
Numa feira à beira de estrada há de tudo para cobrir o corpo, mesmo aquelas peças que só os mais íntimos, ou o próprio, podem ver. Com uma nota de vinte euros mais uns trocos compram-se umas calças, duas ou três t-shirts, meias e cuecas para quase uma semana. Ali o que se vende é barato, prático e menos descartável do que se pensa. Nos corredores das feiras a coisa não tem artifícios e o marketing é outro: em vez de modelos deslumbrantes de roupa íntima para homem ou mulher exibidos em grandes cartazes publicitários que arrancam os olhos das estradas e provocam travagens súbitas, ali há manequins de plástico que reproduzem curvas e contrastam com as cores. No estendal da mesma banca surgem cuecas para menino e menina, soutiens e meias. As feiras contemporâneas, daquelas que se realizam num dia certo de cada mês, geralmente num domingo em determinado local, a estrutura parece-se com a de um Centro Comercial urbano. Ali, nestas feiras de estrada, há ruas e zonas bem definidas para tudo: uma para roupa interior, outra para sapatos, chinelas e ténis, uma outra para calças, vestidos, blusas e camisas e, de forma arrumada, surgem secções de ferramentas que já não se vêem em mais lado nenhum, electrónica moderna (com painéis solares portáteis), passarinhos e suas gaiolas, cestos de verga e mobílias de bucho, alcofas miniaturas e coloridas para senhoras levarem no braço, quais birkins lusitanas, plantas para todos os gostos, fruta e legumes com ar fresco e viçoso e, até um autêntico food corner que se estende por um apreciável número de barracas, cada um com a sua esplanada, onde o menu principal é a bifana e a bebida de eleição é a mini. Uma manhã de feira é uma ida ao país real.