setembro 05, 2025

A CRESCENTE VIOLÊNCIA

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CIDADANIA - Hoje o tema é cidadania, entendida como o comportamento em sociedade baseado no respeito pelos outros, pelas opções de cada um, sejam políticas, religiosas, culturais ou sexuais. Infelizmente a cidadania e o civismo têm vindo a perder-se. Há uma sensação crescente de intranquilidade e assistimos à revelação de uma série de crimes que desmentem a teoria de que Portugal é um país de brandos costumes. Os dados são terríveis: num semestre a PSP registou 3743 queixas de agressões feitas por filhos aos seus pais e nos primeiros seis meses deste ano foram recebidas pela PSP e GNR 18396 denúncias de violência doméstica, muitas delas causadas por questões passionais e acusações de traição, algumas culminando em violações e outras em mortes. Entre janeiro e agosto deste ano registaram-se 84 homicídios, número quase igual aos 89 ocorridos durante todo o ano de 2024. Segundo a Polícia Judiciária, nos últimos 14 anos 63 crianças foram mortas em ambiente familiar e  a maioria dos crimes foram cometidos pelas mães. Nesta semana soube-se que após uma série de ameaças, chantagem para extorquir dinheiro e repetidas agressões, um homem de 43 anos esganou a ex-companheira e incendiou-a para garantir que  morreria, o que veio a suceder. Todas as semanas surgem notícias sobre disputas entre vizinhos, muitas vezes por razões fúteis, que acabam com agressões graves e até mortes a tiro. Na rua há cada vez mais cenas de agressões, sobretudo na sequência de discussões no trânsito e já aconteceu um dos protagonistas puxar de uma arma e disparar. Os comportamentos sociais alteraram-se, a violência, verbal e física, passou a fazer parte do quotidiano. O problema não é policial, tem a ver com a degradação de comportamentos em sociedade, com falta de civismo e de bom senso. No meio das muitas discussões sobre a disciplina de Cidadania talvez não fosse má ideia centrar o seu ensino acima de tudo o resto, naquele princípio básico de que todos devemos respeitar as opiniões dos outros, por muito que sejam diferentes das nossas, e que as questões não se resolvem com violência. Respeitar os outros deixou de ser a regra, infelizmente passou a ser a excepção e vejo pouca gente a preocupar-se com isso e a ter particular atenção em incutir essa ideia nos mais novos e também naqueles que vindos de outros mundos e outras culturas decidem vir para Portugal.


 


SEMANADA - Mais de um terço dos candidatos à Câmara de Lisboa vivem fora da cidade; no mês passado o número de funcionários do Estado ultrapassou os 760 mil, o maior número de sempre, o que significa 14% da população activa; um inquérito recente indica que 72% dos portugueses afirmam trabalhar naquilo que gostam; o valor que as famílias portuguesas prevêem gastar em lojas on line para preparar o regresso às aulas é 200 euros; mais de 15% dos portugueses não consegue aceder a cuidados dentários por razões financeiras; os incêndios florestais ocorridos desde 1 de Janeiro consumiram 250 mil hectares, a maior parte dos quais entre 26 de julho e 31 de Agosto e representam dez vezes a área da barragem do Alqueva ou 25 vezes a área de Lisboa, ou 62 vezes a área do Porto; os incêndios causaram quatro mortes e centenas de feridos; dados oficiais indicam que  entre 2011 e 2020 registaram-se 17 grandes fogos e em oito deles fogo posto é a causa apontada; as prisões portuguesas estão a funcionar com menos dois mil guardas do que previsto; o número de estrangeiros com autorização de residência que estão inscritos no Serviço Nacional de Saúde era, em julho deste ano, seis vezes maior do que em 2017 atingindo quase um milhão de utentes; no mesmo período, os imigrantes no país aumentaram 267% e as contribuições para a Segurança Social subiram 600%; Portugal perdeu 400 milhões de euros em investimento directo estrangeiro nos primeiros seis meses deste ano; em julho a dívida pública aumentou cerca de mil milhões de euros, atingindo um novo recorde histórico de 288 mil milhões de euros; segundo o Banco de Portugal a dívida pública está a crescer desde dezembro do ano passado e nestes oito meses o endividamento público agravou-se 18,8 mil milhões de euros.


 


O ARCO DA VELHA - Dois agentes da PSP de Coimbra foram mordidos e arranhados por um casal, após terem sido chamados para resolver uma denúncia de ruído num prédio.


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CONHECIMENTOS LITERÁRIOS - Para quem gosta de livros foi publicada há pouco tempo uma obra fundamental: A Literatura Universal em 100 Perguntas”, de Felipe Díaz Pardo. O autor aborda géneros, obras e autores fundamentais, formas, estilos e personagens que atravessaram os séculos, épocas, movimentos e gerações literárias. E responde a perguntas como estas: Porque é que os temas das peças de Shakespeare continuam a ser actuais? Quando é que surgiu o romance de folhetim na Europa? Quais são os bestsellers da literatura universal? Quais são as grandes obras da literatura para jovens? Onde nasceu o modernismo? Quando é que se tornou mágico o Realismo? “Existem regras para escrever um conto? Em que ano nasceu o romance policial? Em que casos é que a literatura e o jornalismo se aproximam? Porque é que Gulliver não é um livro para crianças? “Qual o livro mais difundido da História? ou, em que se parecem as obras de Camões e Cervantes?. Estas são apenas algumas das cem perguntas a que o autor responde ao longo de 300 páginas. Felipe Diaz Prado é professor, escreveu materiais didácticos, ensaios, romances, contos e um livro infantil. A edição é da Guerra & Paz.


 


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FESTIVAL DE FOTOGRAFIA -  Até Novembro a sétima edição do Imago Lisboa apresenta  nove exposições, a primeira inaugurou esta semana na SNBA e sob o título “Invisible Borders” apresenta até 4 de Outubro os olhares fotográficos de Alina Zaharia, Gloria Oyarzabal, Grace Ribeiro, Patrik Rastenberger, Omar Victor Diop e Wendel A. White, com curadoria de Rui Prata. O título da exposição evoca as fronteiras que se impõem entre o que é visto e o que é reconhecido e os trabalhos apresentados procuram abordar a subtileza e a brutalidade do racismo. A imagem aqui reproduzida é de Omar Victor Diop  e inspira-se nos retratos ocidentais dos séculos XV a XIX, que retratam figuras negras que ascenderam a um estatuto social elevado nos tribunais e na ciência, por exemplo. Victor Diop é ele próprio o modelo fotografado em auto-retrato em estúdio e todos os trabalhos expostos contêm pormenores que evocam o futebol, como luvas de guardas redes , bolas, apitos ou chuteiras. Diop evoca assim que o futebol é um fenómeno global onde jogadores de origem africana ganham uma grande notoriedade mas são muitas vezes alvo de manifestações racistas. Esta edição de 2025 do Imago Lisboa tem como tema  “Quebrar o silêncio, caminhar juntos” e  “convida à escuta e à partilha, num momento em que a convivência entre culturas e experiências se torna imperativa e Portugal, enquanto território histórico de cruzamentos, encontros e deslocações, revela-se simultaneamente como espaço de acolhimento e de silêncio.” - afirma Rui Prata, responsável pelo festival. A programação artística do Imago Lisboa 2025 espelha a diversidade das práticas fotográficas actuais e são complementadas por um programa de actividades que inclui debates, oficinas, projeções, leituras de portfólios e conferências. Ao longo dos meses, até Novembro, vão abrir exposições nas Carpintarias de São Lázaro (16 de Setembro), Museu da Água (18 de Setembro), Galeria Santa Maria Maior (9 de Outubro), Arquivo Municipal Fotográfico de Lisboa (15 de Outubro)  Imago Garage (17 de Outubro) Procurarte  e Galeria Imago (18 de Outubro) , Museu Nacional de Arte Contemporânea (20 de Novembro). Todo o programa está disponível em www.imagolisboa.pt .


 


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ROTEIRO - De 5 de Setembro a 1 de Outubro, pode ver na Galeria Diferença (Rua de S. Filipe Nery 42)  “Espelhos e Sombras, uma exposição inédita que junta as fotografias de Jorge Molder a obras de Rui Sanches, esculturas e um diptico de fotografia e desenho (na imagem). É uma exposição inesperada muito bem montada no espaço da Diferença. A galeria Underdogs apresenta, até 1 de Novembro “Broken Vision”, a primeira exposição individual de Paul Insect em Portugal. A mostra reúne 22 obras inéditas e originais que, segundo a galeria, exploram “o universo visual inconfundível do artista britânico, cuja prática se move entre a colagem, o simbolismo gráfico e uma abordagem crítica ao quotidiano contemporâneo”. (Rua Fernando Palha, Armazém 56, a Marvila). Em Braga está de volta “A Noite Branca”, entre 5 e 7 de setembro, com dezenas de atividades culturais, artísticas e musicais por toda a cidade. Dois dos espaços em destaque são o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa e o Museu dos Biscainhos, que terão uma programação especial. E em Lisboa arrancou a 3ª edição da Mostra de Fotografia e Autores com 12 exposições anunciadas em telões gigantes no mercado da Ribeira. E dia 7 os Jardins do Bombarda acolhem quatro inaugurações às 16h00: “Passos em Volta” de Eduardo Gageiro (a partir do espólio que o fotógrafo depositou na Cãmara Municipal de Torres Vedras), “Blessed Ground” de Ricardo Lopes, “Almas em Cura” e “Cante” de Ana Baião. 


 


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REDESCOBERTA - Bernie Maupin tocou em discos como “Bitches Brew” de Miles Davis, ou “Mwandishi and Headhunters” de Herbie Hancock. Fez fama como um multifacetado músico de estúdio no saxofone, clarinete ou flauta. Em 1974 gravou o seu primeiro disco como líder de um grupo que incluía Herbie Hancock no piano, Buster Williams no baixo, Bill Hart, Freddie Waits e Bill Summers nas percussões e em alguns temas Charles Sullivan no trompete - uma rara conjugação de talentos e uma sonoridade bem de acordo com essa época. Com oito temas, todos originais de Maupin, “The Jewel in the Lotus” é um daqueles clássicos esquecidos que vale a pena redescobrir. Disponível nas plataformas de streaming.


 


ALMANAQUE - Para assinalar o 40ºaniversário da histórica exposição “New Photography” no MOMA em Nova Iorque, o Museu apresenta a partir de 14 de Setembro e até 17 de Janeiro  ‘New Photography 2025: Lines of Belonging’, com trabalhos de artistas de quatro cidades: Joanesburgo, Nova Orleans, Katmandu e Cidade do México.


 


DIXIT - “Durante décadas, o país construiu uma paisagem altamente inflamável. Grandes extensões de monoculturas de pinheiro-bravo e eucalipto, no meio de matos abandonadas e sem qualquer gestão ativa, criaram um contínuo de vegetação seca e densa — combustível perfeito para alimentar incêndios de grandes proporções.” - Rui Simões, no “Público”.


 


BACK TO BASICS -  “O grande mistério do Governo não é perceber como Washington funciona, mas sim como se pode parar” - P.J. O’Rourke


 


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS