setembro 28, 2004

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DEBATE – Apesar dos ataques pessoais iniciais – às vezes a roçarem a intriga - o debate em torno das eleições para Secretário-Geral significa um considerável avanço em termos da actividade partidária em Portugal. Na verdade trata-se de umas eleições primárias entre vários candidatos do mesmo partido, que durante umas semanas mostraram diferenças, expuseram divergências, delinearam estratégias e tácticas para o futuro. É um bom princípio – contraria a perversão do unanimismo, os debates redutores dos Congressos (cada vez menos interessantes...), estende a discussão à própria sociedade. É certo que o modelo das «primárias», nos Estados Unidos, dura vários meses e acaba por ser o processo determinante – lá as Convenções são apenas um ritual de celebração, mais mediático que outra coisa, e tão previsível que as próprias televisões já começaram a deixar de lhes dar grande importância. O PS foi o primeiro partido a seguir, e bem, esta via que, por acaso, já havia sido proposta para o PSD há uns anos por Pedro Santana Lopes.



AULAS – Vale a pena recordar aqui uma questão básica: a primeira obrigação do Estado é em relação aos alunos. Isto parece uma evidência mas o que é facto é que, ao longo dos anos, o Ministério da Educação tem conseguido afastar-se progressivamente dos alunos, parecendo apostado em ser mais uma estrutura de defesa dos professores do que dos educandos. Acho que não é exagero dizer-se que todo o funcionamento do Ministério da Educação se organiza em torno das carreiras dos Professores, dos seus direitos, do que dos deveres do Estado para com os alunos e suas famílias. Talvez esteja aqui, nesta recorrente forma de pensar e trabalhar no Ministério da Educação ao longo de décadas, uma das explicações para todos os problemas que nos últimas semanas saltaram para a opinião pública. E este era um bom assunto a debater: quem deve o Ministério da Educação considerar uma prioridade?



PARLAMENTO – Leio nos jornais e não acredito: «deputados faltaram em massa ao debate sobre o novo código da estrada». O que se passa nas estradas portuguesas brada aos céus, a mudança do Código é imperiosa, a penalização severa das infracções é uma necessidade, a actualização dos conceitos e das regras uma evidência e os deputados não querem saber? Milhares de acidentes e de vítimas não são motivo suficiente para motivarem o plenário, que se enche por qualquer querela política de sgunda no período de antes da ordem do dia? Mas mais espantoso ainda é ter lido algures que alguma oposição classificava de repressivas em excesso algumas das novas medidas previstas. E como classificam a atitude do juiz que mandou em liberdade, sem medidas de coacção, sem sequer interdição de condução, o responsável por um acidente que numa noite destas matou duas jovens em pleno centro de Lisboa e ainda por cima se pôs em fuga?



BACK TO BASICS – Fazer é melhor que falar.



O MELHOR DA SEMANA – O terminal rodoviário foi para Sete Rios e no seu antigo local, no Arco do Cego, vai nascer um jardim. Aos poucos a cidade vai mudando.



O PIOR DA SEMANA – O Sporting- Marítimo.



A PERGUNTA – Será que os clubes de futebol não sabem que quando vendem direitos de transmissão dos jogos são supostos venderem espectáculo e não apenas imagens de 22 homens a correrem num relvado?



SUGESTÃO – A arrebatadora interpretação dos Scherzi e Impromptus de Chopin pelo pianista chinês Yundi Li, sim o do anúncio da Nike.















setembro 23, 2004

MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.

ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.

MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »

BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.

O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.

O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.

A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?

SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.

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MADONNA – O incontornável espectáculo do ano em Portugal ultrapassou em muito um concerto. A utilização dos audiovisuais em permanente contraponto, secundarizou os músicos, à partida colocados acessoriamente nos lados do palco, escondidos como as orquestras nos fossos dos teatros tradicionais. Um trabalho cénico a evocar muitas vezes a ópera transformou o Pavilhão Atlântico numa sala completamente diferente do que já conhecíamos. Em 1984, aquando do lançamento do seu primeiro disco, «Like A Virgin», escrevi no «Expresso» que estava a nascer uma estrela pop de um novo género, como até aí ainda não se conhecia, e que iria revolucionar espectáculo como nós o encarávamos. Não sou adivinho, mas os indícios estavam lá, nas letras, na pose, nas fotografias, na comunicação, nos materiais de promoção, nas entrevistas – alguns se riram do que consideraram, na altura, um exagero; pelos vistos, não foi. O facto de Lisboa e o seu Pavilhão terem sido escolhidos para palco da rodagem da digressão do DVD desta digressão vai ter boas consequências e dar ainda mais notoriedade ao Atlântico e à sua equipa técnica que tão bem acolhem as mais complexas produções. Sem uma sala como o Atlântico, vale a pena dizê-lo, mais dificilmente passariam por Lisboa alguns dos grandes concertos que nos têm visitado nos últimos anos. E vale a pena mantê-la no domínio público, porque ela é incontornável parte da cidade.



ALCOOLISMO – Ainda na semana passada foi divulgado um estudo que mostra números assustadores sobre o crescimento do consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens portugueses, com todas as consequências que isso traz. Perante uma situação como esta,como se pode encarar a moda surgida este ano numa das discotecas mais famosas do Algarve, direccionada para um público juvenil, que colocava o bar aberto, sem limites, para uma noite inteira, a 20 euros? Há muito que fazer na regulamentação das discotecas e da venda de bebidas alcoólicas.



MAÇONARIA – Vale a pena reter as palavras do artigo desta semana, no «Público», de Eduardo Cintra Torres: «Trinta anos depois da instauração da democracia, existem ainda sociedades secretas com membros em postos importantíssimos do Estado reivindicando a democracia, dizendo defender a democracia, dizendo-se até mais democráticos que outros, mas que não observam a mais elementar das regras da democracia: a participação aberta na sociedade aberta, a divulgação franca pelos seus membros dos objectivos da sua militância. O que significa ser maçon e ocupar um cargo no aparelho do Estado? Quais as consequências? No caso de um partido, tal é público ou semipúblico. E se o não é, há os "media" e há regras para se saber, dado que os partidos não estão fora do aparelho de Estado(...)E no caso de uma organização secreta? Conhecer os princípios dessa organização pouco me diz, pois todas as cartilhas devem ser confrontadas com as práticas e no caso de uma sociedade secreta não poderei sabê-lo e o Estado não tem meios de o saber nem de disponibilizar aos cidadãos a legítima informação a que têm direito. »



BACK TO BASICS – Os orgãos de soberania não devem interferir nos media, nem pressionar a sua programação ou linha editorial.



O MELHOR DA SEMANA – O magnífico novo anúncio do Sapo, da PT, na fotocopiadora, quer na versão de televisão, quer na de rádio.



O PIOR DA SEMANA – A TV Cabo continua sem colocar o Fashion TV no seu acesso universal, mantendo-o apenas no restrito universo digital. Resta-me o consolo de ao fim de semana poder ver Fashion TV na Cabovisão.



A PERGUNTA – Qual será a entidade, que agrupa vários partidos, que acha que Portugal é o Burkina Faso em matéria de utilização dos orgãos de comunicação?



SUGESTÃO – O livro para crianças de Miguel Sousa Tavares, «O Segredo do Rio», com ilustrações de Fernanda Fragateiro.

setembro 13, 2004

A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)

O NOVO QUOTIDIANO

TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.

POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».

AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.

SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.

ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.

DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.

O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.

O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.

A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?
SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).

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A ESQUINA IMPRESSA ( da edição de sexta-feira passada do «Jornal de Negócios»)



O NOVO QUOTIDIANO



TERROR – Três anos depois do 11 de Setembro o terror instalou-se no nosso quotidiano e esta é a maior perversidade da História recente. Agora, de seis em seis meses, o mundo assiste a uma catástrofe: em Março foi em Espanha, a semana passada na escola de Beslam. A ausência de respeito pela vida humana tornou-se um hábito. Os atentados terroristas entraram na mais cruel das rotinas e de seis em seis meses provocam centenas de mortos. O Mundo está a mudar e não é para melhor. A intolerância política e religiosa leva-nos para um abismo.



POLÍTICA – Muito curioso o artigo da edição de Setembro da revista «Wired» sobre a nova política que começa a aparecer nos Estados Unidos, radicais que ganham flexibilidade, desenvolvem a sua acção à margem dos partidos e dominam a comunicação directa com os eleitores. Um ponto de vista moderado, liberal do ponto de vista social, e conservador do ponto de vista económico, posiciona estes políticos como à esquerda dos Republicanos e à direita dos Democratas. O exemplo apontado de caso de sucesso nesta linha é o de Arnorld Schwarzenegger, apontado como o melhor governador da Califórnia dos últimos anos, com taxas de reconhecimento superiores a 60%. O artigo sublinha ainda o papel dos novos media na angariação de fundos e na publicidade e defende que as novas técnicas de marketing político «funcionam com uma geração desiludida pela política convencional».



AGITAÇÃO – O último trimestre do ano promete ser quente, do ponto de vista político. Primeiro a disputada votação para Secretário Geral do PS, depois o Congresso deste partido nos dias 1, 2 e 3 de Outubro. Logo a seguir as eleições regionais nos Açores e Madeira a 17 de Outubro. A 12 e 14 de Novembro o PSD faz Congresso e pelo meio renova imagem e procura ganhar a participação de independentes. E, a terminar, o PCP também reúne congresso nos dias 26,27 e 28 de Novembro. Aguarda-se que o PP diga como fecha o ciclo – o seu site na net continua inacessível.



SOL – A sonda Genesis despenhou-se e com ela o trabalho de três anos, 850 dias de pesquisa sobre a origem da composição do sistema solar há 45 biliões de anos atrás. Pesada factura para a NASA: 264 milhões de dolares. Mas fica o exemplo do que é a percepção da necessidade do investimento no conhecimento, na descoberta.



ABORTO – Uma reportagem na «Visão» diz-nos que dez mil mulheres portuguesas abortam por ano em Espoanha, três mil das quais aqui mesmo ao lado, em Badajoz. O fundamentalismo aliado à hipocrisia produz uma mistura explosiva.



DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS – Não é verdade que os gostos não se discutem .Os gostos devem discutir-se. Têm que se discutir, para não ficarmos todos iguais.



O MELHOR DA SEMANA – A atribuição de um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, em homenagem à obra do cineasta português Manoel de Oliveira.



O PIOR DA SEMANA – A Galp não conseguiu comprar a rêde da Shell em Espanha.



A PERGUNTA – Porque será que o PCP perdeu 50 000 militantes nos últimos quatro anos?

SUGESTÃO–Os petiscos de comida caseira do Apuradinho, na Rua de Campolide (213880501).

setembro 10, 2004

POR OUTRA DIREITA

As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.
Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.
Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.
A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.
Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.
Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.

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POR OUTRA DIREITA



As últimas semanas ficam marcadas por dois grandes debates: um, no interior do PS, em torno das três candidaturas a Secretário-Geral; e o que nasceu em torno da proibição de entrada em Portugal do chamado «Barco do Aborto». As duas têm um ponto em comum: a evidência de que na sociedade portuguesa ainda existe pouco hábito de discussão, de apresentação e coexistência de ideias divergentes.

Em ambos os casos verifica-se a demonização da «heresia»: a modernidade da esquerda que José Sócrates procura; e a contestação ao dogma da Igreja católica sobre o aborto.

Uma sociedade contemporânea não pode viver refém de religiões – o resultado extremo está à vista com o que se passa em torno dos radicais islâmicos. Quando são as posições religiosas a mandar na política, o mundo anda para trás e não para a frente. Está escrito, a sangue, na História.

A sociedade portuguesa – mesmo fora do círculo político – tem pouco hábito de reflectir, interpretar, descodificar, analisar e perspectivar. Teoriza-se pouco em Portugal – pensa-se pouquiíssimo - reage-se por instinto, discute-se politiquice em vez de políticas. Governar tem sido sobretudo resolver crises e não provocar mudanças.

Existe um estigma na direita portuguesa que é uma enorme falta de autonomia de pensamento, de criação de ideias, de inovação.As mais das vezes a direita é esteticamente triste e pobre, objectivamente cultiva o mau gosto em nome do popularucho. Falta uma direita liberal, radical e livre, inovadora e criativa, não submetida a religiões ou grupos de influência, de facto uma direita moderna.

Na realidade falta modernidade na política portuguesa, à esquerda e à direita – é essa a maior lição das últimas semanas.

setembro 08, 2004

DA ESQUINA IMPRESSA...
UMA SEMANA CHEIA DE MAR...

O BARCO – Um método simples para conseguir bons resultados de comunicação é fazer uma provocação. Se quem fôr provocado reagir à provocação, o provocador verá o seu objectivo amplificado. Foi o que se passou com o barco do aborto: o sururu foi maior do que se o barco acostasse a fazer o seu folclore – do ponto de vista da acção que pretende implementar não faria mais do que está a fazer em alto mar, mas os ecos seriam bem menores em quantidade e duração. Assim lá teve que vir o Primeiro Ministro a terreiro tentar remediar a trapalhada em que o Governo escusadamente se envolveu.

RELIGIÃO – O fundamentalismo religioso é mau conselheiro. Nenhuma religião é verdade universal, nenhuma pode querer impôr a sua opinião. Na raiz da decisão do Governo sobre o barco do aborto prevaleceu não a Lei, mas a imposição arbitrária da opinião de uma religião sobre o assunto, no caso a Católica. A forma foi tão forçada que até uma das vozes com maior peso de opinião da Igreja Católica, D. Januário Torgal Ferreira, teve que vir a público manifestar uma abertura para discutir o assunto que os sectores mais fundamentalistas do Governo não souberam mostrar. Dá que pensar o facto de, no final, os efeitos da decisão terem levado o Primeiro Ministro e um Bispo ilustre a admitirem a necessidade de debater o que se quis impedir ser debatido – a alteração da legislação sobre o aborto. O barco ganhou mais em ficar ao largo do que em acostar a um porto – isso é que é a pura realidade. Assim tivémos uma semana cheia de políticoa a fazerem comícios no meio do mar.

FILM COMMISSION – Boa ideia a de criação de uma Film Commission (esperemos que seja uma, nacional, e não várias, regionais). Como há mais de uma dezena de anos estive ligado a uma das primeiras tentativas de criar uma estrutura semelhante, convém recordar que um factor de êxito de qualquer das Film Commissions desse mundo que tiveram êxito (Nova Zelândia, Quebec, Irlanda, etc) passa por garantir um pacote atraente e competitivo de incentivos fiscais e financeiros à filmagem e produção audiovisual em Portugal. O sol, o clima, as montanhas, as praias e o mar não chegam – nem os catálogos com bonitas fotografias, por melhores que eles sejam. Só atrairemos rodagens a sério se do ponto de vista financeiro fôr mesmo compensador vir aqui filmar. O resto é ilusão e folclore.


PS – José Sócrates recebeu o apoio de António Vitorino, reconheceu que o PS «devia ter governado melhor» e aponta como objectivo mínimo para Manuel Alegre 40% dos votos. Manuel Alegre propôs a revisão da Lei de bases da Segurança Social e diz que «há medo no PS». João Soares propõe não tributar o investimento atractivo e admite apoiar Alegre se houver segunda volta nas eleições internas.

PSD – Política é isto mesmo: marcar o terreno com um Congresso em Novembro, boa ideia a de fazer uma radiografia de Portugal, a de mudar a imagem, a de apostar nas novas tecnologias para comunicar com militantes e eleitorado, a de procurar contributos externos.

O MELHOR DA SEMANA - Pelos resultados obtidos, pela postura, pela convicção, o Presidente do Comité Olímpico português, Comandante Vicente Moura.

O PIOR DA SEMANA - O governo cubano agravou as condições de detenção do poeta dissidente Raul Rivero, restringindo as visitas e o acesso a medicamentos. Era bem vinda uma campanha de boicote ao turismo em Cuba enquanto o livre pensamento fôr perseguido naquele país.

PERGUNTA- Porque é que o IKEA de Lisboa é mais caro que o de Madrid e de outros da Europa?

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DA ESQUINA IMPRESSA...

UMA SEMANA CHEIA DE MAR...



O BARCO – Um método simples para conseguir bons resultados de comunicação é fazer uma provocação. Se quem fôr provocado reagir à provocação, o provocador verá o seu objectivo amplificado. Foi o que se passou com o barco do aborto: o sururu foi maior do que se o barco acostasse a fazer o seu folclore – do ponto de vista da acção que pretende implementar não faria mais do que está a fazer em alto mar, mas os ecos seriam bem menores em quantidade e duração. Assim lá teve que vir o Primeiro Ministro a terreiro tentar remediar a trapalhada em que o Governo escusadamente se envolveu.



RELIGIÃO – O fundamentalismo religioso é mau conselheiro. Nenhuma religião é verdade universal, nenhuma pode querer impôr a sua opinião. Na raiz da decisão do Governo sobre o barco do aborto prevaleceu não a Lei, mas a imposição arbitrária da opinião de uma religião sobre o assunto, no caso a Católica. A forma foi tão forçada que até uma das vozes com maior peso de opinião da Igreja Católica, D. Januário Torgal Ferreira, teve que vir a público manifestar uma abertura para discutir o assunto que os sectores mais fundamentalistas do Governo não souberam mostrar. Dá que pensar o facto de, no final, os efeitos da decisão terem levado o Primeiro Ministro e um Bispo ilustre a admitirem a necessidade de debater o que se quis impedir ser debatido – a alteração da legislação sobre o aborto. O barco ganhou mais em ficar ao largo do que em acostar a um porto – isso é que é a pura realidade. Assim tivémos uma semana cheia de políticoa a fazerem comícios no meio do mar.



FILM COMMISSION – Boa ideia a de criação de uma Film Commission (esperemos que seja uma, nacional, e não várias, regionais). Como há mais de uma dezena de anos estive ligado a uma das primeiras tentativas de criar uma estrutura semelhante, convém recordar que um factor de êxito de qualquer das Film Commissions desse mundo que tiveram êxito (Nova Zelândia, Quebec, Irlanda, etc) passa por garantir um pacote atraente e competitivo de incentivos fiscais e financeiros à filmagem e produção audiovisual em Portugal. O sol, o clima, as montanhas, as praias e o mar não chegam – nem os catálogos com bonitas fotografias, por melhores que eles sejam. Só atrairemos rodagens a sério se do ponto de vista financeiro fôr mesmo compensador vir aqui filmar. O resto é ilusão e folclore.





PS – José Sócrates recebeu o apoio de António Vitorino, reconheceu que o PS «devia ter governado melhor» e aponta como objectivo mínimo para Manuel Alegre 40% dos votos. Manuel Alegre propôs a revisão da Lei de bases da Segurança Social e diz que «há medo no PS». João Soares propõe não tributar o investimento atractivo e admite apoiar Alegre se houver segunda volta nas eleições internas.



PSD – Política é isto mesmo: marcar o terreno com um Congresso em Novembro, boa ideia a de fazer uma radiografia de Portugal, a de mudar a imagem, a de apostar nas novas tecnologias para comunicar com militantes e eleitorado, a de procurar contributos externos.



O MELHOR DA SEMANA - Pelos resultados obtidos, pela postura, pela convicção, o Presidente do Comité Olímpico português, Comandante Vicente Moura.



O PIOR DA SEMANA - O governo cubano agravou as condições de detenção do poeta dissidente Raul Rivero, restringindo as visitas e o acesso a medicamentos. Era bem vinda uma campanha de boicote ao turismo em Cuba enquanto o livre pensamento fôr perseguido naquele país.



PERGUNTA- Porque é que o IKEA de Lisboa é mais caro que o de Madrid e de outros da Europa?



agosto 30, 2004

A ESQUINA IMPRESSA
Na edição de sexta feira passada do «Jornal de Negócios» a Esquina rezava assim:
A ESQUINA DO RIO
(resumo dos dias que passam)

NO PAÍS – A negociação das transmissões televisivas da Super Liga, a interessante conjugação do trabalho de Trapattoni e de José Veiga e os respectivos resultados alcançados pelo Benfica deram o pontapé de saída; a admissão de erro por parte de Pinto da Costa na contratação de Del Neri e a nota oficial, declarando que a transmissão da final da Supertaça Europeia deve ser assegurada por um canal de sinal aberto, foram os episódios seguintes que dominaram a semana nacional, muito mais que a nova e importante Lei das Rendas que se vai discutir no início da nova sessão legislativa do Parlamento e que este jornal ontem aqui mostrou.

NO PS – Os três candidatos apresentaram as respectivas moções. João Soares apontou a regionalização como uma prioridade num partido que deseja «coerente, activo, interveniente e solidário». José Sócrates quer construir uma esquerda moderna e preconizou novos «Estados Gerais». Manuel Alegre propõe-se «modernizar o socialismo, modernizar a democracia, modernizar o país» e acusa Sócrates de ter o apoio de 95% do aparelho do partido. Uma sondagem on-line no site de João Soares dava a maioria dos votos a Sócrates com 51,7% dos votos dos mnilitantes socialistas. Numa sondagem idêntica no site da revista «Visão», quinta-feira de manhã, com cerca de 7000 votos expressos, Manuel Alegre recolhia 37,1%, José Sócrates 29,5% e João Soares 22,3%.

NO PSD – Reprogramações do Programa Pólis provocaram reacções diversas: Luis Filipe Menezes ameaçou demitir-se da Câmara de Gaia e provocar eleições antecipadas e Fernando Ruas, o autarca de Viseu que dirige a Associação Nacional de Municípios, admitiu que a programação financeira do Pólis seja ajustada à programação física do decorrer das obras. É mais que uma mera diferença de estilos – aqui estão duas maneiras de viver a política.

EM ATENAS: Todos os portugueses que conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos são exemplo para os desqualificados elementos da selecção de futebol e respectiva federação.

DÚVIDA: Rem Koolhaas foi o arquitecto autor do projecto da Casa da Música, obra iniciada em 1998 e que neste momento vai com uma factura três vezes superior ao plaaneado. Os seus projectos para a Biblioteca Municipal em Seattle e para o edifício da Tlevisão da China em Pequim são obras elogiadas em todo o mundo e que levantam as maiores expectativas. Seria curioso ouvi-lo sobre o que correu mal em Portugal.

NÚMEROS: Os Estados Unidos investem mais 130 mil milhões de euros que a União Europeia em investigação científica. A Suécia dedica ao assunto 4,3% do PIB, o Japão 3,1%, os Estados Unidos 2,7% e Portugal 0,9%.

MODA: Agências turísticas norte-americanas estão a oferecer excursões aos pontos visitados pelo personagem Robert Langdon no romance «O Codigo Da Vinci» por 2290 dolares e a procura é surpreendente. Em Milão formam-se filas enormes na Igreja de Santa Maria Della Grazie para ver o original da «Última Ceia» de Leonardo Da Vinci, obra que no mesmo livro se diz mostrar Maria Madalena (e não um apóstolo) do lado esquerdo de Jesus Cristo.

O MELHOR DA SEMANA: Nuno Cardoso, um cientista português, liderou a equipa que encontrou o mais pequeno planeta já descoberto fora do sistema solar.

O PIOR DA SEMANA: A sucessão de disparates em torno da questão das nomeações para os Gabinetes do Governo – falta de seriedade de quem acusa, falta de rigôr sobre uma matéria que está clara e transparente no «Diário da República». Demagogia, politiquice baixa e muito pouco moderna.

PERGUNTA: Porque é que o facto de Vladimir Putin ter salvo uma gaivota que estava com uma asa partida, caída à porta da sua casa de férias, dá notícia em tantos jornais?

SUGESTÃO: Uma ida ao cinema para ver o filme «Agente Triplo» de Eric Rohmer.


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A ESQUINA IMPRESSA

Na edição de sexta feira passada do «Jornal de Negócios» a Esquina rezava assim:

A ESQUINA DO RIO

(resumo dos dias que passam)



NO PAÍS – A negociação das transmissões televisivas da Super Liga, a interessante conjugação do trabalho de Trapattoni e de José Veiga e os respectivos resultados alcançados pelo Benfica deram o pontapé de saída; a admissão de erro por parte de Pinto da Costa na contratação de Del Neri e a nota oficial, declarando que a transmissão da final da Supertaça Europeia deve ser assegurada por um canal de sinal aberto, foram os episódios seguintes que dominaram a semana nacional, muito mais que a nova e importante Lei das Rendas que se vai discutir no início da nova sessão legislativa do Parlamento e que este jornal ontem aqui mostrou.



NO PS – Os três candidatos apresentaram as respectivas moções. João Soares apontou a regionalização como uma prioridade num partido que deseja «coerente, activo, interveniente e solidário». José Sócrates quer construir uma esquerda moderna e preconizou novos «Estados Gerais». Manuel Alegre propõe-se «modernizar o socialismo, modernizar a democracia, modernizar o país» e acusa Sócrates de ter o apoio de 95% do aparelho do partido. Uma sondagem on-line no site de João Soares dava a maioria dos votos a Sócrates com 51,7% dos votos dos mnilitantes socialistas. Numa sondagem idêntica no site da revista «Visão», quinta-feira de manhã, com cerca de 7000 votos expressos, Manuel Alegre recolhia 37,1%, José Sócrates 29,5% e João Soares 22,3%.



NO PSD – Reprogramações do Programa Pólis provocaram reacções diversas: Luis Filipe Menezes ameaçou demitir-se da Câmara de Gaia e provocar eleições antecipadas e Fernando Ruas, o autarca de Viseu que dirige a Associação Nacional de Municípios, admitiu que a programação financeira do Pólis seja ajustada à programação física do decorrer das obras. É mais que uma mera diferença de estilos – aqui estão duas maneiras de viver a política.



EM ATENAS: Todos os portugueses que conquistaram medalhas nos Jogos Olímpicos são exemplo para os desqualificados elementos da selecção de futebol e respectiva federação.



DÚVIDA: Rem Koolhaas foi o arquitecto autor do projecto da Casa da Música, obra iniciada em 1998 e que neste momento vai com uma factura três vezes superior ao plaaneado. Os seus projectos para a Biblioteca Municipal em Seattle e para o edifício da Tlevisão da China em Pequim são obras elogiadas em todo o mundo e que levantam as maiores expectativas. Seria curioso ouvi-lo sobre o que correu mal em Portugal.



NÚMEROS: Os Estados Unidos investem mais 130 mil milhões de euros que a União Europeia em investigação científica. A Suécia dedica ao assunto 4,3% do PIB, o Japão 3,1%, os Estados Unidos 2,7% e Portugal 0,9%.



MODA: Agências turísticas norte-americanas estão a oferecer excursões aos pontos visitados pelo personagem Robert Langdon no romance «O Codigo Da Vinci» por 2290 dolares e a procura é surpreendente. Em Milão formam-se filas enormes na Igreja de Santa Maria Della Grazie para ver o original da «Última Ceia» de Leonardo Da Vinci, obra que no mesmo livro se diz mostrar Maria Madalena (e não um apóstolo) do lado esquerdo de Jesus Cristo.



O MELHOR DA SEMANA: Nuno Cardoso, um cientista português, liderou a equipa que encontrou o mais pequeno planeta já descoberto fora do sistema solar.



O PIOR DA SEMANA: A sucessão de disparates em torno da questão das nomeações para os Gabinetes do Governo – falta de seriedade de quem acusa, falta de rigôr sobre uma matéria que está clara e transparente no «Diário da República». Demagogia, politiquice baixa e muito pouco moderna.



PERGUNTA: Porque é que o facto de Vladimir Putin ter salvo uma gaivota que estava com uma asa partida, caída à porta da sua casa de férias, dá notícia em tantos jornais?



SUGESTÃO: Uma ida ao cinema para ver o filme «Agente Triplo» de Eric Rohmer.





agosto 24, 2004

E AS FONTES, SENHORES?
Até que ponto deve um jornalista proteger a identidade das suas fontes? Aqui está o tema proposto para reflexão pela Columbia Journalism Review num artigo de Mark Bowen que dá que pensar.

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E AS FONTES, SENHORES?

Até que ponto deve um jornalista proteger a identidade das suas fontes? Aqui está o tema proposto para reflexão pela Columbia Journalism Review num artigo de Mark Bowen que dá que pensar.
PRADO COELHO TEM RAZÃO
Eduardo Prado Coelho escreveu hoje um texto que merece ficar guardado, porque toca no problema central que é a causa de grande parte dos problemas dos nossos políticos e da nossa imprensa: Ética precisa-se. Como de costume vem no Público, em «O Fio do Horizonte».

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PRADO COELHO TEM RAZÃO

Eduardo Prado Coelho escreveu hoje um texto que merece ficar guardado, porque toca no problema central que é a causa de grande parte dos problemas dos nossos políticos e da nossa imprensa: Ética precisa-se. Como de costume vem no Público, em «O Fio do Horizonte».
NOVO JORNALISMO
Ora leiam lá esta
The Internet is quickly becoming the world's primary source of information, writes Joe Trippi, the manager of Howard Dean's presidential campaign, in an opinion piece in the September issue of Wired. "Reporters begin every day by reading blogs. They're looking for the pulse of the people, for stories they might have missed. The blogosphere has become fundamental -- the plankton of the information ecology. ... In Iraq, the U.S. media is facing the same military censorship as they did during World War II. But skeptical Americans, hungry for real debate, can now go online and read foreign newspapers, listen to the BBC, and read blogs from people in other countries. The more homogeneous journalism becomes, the more it drives people to the Web. No newsroom, not at the New York Times or ABC, can scoop 100 million reporters
. Está no I Want Media

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NOVO JORNALISMO

Ora leiam lá esta
The Internet is quickly becoming the world's primary source of information, writes Joe Trippi, the manager of Howard Dean's presidential campaign, in an opinion piece in the September issue of Wired. "Reporters begin every day by reading blogs. They're looking for the pulse of the people, for stories they might have missed. The blogosphere has become fundamental -- the plankton of the information ecology. ... In Iraq, the U.S. media is facing the same military censorship as they did during World War II. But skeptical Americans, hungry for real debate, can now go online and read foreign newspapers, listen to the BBC, and read blogs from people in other countries. The more homogeneous journalism becomes, the more it drives people to the Web. No newsroom, not at the New York Times or ABC, can scoop 100 million reporters
. Está no I Want Media

agosto 23, 2004

MUITO OPORTUNO - PODER E IMPRENSA
No meio da discussão sobre formas de controle da imprensa pelo governo, o livrinho mostra que essa mistura além de explosiva pode ser letal para ambos.
- o livrinho de que se fala é «Getúlio Vargas e a Imprensa» e pode ter uma ideia do que lá se diz aqui

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MUITO OPORTUNO - PODER E IMPRENSA

No meio da discussão sobre formas de controle da imprensa pelo governo, o livrinho mostra que essa mistura além de explosiva pode ser letal para ambos.
- o livrinho de que se fala é «Getúlio Vargas e a Imprensa» e pode ter uma ideia do que lá se diz aqui
UMA DECISÃO HISTÓRICA
A indústria dos discos e a indústria do cinema vão atirar-se ao ar, mas esta decisão judicial reportada na WIRED vai fazer história.

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UMA DECISÃO HISTÓRICA

A indústria dos discos e a indústria do cinema vão atirar-se ao ar, mas esta decisão judicial reportada na WIRED vai fazer história.
SOBRE A BOLA
Uma bela prosa sobre futebóis no imprescindível no mínimo brasileiro.

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SOBRE A BOLA

Uma bela prosa sobre futebóis no imprescindível no mínimo brasileiro.

agosto 22, 2004

DE «O INDEPENDENTE
da passada sexta-feira:

INFORMAÇÃO E JUSTIÇA

Durante o último ano tornou-se evidente que Portugal vivia uma crise de costumes e uma grave crise na Justiça. Nas últimas semanas tornou-se patente que a crise na imprensa e no jornalismo é tão grande quanto a que existe na Justiça – e os problemas no jornalismo português evidenciam-se particularmente quando se trata de abordar casos precisamente na área da Justiça e do comportamento social.
O que se passou nas últimas semanas veio apenas mostrar o que muita gente já intuía: as notícias sobre processos judiciais em curso emanam dos próprios orgãos de investigação, existem relações de promiscuidade entre polícias, magistrados e jornalistas. Há quem ache que a divulgação pública de uma suspeita pode fazer acelerar uma investigação, há quem ache que se pode publicar tudo o que se ouve. Quando se entra neste registo não há limites e cedo começou a existir contra-informação, vinda de todos os lados.
O sistema Judicial é suposto ter por objectivo garantir a igualdade dos cidadãos perante a Lei. Como se sabe isso está longe de acontecer. Os jornalistas são supostos reportar factos, procurar a verdade e fugir a manipulações. Como se sabe isto não tem acontecido.
Recentemente alguns grandes jornais norte-americanos fizeram um pacto simples e que por si só resolve muitos dos problemas: não se publicam notícias de fontes não identificadas. So há notícia se houver fonte identificada a responsabilizar-se por ela. Pode ser que se percam algumas coisas, mas ganha-se a guerra contra o boato, ganha-se a guerra contra as manobras de contra-informação, contra as suspeitas lançadas por anónimos. Ganha-se mais do que se perde. E, a médio prazo, os jornais ganham credibilidade e a confiança dos leitores, sem terem que recorrer a violações de segredos de justiça dados por fontes não identificadas. Isto é simples e básico – e este é um daqueles momentos em que temos que voltar aos princípios.

Manuel Falcão

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DE «O INDEPENDENTE

da passada sexta-feira:



INFORMAÇÃO E JUSTIÇA



Durante o último ano tornou-se evidente que Portugal vivia uma crise de costumes e uma grave crise na Justiça. Nas últimas semanas tornou-se patente que a crise na imprensa e no jornalismo é tão grande quanto a que existe na Justiça – e os problemas no jornalismo português evidenciam-se particularmente quando se trata de abordar casos precisamente na área da Justiça e do comportamento social.

O que se passou nas últimas semanas veio apenas mostrar o que muita gente já intuía: as notícias sobre processos judiciais em curso emanam dos próprios orgãos de investigação, existem relações de promiscuidade entre polícias, magistrados e jornalistas. Há quem ache que a divulgação pública de uma suspeita pode fazer acelerar uma investigação, há quem ache que se pode publicar tudo o que se ouve. Quando se entra neste registo não há limites e cedo começou a existir contra-informação, vinda de todos os lados.

O sistema Judicial é suposto ter por objectivo garantir a igualdade dos cidadãos perante a Lei. Como se sabe isso está longe de acontecer. Os jornalistas são supostos reportar factos, procurar a verdade e fugir a manipulações. Como se sabe isto não tem acontecido.

Recentemente alguns grandes jornais norte-americanos fizeram um pacto simples e que por si só resolve muitos dos problemas: não se publicam notícias de fontes não identificadas. So há notícia se houver fonte identificada a responsabilizar-se por ela. Pode ser que se percam algumas coisas, mas ganha-se a guerra contra o boato, ganha-se a guerra contra as manobras de contra-informação, contra as suspeitas lançadas por anónimos. Ganha-se mais do que se perde. E, a médio prazo, os jornais ganham credibilidade e a confiança dos leitores, sem terem que recorrer a violações de segredos de justiça dados por fontes não identificadas. Isto é simples e básico – e este é um daqueles momentos em que temos que voltar aos princípios.



Manuel Falcão

A ESQUINA IMPRESSA
Aqui fica a Esquina de sexta passada, no Jornal de Negócios:
PORTUGAL:
João Soares defendeu que devem ser tornados públicos os rendimentos dos dirigentes socialistas, nomeadamente os que ocupam ou ocuparam cargos oficiais. António Costa criticou Manuel Alegre acusando-o de se comportar como «detentor da verdade sagrada» e «guardião do templo».António Mega Ferreira elogiou Manuel Alegre. Emídio Rangel elogiou José Sócrates. Siza Vieira elogiou João Soares. Não vai haver frente a frente entre os candidatos à liderança do PS, apenas um debate entre os três. O Procurador Geral da República sobreviveu à crise gerada pela divulgação de conversas entre um jornalista e a porta-voz da procuradoria onde terá sido violado o segredo de justiça. Em Julho foram detidas 28 pessoas, só no distrito de Vila Real, sob suspeita de fogo posto. A aplicação do novo Código do Trabalho gerou uma queda de 69,4%nas convenções colectivas no 2º trimestre deste ano. 4200 estabelecimentos de ensino pré-escolar vão receber computadores e software numa iniciativa cooordenada pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Uma das mais prestigiadas agências de avaliação financeira, a Moody’s, elaborou um relatório sobre a cidade de Lisboa que considera como boas a gestão da cidade, a capacidade de crédito do município e os planos de desenvolvimento da cidade. A Procuradoria Geral da República considerou que Carmona Rodrigues tem todas as condições para exercer o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, situação que era contestada pela oposição Ao fim do primeiro mês em funções os primeiros balanços publicados da actuação do Governo são positivos. A Galp comprou os direitos à exploração em 20 blocos petrolíferos no Brasil.
A prestação portuguesa nos jogos olímpicos tem sido abaixo das expectativas. A imprensa classificou de «humilhante» a actuação da equipa de futebol portuguesa nos Jogos Olímpicos. Luis Figo anunciou que deixaria de integrar a Selecção Nacional. Portugal foi recordista europeu nos valores totais de transacção de jogadores de futebol nesta pré-época.

LÁ FORA:
Durão Barroso foi muito elogiado pela forma como constituíu a equipa de comissários europeus – um bom táctico com sentido de euilíbrio é o resumo das apreciações da imprensa internacional. Numa sondagem publicada esta semana, 95% dos irlandeses declararam-se a favor das rígidas proibições de fumar em locais públicos adoptados este ano. Em Itália 12 clubes de futebol foram acusados de estarem envolvidos em apostas ilegais. Hugo Chávez ganhou o referendo na Venezuela e continua Presidente da República. Uma mulher foi condenada na República Popular da China por gerir um site de strip-tease. Donald Trump anunciou falência mais uma vez e os direitos à utilização da marca Trump ficaram nas mãos do banco de investimentos Credit Suisse First Bonston. Com 89 anos morreu Paul Neal «red» Adair, o homem que se tornou célebre a apagar os mais difíceis incênciso em poços de petróleo e refinarias. As acções da Google foram postas à venda a 85 dolares, o que projecta o valor da companhia para 23 mil milhões de dolares; Google, o motor de busca na internet mais utilizado no Mundo com 200 milhões de utilizadores diários, colocou à venda 19,6 milhões de acções, cerca de 15% do total da companhia. Entre 2 e 12 de Agosto, a cadeia de televisão norte-americanas ABC apresentou a cobertura mais favorável a John Kerry e no mesmo período a NBC teve a cobertura mais negativa em relação ao presidente Bush, segundo o Media Tenor Institute, uma organização independente.

O MELHOR DA SEMANA: O bom ambiente da renovada Trattoria (Rua Artilharia Um 79), quer no buffet de almoço quer à noite, sobretudo às quintas-feiras. Em qualquer dia vale a pena provar os escalopes com molho de limão. Fantásticos.

O PIOR DA SEMANA: Ver o Tejo aos quadradinhos por causa das redes com arame farpado instaladas no Porto de Lisboa. Mais uma vez a cidade é afastada do seu rio.

A VERGONHA: No primeiro jogo a Selecção Olímpica portuguesa de futebol perdeu com o Iraque. No terceiro perdeu com a Costa Rica. Em ambas as partidas houve jogadores portugueses expulsos, Cristinano Ronaldo deu um murro a um adversário, chegou a haver luta no campo no final do último jogo – tudo muito longe do ideal olímpico e da ética desportiva: é assim o futebol que temos, essa boçalidade evidente que vai apalermando o país.

PERGUNTA: A regulamentação sobre os recintos deportivos e as fatídicas balizas existe, o que acontece a quem não cumpre a Lei?

SUGESTÃO: Visitem o Bairro Alto à noite nestes dias de Verão: o encerramento de trânsito trouxe mais gente para as ruas, há mais restaurantes e bares e estão todos cheios de turistas e nacionais. Um bom sinal.

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A ESQUINA IMPRESSA

Aqui fica a Esquina de sexta passada, no Jornal de Negócios:

PORTUGAL:

João Soares defendeu que devem ser tornados públicos os rendimentos dos dirigentes socialistas, nomeadamente os que ocupam ou ocuparam cargos oficiais. António Costa criticou Manuel Alegre acusando-o de se comportar como «detentor da verdade sagrada» e «guardião do templo».António Mega Ferreira elogiou Manuel Alegre. Emídio Rangel elogiou José Sócrates. Siza Vieira elogiou João Soares. Não vai haver frente a frente entre os candidatos à liderança do PS, apenas um debate entre os três. O Procurador Geral da República sobreviveu à crise gerada pela divulgação de conversas entre um jornalista e a porta-voz da procuradoria onde terá sido violado o segredo de justiça. Em Julho foram detidas 28 pessoas, só no distrito de Vila Real, sob suspeita de fogo posto. A aplicação do novo Código do Trabalho gerou uma queda de 69,4%nas convenções colectivas no 2º trimestre deste ano. 4200 estabelecimentos de ensino pré-escolar vão receber computadores e software numa iniciativa cooordenada pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Uma das mais prestigiadas agências de avaliação financeira, a Moody’s, elaborou um relatório sobre a cidade de Lisboa que considera como boas a gestão da cidade, a capacidade de crédito do município e os planos de desenvolvimento da cidade. A Procuradoria Geral da República considerou que Carmona Rodrigues tem todas as condições para exercer o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, situação que era contestada pela oposição Ao fim do primeiro mês em funções os primeiros balanços publicados da actuação do Governo são positivos. A Galp comprou os direitos à exploração em 20 blocos petrolíferos no Brasil.

A prestação portuguesa nos jogos olímpicos tem sido abaixo das expectativas. A imprensa classificou de «humilhante» a actuação da equipa de futebol portuguesa nos Jogos Olímpicos. Luis Figo anunciou que deixaria de integrar a Selecção Nacional. Portugal foi recordista europeu nos valores totais de transacção de jogadores de futebol nesta pré-época.



LÁ FORA:

Durão Barroso foi muito elogiado pela forma como constituíu a equipa de comissários europeus – um bom táctico com sentido de euilíbrio é o resumo das apreciações da imprensa internacional. Numa sondagem publicada esta semana, 95% dos irlandeses declararam-se a favor das rígidas proibições de fumar em locais públicos adoptados este ano. Em Itália 12 clubes de futebol foram acusados de estarem envolvidos em apostas ilegais. Hugo Chávez ganhou o referendo na Venezuela e continua Presidente da República. Uma mulher foi condenada na República Popular da China por gerir um site de strip-tease. Donald Trump anunciou falência mais uma vez e os direitos à utilização da marca Trump ficaram nas mãos do banco de investimentos Credit Suisse First Bonston. Com 89 anos morreu Paul Neal «red» Adair, o homem que se tornou célebre a apagar os mais difíceis incênciso em poços de petróleo e refinarias. As acções da Google foram postas à venda a 85 dolares, o que projecta o valor da companhia para 23 mil milhões de dolares; Google, o motor de busca na internet mais utilizado no Mundo com 200 milhões de utilizadores diários, colocou à venda 19,6 milhões de acções, cerca de 15% do total da companhia. Entre 2 e 12 de Agosto, a cadeia de televisão norte-americanas ABC apresentou a cobertura mais favorável a John Kerry e no mesmo período a NBC teve a cobertura mais negativa em relação ao presidente Bush, segundo o Media Tenor Institute, uma organização independente.



O MELHOR DA SEMANA: O bom ambiente da renovada Trattoria (Rua Artilharia Um 79), quer no buffet de almoço quer à noite, sobretudo às quintas-feiras. Em qualquer dia vale a pena provar os escalopes com molho de limão. Fantásticos.



O PIOR DA SEMANA: Ver o Tejo aos quadradinhos por causa das redes com arame farpado instaladas no Porto de Lisboa. Mais uma vez a cidade é afastada do seu rio.



A VERGONHA: No primeiro jogo a Selecção Olímpica portuguesa de futebol perdeu com o Iraque. No terceiro perdeu com a Costa Rica. Em ambas as partidas houve jogadores portugueses expulsos, Cristinano Ronaldo deu um murro a um adversário, chegou a haver luta no campo no final do último jogo – tudo muito longe do ideal olímpico e da ética desportiva: é assim o futebol que temos, essa boçalidade evidente que vai apalermando o país.



PERGUNTA: A regulamentação sobre os recintos deportivos e as fatídicas balizas existe, o que acontece a quem não cumpre a Lei?



SUGESTÃO: Visitem o Bairro Alto à noite nestes dias de Verão: o encerramento de trânsito trouxe mais gente para as ruas, há mais restaurantes e bares e estão todos cheios de turistas e nacionais. Um bom sinal.



agosto 16, 2004

A ESQUINA IMPRESSA
(publicada sexta-feira passada no «Jornal de Negócios»

A ESQUINA DO RIO
resumo dos dias que passam

CÁ DENTRO: O «Diário de Notícias» de sábado noticiava que «namoradas dos deputados passam a ter viagens pagas». No «Expresso», José António Saraiva propôs a construção de uma nova capital no interior, na esteira de Brasília, ou daquilo que se soube ser a intenção do Governo sul-coreano, que vai construir uma nova capital a 160 kms a sul de Seul. 25% da floresta portuguesa ardeu na última década. Um jornalista do «Correio da Manhã» alertou para o roubo de cassettes com gravações de conversas com diversas fontes que contactou no âmbito da investigação jornalística do caso «Casa Pia». Por causa da fuga das referidas gravações o director nacional da Polícia Judiciária demitiu-se, sob suspeita de ter violado o segredo de justiça e revelou que ele e a sua família eram alvos de pressões. O Governo propôs um pacto de regime sobre a Justiça e nomeou como Director Nacional da Judiciária um juiz que já havia sido indicado para o mesmo cargo pelo Governo PS. O Bloco de Esquerda diz que só faz pactos com a democracia. O Bastonário da Ordem dos Advogados aplaudiu a iniciativa, centrada na revisão do Código Penal e do Código de Processo Penal, parada na Assemblea da República desde o início de 2003. Eduardo Prado Coelho apoiou Manuel Alegre para a liderança do PS e Mário Soares alertou contra «jogos no aparelho do partido», enquanto sublinhava que na sua opinião Marcelo Rebelo de Sousa é «divertido e estimulante». O Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, alterou grande parte das colocações de embaixadores feitas por Martins da Cruz. Só na primeira semana de Agosto a Brigada de Trânsito registou 2676 manobras perigosas e 35 mortos e 105 feridos graves em acidentes de viação. Dos 46 militares da GNR que esta semana partiram para o Iraque, 14 já lá tinham estado e quiseram voltar.


LÁ FORA: Um acidente numa central nuclear no Japão matou quatro pessoas. A ETA voltou à actividade com duas bombas no fim de semana, sem vítimas mortais. No mesmo período, no Iraque, verificaram-se 43 mortos em diversos atentados. Os Espanhóis são os que mais vão ao cinema na Europa, à frente da Alemanha, França e Reino Unido: cada espanhol compra por ano 3,18 bilhetes de cinema a um preço médio de 4,7 euros (em Portugal o valor médio do bilhete de cinema é 3,7 euros). Um ensaio inédito da escritora Virgina Wolf, sobre a vida em Londres nos anos 30, foi encontrado na Biblioteca da Univerisdade de Sussex. A campeã mundial dos 100 metros, a norte-americana Toni Edwards foi afastada dos Jogos Olímpicos, que hoje começam em Atenas, sob acusação de doping. A Grécia endividou-se em seis mil milhões de euros para assegurar as infraestruturas para as Olimpíadas. O Reino Unido autorizou a clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos. A TVE cortou as transmissões de touradas durante o Verão invocando razões financeiras. A NASA anunciou nova missão a Marte para Agosto de 2005. O Pato Donald fez 70 anos dia 9 de Junho e esta semana teve direito a uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood. Fay Wray, actriz de cinema, morreu aos 96 anos: contracenou com Gary Cooper e Spencer Tracy mas ficou para a história como a miúda que lutou com o gorila King Kong. A capa da revista britãnica «The Spectator» desta semana titula «The World Has Never Been a Better Place» e lá dentro o artigo sublinha que «esta é a mais feliz, saudável e pacífica época na História da humanidade». O comércio electrónico fez dez anos dia 11 de Agosto, aniversário do site Netmarket. Nos Estados unidos o comércio electrónico representará este ano 144 milhões de dólares, 6,6% do total das transacções comerciais naquele país.


O MELHOR DA SEMANA: «Preciso de fazer alguma coisa mais gratificante do que estar aqui no Parlamento» - disse Vicente Jorge Silva, que confessou desejar voltar a ser crítico de cinema para que sobre os filmes surjam «textos mais claros e úteis» do que aqueles que hoje em dia são dados à estampa.

O PIOR DA SEMANA: O novo anúncio de cerveja «Os homens preferem as Sagres».

PERGUNTA: Porque é que as receitas de Francisco José Viegas na «Grande Reportagem» não são editadas em livro?


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A ESQUINA IMPRESSA

(publicada sexta-feira passada no «Jornal de Negócios»



A ESQUINA DO RIO

resumo dos dias que passam



CÁ DENTRO: O «Diário de Notícias» de sábado noticiava que «namoradas dos deputados passam a ter viagens pagas». No «Expresso», José António Saraiva propôs a construção de uma nova capital no interior, na esteira de Brasília, ou daquilo que se soube ser a intenção do Governo sul-coreano, que vai construir uma nova capital a 160 kms a sul de Seul. 25% da floresta portuguesa ardeu na última década. Um jornalista do «Correio da Manhã» alertou para o roubo de cassettes com gravações de conversas com diversas fontes que contactou no âmbito da investigação jornalística do caso «Casa Pia». Por causa da fuga das referidas gravações o director nacional da Polícia Judiciária demitiu-se, sob suspeita de ter violado o segredo de justiça e revelou que ele e a sua família eram alvos de pressões. O Governo propôs um pacto de regime sobre a Justiça e nomeou como Director Nacional da Judiciária um juiz que já havia sido indicado para o mesmo cargo pelo Governo PS. O Bloco de Esquerda diz que só faz pactos com a democracia. O Bastonário da Ordem dos Advogados aplaudiu a iniciativa, centrada na revisão do Código Penal e do Código de Processo Penal, parada na Assemblea da República desde o início de 2003. Eduardo Prado Coelho apoiou Manuel Alegre para a liderança do PS e Mário Soares alertou contra «jogos no aparelho do partido», enquanto sublinhava que na sua opinião Marcelo Rebelo de Sousa é «divertido e estimulante». O Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, alterou grande parte das colocações de embaixadores feitas por Martins da Cruz. Só na primeira semana de Agosto a Brigada de Trânsito registou 2676 manobras perigosas e 35 mortos e 105 feridos graves em acidentes de viação. Dos 46 militares da GNR que esta semana partiram para o Iraque, 14 já lá tinham estado e quiseram voltar.





LÁ FORA: Um acidente numa central nuclear no Japão matou quatro pessoas. A ETA voltou à actividade com duas bombas no fim de semana, sem vítimas mortais. No mesmo período, no Iraque, verificaram-se 43 mortos em diversos atentados. Os Espanhóis são os que mais vão ao cinema na Europa, à frente da Alemanha, França e Reino Unido: cada espanhol compra por ano 3,18 bilhetes de cinema a um preço médio de 4,7 euros (em Portugal o valor médio do bilhete de cinema é 3,7 euros). Um ensaio inédito da escritora Virgina Wolf, sobre a vida em Londres nos anos 30, foi encontrado na Biblioteca da Univerisdade de Sussex. A campeã mundial dos 100 metros, a norte-americana Toni Edwards foi afastada dos Jogos Olímpicos, que hoje começam em Atenas, sob acusação de doping. A Grécia endividou-se em seis mil milhões de euros para assegurar as infraestruturas para as Olimpíadas. O Reino Unido autorizou a clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos. A TVE cortou as transmissões de touradas durante o Verão invocando razões financeiras. A NASA anunciou nova missão a Marte para Agosto de 2005. O Pato Donald fez 70 anos dia 9 de Junho e esta semana teve direito a uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood. Fay Wray, actriz de cinema, morreu aos 96 anos: contracenou com Gary Cooper e Spencer Tracy mas ficou para a história como a miúda que lutou com o gorila King Kong. A capa da revista britãnica «The Spectator» desta semana titula «The World Has Never Been a Better Place» e lá dentro o artigo sublinha que «esta é a mais feliz, saudável e pacífica época na História da humanidade». O comércio electrónico fez dez anos dia 11 de Agosto, aniversário do site Netmarket. Nos Estados unidos o comércio electrónico representará este ano 144 milhões de dólares, 6,6% do total das transacções comerciais naquele país.





O MELHOR DA SEMANA: «Preciso de fazer alguma coisa mais gratificante do que estar aqui no Parlamento» - disse Vicente Jorge Silva, que confessou desejar voltar a ser crítico de cinema para que sobre os filmes surjam «textos mais claros e úteis» do que aqueles que hoje em dia são dados à estampa.



O PIOR DA SEMANA: O novo anúncio de cerveja «Os homens preferem as Sagres».



PERGUNTA: Porque é que as receitas de Francisco José Viegas na «Grande Reportagem» não são editadas em livro?





agosto 10, 2004

Faço minhas as palavras de Vicente Jorge Silva sobre Henri Cartier-Bresson: Nenhum fotógrafo foi tão decisivo como ele, nenhum como ele soube captar o mistério do «instante decisivo»: a coincidência mágica entre o pulsar da vida e a geometria do real. Como se por detrás de cada situação surpreendida em flagrante pela câmara houvesse sempre uma ordem geométrica misteriosa que lhe emprestava um sentido único e a resgatava do caos. Nunca a mais extrema simplicidade, o mais genuíno despojamento, a recusa do artifício, se conjugaram, de modo tão perfeito como em Cartier-Bresson, com a arquitectura do único enquadramento possível.

Tal como Antonioni no cinema, Cartier-Bresson foi quem, na fotografia, me ensinou a olhar. O rigor e a elegância com que compunha espontaneamente as suas imagens eram atributos de um caçador que apanha a presa no momento exacto e faz desse momento um instante de beleza fulgurante. Uma beleza que perdura para além da fracção de segundo em que foi surpreendida e que a deixou suspensa para sempre.

Cartier-Bresson foi um dos meus heróis. Como fotógrafo, como fotojornalista, como referência humana, ele que tornava absurda a separação entre estética e ética, entre forma e conteúdo. E que, por isso, repudiava vigorosamente a instrumentalização da imagem por legendas retóricas que alterassem a evidência singela do que estava lá e se oferecia à liberdade dos nossos olhos. Bastava apenas que soubéssemos olhar. Como ele.

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Faço minhas as palavras de Vicente Jorge Silva sobre Henri Cartier-Bresson: Nenhum fotógrafo foi tão decisivo como ele, nenhum como ele soube captar o mistério do «instante decisivo»: a coincidência mágica entre o pulsar da vida e a geometria do real. Como se por detrás de cada situação surpreendida em flagrante pela câmara houvesse sempre uma ordem geométrica misteriosa que lhe emprestava um sentido único e a resgatava do caos. Nunca a mais extrema simplicidade, o mais genuíno despojamento, a recusa do artifício, se conjugaram, de modo tão perfeito como em Cartier-Bresson, com a arquitectura do único enquadramento possível.



Tal como Antonioni no cinema, Cartier-Bresson foi quem, na fotografia, me ensinou a olhar. O rigor e a elegância com que compunha espontaneamente as suas imagens eram atributos de um caçador que apanha a presa no momento exacto e faz desse momento um instante de beleza fulgurante. Uma beleza que perdura para além da fracção de segundo em que foi surpreendida e que a deixou suspensa para sempre.



Cartier-Bresson foi um dos meus heróis. Como fotógrafo, como fotojornalista, como referência humana, ele que tornava absurda a separação entre estética e ética, entre forma e conteúdo. E que, por isso, repudiava vigorosamente a instrumentalização da imagem por legendas retóricas que alterassem a evidência singela do que estava lá e se oferecia à liberdade dos nossos olhos. Bastava apenas que soubéssemos olhar. Como ele.



agosto 09, 2004

INDEPENDÊNCIA
INFORMAÇÃO A MENOS

Um dos mais curiosos exercícios que se pode fazer é ler jornais com um mês de atraso. Assim sempre se pode confrontar a diferença entre as crónicas anunciadas e a realidade. O «Expresso», por exemplo, noticiava há cerca de um mês que o Presidente da República estava a ficar mais próximo da convocação de eleições e anunciava que o Comissário Europeu António Vitorino se preparava para regressar à vida política activa e, talvez, a tomar conta do PS a partir de 1 de Novembro. Ambas as notícias vinham na capa da edição do passado dia 3 de Julho. Escassos dias depois ambas as peças estavam desmentidas pela realidade e à distância de um mês parecem atrozmente ridículas.
Nalgumas estações de televisão alguns jornalistas tecem declaradamente comentários pessoais a meio do relato dos acontecimentos, por vezes chegam ao ponto de insinuar agrado ou desagrado perante determinadas posições de alguns políticos e não se coíbem de utilizar a expressão facial ou trejeitos para acentuar o que pensam. Não viria mal ao mundo se fossem comentadores, analistas e se se apresentassem como tal: mas não, são repórteres em S. Bento, Belém ou nas sedes dos partidos e até «pivots» noticiários.
Porque é que isto acontece? Porque em vez de relatarem, reportarem, alguns orgãos de comunicação preferem deitar-se a adivinhar, preferem utilizar fontes não identificadas para espalharem rumores, preferem fazer passar opinião por informação – de uma forma aliás que se aproxima muito da manipulação da opinião pública. O jornalismo político em Portugal é carregado de insinuações e pequenas manobras e muito parco em boa informação. Quando manobristas políticos são utilizados como «fonte fidedigna» há pouca coisa que possa correr bem.

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INDEPENDÊNCIA

INFORMAÇÃO A MENOS



Um dos mais curiosos exercícios que se pode fazer é ler jornais com um mês de atraso. Assim sempre se pode confrontar a diferença entre as crónicas anunciadas e a realidade. O «Expresso», por exemplo, noticiava há cerca de um mês que o Presidente da República estava a ficar mais próximo da convocação de eleições e anunciava que o Comissário Europeu António Vitorino se preparava para regressar à vida política activa e, talvez, a tomar conta do PS a partir de 1 de Novembro. Ambas as notícias vinham na capa da edição do passado dia 3 de Julho. Escassos dias depois ambas as peças estavam desmentidas pela realidade e à distância de um mês parecem atrozmente ridículas.

Nalgumas estações de televisão alguns jornalistas tecem declaradamente comentários pessoais a meio do relato dos acontecimentos, por vezes chegam ao ponto de insinuar agrado ou desagrado perante determinadas posições de alguns políticos e não se coíbem de utilizar a expressão facial ou trejeitos para acentuar o que pensam. Não viria mal ao mundo se fossem comentadores, analistas e se se apresentassem como tal: mas não, são repórteres em S. Bento, Belém ou nas sedes dos partidos e até «pivots» noticiários.

Porque é que isto acontece? Porque em vez de relatarem, reportarem, alguns orgãos de comunicação preferem deitar-se a adivinhar, preferem utilizar fontes não identificadas para espalharem rumores, preferem fazer passar opinião por informação – de uma forma aliás que se aproxima muito da manipulação da opinião pública. O jornalismo político em Portugal é carregado de insinuações e pequenas manobras e muito parco em boa informação. Quando manobristas políticos são utilizados como «fonte fidedigna» há pouca coisa que possa correr bem.



A ESQUINA DO RIO
resumo dos dias que passam

CÁ DENTRO: Nos exames do 12º ano, 18 em 21 disciplinas tiveram médias negativas e mais de metade dos alunos chumbaram. Em Junho foram multados mais de 11000 automobilistas por excesso de velocidade. No PS, Vicente Jorge Silva apoiou a candidatura de Manuel Alegre a Secretário-Geral; José Sócrates apresentou a sua alternativa baseada num objectivo estratégico de desenvolvimento centrado no lançamento de um Plano Tecnológico; João Soares alertou para a eventualidade de resultados manipulados, disse desejar que o PS volte a ser revolucionário, e em relação à campanha interna afirmou: «não estamos num concurso de misses»; O ex-ministro José Lello disse duvidar da «sanidade mental de João Soares». Na última sessão legislativa os Deputados baixaram a produção legislativa em 55% em relação à anterior sessão, do ano passado. Jorge Miranda defendeu num artigo de opinião que a decisão de Jorge Sampaio na recente crise política preservou o sistema de governo semi-presidencialista e evitou a degradação do Parlamento. O Governo apresenta a nova Lei das Rendas em Setembro, com o objectivo de assegurar actualizações progressivas – a responsabilidade será de José Luis Arnaut. António Mexia prometeu que até ao final do ano ficará pronta uma base de dados sobre o estado de seis mil pontes, viadutos e túneis. Uma investigadora portuguesa na área da biomedicina, Maria Mota, ganhou um dos prémios European Young Investigatores Award. O engenheiro Sagadães Tavares, responsável pela pala do Pavilhão de Portugal, ganhou o oscar mundial da engenharia, o Outstanding Structures Award, especificamentepela sua obra de ampliação da pista do Aeroporto Internacional da Madeira, no Funchal. De Abril até final de Julho foram vendidos em Portugal mais de 110 000 exemplares do livro «O Código Da Vinci».


LÁ FORA: Nos Estados Unidos a convenção democrata organizou 200 eventos marginais, desde torneios de golfe a recepções, passando por festas e seminários. A Estátua da Liberdade, em Nova York, reabriu pela primeira vez depois do 11 de Setembro, na mesma semana em que os Estados Unidos puseram em acção medidas especiais de segurança com receio de novos atentados terroristas. Os REM, Pearl Jam e Bruce Springsteen actuarão numa digressão a realizar nos Estados Unidos, no início de Outubro, com 34 espectáculos em 28 cidades, sob a designação genérica de «Vote For Change», um apelo a mudanças políticas no país e contra Bush..O barril de crude atingiu novo máximo, superando a barreira dos 40,99 dolares estabelecida em 10 de Outubro de 1990, em vésperas da 1º Guerra do Golfo. As comemorações dos 300 anos da presença britânica em Gibraltar provocaram polémica e Jose Luis Zapatero considerou como « não adequada» a posição da Grã-Bretanha sobre o rochedo. O Governo Regional da Catalunha vai permitir a venda médica de Cannabis a partir de 2005. José Manuel Barroso já formou a sua equipa de comissários com um terço de mulheres: oito em 24. A União Europeia começou a rever o embargo de armas imposto à China em 1989 após os incidentes da Praça Tiananmen. O australiano Eric Bona, conhecido como o actor de deu corpo a Hulk, é o mais sério candidato a ser o próximo James Bond, no 21º filme da série. Morreu o sax tenor Illinois Jacquet, autor de um célebre solo em «Flying Home», de Lionel Hampton. Henri Cartier-Bresson, o homem que mudou a maneira de fazer foto-jornalismo, morreu aos 95 anos. A sonda Messenger partiu 3ª feira para Mercúrio, onde deve chegar em 2008 depois de percorrer 7 900 milhões de quilómetros. É a primeira missão científica em três décadas ao planeta mais próximo do Sol. Muitos dos principais jornais internacionais de referência deram a esta epopeia honra de primeira página, em Portugal não houve um jornal que o fizesse.

O MELHOR DA SEMANA: filetes de pescada com puré de grão, na Cafetaria da Bica do Sapato.

O PIOR DA SEMANA: Ficar sentado num restaurante ao lado de duas brasileiras que discutem dietas.

PERGUNTA: Porque é que os nomes das ruas das cidades e vilas são tão mal sinalizados?

SUGESTÃO: A exposição de Keith Haring, na Culturgest.

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A ESQUINA DO RIO

resumo dos dias que passam



CÁ DENTRO: Nos exames do 12º ano, 18 em 21 disciplinas tiveram médias negativas e mais de metade dos alunos chumbaram. Em Junho foram multados mais de 11000 automobilistas por excesso de velocidade. No PS, Vicente Jorge Silva apoiou a candidatura de Manuel Alegre a Secretário-Geral; José Sócrates apresentou a sua alternativa baseada num objectivo estratégico de desenvolvimento centrado no lançamento de um Plano Tecnológico; João Soares alertou para a eventualidade de resultados manipulados, disse desejar que o PS volte a ser revolucionário, e em relação à campanha interna afirmou: «não estamos num concurso de misses»; O ex-ministro José Lello disse duvidar da «sanidade mental de João Soares». Na última sessão legislativa os Deputados baixaram a produção legislativa em 55% em relação à anterior sessão, do ano passado. Jorge Miranda defendeu num artigo de opinião que a decisão de Jorge Sampaio na recente crise política preservou o sistema de governo semi-presidencialista e evitou a degradação do Parlamento. O Governo apresenta a nova Lei das Rendas em Setembro, com o objectivo de assegurar actualizações progressivas – a responsabilidade será de José Luis Arnaut. António Mexia prometeu que até ao final do ano ficará pronta uma base de dados sobre o estado de seis mil pontes, viadutos e túneis. Uma investigadora portuguesa na área da biomedicina, Maria Mota, ganhou um dos prémios European Young Investigatores Award. O engenheiro Sagadães Tavares, responsável pela pala do Pavilhão de Portugal, ganhou o oscar mundial da engenharia, o Outstanding Structures Award, especificamentepela sua obra de ampliação da pista do Aeroporto Internacional da Madeira, no Funchal. De Abril até final de Julho foram vendidos em Portugal mais de 110 000 exemplares do livro «O Código Da Vinci».





LÁ FORA: Nos Estados Unidos a convenção democrata organizou 200 eventos marginais, desde torneios de golfe a recepções, passando por festas e seminários. A Estátua da Liberdade, em Nova York, reabriu pela primeira vez depois do 11 de Setembro, na mesma semana em que os Estados Unidos puseram em acção medidas especiais de segurança com receio de novos atentados terroristas. Os REM, Pearl Jam e Bruce Springsteen actuarão numa digressão a realizar nos Estados Unidos, no início de Outubro, com 34 espectáculos em 28 cidades, sob a designação genérica de «Vote For Change», um apelo a mudanças políticas no país e contra Bush..O barril de crude atingiu novo máximo, superando a barreira dos 40,99 dolares estabelecida em 10 de Outubro de 1990, em vésperas da 1º Guerra do Golfo. As comemorações dos 300 anos da presença britânica em Gibraltar provocaram polémica e Jose Luis Zapatero considerou como « não adequada» a posição da Grã-Bretanha sobre o rochedo. O Governo Regional da Catalunha vai permitir a venda médica de Cannabis a partir de 2005. José Manuel Barroso já formou a sua equipa de comissários com um terço de mulheres: oito em 24. A União Europeia começou a rever o embargo de armas imposto à China em 1989 após os incidentes da Praça Tiananmen. O australiano Eric Bona, conhecido como o actor de deu corpo a Hulk, é o mais sério candidato a ser o próximo James Bond, no 21º filme da série. Morreu o sax tenor Illinois Jacquet, autor de um célebre solo em «Flying Home», de Lionel Hampton. Henri Cartier-Bresson, o homem que mudou a maneira de fazer foto-jornalismo, morreu aos 95 anos. A sonda Messenger partiu 3ª feira para Mercúrio, onde deve chegar em 2008 depois de percorrer 7 900 milhões de quilómetros. É a primeira missão científica em três décadas ao planeta mais próximo do Sol. Muitos dos principais jornais internacionais de referência deram a esta epopeia honra de primeira página, em Portugal não houve um jornal que o fizesse.



O MELHOR DA SEMANA: filetes de pescada com puré de grão, na Cafetaria da Bica do Sapato.



O PIOR DA SEMANA: Ficar sentado num restaurante ao lado de duas brasileiras que discutem dietas.



PERGUNTA: Porque é que os nomes das ruas das cidades e vilas são tão mal sinalizados?



SUGESTÃO: A exposição de Keith Haring, na Culturgest.



agosto 06, 2004

ESQUINA IMPRESSA
Hoje a Esquina impressa, no «Jornal de Negócios», tem nova forma. Pedem-se reacções.

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ESQUINA IMPRESSA

Hoje a Esquina impressa, no «Jornal de Negócios», tem nova forma. Pedem-se reacções.

agosto 02, 2004

O RETRATO DA SEMANA
A melhor síntese do que se passa vem na revista britânica The Spectator. Leiam o que é o kit de emergência proposto pelo governo de Sua Majestade.

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O RETRATO DA SEMANA

A melhor síntese do que se passa vem na revista britânica The Spectator. Leiam o que é o kit de emergência proposto pelo governo de Sua Majestade.
NOVIDADES DA RÁDIO
Se gosta de ouvir rádio na internet e não tem paciência para escolher as canções que quer ouvir, experimente ler este artigo da
Wired

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NOVIDADES DA RÁDIO

Se gosta de ouvir rádio na internet e não tem paciência para escolher as canções que quer ouvir, experimente ler este artigo da

Wired
A ESQUINA DE SEXTA FEIRA PASSADA, ENTÃO AINDA A SUL

O CÉU FICA NEGRO com o fumo dos incêndios. Os fins de tarde na praia têm uma luz estranha, o sol a pôr-se detrás dos sinais de fogo. É uma luz terrível, ao mesmo tempo estranha e cativante. Olhamos para as coisas com outros olhos. Olhamos para os outros com um sentir diverso. O calor muda a face da terra e muda-nos a nós todos. Uma semana de calor abrasador e ficamos todos diferentes.

OS INCÊNDIOS fazem parte do ciclo de vida das florestas. Por mais que o saibamos eles continuam a aterrorizar-nos. Todas as noites vejo nos telejornais as caras exaustas dos bombeiros, num rodopio de norte a sul de Portugal, a combaterem as chamas no meio de um calor tórrido. Ano após ano os bombeiros mostram o sacrifício que fazem, são repetidamente heróis que muitas vezes descuramos - mais de cem já ficaram feridos desde Junho. A sua coragem quase que faz parte das rotinas. E nestas alturas percebemos como muitas vezes não os estimamos como merecem. O esforço que têm nunca é uma rotina. É um permanente desafio,

O DEBATE DO PROGRAMA DO GOVERNO correu de acordo com as expectativas: a oposição atacou (já tinha aliás dito que ía atacar mesmo antes de o Programa ser conhecido), a coligação defendeu. Passei a terça-feira a andar de carro de um lado para o outro e segui quase todo o debate pela rádio. Acho que todos os líderes partidários deviam escutar a gravação integral do debate – era educativo e podia ser que percebessem porque cada vez menos gente se interessa pela política. No debate foi tudo muito previsível, porquê? Porque cada um vai afirmar uma posição em vez de discutir, argumentar, sugerir. A mediatização dos debates transforma-os nos palcos de excelência para a amplificação das posições de princípio, em vez de serem o local onde se trocam ideias. Às vezes acho que os senhores deputados devem viver noutro país. Falam das coisas de uma maneira que faz parecer que não se lembram do que se passou nos anos recentes, de quem fez o quê, de quem disse o quê. Pode parecer utópico dito assim, mas parece-me que a ideia original dos parlamentos era que várias cabeças juntas trocassem ideias que permitissem ir melhorando o estado das coisas. Em vez disso cada grupo parlamentar limita-se a repetir slogans. Não há debate. Não houve debate.


DUAS RECOMENDAÇÕES PARA AGOSTO EM VILAMOURA: 1- O Tabuínhas, bar da Praia da Falésia, cumpre o seu papel na canícula: cerveja fresca durante o dia, saladas simpáticas. Mas onde ele se revela melhor é mesmo ao fim da tarde, frente a um gin tónico com boa música gravada em pano de fundo; ou então, mais tarde, para uma jantarada de amigos com um peixe fresco grelhado; e, às vezes noite fora, nas festas que de vez em quando lá acontecem e se espalham pelo areal. O bar parece a sociedade das nações: uma empregada checa, outras brasileiras, outras indianas, e a coisa lá vai funcionando. 2- O Jazz Clube na praça do cinema é uma boa ideia para começar as noites de quinta,sexta e sábado, com música ao vivo geralmente interessante e uma bela selecção de música gravada, dos blues ao jazz. Cerveja fresca,ambiente simpático e despretencioso.

NO REGRESSO DE FÉRIAS, a partir da próxima semana, a «Esquina do Rio» vai mudar de forma e conteúdo, deixando o comentário político, para passar a fazer uma revista semanal, escolhida, de notícias, novidades, curiosidades. Já agora era bom de saber o que os leitores gostavam de ver por aqui, nesta revista semanal – ideias e sugestões para aesquinadorio@hotmail.com

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A ESQUINA DE SEXTA FEIRA PASSADA, ENTÃO AINDA A SUL



O CÉU FICA NEGRO com o fumo dos incêndios. Os fins de tarde na praia têm uma luz estranha, o sol a pôr-se detrás dos sinais de fogo. É uma luz terrível, ao mesmo tempo estranha e cativante. Olhamos para as coisas com outros olhos. Olhamos para os outros com um sentir diverso. O calor muda a face da terra e muda-nos a nós todos. Uma semana de calor abrasador e ficamos todos diferentes.



OS INCÊNDIOS fazem parte do ciclo de vida das florestas. Por mais que o saibamos eles continuam a aterrorizar-nos. Todas as noites vejo nos telejornais as caras exaustas dos bombeiros, num rodopio de norte a sul de Portugal, a combaterem as chamas no meio de um calor tórrido. Ano após ano os bombeiros mostram o sacrifício que fazem, são repetidamente heróis que muitas vezes descuramos - mais de cem já ficaram feridos desde Junho. A sua coragem quase que faz parte das rotinas. E nestas alturas percebemos como muitas vezes não os estimamos como merecem. O esforço que têm nunca é uma rotina. É um permanente desafio,



O DEBATE DO PROGRAMA DO GOVERNO correu de acordo com as expectativas: a oposição atacou (já tinha aliás dito que ía atacar mesmo antes de o Programa ser conhecido), a coligação defendeu. Passei a terça-feira a andar de carro de um lado para o outro e segui quase todo o debate pela rádio. Acho que todos os líderes partidários deviam escutar a gravação integral do debate – era educativo e podia ser que percebessem porque cada vez menos gente se interessa pela política. No debate foi tudo muito previsível, porquê? Porque cada um vai afirmar uma posição em vez de discutir, argumentar, sugerir. A mediatização dos debates transforma-os nos palcos de excelência para a amplificação das posições de princípio, em vez de serem o local onde se trocam ideias. Às vezes acho que os senhores deputados devem viver noutro país. Falam das coisas de uma maneira que faz parecer que não se lembram do que se passou nos anos recentes, de quem fez o quê, de quem disse o quê. Pode parecer utópico dito assim, mas parece-me que a ideia original dos parlamentos era que várias cabeças juntas trocassem ideias que permitissem ir melhorando o estado das coisas. Em vez disso cada grupo parlamentar limita-se a repetir slogans. Não há debate. Não houve debate.





DUAS RECOMENDAÇÕES PARA AGOSTO EM VILAMOURA: 1- O Tabuínhas, bar da Praia da Falésia, cumpre o seu papel na canícula: cerveja fresca durante o dia, saladas simpáticas. Mas onde ele se revela melhor é mesmo ao fim da tarde, frente a um gin tónico com boa música gravada em pano de fundo; ou então, mais tarde, para uma jantarada de amigos com um peixe fresco grelhado; e, às vezes noite fora, nas festas que de vez em quando lá acontecem e se espalham pelo areal. O bar parece a sociedade das nações: uma empregada checa, outras brasileiras, outras indianas, e a coisa lá vai funcionando. 2- O Jazz Clube na praça do cinema é uma boa ideia para começar as noites de quinta,sexta e sábado, com música ao vivo geralmente interessante e uma bela selecção de música gravada, dos blues ao jazz. Cerveja fresca,ambiente simpático e despretencioso.



NO REGRESSO DE FÉRIAS, a partir da próxima semana, a «Esquina do Rio» vai mudar de forma e conteúdo, deixando o comentário político, para passar a fazer uma revista semanal, escolhida, de notícias, novidades, curiosidades. Já agora era bom de saber o que os leitores gostavam de ver por aqui, nesta revista semanal – ideias e sugestões para aesquinadorio@hotmail.com

julho 14, 2004

O ESTADO DA NAÇÃO I
Primeiro disseram que iam votar contra só porque sim;
Depois gritaram contra os primeiros nomes porque a escolha os surpreendeu;
A seguir clamaram por originalidade sem olharem para si próprios.

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O ESTADO DA NAÇÃO I

Primeiro disseram que iam votar contra só porque sim;

Depois gritaram contra os primeiros nomes porque a escolha os surpreendeu;

A seguir clamaram por originalidade sem olharem para si próprios.

julho 13, 2004

AS ENTREVISTAS - COMENTÁRIO
O post sobre as entrevistas dadas pelo ingitado Primeiro Ministro motivaram um bem articulado comentário de LF, autor do largo do rato, cuja leitura se recomenda.
Aqui vão excertos so comentário:
Ao contrário de muitos comentadores - quase todos pró
dissolução, diga-se - acho que PSL fez muito bem em
conceder as duas entrevistas referidas e no "timing"
que o fez.
Foram aliás entrevistas notáveis no seu conteúdo
politico.
A primeira a Judite de Sousa, Santana Lopes afirmou-se
como líder do PPD/PSD declarando:
- As razões dos sociais democratas para a manutenção
da estabilidade governativa, nomeadamente nos aspectos
sensíveis definidos por Durão Barroso e Jorge Sampaio
(a coerencia e continuidade das politicas
economico-financeira, externa e de defesa) e
demonstrando que pela sua parte nada havia a temer
sobre a governabilidade do país.
- Estar preparado para uma campanha eleitoral e para
ver o sua liderança consolidada nas urnas através duma
vitória se fosse essa a decisão de Jorge Sampaio.

e mostrando uma serenidade, liderança e contenção
assinaláveis.

Marcou pontos ao:
-clarificar a posição contrária a eleições do PPD/PSD
-não excluir nem temer a outra solução assumindo-se
como líder desse combate eleitoral para vencer.
-mostrar aos cépticos internos do PSD que os vai
contradizer e á esmagadora maioria do partido que o
seu apoio se justifica.
- mostrar-se tal como é retirando aos críticos a
satisfação de o dizerem com "low profile" táctico para
obter o cargo de PM.

A entrevista a Ricardo Costa permitiu-lhe:
- Justificar-se ao eleitorado de Lisboa pela sua
saída, reforçando a sua obra a acabar pelo executivo
camarário com uma palavrinha ás autarquias e autarcas
da maioria.
- Mostrar ao PR e ao país, que considera Jorge Sampaio
e que se compromete a uma relação institucional
impecável. Mostrando-se desde já não disponível a
tratar temas objecto de conversa com Sampaio.
- Reforçar a imagem de Estado que já tinha deixado
transparecer na primeira entrevista. Sendo tolerante -
desvalorizando - com as críticas pessoais que lhe
fazem e enfocando o seu discurso para a
responsabilidade do seu governo, a continuidade das
políticas e o muito trabalho que espera os portugueses
mesmo quando a retoma já espreita.
- Reforçar, e bem, o discurso social.
- Mostrar lealdade e liderança em relação ao parceiro
de coligação.

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AS ENTREVISTAS - COMENTÁRIO

O post sobre as entrevistas dadas pelo ingitado Primeiro Ministro motivaram um bem articulado comentário de LF, autor do largo do rato, cuja leitura se recomenda.

Aqui vão excertos so comentário:

Ao contrário de muitos comentadores - quase todos pró

dissolução, diga-se - acho que PSL fez muito bem em

conceder as duas entrevistas referidas e no "timing"

que o fez.

Foram aliás entrevistas notáveis no seu conteúdo

politico.

A primeira a Judite de Sousa, Santana Lopes afirmou-se

como líder do PPD/PSD declarando:

- As razões dos sociais democratas para a manutenção

da estabilidade governativa, nomeadamente nos aspectos

sensíveis definidos por Durão Barroso e Jorge Sampaio

(a coerencia e continuidade das politicas

economico-financeira, externa e de defesa) e

demonstrando que pela sua parte nada havia a temer

sobre a governabilidade do país.

- Estar preparado para uma campanha eleitoral e para

ver o sua liderança consolidada nas urnas através duma

vitória se fosse essa a decisão de Jorge Sampaio.



e mostrando uma serenidade, liderança e contenção

assinaláveis.



Marcou pontos ao:

-clarificar a posição contrária a eleições do PPD/PSD

-não excluir nem temer a outra solução assumindo-se

como líder desse combate eleitoral para vencer.

-mostrar aos cépticos internos do PSD que os vai

contradizer e á esmagadora maioria do partido que o

seu apoio se justifica.

- mostrar-se tal como é retirando aos críticos a

satisfação de o dizerem com "low profile" táctico para

obter o cargo de PM.



A entrevista a Ricardo Costa permitiu-lhe:

- Justificar-se ao eleitorado de Lisboa pela sua

saída, reforçando a sua obra a acabar pelo executivo

camarário com uma palavrinha ás autarquias e autarcas

da maioria.

- Mostrar ao PR e ao país, que considera Jorge Sampaio

e que se compromete a uma relação institucional

impecável. Mostrando-se desde já não disponível a

tratar temas objecto de conversa com Sampaio.

- Reforçar a imagem de Estado que já tinha deixado

transparecer na primeira entrevista. Sendo tolerante -

desvalorizando - com as críticas pessoais que lhe

fazem e enfocando o seu discurso para a

responsabilidade do seu governo, a continuidade das

políticas e o muito trabalho que espera os portugueses

mesmo quando a retoma já espreita.

- Reforçar, e bem, o discurso social.

- Mostrar lealdade e liderança em relação ao parceiro

de coligação.



DICOTOMIA II
Um sempre atento leitor destes posts, o N.F., mandou-me, a propósito do post «Dicotomia», uma citação de Anthony Burgess que não resisto a reproduzir:
Readers are plentiful: thinkers are rare.

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DICOTOMIA II

Um sempre atento leitor destes posts, o N.F., mandou-me, a propósito do post «Dicotomia», uma citação de Anthony Burgess que não resisto a reproduzir:

Readers are plentiful: thinkers are rare.
JÁ?
Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.

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JÁ?

Ainda nem o Governo apresentou equipa nem programa e a Frente Popular já decidiu que vota contra. Vota contra por votar. Vota contra porque sim. Vota contra porque não lhe interessa aquilo em que vota, interessa apenas o efeito que produz. É com coisas destas que se vai destruindo a capacidade de os cidadãos acreditarem na utilidade dos parlamentos.

julho 12, 2004

AS ENTREVISTAS
O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.

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AS ENTREVISTAS

O facto de Pedro Santana Lopes ter dado duas entrevistas a estações de televisão deixou muito comentador enervado: que a coisa não se devia fazer, dizem. Talvez preferissem o método mais habitual na política portuguesa, que é mandar recados anónimos para os jornais, sobretudo entre quinta e sexta-feira. manias... Ainda bem que as entrevistas foram dadas: assim foi ao vivo e em directo, em vez de ter sido por interposta pessoa.
DICOTOMIA
Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.

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DICOTOMIA

Uma das coisas que contribui para a confusão nacional é a estimulação de uma permanente dicotomia entre pensar e fazer. Quem se posiciona como grande pensador raramente consegue concretizar, alimenta aliás algum desprezo pelo assunto; e tem tendência a considerar que quem faz pouco pensa. Assim não se vai a lado algum. Pensar é preciso, decidir e fazer também. Não chega ficar só a pensar, embora seja fundamental que continue a existir quem fique apenas a observar, a reflectir, a criticar. É isso que ajuda a fazer melhor.

julho 09, 2004

O PROBLEMA DOS DIRECTOS
O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.

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O PROBLEMA DOS DIRECTOS

O grande problema dos directos é que se tornam insuportàveis quando não há nada a dizer. Vinha no carro a ouvir a TSF e no fim da reunião do Conselho de Estado o repórter de serviço queria à viva força tirar palavras dos conselheiros que saíam. Como era de esperar ninguém disse nada - é isso que se espera de conselheiros do Presidente da República. Pretender impôr o contrário é ir contra os princípios da ética da cidadania. O que engloba, acho eu, a ética dos jornalistas. Este folclore dos directos é demais.