Tenho a certeza que poucos têm ideia do lixo que produzem. Um estudo recente indica que , cada português gera em média mais de 500 kgs de lixo por ano, desde papel a embalagens de vidro, metal, cartão ou electrodomésticos variados. A isto há que adicionar os resíduos sólidos das indústrias e serviços, que incluem desde material electrónico a caixas multibanco. Os resíduos urbanos, aquilo que produzimos em casa e que não incluem a indústria e serviços, ultrapassam os 5,5 milhões de kgs por ano. E que fazemos a esse lixo? A esmagadora maioria continua a ser depositada em aterros e só pouco mais de um quarto é reciclado, estamos longe das metas europeias. A imagem mostra montanhas de papel que vai ser reciclado e dará origem a caixas para ovos que compramos nos supermercados. Esta montanha de restos de papel de todo género é uma paisagem que não estamos habituados a ver, e que é um retrato, pouco conhecido, deste mundo em que vivemos. Ao longo de uns meses percorri várias instalações de reciclagem do norte ao sul do país, a maioria ligadas à Sociedade Ponto Verde. O resultado desse trabalho constitui uma exposição de fotografia que está até ao fim do ano no Mercado de Campo de Ourique, organizada pelo CC11, um colectivo de fotojornalistas. Estas imagens, estas paisagens que muitos não conhecem, obrigam-nos a olhar para a forma como estamos a cuidar do planeta. Penso que o estamos a deixar em pior estado do que aquele em que o recebemos.
(pensamentos ociosos, semanalmente em sapo.pt)