outubro 27, 2004

PARA ALÉM DOS CEM DIAS
(publicado no dia 26 de Outubro no «Jornal de Negócios»)

1. Cada projecto tem o seu tempo. A saída de Durão Barroso acelerou o fim do seu projecto e apressou mais que uma simples remodelação ou sucessão. Provocou uma mudança. O novo executivo, tendo a mesma base, não é de facto o mesmo Governo - é diferente, no estilo, na substância e na forma. O dia-a-dia não é o mesmo. Reintroduziu no vocabulário político o verbo «mudar», as reformas regressaram – da Lei do Arrendamento, à revisão do financiamento das auto-estradas, passando pelas modificações no sistema de saúde. E, claro, há mudanças na maneira de encarar a política económica e financeira. Lembram-se do côro que no tempo de Manuela Ferreira Leite clamava por mais maleabilidade nas finanças, que pedia incentivos à economia? Não aconteceu uma ruptura, mas, se olharmos seis meses para trás, vê-se como algumas das questões que andavam paradas começaram a dar sinais de vida. Desde há muitos anos este parece ser o executivo mais reformista.

2. Em meados do primeiro semestre deste ano existia, um pouco por todo o lado, uma sensação de paralisia. O Governo tinha perdido o ímpeto reformista dos primeiros meses, a única estratégia conhecida era a da inflexível restrição orçamental. Em sectores económicos, políticos, sociais e culturais dizia-se à boca cheia que estava tudo parado. A oposição, é certo, não existia, estava ela própria paralisada. No ar sentia-se o peculiar cheiro da paz pôdre. O país estava adiado e ainda não tinha dado por isso.
O Governo de Durão Barroso arrancou enérgico mas perdeu velocidade em cada compromisso que fazia. Em vez de remover os escolhos foi contornando-os, sempre pelo caminho mais longo. Na prática, tinha deixado de governar e falava-se à boca cheia da necessidade de uma remodelação – recordam-se?

3. Este Governo tomou posse porque tem uma legitimidade eleitoral que ninguém conseguiu desmentir, porque tem uma base de apoio parlamentar que o Presidente da República teve que admitir e porque o PS nem tinha sequer na altura condições para tentar organizar qualquer espécie de alternativa. Mas para um número significativo de observadores, tomou posse porque não existia outra solução – e isto é que os irrita, terem sido apanhados tão distraídos. Para algumas elites foi uma enorme indigestão: perdoem-me a expressão mas, para muitos bem pensantes, foi como se os descamisados tivessem chegado ao poder. Nunca tinham previsto esta hipótese. Julgavam o assunto confinado e controlado. Enganaram-se porque pensaram mais neles próprios do que no desconforto que percorria o país. Uma boa parte do PSD estava confortavelmente sentada na cadeira do poder sem muitos incómodos, à espera que a legislatura decorresse confortável e sem demasiadas mudanças ou rupturas. Por uns anos, parecia, a vida estava tratada.

4. Por tudo isto, este Governo começou debaixo de uma razoável dose de desconfiança – oposição interna e aberta dentro do PSD, oposição ideológica aguerrida do Bloco de Esquerda e contemplação distante do PS, nesse tempo ainda ocupado a procurar uma solução de sucessão interna. Este Governo ainda não tinha feito nada e já estava a ser criticado, nem tinha apresentado Programa e já tinha declarações antecipadas de voto contra. Nunca, em tempos recentes, um executivo começou a funcionar sob tão permanente observação ao microscópio. Este Governo nunca viveu sob Estado de Graça, teve tolerância zero – em boa parte porque a sua liderança suscita tudo menos indiferença. Para a maioria dos críticos o problema deste Governo reside em Santana Lopes, no seu estilo, na sua forma. A fulanização da política regressou em força. Pelo menos a coisa teve o mérito de provocar uma separação das águas.

5. Nesta semana começaram a publicar-se os habituais balanços dos cem dias do executivo. Cem dias são três meses – quase nada num ciclo de Governo, mesmo que este tenha menos de dois anos de horizonte. Vamos olhar bem de frente: em cem dias já se fez alguma coisa, que a bem dizer estava parada há pelo menos doze meses. Mas não é isso o fundamental: é claro que houve erros, é claro que aconteceram precipitações, é claro que às vezes a táctica foi mais valorizada que a estratégia. Isso é tudo verdade – mas também é verdade que se começou a agir, que a máquina voltou a andar – e o que aconteceu na educação é um dramático sinal da paralisia que existia.

6. Gostava de fazer aqui uma comparação com a música: há seis meses ninguém diria que isto tinha acontecido – juntaram-se na mesma banda músicos que não contavam estar juntos em cima do palco, ainda por cima com um solista que estava a pensar noutras canções. O resultado foi igual ao de qualquer boa «jam-session» – de início demora-se tempo a encontrar o compasso certo, o ritmo desejado, a conjugar harmonias. A seu tempo as peças juntam-se. Eu acho que já se sente que isso está a acontecer e é o receio de que daqui saia, afinal, alguma música que faça sentido que preocupa tanto, tanta gente. É claro que pelo meio convém que os músicos se ouçam uns aos outros e percebam quem está a desafinar. A surdez, nestas coisas, é fatal.

7. Qualquer projecto demora algum tempo a conseguir encontrar o seu rumo. Peguemos num novo jornal que nasce – quantas vezes os primeiros meses são desesperantes, quando tudo parece correr ao contrário do que queríamos e tínhamos imaginado? Nestas alturas o que há a fazer é ver bem o que se passa e ir corrigindo, ir acertando, ir procurando. Quem lança novos projectos sabe que a culpa dos problemas nunca é dos outros, como também nunca é dos observadores e, em última análise, dos eleitores e muito menos dos detractores e da concorrência. A culpa do que não corre bem é sempre nossa e a chave do êxito é descobrir o que não vai bem e corrigi-lo.

8. O pior que pode acontecer ao poder é tornar-se dono de todas as certezas e ficar cinzento. Tem que existir a capacidade de ouvir e a de pôr em causa o que se fez. Da mesma forma, todo o poder que perca a capacidade de se rir de si próprio está destinado a dias difíceis. Há uma velha máxima que eu gosto sempre de recordar: quando estamos muito envolvidos num projecto, convém saltar para fora dele e observá-lo de longe. Ouvir os outros, sentir o humor e ver a realidade é meio caminho andado para uma boa imagem. A outra metade vive da articulação de duas coisas fundamentais: quando a estratégia parece confusa, a táctica tem de ser clara; e mais vale apresentar obra feita, do que anunciar o que não se sabe quando será concretizado. A forma é importante no exercício do poder – e retomando a nossa «jam session» - há momentos em que mais vale diminuir o som dos amplificadores, só assim o cantor pode ganhar espaço para a sua voz.

9. A forma de exercer o poder condiciou Barroso, no seu permanente jogo de equilíbrios e de consensos que é a sua forma de agir, bem revelada agora na Comissão Europeia. É a recusa da forma convencionada de utilização do poder que está prejudicar Santana. O poder tem rituais – uns que vale a pena cumprir, outros nem por isso – mas o sistema não tolera os iconoclastas. Não sou adepto da teoria das cabalas, mas olho à minha volta e sei que existe preconceito, despeito, má vontade generalizada: desde as nossas fracas e muito oportunistas elites até aos nossos media que, vezes demais, continuam a ter dificuldade em separar informação de opinião, em separar a notícia do comentário, em separar a verdade do preconceito.
Recordam-se das acusações de populismo de há três meses? Foram esquecidas rapidamente, quando as reformas começaram pela parte mais difícil, com mais custos de opinião pública, quando em vez de medidas eleiçoeiras foram tomadas decisões difíceis.

10. Na semana passada li duas entrevistas de George Soros, nas quais ele explicava porque gastou para cima de 20 milhões de dolares da sua fortuna pessoal em campanhas contra Bush. Confessando-se um centrista nato diz que o seu principal objectivo é conseguir fazer mover o centro da posição demasiado à direita para onde Bush o levou, trazendo-o de novo para o seu lugar original, no centro. É uma reflexão curiosa. Mas Soros preconiza sobretudo mudanças sensíveis no funcionamento do sistema político, apela à existência de «think tanks» que sirvam de consciência crítica permanente do poder, a uma melhor articulação e relação com os media, e à criação de grupos de acção cívica que encontrem formas de mobilizar os jovens e levá-los a participar no governo da sociedade. São coisas evidentes. Mas de tão evidentes serem, convém tê-las sempre presentes, sobretudo quando é mesmo preciso mudar o sistema.










Untitled

PARA ALÉM DOS CEM DIAS

(publicado no dia 26 de Outubro no «Jornal de Negócios»)



1. Cada projecto tem o seu tempo. A saída de Durão Barroso acelerou o fim do seu projecto e apressou mais que uma simples remodelação ou sucessão. Provocou uma mudança. O novo executivo, tendo a mesma base, não é de facto o mesmo Governo - é diferente, no estilo, na substância e na forma. O dia-a-dia não é o mesmo. Reintroduziu no vocabulário político o verbo «mudar», as reformas regressaram – da Lei do Arrendamento, à revisão do financiamento das auto-estradas, passando pelas modificações no sistema de saúde. E, claro, há mudanças na maneira de encarar a política económica e financeira. Lembram-se do côro que no tempo de Manuela Ferreira Leite clamava por mais maleabilidade nas finanças, que pedia incentivos à economia? Não aconteceu uma ruptura, mas, se olharmos seis meses para trás, vê-se como algumas das questões que andavam paradas começaram a dar sinais de vida. Desde há muitos anos este parece ser o executivo mais reformista.



2. Em meados do primeiro semestre deste ano existia, um pouco por todo o lado, uma sensação de paralisia. O Governo tinha perdido o ímpeto reformista dos primeiros meses, a única estratégia conhecida era a da inflexível restrição orçamental. Em sectores económicos, políticos, sociais e culturais dizia-se à boca cheia que estava tudo parado. A oposição, é certo, não existia, estava ela própria paralisada. No ar sentia-se o peculiar cheiro da paz pôdre. O país estava adiado e ainda não tinha dado por isso.

O Governo de Durão Barroso arrancou enérgico mas perdeu velocidade em cada compromisso que fazia. Em vez de remover os escolhos foi contornando-os, sempre pelo caminho mais longo. Na prática, tinha deixado de governar e falava-se à boca cheia da necessidade de uma remodelação – recordam-se?



3. Este Governo tomou posse porque tem uma legitimidade eleitoral que ninguém conseguiu desmentir, porque tem uma base de apoio parlamentar que o Presidente da República teve que admitir e porque o PS nem tinha sequer na altura condições para tentar organizar qualquer espécie de alternativa. Mas para um número significativo de observadores, tomou posse porque não existia outra solução – e isto é que os irrita, terem sido apanhados tão distraídos. Para algumas elites foi uma enorme indigestão: perdoem-me a expressão mas, para muitos bem pensantes, foi como se os descamisados tivessem chegado ao poder. Nunca tinham previsto esta hipótese. Julgavam o assunto confinado e controlado. Enganaram-se porque pensaram mais neles próprios do que no desconforto que percorria o país. Uma boa parte do PSD estava confortavelmente sentada na cadeira do poder sem muitos incómodos, à espera que a legislatura decorresse confortável e sem demasiadas mudanças ou rupturas. Por uns anos, parecia, a vida estava tratada.



4. Por tudo isto, este Governo começou debaixo de uma razoável dose de desconfiança – oposição interna e aberta dentro do PSD, oposição ideológica aguerrida do Bloco de Esquerda e contemplação distante do PS, nesse tempo ainda ocupado a procurar uma solução de sucessão interna. Este Governo ainda não tinha feito nada e já estava a ser criticado, nem tinha apresentado Programa e já tinha declarações antecipadas de voto contra. Nunca, em tempos recentes, um executivo começou a funcionar sob tão permanente observação ao microscópio. Este Governo nunca viveu sob Estado de Graça, teve tolerância zero – em boa parte porque a sua liderança suscita tudo menos indiferença. Para a maioria dos críticos o problema deste Governo reside em Santana Lopes, no seu estilo, na sua forma. A fulanização da política regressou em força. Pelo menos a coisa teve o mérito de provocar uma separação das águas.



5. Nesta semana começaram a publicar-se os habituais balanços dos cem dias do executivo. Cem dias são três meses – quase nada num ciclo de Governo, mesmo que este tenha menos de dois anos de horizonte. Vamos olhar bem de frente: em cem dias já se fez alguma coisa, que a bem dizer estava parada há pelo menos doze meses. Mas não é isso o fundamental: é claro que houve erros, é claro que aconteceram precipitações, é claro que às vezes a táctica foi mais valorizada que a estratégia. Isso é tudo verdade – mas também é verdade que se começou a agir, que a máquina voltou a andar – e o que aconteceu na educação é um dramático sinal da paralisia que existia.



6. Gostava de fazer aqui uma comparação com a música: há seis meses ninguém diria que isto tinha acontecido – juntaram-se na mesma banda músicos que não contavam estar juntos em cima do palco, ainda por cima com um solista que estava a pensar noutras canções. O resultado foi igual ao de qualquer boa «jam-session» – de início demora-se tempo a encontrar o compasso certo, o ritmo desejado, a conjugar harmonias. A seu tempo as peças juntam-se. Eu acho que já se sente que isso está a acontecer e é o receio de que daqui saia, afinal, alguma música que faça sentido que preocupa tanto, tanta gente. É claro que pelo meio convém que os músicos se ouçam uns aos outros e percebam quem está a desafinar. A surdez, nestas coisas, é fatal.



7. Qualquer projecto demora algum tempo a conseguir encontrar o seu rumo. Peguemos num novo jornal que nasce – quantas vezes os primeiros meses são desesperantes, quando tudo parece correr ao contrário do que queríamos e tínhamos imaginado? Nestas alturas o que há a fazer é ver bem o que se passa e ir corrigindo, ir acertando, ir procurando. Quem lança novos projectos sabe que a culpa dos problemas nunca é dos outros, como também nunca é dos observadores e, em última análise, dos eleitores e muito menos dos detractores e da concorrência. A culpa do que não corre bem é sempre nossa e a chave do êxito é descobrir o que não vai bem e corrigi-lo.



8. O pior que pode acontecer ao poder é tornar-se dono de todas as certezas e ficar cinzento. Tem que existir a capacidade de ouvir e a de pôr em causa o que se fez. Da mesma forma, todo o poder que perca a capacidade de se rir de si próprio está destinado a dias difíceis. Há uma velha máxima que eu gosto sempre de recordar: quando estamos muito envolvidos num projecto, convém saltar para fora dele e observá-lo de longe. Ouvir os outros, sentir o humor e ver a realidade é meio caminho andado para uma boa imagem. A outra metade vive da articulação de duas coisas fundamentais: quando a estratégia parece confusa, a táctica tem de ser clara; e mais vale apresentar obra feita, do que anunciar o que não se sabe quando será concretizado. A forma é importante no exercício do poder – e retomando a nossa «jam session» - há momentos em que mais vale diminuir o som dos amplificadores, só assim o cantor pode ganhar espaço para a sua voz.



9. A forma de exercer o poder condiciou Barroso, no seu permanente jogo de equilíbrios e de consensos que é a sua forma de agir, bem revelada agora na Comissão Europeia. É a recusa da forma convencionada de utilização do poder que está prejudicar Santana. O poder tem rituais – uns que vale a pena cumprir, outros nem por isso – mas o sistema não tolera os iconoclastas. Não sou adepto da teoria das cabalas, mas olho à minha volta e sei que existe preconceito, despeito, má vontade generalizada: desde as nossas fracas e muito oportunistas elites até aos nossos media que, vezes demais, continuam a ter dificuldade em separar informação de opinião, em separar a notícia do comentário, em separar a verdade do preconceito.

Recordam-se das acusações de populismo de há três meses? Foram esquecidas rapidamente, quando as reformas começaram pela parte mais difícil, com mais custos de opinião pública, quando em vez de medidas eleiçoeiras foram tomadas decisões difíceis.



10. Na semana passada li duas entrevistas de George Soros, nas quais ele explicava porque gastou para cima de 20 milhões de dolares da sua fortuna pessoal em campanhas contra Bush. Confessando-se um centrista nato diz que o seu principal objectivo é conseguir fazer mover o centro da posição demasiado à direita para onde Bush o levou, trazendo-o de novo para o seu lugar original, no centro. É uma reflexão curiosa. Mas Soros preconiza sobretudo mudanças sensíveis no funcionamento do sistema político, apela à existência de «think tanks» que sirvam de consciência crítica permanente do poder, a uma melhor articulação e relação com os media, e à criação de grupos de acção cívica que encontrem formas de mobilizar os jovens e levá-los a participar no governo da sociedade. São coisas evidentes. Mas de tão evidentes serem, convém tê-las sempre presentes, sobretudo quando é mesmo preciso mudar o sistema.





















outubro 25, 2004

AS FLORES – Era muito mais cómodo escrever sobre flores nesta semana que fechou. Há quem escreva sobre a outonal queda das folhas, há quem disserte sobre a Turquia, há quem se refugie no futebol. Deixemos o interlúdio. Há muita coisa que não vai bem, e o melhor seria encarar os assuntos de frente. O autismo, nos círculos do poder, pode revestir a forma de uma epidemia mortífera.

A MÁSCARA – Há poucos dias o advogado José Sá Fernandes deixou cair a máscara: depois de provocar a interrupção das obras do túnel do Marquês, e a escasssas semanas de existir uma decisão sobre o assunto, veio requerer que fosse restabelecido o pavimento. Prova-se assim que o seu objectivo não tem a bondade que sugere, mas apenas o de evitar, de facto, a concretização de obras públicas, desde que isso lhe dê exposição. Depois de meses sem se preocupar com os incómodos e prejuízos que causou, deu-lhe um súbito acesso de bondade? Mais curioso é o facto de ter feito constar nas redacções dos jornais que o requerimento sobre o assunto estava entregue, antes mesmo de ele dar entrada nos serviços da Câmara Municipal. Afinal que pretende: impacto mediático ou acção concreta? Que triste figura...

A POLÉMICA – Continuo a achar que a memória é o nosso melhor arquivo, um dos nossos bons instrumentos de trabalho que nunca devemos desprezar. Anda tudo numa roda viva sobre a liberdade de imprensa, sobre a independência dos órgãos de comunicação do Estado, mas ninguém se lembra como, há uns anos atrás, surgiram os nomes de Joaquim Vieira e Joaquim Furtado para a Direcção da RTP, e, mais tarde de Emídio Rangel? Basta uma consulta detalhada à imprensa da época para se ver quem, dentro do Governo da época, eram os impulsionadores dessas nomeações. Nas redacções deve haver quem se recorde do que as fontes contavam por essa época. Na altura não houve o actual coro de protestos, apesar de terem existido de facto decisões, em vez de um curioso debate sobre a regulação, que é o que agora existiu. Pode ser que se tenham apagado muitas diferenças entre a esquerda e a direita, mas continuam a existir preconceitos, até entre os mais insuspeitos. Vista a frio, a coisa é assim: nas redacções continua a seguir-se o lema de que quando a esquerda actua se deve ser complacente, quando a direita sugere se deve ser implacável; a esquerda é vestida para aparecer como criativa, a direita como manipuladora. Este livro de estilo dos justiceiros é o que de pior existe no jornalismo português – e que tem origens, causas e métodos bem conhecidos. Não vale a pena sermos hipócritas: em matéria de condicionamento político da comunicação social este Governo é um menino de côro, comparado com as diatribes do Dr. Jorge Coelho. Embora encoberta e não publicada em «Diário da República», a central de informação do Governo era bem mais eficaz e notória nessa época – será que já não anda por aí ninguém que estivesse nas redacções nessa época?

BACK TO BASICS – Só se devem publicar correcções ou desmentidos referentes a factos que tenhamos reportado, e não em relação ao que foi reportado por terceiros (do livro de estilo da Associated Press, citado de memória).

O MELHOR DA SEMANA – A nova agenda cultural da Câmara Municipal de Lisboa, a «Agenda Lx». Jorge Silva voltou a acertar no alvo com um grafismo claro, elegante e moderno – três características que, em geral, muita falta fazem.

O PIOR DA SEMANA – A carga policial de quarta-feira na Universidade de Coimbra. Os anos passam, a forma de agir da polícia não muda – e não presta.

A PERGUNTA DA SEMANA – Numa semana tão barulhenta como é que ninguém falou do ruído?

RECOMENDAÇÃO –A banda sonora do filme De-Lovely, baseado em canções de Cole Porter, com Sheryl Crow, Elvis Costello, Diana Krall, Ashley Judd, Robbie Williams e Alanis Morissette, entre outros.

Untitled

AS FLORES – Era muito mais cómodo escrever sobre flores nesta semana que fechou. Há quem escreva sobre a outonal queda das folhas, há quem disserte sobre a Turquia, há quem se refugie no futebol. Deixemos o interlúdio. Há muita coisa que não vai bem, e o melhor seria encarar os assuntos de frente. O autismo, nos círculos do poder, pode revestir a forma de uma epidemia mortífera.



A MÁSCARA – Há poucos dias o advogado José Sá Fernandes deixou cair a máscara: depois de provocar a interrupção das obras do túnel do Marquês, e a escasssas semanas de existir uma decisão sobre o assunto, veio requerer que fosse restabelecido o pavimento. Prova-se assim que o seu objectivo não tem a bondade que sugere, mas apenas o de evitar, de facto, a concretização de obras públicas, desde que isso lhe dê exposição. Depois de meses sem se preocupar com os incómodos e prejuízos que causou, deu-lhe um súbito acesso de bondade? Mais curioso é o facto de ter feito constar nas redacções dos jornais que o requerimento sobre o assunto estava entregue, antes mesmo de ele dar entrada nos serviços da Câmara Municipal. Afinal que pretende: impacto mediático ou acção concreta? Que triste figura...



A POLÉMICA – Continuo a achar que a memória é o nosso melhor arquivo, um dos nossos bons instrumentos de trabalho que nunca devemos desprezar. Anda tudo numa roda viva sobre a liberdade de imprensa, sobre a independência dos órgãos de comunicação do Estado, mas ninguém se lembra como, há uns anos atrás, surgiram os nomes de Joaquim Vieira e Joaquim Furtado para a Direcção da RTP, e, mais tarde de Emídio Rangel? Basta uma consulta detalhada à imprensa da época para se ver quem, dentro do Governo da época, eram os impulsionadores dessas nomeações. Nas redacções deve haver quem se recorde do que as fontes contavam por essa época. Na altura não houve o actual coro de protestos, apesar de terem existido de facto decisões, em vez de um curioso debate sobre a regulação, que é o que agora existiu. Pode ser que se tenham apagado muitas diferenças entre a esquerda e a direita, mas continuam a existir preconceitos, até entre os mais insuspeitos. Vista a frio, a coisa é assim: nas redacções continua a seguir-se o lema de que quando a esquerda actua se deve ser complacente, quando a direita sugere se deve ser implacável; a esquerda é vestida para aparecer como criativa, a direita como manipuladora. Este livro de estilo dos justiceiros é o que de pior existe no jornalismo português – e que tem origens, causas e métodos bem conhecidos. Não vale a pena sermos hipócritas: em matéria de condicionamento político da comunicação social este Governo é um menino de côro, comparado com as diatribes do Dr. Jorge Coelho. Embora encoberta e não publicada em «Diário da República», a central de informação do Governo era bem mais eficaz e notória nessa época – será que já não anda por aí ninguém que estivesse nas redacções nessa época?



BACK TO BASICS – Só se devem publicar correcções ou desmentidos referentes a factos que tenhamos reportado, e não em relação ao que foi reportado por terceiros (do livro de estilo da Associated Press, citado de memória).



O MELHOR DA SEMANA – A nova agenda cultural da Câmara Municipal de Lisboa, a «Agenda Lx». Jorge Silva voltou a acertar no alvo com um grafismo claro, elegante e moderno – três características que, em geral, muita falta fazem.



O PIOR DA SEMANA – A carga policial de quarta-feira na Universidade de Coimbra. Os anos passam, a forma de agir da polícia não muda – e não presta.



A PERGUNTA DA SEMANA – Numa semana tão barulhenta como é que ninguém falou do ruído?



RECOMENDAÇÃO –A banda sonora do filme De-Lovely, baseado em canções de Cole Porter, com Sheryl Crow, Elvis Costello, Diana Krall, Ashley Judd, Robbie Williams e Alanis Morissette, entre outros.

outubro 21, 2004

COINCIDÊNCIA
A «Visão» publica hoje um curioso artigo intitulado «Como Eles Se Aturam», dedicado ao relacionamento Presidente da República-Primeiro Ministro. A tese do artigo é a de que o Primeiro Ministro teria optado por tentar provocar eleições antecipadas depois de despoletado o «caso Marcelo».
Já agora reza a verdade cronológica dos factos que algumas semanas antes do «caso Marcelo» algumas fontes próximas de Belém, como agora é hábito dizer-se, faziam correr que nos corredores da Presidência da República se estudavam cenários para uma dissolução do Parlamento. Era uma daqueles rumores que, nas doutas palavras do Presidente da República, se incluem na categoria de ruídos que circulam nas redacções.
Quer-me pois parecer que este artigo da «Visão» cumpriria bem o objectivo de tapar o sol com a peneira, se por acaso fosse essa a intenção.

Untitled

COINCIDÊNCIA

A «Visão» publica hoje um curioso artigo intitulado «Como Eles Se Aturam», dedicado ao relacionamento Presidente da República-Primeiro Ministro. A tese do artigo é a de que o Primeiro Ministro teria optado por tentar provocar eleições antecipadas depois de despoletado o «caso Marcelo».

Já agora reza a verdade cronológica dos factos que algumas semanas antes do «caso Marcelo» algumas fontes próximas de Belém, como agora é hábito dizer-se, faziam correr que nos corredores da Presidência da República se estudavam cenários para uma dissolução do Parlamento. Era uma daqueles rumores que, nas doutas palavras do Presidente da República, se incluem na categoria de ruídos que circulam nas redacções.

Quer-me pois parecer que este artigo da «Visão» cumpriria bem o objectivo de tapar o sol com a peneira, se por acaso fosse essa a intenção.

outubro 18, 2004

PLÁSTICA - Nos últimos anos criou-se uma doentia misturada entre política e informação. Primeiro, protagonistas da política foram convidados para comentadores; depois criou-se-lhes um estatuto implícito de comunicadores, mais próximos do entretenimento que do jornalismo; pelo meio sofreram uma operação plástica que fez passar protagonistas da vida política por opinadores independentes – que de facto nunca poderiam ser. Na realidade não exprimiam opiniões, limitavam-se a ser instrumentos de ambições ou campanhas – e nisto não há uma única excepção à vista.

SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?

RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.

PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.

REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.

BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.

O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.

O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».

A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?

RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.

Untitled

PLÁSTICA - Nos últimos anos criou-se uma doentia misturada entre política e informação. Primeiro, protagonistas da política foram convidados para comentadores; depois criou-se-lhes um estatuto implícito de comunicadores, mais próximos do entretenimento que do jornalismo; pelo meio sofreram uma operação plástica que fez passar protagonistas da vida política por opinadores independentes – que de facto nunca poderiam ser. Na realidade não exprimiam opiniões, limitavam-se a ser instrumentos de ambições ou campanhas – e nisto não há uma única excepção à vista.



SECRETO - Outro lado desta misturada, eventualmente mais grave, tem a ver com o estabelecimento de agendas políticas transformados em pseudo informação.Muito do que é publicado vive de rumores, de fontes não identificadas, de hábeis campanhas de informação e contra-informação em que os jornalistas não são os descodificadores (nem sequer os mediadores) mas meras correias de transmissão. É como se, por exemplo, numa determinada ocasião um jornal publicasse a informação de que existia um acordo secreto para uma futura coligação pós eleitoral, com o único objectivo de esconder a existência de um verdadeiro acordo pré-eleitoral com os mesmos protagonistas. De quem é a culpa de uma desinformação: de quem veicula a notícia – mas não é identificado formalmente – ou de quem a publica, dando apenas ouvidos a sopradores de rumores?



RUÍDOS- Não sei se era a estes rumores, a estas intrigas que todos os dias atravessam todas as redacções do país, que o Presidente da República se referia quando na semana passada, enquanto no estrangeiro, decidiu comentar a actualidade portuguesa, construindo um raciocínio baseado em «ruídos» que se ouviriam nas redacções. Espanta-me que um Presidente da República baseie uma análise em ruídos, mas deve ser sinal dos tempos – afinal , de facto, qualquer Presidente chega ao lugar por ser um político – não vale a pena pretendermos que não sofra dos males que atravessam os partidos e quem neles habita.



PARTIDO - E agora, os partidos, essas uniões de interesses que nos governam e que tão desajustadas são da sociedade. Cada vez compreendo menos a existência dos partidos tais como os conhecemos: nos últimos 30 anos são responsáveis pelo aumento da abstenção, pouco fizeram para reformar o sistema, procuram manter o «status quo» e impedem a entrada de novos protagonistas, privilegiam o seguidismo sobre o espírito crítico e declaradamente assumem a ausência de estratégia como uma vantagem e o excesso de táctica como uma qualidade. Se o melhor que os partidos têm para nos oferecer é isto a que assistimos nos últimos dez dias, então havemos de concordar que o espectáculo não é bonito de se ver – por alguma razão a «Quinta das Celebridades» faz rir e o noticiário político deprime.



REACÇÃO – O estilo jornalismo-reacção é o exemplo da parcialidade de muita informação: quando um facto é sistematicamente confrontado com reacções isto não é a procura de cotraditório, é a tentativa de impedir que o facto seja noticiado de forma clara e que os comentários ao que aconteceu superem a própria notícia original que os motiva.



BACK TO BASICS – Os jornalistas fazem perguntas; os políticos respondem a perguntas.



O MELHOR DA SEMANA – A réplica de António Mexia aos autarcas algarvios.



O PIOR DA SEMANA – 55% da classe A-B vê regualramente a «Quinta das Celebridades».



A PERGUNTA DA SEMANA – Quem reparou no reaparecimento do «Grupo da Sueca» na última quinzena?



RECOMENDAÇÃO – O disco «Canções Subterrâneas», do grupo A Naifa.



outubro 12, 2004

COMO SE FABRICA A TEORIA DE UMA CONSPIRAÇÃO
Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.
Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.
Mas, adiante. Vamos aos factos:
1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00
2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.
3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.

Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.

Untitled

COMO SE FABRICA A TEORIA DE UMA CONSPIRAÇÃO

Na noite de segunda-feira dia 11 não faltaram comentadores, dentro e fora da blogosfera, a afirmar, insinuar, sugerir, que o facto de a comunicação do Primeiro Ministro ter passado em horários diferentes nas várias estações de TV seria o resultado de uma manobra premeditada para perpetuar ao longo de uma hora, em diversos canais, as imagens dessa mesma comunicação.

Claro que se a opção das estações fosse por um simultâneo, as mesmas vozes diriam que se tratava de uma demonstração que Portugal estava no Burkina Faso e que o Primeiro Ministro impunha a sua presença em todos os ecrãs, ao mesmo tempo.

Mas, adiante. Vamos aos factos:

1- A gravação da comunicação foi feita pela RTP e pela RDP, e o seu sinal foi facultado a todos os outros operadores, com a indicção que seria emitido em simultãneo, por meios técnicos previamente ajustados, a partir das 20h00

2- A gravação decorreu e terminou antes dos telejornais das várias estações e o sinal foi fornecido, às 20h00 em ponto, pelos competentes serviços técnicos da RTP e RDP em «clean feed», directo, para todas as estações (Canal 1 da RTP, SIC e TVI, além das estações de rádio, obviammente). A emissão saíu do edifício da Marechal Gomes da Costa em simultâneo para toda a gente.

3- A maneira como cada uma das estações emitiu foi fruto de opções editoriais de cada uma - serão discutíveis, mas foram escolhas de cada um. A SIC, como se viu, optou por manter o directo logo que foi libertado o seu conteúdo e foi a primeira a emitir, logo na abertura do seu jornal, as imagens distribuídas pela central de emissão da RTP; o Canal 1 da RTP entendeu abordar outros assuntos do dia e emitir, em diferido, cerca das oito e meia; e a TVI optou igualmente pelo diferido, ainda mais tarde.



Sugere-se aos autores e divulgadores da grande teoria da conspiração que investiguem se o que acima se relata corresponde ou não à realidade dos factos.

outubro 11, 2004

RICOCHETE - Estatística recente diz que Portugal é, de entre todos os Estados da União Europeia alargada, aquele onde se verifica maior fosso entre os muito ricos e os muito pobres e, também, aquele que tem maior percentagem da população (20%) nos níveis de pobreza. Esta é uma das razões pelas quais faz sentido considerar como prioridade nacional medidas de carácter social que possam contribuir para melhorar esta situação. Isto só se conseguirá se o Estado tiver mais meios, ou seja, se conseguir diminuir a despesa noutros sectores. É provavelmente este raciocínio que leva a tocar naquilo que tem sido sempre intocável – uma classe média relativamente recente, mas ainda muito instável e insegura, que não é pobre, mas está longe de ser abastada – e que vive dilacerada no receio da falência do Estado-providência. A ideia, justa, de que o Estado deve seguir o princípio de utilizador-pagador tem certamente por objectivo libertar recursos para implementar políticas sociais para os mais desfavorecidos. Mas as medidas sociais devem sempre ser pensadas para não provocar ricochete, para não se virarem contra quem as implementa – esse é um princípio base da acção política, sobretudo daquela que tem por objectivo defender os interesses dos mais fracos e criar igualdade de oportunidades. Em matéria de política social a coligação vive um dilema: pode o PP ficar com a fama de polícia bom, e o PSD viver com a de polícia mau? A política não pode ser um remake de brincadeiras de «polícias & ladrões».

INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.

RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?

BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.

A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?

O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».

O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.

RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.

Untitled

RICOCHETE - Estatística recente diz que Portugal é, de entre todos os Estados da União Europeia alargada, aquele onde se verifica maior fosso entre os muito ricos e os muito pobres e, também, aquele que tem maior percentagem da população (20%) nos níveis de pobreza. Esta é uma das razões pelas quais faz sentido considerar como prioridade nacional medidas de carácter social que possam contribuir para melhorar esta situação. Isto só se conseguirá se o Estado tiver mais meios, ou seja, se conseguir diminuir a despesa noutros sectores. É provavelmente este raciocínio que leva a tocar naquilo que tem sido sempre intocável – uma classe média relativamente recente, mas ainda muito instável e insegura, que não é pobre, mas está longe de ser abastada – e que vive dilacerada no receio da falência do Estado-providência. A ideia, justa, de que o Estado deve seguir o princípio de utilizador-pagador tem certamente por objectivo libertar recursos para implementar políticas sociais para os mais desfavorecidos. Mas as medidas sociais devem sempre ser pensadas para não provocar ricochete, para não se virarem contra quem as implementa – esse é um princípio base da acção política, sobretudo daquela que tem por objectivo defender os interesses dos mais fracos e criar igualdade de oportunidades. Em matéria de política social a coligação vive um dilema: pode o PP ficar com a fama de polícia bom, e o PSD viver com a de polícia mau? A política não pode ser um remake de brincadeiras de «polícias & ladrões».



INTERESSANTE - O Ministério francês da Cultura e Comunicação anunciou que os canais subvencionados pelo Estado, Arte e grupo France Telévision, teriam um aumento de 2,3% nas dotações previstas no orçamento de 2005.



RÁDIO - Lee Abrams foi o homem que nos anos 70 revolucionou a rádio nos Estados Unidos e, depois na Europa. Foi um dos gurus das playlists e das rádios formatadas – como as pioneiras AOR (Album Oriented Rock) - e um dos pioneiros da pesquisa de gostos dos ouvintes.. Pelo caminho, é certo, acabou por contribuir para matar a inovação em matéria musical – mas descobriu como fidelizar audiências. Agora ele está de novo na berra com o trabalho que tem feito na XM, um conjunto de estações de rádio digital de transmissão satélite, que cobrem todos os Estados Unidos. Os novos carros vêm equipados com receptores que permitem ouvir o sinal, mediante o pagamento de uma assinatura de dez dólares mensais. Já existem 2,5 milhões de assinantes e as perspectivas apontam para 20 milhões em 1910. As técnicas de compressão digital que a emissão satélite permite, possibilitam que a XM tenha mais de 130 canais diferentes, cada um para seu género musical, algumas mesmo para pequenos grupos. Os observadores dizem que a XM, e o trabalho de Lee Abrams, estão a revolucionar a rádio e a devolver-lhe o estatuto que ela tinha há duas décadas atrás. Aqui está uma história para seguir. O Governo federal americano concedeu as duas primeiras licenças de emissão rádio via satélite em 1997. E por cá?



BACK TO BASICS – Em democracia há Governo e há oposição.



A PERGUNTA DA SEMANA – O que é que marcou mais o Congresso do PS: a entrada de telepontos na actividade política ou o discurso de Jaime Gama?



O MELHOR DA SEMANA – O artigo «Reféns de Nós Próprios», de João Carlos Espada, no «Expresso» do passado sábado. Excerto: «Temos um sistema soviético de educação, totalmente dirigido por burocratas e computadores, com emprego garantido para quem já o tem, com salários médios superiores ao da OCDE , e totalmente indiferente aos resultados obtidos por cada escola e por cada professor».



O PIOR DA SEMANA – Em Portugal, no ano de 2003, não foram feitas 143 mil análises para assegurar os níveis de qualidade da água, de entre as cerca de um milhão que são obrigatórias.



RECOMENDAÇÃO – O CD «Índigo», de Bernardo Sassetti.

DE VOLTA AO NORMAL

Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.
Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.
A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.
O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.

Untitled

DE VOLTA AO NORMAL



Ao fim de quase um ano de crise no PS, eis que volta a haver oposição. O discurso de abertura do Congresso feito por José Sócrates foi muito claro: o alvo é Santana Lopes, mais que o Governo da coligação. Sócrates sabe de onde lhe vem o perigo e não perdeu tempo com minudências.

Uma das consequências deste singelo facto de ter voltado a existir oposição no nosso país, é que se torna mesmo necessário que o Governo faça o que lhe compete – governar. Os primeiros sinais – reformas polémicas, antes anunciadas, mas que andavam de facto empatadas há dois anos ( como a revisão da Lei das Rendas) – já aí estão. Agora falta o resto. A oposição vai atacar o Governo pelo que ele fizer e pelo que deixar de fazer – não vale a pena criar grandes ilusões. Quer isto dizer que quanto melhor fôr o Governo, mais espaço vai ocupar à oposição – essa é a lógica da democracia.

A outra consequência do Congresso do PS, que será também curioso seguir nos próximos tempos, tem a ver com o que irá suceder às oposiçõeszitas que têm ocupado o lugar deixado vago pelo PS – o Bloco de Esquerda e, sobretudo, os sindicatos. O discurso de Jorge Coelho no sábado passado, em apoio de Jaime Gama e José Sócrates, e rejeitando coligações à esquerda, é um sinal claro de como o PS quer recuperar o seu espaço próprio.

O PSD terá sobejas razões para se preocupar nos próximos tempos com uma marcação mais cerrada do PS, mas a verdade é que a vitória de Sócrates vai também provocar um separar das águas à esquerda. Que é que isto quer dizer? - Começou a luta pelo centro.



outubro 03, 2004

MANIPULAÇÃO - Uma das mais curiosas transformações dos últimos tempos é o aperfeiçoamento da forma como os sindicatos portugueses aprenderam a utilizar os media. No decurso do último ano e meio assiste-se a uma operação bem montada de sistemática divulgação de opiniões de líderes e porta-vozes laborais e sindicais, tratadas como se de notícias se tratassem, todas obviamente no mesmo sentido, que têm por único objectivo dar uma ideia de multiplicação de posições contra o Governo. Muitas vezes uma acção em si, do executivo ou do patronato, é menos noticiada que as reacções que ela suscita. Esta forma de encarar opiniões como se de matéria noticiosa se tratasse é uma dos problemas maiores que atravessa a comunicação em Portugal nestes dias que correm. Esta forma de encarar e trabalhar a informação é manipulação pura e simples, é, quase apetece dizer, a extensão contemporânea da luta de classes.

PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.

ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.

CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.

BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.

A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?

O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.

O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.

O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.

Untitled

MANIPULAÇÃO - Uma das mais curiosas transformações dos últimos tempos é o aperfeiçoamento da forma como os sindicatos portugueses aprenderam a utilizar os media. No decurso do último ano e meio assiste-se a uma operação bem montada de sistemática divulgação de opiniões de líderes e porta-vozes laborais e sindicais, tratadas como se de notícias se tratassem, todas obviamente no mesmo sentido, que têm por único objectivo dar uma ideia de multiplicação de posições contra o Governo. Muitas vezes uma acção em si, do executivo ou do patronato, é menos noticiada que as reacções que ela suscita. Esta forma de encarar opiniões como se de matéria noticiosa se tratasse é uma dos problemas maiores que atravessa a comunicação em Portugal nestes dias que correm. Esta forma de encarar e trabalhar a informação é manipulação pura e simples, é, quase apetece dizer, a extensão contemporânea da luta de classes.



PARCIALIDADE – Uma leitura e audição atenta das notícias mostra que elas são muitas vezes apresentadas sob a forma de uma interpretação do que aconteceu e não como um relato do que sucedeu. Notícias que começam na negativa (fulano ainda não declarou se faz isto ou aquilo) induzem a pensar que o sujeito da notícia está a falhar qualquer obrigação, o que já é de si um juízo de valor. A utilização abusiva de termos valorativos em vez de descritivos difunde uma opinião em vez de reportar um acontecimento. Este jornalismo «apimentado» por adjectivos e advérbios, fundamentalmente opinativo, está no cerne de uma forma de agir que é tendenciosa. É cada vez mais oportuno reler «Bias- A CBS insider exposes how the media distort the news», de Bernard Goldberg, uma referência do jornalismo norte-americano, que insiste num facto simples: os jornalistas ignoram muitas vezes a sua missão primária: informação objectiva e desinteressada. Goldberg vai mais longe: os preconceitos liberais e de esquerda são os responsáveis pelas mais frequentes manipulações dos factos.



ABUSO – Usa-se e abusa-se da citação, nas mais das vezes uma muleta desnecessária que só serve para ocupar espaço.. Na imprensa escrita citações de fontes políticas não identificadas servem para espalhar a pequena intriga; na rádio ou na televisão o uso e abuso de depoimentos serve para difundir opiniões, muitas vezes não qualificadas, com o único objectivo de ocupar espaço de antena. Em todos os casos o que se mostra não é uma notícia – é uma opinião ou, pior uma insinuação. Nada de relevante: Nada que mereça sequer ser publicado. O propósito da citação deve ser obter em primeira mão a descrição do sucedido por testemunhas dos factos, não registar a sua opinião. A opinião, sendo por si só importante nas sociedades e na comunicação, é a mais irrelevante de todas as coisas no meio de uma notícia.



CÍRCULO FECHADO – Cada vez mais há medias que funcionam em círculo fechado: recados de jornalistas para políticos, destes uns para os outros, e por aí fora. Alguns semanários parecem mais newsletters de grupos de interesses que jornais ou revistas.



BACK TO BASICS – Quando se está num buraco pára-se de cavar.



A PERGUNTA DA SEMANA – Porque é que José Veiga e Pinto da Costa se tratam de forma tão ordinária e têm tanta cobertura com isso?



O MAIS CURIOSO DA SEMANA – Bush folgado à frente de Kerry nas sondagens. Apesar de tudo, apesar dos filmes, dos documentários e da propaganda.



O MELHOR DA SEMANA – O livro «Pela China Dentro, uma viagem de 12 anos», do jornalista António Caeiro, que durante esse tempo foi correspondente da agência Lusa em Pequim – logo a seguir aos incidentes da Praça de Tiananmen. Relatos deliciosos, com um enorme espírito de observação, das grandes mudanças que percorriam um país e uma sociedade.



O PIOR DA SEMANA – O tratamento mediático do desaparecimento da jovem Joana e das investigações sobre o seu assassínio.



setembro 28, 2004

DEBATE – Apesar dos ataques pessoais iniciais – às vezes a roçarem a intriga - o debate em torno das eleições para Secretário-Geral significa um considerável avanço em termos da actividade partidária em Portugal. Na verdade trata-se de umas eleições primárias entre vários candidatos do mesmo partido, que durante umas semanas mostraram diferenças, expuseram divergências, delinearam estratégias e tácticas para o futuro. É um bom princípio – contraria a perversão do unanimismo, os debates redutores dos Congressos (cada vez menos interessantes...), estende a discussão à própria sociedade. É certo que o modelo das «primárias», nos Estados Unidos, dura vários meses e acaba por ser o processo determinante – lá as Convenções são apenas um ritual de celebração, mais mediático que outra coisa, e tão previsível que as próprias televisões já começaram a deixar de lhes dar grande importância. O PS foi o primeiro partido a seguir, e bem, esta via que, por acaso, já havia sido proposta para o PSD há uns anos por Pedro Santana Lopes.

AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?

PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?

BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.

O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.

O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.

A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?

SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.







Untitled

DEBATE – Apesar dos ataques pessoais iniciais – às vezes a roçarem a intriga - o debate em torno das eleições para Secretário-Geral significa um considerável avanço em termos da actividade partidária em Portugal. Na verdade trata-se de umas eleições primárias entre vários candidatos do mesmo partido, que durante umas semanas mostraram diferenças, expuseram divergências, delinearam estratégias e tácticas para o futuro. É um bom princípio – contraria a perversão do unanimismo, os debates redutores dos Congressos (cada vez menos interessantes...), estende a discussão à própria sociedade. É certo que o modelo das «primárias», nos Estados Unidos, dura vários meses e acaba por ser o processo determinante – lá as Convenções são apenas um ritual de celebração, mais mediático que outra coisa, e tão previsível que as próprias televisões já começaram a deixar de lhes dar grande importância. O PS foi o primeiro partido a seguir, e bem, esta via que, por acaso, já havia sido proposta para o PSD há uns anos por Pedro Santana Lopes.



AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?



PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?



BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.



O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.



O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.



A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?



SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.















setembro 23, 2004

MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.

ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.

MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »

BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.

O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.

O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.

A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?

SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.

Untitled

MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.



ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.



MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »



BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.



O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.



O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.



A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?



SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.

setembro 13, 2004

A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)

O NOVO QUOTIDIANO

TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.

POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».

AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.

SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.

ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.

DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.

O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.

O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.

A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).

Untitled

A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)



O NOVO QUOTIDIANO



TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.



POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».



AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.



SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.



ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.



DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.



O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.



O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.



A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?

SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).

setembro 10, 2004

POR OUTRA DIREITA

As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.

Untitled

POR OUTRA DIREITA



As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.

Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.

Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.

A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.

Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.

Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.

setembro 08, 2004

DA ESQUINA IMPRESSA...
UMA SEMANA CHEIA DE MAR...

O BARCO – Um método simples para conseguir bons resultados de comunicação é fazer uma provocação. Se quem fôr provocado reagir à provocação, o provocador verá o seu objectivo amplificado. Foi o que se passou com o barco do aborto: o sururu foi maior do que se o barco acostasse a fazer o seu folclore – do ponto de vista da acção que pretende implementar não faria mais do que está a fazer em alto mar, mas os ecos seriam bem menores em quantidade e duração. Assim lá teve que vir o Primeiro Ministro a terreiro tentar remediar a trapalhada em que o Governo escusadamente se envolveu.

RELIGIÃO – O fundamentalismo religioso é mau conselheiro. Nenhuma religião é verdade universal, nenhuma pode querer impôr a sua opinião. Na raiz da decisão do Governo sobre o barco do aborto prevaleceu não a Lei, mas a imposição arbitrária da opinião de uma religião sobre o assunto, no caso a Católica. A forma foi tão forçada que até uma das vozes com maior peso de opinião da Igreja Católica, D. Januário Torgal Ferreira, teve que vir a público manifestar uma abertura para discutir o assunto que os sectores mais fundamentalistas do Governo não souberam mostrar. Dá que pensar o facto de, no final, os efeitos da decisão terem levado o Primeiro Ministro e um Bispo ilustre a admitirem a necessidade de debater o que se quis impedir ser debatido – a alteração da legislação sobre o aborto. O barco ganhou mais em ficar ao largo do que em acostar a um porto – isso é que é a pura realidade. Assim tivémos uma semana cheia de políticoa a fazerem comícios no meio do mar.

FILM COMMISSION – Boa ideia a de criação de uma Film Commission (esperemos que seja uma, nacional, e não várias, regionais). Como há mais de uma dezena de anos estive ligado a uma das primeiras tentativas de criar uma estrutura semelhante, convém recordar que um factor de êxito de qualquer das Film Commissions desse mundo que tiveram êxito (Nova Zelândia, Quebec, Irlanda, etc) passa por garantir um pacote atraente e competitivo de incentivos fiscais e financeiros à filmagem e produção audiovisual em Portugal. O sol, o clima, as montanhas, as praias e o mar não chegam – nem os catálogos com bonitas fotografias, por melhores que eles sejam. Só atrairemos rodagens a sério se do ponto de vista financeiro fôr mesmo compensador vir aqui filmar. O resto é ilusão e folclore.


PS – José Sócrates recebeu o apoio de António Vitorino, reconheceu que o PS «devia ter governado melhor» e aponta como objectivo mínimo para Manuel Alegre 40% dos votos. Manuel Alegre propôs a revisão da Lei de bases da Segurança Social e diz que «há medo no PS». João Soares propõe não tributar o investimento atractivo e admite apoiar Alegre se houver segunda volta nas eleições internas.

PSD – Política é isto mesmo: marcar o terreno com um Congresso em Novembro, boa ideia a de fazer uma radiografia de Portugal, a de mudar a imagem, a de apostar nas novas tecnologias para comunicar com militantes e eleitorado, a de procurar contributos externos.

O MELHOR DA SEMANA - Pelos resultados obtidos, pela postura, pela convicção, o Presidente do Comité Olímpico português, Comandante Vicente Moura.

O PIOR DA SEMANA - O governo cubano agravou as condições de detenção do poeta dissidente Raul Rivero, restringindo as visitas e o acesso a medicamentos. Era bem vinda uma campanha de boicote ao turismo em Cuba enquanto o livre pensamento fôr perseguido naquele país.

PERGUNTA- Porque é que o IKEA de Lisboa é mais caro que o de Madrid e de outros da Europa?

Untitled

DA ESQUINA IMPRESSA...

UMA SEMANA CHEIA DE MAR...



O BARCO – Um método simples para conseguir bons resultados de comunicação é fazer uma provocação. Se quem fôr provocado reagir à provocação, o provocador verá o seu objectivo amplificado. Foi o que se passou com o barco do aborto: o sururu foi maior do que se o barco acostasse a fazer o seu folclore – do ponto de vista da acção que pretende implementar não faria mais do que está a fazer em alto mar, mas os ecos seriam bem menores em quantidade e duração. Assim lá teve que vir o Primeiro Ministro a terreiro tentar remediar a trapalhada em que o Governo escusadamente se envolveu.



RELIGIÃO – O fundamentalismo religioso é mau conselheiro. Nenhuma religião é verdade universal, nenhuma pode querer impôr a sua opinião. Na raiz da decisão do Governo sobre o barco do aborto prevaleceu não a Lei, mas a imposição arbitrária da opinião de uma religião sobre o assunto, no caso a Católica. A forma foi tão forçada que até uma das vozes com maior peso de opinião da Igreja Católica, D. Januário Torgal Ferreira, teve que vir a público manifestar uma abertura para discutir o assunto que os sectores mais fundamentalistas do Governo não souberam mostrar. Dá que pensar o facto de, no final, os efeitos da decisão terem levado o Primeiro Ministro e um Bispo ilustre a admitirem a necessidade de debater o que se quis impedir ser debatido – a alteração da legislação sobre o aborto. O barco ganhou mais em ficar ao largo do que em acostar a um porto – isso é que é a pura realidade. Assim tivémos uma semana cheia de políticoa a fazerem comícios no meio do mar.



FILM COMMISSION – Boa ideia a de criação de uma Film Commission (esperemos que seja uma, nacional, e não várias, regionais). Como há mais de uma dezena de anos estive ligado a uma das primeiras tentativas de criar uma estrutura semelhante, convém recordar que um factor de êxito de qualquer das Film Commissions desse mundo que tiveram êxito (Nova Zelândia, Quebec, Irlanda, etc) passa por garantir um pacote atraente e competitivo de incentivos fiscais e financeiros à filmagem e produção audiovisual em Portugal. O sol, o clima, as montanhas, as praias e o mar não chegam – nem os catálogos com bonitas fotografias, por melhores que eles sejam. Só atrairemos rodagens a sério se do ponto de vista financeiro fôr mesmo compensador vir aqui filmar. O resto é ilusão e folclore.





PS – José Sócrates recebeu o apoio de António Vitorino, reconheceu que o PS «devia ter governado melhor» e aponta como objectivo mínimo para Manuel Alegre 40% dos votos. Manuel Alegre propôs a revisão da Lei de bases da Segurança Social e diz que «há medo no PS». João Soares propõe não tributar o investimento atractivo e admite apoiar Alegre se houver segunda volta nas eleições internas.



PSD – Política é isto mesmo: marcar o terreno com um Congresso em Novembro, boa ideia a de fazer uma radiografia de Portugal, a de mudar a imagem, a de apostar nas novas tecnologias para comunicar com militantes e eleitorado, a de procurar contributos externos.



O MELHOR DA SEMANA - Pelos resultados obtidos, pela postura, pela convicção, o Presidente do Comité Olímpico português, Comandante Vicente Moura.



O PIOR DA SEMANA - O governo cubano agravou as condições de detenção do poeta dissidente Raul Rivero, restringindo as visitas e o acesso a medicamentos. Era bem vinda uma campanha de boicote ao turismo em Cuba enquanto o livre pensamento fôr perseguido naquele país.



PERGUNTA- Porque é que o IKEA de Lisboa é mais caro que o de Madrid e de outros da Europa?



agosto 30, 2004

A ESQUINA IMPRESSA
Na edição de sexta feira passada do «Jornal de Negócios» a Esquina rezava assim:
A ESQUINA DO RIO
(resumo dos dias que passam)

NO PAÍS – A negociação das transmissões televisivas da Super Liga, a interessante conjugação do trabalho de Trapattoni e de José Veiga e os respectivos resultados alcançados pelo Benfica deram o pontapé de saída; a admissão de erro por parte de Pinto da Costa na contratação de Del Neri e a nota oficial, declarando que a transmissão da final da Supertaça Europeia deve ser assegurada por um canal de sinal aberto, foram os episódios seguintes que dominaram a semana nacional, muito mais que a nova e importante Lei das Rendas que se vai discutir no início da nova sessão legislativa do Parlamento e que este jornal ontem aqui mostrou.

NO PS – Os três candidatos apresentaram as respectivas moções. João Soares apontou a regionalização como uma prioridade num partido que deseja «coerente, activo, interveniente e solidário». José Sócrates quer construir uma esquerda moderna e preconizou novos «Estados Gerais». Manuel Alegre propõe-se «modernizar o socialismo, modernizar a democracia, modernizar o país» e acusa Sócrates de ter o apoio de 95% do aparelho do partido. Uma sondagem on-line no site de João Soares dava a maioria dos votos a Sócrates com 51,7% dos votos dos mnilitantes socialistas. Numa sondagem idêntica no site da revista «Visão», quinta-feira de manhã, com cerca de 7000 votos expressos, Manuel Alegre recolhia 37,1%, José Sócrates 29,5% e João Soares 22,3%.

NO PSD – Reprogramações do Programa Pólis provocaram reacções diversas: Luis Filipe Menezes ameaçou demitir-se da Câmara de Gaia e provocar eleições antecipadas e Fernando Ruas, o autarca de Viseu que dirige a Associação Nacional de Municípios, admitiu que a programação financeira do Pólis seja ajustada à programação física do decorrer das obras. É mais que uma mera diferença de estilos – aqui estão duas maneiras de viver a política.

EM ATENAS: Todos os portugueses que conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos são exemplo para os desqualificados elementos da selecção de futebol e respectiva federação.

DÚVIDA: Rem Koolhaas foi o arquitecto autor do projecto da Casa da Música, obra iniciada em 1998 e que neste momento vai com uma factura três vezes superior ao plaaneado. Os seus projectos para a Biblioteca Municipal em Seattle e para o edifício da Tlevisão da China em Pequim são obras elogiadas em todo o mundo e que levantam as maiores expectativas. Seria curioso ouvi-lo sobre o que correu mal em Portugal.

NÚMEROS: Os Estados Unidos investem mais 130 mil milhões de euros que a União Europeia em investigação científica. A Suécia dedica ao assunto 4,3% do PIB, o Japão 3,1%, os Estados Unidos 2,7% e Portugal 0,9%.

MODA: Agências turísticas norte-americanas estão a oferecer excursões aos pontos visitados pelo personagem Robert Langdon no romance «O Codigo Da Vinci» por 2290 dolares e a procura é surpreendente. Em Milão formam-se filas enormes na Igreja de Santa Maria Della Grazie para ver o original da «Última Ceia» de Leonardo Da Vinci, obra que no mesmo livro se diz mostrar Maria Madalena (e não um apóstolo) do lado esquerdo de Jesus Cristo.

O MELHOR DA SEMANA: Nuno Cardoso, um cientista português, liderou a equipa que encontrou o mais pequeno planeta já descoberto fora do sistema solar.

O PIOR DA SEMANA: A sucessão de disparates em torno da questão das nomeações para os Gabinetes do Governo – falta de seriedade de quem acusa, falta de rigôr sobre uma matéria que está clara e transparente no «Diário da República». Demagogia, politiquice baixa e muito pouco moderna.

PERGUNTA: Porque é que o facto de Vladimir Putin ter salvo uma gaivota que estava com uma asa partida, caída à porta da sua casa de férias, dá notícia em tantos jornais?

SUGESTÃO: Uma ida ao cinema para ver o filme «Agente Triplo» de Eric Rohmer.


Untitled

A ESQUINA IMPRESSA

Na edição de sexta feira passada do «Jornal de Negócios» a Esquina rezava assim:

A ESQUINA DO RIO

(resumo dos dias que passam)



NO PAÍS – A negociação das transmissões televisivas da Super Liga, a interessante conjugação do trabalho de Trapattoni e de José Veiga e os respectivos resultados alcançados pelo Benfica deram o pontapé de saída; a admissão de erro por parte de Pinto da Costa na contratação de Del Neri e a nota oficial, declarando que a transmissão da final da Supertaça Europeia deve ser assegurada por um canal de sinal aberto, foram os episódios seguintes que dominaram a semana nacional, muito mais que a nova e importante Lei das Rendas que se vai discutir no início da nova sessão legislativa do Parlamento e que este jornal ontem aqui mostrou.



NO PS – Os três candidatos apresentaram as respectivas moções. João Soares apontou a regionalização como uma prioridade num partido que deseja «coerente, activo, interveniente e solidário». José Sócrates quer construir uma esquerda moderna e preconizou novos «Estados Gerais». Manuel Alegre propõe-se «modernizar o socialismo, modernizar a democracia, modernizar o país» e acusa Sócrates de ter o apoio de 95% do aparelho do partido. Uma sondagem on-line no site de João Soares dava a maioria dos votos a Sócrates com 51,7% dos votos dos mnilitantes socialistas. Numa sondagem idêntica no site da revista «Visão», quinta-feira de manhã, com cerca de 7000 votos expressos, Manuel Alegre recolhia 37,1%, José Sócrates 29,5% e João Soares 22,3%.



NO PSD – Reprogramações do Programa Pólis provocaram reacções diversas: Luis Filipe Menezes ameaçou demitir-se da Câmara de Gaia e provocar eleições antecipadas e Fernando Ruas, o autarca de Viseu que dirige a Associação Nacional de Municípios, admitiu que a programação financeira do Pólis seja ajustada à programação física do decorrer das obras. É mais que uma mera diferença de estilos – aqui estão duas maneiras de viver a política.



EM ATENAS: Todos os portugueses que conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos são exemplo para os desqualificados elementos da selecção de futebol e respectiva federação.



DÚVIDA: Rem Koolhaas foi o arquitecto autor do projecto da Casa da Música, obra iniciada em 1998 e que neste momento vai com uma factura três vezes superior ao plaaneado. Os seus projectos para a Biblioteca Municipal em Seattle e para o edifício da Tlevisão da China em Pequim são obras elogiadas em todo o mundo e que levantam as maiores expectativas. Seria curioso ouvi-lo sobre o que correu mal em Portugal.



NÚMEROS: Os Estados Unidos investem mais 130 mil milhões de euros que a União Europeia em investigação científica. A Suécia dedica ao assunto 4,3% do PIB, o Japão 3,1%, os Estados Unidos 2,7% e Portugal 0,9%.



MODA: Agências turísticas norte-americanas estão a oferecer excursões aos pontos visitados pelo personagem Robert Langdon no romance «O Codigo Da Vinci» por 2290 dolares e a procura é surpreendente. Em Milão formam-se filas enormes na Igreja de Santa Maria Della Grazie para ver o original da «Última Ceia» de Leonardo Da Vinci, obra que no mesmo livro se diz mostrar Maria Madalena (e não um apóstolo) do lado esquerdo de Jesus Cristo.



O MELHOR DA SEMANA: Nuno Cardoso, um cientista português, liderou a equipa que encontrou o mais pequeno planeta já descoberto fora do sistema solar.



O PIOR DA SEMANA: A sucessão de disparates em torno da questão das nomeações para os Gabinetes do Governo – falta de seriedade de quem acusa, falta de rigôr sobre uma matéria que está clara e transparente no «Diário da República». Demagogia, politiquice baixa e muito pouco moderna.



PERGUNTA: Porque é que o facto de Vladimir Putin ter salvo uma gaivota que estava com uma asa partida, caída à porta da sua casa de férias, dá notícia em tantos jornais?



SUGESTÃO: Uma ida ao cinema para ver o filme «Agente Triplo» de Eric Rohmer.





agosto 24, 2004

E AS FONTES, SENHORES?
Até que ponto deve um jornalista proteger a identidade das suas fontes? Aqui está o tema proposto para reflexão pela Columbia Journalism Review num artigo de Mark Bowen que dá que pensar.

Untitled

E AS FONTES, SENHORES?

Até que ponto deve um jornalista proteger a identidade das suas fontes? Aqui está o tema proposto para reflexão pela Columbia Journalism Review num artigo de Mark Bowen que dá que pensar.
PRADO COELHO TEM RAZÃO
Eduardo Prado Coelho escreveu hoje um texto que merece ficar guardado, porque toca no problema central que é a causa de grande parte dos problemas dos nossos políticos e da nossa imprensa: Ética precisa-se. Como de costume vem no Público, em «O Fio do Horizonte».

Untitled

PRADO COELHO TEM RAZÃO

Eduardo Prado Coelho escreveu hoje um texto que merece ficar guardado, porque toca no problema central que é a causa de grande parte dos problemas dos nossos políticos e da nossa imprensa: Ética precisa-se. Como de costume vem no Público, em «O Fio do Horizonte».
NOVO JORNALISMO
Ora leiam lá esta
The Internet is quickly becoming the world's primary source of information, writes Joe Trippi, the manager of Howard Dean's presidential campaign, in an opinion piece in the September issue of Wired. "Reporters begin every day by reading blogs. They're looking for the pulse of the people, for stories they might have missed. The blogosphere has become fundamental -- the plankton of the information ecology. ... In Iraq, the U.S. media is facing the same military censorship as they did during World War II. But skeptical Americans, hungry for real debate, can now go online and read foreign newspapers, listen to the BBC, and read blogs from people in other countries. The more homogeneous journalism becomes, the more it drives people to the Web. No newsroom, not at the New York Times or ABC, can scoop 100 million reporters
. Está no I Want Media

Untitled

NOVO JORNALISMO

Ora leiam lá esta
The Internet is quickly becoming the world's primary source of information, writes Joe Trippi, the manager of Howard Dean's presidential campaign, in an opinion piece in the September issue of Wired. "Reporters begin every day by reading blogs. They're looking for the pulse of the people, for stories they might have missed. The blogosphere has become fundamental -- the plankton of the information ecology. ... In Iraq, the U.S. media is facing the same military censorship as they did during World War II. But skeptical Americans, hungry for real debate, can now go online and read foreign newspapers, listen to the BBC, and read blogs from people in other countries. The more homogeneous journalism becomes, the more it drives people to the Web. No newsroom, not at the New York Times or ABC, can scoop 100 million reporters
. Está no I Want Media

agosto 23, 2004

MUITO OPORTUNO - PODER E IMPRENSA
No meio da discussão sobre formas de controle da imprensa pelo governo, o livrinho mostra que essa mistura além de explosiva pode ser letal para ambos.
- o livrinho de que se fala é «Getúlio Vargas e a Imprensa» e pode ter uma ideia do que lá se diz aqui

Untitled

MUITO OPORTUNO - PODER E IMPRENSA

No meio da discussão sobre formas de controle da imprensa pelo governo, o livrinho mostra que essa mistura além de explosiva pode ser letal para ambos.
- o livrinho de que se fala é «Getúlio Vargas e a Imprensa» e pode ter uma ideia do que lá se diz aqui
UMA DECISÃO HISTÓRICA
A indústria dos discos e a indústria do cinema vão atirar-se ao ar, mas esta decisão judicial reportada na WIRED vai fazer história.

Untitled

UMA DECISÃO HISTÓRICA

A indústria dos discos e a indústria do cinema vão atirar-se ao ar, mas esta decisão judicial reportada na WIRED vai fazer história.
SOBRE A BOLA
Uma bela prosa sobre futebóis no imprescindível no mínimo brasileiro.

Untitled

SOBRE A BOLA

Uma bela prosa sobre futebóis no imprescindível no mínimo brasileiro.