A CÔR
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
O que vou escrevendo, entre o Weekend do Jornal de Negócios e os Pensamentos Ociosos no SAPO. E mais umas coisas avulsas...
março 31, 2004
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A CÔR
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
A Comissão de Trabalhadores da RTP pediu hoje, dia da inauguração das novas inatalações, que as pessoas da casa venham de preto.
É o apego ao passado, a defesa do que foi e do que era sem mais razão que o imobilismo - como os lamentos que ontem se ouviram por abandonar a triste cinco de outubro.
Bem sei que muitos gostavam mais de uma televisão a preto e branco. Mas felizmente, pelo que se vê nos corredores, dominam as cores e vê-se mesmo que há quem tenha, propositadamente, escolhido roupas ou peças de roupa garridas.
Não resisto, hoje, a citar Camões:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o Ser, muda-se a confiança;
Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
março 26, 2004
MUDAR
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
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MUDAR
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
Bem sei que não é politicamente correcto falar do local onde trabalhamos, mas não resisto: mudar em simultâneo várias estações de rádio e de televisão e concentrá-las num mesmo espaço e ainda por cima conseguir que tudo continue a decorrer com razoável normalidade e sem sobressaltos de maior no dia-a-dia é obra. RTP e RDP estão a partir de agora juntas, num novo espaço. Em grandes salas abertas as pessoas vêem-se umas às outras. Desapareceram os gabinetes sorumbáticos, há luz, espaço e condições de trabalho inegavelmente melhores. Quem gostava de estar no seu cantinho atrás de uma porta fechada terá alguma dificuldade em viver em espaço aberto, mas a concentração num só edifício ajuda a que as várias áreas da empresa colaborem melhor entre si, como já começa a acontecer.
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TEATRO
Amanhã é Dia Mundial do Teatro. A nova direcção do Teatro Nacional D. Maria fez uma programação cheia de imaginação e surpresas a que chamou um dia desCONCERTANTE. António Lagarto prepara, aos poucos, o regresso do D. Maria ao lugar que lhe compete.
Amanhã é Dia Mundial do Teatro. A nova direcção do Teatro Nacional D. Maria fez uma programação cheia de imaginação e surpresas a que chamou um dia desCONCERTANTE. António Lagarto prepara, aos poucos, o regresso do D. Maria ao lugar que lhe compete.
JORNAL
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
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JORNAL
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
Anda aí uma rapaziada a querer dar cabo do modelo de informação do Jornal 2. Um dia hei-de contar quem não quis o modelo que hoje é elogiado, quem passou estes três meses a dificultar a vida à sua equipa, como as coisas de facto aconteceram e que pequenas pulhices se vão fazendo no dia a dia, em contradição com o que estava combinado sobre forma e organização. Fica para as minhas memórias.
março 24, 2004
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FRESCO
O momento para-laboral mais divertido e fresco que passei desde que estou a colaborar no grupo RTP foi hoje à noite no Coliseu, na festa de aniversário da Antena 3. Que grande disco os Da Weasel vão ter. E que boa onda ali estava. Música portuguesa, rádio em serviço público.
O momento para-laboral mais divertido e fresco que passei desde que estou a colaborar no grupo RTP foi hoje à noite no Coliseu, na festa de aniversário da Antena 3. Que grande disco os Da Weasel vão ter. E que boa onda ali estava. Música portuguesa, rádio em serviço público.
março 22, 2004
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O NOVO
Vejo mais sorrisos. Há caras sombrias, saudades não se sabe bem do quê. Mas vejo sorrisos. E agora todos olhos para todos. Não há esconderijos. Só por isso valia a pena a trabalheira da mudança.
Vejo mais sorrisos. Há caras sombrias, saudades não se sabe bem do quê. Mas vejo sorrisos. E agora todos olhos para todos. Não há esconderijos. Só por isso valia a pena a trabalheira da mudança.
março 19, 2004
FINALMENTE
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
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FINALMENTE
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
Pronto, já está. Tudo encaixotado para a mudança. Adeus 5 de Outubro -. que edifício mais mal amanhado para uma estação de televisão. Segunda-feira começa vida nova no novo edifício, tudo junto, RDP e RTP. Haverá choro e ranger de dentes, mas também, de certeza, um espírito novo. Haverá quem não se habitue aos espaços abertos e tenha saudades dos gabinetes sombrios. Mas muitos não hesitarão em sorrir com as novas paredes.
fevereiro 20, 2004
COMO HOJE Ã SEXTA
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
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COMO HOJE Ã SEXTA
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
Excerto da coluna «A Esquina do Rio» hoje publicada no Jornal de Negócios
No processo de reestruturação do canal 2 da RTP surgiram numerosas vozes preocupadas com a manutenção de alguns espaços de programação, como as séries de grande qualidade, gravações de concertos, bailados ou teatros. Na programação da nova 2: houve a preocupação de reter as séries e dar até novos passos na aquisição de séries (boas surpresas dentro em breve) e em gravações de concertos da BBC, como os célebres «Promenade», e, ainda, de avançar para novas linhas de documentários (mais surpresas também em breve). Todas as decisões de escolha de programas para a 2: foram feitas sem ter em conta o critério de audiências: na verdade quer as séries de ficção, quer as gravações de artes cénicas são programas com riscos consideráveis para o «share» da estação. Ainda esta semana li sobre a vantagem que é ter boas séries ou bons programas à s dez da noite â é verdade, por isso os programámos para essa hora, mas de facto eles registam audiências reduzidas e temos que viver com isso. A 2: é um canal complementar, que tem e deve ter uma oferta que se distinga dos outros canais de sinal aberto. Não vale a pena alimentar ilusões para além deste objectivo: espero que a programação escolhida possa servir para criar novos hábitos e alargar as possibilidades de escolha a novos públicos. à esse o único sentido do esforço que está a ser feito, o esforço de fazer um serviço público.
fevereiro 19, 2004
O PERFIL PARA DIRIGIR UMA ESTAÇÃO DE TELEVISÃO
Max Hastings escreve uma deliciosa crónica na «Spectator» onde relata as características que deve ter o futuro dirigente da BBC. Ora vejam.
Max Hastings escreve uma deliciosa crónica na «Spectator» onde relata as características que deve ter o futuro dirigente da BBC. Ora vejam.
BLOGS SERVEM PARA RECOLHER FUNDOS
O mais recente êxito dos blogs na campanha presidencial norte-americana é a sua utilização para a recolha de fundos. Vejam aqui na Wired.
O mais recente êxito dos blogs na campanha presidencial norte-americana é a sua utilização para a recolha de fundos. Vejam aqui na Wired.
janeiro 09, 2004
DIÁRIO DE BORDO V
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
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DIÁRIO DE BORDO V
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
Giro, giro é saber por uns amigos dos jornais que anda aí uma raparigada e uma rapaziada cá da casa a fazer uma campanhinha anti-2:, na base da sempre saudável comparação com o antigamente. Isto é daquelas coisas que é sempre bonito de ver e de saber. Não acham engraçado que isto se passe?
janeiro 08, 2004
DIÁRIO DE BORDO IV
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
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DIÁRIO DE BORDO IV
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
Já agora, e como é pouco costume dizer-se o que correu bem, aqui fica um testemunho. Uma das coisas que tem merecido destaque é a nova imagem da 2:, Em geral as apreciações têm sido positivas, mas isso só acontece porque houve uma grande equipa a tratar dela. para além da Brandia, que fez o conceito geral e desenhou as matrizes. Todo o desenvolvimento posterior foi feito dentro da RTP: genéricos, quadros de grafismos, as bases das autopromoções, os separadores, as cortinas, as inserções de títulos. Cabe aqui destacar o trabalho da equipa do Nicolau Tudela, que até à hora do canal ir para o ar esteve a aperfeiçoar, a melhorar, a desenvolver os aspectos da imagem que têm sido elogiados. Trabalharam MESMO dia e noite, sem fins de semana e feriados mesmo na altura difícil das festas. Sem a equipa do Nicolau nos grafismos, sem a ajuda do Ari em tudo o que é identidade sonora, a 2: não seria o que é. Desde o início eles perceberam o conceito do canal - estamos a falar em inícios do Verão - e desde o início ajudaram a fazer a transformação que hoje se vê e se ouve. Cabe dizer que tiveram um espírito raro: não disseram nunca que não, sugeriram melhorias, deram alternativas, foram criativos, estiveram sempre disponíveis. Eles são uma grande equipa e trabalhar com eles é verdadeiramente um privilégio. Quem me dera que tudo fosse assim.
janeiro 07, 2004
DIÁRIO DE BORDO III
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
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DIÁRIO DE BORDO III
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
A primeira emissão correu sem muitos percalços. Um irritante atraso no «Tudo Em Família» foi a coisa mais aborrecida, que levou a que a promessa de cumprimento de horários não fosse cumprida no primeiro dia de emissão - vá-se lá saber porquê, quando estava tudo pronto e combinado.
A descoberta do dia é que pelos vistos o assunto mais complicado da produção para algumas pessoas é a ficha técnica e a forma como ela aparece. Nunca tinha dado por isso na vida mas ontem dei por mim a perder mais tempo com esse assunto do que com questões mais substantivas. Está-se sempre a aprender...
As estreias correram bem: os programas com os parceiros falaram de problemas reais e o Quisoque eo Magazine mostraram ser diferentes.
Bem sei que sou suspeito, mas ontem o Jornal 2 melhorou muito e mostrou como em meia hora se consegue dar uma boa ideia do que se passou.
Há coisas a corrigir na emissão em geral? Pois há, mas isso é natural.
Como eu esperava as audiências desceram. Os alarmistas vão entrar em pânico e não é demais repetir que do ponto de vista de audiências esta grelha é mais arriscada que a situação anterior.
janeiro 06, 2004
DIÁRIO DE BORDO II
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
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DIÁRIO DE BORDO II
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
Hoje é o primeiro dia a sério. À tarde começam os novos programas, a grelha está no ar o dia inteiro. Estreiam o «Tudo em Família» (16h00), o «Causas Comuns» (18h30) , o «Quiosque» (19h30) e o «Magazine» (21h00).
O Jornal 2 esteve bem, a abertura foi forte, o fecho com uma notícia de ciência (Marte) foi bem conseguido, demos mais noticiário internacional, os gráficos da economia têm muita leitura, a realização da entrevista foi envolvente. E viu-se que se consegue perceber bem a actualidade em meia hora. Logo há mais. A sequência da noite correu bem, o documentário da «Discovery» sobre a Cidade Proibida (documentário aliás premiado) era muito bom.
Em geral as mensagens de fora foram estimulantes, excepto a de uma pessoa que achou mal a entrada do canal: devia querer que nos esquecêssemos do que andaram a dizer durante um ano do que estávamos a fazer. Fizemos a nossa cronologia - factual, mostrámos alguns dos que nos apoiam, apresentámos a grelha. O pior cego é o que não quer ver. E o que acha que só a sua opinião conta e tem razão.
Toda a gente gosta do grafismo. Eu tamb´´em, muito.
Agora começa o pior: fazer isto todos os dias e ir surpreendendo. Vamos a isso..
janeiro 05, 2004
DIÁRIO DE BORDO I
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
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DIÁRIO DE BORDO I
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
Véspera de lançamento, dia calmo. Ensaios gerais a correrem de feição, últimos toques nos grafismos, pequenas correcções aqui e ali. Afinação do directo de abertura de emissão, conclusão do «making of» da dois.
De manhã uma máquina crashou e teve problemas e recobro, promete-se assist~encia de urgência logo hoje pela manhã.
O dia ainda vai ser muito de testes, só a partir das nove se arranca a sério. Amanhã, terça, é que vai ser a doer, desde manhãzinha.
dezembro 20, 2003
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PUTIN
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
O gigantesco fórum televisivo de Putin, dias depois das eleições, dá que pensar. Foi uma das mais extraordinárias jogadas políticas de relações públicas de um presidente em exercício, ainda por cima recém eleito, de que tenho memória.
A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
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A ESQUINA ESCRITA
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
Excertos do artigo publicado no «Jornal de Negócios» do dia 19 de Dezembro:
SOBRE A POLÍTICA
Quando se olha para o panorama dos diversos partidos começa a ser preocupante a falta de renovação de quadros, o não surgimento de novas gerações de dirigentes, a quase nula capacidade de atracção dos mais novos para a actividade política, para os actos de cidadania que fazem a nossa sociedade viver.
Mas não é só nos partidos que isto se nota – a falta de interesse pela participação cívica no dia-a-dia atinge todos os sectores. Organizações não governamentais, fóruns de debate, associações locais ou regionais mostram evidentes sinais de dificuldades de mobilização.
A sensação que tenho é que existe cada vez mais gente a achar que a actividade política é uma coisa desinteressante, que os partidos políticos são o refúgio dos párias, retomando-se aos poucos aquela velha percepção de que pessoas sérias não se devem meter na política.
Este sentimento, que alastra todos os dias, tem obviamente as suas razões para se ter propagado. Mas a maior das razões é a falta de mecanismos que levem as pessoas, desde cedo, a interessar-se pela participação cívica, que levem os mais novos a perceber que não basta ter uma opinião e exprimi-la, que também é importante organizar pessoas em torno de uma ideia e, em conjunto, lutar por ela.
Quando olhamos à nossa volta e comparamos o rol de efectivos e activos na política (seja no Governo, seja na oposição), notamos uma enorme diferença para o que existia há uns anos atrás: aos poucos os mais experientes, os melhores políticos e parlamentares foram-se afastando da política activa para outras actividades. De certa forma entrou em acção uma segunda linha, pouco experiente, pouco mobilizadora, às vezes decepcionante.
Há muitas razões para isto e certamente a falta de cuidado na dignificação da actividade política, a recusa em encarar de frente a necessidade de efectuar uma reforma do sistema que aproxime os eleitos dos cidadãos, a eterna falta de coragem em abordar os vencimentos dos políticos e em conseguir remunerá-los ao nível de outros dirigentes, são causas evidentes de que muita gente se desmotive e não pense nunca na política como uma actividade prestigiante e fundamental do ponto de vista cívico.
Precisamos de bons autarcas, desde as Juntas de Freguesia até às Câmaras Municipais, precisamos de deputados activos num Parlamento mais dinâmico, precisamos de organizações que mobilizem os cidadãos e que não pensem só neles durante os períodos eleitorais.
Daqui a poucos meses assinalam-se 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974, sobre a mudança de regime, sobre o surgimento de partidos políticos. Várias gerações não sabem hoje o que era viver com censura, sem liberdade de expressão, sem eleições, sem partidos políticos, na verdade sem actividade política. Estas gerações entendem mal a razão de ser da participação na política, têm tendência a achar que isso é actividade menor e não percebem muitas vezes sequer porque há quem se meta nisso.
A reforma do nosso sistema político, que está à beira dos 30 anos, é uma necessidade se queremos estimular a participação cívica. Há assuntos que devem ser encarados de frente para que mais gente se interesse pela política, aceite fazer parte de listas, aceite candidatar-se. Precisamos de uma nova geração de políticos e dirigentes partidários que saiba falar a linguagem da sua própria geração, que saiba quais são os temas que devem marcar a sua agenda, que se preocupe em fomentar a participação dos cidadãos utilizando as novas tecnologias.
Estamos a um passo da democracia electrónica – que começa a ser uma realidade em alguns pontos do mundo. Não podemos continuar a olhar para a política apenas como um festival de oratória.
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AUSÊNCIAS
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
Em fase de muito trabalho, o blog tem estas ausências. Volta e meia passarei por aqui. Pelo menos para deixar uma vesão do que ficou publicado.
dezembro 12, 2003
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SENTIR
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A memória ajuda-nos a perdurar o sentir do que já vivemos e a poder sentir melhor o que se descobre .
A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
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A ESQUINA IMPRESSA - NÚMEROS DA CULTURA
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
Como hoje é sexta, é dia de «A Esquina» aparecer impressa no
Jornal de Negócios. Excertos, sobre as estatísticas da Cultura:
Os 591 museus portugueses foram visitados em 2002 por 9,2 milhões de pessoas, 18% das quais inseridos em grupos escolares...Os 668 espaços que em 2002 realizaram mostras de artes plásticas apresentaram 5527 exposições com 220 836 obras expostas.
As 1917 bibliotecas seguidas pelo inquérito do INE tiveram 11,9 milhões de utilizadores que consultaram 16,3 milhões de documentos...Em 2002 realizaram-se cerca de 15 mil sessões de espectáculos ao vivo, com um total de 2,2 milhões de bilhetes vendidos e 2 milhões de bilhetes oferecidos, um total de 4,3 milhões de espectadores que geraram receitas de 22,6 milhões de euros. O Teatro vai à frente com 56% do total das sessões, 1,3 milhões de espectadores (30% do total) e 7,2 milhões de euros de receitas com um preço médio por bilhete de 9,8 euros. Os concertos de música ligeira e clássica registaram um milhão de espectadores com receitas de 4,5 milhões de euros.
O número de salas de cinema em 2002 foi de 245, com 490 écrans activos e 111664 lugares. Foram realizadas 504,7 mil sessões com 19,5 milhões de espectadores, 64% dos quais em sessões nocturnas, um ligeiro aumento global face ao ano anterior...
Em 2002 as despesas das Câmaras Municipais com actividades culturais ascenderam a 766 milhões de euros, um acréscimo de 14% face ao ano aterior, o que não deixa de ser curioso tendo em conta as alterações verificadas no panorama geopolítico depois das autárquicas de Dezembro de 2001...
Por outro lado um estudo recente realizado por iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros indica que 78% da população com idades entre os 15 e 65 anos se declara leitora de livros ou publicações periódicas. Na altura da realização do inquérito (Março de 2003), 58% dos inquiridos declarava estar a ler um livro e o número médio de livros lido por ano por aqueles que se confessam leitores é de 11 e o tempo médio semanal dedicado à leitura de livros ou periódicos é de 3 horas em 60% dos casos. 47% dos inquiridos declararam-se compradores de livros, em média 9 por ano. 87% declara ter livros em casa. O estudo, realizado pela Nielsen para a APEL (www.apel.pt), mostra ainda que os indicadores genéricos na área do livro e da leitura têm progredido de forma regular, de 1985 para cá.
É aliás o mesmo que se verifica quando se compara o estudo citado do INE com o de anos anteriores. Há mais espectadores, há mais iniciativas, há mais dinheiro a circular em todo o sector...
Mais importante, existe diversidade – e provavelmente é essa diversidade que leva a que alguns guetos para onde a cultura e alguns dos seus agentes gostaram de ser remetidos estejam hoje em dia mais diluídos e tenham menos notoriedade... Há menos “iluminados” no meio dos que frequentam actividades culturais? Isso a mim parece-me bem – embora para outros seja o desmoronar de um clube restrito que gostariam de ter mantido por mais tempo.
dezembro 11, 2003
A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
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A CRISE NA DISNEY
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
Demissões em série, contestação aberta ao presidente da companhia, resultados operacionais em queda, tudo isto são os dados mais recentes de uma das maiores companhias de entretenimento do mundo. Roy Disney, sobrinho e filho dos fundadores da companhia, demitiu-se em 30 de Novembro do Conselho de Administração, em guerra aberta com Michael Eisner. A 1 de Dezembro foi a vez de Stanley Gold se demitir. Ambos fundaram um site, Save Disney que é um dos melhores exemplos de como a net pode ser um centro operacional de informação numa estratégia de guerra de opinião contra os poderes estabelecidos - até dentro de uma grande multinacional. As cartas de demissão de ambos merecem ser lidas.
DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
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DADOS DA CULTURA
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
Como se viu por estes dias num debate da RTP 1 sobre política cultural, há quem gosta de falar muito sem saber bem do que está a falar. Como a coisa às vezes atingiu momentos surrealistas, remoendo as leitura dos mais recentes dados do Instituto nacional de Estatística sobre o sector que podem ser acedidos a partir daqui. E, já agora, um estudo deste ano da Associação de Editores e Livreiros (APEL), que pode ser consultado indo a este sítio. A todos uma boa leitura.
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LUZ
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
Repararam na luz que esteve ontem? Esta luz única que Lisboa tem nestes dias de Inverno em que não chove, quando o rio brilha e a cidade parece que acabou de ser pintada de fresco.
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INSÓNIA
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
Dois dias seguidos a acordar às cinco da manhã começa a ser um bocado demais. A única vantagem é poder sentar-me aqui a escrever estes posts.
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BOA IDEIA
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
A reedição da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andersen, que retoma osx formatos originais de edição dos seus poemas, é das melhores coisinhas que se tem feito nesta terra em matéria editorial. A Caminho está de parabéns.
PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
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PARA OS FANÁTICOS APPLE
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
As lojas Apple exercem um estranho fascínio. A recente inauguração da mais recente, em Tóquio, foi um acontecimento: filas de quase duas mil pessoas, á espera toda a noite, á chuva. Entre elas dois americanos, pais e filhos, que voaram da California só para terem o prazer de estarem entre os primeiros clientes. Estranho? AWired conta a história.
dezembro 08, 2003
CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
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CITAÇÕES I
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
Quando os outros escrevem o que gostaríamos de ter tido o senso de escrever, nada melhor que os citar:
BOLSAS. Nos comentários, um pouco por todo o lado, sobre as bolsas de criação literária lêem-se coisas espantosas, infelizmente por parte de quem as defende de forma incondicional, como se fosse obrigação do Estado pagar os seus escritores. Não é. Nunca concorri a nenhuma delas e não recebi nenhum subsídio — mas não me incomoda que alguns escritores tenham obtido bolsas por um período determinado. Acho que fizeram bem. No geral, negoceio com o meu editor e isso basta-me. Mas é o meu caso e eu não gosto de juízos morais — e também não gosto desse processo de intenções que faz disto um caso político, até porque acho que, em circunstâncias ideais, o Estado não devia ter nada a ver com o domínio da criação — não gosto do Estado nem da galeria de comissários do gosto (sobretudo quando são vanguardistas, porque têm tendência para se tornarem pequenos ditadores), funcionários da «divisão de estética e metacrítica», pedagogos oficiais e ressentidos com poder. Sobretudo isso — não gosto do Estado nem do seu ressentimento. O desejo de ser pago pelo Estado assusta-me. É uma dependência medíocre. Mas, como escrevi, é uma opção pessoal.
Muita gente fala «dos escritores» como se aqueles que não vivem dos seus direitos de autor, ou seja, do seu trabalho como escritores, fossem herdeiros de fortunas familiares e tranquilizadoras, pagos por «internacionais do capital» ou felizardos que arranjaram dinheiro ao virar da esquina. Não: são pessoas que muitas vezes têm um emprego normal (ou banal, ou desinteressante, ou fascinante, ora bem ou mal pago), que escrevem porque isso é uma razão superior na sua vida (e dormem menos, e não gastam o que lhes apetece, e têm um tempo controlado de maneira diferente), que têm vida familiar ou não, que acreditam ou não no que fazem, que esperam um dia poder viver só do que escrevem e lutam por isso com alguma tenacidade. Alguns são professores, outros são bancários, outros são advogados, outros são funcionários do Estado, o que forem. Conheci muitos ao longo dos últimos vinte anos. Conheci bastantes. Vivem em Lisboa, no Porto ou na província — alguns mudaram-se para a província porque aí têm mais tempo e melhores condições financeiras (três deles acabaram de publicar os seus livros — que são bons, e vendem razoavelmente). Alguns aceitaram «a lei do mercado» — e sabem que não serão recompensados financeiramente no imediato, mas continuam a acreditar no seu trabalho —, outros participam dela — e escrevem romances populares, ou mais «vendáveis» (não acho um crime, não).
Passeando pela lista dos escritores realmente significativos (eu escrevi: significativos) dos últimos vinte anos — no estrangeiro —, vejo que nenhum deles teve uma bolsa para primeira obra. Nem para segunda. A maior parte nunca teve, aliás. E os melhores deles todos até são os que conheceram outro mundo para lá da literatura, desde enfermeiros que ganharam o Goncourt, até jardineiros que arrebataram o Booker Prize. (Em vez de — em Portugal — pedir apoio ao Estado, que tal melhorar as condições de retribuição por parte dos editores?) E acho que, por muito genial que um autor se julgue (daquilo que eu conheço, boa parte deles acha-se verdadeiramente injustiçado por ainda não ser venerado), se ao fim de vários livros não se consegue «viver da literatura», acho que é da mais elementar lei da modéstia, do bom-senso e da própria sanidade mental, que se viva de outra coisa para se poder continuar a escrever livremente, sem constrangimentos e sem ressentimentos.
CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
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CITAÇÕES II
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
Mais uma imperdível, do mesmo meu amigo:
O RISO DO PROF. MARCELO. Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era. «O!, that a man might know/ The end of this day's business, ere it come;/ But it suficeth that the day will end,/ And then the end is known.» [Shakespeare, no Júlio César]
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CASA
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
Vou ficar horas sentado a ver Lisboa do outro lado, o vale ao longo do rio, as árvores da serra, a imaginar como seria.
dezembro 06, 2003
IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
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IRRESISTÍVEL
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
Extraído do sempre irresistível Homem A Dias:
Acordo ortográfico
É a cooperação luso-brasileira em pleno. Logo depois do dr. Sampaio, na Argélia, condenar a ‘ocupação’ do Iraque e criticar as políticas israelitas (ver abaixo), Lula da Silva, na Síria, condenou a ‘ocupação’ do Iraque e criticou as políticas israelitas. Reconforta saber que o nosso presidente articula posições (sem segundos sentidos) com os grandes líderes do mundo civilizado. Quem está com Bush é lacaio; quem se entende com Lula é esclarecido (ou batata cozida, mas enfim).
A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
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A ESQUINA ESCRITA ESTA SEMANA
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
O QUE SÃO POEMAS?
Palavras que se juntam e que exprimem mais emoções que razões, que mostram mais o sentir que o resumir – será isto uma aproximação ao que pode ser a poesia? Ou devemos apenas esperar que apenas aquilo que lemos pode ser poesia? E será a exist~encia de palavras uma condicionante da poesia?
No meio de tudo o que é efémero, qual o lugar das canções que atravessam os tempos e perduram nas memórias? São produtos menores ou encerram em si o valor dos sonetos publicados em edições de autor manhosas de há cem anos atrás e que com o correr dos anos ganharam o estatuto de obras-primas?
Defendo desde há uns anos um princípio sobre a escrita contemporânea que gostava hoje de partilhar: é minha convicção profunda que alguma da melhor poesia (e, em certa medida, narrativa) do último meio século se encontra nas letras de canções pop e rock. Mais: acho convictamente que as palavras das canções de Bob Dylan, dos Rolling Stones, de Bruce Springsteen, de Neil Young, de Prince, de Tom Waits, dos Smiths, dos Joy Division, de Beck, de Enimen, dos Mind da Gap, de Sam The Kid, de Jorge Palma, de Sérgio Godinho ou de Mafalda Veiga e Carlos Tê representam o melhor retrato do tempo em que foram feitas. São por si sós pequenos contos ou poemas, agora apenas apreciados como acessórios de melodias mas que o tempo encarregará de preservar na dimensão literária que têm.
Os novos declamadores são os cantores, os autores que cantam o que escrevem, que descrevem o que se passa à sua volta, que mostram o que sentem ou querem fazer sentir. São eles que nos emocionam, que marcam a nossa memória, que balizam as épocas e gerações. As nossas vidas são marcadas por canções públicas, por frases que nos tocaram e ficaram gravadas na memória, por palavras que as mais das vezes foram ouvidas e nunca lidas. Há poucos poemas de amor como «Reel Around The Fountain» dos Smiths, poucas histórias de arrebatamento como «Paixão» de Rui Veloso, poucos episódios de sedução como «Vestígios de Ti» de Mafalda Veiga, poucos manifestos como «The Times They Are A Changin’» de Bob Dylan ou «Street Fighting Man» dos Rolling Stones, poucos gritos como «O Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas» de Sérgio Godinho. Há muitos nomes que ficam a faltar nesta lista mas deixo a cada um de vós o encargo de contribuírem com mais uma sugestão para aesquinadorio@hotmail.com, endereço para que vos peço o envio dos nomes das canções que são os vosso poemas preferidos.
No último meio século as décadas são marcadas por momentos saídos da música e do cinema – mas são as melodias que mais reflectem os ritos tribais da comunhão de sentimentos; os cortes geracionais são feitos em torno de estrelas pop e rock e das canções que se tornaram hinos, que marcam anos e viragens, dos grandes festivais rituais feitos em torno das músicas.
Falemos também de amor: nunca ele foi tão bem descrito como em canções, desde os clássicos de Cole Porter e Irving Berlin até Prince, passando por Springsteen ou Ian Curtis. É impossível ficar insensível às palavras de «Love Will Tear Us Apart», essa previsão fatalista e tão real do que é o desenlace dos grandes romances, da mesma forma como não se pode resistir à tentação que Chris Isaac descreveu em «Wicked Games».
Quanta gente continua a ler poesia e quanta gente a ouve e interioriza? E quantos se recordam das palavras, das rimas que ficaram presas a melodias que não nos largam nunca mais? Muita da melhor escrita está na música, está nestas letras que ficam gravadas nas nossas memórias e que nos ajudam a recordar como os tempos estão a mudar.
ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
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ESQUINA ESCRITA
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
NA SEMANA PASSADA
O SEGREDO DE CAMPO DE OURIQUE
Um dia destes, por graça, escrevi no meu blog que viver em Campo de Ourique me punha bem disposto. Acho que nunca tive tanta resposta a um «post» de blog como neste caso. Até de França uma nativa do bairro me escreveu, informando que todas as últimas sextas-feiras do mês os mais tradicionais campo-ouriquenses (será assim que se diz?) se reúnem num jantar, que, pelos vistos, deve ser hoje : «Não esqueçam que a proxima sexta feira é a ultima do mês de Novembro e que como tal é o famoso dia, ou antes noite, do jantar dos "antigos" da Tentadora».
Tomei conhecimento com Campo de Ourique através de uma descrição catártica do bairro feita em «O Que Diz Molero», de Diniz Mchado. Se bem me lembro era a historieta de uma fuga, apimentada com colorido local. Era eu menino e moço, e vivia no Bairro de S. Miguel, à Avenida de Roma, quando li o escrito e fiquei cheio de juvenil curiosidade sobre aquele distante local da cidade onde tão características personagens serviam de alimento à inspiração dos ecritores.
Acabei lá caído uns 25 anos depois e desde há uma década que me encanto com o Bairro. Há várias razões para isto: é um dos derradeiros bairros da cidade, um dos sobreviventes bairros de Lisboa com vida própria, com comércio onde todos se conhecem, com pequenas lojas como já não existem, ao lado de «franchisings» de grandes marcas ou de lojas de design. Aqui o comércio de rua não é uma palavra vã.
Campo de Ourique tem uma vantagem muito especial sobre outros bairros: é plano, está assente num dos raros planaltos de Lisboa, que vai da Estrela às Amoreiras. Em Campo de Ourique anda-se naturalmente a pé. Passeia-se, em vez de andar de carro. Visita-se uma loja, espreita-se outra, descobre-se um recanto, troca-se meia dúzia de palavras com o vendedor de jornais ou o homem da farmácia, pode-se pedir para guardar pão, até as empregadas do supermercado – mesmo as emigrantes estrangeiras – acabam por nos conhecer e cumprimentar. Mais: em Campo de Ourique há vizinhos, não do andar do lado, mas da mercearia de ao pé da porta. Nas lojas da minha rua, a Rua do Patrocínio, há fruta que não é toda igual, sabe a fruta e não é importada de lugares exóticos – vem das Caldas da Rainha; há uma loja de botões; a deliciosa Tasquinha d’Adelaide; o velho bar Paródia; a igreja dos Alemães e um largo com um chafariz ao pé da Embaixada da Suiça, que o meu bom amigo Fernando Assis Pacheco me fez um dia descobrir.
Se há uma coisa em que Campo de Ourique está bem fornecido é nos restaurantes: desde a já citada Tasquinha, até ao Solar dos Duques, passando pelo Coelho da Rocha, o Bem-Disposto, o Stop do Bairro, o Retiro do Marisco (que pica-pau....), o Tico-Tico (uma das melhores cervejarias da cidade), o Verde Gaio dos grelhados, aqui há de tudo um pouco, para todas as bolsas, mas sempre com qualidade e um serviço simpático. Até o restaurante chinês ao lado de casa me parece invulgarmente bom e as línguas de veado do Café Canas são de longe as melhores de Lisboa.
Mas há mais: uma loja de produtos rurais sempre com queijos, enchidos e doces do melhor, uma pequena confeitaria com doce de abóbora e empadas de galinha irresistíveis, o próprio Mercado Municipal que tem uma variedade rara de produtos da melhor proveniência – como é de bom tom dizer-se, e, finalmente, a Garrafeira de Campo de Ourique, onde pontifica o Sr. Santos, sempre disposto a uma sugestão equilibrada que concilie a qualidade com o preço e nos faça descobrir bons vinhos sem nos arruinar.
Mas o melhor mesmo é que este percurso que acabei de contar se faz com todo o ripanço do mundo numa hora bem passada das manhãs de sábado. Não há muitos sítios assim. É este o segredo de Campo de Ourique.
dezembro 02, 2003
SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
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SONHOS E REALIDADES
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
Às vezes os sonhos são precisos para imaginar realidades. Às vezes os sonhos inspiram-nos. Mas as realidades são mais interessantes que os sonhos, apesar de serem mais árduas e difíceis. Gosto mais de lidar com realidades do que com sonhos, mesmo quando os sonhos são importantes para nos ajudarem a encontrar novos desafios. As realidades são o que são; os sonhos, algumas vezes nada são.
novembro 26, 2003
EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
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EMEL
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
Mais uma citação:
A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.
Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.
A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.
Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.
A origem está aqui.
ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
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ORGANIZEM-SE!
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
No meu tempo do movimento associativo estudantil havia uma boa anedota sobre o tema «organizem-se», que tinha a ver com a necessidade de alguma organização nas farras do estudantariado - hoje em dia seria muito politicamente incorrecta. Não sei porquê lembrei-me da anedota quando li isto.
GRANDE REPOSTAGEM
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
A equipa do Francisco José Viegas vai pôr de pé este fim de semana um novo formato da «Grande Reportagem». Eu, que sou seu admirador confesso e leitor compulsivo do Aviz fico muito contente. Força.
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HOJE
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
Finalmente tenho razões para acreditar que as coisas podem avançar e que o projecto em que estou empenhado vai ter pernas para andar, apesar de todas as rasteiras. Doravante passa-se à fase das caneladas - a quem puser obstáculos no caminho. Parece bem?
COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
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COMO SÂO FEITOS OS TELEJORNAIS?
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
Não resisto a transcrever:
31.II - Problemas genéricos da nossa Imprensa – A Agenda
Em Novembro de 2003, altura em que escrevo, a agenda é dominada a 70 por cento, por dois jornais: o CM e o 24 Horas; com o Público a ser (quase) o único a tentar ter uma agenda própria e quase todos os outros a serem a excepção à regra.
A rede de correspondentes destes dois diários e especialmente as denúncias, através de cartas ou telefonemas às redacções, são o Google que determinam os nossos noticiários. Como vivemos a tal tabloidização da informação em que uma facada é mais relevante de um ponto de vista noticioso público e nacional que, por exemplo, a dinâmica da Agência Portuguesa de Investimento, e como os media não têm tempo para entender que o seu negócio não é vender informação, mas sim cumprir o seu papel ainda num cenário de elevada competitividade (mais explicações desnecessárias, presumo), o CM e o 24 Horas impõem, involuntariamente, a sua linha editorial (natural e legítima) ao resto do país.
Se lessem diariamente estes dois jornais, escusavam de ver os noticiários das 20 horas das televisões. A dinâmica é esta: o editor do jornal televisivo vê a história de manhã num destes jornais, à hora do almoço o repórter já está em Sardinhais de Cima a filmar o nabo gigante e pelas 19h30 tem a coisa montada para entrar em alinhamento, talvez a seguir de uma casa podre, em que nunca é perguntado à desgraçada da inquilina quanto paga de renda, mas são sempre filmadas as rachas no tecto.
Não é novidade que os telejornais são magazines de variedades, largamente premiados pelas audiências e pelos anunciantes. O vouyerismo que há em cada um de nós, que levamos um dia inteiro de chatices, dificilmente encontra melhor companhia para o entrecosto e as batatas fritas que estas micro-narrativas de um mundo ainda mais irreal que o nosso.
À parte o novelo Casa Pia, quase não há ‘assunto’ e um país sem ‘assunto’ é um país estranho. Mas este país, que me lembre, nunca teve direito a ter um ‘assunto’, só ao ‘assunto’ dos jornalistas.
Até à revolução TVI – power to the people – a agenda era ditada em nome dos interesses dos egos dos editores e jornalistas que, por variadíssimas razões, brincavam ao jornalismo, e escrevo brincavam num sentido lúdico do termo e usavam o jornalismo para a sua própria pessoalidade e os seus interesses. (Ou por modismos: bater em Cavaco, bater no CCB, bater na Expo, bater em Vale e Azevedo, defender Timor, chorar Amália, gozar com Santana Lopes)
Assim, e como ilustração, se um editor fosse fanático por sumo, teríamos páginas e páginas sobre o assunto, independentemente do interesse noticioso ou sequer da receptividade do público que consumisse esse media. Ou seja, um jornal era uma coisa demasiado séria para ser deixada ao capricho dos leitores.
A frenética cobertura noticiosa das reuniões dos distritais dos partidos já vai esmorecendo, mas há cinco anos era vulgar ver laudas sobre várias, em vários sítios. A sua utilidade era marginal: o jornalista encarregue de cobrir o partido precisava de cultivar as fontes e sobredimensionava a importância dos jogos florais, porque até poderia vir a dar qualquer coisa...
Ainda hoje eu abro a boca de espanto quando alguém como L. F. Meneses (ou Ângelo Correia, ou João Cravinho, ou Miguel Portas, ou José Lello) ) aparece nos telejornais ou comenta na SIC Notícias. E falo como profissional: o que é que ele interessa, noticiosamente falando?
O resultado foi o esperado: as pessoas deixaram de comprar jornais e deixaram de ver telejornais. A solução, encontrada casualmente claro, foi tirar o tapete aos jornalistas que agora correm atrás do prejuízo, depois de perderem o controle da agenda.
Isto e muito mais pode ser lido aqui
novembro 24, 2003
BLUES
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
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BLUES
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
Fim de semana a arrumar discos - odeio quando me arrumam o escritório e depois de limparem as prateleiras tiram os discos todos da ordem. Desta vez fiquei com o jazz por detrás da pop, com os portugueses atrás dos dvds, com a clássica semeada por todo o lado e com o rock disperso - sinal dos tempos e do que se passa por essas bandas. Salvaram-se os blues. Sobretudo o velho John Lee Hooker e o disco novo de Van Morrison que, vá-se lá saber porquê acabaram juntos, curiosamente ao lado de Gary Moore e do seu "Still Got The Blues".
O QUE SE PASSA?
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
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O QUE SE PASSA?
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
O que se passará no apartamento de cima quando se ouvem ruídos estranhos? Nunca pensaram nisto? - Então divirtam-se com este artigo da New Yorker. Um cheirinho: Quiet, of course, is relative, especially in New York. The covenant of quiet enjoyment—the principle that allows apartment dwellers, stacked like trays of honeybees, to expect a bit of peace—can be an exasperating abstraction. Anyone who has spent some years living in the city has a noise story to tell. Either the neighbor is noisy or the neighbor is crazy. Bedsprings, headboards, blenders, bocce balls, laugh tracks, Marv Albert, Mozart. Some people can live with it and some cannot, and often those who cannot are hard to live with, too.
CAFÉS
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
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CAFÉS
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
Campo de Ourique, onde vivo, é o bairro de Lisboa de que mais gosto. É plano, passeia-se bem a pé, em vez de centros comerciais tem lojas, os fregueses são conhecidos e saudados e os cafés - dos novos aos mais antigos - estão cheios de gente a falar, a ler jornais, às vezes só a descansar. E mesmo em deias chuvosos - como ntem - há um mistério: até as esplanadas têm gente. Dar a volta ao quarteirão é um dos prazeres que tenho - e Campo de Ourique é dos melhores sítios para o fazer.
ENCONTRO
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
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ENCONTRO
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
Ontem à noitinha encontrei um bom amigo e dedicado mestre da fotografia. Ficámos uns minutos à converseta no meio da rua, como sempre ele com projectos, como sempre eu a ouvi-los. Gosto do António, da forma como se apaixona, da capacidade que tem de nos entusiasmar. E gosto de encontrar assim de repente amigos no meio da rua, já noite, e parar para dois dedos de conversa.
novembro 23, 2003
O EURO
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
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O EURO
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
Para acabar de vez com a discussão... para que não se digam coisas ridículas como se vão dizendo, para que não surjam títulos parvos a prpppósito de projectos parvos (como no Público de ontem, sobre o Estádio do Braga), vejam estes projectos para os Jogos Olímpicos de Pequim (2008)... 4 anos depois do Euro 2004 !!!e não fiquem de boca aberta. E lembrem-se: acharmos que somos o centro do mundo dá sempre mau resultado. O século XXI já começou, mas às vezes por aqui não se dá por isso.
DICK
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
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DICK
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
Philip K. Dick é um dos maiores escritores de ficção científica e ganhou a sua fama na época em que o género fazia sentido. Tornou-se um clássico e hoje é um filão para a indústria cinematográfica. Leia a história inteira na Wired, a propósito da próxima estreia de «Paycheck», o novo filme de John Woo. Outros filmes baseados em obras de Philip K. Dick: «Blade Runner», «Total Recall», «Minority Report».
Curto excerto do artigo para ajudar a situar quem foi Philip K.Dick, que morreu pouco antes da estreia de «Blade Runner» e sem nunca ter ganho dinheiro que se visse com a sua obra: Dick's anxious surrealism all but defines contemporary Hollywood science fiction and spills over into other kinds of movies as well. His influence is pervasive in The Matrix and its sequels, which present the world we know as nothing more than an information grid; Dick articulated the concept in a 1977 speech in which he posited the existence of multiple realities overlapping the "matrix world" that most of us experience. Vanilla Sky, with its dizzying shifts between fantasy and fact, likewise ventures into a Dickian warp zone, as does Dark City, The Thirteenth Floor, and David Cronenberg's eXistenZ. Memento reprises Dick's memory obsession by focusing on a man whose attempts to avenge his wife's murder are complicated by his inability to remember anything. In The Truman Show, Jim Carrey discovers the life he's living is an illusion, an idea Dick developed in his 1959 novel Time Out of Joint. Next year, Carrey and Kate Winslet will play a couple who have their memories of each other erased in Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Memory, paranoia, alternate realities: Dick's themes are everywhere.
At a time when most 20th-century science fiction writers seem hopelessly dated, Dick gives us a vision of the future that captures the feel of our time. He didn't really care about robots or space travel, though they sometimes turn up in his stories. He wrote about ordinary Joes caught in a web of corporate domination and ubiquitous electronic media, of memory implants and mood dispensers and counterfeit worlds. This strikes a nerve. "People cannot put their finger anymore on what is real and what is not real," observes Paul Verhoeven, the one-time Dutch mathematician who directed Total Recall. "What we find in Dick is an absence of truth and an ambiguous interpretation of reality. Dreams that turn out to be reality, reality that turns out to be a dream. This can only sell when people recognize it, and they can only recognize it when they see it in their own lives."
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