junho 26, 2005

CRIATIVOS – O Ministro britânico das Indústrias Criativas lançou um apelo para que o Reino Unido se torne no mais importante polo de criatividade no mundo inteiro. Num discurso no Institute For Public Policy Research, Purnell apelou a um maior investimento na indústria audiovisual britânica e anunciou medidas de modernização e reforço do controlo dos direitos de autor e conexos. Ao mesmo tempo apelou a um ensino que reforce nos alunos a componente da criatividade. As indústrias criativas abrangidas por este ministério são o cinema, as artes de palco, o artesanato, artes plásticas, rádio e televisão (broadcasting), música, publicidade, design, arquitectura, publishing (exploração de direitos), jogos de computador, desenvolvimento de software, moda e o mercado de antiguidades. As indústrias criativas significam 8 por cento da economia britânica: como transformar a criatividade em sucesso industrial, como transformar o talento em sucesso e o sucesso em lucro é o objectivo das políticas que estão a ser desenvolvidas nesta área pelo Governo Blair. Giro, não é?

EXEMPLO – A Ministra espanhola da Cultura, Carmen Calvo, anunciou que a Espanha, o México e o Brasil têm intenção de lançar uma televisão cultural latino-americana a fim de reforçar a sua cultura comum. O anúncio, citado pela France Presse, foi feito na 8ª Conferência de Cultura Latino-Americana à qual assistiam 18 ministros e secretários da Cultura da América Latina, Espanha e Portugal. Por cá ainda não se ouviu que pensa Portugal fazer sobre este assunto. Enfim... coisa de somenos.

COMIDINHAS – Nas listas dos restaurantes fazem falta comidas de verão, sopas frias, saladas que possam ser prato principal. Para além do velho rosbife com salada russa pouca coisa aparece. Com estes dias de calor não apetece comida pesada nem coisas muito quentes. E as listas variam pouco. Imaginação precisa-se, que a coisa não anda muito famosa na restauração alfacinha.

VIVER – Está de regresso a mais extraordinária esplanada de Lisboa, a «Perdigueiros do Rio», mesmo ao pé da Portugália do Cais do Sodré. Espreguiçadeiras viradas para o Tejo, mesas cobertas com toldo (onde este ano se pode almoçar – por sinal comidinhas leves), um ambiente fantástico, grande música, o ideal para criar o hábito de beber um copo de vinho branco antes de ir para casa ou de partir para um jantar.

LER – A mais recente edição da revista «Media XXI» que traz um dossier cheio de informação sobre Cidades e Regiões Digitais cheio de boa informação sobre o que se passa no país e asobre a regionalização virtual. Na mesma edição vale a pena ler a entrevista com o vice-director da Associação Mundial de Jornais, Eamonn Byrne, que de passagem por Lisboa falou sobre o futuro da imprensa escrita.

VER – A exposição «Espelho Meu- Portugal Visto por fotógrafos da Magnum» , no CCB a partir de 30 de Junho. A Magnum é uma das mais importantes agências de fotografia em termos mundiais e por lá passaram nomes como Robert Capa ou Henri Cartier Bresson; Sebastião Salgado e Susan Meiselas são dois dos seus fotógrafos no activo. Mais informações em www.magnumphotos.com , onde diariamente se podem ir seguindo as grandes imagens recolhidas pela agência.

OUVIR – Ry Cooder é um guitarrista de muitos talentos com uma invulgar capacidade para colocar em música os seus sentimentos. «Chávez Ravine» fala da forma como a sua cidade de Los Angeles se transforma, como se perdem os sítios onde se contruíram memórias de uma vida. Disco ambicioso e virtuoso, esta é uma das gratas surpresas deste ano. CD Nonesuch – se querem um conselho visitem www.amazon.fr e comprem os vossos discos só com 5% de IVA e em euros. Este custa 17,55 e em poucos dias têm-no cá. Se comprarem três discos, já poupam. E mandam o aumento do IVA às urtigas.

REMATE - Quando dois primeiros ministros, de seguida, trocam o seu país por um cargo internacional é sinal de que por aqui a crise é profunda.

BACK TO BASICS – Os políticos a falar parecem mulheres a comprar sapatos. Não pensam e descontrolam-se.

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CRIATIVOS – O Ministro britânico das Indústrias Criativas lançou um apelo para que o Reino Unido se torne no mais importante polo de criatividade no mundo inteiro. Num discurso no Institute For Public Policy Research, Purnell apelou a um maior investimento na indústria audiovisual britânica e anunciou medidas de modernização e reforço do controlo dos direitos de autor e conexos. Ao mesmo tempo apelou a um ensino que reforce nos alunos a componente da criatividade. As indústrias criativas abrangidas por este ministério são o cinema, as artes de palco, o artesanato, artes plásticas, rádio e televisão (broadcasting), música, publicidade, design, arquitectura, publishing (exploração de direitos), jogos de computador, desenvolvimento de software, moda e o mercado de antiguidades. As indústrias criativas significam 8 por cento da economia britânica: como transformar a criatividade em sucesso industrial, como transformar o talento em sucesso e o sucesso em lucro é o objectivo das políticas que estão a ser desenvolvidas nesta área pelo Governo Blair. Giro, não é?

EXEMPLO – A Ministra espanhola da Cultura, Carmen Calvo, anunciou que a Espanha, o México e o Brasil têm intenção de lançar uma televisão cultural latino-americana a fim de reforçar a sua cultura comum. O anúncio, citado pela France Presse, foi feito na 8ª Conferência de Cultura Latino-Americana à qual assistiam 18 ministros e secretários da Cultura da América Latina, Espanha e Portugal. Por cá ainda não se ouviu que pensa Portugal fazer sobre este assunto. Enfim... coisa de somenos.

COMIDINHAS – Nas listas dos restaurantes fazem falta comidas de verão, sopas frias, saladas que possam ser prato principal. Para além do velho rosbife com salada russa pouca coisa aparece. Com estes dias de calor não apetece comida pesada nem coisas muito quentes. E as listas variam pouco. Imaginação precisa-se, que a coisa não anda muito famosa na restauração alfacinha.

VIVER – Está de regresso a mais extraordinária esplanada de Lisboa, a «Perdigueiros do Rio», mesmo ao pé da Portugália do Cais do Sodré. Espreguiçadeiras viradas para o Tejo, mesas cobertas com toldo (onde este ano se pode almoçar – por sinal comidinhas leves), um ambiente fantástico, grande música, o ideal para criar o hábito de beber um copo de vinho branco antes de ir para casa ou de partir para um jantar.

LER – A mais recente edição da revista «Media XXI» que traz um dossier cheio de informação sobre Cidades e Regiões Digitais cheio de boa informação sobre o que se passa no país e asobre a regionalização virtual. Na mesma edição vale a pena ler a entrevista com o vice-director da Associação Mundial de Jornais, Eamonn Byrne, que de passagem por Lisboa falou sobre o futuro da imprensa escrita.

VER – A exposição «Espelho Meu- Portugal Visto por fotógrafos da Magnum» , no CCB a partir de 30 de Junho. A Magnum é uma das mais importantes agências de fotografia em termos mundiais e por lá passaram nomes como Robert Capa ou Henri Cartier Bresson; Sebastião Salgado e Susan Meiselas são dois dos seus fotógrafos no activo. Mais informações em www.magnumphotos.com , onde diariamente se podem ir seguindo as grandes imagens recolhidas pela agência.

OUVIR – Ry Cooder é um guitarrista de muitos talentos com uma invulgar capacidade para colocar em música os seus sentimentos. «Chávez Ravine» fala da forma como a sua cidade de Los Angeles se transforma, como se perdem os sítios onde se contruíram memórias de uma vida. Disco ambicioso e virtuoso, esta é uma das gratas surpresas deste ano. CD Nonesuch – se querem um conselho visitem www.amazon.fr e comprem os vossos discos só com 5% de IVA e em euros. Este custa 17,55 e em poucos dias têm-no cá. Se comprarem três discos, já poupam. E mandam o aumento do IVA às urtigas.

REMATE - Quando dois primeiros ministros, de seguida, trocam o seu país por um cargo internacional é sinal de que por aqui a crise é profunda.

BACK TO BASICS – Os políticos a falar parecem mulheres a comprar sapatos. Não pensam e descontrolam-se.

junho 23, 2005

LER O ABRUPTO
Com a devida vénia a José Pacheco Pereira:
POBRE PAÍS,

o nosso.

É difícil encontrar melhor exemplo de um processo puramente casuístico, atrapalhado, incompetente, cúmplice nas fraquezas, revelador de puro taticismo, onde políticos dos partidos da governação, PS, PSD, PP, mostram que não se respeitam nem a si próprios, nem aos portugueses que os representam, do que tudo o que se passou com esta “revisão constitucional” para referendar a Constituição europeia. Que tudo isto tenha sido possível como se fosse o mais normal dos processos, onde ninguém se envergonha, ninguém se revolta nos respectivos partidos, é um sinal claro, insisto claro, do grau de degradação a que chegou a actividade política e parlamentar em Portugal.

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LER O ABRUPTO
Com a devida vénia a José Pacheco Pereira:
POBRE PAÍS,

o nosso.

É difícil encontrar melhor exemplo de um processo puramente casuístico, atrapalhado, incompetente, cúmplice nas fraquezas, revelador de puro taticismo, onde políticos dos partidos da governação, PS, PSD, PP, mostram que não se respeitam nem a si próprios, nem aos portugueses que os representam, do que tudo o que se passou com esta “revisão constitucional” para referendar a Constituição europeia. Que tudo isto tenha sido possível como se fosse o mais normal dos processos, onde ninguém se envergonha, ninguém se revolta nos respectivos partidos, é um sinal claro, insisto claro, do grau de degradação a que chegou a actividade política e parlamentar em Portugal.

A FUGA
Quando leio os jornais e revistas percebo porque é que dois primeiros ministros de seguida abandonaram os seus lugares e funções em Portugal e procuraram refúgio em organismos internacionais.

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A FUGA
Quando leio os jornais e revistas percebo porque é que dois primeiros ministros de seguida abandonaram os seus lugares e funções em Portugal e procuraram refúgio em organismos internacionais.

junho 22, 2005

QUE TEMPOS CURIOSOS...
Manuel Maria Carrilho fala dos jornalistas de uma maneira que até parece discípulo de Alberto João Jardim e Jorge Sampaio a falar da banca faz lembrar Pedro Santana Lopes. Será da canícula?

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QUE TEMPOS CURIOSOS...
Manuel Maria Carrilho fala dos jornalistas de uma maneira que até parece discípulo de Alberto João Jardim e Jorge Sampaio a falar da banca faz lembrar Pedro Santana Lopes. Será da canícula?

junho 21, 2005

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EXTRAORDINÁRIO
No mesmo dia em que num universo de 65 000 alunos que estavam inscritos para o exame de matemática apenas sete se viram impossibilitados de o fazer por causa da greve. Os sindicatos face a estes números dizem que a greve teve uma adesão de setenta por cento e um dos seus porta vozes, Paulo Sucena, tem a supina lata de dizer que a greve não é para dificultar os exames, mas sim para criar diálogo com o Governo. Quem é que os sindicalistas querem enaganar com esta conversa?
EXTRAORDINÁRIO
No mesmo dia em que num universo de 65 000 alunos que estavam inscritos para o exame de matemática apenas sete se viram impossibilitados de o fazer por causa da greve. Os sindicatos face a estes números dizem que a greve teve uma adesão de setenta por cento e um dos seus porta vozes, Paulo Sucena, tem a supina lata de dizer que a greve não é para dificultar os exames, mas sim para criar diálogo com o Governo. Quem é que os sindicalistas querem enaganar com esta conversa?
RESPONSABILIDADE
Sabe-se já que só sete alunos na região de Lisboa (em Alpiarça), não puderam fazer exame de matemática por causa da greve. Quer-me parecer que o espírito de responsabilidade da maioria dos professores deu uma bofetada à irresponsabilidade dos sindicalistas profissionais.

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RESPONSABILIDADE
Sabe-se já que só sete alunos na região de Lisboa (em Alpiarça), não puderam fazer exame de matemática por causa da greve. Quer-me parecer que o espírito de responsabilidade da maioria dos professores deu uma bofetada à irresponsabilidade dos sindicalistas profissionais.
MISTÉRIO
Porque é que será que em Portugal nunca se falou do Alto Comissário para os Refugiados e de repente todos os passos que dá são motivo de notícia em telejornais? É isto que nos torna provincianos - em vez de se utilizarem meios para reportar o que se passa no país, anda-se a estimular o ego de um ex-primeiro- ministro fugitivo.

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MISTÉRIO
Porque é que será que em Portugal nunca se falou do Alto Comissário para os Refugiados e de repente todos os passos que dá são motivo de notícia em telejornais? É isto que nos torna provincianos - em vez de se utilizarem meios para reportar o que se passa no país, anda-se a estimular o ego de um ex-primeiro- ministro fugitivo.
OPOSIÇÃO
Não entendo porque é que a única voz da oposição nos últimos meses foi a da Dra. Manuela Ferreira Leite na semana passada. Não entendo porque é que o PSD não fala do que se está a passar no ensino com a greve dos sindicalistas. Não entendo porque é que se dizem barbaridades sobre os resultados da cimeira europeia. Não entendo o que esta oposição anda a fazer.

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OPOSIÇÃO
Não entendo porque é que a única voz da oposição nos últimos meses foi a da Dra. Manuela Ferreira Leite na semana passada. Não entendo porque é que o PSD não fala do que se está a passar no ensino com a greve dos sindicalistas. Não entendo porque é que se dizem barbaridades sobre os resultados da cimeira europeia. Não entendo o que esta oposição anda a fazer.
GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.

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GREVE DOS PROFESSORES
A greve é na sua origem uma forma de luta dos trabalhadores contra o patronato; o mecanismo desta forma de luta é simples: a greve faz-se para causar prejuízos a quem explora a mais valia do trabalho e não quer fazer um pagamento justo pelo trabalho desenvolvido. Com o andar dos tempos a coisa evoluíu para outras formas e com o desenvolvimento do peso do Estado muitas das greves ( provavelmente a maior parte numa série de países) faz-se contra o próprio Estado. Aqui é que as coisas se complicam - como nesta greve dos professores. A quem prejudica esta greve? Ao Estado? Ou aos alunos em período de exames? Quem perde com a greve? O Estado ou os alunos e as suas famílias? A resposta não é difícil, mas também não é surpreendente.
E que pretendem os professores: que o seu trabalho não seja aferido nem avaliado segundo padrões mais rigorosos (que eventualmente podem ter repercussões nas respectivas carreiras, como acontece em qualquer profissão), e que a idade da reforma fique nos 60 anos.
Tenho o maior respeito por professores. A minha mãe foi professora. Tive grandes professores. Os meus filhos têm alguns bons professores mas têm outros que são erráticos no comportamento, no ensino e avaliação e ne assiduidade: porque hão-de estes - que profissionalmente são piores que outros - não ser penalizados pelas suas falhas?
Estes sindicalistas que impulsionam a greve não dão aulas há anos: são burocratas de um aparelho sindical que quase só tem peso no Estado. Estes sindicalistas vão levar à total perca de influência e descrédito dos sindicatos.Já faltou mais.
Neste triste processo os professores utilizam formas de luta em que os únicos prejudicados são os alunos e ainda por cima numa altura particularmente cruel. Paradoxal, mas verdadeiro. Educadores? Assim, não, de certeza.

junho 20, 2005

PNEUS EM VEZ DE SAPATOS

TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.

ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».

TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.

INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.

OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal

REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).

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PNEUS EM VEZ DE SAPATOS

TRANSPLANTE - Fazer política neste país reduziu-se a um paradoxo: se um homem precisa de sapatos promete-se que em vez disso passará a ter pneus novos; cortam-se-lhes os pés, adaptam-se-lhe umas rodas à tíbia e ao peróneo e depois faz-se o lançamento da inovação – com todos os correspondentes novos impostos de circulação pelo meio. Este é o retrato dos dias que correm.

ANEDOTA – Na net circula uma curiosa anedota, também ela sinal dos tempos. Preconiza a instituição de um «Dia Nacional sem Políticos», uma acção que «visa proibir a circulação de políticos durante um dia inteiro» e da qual se esperam benefícios como «milhares de contos de poupança em ajudas de custo, almoços de trabalho e despesas de representação, um dia sem decisões que custam milhões a quem realmente trabalha, e um dia sem carros oficiais e escoltas a funcionar, o que permitirá fazer aumentar a fluidez do trânsito, poupar combustível e proteger o meio ambiente».

TRANSPARÊNCIA – O Conselho Superior do Audiovisual (CSA), o orgão regulador francês, anunciou a short list de cinco nomes entre os 15 que se candidataram ao lugar de Presidente da estação pública, France Télévision. Repararam no verbo: que se candidataram. Um processo aberto e transparente, em vez de umas negociatas de corredores parlamentares. Os finalistas são Marc Tessier, o actul Presidente; Simone Haldberstadt- Harari, presidente de uma produtora e distribuidora privada; Patrick de Carolis, um jornalista e apresentador/produtor de uma série na France 3; Norbert Balit que tem trablahado em estações públicas e privadas de televisão em França; e José Frèches que vem do sector do publishing e que nos anos 80 esteve ligado à privatização da TF1. Repararam? Todos são profissionais do sector. As entrevistas do CSA com os candidatos decorrem à porta fechada e estão marcadas para dia 4; a decisão será anunciada dia 6.

INJUSTIÇA – Li no «Público» de terça-feira que na sexta-feira passada, há uma semana, morreu no Algarve o artista plástico René Bertholo, membro do célebre grupo KWY onde também estiveram Lourdes de castro, Costa Pinheiro, João Vieira e Christo, por exemplo. Nestes dias de edições especiais, Bertholo não teve chamadas de capa nem honras de depoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores criadores contemporãneos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

ENERGIA – Cadeia financeira na indústria audiovisual norte-americana: as vendas internacionais já ultrapassam as receitas de exibição domésticas e as vendas de DVD tornaram-se na maior fonte de receitas, cerca de 16 mil milhões de dólares em 2004, o dobro das receitas de bilheteira nos Estados Unidos.

OUVIR – Chama-se «Verde» e é obra de um nome desconhecido, Badi Assad, uma cantora, autora, guitarrista e percussionista brasileira. Não se assustem – não sou muito dado às brasileirices musicais mais recentes mas este é um disco invulgarmente simples e cativante. Da primeira vez que o ouvi lembrei-me do «Morte e Vida Severina», editado nos idos de 60 pela «Chant Du Monde», mais tarde refeito por Chico Buarque. A obra de João Cabral de Melo Neto, falava-nos da vida no nordeste brasileiro e é esse mesmo som que enche este disco – essa rara harmonia nascida nessas terras e que tem um intimista poder de sedução. Este «Verde» inclui temas tradicionais, clássicos como o «Asa Branca» de Luiz Gonzaga, versões como «One» dos U2 ou «Implorando» de Toquinho e vários e bons temas originais de Badi Assad. CD Edge, distribuído pela Universal

REMATE - A estação russa TNT, que tem introduzido reality-shows no país, vai produzir uma versão local do formato «O Aprendiz», que na sua versão original norte-americana foi apresentado e protagonizado por Donald Trump. Sinal dos tempos, a feroz competição capitalista chega à televisão russa. O programa local chama-se «O Candidato» e o vencedor terá um emprego com um salário anual superior a um milhão de rublos (cerca de 30 000 euros).
COINCIDÊNCIAS

Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.

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COINCIDÊNCIAS

Os portugueses são os cidadãos europeus que menos se interessam sobre política, são dos menos informados em termos gerais, dos mais insatisfeitos com a vida que levam, os que têm maior apego à religião e, já agora, aqueles em que o futebol faz parte do conceito nacional de auto-estima por indicação presidencial. À excepção da referência ao futebol, o resto está num estudo do Eurobarómetro sobre Valores Sociais, divulgado esta semana.
Os indíces de abstenção já eram um bom indicador da importância que se atribuía à política – mas este estudo quantifica a coisa: apenas 53% seguem a actividade política, 45% dizem-se completamente desinteressados e apenas 50% se considera informado. Não se pode dizer que o resultado abone a classe política portuguesa nem os media – 31 anos depois do regresso da democracia quase metade do país não a utiliza de facto.
A coisa, no fundo, percebe-se: como se há-de acreditar numa classe política que promete uma coisa nas campanhas eleitorais e faz outra quando chega ao poder? Como se pode acreditar em partidos que são centrais de emprego e centros de conspiração permanentes – já analisaram a elevada rotação dos principais responsáveis de cada partido (nos últimos quatro anos PS e PSD tiveram três responsáveis máximos cada um)? Como se há-de acreditar em orgaõs de comunicação que parecem newsletters de recados da classe política?
Enquadrados por Presidentes da República de comportamento errático, governos instáveis e partidos dissociados dos cidadãos, ainda é sorte que mesmo assim 53% se interessem por política num país onde a proximidade entre eleitores e eleitos é inexistente. O regime não está a funcionar – desta vez é oficial.

junho 16, 2005

O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.

Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.

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O PAVÃO
Mão amiga fez-me chegar às mãos um artigo de António Barreto sobre Manuel Maria Carrilho, publicado no «Público de 14 de Novembro ded 1999, a propósito da demissão, então recentemente ocorrida, de Artur Santos Silva da Porto- Capital da Cultura.

Um Homem Sem Qualidades
Manuel Carrilho, pseudónimo, no Portugal dos anos 90, de ministro da Cultura, é um dos homens mais felizes do país. Viu-se livre de um homem sério, geralmente respeitado, independente, bom profissional e competente: tudo qualidades que o ministro detesta nos outros, mas sobretudo abomina em si próprio. Obteve, após meses de velhacarias, a demissão de Artur Santos Silva. Vai fazer, a partir de agora, o que melhor sabe: comprar. Comprar fiéis, idólatras e servos. Tarefeiros e consciências. Criaturas que o sigam e amem. Gente que, para si, escreva, declame e dance. Câmaras e freguesias. Funcionários e dependentes. Vai comprar o que pode, a fim de tentar fazer, pelo menos, tão mau quanto Lisboa-94. Com um objectivo permanente, uma coerência: aparecer, ser fotografado, inaugurar, dar entrevistas, discursar. Ser visto com "top models" e intelectuais dos "boulevards". É esse o seu programa. Sem densidade política, mas grosso de pensamento, sem modos nem educação, mas atento ao vestuário, este ministro da Cultura sofre de vaidade para além do que clinicamente se conhece.
Carrilho, traiu e desautorizou Guterres. Sonso, venceu o primeiro ministro. Nunca quis Santos Silva na capital da cultura. Nunca quis nada que viesse dele e dos seus colaboradores. Não que tivesse concepções diferentes, coisa de que parece carecer. Mas não suportava a ideia de que a cidade do Porto não se organizasse exclusivamente para sua glória, sua, dele, ministro rasca de governo débil. Por boas ou más razões, Guterres tinha escolhido Santos Silva. À volta deste, tinha-se criado entusiasmo e simpatia. Desde o primeiro dia, o "dandy" da Kultura, com o seu sotaque parisiense suburbano, tinha-se esmerado a fazer a vida negra ao banqueiro que, horror dos horrores, nada pretendia do governo. Fez quanto pôde para atrasar o início dos trabalhos e emperrar a organização. Sabotou, nomeou criaturas suas, tentou controlar, obrigou a cerimónias para se fazer fotografar bem vestido no quartier, desviou dinheiros para o seu orçamento, mandou bobos esganiçados prestar declarações, faltou a compromissos, não cumpriu a palavra dada e não respeitou contratos que assinou. Fez o possível por contrariar a ideia de que uma capital da cultura poderia ser coisa diferente de uma série de manifestações para titilação da burguesia endinheirada. Em menos de um ano, vingou-se do primeiro ministro: liquidou-lhe as escolhas, derrotou a sua orientação. E o primeiro ministro, cada vez mais desinteressado, já sem vocação para obras ou problemas e com uma crescente insensibilidade ao conceito mesmo de serviço público, deixou-se ir na ratoeira que lhe preparou este pavão de província.
ESPELHO MEU
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?

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ESPELHO MEU
Já leram o artigo de Manuel Maria Carrilho no «Público» de hoje, página 19? As ideias lá contidas resumem-se rapidamente: espelho meu, espelho meu, quem é mais bonito que eu?

junho 14, 2005

BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.

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BRANQUEAMENTO
Percebe-se a dôr. Entendem-se as homenagens. Não se compreende o branqueamento. Cunhal queria em Portugal um regime soviético, na versão de uma democracia popular - é esse o projecto escrito no «Rumo À Vitória», que para atingir os seus objectivos preconizava uma «revolução democrática e nacional», táctica que o PCP recuperou no pós 11 de Março. Convém recordar que Cunhal não se demarcou de nenhum dos crimes soviéticos aquando das intervenções na Hungria ou na Checoslováquia - nem tão pouco das perseguições aos intelectuais e dissidentes. Vasco Gonçalves esteve a um passo de atirar o país para os braços de Cunhal e de todos os desvarios. De formas complementares ambos quiseram o poder para cercear liberdades. Pouco tempo depois de ela ter sido recuperada.
INJUSTIÇA
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

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INJUSTIÇA
Leio hoje no Público que na sexta-feira passada morreu René Bertholo. Não teve chamadas de capa nem honras de dpoimentos. E, no entanto, foi dos nossos melhores artistas plásticos. Morreu no meio de mortes mais mediáticas: como pode a pintura rivalizar com a política ou a literatura?

junho 12, 2005

DIFÍCIL DIZER MELHOR
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»

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DIFÍCIL DIZER MELHOR
No seu AVIZ Francisco José Viegas faz a síntese perfeita dos últimos dias num post intitulado «Como Se Esperava»:
«1) Sim, quase toda a gente vai criticar José António Saraiva por ter sido entrevistado no Expresso. 2) Sim, Eduardo Prado Coelho correu a defender Manuel Maria Carrilho depois do vídeo da sua candidatura à Câmara de Lisboa; a família é tudo. 3) Sim, passados três meses, Freitas do Amaral já não tem a «unanimidade» atrás de si. 4) Sim, o presidente Sampaio distribuiu mais umas medalhas (nos seus dois mandatos, de qualquer modo, só gastou metade das de Mário Soares, um mãos largas). 4) Sim, a generalidade da imprensa portuguesa continua a pensar que o presidente Lula, coitado, não sabia que o seu próprio partido pagava aos deputados do PP e do PL (e do PTB, bem vistas as coisas) – coitado do Lula, tão coitado. 5) Sim, ainda ninguém sabe como o governo vai cortar na reforma de Luís Campos e Cunha, ou no seu ordenado de ministro.»
OUVIR – Foi desta que me converti ao iPod. Comprei um dos mini, de 6 GB, e não quero outra coisa. Já meti lá dentro uma dúzia dos meus CD’s mais queridos e encontrei um novo hobby que é fazer listas das minhas canções e músicas preferidas e ir colocando-as na máquina. Agora mesmo estou a ouvir os Byrds – de que tinha saudades sem saber. Finalmente consigo ouvir os meus discos antigos em qualquer altura sem ter que carregar a casa atrás. E vou pondo e tirando as novidades, que dantes mal tinha tempo para ouvir em casa, metade delas descobertas no iTunes, como o novo dos Coldplay.

DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.

COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.

ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.

SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».

PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.

AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.

PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.

BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.

REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.

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OUVIR – Foi desta que me converti ao iPod. Comprei um dos mini, de 6 GB, e não quero outra coisa. Já meti lá dentro uma dúzia dos meus CD’s mais queridos e encontrei um novo hobby que é fazer listas das minhas canções e músicas preferidas e ir colocando-as na máquina. Agora mesmo estou a ouvir os Byrds – de que tinha saudades sem saber. Finalmente consigo ouvir os meus discos antigos em qualquer altura sem ter que carregar a casa atrás. E vou pondo e tirando as novidades, que dantes mal tinha tempo para ouvir em casa, metade delas descobertas no iTunes, como o novo dos Coldplay.

DESCOBRIR – Os novos trabalhos, pintura sobre papel, de Inez Teixeira continuam a expressar uma visão muito orgânica – mas nesta nova exposição aprofundam esse caminho e criam momentos quase viscerais de enorme impacto. «Cursor» é o título da exposição que fica no Palácio Nacional de Queluz até 21 de Agosto – boa ideia esta de expôr arte contemporãnea em salas tradicionais de palácios e monumentos nacionais, o IPPAR está de parabéns.

COMIDINHA – Aconteceu-me esta semana que redescobri o prazer das coisas simples no Santo António de Alfama, um restaurante no Beco de São Miguel. Local simpático, serviço atento, ambiente de bairro popular. Bons petiscos, boas entradas, preço razoável e uma esplanada agradável. A comandar (bem) as operações está agora um jovem actor, o José Pedro Vasconcelos. Tel. 218 881 328, fecha às terças.

ENSINAR A VER - O Governo da Catalunha vai lançar um programa de educação audiovisual que se destina a ensinar as crianças e os jovens a diferenciar ficção e realidade, onde encontrar informaçãoo, como interpretá-la e analisá-la e também adquirir conceitos referentes às mensagens publicitárias. A experiência vai arrancar em 50 escolas no próximo ano lectivo no ensino infatil, primário e secundário e será transversal a várias disciplinas.

SEM COMENTÁRIOS - A Comissão Europeia aprovou o princípio da concessão de financiamento estatal pela França à criação da CFII, Chaîne Française d’Information Internationale, o canal noticioso que pretende ser a resposta estatal francesa à privada norte-americana CNN. O novo canal será operado em conjunto pela FR 1 (privada, grupo Bouygues) e pela estação pública France Telévision. A declaração oficial da Comissão Europeia considera que «o projecto oferece garantias suficientes contra o risco de distorção da concorrência».

PRINCÍPIOS - Por ocasião da celebração do 25º aniversário da CNN, o seu fundador, Ted Turner, afirmou que a estação devia dedicar-se mais a cobrir o noticiário internacional e a falar do meio ambiente, em vez de privilegiar assuntos triviais e as desgraças e perversões do dia-a-dia. A afirmação foi feita num discurso aos colaboradores da CNN, no qual Turner sublinhou que o seu objectivo era que a CNN fosse uma referência do melhor jornalismo e não da informação tablóide.

AS CRIANÇAS E O DINHEIRO - A Merrill Lynch está a trabalhar em parceria com os produtores norte-americanos e criadores originais da «Rua Sésamo» para desenvolver conteúdos que incutam nas crianças uma percepção mais global do mundo actual e que as ensinem a lidar com questões financeiras. Esta firma de gestão de investimentos atribuíu cinco milhoes de dólares à Sesame Workshop, a produtora do programa, com o objectivo de fomentar a percepção entre as crianças dos cuidados a ter com o dinheiro, abordando questões como a poupança, os juros e o crédito, por exemplo. «Estamos a promover o conhecimento na área financeira, que é uma área decisiva do conhecimento pessoal no mundo contemporâneo» - sublinharam responsáveis do banco.

PAGAR – Cada vez que daqui a uns meses comprar um disco ou um livro, um quinto do que pago irá para o Estado. Na realidade um quinto de tudo o que eu comprar passará a ir para o Estado ladrão. É IVA demais. É um roubo. Em três anos o IVA em Portugal terá subido quatro por cento – e imposto que sobe, já se sabe, não baixa mais. Não há lógica, nem moral. Muito gostava de ver um estudo comparado, de leitura simples, sobre o IVA nos Estados da União Europeia. Em Portugal a maior parte do que ganhamos vai, directa ou indirectamente, para sustentar o Estado – que nem sequer funciona. É uma pouca-vergonha.

BACK TO BASICS – O objectivo da política não é a verdade, nem fazer o bem.

REMATE - Como diz Agustina Bessa-Luís, mais vale gerir o mal do que pregar o bem.

junho 09, 2005

MISTURAS
Nunca é boa ideia misturar futebol com política.E nunca é demais repetir isto.

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MISTURAS
Nunca é boa ideia misturar futebol com política.E nunca é demais repetir isto.
LULA APODRECIDA
Para os fanáticos da superioridade moral da esquerda uma leitura atenta do escândalo da compra de votos para apoio das medidas do Governo Lula é um bom e educativo passatempo. A esquerda gosta de pôr uma auréola à volta da cabeça e umas asas nas omoplatas. mas vai-se a ver e é tudo fancaria.

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LULA APODRECIDA
Para os fanáticos da superioridade moral da esquerda uma leitura atenta do escândalo da compra de votos para apoio das medidas do Governo Lula é um bom e educativo passatempo. A esquerda gosta de pôr uma auréola à volta da cabeça e umas asas nas omoplatas. mas vai-se a ver e é tudo fancaria.
O CÍRCULO DEIXOU DE SER QUADRADO
Uma das permissas do programa «A Quadratura do Círculo» era juntar à mesma mesa figuras com clara posição partidária mas com a singularidade de serem livre-pensadores, uns mais fiéis às disciplinas dos respectivos partidos, outros menos. O problema nasceu quando José Magalhães foi substituído por Jorge Coelho. Magalhães e Pacheco Pereira eram os velhos compéres do teatro de revista e, nos tempos iniciais, Nogueira de Brito era a voz da razão que tentava moderar a discussão dos dois (que mais tarde Lobo Xavier soube reinventar). Agora Coelho é apenas o porta voz de uma direcção partidária, usa o programa para fazer propaganda em vez de discutir ideias. E, ainda por cima, sendo cada vez mais evidente que é ele quem de facto manda no PS e estabelece a agenda da governação, no fundo trata-se de dar tempo de antena à direcção política do partido do governo. Todos ficámos a perder com a troca. Coelho rebentou com a quadratura do círculo e tornou-o monotonamente redondo.

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O CÍRCULO DEIXOU DE SER QUADRADO
Uma das permissas do programa «A Quadratura do Círculo» era juntar à mesma mesa figuras com clara posição partidária mas com a singularidade de serem livre-pensadores, uns mais fiéis às disciplinas dos respectivos partidos, outros menos. O problema nasceu quando José Magalhães foi substituído por Jorge Coelho. Magalhães e Pacheco Pereira eram os velhos compéres do teatro de revista e, nos tempos iniciais, Nogueira de Brito era a voz da razão que tentava moderar a discussão dos dois (que mais tarde Lobo Xavier soube reinventar). Agora Coelho é apenas o porta voz de uma direcção partidária, usa o programa para fazer propaganda em vez de discutir ideias. E, ainda por cima, sendo cada vez mais evidente que é ele quem de facto manda no PS e estabelece a agenda da governação, no fundo trata-se de dar tempo de antena à direcção política do partido do governo. Todos ficámos a perder com a troca. Coelho rebentou com a quadratura do círculo e tornou-o monotonamente redondo.
REFERENDO
Está cada vez mais claro que a Constituição Europeia, se um dia existir, não vai ter o texto que tem agora e que alguns insistem em levar a referendo em Portugal. Usam o argumento de que é boa altura para se discutir a Europa. Eu também acho - e acho que quem hoje diz isso foi quem sempre a quis impôr e nunca aceitou discuti-la. Só que uma coisa é discutir a Europa, outra é referendar um texto que já é papel de embrulho.

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REFERENDO
Está cada vez mais claro que a Constituição Europeia, se um dia existir, não vai ter o texto que tem agora e que alguns insistem em levar a referendo em Portugal. Usam o argumento de que é boa altura para se discutir a Europa. Eu também acho - e acho que quem hoje diz isso foi quem sempre a quis impôr e nunca aceitou discuti-la. Só que uma coisa é discutir a Europa, outra é referendar um texto que já é papel de embrulho.

junho 08, 2005

PROCURA-SE
Estando a oposição desaparecida, procura-se quem seja capaz de desempenhar a tarefa. Oferecem-se alvíssaras a quem conseguir localizar pessoa em condições.

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PROCURA-SE
Estando a oposição desaparecida, procura-se quem seja capaz de desempenhar a tarefa. Oferecem-se alvíssaras a quem conseguir localizar pessoa em condições.
POPULISMOS
Como começa a estar dramaticamente à vista o populismo de esquerda não é diferente - nos métodos e resultados - do de direita. Será sina nossa estar na mão de populistas?

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POLÍTICOS
Pelo andar que as coisas levam na política só ficam os que não têm mais nada para fazer. Demagogia é o que se chama ao que se está a passar.
POLÍTICOS
Pelo andar que as coisas levam na política só ficam os que não têm mais nada para fazer. Demagogia é o que se chama ao que se está a passar.

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POPULISMOS
Como começa a estar dramaticamente à vista o populismo de esquerda não é diferente - nos métodos e resultados - do de direita. Será sina nossa estar na mão de populistas?
ABUSO
A utilização de criancinhas em campanhas eleitorais e pré-eleitorais devia ser evitada. É uma questão de decência e bom gosto. Manuel Maria Carrilho enveredou pelo caminho dos videos pessoalíssimos e lamechas que Pedro Santana Lopes havia desencadeado. Já todos percebemos que um dos seus trunfos eleitorais é Bárbara Guimarães, que provavelmente quer mais ser primeira dama de Lisboa que Carrilho quer ser autarca. Já se sabe que em política há quem ache que vale tudo, mas por isso mesmo é que cada vez há mais gente a desacreditar da política e dos políticos. Como eu.

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ABUSO
A utilização de criancinhas em campanhas eleitorais e pré-eleitorais devia ser evitada. É uma questão de decência e bom gosto. Manuel Maria Carrilho enveredou pelo caminho dos videos pessoalíssimos e lamechas que Pedro Santana Lopes havia desencadeado. Já todos percebemos que um dos seus trunfos eleitorais é Bárbara Guimarães, que provavelmente quer mais ser primeira dama de Lisboa que Carrilho quer ser autarca. Já se sabe que em política há quem ache que vale tudo, mas por isso mesmo é que cada vez há mais gente a desacreditar da política e dos políticos. Como eu.
ADIVINHA
Quem fez campanha a dizer que não subia impostos?

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ADIVINHA
Quem fez campanha a dizer que não subia impostos?
ROUBO
Quando se concretizar o novo aumento do IVA para 21%, um quinto de tudo o que comprarmos irá direitinho para o Estado ladrão. Em três anos passámos de 17 para 21% - na Alemanha o IVA máximo é 15%. Em nome do Estado providência (que por cá nem existe), fomenta-se o assalto ao contribuinte forçado.E já nem falo do escandaloso caso dos discos - aqui taxados sempre ao valor máximo.

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ROUBO
Quando se concretizar o novo aumento do IVA para 21%, um quinto de tudo o que comprarmos irá direitinho para o Estado ladrão. Em três anos passámos de 17 para 21% - na Alemanha o IVA máximo é 15%. Em nome do Estado providência (que por cá nem existe), fomenta-se o assalto ao contribuinte forçado.E já nem falo do escandaloso caso dos discos - aqui taxados sempre ao valor máximo.

junho 07, 2005

BÁSICO
A desilusão tem um efeito centrífugo.

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BÁSICO
A desilusão tem um efeito centrífugo.
LISBOA - COISAS QUE NÃO PERCEBO
Não entendo porque é que se há-de querer reconstruir o Parque Mayer, nem entendo porque é que se continua a falar de teatro de revista, uma coisa que está mais morta que a Constituição Europeia e que é mais desinteressante que uma arenga de Jorge Coelho.

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LISBOA - COISAS QUE NÃO PERCEBO
Não entendo porque é que se há-de querer reconstruir o Parque Mayer, nem entendo porque é que se continua a falar de teatro de revista, uma coisa que está mais morta que a Constituição Europeia e que é mais desinteressante que uma arenga de Jorge Coelho.
IRREAL
A Constituição Europeia nem chegou a nascer. Freitas já deu por isso, o resto do Governo continua a querer forçar o irreal. No fundo é o que têm andado a fazer desde que foram eleitos.

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IRREAL
A Constituição Europeia nem chegou a nascer. Freitas já deu por isso, o resto do Governo continua a querer forçar o irreal. No fundo é o que têm andado a fazer desde que foram eleitos.
PORCARIA
A política portuguesa transformou-se num jogo de conveniências e num repositório de falsidades e hipocrisias - seja qual fôr o lado do espectro partidário.

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PORCARIA
A política portuguesa transformou-se num jogo de conveniências e num repositório de falsidades e hipocrisias - seja qual fôr o lado do espectro partidário.

junho 06, 2005

FORA
Sinto que não há espaço. Sinto-me cada vez mais de fora. Cada vez mais céptico. Cada vez mais distante de tudo.
Star Wars low budget

ESPREITAR – Shane Felux é um fã da saga da «Guerra das Estrelas» que ao longo dos últimos três anos pôs de pé a sua própria versão da história. O projecto custou-lhe cerca de 20 mil dólares (basicamente investido em hardware). Toda a gente trabalhou de borla, desde os actores amadores até todos os técnicos envolvidos e,claro, o próprio Felux. O resultado é «Revelations», um filme de 40 minutos que tem acesso livre na net num ficheiro de 252 Mb e que desde que foi disponibilizado, em Abril, já teve mais de um milhão de downloads. Se querem ter uma ideia, procurem a página da Painstruck Productions e serão surpreendidos pela qualidade do projecto. George Lucas acarinha este tipo de inciativas e estimula-as, desde que elas não tenham intuitos comerciais – ou seja, permite que personangens e temas do seu universo sejam utilizados em novas histórias por fãs da série, desde que os projectos não tenham fins lucrativos – na realidade o próprio Lucas promove um concurso anual de fan films. Shane Felux não deu por mal empregue o investimento de três anos feito em «Revelation» - o facto de ter sido lançado já em plena tempestade da apresentação do novo filme oficial da série, trouxe-lhe notoriedade acrescida e uma enorme projecção mediática que já despertou a atenção dos grandes estúdios de Hollywood. « Fiz ‘Revelations’ do nada, imaginem o que posso vir a fazer com um orçamento» - disse ele ao jornal «USA Today».

AUDIOVISUAL – As receitas totais das vendas internacionais de programas de televisão produzidos no Reino Unido atingiram 974 milhões de dólares em 2004, em comparação com os 921 milhões obtidos em 2003. Os números do ano passado foram em parte conseguidos pelo aumento de 25 por cento verificado nas vendas de DVDs e Home Vídeo, que atingiram 159 milhões de dólares. Os Estados Unidos absorvem 40 por cento do total das vendas e as exportações para a Europa Oriental subiram 28 por cento. Os programas mais vendidos foram «Gilette World Sport» que é vista em 220 países, a série policial «Midsome Murder» que foi vendida para 204 países e o formato «Ídolos», presente em 200 mercados.

NÚMEROS – A circulação de jornais a nível global em todo o mundo aumentou 2,1 por cento em 2004 e as receitas de publicidade tiveram o maior aumento dos últimos três anos, com um salto de 5,3 por cento divulgou a World Association Of Newspapers. Na União Europeia, no entanto, registou-se uma quebra de 0,7 por cento da circulação de imprensa e Portugal e a Polónia foram os únicos países onde se registaram aumentos. Nos Estados Unidos houve decréscimo de um por cento, a União Indiana e a China registaram aumentos e o Japão manteve-se estável.
Nos números agora divulgados sente-se o peso dos jornais de distribuição gratuita – que em Espanha já significam 40% do total da circulação dos jornais diários e em Itália estão nos 29 por cento. Outro dado curioso revela que as edições on line dos jornais a nível mundial tiveram um aumento de visitantes de 32 por cento - em consequência as receitas de publicidade nos sites de jornais em todo o mundo subiram 21 por cento em 2004, o maior aumento já verificado no sector.

DEVORAR – A edição especial extra-série da revista «The Economist» que leva o título genérico de «Intelligent Life, New Trends For Smart Living». Ao longo de 146 páginas pode encontrar um ponto de situação das principais tendências nos campos da moda, bens de consumo, viagem, veículos, entretenimento, manutenção da forma física e gestão pessoal de recursos e dinheiro. Tudo está convenientemente ilustrado e, claro, com o rigor estatístico e informativo que são a marca editorial da «Economist».

AUSTERIDADE – Em tempo de vacas magras é tempo de procurar restaurantes baratos e bons. A Sofxana fica no nº16 da Rua do Beato e produz cozinha portuguesa honesta e bem servida. As especialidade da casa são cataplanas de cherne e marisco, posta mirandesa, entrecosto no churrasco e cozido (às quartas e Domingos). O vinho da casa (quer o branco, quer o tinto), vem de Peso da Régua e é digno. O cozido tem enchidos de boa qualidade, é farto de carnes. Indo para o vinho da casa, cada pessoa fica bem servida por dez euros. A sala é simpática, o serviço é q.b.. Telefone 21 868 17 56.

REMATE – Parece que desta vez o pessoal fartou-se de levar com a mania da Europa em cima e mandou às urtigas uma Constituição que poucos percebem para que serve e o que é.

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Star Wars low budget

ESPREITAR – Shane Felux é um fã da saga da «Guerra das Estrelas» que ao longo dos últimos três anos pôs de pé a sua própria versão da história. O projecto custou-lhe cerca de 20 mil dólares (basicamente investido em hardware). Toda a gente trabalhou de borla, desde os actores amadores até todos os técnicos envolvidos e,claro, o próprio Felux. O resultado é «Revelations», um filme de 40 minutos que tem acesso livre na net num ficheiro de 252 Mb e que desde que foi disponibilizado, em Abril, já teve mais de um milhão de downloads. Se querem ter uma ideia, procurem a página da Painstruck Productions e serão surpreendidos pela qualidade do projecto. George Lucas acarinha este tipo de inciativas e estimula-as, desde que elas não tenham intuitos comerciais – ou seja, permite que personangens e temas do seu universo sejam utilizados em novas histórias por fãs da série, desde que os projectos não tenham fins lucrativos – na realidade o próprio Lucas promove um concurso anual de fan films. Shane Felux não deu por mal empregue o investimento de três anos feito em «Revelation» - o facto de ter sido lançado já em plena tempestade da apresentação do novo filme oficial da série, trouxe-lhe notoriedade acrescida e uma enorme projecção mediática que já despertou a atenção dos grandes estúdios de Hollywood. « Fiz ‘Revelations’ do nada, imaginem o que posso vir a fazer com um orçamento» - disse ele ao jornal «USA Today».

AUDIOVISUAL – As receitas totais das vendas internacionais de programas de televisão produzidos no Reino Unido atingiram 974 milhões de dólares em 2004, em comparação com os 921 milhões obtidos em 2003. Os números do ano passado foram em parte conseguidos pelo aumento de 25 por cento verificado nas vendas de DVDs e Home Vídeo, que atingiram 159 milhões de dólares. Os Estados Unidos absorvem 40 por cento do total das vendas e as exportações para a Europa Oriental subiram 28 por cento. Os programas mais vendidos foram «Gilette World Sport» que é vista em 220 países, a série policial «Midsome Murder» que foi vendida para 204 países e o formato «Ídolos», presente em 200 mercados.

NÚMEROS – A circulação de jornais a nível global em todo o mundo aumentou 2,1 por cento em 2004 e as receitas de publicidade tiveram o maior aumento dos últimos três anos, com um salto de 5,3 por cento divulgou a World Association Of Newspapers. Na União Europeia, no entanto, registou-se uma quebra de 0,7 por cento da circulação de imprensa e Portugal e a Polónia foram os únicos países onde se registaram aumentos. Nos Estados Unidos houve decréscimo de um por cento, a União Indiana e a China registaram aumentos e o Japão manteve-se estável.
Nos números agora divulgados sente-se o peso dos jornais de distribuição gratuita – que em Espanha já significam 40% do total da circulação dos jornais diários e em Itália estão nos 29 por cento. Outro dado curioso revela que as edições on line dos jornais a nível mundial tiveram um aumento de visitantes de 32 por cento - em consequência as receitas de publicidade nos sites de jornais em todo o mundo subiram 21 por cento em 2004, o maior aumento já verificado no sector.

DEVORAR – A edição especial extra-série da revista «The Economist» que leva o título genérico de «Intelligent Life, New Trends For Smart Living». Ao longo de 146 páginas pode encontrar um ponto de situação das principais tendências nos campos da moda, bens de consumo, viagem, veículos, entretenimento, manutenção da forma física e gestão pessoal de recursos e dinheiro. Tudo está convenientemente ilustrado e, claro, com o rigor estatístico e informativo que são a marca editorial da «Economist».

AUSTERIDADE – Em tempo de vacas magras é tempo de procurar restaurantes baratos e bons. A Sofxana fica no nº16 da Rua do Beato e produz cozinha portuguesa honesta e bem servida. As especialidade da casa são cataplanas de cherne e marisco, posta mirandesa, entrecosto no churrasco e cozido (às quartas e Domingos). O vinho da casa (quer o branco, quer o tinto), vem de Peso da Régua e é digno. O cozido tem enchidos de boa qualidade, é farto de carnes. Indo para o vinho da casa, cada pessoa fica bem servida por dez euros. A sala é simpática, o serviço é q.b.. Telefone 21 868 17 56.

REMATE – Parece que desta vez o pessoal fartou-se de levar com a mania da Europa em cima e mandou às urtigas uma Constituição que poucos percebem para que serve e o que é.

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FORA
Sinto que não há espaço. Sinto-me cada vez mais de fora. Cada vez mais céptico. Cada vez mais distante de tudo.
TEREI PINTADO O CABELO DE LOURO?

Quando soube das notícias sobre os aumentos nos impostos achei que tinha pintado o cabelo de louro e vivia na Suécia. É certo que temos um clima melhor, mas quase tudo o resto é pior, nomeadamente os serviços proporcionados aos cidadãos. O Estado quer que sejamos solidários com ele, mas não se mostra solidário connosco. Vai buscar mais a quem já paga bastante, sem nada oferecer, mas permanece receoso de afrontar os caciques locais com a questão das scuts e de aplicar o princípio, justíssimo, de que quem as utiliza é quem as deve pagar.
Das medidas anunciadas na semana passada salta uma coisa à vista: quem trabalha por conta de outrem é quem é mais uma vez penalizado. Convém sermos realistas: não estamos a falar de perseguir os incumpridores, estamos a falar de quem já hoje paga muito ao Estado todos os meses e que vai passar a trabalhar seis meses por ano apenas para pagar impostos e taxas directas.
A qualquer cidadão custa a acreditar que os responsáveis dos principais partidos, candidatos a Primeiro Ministro, não soubessem qual era a situação do país. Simplesmente não é credível que ignorassem o problema do deficit, que, além de variações conjunturais, é estrutural.
No meio da nova gritaria sobre as finanças públicas estranhei um silêncio – desta vez não se ouviu ainda o Presidente da República a falar da obsessão pelo deficit.
Fazer uma campanha e ganhar eleições a prometer uma coisa e, depois, fazer outra, é uma das formas de desacreditar o regime. Como é que se chama à forma de governo na qual exercem o poder aqueles que, com o verbo fácil, iludem as massas com falsas promessas? Se disserem demagogia acertam em pleno. A definição não é minha, vem nos dicionários.

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TEREI PINTADO O CABELO DE LOURO?

Quando soube das notícias sobre os aumentos nos impostos achei que tinha pintado o cabelo de louro e vivia na Suécia. É certo que temos um clima melhor, mas quase tudo o resto é pior, nomeadamente os serviços proporcionados aos cidadãos. O Estado quer que sejamos solidários com ele, mas não se mostra solidário connosco. Vai buscar mais a quem já paga bastante, sem nada oferecer, mas permanece receoso de afrontar os caciques locais com a questão das scuts e de aplicar o princípio, justíssimo, de que quem as utiliza é quem as deve pagar.
Das medidas anunciadas na semana passada salta uma coisa à vista: quem trabalha por conta de outrem é quem é mais uma vez penalizado. Convém sermos realistas: não estamos a falar de perseguir os incumpridores, estamos a falar de quem já hoje paga muito ao Estado todos os meses e que vai passar a trabalhar seis meses por ano apenas para pagar impostos e taxas directas.
A qualquer cidadão custa a acreditar que os responsáveis dos principais partidos, candidatos a Primeiro Ministro, não soubessem qual era a situação do país. Simplesmente não é credível que ignorassem o problema do deficit, que, além de variações conjunturais, é estrutural.
No meio da nova gritaria sobre as finanças públicas estranhei um silêncio – desta vez não se ouviu ainda o Presidente da República a falar da obsessão pelo deficit.
Fazer uma campanha e ganhar eleições a prometer uma coisa e, depois, fazer outra, é uma das formas de desacreditar o regime. Como é que se chama à forma de governo na qual exercem o poder aqueles que, com o verbo fácil, iludem as massas com falsas promessas? Se disserem demagogia acertam em pleno. A definição não é minha, vem nos dicionários.

maio 29, 2005

Pensem, Decidam, Façam

REVOLUÇÃO – O Channel 4 britânico está a montar um canal de televisão de banda larga em que a programação constará de documentários de quatro minutos que podem ser apresentados quer por produtores e profissionais, quer por crianças e alunos de escolas de diversos graus ou simplesmente amadores interessados. O canal de facto funcionará como um website de imagem em banda larga, de acesso livre. A estratégia do Channel 4 é «get back to basics» e começar a estabelecer a sua marca em canais distribuídos pela Internet. O operador britânico acredita que estes novos canais rivalizarão com a televisão tradicional dentro de apenas cinco anos.

ACÇÃO – A MTV lançou uma nova iniciativa. «Think MTV», que se destina a estimular o público juvenil do canal a agir em assuntos como o ensino, descriminação, ambiente e saúde sexual. Baseado no slogan «Pensem, Decidam, Façam» a iniciativa estará simultaneamente nos canais de televisão e nos sites MTV em todo o mundo. Ao longo ao ano a MTV fará emissões especiais, segmentos noticiosos e um grafismo próprio assinalará os conteúdos que tratam de assuntos de natureza social. Para encorajar as suas audiências a serem mais activas, a MTV criou um Fundo que financiará jovens que criem as suas próprias organizações ou clubes que se destinem a resolver uma necessidade premente das comunidades onde estão inseridos. Digam lá se o slogan «Pensem, Decidam, Façam», não cai como uma luva na classe política portuguesa?

LER – A edição de Março/Abril da revista «Media XXI» inclui um interessante artigo de Drew Davis, o presidente do American Press Institute. Como os tradutores tendem a poder ser traidores, a revista optou por o publicar em inglês. Excerto: « Acredito que as pessoas consomem media por seis razões: para saber o que se passa, por entretenimento, para comprarem coisas, para venderem coisas, para melhorar o trabalho e para constituir grupos e comunidades com os mesmos interesses. As companhias de media que terão êxito no futuro serão agentes fiáveis que consigam vender estes conteúdos e que garantam a satisfação dos clientes nesses seis pontos.»

OUVIR – Entre 1979 e 2001 Ney Matogrosso gravou a maior parte das suas grandes interpretações de canções como «América do Sul», «Vatapá», «Viajante», «Tanto Amar», «Sangue Latino», «Veleiro», «O Que É Que A Baihana Tem?» ou «Rosa de Hiroshima», por exemplo. Na colecção Antologia, que já tem volumes dedicados, por exemplo, a Chico Buarque, Elis Regina, Gal Costa, Caetano Veloso ou Tom Jobin, a Universal lançou agora a «Antologia Ney Matogrosso 79/01».

VER – Volto a repetir: de toda a LisboaPhoto a exposição mais interessante é a que está na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º, ao Cais de Sodré, aberta de terça a sábado entre as 14 e as 19h30). Comissariada por José Maçãs de Carvalho a exposição «My Own Private Pictures/Imagens Privadas» propõe uma visita a um apartamento em que cada sala tem imagens dos dez fotógrafos que responderam ao desafio e que organizaram eles próprios a disposição das imagens no espaço. Pena é que alguns dos responsáveis do certame municipal fotográfico estejam mais interessados em olhar para o umbigo e desenvolver teorias absurdas sobre a imagem fotográfica do que em destacar o que vale a pena, mesmo que não tenha sido criado por eles. É nisto que se vê a nossa pequenez.

COMIDINHA – O peixe é sempre fresco, os carapaus e as sardinhas assadas são de cair para o lado. O vinho da casa, em jarro, vem de Pias e é mais que honesto. Se quiser pode ir amansando o apetite com o queijo de Nisa ou o presunto que lhe colocam na mesa. Os pratos do dia variam entre cozido à portuguesa, feijoada à transmontana, pernil de porco e outras comidas leves, tudo saído da mão dotada da D. Teresa. Os ingredientes são de primeira e os preços são simpáticos. Onde se passa isto? Em pleno Bairro de Chelas, frente à repartição de Finanças, no lote 102 da Rua Actriz Palmira Bastos. Por fora parece um café de bairro, com mesa de snooker ao meio, casa simples e despretenciosa, mas de alta qualidade. Chama-se «Le Royal», o serviço não desmerece o nome. Tel. 218 592 280.

REMATE – Impostos prontos a subir, propriedades de multinacionais expropriadas, Figo (re)acolhido de braços abertos. O que é isto? – Portugal! Portugal! Portugal!

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Pensem, Decidam, Façam

REVOLUÇÃO – O Channel 4 britânico está a montar um canal de televisão de banda larga em que a programação constará de documentários de quatro minutos que podem ser apresentados quer por produtores e profissionais, quer por crianças e alunos de escolas de diversos graus ou simplesmente amadores interessados. O canal de facto funcionará como um website de imagem em banda larga, de acesso livre. A estratégia do Channel 4 é «get back to basics» e começar a estabelecer a sua marca em canais distribuídos pela Internet. O operador britânico acredita que estes novos canais rivalizarão com a televisão tradicional dentro de apenas cinco anos.

ACÇÃO – A MTV lançou uma nova iniciativa. «Think MTV», que se destina a estimular o público juvenil do canal a agir em assuntos como o ensino, descriminação, ambiente e saúde sexual. Baseado no slogan «Pensem, Decidam, Façam» a iniciativa estará simultaneamente nos canais de televisão e nos sites MTV em todo o mundo. Ao longo ao ano a MTV fará emissões especiais, segmentos noticiosos e um grafismo próprio assinalará os conteúdos que tratam de assuntos de natureza social. Para encorajar as suas audiências a serem mais activas, a MTV criou um Fundo que financiará jovens que criem as suas próprias organizações ou clubes que se destinem a resolver uma necessidade premente das comunidades onde estão inseridos. Digam lá se o slogan «Pensem, Decidam, Façam», não cai como uma luva na classe política portuguesa?

LER – A edição de Março/Abril da revista «Media XXI» inclui um interessante artigo de Drew Davis, o presidente do American Press Institute. Como os tradutores tendem a poder ser traidores, a revista optou por o publicar em inglês. Excerto: « Acredito que as pessoas consomem media por seis razões: para saber o que se passa, por entretenimento, para comprarem coisas, para venderem coisas, para melhorar o trabalho e para constituir grupos e comunidades com os mesmos interesses. As companhias de media que terão êxito no futuro serão agentes fiáveis que consigam vender estes conteúdos e que garantam a satisfação dos clientes nesses seis pontos.»

OUVIR – Entre 1979 e 2001 Ney Matogrosso gravou a maior parte das suas grandes interpretações de canções como «América do Sul», «Vatapá», «Viajante», «Tanto Amar», «Sangue Latino», «Veleiro», «O Que É Que A Baihana Tem?» ou «Rosa de Hiroshima», por exemplo. Na colecção Antologia, que já tem volumes dedicados, por exemplo, a Chico Buarque, Elis Regina, Gal Costa, Caetano Veloso ou Tom Jobin, a Universal lançou agora a «Antologia Ney Matogrosso 79/01».

VER – Volto a repetir: de toda a LisboaPhoto a exposição mais interessante é a que está na Plataforma Revólver (Rua da Boavista 84-3º, ao Cais de Sodré, aberta de terça a sábado entre as 14 e as 19h30). Comissariada por José Maçãs de Carvalho a exposição «My Own Private Pictures/Imagens Privadas» propõe uma visita a um apartamento em que cada sala tem imagens dos dez fotógrafos que responderam ao desafio e que organizaram eles próprios a disposição das imagens no espaço. Pena é que alguns dos responsáveis do certame municipal fotográfico estejam mais interessados em olhar para o umbigo e desenvolver teorias absurdas sobre a imagem fotográfica do que em destacar o que vale a pena, mesmo que não tenha sido criado por eles. É nisto que se vê a nossa pequenez.

COMIDINHA – O peixe é sempre fresco, os carapaus e as sardinhas assadas são de cair para o lado. O vinho da casa, em jarro, vem de Pias e é mais que honesto. Se quiser pode ir amansando o apetite com o queijo de Nisa ou o presunto que lhe colocam na mesa. Os pratos do dia variam entre cozido à portuguesa, feijoada à transmontana, pernil de porco e outras comidas leves, tudo saído da mão dotada da D. Teresa. Os ingredientes são de primeira e os preços são simpáticos. Onde se passa isto? Em pleno Bairro de Chelas, frente à repartição de Finanças, no lote 102 da Rua Actriz Palmira Bastos. Por fora parece um café de bairro, com mesa de snooker ao meio, casa simples e despretenciosa, mas de alta qualidade. Chama-se «Le Royal», o serviço não desmerece o nome. Tel. 218 592 280.

REMATE – Impostos prontos a subir, propriedades de multinacionais expropriadas, Figo (re)acolhido de braços abertos. O que é isto? – Portugal! Portugal! Portugal!

maio 22, 2005

DEMOCRACIA NÃO É SÓ VOTO, É DISCUSSÃO

CRIME – Jerry Bruckheimer, o criador das séries «Crime Scene Investigation», tem uma nova obra que será estreada nos Estados Unidos pela CBS; chama-se «Close To Home» e conta a história de uma jovem e aguerrida acusadora pública que investiga casos que se passam nas proximidades de sua casa. A coisa promete. É uma co-produção com a Warner.

NÃO/SIM? – O pior que existe é aceitar as coisas passivamente. Aos poucos vamo-nos conformando, abdicando de exprimir a nossa opinião. Aceitar o que muitos dizem, embarcar no unanimismo, cria a ilusão de falsas maiorias. Todas as opiniões devem ser ouvidas, não basta votar, é mesmo vital discutir, debater. A Constituição Europeia é boa ou má para Portugal?
Pois não sei. Humilde e sinceramente digo que não sei. Por isso me parece tão importante a iniciativa de José Pacheco Pereira, revelada no seu Abrupto. Pacheco Pereira já avançou: A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios.. E o blog de que fala já está criado, chama-se Sítio do Não (www.sitiodonao.weblog.com.pt). Escrevam, discutam, debatam, leiam, informem-se (a proposta de Constituição Europeia está lá na íntegra). Não deixem que o politicamente correcto não tenha sequer adversários. Desculpem a fadistice mas não resito: Força Pacheco.

BENOLIEL – Inserida na LisboaPhoto está uma exposição de Joshua Benoliel, considerado o precursor do foto-jornalismo em Portugal. Feita com base no valioso espólio do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, a exposição mostra o trabalho de Benoliel para publicações como «A Ilustração Portuguesa» e o «Século», mas sobretudo permite acompanhar a evolução da sua visão quer enquanto fotojornalista, quer enquanto fotógrafo. Benoliel era um fotojornalista aguerrido e audaz para o seu tempo – e as suas imagens da primeira grande Guerra mostram-no. Mas era também um homem com uma invulgar aproximação aos assuntos, como evidencia nomeadamente a fotografia dos filhos de Buiça, o regicida, – uma iluminação e enquadramento perfeitos, a transmissão da dor e da angústia. A LisboaPhoto tem 15 exposições em diversos locais de Lisboa e o programa completo pode ser consultado em www.lisboaphoto.pt. A exposição de Benoliel está até 21 de Agosto no Torreão nascente da Cordoaria Nacional (o que fica mais perto da antiga FIL). Não a perca – é uma lição de história, de humildade, de observação e de estética.

REVÓLVER – Uma outra exposição que não deve perder resulta do desafio feito pelo coleccionador e galerista Vitor Pinto da Fonseca ao fotógrafo José Maçãs de Carvalho para comissariar uma exposição apenas com fotógrafos portugueses contemporâneos, na «Plataforma Revólver» (rua da Boavista 84-3º, de terça a sábado entre as 14 e as 19h30). Para além de Maçãs de Carvalho esta exposição, intitulada «My Own Private Pictures/Imagens Privadas», mostra trabalhos de António Júlio Duarte, Cátia Serrão, Manuel valente Alves, Marta Moreira, Nuno Cera, Rodrigo Peixoto, São Trindade, Susana Mendes Silva e Valter Vinagre.

RITMO – Gosto de compilações, de discos que agrupam vários temas de diversas proveniências. Uma das melhores que ouvi nos últimos tempos é «Con Mucho Ritmo», uma selecção de jazz tropical que inclui nomes clássicos como o percussionista Tito Puente ou o pianista Eddie Palmieiri, mas também talentos mais novos, como o do trompetista Charlie Sepulveda ou o flautista Dave Valentin. A versão de Giovanni Hidalgo para o clássico «Summmertime» é empolgante e o «Tumbao» do grande Chucho Valdés também. Colectânea Verve, distribuição Universal Music.

COMIDINHAS – Mão amiga fez-me chegar mais dois sites sobre a nobre arte da comida. No www.netmenu.pt encontra além das receitas, sugestões de passeios gastronómicos e uma boa lista de sugestões em matéria de vinhos. No www.gastronomias.com pode encontrar uma zona muito engraçada com sugestões completas para organizar jantares românticos a dois e uma muito curiosa lista de substãncias afrodisíacas.

REMATE – Se tinham dúvidas de que há populismo sem ser à direita sigam com atenção o percurso de José Sá Fernandes. Começo a achar que João Soares tinha razão na construção do elevador entre a Praça da Figueira e o Castelo. E que mais uma vez o que o advogado fez foi criar problemas em vez de arranjar soluções.

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DEMOCRACIA NÃO É SÓ VOTO, É DISCUSSÃO

CRIME – Jerry Bruckheimer, o criador das séries «Crime Scene Investigation», tem uma nova obra que será estreada nos Estados Unidos pela CBS; chama-se «Close To Home» e conta a história de uma jovem e aguerrida acusadora pública que investiga casos que se passam nas proximidades de sua casa. A coisa promete. É uma co-produção com a Warner.

NÃO/SIM? – O pior que existe é aceitar as coisas passivamente. Aos poucos vamo-nos conformando, abdicando de exprimir a nossa opinião. Aceitar o que muitos dizem, embarcar no unanimismo, cria a ilusão de falsas maiorias. Todas as opiniões devem ser ouvidas, não basta votar, é mesmo vital discutir, debater. A Constituição Europeia é boa ou má para Portugal?
Pois não sei. Humilde e sinceramente digo que não sei. Por isso me parece tão importante a iniciativa de José Pacheco Pereira, revelada no seu Abrupto. Pacheco Pereira já avançou: A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios.. E o blog de que fala já está criado, chama-se Sítio do Não (www.sitiodonao.weblog.com.pt). Escrevam, discutam, debatam, leiam, informem-se (a proposta de Constituição Europeia está lá na íntegra). Não deixem que o politicamente correcto não tenha sequer adversários. Desculpem a fadistice mas não resito: Força Pacheco.

BENOLIEL – Inserida na LisboaPhoto está uma exposição de Joshua Benoliel, considerado o precursor do foto-jornalismo em Portugal. Feita com base no valioso espólio do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, a exposição mostra o trabalho de Benoliel para publicações como «A Ilustração Portuguesa» e o «Século», mas sobretudo permite acompanhar a evolução da sua visão quer enquanto fotojornalista, quer enquanto fotógrafo. Benoliel era um fotojornalista aguerrido e audaz para o seu tempo – e as suas imagens da primeira grande Guerra mostram-no. Mas era também um homem com uma invulgar aproximação aos assuntos, como evidencia nomeadamente a fotografia dos filhos de Buiça, o regicida, – uma iluminação e enquadramento perfeitos, a transmissão da dor e da angústia. A LisboaPhoto tem 15 exposições em diversos locais de Lisboa e o programa completo pode ser consultado em www.lisboaphoto.pt. A exposição de Benoliel está até 21 de Agosto no Torreão nascente da Cordoaria Nacional (o que fica mais perto da antiga FIL). Não a perca – é uma lição de história, de humildade, de observação e de estética.

REVÓLVER – Uma outra exposição que não deve perder resulta do desafio feito pelo coleccionador e galerista Vitor Pinto da Fonseca ao fotógrafo José Maçãs de Carvalho para comissariar uma exposição apenas com fotógrafos portugueses contemporâneos, na «Plataforma Revólver» (rua da Boavista 84-3º, de terça a sábado entre as 14 e as 19h30). Para além de Maçãs de Carvalho esta exposição, intitulada «My Own Private Pictures/Imagens Privadas», mostra trabalhos de António Júlio Duarte, Cátia Serrão, Manuel valente Alves, Marta Moreira, Nuno Cera, Rodrigo Peixoto, São Trindade, Susana Mendes Silva e Valter Vinagre.

RITMO – Gosto de compilações, de discos que agrupam vários temas de diversas proveniências. Uma das melhores que ouvi nos últimos tempos é «Con Mucho Ritmo», uma selecção de jazz tropical que inclui nomes clássicos como o percussionista Tito Puente ou o pianista Eddie Palmieiri, mas também talentos mais novos, como o do trompetista Charlie Sepulveda ou o flautista Dave Valentin. A versão de Giovanni Hidalgo para o clássico «Summmertime» é empolgante e o «Tumbao» do grande Chucho Valdés também. Colectânea Verve, distribuição Universal Music.

COMIDINHAS – Mão amiga fez-me chegar mais dois sites sobre a nobre arte da comida. No www.netmenu.pt encontra além das receitas, sugestões de passeios gastronómicos e uma boa lista de sugestões em matéria de vinhos. No www.gastronomias.com pode encontrar uma zona muito engraçada com sugestões completas para organizar jantares românticos a dois e uma muito curiosa lista de substãncias afrodisíacas.

REMATE – Se tinham dúvidas de que há populismo sem ser à direita sigam com atenção o percurso de José Sá Fernandes. Começo a achar que João Soares tinha razão na construção do elevador entre a Praça da Figueira e o Castelo. E que mais uma vez o que o advogado fez foi criar problemas em vez de arranjar soluções.

maio 19, 2005

EXPROPRIAÇÃO
Gosto munto de Jaquinzinhos. Vejam num post do passado dia 17 o comentário à situação na Bombardier. E passeiem-se pelos restantes posts. Magnífico...

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EXPROPRIAÇÃO
Gosto munto de Jaquinzinhos. Vejam num post do passado dia 17 o comentário à situação na Bombardier. E passeiem-se pelos restantes posts. Magnífico...
FIGO
Bastou estar uns jogos sentado no banco do Real Madrid para Figo, muito benemérito, se mostrar disponível para regressar à Selecção. E o melhor é que toda a gente diz logo «ámem» como se isto tudo fosse normal, ético, digno.... Um bocadinho irritante e invertebrado, não é?

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FIGO
Bastou estar uns jogos sentado no banco do Real Madrid para Figo, muito benemérito, se mostrar disponível para regressar à Selecção. E o melhor é que toda a gente diz logo «ámem» como se isto tudo fosse normal, ético, digno.... Um bocadinho irritante e invertebrado, não é?
DISCUTIR
A pior coisa que existe é aceitar as coisas passivamente. Aos poucos vamo-nos conformando, abdicando de exprimir a nossa opinião. Aceitar o que muitos dizem, embarcar no unanimismo, cria a ilusão de falsas maiorias.
A Constituição Europeia é boa ou má para Portugal?
Pois não sei. Humilde e sinceramente digo que não sei. Por isso me parece tão importante a iniciativa de José Pacheco Pereira, revelada no seu Abrupto. Pacheco Pereira já avançou: A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios.. E o blog de que fala já está criado, chama-se Sítio do Não. Escrevam, discutam, debatam, leiam, informem-se (a proposta de Constituição Europeia está lá na íntegra). Não deixem que o politicamente correcto não tenha sequer adversários. Desculpem a fadistice mas não resito: Força Pacheco.

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DISCUTIR
A pior coisa que existe é aceitar as coisas passivamente. Aos poucos vamo-nos conformando, abdicando de exprimir a nossa opinião. Aceitar o que muitos dizem, embarcar no unanimismo, cria a ilusão de falsas maiorias.
A Constituição Europeia é boa ou má para Portugal?
Pois não sei. Humilde e sinceramente digo que não sei. Por isso me parece tão importante a iniciativa de José Pacheco Pereira, revelada no seu Abrupto. Pacheco Pereira já avançou: A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios.. E o blog de que fala já está criado, chama-se Sítio do Não. Escrevam, discutam, debatam, leiam, informem-se (a proposta de Constituição Europeia está lá na íntegra). Não deixem que o politicamente correcto não tenha sequer adversários. Desculpem a fadistice mas não resito: Força Pacheco.

maio 16, 2005

TELESPECTADORES – A nível mundial, em 1995, cada telespectador consumia 205 minutos de televisão por dia. O valor tem sempre subido e em 2004 já era de 229 minutos. O Japão vai à frente com 301 minutos e a Suécia contenta-se com 151. Em Portugal o valor foi 214 minutos, mais sete que no ano anterior. Percebem porque é que o controlo da televisão é sempre uma coisa tão apetecida? Por cá existem duas profissões sobre as quais toda a gente dá palpites: treinador de futebol e director de um canal de TV. É o nosso destino, como diria o outro.

ELOGIO – Nesta terra de prima-donnas haver um ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros que se dispõe, sem vaidades nem preconceitos, a ir resolver um problema diplomático complicado (a negociação com os Emiratos Árabes Unidos sobre a detenção do cidadão português Ivo Ferreira) é caso para elogio. Diriam que era a obrigação do diplomata. Será, mas estamos todos fartos de ver diplomatas a não cumprirem o que deles se espera. E sabemos todos como os ex-governantes odeiam ser incomodados pelos problemas dos cidadãos comuns. Por isso mesmo o trabalho do diplomata António Monteiro merece, mais uma vez, ser elogiado.

LER – António Costa Pinto, Historiador, meteu ombros à tarefa de fazer um retrato escrito do «Portugal Contemporâneo» e daí saíu um livro com o mesmo nome, que contou com uma vasta equipa de colaboradores. Destaco quatro dos textos fundamentais aqui inluídos: «A Identidade Nacional Portuguesa» de Nuno G. Monteiro e António Costa Pinto; «Mudança Social em Portugal, 1960-2000», por António Barreto; «Eleições, Partidos e Instituições Políticas no Portugal Democrático» por Pedro C. Magalhães e «A Arte Portuguesa do Século XX», por João Pinharanda. Não é bem um livro de cabeceira. Mas é uma obra fundamental para quem gosta de pensar sobre o que Portugal é, e sobre aquilo em que se está a tornar. «Portugal Contemporâneo», edição Dom Quixote.

OUVIR – Sabem quem foi Harold Arlem? Eu ajudo: foi o autor da banda sonora do «Wizard Of Oz», e, portanto, do inesquecível «Over The Rainbow». O centenário do nascimento de Arlen assinala-se este ano e a bom propósito a Verve organização uma colectânea de alguns dos seus grandes temas, cantados por vários intérpretes. Ora reparem em alguns exemplos: Ella Fitzgerald canta «Hooray For Love», «Over the Rainbow» vem com Sarah Vaughan, Billie Holiday canta obviamente «Stormy Weather», Diana Krall dá apropriadamente voz a «Let’s Fall In Love» e não menos apropriadamente Louis Armstrong canta « I Gotta Right To Sing The Blues». A música de Arlen, rica e variada, sobrevive ao tempo e dá felicidade – como em «Get Happy», por Mel Tormé. Edição Verve, distribuída por Universal Music.

COMIDINHA – Se lhe apetece uma salada ou uma sanduíche sofisticada numa esplanada em cima do rio, o local a ir é o novo Deli DeLuxe, na fiada de armazéns onde está a Bica do Sapato. Basicamente a proposta é uma mercearia sofisticada, com uma excelente garrafeira com preços razoáveis, boa selecção de massas, queijos (não muito abrangente, é certo), ingredientes raros e chocolates invulgares, tudo a preços correspondentes. Uma boa ideia é sentar-se na esplanada e abrir uma garrafa de vinho da loja, que pode ali consumir mediante um suplemento de cinco euros, razoável para a utilização da mesa, copos e serviço. Se quiser juntar a isto a tábua de queijos, fica com uma bela ideia para uma lanche ao fim da tarde. Ao fim de semana dizem-me que há um brunch simpático. Do que vi e experimentei é pena que o serviço seja amador e distraído, demorado até. Se a coisa se resolver o sítio pode ficar simpático para um almoço rápido.

SUGESTÃO – De hoje até dia 22 decorre em Oeiras a segunda edição da Festa da Poesia, uma iniciativa única nesta nossa terrinha. Por causa das efeméridas na edição deste ano há destaques para Cesário Verde e para Bocage. Desde sessões de leitura a recitais, espectáculos de teatro ou concertos há de tudo – até Pedro Abrunhosa a escolher e a ler poemas dos autores que prefere. Todas as informações em www.festadapoesia-oeiras.pt .

REMATE – A maior preocupação dos portugueses é saber quem passa à frente numa porta. Por isso é que isto está como está.

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TELESPECTADORES – A nível mundial, em 1995, cada telespectador consumia 205 minutos de televisão por dia. O valor tem sempre subido e em 2004 já era de 229 minutos. O Japão vai à frente com 301 minutos e a Suécia contenta-se com 151. Em Portugal o valor foi 214 minutos, mais sete que no ano anterior. Percebem porque é que o controlo da televisão é sempre uma coisa tão apetecida? Por cá existem duas profissões sobre as quais toda a gente dá palpites: treinador de futebol e director de um canal de TV. É o nosso destino, como diria o outro.

ELOGIO – Nesta terra de prima-donnas haver um ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros que se dispõe, sem vaidades nem preconceitos, a ir resolver um problema diplomático complicado (a negociação com os Emiratos Árabes Unidos sobre a detenção do cidadão português Ivo Ferreira) é caso para elogio. Diriam que era a obrigação do diplomata. Será, mas estamos todos fartos de ver diplomatas a não cumprirem o que deles se espera. E sabemos todos como os ex-governantes odeiam ser incomodados pelos problemas dos cidadãos comuns. Por isso mesmo o trabalho do diplomata António Monteiro merece, mais uma vez, ser elogiado.

LER – António Costa Pinto, Historiador, meteu ombros à tarefa de fazer um retrato escrito do «Portugal Contemporâneo» e daí saíu um livro com o mesmo nome, que contou com uma vasta equipa de colaboradores. Destaco quatro dos textos fundamentais aqui inluídos: «A Identidade Nacional Portuguesa» de Nuno G. Monteiro e António Costa Pinto; «Mudança Social em Portugal, 1960-2000», por António Barreto; «Eleições, Partidos e Instituições Políticas no Portugal Democrático» por Pedro C. Magalhães e «A Arte Portuguesa do Século XX», por João Pinharanda. Não é bem um livro de cabeceira. Mas é uma obra fundamental para quem gosta de pensar sobre o que Portugal é, e sobre aquilo em que se está a tornar. «Portugal Contemporâneo», edição Dom Quixote.

OUVIR – Sabem quem foi Harold Arlem? Eu ajudo: foi o autor da banda sonora do «Wizard Of Oz», e, portanto, do inesquecível «Over The Rainbow». O centenário do nascimento de Arlen assinala-se este ano e a bom propósito a Verve organização uma colectânea de alguns dos seus grandes temas, cantados por vários intérpretes. Ora reparem em alguns exemplos: Ella Fitzgerald canta «Hooray For Love», «Over the Rainbow» vem com Sarah Vaughan, Billie Holiday canta obviamente «Stormy Weather», Diana Krall dá apropriadamente voz a «Let’s Fall In Love» e não menos apropriadamente Louis Armstrong canta « I Gotta Right To Sing The Blues». A música de Arlen, rica e variada, sobrevive ao tempo e dá felicidade – como em «Get Happy», por Mel Tormé. Edição Verve, distribuída por Universal Music.

COMIDINHA – Se lhe apetece uma salada ou uma sanduíche sofisticada numa esplanada em cima do rio, o local a ir é o novo Deli DeLuxe, na fiada de armazéns onde está a Bica do Sapato. Basicamente a proposta é uma mercearia sofisticada, com uma excelente garrafeira com preços razoáveis, boa selecção de massas, queijos (não muito abrangente, é certo), ingredientes raros e chocolates invulgares, tudo a preços correspondentes. Uma boa ideia é sentar-se na esplanada e abrir uma garrafa de vinho da loja, que pode ali consumir mediante um suplemento de cinco euros, razoável para a utilização da mesa, copos e serviço. Se quiser juntar a isto a tábua de queijos, fica com uma bela ideia para uma lanche ao fim da tarde. Ao fim de semana dizem-me que há um brunch simpático. Do que vi e experimentei é pena que o serviço seja amador e distraído, demorado até. Se a coisa se resolver o sítio pode ficar simpático para um almoço rápido.

SUGESTÃO – De hoje até dia 22 decorre em Oeiras a segunda edição da Festa da Poesia, uma iniciativa única nesta nossa terrinha. Por causa das efeméridas na edição deste ano há destaques para Cesário Verde e para Bocage. Desde sessões de leitura a recitais, espectáculos de teatro ou concertos há de tudo – até Pedro Abrunhosa a escolher e a ler poemas dos autores que prefere. Todas as informações em www.festadapoesia-oeiras.pt .

REMATE – A maior preocupação dos portugueses é saber quem passa à frente numa porta. Por isso é que isto está como está.

maio 09, 2005

O PAÍS ACESSÓRIO

A auto-estima nacional vive um momento alto. Mourinho deu uma taça ao Chelsea e confirmou a capacidade de Portugal se projectar além das suas fronteiras. Tudo indica que a nova campanha da Selecção Nacional de Futebol ajude a criar mais momentos de festa e grande esperança. E, claro, a final da taça UEFA vai de novo pôr Lisboa nas bocas do Mundo. Quando no ano passado o regime tornou doutrina que o futebol devia ser o motor da auto-estima nacional deu o pontapé de saída para esta situação em que o nosso destino fica depositado na habilidade demonstrada num jogo jogado com os pés.
Bem podem depois as altas autoridades mostrar preocupação face ao estado da economia, à desindustrialização do país, aos maus resultados a matemática e ao insucesso escolar generalizado. Que interessa isso se na bola continuamos a dar que falar e se é ela o emblema oficial e apadrinhado da nossa auto-estima?
Podíamos ser conhecidos pela nossa capacidade de descoberta e de produção, pela excelência dos nossos serviços, pela exportação da nossa cultura e da nossa indústria. Mas não somos. Estamos na cauda da Europa em indicadores básicos, descremos da nossa classe política, do nosso sistema judicial, temos motivo de sobra para achar que vivemos numa sociedade fiscalmente injusta em que os cidadãos que trabalham por conta de outrem pagam mais do que aquilo que recebem de volta do Estado. Mas vivemos felizes porque há um português, arrogante, birrento e mal-educado, que se tornou num herói dos hooligans e num símbolo sexual das bifas. Há vidas piores. Mas também há países melhores. Deixar o acessório e procurar o essencial custa, não custa?

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O PAÍS ACESSÓRIO

A auto-estima nacional vive um momento alto. Mourinho deu uma taça ao Chelsea e confirmou a capacidade de Portugal se projectar além das suas fronteiras. Tudo indica que a nova campanha da Selecção Nacional de Futebol ajude a criar mais momentos de festa e grande esperança. E, claro, a final da taça UEFA vai de novo pôr Lisboa nas bocas do Mundo. Quando no ano passado o regime tornou doutrina que o futebol devia ser o motor da auto-estima nacional deu o pontapé de saída para esta situação em que o nosso destino fica depositado na habilidade demonstrada num jogo jogado com os pés.
Bem podem depois as altas autoridades mostrar preocupação face ao estado da economia, à desindustrialização do país, aos maus resultados a matemática e ao insucesso escolar generalizado. Que interessa isso se na bola continuamos a dar que falar e se é ela o emblema oficial e apadrinhado da nossa auto-estima?
Podíamos ser conhecidos pela nossa capacidade de descoberta e de produção, pela excelência dos nossos serviços, pela exportação da nossa cultura e da nossa indústria. Mas não somos. Estamos na cauda da Europa em indicadores básicos, descremos da nossa classe política, do nosso sistema judicial, temos motivo de sobra para achar que vivemos numa sociedade fiscalmente injusta em que os cidadãos que trabalham por conta de outrem pagam mais do que aquilo que recebem de volta do Estado. Mas vivemos felizes porque há um português, arrogante, birrento e mal-educado, que se tornou num herói dos hooligans e num símbolo sexual das bifas. Há vidas piores. Mas também há países melhores. Deixar o acessório e procurar o essencial custa, não custa?