agosto 21, 2005

NADA VAI FICAR COMO ERA

FUTEBOL NA TV – A Comissão Europeia avisou formalmente a Premier League britânica, formulando reservas sobre a forma como os direitos de transmissões televisivas estão a ser negociados. A autoridade reguladora europeia avisou a Liga que a partir de 2007 nenhuma estação pode ter mais que 50% das transmissões dos jogos. A BSkyB tem os direitos exclusivos da Liga há mais de uma década.

SOPRANOS – Os «Sopranos» vão ter uma série especial de oito episódios extra, que vai estrear nos Estados Unidos em Janeiro. A série normal de doze episódios, com estreia norte-americana prevista para Março do próximo ano. Esta táctica de uma série especial a anteceder a série normal foi pela primeira vez experimentada c om a série «Sex In The City». Em Portugal os «Sopranos» são exibidos na 2:.

LUCROS – A Alliance Atlantis Communications, empresa responsável pela distribuição de todas as séries da marca CSI, subiu os seus lucros do segundo trimestre deste ano para 10.7 milhões de dólares, comparados com os 3.2 milhões do período homólogo do ano anterior. Em Portugal a série pertence à SIC.

CHINA – A série norte-americana «Desperate Housewives» vai ser exibida na televisão chinesa no Outono deste ano. A estreia está prevista para uma televisão de Pequim, a CCTV-8, que foi comprada por uma empresa norte-americana, a Zone Vision.

NOVA TV – Finalmente está no ar a estação de televisão que conta entre os seus promotores com o ex-vice- presidente dos Estados Unidos, Al Gore. A Current TV propõe-se ser um ecrã aberto às colaborações de todos os que queiram participar numa nova forma de fazer televisão e o respectivo site, www.current.tv, é um dos mais perfeitos manuais de como se pode começar a pensar em produzir televisão com meios reduzidos. A Current Tv pretende dar espaço a uma nova forma de jornalismo, reportagens e programas, assegurados pelos espectadores e por pessoas interessadas em explorar esta nova forma de relacionamengto entre uma estação, quem a vê e quem a faz. É simplesmente aliciante e o site merece uma visita atenta.

OUVIR – Esta semana tirei a barriga de misérias em matéria de blues. Apetecia-me ter ido a Paredes de Coura ouvir os Pixies, como não conseguia encomendei da Amazon um original de John Mayall de 1968, o histórico, único e irresistível «Blues From The Laurel Canyon». Há uns 20 anos que não ouvia este disco – ainda tenho o original de vinil – mas senti-me fresco e saltitante quando recebi o CD esta semana. Foi um daqueles apetites súbitos que me levou à loja da Amazon para ter este disco que assinalou o fim dos Bluesbreakers e que foi gravado em apenas três semanas em no verão de 68. Todas as composições são de Mayall, que as descreve como uma «impressão musical de Los Angeles», e a acompanhá-lo e às suas teclas estão o grande Mick Taylor na guitarra, Stephen Thomson no baixo e Collin Allen na bateria.

POR CAUSA DAS COISAS –Há cerca de uns seis meses elogiei aqui nestas páginas o então novo disco dos Wray Gunn, «Eclesiastes 1.11», agora em vias de se tornar num ícone. Eles merecem. São de Coimbra e portugueses, têm caminhos cruzados com os Bellechese Hotel. Comprem o disco, é um dever patriótico. E um prazer garantido para quem goste de rock.

COMIDINHA - Hoje há petiscos, grelhados de peixe e de carne, simpatia no servir e ambiente descontraído. Tem batatas fritas honestas e saladas viçosas. Falo do Entre Copos, na linha de separação entre a Rua de Entre Campos e o Campo Pequeno, do lado deste último. Durante anos ali foi uma das mais simpáticas e calorosas tascas de Lisboa, hoje é um bom restaurante, com matéria prima de enaltecer. Bom para jantares arrastados em noites tépidas, obviamente em boa companhia. Rua de Entrecampos 11, telefone 217966638.

PRECONCEITO – Quantos jornalistas olham para a actuação deste Governo com o mesmo espírito crítico que tinham em relação ao anterior? Quantos olham para o que se passa em Israel, na retirada da faixa de Gaza, com o mesmo espírito com que olharam para incidentes fronteiriços há um ano atrás? O preconceito mata a notícia e arruína o jornalismo.

MONARQUIA – Até quando vão os monárquicos portugueses permitir que as suas ideias sejam politicamente assumidas pelo bando que tomou conta do PPM? Até quando vão permitir que autarcas e políticos façam alianças espúrias e inúteis com essa gente?

BACK TO BASICS – A memória não é curta; os princípios não são plasticina.

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NADA VAI FICAR COMO ERA

FUTEBOL NA TV – A Comissão Europeia avisou formalmente a Premier League britânica, formulando reservas sobre a forma como os direitos de transmissões televisivas estão a ser negociados. A autoridade reguladora europeia avisou a Liga que a partir de 2007 nenhuma estação pode ter mais que 50% das transmissões dos jogos. A BSkyB tem os direitos exclusivos da Liga há mais de uma década.

SOPRANOS – Os «Sopranos» vão ter uma série especial de oito episódios extra, que vai estrear nos Estados Unidos em Janeiro. A série normal de doze episódios, com estreia norte-americana prevista para Março do próximo ano. Esta táctica de uma série especial a anteceder a série normal foi pela primeira vez experimentada c om a série «Sex In The City». Em Portugal os «Sopranos» são exibidos na 2:.

LUCROS – A Alliance Atlantis Communications, empresa responsável pela distribuição de todas as séries da marca CSI, subiu os seus lucros do segundo trimestre deste ano para 10.7 milhões de dólares, comparados com os 3.2 milhões do período homólogo do ano anterior. Em Portugal a série pertence à SIC.

CHINA – A série norte-americana «Desperate Housewives» vai ser exibida na televisão chinesa no Outono deste ano. A estreia está prevista para uma televisão de Pequim, a CCTV-8, que foi comprada por uma empresa norte-americana, a Zone Vision.

NOVA TV – Finalmente está no ar a estação de televisão que conta entre os seus promotores com o ex-vice- presidente dos Estados Unidos, Al Gore. A Current TV propõe-se ser um ecrã aberto às colaborações de todos os que queiram participar numa nova forma de fazer televisão e o respectivo site, www.current.tv, é um dos mais perfeitos manuais de como se pode começar a pensar em produzir televisão com meios reduzidos. A Current Tv pretende dar espaço a uma nova forma de jornalismo, reportagens e programas, assegurados pelos espectadores e por pessoas interessadas em explorar esta nova forma de relacionamengto entre uma estação, quem a vê e quem a faz. É simplesmente aliciante e o site merece uma visita atenta.

OUVIR – Esta semana tirei a barriga de misérias em matéria de blues. Apetecia-me ter ido a Paredes de Coura ouvir os Pixies, como não conseguia encomendei da Amazon um original de John Mayall de 1968, o histórico, único e irresistível «Blues From The Laurel Canyon». Há uns 20 anos que não ouvia este disco – ainda tenho o original de vinil – mas senti-me fresco e saltitante quando recebi o CD esta semana. Foi um daqueles apetites súbitos que me levou à loja da Amazon para ter este disco que assinalou o fim dos Bluesbreakers e que foi gravado em apenas três semanas em no verão de 68. Todas as composições são de Mayall, que as descreve como uma «impressão musical de Los Angeles», e a acompanhá-lo e às suas teclas estão o grande Mick Taylor na guitarra, Stephen Thomson no baixo e Collin Allen na bateria.

POR CAUSA DAS COISAS –Há cerca de uns seis meses elogiei aqui nestas páginas o então novo disco dos Wray Gunn, «Eclesiastes 1.11», agora em vias de se tornar num ícone. Eles merecem. São de Coimbra e portugueses, têm caminhos cruzados com os Bellechese Hotel. Comprem o disco, é um dever patriótico. E um prazer garantido para quem goste de rock.

COMIDINHA - Hoje há petiscos, grelhados de peixe e de carne, simpatia no servir e ambiente descontraído. Tem batatas fritas honestas e saladas viçosas. Falo do Entre Copos, na linha de separação entre a Rua de Entre Campos e o Campo Pequeno, do lado deste último. Durante anos ali foi uma das mais simpáticas e calorosas tascas de Lisboa, hoje é um bom restaurante, com matéria prima de enaltecer. Bom para jantares arrastados em noites tépidas, obviamente em boa companhia. Rua de Entrecampos 11, telefone 217966638.

PRECONCEITO – Quantos jornalistas olham para a actuação deste Governo com o mesmo espírito crítico que tinham em relação ao anterior? Quantos olham para o que se passa em Israel, na retirada da faixa de Gaza, com o mesmo espírito com que olharam para incidentes fronteiriços há um ano atrás? O preconceito mata a notícia e arruína o jornalismo.

MONARQUIA – Até quando vão os monárquicos portugueses permitir que as suas ideias sejam politicamente assumidas pelo bando que tomou conta do PPM? Até quando vão permitir que autarcas e políticos façam alianças espúrias e inúteis com essa gente?

BACK TO BASICS – A memória não é curta; os princípios não são plasticina.

agosto 16, 2005

GAZA
Será que todos os comentadores de esquerda estão de férias ou a falta dos seus comentários sobre a retirada israelita da faixa de Gaza deve-se a qualquer outra coisa?

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GAZA
Será que todos os comentadores de esquerda estão de férias ou a falta dos seus comentários sobre a retirada israelita da faixa de Gaza deve-se a qualquer outra coisa?
TUGA – Mais um êxito de origem nacional: um site de imagens fotográficas, enviadas de todo o mundo, com custos de utilização baixos, o www.gimmestock.com foi idealizado, programado e desenvolvido por portugueses e o seu banco de imagens, já com mais de 10 000 fotografias, está dividido em secções como arquitectura, cidades, natureza, objectos, pessoas, texturas, tecnologia, transportes e alimentos. Este trabalho já se tornou notado pela revista Design How e tem referências no seu site, howdesign.com e na respectiva newsletter electrónica. Agências de publicidade e ateliers gráficos independentes são alguns dos destinatários aí recomendados para este gimmestock.com. Visitem a página e vejam como continua a haver espírito criativo por estas bandas.


NATUREZA - «March Of The Penguins», um documentário da National Geographic, está em exibição em cerca de duas mil salas de cinema dos Estados Unidos e as receitas de bilheteira já colocaram esta produção no segundo lugar dos documentários mais vistos, logo a seguir a «Fahrenheit 9/11» de Michael Moore. Este épico da vida animal, filmado na Antártida, destronou o anterior nº2, outro filme de Moore, «Bowling For Columbine».

TELENOVELAS – A Sony Pictures Television International tornou-se líder da produção de telenovelas na Rússia, e obteve já sucesso com «Poor Anastasia», «Dear Marsha» e «Talisman Of Love», com mais de uma centena de episódios cada. Os guiões são escritos por uma equipa mista de russos e americanos que comunicam pela net e garantem cinco episódios por semana.

A MILHAS - A cadeia de televisão norte-americana ABC vai passar a oferecer aos utilizadores de telemóveis conteúdo inédito de séries como «Alias». Melodias de toques, imagens gráficas e segmentos de texto para SMS são as ofertas iniciais que a ABC fará através da Proteus, um fornecedor de conteúdos para telefones móveis. O objectivo é possibilitar aos utilizadores que personalizem os telemóveis de acordo com os seus programas favoritos da ABC.

SINAIS – Os jogos de vídeo são responsáveis por um decréscimo do tempo gasto pelos norte-americanos frente à televisão: das 18 horas por semana em 2004, o valor passou para 16 horas em 2005, uma redução de 11 por cento. De acordo com o estudo da «Digital Gaming In America», nos Estados Unidos existem cerca de 76 milhões de pessoas que regularmente fazem vídeo-jogos .

PARA VER E OUVIR – O realizador Jonathan Demme vai filmar um documentário baseado em dois concertos de Neil Young em Nashville que têm lugar nos dias 18 e 19 de Agosto. Sob a forma de um documentário, o filme terá o mesmo nome que o próximo álbum de inéditos de Young , «Prairie Wind», que será lançado dia 19 de Setembro. Devo aqui fazer uma declaração de interesse: para mim, Young, 59 anos, é um dos nomes maiores da música e Demme foi o responsável por filmes como «The Silence Of The Lambs» ou «Philadelphia» e pela gravação de concertos como «Stop Making Sense», dos Talking Heads.

COMIDINHA – Pois experimente ir pela Marginal até Paço de Arcos e entre no desvio que dá acesso à estação dos comboios. Há-de chegar à Rua Costa Pinto, uma rua de restaurantes. Logo no início, lado esquerdo, tem a Casa do Dízimo. Depois, tem O Carula, a seguir Os Arcos, um pouco para cima a Casa Gallega e num terraço fronteiro um belo restaurante italiano, simples e muito simpático. Mas o que hoje nos interessa é mesmo O Carula, no nº 39 dessa rua. É uma sala ampla, que termina numa parede de vidro, com vista sobre o mar. o serviço é simpático, a garrafeira é razoável, a qualidade do peixe é primorosa e a habilidade de quem maneja a grelha igualmente. Para entreter tem uma bela salada de polvo, que é de chorar por mais. Mas é nos peixes grelhados que a casa se faz notada e é por eles que vale a pena ir lá. Muito boa relação qualidade-preço. Encerra às quartas para o jantar, telefone 21 443 22 06.

BACK TO BASICS – «Com o presidente que tem, o governo de Lula só poderia dar no que deu. Ele é despreparado e leviano. (…) Nesta crise, ele mostrou que é capaz de fazer qualquer coisa para não fazer nada.» - Marcos Sá Correa, jornalista (retirado do site brasileiro «No Mínimo», uma exemplar recolha de textos, reportagens e opiniões).

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TUGA – Mais um êxito de origem nacional: um site de imagens fotográficas, enviadas de todo o mundo, com custos de utilização baixos, o www.gimmestock.com foi idealizado, programado e desenvolvido por portugueses e o seu banco de imagens, já com mais de 10 000 fotografias, está dividido em secções como arquitectura, cidades, natureza, objectos, pessoas, texturas, tecnologia, transportes e alimentos. Este trabalho já se tornou notado pela revista Design How e tem referências no seu site, howdesign.com e na respectiva newsletter electrónica. Agências de publicidade e ateliers gráficos independentes são alguns dos destinatários aí recomendados para este gimmestock.com. Visitem a página e vejam como continua a haver espírito criativo por estas bandas.


NATUREZA - «March Of The Penguins», um documentário da National Geographic, está em exibição em cerca de duas mil salas de cinema dos Estados Unidos e as receitas de bilheteira já colocaram esta produção no segundo lugar dos documentários mais vistos, logo a seguir a «Fahrenheit 9/11» de Michael Moore. Este épico da vida animal, filmado na Antártida, destronou o anterior nº2, outro filme de Moore, «Bowling For Columbine».

TELENOVELAS – A Sony Pictures Television International tornou-se líder da produção de telenovelas na Rússia, e obteve já sucesso com «Poor Anastasia», «Dear Marsha» e «Talisman Of Love», com mais de uma centena de episódios cada. Os guiões são escritos por uma equipa mista de russos e americanos que comunicam pela net e garantem cinco episódios por semana.

A MILHAS - A cadeia de televisão norte-americana ABC vai passar a oferecer aos utilizadores de telemóveis conteúdo inédito de séries como «Alias». Melodias de toques, imagens gráficas e segmentos de texto para SMS são as ofertas iniciais que a ABC fará através da Proteus, um fornecedor de conteúdos para telefones móveis. O objectivo é possibilitar aos utilizadores que personalizem os telemóveis de acordo com os seus programas favoritos da ABC.

SINAIS – Os jogos de vídeo são responsáveis por um decréscimo do tempo gasto pelos norte-americanos frente à televisão: das 18 horas por semana em 2004, o valor passou para 16 horas em 2005, uma redução de 11 por cento. De acordo com o estudo da «Digital Gaming In America», nos Estados Unidos existem cerca de 76 milhões de pessoas que regularmente fazem vídeo-jogos .

PARA VER E OUVIR – O realizador Jonathan Demme vai filmar um documentário baseado em dois concertos de Neil Young em Nashville que têm lugar nos dias 18 e 19 de Agosto. Sob a forma de um documentário, o filme terá o mesmo nome que o próximo álbum de inéditos de Young , «Prairie Wind», que será lançado dia 19 de Setembro. Devo aqui fazer uma declaração de interesse: para mim, Young, 59 anos, é um dos nomes maiores da música e Demme foi o responsável por filmes como «The Silence Of The Lambs» ou «Philadelphia» e pela gravação de concertos como «Stop Making Sense», dos Talking Heads.

COMIDINHA – Pois experimente ir pela Marginal até Paço de Arcos e entre no desvio que dá acesso à estação dos comboios. Há-de chegar à Rua Costa Pinto, uma rua de restaurantes. Logo no início, lado esquerdo, tem a Casa do Dízimo. Depois, tem O Carula, a seguir Os Arcos, um pouco para cima a Casa Gallega e num terraço fronteiro um belo restaurante italiano, simples e muito simpático. Mas o que hoje nos interessa é mesmo O Carula, no nº 39 dessa rua. É uma sala ampla, que termina numa parede de vidro, com vista sobre o mar. o serviço é simpático, a garrafeira é razoável, a qualidade do peixe é primorosa e a habilidade de quem maneja a grelha igualmente. Para entreter tem uma bela salada de polvo, que é de chorar por mais. Mas é nos peixes grelhados que a casa se faz notada e é por eles que vale a pena ir lá. Muito boa relação qualidade-preço. Encerra às quartas para o jantar, telefone 21 443 22 06.

BACK TO BASICS – «Com o presidente que tem, o governo de Lula só poderia dar no que deu. Ele é despreparado e leviano. (…) Nesta crise, ele mostrou que é capaz de fazer qualquer coisa para não fazer nada.» - Marcos Sá Correa, jornalista (retirado do site brasileiro «No Mínimo», uma exemplar recolha de textos, reportagens e opiniões).
CORRESPONDÊNCIA ESTIVAL

Olha, nem sei bem que te diga. Isto está tudo a arder – não, não falo só dos incêndios, falo de tudo. O Armando Vara – o do bloqueio da ponte no tempo do Cavaco, lembras-te? – foi para administrador da Caixa Geral de Depósitos. Por falar em Cavaco, o Jorge Sampaio pediu-lhe para ir lá falar com ele a Belém antes do Mário Soares aparecer a ver o estado do Palácio. Percebe-se, o Marocas queria ver como aquilo estava dez anos depois – os inquilinos nunca são de fiar, não é?
Uma coisa muito engraçada é que o Carrilho apareceu todo janota a dizer que o Carmona devia ter algum mensalão em mira, mas quem pediu a ajuda a um Ministro do Lula foi ele próprio: Carrilho e Gilberto Gil de mãos dadas ficaram mesmo bem na fotografia e parece que nessa altura nem se falou do mensalãozito…
Por falar nisso, esta semana foi difícil: o PS de Felgueiras mandou o candidato que lhes meteram nas mãos às urtigas, Isaltino mandou o PSD às malvas, e por coincidência alguém mandou dizer que o resultado da bronca do «apito dourado» se havia de saber antes de Valentim Loureiro ir a votos. Como vês o país está igual, até a distrital de Lisboa do PSD deu um ar da sua graça, que é como quem diz atirou achas para a fogueira onde os partidos vão ardendo.
Mas não se pode falar em incêndios porque parece que está tudo controlado. Olha, o que te digo é que se isto fosse dantes não havia de faltar gritaria aí por todo o lado, assim com o novo Governo já ninguém se chateia: como diz o outro, mais vale cair em graça do que ser engraçado.
Eu, por mim, já nem estranho nada: na semana passada dois jornalistas, de jornais bem diferentes, telefonaram-me a dizer quem me ía substituir no trabalho. Onde é que eu já vi isto? O mundo está a ficar perigoso meu querido amigo.

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CORRESPONDÊNCIA ESTIVAL

Olha, nem sei bem que te diga. Isto está tudo a arder – não, não falo só dos incêndios, falo de tudo. O Armando Vara – o do bloqueio da ponte no tempo do Cavaco, lembras-te? – foi para administrador da Caixa Geral de Depósitos. Por falar em Cavaco, o Jorge Sampaio pediu-lhe para ir lá falar com ele a Belém antes do Mário Soares aparecer a ver o estado do Palácio. Percebe-se, o Marocas queria ver como aquilo estava dez anos depois – os inquilinos nunca são de fiar, não é?
Uma coisa muito engraçada é que o Carrilho apareceu todo janota a dizer que o Carmona devia ter algum mensalão em mira, mas quem pediu a ajuda a um Ministro do Lula foi ele próprio: Carrilho e Gilberto Gil de mãos dadas ficaram mesmo bem na fotografia e parece que nessa altura nem se falou do mensalãozito…
Por falar nisso, esta semana foi difícil: o PS de Felgueiras mandou o candidato que lhes meteram nas mãos às urtigas, Isaltino mandou o PSD às malvas, e por coincidência alguém mandou dizer que o resultado da bronca do «apito dourado» se havia de saber antes de Valentim Loureiro ir a votos. Como vês o país está igual, até a distrital de Lisboa do PSD deu um ar da sua graça, que é como quem diz atirou achas para a fogueira onde os partidos vão ardendo.
Mas não se pode falar em incêndios porque parece que está tudo controlado. Olha, o que te digo é que se isto fosse dantes não havia de faltar gritaria aí por todo o lado, assim com o novo Governo já ninguém se chateia: como diz o outro, mais vale cair em graça do que ser engraçado.
Eu, por mim, já nem estranho nada: na semana passada dois jornalistas, de jornais bem diferentes, telefonaram-me a dizer quem me ía substituir no trabalho. Onde é que eu já vi isto? O mundo está a ficar perigoso meu querido amigo.

agosto 13, 2005

AINDA AS AUTÁRQUICAS - Dois mandamentos
1- Os fins não justificam os meios;
2- A ambição cega - e muitas vezes mata.

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AINDA AS AUTÁRQUICAS - Dois mandamentos
1- Os fins não justificam os meios;
2- A ambição cega - e muitas vezes mata.

agosto 12, 2005

NEGOCIATA
O «Independente» de hoje diz que o PPM fez uma negociata com a candidatura autárquica de Carmona Rodrigues que envolveria um lugar na administração da EGEAC, a empresa municipal que gere os equipamentos culturais e as festas de Lisboa. Por acaso o líder do PPM, Nuno da Cãmara Pereira, moveu há meses uma providência cautelar e fez um escarcéu folclórico contra a EGEAC na época em que ela era presidida pelo próprio Carmona Rodrigues - em causa estava a introdução de entradas pagas no Castelo de S. Jorge. Espero sinceramente que esta história da negociata seja desmentida. Se não fôr prova-se mais uma vez que o crime compensa. A ver vamos como esta novela evolui. É com coisas destas que se corrói a confiança.

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NEGOCIATA
O «Independente» de hoje diz que o PPM fez uma negociata com a candidatura autárquica de Carmona Rodrigues que envolveria um lugar na administração da EGEAC, a empresa municipal que gere os equipamentos culturais e as festas de Lisboa. Por acaso o líder do PPM, Nuno da Cãmara Pereira, moveu há meses uma providência cautelar e fez um escarcéu folclórico contra a EGEAC na época em que ela era presidida pelo próprio Carmona Rodrigues - em causa estava a introdução de entradas pagas no Castelo de S. Jorge. Espero sinceramente que esta história da negociata seja desmentida. Se não fôr prova-se mais uma vez que o crime compensa. A ver vamos como esta novela evolui. É com coisas destas que se corrói a confiança.
A DECLARAÇÃO DE CALAMIDADE
Era engraçado ir aos jornais do ano passado por esta altura ver as declarações de porta vozes do PS, autarcas e parlamentares, a exigirem do Governo de então a declaração de estado de calamidade. E comparar com a sinfonia orquestrada do Ministro Costa e dos seus Governadores civis na quinta feira.

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A DECLARAÇÃO DE CALAMIDADE
Era engraçado ir aos jornais do ano passado por esta altura ver as declarações de porta vozes do PS, autarcas e parlamentares, a exigirem do Governo de então a declaração de estado de calamidade. E comparar com a sinfonia orquestrada do Ministro Costa e dos seus Governadores civis na quinta feira.
FOGOS
Um amigo meu contou-me esta história, a que assistiu: num incêndio na zona de fronteira estavam unidades de bombeiros portuguesas e espaholas. Do lado de espanha a brigada tinha meia dúzia de máquinas (helicópteros, máquinas de rasto, autotanques, etc) e uma dezena de homens; do lado português havia dois carros de bombeiros e uma vintena de homens. É esta diferença que talvez explique porque é que em Portugal os incêndios são mais devastadores que noutros países, a começar por Espanha.

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FOGOS
Um amigo meu contou-me esta história, a que assistiu: num incêndio na zona de fronteira estavam unidades de bombeiros portuguesas e espaholas. Do lado de espanha a brigada tinha meia dúzia de máquinas (helicópteros, máquinas de rasto, autotanques, etc) e uma dezena de homens; do lado português havia dois carros de bombeiros e uma vintena de homens. É esta diferença que talvez explique porque é que em Portugal os incêndios são mais devastadores que noutros países, a começar por Espanha.

agosto 10, 2005

MENSALÃO
Patra ter uma boa visão do que se passa no Brasil visite regularmente o site no mínimo e poderá ler alguns dos melhores comentaristas e jornalistas brasileiros, nesta altura muito atentos ao mensalão. Curioso como por cá a coisa passa ao lado do fundamental que é, como diz Marcos Sá Correa, Com o presidente que tem, o governo Lula só poderia dar no que deu. Ele é despreparado e leviano. Seu programa, um refogado de discursos sem pé nem cabeça, que um ministrou ou outro tentou pôr em prática, à falta de idéia melhor para ocupar o mandato. Sua agitação, uma fuga do trabalho pela válvula da hiperatividade, que não passa de um estado febril da indolência. Nesta crise, ele mostrou que é capaz de fazer qualquer coisa para não fazer nada. Tudo isso sempre esteve tão evidente, que quem resolveu se enganar com ele não teve nem que gostar de Lula. Bastou que gostasse de ser enganado.

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MENSALÃO
Patra ter uma boa visão do que se passa no Brasil visite regularmente o site no mínimo e poderá ler alguns dos melhores comentaristas e jornalistas brasileiros, nesta altura muito atentos ao mensalão. Curioso como por cá a coisa passa ao lado do fundamental que é, como diz Marcos Sá Correa, Com o presidente que tem, o governo Lula só poderia dar no que deu. Ele é despreparado e leviano. Seu programa, um refogado de discursos sem pé nem cabeça, que um ministrou ou outro tentou pôr em prática, à falta de idéia melhor para ocupar o mandato. Sua agitação, uma fuga do trabalho pela válvula da hiperatividade, que não passa de um estado febril da indolência. Nesta crise, ele mostrou que é capaz de fazer qualquer coisa para não fazer nada. Tudo isso sempre esteve tão evidente, que quem resolveu se enganar com ele não teve nem que gostar de Lula. Bastou que gostasse de ser enganado.

agosto 08, 2005

FOGUETES
Passei a tarde a ouvir foguetes e fogo de artifício diverso. Como é isto possível, bem perto da serra da Arrábida, com a situação de incêndios em que estamos? Como é que há ainda gente tão inconsciente a lançar foguetes?

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FOGUETES
Passei a tarde a ouvir foguetes e fogo de artifício diverso. Como é isto possível, bem perto da serra da Arrábida, com a situação de incêndios em que estamos? Como é que há ainda gente tão inconsciente a lançar foguetes?

agosto 07, 2005

INCÊNDIOS
Ouçam os bombeiros, ouçam os seus dirigentes na Liga dos Bombeiros, saibam o que eles dizem. É o melhor retrato da situação, sem alarmismos, mas com realismo. E mantenham-se informados na sua página.

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INCÊNDIOS
Ouçam os bombeiros, ouçam os seus dirigentes na Liga dos Bombeiros, saibam o que eles dizem. É o melhor retrato da situação, sem alarmismos, mas com realismo. E mantenham-se informados na sua página.
MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.

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MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.
SINAIS
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.

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SINAIS
Aumentam os sinais de que a ocupação de espaço por razões políticas vai intensificar-se. Na semana passada recebi dois telefonemas a perguntar se já sabia quem me ía substituir. Os telefonemas eram de jornalistas que estavam a preparar uma notícia com base numa informação que alguém lhes tinha soprado. Chama-se a isto preparar o terreno e é um golpe velho como o mundo. A coisa acelera portanto. Pois fiquemos a assistir, avisados que estamos.
O ALGARVE

Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.

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O ALGARVE

Tenho uma noção utilitária do Algarve. Gosto de praias com pouca gente. Nunca vou para lá em Agosto. Não gosto de filas nem de esperar muito tempo. Tudo isto é incompatível com o Algarve em Agosto.
Vamos pois por partes. Supermercados. Não se deixem iludir pela proximidade e comparem preços. Dos que visitei os Alisuper são, em média, os mais caros de todos. Se tiverem um Modelo ou um Lidl por perto fiquem a saber que não há diferenças sensíveis em relação a Lisboa. Os Jafers não são maus e de preço médio, mas onde vale a pena ir é ao magnífico Apolónia, em Almancil. Tem produtos únicos a preço aceitável, produtos vulgares a preços normais e uma garrafeira de excepção a preços razoáveis. No Algarve dificilmente se conjuga tão bem preço com qualidade como ali. Se estiverem perto de Quarteira (não torçam o nariz, não vale a pena), nas quartas feiras de manhã visitem o mercado de produtos locais. De requeijão a fruta fresca apanham de tudo. A bons preços e de excelente qualidade.
Passemos aos bares de praia. Eu, da praia, tenho uma noção estranha. Não gosto muito de sol nem escaldões, mas uma boa barraquinha de comes e bebes fazia-me percorrer o areal. Gosto dos fins de tarde na praia, e tenho saudades dos bares menos bonitos mas com melhor serviço e qualidade, que por ali estavam no areal antes de existirem só as construções estereotipadas de madeira. Peguemos o caso da zona de Vilamoura. Dantes, na D. Fernanda, a meio da praia da Falésia, praticavam-se preços exorbitantes mas o serviço era magnífico e a qualidade irrepreensível. Todos os anos a D. Fernanda migrava de Lisboa, de Campo de Ourique para Vilamoura, e ali nos deliciava com belos petiscos. As normas comunitárias e a legislação restaurativa vigente acabaram com a barraquinha da D. Fernanda e criaram muitos pré-fabricados de madeira nórdica no areal da Falésia. Em todos se come péssimo, na maioria o serviço é inexistente. Se isto fosse em Espanha, dizia-me um amigo meu, com uma localização destas, teríamos tapas, simpatia e «cachondeo». Assim só temos demoras e falta de escolha. As sanduíches são miseráveis, o pão é de refugo, a imaginação é nula. Nem salada de polvo, nem conquilhas, nem presunto, nem pimentos recheados, nem anchova, nem nada. Tristeza. Pacotes com meia dúzia de pistachios a um euro, distribuídos numa máquina é o que resta. Imperiais a dois euros. Gelados Olá a preços alterados, muito para cima, em relação à tabela. Simpatia, nicles. Os restaurantes de praia em Vilamoura estão a ficar como o resto do país: quanto menos gente a pagar, mais os preços (ou os impostos) aumentam. No fim tudo acaba falido.
Passemos agora aos outros restaurantes.
Começo por uma homenagem à Índia. Fica em Escanxinas, na estrada entre Quarteira e Almancil, chama-se muito apropriadamente Índia, tem uma bela esplanada deliciosa nestas noites cálidas. A comida é Tandoori (e muito estimável), o serviço é bom, os preços são médios. A garrafeira é mediana, mas bem escolhida. O telefone é o 289395756.
Em matéria de comida francesa um dos meus favoritos é o Couleurs de France, em Almancil. É uma casa isolada, onde se chega depois de passar o Apolónia, em direcção à 125, virando à esquerda logo antes do início do viaduto. Tem mesas ao ar livre e uma sala simpática. A comida é deliciosa – sim, excepcional - e o serviço é muito bom. Os preços são altos sem serem exagerados. O telefone é o 289 399 515.
Um outro género, igualmente francês, é o que este ano é proposto pelo Jardim do Vale. Em termos de comida e de serviço compete com a proposta anterior, mas as mesas ao ar livre estão num delicioso jardim com árvores de frutos, que é verdadeiramente um prazer. Fica na estrada de Almacil para Loulé, um pouco à frente do restaurante de Henrique Leis. O telefone é o 289 393 444.
Passemos agora, a bem dos contrastes e do bom senso, para Quarteira. Aí designo o Casa D’Ana. Fica na Rua 25 de Abril, telefone 289 31 64 71 . Comida portuguesa, fica tudo dito. Serviço simpático, só abre para jantar. Ali perto, em Loulé, na Rua Maria Campina, fica A Moagem. Está fechado aos domingos e nos outros dias vale sempre a pena lá ir. O dono é de Estremoz e ali pode pedir uma das mais extraordinárias entradas: coxas de rã – não torça o nariz e experimente que não se arrepende. O xarém com o milho algarvio anda ao lado das migas do pão alentejano nas mais heréticas e deliciosas combinações, entre o linguado e o bacalhau. É decididamente um dos locais a reter este ano, esperemos que não se estrague em Agosto – a prova de fogo.

agosto 04, 2005

agosto 02, 2005

NA MESMA FASE
Quem não muda mesmo é Marques Mendes. Era o último a poder vir protestar contra o que aconteceu na CGD.

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NA MESMA FASE
Quem não muda mesmo é Marques Mendes. Era o último a poder vir protestar contra o que aconteceu na CGD.
COMEÇOU A SEGUNDA FASE
Título de hoje do «Diário Económico»:
Administração da CGD cai por falta de confiança
Quatro dos novos administradores são próximos ou filiados no PS.

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COMEÇOU A SEGUNDA FASE
Título de hoje do «Diário Económico»:
Administração da CGD cai por falta de confiança
Quatro dos novos administradores são próximos ou filiados no PS.
PERGUNTAR, SEMPRE, COMO NO
ABRUPTO

MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.

Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.

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PERGUNTAR, SEMPRE, COMO NO
ABRUPTO

MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.

Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.

julho 31, 2005

ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.

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ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.

julho 30, 2005

ESTADOS DE ALMA (2)

A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.

A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.

É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.

Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.

E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.

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ESTADOS DE ALMA (2)

A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.

A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.

É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.

Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.

E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)

Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.

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CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)

Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.

julho 29, 2005

MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:




MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.

O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.

12:43 (JPP)


MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.

Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.

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MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:




MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.

O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.

12:43 (JPP)


MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.

Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...

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QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...

julho 28, 2005

PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?

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PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?

julho 26, 2005

PRESIDENCIAIS
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.

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PRESIDENCIAIS
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.
VÍCIO
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.

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VÍCIO
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.
COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.

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COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.

julho 25, 2005

ESTADOS DE ALMA (1)

As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.

Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.

Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.

Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.

Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.

Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.

A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.

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ESTADOS DE ALMA (1)

As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.

Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.

Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.

Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.

Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.

Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.

A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.

julho 18, 2005

A IMAGEM DE LUIZ PACHECO

VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.

OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.

COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.

DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.

BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.

DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.

BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.

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A IMAGEM DE LUIZ PACHECO

VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.

OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.

COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.

DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.

BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.

DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.

BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO

O Governo anunciou um ambicioso projecto de desenvolvimento e modernização que, entre outras coisas, passa pelo reforço da utilização da banda larga. As plataformas de comunicações estão em vias de ser um dos grandes distribuidores de conteúdos de natureza audiovisual e, apostar no desenvolvimento da rêde, há-de necessariamente ter consequências no desenvolvimento da produção e da criatividade. Os conteúdos audiovisuais – os clássicos (como cinema e televisão) e os modernos (jogos, videoclips e produtos para comunicações móveis) – são a expressão contemporânea da cultura, da identidade e da língua de um país.
Desgraçadamente a situação da produção audiovisual em Portugal já atravessou melhores dias. Desde há dez anos (desde que Carrilho foi Ministro da Cultura e lá colocou o extraordinário Costa Ramos) que o ICAM se dedica com uma persistência extraordinária a destruir qualquer possibilidade de desenvolvimento industrial na área audiovisual, cedendo permanentemente ao lobby dos mais conservadores e estatistas realizadores cinematográficos. Um Fundo para a produção audiovisual (criado por Armando Vara) ficou no tinteiro. Os dois governos PSD recentes limitaram-se a ceder ainda mais ao lobby cinematográfico e acabaram de desarticular o pouco do audiovisual que tinha sobrevivido. O sector regressou à sina única dos subsídios ao cinema, à ditadura do celulóide, essa espécie de betão da cultura.
O êxito de audiências da TVI pode ter muitas explicações mas também prova como a produção de ficção nacional contemporânea é possível, como é determinante para fidelizar espectadores e para criar um relacionamento geracional com os públicos. Aqui está um exemplo de como a aposta na criatividade nacional é uma estratégia que gera crescimento, a prova provada de que sem investimento não há audiências. Alguém conhece algum sector de actividade que recupere e cresça se não fizer investimentos?

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AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO

O Governo anunciou um ambicioso projecto de desenvolvimento e modernização que, entre outras coisas, passa pelo reforço da utilização da banda larga. As plataformas de comunicações estão em vias de ser um dos grandes distribuidores de conteúdos de natureza audiovisual e, apostar no desenvolvimento da rêde, há-de necessariamente ter consequências no desenvolvimento da produção e da criatividade. Os conteúdos audiovisuais – os clássicos (como cinema e televisão) e os modernos (jogos, videoclips e produtos para comunicações móveis) – são a expressão contemporânea da cultura, da identidade e da língua de um país.
Desgraçadamente a situação da produção audiovisual em Portugal já atravessou melhores dias. Desde há dez anos (desde que Carrilho foi Ministro da Cultura e lá colocou o extraordinário Costa Ramos) que o ICAM se dedica com uma persistência extraordinária a destruir qualquer possibilidade de desenvolvimento industrial na área audiovisual, cedendo permanentemente ao lobby dos mais conservadores e estatistas realizadores cinematográficos. Um Fundo para a produção audiovisual (criado por Armando Vara) ficou no tinteiro. Os dois governos PSD recentes limitaram-se a ceder ainda mais ao lobby cinematográfico e acabaram de desarticular o pouco do audiovisual que tinha sobrevivido. O sector regressou à sina única dos subsídios ao cinema, à ditadura do celulóide, essa espécie de betão da cultura.
O êxito de audiências da TVI pode ter muitas explicações mas também prova como a produção de ficção nacional contemporânea é possível, como é determinante para fidelizar espectadores e para criar um relacionamento geracional com os públicos. Aqui está um exemplo de como a aposta na criatividade nacional é uma estratégia que gera crescimento, a prova provada de que sem investimento não há audiências. Alguém conhece algum sector de actividade que recupere e cresça se não fizer investimentos?

julho 10, 2005

VER - Lourdes Castro foi uma das participantes do grupo KWY, que, nos anos 60, em Paris, juntava, entre outros, João Vieira, René Bertholo, Christo, Costa Pinheiro, José Escada, Gonçalo Duarte e Jan Voss. Desde há muitos anos a viver na Madeira, Lourdes Castro é talvez a mais desconhecida das nossas grandes artistas plásticas. Tem uma oportunidade de visitar a sua obra até 27 de Julho na Fundação Arpad Sznees/Vieira da Silva, em Lisboa.

DESCOBRIR – Uma nova pintora, Ana Cardoso, apresenta a exposição «Color Paintings» na já incontornável galeria VPF CREAM ARTE, Rua da Boavista 84, 2º, sala 2, em Lisboa (perto do Mercado da Ribeira). Vai estar até 17 de Setembro

DEVORAR – A série «The Blues», uma encomenda original da estação pública norte-americana PBS, agora editada em DVD. A produção é de Martin Scorsese que definiu os sete episódios e os seus realizadores – entre os quais se contam, além do próprio, nomes como Wim Wenders, Charles Burnett e Clint Eastwood. Na FNAC pode comprar a série integral ou optar apenas pelos episódios que lhe interessarem mais. Wenders evoca Skip James, Blind Willie Johnson e J. B. Lenoir e Eastwood percorre os blues tocados ao piano por nomes como Ray Charles. Fica a navegação avisada que a 2: vai passar a série integral no último trimestre do ano.

COMER – Vale a pena experimentar o restaurante do Hotel Tivoli Jardim, por trás da Avenida da Liberdade. A sala é ampla e luminosa, foi (bem) redecorada há pouco tempo e ao comando está agora o Chefe Luis Carvalho que na nova lista estreada recentemente propõe delícias como arroz de pato (com moelas) e dourada assada sobre tomate fresco e broa. Existe uma boa escolha de 50 vinhos com a particularidade de terem um preço único, 14 euros. É uma belíssima alternativa para almoços. Telefone 213539971.

IMPOSSÍVEL – Não consigo perceber porque é que há tantos meninos e meninas da EMEL com tantos polícias municipais atrás e ninguém põe ordem no estacionamento em segunda (e terceira) fila que está cada vez mais caótico. O problema afecta a cidade em geral mas nas avenidas novas a desgraça é completa. A Avenida Miguiel Bombarda, por exemplo, chega a ter apenas uma faixa disponível entre as quatro teóricas que apresenta. Não poderão as polícias pôr ordem no estacionamento em segunda fila em vez de andarem a multar outros estacionamentos bem menos inconvenientes?

OUVIR – O pianista brasileiro Nelson Freire é uma preciosidade a descobrir. Confesso a minha rendição às suas interpretações dos 12 estudos e da Sonata para Piano nº10 de Chopin. Agora com 60 anos e com uma carreira de quatro décadas, Nelson Freire é pouco conhecido dos portugueses mas muito aplaudido nos Estados Unidos. Pena A edição de «Nelson Freire-Chopin» é da Decca, um Super Audio CD (com surround) distribuída pela Universal.

LER - Vale a pena ir lendo o blog www.direitaliberal.blogspot.com que pretende contribuir para mostrar que à direita não existe só aquilo que a esquerda acha: o passado. Esta semana estrearam-se os debates promovidos pelo blog da direita liberal, as «noites à direita» com um jantar no Nicola. A ideia em si é boa: debater o que é ser liberal, o que é ser de direita, sair das verdades feitas e ousar ter uma aproximação contemporânea e iconoclasta. Para Setembro está já anunciado o tema do próximo debate, a Cultura, que será moderado por Pedro Mexia.

REMATE – Music makes the world go round. Que outra forma de expressão artística, além da música, conseguia criar um evento como o Live 8? Ninguém me tira da cabeça que, além de Geldof e Bono, também Tony Blair esteve por trás da iniciativa, primorosamente marcada para dias antes de uma cimeira do G8 em que ele próprio é o anfitrião. Chama-se a isto marcar a agenda. Com música, claro.

BACK TO BASICS – A Irlanda não se tornou num case study europeu a gastar dinheiro em betão e construção.

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VER - Lourdes Castro foi uma das participantes do grupo KWY, que, nos anos 60, em Paris, juntava, entre outros, João Vieira, René Bertholo, Christo, Costa Pinheiro, José Escada, Gonçalo Duarte e Jan Voss. Desde há muitos anos a viver na Madeira, Lourdes Castro é talvez a mais desconhecida das nossas grandes artistas plásticas. Tem uma oportunidade de visitar a sua obra até 27 de Julho na Fundação Arpad Sznees/Vieira da Silva, em Lisboa.

DESCOBRIR – Uma nova pintora, Ana Cardoso, apresenta a exposição «Color Paintings» na já incontornável galeria VPF CREAM ARTE, Rua da Boavista 84, 2º, sala 2, em Lisboa (perto do Mercado da Ribeira). Vai estar até 17 de Setembro

DEVORAR – A série «The Blues», uma encomenda original da estação pública norte-americana PBS, agora editada em DVD. A produção é de Martin Scorsese que definiu os sete episódios e os seus realizadores – entre os quais se contam, além do próprio, nomes como Wim Wenders, Charles Burnett e Clint Eastwood. Na FNAC pode comprar a série integral ou optar apenas pelos episódios que lhe interessarem mais. Wenders evoca Skip James, Blind Willie Johnson e J. B. Lenoir e Eastwood percorre os blues tocados ao piano por nomes como Ray Charles. Fica a navegação avisada que a 2: vai passar a série integral no último trimestre do ano.

COMER – Vale a pena experimentar o restaurante do Hotel Tivoli Jardim, por trás da Avenida da Liberdade. A sala é ampla e luminosa, foi (bem) redecorada há pouco tempo e ao comando está agora o Chefe Luis Carvalho que na nova lista estreada recentemente propõe delícias como arroz de pato (com moelas) e dourada assada sobre tomate fresco e broa. Existe uma boa escolha de 50 vinhos com a particularidade de terem um preço único, 14 euros. É uma belíssima alternativa para almoços. Telefone 213539971.

IMPOSSÍVEL – Não consigo perceber porque é que há tantos meninos e meninas da EMEL com tantos polícias municipais atrás e ninguém põe ordem no estacionamento em segunda (e terceira) fila que está cada vez mais caótico. O problema afecta a cidade em geral mas nas avenidas novas a desgraça é completa. A Avenida Miguiel Bombarda, por exemplo, chega a ter apenas uma faixa disponível entre as quatro teóricas que apresenta. Não poderão as polícias pôr ordem no estacionamento em segunda fila em vez de andarem a multar outros estacionamentos bem menos inconvenientes?

OUVIR – O pianista brasileiro Nelson Freire é uma preciosidade a descobrir. Confesso a minha rendição às suas interpretações dos 12 estudos e da Sonata para Piano nº10 de Chopin. Agora com 60 anos e com uma carreira de quatro décadas, Nelson Freire é pouco conhecido dos portugueses mas muito aplaudido nos Estados Unidos. Pena A edição de «Nelson Freire-Chopin» é da Decca, um Super Audio CD (com surround) distribuída pela Universal.

LER - Vale a pena ir lendo o blog www.direitaliberal.blogspot.com que pretende contribuir para mostrar que à direita não existe só aquilo que a esquerda acha: o passado. Esta semana estrearam-se os debates promovidos pelo blog da direita liberal, as «noites à direita» com um jantar no Nicola. A ideia em si é boa: debater o que é ser liberal, o que é ser de direita, sair das verdades feitas e ousar ter uma aproximação contemporânea e iconoclasta. Para Setembro está já anunciado o tema do próximo debate, a Cultura, que será moderado por Pedro Mexia.

REMATE – Music makes the world go round. Que outra forma de expressão artística, além da música, conseguia criar um evento como o Live 8? Ninguém me tira da cabeça que, além de Geldof e Bono, também Tony Blair esteve por trás da iniciativa, primorosamente marcada para dias antes de uma cimeira do G8 em que ele próprio é o anfitrião. Chama-se a isto marcar a agenda. Com música, claro.

BACK TO BASICS – A Irlanda não se tornou num case study europeu a gastar dinheiro em betão e construção.

julho 06, 2005

DISCUTIR E DEBATER

Leitura obrigatória - a direita liberal , blog de que, com a devida vénia, citamos:
DEPOIS DO SUCESSO DA PRIMEIRA SESSÃO, "NOITES À DIREITA" REGRESSA EM SETEMBRO COM PEDRO MEXIA
Pedro Mexia aceitou o convite para participar no encontro de Setembro das "Noites à Direita" dedicado à por vezes complicada relação entre a direita e a cultura. Foi ontem mesmo na primeira sessão das "Noites" que o convite lhe foi endereçado, na sala a abarrotar do Café Nicola, que se mostrou pequeno para tanto público - o próximo deverá ter lugar em local mais amplo.

A Agência Lusa dá conta do acontecimento, mas parece que só lá viu dirigentes e deputados do CDS. Só por isso, acrescentamos que Nogueira Leite, Emídio Rangel, Nuno Costa Santos, Sofia Galvão e Gonçalo Reis foram alguns dos muitos ilustres participantes na iniciativa, para além do grupo de promotores - António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Lomba e Rui Ramos, que infelizmente não pôde estar presente (Manuel Falcão também não esteve).

Segue a notícia na íntegra da Lusa:

Política: Direita não estava "preparada para governar" - Pires de Lima

Lisboa, 06 Jul (Lusa) - O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.

Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós-eleitoral.

"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.

O debate de terça-feira à noite, que encheu o Café Nicola, em Lisboa, foi o primeiro de um ciclo - "Noites à Direita" - que visa dar voz àqueles que, neste espaço político, defendem o liberalismo, não só económico mas também na área dos costumes.

O "agente provocador" escolhido para este debate foi o ex-deputado do PS, Vicente Jorge Silva, que apesar de se confessar também ele um liberal, acusou a direita de uma "duplicidade insustentável".

"Para a direita, o Estado estará a mais na economia, na segurança social e na educação, mas estará a menos nas convicções", criticou, considerando que a direita actual ainda está muito marcada pelo "fantasma do salazarismo".

Na resposta, Pires de Lima admitiu a crítica, mas devolveu-a à esquerda, "tão libertária e socialmente evoluída nos costumes, mas depois proteccionista quanto à intervenção do Estado".

"A esquerda tem uma relação difícil com a liberdade", acusou o deputado do CDS-PP.

Na sala estiveram vários companheiros de bancada parlamentar de Pires de Lima, como Nuno Melo, Telmo Correia, Teresa Caeiro ou Nuno Magalhães, figuras que ocuparam lugares de destaque na anterior direcção.

Da actual comissão executiva, o núcleo duro do CDS, apenas Pedro Pestana Bastos marcou presença no debate das "Noites à Direita", que não tem pretensões de se tornar uma organização partidária.

"Não queremos ser uma organização ou movimento com conotação partidária que se substitua aos partidos actuais, o que queremos é permeabilizá-los às nossas ideias", explicou Pires de Lima.

Num debate sobre a direita, não podia faltar a discussão sobre aborto e a Constituição da República Portuguesa.

Embora manifestando-se contra a liberalização total do aborto, Pires de Lima voltou a defender a sua descriminalização, posição que vai contra a orientação oficial do CDS-PP.

"Pura e simplesmente, até um determinado número de semanas as mulheres não deviam ser criminalizadas", disse.

Já sobre a Constituição o ex-vice-presidente do CDS foi mais crítico e deixou um repto à esquerda.

"Uma das homenagens que a esquerda podia fazer ao 25 de Abril era reescrever a Constituição e torná-la um hino à liberdade", propôs.

Também aqui Pires de Lima contou com o apoio de Vicente Jorge Silva, que sublinhou a "indiscutível carga ideológica" da Lei fundamental, com o ex-deputado socialista a defender que esta se deveria reduzir a uma carta de princípios o mais sintética possível.

As "Noites à Direita" voltam a reunir em Setembro, para discutir cultura.

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DISCUTIR E DEBATER

Leitura obrigatória - a direita liberal , blog de que, com a devida vénia, citamos:
DEPOIS DO SUCESSO DA PRIMEIRA SESSÃO, "NOITES À DIREITA" REGRESSA EM SETEMBRO COM PEDRO MEXIA
Pedro Mexia aceitou o convite para participar no encontro de Setembro das "Noites à Direita" dedicado à por vezes complicada relação entre a direita e a cultura. Foi ontem mesmo na primeira sessão das "Noites" que o convite lhe foi endereçado, na sala a abarrotar do Café Nicola, que se mostrou pequeno para tanto público - o próximo deverá ter lugar em local mais amplo.

A Agência Lusa dá conta do acontecimento, mas parece que só lá viu dirigentes e deputados do CDS. Só por isso, acrescentamos que Nogueira Leite, Emídio Rangel, Nuno Costa Santos, Sofia Galvão e Gonçalo Reis foram alguns dos muitos ilustres participantes na iniciativa, para além do grupo de promotores - António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Lomba e Rui Ramos, que infelizmente não pôde estar presente (Manuel Falcão também não esteve).

Segue a notícia na íntegra da Lusa:

Política: Direita não estava "preparada para governar" - Pires de Lima

Lisboa, 06 Jul (Lusa) - O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.

Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós-eleitoral.

"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.

O debate de terça-feira à noite, que encheu o Café Nicola, em Lisboa, foi o primeiro de um ciclo - "Noites à Direita" - que visa dar voz àqueles que, neste espaço político, defendem o liberalismo, não só económico mas também na área dos costumes.

O "agente provocador" escolhido para este debate foi o ex-deputado do PS, Vicente Jorge Silva, que apesar de se confessar também ele um liberal, acusou a direita de uma "duplicidade insustentável".

"Para a direita, o Estado estará a mais na economia, na segurança social e na educação, mas estará a menos nas convicções", criticou, considerando que a direita actual ainda está muito marcada pelo "fantasma do salazarismo".

Na resposta, Pires de Lima admitiu a crítica, mas devolveu-a à esquerda, "tão libertária e socialmente evoluída nos costumes, mas depois proteccionista quanto à intervenção do Estado".

"A esquerda tem uma relação difícil com a liberdade", acusou o deputado do CDS-PP.

Na sala estiveram vários companheiros de bancada parlamentar de Pires de Lima, como Nuno Melo, Telmo Correia, Teresa Caeiro ou Nuno Magalhães, figuras que ocuparam lugares de destaque na anterior direcção.

Da actual comissão executiva, o núcleo duro do CDS, apenas Pedro Pestana Bastos marcou presença no debate das "Noites à Direita", que não tem pretensões de se tornar uma organização partidária.

"Não queremos ser uma organização ou movimento com conotação partidária que se substitua aos partidos actuais, o que queremos é permeabilizá-los às nossas ideias", explicou Pires de Lima.

Num debate sobre a direita, não podia faltar a discussão sobre aborto e a Constituição da República Portuguesa.

Embora manifestando-se contra a liberalização total do aborto, Pires de Lima voltou a defender a sua descriminalização, posição que vai contra a orientação oficial do CDS-PP.

"Pura e simplesmente, até um determinado número de semanas as mulheres não deviam ser criminalizadas", disse.

Já sobre a Constituição o ex-vice-presidente do CDS foi mais crítico e deixou um repto à esquerda.

"Uma das homenagens que a esquerda podia fazer ao 25 de Abril era reescrever a Constituição e torná-la um hino à liberdade", propôs.

Também aqui Pires de Lima contou com o apoio de Vicente Jorge Silva, que sublinhou a "indiscutível carga ideológica" da Lei fundamental, com o ex-deputado socialista a defender que esta se deveria reduzir a uma carta de princípios o mais sintética possível.

As "Noites à Direita" voltam a reunir em Setembro, para discutir cultura.

julho 04, 2005

MAIS ESTADO?

Durante seis meses o PS, então na oposição, elencou um rol de erros, incertezas, impurezas e imperfeições do anterior Governo. Não só estava no seu direito, como muitas vezes tinha razão. Acontece que em bastantes vezes o fez com uma discurso fundamentalista, politicamente correctíssimo, invocando as melhores práticas e os mais legítimos princípios.
Manda a lógica – e impõe a justiça – que os mesmos critérios se apliquem agora, que é o PS Governo. Trapalhadas em torno das SCUT, falsidades em torno das promessas eleitorais sobre impostos, manipulação em torno do deficit e erros crassos contabilísticos em torno do orçamento rectificativo estão numa lista, feita por baixo e de memória, da obra que este Governo tem apresentado.
Admitir os erros nunca é fácil. Quando se está no poder e se tem maioria absoluta, admitir erros é ainda mais difícil. O poder cega – ou pelo menos distorce bastante o sentido da realidade e da auto-crítica.
O grande problema dos problemas de visão de quem está no poder é que as várias miopias produzem efeitos directamente na vida dos cidadãos. E esses efeitos – na realidade – não têm sido bons nem na vida das pessoas nem no futuro do país.
A história destes últimos quinze dias reduz-se a aumentar taxas e impostos que todos pagamos e – percebemos agora - a aumentar a despesa que o Estado suporta. Aumentar a nossa capacidade de produção, em serviços ou na pouca indústria que sobreviveu é coisa de que não se fala.
Vejo muitas medidas para cobrar mais. Não vejo nada para se estimular que se trabalhe mais e melhor. Olho à volta e só vejo mais Estado. Não me parece que seja o melhor caminho para resolver os problemas de Portugal.

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MAIS ESTADO?

Durante seis meses o PS, então na oposição, elencou um rol de erros, incertezas, impurezas e imperfeições do anterior Governo. Não só estava no seu direito, como muitas vezes tinha razão. Acontece que em bastantes vezes o fez com uma discurso fundamentalista, politicamente correctíssimo, invocando as melhores práticas e os mais legítimos princípios.
Manda a lógica – e impõe a justiça – que os mesmos critérios se apliquem agora, que é o PS Governo. Trapalhadas em torno das SCUT, falsidades em torno das promessas eleitorais sobre impostos, manipulação em torno do deficit e erros crassos contabilísticos em torno do orçamento rectificativo estão numa lista, feita por baixo e de memória, da obra que este Governo tem apresentado.
Admitir os erros nunca é fácil. Quando se está no poder e se tem maioria absoluta, admitir erros é ainda mais difícil. O poder cega – ou pelo menos distorce bastante o sentido da realidade e da auto-crítica.
O grande problema dos problemas de visão de quem está no poder é que as várias miopias produzem efeitos directamente na vida dos cidadãos. E esses efeitos – na realidade – não têm sido bons nem na vida das pessoas nem no futuro do país.
A história destes últimos quinze dias reduz-se a aumentar taxas e impostos que todos pagamos e – percebemos agora - a aumentar a despesa que o Estado suporta. Aumentar a nossa capacidade de produção, em serviços ou na pouca indústria que sobreviveu é coisa de que não se fala.
Vejo muitas medidas para cobrar mais. Não vejo nada para se estimular que se trabalhe mais e melhor. Olho à volta e só vejo mais Estado. Não me parece que seja o melhor caminho para resolver os problemas de Portugal.