o programa de ocupação de espaços anterior estava claramente desajustado. Por si só os novos equipamentos, por melhores que fossem, não teriam grande atracção e, muito provavelmente, seria um sugadouro de dinheiros manter tudo a funcionar. Sem Casino o Parque Mayer, perdoem-me a comparação, seria como um Centro Comercial sem salas de cinema e sem supermercado: perdia a âncora. Valia a pena pensar num plano B, que mantivesse o Capitólio e recuperasse o espaço, em sintonia com o Jardim Botânico.
A IMAGEM – Arquitectos como Gehry servem para criar ícones, são os cenógrafos das cidades, o pretexto para uma série de bilhetes postais. Com o Parque Mayer sem casino, para quê colocar o ícone num recanto escondido, atrás da avenida? – Esta é a pergunta a que vale a pena dar resposta, pensando nisto: se o objectivo é construir um ícone, que sirva de novo emblema a Lisboa, então porque não se coloca num local bem visível, obsessivamente visível e que altere a silhueta da cidade? Eu acho que é o que faz mais lógica e que existe um sítio ideal para isso, o local onde está o arruinado e já inútil Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII. Esse será o tema da próxima semana.
NO INÍCIO – Quando se começou a falar na recuperação do Parque Mayer e se falou do nome do arquitecto norte-americano Frank Gehry, convém recordar que o que estava em causa era construir uma envolvente para um Casino. Eu sempre achei que um Casino, ali, podia fazer sentido. Iria gerar um fluxo de públicos que alimentaria todo o novo Parque Mayer e que voltaria a dinamizar a Avenida da Liberdade, tornando-a simultaneamente mais divertida e segura à noite. Frank Gehry seria, através da imagem que se esperava criar, um argumento de marketing importante do local. Para a actividade que se esperava, era um investimento que fazia sentido.
A MUDANÇA – Quando no meio das confusões que se conhecem o Casino acabou por deixar de poder ser feito ali, a boa lógica e o bom senso mandavam que se voltasse a equacionar o assunto. Sem Casino a possibilidade de circulação de públicos seria infinitamente menor e o programa de ocupação de espaços anterior estava claramente desajustado. Por si só os novos equipamentos, por melhores que fossem, não teriam grande atracção e, muito provavelmente, seria um sugadouro de dinheiros manter tudo a funcionar. Sem Casino o Parque Mayer, perdoem-me a comparação, seria como um Centro Comercial sem salas de cinema e sem supermercado: perdia a âncora. Valia a pena pensar num plano B, que mantivesse o Capitólio e recuperasse o espaço, em sintonia com o Jardim Botânico.
A IMAGEM – Arquitectos como Gehry servem para criar ícones, são os cenógrafos das cidades, o pretexto para uma série de bilhetes postais. Com o Parque Mayer sem casino, para quê colocar o ícone num recanto escondido, atrás da avenida? – Esta é a pergunta a que vale a pena dar resposta, pensando nisto: se o objectivo é construir um ícone, que sirva de novo emblema a Lisboa, então porque não se coloca num local bem visível, obsessivamente visível e que altere a silhueta da cidade? Eu acho que é o que faz mais lógica e que existe um sítio ideal para isso, o local onde está o arruinado e já inútil Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII. Esse será o tema da próxima semana.
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O PARQUE MAYER
NO INÍCIO – Quando se começou a falar na recuperação do Parque Mayer e se falou do nome do arquitecto norte-americano Frank Gehry, convém recordar que o que estava em causa era construir uma envolvente para um Casino. Eu sempre achei que um Casino, ali, podia fazer sentido. Iria gerar um fluxo de públicos que alimentaria todo o novo Parque Mayer e que voltaria a dinamizar a Avenida da Liberdade, tornando-a simultaneamente mais divertida e segura à noite. Frank Gehry seria, através da imagem que se esperava criar, um argumento de marketing importante do local. Para a actividade que se esperava, era um investimento que fazia sentido.
A MUDANÇA – Quando no meio das confusões que se conhecem o Casino acabou por deixar de poder ser feito ali, a boa lógica e o bom senso mandavam que se voltasse a equacionar o assunto. Sem Casino a possibilidade de circulação de públicos seria infinitamente menor e o programa de ocupação de espaços anterior estava claramente desajustado. Por si só os novos equipamentos, por melhores que fossem, não teriam grande atracção e, muito provavelmente, seria um sugadouro de dinheiros manter tudo a funcionar. Sem Casino o Parque Mayer, perdoem-me a comparação, seria como um Centro Comercial sem salas de cinema e sem supermercado: perdia a âncora. Valia a pena pensar num plano B, que mantivesse o Capitólio e recuperasse o espaço, em sintonia com o Jardim Botânico.
A IMAGEM – Arquitectos como Gehry servem para criar ícones, são os cenógrafos das cidades, o pretexto para uma série de bilhetes postais. Com o Parque Mayer sem casino, para quê colocar o ícone num recanto escondido, atrás da avenida? – Esta é a pergunta a que vale a pena dar resposta, pensando nisto: se o objectivo é construir um ícone, que sirva de novo emblema a Lisboa, então porque não se coloca num local bem visível, obsessivamente visível e que altere a silhueta da cidade? Eu acho que é o que faz mais lógica e que existe um sítio ideal para isso, o local onde está o arruinado e já inútil Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII. Esse será o tema da próxima semana.
NO INÍCIO – Quando se começou a falar na recuperação do Parque Mayer e se falou do nome do arquitecto norte-americano Frank Gehry, convém recordar que o que estava em causa era construir uma envolvente para um Casino. Eu sempre achei que um Casino, ali, podia fazer sentido. Iria gerar um fluxo de públicos que alimentaria todo o novo Parque Mayer e que voltaria a dinamizar a Avenida da Liberdade, tornando-a simultaneamente mais divertida e segura à noite. Frank Gehry seria, através da imagem que se esperava criar, um argumento de marketing importante do local. Para a actividade que se esperava, era um investimento que fazia sentido.
A MUDANÇA – Quando no meio das confusões que se conhecem o Casino acabou por deixar de poder ser feito ali, a boa lógica e o bom senso mandavam que se voltasse a equacionar o assunto. Sem Casino a possibilidade de circulação de públicos seria infinitamente menor e o programa de ocupação de espaços anterior estava claramente desajustado. Por si só os novos equipamentos, por melhores que fossem, não teriam grande atracção e, muito provavelmente, seria um sugadouro de dinheiros manter tudo a funcionar. Sem Casino o Parque Mayer, perdoem-me a comparação, seria como um Centro Comercial sem salas de cinema e sem supermercado: perdia a âncora. Valia a pena pensar num plano B, que mantivesse o Capitólio e recuperasse o espaço, em sintonia com o Jardim Botânico.
A IMAGEM – Arquitectos como Gehry servem para criar ícones, são os cenógrafos das cidades, o pretexto para uma série de bilhetes postais. Com o Parque Mayer sem casino, para quê colocar o ícone num recanto escondido, atrás da avenida? – Esta é a pergunta a que vale a pena dar resposta, pensando nisto: se o objectivo é construir um ícone, que sirva de novo emblema a Lisboa, então porque não se coloca num local bem visível, obsessivamente visível e que altere a silhueta da cidade? Eu acho que é o que faz mais lógica e que existe um sítio ideal para isso, o local onde está o arruinado e já inútil Pavilhão dos Desportos, no Parque Eduardo VII. Esse será o tema da próxima semana.
O CENTRÃO
Quando num país se assiste à sucessão de problemas que existem e que, ao longo dos anos, continuamente se agravam tem que se pensar no que o Estado tem andado a fazer. Na saúde, na segurança, na justiça, na educação, o Estado português funciona mal. Mais: funciona abaixo daquilo que os contribuintes descontam. E é fundamental olhar para isto com realismo: a questão não tem a ver com os partidos que lideram o Governo, já que de facto a situação se tem vindo a agravar de forma mais ou menos constante.
A única coisa que parece funcionar é a obsessão em fazer obras públicas, que consomem fatias enormes do exaurido orçamento. Aí o programa dos dois maiores partidos tem diferenças de localização mas não de substância. O centrão, que engloba PS e PSD, converge na falta de gestão séria das prioridades, na falta de sensibilidade às pessoas, aos cidadãos, aos seus votantes.
Na realidade o Estado despreza a noção básica de serviço aos seus clientes, todos nós cidadãos anónimos que pagamos impostos e sustentamos a máquina. O Estado prefere servir um número restrito de representantes de interesses vários, do que parar por um momento para pensar como utilizar melhor o seu dinheiro.
Quando o orçamento não chega, nalgum lado tem que se cortar. Antes de começar a cortar nas pessoas e nos serviços que se lhes prestam, convém olhar para o que se gasta em projectos e estruturas que, se calhar, são dispensáveis numa fase como esta.
As verdadeiras reformas, as que surtirão efeito, são as que se fazem assim – a rever e cancelar projectos, a economizar num lado para se poder investir noutro. Se isto não for feito o Estado acaba por colapsar. E não me parece que no Centrão existam sinais de isto mudar. Ora isto dá que pensar: o sistema partidário, tal como o conhecemos, será capaz de ultrapassar a crise?
Quando num país se assiste à sucessão de problemas que existem e que, ao longo dos anos, continuamente se agravam tem que se pensar no que o Estado tem andado a fazer. Na saúde, na segurança, na justiça, na educação, o Estado português funciona mal. Mais: funciona abaixo daquilo que os contribuintes descontam. E é fundamental olhar para isto com realismo: a questão não tem a ver com os partidos que lideram o Governo, já que de facto a situação se tem vindo a agravar de forma mais ou menos constante.
A única coisa que parece funcionar é a obsessão em fazer obras públicas, que consomem fatias enormes do exaurido orçamento. Aí o programa dos dois maiores partidos tem diferenças de localização mas não de substância. O centrão, que engloba PS e PSD, converge na falta de gestão séria das prioridades, na falta de sensibilidade às pessoas, aos cidadãos, aos seus votantes.
Na realidade o Estado despreza a noção básica de serviço aos seus clientes, todos nós cidadãos anónimos que pagamos impostos e sustentamos a máquina. O Estado prefere servir um número restrito de representantes de interesses vários, do que parar por um momento para pensar como utilizar melhor o seu dinheiro.
Quando o orçamento não chega, nalgum lado tem que se cortar. Antes de começar a cortar nas pessoas e nos serviços que se lhes prestam, convém olhar para o que se gasta em projectos e estruturas que, se calhar, são dispensáveis numa fase como esta.
As verdadeiras reformas, as que surtirão efeito, são as que se fazem assim – a rever e cancelar projectos, a economizar num lado para se poder investir noutro. Se isto não for feito o Estado acaba por colapsar. E não me parece que no Centrão existam sinais de isto mudar. Ora isto dá que pensar: o sistema partidário, tal como o conhecemos, será capaz de ultrapassar a crise?
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O CENTRÃO
Quando num país se assiste à sucessão de problemas que existem e que, ao longo dos anos, continuamente se agravam tem que se pensar no que o Estado tem andado a fazer. Na saúde, na segurança, na justiça, na educação, o Estado português funciona mal. Mais: funciona abaixo daquilo que os contribuintes descontam. E é fundamental olhar para isto com realismo: a questão não tem a ver com os partidos que lideram o Governo, já que de facto a situação se tem vindo a agravar de forma mais ou menos constante.
A única coisa que parece funcionar é a obsessão em fazer obras públicas, que consomem fatias enormes do exaurido orçamento. Aí o programa dos dois maiores partidos tem diferenças de localização mas não de substância. O centrão, que engloba PS e PSD, converge na falta de gestão séria das prioridades, na falta de sensibilidade às pessoas, aos cidadãos, aos seus votantes.
Na realidade o Estado despreza a noção básica de serviço aos seus clientes, todos nós cidadãos anónimos que pagamos impostos e sustentamos a máquina. O Estado prefere servir um número restrito de representantes de interesses vários, do que parar por um momento para pensar como utilizar melhor o seu dinheiro.
Quando o orçamento não chega, nalgum lado tem que se cortar. Antes de começar a cortar nas pessoas e nos serviços que se lhes prestam, convém olhar para o que se gasta em projectos e estruturas que, se calhar, são dispensáveis numa fase como esta.
As verdadeiras reformas, as que surtirão efeito, são as que se fazem assim – a rever e cancelar projectos, a economizar num lado para se poder investir noutro. Se isto não for feito o Estado acaba por colapsar. E não me parece que no Centrão existam sinais de isto mudar. Ora isto dá que pensar: o sistema partidário, tal como o conhecemos, será capaz de ultrapassar a crise?
Quando num país se assiste à sucessão de problemas que existem e que, ao longo dos anos, continuamente se agravam tem que se pensar no que o Estado tem andado a fazer. Na saúde, na segurança, na justiça, na educação, o Estado português funciona mal. Mais: funciona abaixo daquilo que os contribuintes descontam. E é fundamental olhar para isto com realismo: a questão não tem a ver com os partidos que lideram o Governo, já que de facto a situação se tem vindo a agravar de forma mais ou menos constante.
A única coisa que parece funcionar é a obsessão em fazer obras públicas, que consomem fatias enormes do exaurido orçamento. Aí o programa dos dois maiores partidos tem diferenças de localização mas não de substância. O centrão, que engloba PS e PSD, converge na falta de gestão séria das prioridades, na falta de sensibilidade às pessoas, aos cidadãos, aos seus votantes.
Na realidade o Estado despreza a noção básica de serviço aos seus clientes, todos nós cidadãos anónimos que pagamos impostos e sustentamos a máquina. O Estado prefere servir um número restrito de representantes de interesses vários, do que parar por um momento para pensar como utilizar melhor o seu dinheiro.
Quando o orçamento não chega, nalgum lado tem que se cortar. Antes de começar a cortar nas pessoas e nos serviços que se lhes prestam, convém olhar para o que se gasta em projectos e estruturas que, se calhar, são dispensáveis numa fase como esta.
As verdadeiras reformas, as que surtirão efeito, são as que se fazem assim – a rever e cancelar projectos, a economizar num lado para se poder investir noutro. Se isto não for feito o Estado acaba por colapsar. E não me parece que no Centrão existam sinais de isto mudar. Ora isto dá que pensar: o sistema partidário, tal como o conhecemos, será capaz de ultrapassar a crise?
outubro 15, 2005
O FÓRUM LISBOA
OPOSIÇÃO – Na noite dos resultados eleitorais regista-se o contraste entre um Marques Mendes compostinho como sempre e um Rui Rio que foi o único a dizer o óbvio, sem rodeios, ao Primeiro Ministro: faz parte da Democracia que o Executivo não dificulte a vida aos autarcas eleitos que não são do partido do Governo e que lhes permita executar o seu programa sem entraves centralistas. Rui Rio, felizmente sempre politicamente incorrecto, revelou-se o verdadeiro líder da oposição ao fim da noite de Domingo.
MAQUIAVEL não teria feito melhor: de uma assentada João Soares, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis viram-se derrotados e o coordenador eleitoral autárquico do PS, Jorge Coelho, levou um puxão de orelhas no balanço final dos resultados. De uma assentada Sócrates colocou em posição de derrota as principais figuras da oposição interna no PS. Ainda vamos ver bons momentos neste episódio interno. Francisco Assis já saíu da Distrital e na candidatura de Mário Soares começou a confusão.
O FÓRUM LISBOA, antigo cinema Roma, é a sede da Assembleia Municipal. Ou seja, lá funcionam os serviços e lá decorrem os plenários. Isto quer dizer que a sala propriamente dita é ocupada pela Assembleia Municipal uma vez por semana, e apenas quando reúne, o que não acontece todo o ano. É escusado falar do potencial da sala: boa acústica (excelente, por sinal), boa lotação, boa localização, bons transportes, bom estacionamento. Acresce boas zonas de entrada no foyer a sugerir muitas possibilidades de intervenções complementares a espectáculos. Há cerca de dois anos, pela mão da EGEAC, o Fórum Roma iniciou um percurso de afirmação como uma sala alternativa no circuito da música contemporânea, estabelecendo uma lenta mas gratificante colaboração com promotores, num misto de programação própria e de sala de acolhimento de produções privadas. Criaram-se ciclos de programação, que chamaram ao local alguns dos melhores nomes da música portuguesa de diversos estilos e deu-se palco a uma série de nomes ímpares do panorama internacional – e aqui destaco apenas Lhasa para economia de palavras. Ao fim de dois anos e bastante esforço, de programação, produção e promoção, a sala tinha conquistado um lugar no roteiro musical de Lisboa, tinha criado um estilo e promovido uma marca e criado novos públicos. Tudo isto foi feito com um plano, foi concretizado com um investimento reduzido e num processo de parceria com promotores privados, sem intervencionismos nem dirigismos.
PARECIA um mundo quase perfeito até ao dia em que a Assembleia Municipal, pelo seu ainda Presidente, se insurgiu contra a gestão da EGEAC e contra a ocupação da sala por essa gente reles da música e de outras modernices e fez aprovar o seu regresso à formulação anterior. Convém agora recordar que antes disto, a sala era utilizada de forma avulsa, por quem a pedia junto dos respectivos serviços. Não havia identidade nem critério de programação, não havia a menor preocupação de utilizar racionalmente um equipamento comum. Havia uns favores a amigos, uma sucessão de jogos florais de variada ordem, de homenagens passadistas, sem lógica nem critério. E, nas mais das vezes sem utilidade nem gosto, apenas para auto-satisfação dos próprios que promoviam a iniciativa, sem criação de públicos nem de hábitos. Espera-se agora que com uma nova maioria na Assembleia Municipal a questão possa ser revista e que o futuro Vereador da Cultura dê ao assunto a atenção que ele merece.
DEFINIR a vocação de cada uma das salas e equipamentos culturais que a Câmara possui é aliás das primeiras coisas que devia ser feita pelas áreas competentes do novo executivo camarário – várias vezes ensaiada, essa definição nunca foi concretizada e por isso subsiste a maior confusão quanto à tipologia de utilização de cada um dos teatros e salas municipais. Há dois modelos em confronto: ou a Câmara garante ela própria toda a programação, ou se associa a privados que queiram utilizar o espaço dentro de situações normais de mercado, que estão absolutamente tipificadas. A Câmara já tem aliás salas demais – por isso é estranho ouvir falar em novas propostas como o Europa, que só vão replicar o funcionamento discricionário que era a marca do Fórum Roma até há dois anos atrás: entregar uma sala a uma Junta de Freguesia ou a um grupo de bondosos é torná-la um vazio caríssimo e não um núcleo agregador, um estimulador de novos públicos e um motor de mudança.
BACK TO BASICS – Antes de começar a fazer coisas novas, o melhor é olhar para o que está, definir o que se usa e o que faz falta.
PARA A SEMANA – O Parque Mayer.
BANDA SONORA – Sinfonia No. 4 de Mahler, interpretada por Renée Fleming e a Filarmónica de Berlim, dirigida por Claudio Abbado, edição Deutsche Grammophon, de 2005.
OPOSIÇÃO – Na noite dos resultados eleitorais regista-se o contraste entre um Marques Mendes compostinho como sempre e um Rui Rio que foi o único a dizer o óbvio, sem rodeios, ao Primeiro Ministro: faz parte da Democracia que o Executivo não dificulte a vida aos autarcas eleitos que não são do partido do Governo e que lhes permita executar o seu programa sem entraves centralistas. Rui Rio, felizmente sempre politicamente incorrecto, revelou-se o verdadeiro líder da oposição ao fim da noite de Domingo.
MAQUIAVEL não teria feito melhor: de uma assentada João Soares, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis viram-se derrotados e o coordenador eleitoral autárquico do PS, Jorge Coelho, levou um puxão de orelhas no balanço final dos resultados. De uma assentada Sócrates colocou em posição de derrota as principais figuras da oposição interna no PS. Ainda vamos ver bons momentos neste episódio interno. Francisco Assis já saíu da Distrital e na candidatura de Mário Soares começou a confusão.
O FÓRUM LISBOA, antigo cinema Roma, é a sede da Assembleia Municipal. Ou seja, lá funcionam os serviços e lá decorrem os plenários. Isto quer dizer que a sala propriamente dita é ocupada pela Assembleia Municipal uma vez por semana, e apenas quando reúne, o que não acontece todo o ano. É escusado falar do potencial da sala: boa acústica (excelente, por sinal), boa lotação, boa localização, bons transportes, bom estacionamento. Acresce boas zonas de entrada no foyer a sugerir muitas possibilidades de intervenções complementares a espectáculos. Há cerca de dois anos, pela mão da EGEAC, o Fórum Roma iniciou um percurso de afirmação como uma sala alternativa no circuito da música contemporânea, estabelecendo uma lenta mas gratificante colaboração com promotores, num misto de programação própria e de sala de acolhimento de produções privadas. Criaram-se ciclos de programação, que chamaram ao local alguns dos melhores nomes da música portuguesa de diversos estilos e deu-se palco a uma série de nomes ímpares do panorama internacional – e aqui destaco apenas Lhasa para economia de palavras. Ao fim de dois anos e bastante esforço, de programação, produção e promoção, a sala tinha conquistado um lugar no roteiro musical de Lisboa, tinha criado um estilo e promovido uma marca e criado novos públicos. Tudo isto foi feito com um plano, foi concretizado com um investimento reduzido e num processo de parceria com promotores privados, sem intervencionismos nem dirigismos.
PARECIA um mundo quase perfeito até ao dia em que a Assembleia Municipal, pelo seu ainda Presidente, se insurgiu contra a gestão da EGEAC e contra a ocupação da sala por essa gente reles da música e de outras modernices e fez aprovar o seu regresso à formulação anterior. Convém agora recordar que antes disto, a sala era utilizada de forma avulsa, por quem a pedia junto dos respectivos serviços. Não havia identidade nem critério de programação, não havia a menor preocupação de utilizar racionalmente um equipamento comum. Havia uns favores a amigos, uma sucessão de jogos florais de variada ordem, de homenagens passadistas, sem lógica nem critério. E, nas mais das vezes sem utilidade nem gosto, apenas para auto-satisfação dos próprios que promoviam a iniciativa, sem criação de públicos nem de hábitos. Espera-se agora que com uma nova maioria na Assembleia Municipal a questão possa ser revista e que o futuro Vereador da Cultura dê ao assunto a atenção que ele merece.
DEFINIR a vocação de cada uma das salas e equipamentos culturais que a Câmara possui é aliás das primeiras coisas que devia ser feita pelas áreas competentes do novo executivo camarário – várias vezes ensaiada, essa definição nunca foi concretizada e por isso subsiste a maior confusão quanto à tipologia de utilização de cada um dos teatros e salas municipais. Há dois modelos em confronto: ou a Câmara garante ela própria toda a programação, ou se associa a privados que queiram utilizar o espaço dentro de situações normais de mercado, que estão absolutamente tipificadas. A Câmara já tem aliás salas demais – por isso é estranho ouvir falar em novas propostas como o Europa, que só vão replicar o funcionamento discricionário que era a marca do Fórum Roma até há dois anos atrás: entregar uma sala a uma Junta de Freguesia ou a um grupo de bondosos é torná-la um vazio caríssimo e não um núcleo agregador, um estimulador de novos públicos e um motor de mudança.
BACK TO BASICS – Antes de começar a fazer coisas novas, o melhor é olhar para o que está, definir o que se usa e o que faz falta.
PARA A SEMANA – O Parque Mayer.
BANDA SONORA – Sinfonia No. 4 de Mahler, interpretada por Renée Fleming e a Filarmónica de Berlim, dirigida por Claudio Abbado, edição Deutsche Grammophon, de 2005.
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O FÓRUM LISBOA
OPOSIÇÃO – Na noite dos resultados eleitorais regista-se o contraste entre um Marques Mendes compostinho como sempre e um Rui Rio que foi o único a dizer o óbvio, sem rodeios, ao Primeiro Ministro: faz parte da Democracia que o Executivo não dificulte a vida aos autarcas eleitos que não são do partido do Governo e que lhes permita executar o seu programa sem entraves centralistas. Rui Rio, felizmente sempre politicamente incorrecto, revelou-se o verdadeiro líder da oposição ao fim da noite de Domingo.
MAQUIAVEL não teria feito melhor: de uma assentada João Soares, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis viram-se derrotados e o coordenador eleitoral autárquico do PS, Jorge Coelho, levou um puxão de orelhas no balanço final dos resultados. De uma assentada Sócrates colocou em posição de derrota as principais figuras da oposição interna no PS. Ainda vamos ver bons momentos neste episódio interno. Francisco Assis já saíu da Distrital e na candidatura de Mário Soares começou a confusão.
O FÓRUM LISBOA, antigo cinema Roma, é a sede da Assembleia Municipal. Ou seja, lá funcionam os serviços e lá decorrem os plenários. Isto quer dizer que a sala propriamente dita é ocupada pela Assembleia Municipal uma vez por semana, e apenas quando reúne, o que não acontece todo o ano. É escusado falar do potencial da sala: boa acústica (excelente, por sinal), boa lotação, boa localização, bons transportes, bom estacionamento. Acresce boas zonas de entrada no foyer a sugerir muitas possibilidades de intervenções complementares a espectáculos. Há cerca de dois anos, pela mão da EGEAC, o Fórum Roma iniciou um percurso de afirmação como uma sala alternativa no circuito da música contemporânea, estabelecendo uma lenta mas gratificante colaboração com promotores, num misto de programação própria e de sala de acolhimento de produções privadas. Criaram-se ciclos de programação, que chamaram ao local alguns dos melhores nomes da música portuguesa de diversos estilos e deu-se palco a uma série de nomes ímpares do panorama internacional – e aqui destaco apenas Lhasa para economia de palavras. Ao fim de dois anos e bastante esforço, de programação, produção e promoção, a sala tinha conquistado um lugar no roteiro musical de Lisboa, tinha criado um estilo e promovido uma marca e criado novos públicos. Tudo isto foi feito com um plano, foi concretizado com um investimento reduzido e num processo de parceria com promotores privados, sem intervencionismos nem dirigismos.
PARECIA um mundo quase perfeito até ao dia em que a Assembleia Municipal, pelo seu ainda Presidente, se insurgiu contra a gestão da EGEAC e contra a ocupação da sala por essa gente reles da música e de outras modernices e fez aprovar o seu regresso à formulação anterior. Convém agora recordar que antes disto, a sala era utilizada de forma avulsa, por quem a pedia junto dos respectivos serviços. Não havia identidade nem critério de programação, não havia a menor preocupação de utilizar racionalmente um equipamento comum. Havia uns favores a amigos, uma sucessão de jogos florais de variada ordem, de homenagens passadistas, sem lógica nem critério. E, nas mais das vezes sem utilidade nem gosto, apenas para auto-satisfação dos próprios que promoviam a iniciativa, sem criação de públicos nem de hábitos. Espera-se agora que com uma nova maioria na Assembleia Municipal a questão possa ser revista e que o futuro Vereador da Cultura dê ao assunto a atenção que ele merece.
DEFINIR a vocação de cada uma das salas e equipamentos culturais que a Câmara possui é aliás das primeiras coisas que devia ser feita pelas áreas competentes do novo executivo camarário – várias vezes ensaiada, essa definição nunca foi concretizada e por isso subsiste a maior confusão quanto à tipologia de utilização de cada um dos teatros e salas municipais. Há dois modelos em confronto: ou a Câmara garante ela própria toda a programação, ou se associa a privados que queiram utilizar o espaço dentro de situações normais de mercado, que estão absolutamente tipificadas. A Câmara já tem aliás salas demais – por isso é estranho ouvir falar em novas propostas como o Europa, que só vão replicar o funcionamento discricionário que era a marca do Fórum Roma até há dois anos atrás: entregar uma sala a uma Junta de Freguesia ou a um grupo de bondosos é torná-la um vazio caríssimo e não um núcleo agregador, um estimulador de novos públicos e um motor de mudança.
BACK TO BASICS – Antes de começar a fazer coisas novas, o melhor é olhar para o que está, definir o que se usa e o que faz falta.
PARA A SEMANA – O Parque Mayer.
BANDA SONORA – Sinfonia No. 4 de Mahler, interpretada por Renée Fleming e a Filarmónica de Berlim, dirigida por Claudio Abbado, edição Deutsche Grammophon, de 2005.
OPOSIÇÃO – Na noite dos resultados eleitorais regista-se o contraste entre um Marques Mendes compostinho como sempre e um Rui Rio que foi o único a dizer o óbvio, sem rodeios, ao Primeiro Ministro: faz parte da Democracia que o Executivo não dificulte a vida aos autarcas eleitos que não são do partido do Governo e que lhes permita executar o seu programa sem entraves centralistas. Rui Rio, felizmente sempre politicamente incorrecto, revelou-se o verdadeiro líder da oposição ao fim da noite de Domingo.
MAQUIAVEL não teria feito melhor: de uma assentada João Soares, Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis viram-se derrotados e o coordenador eleitoral autárquico do PS, Jorge Coelho, levou um puxão de orelhas no balanço final dos resultados. De uma assentada Sócrates colocou em posição de derrota as principais figuras da oposição interna no PS. Ainda vamos ver bons momentos neste episódio interno. Francisco Assis já saíu da Distrital e na candidatura de Mário Soares começou a confusão.
O FÓRUM LISBOA, antigo cinema Roma, é a sede da Assembleia Municipal. Ou seja, lá funcionam os serviços e lá decorrem os plenários. Isto quer dizer que a sala propriamente dita é ocupada pela Assembleia Municipal uma vez por semana, e apenas quando reúne, o que não acontece todo o ano. É escusado falar do potencial da sala: boa acústica (excelente, por sinal), boa lotação, boa localização, bons transportes, bom estacionamento. Acresce boas zonas de entrada no foyer a sugerir muitas possibilidades de intervenções complementares a espectáculos. Há cerca de dois anos, pela mão da EGEAC, o Fórum Roma iniciou um percurso de afirmação como uma sala alternativa no circuito da música contemporânea, estabelecendo uma lenta mas gratificante colaboração com promotores, num misto de programação própria e de sala de acolhimento de produções privadas. Criaram-se ciclos de programação, que chamaram ao local alguns dos melhores nomes da música portuguesa de diversos estilos e deu-se palco a uma série de nomes ímpares do panorama internacional – e aqui destaco apenas Lhasa para economia de palavras. Ao fim de dois anos e bastante esforço, de programação, produção e promoção, a sala tinha conquistado um lugar no roteiro musical de Lisboa, tinha criado um estilo e promovido uma marca e criado novos públicos. Tudo isto foi feito com um plano, foi concretizado com um investimento reduzido e num processo de parceria com promotores privados, sem intervencionismos nem dirigismos.
PARECIA um mundo quase perfeito até ao dia em que a Assembleia Municipal, pelo seu ainda Presidente, se insurgiu contra a gestão da EGEAC e contra a ocupação da sala por essa gente reles da música e de outras modernices e fez aprovar o seu regresso à formulação anterior. Convém agora recordar que antes disto, a sala era utilizada de forma avulsa, por quem a pedia junto dos respectivos serviços. Não havia identidade nem critério de programação, não havia a menor preocupação de utilizar racionalmente um equipamento comum. Havia uns favores a amigos, uma sucessão de jogos florais de variada ordem, de homenagens passadistas, sem lógica nem critério. E, nas mais das vezes sem utilidade nem gosto, apenas para auto-satisfação dos próprios que promoviam a iniciativa, sem criação de públicos nem de hábitos. Espera-se agora que com uma nova maioria na Assembleia Municipal a questão possa ser revista e que o futuro Vereador da Cultura dê ao assunto a atenção que ele merece.
DEFINIR a vocação de cada uma das salas e equipamentos culturais que a Câmara possui é aliás das primeiras coisas que devia ser feita pelas áreas competentes do novo executivo camarário – várias vezes ensaiada, essa definição nunca foi concretizada e por isso subsiste a maior confusão quanto à tipologia de utilização de cada um dos teatros e salas municipais. Há dois modelos em confronto: ou a Câmara garante ela própria toda a programação, ou se associa a privados que queiram utilizar o espaço dentro de situações normais de mercado, que estão absolutamente tipificadas. A Câmara já tem aliás salas demais – por isso é estranho ouvir falar em novas propostas como o Europa, que só vão replicar o funcionamento discricionário que era a marca do Fórum Roma até há dois anos atrás: entregar uma sala a uma Junta de Freguesia ou a um grupo de bondosos é torná-la um vazio caríssimo e não um núcleo agregador, um estimulador de novos públicos e um motor de mudança.
BACK TO BASICS – Antes de começar a fazer coisas novas, o melhor é olhar para o que está, definir o que se usa e o que faz falta.
PARA A SEMANA – O Parque Mayer.
BANDA SONORA – Sinfonia No. 4 de Mahler, interpretada por Renée Fleming e a Filarmónica de Berlim, dirigida por Claudio Abbado, edição Deutsche Grammophon, de 2005.
outubro 10, 2005
OBJECTIVO CUMPRIDO
Maria José Nogueira Pinto foi eleita. PSD e PP voltam a ter a possibilidade de formar uma maioria. E o PSD ganhou a maioria das freguesias da capital, o que quer dizer, conjugado com os outros resultados eleitorais, que a maioria da Assembleia Municipal também já não é de esquerda. Boa!
Maria José Nogueira Pinto foi eleita. PSD e PP voltam a ter a possibilidade de formar uma maioria. E o PSD ganhou a maioria das freguesias da capital, o que quer dizer, conjugado com os outros resultados eleitorais, que a maioria da Assembleia Municipal também já não é de esquerda. Boa!
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OBJECTIVO CUMPRIDO
Maria José Nogueira Pinto foi eleita. PSD e PP voltam a ter a possibilidade de formar uma maioria. E o PSD ganhou a maioria das freguesias da capital, o que quer dizer, conjugado com os outros resultados eleitorais, que a maioria da Assembleia Municipal também já não é de esquerda. Boa!
Maria José Nogueira Pinto foi eleita. PSD e PP voltam a ter a possibilidade de formar uma maioria. E o PSD ganhou a maioria das freguesias da capital, o que quer dizer, conjugado com os outros resultados eleitorais, que a maioria da Assembleia Municipal também já não é de esquerda. Boa!
COLIGAÇÕES
As coligações de direita funcionam. Estas eleições obrigam a olhar de perto o que se passou. A vitória não foi só do PSD, foi também do PP. Vejam o que se passou, por exemplo, em Aveiro. A direita voltou a subir o número de câmaras. O retrato dos grandes centros urbanos mostra que alguma coisa está a mudar no país. É um tema que vale a pena seguir.
As coligações de direita funcionam. Estas eleições obrigam a olhar de perto o que se passou. A vitória não foi só do PSD, foi também do PP. Vejam o que se passou, por exemplo, em Aveiro. A direita voltou a subir o número de câmaras. O retrato dos grandes centros urbanos mostra que alguma coisa está a mudar no país. É um tema que vale a pena seguir.
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COLIGAÇÕES
As coligações de direita funcionam. Estas eleições obrigam a olhar de perto o que se passou. A vitória não foi só do PSD, foi também do PP. Vejam o que se passou, por exemplo, em Aveiro. A direita voltou a subir o número de câmaras. O retrato dos grandes centros urbanos mostra que alguma coisa está a mudar no país. É um tema que vale a pena seguir.
As coligações de direita funcionam. Estas eleições obrigam a olhar de perto o que se passou. A vitória não foi só do PSD, foi também do PP. Vejam o que se passou, por exemplo, em Aveiro. A direita voltou a subir o número de câmaras. O retrato dos grandes centros urbanos mostra que alguma coisa está a mudar no país. É um tema que vale a pena seguir.
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CONVINHA...
Que a direita usasse bem o poder, que pusesse as coisas a funcionar, que não fosse megalómana, que fosse urbana e moderna, que não fosse foleira e passadista. Será pedir demais?
Que a direita usasse bem o poder, que pusesse as coisas a funcionar, que não fosse megalómana, que fosse urbana e moderna, que não fosse foleira e passadista. Será pedir demais?
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DIREITA
A direita ganhou e a esquerda perdeu. O resto é conversa. Mesmo nos centros urbanos de grande dimensão, não foi a esquerda a ganhar. Isso é bom. Espero que façam bom uso do poder quer agora receberam dos eleitores.
A direita ganhou e a esquerda perdeu. O resto é conversa. Mesmo nos centros urbanos de grande dimensão, não foi a esquerda a ganhar. Isso é bom. Espero que façam bom uso do poder quer agora receberam dos eleitores.
outubro 09, 2005
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MANUAL DO PRÍNCIPE
Manuel Maria Carrilho, João Soares e Francisco Assis perderam as eleições. Menos três para importunar Sócrates. Pelo caminho Jorge Coelho ficou em xeque, apesar de recusar a evidência da derrota. Assim se vê por onde vai o PS... Maquiavel não teria feito melhor.
Manuel Maria Carrilho, João Soares e Francisco Assis perderam as eleições. Menos três para importunar Sócrates. Pelo caminho Jorge Coelho ficou em xeque, apesar de recusar a evidência da derrota. Assim se vê por onde vai o PS... Maquiavel não teria feito melhor.
O ALICERCE
CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.
VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?
TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.
COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.
VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.
DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.
OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.
LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.
PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?
DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.
BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.
CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.
VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?
TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.
COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.
VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.
DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.
OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.
LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.
PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?
DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.
BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.
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O ALICERCE
CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.
VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?
TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.
COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.
VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.
DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.
OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.
LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.
PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?
DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.
BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.
CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.
VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?
TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.
COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.
VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.
DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.
OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.
LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.
PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?
DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.
BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.
outubro 07, 2005
A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)
Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
(hoje, em «O Independente»)
Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
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A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)
Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
(hoje, em «O Independente»)
Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
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VOTO ÚTIL
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.
outubro 03, 2005
TODO O MUNDO É UM PALCO
DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.
NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.
REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.
VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.
OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.
DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.
BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.
DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.
NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.
REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.
VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.
OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.
DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.
BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.
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TODO O MUNDO É UM PALCO
DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.
NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.
REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.
VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.
OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.
DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.
BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.
DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.
NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.
REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.
VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.
OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.
DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.
BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.
setembro 28, 2005
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IRRA!
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?
setembro 26, 2005
ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.
VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.
O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.
LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?
DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.
POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.
TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.
COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…
VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.
OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.
PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?
FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».
VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.
O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.
LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?
DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.
POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.
TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.
COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…
VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.
OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.
PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?
FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».
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ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.
VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.
O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.
LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?
DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.
POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.
TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.
COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…
VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.
OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.
PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?
FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».
VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.
O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.
LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?
DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.
POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.
TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.
COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…
VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.
OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.
PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?
FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».
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