outubro 09, 2005

O ALICERCE

CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.

VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?

TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.

COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.

VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.

DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.

OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.

LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.

PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?

DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.

BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.

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ANTES DOS RESULTADOS
Os fins não justificam os meios

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O ALICERCE

CONSTRUÇÃO – Sabem quem é o alicerce deste regime? Basta olhar para o sector da construção. Todos os eleitos, das mais pequenas autarquias até ao Governo, sonham em fazer obra, em construir, em mudar. Poucos pensam em melhorar o que está, em aperfeiçoar, em rentabilizar. Deitar abaixo e fazer de novo é o lema de Portugal desde há décadas e é uma das razões porque o país chegou onde chegou. Por alguma razão se misturam os interesses de grandes empresas de construção e de obras públicas com a política e os partidos. São estas empresas que de facto dominam o regime - e como se verá neste fim de semana, qualquer que seja o vencedor em cada autarquia, lá estará uma obrazinha para fazer, seja um túnel, um estádio, um aeroporto ou um parque de estacionamento.

VIZINHOS – Aqui ao lado, em Espanha, o Ministério da Economia e Finanças e o Ministério da Cultura estão em fase avançada de negociações para que qualquer empresa que invista na produção de cinema espanhol possa ter um benefício fiscal de 20 por cento, valor a que até agora só os produtores têm acesso. A actual desagravação para o sector é de cinco por cento, o que significa aumentar em 15% o benefício concedido. A Ministra da Cultura de Espanha, Carmen Calvo, mostrou-se optimista quanto à evolução das negociações e sublinhou que o objectivo é «canalizar mais investimento privado para produzir cinema em Espanha». Curioso – tão perto, e, no entanto, tão longe – não é?

TELEMÓVEIS – O operador de telemóveis britânico Orange lançou esta semana um canal exclusivo para telemóveis, inteiramente consagrado à transmissão directa de jogos de cricket de uma das mais célebres competições mundiais da modalidade, a ICC Super Series. Neste momento a Orange disponibiliza já 16 canais diferentes, um deles desenvolvido para a Orange pela Endemol e que apresenta apenas reality shows.

COMER – Hoje, um petisco, no bairro lisboeta que oferece maior escolha de cafés. Pois então dirijam-se a Campo de Ourique, à histórica Rua de Infantaria 16, procurem o nº62-B e encontrarão «O Meu Café». Está aberto até às 11 da noite: O petisco que vos proponho é a especialidade da casa: as merendas mistas são feitas em fornadas contínuas ao longo do dia e resolvem bem qualquer ataque de apetite. Tem esplanada, simpática.

VER – Durante alguns dias o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) é o palco de acolhimento da sexta edição da Festa do Cinema Francês. Consultem o site www.festadocinemafrances.com para saberem todos os detalhes da programação e fiquem avisados que este fim de semana há boas razões para maratonas cinematográficas. Termina dia 16 de Outubro.

DESCOBRIR – Deste sábado até dia 11, o espectáculo Metamorphis, no CCB, integrado no Festival Temps d’Images. Concepção de Alberto Lopes.

OUVIR – Uma das melhores vozes femininas dos últimos anos é de Fiona Apple. Pianista e cantora, ela assume integralmente a autoria das suas canções no novo «Extraordinary Machine» e fez o mais maduro e marcante dos seus três
discos editados até à data. O álbum é empolgante e canções como «Red Red Red» e «Window» vão seguramente tornar-se referências na sua obra. Fiona não editava desde o álbum «Magnolia» , de 1999 e este «Extraordinary Machine» é mesmo surpreendente.

LER – Está escrito como uma história deliciosa e aventureira, e é-o de facto: «Barings, A História do Banco Britânico Que Salvou Portugal» é uma viagem pelos meandros de uma instituição financeira que durante um século acudiu aos governos portugueses cada vez que a ruína espreitava. Da autoria de dois jornalistas (Fernando Sobral deste «Jornal de Negócios» e Paula Alexandre Cordeiro do «Diário Económico»), o livro lê-se com o entusiasmo e vontade que se dedicam às boas histórias bem contadas.

PERGUNTA – Só ao fim de dez anos de mandato é que Jorge Sampaio se lembrou de que há corrupção e fugas aos impostos, que o país está um caos e que os políticos são um grupo com má reputação? Ou será que ele acha que durante os seus dois mandatos as coisas pioraram a olhos vistos e não se quis ir embora sem antes o reconhecer?

DESABAFO – O voto útil é o que de pior se podia ter inventado para a democracia.

BACK TO BASICS – Um político é julgado pela animosidade que suscita nos seus opositores, Sir Winston Churchill.

outubro 07, 2005

A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)

Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.

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A UTILIDADE DO VOTO
(hoje, em «O Independente»)

Como em qualquer outra eleição, estes últimos dias são passados em torno do apelo ao voto útil. Estes apelos vêm sobretudo dos grandes partidos, nomeadamente dos pilares do bloco central, responsáveis de facto pelo estado do país. Acontece que o apelo ao voto útil é o pior serviço que se pode prestar à liberdade de opinião e de expressão e ao funcionamento da democracia.
A ideia bondosa das eleições, embora já estejamos longe dela, é certo, é propôr e debater programas diferentes, oferecer várias propostas e, de entre elas, escolher uma que conjunturalmente nos agrade mais. Num mundo ideal os partidos não deviam promover a fidelidade clubista mas sim o debate de ideias. O apelo ao voto útil visa o contrário disto: deixem de expressar as vossas convicções e adaptem-se ao mal menor, mas a um que efectivamente possa ter poder.
Não gosto do mundo a preto e branco, não gosto das coisas automaticamente divididas entre o bem e o mal – acho que vale a pena ter o máximo de opinião e de correntes representadas a todos os níveis de poder. E acho que os pequenos partidos são essenciais para que de facto exista democracia, para que novos temas sejam introduzidos na agenda política. Em geral tenho tendência a evitar a teoria do mal menor.
Durante muito tempo estive hesitante sobre o meu sentido de voto em Lisboa. Devia manter alguma fidelidade, mesmo que não me revisse no programa? Ou devia procurar contribuir para ter mais vozes na autarquia? As eleições fizeram-se para permitir que mais vozes se ouçam, e gosto do que tenho ouvido de Maria José Nogueira Pinto. Sobretudo agrada-me a ideia de melhorar o que existe, em vez de passar a vida a fazer tudo de novo. É nela que vou votar. E estou certo que é o voto mais útil que podia ter.
VOTO ÚTIL
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.

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VOTO ÚTIL
O voto mais útil é aquele em que mais acreditamos, não é o que dá mais jeito a arranjinhos de poder. Gostava de ter na Câmara Municipal de Lisboa alguém que tenha uma visão regenerativa da cidade. Domingo vou votar Maria José Nogueira Pinto.

outubro 03, 2005

TODO O MUNDO É UM PALCO

DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.

NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.

REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.

VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.

OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.

DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.

BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.

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TODO O MUNDO É UM PALCO

DIGITAL – Uma das razões porque às vezes as coisas funcionam bem reside na velha planificação. A mudança de televisão analógica para digital, que em toda a União Europeia deve ocorrer até 2012, vai necessitar – para além de equipamentos de transmissão e recepção diferentes – de toda uma infra-estrutura de distribuição de sinal adequada às novas especificidades técnicas. Pois na Grã-Bretanha foi apresentado um Guia de Boas Práticas para o sector da construção, imobiliário e renovação urbana, com todos os detalhes sobre o que deve ser feito e o que deve ser evitado. Na introdução o Ministro do Broadcasting, James Purnell, sublinha que «é preciso começar a preparar agora o que terá de se iniciar daqui a três anos» (já que o início do switchover digital na Grã Bretanha está previsto para 2008). A publicação, do Chartered Institute of Housing dirige-se quer a senhorios quer a inquilinos e tem uma única preocupação: ajudar o consumidor. Curioso, não é?.

NÚMEROS – Na Grã Bretanha a organização não desportiva que tem maior número de filiados não é nenhum partido político – é a Royal Society For The Protection Of The Birds com 1.049.392 inscritos. Os pássaros revelam-se assim muito mais gratificantes que a política: os Conservadores apresentam 300.000 inscritos, os Trabalhistas 200.000 e os Liberais 70.000.

REFEIÇÃO – Apenas o jantar, aviso já. Os mais velhos poderão lembrar-se do Angelus a caminho de Sesimbra, onde há uns anos se fazia o fondue de referência; anos mais tarde a mesma equipa estava na Porta Branca (Bairro Alto), onde entre as várias iguarias se propunha tubarão. Pois quer o fondue, quer o tubarão, quer algumas outras iguarias estão de volta, desta vez a Brejos de Azeitão, no «Anxel». É escusado dizer que a carne do fondue é especialíssima, muito tenra, com um corte invulgar, bem temperada. A sala é simpática, a garrafeira razoável e moderada em preços. As reservas podem ser feitas para o 917040963. A mesma equipa tem em Lisboa o restaurante «Mãe de Água», na Rua das Amoreiras 10, telefone 21 388 28 20.

VER – Na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84-3º (em Lisboa, a Santos) a exposição «Travel», uma colectiva de oito novos artistas provenientes dos países africanos de expressão portuguesa que apresentam trabalhos propondo novas formas de abordagem à tradição plástica africana não só nas áreas mais tradicionais (como a escultura, tapeçaria e pintura), mas também em novos suportes artísticos como o vídeo. A descobrir, num fim de tarde.

OUVIR – Charlie Haden continua militante e delicioso. O seu disco mais recente, gravado na Europa, vai buscar o título a uma organização cívica norte-americana criada para combater a participação norte-americana na Guerra do Iraque, chamada «Not In Our Name». A organização aliás também teve um papel importante na campanha contra a reeleição de Bush, mas como se sabe falhou. Neste disco o baixista Charlie Haden aparece com uma nova formação que vai buscar o nome de um dos seus grupos de referência, a «Liberation Music Orchestra», que em 1968 fez disco contra a guerra no Vietname. Tal como no disco inicial, aqui também Carla Bley está ao lado de Haden ao piano e assegura os arranjos – muito bons e surpreendentes. A Libaration Band tem uma predominância de metais, que proporcionam uma sonoridade bem característica, muito marcada pelos trompetes de Michael Rodriguez e Séneca Black. O álbum foi gravado em Roma no final da digressão europeia da banda em 2004 e inclui versões de temas como «This Is Not America» de Pat Metheny e David Bowie, «America The Beautifulk», um clássico de Samuel Ward, «Skies Of America» de Ornette Coleman, o tradicional «Amazing Grace» ou uma versão muito própria baseada na sinfonia do Novo Mundo de Dvorak, «Going Home». Sobretudo pela qualidade dos arranjos e da interpretação criativa de velhos temas, este é um disco a descobrir. CD editado por Verve/Gitanes, distribuído por Universal Music.

DESABAFO – O que me faz mais impressão em Manuel Alegre é a solidão em que o deixaram, mesmo os que lhe eram mais próximos. Não é normal, nem decente.

BACK TO BASICS – Dedicado às campanhas autárquicas e aos políticos que temos: O Mundo inteiro nada mais é que um palco – William Shakespeare.

setembro 28, 2005

IRRA!
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?

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IRRA!
Mais de metade das obras que se fazem ou/e propõem para Lisboa são para benefício dos que vêm de fora, dos que por aqui passam, mas não são para dar mais conforto, saúde e segurança aos que cá sempre viveram. Quem gosta de viver num estaleiro de obras?

setembro 26, 2005

ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.

VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.

O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.

LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?

DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.

POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.

TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.

COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…

VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.

OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.

PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?

FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».

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ÉTICA – Por mais voltas que se dê ao texto, aquilo que mais falta faz na política é a ética. Uma ética que não utilize casas de banho nem má educação, uma ética que valorize a acção e não as promessas, uma ética que sublinhe as diferenças e não iluda as aparências. Não é impossível, nem é tarde, mas vai ser difícil.

VOYEURISMO - É ficar a ver a declaração em 17 pontos de Fátima Felgueiras dada em directo, e tornar em facto político do dia o regresso de uma furagida à justiça, exactamente a tempo de se tornar estrela de uma campanha eleitoral.

O FOSSO – A comunicação política está afundada num fosso. Os políticos atiram coisas lá para dentro e há quem fique a ver. São muito poucos a atirar lixo para o fosso e não são assim tantos a olhar lá para dentro. Mas fazem tanto barulho, que parecem decisivos. Funcionam em círculo fechado: o fosso alimenta-se de quem o enche e de quem o espreita. Como qualquer fosso, faz um eco terrível, uma barulheira enorme. O fosso é um amplificador dos espectáculos degradantes que enxameiam a vida pública.

LISBOA – O candidato que ganhar Lisboa devia prometer que não faz mais obras, que não abre mais buracos, que não faz mais túneis, que proíbe o estacionamento em dupla fila, que deixa os lisboetas viverem e circularem na cidade, que permite que gozem a circulação que o imposto respectivo devia garantir. Por acaso não vejo ninguém a fazer promessas nesta matéria. Porque será?

DEBATES – Poucas ideias, muito poucas ideias, apesar de estarmos a poucos dias do arranque efectivo da campanha eleitoral. Nestas eleições, que deviam ser de proximidade, aposta-se sobretudo na maquilhagem dos candidatos. Uma fantasia, portanto. É a táctica do reality-show aplicado à política.

POIS – Repararam que a capa desta semana da revista «The Economist» tinha por título «How the internet killed the phone business»? Se têm dúvidas sobre as grandes companhias telefónicas leiam o artigo.

TV- E quando os programas de televisão deixarem de dar na televisão? Paradoxo? – Nem por isso. Consultem o último número da revista «Wired» (infelizmente não disponível em Portugal devido ao problema da importação de revistas norte-americanas). De qualquer forma uma visita a www.wired.com permite ler o tema de capa, «Reinventando a Televisão», e sobretudo o magnífico artigo «ESPN Thinks Outside The Box», onde se explica como um dos grandes canais de desporto ultrapassou a dimensão do receptor de televisão e diversificou de forma calma mas constante para outras plataformas de distribuição e criou um modelo de negócio viável.

COMIDINHA- Faltam restaurantes bons e populares, no sentido de animados sem a necessidade de figuras de revistas ou do poder. De restaurantes onde se coma bem e se paguem preços honestos, onde o vinho da casa seja bom. Como emn tantas outras áreas, na restauração portuguesa falta a camada do meio – há tascas óptimas, bons restaurantes de gama alta, mas quase não há restaurantes de gama média e bons. Eu gosto de restaurantes populares, mas com bom serviço? Será um paradoxo? Só se for aqui…

VER – A exposição «O Fado Por Stuart de Carvalhais», desenhos e ilustrações publicados em revistas e partituras da época. Em paralelo mostram-se trabalhos relacionados por outros artistas contemporâneos de Carvalhais, como Almada ou Botelho. No Museu do Fado, frente ao Largo do Chafariz de Baixo, Alfama.

OUVIR – Na primeira década do século XVIII a ópera esteve proibida em Roma graças a uma sucessão de factos: desde o Jubileu de 1700, a guerras, epidemias e até um tremor de terra. De facto o teatro era considerado o expoente da decadência, as mulheres proibidas de o pisar (daí a invasão de castrati na ópera italiana…). Mas claro que apesar das proibições os compositores continuaram a compor. Cecília Bartoli, acompanhada pelos Musiciens du Louvre dirigidos por Marc Minkowski, mostra alguns desses trabalhos proibidos de Handel, Scarlatti e Caldara num disco emocionante. «Opera Proibita», CD Decca, distribuição Universal Music.

PERGUNTA - O que vai acontecer se em alguns concelhos os partidos políticos forem derrotados por movimentos independentes?

FRASE DA SEMANA – «O Dr. Mário Soares é confiável» , Jorge Coelho em «A Quadartura do Círculo».

setembro 24, 2005

QUEM SERÁ O PRINCÌPE?

Começo hoje por duas citações da célebre obra de Nicolau Maquiavel, «O Princípe», editada em Florença em 1531:
«É necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade (...) Um príncipe sábio não pode, pois, nem deve, manter-se fiel às suas promessas quando, extinta a causa que o levou a fazê-las, o cumprimento delas lhe traz prejuízo.»
Dito isto passo a contar uma fábula:
Era uma vez um país onde o novo príncipe vivia atormentado pelos fantasmas do passado. Com o apoio do seu escudeiro desenhou um plano fantástico: lançar os seus inimigos para o meio de um turbilhão. Ao mais velho de todos, e com maior influência, levou-o a querer disputar difíceis eleições; com este desafio acabou por colocar a única pessoa que lhe disputou a liderança do partido, um dos outros notáveis da velha guarda, num beco sem saída; ao filho do patriarca colocou-o a disputar uma Câmara onde não seria fácil alcançar vitória; a um seu rival da mesma geração lançou-o para uma campanha eleitoral, sendo certo que a disputa seria grande e que de antemão se sabia que por ali havia uma certa falta de jeito para as andanças que uma campanha exige.
Todas as sondagens davam como provável a derrota dos candidatos que deixou avançar mas isso não o preocupou demais. Os que fossem derrotados dificilmente se levantariam de novo, e ele poderia sempre dizer que lhes deu a oportunidade que eles não souberam aproveitar. Não deixaria até de lhes louvar o sacrifício. E assim, de duas penadas, se livraria dos seus tormentos. Restava-lhe o escudeiro – e ao escudeiro restava o princípe. Mas o fim desta história só mais para a frente se saberá.

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QUEM SERÁ O PRINCÌPE?

Começo hoje por duas citações da célebre obra de Nicolau Maquiavel, «O Princípe», editada em Florença em 1531:
«É necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade (...) Um príncipe sábio não pode, pois, nem deve, manter-se fiel às suas promessas quando, extinta a causa que o levou a fazê-las, o cumprimento delas lhe traz prejuízo.»
Dito isto passo a contar uma fábula:
Era uma vez um país onde o novo príncipe vivia atormentado pelos fantasmas do passado. Com o apoio do seu escudeiro desenhou um plano fantástico: lançar os seus inimigos para o meio de um turbilhão. Ao mais velho de todos, e com maior influência, levou-o a querer disputar difíceis eleições; com este desafio acabou por colocar a única pessoa que lhe disputou a liderança do partido, um dos outros notáveis da velha guarda, num beco sem saída; ao filho do patriarca colocou-o a disputar uma Câmara onde não seria fácil alcançar vitória; a um seu rival da mesma geração lançou-o para uma campanha eleitoral, sendo certo que a disputa seria grande e que de antemão se sabia que por ali havia uma certa falta de jeito para as andanças que uma campanha exige.
Todas as sondagens davam como provável a derrota dos candidatos que deixou avançar mas isso não o preocupou demais. Os que fossem derrotados dificilmente se levantariam de novo, e ele poderia sempre dizer que lhes deu a oportunidade que eles não souberam aproveitar. Não deixaria até de lhes louvar o sacrifício. E assim, de duas penadas, se livraria dos seus tormentos. Restava-lhe o escudeiro – e ao escudeiro restava o princípe. Mas o fim desta história só mais para a frente se saberá.

setembro 23, 2005

ESTADOS DE ALMA
1- O país não está melhor;
2- Os partidos estão piores;
3- Crescem as razões para a abstenção.

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ESTADOS DE ALMA
1- O país não está melhor;
2- Os partidos estão piores;
3- Crescem as razões para a abstenção.

setembro 20, 2005

TPC PARA QUINTA FEIRA
Debate " A Direita e a Cultura", pelas 20h30 do próximo dia 22 de Setembro, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Consultar: Arts Council britânico, ver como é feito o financiamento das artes, como decorre o projecto «Own Art».
Ver: Como as coisas funcionam no Canadá.
Ter: uma ideia de como é que a California actua.
Pesquisar como nos Estados Unidos está montado o National Endowment For The Arts e verificar como se processa o financiamento e os recursos existentes.

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TPC PARA QUINTA FEIRA
Debate " A Direita e a Cultura", pelas 20h30 do próximo dia 22 de Setembro, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Consultar: Arts Council britânico, ver como é feito o financiamento das artes, como decorre o projecto «Own Art».
Ver: Como as coisas funcionam no Canadá.
Ter: uma ideia de como é que a California actua.
Pesquisar como nos Estados Unidos está montado o National Endowment For The Arts e verificar como se processa o financiamento e os recursos existentes.

setembro 19, 2005

ESTADO, CIDADES E CULTURA

EXPERIMENTA - Até 30 de Outubro, em diversos pontos da cidade, aí está de novo a Bienal Experimenta Design. Este é o fim-de-semana das conferências, as exposições mantém-se em vários locais. Todas as informações em www.experimentadesign.pt . Permitam-me destacar os projectos «Casa Portuguesa – Modelos Globais Para Casas Locais», que vai estar no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional. O Lounging Space, que se tornou num ponto de encontro da Experimenta, estará este ano no Palácio de Santa Catarina. Na área dos Projectos Tangenciais destaque para a revista «Volfrâmio», da responsabilidade da Silva!designers, que estará na sede do Clube Português de Artes e Ideias, nº 29-2º do Largo do Chiado. Iniciativas como a Experimenta contribuem de forma constante para uma vertente dupla: de um lado a afirmação da criatividade portuguesa e o fomento do seu contacto com criadores internacionais, e do outro a imagem de Lisboa como palco da contemporaneidade. O tema da edição deste ano é «O Meio É A Matéria», uma reflexão sobre o design aplicado à comunicação que tem o seu ponto alto na exposição «Catalyst!», no CCB.

AUTARQUIAS - Em véspera de autárquicas o caso da Experimenta Design é um bom pretexto para falar um pouco da relação das autarquias com as formas contemporâneas de arte e cultura. Dois acontecimentos ajudaram a projectar desde há bastantes anos uma imagem de Lisboa diversa dos choradinhos, da luz e dos carris dos eléctricos: falo da Moda Lisboa e da Experimenta. Neste ano iniciou-se o África Festival, que se propôs fazer assumir a Lisboa o papel de plataforma giratória de contacto entre as culturas de África e da Europa – e uma das suas iniciativas, a exposição «Travel», abre aliás para a semana, dia 23, na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º), uma colectiva de artistas contemporâneos de países africanos de expressão portuguesa. Estes três projectos são estruturantes, estratégicos em áreas que vão para além da moda, do design ou da música e artes plásticas: a sua repercussão na imprensa internacional produz uma imagem positiva da cidade, moderna e activa, empenhada. Lisboa precisa de mais alguns projectos de dimensão que a façam projectar além-fronteiras como uma cidade de diálogo e de acolhimento. É nestes projectos, escolhidos e preparados com critério, que vale a pena investir – e não disseminando os fundos públicos em pequenos subsídios que aumentam a dependência e não premeiam, nas mais das vezes, o trabalho sério e de qualidade. Do que tenho lido temo muito que venha por aí o regresso do espírito pacóvio de Júlio Dantas, que infelizmente é ainda o dominante, em termos gerais, a nível autárquico por esse país fora.
DEBATE – Uma boa ocasião para debater isto acontece na próxima quinta-feira, dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz. É o regresso das «Noites À Direita», desta vez com a presença de António Mega Ferreira, Rui Ramos e Pedro Mexia que debaterão, com os presentes, o tema «A Direita e A Cultura». As «Noites À Direita, um projecto liberal», são promovidas por um grupo que integra António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto de Mascarenhas, Pedro Lomba, Rui Ramos e eu próprio, que irei tentar moderar a conversa que há-de certamente andar muito à volta do papel do Estado na Cultura.
LER – O síte www.marktest.com é sempre uma boa leitura. Esta semana fiquei a saber que milhão e meio de lares portugueses têm cão e que o Governo ocupou 10 por cento do tempo dos noticiários de televisão nos seus primeiros seis meses de actividade. Qualquer pessoa pode ali subscrever a newsletter electrónica, que é uma boa fonte de indicadores sobre a evolução da nossa sociedade. No site há uma zona reservada à evolução das sondagens para as autárquicas que vai ser muito útil nas próximas semanas.

BLOCO NOTAS – Dados oficiais dizem que a área florestal ardida em 2005 foi de 256 mil hectares, o dobro da que ardeu no ano anterior. Façam o favor de ler as declarações dos responsáveis nos meses de Maio, Junho e início de Julho. Para mais tarde recordar…

BACK TO BASICS – Em política as coincidências são raras. Mas claro que é certamente por coincidência que boa parte dos nomeados para a área editorial e de conteúdos da nova Lusomundo é simpatizante do Dr. Jorge Coelho.

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ESTADO, CIDADES E CULTURA

EXPERIMENTA - Até 30 de Outubro, em diversos pontos da cidade, aí está de novo a Bienal Experimenta Design. Este é o fim-de-semana das conferências, as exposições mantém-se em vários locais. Todas as informações em www.experimentadesign.pt . Permitam-me destacar os projectos «Casa Portuguesa – Modelos Globais Para Casas Locais», que vai estar no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional. O Lounging Space, que se tornou num ponto de encontro da Experimenta, estará este ano no Palácio de Santa Catarina. Na área dos Projectos Tangenciais destaque para a revista «Volfrâmio», da responsabilidade da Silva!designers, que estará na sede do Clube Português de Artes e Ideias, nº 29-2º do Largo do Chiado. Iniciativas como a Experimenta contribuem de forma constante para uma vertente dupla: de um lado a afirmação da criatividade portuguesa e o fomento do seu contacto com criadores internacionais, e do outro a imagem de Lisboa como palco da contemporaneidade. O tema da edição deste ano é «O Meio É A Matéria», uma reflexão sobre o design aplicado à comunicação que tem o seu ponto alto na exposição «Catalyst!», no CCB.

AUTARQUIAS - Em véspera de autárquicas o caso da Experimenta Design é um bom pretexto para falar um pouco da relação das autarquias com as formas contemporâneas de arte e cultura. Dois acontecimentos ajudaram a projectar desde há bastantes anos uma imagem de Lisboa diversa dos choradinhos, da luz e dos carris dos eléctricos: falo da Moda Lisboa e da Experimenta. Neste ano iniciou-se o África Festival, que se propôs fazer assumir a Lisboa o papel de plataforma giratória de contacto entre as culturas de África e da Europa – e uma das suas iniciativas, a exposição «Travel», abre aliás para a semana, dia 23, na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º), uma colectiva de artistas contemporâneos de países africanos de expressão portuguesa. Estes três projectos são estruturantes, estratégicos em áreas que vão para além da moda, do design ou da música e artes plásticas: a sua repercussão na imprensa internacional produz uma imagem positiva da cidade, moderna e activa, empenhada. Lisboa precisa de mais alguns projectos de dimensão que a façam projectar além-fronteiras como uma cidade de diálogo e de acolhimento. É nestes projectos, escolhidos e preparados com critério, que vale a pena investir – e não disseminando os fundos públicos em pequenos subsídios que aumentam a dependência e não premeiam, nas mais das vezes, o trabalho sério e de qualidade. Do que tenho lido temo muito que venha por aí o regresso do espírito pacóvio de Júlio Dantas, que infelizmente é ainda o dominante, em termos gerais, a nível autárquico por esse país fora.
DEBATE – Uma boa ocasião para debater isto acontece na próxima quinta-feira, dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz. É o regresso das «Noites À Direita», desta vez com a presença de António Mega Ferreira, Rui Ramos e Pedro Mexia que debaterão, com os presentes, o tema «A Direita e A Cultura». As «Noites À Direita, um projecto liberal», são promovidas por um grupo que integra António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto de Mascarenhas, Pedro Lomba, Rui Ramos e eu próprio, que irei tentar moderar a conversa que há-de certamente andar muito à volta do papel do Estado na Cultura.
LER – O síte www.marktest.com é sempre uma boa leitura. Esta semana fiquei a saber que milhão e meio de lares portugueses têm cão e que o Governo ocupou 10 por cento do tempo dos noticiários de televisão nos seus primeiros seis meses de actividade. Qualquer pessoa pode ali subscrever a newsletter electrónica, que é uma boa fonte de indicadores sobre a evolução da nossa sociedade. No site há uma zona reservada à evolução das sondagens para as autárquicas que vai ser muito útil nas próximas semanas.

BLOCO NOTAS – Dados oficiais dizem que a área florestal ardida em 2005 foi de 256 mil hectares, o dobro da que ardeu no ano anterior. Façam o favor de ler as declarações dos responsáveis nos meses de Maio, Junho e início de Julho. Para mais tarde recordar…

BACK TO BASICS – Em política as coincidências são raras. Mas claro que é certamente por coincidência que boa parte dos nomeados para a área editorial e de conteúdos da nova Lusomundo é simpatizante do Dr. Jorge Coelho.

setembro 17, 2005

EM «O INDEPENDENTE»:

Cultura À Direita

A opinião dominante entre boa parte da Esquerda é a de que a Direita é uma espécie de reserva ecológica de trogloditas em matéria cultural. E, em contrapartida, uma boa parte da Direita acha que a Esquerda só defende o que é incompreensível e apenas vive porque há subsídios. Enquanto o debate continuar neste pé a coisa dificilmente passará do estado pré-histórico. Por isso mesmo há questões a discutir sem preconceitos: o Estado deve cingir-se à manutenção do património , ou deve também fomentar e suportar a criação artística? A cultura tem que ser uma actividade lucrativa? Podemos ou não alargar os incentivos fiscais nesta área? Devemos investir mais na criação de públicos ou na produção de obras? Como pode a criação ser fomentada? Qual o papel das autarquias neste quadro – devem ser complementares da Administração central ou devem ser alternativas? A resposta a algumas destas perguntas é estruturante na definição de políticas culturais, um panorama que raramente tem sido debatido com seriedade.
Peguemos no exemplo britânico do Arts Council e do seu programa «Own Art», um incentivo à compra de arte contemporânea de novos artistas, que garante empréstimos sem juros, de curto prazo, para a aquisição de pintura e escultura. De uma assentada fomenta-se o mercado, cria-se um canal de venda para artistas em começo de carreira, dá-se mais circulação de obras às galerias associadas e cria-se um novo hábito em novos públicos. Será este um caminho?
No regresso das «Noites à Direita» o debate é sobre política cultural e à mesa vão estar António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos. É dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz - e o melhor é não ter ideias feitas.

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EM «O INDEPENDENTE»:

Cultura À Direita

A opinião dominante entre boa parte da Esquerda é a de que a Direita é uma espécie de reserva ecológica de trogloditas em matéria cultural. E, em contrapartida, uma boa parte da Direita acha que a Esquerda só defende o que é incompreensível e apenas vive porque há subsídios. Enquanto o debate continuar neste pé a coisa dificilmente passará do estado pré-histórico. Por isso mesmo há questões a discutir sem preconceitos: o Estado deve cingir-se à manutenção do património , ou deve também fomentar e suportar a criação artística? A cultura tem que ser uma actividade lucrativa? Podemos ou não alargar os incentivos fiscais nesta área? Devemos investir mais na criação de públicos ou na produção de obras? Como pode a criação ser fomentada? Qual o papel das autarquias neste quadro – devem ser complementares da Administração central ou devem ser alternativas? A resposta a algumas destas perguntas é estruturante na definição de políticas culturais, um panorama que raramente tem sido debatido com seriedade.
Peguemos no exemplo britânico do Arts Council e do seu programa «Own Art», um incentivo à compra de arte contemporânea de novos artistas, que garante empréstimos sem juros, de curto prazo, para a aquisição de pintura e escultura. De uma assentada fomenta-se o mercado, cria-se um canal de venda para artistas em começo de carreira, dá-se mais circulação de obras às galerias associadas e cria-se um novo hábito em novos públicos. Será este um caminho?
No regresso das «Noites à Direita» o debate é sobre política cultural e à mesa vão estar António Mega Ferreira, Pedro Mexia e Rui Ramos. É dia 22, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do Teatro de S. Luiz - e o melhor é não ter ideias feitas.

setembro 16, 2005

TIRANETE
O grande problema de Carrilho é que ele gostava que o mundo fosse feito à sua maneira, que ninguém contestasse o que diz e que as suas palavras fossem tidas como infalíveis. Em suma, o retrato de um tiranete. A sua lamentável atitude no fim do debate de ontem mostra falta de fair play. E também falta de coragem para enfrentar as adversidades. É uma estranha forma de vida, birrenta e caprichosa.

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TIRANETE
O grande problema de Carrilho é que ele gostava que o mundo fosse feito à sua maneira, que ninguém contestasse o que diz e que as suas palavras fossem tidas como infalíveis. Em suma, o retrato de um tiranete. A sua lamentável atitude no fim do debate de ontem mostra falta de fair play. E também falta de coragem para enfrentar as adversidades. É uma estranha forma de vida, birrenta e caprichosa.

setembro 15, 2005

PARA RECORDAR
um post aqui publicado dia 7 de Junho:
LISBOA - COISAS QUE NÃO PERCEBO
Não entendo porque é que se há-de querer reconstruir o Parque Mayer, nem entendo porque é que se continua a falar de teatro de revista, uma coisa que está mais morta que a Constituição Europeia e que é mais desinteressante que uma arenga de Jorge Coelho.

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PARA RECORDAR
um post aqui publicado dia 7 de Junho:
LISBOA - COISAS QUE NÃO PERCEBO
Não entendo porque é que se há-de querer reconstruir o Parque Mayer, nem entendo porque é que se continua a falar de teatro de revista, uma coisa que está mais morta que a Constituição Europeia e que é mais desinteressante que uma arenga de Jorge Coelho.
NOTAS SOBRE LISBOA E CULTURA
No início de Junho - já depois de ter tornado claro que não estava interessado em paticipar no processo autárquico (ler post «Para Que Conste»)- elaborei, a pedido, umas notas sobre política cultural para Lisboa. As notas foram entregues à Directora da campanha de Carmona Rodrigues. Aqui as deixo, dentro de um espírito de debate sobre políticas culturais. E, já agora, para que se percebam melhor as coisas. E para que se comparem as diferenças com o que sobre esta matéria essa candidatura publicou.

«O programa da candidatura na área da Cultura deve ser uma bandeira em que os públicos da cidade se possam rever, que toda a gente das artes e espectáculos possa aceitar. Não é um programa só para o teatro, nem só para a música. Deve ser um programa que cative os cépticos e dote Lisboa de novos pólos de atracção. O exemplo de Serralves, de uma festa constante construída em torno da arte contemporânea, deve fazer reflectir. A Cultura é a área em que a Direita só tem a ganhar.

Lisboa não pode ser só a capital e sede de instituições culturais, tem que se ganhar a cidade para ser a montra do novo, o palco do espectáculo, a feira das artes, uma permanente festa dos sentidos.

É nesta cidade onde se canta o Fado, onde o Teatro é quase uma saudade, onde Almada Negreiros fez tremer Júlio Dantas e onde Fernando Pessoa cantou a alma de Portugal que todos queremos viver melhor. Queremos uma cidade onde os criadores modernos coexistam com a tradição, onde a recuperação do património esteja ao lado do apoio a novas formas de expressão e de experimentação. Queremos a cidade do S. Carlos, do D. Maria, do S. Luiz, mas também queremos a cidade da Bedeteca ou da Videoteca, de um S. Jorge retomado pelo público, de museus vivos e dinâmicos, de novos equipamentos para novos públicos, em circuitos naturais onde os visitantes possam descobrir uma nova razão para voltar a Lisboa, uma cidade virada para o Tejo e o futuro.

PROPOSTAS ESTRUTURANTES:
Criar um Conselho Metropolitano da Cultura e Turismo que fomente o destino turístico Lisboa na componente cultural e crie mecanismos de consensualização dos grandes Festivais e Festas dos diversos concelhos, articulando datas e fomentando um calendário sempre com atractivos.
A criação de uma Lisbon Film Commission podia estar ligada a esta entidade.

Lisboa concentra o maior número de equipamentos culturais de todo o país e, simultaneamente, o maior número de criadores e produtores artísticos – entre eles a maioria das instituições oficiais na área da museologia, música, teatro, dança e cinema para falar apenas de algumas áreas.

Em Lisboa, mas também e sobretudo nos concelhos limítrofes, nos anos mais recentes, surgiram uma série de novos equipamentos, desde bibliotecas a auditórios, passando por museus e galerias, diversos espaços dedicados a criadores e algumas iniciativas de carácter regular que têm vindo a ganhar crescente peso.

O objectivo não é fazer Lisboa entrar em competição com Oeiras, Cascais, Sintra, Loures ou Vila Franca, é antes fomentar a cooperação e proporcionar aos públicos de toda esta região uma oferta ainda mais diversificada, uma possibilidade de actuação mais alargada,, uma maior utilização de recursos comuns.

Da mesma forma justifica-se criar um órgão permanente de articulação entre organismos do Ministério da Cultura e a autarquia, nomeadamente o IPPAR, IPM, Instituto das Artes e Instituto do Património Arqueológico.

PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO LOCAL:
Transformação do Pavilhão de Portugal num pólo museológico que se torne numa das imagens de marca da cidade de Lisboa.

Conversão do Cinema S. Jorge numa sala multifuncional para música, cinema e conferências com 1500 lugares;

Recuperação do Pavilhão dos Desportos para sede e sala da Orquestra Metropolitana de Lisboa e afectação do edifício da Standard Eléctrica a áreas expositivas e ateliers.

Intervenção no Parque da Belavista para implantação de uma estrutura permanente de acolhimento de concertos ao ar livre (rockódoromo).

Intervenção num dos pavilhões ribeirinhos para criar um espaço vocacionado para as músicas alternativas com capacidade para cerca de 1000 lugares em pé, que coexista com um conjunto de salas de ensaio que possam ser alugadas à horas ou ao dia.

Criação de um espaço onde se desenrolem actividades que sublinhem a multiculturalidade da cidade e permita às várias etnias uma ocupação regular.

NOVAS PROPOSTAS DE ACÇÃO:
Lisbon Film Commission – O objectivo é ganhar notoriedade para Lisboa como destino de filmagens de publicidade, séries de televisão e cinema; Assegurar a participação em certames internacionais da indústria em moldes profissionais e abrangentes, assegurando uma efectiva representatividade nacional; Proporcionar um conjunto de instrumentos capazes de fornecer aos profissionais do sector todas as informações necessárias para a sua actividade;

Bienal Jovens Criadores da Lusofonia – Reforçar o papel dinâmico de Lisboa no relacionamento com as comunidades e países lusófonos, estabelecendo um ponto de encontro e reflexão de jovens criadores de áreas como as artes plásticas, a música, as artes cénicas e performativas, a fotografia, o vídeo, a moda e o design.

Poesia - Promover o grande Encontro dos Poetas Vivos como a melhor homenagem a Fernando Pessoa e introduzir a poesia na vida da cidade.

Criar um regime especial de Mecenato, em articulação com as Finanças, que permitam Lisboa fazer face aos custos que em matéria cultural ser uma Capital implica, nomeadamente no tocante a novas actividades.

Recuperar as Colectividades de Cultura e Recreio e torná-las no eixo de ligação da política cultural da autarquia aos bairros da cidade.

Manter a Lisboa Photo, a Moda Lisboa , a Experimenta Design e o Africa Festival. Retomar o Festival Internacional de Teatro ou, em substituição, criar a Mostra Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa.».

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NOTAS SOBRE LISBOA E CULTURA
No início de Junho - já depois de ter tornado claro que não estava interessado em paticipar no processo autárquico (ler post «Para Que Conste»)- elaborei, a pedido, umas notas sobre política cultural para Lisboa. As notas foram entregues à Directora da campanha de Carmona Rodrigues. Aqui as deixo, dentro de um espírito de debate sobre políticas culturais. E, já agora, para que se percebam melhor as coisas. E para que se comparem as diferenças com o que sobre esta matéria essa candidatura publicou.

«O programa da candidatura na área da Cultura deve ser uma bandeira em que os públicos da cidade se possam rever, que toda a gente das artes e espectáculos possa aceitar. Não é um programa só para o teatro, nem só para a música. Deve ser um programa que cative os cépticos e dote Lisboa de novos pólos de atracção. O exemplo de Serralves, de uma festa constante construída em torno da arte contemporânea, deve fazer reflectir. A Cultura é a área em que a Direita só tem a ganhar.

Lisboa não pode ser só a capital e sede de instituições culturais, tem que se ganhar a cidade para ser a montra do novo, o palco do espectáculo, a feira das artes, uma permanente festa dos sentidos.

É nesta cidade onde se canta o Fado, onde o Teatro é quase uma saudade, onde Almada Negreiros fez tremer Júlio Dantas e onde Fernando Pessoa cantou a alma de Portugal que todos queremos viver melhor. Queremos uma cidade onde os criadores modernos coexistam com a tradição, onde a recuperação do património esteja ao lado do apoio a novas formas de expressão e de experimentação. Queremos a cidade do S. Carlos, do D. Maria, do S. Luiz, mas também queremos a cidade da Bedeteca ou da Videoteca, de um S. Jorge retomado pelo público, de museus vivos e dinâmicos, de novos equipamentos para novos públicos, em circuitos naturais onde os visitantes possam descobrir uma nova razão para voltar a Lisboa, uma cidade virada para o Tejo e o futuro.

PROPOSTAS ESTRUTURANTES:
Criar um Conselho Metropolitano da Cultura e Turismo que fomente o destino turístico Lisboa na componente cultural e crie mecanismos de consensualização dos grandes Festivais e Festas dos diversos concelhos, articulando datas e fomentando um calendário sempre com atractivos.
A criação de uma Lisbon Film Commission podia estar ligada a esta entidade.

Lisboa concentra o maior número de equipamentos culturais de todo o país e, simultaneamente, o maior número de criadores e produtores artísticos – entre eles a maioria das instituições oficiais na área da museologia, música, teatro, dança e cinema para falar apenas de algumas áreas.

Em Lisboa, mas também e sobretudo nos concelhos limítrofes, nos anos mais recentes, surgiram uma série de novos equipamentos, desde bibliotecas a auditórios, passando por museus e galerias, diversos espaços dedicados a criadores e algumas iniciativas de carácter regular que têm vindo a ganhar crescente peso.

O objectivo não é fazer Lisboa entrar em competição com Oeiras, Cascais, Sintra, Loures ou Vila Franca, é antes fomentar a cooperação e proporcionar aos públicos de toda esta região uma oferta ainda mais diversificada, uma possibilidade de actuação mais alargada,, uma maior utilização de recursos comuns.

Da mesma forma justifica-se criar um órgão permanente de articulação entre organismos do Ministério da Cultura e a autarquia, nomeadamente o IPPAR, IPM, Instituto das Artes e Instituto do Património Arqueológico.

PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO LOCAL:
Transformação do Pavilhão de Portugal num pólo museológico que se torne numa das imagens de marca da cidade de Lisboa.

Conversão do Cinema S. Jorge numa sala multifuncional para música, cinema e conferências com 1500 lugares;

Recuperação do Pavilhão dos Desportos para sede e sala da Orquestra Metropolitana de Lisboa e afectação do edifício da Standard Eléctrica a áreas expositivas e ateliers.

Intervenção no Parque da Belavista para implantação de uma estrutura permanente de acolhimento de concertos ao ar livre (rockódoromo).

Intervenção num dos pavilhões ribeirinhos para criar um espaço vocacionado para as músicas alternativas com capacidade para cerca de 1000 lugares em pé, que coexista com um conjunto de salas de ensaio que possam ser alugadas à horas ou ao dia.

Criação de um espaço onde se desenrolem actividades que sublinhem a multiculturalidade da cidade e permita às várias etnias uma ocupação regular.

NOVAS PROPOSTAS DE ACÇÃO:
Lisbon Film Commission – O objectivo é ganhar notoriedade para Lisboa como destino de filmagens de publicidade, séries de televisão e cinema; Assegurar a participação em certames internacionais da indústria em moldes profissionais e abrangentes, assegurando uma efectiva representatividade nacional; Proporcionar um conjunto de instrumentos capazes de fornecer aos profissionais do sector todas as informações necessárias para a sua actividade;

Bienal Jovens Criadores da Lusofonia – Reforçar o papel dinâmico de Lisboa no relacionamento com as comunidades e países lusófonos, estabelecendo um ponto de encontro e reflexão de jovens criadores de áreas como as artes plásticas, a música, as artes cénicas e performativas, a fotografia, o vídeo, a moda e o design.

Poesia - Promover o grande Encontro dos Poetas Vivos como a melhor homenagem a Fernando Pessoa e introduzir a poesia na vida da cidade.

Criar um regime especial de Mecenato, em articulação com as Finanças, que permitam Lisboa fazer face aos custos que em matéria cultural ser uma Capital implica, nomeadamente no tocante a novas actividades.

Recuperar as Colectividades de Cultura e Recreio e torná-las no eixo de ligação da política cultural da autarquia aos bairros da cidade.

Manter a Lisboa Photo, a Moda Lisboa , a Experimenta Design e o Africa Festival. Retomar o Festival Internacional de Teatro ou, em substituição, criar a Mostra Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa.».

setembro 13, 2005

MARQUE JÁ NA SUA AGENDA
NOITES À DIREITA*
*projecto liberal

SALA DE INVERNO DO TEATRO S. LUÍS
DIA 22 DE SETEMBRO, 20H30.

"A DIREITA E A CULTURA"

ANTÓNIO MEGA FERREIRA. PEDRO MEXIA. RUI RAMOS

Moderador: este que se assina, MANUEL FALCÃO

CONTAMOS COM A INTERVENÇÃO DE TODOS.

Todas as informações, a toda a hora em Direita Liberal

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MARQUE JÁ NA SUA AGENDA
NOITES À DIREITA*
*projecto liberal

SALA DE INVERNO DO TEATRO S. LUÍS
DIA 22 DE SETEMBRO, 20H30.

"A DIREITA E A CULTURA"

ANTÓNIO MEGA FERREIRA. PEDRO MEXIA. RUI RAMOS

Moderador: este que se assina, MANUEL FALCÃO

CONTAMOS COM A INTERVENÇÃO DE TODOS.

Todas as informações, a toda a hora em Direita Liberal
COMENTÁRIOS
Durante uma semana resolvi abrir a possibilidade de leitores enviarem comentários aos posts. Este blog - e os seus posts - são assinados e o autor é conhecido. Infelizmente verifiquei que a quase totalidade dos comentários era anónina. Não sou fã de denúncias anónimas, mas não me incomodam os insultos nem as calúnias - ao longo dos anos habituei-me a ouvi-los já que eu assino o que escrevo. Não foram os comentários que me eram dirigidos que me fizeram alterar a sua existência e possibilidade - o problema é que terceiras pessoas começaram elas próprias a ser atacadas por anónimos (algumas até pessoas com quem estou em divergência total) e a isso não dou guarida. Quem quiser pode sempre enviar as suas opiniões, assinadas por favor, para aesquinadorio@hotmail.com . Para os anónimos desejo-lhes coragem, para um dia se assumirem.

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COMENTÁRIOS
Durante uma semana resolvi abrir a possibilidade de leitores enviarem comentários aos posts. Este blog - e os seus posts - são assinados e o autor é conhecido. Infelizmente verifiquei que a quase totalidade dos comentários era anónina. Não sou fã de denúncias anónimas, mas não me incomodam os insultos nem as calúnias - ao longo dos anos habituei-me a ouvi-los já que eu assino o que escrevo. Não foram os comentários que me eram dirigidos que me fizeram alterar a sua existência e possibilidade - o problema é que terceiras pessoas começaram elas próprias a ser atacadas por anónimos (algumas até pessoas com quem estou em divergência total) e a isso não dou guarida. Quem quiser pode sempre enviar as suas opiniões, assinadas por favor, para aesquinadorio@hotmail.com . Para os anónimos desejo-lhes coragem, para um dia se assumirem.
COMO APRESENTAR NOTÍCIAS
O último número da Spectator tem um interessante artigo sobre os ataques dos trabalhistas a um dos apresentadores de noticiários da BBC, John Humphrys. Como a coisa é muito oportuna por cá, aqui vai, com a devida vénia, a transcrição, autêntico manual de vilanagem que alguns spin-doctores e responsáveis de agências de comunicação praticam - conhecimento muito oportuno na situação portuguesa, aliás:

«The peculiar and very bitter New Labour vendetta against the BBC presenter, John Humphrys, has at last drawn blood. Our government really, really hates the man and it is being aided in its campaign by one or two sycophantic News International journalists and one or two naive or envious souls from within the BBC itself.

For the best part of a decade, New Labour has repeatedly accused the Today presenter of engendering within the listening public a cynical attitude towards politicians. It is, the spin doctors aver, the ‘Humphrys Problem’ and for seven years the Prime Minister has conspicuously avoided being interviewed by the man. That, I suspect, is at the heart of the issue: Labour does not like the relentless and forensic manner in which Humphrys (and, for that matter, Paxman) conducts interviews with government ministers; the refusal to sanction obfuscation and — you have to say — on occasion downright lying. There are some non-aligned journalists who have a degree of sympathy with Labour’s complaints — John Lloyd, for example. But the majority of those who attack the man are very much aligned indeed, such as Tom Baldwin at the Times, a close friend of Alastair Campbell (who these days is himself a Times journalist, of a sort). Within the Corporation, meanwhile, there are those who feel Mr Humphrys has got a bit above his station — the ludicrous former acting chairman of the governors, Lord Ryder, is one such. And as we have seen, there are others.

This last week the Times devoted two pages to an attack on Mr Humphrys, based on comments he is alleged to have made during a light-hearted address to a bunch of public relations executives aboard a cruise ship moored off the coast at Southampton. Short of being stuck in the New Orleans Superdome, I cannot imagine a much worse fate than to be imprisoned on a luxury Narrenschiff with 200 or so bibulous PR monkeys — one hopes Mr Humphrys was well paid for enduring such an appalling ordeal. Anyway, during the course of his unscripted address, the presenter suggested that Gordon Brown tended to come across as a little boring when being interviewed, that John Prescott made people laugh and that politicians who refused to lie would find it difficult to achieve Cabinet status. He also suggested that Andrew Gilligan had been almost entirely correct that the government had ‘sexed up’ intelligence reports about Saddam Hussein’s weapons of mass destruction. I suppose you might consider the first three statements a matter of conjecture, but the last is a simple fact.

Tom Baldwin, naturally, was the conduit for the report, which stuck the boot in not only over the remarks I have quoted above but also over the fact that — heaven forfend — Mr Humphrys used a couple of rude words during his address. Mr Baldwin said rather coyly that the Times had ‘obtained’ a copy of a video made of the speech; in fact it had been passed on to Mr Baldwin by his old mucker Tim Allan, a former No. 10 spin doctor who now runs his own PR firm (but was not on board ship for the speech). Earlier this year Mr Allan was contemplating a return to New Labour spin-doctoring but, in the end, decided against it. Mr Allan’s company, Portland PR, handles an account for a certain Rupert Murdoch and he has been espied within these pages writing articles calling for the privatisation of the BBC. By now you should have an idea of the general agenda and the twin motives of political animosity and commercial gain.

Communications Directors, the firm which hired Mr Humphrys, insists that Tim Allan got his video under false pretences, lied through his teeth to members of its staff and broke a confidentiality agreement by passing the video on to Mr Baldwin. Mr Allan — who may now face legal action as a result — denies these allegations. ‘I have nothing to apologise for,’ he told me. ‘John Humphrys is paid thousands of pounds by the BBC and he runs around the country saying that politicians are lying shits,’ he added, although these were not quite the words used by Mr Humphrys. In any case, I’m not sure what the implication is here; certainly not conflict of interest. If the BBC paid him thousands of pounds and he ran around the country saying that politicians were lovely, would that be OK? One could even argue that Mr Humphrys’s comments were a form of public transparency, albeit a well-remunerated one. But this much is true: John Humphrys is one of the very few presenters whose political allegiance I cannot remotely fathom, despite having known the man as a friend for the best part of 15 years. Elsewhere there are presenters who use the word ‘we’ when referring to New Labour and plenty of others who betray their political leanings (almost exclusively towards the Left) in every loaded question, every sneer and every nuance.

The Times seems now to have disowned Mr Baldwin’s article. In an editorial on Monday it announced that Mr Humphrys’s comments should not be taken seriously and we should simply ‘chuckle’ and move on. Which is a peculiar thing to say about a story to which your newspaper has devoted two whole pages, but there we are. But the Times is in concordance with the rest of Fleet Street, Right and Left — there was no harm in Mr Humphrys’s remarks. And yet the BBC, or some of its management pygmies, has now seen fit publicly to rebuke the man.

It is worth remembering that it was Mr Baldwin who was the lucky recipient of the tape-recording which did for the Conservative MP Howard Flight, shortly before the last election. Mr Flight had been surreptitiously recorded suggesting that tax cuts were not a wholly bad thing and, when Mr Baldwin’s story hit the news-stands, Mr Flight was (illegally, I suspect) deselected on the orders of his party leader, Michael Howard. Mr Flight told me: ‘Tom Baldwin wrote the story; he got the recording. The Labour party did not deny that it had been the source of the tape at the time.’ Indeed, the Labour party put out a statement saying that Howard Flight had been sacked for telling the truth. How’s that for hypocrisy?

It is becoming a familiar mode of attack and one which is entirely fitting for New Labour: hang people when they are revealed to have spoken what they believe to be the truth. Sneak around and get friendly journalists to do your dirty work for you. There are certainly enough journalists willing to do it, although few have been quite so reliable, over the years, as Mr Baldwin.

Meanwhile the BBC, still in its post-Hutton trauma, has reacted with a predictable lack of spine. Both the chairman of the BBC, Michael Grade, and the editor of the Today programme, Kevin Marsh, have demanded to see a ‘full transcript’ of Mr Humphrys’s address. And having done so, they’ve come to exactly the opposite conclusion to the rest of the journalistic world. Is the BBC really so insecure that it needs to make such obeisance to the government?

You assume that with this sort of response, one of these days New Labour will get its wish and Mr Humphrys will be sacked. And we’ll be left listening to presenters who are on altogether more convivial terms with the ministers whom they are interviewing.»

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COMO APRESENTAR NOTÍCIAS
O último número da Spectator tem um interessante artigo sobre os ataques dos trabalhistas a um dos apresentadores de noticiários da BBC, John Humphrys. Como a coisa é muito oportuna por cá, aqui vai, com a devida vénia, a transcrição, autêntico manual de vilanagem que alguns spin-doctores e responsáveis de agências de comunicação praticam - conhecimento muito oportuno na situação portuguesa, aliás:

«The peculiar and very bitter New Labour vendetta against the BBC presenter, John Humphrys, has at last drawn blood. Our government really, really hates the man and it is being aided in its campaign by one or two sycophantic News International journalists and one or two naive or envious souls from within the BBC itself.

For the best part of a decade, New Labour has repeatedly accused the Today presenter of engendering within the listening public a cynical attitude towards politicians. It is, the spin doctors aver, the ‘Humphrys Problem’ and for seven years the Prime Minister has conspicuously avoided being interviewed by the man. That, I suspect, is at the heart of the issue: Labour does not like the relentless and forensic manner in which Humphrys (and, for that matter, Paxman) conducts interviews with government ministers; the refusal to sanction obfuscation and — you have to say — on occasion downright lying. There are some non-aligned journalists who have a degree of sympathy with Labour’s complaints — John Lloyd, for example. But the majority of those who attack the man are very much aligned indeed, such as Tom Baldwin at the Times, a close friend of Alastair Campbell (who these days is himself a Times journalist, of a sort). Within the Corporation, meanwhile, there are those who feel Mr Humphrys has got a bit above his station — the ludicrous former acting chairman of the governors, Lord Ryder, is one such. And as we have seen, there are others.

This last week the Times devoted two pages to an attack on Mr Humphrys, based on comments he is alleged to have made during a light-hearted address to a bunch of public relations executives aboard a cruise ship moored off the coast at Southampton. Short of being stuck in the New Orleans Superdome, I cannot imagine a much worse fate than to be imprisoned on a luxury Narrenschiff with 200 or so bibulous PR monkeys — one hopes Mr Humphrys was well paid for enduring such an appalling ordeal. Anyway, during the course of his unscripted address, the presenter suggested that Gordon Brown tended to come across as a little boring when being interviewed, that John Prescott made people laugh and that politicians who refused to lie would find it difficult to achieve Cabinet status. He also suggested that Andrew Gilligan had been almost entirely correct that the government had ‘sexed up’ intelligence reports about Saddam Hussein’s weapons of mass destruction. I suppose you might consider the first three statements a matter of conjecture, but the last is a simple fact.

Tom Baldwin, naturally, was the conduit for the report, which stuck the boot in not only over the remarks I have quoted above but also over the fact that — heaven forfend — Mr Humphrys used a couple of rude words during his address. Mr Baldwin said rather coyly that the Times had ‘obtained’ a copy of a video made of the speech; in fact it had been passed on to Mr Baldwin by his old mucker Tim Allan, a former No. 10 spin doctor who now runs his own PR firm (but was not on board ship for the speech). Earlier this year Mr Allan was contemplating a return to New Labour spin-doctoring but, in the end, decided against it. Mr Allan’s company, Portland PR, handles an account for a certain Rupert Murdoch and he has been espied within these pages writing articles calling for the privatisation of the BBC. By now you should have an idea of the general agenda and the twin motives of political animosity and commercial gain.

Communications Directors, the firm which hired Mr Humphrys, insists that Tim Allan got his video under false pretences, lied through his teeth to members of its staff and broke a confidentiality agreement by passing the video on to Mr Baldwin. Mr Allan — who may now face legal action as a result — denies these allegations. ‘I have nothing to apologise for,’ he told me. ‘John Humphrys is paid thousands of pounds by the BBC and he runs around the country saying that politicians are lying shits,’ he added, although these were not quite the words used by Mr Humphrys. In any case, I’m not sure what the implication is here; certainly not conflict of interest. If the BBC paid him thousands of pounds and he ran around the country saying that politicians were lovely, would that be OK? One could even argue that Mr Humphrys’s comments were a form of public transparency, albeit a well-remunerated one. But this much is true: John Humphrys is one of the very few presenters whose political allegiance I cannot remotely fathom, despite having known the man as a friend for the best part of 15 years. Elsewhere there are presenters who use the word ‘we’ when referring to New Labour and plenty of others who betray their political leanings (almost exclusively towards the Left) in every loaded question, every sneer and every nuance.

The Times seems now to have disowned Mr Baldwin’s article. In an editorial on Monday it announced that Mr Humphrys’s comments should not be taken seriously and we should simply ‘chuckle’ and move on. Which is a peculiar thing to say about a story to which your newspaper has devoted two whole pages, but there we are. But the Times is in concordance with the rest of Fleet Street, Right and Left — there was no harm in Mr Humphrys’s remarks. And yet the BBC, or some of its management pygmies, has now seen fit publicly to rebuke the man.

It is worth remembering that it was Mr Baldwin who was the lucky recipient of the tape-recording which did for the Conservative MP Howard Flight, shortly before the last election. Mr Flight had been surreptitiously recorded suggesting that tax cuts were not a wholly bad thing and, when Mr Baldwin’s story hit the news-stands, Mr Flight was (illegally, I suspect) deselected on the orders of his party leader, Michael Howard. Mr Flight told me: ‘Tom Baldwin wrote the story; he got the recording. The Labour party did not deny that it had been the source of the tape at the time.’ Indeed, the Labour party put out a statement saying that Howard Flight had been sacked for telling the truth. How’s that for hypocrisy?

It is becoming a familiar mode of attack and one which is entirely fitting for New Labour: hang people when they are revealed to have spoken what they believe to be the truth. Sneak around and get friendly journalists to do your dirty work for you. There are certainly enough journalists willing to do it, although few have been quite so reliable, over the years, as Mr Baldwin.

Meanwhile the BBC, still in its post-Hutton trauma, has reacted with a predictable lack of spine. Both the chairman of the BBC, Michael Grade, and the editor of the Today programme, Kevin Marsh, have demanded to see a ‘full transcript’ of Mr Humphrys’s address. And having done so, they’ve come to exactly the opposite conclusion to the rest of the journalistic world. Is the BBC really so insecure that it needs to make such obeisance to the government?

You assume that with this sort of response, one of these days New Labour will get its wish and Mr Humphrys will be sacked. And we’ll be left listening to presenters who are on altogether more convivial terms with the ministers whom they are interviewing.»
PARA MUDAR DE TEMA... Descobrir o Google
«The Search» é o título de um livro do jornalista John Battelle. A Wired News dedica-lha o artigo «How Google Got Its Groove On», onde nomeadamente pode ler:

Battelle's book shows how search is pushing technology toward the dream of artificial intelligence. He explains how thousands of small businesses thrive and die by the quirks of search-engine algorithms, and details how an unorganized consortium of nonprofits, bloggers and corporations are rebuilding the Library of Alexandria in a digital, distributed and democratic form.

Battelle, who launched one of the internet's seminal business magazines, The Industry Standard, and co-founded Wired magazine, is certainly qualified to tell the story of how pure search triumphed over bloated portals and in the process revitalized the dream of a revolutionary wired world.

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PARA MUDAR DE TEMA... Descobrir o Google
«The Search» é o título de um livro do jornalista John Battelle. A Wired News dedica-lha o artigo «How Google Got Its Groove On», onde nomeadamente pode ler:

Battelle's book shows how search is pushing technology toward the dream of artificial intelligence. He explains how thousands of small businesses thrive and die by the quirks of search-engine algorithms, and details how an unorganized consortium of nonprofits, bloggers and corporations are rebuilding the Library of Alexandria in a digital, distributed and democratic form.

Battelle, who launched one of the internet's seminal business magazines, The Industry Standard, and co-founded Wired magazine, is certainly qualified to tell the story of how pure search triumphed over bloated portals and in the process revitalized the dream of a revolutionary wired world.

PARA QUE CONSTE
No dia 6 de Maio - há muito tempo portanto - o jornal «Semanário» publicou uma peça onde se referia que eu iria participar e integrar a lista do Prof Carmona Rodrigues à Câmara de Lisboa. Nesse mesmo dia enviei ao Director daquele jornal uma nota que abaixo reproduzo na íntegra, e que foi publicada na edição seguinte do «Semanário», a 13 de Maio. Recordo-a aqui para que algumas almas caridosas que vivem da pequena calúnia tenham bem presente a ordem das coisas:
«O jornal que dirige publicou na sua edição de hoje, página 3, uma peça onde o meu nome é envolvido e onde são feitas afirmações, em relação à minha pessoa, que não correspondem à verdade.
Assim:
- Não estou nem estarei em qualquer lista de candidatos autárquicos;
- Não participei nem participarei em qualquer reunião de definição de estratégias para os próximos actos eleitorais.
Por consequência, em minha casa não se realizou qualquer reunião com a minha presença.
A minha intervenção nos últimos anos tem-se cingindo apenas a questões do fôro de políticas culturais e não tenciono ter qualquer intervenção política, nem em actos eleitorais, nem em quaisquer questões partidárias.
Conheço e estimo o Professor Carmona Rodrigues, mas para além desta estima e amizade não existe mais nenhuma relação – muito menos as conspirativas que apareciam descritas.
Tão pouco comento outras acusações, igualmente falsas, de fonte anónima (que penso no entanto saber quem possa ser, pelo estilo mesquinho e medíocre que o caracteriza).
O tempo se encarregará de demonstrar como a referida peça, pelo menos em relação a mim, não era verdadeira. Mas como o tempo é volátil, peço-lhe que rectifique as informações que sobre mim publicou.
Com os melhores cumprimentos
Manuel Falcão»

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PARA QUE CONSTE
No dia 6 de Maio - há muito tempo portanto - o jornal «Semanário» publicou uma peça onde se referia que eu iria participar e integrar a lista do Prof Carmona Rodrigues à Câmara de Lisboa. Nesse mesmo dia enviei ao Director daquele jornal uma nota que abaixo reproduzo na íntegra, e que foi publicada na edição seguinte do «Semanário», a 13 de Maio. Recordo-a aqui para que algumas almas caridosas que vivem da pequena calúnia tenham bem presente a ordem das coisas:
«O jornal que dirige publicou na sua edição de hoje, página 3, uma peça onde o meu nome é envolvido e onde são feitas afirmações, em relação à minha pessoa, que não correspondem à verdade.
Assim:
- Não estou nem estarei em qualquer lista de candidatos autárquicos;
- Não participei nem participarei em qualquer reunião de definição de estratégias para os próximos actos eleitorais.
Por consequência, em minha casa não se realizou qualquer reunião com a minha presença.
A minha intervenção nos últimos anos tem-se cingindo apenas a questões do fôro de políticas culturais e não tenciono ter qualquer intervenção política, nem em actos eleitorais, nem em quaisquer questões partidárias.
Conheço e estimo o Professor Carmona Rodrigues, mas para além desta estima e amizade não existe mais nenhuma relação – muito menos as conspirativas que apareciam descritas.
Tão pouco comento outras acusações, igualmente falsas, de fonte anónima (que penso no entanto saber quem possa ser, pelo estilo mesquinho e medíocre que o caracteriza).
O tempo se encarregará de demonstrar como a referida peça, pelo menos em relação a mim, não era verdadeira. Mas como o tempo é volátil, peço-lhe que rectifique as informações que sobre mim publicou.
Com os melhores cumprimentos
Manuel Falcão»

setembro 12, 2005

POLÍTICA E POLÍTICOS
Como podem ver alguns dos comentários aos posts mais recentes mostram estranheza pelas posições neles expressas. Eu acho que esses comentários reflectem uma visão clubística da política, um dos males que aflige o nosso sistema. Os partidos políticos não são clubes de futebol e devem ao seu eleitorado, apoiantes e militantes um dever de coerência e constância. Não podem andar aos zigue zagues, mudando de posição sobre os assuntos. E os políticos - os que são líderes pelo menos - devem apontar um caminho e não viver permanentemente à boleia do vento. Um político não é quem se senta numa cadeira à espera que os problemas se resolvam por si. É quem os detecta antes de serem evidentes e os resolve antes de surgirem.
Eu acho que são os partidos e os políticos - apareçam como independentes ou não - que têm permanentemente de mostrar que são merecedores da confiança e apoio das pessoas, e não o contrário. As eleições são o escrutínio dos candidatos - não são um passeio triunfal. Cada voto conquista-se, cada apoio ganha-se: pela coerência das posições, pelo realismo das propostas, pela utilidade dos programas. Quando isto não existe - ou não é evidente - o mais natural é que as coisas comecem a correr mal. Mas isso é porque alguém errou. Numa democracia o problema nunca é de quem vota; é de quem se apresenta a votos.

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POLÍTICA E POLÍTICOS
Como podem ver alguns dos comentários aos posts mais recentes mostram estranheza pelas posições neles expressas. Eu acho que esses comentários reflectem uma visão clubística da política, um dos males que aflige o nosso sistema. Os partidos políticos não são clubes de futebol e devem ao seu eleitorado, apoiantes e militantes um dever de coerência e constância. Não podem andar aos zigue zagues, mudando de posição sobre os assuntos. E os políticos - os que são líderes pelo menos - devem apontar um caminho e não viver permanentemente à boleia do vento. Um político não é quem se senta numa cadeira à espera que os problemas se resolvam por si. É quem os detecta antes de serem evidentes e os resolve antes de surgirem.
Eu acho que são os partidos e os políticos - apareçam como independentes ou não - que têm permanentemente de mostrar que são merecedores da confiança e apoio das pessoas, e não o contrário. As eleições são o escrutínio dos candidatos - não são um passeio triunfal. Cada voto conquista-se, cada apoio ganha-se: pela coerência das posições, pelo realismo das propostas, pela utilidade dos programas. Quando isto não existe - ou não é evidente - o mais natural é que as coisas comecem a correr mal. Mas isso é porque alguém errou. Numa democracia o problema nunca é de quem vota; é de quem se apresenta a votos.

setembro 11, 2005

LISBOA – Quanto mais a campanha avança, mais ficam claras as fragilidades de vários candidatos. Da superficialidade de Sá Fernandes à pesporrência de Carrilho, passando pelo voluntarismo sem estratégia de Carmona Rodrigues, já apareceu de tudo. Até agora, salvam-se Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho, claramente os dois candidatos que melhor conhecem Lisboa e que têm ideias mais assentes sobre o assunto – por muito que isto choque os bem pensantes e os funcionários partidários muito politicamente correctos que vão enchendo as restantes campanhas de disparates.

BACK TO BASICS – Quando se diz que sim a tudo, acaba por não se fazer nada.

DEPENDENTES – Um estudo britânico prevê que em 2010 cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo sejam assinantes de serviços de imagem e televisão para os seus telemóveis e as receitas daí provenientes representarão cerca de 51% do total da facturação das empresas de telecomunicações.

CINÉFILOS – Apesar da crise, o número de portugueses que compram filmes em DVD com regularidade aumentou em cerca de um milhão entre 2004 e 2005, segundo a Marktest. Neste ano cerca de 2 320 000 portugueses com mais de 15 anos compraram um DVD. O comprador tipo vive em Lisboa e Porto, tem entre 18 e 34 anos e é homem.

PALADAR – Integrado no complexo do Casino Estoril, na parte de baixo, de frente para o jardim do Parque do Estoril e o mar, fica o restaurante Estoril Mandarim. Os entendidos dizem que é o melhor restaurante chinês de Portugal e um dos melhores da Europa. Se lá forem esqueçam o que é hábito encontrar na maioria dos restaurantes de origem chinesa que por cá se podem encontrar e preparem-se para descobrir um mundo de sabores subtis e envolventes como no «Dim Sum», ou o ritual do pato à Pequim. A cozinha reivindica a tradição culinária da província de Guangdong e o chefe de mesa é um excelente guia para lhe fazer sugestões de descoberta deste novo mundo. O restaurante tem uma sala ampla com alguns espaços reservados e uma esplanada para os bons dias deste Outono. O telefone é o 214 667 270.

SURPRESA – A primeira vez que ouvi o pianista Domingos António foi há cerca de ano e meio, num recital em que ele participou, numa tarde de fim de semana, no pequeno salão de festas do Liceu Maria Amália em Lisboa. Lembro-me da surpresa que tive perante a intensidade das suas interpretações, da forma como ele fazia soar o piano, mesmo num espaço tão limitado como aquele. Pois acontece que Domingos António gravou agora um disco para a EMI Classics que será editado dentro de semanas. O CD inclui interpretações de peças de Liszt, Beethoven, Mussorgsky (a integral de «Pictures At Na Exhibition») eScriabin. Domingos António, de origens transmontanas, 27 anos, estudou piano durante dez anos no Conservatório de Tchaikovsky, em Moscovo, onde obteve a classificação máxima e conquistou três primeiros prémios. Neste seu primeiro disco consegue fazer passar a mesma energia e emoção que senti quando tive a sorte de o poder ver a tocar ao vivo. Sigam o assunto, este disco vai fazer História.

CLÁSSICO – Já saiu a edição de 2006 do «Borda D’Água». Tem 24 páginas (para abrir com cuidado com uma faquinha afiada), custa 1,25 euros e lá dentro encontra boas recomendações para cada mês, desde a jardinagem ás fases da Lua ou a ditos populares. É um manual de sabedoria tradicional todos os anos lançado pela Editorial Minerva. No habitual texto de contra-capa Pedro Teixeira da Mota fala sobre a situação do país e traça um autêntico guia para o Governo. Se fosse seguido, a coisa podia correr bem melhor por estas bandas.

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LISBOA – Quanto mais a campanha avança, mais ficam claras as fragilidades de vários candidatos. Da superficialidade de Sá Fernandes à pesporrência de Carrilho, passando pelo voluntarismo sem estratégia de Carmona Rodrigues, já apareceu de tudo. Até agora, salvam-se Maria José Nogueira Pinto e Ruben de Carvalho, claramente os dois candidatos que melhor conhecem Lisboa e que têm ideias mais assentes sobre o assunto – por muito que isto choque os bem pensantes e os funcionários partidários muito politicamente correctos que vão enchendo as restantes campanhas de disparates.

BACK TO BASICS – Quando se diz que sim a tudo, acaba por não se fazer nada.

DEPENDENTES – Um estudo britânico prevê que em 2010 cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo sejam assinantes de serviços de imagem e televisão para os seus telemóveis e as receitas daí provenientes representarão cerca de 51% do total da facturação das empresas de telecomunicações.

CINÉFILOS – Apesar da crise, o número de portugueses que compram filmes em DVD com regularidade aumentou em cerca de um milhão entre 2004 e 2005, segundo a Marktest. Neste ano cerca de 2 320 000 portugueses com mais de 15 anos compraram um DVD. O comprador tipo vive em Lisboa e Porto, tem entre 18 e 34 anos e é homem.

PALADAR – Integrado no complexo do Casino Estoril, na parte de baixo, de frente para o jardim do Parque do Estoril e o mar, fica o restaurante Estoril Mandarim. Os entendidos dizem que é o melhor restaurante chinês de Portugal e um dos melhores da Europa. Se lá forem esqueçam o que é hábito encontrar na maioria dos restaurantes de origem chinesa que por cá se podem encontrar e preparem-se para descobrir um mundo de sabores subtis e envolventes como no «Dim Sum», ou o ritual do pato à Pequim. A cozinha reivindica a tradição culinária da província de Guangdong e o chefe de mesa é um excelente guia para lhe fazer sugestões de descoberta deste novo mundo. O restaurante tem uma sala ampla com alguns espaços reservados e uma esplanada para os bons dias deste Outono. O telefone é o 214 667 270.

SURPRESA – A primeira vez que ouvi o pianista Domingos António foi há cerca de ano e meio, num recital em que ele participou, numa tarde de fim de semana, no pequeno salão de festas do Liceu Maria Amália em Lisboa. Lembro-me da surpresa que tive perante a intensidade das suas interpretações, da forma como ele fazia soar o piano, mesmo num espaço tão limitado como aquele. Pois acontece que Domingos António gravou agora um disco para a EMI Classics que será editado dentro de semanas. O CD inclui interpretações de peças de Liszt, Beethoven, Mussorgsky (a integral de «Pictures At Na Exhibition») eScriabin. Domingos António, de origens transmontanas, 27 anos, estudou piano durante dez anos no Conservatório de Tchaikovsky, em Moscovo, onde obteve a classificação máxima e conquistou três primeiros prémios. Neste seu primeiro disco consegue fazer passar a mesma energia e emoção que senti quando tive a sorte de o poder ver a tocar ao vivo. Sigam o assunto, este disco vai fazer História.

CLÁSSICO – Já saiu a edição de 2006 do «Borda D’Água». Tem 24 páginas (para abrir com cuidado com uma faquinha afiada), custa 1,25 euros e lá dentro encontra boas recomendações para cada mês, desde a jardinagem ás fases da Lua ou a ditos populares. É um manual de sabedoria tradicional todos os anos lançado pela Editorial Minerva. No habitual texto de contra-capa Pedro Teixeira da Mota fala sobre a situação do país e traça um autêntico guia para o Governo. Se fosse seguido, a coisa podia correr bem melhor por estas bandas.

setembro 10, 2005

AUTÁRQUICAS
Esta semana andei um bom bocado por estradas secundárias nos arredores de Lisboa e na zona do Alto Alentejo e Ribatejo. A paisagem é dominada por cartazes de propaganda eleitoral para as autárquicas. Não é só nas cidades que eles aparecem, nas vilas e até em aldeias lá está uma carinha, um slogan, um cartaz. O mais curioso de tudo é que não há dois iguais e só muito dificilmente se conseguem notar semelhanças. Nem no material do mesmo partido se encontram com facilidade identidades gráficas- às vezes até no mesmo distrito. Parece que foi seguido o princípio da descentralização absoluta, o que redunda na maior confusão. Não há imagens comuns, não existe associação de ideias possível, não há linhas de continuidade. E, na esmagadora maioria dos casos, os tipos de letra e os grafismos são pura e simplesmente de mau gosto. Alguns, foleiros mesmo. É a imagem do poder autárquico no seu pior: de mau gosto desde a raiz.
O único ponto comum que encontro – mas isso também se reflecte, por exemplo, em Lisboa – é a péssima qualidade das fotografias dos candidatos. Flash de chapão, caras encenadas demais, brilho por todo o lado, tonalidades alteradas. Enfim, uma galeria de horrores. Longe vão os tempos em que a fotografia era cuidada, em que se faziam retratos em vez de se baterem chapas.
Lisboa apresenta um caso curioso, sobretudo se compararmos com as autárquicas de 2001. Nessa altura João Soares fez uma campanha de frases vagas e abrangentes, muito baseada em si próprio. Em contraponto, Santana Lopes aparecia com cartazes onde a dominante eram a elencagem de problemas, propostas concretas, medidas a tomar. É curioso ver como hoje o candidato de Marques Mendes a Lisboa escolheu o caminho de João Soares, e o candidato do PS escolheu o caminho de Santana Lopes. A ver vamos no que isto dá.

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AUTÁRQUICAS
Esta semana andei um bom bocado por estradas secundárias nos arredores de Lisboa e na zona do Alto Alentejo e Ribatejo. A paisagem é dominada por cartazes de propaganda eleitoral para as autárquicas. Não é só nas cidades que eles aparecem, nas vilas e até em aldeias lá está uma carinha, um slogan, um cartaz. O mais curioso de tudo é que não há dois iguais e só muito dificilmente se conseguem notar semelhanças. Nem no material do mesmo partido se encontram com facilidade identidades gráficas- às vezes até no mesmo distrito. Parece que foi seguido o princípio da descentralização absoluta, o que redunda na maior confusão. Não há imagens comuns, não existe associação de ideias possível, não há linhas de continuidade. E, na esmagadora maioria dos casos, os tipos de letra e os grafismos são pura e simplesmente de mau gosto. Alguns, foleiros mesmo. É a imagem do poder autárquico no seu pior: de mau gosto desde a raiz.
O único ponto comum que encontro – mas isso também se reflecte, por exemplo, em Lisboa – é a péssima qualidade das fotografias dos candidatos. Flash de chapão, caras encenadas demais, brilho por todo o lado, tonalidades alteradas. Enfim, uma galeria de horrores. Longe vão os tempos em que a fotografia era cuidada, em que se faziam retratos em vez de se baterem chapas.
Lisboa apresenta um caso curioso, sobretudo se compararmos com as autárquicas de 2001. Nessa altura João Soares fez uma campanha de frases vagas e abrangentes, muito baseada em si próprio. Em contraponto, Santana Lopes aparecia com cartazes onde a dominante eram a elencagem de problemas, propostas concretas, medidas a tomar. É curioso ver como hoje o candidato de Marques Mendes a Lisboa escolheu o caminho de João Soares, e o candidato do PS escolheu o caminho de Santana Lopes. A ver vamos no que isto dá.

setembro 09, 2005

DEMÉRITO
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.

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DEMÉRITO
Se tudo correr como até agora o candidato de Marques Mendes à Câmara de Lisboa pode ganhar as eleições na capital. Não será por mérito preóprio, infelizmente; antes por demérito do adversário que lhe está mais próximo nas sondagens, Carrilho. Bem pode o PSD acender umas velinhas para que ninguém leia o programa ou siga a campanha do seu candidato, não vá o diabo tecê-las e alguém acordar.

setembro 08, 2005

ESTAMOS IMPLODIDOS!
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...

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ESTAMOS IMPLODIDOS!
Durante horas o país asistiu atónito ao espectáculo de altíssimas individualidades a acompanharem o Primeiro Ministro no acto de fazer deflagrar uma explosão. Percebeu-se que a explosão tinha demorado oito anos a preparar. Percebeu-se que a técnica usada tem décadas e é corriqueira lá fora. Por cá foi espectáculo. Pour épater le bourgeois...
O PARQUE MAYER
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.

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O PARQUE MAYER
Se houve coisa que não ficou bem explicada no debate Sá Fernandes - Carmona Rodrigues foi a forma como se resolveu a permuta entre os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular. Ficou margem para dúvida - e bastante - sobre a vantagem do negócio para os contribuintes autárquicos.
Mas o pior de tudo é que o moderador não perguntou para que serve investir os milhões que o arquitecto americano Frank Gehry vai cobrar num buraco que não se vê, e de utilidade duvidosa face ao que para lá está proposto.
Não interessa se os custos são pagos por A ou por B, o que interessa é que, por melhor que seja o projecto de arquitectura, o que está previsto para ali é um disparate. E disto é que se fala pouco.E é isto a subatância. E é disto que Carmona nunca fala porque não lhe interessa.O velho romance do Teatro de Revista é em si uma balela.
Como é que o candidato de Marques Mendes consegue defender a criação de tanto novo «equipamento cultural» em Lisboa, do Parque Mayer, ao ex-cinema Europa, parece que ao Paris, sem se pronunciar sequer sobre a reanimação dos equipamentos que já existem? É a política das promessas, da satisfação de interessezinhos locais, da falta de estratégia - não admira aliás, basta ler o que sobre Cultura se diz no seu programa.