agosto 02, 2005

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PERGUNTAR, SEMPRE, COMO NO
ABRUPTO

MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."
(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Será que os senhores ministros (Primeiro, Economia, Obras Públicas) podem ao menos explicar quais as razões porque os estudos, alguns estudos, parte dos estudos, os estudos que foram relevantes para a tomada de decisão, não podem ser divulgados? Partindo do príncipio que existem.

Vamos acompanhar a página do Ministério da Economia e Inovação onde aliás há um formulário de reclamações, e cujas últimas entradas são a Nota à Comunicação Social com a resposta da Direcção-Geral de Geologia e Energia ao comunicado da Quercus e a Nota à Comunicação Social relativa à actividade de fiscalização desenvolvida pela IGAE - Inspecção-Geral das Actividades Económicas, no mês de Junho de 2005. Haverá com certeza informações mais úteis para todos para disponibilizar na página.

julho 31, 2005

ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.

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ABERTURA OFICIAL
A Silly Season teve a sua abertura oficial com a edição desta semana da «Única», o magazine do «Expresso» que virou revista de humor. Além das primeiras páginas de «O Inevitável» (uma cópia má do «Inimigo Público»), agora as entrevistas seguem o mesmo ritmo. E, tal como o primeiro caderno desse jornal, são belos exemplos daquilo que me ensinaram a chamar frete jornalístico.

julho 30, 2005

ESTADOS DE ALMA (2)

A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.

A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.

É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.

Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.

E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.

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ESTADOS DE ALMA (2)

A guerrilha desencadeada nesta semana em torno das eleições presidenciais foi elucidativa: o regime está esgotado, os partidos mostraram-se incapazes de enquadrar soluções e foram positivamente arrastados pelos acontecimentos. Não surgiram novos candidatos credíveis, apostados em provocar mudanças. Os dois candidatos que se perfilam são defensores do regime tal como ele existe e, infelizmente, parece-me que vamos ter umas eleições presidenciais com política a menos e emoção a mais. Mário Soares vai apostar na radicalização e na emoção para procurar garantir a manutenção do seu regime, da República que ele moldou e do Partido que construíu. Cavaco Silva, mais uma vez, deixou perder a marcação da agenda e a iniciativa política com a sua teimosia em prolongar tabus além do suportável – há dez anos esta falta de jeito foi em parte responsável pelo turbilhão que o levou à derrota.

A nossa História recente mostra bem o carácter errático e ferozmente partidário das intervenções presidenciais, todas no sentido de proteger a tribo e não de ajudar a encontrar um desígnio para o País. A figura e funções do Presidente da República, tais como existem, já não inspiram confiança. Uma das regras básicas, que podemos considerar como teorema seguro, provado por estes 31 anos que levamos de democracia, é que os interesses partidários estão sempre acima do interesse nacional e que, muitas vezes, os interesses dos responsáveis máximos dos partidos estão acima de tudo o resto. A política deixou de ser a já de si cínica arte do possível, para ser a arte do engano. Os mais recentes actos eleitorais em Portugal estão repletos de provas disso: promessas não cumpridas, garantias desmentidas. A demagogia instalou-se e faz parte dos métodos de acção de todos os quadrantes políticos.

É cada vez mais evidente que um dos factores mais imobilistas e com maiores responsabilidades na incapacidade de funcionamento do sistema vem da ausência de uma reforma profunda na Administração Pública. A função pública vale votos demais para poder ser tocada. A incapacidade em a reformar está directamente ligada à incapacidade em governar o país e em provocar mudanças estruturais. Enquanto não se mudar a administração pública a despesa dificilmente diminuirá e o país não conseguirá progredir. Este ano teremos eleições autárquicas, o que é um outro mundo acrescido de clientelismo, o da administração local e todos os seus anexos. Os autarcas gostam de se considerar os alicerces do regime, mas um estudo cuidado à realidade da gestão autárquica a nível nacional mostraria muito desperdício, muita obra feita para as feiras de vaidades pessoais dos presidentes de câmaras, provavelmente pouca obra social e demasiadas rotundas e construção civil. Os autarcas – salvo raras e honrosas excepções - transformaram-se em loteadores, são sobretudo o apoio estratégico de construtores civis e especuladores imobiliários. O retrato desenfreado da nova construção no país é prova disso mesmo. Confunde-se desenvolvimento com construção – é a expressão da política do betão a nível autárquico. Em 35 anos o número de habitações em Portugal mais que duplicou. Teoricamente temos uma casa para cada duas pessoas e preferimos demolir e construir, a recuperar e conservar. O resultado está à vista na paisagem e não é bonito de se ver.

Nas autarquias os serviços prestados aos cidadãos são chocantemente maus e caros. A burocracia é maior que na administração central, a ineficácia é gigantesca, o tráfico de influências e as alianças espúrias são correntes e as suspeitas de corrupção persistem. Não acredito na bondade dos políticos nem dos aspirantes a políticos. As obras públicas e as decisões urbanísticas são em grande parte o pagamento das campanhas eleitorais.

E, agora digam-me: com um quadro destes acham que os partidos e o sistema político, tal como hoje existem, podem alterar alguma coisa? Cada vez mais a intervenção cívica apenas faz sentido fora dos partidos – e frequentemente contra eles. E por este andar a participação cívica faz mais sentido fora do quadro das eleições.
CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)

Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.

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CARTA A UMA AMIGA NA PATAGÓNIA
(publicada esta semana em «O Independente»)

Bem sei que estás aí há pouco tempo, mas quando chegares, nem vais acreditar no que se passou, desde que partiste há quinze dias. Vamos por partes: o Ministro das Finanças resolveu escrever um artigo a dizer que os grandes investimentos públicos tinham que ser muito bem avaliados e estudados. No dia a seguir o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o Freitas, lembras-te?) criticou-o e pôs-se a jeito para ser candidato a Presidente da República pelo PS. Sócrates, no início da semana, disse que era muito cedo para se falar em presidenciais. Jorge Coelho apareceu rápido a garantir que o Governo estava coeso. No dia a seguir o Ministro das Finanças pediu a exoneração (queixou-se de cansaço…), e os jornais escreviam que o Primeiro Ministro lhe disse que, ou se demitia, ou era demitido. Como vez, mais coeso que isto não há.
Sexta-feira soube-se que os espanhóis do «El País» tinham chegado a acordo para comprar a Media Capital, depois de terem sido postos de lado na Lusomundo pela PT. E vê lá tu a coincidência: foi esse o dia escolhido pela Autoridade da Concorrência para dar luz verde à compra da Lusomundo pela Controlinveste. Ele há dias em que tudo corre bem a toda a gente, não achas?
Mas o melhor foram os jornais de sábado: o «Expresso» e o «Diário de Notícias» garantiam que Soares ía ser candidato; o «Público» jurava por Manuel Alegre; e, no «Correio da Manhã», Emídio Rangel defendia que o candidato do PS devia ser Jorge Coelho. Quando o fim-de-semana acabou José Sócrates já achava que era tempo de falar de presidenciais e apoiou a candidatura de Soares, logo depois de Jorge Coelho e logo antes de Silva Pereira darem a sua benção ao tema. A única coisa que não mudou foi o tabu de Cavaco. Continua caladinho, mas a mandar recados. É um estilo. O país não mudou. Os partidos não mudaram. Os políticos continuam os mesmos. Mas a idade da reforma aumentou. É oficial.

julho 29, 2005

MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:




MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.

O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.

12:43 (JPP)


MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.

Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.

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MAIS ESCLARECIMENTO
Cito, com gosto, o Abrupto:




MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


No Bloguítica.no Blasfémias , no Ciberjus , no Von Freud , na Grande Loja do Queijo Limiano, também se apoia esta divulgação. A causa é micro, mas é mais que justa e não pode ser considerada "contra" o governo. Bem pelo contrário, se o fizer, e podermos perceber melhor como se formou a decisão do governo nos seus aspectos técnicos, este sai reforçado.

O Ministro da Economia, que acompanha a blogosfera, tem aqui uma oportunidade para concretizar um dos aspectos desejáveis do "plano tecnológico": uma melhor democracia, mais esclarecida, usando as possibilidades de audiência, acessibilidade e livre análise da rede.

12:43 (JPP)


MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?


"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções." (Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)

Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora.

Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.
QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...

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QUINZE DIAS
As minhas habituais duas semanas de férias estão a terminar. Quando vim para o Algarve tínhamos uma realidade no país. Agora aproximamo-nos do irreal. Faz um ano que Durão assumiu o comando da Comissão Europeia. Já viram o estado a que o país chegou? Já pensaram em tudo o que aconteceu? Em todas as contradições que se evidenciaram? Quem diria há um ano que as coisas levariam este rumo...

julho 28, 2005

PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?

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PARADOXO
Os dois maiores partidos ficaram reféns dos seus ex-líderes para traçarem uma estratégia presidencial. E o mais cómico é que Soares se auto-impôs e obrigou o secretário-geral do PS a piruetas, enquanto Cavaco continua a deixar Marques Mendes na mais completa escuridão. É má vontade minha ou isto está tudo avariado?

julho 26, 2005

PRESIDENCIAIS
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.

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PRESIDENCIAIS
Estão a ver o que é mesmo preocupante? - os mesmos que já falharam antes são os únicos a querer concorrer. O sistema esgotou-se.
VÍCIO
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.

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VÍCIO
Há vinte anos que todos os governos só fazem o mais fácil: aumentar receitas. Quanto ao resto, quem vier a seguir, que feche a porta.
COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.

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COMÉDIA
Voz amiga relatou-me que, na semana passada, o PSD indicou Nuno da Câmara Pereira para falar sobre a nova Lei de protecção da música portuguesa na rádio. A voz amiga, por acaso da indústria discográfica, disse-me que se não tivesse sido cómico teria sido trágico. Porque é que o PSD faz figuras destas, a colocar gente desqualificada a falar - perguntaram-me. Que não sei, também não percebo, respondi eu.

julho 25, 2005

ESTADOS DE ALMA (1)

As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.

Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.

Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.

Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.

Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.

Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.

A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.

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ESTADOS DE ALMA (1)

As férias são sempre um bom momento para colocar ordem nas ideias e fazer o balanço do que anda à nossa volta. Gosto muito pouco do que vejo. Como tantos outros cidadãos sinto desencanto pela maneira como, ano após ano, o país não muda nem evolui. Na realidade Portugal não está melhor e não é de agora. A persistência na política do betão, a prevalência dos interesses das grandes construtoras – em parte devido à opacidade do sistema de financiamento partidário – e a falta de uma estratégia de desenvolvimento credível e sustentada são paradigmas dos nossos últimos 20 anos. A abundância de dinheiros comunitários criou, durante algum tempo, a ideia de que tudo ía bem. Mas o choque com a realidade começou a aparecer a par do alargamento da União e do cumprimento das regras financeiras da Comunidade Europeia.

Faço parte de uma geração que acreditou que podia contribuir para mudar o país. Em 1976 tive o primeiro choque e o primeiro grande desencanto. Durante anos não quis saber da política e dediquei-me a trabalhar em coisas de que gostava: a fotografia (por onde comecei nos jornais), o jornalismo, a música. Por sorte consegui durante muito tempo que tudo se completasse e funcionasse em conjunto. Na agência noticiosa aprendi a ser parco nas palavras, a evitar adjectivos e a prezar o rigor acima de tudo. Nos jornais aprendi o conceito da edição, nas revistas aproveitei o que sabia de fotografia para as soluções gráficas. Mais tarde fiz parte de equipas que criaram do zero jornais e revistas, alguns – orgulho-me disso – fizeram história na imprensa portuguesa.

Há quinze anos atrás acreditei (voltei a acreditar) que podia haver outra forma de fazer política, que a intervenção de cada um de nós, nas coisas que melhor sabe fazer, podia ser importante para melhorar a sociedade. Dediquei-me a projectos – muitos deles públicos. Aprendi muito nestes anos. Vi a política mais por dentro, percebi a natureza de palavras e acções. Tornei-me progressivamente mais desconfiado. Sei hoje que a mentira – mesmo quando se jura a verdade – é uma constante da política e de políticos. Habituei-me a analisar os dirigentes partidários e os responsáveis de Governos e, salvo raríssimas excepções, constatei que só pensavam neles, nos seus interesses particulares e no poder – ou poderes – que tinham. São seres isolados e egoístas, frios e calculistas. Frequentemente são falsos. Raramente são idealistas apaixonados e desinteressados – hoje em dia já nem se preocupam em usar essas vestes.

Hoje é claro que os partidos não existem para lutar pelo bem comum, mas sim pelo poder de satisfazer as clientelas que asseguram a sua manutenção. Tirando questões conjunturais não vejo diferenças substantivas entre Jorge Coelho e Marques Mendes – por alguma razão o país anda há anos a oscilar entre PS e PSD e não passa da cepa torta. Os partidos portugueses têm um instinto de sobrevivência que se sobrepõe sempre aos princípios que invocam como cartilha.

Provavelmente a minha geração perdeu o desafio de fazer um país novo. Cabe à geração seguinte fazê-lo e não há muito tempo a perder. As notícias mais recentes são preocupantes. Os partidos e os governos não toleram vozes independentes. O que aconteceu nesta semana – e que foi o quadro condensado e acelerado dos seis meses anteriores – mostra como as máquinas partidárias e os grupos de pressão se sobrepõem à razão e à ética.

Sei que este é um texto pessimista: não acredito na capacidade de reforma do sistema político nem dos partidos e constato que os novos políticos que volta e meia entram em cena, na maior parte dos casos, trazem ainda mais vícios que os anteriores. Os que escapam a esta regra duram pouco tempo – deles se diz que não têm sensibilidade política.

A sensibilidade política, caríssimos leitores, é o que de pior existe, é a desculpa para malfeitorias várias e para o estado catastrófico em que nos encontramos. Cada vez mais acredito que sensibilidade política é exactamente aquilo de que não precisamos.

julho 18, 2005

A IMAGEM DE LUIZ PACHECO

VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.

OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.

COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.

DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.

BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.

DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.

BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.

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A IMAGEM DE LUIZ PACHECO

VER - Por uma vez deixem-me ser juiz em causa própria. No próximo dia 22 será exibido na 2: , pelas 22h30, um documentário inédito sobre o escritor e editor Luiz Pacheco. O projecto, «Mais Um Dia de Noite», feito em parceria entre a estação e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, é, na minha opinião, uma das mais conseguidas produções promovidas pela 2: desde que existe. A responsabilidade é do talento e criatividade do realizador António José de Almeida e da produtora Panavideo. A aposta na produção independente, estratégica para a estação, tem dados bons frutos e - aconteça o que acontecer no futuro - pelo menos ficam feitos trabalhos como estes. E, já agora, fiquem com a ideia de que na noite da próxima terça-feira será exibido mais um episódio de «A Minha Viagem A Itália», de Martin Scorsese – uma visita à história do cinema italiano que é absolutamente apaixonante. E muito esclarecedora para os defensores do artesanato umbilical cinematográfico português, feito à conta do erário público.

OUVIR – Nos últimos anos o jazz vocal ganhou peso e estatuto – até comercial. A importância relativa que tem nas vendas da indústria discográfica é apenas um fenómeno conjuntural e geracional: o seu target etário não é a faixa que deixou de comprar música e a passou a importar da net; os seus destinatários vão pelo caminho seguro das FNACs deste mundo, continuam a comprar CD’s e são ainda pouco familiares com o processo dos downloads. Aos poucos o iTunes da Apple está a mudar as coisas – mas o jazz também já lá está abundantemente. Serve toda esta lenga lenga para vos aconselhar o mais recente álbum do pianista e compositor canadiano Denzal Sinclaire, cujo título é o seu próprio nome. Ele é uma daquelas raras vozes que se identifica às primeiras notas, que cativa aos primeiros acordes. Só os grandes cantores transmitem a tremenda sensação de naturalidade que Denzal tem.Com uma carreira de dez anos, Sinclaire toca aqui com uma formação minimalista: voz, piano, contrabaixo e bateria. Como rapidamente compreenderão não é preciso absolutamente mais nada. A edição é da Verve e está distribuída pela Universal Music.

COMER – Sabe sempre bem regressar à velha Primavera, no Bairro Alto. Comida caseira bem confeccionada pela D. Helena, serviço atento e amigo providenciado pelo Senhor Rafael. Confesso que ainda me deslumbro pelos panadinhos – a carne de corte finíssimo, a fritura apurada. As pescadinhas de rabo na boca também têm o seu encanto, mas o melhor de tudo é a informalidade e serenidade que se combinam neste local. O telefone é o 213420477.

DESENVOLVIMENTO – O mercado de conteúdos para plataformas móveis de comunicação vai mais que triplicar no decurso do próximo ano e atingirá o valor de 7.6 mil milhões de euros em Julho de 2006 na Europa, Ásia e Américas – revela uma estimativa da LogicaCMG, uma empresa de consultadoria desta área. Um quinto dos utilizadores de telefones móveis em todo o mundo já experimentaram alguma forma de download para os seus aparelhos e esta percentagem deve atingir os 60 por cento no decurso dos póximos 12 meses. Melodias de toques, jogos e música são os três downloadas mais populares, mas na Europa regista-se um interesse crescente por conteúdos ligados a informação e desporto. Actualmente já existem mais de 1.5 mil milhões de utilizadores de telefones móveis em todo o mundo.

BANDA LARGA – A Viacom anunciou que duas das suas operações de televisão, a VH1 (música) e a Nickelodeon (programação infantil e juvenil), vão iniciar canais de banda larga dentro em breve. Com esta operação a Viacom pretende fidelizar audiências, oferecer produtos complementares e exclusivos e proporcionar aos espectadores a possibilidade de, em qualquer momento, terem acesso a determinado programa.

DIFERENTE – A administração da BBC recomendou que o seu canal um faça menos repetições de programas em prime time.

BACK TO BASICS – Se querem ver mudanças no mundo comecem por fazer mudanças em vós próprios. Quem o dizia era Mahatma Gandhi.
AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO

O Governo anunciou um ambicioso projecto de desenvolvimento e modernização que, entre outras coisas, passa pelo reforço da utilização da banda larga. As plataformas de comunicações estão em vias de ser um dos grandes distribuidores de conteúdos de natureza audiovisual e, apostar no desenvolvimento da rêde, há-de necessariamente ter consequências no desenvolvimento da produção e da criatividade. Os conteúdos audiovisuais – os clássicos (como cinema e televisão) e os modernos (jogos, videoclips e produtos para comunicações móveis) – são a expressão contemporânea da cultura, da identidade e da língua de um país.
Desgraçadamente a situação da produção audiovisual em Portugal já atravessou melhores dias. Desde há dez anos (desde que Carrilho foi Ministro da Cultura e lá colocou o extraordinário Costa Ramos) que o ICAM se dedica com uma persistência extraordinária a destruir qualquer possibilidade de desenvolvimento industrial na área audiovisual, cedendo permanentemente ao lobby dos mais conservadores e estatistas realizadores cinematográficos. Um Fundo para a produção audiovisual (criado por Armando Vara) ficou no tinteiro. Os dois governos PSD recentes limitaram-se a ceder ainda mais ao lobby cinematográfico e acabaram de desarticular o pouco do audiovisual que tinha sobrevivido. O sector regressou à sina única dos subsídios ao cinema, à ditadura do celulóide, essa espécie de betão da cultura.
O êxito de audiências da TVI pode ter muitas explicações mas também prova como a produção de ficção nacional contemporânea é possível, como é determinante para fidelizar espectadores e para criar um relacionamento geracional com os públicos. Aqui está um exemplo de como a aposta na criatividade nacional é uma estratégia que gera crescimento, a prova provada de que sem investimento não há audiências. Alguém conhece algum sector de actividade que recupere e cresça se não fizer investimentos?

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AUDIOVISUAL E DESENVOLVIMENTO

O Governo anunciou um ambicioso projecto de desenvolvimento e modernização que, entre outras coisas, passa pelo reforço da utilização da banda larga. As plataformas de comunicações estão em vias de ser um dos grandes distribuidores de conteúdos de natureza audiovisual e, apostar no desenvolvimento da rêde, há-de necessariamente ter consequências no desenvolvimento da produção e da criatividade. Os conteúdos audiovisuais – os clássicos (como cinema e televisão) e os modernos (jogos, videoclips e produtos para comunicações móveis) – são a expressão contemporânea da cultura, da identidade e da língua de um país.
Desgraçadamente a situação da produção audiovisual em Portugal já atravessou melhores dias. Desde há dez anos (desde que Carrilho foi Ministro da Cultura e lá colocou o extraordinário Costa Ramos) que o ICAM se dedica com uma persistência extraordinária a destruir qualquer possibilidade de desenvolvimento industrial na área audiovisual, cedendo permanentemente ao lobby dos mais conservadores e estatistas realizadores cinematográficos. Um Fundo para a produção audiovisual (criado por Armando Vara) ficou no tinteiro. Os dois governos PSD recentes limitaram-se a ceder ainda mais ao lobby cinematográfico e acabaram de desarticular o pouco do audiovisual que tinha sobrevivido. O sector regressou à sina única dos subsídios ao cinema, à ditadura do celulóide, essa espécie de betão da cultura.
O êxito de audiências da TVI pode ter muitas explicações mas também prova como a produção de ficção nacional contemporânea é possível, como é determinante para fidelizar espectadores e para criar um relacionamento geracional com os públicos. Aqui está um exemplo de como a aposta na criatividade nacional é uma estratégia que gera crescimento, a prova provada de que sem investimento não há audiências. Alguém conhece algum sector de actividade que recupere e cresça se não fizer investimentos?

julho 10, 2005

VER - Lourdes Castro foi uma das participantes do grupo KWY, que, nos anos 60, em Paris, juntava, entre outros, João Vieira, René Bertholo, Christo, Costa Pinheiro, José Escada, Gonçalo Duarte e Jan Voss. Desde há muitos anos a viver na Madeira, Lourdes Castro é talvez a mais desconhecida das nossas grandes artistas plásticas. Tem uma oportunidade de visitar a sua obra até 27 de Julho na Fundação Arpad Sznees/Vieira da Silva, em Lisboa.

DESCOBRIR – Uma nova pintora, Ana Cardoso, apresenta a exposição «Color Paintings» na já incontornável galeria VPF CREAM ARTE, Rua da Boavista 84, 2º, sala 2, em Lisboa (perto do Mercado da Ribeira). Vai estar até 17 de Setembro

DEVORAR – A série «The Blues», uma encomenda original da estação pública norte-americana PBS, agora editada em DVD. A produção é de Martin Scorsese que definiu os sete episódios e os seus realizadores – entre os quais se contam, além do próprio, nomes como Wim Wenders, Charles Burnett e Clint Eastwood. Na FNAC pode comprar a série integral ou optar apenas pelos episódios que lhe interessarem mais. Wenders evoca Skip James, Blind Willie Johnson e J. B. Lenoir e Eastwood percorre os blues tocados ao piano por nomes como Ray Charles. Fica a navegação avisada que a 2: vai passar a série integral no último trimestre do ano.

COMER – Vale a pena experimentar o restaurante do Hotel Tivoli Jardim, por trás da Avenida da Liberdade. A sala é ampla e luminosa, foi (bem) redecorada há pouco tempo e ao comando está agora o Chefe Luis Carvalho que na nova lista estreada recentemente propõe delícias como arroz de pato (com moelas) e dourada assada sobre tomate fresco e broa. Existe uma boa escolha de 50 vinhos com a particularidade de terem um preço único, 14 euros. É uma belíssima alternativa para almoços. Telefone 213539971.

IMPOSSÍVEL – Não consigo perceber porque é que há tantos meninos e meninas da EMEL com tantos polícias municipais atrás e ninguém põe ordem no estacionamento em segunda (e terceira) fila que está cada vez mais caótico. O problema afecta a cidade em geral mas nas avenidas novas a desgraça é completa. A Avenida Miguiel Bombarda, por exemplo, chega a ter apenas uma faixa disponível entre as quatro teóricas que apresenta. Não poderão as polícias pôr ordem no estacionamento em segunda fila em vez de andarem a multar outros estacionamentos bem menos inconvenientes?

OUVIR – O pianista brasileiro Nelson Freire é uma preciosidade a descobrir. Confesso a minha rendição às suas interpretações dos 12 estudos e da Sonata para Piano nº10 de Chopin. Agora com 60 anos e com uma carreira de quatro décadas, Nelson Freire é pouco conhecido dos portugueses mas muito aplaudido nos Estados Unidos. Pena A edição de «Nelson Freire-Chopin» é da Decca, um Super Audio CD (com surround) distribuída pela Universal.

LER - Vale a pena ir lendo o blog www.direitaliberal.blogspot.com que pretende contribuir para mostrar que à direita não existe só aquilo que a esquerda acha: o passado. Esta semana estrearam-se os debates promovidos pelo blog da direita liberal, as «noites à direita» com um jantar no Nicola. A ideia em si é boa: debater o que é ser liberal, o que é ser de direita, sair das verdades feitas e ousar ter uma aproximação contemporânea e iconoclasta. Para Setembro está já anunciado o tema do próximo debate, a Cultura, que será moderado por Pedro Mexia.

REMATE – Music makes the world go round. Que outra forma de expressão artística, além da música, conseguia criar um evento como o Live 8? Ninguém me tira da cabeça que, além de Geldof e Bono, também Tony Blair esteve por trás da iniciativa, primorosamente marcada para dias antes de uma cimeira do G8 em que ele próprio é o anfitrião. Chama-se a isto marcar a agenda. Com música, claro.

BACK TO BASICS – A Irlanda não se tornou num case study europeu a gastar dinheiro em betão e construção.

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VER - Lourdes Castro foi uma das participantes do grupo KWY, que, nos anos 60, em Paris, juntava, entre outros, João Vieira, René Bertholo, Christo, Costa Pinheiro, José Escada, Gonçalo Duarte e Jan Voss. Desde há muitos anos a viver na Madeira, Lourdes Castro é talvez a mais desconhecida das nossas grandes artistas plásticas. Tem uma oportunidade de visitar a sua obra até 27 de Julho na Fundação Arpad Sznees/Vieira da Silva, em Lisboa.

DESCOBRIR – Uma nova pintora, Ana Cardoso, apresenta a exposição «Color Paintings» na já incontornável galeria VPF CREAM ARTE, Rua da Boavista 84, 2º, sala 2, em Lisboa (perto do Mercado da Ribeira). Vai estar até 17 de Setembro

DEVORAR – A série «The Blues», uma encomenda original da estação pública norte-americana PBS, agora editada em DVD. A produção é de Martin Scorsese que definiu os sete episódios e os seus realizadores – entre os quais se contam, além do próprio, nomes como Wim Wenders, Charles Burnett e Clint Eastwood. Na FNAC pode comprar a série integral ou optar apenas pelos episódios que lhe interessarem mais. Wenders evoca Skip James, Blind Willie Johnson e J. B. Lenoir e Eastwood percorre os blues tocados ao piano por nomes como Ray Charles. Fica a navegação avisada que a 2: vai passar a série integral no último trimestre do ano.

COMER – Vale a pena experimentar o restaurante do Hotel Tivoli Jardim, por trás da Avenida da Liberdade. A sala é ampla e luminosa, foi (bem) redecorada há pouco tempo e ao comando está agora o Chefe Luis Carvalho que na nova lista estreada recentemente propõe delícias como arroz de pato (com moelas) e dourada assada sobre tomate fresco e broa. Existe uma boa escolha de 50 vinhos com a particularidade de terem um preço único, 14 euros. É uma belíssima alternativa para almoços. Telefone 213539971.

IMPOSSÍVEL – Não consigo perceber porque é que há tantos meninos e meninas da EMEL com tantos polícias municipais atrás e ninguém põe ordem no estacionamento em segunda (e terceira) fila que está cada vez mais caótico. O problema afecta a cidade em geral mas nas avenidas novas a desgraça é completa. A Avenida Miguiel Bombarda, por exemplo, chega a ter apenas uma faixa disponível entre as quatro teóricas que apresenta. Não poderão as polícias pôr ordem no estacionamento em segunda fila em vez de andarem a multar outros estacionamentos bem menos inconvenientes?

OUVIR – O pianista brasileiro Nelson Freire é uma preciosidade a descobrir. Confesso a minha rendição às suas interpretações dos 12 estudos e da Sonata para Piano nº10 de Chopin. Agora com 60 anos e com uma carreira de quatro décadas, Nelson Freire é pouco conhecido dos portugueses mas muito aplaudido nos Estados Unidos. Pena A edição de «Nelson Freire-Chopin» é da Decca, um Super Audio CD (com surround) distribuída pela Universal.

LER - Vale a pena ir lendo o blog www.direitaliberal.blogspot.com que pretende contribuir para mostrar que à direita não existe só aquilo que a esquerda acha: o passado. Esta semana estrearam-se os debates promovidos pelo blog da direita liberal, as «noites à direita» com um jantar no Nicola. A ideia em si é boa: debater o que é ser liberal, o que é ser de direita, sair das verdades feitas e ousar ter uma aproximação contemporânea e iconoclasta. Para Setembro está já anunciado o tema do próximo debate, a Cultura, que será moderado por Pedro Mexia.

REMATE – Music makes the world go round. Que outra forma de expressão artística, além da música, conseguia criar um evento como o Live 8? Ninguém me tira da cabeça que, além de Geldof e Bono, também Tony Blair esteve por trás da iniciativa, primorosamente marcada para dias antes de uma cimeira do G8 em que ele próprio é o anfitrião. Chama-se a isto marcar a agenda. Com música, claro.

BACK TO BASICS – A Irlanda não se tornou num case study europeu a gastar dinheiro em betão e construção.

julho 06, 2005

DISCUTIR E DEBATER

Leitura obrigatória - a direita liberal , blog de que, com a devida vénia, citamos:
DEPOIS DO SUCESSO DA PRIMEIRA SESSÃO, "NOITES À DIREITA" REGRESSA EM SETEMBRO COM PEDRO MEXIA
Pedro Mexia aceitou o convite para participar no encontro de Setembro das "Noites à Direita" dedicado à por vezes complicada relação entre a direita e a cultura. Foi ontem mesmo na primeira sessão das "Noites" que o convite lhe foi endereçado, na sala a abarrotar do Café Nicola, que se mostrou pequeno para tanto público - o próximo deverá ter lugar em local mais amplo.

A Agência Lusa dá conta do acontecimento, mas parece que só lá viu dirigentes e deputados do CDS. Só por isso, acrescentamos que Nogueira Leite, Emídio Rangel, Nuno Costa Santos, Sofia Galvão e Gonçalo Reis foram alguns dos muitos ilustres participantes na iniciativa, para além do grupo de promotores - António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Lomba e Rui Ramos, que infelizmente não pôde estar presente (Manuel Falcão também não esteve).

Segue a notícia na íntegra da Lusa:

Política: Direita não estava "preparada para governar" - Pires de Lima

Lisboa, 06 Jul (Lusa) - O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.

Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós-eleitoral.

"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.

O debate de terça-feira à noite, que encheu o Café Nicola, em Lisboa, foi o primeiro de um ciclo - "Noites à Direita" - que visa dar voz àqueles que, neste espaço político, defendem o liberalismo, não só económico mas também na área dos costumes.

O "agente provocador" escolhido para este debate foi o ex-deputado do PS, Vicente Jorge Silva, que apesar de se confessar também ele um liberal, acusou a direita de uma "duplicidade insustentável".

"Para a direita, o Estado estará a mais na economia, na segurança social e na educação, mas estará a menos nas convicções", criticou, considerando que a direita actual ainda está muito marcada pelo "fantasma do salazarismo".

Na resposta, Pires de Lima admitiu a crítica, mas devolveu-a à esquerda, "tão libertária e socialmente evoluída nos costumes, mas depois proteccionista quanto à intervenção do Estado".

"A esquerda tem uma relação difícil com a liberdade", acusou o deputado do CDS-PP.

Na sala estiveram vários companheiros de bancada parlamentar de Pires de Lima, como Nuno Melo, Telmo Correia, Teresa Caeiro ou Nuno Magalhães, figuras que ocuparam lugares de destaque na anterior direcção.

Da actual comissão executiva, o núcleo duro do CDS, apenas Pedro Pestana Bastos marcou presença no debate das "Noites à Direita", que não tem pretensões de se tornar uma organização partidária.

"Não queremos ser uma organização ou movimento com conotação partidária que se substitua aos partidos actuais, o que queremos é permeabilizá-los às nossas ideias", explicou Pires de Lima.

Num debate sobre a direita, não podia faltar a discussão sobre aborto e a Constituição da República Portuguesa.

Embora manifestando-se contra a liberalização total do aborto, Pires de Lima voltou a defender a sua descriminalização, posição que vai contra a orientação oficial do CDS-PP.

"Pura e simplesmente, até um determinado número de semanas as mulheres não deviam ser criminalizadas", disse.

Já sobre a Constituição o ex-vice-presidente do CDS foi mais crítico e deixou um repto à esquerda.

"Uma das homenagens que a esquerda podia fazer ao 25 de Abril era reescrever a Constituição e torná-la um hino à liberdade", propôs.

Também aqui Pires de Lima contou com o apoio de Vicente Jorge Silva, que sublinhou a "indiscutível carga ideológica" da Lei fundamental, com o ex-deputado socialista a defender que esta se deveria reduzir a uma carta de princípios o mais sintética possível.

As "Noites à Direita" voltam a reunir em Setembro, para discutir cultura.

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DISCUTIR E DEBATER

Leitura obrigatória - a direita liberal , blog de que, com a devida vénia, citamos:
DEPOIS DO SUCESSO DA PRIMEIRA SESSÃO, "NOITES À DIREITA" REGRESSA EM SETEMBRO COM PEDRO MEXIA
Pedro Mexia aceitou o convite para participar no encontro de Setembro das "Noites à Direita" dedicado à por vezes complicada relação entre a direita e a cultura. Foi ontem mesmo na primeira sessão das "Noites" que o convite lhe foi endereçado, na sala a abarrotar do Café Nicola, que se mostrou pequeno para tanto público - o próximo deverá ter lugar em local mais amplo.

A Agência Lusa dá conta do acontecimento, mas parece que só lá viu dirigentes e deputados do CDS. Só por isso, acrescentamos que Nogueira Leite, Emídio Rangel, Nuno Costa Santos, Sofia Galvão e Gonçalo Reis foram alguns dos muitos ilustres participantes na iniciativa, para além do grupo de promotores - António Pires de Lima, Filipa Correia Pinto, Leonardo Mathias, Luciano Amaral, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Lomba e Rui Ramos, que infelizmente não pôde estar presente (Manuel Falcão também não esteve).

Segue a notícia na íntegra da Lusa:

Política: Direita não estava "preparada para governar" - Pires de Lima

Lisboa, 06 Jul (Lusa) - O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.

Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós-eleitoral.

"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.

O debate de terça-feira à noite, que encheu o Café Nicola, em Lisboa, foi o primeiro de um ciclo - "Noites à Direita" - que visa dar voz àqueles que, neste espaço político, defendem o liberalismo, não só económico mas também na área dos costumes.

O "agente provocador" escolhido para este debate foi o ex-deputado do PS, Vicente Jorge Silva, que apesar de se confessar também ele um liberal, acusou a direita de uma "duplicidade insustentável".

"Para a direita, o Estado estará a mais na economia, na segurança social e na educação, mas estará a menos nas convicções", criticou, considerando que a direita actual ainda está muito marcada pelo "fantasma do salazarismo".

Na resposta, Pires de Lima admitiu a crítica, mas devolveu-a à esquerda, "tão libertária e socialmente evoluída nos costumes, mas depois proteccionista quanto à intervenção do Estado".

"A esquerda tem uma relação difícil com a liberdade", acusou o deputado do CDS-PP.

Na sala estiveram vários companheiros de bancada parlamentar de Pires de Lima, como Nuno Melo, Telmo Correia, Teresa Caeiro ou Nuno Magalhães, figuras que ocuparam lugares de destaque na anterior direcção.

Da actual comissão executiva, o núcleo duro do CDS, apenas Pedro Pestana Bastos marcou presença no debate das "Noites à Direita", que não tem pretensões de se tornar uma organização partidária.

"Não queremos ser uma organização ou movimento com conotação partidária que se substitua aos partidos actuais, o que queremos é permeabilizá-los às nossas ideias", explicou Pires de Lima.

Num debate sobre a direita, não podia faltar a discussão sobre aborto e a Constituição da República Portuguesa.

Embora manifestando-se contra a liberalização total do aborto, Pires de Lima voltou a defender a sua descriminalização, posição que vai contra a orientação oficial do CDS-PP.

"Pura e simplesmente, até um determinado número de semanas as mulheres não deviam ser criminalizadas", disse.

Já sobre a Constituição o ex-vice-presidente do CDS foi mais crítico e deixou um repto à esquerda.

"Uma das homenagens que a esquerda podia fazer ao 25 de Abril era reescrever a Constituição e torná-la um hino à liberdade", propôs.

Também aqui Pires de Lima contou com o apoio de Vicente Jorge Silva, que sublinhou a "indiscutível carga ideológica" da Lei fundamental, com o ex-deputado socialista a defender que esta se deveria reduzir a uma carta de princípios o mais sintética possível.

As "Noites à Direita" voltam a reunir em Setembro, para discutir cultura.

julho 04, 2005

MAIS ESTADO?

Durante seis meses o PS, então na oposição, elencou um rol de erros, incertezas, impurezas e imperfeições do anterior Governo. Não só estava no seu direito, como muitas vezes tinha razão. Acontece que em bastantes vezes o fez com uma discurso fundamentalista, politicamente correctíssimo, invocando as melhores práticas e os mais legítimos princípios.
Manda a lógica – e impõe a justiça – que os mesmos critérios se apliquem agora, que é o PS Governo. Trapalhadas em torno das SCUT, falsidades em torno das promessas eleitorais sobre impostos, manipulação em torno do deficit e erros crassos contabilísticos em torno do orçamento rectificativo estão numa lista, feita por baixo e de memória, da obra que este Governo tem apresentado.
Admitir os erros nunca é fácil. Quando se está no poder e se tem maioria absoluta, admitir erros é ainda mais difícil. O poder cega – ou pelo menos distorce bastante o sentido da realidade e da auto-crítica.
O grande problema dos problemas de visão de quem está no poder é que as várias miopias produzem efeitos directamente na vida dos cidadãos. E esses efeitos – na realidade – não têm sido bons nem na vida das pessoas nem no futuro do país.
A história destes últimos quinze dias reduz-se a aumentar taxas e impostos que todos pagamos e – percebemos agora - a aumentar a despesa que o Estado suporta. Aumentar a nossa capacidade de produção, em serviços ou na pouca indústria que sobreviveu é coisa de que não se fala.
Vejo muitas medidas para cobrar mais. Não vejo nada para se estimular que se trabalhe mais e melhor. Olho à volta e só vejo mais Estado. Não me parece que seja o melhor caminho para resolver os problemas de Portugal.

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MAIS ESTADO?

Durante seis meses o PS, então na oposição, elencou um rol de erros, incertezas, impurezas e imperfeições do anterior Governo. Não só estava no seu direito, como muitas vezes tinha razão. Acontece que em bastantes vezes o fez com uma discurso fundamentalista, politicamente correctíssimo, invocando as melhores práticas e os mais legítimos princípios.
Manda a lógica – e impõe a justiça – que os mesmos critérios se apliquem agora, que é o PS Governo. Trapalhadas em torno das SCUT, falsidades em torno das promessas eleitorais sobre impostos, manipulação em torno do deficit e erros crassos contabilísticos em torno do orçamento rectificativo estão numa lista, feita por baixo e de memória, da obra que este Governo tem apresentado.
Admitir os erros nunca é fácil. Quando se está no poder e se tem maioria absoluta, admitir erros é ainda mais difícil. O poder cega – ou pelo menos distorce bastante o sentido da realidade e da auto-crítica.
O grande problema dos problemas de visão de quem está no poder é que as várias miopias produzem efeitos directamente na vida dos cidadãos. E esses efeitos – na realidade – não têm sido bons nem na vida das pessoas nem no futuro do país.
A história destes últimos quinze dias reduz-se a aumentar taxas e impostos que todos pagamos e – percebemos agora - a aumentar a despesa que o Estado suporta. Aumentar a nossa capacidade de produção, em serviços ou na pouca indústria que sobreviveu é coisa de que não se fala.
Vejo muitas medidas para cobrar mais. Não vejo nada para se estimular que se trabalhe mais e melhor. Olho à volta e só vejo mais Estado. Não me parece que seja o melhor caminho para resolver os problemas de Portugal.

junho 26, 2005

CRIATIVOS – O Ministro britânico das Indústrias Criativas lançou um apelo para que o Reino Unido se torne no mais importante polo de criatividade no mundo inteiro. Num discurso no Institute For Public Policy Research, Purnell apelou a um maior investimento na indústria audiovisual britânica e anunciou medidas de modernização e reforço do controlo dos direitos de autor e conexos. Ao mesmo tempo apelou a um ensino que reforce nos alunos a componente da criatividade. As indústrias criativas abrangidas por este ministério são o cinema, as artes de palco, o artesanato, artes plásticas, rádio e televisão (broadcasting), música, publicidade, design, arquitectura, publishing (exploração de direitos), jogos de computador, desenvolvimento de software, moda e o mercado de antiguidades. As indústrias criativas significam 8 por cento da economia britânica: como transformar a criatividade em sucesso industrial, como transformar o talento em sucesso e o sucesso em lucro é o objectivo das políticas que estão a ser desenvolvidas nesta área pelo Governo Blair. Giro, não é?

EXEMPLO – A Ministra espanhola da Cultura, Carmen Calvo, anunciou que a Espanha, o México e o Brasil têm intenção de lançar uma televisão cultural latino-americana a fim de reforçar a sua cultura comum. O anúncio, citado pela France Presse, foi feito na 8ª Conferência de Cultura Latino-Americana à qual assistiam 18 ministros e secretários da Cultura da América Latina, Espanha e Portugal. Por cá ainda não se ouviu que pensa Portugal fazer sobre este assunto. Enfim... coisa de somenos.

COMIDINHAS – Nas listas dos restaurantes fazem falta comidas de verão, sopas frias, saladas que possam ser prato principal. Para além do velho rosbife com salada russa pouca coisa aparece. Com estes dias de calor não apetece comida pesada nem coisas muito quentes. E as listas variam pouco. Imaginação precisa-se, que a coisa não anda muito famosa na restauração alfacinha.

VIVER – Está de regresso a mais extraordinária esplanada de Lisboa, a «Perdigueiros do Rio», mesmo ao pé da Portugália do Cais do Sodré. Espreguiçadeiras viradas para o Tejo, mesas cobertas com toldo (onde este ano se pode almoçar – por sinal comidinhas leves), um ambiente fantástico, grande música, o ideal para criar o hábito de beber um copo de vinho branco antes de ir para casa ou de partir para um jantar.

LER – A mais recente edição da revista «Media XXI» que traz um dossier cheio de informação sobre Cidades e Regiões Digitais cheio de boa informação sobre o que se passa no país e asobre a regionalização virtual. Na mesma edição vale a pena ler a entrevista com o vice-director da Associação Mundial de Jornais, Eamonn Byrne, que de passagem por Lisboa falou sobre o futuro da imprensa escrita.

VER – A exposição «Espelho Meu- Portugal Visto por fotógrafos da Magnum» , no CCB a partir de 30 de Junho. A Magnum é uma das mais importantes agências de fotografia em termos mundiais e por lá passaram nomes como Robert Capa ou Henri Cartier Bresson; Sebastião Salgado e Susan Meiselas são dois dos seus fotógrafos no activo. Mais informações em www.magnumphotos.com , onde diariamente se podem ir seguindo as grandes imagens recolhidas pela agência.

OUVIR – Ry Cooder é um guitarrista de muitos talentos com uma invulgar capacidade para colocar em música os seus sentimentos. «Chávez Ravine» fala da forma como a sua cidade de Los Angeles se transforma, como se perdem os sítios onde se contruíram memórias de uma vida. Disco ambicioso e virtuoso, esta é uma das gratas surpresas deste ano. CD Nonesuch – se querem um conselho visitem www.amazon.fr e comprem os vossos discos só com 5% de IVA e em euros. Este custa 17,55 e em poucos dias têm-no cá. Se comprarem três discos, já poupam. E mandam o aumento do IVA às urtigas.

REMATE - Quando dois primeiros ministros, de seguida, trocam o seu país por um cargo internacional é sinal de que por aqui a crise é profunda.

BACK TO BASICS – Os políticos a falar parecem mulheres a comprar sapatos. Não pensam e descontrolam-se.

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CRIATIVOS – O Ministro britânico das Indústrias Criativas lançou um apelo para que o Reino Unido se torne no mais importante polo de criatividade no mundo inteiro. Num discurso no Institute For Public Policy Research, Purnell apelou a um maior investimento na indústria audiovisual britânica e anunciou medidas de modernização e reforço do controlo dos direitos de autor e conexos. Ao mesmo tempo apelou a um ensino que reforce nos alunos a componente da criatividade. As indústrias criativas abrangidas por este ministério são o cinema, as artes de palco, o artesanato, artes plásticas, rádio e televisão (broadcasting), música, publicidade, design, arquitectura, publishing (exploração de direitos), jogos de computador, desenvolvimento de software, moda e o mercado de antiguidades. As indústrias criativas significam 8 por cento da economia britânica: como transformar a criatividade em sucesso industrial, como transformar o talento em sucesso e o sucesso em lucro é o objectivo das políticas que estão a ser desenvolvidas nesta área pelo Governo Blair. Giro, não é?

EXEMPLO – A Ministra espanhola da Cultura, Carmen Calvo, anunciou que a Espanha, o México e o Brasil têm intenção de lançar uma televisão cultural latino-americana a fim de reforçar a sua cultura comum. O anúncio, citado pela France Presse, foi feito na 8ª Conferência de Cultura Latino-Americana à qual assistiam 18 ministros e secretários da Cultura da América Latina, Espanha e Portugal. Por cá ainda não se ouviu que pensa Portugal fazer sobre este assunto. Enfim... coisa de somenos.

COMIDINHAS – Nas listas dos restaurantes fazem falta comidas de verão, sopas frias, saladas que possam ser prato principal. Para além do velho rosbife com salada russa pouca coisa aparece. Com estes dias de calor não apetece comida pesada nem coisas muito quentes. E as listas variam pouco. Imaginação precisa-se, que a coisa não anda muito famosa na restauração alfacinha.

VIVER – Está de regresso a mais extraordinária esplanada de Lisboa, a «Perdigueiros do Rio», mesmo ao pé da Portugália do Cais do Sodré. Espreguiçadeiras viradas para o Tejo, mesas cobertas com toldo (onde este ano se pode almoçar – por sinal comidinhas leves), um ambiente fantástico, grande música, o ideal para criar o hábito de beber um copo de vinho branco antes de ir para casa ou de partir para um jantar.

LER – A mais recente edição da revista «Media XXI» que traz um dossier cheio de informação sobre Cidades e Regiões Digitais cheio de boa informação sobre o que se passa no país e asobre a regionalização virtual. Na mesma edição vale a pena ler a entrevista com o vice-director da Associação Mundial de Jornais, Eamonn Byrne, que de passagem por Lisboa falou sobre o futuro da imprensa escrita.

VER – A exposição «Espelho Meu- Portugal Visto por fotógrafos da Magnum» , no CCB a partir de 30 de Junho. A Magnum é uma das mais importantes agências de fotografia em termos mundiais e por lá passaram nomes como Robert Capa ou Henri Cartier Bresson; Sebastião Salgado e Susan Meiselas são dois dos seus fotógrafos no activo. Mais informações em www.magnumphotos.com , onde diariamente se podem ir seguindo as grandes imagens recolhidas pela agência.

OUVIR – Ry Cooder é um guitarrista de muitos talentos com uma invulgar capacidade para colocar em música os seus sentimentos. «Chávez Ravine» fala da forma como a sua cidade de Los Angeles se transforma, como se perdem os sítios onde se contruíram memórias de uma vida. Disco ambicioso e virtuoso, esta é uma das gratas surpresas deste ano. CD Nonesuch – se querem um conselho visitem www.amazon.fr e comprem os vossos discos só com 5% de IVA e em euros. Este custa 17,55 e em poucos dias têm-no cá. Se comprarem três discos, já poupam. E mandam o aumento do IVA às urtigas.

REMATE - Quando dois primeiros ministros, de seguida, trocam o seu país por um cargo internacional é sinal de que por aqui a crise é profunda.

BACK TO BASICS – Os políticos a falar parecem mulheres a comprar sapatos. Não pensam e descontrolam-se.

junho 23, 2005

LER O ABRUPTO
Com a devida vénia a José Pacheco Pereira:
POBRE PAÍS,

o nosso.

É difícil encontrar melhor exemplo de um processo puramente casuístico, atrapalhado, incompetente, cúmplice nas fraquezas, revelador de puro taticismo, onde políticos dos partidos da governação, PS, PSD, PP, mostram que não se respeitam nem a si próprios, nem aos portugueses que os representam, do que tudo o que se passou com esta “revisão constitucional” para referendar a Constituição europeia. Que tudo isto tenha sido possível como se fosse o mais normal dos processos, onde ninguém se envergonha, ninguém se revolta nos respectivos partidos, é um sinal claro, insisto claro, do grau de degradação a que chegou a actividade política e parlamentar em Portugal.

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LER O ABRUPTO
Com a devida vénia a José Pacheco Pereira:
POBRE PAÍS,

o nosso.

É difícil encontrar melhor exemplo de um processo puramente casuístico, atrapalhado, incompetente, cúmplice nas fraquezas, revelador de puro taticismo, onde políticos dos partidos da governação, PS, PSD, PP, mostram que não se respeitam nem a si próprios, nem aos portugueses que os representam, do que tudo o que se passou com esta “revisão constitucional” para referendar a Constituição europeia. Que tudo isto tenha sido possível como se fosse o mais normal dos processos, onde ninguém se envergonha, ninguém se revolta nos respectivos partidos, é um sinal claro, insisto claro, do grau de degradação a que chegou a actividade política e parlamentar em Portugal.

A FUGA
Quando leio os jornais e revistas percebo porque é que dois primeiros ministros de seguida abandonaram os seus lugares e funções em Portugal e procuraram refúgio em organismos internacionais.

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A FUGA
Quando leio os jornais e revistas percebo porque é que dois primeiros ministros de seguida abandonaram os seus lugares e funções em Portugal e procuraram refúgio em organismos internacionais.

junho 22, 2005

QUE TEMPOS CURIOSOS...
Manuel Maria Carrilho fala dos jornalistas de uma maneira que até parece discípulo de Alberto João Jardim e Jorge Sampaio a falar da banca faz lembrar Pedro Santana Lopes. Será da canícula?

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QUE TEMPOS CURIOSOS...
Manuel Maria Carrilho fala dos jornalistas de uma maneira que até parece discípulo de Alberto João Jardim e Jorge Sampaio a falar da banca faz lembrar Pedro Santana Lopes. Será da canícula?

junho 21, 2005

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EXTRAORDINÁRIO
No mesmo dia em que num universo de 65 000 alunos que estavam inscritos para o exame de matemática apenas sete se viram impossibilitados de o fazer por causa da greve. Os sindicatos face a estes números dizem que a greve teve uma adesão de setenta por cento e um dos seus porta vozes, Paulo Sucena, tem a supina lata de dizer que a greve não é para dificultar os exames, mas sim para criar diálogo com o Governo. Quem é que os sindicalistas querem enaganar com esta conversa?
EXTRAORDINÁRIO
No mesmo dia em que num universo de 65 000 alunos que estavam inscritos para o exame de matemática apenas sete se viram impossibilitados de o fazer por causa da greve. Os sindicatos face a estes números dizem que a greve teve uma adesão de setenta por cento e um dos seus porta vozes, Paulo Sucena, tem a supina lata de dizer que a greve não é para dificultar os exames, mas sim para criar diálogo com o Governo. Quem é que os sindicalistas querem enaganar com esta conversa?
RESPONSABILIDADE
Sabe-se já que só sete alunos na região de Lisboa (em Alpiarça), não puderam fazer exame de matemática por causa da greve. Quer-me parecer que o espírito de responsabilidade da maioria dos professores deu uma bofetada à irresponsabilidade dos sindicalistas profissionais.

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RESPONSABILIDADE
Sabe-se já que só sete alunos na região de Lisboa (em Alpiarça), não puderam fazer exame de matemática por causa da greve. Quer-me parecer que o espírito de responsabilidade da maioria dos professores deu uma bofetada à irresponsabilidade dos sindicalistas profissionais.
MISTÉRIO
Porque é que será que em Portugal nunca se falou do Alto Comissário para os Refugiados e de repente todos os passos que dá são motivo de notícia em telejornais? É isto que nos torna provincianos - em vez de se utilizarem meios para reportar o que se passa no país, anda-se a estimular o ego de um ex-primeiro- ministro fugitivo.

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MISTÉRIO
Porque é que será que em Portugal nunca se falou do Alto Comissário para os Refugiados e de repente todos os passos que dá são motivo de notícia em telejornais? É isto que nos torna provincianos - em vez de se utilizarem meios para reportar o que se passa no país, anda-se a estimular o ego de um ex-primeiro- ministro fugitivo.
OPOSIÇÃO
Não entendo porque é que a única voz da oposição nos últimos meses foi a da Dra. Manuela Ferreira Leite na semana passada. Não entendo porque é que o PSD não fala do que se está a passar no ensino com a greve dos sindicalistas. Não entendo porque é que se dizem barbaridades sobre os resultados da cimeira europeia. Não entendo o que esta oposição anda a fazer.

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OPOSIÇÃO
Não entendo porque é que a única voz da oposição nos últimos meses foi a da Dra. Manuela Ferreira Leite na semana passada. Não entendo porque é que o PSD não fala do que se está a passar no ensino com a greve dos sindicalistas. Não entendo porque é que se dizem barbaridades sobre os resultados da cimeira europeia. Não entendo o que esta oposição anda a fazer.
GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.

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GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.

junho 20, 2005

PNEUS EM VEZ DE SAPATOS

TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.

ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».

TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.

INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.

OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal

REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).

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PNEUS EM VEZ DE SAPATOS

TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.

ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».

TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.

INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.

OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal

REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
COINCIDÊNCIAS

Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.

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COINCIDÊNCIAS

Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.

junho 16, 2005

O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.

Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.

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O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.

Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
ESPELHO MEU
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?

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ESPELHO MEU
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?

junho 14, 2005

BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.

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BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
INJUSTIÇA
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

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INJUSTIÇA
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?