WRAY GUNN
Fixem este nome:Wray Gunn, é o do grupo que fez um dos melhores discos de rock dos últimos tempos. A canção de abertura, «Soul City», é empolgante e arrebatadora. Rock, sem truques, eléctrico. Bem produzido. Bem cantado. Bem tocado.
Nota: este grupo, Wray Gunn, é de Coimbra. Por lá encontrarão caras que ficaram conhecidas nos bellechase Hotel. Descubram o disco, que se chama «Eclesiastes 1.11».
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
abril 26, 2004
Untitled
WRAY GUNN
Fixem este nome:Wray Gunn, é o do grupo que fez um dos melhores discos de rock dos últimos tempos. A canção de abertura, «Soul City», é empolgante e arrebatadora. Rock, sem truques, eléctrico. Bem produzido. Bem cantado. Bem tocado.
Nota: este grupo, Wray Gunn, é de Coimbra. Por lá encontrarão caras que ficaram conhecidas nos bellechase Hotel. Descubram o disco, que se chama «Eclesiastes 1.11».
Fixem este nome:Wray Gunn, é o do grupo que fez um dos melhores discos de rock dos últimos tempos. A canção de abertura, «Soul City», é empolgante e arrebatadora. Rock, sem truques, eléctrico. Bem produzido. Bem cantado. Bem tocado.
Nota: este grupo, Wray Gunn, é de Coimbra. Por lá encontrarão caras que ficaram conhecidas nos bellechase Hotel. Descubram o disco, que se chama «Eclesiastes 1.11».
LEI DO CINEMA
A nova Lei do Cinema tem merecido as observações mais disparatadas. O realizador João Mário Grilo saíu-se com uma particularmente brilhante, dirigida aos que defendem que se devem criar bases para uma indústria audiovisual, sentido em que a nova Lei se alinha. Diz ele que não se pode fazer uma indústria sem mercado e que em Portugal não há mercado. Convém recordar três coisas: não é um problema de idioma nem de massa crítica demográfica - a Holanda é igual e tem cinema que funciona; não é problema de repúdio pelo cinema – as salas estão com boas lotações, o número de espectadores de cinema tem vindo a aumentar nos últimos anos e, curiosamente,à medida que aumenta o número de salas, ecrãs e espectadores, tem diminuído o número de bilhetes vendidos para filmes portugueses; provavelmente diminui o número de interessados nos filmes portugueses porque os seus realizadores e produtores não se interessam por o cativar – o que quer dizer filmes que comuniquem, o que quer dizer cativar CONTINUAMENTE os públicos. O problema não é o da dimensão do mercado, é o de o cinema português, na maioria, se estar nas tintas para o mercado e não procurar fomentá-lo. Nenhum mercado existe se não fôr acarinhado, estimulado e fomentado – e é certo que por muito artísticos que os filmes de João Mário Grilo sejam, não é a pensar no público que eles são feitos. Enquanto assim fôr, batatas. O mercado não vive sózinho, não é uma coisa abstracta.
A nova Lei do Cinema tem merecido as observações mais disparatadas. O realizador João Mário Grilo saíu-se com uma particularmente brilhante, dirigida aos que defendem que se devem criar bases para uma indústria audiovisual, sentido em que a nova Lei se alinha. Diz ele que não se pode fazer uma indústria sem mercado e que em Portugal não há mercado. Convém recordar três coisas: não é um problema de idioma nem de massa crítica demográfica - a Holanda é igual e tem cinema que funciona; não é problema de repúdio pelo cinema – as salas estão com boas lotações, o número de espectadores de cinema tem vindo a aumentar nos últimos anos e, curiosamente,à medida que aumenta o número de salas, ecrãs e espectadores, tem diminuído o número de bilhetes vendidos para filmes portugueses; provavelmente diminui o número de interessados nos filmes portugueses porque os seus realizadores e produtores não se interessam por o cativar – o que quer dizer filmes que comuniquem, o que quer dizer cativar CONTINUAMENTE os públicos. O problema não é o da dimensão do mercado, é o de o cinema português, na maioria, se estar nas tintas para o mercado e não procurar fomentá-lo. Nenhum mercado existe se não fôr acarinhado, estimulado e fomentado – e é certo que por muito artísticos que os filmes de João Mário Grilo sejam, não é a pensar no público que eles são feitos. Enquanto assim fôr, batatas. O mercado não vive sózinho, não é uma coisa abstracta.
O QUE DEVE SER A TELEVISÃO?
Leiam estas duas citações e fiquem a pensar: «Como estação de serviço público, que vive de uma taxa, muitas vezes nos encontramos numa difícil posição: se os nossos programas têm demasiado êxito em termos de audiências somos logo acusados de estar a nivelar por baixo, e se não conseguimos obter um bom share somos logo acusados de não estarmos a servir para nada por não dar aos espectadores aquilo que eles pretendem. Não entendo, de facto, o que se entende por «nivelar por baixo». Parece-me ser apenas um argumento utilizado por uma elite intelectual que não compreende nem acompanha a velocidade a que a sociedade evolui e muda e que não aceita que a nossa programação reflecta isso mesmo» - Wayne Garver, BBC; « Existe uma parte da televisão que é arte, e arte tem a ver com provocar e debater. Nos programas de ficção devem existir diferentes pontos de vista, troca de opiniões sobre o mundo em que vivemos e a afirmação de que género de pessoas somos. A televisão não pode ser apenas um espelho» - David Liddiment, produtor independente, All3Media.
Leiam estas duas citações e fiquem a pensar: «Como estação de serviço público, que vive de uma taxa, muitas vezes nos encontramos numa difícil posição: se os nossos programas têm demasiado êxito em termos de audiências somos logo acusados de estar a nivelar por baixo, e se não conseguimos obter um bom share somos logo acusados de não estarmos a servir para nada por não dar aos espectadores aquilo que eles pretendem. Não entendo, de facto, o que se entende por «nivelar por baixo». Parece-me ser apenas um argumento utilizado por uma elite intelectual que não compreende nem acompanha a velocidade a que a sociedade evolui e muda e que não aceita que a nossa programação reflecta isso mesmo» - Wayne Garver, BBC; « Existe uma parte da televisão que é arte, e arte tem a ver com provocar e debater. Nos programas de ficção devem existir diferentes pontos de vista, troca de opiniões sobre o mundo em que vivemos e a afirmação de que género de pessoas somos. A televisão não pode ser apenas um espelho» - David Liddiment, produtor independente, All3Media.
Untitled
O QUE DEVE SER A TELEVISÃO?
Leiam estas duas citações e fiquem a pensar: «Como estação de serviço público, que vive de uma taxa, muitas vezes nos encontramos numa difícil posição: se os nossos programas têm demasiado êxito em termos de audiências somos logo acusados de estar a nivelar por baixo, e se não conseguimos obter um bom share somos logo acusados de não estarmos a servir para nada por não dar aos espectadores aquilo que eles pretendem. Não entendo, de facto, o que se entende por «nivelar por baixo». Parece-me ser apenas um argumento utilizado por uma elite intelectual que não compreende nem acompanha a velocidade a que a sociedade evolui e muda e que não aceita que a nossa programação reflecta isso mesmo» - Wayne Garver, BBC; « Existe uma parte da televisão que é arte, e arte tem a ver com provocar e debater. Nos programas de ficção devem existir diferentes pontos de vista, troca de opiniões sobre o mundo em que vivemos e a afirmação de que género de pessoas somos. A televisão não pode ser apenas um espelho» - David Liddiment, produtor independente, All3Media.
Leiam estas duas citações e fiquem a pensar: «Como estação de serviço público, que vive de uma taxa, muitas vezes nos encontramos numa difícil posição: se os nossos programas têm demasiado êxito em termos de audiências somos logo acusados de estar a nivelar por baixo, e se não conseguimos obter um bom share somos logo acusados de não estarmos a servir para nada por não dar aos espectadores aquilo que eles pretendem. Não entendo, de facto, o que se entende por «nivelar por baixo». Parece-me ser apenas um argumento utilizado por uma elite intelectual que não compreende nem acompanha a velocidade a que a sociedade evolui e muda e que não aceita que a nossa programação reflecta isso mesmo» - Wayne Garver, BBC; « Existe uma parte da televisão que é arte, e arte tem a ver com provocar e debater. Nos programas de ficção devem existir diferentes pontos de vista, troca de opiniões sobre o mundo em que vivemos e a afirmação de que género de pessoas somos. A televisão não pode ser apenas um espelho» - David Liddiment, produtor independente, All3Media.
Untitled
LEI DO CINEMA
A nova Lei do Cinema tem merecido as observações mais disparatadas. O realizador João Mário Grilo saíu-se com uma particularmente brilhante, dirigida aos que defendem que se devem criar bases para uma indústria audiovisual, sentido em que a nova Lei se alinha. Diz ele que não se pode fazer uma indústria sem mercado e que em Portugal não há mercado. Convém recordar três coisas: não é um problema de idioma nem de massa crítica demográfica - a Holanda é igual e tem cinema que funciona; não é problema de repúdio pelo cinema – as salas estão com boas lotações, o número de espectadores de cinema tem vindo a aumentar nos últimos anos e, curiosamente,à medida que aumenta o número de salas, ecrãs e espectadores, tem diminuído o número de bilhetes vendidos para filmes portugueses; provavelmente diminui o número de interessados nos filmes portugueses porque os seus realizadores e produtores não se interessam por o cativar – o que quer dizer filmes que comuniquem, o que quer dizer cativar CONTINUAMENTE os públicos. O problema não é o da dimensão do mercado, é o de o cinema português, na maioria, se estar nas tintas para o mercado e não procurar fomentá-lo. Nenhum mercado existe se não fôr acarinhado, estimulado e fomentado – e é certo que por muito artísticos que os filmes de João Mário Grilo sejam, não é a pensar no público que eles são feitos. Enquanto assim fôr, batatas. O mercado não vive sózinho, não é uma coisa abstracta.
A nova Lei do Cinema tem merecido as observações mais disparatadas. O realizador João Mário Grilo saíu-se com uma particularmente brilhante, dirigida aos que defendem que se devem criar bases para uma indústria audiovisual, sentido em que a nova Lei se alinha. Diz ele que não se pode fazer uma indústria sem mercado e que em Portugal não há mercado. Convém recordar três coisas: não é um problema de idioma nem de massa crítica demográfica - a Holanda é igual e tem cinema que funciona; não é problema de repúdio pelo cinema – as salas estão com boas lotações, o número de espectadores de cinema tem vindo a aumentar nos últimos anos e, curiosamente,à medida que aumenta o número de salas, ecrãs e espectadores, tem diminuído o número de bilhetes vendidos para filmes portugueses; provavelmente diminui o número de interessados nos filmes portugueses porque os seus realizadores e produtores não se interessam por o cativar – o que quer dizer filmes que comuniquem, o que quer dizer cativar CONTINUAMENTE os públicos. O problema não é o da dimensão do mercado, é o de o cinema português, na maioria, se estar nas tintas para o mercado e não procurar fomentá-lo. Nenhum mercado existe se não fôr acarinhado, estimulado e fomentado – e é certo que por muito artísticos que os filmes de João Mário Grilo sejam, não é a pensar no público que eles são feitos. Enquanto assim fôr, batatas. O mercado não vive sózinho, não é uma coisa abstracta.
Untitled
ISRAEL
Nos dias mais recentes alguns cínicos mostram uma enorme indignação face a Israel, depois de anos a fio sem reacção à sucessão de atentados e acções terroristas de organizações palestinianas. Dois pesos, duas medidas. Onde já vimos isto?
Nos dias mais recentes alguns cínicos mostram uma enorme indignação face a Israel, depois de anos a fio sem reacção à sucessão de atentados e acções terroristas de organizações palestinianas. Dois pesos, duas medidas. Onde já vimos isto?
abril 18, 2004
COMENTÁRIO
A mania de acabar as notícias com um comentário é das coisas que mais me irrita - ontem estava a ver a notícia sobre o início de fabricação, em Coimbra, de um novo autocarro para uso urbano quando de repente, e sem se perceber porquê, a menina que estava a ler a peça acaba dizendo que «resta saber se este novo modelo vai convencer os portugueses a utilizar mais os transportes públicos».Isto é mesmo vontade de falar demais, sem nada dizer. Irra!
A mania de acabar as notícias com um comentário é das coisas que mais me irrita - ontem estava a ver a notícia sobre o início de fabricação, em Coimbra, de um novo autocarro para uso urbano quando de repente, e sem se perceber porquê, a menina que estava a ler a peça acaba dizendo que «resta saber se este novo modelo vai convencer os portugueses a utilizar mais os transportes públicos».Isto é mesmo vontade de falar demais, sem nada dizer. Irra!
Untitled
COMENTÁRIO
A mania de acabar as notícias com um comentário é das coisas que mais me irrita - ontem estava a ver a notícia sobre o início de fabricação, em Coimbra, de um novo autocarro para uso urbano quando de repente, e sem se perceber porquê, a menina que estava a ler a peça acaba dizendo que «resta saber se este novo modelo vai convencer os portugueses a utilizar mais os transportes públicos».Isto é mesmo vontade de falar demais, sem nada dizer. Irra!
A mania de acabar as notícias com um comentário é das coisas que mais me irrita - ontem estava a ver a notícia sobre o início de fabricação, em Coimbra, de um novo autocarro para uso urbano quando de repente, e sem se perceber porquê, a menina que estava a ler a peça acaba dizendo que «resta saber se este novo modelo vai convencer os portugueses a utilizar mais os transportes públicos».Isto é mesmo vontade de falar demais, sem nada dizer. Irra!
Untitled
REACÇÃO
O jornalismo reacção esteve em grande nos últimos dias à procura de reacções a citações sem que os próprios inquiridos muitas vezes tivessem conhecimento do contexto em que foram feitas. Poucos factos, muita especulação. Nisto, em 30 anos, a evolução foi fraca.
O jornalismo reacção esteve em grande nos últimos dias à procura de reacções a citações sem que os próprios inquiridos muitas vezes tivessem conhecimento do contexto em que foram feitas. Poucos factos, muita especulação. Nisto, em 30 anos, a evolução foi fraca.
abril 17, 2004
Untitled
OLHAR
Folheio os jornais e dou com imagens do novo Primeiro-Ministro espanhol. Em todas há uma coisa comum: há qualquer coisa de estranho e pouco real no olhar de Zapatero.
Folheio os jornais e dou com imagens do novo Primeiro-Ministro espanhol. Em todas há uma coisa comum: há qualquer coisa de estranho e pouco real no olhar de Zapatero.
abril 16, 2004
ACIDENTAL
Uma das melhores épocas recentes da minha vida deu-se há poucos anos atrás, quando pela mão do Miguel Esteves Cardoso, regressei durante breves meses a «O Independente». Nessa altura conheci por lá o Paulo Pinto de Mascarenhas, que tinha a paciência de nos aturar, de fazer alterações fora de tempo e de razoabilidade. Das pessoas com quem trabalhei nos últimos anos foi das melhores descobertas. Redescobri-o agora no seu blog http://oacidental.blogspot.com/.
Uma das melhores épocas recentes da minha vida deu-se há poucos anos atrás, quando pela mão do Miguel Esteves Cardoso, regressei durante breves meses a «O Independente». Nessa altura conheci por lá o Paulo Pinto de Mascarenhas, que tinha a paciência de nos aturar, de fazer alterações fora de tempo e de razoabilidade. Das pessoas com quem trabalhei nos últimos anos foi das melhores descobertas. Redescobri-o agora no seu blog http://oacidental.blogspot.com/.
Untitled
ACIDENTAL
Uma das melhores épocas recentes da minha vida deu-se há poucos anos atrás, quando pela mão do Miguel Esteves Cardoso, regressei durante breves meses a «O Independente». Nessa altura conheci por lá o Paulo Pinto de Mascarenhas, que tinha a paciência de nos aturar, de fazer alterações fora de tempo e de razoabilidade. Das pessoas com quem trabalhei nos últimos anos foi das melhores descobertas. Redescobri-o agora no seu blog http://oacidental.blogspot.com/.
Uma das melhores épocas recentes da minha vida deu-se há poucos anos atrás, quando pela mão do Miguel Esteves Cardoso, regressei durante breves meses a «O Independente». Nessa altura conheci por lá o Paulo Pinto de Mascarenhas, que tinha a paciência de nos aturar, de fazer alterações fora de tempo e de razoabilidade. Das pessoas com quem trabalhei nos últimos anos foi das melhores descobertas. Redescobri-o agora no seu blog http://oacidental.blogspot.com/.
Untitled
CINEMA
Ainda da edição de hoje da «Esquina» no «Jornal de Negócios»: A propósito da nova Lei do Cinema, que espero seja hoje aprovada na Assembleia da República, não resisto a duas citações que fazem bem o ponto de situação dos interesses em jogo. A primeira é de António-Pedro Vasconcelos que tem sido um dos observadores mais lúcidos do audiovisual português: «uma nova Lei do Cinema não deve servir, como alguns pretendem, para obrigar os portugueses a ver os filmes que se fazem, mas para permitir aos portugueses fazer, enfim, filmes que se vejam». A segunda, nos antípodas, é de João Botelho, um dos arautos do conservadorismo retrógrado em matéria audivisual, que persiste em querer opôr um «cinema do pensamento» a um «cinema do entretenimento» e que afirma que com a nova Lei «a originalidade, a diferença e o património do cinema português podem ser destruídos». Conviria dizer que estas originalidades e diferenças são mais exercícios de estilo para auto-satisfação de alguns e manutenção do «statu quo» do que propriamente um factor artístico criativo que incentive a comunicação com os públicos. O próprio facto de esta comunicação ser entendida como quase pecaminosa por estes ditadores do gosto diz tudo sobre as suas intenções e práticas.
Ainda da edição de hoje da «Esquina» no «Jornal de Negócios»: A propósito da nova Lei do Cinema, que espero seja hoje aprovada na Assembleia da República, não resisto a duas citações que fazem bem o ponto de situação dos interesses em jogo. A primeira é de António-Pedro Vasconcelos que tem sido um dos observadores mais lúcidos do audiovisual português: «uma nova Lei do Cinema não deve servir, como alguns pretendem, para obrigar os portugueses a ver os filmes que se fazem, mas para permitir aos portugueses fazer, enfim, filmes que se vejam». A segunda, nos antípodas, é de João Botelho, um dos arautos do conservadorismo retrógrado em matéria audivisual, que persiste em querer opôr um «cinema do pensamento» a um «cinema do entretenimento» e que afirma que com a nova Lei «a originalidade, a diferença e o património do cinema português podem ser destruídos». Conviria dizer que estas originalidades e diferenças são mais exercícios de estilo para auto-satisfação de alguns e manutenção do «statu quo» do que propriamente um factor artístico criativo que incentive a comunicação com os públicos. O próprio facto de esta comunicação ser entendida como quase pecaminosa por estes ditadores do gosto diz tudo sobre as suas intenções e práticas.
CINEMA
Ainda da edição de hoje da «Esquina» no «Jornal de Negócios»: A propósito da nova Lei do Cinema, que espero seja hoje aprovada na Assembleia da República, não resisto a duas citações que fazem bem o ponto de situação dos interesses em jogo. A primeira é de António-Pedro Vasconcelos que tem sido um dos observadores mais lúcidos do audiovisual português: «uma nova Lei do Cinema não deve servir, como alguns pretendem, para obrigar os portugueses a ver os filmes que se fazem, mas para permitir aos portugueses fazer, enfim, filmes que se vejam». A segunda, nos antípodas, é de João Botelho, um dos arautos do conservadorismo retrógrado em matéria audivisual, que persiste em querer opôr um «cinema do pensamento» a um «cinema do entretenimento» e que afirma que com a nova Lei «a originalidade, a diferença e o património do cinema português podem ser destruídos». Conviria dizer que estas originalidades e diferenças são mais exercícios de estilo para auto-satisfação de alguns e manutenção do «statu quo» do que propriamente um factor artístico criativo que incentive a comunicação com os públicos. O próprio facto de esta comunicação ser entendida como quase pecaminosa por estes ditadores do gosto diz tudo sobre as suas intenções e práticas.
Ainda da edição de hoje da «Esquina» no «Jornal de Negócios»: A propósito da nova Lei do Cinema, que espero seja hoje aprovada na Assembleia da República, não resisto a duas citações que fazem bem o ponto de situação dos interesses em jogo. A primeira é de António-Pedro Vasconcelos que tem sido um dos observadores mais lúcidos do audiovisual português: «uma nova Lei do Cinema não deve servir, como alguns pretendem, para obrigar os portugueses a ver os filmes que se fazem, mas para permitir aos portugueses fazer, enfim, filmes que se vejam». A segunda, nos antípodas, é de João Botelho, um dos arautos do conservadorismo retrógrado em matéria audivisual, que persiste em querer opôr um «cinema do pensamento» a um «cinema do entretenimento» e que afirma que com a nova Lei «a originalidade, a diferença e o património do cinema português podem ser destruídos». Conviria dizer que estas originalidades e diferenças são mais exercícios de estilo para auto-satisfação de alguns e manutenção do «statu quo» do que propriamente um factor artístico criativo que incentive a comunicação com os públicos. O próprio facto de esta comunicação ser entendida como quase pecaminosa por estes ditadores do gosto diz tudo sobre as suas intenções e práticas.
EVOLUÇÃO
Ora experimentem ler o que o Pedro Rolo Duarte escreve hoje no DNA sobre a parva polémica entre evolução e revolução. Está bem dito. Já agora, para puxar a brasa à minha sardinha, no «Jornal de Negócios» de hoje, escrevi:–Quem ler alguns dos escritos opositores ao slogan «Abril é Evolução» pensará que os seus autores preferiam que não tivesse havido evolução nenhuma e apenas revolução. Não muito surpreendentemente o escrito de Fernando Rosas sobre a matéria é o exemplo perfeito do que pode a exploração da distracção histórica entre os leitores – caso curioso já que o autor se reivindica de historiador. É claro que uma leitura atenta do seu artigo no «Público» da passada quarta-feira mostra mais as suas divergências com o responsável nomeado pelo Governo para coordenar as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril do que propriamente qualquer tese inovadora. O revisionismo de Rosas consiste afinal em pouco: em esquecer tudo o que se passou desde o 25 de Novembro de 75, quando a revolução terminou e a evolução começou. Abril, na sua génese, como Rosas bem sabe e na altura não se cansava de repetir, era suposto ser um golpe moderado, que abrisse uma solução colonial e liberalizasse o regime internamente. Durante 18 meses, por força da acção do PCP, as coisas descarrilaram, por vezes perigosamente e na maior parte dos casos bem longe dos desígnios revolucionários e bem perto do que então eram os interesses geo-estratégicos da União Soviética. O resto são pouco mais que boas intenções nunca bem resolvidas. Da revolução – que de facto nunca existiu - ficou bastante pouco, da evolução de um país, felizmente, ficou bastante mais.
Ora experimentem ler o que o Pedro Rolo Duarte escreve hoje no DNA sobre a parva polémica entre evolução e revolução. Está bem dito. Já agora, para puxar a brasa à minha sardinha, no «Jornal de Negócios» de hoje, escrevi:–Quem ler alguns dos escritos opositores ao slogan «Abril é Evolução» pensará que os seus autores preferiam que não tivesse havido evolução nenhuma e apenas revolução. Não muito surpreendentemente o escrito de Fernando Rosas sobre a matéria é o exemplo perfeito do que pode a exploração da distracção histórica entre os leitores – caso curioso já que o autor se reivindica de historiador. É claro que uma leitura atenta do seu artigo no «Público» da passada quarta-feira mostra mais as suas divergências com o responsável nomeado pelo Governo para coordenar as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril do que propriamente qualquer tese inovadora. O revisionismo de Rosas consiste afinal em pouco: em esquecer tudo o que se passou desde o 25 de Novembro de 75, quando a revolução terminou e a evolução começou. Abril, na sua génese, como Rosas bem sabe e na altura não se cansava de repetir, era suposto ser um golpe moderado, que abrisse uma solução colonial e liberalizasse o regime internamente. Durante 18 meses, por força da acção do PCP, as coisas descarrilaram, por vezes perigosamente e na maior parte dos casos bem longe dos desígnios revolucionários e bem perto do que então eram os interesses geo-estratégicos da União Soviética. O resto são pouco mais que boas intenções nunca bem resolvidas. Da revolução – que de facto nunca existiu - ficou bastante pouco, da evolução de um país, felizmente, ficou bastante mais.
Untitled
EVOLUÇÃO
Ora experimentem ler o que o Pedro Rolo Duarte escreve hoje no DNA sobre a parva polémica entre evolução e revolução. Está bem dito. Já agora, para puxar a brasa à minha sardinha, no «Jornal de Negócios» de hoje, escrevi:–Quem ler alguns dos escritos opositores ao slogan «Abril é Evolução» pensará que os seus autores preferiam que não tivesse havido evolução nenhuma e apenas revolução. Não muito surpreendentemente o escrito de Fernando Rosas sobre a matéria é o exemplo perfeito do que pode a exploração da distracção histórica entre os leitores – caso curioso já que o autor se reivindica de historiador. É claro que uma leitura atenta do seu artigo no «Público» da passada quarta-feira mostra mais as suas divergências com o responsável nomeado pelo Governo para coordenar as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril do que propriamente qualquer tese inovadora. O revisionismo de Rosas consiste afinal em pouco: em esquecer tudo o que se passou desde o 25 de Novembro de 75, quando a revolução terminou e a evolução começou. Abril, na sua génese, como Rosas bem sabe e na altura não se cansava de repetir, era suposto ser um golpe moderado, que abrisse uma solução colonial e liberalizasse o regime internamente. Durante 18 meses, por força da acção do PCP, as coisas descarrilaram, por vezes perigosamente e na maior parte dos casos bem longe dos desígnios revolucionários e bem perto do que então eram os interesses geo-estratégicos da União Soviética. O resto são pouco mais que boas intenções nunca bem resolvidas. Da revolução – que de facto nunca existiu - ficou bastante pouco, da evolução de um país, felizmente, ficou bastante mais.
Ora experimentem ler o que o Pedro Rolo Duarte escreve hoje no DNA sobre a parva polémica entre evolução e revolução. Está bem dito. Já agora, para puxar a brasa à minha sardinha, no «Jornal de Negócios» de hoje, escrevi:–Quem ler alguns dos escritos opositores ao slogan «Abril é Evolução» pensará que os seus autores preferiam que não tivesse havido evolução nenhuma e apenas revolução. Não muito surpreendentemente o escrito de Fernando Rosas sobre a matéria é o exemplo perfeito do que pode a exploração da distracção histórica entre os leitores – caso curioso já que o autor se reivindica de historiador. É claro que uma leitura atenta do seu artigo no «Público» da passada quarta-feira mostra mais as suas divergências com o responsável nomeado pelo Governo para coordenar as comemorações dos 30 anos do 25 de Abril do que propriamente qualquer tese inovadora. O revisionismo de Rosas consiste afinal em pouco: em esquecer tudo o que se passou desde o 25 de Novembro de 75, quando a revolução terminou e a evolução começou. Abril, na sua génese, como Rosas bem sabe e na altura não se cansava de repetir, era suposto ser um golpe moderado, que abrisse uma solução colonial e liberalizasse o regime internamente. Durante 18 meses, por força da acção do PCP, as coisas descarrilaram, por vezes perigosamente e na maior parte dos casos bem longe dos desígnios revolucionários e bem perto do que então eram os interesses geo-estratégicos da União Soviética. O resto são pouco mais que boas intenções nunca bem resolvidas. Da revolução – que de facto nunca existiu - ficou bastante pouco, da evolução de um país, felizmente, ficou bastante mais.
abril 15, 2004
Untitled
BAIRRO ALTO – Nestas primeiras noites primaveris passeia-se no Bairro Alto e vêem-se prédios arranjados, ruas limpas, gente a passear, turistas bem dispostos, até ajuntamentos a ouvir fado vadio. Se não tivesse visto não acreditava.
OS INFALÍVEIS – Em Portugal há uma raça abundante designada por infalíveis. Mandam sempre palpite sobre aquilo que não é sua esfera de acção, sabem sempre o que fazer no território dos outros, têm mil ideias para assuntos em geral e poucas para assuntos em particular, sobretudo os seus. Gostam muito de opinar mas temem fazer. Preferem especular a concretizar.
POLÉMICA QUEIROSIANA – Boa parte do que acima se diz aplica-se à recente coqueluche da polémica nacional, que é sobre Eça de Queiroz. Que falta nos faz um Ramalho Ortigão que destape as carecas com farpas! Mais estrangeirados que qualquer personagem de Eça, surgiram uma série de oponentes a que se crie uma casa de Eça de Queiroz em Lisboa. Vamos passar adiante das miudezas, vamos passar adiante de visões académicas da divulgação da cultura e vamos direitos ao assunto: acham que é um disparate existir em Lisboa um espaço dedicado à divulgação da obra de Eça de Queiroz? Opõem-se à sua criação? Acham mal que uma cidade, cujas ruas e gentes tão retratadas foram nos seus romances, evoque o autor? Preferem que nada se faça?
CLÁSSICOS – Com tanta gente a escrever sobre os novos restaurantes e os restaurantes na moda, aqui fica uma sugestão editorial: uma série sobre os grandes clássicos de Lisboa, como o «Oh Lacerda!», desde os anos 40 na Avenida de Berna, depois de ter começado na antiga Feira Popular, a Palhavã. Nestes clássicos, a que poderíamso juntar outras casas como o «Paris», podemos encontrar cozinha honestíssima, preços aceitáveis, bom serviço. Coisas raras nos restaurantes mais modernaços.
INFLAÇÃO – Em semana de propostas editoriais proponho desde já que se comece a estabelecer um gráfico da inflação em restaurantes e demais hotelaria, com início agora e término no pós-Euro. Assim saberemos se há restaurantes que mantêm preços, quais os aumentos mais absurdos, como se processa a caça à carteira.
CARTAZ – Mais uma sugestão editorial: peguem nos nomes dos cartazes dos festivais de música que se aproximam, façam uma pesquisa na net e depois vejam quais são os que apenas tocam em Lisboa ou os que por cá passam a meio de uma digressão europeia. No fim tirem conclusões sobre a capacidade de atracção turística de um espectáculo que dias depois se repete em Madrid, Barcelona ou Paris.
ALMADA – A não perder a exposição sobre a obra gráfica de Almada Negreiros, em exibição no Palácio Galveias, em Lisboa. Centrada no período em que Almada viveu em Madrid, a exposição tem um bom complemento no livro «Marginália», entretanto editado pela Assírio & Alvim.
PAISAGEM – Perto do Beato há uma pequena galeria, paredes meias com um atelier de arquitectura, que volta e meia tem exposições que são revelações: a galeria chama-se Promontório (R da Fábrica de Material de Guerra,10) e a artista chama-se Mariana Viegas. A exposição dá pelo nome de «paisagem emprestada/borrowed landscape».
OS INFALÍVEIS – Em Portugal há uma raça abundante designada por infalíveis. Mandam sempre palpite sobre aquilo que não é sua esfera de acção, sabem sempre o que fazer no território dos outros, têm mil ideias para assuntos em geral e poucas para assuntos em particular, sobretudo os seus. Gostam muito de opinar mas temem fazer. Preferem especular a concretizar.
POLÉMICA QUEIROSIANA – Boa parte do que acima se diz aplica-se à recente coqueluche da polémica nacional, que é sobre Eça de Queiroz. Que falta nos faz um Ramalho Ortigão que destape as carecas com farpas! Mais estrangeirados que qualquer personagem de Eça, surgiram uma série de oponentes a que se crie uma casa de Eça de Queiroz em Lisboa. Vamos passar adiante das miudezas, vamos passar adiante de visões académicas da divulgação da cultura e vamos direitos ao assunto: acham que é um disparate existir em Lisboa um espaço dedicado à divulgação da obra de Eça de Queiroz? Opõem-se à sua criação? Acham mal que uma cidade, cujas ruas e gentes tão retratadas foram nos seus romances, evoque o autor? Preferem que nada se faça?
CLÁSSICOS – Com tanta gente a escrever sobre os novos restaurantes e os restaurantes na moda, aqui fica uma sugestão editorial: uma série sobre os grandes clássicos de Lisboa, como o «Oh Lacerda!», desde os anos 40 na Avenida de Berna, depois de ter começado na antiga Feira Popular, a Palhavã. Nestes clássicos, a que poderíamso juntar outras casas como o «Paris», podemos encontrar cozinha honestíssima, preços aceitáveis, bom serviço. Coisas raras nos restaurantes mais modernaços.
INFLAÇÃO – Em semana de propostas editoriais proponho desde já que se comece a estabelecer um gráfico da inflação em restaurantes e demais hotelaria, com início agora e término no pós-Euro. Assim saberemos se há restaurantes que mantêm preços, quais os aumentos mais absurdos, como se processa a caça à carteira.
CARTAZ – Mais uma sugestão editorial: peguem nos nomes dos cartazes dos festivais de música que se aproximam, façam uma pesquisa na net e depois vejam quais são os que apenas tocam em Lisboa ou os que por cá passam a meio de uma digressão europeia. No fim tirem conclusões sobre a capacidade de atracção turística de um espectáculo que dias depois se repete em Madrid, Barcelona ou Paris.
ALMADA – A não perder a exposição sobre a obra gráfica de Almada Negreiros, em exibição no Palácio Galveias, em Lisboa. Centrada no período em que Almada viveu em Madrid, a exposição tem um bom complemento no livro «Marginália», entretanto editado pela Assírio & Alvim.
PAISAGEM – Perto do Beato há uma pequena galeria, paredes meias com um atelier de arquitectura, que volta e meia tem exposições que são revelações: a galeria chama-se Promontório (R da Fábrica de Material de Guerra,10) e a artista chama-se Mariana Viegas. A exposição dá pelo nome de «paisagem emprestada/borrowed landscape».
BAIRRO ALTO – Nestas primeiras noites primaveris passeia-se no Bairro Alto e vêem-se prédios arranjados, ruas limpas, gente a passear, turistas bem dispostos, até ajuntamentos a ouvir fado vadio. Se não tivesse visto não acreditava.
OS INFALÍVEIS – Em Portugal há uma raça abundante designada por infalíveis. Mandam sempre palpite sobre aquilo que não é sua esfera de acção, sabem sempre o que fazer no território dos outros, têm mil ideias para assuntos em geral e poucas para assuntos em particular, sobretudo os seus. Gostam muito de opinar mas temem fazer. Preferem especular a concretizar.
POLÉMICA QUEIROSIANA – Boa parte do que acima se diz aplica-se à recente coqueluche da polémica nacional, que é sobre Eça de Queiroz. Que falta nos faz um Ramalho Ortigão que destape as carecas com farpas! Mais estrangeirados que qualquer personagem de Eça, surgiram uma série de oponentes a que se crie uma casa de Eça de Queiroz em Lisboa. Vamos passar adiante das miudezas, vamos passar adiante de visões académicas da divulgação da cultura e vamos direitos ao assunto: acham que é um disparate existir em Lisboa um espaço dedicado à divulgação da obra de Eça de Queiroz? Opõem-se à sua criação? Acham mal que uma cidade, cujas ruas e gentes tão retratadas foram nos seus romances, evoque o autor? Preferem que nada se faça?
CLÁSSICOS – Com tanta gente a escrever sobre os novos restaurantes e os restaurantes na moda, aqui fica uma sugestão editorial: uma série sobre os grandes clássicos de Lisboa, como o «Oh Lacerda!», desde os anos 40 na Avenida de Berna, depois de ter começado na antiga Feira Popular, a Palhavã. Nestes clássicos, a que poderíamso juntar outras casas como o «Paris», podemos encontrar cozinha honestíssima, preços aceitáveis, bom serviço. Coisas raras nos restaurantes mais modernaços.
INFLAÇÃO – Em semana de propostas editoriais proponho desde já que se comece a estabelecer um gráfico da inflação em restaurantes e demais hotelaria, com início agora e término no pós-Euro. Assim saberemos se há restaurantes que mantêm preços, quais os aumentos mais absurdos, como se processa a caça à carteira.
CARTAZ – Mais uma sugestão editorial: peguem nos nomes dos cartazes dos festivais de música que se aproximam, façam uma pesquisa na net e depois vejam quais são os que apenas tocam em Lisboa ou os que por cá passam a meio de uma digressão europeia. No fim tirem conclusões sobre a capacidade de atracção turística de um espectáculo que dias depois se repete em Madrid, Barcelona ou Paris.
ALMADA – A não perder a exposição sobre a obra gráfica de Almada Negreiros, em exibição no Palácio Galveias, em Lisboa. Centrada no período em que Almada viveu em Madrid, a exposição tem um bom complemento no livro «Marginália», entretanto editado pela Assírio & Alvim.
PAISAGEM – Perto do Beato há uma pequena galeria, paredes meias com um atelier de arquitectura, que volta e meia tem exposições que são revelações: a galeria chama-se Promontório (R da Fábrica de Material de Guerra,10) e a artista chama-se Mariana Viegas. A exposição dá pelo nome de «paisagem emprestada/borrowed landscape».
OS INFALÍVEIS – Em Portugal há uma raça abundante designada por infalíveis. Mandam sempre palpite sobre aquilo que não é sua esfera de acção, sabem sempre o que fazer no território dos outros, têm mil ideias para assuntos em geral e poucas para assuntos em particular, sobretudo os seus. Gostam muito de opinar mas temem fazer. Preferem especular a concretizar.
POLÉMICA QUEIROSIANA – Boa parte do que acima se diz aplica-se à recente coqueluche da polémica nacional, que é sobre Eça de Queiroz. Que falta nos faz um Ramalho Ortigão que destape as carecas com farpas! Mais estrangeirados que qualquer personagem de Eça, surgiram uma série de oponentes a que se crie uma casa de Eça de Queiroz em Lisboa. Vamos passar adiante das miudezas, vamos passar adiante de visões académicas da divulgação da cultura e vamos direitos ao assunto: acham que é um disparate existir em Lisboa um espaço dedicado à divulgação da obra de Eça de Queiroz? Opõem-se à sua criação? Acham mal que uma cidade, cujas ruas e gentes tão retratadas foram nos seus romances, evoque o autor? Preferem que nada se faça?
CLÁSSICOS – Com tanta gente a escrever sobre os novos restaurantes e os restaurantes na moda, aqui fica uma sugestão editorial: uma série sobre os grandes clássicos de Lisboa, como o «Oh Lacerda!», desde os anos 40 na Avenida de Berna, depois de ter começado na antiga Feira Popular, a Palhavã. Nestes clássicos, a que poderíamso juntar outras casas como o «Paris», podemos encontrar cozinha honestíssima, preços aceitáveis, bom serviço. Coisas raras nos restaurantes mais modernaços.
INFLAÇÃO – Em semana de propostas editoriais proponho desde já que se comece a estabelecer um gráfico da inflação em restaurantes e demais hotelaria, com início agora e término no pós-Euro. Assim saberemos se há restaurantes que mantêm preços, quais os aumentos mais absurdos, como se processa a caça à carteira.
CARTAZ – Mais uma sugestão editorial: peguem nos nomes dos cartazes dos festivais de música que se aproximam, façam uma pesquisa na net e depois vejam quais são os que apenas tocam em Lisboa ou os que por cá passam a meio de uma digressão europeia. No fim tirem conclusões sobre a capacidade de atracção turística de um espectáculo que dias depois se repete em Madrid, Barcelona ou Paris.
ALMADA – A não perder a exposição sobre a obra gráfica de Almada Negreiros, em exibição no Palácio Galveias, em Lisboa. Centrada no período em que Almada viveu em Madrid, a exposição tem um bom complemento no livro «Marginália», entretanto editado pela Assírio & Alvim.
PAISAGEM – Perto do Beato há uma pequena galeria, paredes meias com um atelier de arquitectura, que volta e meia tem exposições que são revelações: a galeria chama-se Promontório (R da Fábrica de Material de Guerra,10) e a artista chama-se Mariana Viegas. A exposição dá pelo nome de «paisagem emprestada/borrowed landscape».
abril 01, 2004
MEMÓRIA
Nalgumas alturas não resisto a estimular a memória: aqui há pouco mais de um ano a dúvida não era sobre se a RTP e a RDP conseguiriam mudar dentro do calendário previsto para as novas instalações, inauguradas esta semana. Para que todos nos lembremos, há pouco mais de um ano abundavam os profetas que garantiam que era impossível juntar as duas empresas no mesmo edifício, que a obra nunca ficaria pronta, que o plano era impossível de cumprir. Para que conste os profetas da desgraça enganaram-se. Mas convém que todos nos lembremos do que disseram.
Nalgumas alturas não resisto a estimular a memória: aqui há pouco mais de um ano a dúvida não era sobre se a RTP e a RDP conseguiriam mudar dentro do calendário previsto para as novas instalações, inauguradas esta semana. Para que todos nos lembremos, há pouco mais de um ano abundavam os profetas que garantiam que era impossível juntar as duas empresas no mesmo edifício, que a obra nunca ficaria pronta, que o plano era impossível de cumprir. Para que conste os profetas da desgraça enganaram-se. Mas convém que todos nos lembremos do que disseram.
Untitled
MEMÓRIA
Nalgumas alturas não resisto a estimular a memória: aqui há pouco mais de um ano a dúvida não era sobre se a RTP e a RDP conseguiriam mudar dentro do calendário previsto para as novas instalações, inauguradas esta semana. Para que todos nos lembremos, há pouco mais de um ano abundavam os profetas que garantiam que era impossível juntar as duas empresas no mesmo edifício, que a obra nunca ficaria pronta, que o plano era impossível de cumprir. Para que conste os profetas da desgraça enganaram-se. Mas convém que todos nos lembremos do que disseram.
Nalgumas alturas não resisto a estimular a memória: aqui há pouco mais de um ano a dúvida não era sobre se a RTP e a RDP conseguiriam mudar dentro do calendário previsto para as novas instalações, inauguradas esta semana. Para que todos nos lembremos, há pouco mais de um ano abundavam os profetas que garantiam que era impossível juntar as duas empresas no mesmo edifício, que a obra nunca ficaria pronta, que o plano era impossível de cumprir. Para que conste os profetas da desgraça enganaram-se. Mas convém que todos nos lembremos do que disseram.
março 31, 2004
A CÔR
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
Untitled
A CÔR
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
março 26, 2004
MUDAR
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Untitled
MUDAR
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Untitled
TEATRO
Amanhã é Dia Mundial do Teatro. A nova direcção do Teatro Nacional D. Maria fez uma programação cheia de imaginação e surpresas a que chamou um dia desCONCERTANTE. António Lagarto prepara, aos poucos, o regresso do D. Maria ao lugar que lhe compete.
Amanhã é Dia Mundial do Teatro. A nova direcção do Teatro Nacional D. Maria fez uma programação cheia de imaginação e surpresas a que chamou um dia desCONCERTANTE. António Lagarto prepara, aos poucos, o regresso do D. Maria ao lugar que lhe compete.
JORNAL
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
Untitled
JORNAL
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
março 24, 2004
Untitled
FRESCO
O momento para-laboral mais divertido e fresco que passei desde que estou a colaborar no grupo RTP foi hoje à noite no Coliseu, na festa de aniversário da Antena 3. Que grande disco os Da Weasel vão ter. E que boa onda ali estava. Música portuguesa, rádio em serviço público.
O momento para-laboral mais divertido e fresco que passei desde que estou a colaborar no grupo RTP foi hoje à noite no Coliseu, na festa de aniversário da Antena 3. Que grande disco os Da Weasel vão ter. E que boa onda ali estava. Música portuguesa, rádio em serviço público.
março 22, 2004
Untitled
O NOVO
Vejo mais sorrisos. Há caras sombrias, saudades não se sabe bem do quê. Mas vejo sorrisos. E agora todos olhos para todos. Não há esconderijos. Só por isso valia a pena a trabalheira da mudança.
Vejo mais sorrisos. Há caras sombrias, saudades não se sabe bem do quê. Mas vejo sorrisos. E agora todos olhos para todos. Não há esconderijos. Só por isso valia a pena a trabalheira da mudança.
março 19, 2004
FINALMENTE
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
Untitled
FINALMENTE
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
fevereiro 20, 2004
COMO HOJE Ã SEXTA
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
Untitled
COMO HOJE Ã SEXTA
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
fevereiro 19, 2004
O PERFIL PARA DIRIGIR UMA ESTAÇÃO DE TELEVISÃO
Max Hastings escreve uma deliciosa crónica na «Spectator» onde relata as características que deve ter o futuro dirigente da BBC. Ora vejam.
Max Hastings escreve uma deliciosa crónica na «Spectator» onde relata as características que deve ter o futuro dirigente da BBC. Ora vejam.
BLOGS SERVEM PARA RECOLHER FUNDOS
O mais recente êxito dos blogs na campanha presidencial norte-americana é a sua utilização para a recolha de fundos. Vejam aqui na Wired.
O mais recente êxito dos blogs na campanha presidencial norte-americana é a sua utilização para a recolha de fundos. Vejam aqui na Wired.
janeiro 09, 2004
DIÁRIO DE BORDO V
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
Untitled
DIÁRIO DE BORDO V
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
janeiro 08, 2004
DIÁRIO DE BORDO IV
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
Untitled
DIÁRIO DE BORDO IV
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
janeiro 07, 2004
DIÁRIO DE BORDO III
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
Untitled
DIÁRIO DE BORDO III
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
janeiro 06, 2004
DIÁRIO DE BORDO II
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
Untitled
DIÁRIO DE BORDO II
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
janeiro 05, 2004
DIÁRIO DE BORDO I
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
Untitled
DIÁRIO DE BORDO I
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
dezembro 20, 2003
Untitled
PUTIN
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Untitled
A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Untitled
AUSÊNCIAS
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
dezembro 12, 2003
Untitled
SENTIR
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Untitled
A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
dezembro 11, 2003
A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Untitled
A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Untitled
DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Untitled
LUZ
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
Untitled
INSÓNIA
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
Untitled
BOA IDEIA
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
Untitled
PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
dezembro 08, 2003
CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Untitled
CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Untitled
CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Untitled
CASA
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
dezembro 06, 2003
IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Untitled
IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
Untitled
A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
Untitled
ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
dezembro 02, 2003
SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Untitled
SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Subscrever:
Mensagens (Atom)