agosto 09, 2025

SOL E SOMBRA


40F0B3B6-EEF3-475D-8D00-FC32B7E138D8.JPG


Em relação à prática da praia sou um pouco paradoxal: em não havendo sombra, não contem comigo. Ficar à torreira do sol não é coisa que me agrade. Fico inquieto, transpirado e, se a coisa demorar muito tempo, mal disposto. Preferia os toldos antigos de lona a estes chapéus meio tropicais que se tornaram a imagem de marca de muitas praias portuguesas. O toldo permitia orientar a sombra, puxando as cordas e fazendo variar o ângulo da lona É toda uma ciência que agora entra para o rol dos conhecimentos desnecessários. O chapéu de palhota é estático, temos que andar à volta dele a arrastar a espreguiçadeira à procura da sombra e há sempre um bocado do corpo que fica de fora. Sombra redonda é sombra incompleta. Por falar nisso, faço parte daquela minoria silenciosa que prefere uma cadeira a uma espreguiçadeira. Ler sentado é bem melhor que deitado e já que se vai à praia iluminam-se as ideias em vez de tostar na cabeça. Mas pronto, palhotas com espreguiçadeira é o que temos, e haver uma nesga de sombra já é bem bom. Só gosto de sol quando caminho à beira mar - e escusam de pensar que faço longas distâncias. Ando um bocado a chapinhar, de vez em quando entro dentro de água para refrescar, dou meia volta e ando para trás. Não corro nem uso aparelhos para medir passos e distâncias. Não vou à praia fazer treino físico, e quando vejo alguém nessa actividade fico sempre a pensar na falta de noção - e elegância - de muita gente. Gosto de andar sózinho, a espreitar o que o mar deixou na areia, volta e meia a ver a espuma das ondas. Andar na areia é um bom exercício visual - quer olhando para o mar, olhando para o chão, ou voltando a atenção para cima a observar o areal e seus habitantes. No fundo, bisbilhotar. Se não fosse assim, a praia não tinha metade da graça.